22 de fev de 2015

Sadomasoquismo

Dizem que era a piada favorita do Freud. Mulher para marido:

— Querido, se um de nós morrer antes do outro, eu juro que não caso outra vez.

Freud talvez também gostasse da piada que se tornou atual e relevante com a nova moda de relações sexuais sadomasoquistas, popularizada nos livros e na adaptação para o cinema dos tais “50 tons de cinza”. O sádico casou com uma masoquista e os dois passam o tempo todo brigando.

A masoquista:

— Me bate.

O sádico:

— Não bato.

A masoquista:

— Me bate.

O sádico:

— Não bato.

— Por favor, me bate!

— Não bato.

E assim pelo resto da vida.

Uma vez imaginei uma visita do Sacher-Masoch, escritor austríaco cujos gostos deram origem ao termo “masoquismo”, ao Marquês de Sade, o escritor francês que deu nome ao sadismo. Uma visita impossível de acontecer na vida real, já que os dois não foram contemporâneos. Mas na arte, ou pelo menos nas piadas, tudo é permitido.

De Sade oferece a Masoch:

— Chá? Está fervendo.

— Aceito, obrigado.

— Vou lhe dar uma xícara.

— Não precisa. Pode ser na mão mesmo.

— Hmmm — diz de Sade. — Sinto que este pode ser o começo de uma bela amizade.

Falando em sadismo, não quero assustar ninguém, mas já se deram conta que, se o golpismo que anda à solta conseguir empixar a Dilma, só um Michel Temer nos separará do Eduardo Cunha na Presidência da Republica? A saúde do Michel Temer passará a ser a principal preocupação da nação. Um espirro do Michel Temer, uma palidez extemporânea, um leve enjoo pós-prandial colocarão o país em alerta.

O perigo, se acontecer o pior, é a gente sucumbir à ideia de que o Eduardo Cunha na Presidência não é mais do que este país merece. Uma espécie de masoquismo fatalista.

Luís Fernando Veríssimo

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