29 de dez de 2014

Ex-Presidente do PSDB telefonava para doleiro Youssef cobrando propinas “atrasadas” da Petrobrás


O empresário Leonardo Meirelles afirmou, em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, que outros políticos do PSDB, além do ex-presidente do partido Sérgio Guerra, receberam dinheiro desviado da Petrobras pela organização do doleiro Alberto Youssef. Meirelles aparece como um dos donos do Labogen, o laboratório usado por Youssef para mandar aproximadamente US$ 130 milhões para o exterior a partir de falsos contratos de importação e exportação.

O empresário falou sobre o suposto envolvimento de políticos do PSDB em perguntas de seu advogado Haroldo Nater durante audiência oficiada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, na segunda-feira. O advogado perguntou se outros partidos, além do PP, PT e PMDB foram beneficiados com desvios de dinheiro da Petrobras pelo grupo de Youssef.

Acredito eu que o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto – disse Meirelles.

Quando o advogado pediu mais detalhes, Moro interveio. Para o juiz, Meirelles não precisaria identificar os personagens sobre os quais estava falando. Se mencionasse o envolvimento de políticos com foro privilegiados, Moro teria que interromper o processo e mandar os autos para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sequência da conversa, também em resposta a pergunta de Nater, Meirelles confirmou que presenciou uma conversa por telefone entre Youssef e Sérgio Guerra. O ex-senador estaria cobrando uma promessa não devidamente cumprida pelo doleiro.

Um ajuste, não uma reclamação, de coisas do passado – disse Meirelles.

Em um dos depoimentos da delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que pagou R$ 10 milhões para Sérgio Guerra com o objetivo de esvaziar a CPI da Petrobras em 2009. A CPI, que começou de forma ruidosa para investigar supostas fraudes na construção da refinaria de Abreu e Lima, entre outras obras da Petrobras, terminou sem qualquer resultado concreto. Guerra morreu em março deste ano e foi substituído na presidência do PSDB pelo senador Aécio Neves, candidato do partido à presidência da República. Na semana passada, a direção do partido disse que todas as denúncias têm que ser investigadas.

No Poços10
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Previsões—2015: Tucanos vão se bicar


Os tucanos estão cantando de galo desde a proclamação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Eles festejam a maior votação obtida pelo partido desde a reeleição de FHC em 1998. Afirmam que estão mais fortes e que farão uma "oposição mais dura" ao governo Dilma. Alguns mais hidrófobos — entre eles, o vice derrotado Aloysio Nunes — até aderiram às marchas organizadas pela direita golpista em São Paulo. Numa delas, Aécio Neves até prometeu participar, mas preferiu curtir uma praia em Santa Catarina, deixando o "ex-roqueiro" Lobão com cara de otário. Toda esta alegria, porém, não se justifica. Na verdade, é puro teatrinho! O PSDB foi derrotado nas eleições de outubro e, pior, deve encarar bicadas ainda mais sangrentas no ninho no próximo período.

Nas eleições de 2010, os tucanos conquistaram oito governos estaduais: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Pará, Alagoas, Roraima e Tocantins. Já no pleito deste ano, o PSDB fez apenas cinco governadores. A sigla garantiu a reeleição em quatro (SP, PR, GO e PA) e venceu no Mato Grosso do Sul. Os tucanos foram derrotados em quatro estados: RR, TO, AL e, na surra mais doída, ainda foram escorraçados de Minas Gerais — que mandavam há 12 anos. Aécio Neves foi duplamente derrotado — na corrida presidencial e no seu próprio Estado. Como ironizam os mineiros, quem conhece o senador mineiro-carioca não vota nele. De fato, ele também perdeu no Rio de Janeiro.

Já na disputa para a Câmara Federal, o PSDB estagnou. Em 2010, a legenda elegeu 53 deputados. No transcorrer da legislatura, sem rumo e sem propostas, a sigla perdeu nove parlamentares. Agora, em 2014, os tucanos fizeram 54 deputados — um crescimento estupendo de 1,28% na bancada federal. Já no Senado, o PSDB elegeu quatro novos senadores e segue como terceira bancada — depois do PMDB e do PT. Estes números demonstram que a valentia dos tucanos é puro jogo de cena. Eles perderam as eleições presidenciais, regrediram nos governos estaduais e empacaram na Câmara e no Senado.

Para piorar, o clima no ninho não é nada amigável. O mineiro Aécio Neves já traiu os paulistas José Serra e Geraldo Alckmin em três pleitos presidenciais. Desta vez, como a ajuda de FHC, seu mentor, ele se impôs na disputa. Passada a eleição, porém, a disputa interna será titânica. O cambaleante não é confiável, perdeu a vez e não detém mais nenhum poder — nem em Minas. Já o governador Geraldo Alckmin aumentou seu cacife — foi reeleito e garantiu muitos votos para seu "amigo" mineiro em São Paulo. José Serra, o eterno candidato, também não desistiu do seu sonho presidencial. As bicadas deverão ser sangrentas no ninho tucano.

Há quem garanta que o "ranking do progresso" da Veja — e que deu nota zero para o senador mineiro-carioca — já faz parte desta artilharia pesada. Ele serviria de recado: "pó pará, Aécio". Existe ainda o risco dos famosos dossiês, tão comuns no galinheiro tucano. O cambaleante parece até que já sentiu o bafo do tucanato e pediu uma trégua. Em entrevista à Folha, Aécio Neves afirmou que "já cumpri meu papel" e disse que Geraldo Alckmin tem melhores condições para a disputa em 2018. Mas ninguém levou muito a sério a mineirice do mineiro. A briga interna será divertida em 2015!  

Altamiro Borges
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O coordenador de Comunicação de Sartori e os “ícones sanguinários da esquerda”


O futuro coordenador de comunicação do governo Sartori, o jornalista e advogado Cleber Benvegnú, anunciou a suspensão das atualizações do blog Senso Incomum, que mantinha no portal do jornal Zero Hora. Quem quiser conhecer algumas das ideias de Benvegnú pode ler o artigo “Che Guevara: a antítese de um herói humanista”, onde ele relata debate que manteve com a deputada Manuela D’Ávila sobre a figura de Che Guevara. Para o jornalista, o líder revolucionário cubano foi “um sanguinário que propunha a morte como ferramental de luta…”.

No artigo, Benvegnú também critica “algo que continua ocorrendo em nossas escolas de ensino médio, cursinhos e universidades”. Ele define assim esse “algo”: “criar ícones de esquerda para idolatria, escondendo as mazelas — e o sangue — de seus feitos históricos, é estratégia corrente para angariar corações e mentes. E votos. Faz parte do que ensinara Antonio Gramsci: para preponderar, o socialismo precisa substituir-se aos ícones da civilização judaico-cristã. Veja o que fazem com Mao Tsé-Tung, Fidel Castro e, mais recentemente, Hugo Chávez — todos ditadores de marca maior alçados a uma falsa condição de arautos democratas”.

Cleber Benvegnú definiu sua indicação para coordenar a Comunicação de Sartori como uma escolha “técnica e não-partidária”.

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Previsões—2015: Merval seguirá deprimido

O “imortal” Merval Pereira será lembrado pela cara de nádega que fez na TV Globo quando foi confirmada a vitória de Dilma no segundo turno das eleições presidenciais, no final da noite de 26 de outubro. Ele não conseguiu esconder a sua frustração. Neste domingo (28), o blogueiro oficial da famiglia Marinho explicitou que continua abatido. Ele tem alucinações. Sem apresentar suas fontes ou qualquer prova, ele garantiu que “já aparecem relatos de que a presidente Dilma estaria deprimida, e que teria até mesmo chorado recentemente, depressão atribuída por pessoas próximas às dificuldades por que vem passando na montagem de seu novo ministério. Ela confessou depois que se sentia muito sozinha”.

Seu “relato jornalístico” foi motivo de piadas nas redes sociais. Merval Pereira foi chamado de lunático, doente, louco. Alguns até sugeriram que ele antecipe sua aposentadoria para cuidar da exaustão mental. Para o jornalista Paulo Nogueira, do imperdível blog Diário do Centro do Mundo, o serviçal da Rede Globo demonstrou mais uma vez que sofre de algum distúrbio. “Merval ingressou na categoria do vale-tudo em sua cavalgada feroz para combater Dilma. Jornalismo, não é. É mexerico, intriga e canalhice, tudo misturado. Em seu blog no Globo, ele trata de espalhar o boato de que Dilma está ‘deprimida’... Merval parece obcecado com Dilma. Acorda com Dilma, dorme com Dilma, sonha com Dilma”.

É compreensível. A eleição de 2014 deixou o “imortal” abatido. Na sua obsessão doentia contra o chamado “lulopetismo”, ele errou em todas as suas análises. Após a morte de Eduardo Campos, ele apostou suas fichas na “verde” Marina Silva. Garantiu que ela seria a próxima presidenta do Brasil. Frustrado, temeu pela vitória de Dilma já no primeiro turno. Desesperado, pregou o “voto útil” em Aécio Neves. Na reta final das eleições, o “imortal” se mostrava radiante com a possibilidade da vitória do tucano. Mas não deu certo! O playboy, agora nota zero da ‘Veja’, dançou. E Merval Pereira ficou com aquela cara de nádega, em uma das cenas mais patéticas e risíveis de 2014!

Para 2015, a tendência é que sua depressão se agrave. Talvez ele até seja internado — inclusive com direito à camisa-de-força. Pelo seu estado de exaustão mental, é muito difícil que aguente mais quatro anos de Dilma Rousseff e, para piorar, a possibilidade de Lula ser eleito em 2018 — o seu maior pesadelo na atualidade. A complexidade da política brasileira não cabe na visão maniqueísta do serviçal da Globo. Caso não seja internado, Merval Pereira também poderá tomar chá com outro deprimido, o ex-poeta Ferreira Gullar, recém-eleito para a decadente Academia Brasileira de Letras (ABL). Mas o “imortal” terá garantido o direito ao legítimo choro!

Altamiro Borges
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"A bissexualidade e o amor livre serão as tendências no futuro", afirma psicóloga

A psicanalista Regina Navarro Lins bate na mesma tecla há mais de duas décadas: amor é uma coisa, sexo é outra. Em sua obra mais recente, O livro do amor, declara guerra ao idealismo: “As pessoas precisam parar de acreditar em fidelidade e amor romântico. Dentro de 30 anos, o sexo será mais livre. A bissexualidade é uma tendência”


Falar de sexo não é problema para Regina Navarro Lins. Carioca de Copacabana, mãe de dois filhos e avó de uma menina, a escritora e psicanalista de 63 anos ganha a vida falando “daquilo”. E fala sem travas, sem tabus, sem moralismo, de um jeito que incomoda muita gente e põe em xeque os sonhos de uma vida amorosa e sexual ideal. E irreal.
Regina se considera “uma libertária”. Palavras como masturbação, sexo grupal (“são uma tendência”), bissexualidade (“outra tendência”) e orgasmos fingidos (“um absurdo”) saem da sua boca com uma facilidade que justifica os 12 livros que ela publicou. Todos sobre sexo e relacionamentos. Por causa deles, participa de programas de rádio, escreve colunas em jornais, artigos em revistas, blogs, e, este mês, ganha um quadro na terceira temporada de Amor e sexo, apresentado por Fernanda Lima, na Globo. Tornou-se uma espécie de militante da liberdade sexual e amorosa.
Em sua mais recente obra, O livro do amor, volumes 1 e 2, ela conta como evolui o sentimento desde a Pré-História até os dias de hoje. “Passei cinco anos debruçada sobre esse assunto”, diz. “A gente tem que saber do passado para entender por que as coisas são como são no presente.” Seu objetivo: esclarecer o maior número de pessoas possível. “Elas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade.” Regina prefere este termo: “exclusividade”. “Traição não é uma pessoa sentir desejo por outra, isso é natural. Traição é enganar um amigo, um irmão.”
A psicanalista também ataca outras frentes carregadas de polêmica. Incentiva, por exemplo, o uso de vibradores (“para que mais mulheres gozem”) e é “absolutamente” contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”
Essa filosofia de vida é um espelho da sua rotina. Há 11 anos está casada com o escritor Flávio Braga, seu terceiro marido. “Não temos um pacto de exclusividade. As pessoas estranham até coisas bobas na gente”, diz. Exemplo: ela não gosta de cozinhar, seu marido gosta. Ele vai além, cuidando da casa, lavando os pratos... “Tenho amigos intelectualizados que acham isso um absurdo”, conta Regina. “Fico chocada com essas reações.”
A cama na varanda

Falar e escrever sobre relacionamentos foi um caminho natural para Regina. “Sempre gostei do tema”, diz. Filha de uma família de classe média da zona sul carioca, casou aos 23 anos (“não virgem e não na igreja, claro”). Até então, seguia o destino de uma psicóloga comum. Abriu um consultório, fez formação psicanalítica. “Mas percebi que esse não era o meu caminho”, explica. “Precisava falar mais de amor e sexo. Eram assuntos que toda hora surgiam na minha clínica.”
Em 1992, ela compilou suas posições sobre o tema e lançou A cama na varanda. Um best-seller com mais de 50 mil cópias vendidas. Nele, fez uma previsão que balançou certezas e atiçou a atenção de quem desconfia de que esse negócio de viver a dois é uma luta arriscada e dolorosa por algo quase impossível. Para Regina, num futuro que deverá chegar dentro de 30 anos, viveremos a era do poliamor e de um sexo menos encanado.
Com essas teses todas no colo, a escritora passou a ser uma das pessoas mais ouvidas do Brasil sobre o tema. “Acho um absurdo que em um país como o nosso não existam mais especialistas que pensem sobre isso”, diz a psicanalista, que cutuca seus colegas de profissão. “Um psicanalista normal fica fechado lá com seus dez pacientes. Assim, fica difícil ter uma visão do mundo.”
Para ter essa visão, ela usa a internet e conversa regularmente com seus leitores por e-mail e Twitter. Ou em palestras. Ou mesmo na rua. “Ouço as pessoas. Vejo o que está acontecendo e, a partir daí, posso apontar tendências.” Entre elas: o fim do casamento tal qual o conhecemos. “Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”
Na entrevista, a psicanalista demoliu até mesmo os contos de fadas. “Uma mãe que lê um livro de uma Cinderela da vida está sendo irresponsável com a sua filha.” 
Você se considera uma pessoa libertária. Como isso surgiu?

Acho que já nasci libertária. Sou filha de uma família de classe média. Minha mãe sempre foi muito careta. Ela só começou a trabalhar depois que meu pai morreu, em um desastre de avião, quando eu tinha 14 anos. Minha irmã, que é quatro anos mais velha, também é assim, supermoralista. Mas eu tive uma avó maravilhosa, que veio do Líbano com 14 anos e desquitou com quatro filhos pequenos. Isso na década de 30! Imagina o que era isso? Essa avó deve ter me influenciado de alguma maneira. Ela sustentou sozinha os quatro filhos e ainda ajudava o meu avô com dinheiro.
E quando ficou claro que você era como ela? 

Aos 8 anos, fui fazer primeira comunhão, porque todas as minhas amigas faziam. Minha mãe não me forçou. Isso é uma coisa que agradeço a ela – minha mãe não tinha essa religião. Agradeço mesmo por não terem me colocado a culpa católica [risos]. Na primeira aula de catecismo, lembro até hoje, vi um livrinho em que tinha uma menina entrando num pote de melado e estava escrito: “Deus tudo sabe e tudo vê”. Nunca mais voltei.
Você foi adolescente nos conservadores anos 50. Casou virgem? 

Não. Perdi a virgindade com meu primeiro marido, quando a gente namorava. Antes já tinha tido dois namorados. Não transei com eles porque eles não quiseram! Era uma época em que se gozava nas coxas [risos]. Lembro que para um deles eu falava: “Tira a minha virgindade!”. E ele respondia: “Não, porque se eu tirar a sua virgindade e depois a gente se separar você vai sofrer”. E eu falava: “Pode tirar, não vou sofrer” [risos].
A vontade de ser psicóloga e trabalhar na área da sexualidade e do amor surgiu de que jeito? 

Sempre quis fazer psicologia, desde os 15 anos. Por 18 anos, trabalhei como psicanalista comum, tinha consultório, dava aula em universidade e atuei até em uma penitenciária. Até que descobri que grande parte dos problemas das pessoas era ligada a amor e sexo. Daí me senti mal em ficar naquela coisa só de interpretação. Comecei a me especializar nesses dois temas, a dar palestras sobre isso. 

Sempre quis trabalhar com um grande público. Achava que com quanto mais gente eu falasse, melhor. Em 1992, assinei com a editora Rocco para lançar meu primeiro livro, A cama na varanda. Foi um grande sucesso. Tinha um programa diário de sexo no rádio. Fui indo. Hoje dou palestras pelo Brasil todo. Sinto que tenho muito material e que é absurdo guardar isso só para mim.
Você está no seu terceiro casamento e prega o amor livre. Como é isso dentro das suas uniões?

Primeiro casei com 23 anos e tive minha filha [a advogada Taísa, 37 anos]. Separei depois de cinco anos. Era um casamento normal. A gente não questionava isso. Mas também não tinha pacto de exclusividade. Já sabia que, se eu quisesse transar com alguém, isso seria um direito meu. Nunca pensei diferente. Depois casei outra vez, tive outro filho [o jornalista Deni, 27] e fiquei nove anos sozinha. E fiquei muito bem. Isso é bastante importante. É fundamental que as pessoas saibam que podem ficar bem sozinhas. Que se livrem dessa ideia do amor romântico, essa coisa que diz que você tem que ter um par. A pessoa tem que saber ficar sozinha até para escolher quando quiser se juntar com alguém, e não ficar com o primeiro que aparecer só por medo da solidão.
Como foi ficar nove anos sem alguém? 

Foi uma fase meio radical. Não queria casar nem namorar. Queria ficar sozinha. Eu já tinha publicado A cama na varanda e tinha lançado também uma coletânea de minhas colunas no Jornal do Brasil. Aí, escrevi um novo livro chamado Na cabeceira da cama, em que fui bem contundente. Nessa época, achava impossível o tesão continuar em um casamento. Completamente impossível! Hoje, estou mais amena. Acho viável desde que você não tenha um pacto de exclusividade.
Foi nessa fase radical que você conheceu seu atual marido? 

Foi. Conheci o Flávio em 1999, quando eu dava palestra, publicava livros e todo o resto. Ele já sabia quem eu era, o que eu pensava. Em 12 anos, não vi nenhum moralismo nele. Não temos pacto de exclusividade. Se ele transar com alguém, não tenho nada a ver com isso. E se eu transar com outra pessoa, ele também não tem nada a ver com isso. Mas estamos sempre juntos, somos superparceiros, trabalhamos juntos [o casal já escreveu livros em parceria, entre eles, Fidelidade obrigatória e outras deslealdades]. E ele é muito delicado, muito respeitador. Jamais me pergunta o que fiz, aonde fui. Nosso casamento é ótimo, inclusive sexualmente. 

Acho difícil o tesão se manter quando existe controle. A coisa mais comum de ver no casamento é dependência emocional de um e do outro. Quando você sabe que o outro tem pavor de te perder, que ele está ali no seu pé... o tesão fica inviável. Tem que existir um mínimo de insegurança para você ter tesão. 
“É fundamental que as pessoas saibam que podem ficar bem sozinhas. Que se livrem dessa ideia do amor romântico, essa coisa que diz que você tem que ter um par”
Como é a rotina de vocês? 

O Flávio gosta muito de cozinhar, eu detesto. Ele lava prato cantando, eu não suporto cuidar da casa. Eu cuido de ir ao banco, chamar o encanador, essas coisas. Mas as pessoas são muito caretas. Outro dia estava ao telefone com um amigo e o Flávio gritou: “O almoço está na mesa”. E meu amigo disse: “Então você é o homem da casa?”. Fiquei chocada! Como uma pessoa intelectualizada fala uma coisa dessas?
Você acha que existe diferença entre o masculino e o feminino?

Tenho horror daquela história de “meu lado masculino, meu lado feminino”. Minha irmã sempre me falava: “Você tem alma masculina”. Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.
Sexualmente, existe diferença? 

Claro que não! É tudo cultural. Existem pesquisas no exterior que dizem que as mulheres transam fora do casamento praticamente tanto quanto os homens e que não sentem mais tanta culpa. Eu recebo uma quantidade imensa de mensagens que provam isso. Vejo que as mulheres estão tendo mais relações extraconjugais. Tenho a impressão de que a sexualidade, com o tempo, vai ser mais livre. Você vê as casas de suingue, por exemplo. O número de casais que frequenta casas de suingue é enorme! E pessoas que você nem imagina. Com o meu trabalho, minhas pesquisas, posso apontar tendências.
E quais são as outras “tendências sexuais”? 

Sexo grupal, por exemplo. O sexo vai ser mais livre, a bissexualidade também é uma tendência. Acho que ela será predominante daqui a uns 30 ou 40 anos. Porque o patriarcado está se dissolvendo. A tendência é que as pessoas busquem mais objetos de amor entre seus interesses do que entre ser homem e mulher. Outra tendência é o fim do amor romântico.
Como assim? 

O amor romântico é aquele que está nas músicas, nos filmes, aquele que diz que você vai encontrar a pessoa certa. A busca por esse tipo de amor está em baixa. Ainda bem! Por quê? Porque esse amor prega a fusão completa, ao mesmo tempo que estamos vivendo um momento em que existe uma busca clara pela individualidade, que não tem nada a ver com o egoísmo, como muitos conservadores acham. 

A grande viagem do ser humano hoje é para dentro de si mesmo. O amor romântico propõe o oposto dos anseios atuais. Claro que você vai encontrar muitas mulheres que vão largar tudo, trabalho, mestrado, por causa do homem. Mas isso está começando a sair de cena. Vai surgir outro tipo de amor.
Que tipo? 

Um amor não calcado na idealização. Acho que você vai poder se relacionar com mais de uma pessoa. E, ao sair de cena, o amor romântico está levando com ele a sua principal característica: a exclusividade.
Traição ainda é um grande tabu? 

É. E fidelidade para mim não tem nada a ver com sexualidade. A palavra traição é muito inadequada para definir uma relação sexual com outra pessoa. Traição é uma coisa muito séria. É você trair um amigo, um irmão. As pessoas falam muito a palavra traição por hábito. Prefiro chamar de exclusividade. O que as pessoas precisam é parar de fazer um pacto que não vão cumprir. 
Com o amor romântico saindo de cena, ele leva junto a exclusividade. Acredito que cada vez mais as pessoas vão optar por não se fechar em uma relação e preferir relações múltiplas. Porque essa coisa de você amar duas pessoas, três, isso acontece o tempo todo. Eu atendo pessoas nessa situação e elas sofrem muito por isso. Acho que existem muitas chances de esse poliamor predominar. Porque amor é uma construção social. As pessoas pensam que o amor é só o amor romântico, mas não é nada disso. Quando eu critico o amor romântico, tem gente que acha que sou contra o amor.
Mesmo depois da contracultura e do feminismo ainda tememos coisas como a traição. Você acha que seguimos muito caretas? 

Não acho. No meu O livro do amor descobri que há 5 mil anos, quando o sistema patriarcal se instalou, a mulher foi aprisionada. Na Idade Média, houve concílio para decidir se mulher tinha alma ou não. Até o século 19, ainda se discutia o tamanho da vara com que os homens podiam espancar a mulher. Por isso que eu acho engraçado, sabe? Uma vez me ligaram de uma revista semanal dessas e me perguntaram: “Você é feminista?”. Respondi horrorizada: “Claro, por quê? Você não é?” [risos]. Acho que não ser feminista é concordar com todos esses absurdos. As pessoas não entendem isso porque são ignorantes. Mas com tanta opressão, olha, acho que estamos até bem.
A religião é um outro problema para a sexualidade? 

Nossa! E como! O que houve de culpabilização do desejo sexual na Igreja durante todo esse tempo! Tanto moralismo... A Igreja fez barbaridades, como por exemplo apoiar a caça às bruxas. Esse foi um período terrível de violência contra a mulher, em que aconteceram atrocidades das mais horríveis. É importante conhecer o passado para a gente entender o presente.

A Igreja usava uma coisa chamada danação eterna para assustar as pessoas. Imagina isso! A repressão era tanta que muita gente fugia para o deserto do Egito para se mortificar, para tirar os pensamentos da cabeça e fugir dessa “danação eterna”. Essa ideia foi de profissional, né? [Risos]Imagina, danação eterna! A nossa história é um hospício. É inacreditável! 
“Sexo grupal é uma tendência, a bissexualidade também. Acho que ela será predominante daqui a uns 30 ou 40 anos”
Em um dos seus livros, você diz que é contra o cavalheirismo. Por quê?

O conceito de cavalheirismo não serve para nada, né? O que é cavalheirismo? Que vergonha! Gentileza, sim. O homem tem que ser gentil com a mulher, a mulher com o homem. Cavalheirismo implica que a mulher é incompetente para puxar uma cadeira? Ela malha, segura 10 quilos, mas não consegue puxar uma cadeira ou abrir uma porta? Cavalheirismo é um horror! Precisamos pensar sobre isso, gente! 

A mulher deve dividir a conta do motel com o homem? Outro dia joguei essa questão para uma amiga. E ela: “Ah, divido restaurante, cinema, mas motel não”. E eu pergunto: “Motel não por quê?”. É como se a mulher quisesse os benefícios da emancipação, mas não quisesse os ônus! Então, depois não reclama que ganha menos.
O que você acha desses guias de autoajuda com regras para “conquistar” um homem? 

Acho um absurdo! As mulheres foram condicionadas a acreditar que são frágeis, que precisam de um homem para cuidar delas. Quando você chega à idade adulta, foi tão condicionada que não sabe mais se faz as coisas porque deseja ou porque te educaram para isso. Por exemplo, uma mulher vai a uma festa, está aos amassos com um cara. Ele a chama para fazer sexo e ela diz: “Não tenho vontade, não faço sexo no primeiro encontro!”. Até parece! Isso é para agradar o homem, porque se criou essa ideia de que homem não gosta de mulher que é fácil! Então, ela tem medo de que os caras não liguem no dia seguinte. Muitas mulheres ainda acreditam em príncipe encantado.
E essa ideia de príncipe, dos contos de fadas? 

Essas histórias tipo Cinderela e Branca de Neve não deviam ser lidas para as crianças. Elas incentivam as mulheres a ser o quê? O que você quer para a sua filha? Passar uma imagem subliminar de que ela só vai ser salva se aparecer um homem? O que diz a história da Cinderela? Que o pé tem que caber naquele sapatinho! Ou seja, que a mulher tem que ajustar a sua imagem aos padrões masculinos. Os contos de fadas são muito nocivos. As mães não sabem. Não pararam para pensar. Espero que menos gente conte essas histórias para seus filhos.
Você já contou para seus filhos? 

Contei porque era ignorante. Mas para a minha neta, de jeito nenhum!
O casamento tende a acabar?

Não consigo acreditar que quem está nascendo agora vai ter, daqui a 30 ou 40 anos, casamentos do jeito que eles são hoje. Li uma pesquisa que diz que 80% dos casamentos são infelizes. Bom, infelizes no sentido de uma convivência boa, de bom relacionamento sexual, de acrescentar coisas para a pessoa. Esse modelo de casamento que está aí é um horror. 
“Fidelidade não tem nada a ver com sexualidade. A palavra traição é muito inadequada para definir uma relação sexual com outra pessoa. Traição é você trair um amigo, um irmão. Prefiro chamar de exclusividade”
Por quê? 

As pessoas precisam reformular as expectativas a respeito da vida a dois. Como todo mundo casa regido pelo amor romântico, a pessoa acha que vai ser aquilo, que o outro vai cuidar de todas as suas necessidades, e por aí vai. Mas isso não é real! As pessoas têm que ter vida própria, têm que ter liberdade de ir e vir, amigos separados, não pode haver controle da vida do outro, controle da sexualidade do outro. A exigência de exclusividade é uma obsessão.
Uma insegurança. 

Sim. As pessoas são muito inseguras. Nós nascemos do útero. No útero temos todas as nossas necessidades garantidas, mas, quando saídos de lá, somos tomados por um sentimento de desamparo. A nossa cultura prega o tempo todo que você tem que encontrar alguém que te complete.
 
As pessoas passam a vida inteira procurando alguém que vá dar aquela sensação que você tinha no útero. O amor romântico se presta a isso. A criança pequena também é assim: ela sem a mãe por perto morre. Por isso, as crianças são ciumentas, possessivas. 
Quando meus filhos eram pequenos percebia isso. Se você está muito tempo no telefone, a criança dá um jeito de machucar o pé, de cair, de fazer qualquer coisa para chamar sua atenção [risos]. O adulto é capaz de lidar com seus problemas cotidianos razoavelmente bem. Ele resolve tudo, uma briga com o síndico, uma briga no trabalho. Mas é entrar em um relacionamento e mudar. Ele se torna ciumento, possessivo, controlador. Ele reedita o que fazia quando era criança.
Que conselho você dá para as mulheres que vivem com medo de perder a “exclusividade”? 

Ninguém deveria se preocupar com quem o parceiro ou a parceira transou. Dentro de um relacionamento, você só tem que responder a duas perguntas: “Me sinto amada? Me sinto desejada?”. Se a resposta para essas duas perguntas for “sim”, tudo bem. Agora, ficar se perguntando o que o seu parceiro faz quando não está com você? Ora, isso não é da sua conta!
Mas muitos jovens ainda acreditam naquele modelo da “família margarina”, não é?

Muitos acreditam mesmo. E isso vem dos anos 50. A década de 50 era uma década de modelos. Se você saísse deles, ficava marcado. Tenho uma amiga que, quando separou, nunca mais foi convidada para as festas do prédio. Isso nos anos 80. Porque são modelos: “Você tem que ser casado, ter dois filhos, uma geladeira, uma televisão de não sei quantas polegadas”. 
Acho anacrônico quem fala hoje: “Ah, porque a sociedade não aceita isso”. Gente, a sociedade somos nós! Mas o mais importante disso tudo é: não estou propondo outro modelo. Estou propondo que não haja modelo. Se alguém quiser ficar casado 30 anos com uma pessoa e só fazer sexo com essa pessoa, tudo bem. Se quiser ficar casado com quatro, tudo bem também. O importante é não ter modelos. Os modelos aniquilam as singularidades.
Você disse em uma entrevista que usava vibrador muitas vezes quando fazia sexo com seu marido. Isso ainda choca as pessoas?

Essa questão de vibrador tem muito tabu também. O sexo ainda é visto como algo sujo. Mas há 2 mil anos era pior. Era visto como uma coisa tão terrível que acho até um milagre que as pessoas conseguissem ter orgasmo. 
Era tanta repressão acumulada que cada orgasmo é quase um milagre e um sucesso [risos]. Outro dia estava conversando com uma psicanalista e falei de vibrador. Sabe o que ela me disse: “Eu não, não preciso desses brinquedinhos”. Virei para ela e falei: “Escuta, não é precisar de brinquedinho, é uma coisa concreta. Se você estimula duas zonas erógenas ao mesmo tempo, isso tem um efeito. Se o cara está te penetrando e você usa um vibrador no clitóris, vai ter um orgasmo melhor!”. E não tem dedinho que substitua um vibrador. 

Agora, não só as mulheres, mas os homens também têm problema com isso. Eles competem com o vibrador. Acham que, se a mulher usa, é porque ele não está dando conta. As mulheres em geral usam sozinhas, para masturbação, mas não com o parceiro.
Por que os homens temem a concorrência do vibrador? 

Na verdade, os homens são muito inseguros. São dependentes das mulheres como crianças. E isso é culpa do sistema patriarcal. O menino aprendeu a se defender da mãe muito cedo. Imagine a seguinte cena: um menino e uma menina estão brincando no play. Se a menina cai e rala o joelho, começa a gritar, pede o colo da mãe, que faz chamego na filha, fala que ela é meiga. O menino tem que engolir o choro, coitado. 
O menino passa o tempo todo negando a necessidade da mãe, e por isso começa a desvalorizar a mulher. Mais tarde, quando entra em uma relação amorosa, fica frágil. E a mulher acaba cuidando dele. Tem casos de homens que têm empresas de 10 mil empregados e não conseguem decidir a roupa! É uma loucura! Muitos são extremamente dependentes! O sistema patriarcal foi o maior inimigo dos relacionamentos. Colocou a mulher e o homem, cada um de um lado, e criou uma guerra dos sexos.
Essa guerra dos sexos cria que tipo de desencontro na cama? 

O homem vai pro sexo, inconscientemente, para provar que é macho. Então, tem que ficar de pau duro e ejacular. As preliminares ficam pra lá. Para estar no ponto, a mulher precisa de cinco vezes mais sangue irrigando os órgãos sexuais do que o homem. E também de mais tempo para ter um orgasmo. 

Já o cara, ele quer gozar logo para não perder a ereção. E fica naquele movimento igual, de ir pra frente e pra trás, que faz com que a mulher tenha cistite, mas não tenha orgasmo [risos]. Agora, a mulher aprendeu que tem que corresponder à expectativa feminina. E aí, ela finge orgasmo.
Você já afirmou que a última vez que fingiu um orgasmo foi com 20 anos... 

Sim! Eu não faço isso e ninguém devia fazer. É um absurdo! Se uma mulher fingir um orgasmo, vai ser muito difícil ela ter um. E por que ela está fazendo isso? Só para agradar o homem! Para o cara não trocar ela por outra, para segurar o homem.
Como foi educar dois filhos, um menino e uma menina, tendo esse pensamento libertário? 

Sempre denunciei para os meus filhos o moralismo. Nessa área do amor e do sexo, busquei mostrar para eles o que havia de preconceito. Lembro que uma vez fui botar meu filho para dormir e ele estava vendo um seriado em que tinha um padre que se torturava, sofria por causa do seu desejo sexual. E falei para ele: “Meu filho, isso não pode ser assim, sexo não é algo ruim, é uma coisa boa”. Sempre expliquei tudo. E meus filhos sempre dormiram com namorado em casa. Às vezes chegam pais com essa questão pra mim e falam: “Ah, porque é muito complicado...”. E eu falo: “Não é, não”.
Você acha que as coisas estão melhorando? 

Sim! Muito! A minha filha, por exemplo, teve um filho de produção independente. Ela tinha 20 anos e um namoradinho de 17. E foi maravilhoso. Assisti ao parto da minha filha e, imagina, ela nunca foi discriminada por ninguém por causa disso. Na minha geração, as mulheres eram muito discriminadas nessa situação. Aconselho homens e mulheres a questionar tudo isso e jogar o moralismo no lixo. Isso se quiserem viver melhor. Mas para isso é preciso uma coisa muito difícil: ter coragem.

No Tudo em Cima
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Para Lucas Mendes tucanos ganharam a eleição com 51% dos votos, só falta a cassação do registro do PT




Neste domingo, dia 28 de dezembro, na Globo News, foi ao ar o último programa Manhattan Connection de 2014. Para fechar o ano com “chave de ouro”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez as honras da casa pela oitava vez, segundo o apresentador Lucas Mendes.

Diante da “roubalheira” que se pratica no país do “Petrolão”, não seria o caso de cassar o registro do Partido dos Trabalhadores? Essa foi uma das perguntas da bancada do programa da Globo direcionadas a FHC.

Comedido, o ex-presidente disse que não é o caso. Ele citou que há houvera cassação de registro do Partido Comunista no passado pelo Congresso Nacional. “Não foi bom para a democracia”, explicou FHC.

O que chamou a atenção foi a predisposição do Manhattan Connection incriminar o PT a qualquer custo. Se as ações da Petrobras caíram, a culpa é do partido da presidenta Dilma; se fulano foi demito também entra na conta do PT, etc.

Embora tenha trabalhado bastante com a ideia de que Dilma não tem legitimidade diante dos setores dinâmicos da economia e da sociedade, FHC reconheceu que ela fora eleita democraticamente.

“Se não há algo que a ligue diretamente aos escândalos da Petrobras, não há que se pedir impeachment”, ponderou o ex-presidente, que lembrou o envolvimento de outros partidos na operação Lava Jato.

“Pode não ser coisa boa a Justiça desacreditar os partidos políticos. Veja o caso da Itália, sem as agremiações elegeu Silvio Berlusconi”, exemplificou.

No Blog do Esmael
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Previsões—2015: Mainardi será preso




No programa Manhattan Connection exibido pela GloboNews no domingo retrasado (21), Diogo Mainardi fez suas apostas para o próximo ano. "Tenho uma previsão: Lula será preso em 2015". Os demais integrantes da bancada, todos alinhados à direita nativa e operando diretamente dos estúdios da emissora nos EUA, riram do palpite do "bovino", que ainda hoje se esconde em Veneza, na Itália. Eles deviam advertir o playboy travestido de jornalista que ele é quem pode ser preso se retornar ao Brasil. Há vários processos em curso contra o bravateiro oficial da famiglia Marinho. O último deles por estímulo ao preconceito contra os nordestinos.

Após a confirmação da vitória de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais, Diogo Mainardi não conteve o seu elitismo e vomitou seu ódio aos nordestinos. Afirmou que os eleitores da região são "bovinos", "atrasados" e "subalternos". O comentário, também obrado na GloboNews, rendeu milhares de críticas na internet. Uma das mais contundentes foi do jogador Huck, nascido na Paraíba, ex-atacante da seleção brasileira e craque do time Zelit, da Rússia. Após listar dez artistas importantes nascidos no Nordeste, ele chamou Diogo Mainadi, a "anta", de preconceituoso e racista. 

Temendo outras caneladas, o valentão até pediu perdão. "Peço desculpas ao Hulk e a todos que se sentiram ofendidos. Minha intenção era ofender a mixórdia petista que usou e abusou dos programas sociais do governo para rebanhar votos nas regiões mais pobres do País, em especial no Norte e no Nordeste". A falsa autocrítica, embalada na sua obsessão anti-petista, não convenceu ninguém. Seis deputados federais denunciaram o fascistóide ao Ministério Público por "incitar posições racistas e discriminatórias na sociedade". O processo ainda está curso e pode até resultar num pedido para que Diogo Mainardi deixe o seu luxuoso autoexílio em Veneza para prestar esclarecimentos no Brasil.

Pela representação dos deputados, o "jornalista" deverá ser investigado "pela prática do crime de racismo, agravado por ser cometido através de meio de comunicação social, tipificado no artigo 20, §2º da Lei 7.716/1989". Os parlamentares requerem ainda a responsabilização solidária da Globo Comunicação e Participações por dano moral coletivo, por instrumentalizar a ofensa à sociedade e ao convívio social; além da retratação pública do canal Globonews e a veiculação em sua programação de mensagens sobre igualdade regional, o povo nordestino e o nordeste. Os procuradores Aurélio Rios e Peterson de Paula receberam o documento e se comprometeram a tomar as medidas cabíveis.

Em meados de 2010, o fascista anunciou em sua coluna na "Veja", a revista do esgoto, que deixaria o Brasil. Num texto empolado, ele não explicou os motivos da sua decisão, que alegrou muita gente. Só deixou uma pista: "Tenho medo de ser preso". Na ocasião, o blogueiro Luis Nassif afirmou que seu temor era real. "Condenado a três meses de prisão por calúnias contra Paulo Henrique Amorim, ele perdeu a condição de réu primário. Há uma lista de ações contra ele. As cíveis, a Abril paga, como parte do trato. As criminais são intransferíveis. E há muitas pelo caminho. Há meses e meses meus advogados tentam citá-lo, em vão. Ele foge para todo lado”. 

Será que agora, em 2015, ele será finalmente preso por seus crimes?

Altamiro Borges
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Restos de foguete americano caem sobre chácara em MS

O segundo estágio de um foguete Falcon 9 reentrou ontem na atmosfera acima da Região Centro-Oeste do Brasil produzindo uma enorme chuva de detritos incandescentes. Alguns pedaços cairiam intactos sobre uma propriedade a 266 km de Campo Grande.



A reentrada do lixo espacial ocorreu aproximadamente a 01h30 da madrugada de domingo e foi provocada pela queda do segundo estágio de um foguete Falcon 9, pertencente à empresa americana SpaceX.


O foguete, identificado internacionalmente como NORAD 40142 foi lançado em 7 de setembro de 2014 e teve como objetivo colocar em orbita o satélite geoestacionário AsiaSat 6.

Tanque de foguete que caiu em Mato Grosso do Sul

Com o passar do tempo, 40142 perdeu altura e penetrou na atmosfera da Terra na altura de San Pedro de Atacama, no Chile. Ao se romper, produziu uma enorme esteira de fragmentos incandescentes que cruzaram o norte da Bolívia e norte do Paraguai até chegar a Mato grosso do Sul, onde foram observados nas cidade de Jardim, Dourados, Campo Grande e Primavera.

Orbita do Falcon 9 que caiu em mato Grosso do Sul

Em Santa Rita do Pardo, a 266 km de Campo Grande, os moradores observaram a chuva de fragmentos e a queda de um objeto de grande porte encontrado posteriormente no interior de uma propriedade rural, identificada através das imagens como um COPV (Composite Overwrapped Pressure Vessel), uma espécie de tanque de pressurização usado no Falcon 9.

No Apolo11
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Frente de esquerda na diversidade da esquerda

Tanto é possível avançarmos para um novo período de conquistas populares no Brasil, como é possível enfrentarmos uma regressão neoliberal clássica.

Como militante e quadro não arrependido do Partido dos Trabalhadores, mais ainda, como militante da esquerda histórica do Brasil que, como milhares de homens e mulheres da minha geração, vem da militância do período anterior a 64, quero compartilhar um debate que está aberto em diversas fontes de elaboração política. Creio que este é o debate mais importante do país, para o que acontecerá nas próximas décadas.

Em blogs, setores de partidos, organizações da sociedade civil, nos movimentos sociais e sindicais, bem como em setores da academia, abre-se o debate sobre uma “Frente de Esquerda”. Frente que possa pensar, no médio prazo, os novos movimentos de bloqueio às reformas neoliberais de segunda geração, que estão em curso na Europa (sociedade de consumo seletivo com setores médios integrados) e já com “sucesso” em países próximos (como a Colômbia e o México) e, também, possa acordar os contornos programáticos do próximo ciclo de lutas nacionais, desta feita mais concretamente contra as desigualdades da nossa estrutura de classes.

Penso que o governo Dilma — que nós do PT temos a obrigação de apoiar e viabilizar — eleito legitimamente dentro de um sistema que obriga concessões programáticas para retomarmos o crescimento e obter mais avanços na inclusão social — produtiva e educacional — esgotará o ciclo de combate às marginalizações mais agudas no Brasil. São exclusões originárias de um sistema de poder que organizou uma sociedade à semelhança da mentalidade colonial-escravista das nossas classes dominantes: a riqueza dos 1% mais ricos do país, em 2012, alcançou mais ou menos 68% da renda declarada.

As reformas feitas até o presente — e mais algumas que ainda poderão ser feitas nos próximos anos — somadas tirarão da miséria e da pobreza doentia, provavelmente 55 milhões de pessoas. É um feito histórico da ampla (e deformada) coalizão de forças, que governa o país neste período, cujo legado passará, agora, para uma fase de disputa. Defender o governo Dilma é, para nós do PT, a defesa deste legado e também a disputa pela sua herança.

Dentro do sistema de controle global do capital financeiro sobre os Estados — através da dívida pública — e do controle exercido sobre a política (através do sistema de financiamento eleitoral e da mídia ideologicamente unitária) é possível avançar, na próxima década, na redução das desigualdades sociais? A pergunta mais clara: é possível substituir (ou fazer acompanhar) as políticas de “humanização” do capitalismo (políticas sociais-democratas limitadas), por políticas de caráter “socializante” (sociais-democratas de esquerda), mesmo dentro do sistema-mundo capitalista, que certamente vai perdurar?

Uma outra pergunta, correlacionada com esta, também se impõe para uma reflexão não-voluntarista: é possível que ocorra uma “reversão” das políticas implementadas até agora, não somente em relação aos avanços democráticos do país a partir de 88, mas também com o aumento da taxa de exploração e de desigualdades sociais e regionais? Para opinar sobre estas questões, uma avaliação da correlação de forças no plano organizativo.

Está formado, hoje, no Brasil um novo e fortíssimo centro político liberal de direita. Ele penetra, inclusive, num espaço significativo do centro democrático, traduzido no mais notável aparato hegemônico, jamais construído pelas elites brasileiras. Ele compõe-se de um conjunto de instituições empresariais e da sociedade civil, empresas de comunicação, setores de partidos e partidos de direita e centro- direita, articulados diretamente com grupos da “alta” intelectualidade na academia, na imprensa e nas organizações empresariais.

Este novo centro atende pelo nome de “Instituto Millenium”. Ele torna irrelevantes os programas e as intenções dos partidos conservadores e de direita no Brasil, porque passa a “produzir”, não só as suas agendas políticas imediatas, cooptar e contratar os seus intelectuais e formadores de opinião, mas também passa a formar novos quadros. Orienta, também, os seus programas de governo, com o paralelo bombardeamento da política partidária, face à identidade (sempre seletiva), que conferem à função pública (toda ela), como leito da corrupção e, aos partidos, como seus canais organizadores.

Esta nova configuração da ação regressiva da direita brasileira está dentro da luta democrática. E ela visa, não só brecar conquistas populares “dentro da ordem”, como dizia Florestan Fernandes, mas também impor - por meios aceitos pela democracia e dentro da democracia política- saídas econômicas, financeiras e políticas, ao seu gosto e uso.

Em outras épocas o fizeram pelas mãos dos militares, contra as “reformas de base” e com a cristalização de uma sociedade de classes profundamente desigual. Como dificilmente, hoje, encontrariam grupos de militares dispostos a novas aventuras, estão se organizando, cada vez mais, para lutar pelos seus interesses pelos métodos democráticos. E o fazem legitimados pela mesma Constituição que dá espaços para as lutas da esquerda e da chamada extrema esquerda.

Remetendo às perguntas, antes formuladas, pode-se dizer que ambas as possibilidades estão contidas no pacto democrático atual. Tanto é possível avançarmos para um novo período de conquistas populares — agora no terreno da redução drástica das desigualdades sociais — como é possível uma regressão neoliberal clássica. As reformas de “segunda geração”, apoiadas numa classe média consumista e hedonista, indiferente à sorte dos miseráveis e dos pobres, constituem o programa mínimo da direita conservadora no Brasil. Para ela, mesmo a social-democracia é “populismo” e atraso, e mesmo a inclusão social, se não for congelada, pode causar problemas ficais para o Estado e na necessidade de enxugá-lo.

Mais uma vez lembro, para que não se caia em subjetivismos, que não se trata de uma conspiração “urdida”. Este novo aparato hegemônico, que substituiu os partidos conservadores e de direita, no jogo político democrático, é uma vontade política organizada para promover ações de Estado, que respondam às necessidade dos fluxos comerciais e financeiros do sistema-mundo global, cujos protocolos políticos e jurídicos não toleram “maus exemplos” ou “exceções”, para integração na sua comunidade mercantil e produtiva. “Morre ou transmuda-te”, como dizia o velho Goethe. Aliás, foi o que Alemanha disse para a Grécia, quando esta cogitou de um plebiscito sobre as medidas ortodoxas que o Governo pensava implementar.

A formação de uma Frente de Esquerda novo tipo, no Brasil, não pode ser impedida pelas distintas visões que os partidos, facções partidárias, personalidades e movimentos de qualquer ordem, tenham sobre o governo Dilma. Sendo formada a partir de uma plataforma mínima comum, para acionar no presente algumas lutas que podem nos unificar, a Frente visará, na verdade, uma mudança na correlação de forças — no interior do campo democrático — para que um governo da União, no futuro, tenha sustentação parlamentar e social para implementar, superada a fase da “inclusão”, um programa radical de redução das desigualdades. A Frente Ampla, do Uruguai, pode servir de analogia, lembrando que analogia não é igualdade, é semelhança.

No presente podemos nos unir — partidos, facções de partidos, personalidades e movimentos de esquerda e centro-esquerda — para reformar o sistema de concessões dos meios de comunicação, regulamentar o imposto sobre as grandes fortunas, proibir o financiamento empresarial dos partidos e campanhas eleitorais, dar progressividade ao Imposto de Renda, elevar a taxação dos ganhos da especulação financeira e abrir novas formas de participação popular, na produção e na gestão das políticas públicas.

Um programa de esquerda, que seja capaz de reestruturar profundamente a sociedade de classes no Brasil, necessariamente deve responder a questões estratégicas mais complexas e difíceis. E este debate sereno deve começar logo, sem que cada um dos integrantes da Frente percam a sua personalidade política ou optem por apoiar, ou não, o Governo da Presidenta Dilma, o que nós do PT o faremos.

Como será financiado o Estado, no próximo período, considerando que são impossíveis taxas mais significativas de crescimento, com o atual endividamento do país e considerando que é impossível qualquer programa econômico-financeiro nacional, desconectado da economia global? Quais os setores privados que “ganham” com estas mudanças, cujos incentivos financeiros e tecnológicos devem dar origem a uma elevação da produção, da produtividade e do emprego? Quais os setores da produção industrial e dos serviços, que serão estatais, públicos ou públicos não-estatais? E que tipo de estímulos são necessários às cooperativas, micro, pequenas e médias empresas, para a promoção de políticas, ao mesmo tempo distributivas de renda e de acrescimento da economia?

Lukács disse, na década de sessenta, que Nixon estava fazendo no Vietnã — apoiado na democracia americana tolerante com a barbárie — o mesmo que Hitler fez, apoiado na violência de Estado, no racismo e na mais pura ilegalidade. O nosso desafio é, dentro da democracia política, promover mais democracia e mais igualdade, enfrentando o novo pacto hegemônico do conservadorismo modernizante no Brasil, cujo nome verdadeiro é neoliberalismo. Um regime de desenvolvimento econômico compatível com a democracia política, mas incompatível com a promoção da igualdade e com a consideração do outro, como meu irmão e meu igual. A esquerda pode pensar uma unidade, ao mesmo tempo, de resistência e avanço. Ou vamos para o retrocesso.

Tarso Genro
No Carta Maior
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As apostas e os micos da revista Veja em 2014


A última e melancólica edição da revista Veja em 2014 aposta na burrice de seus fiéis leitores pra convencê-los que quem pagou mico durante o ano foram os outros. Será mesmo?

• Apostou no “não vai ter copa”;

• Apostou na pior das copas;

• Apostou que o 7 a 1 derrotava Dilma;

• Apostou no papa conservador;

• Apostou na disparada da inflação;

• Apostou no fim da Venezuela;

• Apostou no fim de Cuba;

• Apostou no fim da Petrobrás;

• Apostou no delator que fala;

• Apostou na fala que vaza;

• Apostou no Real que salva tucano;

• Apostou na morte que salva revista;

• Apostou que Dilma rompia com Lula;

• Apostou em Aécio;

• Apostou no Joaquim;

• Apostou na Marina;

• Apostou nos indecisos;

• Apostou na virada de véspera;

• Apostou que quem ganhou, perdeu;

• Apostou na burrice de seus fiéis leitores.

Augusto Ferreira
No Esquerda Caviar
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PT tem melhores parlamentares — diz Veja


Nota zero para Aécio Neves, pior senador em ranking de 2014, não deve esconder quem saiu-se bem em levantamento de respeitado institudo de Ciência Política

Alvo de pancadas permanentes desde 2005, quando Roberto Jefferson fez a denúncia da AP 470, o desempenho do PT no Congresso brasileiro é pouco estudado pelo cidadão comum. Lamentável.

Conforme levantamento do Núcleo de Estudos sobre o Congresso, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Rio de Janeiro, um dos mais respeitados do país, o Partido dos Trabalhadores foi a legenda que teve o maior número de parlamentares classificados entre os 10 melhores da Camara de Deputados e do Senado Federal.

Está lá,na revista: entre os senadores, os petistas classificaram 3 entre os melhores, marca que nenhuma legenda atingiu: Lindenberg Farias, que ficou em 2º; Anibal Diniz, que foi o 4º; e Gleisi Hoffmann, em 10º.

Entre os deputados foram cinco sobre dez. Gabriel Guimarães, Angelo Venhoni, Alessandro Molon, Claudio Puty e Amaury Teixeira. Para usar uma expressão típica dos campos de futebol, o Partido fez barba e cabelo no ranking.

Considerando o tratamento cotidiano que o PT costuma receber dos principais veículos de comunicação — a começar pela própria Veja — esses números são uma nova comprovação do caráter seletivo e tendencioso da cobertura política oferecida aos leitores brasileiros. Aposto que você nunca tinha ouvido falar sobre muitos desses deputados. Também tenho certeza de que em alguns casos, você até tinha ouvido falar — porque são nomes incluídos em escândalos, nos quais sua culpa nunca foi demonstrada com consistência.

Nem vou discutir os critérios que levaram a este resultado, que envolvem 9 eixos de atuação. É possível, até, discordar de alguns desses critérios, coerentes com o ideário da revista. Mas é obrigatório concordar com o professor Fabiano Santos, coordendar do estudo, colunista regular do Valor Econômico e um dos mais aplicados estudiosos do Legislativo no país, quando ele escreve que “de posse desses dados é possivel analisar comparativamente a atividade de deputados e senadores.”

Para Fabiano, os dados permitem ao eleitor ”avaliar em que medida os parlamentares se aproximam — ou se afastam — de seus pontos de vista.”

Esses dados são acima de tudo a demonstração, no patamar de escândalo, do desserviço que a mídia presta ao regime democrático. Se é correto cobrir as notícias ruins — obviamente — também é necessário olhar para outros aspectos da atividade política, que envolvem o interesse direto do eleitor. O olhar enviesado é uma forma de enfraquecer e sabotar o funcionamento da democracia, ensina um dos principais estudiosos da midia nos EUA, James Fallows. Cria mitos e lendas que só ajudam a criminalizar a atividade política.

E agora nós podemos falar da nota zero de Aécio Neves. Quem acredita que ele foi considerado o pior senador de 2014 porque estava ocupado na campanha presidencial deve recordar que vários senadores bem classificados tiveram de enfrentar campanhas duríssimas em seus Estados — e foram capazes de cuidar das obrigações do mandato, sem prejuízo da campanha.

Cabe lembrar que a classificação de Aécio no ranking — 74º lugar — não foi divulgada pela edição impressa da revista. É vergonhoso, considerando sua estatura de candidato presidencial, apoiado editoralmente pela Veja, inclusive com uma tentativa de golpe midiático de última hora. Alguém pode imaginar que o desempenho de Aécio como senador não interessava a seus leitores?

Surpresa? Nem tanto. É mais um caso de antológico de jornalismo praticado conforme o mandamento de um inesquecível ministro do PSDB: “O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde.”

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O mi(ni)stério de Dilma

Quem tem algum compromisso, ou pelo menos preocupação, com as questões sociais fica decepcionado com as escolhas para o novo gabinete. Ao lado de uma equipe econômica alinhada com a banca, a presidente Dilma fez questão de nomear gente cuja trajetória vai no sentido oposto daqueles que garantiram sua vitória.

Gilberto Kassab no Ministério das Cidades é uma bofetada, em todos os sentidos. Um dos políticos mais oportunistas da história recente, Kassab está irremediavelmente associado à máfia do IPTU em São Paulo, à especulação imobiliária e ao desprezo pelos interesses dos cidadãos. Não é só: o filho de Jader Barbalho, novo ministro da Pesca, tem como única credencial a derrota para governador do Estado. E por aí vai: Eliseu Padilha volta à cena, um pastor é empossado para tocar o Esporte, uma agronegocista na Agricultura. E segue o enterro.

Ministério técnico, bem entendido, seria uma quimera: isso não existe. Qualquer técnico está sempre a serviço de uma política. Ainda assim, mesmo considerando o tal "presidencialismo de coalizão", haveria menus mais digeríveis do que o cardápio servido pela presidente reeleita. O simbolismo na política vale muito, às vezes tudo. Ao indicar nomes identificados com interesses que ela combateu durante a campanha, Dilma promove um curto-circuito talvez impossível de consertar antes de a fumaça aparecer.

Pode-se argumentar que grande parte dos ministros, na verdade, não manda nada. Diz-se também que o "núcleo duro" permanece nas mãos do PT. Falso. Mesmo que alguns dos nomeados jamais sejam recebidos em audiência no Planalto, eles fazem parte da face visível do governo. Desprezar isto não é fazer política; é cavar um fosso ainda maior em relação aos movimentos que acreditaram no discurso de campanha.

A receita que a presidente oferece ao público é uma mistura de crise e rame-rame. De que adianta contentar as inúmeras fatias em que o Congresso se divide? Viu-se isto com clareza nas manifestações de junho de 2013. O poder formal e a voz das ruas nem sempre caminham no mesmo sentido. Mas a segunda geralmente costuma determinar como o primeiro deve se comportar.

Ignorar a história é um risco capital. Não que o povo adore passeatas, manifestações diárias, greves, faltar ao trabalho ou atrapalhar o trânsito. Não! Mas ninguém consegue aguentar calado a ameaça de deterioração das condições de vida, a degradação de serviços públicos, a perda de poder aquisitivo e a piora no bem-estar da família. A estes, a maioria, "governabilidade" só interessa quando sinônimo da redução da desigualdade social.

É isto que mantém o mesmo partido no poder até agora. Este compromisso precisa ser renovado nas palavras e, acima de tudo, nos fatos. Mas o que se tem ouvido são notícias de aumento de tarifas, desocupações selvagens nas cidades, corte de gastos para pagar juros dos financistas e concessões conservadoras a granel. Nas páginas ao lado, porém, lê-se também que o número de bilionários no país cresceu; a compra de imóveis no exterior saltou; a taxa de lucro das empresas vai muito bem, obrigado; a corrupção grassa; e aumenta o número de investidores sedentos para aplicar dinheiro no Brasil. Mistério: quais serão os novos programas sociais? Dilma, mostra a sua cara.

Ricardo Melo
No fAlha
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Sérgio Porto # 89


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Essa é do Barão... 147


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Fala, Dilma!

Estes dias o que me espanta, entre os próprios simpatizantes de Dilma, é que alguns se sentem obrigados a especular sobre as razões (dela) para nomear um ministério que não entusiasma nenhum deles.

Chega a ser tocante o esforço de alguns para explicar as nomeações, evocando a busca de uma base sólida no Congresso, o apelo a políticos testados nos Executivos estaduais.

Tocante, porque fazem o que Dilma deveria ela mesma fazer.

Ela mesma deveria ter explicado por que escolheu uma equipe econômica como esta, e por que, na metade do ministério até agora anunciada, o realismo prevalece sobre o idealismo.

Não é impossível explicar isso, mas seria preciso ela mesma fazê-lo.

Não adianta quem votou em Dilma assumir um papel que é dela.

Mesmo que acabem tendo razão, e que Cid, Jaques e alguns outros se mostrem geniais nos cargos, política é arte da fala.

Política democrática é falar constantemente ao povo.

Renato Janine Ribeiro
No Esquerda Caviar
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