31 de dez de 2014

Eduardo Galeano e o direito ao delírio

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Cruzada contra corrupção pode conter corrupção na sua origem


Quem é contra a corrupção?

As motivações e os objetivos das campanhas contra a corrupção que nos últimos anos têm sido a bandeira de guerra do PSDB e da grande imprensa são vários e nenhum deles é nobre.

O motivo mais óbvio é obter o desgaste político e eleitoral dos governos do PT. Mas, a coisa não para por aí.

Para entender melhor tais campanhas é preciso fazer uma espécie de sociologia política do discurso e da prática das cruzadas contra a corrupção, tratá-los como um fenômeno ideológico que deforma de maneira interessada a realidade política — o que não significa que o faça de modo consciente.

Temos de seguir algumas pistas e a primeira delas é a seletividade da indignação moral tucana: nem toda corrupção é denunciada e combatida. Essa seletividade opera com dois filtros.

Moral e interesses

O primeiro filtro, e o mais óbvio, consiste em denunciar apenas e tão-somente os casos de corrupção que envolvem os partidos adversários, principalmente o PT.

A corrupção tucana é varrida por esses campeões da moralidade pública para debaixo do tapete. Esse comportamento nos obriga a descartar, de saída, toda e qualquer motivação ética na ação tucana, se entendermos a ética, tal qual eles próprios propalam, como um conjunto de valores morais imperativos desvinculados de interesses materiais “menores”.

Não é verdade, portanto, que os tucanos sejam contra a corrupção.

O segundo filtro, esse raramente notado, consiste em denunciar os casos de corrupção que envolvem empresas, instituições e lideranças que desempenham um papel importante na política neodesenvolmentista dos governos do PT.

Não se trata apenas de desgastar o PT para vencer eleições. Trata-se, na verdade, de eleger como alvo as instituições que têm sido um instrumento importante da política econômica e social dos governos do PT.

De fato, a julgar pelos casos rumorosos de corrupção investigados com sanha que atropela o próprio direito — como ficou patente no julgamento da Ação Penal 470 pelo STF — e divulgados com persistência e detalhes inauditos pela grande imprensa, instituições como o Banco Central, onde imperam os interesses do grande capital financeiro, seriam verdadeiras vestais do Estado brasileiro, a despeito das relações incestuosas das sucessivas diretorias do BC com as diretorias de instituições financeiras privadas, enquanto a Petrobrás, instrumento central da política neodesenvolvimentista, seria um antro de larápios.

A oposição tucana, como todos sabem, manifesta-se, há tempo, na voz de seus mais autorizados dirigentes, contra o regime de partilha na exploração do petróleo e contra a legislação que obriga a presença da estatal em todos os poços em exploração.

Os tucanos querem abrir mais a exploração ao capital estrangeiro.

Outro resultado muito apreciado pelo PSDB de um eventual recuo na posição da Petrobrás na exploração do petróleo seria o fato de que a redução dos investimentos produtivos da petroleira brasileira liberaria mais capital para a distribuição de dividendos aos acionistas privados da Petrobrás.

Em reportagens do jornal Valor Econômico, as vozes das finanças têm deixado clara sua insatisfação com o programa “muito ambicioso” de investimentos (produtivos) da Petrobrás que desviam a receita da empresa da nobre tarefa de encher o bolso dos acionistas privados.

As finanças preferem o modelo tucano de gestão da Sabesp: farto na distribuição de dividendos aos acionistas privados e minimalista no investimento para captação, conservação, tratamento e uso racional da água.

Ademais, os tucanos têm se manifestado, e de modo insistente, contra a política de conteúdo local nas compras da petroleira brasileira.

A Petrobrás tem a obrigação de adquirir e contratar 65% dos produtos e serviços junto a empresas locais. Essa política praticamente ressuscitou a indústria naval brasileira. Fernando Henrique Cardoso jogara a indústria naval na lona.

Após uma sucessão de medidas de abertura comercial, restrição de financiamento e outras, Cardoso entregou o governo com o setor naval empregando diretamente apenas 4.000 trabalhadores.

Hoje, os antigos estaleiros brasileiros foram recuperados, criaram-se estaleiros novos, e o setor oferece 80.000 postos de trabalho.

A política de conteúdo local incomoda muito o PSDB, esse procurador dos interesses do capital estrangeiro e das empresas brasileiras integradas esse capital.

Seus economistas mais credenciados contam-nos a seguinte fábula. O objetivo declarado da política de conteúdo local é estimular a produção brasileira de navios, plataformas, sondas, equipamentos, serviços de engenharia etc.

Contudo, dizem-nos, o efeito obtido será, num futuro próximo, o contrário do desejado.

Com a proteção da produção brasileira no sistema de compras da Petrobrás, as empresas ficam a salvo da concorrência internacional, perdem o estímulo para inovar e, no médio prazo, tornam-se obsoletas, sendo levadas ao declínio econômico.

Que felicidade descobrir que a corrupção contaminara justamente o sistema de compras da Petrobrás, isto é, a política de conteúdo local!

Os tucanos e a grande imprensa estão, agora, na fase mais importante da operação política que se assenhorou da Operação Lava a Jato.

Reportagens e editoriais dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo já estão propondo como solução para a “crise de Petrobrás” o fim do regime de partilha, o fim da política de conteúdo local e até a completa privatização da estatal.

Com a Petrobrás exangue em decorrência da “campanha contra a corrupção”, as petroleiras estrangeiras poderão voltar a reinar e a indústria naval da Ásia, Europa e Estados Unidos voltará a ter livre acesso ao mercado brasileiro.

No segmento da construção pesada, o capital europeu almeja um objetivo semelhante.

Em reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, a Comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, após rápidas considerações de ordem moral criticando a corrupção no mercado brasileiro de obras públicas, afirmou que a União Europeia exige, para fechar um acordo de comércio com o Mercosul, maior abertura às empresas europeias no processo de contratação de obras públicas.

A Comissária Cecilia Malomstrom nada disse sobre as empresas europeias Siemens e Alstom que são rés confessas em processo que apura a prática de corrupção no sistema de trens e no metrô de São Paulo sob governos tucanos.

O que importa mesmo é que em 2013 o mercado de obras públicas no Brasil movimentou mais do que movimentaram os mercados da Índia e da Argentina somados.

Se o judiciário declarar inidôneas as grandes empreiteiras brasileiras, impedindo sua participação na contratação de obras públicas, seja qual for o sentimento ou a ideia que anime procuradores e juízes que vierem a concorrer para essa decisão, a Comissária Cecilia Malomstrom lhes será grata.

A Petrobrás é um instrumento chave do neodesenvolvimentismo. Ela é uma empresa estatal gigante que dá ao Estado capacidade para fazer política industrial e de crescimento.

Em torno dela, giram a indústria da construção naval, a construção pesada e outros segmentos importantes da burguesia interna brasileira.

O PSDB, como representante do capital internacional e da burguesia a ele integrada, não escolheu a Petrobrás como alvo por acaso.

Seguindo essa linha de raciocínio, uma hipótese plausível é que, depois da Petrobrás, chegará a vez do BNDES.

Política e ideologia

Se o que desejam o capital internacional, as empresas brasileiras a ele integradas, o PSDB e a grande imprensa é a destruição de um instrumento chave da política neodesenvolvimentista, porque, então, não vão direto ao assunto? Por que o longo desvio da “luta contra a corrupção”?

Porque os tucanos estão às voltas com a dificuldade — típica das forças políticas que representam interesses minoritários — que consiste em ter de obter apoio popular para bandeiras impopulares.

Eles são obrigados a esconder seus verdadeiros objetivos e a agitar o programa retórico da ética na política para poder obter um mínimo de aceitação.

Não é uma tarefa fácil convencer a massa da população de que o melhor a se fazer seria abrir mão do controle nacional sobre a riqueza do pré-sal, reduzir a receita da Petrobrás, desidratar o Fundo Social da Educação e da Saúde proveniente da exploração do pré-sal e cortar emprego na construção naval.

Para chegar a esses objetivos impopulares são obrigados a escondê-los, a dar voltas, animando a cruzada contra a corrupção.

A favor dos tucanos só podemos dizer uma coisa. No geral, eles não fazem isso apenas com o cinismo. É certo que mentem conscientemente em público e urdem intrigas nos bastidores. Porém, fazem isso no varejo.

No atacado, eles “acreditam crer” nos grandes princípios que alardeiam e se deixam iludir pelos personagens aos quais dão vida na cena pública — o político ético, o gestor competente, o condottiere da mudança e outros.

O fato é que os tucanos lograram confiscar a justa indignação popular com os criminosos de colarinho branco para atingir um objetivo que não interessa aos setores populares, mas, sim, ao grande capital financeiro internacional e a seus aliados internos.

Para uma análise segura desse caso da Petrobrás seria preciso estar de posse de muitas informações que não temos.

Dentro de alguns anos, talvez venhamos saber com segurança como é que foi tomada a decisão de se iniciar a operação que a Política Federal e a grande imprensa denominam “Lava Jato” (sic). Na falta de informações, podemos fazer algumas conjecturas.

Algo que não deve ser descartado é a ideia de que tenha ocorrido uma conspiração orientada por um centro — a crítica à teoria da conspiração não deve nos levar a negar a ideia de que há conspirações na história.

Por exemplo, um lobby das petroleiras ou da indústria naval estrangeira obteve apoio de embaixadas estrangeiras no Brasil para, em festas regadas a champanhe na capital federal, soprar nos ouvidos de procuradores do Ministério Público, de juízes ou de delegados da Política Federal a ideia de criar a operação “Lava Jato” (sic).

Podem ter oferecido também algum estímulo material para convencer esses ilibados senhores da importância da empreitada. A cruzada contra a corrupção pode conter na sua origem a própria corrupção

Outra possibilidade é que a operação tenha uma história mais complexa e tortuosa.

Altos funcionários do Estado, movidos pelo ódio de classe que os indivíduos pertencentes à classe média abastada nutrem pelos governos do PT, decidem desencadear a operação.

O trabalho entusiasma juízes, procuradores do Ministério Público e delegados da Política Federal, todos emulando Joaquim Barbosa.

A animação é tanto maior quando percebem o apoio amplo e firme que a operação recebe da grande imprensa — que age como representante do grande capital internacional e das empresas brasileiras e ele ligadas.

Ato contínuo, os tucanos vêm na operação a oportunidade de ganhar votos e ferir de morte um dos principais instrumentos da política neodesenvolvimentista do PT.

Terceira possibilidade, os dois caminhos anteriormente descritos misturam-se de forma complexa.

Conjecturas à parte, algumas coisas são certas. Primeiro, o PSDB não está preocupado, ao contrário do que afirmam seus dirigentes, com uma suposta “ética republicana”.

Tanto é assim, que condenam apenas seletivamente a corrupção.

Segundo, o objetivo oculto desse discurso opaco é, ao menos para as forças mais poderosas envolvidas na cruzada contra a corrupção, desregulamentar, abrir e privatizar ainda mais a economia brasileira.

Luta popular e corrupção

Dirigentes, parlamentares, ocupantes de cargos executivos do Partido dos Trabalhadores estão ou estiveram envolvidos com corrupção — aliás, isso não representa novidade na história dos partidos de tipo socialdemocrata.

O movimento democrático e popular não deve se calar diante desse fato; deve assumir, sem hesitação, a luta contra a corrupção. Mas, deve fazê-lo a seu modo.

Em primeiro lugar, ao contrário do que dizem os moralistas, a corrupção não é o único elemento a ser considerado na avaliação de um governo ou de um partido político.

O movimento popular não pode descartar a possibilidade de ter de garantir apoio a um partido que abriga corruptos — os moralistas da cruzada contra a corrupção também fazem esse tipo de cálculo, embora não o digam abertamente.

Em segundo lugar, o movimento popular deve saber que a corrupção é uma prática endêmica na sociedade capitalista em decorrência de elementos definidores do próprio capitalismo: a disputa econômica entre as empresas, a concentração da propriedade e da renda — concentração que pode ser convertida em influência política —, da concentração do poder político — que, por sua vez, pode ser convertida em vantagens econômicas — e em decorrência, também, do segredo que protege a burocracia de Estado.

Deve saber, portanto, que ao combater a corrupção combate por leis e instituições que a inibam, mas que não vão erradicá-la. A corrupção não decorre da mera desonestidade dos ocupantes de cargos públicos e dos diretores de empresas privadas.

Por último, deve ter claro que o discurso contra a corrupção e a política que ele estimula estão ligados a interesses de classe que, no caso dos interesses do capital internacional e do PSDB, permanecem ocultos.

O movimento popular tem interesse em que sejam investigados e punidos os crimes de colarinho branco praticados por funcionários da Petrobrás e por diretores de empresas.

Mas, não pode ignorar que o PSDB e a grande imprensa estão usando a cruzada contra a corrupção para suprimir leis e instituições que protegem a economia nacional e para inviabilizar o apoio crítico que o movimento popular tem dispensado ao Governo Dilma.

O declínio do voto popular em Dilma Rousseff na eleição de 2014 em São Paulo indica que o PSDB alcançou em parte esse objetivo.

É preciso tirar outras lições desse caso. Ele evoca a luta por uma Constituinte exclusiva e soberana para reformar o sistema político.

A reforma política, oriunda dessa Constituinte, poderia, além de proibir a contribuição financeira de empresas a candidaturas, prever a organização de Conselhos Populares para supervisionar os processos de licitações e de compras públicas.

Armando Boito Jr., professor de Ciência Política da Unicamp
No Viomundo
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Encruzilhada petista


Os partidos políticos, na tradição conservadora brasileira, dificilmente passam de máquinas ou legendas eleitorais, cuja vinculação com o Estado é ditada pela relação de troca, entre apoio parlamentar aos governantes que elege e condições de reprodução, tanto políticas quanto materiais, para as próprias agremiações e seus chefes.

A burguesia brasileira, particularmente no período posterior à ditadura, foi construindo ou ocupando outros espaços para disputar a direção programática dos governos, os valores predominantes na sociedade e o comando das operações políticas de envergadura.

O principal destes instrumentos, sem dúvida, é a rede de comunicação, controlada por monopólios de imagem, som e escrita. A interface entre esses veículos e as grandes corporações empresariais, ao mesmo tempo principais anunciantes da mídia e maiores financiadoras de campanhas eleitorais, constituem o núcleo duro da hegemonia burguesa, ao redor do qual orbitam partidos e políticos da classe.

A vitória do Partido dos Trabalhadores, em 2002, poderia ter representado um triplo desafio a esse sistema de poder.

A primeira perna deste possível enfrentamento estava — e continua — na possibilidade de mudar drasticamente o modelo eleitoral. Sem doações empresariais e com voto em lista, provavelmente haveria elevação da densidade político-ideológica e fortalecimento dos partidos.

Poucas seriam as chances de sobrevivência para organizações sem células mobilizadas no país, incapazes de fazer o confronto de projetos e desprovidas de canais para representar interesses sociais consolidados.

Democratização dos meios de comunicação

O segundo termo desta oportunidade histórica vislumbrava-se na democratização dos meios de comunicação, através de sua regulação antimonopolista.

A expansão dos instrumentos de imprensa, demolindo privilégios de oligarquias familiares, criaria outro ambiente para a batalha de ideias e informações, aberto à diversidade, ao contrário da pasteurização atual, de natureza classista e autoritária.

O terceiro e último elemento seria a emergência, como partido governista, de associação capaz de formular propostas, organizar embate por sua legitimação e mobilizar os setores desejosos de efetivá-las.

O PT poderia ter virado de avesso o destino manifesto dos partidos oficialistas, qual seja, a concorrência por cotas de poder nas entranhas do Estado.

A verdade é que, a princípio, nenhum destes passos foi realmente tentado.

Antes de mais nada, porque a reforma política e a regulamentação da mídia foram claramente colocadas em segundo ou terceiro plano, quando não simplesmente em algum arquivo morto.

Mas também o cotidiano petista esteve regido pelo tradicionalismo.

Aceitou-se que a articulação e a vocalização da política deveriam ser feitas prioritariamente pelo governo. Ao partido caberia, fora dos períodos eleitorais, garantir a unidade e a disciplina de suas bancadas, a defesa pública incondicional dos atos administrativos e o convencimento de segmentos eventualmente descontentes.

Braço parlamentar

O PT era, neste desenho, uma espécie de braço parlamentar do poder executivo.

Tal fórmula, de estatização do partido, já seria custosa em administração monocolor. Distintas experiências históricas nos ensinam que essa receita leva ao esvaziamento do debate interno, ao distanciamento dos movimentos populares, ao desprestígio junto à intelectualidade e à burocratização geral da vida partidária.

O cenário piora, contudo, quando estamos tratando de gestão multipartidária, especialmente quando os demais sócios não respeitam a mesma disciplina do partido ao qual pertence o presidente da República.

O PT, enclausurado no governo, viu-se em situação passiva diante de agremiações coligadas, que se jogavam abertamente na defesa de medidas que atendiam às frações sociais que representam, articulando-se com os poderes fáticos da república.

Sem vida autônoma, o partido aguardava, nas questões mais relevantes, que o Palácio do Planalto ou a Esplanada dos Ministérios tomassem posição, para acerrar fileiras a seu favor.

Parecia haver acordo tácito, pelo qual os petistas renunciavam a qualquer pugna pública na determinação de políticas estatais.

Formatava-se, assim, dinâmica de negociação na qual o governo estipulava proposições ou encaminhamentos a partir da sondagem de qual seria o mínimo denominador comum entre aliados políticos, sindicais, empresariais e até religiosos.

Raramente o conflito precedia a formação de consenso. Abdicava-se de aproximar a concertação de concepções historicamente advogadas pela esquerda, o que somente seria possível através de disputa mobilizada na sociedade.

Importante exceção, e vitoriosa, foi a discussão sobre o marco civil na internet.

Mas poucas foram as vezes que se estabeleceu o enfrentamento como conduto para pactos mais arrojados entre os agrupamentos que compõem o gabinete e as classes ali representadas.

Hábitos e vícios das legendas burguesas

Engolido pela engrenagem institucional, o PT perdeu muito de sua seiva. Adquiriu vários dos hábitos e vícios das legendas burguesas, além de fazer opção pela retaguarda como lugar preferencial no processo político.

Os efeitos mais sensíveis foram o descolamento em relação à vida e às lutas das massas, o atrofiamento da capacidade formuladora, a renúncia à formação de quadros para além de tarefas estatais e o predomínio do cretinismo parlamentar como cultura política.

Não se pode esconder que este enfraquecimento político-ideológico também relaxou o controle interno sobre práticas financeiras, afetando a imagem pública do petismo, bastante corroída por denúncias de corrupção.

A boa notícia é que o partido vem concluindo, devagar e sempre, sobre o fracasso desta receita de funcionamento. Ainda que sem clara linguagem autocrítica, o que seria mais pedagógico, várias resoluções partidárias têm sugerido a adoção de outra forma de relacionamento com o governo.

A partir das manifestações ocorridas em junho de 2013 e da última campanha presidencial, ficaram evidentes problemas da opção político-organizativa que prevaleceu desde 2003, mas cujas origens poderiam ser rastreadas em tempos anteriores.

Natureza política

Esta situação, no entanto, não deve ser encarada por viés administrativo, pois é política sua natureza.

Durante longo tempo foi possível a convivência entre um partido de bastidores e reformas baseadas no reordenamento orçamentário, alavanca para modelo de desenvolvimento amparado na inclusão social e na ampliação do mercado interno.

Quando a luta de classes evolui em ambiente de baixo atrito, lastreado pelo crescimento da economia, expressando conflito distributivo que não afeta diretamente a renda do capital, pode-se supor certos benefícios em estratégia que evite tensões eventualmente arriscadas.

Associada à necessidade de alianças parlamentares fora do campo popular e até com grupos conservadores, esta orientação de moderação dos conflitos ganhou ainda mais corpo, tendendo à redução da política como arte de negociação.

Concorde-se ou não com esta concepção, deve-se reconhecer certa harmonia entre a linha geral na direção do Estado e o papel desempenhado pelo PT.

Claro que o partido poderia ter agido de maneira distinta, patrocinando agenda mais avançada sem violar a estratégia estabelecida, inclusive com resultados melhores, mas definitivamente não foi o caso.

O segundo governo da presidente Dilma Rousseff, porém, desponta sob o esgotamento deste primeiro e bem-sucedido ciclo de reformas, cujos sinais passaram a ser politicamente visíveis nos últimos quinze meses.

Mudanças estruturais

Novos e importantes avanços passaram a depender de mudanças estruturais.

O processo inaugurado em 2003 pode ser paralisado ou mesmo regredir sem a democratização do Estado, o enxugamento da renda financeira dos fundos privados, a consolidação do regime de partilha do pré-sal, a aceleração da integração latino-americana e a adoção de sistema tributário progressivo, entre outras medidas de fundo.

Tais modificações são indispensáveis para destravar o desenvolvimento e financiar a melhoria dos serviços públicos, a ampliação de direitos sociais e o aprofundamento dos programas distributivos.

O reposicionamento das relações do PT com o governo, portanto, deveria ser procedido à luz da contradição entre reformas imprescindíveis para relançar o projeto democrático-popular e a correlação desfavorável de forças nas instituições do Estado.

Muitos abordam esta disfunção através da aritmética: se não há forças suficientes, particularmente no parlamento, só restaria atuar sob o objetivo central de evitar retrocessos.

Abordagem um pouco menos assustada chegaria a outra conclusão.

Se as realizações dos últimos doze anos não são mais suficientes para expandir a base do petismo, como se pode concluir a partir das últimas eleições, é fácil prever o que ocorreria se hipóteses como o congelamento ou o recuo fossem levadas à prática por um período prolongado.

Reinvenção

Ainda que a liderança presidencial seja decisiva para forjar condições políticas que permitam o nascimento de uma nova maioria, capaz de implementar as mudanças elencadas, a reinvenção do PT seria fundamental para ultrapassar obstáculos próprios de um bloco histórico que é governo, mas sem hegemonia no Estado e na sociedade.

O partido precisaria extrair as devidas consequências do que vem a ser uma política de coalizão pluripartidária e policlassista. Não deveria conceber como sua incumbência primordial a arbitragem de interesses, mas o esforço para elaborar propostas, estabelecer alianças e conquistar apoio público que viabilizem posições de esquerda na sociedade, no gabinete e no Congresso.

A superação da governabilidade estritamente institucional, que tranca iniciativas mais audaciosas e restringe a ação política ao veto de aliados, pressupõe a ressurreição da pressão social organizada como ferramenta de poder.

Um dos requisitos desta renascença é a reconversão do PT em partido orgânico dos pobres da cidade e do campo, dos intelectuais, da juventude, das camadas médias favoráveis à transformação do país.

Obviamente isso não significa abandonar ou subestimar atividades de governo, legislativas ou administrativas. Mas indica a necessidade de recuperar elaboração programática autônoma, refazer vínculos com o mundo da cultura e do trabalho, reintegrar a luta institucional com as batalhas sociais.

O epicentro desta movida está em estabelecer um novo programa, vertebrado pela reforma política e a regulação econômica dos meios de comunicação, mas apontando também soluções para outros graves problemas do país.

O fomento de uma agenda para o presente e o futuro talvez seja a principal via de renovação da frente popular que veio sendo forjada desde os anos oitenta. Deve-se admitir que a absorção do PT pela institucionalidade foi decisiva para a fragmentação e o esvaziamento desta aliança estratégica.

A reconstituição de um bloco progressista, formado por partidos e movimentos, com capacidade de ação comum e plataforma unificada, tem valor estruturante para defender as reformas e inverter a correlação de forças.

Mas seu vigor depende de autonomia relativa diante do governo.

Não se trata apenas de criar corrente de opinião que sirva de alicerce à administração federal diante da escalada conservadora. Ainda que essa tarefa não deva ser subestimada, a esquerda precisa de instrumentos que também permitam disputar os rumos do próprio governo.

Encruzilhada

Para estar a altura destes desafios, o PT precisa se resolver diante da mais delicada encruzilhada de sua existência.

Curiosamente a equação pode ser colocada de forma semelhante à que se fazia nos primórdios petistas: o partido é tático ou estratégico?

Um partido tático pode se limitar a projeto de melhorias sociais, nos marcos de organização política e econômica que permaneça imutável, da qual se apresenta como ala esquerda, mas balizado por pacto de conservação.

Um partido estratégico incorpora tarefas de governo, determinadas por realidades concretas, a um plano de transformação da ordem, enraizado no objetivo de constituir as classes populares como direção do Estado e da sociedade.

A resposta à esta disjuntiva encontra boa síntese em frase das origens do movimento socialista e presente no congresso fundacional do PT:

A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.

Breno Altman
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14 anos de apresentação diária




Na foz do rio Paraíba, município de Cabedelo, a cada pôr do sol, diariamente, de domingo a domingo, Jurandy do Sax embarcado em uma pequena canoa levada a remo pelo Assis brinda sua audiência com o Bolero de Ravel. Esta tarde-noite havia seguramente umas 2000 pessoas, distribuídas em 4 restaurantes, seis catamarães e ainda muitos nos paredões beira-rio.

Um fenômeno comercial. Vários ônibus de turismo, centenas de carros no estacionamento, ambulantes e dezenas de lojas de artesanato e de produtos regionais.

O Jurandy é o motor econômico daquele bairro, ali a metros do começo da Transamazônica.

O que me chamou a atenção é tudo ser turismo interno. Nenhum estrangeiro à vista. Brasileiros, especialmente os nordestinos.

Lembrei-me de Porto Alegre. Há anos e anos cogita de revitalizar seu porto. E haja comissões, grupos de trabalho, projetos, entrevistas. E nada acontece. Apesar de um pôr dos sol dizem ser belo.

Os paraibanos, com restaurantes de soalho de madeira, sobre palafitas, com barcos toscos mas seguros, mas com visão mercadológica, não revitalizaram um porto, vitalizaram-no.

Luiz Octavio Vieira
No Imagem Política
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Refinaria Abreu e Lima entra em operação


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Veja assume que pagou o mico

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Posse presidencial segue ritos específicos


A posse de chefes de estado do mundo inteiro seguem determinados ritos e tradições. Em entrevista, o ministro Renato Mosca — chefe do Cerimonial da Presidência da República — dá detalhes sobre a cerimônia de posse da presidenta Dilma Rousseff.

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O ministério do novo governo Dilma

Por odem de precedência:

1. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA CASA CIVIL Aloizio Mercadante Oliva

2. MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA José Eduardo Martins Cardozo

3. MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA Jaques Wagner

4. MINISTRO DE ESTADO DAS RELAÇÕES EXTERIORES Embaixador Mauro Vieira

5. MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA Joaquim Levy

6. MINISTRO DE ESTADO DOS TRANSPORTES Antônio Carlos Rodrigues

7. MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO Kátia Abreu

8. MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Cid Gomes

9. MINISTRA DE ESTADO DA CULTURA Juca Ferreira

10. MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO Manoel Dias

11. MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Carlos Gabas

12. MINISTRA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME Tereza Campello

13. MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE Arthur Chioro

14. MINISTRO DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR Armando Monteiro

15. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA Eduardo Braga

16. MINISTRA DE ESTADO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO Nelson Barbosa

17. MINISTRO DE ESTADO DAS COMUNICAÇÕES Ricardo Berzoini

18. MINISTRO DE ESTADO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO Aldo Rebelo

19. MINISTRA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE Izabella Teixeira

20. MINISTRO DE ESTADO DO ESPORTE George Hilton

21. MINISTRO DE ESTADO DO TURISMO Vinicius Nobre Lages

22. MINISTRO DE ESTADO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL Gilberto Magalhães Occhi

23. MINISTRO DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO Patrus Ananias

24. MINISTRO DE ESTADO DAS CIDADES Gilberto Kassab

25. MINISTRO DE ESTADO DA PESCA E AQUICULTURA Helder Barbalho

26. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA-GERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Miguel Rossetto

27. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DO GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA General-de-Exército José Elito Carvalho Siqueira

28. ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO Luis Inácio Lucena Adams

29. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO Valdir Simão

30. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Pepe Vargas

31. MINISTRO DE ESTADO PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DO BRASIL Alexandre Tombini

32. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Thomas Traumann

33. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Marcelo Cortes Neri

34. MINISTRA DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Nilma Lino Gomes

35. MINISTRA DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Eleonora Menicucci de Oliveira

36. MINISTRA DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Ideli Salvatti

37. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE PORTOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Edinho Araújo

38. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE AVIAÇÃO CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Eliseu Padilha

39. MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DA MICRO E PEQUENA EMPRESA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA Guilherme Afif Domingos

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Sobre o racismo do colunista de Zero Hora, Paulo Sant'Ana


De Palomas a Punta del Este

Pablo G. Malanta é colunista do jornal Meia-Noite, veículo da Rede Baita Sol, de Palomas, cuja linha editorial se destaca pelo bairrismo e pela defesa esporádica do racismo e da homofobia como valores da tradição gaudéria.

A defesa do machismo é permanente.

O jornal Meia-Noite é famoso pela manchete: “Nenhuma vítima de bombacha no tsunami da Indonésia”.

Em 2014, Meia-Noite e Rede Baita Sol não viram racismo no episódio em que a torcedora do Grêmio chamou o goleiro Aranha, do Santos, de macaco. Também não viram homofobia na pressão, que acabou em incêndio criminoso, para não acontecer um casamento gay num Centro de Tradições Gauchescas de Santana do Livramento. Também não viram, contrariando a opinião pública internacional, qualquer arbitrariedade de parte de Israel na Faixa de Gaza.

O lema da Rede Baita Sol é fazer média com o mediano.

Preconceito vira bom senso, valores familiares e senso comum passado de geração em geração.

Pablo G. Malanta tem esse apelido por ser a única anta mala a se achar genial.

Na sua última defecada, Malanta descreveu Punta del Este como um paraíso no inferno uruguaio. Por que o Uruguai é um inferno? Malanta não explicou. Mas apresentou as qualidades do paraíso: bons pêssegos, beleza natural e ausência de uruguaios. Por que não ter uruguaios é uma qualidade? Malanta também não explicou.

Xenofobia dispensa explicações.

Ao final, destacou que Punta del Este não tem negros e que se estabeleceu uma segregação racial sem violência.

Malanta justapôs essa afirmação como uma descrição. Não estabeleceu um nexo causal explícito do tipo Punta é um paraíso por não ter negros. A lógica do texto, porém, era mesmo de justaposição, cada elemento acrescentando uma camada à precedente sem a necessidade de conectivos. Falar em segregação racial sem violência subentende algo positivo, pois negativo, ou seja, pior, seria com violência. Para bom entendedor, meia asneira basta…

Malanta pediu desculpas.

Disse que não pretendia ser racista. Na verdade, queria, como sempre, aparecer. Não é inteligente o suficiente para ter feito a justaposição sem conectivos para provocar uma confusão e poder se defender dizendo que só descreveu.

Malanta escreve mal. Atrapalhou-se com a lógica da construção do texto. Deixou vir à tona o seu preconceito. Na sua defesa, aparece que ele é casado com uma negra. Nossos senhores de escravos adoravam suas negras.

Eu, cronista do b em Palomas, nunca vou a Punta del Este. Estive lá num bailão brega-chique em que os convidados vestiam-se como pinguins e tocava sertanejo pré-universitário. Não voltei. Vou ao Rio de Janeiro e ao Nordeste. Gosto de praia com negros, pardos, brancos, pobres, ricos, todos misturados, tudo se confundindo e vibrando em comum. Em Punta, a reunião da elite branca gaúcha “que se acha” me provoca ânsia de vômito.

Não convivo bem com mais de três lacerdinhas por metro quadrado.

Preconceito? Sofisma. Preconceito é chamar negro de negrão, não chamar alemão de alemão.

O preconceito exige uma relação de dominação histórica e de humilhação consolidada.

Será que Pablo Malanta, num ato falho, revelou a razão que leva parte de tantos gaúchos a Punta del Este?

Foi uma mescla de incompetência, senilidade, vontade de aparecer, arrogância, incapacidade de escrever bem, racismo incontido e estupidez. Não faz muito, Malanta teve uma briga com um colega na Rádio Gaudéria. (abaixo, ouça o áudio)

— Vai gritar com tua mãe – atacou.

— Tua mãe, filho da puta – replicou o ofendido.

Como punição, Malanta passou a ter espaço dominical, visto que não tem mais fôlego para escrever diariamente, no obscurantista Meia-Noite. O outro, o provocado, com seu pé na África, foi demitido sumariamente.

Racismo e homofobia na Rede Baita Sol não geram sanções. Só distinção.

Afinal, são valores da tradição local.







O racismo no Brasil é uma ficção, menos para quem o sente na pele


O Brasil conseguiu desenvolver a fantástica capacidade de produzir, diariamente, casos de racismo numa sociedade na qual ninguém é racista. A torcedora que chama o goleiro de macaco não é racista; o colunista que escreve artigo racista no jornal não é racista. O racismo, portanto, só pode mesmo ser uma ficção criada pelos negros.

E agora, em nome de uma suposta “liberdade de opinião”, vai se cristalizando no Brasil um perigoso convívio com a intolerância e o fascismo em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Estamos naturalizando insultos, agressões verbais e preconceitos em programas de tv, rádio, na internet e em artigos de jornal.

E não se trata apenas de racismo. O fenômeno é o mesmo que autoriza um sujeito a retratar o verão no jornal, exclusivamente, através de fotos de mulheres de biquini sem ser sexista ou um engraçadinho a fazer piada homofôbica na TV sem ser homofóbico.

O último episódio ocorreu no Rio Grande do Sul, onde um colunista de um dos principais jornais do estado achou normal elogiar Punta Del Este (no Uruguai) pelo fato de lá não existirem negros. No artigo há outros absurdos.

Alguns de seus colegas defenderam o veículo que os emprega elogiando a postura do jornal em acolher “diferentes opiniões”. Um outro, através dos argumentos mais simplórios, acusou aqueles que criticaram o artigo de promoverem… o ódio.

Mas, e se um chargista enviar o desenho de uma suástica para publicação no mesmo jornal? E se outro colunista resolve elogiar os campos de concentração nazistas? Deve ser publicado em nome da “liberdade de opinião”?

Alguém precisa explicar à turminha que, numa República democrática, incitação ao ódio e à intolerância não são considerados “opinião”.

O cinismo está se tornando uma espécie de religião para uma parcela expressiva de nossos “formadores de opinião”. Ética e responsabilidade não valem nada. Basta escrever depois uma notinha pedindo desculpas pelo “mal-entendido”.

Racismo, sexismo, homofobia, é claro, são praticados por pessoas “mal compreendidas” (Perdoem nossa falha!). E assim vamos reproduzindo-os impunemente.

O racismo é uma ficção no Brasil, menos para quem o sente na pele.

Vinicius Wu
No RS Urgente



Paulo Sant’ana, rebotalho da ditadura à serviço da RBS

Ali Aranha comeu KamelHoje, o funcionário da RBS mais popular no Brasil é Paulo Sant’ana, que estreou na crônica na Zero Hora em 1971, período mais truculento da ditadura. Acaba de desbancar Luis Carlos Prates.

Paulo Sant’ana é também o torcedor mais ilustre do único clube excluído de uma competição nacional por racismo. Se é verdade que o episódio racista poderia ter acontecido no rival, foi no Grêmio que o ato racista foi defendido com unhas e dentes por pelo menos dois funcionários da RBS, Paulo Sant’ana e Cacalo, num “claro” tributo ao mentor Ali Kamel…

Sant’ana virou a Sheherazade dos pampas. Quando se defende uma Sheherazade é natural que Sant’anas saem do armário.

Ninguém que conhece a RBS pode se dizer chocado. Afinal, quem choca o ovo da serpente deve estar preparado para acalentar filhotes como Sant’ana e Prates. Como diz o ditado, quem sai ao seus não degenera. Excluir a responsabilidade da empresa que o acalenta por décadas e o levou a ser o que é significa fechar os olhos à chocadeira que pare monstros.

Sant’ana não é o primeiro nem será o último. Pelo contrário, é resultado de uma lógica que perdura desde os tempos da ditadura. Mais cedo ou mais tarde a RBS acabaria pagando por seu nascimento e compadrio com a ditadura. Paulo Sant’ana é o elo perdido, vivo, que liga a RBS à ditadura. É por aí que se deve entender as razões pelas quais este déficit civilizatório, em pleno século XXI, continue usufruindo de tanto espaço midiático.

O fato de que Sant’ana tem uma legião de fãs não deve servir de desculpa. Hitler, Pinochet, Pablo Escobar, Bolsonaro, Fernandinho Beira-Mar também têm. E no RS é fácil ter uma manada para chamar de sua. Afinal, a força da RBS tornou Pinochet mais popular no pampa que no Chile. Sant’ana não é o único deste caráter na RBS. Pelo contrário, é regra, não exceção.

Sant’ana é fruto de um tempo em que não havia contraponto. A era da informação de mão única, a do dono do meio. A velha mídia, escudada pelo Instituto Millenium ainda não se deu conta que nos tempos atuais a Internet e as redes sociais dão voz aos que antes eram sujeitos passivos, consumidores.

Campanha do Estadão contra Blogs

Estadao x blogs

O ódio com que as cinco irmãs tratam os blogs (alguém ainda lembra aquela campanha televisiva do Estadão contra os blogs?!).

Procusto em ação!

procuste

O cerco ao Governo Federal para que continue injetando dinheiro público nas velhas mídias é o último suspiro da geração dos Titãs. Mas nenhum titã representa tão bem a velha mídia do que outro personagem da mitologia grea, Procusto. Este bandido da mitologia tinha na sua cama a medida de justiça. Deitava suas vítimas; os mais curtos espichava-os; os mais cumpridos, cortava até caberem na cama. Exatamente como a RBS e seus companheiros de Instituto Millenium fazem: a notícia que lhes interessa é espichada, emendada, para caber no tamanho de seus interesses. As que não interessam são cortadas. O caso em epígrafe é exemplo disso: veja se as cinco irmãs estão tratando do assunto?! É o tipo de informação que é cortada pela raiz. Não se desgasta parceiro… Não é que eu queira inocentar Paulo Sant’ana, mas a barbaridade que ele perpetrou não difere em gênero e grau daquela perpetrada pelo responsável pelo jornalismo da Globo, matriz da RBS, no clássico “Não Somos Racistas”. A explicação para o comportamento da mídia pode ser explicado por outro acontecimento recente nestes pagos: a retirada da estátua do ditadora Costa e Silva na Lagoa Armênia, em Taquari, gastou tinta e papel e ganhou espaço em todos os veículos das cinco irmãs da RBS. Tratamento muito diferente dado aos comentários da Rachel Sheherazade…

A pergunta que não deveria calar: – como se deu a ascensão de um inspetor da ditadura em pop star midiático? Quem conduziu esta metamorfose de borboleta em lagarta?

Torcedor símbolo

Paulo Sant'AnaPaulo Sant'AnaPor mais paradoxal que pareça, Paulo Sant’ana tem todos os elementos genéticos da miscigenação. Nem duvido que tenha sangue negro. O mesmo paradoxo que leva a ter na torcida que agredia o goleiro Aranha, ao lado da Patrícia Moreira, um negro. Negros e judeus racistas, homossexuais homofóbicos, e pobres de direita são, para mim, fenômenos incompreensíveis. E infelizmente é o que temos visto. Judeus querendo extinguir a raça palestina, negros chamando negros de macacos, homossexuais votando em Bolsonaro e pobres abraçados aos que tem por norte a divisão da sociedade em castas rigidamente hierarquizadas (“cada um deve saber o seu lugar” ou “dar a cada um o que é seu”).

Entendo que o comportamento do Paulo Sant’ana é cultural, fruto do meio. Sant’ana circula entre Jurerê, casa do patrão, e Punta de Este, a Pasárgada que une sonegadores argentinos e brasileiros. Quando forem investigados como por lá aportaram os recursos usados na aquisição de propriedades em Punta ficaremos sabendo o nível dos cidadãos e brasileiros e argentinos que por lá transitam. Punta está para os corruptos dos países vizinhos tal qual a Suíça para os interesses dos seus vizinhos europeus. A mesma lógica que leva a Suíça lavar mais banco faz de Punta um lugar só de brancos… A existência de Punta é tão necessária aos sonegadores como o é a Suíça para os corruptos internacionais.

Sant’ana é fruto do seu meio, um meio que volta as costas aos movimentos sociais onde se encontram aqueles que ele não viu em Punta. É por essas e outras que a RBS perpetrou aquela fatídica manchete no Zero Hora quando um integrante do MST foi morto à queima-roupa, pelas costas: O MST já tem seu mártir. A RBS ainda tentou consertar mas a emenda saiu ainda pior que o soneto, pois chamou o assassinato de “equívoco”.

O fechamento da gauchada do Sant’ana não poderia ter sido mais adequada: “não foi isso que eu quis dizer”. Puxa vida, então como a RBS explica porque continua empregando como jornalista uma pessoa que consegue escrever o contrário do que pretendia dizer?

Poderia ter ficado sem essa.

Gilmar Crestani
No Ficha Corrida
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Ação de construtoras barra publicação da “lista suja” do trabalho escravo

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) conseguiu suspender no Supremo Tribunal Federal o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra análoga à de escravo, conhecida como a “lista suja”. Uma nova atualização semestral seria publicada, nesta terça (30), mas foi suspensa por liminar concedida por Ricardo Lewandowski, presidente do STF, mesmo com recesso de final de ano. A previsão é de que a lista, criada em novembro de 2003, chegasse a 700 nomes. A matéria é de Daniel Santini, da Repórter Brasil.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade 5209 (Adin 5209 – acompanhe o processo) foi protocolada no Supremo Tribunal Federal em 22 de dezembro de 2014. Mesmo com o recesso de Natal, cinco dias depois, o ministro Lewandowski deferiu uma liminar determinando a suspensão da publicação do cadastro de empregadores flagrados com trabalho análogo ao de escravo. Pela decisão, foram suspensas até o julgamento definitivo da Adin 5209 a Portaria Interministerial MTE/SDH nº 2, de 12 de maio de 2011 e a portaria MTE nº 540, de 19 de outubro de 2004, que tratam da criação e manutenção da “lista suja''. A ação foi julgada pelo STF por ter sido endereçada aos ministros do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, ambos intimados a cumprir a decisão.

A Advocacia Geral da União deve da liminar recorrer ao STF.

A suspensão acontece no mesmo mês em que a “lista suja” recebeu prêmio da Controladoria-Geral da União (CGU), tendo vencido o Concurso de Boas Práticas da CGU na categoria Promoção da Transparência Ativa e/ou Passiva. “Ficamos surpresos com a liminar impeditiva, ainda mais considerando o momento em que o cadastro ganhou justamente por dar transparência às ações do poder público”, diz Alexandre Lyra, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE.

A Repórter Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da Abrainc, mas o grupo não se posicionou até a publicação desta reportagem.

Quem perde e quem ganha?

A suspensão do cadastro em questão prejudica as mais de 400 empresas que respeitam a legislação trabalhista e foram signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Tais empresas se comprometem a estabelecer restrições quanto à realização de negócios com quem está na “lista suja''. O cadastro também serve de referência para que bancos e instituições federais avaliem concessão de créditos e financiamentos, sendo utilizada por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e BNDES, entre outros. A lista tem também o reconhecimento do Conselho Monetário Nacional, que determinou em decisão que os bancos, incluindo os privados, adotassem restrições ao crédito rural aos empregadores que se beneficiaram da escravidão.

De acordo com seu site, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) reúne 26 construtoras e é hoje presidida por Rubens Menin, da MRV Engenharia, empresa responsabilizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego por explorar trabalho análogo ao de escravo cinco vezes. Por conta de dois dos flagrantes, a MRV chegou a ser incluída na “lista suja” anteriormente, mas liminares na Justiça impediram que a construtora continuasse figurando nela, decisões criticadas pelo MPF, que emitiu parecer recomendando que a empresa voltasse ao cadastro.

A Abrainc tem entre seus objetivos declarados “buscar o aperfeiçoamento das relações de trabalho e a simplificação da legislação.” Os demais diretores são o vice-presidente João Rossi (Rossi Residential); o diretor executivo Renato Ventura; e os diretores Leonardo Diniz (Rossi Residencial), Meyer Nigri (Tecnisa), Nicholas Reade (Brookfield Incorporações), Rafael Novellino (Cyrela Brazil Realty) e Ronaldo Cury de Capua (Cury Construtora).

Fazem parte da Abrainc, segundo o site da associação, as empresas Andrade Gutierrez, Brookfield Incorporações S.A., Cury Construtora e Incorporadora S.A., Cyrela Brazil Realty S/A- Empreendimentos e Participações, Direcional Engenharia S.A., EMCCAMP Residencial S.A, ESSER, Even Construtora e Incorporadora S.A., EZTEC Empreendimentos e Participações, Gafisa S.A., HM Engenharia e Construções S.A., JHSF Incorporações Ltda, João Fortes Engenharia, Moura Dubeux Engenharia, MRV Engenharia e Participações, Odebrecht Realizações Imobiliárias S.A, PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações, PLANO & PLANO Construções e Participações, Rodobens Negócios Imobiliários S.A., Rossi Residencial S.A., Tecnisa S.A., Tenda S.A, Trisul S.A., Viver Construtora e Incorporadora S.A., WTorre S.A. e Yuni Incorporações.

Leonardo Sakamoto
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O torturador oculto

Conhecido de todos os torturados que caíram no CENIMAR e DOPS-RJ nos anos 60 e 70, perverso e violento, ele não aparece na lista da Comissão da Verdade

Todos os infelizes que passaram pelas masmorras do CENIMAR e do DOPS do Rio de Janeiro nos anos sessenta e setenta provaram das porradas do "Dr. Cláudio", um torturador sádico que parecia mais empenhado em infringir sofrimento do que em obter informações dos seus prisioneiros. Eu passei por suas mãos desde a minha prisão, em meu apartamento do Flamengo, na madrugada de 27 de junho de 1969, até o encerrar das sessões de torturas, na Ilha das Flores, em 16 de julho.
O "Dr. Cláudio" devia ter pouco mais de 1 metro e 60 e só por ser o mais baixo já se destacava da cabroeira feroz. Mas eram os seus óculos de fundo de garrafa que o marcavam entre suas vítimas, que o apelidaram de "Dr. Silvana", aquele vilão dos quadrinhos do Capitão Marvel. Seus óculos e seu semblante de ódio, exprimindo o desejo oculto de eliminar um "subversivo" ali mesmo, na ilha bucólica de que fora morada de imigrantes, de preferência na casa 48, cenário preferido dos exercícios de porrada de que era protagonista.

Apesar do codinome, regra de disfarce dos torturadores naquele 1969 em que ainda não se usava o capuz, ele ou um colega sempre facilitavam sua identificação. Ele era nada mais, nada menos do que o inspetor Solimar, policial federal, disponibilizado ao CENIMAR, na turma do "Dr. Paulo", identificado depois como o capitão de fragata João Alfredo Magalhães, apelidado por nós como o "CIA", tal a sua erudição na arte da tortura.

Seu nome inteiro — Solimar Adilson Aragão — já constava dos primeiros documentos sobre sevícias. Apareceu no livro TORTURAS E TORTURADOS, de Márcio Moreira Alves, publicado em 1966, e em muitas outras papeladas, como o livro BRASIL NUNCA MAIS, o primeiro grande compêndio sobre torturas da lavra de um grupo reunido pela igreja católica.
Esse torturador covarde, como constatei ao deparar-me com ele na Rua da Carioca, em 2003, é um dos paradigmas das violências cruéis dos porões da ditadura.
Apesar de toda essa folha corrida, acredite, seu nome não consta da lista da Comissão Nacional de Verdade, o que mostra a forma atabalhoada e incompetente como se produziu essa peça midiática.

Ao invés dele, há nomes de militares que provavelmente nada tiveram com os centros de torturas, que funcionavam clandestinamente, em sua maioria, num ambiente em que um agente da repressão tinha mais poderes do que o oficial de carreira que prestava serviço na unidade.

Sem qualquer revanchismo de ordem pessoal, mas tendo o meu testemunho como corpo de delito, posso dizer que o relatório da Comissão da Verdade se perdeu em elucubrações (Como discutir o papel da PM), e virou uma peça de precária contribuição para as pesquisas históricas.

Não sei a quem esses doutores ouviram: provavelmente nenhum dos presos e torturados no escandaloso inquérito do primeiro MR-8, em 1969. Do contrário, teriam que apresentar o nome de Solimar Adilson Aragão, identificado por outras fontes como Solimão Moura Carneiro, também alcunhado de "Dr. Saca-Rolhas".

Bom, como ressalva, peço aos distintos leitores dessas mal traçadas linhas que dêem um olhada na tal lista da "Comissão da Verdade". Será que algum bloqueio desses dias de calor tornou o "Dr. Silvana" oculto para mim?

Minhas Confissões

 
Você pode conhecer detalhes das torturas do "Saca-Rolhas" no meu livro CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA, publicado em 2004, cujo original pode ser lido pela internet através do link https://drive.google.com/file/d/0B4rRtI0zYBGUemJfcHVDQTNqdkE/view

Nesse primeiro volume, todo o meu envolvimento nas lutas do povo brasileiro de 1959 até 1982. O segundo volume, que fala da passagem pelo poder, se a saúde permitir, vou começar a escrever agora, em 2015, por que considero aconselhável fazer o relato com uma prudente distância dos fatos.




Pedro Porfírio
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Os 3 patetas: Levy “escretor” Fidelix divulga vídeo parabenizando Olavo de Carvalho: “Querem sacrificar Bolsonaro”


Em vídeo divulgado pelo canal Youtube, Levy “machão” Fidelix continua pregando a homofobia e dizendo ser a favor de uma família normal; Levy ataca a Ministra Maria do Socorro e defende Jair Bolsonaro. A falta de sincronismo nas ideias do político chega a ser gritante. Fidelix simplesmente “vomita” palavras sem nexo ao vento. Por último, ele parabeniza Olavo de Carvalho, o revoltado que vive nos EUA.

Palavras de Levi:

“Recentemente recebi a versão impressa do jornal Mídia Sem Máscara e gostaria de declarar publicamente que toda a sua equipe, juntamente com a Rádiovox e o grande Olavo de Carvalho, podem contar comigo para a multiplicação do jornal, pois estamos todos igualmente na Direita, contra o atual governo Dilma e o Foro de São Paulo e todas as tentativas de comunização do Brasil! Não podemos aceitar calados o que nos está sendo imposto, do contrário a nossa nação está fadada a ser manchada de vermelho!”

Assista a comédia do ano:


No Diário do Brasil
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Para curar a ressaca da virada do ano

“Monólogo”

- Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não...

- Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente.

E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.

- Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi.

- Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei.

- Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei.

- Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi.

- Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.

- Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.

- Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.

- Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.

- Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário.

- Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca!

No Blog do Miro
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Jornalista ‘indie’ também envelhece

A tendência à centralização das decisões nas redações da chamada grande imprensa do Brasil, que se consolida há cerca de quinze anos, provoca mudanças importantes no perfil dos jornalistas em atividade na mídia tradicional. Além de uma menor diversidade do espectro ideológico, pode-se constatar que predomina nas principais empresas de comunicação o profissional que amadureceu depois do processo de redemocratização, para o qual os tempos da ditadura são um verbete da Wikipedia.

Jornalistas mais experientes, que vivenciaram na juventude as restrições oficiais à liberdade de expressão, costumam classificar essa geração subsequente como alienada ou desprovida de consciência política. Eles chegaram ao mercado de trabalho a partir da segunda metade dos anos 1980, e desde então alguns de seus representantes foram galgando posições, até alcançarem os postos de comando. Seu legado já pode ser analisado ao longo da última década, e certamente não irá corresponder a essa geração o melhor da história do jornalismo brasileiro.

Na maioria das redações, essa mudança de perfil se realizou de maneira suave, o que dificulta a definição de um ponto de referência. No Estado de S. Paulo, por exemplo, a insistência do criador do Curso Estado de Jornalismo, Francisco Ornellas, em formar jovens profissionais segundo os preceitos clássicos da profissão, amenizou o choque de gerações. Mas Ornellas foi afastado em 2012, depois de haver formado mais de vinte turmas, e, em novembro passado, o caderno especial que comemorou os 25 anos do curso não fez referência ao seu trabalho de duas décadas. Como no antigo regime soviético, o jornalismo contemporâneo não parece preocupado com a preservação da memória.

Já na Folha de S. Paulo o processo se deu abruptamente, com a implantação de um projeto editorial cuja condução foi entregue a profissionais com pouca ou nenhuma experiência. Por isso, é mais fácil observar a mudança nessa redação, que inaugurou no Brasil o jornalismo obcecado por infográficos e estatísticas. Um jornalismo que se pretende imune a paixões.

O jornalismo indiferente

Foi na Folha que se inventou, por exemplo, o duvidoso método de contar multidões, que nunca funcionou — pela simples razão de que a multidão se move e não espera o repórter do jornal calcular quantas pessoas se aglomeram por metro quadrado numa praça. Na época em que se discutia, como numa operação de guerra, como definir o volume de uma manifestação de rua, um editor veterano saiu-se com esta: “É mais fácil contar as orelhas e dividir por dois, pois estatisticamente há menos pessoas com uma orelha só do que, por exemplo, com uma perna só”.

O experimentalismo da Folha contaminou os outros jornais, afetando, no curto prazo, jornais como o Zero Hora de Porto Alegre, e o Globo. Mas essa tendência não se consolidaria se as mudanças não coincidissem com o ingresso massivo, no mercado, da geração que chamaremos de “indie”.

A expressão é tirada do movimento que levou às paradas o chamado rock independente, gênero surgido nos anos 1980 que tinha como pressuposto a produção musical dissociada das grandes gravadoras. No caso do jornalismo, e especialmente na Folha de S. Paulo, “indie” era aquele indivíduo que não havia passado pelos grupos produtores de ideias nas décadas anteriores, ou seja, procurava-se o jornalista sem definição ideológica a priori. No projeto do diário paulista, esse profissional seria capaz de dar ao jornalismo um caráter mais “científico”, ao contrário do modelo clássico, que era chamado, em tom depreciativo, de “jornalismo impressionista”.

Acontece que não há ideia sem ideologia, ou seja, da intensa produção de ideias sempre irá resultar um pacote ideológico, mesmo em condições de uma suposta pureza científica do pensamento.

Ao impor às redações a ilusória condição de assepsia ideológica, a nova concepção dada ao jornalismo brasileiro apenas estimulou o predomínio de uma ideologia conservadora. Assim, o perfil “indie” deixou de representar “independência” e passou a se caracterizar como “indiferença” – como o padrão de um jornalismo sem paixão.

Mas o jornalista ‘indie’ também envelhece. O problema é que, em vez de se manter anódino como na juventude, ele se torna reacionário.

Luciano Martins Costa
No OI
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2014 fechando com chave de ouro. Editora Abril e Globo não terão verbas de estatais em 2015


Parece que o governo não se esqueceu da matéria da Revista Veja baseada em fofocas e tem cortado o mal pelas pontas. Anúncios da Petrobrás, Caixa Econômica e Banco do Brasil serão cancelados com a representante-mor do golpismo midiático brasileiro. Só com a petrolífera, a revista da “suposta matéria baseada em fofoca de WhatsApp” vai deixar de arrecadar 6.1 milhões de reais. E parece que não para por aí, os cortes vão se estender à revista Época, que hoje em dia, mais parece uma área de lazer tucana.

A guerra política está chegando ao cool financeiro. Cortes dessa magnitude (nessas revistas que estão sendo usadas como marionetes da direita) podem ser um tiro certeiro naquilo que chamamos hoje em dia de “mídia golpista”.

A editora Abril e a Globo vão começar a se preocupar com outros meios de comunicação do grupo, que podem ser atingidos com essa restrição de anúncios. O Partido dos Trabalhadores já deixou bem claro que a revolta não é pelas denuncias, mas sim por divulgá-las sem aval da Policia Federal e sem provas concretas.

Três grandes estatais colocaram mais de 250 milhões de reais inserções na Globosat no ano de 2013. Se o governo federal cortar “por ai”, a oposição midiática vai perceber que essa historia de malhar a Dilma Rousseff é um horrendo e amargo negócio. Ops, ainda falta os Correios… esse vai fazer falta no caixa da Platinada…

No Diário do Brasil
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Graça manda investigar os negócios da Petros


Fundo de pensão dos petroleiros é o segundo maior do País, com 150 mil beneficiários e R$ 79,2 bilhões em investimentos; o fundo foi citado em investigações da Lava Jato e um dos alvos é o ex-gerente de novos negócios, Humberto Grault de Lima, que teria estruturado negócios em que a fundação registrou prejuízos; além do pente-fino na Petrobras, Graça Foster quer monitorar mais de perto os investimentos do fundo patrocinado pela Petrobras; Lima nega irregularidades: "Nunca recebi qualquer recurso para induzir investimentos nos seis anos em que trabalhei na Petros"

A presidente da Petrobras, Graça Foster, não está disposta a fazer uma devassa somente em todas as áreas da estatal.

Os escritórios de investigação contratados pela companhia também irão investigar os negócios da Petros, o segundo maior fundo de pensão do País, que é patrocinado pela Petrobras.

Hoje, a Petros tem 150 mil participantes e administra investimentos que somam R$ 79,2 bilhões.

Na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, surgiram indícios de que a Petros realizou negócios que causaram prejuízos aos associados.

O advogado Carlos Alberto Pereira Costa, ligado ao doleiro Alberto Youssef, que representantes da fundação recebiam propina do esquema.

Ele citou o ex-gerente de novos negócios da Petros, Humberto Grault de Lima, que passou pelo falido banco BVA e teria estruturado operações prejudiciais à fundação.

"Nunca recebi qualquer recurso para induzir investimentos nos seis anos em que trabalhei na Petros. No depoimento, o advogado diz ter ouvido meu nome relacionado à propina, mas sem provas. Vou questioná-lo na Justiça", disse ele, ao jornal O Globo (leia aqui). "Acho bom a investigação na Petros para esclarecer essa confusão com meu nome."

No 247
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Último discurso de Mujica como Presidente em uma Cimeira do Mercosul


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Sérgio Porto # 91


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Essa é do Barão... 149


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A falácia de David Coimbra na defesa de Paulo Sant'Ana

pedras21
Como as descrições não andam soltas rolando pelo mundo
David Coimbra saiu em defesa de Paulo Santana (leia abaixo) e partiu para o ataque contra quem se indignou com o artigo “O céu de Punta”. Para David Coimbra, Santana teria feito apenas uma descrição ao dizer que “não há negros em Punta”. A descrição seria a seguinte:

“Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Punta del Este. A 150 quilômetros de Punta, em Montevidéu, há milhares de negros. Mas em Punta nenhum empregado, nenhuma empregada doméstica negra, nem camareiras de hotel. Foi feita em Punta uma segregação racial pacífica e não violenta. Há mais negros na Dinamarca e na Noruega do que em Punta del Este. Ou melhor, não há sequer um só negro ou uma só negra em Punta.”

Paulo Santana, na opinião de seu colega de RBS, teria sido “mais uma vítima das correntes inquebráveis de ódio das redes sociais”. Mas, além das redes sociais, David Coimbra parece ter outro adversário: a lógica. A sua tese não para em pé por uma simples razão: não se trata de uma “simples descrição”. Ele reproduz o trecho acima sem relacioná-lo com o conjunto do artigo que define Punta del Este como “um paraíso encravado no inferno do Uruguai”. No texto, Santana vai elencando aquelas que seriam algumas das principais delícias desse paraíso: os cassinos, os pêssegos, as ruas e avenidas limpíssimas, as árvores, o trânsito pacífico, a ausência de acidentes de trânsito. E ele encerra a lista, dizendo: “Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Punta del Este”.

A indignação provocada pelo artigo de Paulo Santana, portanto, não é resultado das “correntes inquebrantáveis de ódio das redes sociais”, mas sim da estrutura do texto em questão e do significado que ela exala. Em resumo, apresenta Punta del Este como um paraíso, lista algumas das delícias desse paraíso e encerra a lista com a observação sobre a ausência de negros em Punta, observação esta colocada na mesma lista dos pêssegos, cassinos e avenidas limpíssimas. É disso que se trata. Na linguagem, as descrições raramente são inocentes, mas são feitas em um determinado contexto e relacionadas com outras afirmações. Elas não andam soltas rolando pelo mundo, como David Coimbra as apresenta. Punta del Este é um paraíso, possui pêssegos, avenidas e cassinos maravilhosos e, finalmente, não tem negros. Essa é a descrição de Punta apresentada pelo texto de Paulo Santana.

Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente




Em defesa do Paulo Sant'Ana

Todos sabem que tive um sério contencioso com o Sant’Ana. Não nos falamos há meses, e é provável que não voltemos a nos falar nunca mais, o que não me abala.

Poderia, por isso, estar salivando de satisfação com o massacre virtual que ele está sofrendo devido à coluna que escreveu no domingo passado, em Zero Hora.

Mas, não. Não estou salivando de satisfação. Ao contrário: estou triste com mais essa demonstração da necessidade que as pessoas têm de odiar. Do amor que elas têm pelo ódio.

Em parte, isso é compreensível. As ideologias estão doentes de morte, e as pessoas precisam de algo em que acreditar. Os jovens, sobretudo os jovens precisam de bandeiras que lhes elevem a alma. Precisam lutar contra as injustiças do mundo, mesmo que as causas dessas injustiças não estejam bem nítidas para eles.

O Sant’Ana foi vítima dessa ânsia, uma ânsia que facilmente se transforma em peçonha.

Ele escreveu o seguinte:

“Finalmente, é incrível, mas não há sequer um negro em Punta del Este. A 150 quilômetros de Punta, em Montevidéu, há milhares de negros.

Mas em Punta nenhum empregado, nenhuma empregada doméstica negra, nem camareiras de hotel.

Foi feita em Punta uma segregação racial pacífica e não violenta.

Há mais negros na Dinamarca e na Noruega do que em Punta del Este.

Ou melhor, não há sequer um só negro ou uma só negra em Punta.”

Onde está o racismo? Ele fez uma descrição. Contou que não há negros em Punta, não disse se isso é bom ou ruim, não disse se gosta ou não, não qualificou. Se eu disser que rodei durante uma hora pelo centro de Johannesburgo e não vi um branco sequer, o que, aliás, é verdade, se contar isso, estarei sendo racista? Se contar que desembarquei do trem-bala na estação central de Tóquio e não vi um único ocidental, o que também é verdade, estarei sendo racista?

Não. Eu estaria fazendo descrições. E, inclusive, já fiz essas descrições, exatamente essas, sem nenhuma intenção ou conotação racista.

O Sant’Ana não foi racista. Digo mais: o Sant’Ana não é racista. Ele é casado com uma negra, sabiam?

O Sant’Ana foi mais uma vítima das correntes inquebráveis de ódio das redes sociais. Essas correntes de ódio escravizam e, às vezes, nos atam a elas. Confesso que, às vezes, me vejo preso a alguma, e o resultado disso nunca é positivo. Não tem como ser.

As pessoas interpretaram o que estava escrito de acordo com o que elas sentem. De acordo com que elas têm dentro delas. E o que elas têm dentro delas não é bom.




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