27 de dez de 2014

Amanhecer em Balneário Camboriú


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Que fim levaram os líderes latino-americanos dos anos 1990?


Daqui a dez anos se poderá avaliar o destino dos atuais presidentes, mas provavelmente entrarão para a história melhor que antecessores

A história da América Latina no século XX pode ser dividida, grosso modo, em décadas. Nos anos 1960 e 1970, por exemplo, o continente esteve imerso na lógica da Guerra Fria. Se, do lado de lá, na Cortina de Ferro, Moscou exercia fortíssima influência países como Hungria, Polônia, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia, do lado de cá, no “pateo trasero” dos EUA, Washington tinha grande peso sobre nações como Argentina, Brasil e Chile, que viviam sob ditaduras militares, ou México, Colômbia e Venezuela, que formalmente eram democracias.

Nos anos 1970, aliás, vários países latino-americanos experimentaram altos índices de crescimento, por conta da tomada de dinheiro barato nos mercados mundiais. Mas a festa acabou quando Ronald Reagan chegou ao poder nos EUA e o Fed subiu as taxas de juros para os títulos do Tesouro norte-americano. Ali, se enxugou a liquidez mundial e quebrou-se muitos países endividados, como os da nossa região.

A década de 1980 foi de desmanche das ditaduras, que perdiam apoio à medida que o fracasso econômico se acentuava. E foi também uma década de reconstrução das instituições democráticas e de gerenciamento da massa falida. José Sarney, no Brasil, e Raúl Alfonsin, na Argentina, foram dois claros exemplos de presidentes que tiveram de lidar com o duplo desafio de reconstruir a democracia e recolocar a economia nos eixos. Miguel de La Madrid, no México, também, ao menos no caso da economia. Num certo sentido foram todos eles líderes melancólicos, de uma época onde havia poucos motivos para se comemorar alguma coisa.

Arrebatadores mesmo foram os líderes que chegaram ao poder nos anos 1990. A onda ideológica neoliberal varria a periferia do mundo e a América Latina não ficou imune a ela. Pelo contrário, foi onde mais se aprofundou as experiências de privatização de empresas estatais, abertura comercial rápida e profunda e desregulamentação da economia. Tudo visando criar bons ambientes de negócio para investidores internacionais. Foi naquela época que gente como Carlos Menem (Argentina), Carlos Salinas de Gortari (México), Gonzalo Sanchez de Lozada (Bolívia), Alberto Fujimori (Peru), Carlos Andrés Pérez (Venezuela) e Fernando Henrique Cardoso (Brasil) elegeram-se a partir do sonho de retomada do crescimento e da equiparação das nossas sociedades com os padrões de vida do mundo desenvolvido. Doce ilusão.

O sucesso das medidas neoliberais da década de 1990 duraram isso mesmo, uma década. As medidas implantadas debelavam a inflação e atraíam capitais, de fato. Mas também produziram quebradeira de empresas, desemprego, recessão e em alguns casos reprimarização de nossas economias. Aprofundou-se o grau de dependência em relação aos países centrais. E a pobreza e a desigualdade aumentaram naquela década. Finalmente em 1998 Hugo Chávez foi eleito presidente na Venezuela e abriu a temporada de desmonte da grande frente neoliberal que comandava a América Latina até ali. Depois dele, diversos partidos de esquerda, em seus mais variados matizes, ganharam eleições e chegaram ao poder em Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Equador. E mais recentemente na Nicarágua, El Salvador e Costa Rica.
Reunião do Mercosul em 2012 com Chávez, Dilma, Mujica e Cristina
Mas por onde andariam, hoje, aqueles senhores que foram os ícones do sonho neoliberal que campeou na América Latina há quinze, vinte anos atrás? Aqueles que por um instante deram a impressão, a seus povos, de que Francis Fukuyama estava certo e de que, a partir da primazia da economia de mercado e da democracia liberal, havíamos finalmente chegado ao “Fim da História”?

Carlos Menem, que governou a Argentina entre 1989 e 1999, teve altos índices de popularidade enquanto conseguiu manter a paridade do peso com o dólar. Aproveitou-se dela para alterar a Constituição e concorrer à sua própria sucessão, algo proibido até então em seu país. Chegou a desdenhar do Mercosul e dizer que seu país gostaria de ter uma relação carnal com os EUA. No entanto encerrou seu governo de forma deprimente, com a Argentina mergulhada numa profunda crise econômica que acarretou sérias consequências políticas. Outros dois dados de sua biografia política foram a anistia aos generais da ditadura (1976-1982) e a prisão por conta de acusação de tráfico internacional de armas. Tentou concorrer novamente à presidência em 2003, contra Néstor Kirchner, mas acabou desistindo da eleição por considerar que a vantagem obtida pelo adversário no 1º turno seria insuperável no turno final. Algum tempo mais tarde aliou-se a Cristina Kirchner e em 2011 foi eleito senador. Ano passado foi condenado pela Justiça argentina a sete anos de prisão por seu envolvimento no caso do tráfico de armas, mas conta com imunidade parlamentar e segue em liberdade.

Carlos Andrés Pérez, homem forte da Venezuela entre 1989 e 1993, havia sido presidente daquele país na década de 1970. Na época fez um governo nacional-desenvolvimentista, criando inclusive a PDVSA, a Petrobrás venezuelana. Reelegeu-se presidente no fim dos anos 1980 com um discurso voltado ao social mas assim que tomou posse abraçou a agenda do FMI (Fundo Monetário Internacional). Sua guinada à direita, com um pacote de medidas econômicas altamente impopulares, originou o Caracazo, em fevereiro de 1989. Evento traumático da história venezuelana, no qual milhares de manifestantes foram massacrados por forças oficiais. Em 1993 Andrés Pérez acabou sofrendo processo de impeachment por corrupção. Ainda elegeu-se senador no fim daquela década, e depois autoexilou-se na República Dominicana e na sequência em Miami, onde veio a falecer em 2010.

Gonzalo Sanchez de Lozada, o Goni, governou a Bolívia entre 1993 e 1997. Chegou ao poder aliado a pequenos grupos de esquerda e movimentos indigenistas. No entanto, implantou um duríssimo plano de ajuste econômico destinado a acabar com a hiperinflação e privatizou diversas empresas públicas. As consequências sobre as condições de vida dos mais pobres foram terríveis. Conseguiu ainda voltar ao poder entre agosto de 2002 e outubro de 2003, período em que propôs novo ajuste, com fortes perdas salariais aos trabalhadores, bem como o plano de exportação de gás boliviano aos EUA através de um porto no Chile. Acabou deposto por conta de imensa mobilização popular e fugiu para os EUA. Mora atualmente em Miami. Em 2012, Lozada sofreu pedido de extradição aos EUA feito pela Justiça boliviana, para que responda em seu país pelos atos de repressão que resultaram na morte de 60 pessoas na época de sua deposição. O pedido foi rejeitado por Washington, mas a Justiça boliviana reapresentou o pedido agora em 2014.

Alberto Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, e governou até 2000. Em 1992, apoiado pelas Forças Armadas, patrocinou uma espécie de autogolpe, fechando o Congresso, a Suprema Corte e o Ministério Público. Adotou todo o receituário neoliberal, desregulamentando a economia peruana radicalmente e criando condições para a atração de investimentos estrangeiros. No entanto, viu explodirem a inflação e o desemprego. Durante seu governo, promoveu uma intensa guerra contra os movimentos guerrilheiros de esquerda, com destaque para o desmantelamento do Sendero Luminoso. Em 2000, durante uma viagem oficial à Ásia, renunciou à presidência e pediu asilo político ao Japão, país onde muitos peruanos desconfiam que ele teria nascido. Acabou sendo condenado em 2009 pela Justiça peruana a 25 anos de prisão pelos crimes como enriquecimento ilícito, corrupção, evasão de divisas, sequestro e genocídio. Deixou o Japão e após breve refúgio no Chile, foi extraditado ao Peru, onde cumpre pena. Apesar da infraestrutura privilegiada de seu cárcere, Fujimori recentemente solicitou à Justiça do país o cumprimento do restante da pena em casa, alegando questões humanitárias. O pedido foi rejeitado.
Ex-presidente Alberto Fujimori durante audiência de julgamento em março deste ano
Carlos Salinas de Gortari chegou ao poder no México em 1989, após uma eleição marcada por denúncias de fraude e na qual ganhou por pequena margem de um adversário esquerdista. Implantou um radical programa de corte neoliberal, com destaque para a privatização de inúmeras empresas estatais, de setores variados como telefonia, bancos, telecomunicações, seguradoras, transporte aéreo e hotelaria. Foi de Salinas a iniciativa de procurar os EUA e o Canadá para a criação do NAFTA (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), assinado em 1994. Suas medidas na economia deram ao México índices de crescimento que não se via há décadas, associados a uma queda radical da inflação. O país chegou inclusive a ser aceito na OCDE, clube dos países mais ricos do mundo à época, e era tratado como modelo pelo mainstream econômico mundial. No entanto, sua política cambial e sua política fiscal resultaram tão desastrosas que desorganizaram as contas públicas do país, a ponto de ocasionar a Crise Tequila. Ali o México faliu, dando o pontapé inicial a uma série de graves crises econômicas na segunda metade dos anos 1990, como no Leste Asiático, na Rússia, na Turquia e na Argentina, entre outros países. Um mês após encerrar seu mandato, e tendo Raul, seu irmão, preso por denúncias de corrupção, Salinas de Gortari deixou o México rumo aos EUA e algum tempo depois se soube que havia se autoexilado na Irlanda, país que não possuía tratado de extradição com o México. Em 2004 Enrique, outro irmão seu, foi encontrado morto em condições nunca totalmente esclarecidas. Retornou há alguns anos ao México e é aliado do atual presidente Peña Nieto, que reconduziu o Partido Revolucionário Institucional (PRI) ao poder após doze anos na oposição.

Outros líderes políticos latino-americanos da década de 1990 também adotaram o receituário neoliberal e também fracassaram. É o caso, por exemplo, dos ex-presidentes Abdalá Bucaram, que governou o Equador entre 1996 e 1997, e Jamil Mahuad, que presidiu aquele país entre 1998 e 2000. Foi ele, Mahuad, que extinguiu o sucre, moeda nacional do Equador, e adotou o dólar como moeda oficial. Vive hoje exilado nos EUA, enquanto Bucaram está exilado no Panamá.

Daqui a dez anos se poderá avaliar o destino político, pós-poder, dos atuais líderes latino-americanos. Hugo Chávez, ainda que contestado pelos setores médios e ricos da população de seu país, faleceu como um herói nacional na Venezuela. Cristina, por sua vez, também enfrenta oposição na sociedade argentina, mas Lula terminou seu mandato como o presidente mais popular da História do Brasil. Mujica em alguns dias deixará a presidência do Uruguai também com altos índices de aprovação, e Evo Morales e Rafael Correa são presidentes eleitos e reeleitos com grande popularidade na Bolívia e no Equador, respectivamente. Muito provavelmente todos eles entrarão para a História em páginas bem mais gloriosas que seus antecessores da década de 1990.

Wagner Iglecias, doutor em Sociologia e professor do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP.
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Geografia e estratégia


A reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder.

“O Brasil terá que descobrir um novo caminho de afirmação da sua liderança e do seu poder internacional, dentro e fora de sua zona de influência imediata. Um caminho que não siga o mesmo roteiro das grandes potências do passado, e que não utilize a mesma arrogância e a mesma violência que utilizaram os europeus e os norte-americanos para conquistar suas colônias e protetorados”
J.L.Fiori, “História, Estratégia e Desenvolvimento. Para uma Geopolítica do Capitalismo”, Editora Boitempo, SP, 2014, p: 279

A geografia teve um papel decisivo na formação e no desenvolvimento político e econômico da América do Sul. Por um lado, ela permitiu e estimulou a formação de um região geopolítica e geoeconômica plana, homogênea, de alta fertilidade e de crescimento econômico quase contínuo na Bacia do Prata; mas, ao mesmo tempo, ela impediu que os países e a economia do Prata — incluindo o Brasil — se expandissem na direção da Amazônia, do Caribe e do Pacífico.

No caso do Brasil, em particular, a topografia do seu território atrasou a sua própria interiorização demográfica e econômica, e enviesou os seus processos de urbanização, crescimento e internacionalização, na direção do Atlântico. A Floresta Amazônica, com suas planícies tropicas de baixa fertilidade e alto custo de exploração, dificultou a sua própria ocupação, e bloqueou o caminho do Brasil na direção da Venezuela, Guiana, Suriname, e Mar do Caribe. O Pantanal e o Chaco boliviano, com suas montanhas e florestas tropicais limitaram a presença do Brasil nos territórios entre a Guiana e a Bolívia; e a Cordilheira dos Andes, com seus 8 mil km de extensão e 6.900 metros de altitude, obstruiu o acesso do Brasil ao Chile e ao Peru, e o que é ainda mais importante, ao Oceano Pacífico com todas as suas conexões asiáticas.

Esta geografia extremamente difícil explica a existência de enormes espaços vazios dentro do território brasileiro e nas suas zonas fronteiriças, e sua escassa relação econômica com seus vizinhos, durante quase todo o século XX, quando o Brasil não conseguiu — nem mesmo — estabelecer um sistema eficiente de comunicação e integração bioceânica, como aconteceu com os Estados Unidos, já na segunda metade do século XIX, depois da sua conquista da Califórnia e do Oregon, que se transformou num passo decisivo do seu desenvolvimento econômico, e da projeção do poder global dos Estados Unidos.

Todas estas barreiras e dificuldades geográficas, entretanto, adquiriram uma nova dimensão e gravidade, no início do século XXI, graças: i) a transformação da China, do sudeste asiático, e da Bacia do Pacífico, no espaço mais dinâmico da economia mundial; ii) sua transformação simultânea, e no tabuleiro geopolítico mais relevante para o futuro do sistema mundial no transcurso do século XXI; iii) a consequente, “chegada’ econômica da China ao continente sul-americano, e ao Caribe e América Central, sobretudo depois do anúncio da construção do novo Canal Interoceânico da Nicarágua, financiado e construído pelos chineses, a um custo previsto de 40 bilhões de dólares; iv) a consequente revalorização geopolítica e geoeconômica do Caribe e da América do Sul, como tabuleiros relevantes da competição global entre os Estados Unidos e a China, e da competição regional destes dois países, com o Brasil.

Esta nova situação obriga o Brasil a redefinir ´inevitavelmente — sua estratégia, e o cálculo de custos do seu próprio projeto de integração regional, incluindo a ocupação dos “espaços vazios” da América do Sul, e da “conquista” do seu acesso ao Oceano Pacífico e ao Mar do Caribe. Este tem que ser o ponto de partida do debate sobre a Unasul e o Mercosul, e sobre o fortalecimento da soberania política e econômica do continente, incluindo, como é óbvio, os países sul-americanos da Aliança do Pacífico. Mas este ponto é esquecido em geral pelos analistas, e é substituído por uma discussão sem fim sobre a “lucratividade” comercial ou financeira, do projeto e do processo da integração continental. Estes analistas não entendem ou não querem aceitar que se trata de um objetivo e de um processo que não pode ser avaliado apenas pelos seus resultados econômicos, porque envolve um jogo geopolítico e geoeconômico muito mais complexo e global.

Desta perspectiva, o recente reatamento das relações diplomáticas dos EUA com Cuba, explicita e aprofunda esta disputa pela supremacia regional. Foi uma vitória política indiscutível de Cuba e da América Latina, e também, do “internacionalismo liberal” de Barack Obama, que luta para sobreviver ao seu atropelamento pelo ultraconservadorismo dos republicanos, e de muitos dos seus próprios partidários democratas. Mas ao mesmo tempo, esta reaproximação é inseparável da expansão econômica chinesa no Caribe e na América Central, e do anúncio do novo “Canal da Nicarágua”, com 278 km de extensão, bem maior e mais complexo do que o Canal do Panamá, e com a obra programada para começar em dezembro de 2104. Uma disputa que começa no Mar do Caribe, mas se projeta e prolonga na luta pela liderança política, econômica e estratégica da América do Sul.

Neste sentido, a reaproximação entre Cuba e os EUA contém um paradoxo e uma lição geopolítica, sobretudo para os países que se propõem subir na escada internacional do poder e da riqueza: uma vitória parcial, em qualquer tabuleiro do sistema provoca sempre o aparecimento de um novo desafio estratégico ainda mais complexo do que o anterior. Neste caso, foi uma vitória dos “povos latinos” e de certa maneira, da própria política externa brasileira, mas esta mesma vitória aumenta a urgência do Brasil abrir seus canais de comunicação e transporte com o Mar do Caribe e com a Bacia do Pacífico, a qualquer preço, e por mais criticada que seja a rentabilidade econômica imediata do projeto.

José Luís Fiori
No Carta Maior
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Belluzzo critica ação dos cartéis da construção e da informação na crise

Economista, diz que Dilma é uma das poucas pessoas por quem põe ‘a mão no fogo’. Para ele, presidenta é ‘atormentada’ por cartéis e o que ‘estão fazendo com a Petrobras é imperdoável’ 

'Defendo as empresas, não seus donos: os que cometeram
 malfeitos têm de cumprir o que a lei manda'
“A economia brasileira tem os seus cartéis, dentre os quais os mais importantes são as empresas de construção”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Unicamp. Em entrevista ao Seu Jornal, da TVT, Belluzo afirma que a importância do setor de construção da economia — junto com a Petrobras responde por sete a nove pontos percentuais da taxa de investimentos no país — não exime os empresários do setor de serem punidos com o rigor da lei. “Estou defendendo as empresas, e não os empresários, os que cometeram malfeitos têm de cumprir o que a lei manda.”

Ele vê no entanto, que a crise da Petrobras envolve, além os casos de corrupção — que têm de ser investigados e solucionados para que a empresa se recupere —, questões geopolíticas externas e interesse internos: “Está lá no Congresso o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) clamando pela mudança do modelo de partilha para o modelo de concessão. Concessão é adequado para quando você vai descobrir as reservas de petróleo. Você não pode aplicar isso a reservas já descobertas, seria uma impropriedade. Isso envolve uma questão geopolítica, de interesse, no fundo, de se privatizar ao máximo a exploração do petróleo e tirar do controle da Petrobras”, observa. “Por isso o caso da Petrobras é muito grave. Isso que foi feito é imperdoável, porque fragiliza muito a empresa.”

O economista se solidariza com a presidenta Dilma Rousseff: “É uma das poucas pessoas pelas quais eu ponho a mão no fogo. Eu sei que ela deve estar atormentada e é inacreditável que tentem imputar a ela alguma coisa parecida com corrupção”, diz. E faz uma referência à atuação da imprensa brasileira. “A imprensa brasileira é um cartel. Um cartel da informação, o que é grave para um país que quer avançar na democracia, na melhoria dos padrões de convivência. É preciso diversificar os meios de comunicação e não permitir que o cartel continue operando. E o cartel está operando.”

Assista à entrevista concedida a Talita Galli, da TVT.

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A piada pronta do boliviarianismo patronal


Demissão no Estado de Minas mostra quem são os inimigos da liberdade de imprensa

A demissão de João Paulo Cunha, editor de cultura do jornal Estado de Minas, publicação de maior circulação naquele estado, ajuda a colocar um traço de realismo ao debate sobre liberdade de imprensa no Brasil.

É uma piada pronta, que ajuda a lembrar que vivemos um regime que deveria ser definido como bolivarianismo patronal.

Todos lembram de uma noite recente em São Paulo, quando jornalistas subiram ao palco de uma cerimônia de premiação para dizer em tom dramático: “não ao controle social da mídia.” É disso que estamos falando.

Embora estejamos falando de um direito constitucional, na vida real da imensa maioria de jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV do país o exercício da liberdade de expressão vive limitado por uma prerrogativa de classe.

Pode ser exercida pelos donos da empresa, seus familiares e uma pequena elite de profissionais autorizados. E só.

Aos demais jornalistas está reservada a função de apurar o que pedem e escrever o que mandam, num regime de cima para baixo que não é exagero comparar com hierarquia militar.

A linguagem panfletária, editorializada, reflete a falta de debate interno. A edição seletiva, dirigida para ressaltar um ponto de vista pré-definido, expressa a mesma situação.

Profissional diferenciado, há 18 anos no Estado de Minas, João Paulo pediu demissão ao ser informado pela direção da publicação que não estava mais autorizado a escrever sobre assuntos políticos.

A decisão foi tomada depois da publicação de um artigo no qual o autor ousava fazer uma observação em tom crítico ao senador e ex-candidato presidencial Aécio Neves. Convém atentar para dois detalhes. O artigo foi publicado em 12 de dezembro de 2014, ou seja, um mês e meio depois que Aécio já tinha sido derrotado por Dilma Rousseff, quando os votos já haviam sido contados e o resultado da eleição já fora anunciado. Seria impossível, portanto, imaginar que João Paulo tivesse a intenção de usar as páginas do Estado de Minas para pedir votos para a adversária de Aécio nas páginas de um jornal que defende a candidatura presidencial do senador mineiro desde 2010, quando ele sequer concorria  ao Planalto.

Outro aspecto é que não se trata de um artigo que julgasse Aécio Neves como um político bom ou ruim. Fazia uma crítica a sua postura depois da derrota, quando Aécio e o PSDB partiram para a ignorância: tentaram impugnar as urnas e estimularam protestos que pediam golpe de Estado. Num texto denso, refletido, verdadeira glória da imprensa brasileira de nossos dias, onde é raro ler-se um material de qualidade equivalente, João Paulo comparou Aécio a Bentinho, o personagem de Machado de Assis que não consegue compreender o que acontece no mundo — nem com a mulher Capitu, suspeita de adultério.

Vamos ler um trecho do artigo, chamado Síndrome de Capitu:

“Bentinho não sofre só pela traição mas porque não entende que o mundo mudou. Não pode aceitar que a sociedade republicana deixou para trás as amarras elitistas do Segundo Reinado e da escravidão. (…) Tudo o que ele não compreende o ameaça.”

Outro parágrafo:

“O Brasil tem uma recorrente síndrome de Capitu: tudo que a elite não tolera se torna, por meio de um discurso marcado pela força jurídica e da tradição, algo que deve ser rejeitado. Eternos maridos traídos. A tendência de empurrar a política para os tribunais é uma consequência desse descaminho. Assim, tudo que de alguma forma aponta para a mudança e ampliação de direitos é considerado ilegítimo e, em alguns momentos, quase uma afronta que precisa ser questionada e combatida. Foi assim com a visibilidade dada aos novos consumidores populares (que foram criminalizados em rolezinhos ou objeto de ironia em aeroportos), com as cotas raciais para a universidade, com a chegada de médicos estrangeiros para ocupar postos que os brasileiros, psicanaliticamente, denegaram.”

A leitura desses parágrafos — o texto integral pode ser encontrado na internet — mostra uma produção intelectual sofisticada, a altura das complexidades de um país como o Brasil em 2014. Não estamos falando de um panfleto. O tom é profissional, de quem sabe seus limites e conhece as fronteiras de quem faz a dissidência num ambiente geral hostil.

O vigor intelectual contrasta com uma certa timidez política, até.

E aí chegamos ao verdadeiro bolivarianismo de nossas terras. Qual a liberdade que ameaça nossos Bentinhos? Qual seu temor?

Ao falar de uma elite de “eternos maridos traídos”, João Paulo toca no ponto central de nossa democracia, regime que pode ser aceito, preservado e até celebrado — enquanto o povo não ousa ultrapassar determinados limites e fronteiras. Quando isso acontece, considera-se traição — e isso é imperdoável.

Esse é o drama da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação. A luta contra a censura foi bem-vinda enquanto auxiliou os donos de jornal a livrar-se das botas e tanques de um regime que haviam ajudado a colocar de pé.

Foi uma causa justa correta, vamos ter clareza.

Quando se procura ampliar o espaço para que o conjunto da sociedade possa se manifestar, num movimento que apenas fortalece a democracia, e é coerente com as mudanças sociais que ocorreram no país na última década, a reação é falar em bolivarianismo, sem receio de produzir uma fraude. Quem censura? Quem cala o outro lado? Quem oprime?

Até dá para entender. Só não dá para aceitar.

“Síndrome de Capitu” é um trabalho de gabarito, que não se lê todos os dias, que coloca a política em outro plano, da discussão cultural. Ajuda a pensar o país — e é isso que se proibiu.



Síndrome de Capitu


Existem duas verdades aparentemente óbvias que, no entanto, não têm ficado suficientemente claras para muita gente: o país mudou e a eleição já acabou. A insistência em dar continuidade ao processo que elegeu Dilma Rousseff poderia ser apenas um luto mal vivido, mas tende a se tornar perversa no campo político. Por outro lado, a recusa em enxergar a nova configuração da sociedade, resultado de seguidas políticas de distribuição de renda e inclusão social, pode gerar um impulso no mínimo grotesco em suas alusões reativas e chamamentos à ditadura.

É preciso ir adiante. A oposição, certamente, saiu fortalecida do resultado eleitoral bastante parelho. Mas corre o risco de jogar fora esse crescimento quantitativo em nome de um comportamento pouco produtivo em termos políticos. Em vez de jogar com seu eleitor fiel, interpreta os votos de acordo com suas conveniências e joga para a plateia pelos meios de comunicação, sem perceber que essa falácia já mostrou ser um paradoxo invencível: tem mais brilho que consistência, mais efeito que substância, mais eco que voz.

A oposição de hoje parece viver, no campo da política, o que Bento Santiago, o Bentinho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, viveu em seus tormentos de alma: se perde na fantasia da traição (mesmo que ela tenha sido real). Para lembrar sumariamente o enredo do romance, Bentinho se apaixona por Capitu, desde logo apresentada como portadora de “olhos de ressaca”. São jovens de classes sociais distintas. Um arranjo permite o casamento. Logo Bentinho, já pai e bem posto na vida como advogado, desconfia que está sendo traído pela mulher com o melhor amigo, em quem vê semelhança com o filho. O casal se separa, o filho morre e Bento, sozinho, leva adiante sua sina de ser casmurro e sofrer com a desconfiança até o fim da vida.

Machado de Assis, como sempre, ao falar de seus personagens, está figurando a sociedade de seu tempo. Bentinho não sofre só pela traição, mas porque não entende que o mundo mudou. Não pode aceitar que a sociedade republicana deixou para trás as amarras elitistas do Segundo Reinado e da escravidão. Bento não reconhece a mulher, a sociedade, a história. Não pode aceitar que ela tenha uma vida independente e autônoma. Tudo que ele não compreende o ameaça. Capitu não é apenas a mulher, mas tudo que perdeu em seu mundo de referências que se esvaem. Mais que sexual, a traição é histórica. Homem de outro tempo, só resta a ele tentar convencer ao leitor e a si próprio de seu destino de vítima. E soprar um melancólico saudosismo acerca dos tempos idos, que busca reconstruir em sua casa feita à semelhança do lar da meninice.

O Brasil tem uma recorrente síndrome de Capitu: tudo que a elite não tolera se torna, por meio de um discurso marcado pela força jurídica e da tradição, algo que deve ser rejeitado. Eternos maridos traídos. A tendência de empurrar a política para os tribunais é uma consequência desse descaminho. Assim, tudo que de alguma forma aponta para a mudança e ampliação de direitos é considerado ilegítimo e, em alguns momentos, quase uma afronta que precisa ser questionada e combatida. Foi assim com a visibilidade dada aos novos consumidores populares (que foram criminalizados em rolezinhos ou objeto de ironia em aeroportos), com as cotas raciais para a universidade, com a chegada de médicos estrangeiros para ocupar postos que os brasileiros, psicanaliticamente, denegaram.

O romance de Machado de Assis tem ainda outro personagem curioso para a sociologia e psicologia do brasileiro, o agregado José Dias. Trata-se de um homem que vive às expensas da família de Bento e que, por isso, não cessa de elogiar quem o acolhe. Típico representante de certa classe média, ele é o bastião dos valores da burguesia da época, da qual só participa de esguelha. Mais burguês que os burgueses, em sua subserviência, ele gasta os superlativos e a vida a invejar e defender os “de cima”, com pânico de ser confundido com os “de baixo”. Epígonos de José Dias, hoje, são os que amam Miami, levam os filhos para ver o Pateta e participam de passeatas pedindo a volta dos militares.

Leviandade

Mas o que a síndrome de Capitu tem a ver com a política brasileira de hoje? Em primeiro lugar, ela explica por que, em vez de armar uma oposição de verdade, os partidos derrotados tentam inviabilizar a sequência do processo democrático. Em segundo lugar, pela defesa da dupla moral, que desculpa os erros do passado por causa da dimensão dos desvios de hoje, numa reedição do estilo udenista e despolitizador de analisar a conjuntura. Tudo que pode de alguma forma macular a oposição é considerado “sórdido” e “leviano”, numa substituição da política pela moral de circunstância. A corrupção, com sua espantosa abrangência, precisa ser combatida em toda sua dimensão e arco histórico. Nenhum culpado pode ficar de fora, de empresários a políticos de todos os partidos.

Por fim, a personagem machadiana ajuda a explicar a fixação em torno de determinados temas — no romance, é a traição, na vida política atual, é a inflação —, que são muito mais derivações que propriamente o que de fato interessa. A escolha dos ministros da área econômica mostrou como mesmo um governo popular e eleito democraticamente confirma as intuições de Machado de Assis. A excessiva submissão aos interesses rentistas pode ser um recuo estratégico. Mas é um recuo. Uma capitulação.

Economia não é uma ciência exata e, muito menos, isenta de componente ideológico. Um governo de esquerda precisa de uma política econômica de esquerda. Além do equilíbrio macroeconômico, o mais importante é apontar as estratégias de distribuição de renda e de investimento na área social. O deus Mercado não pode falar mais alto que os filhos de Deus. No complexo tecido que sustenta a governança, a presença das forças populares não pode ser colocada em segundo plano, como vem sendo até agora. A excessiva sujeição ao cálculo do apoio político está na base da grande corrupção que hoje enoja a todos. Por isso a reforma política popular se tornou a agenda prioritária da sociedade.

A oposição, por sua vez — e o senador Aécio Neves, candidato derrotado como seu nome de maior destaque —, tem uma tarefa a cumprir: dar um passo à frente no jogo político, com a grandeza que o momento requer. O que ainda está devendo.

Bentinho perdeu sua vida ao ficar preso a um passado de desconfianças que, de resto, até hoje divide as opiniões. Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia. Há, entretanto, obsessões que paralisam pelo rancor e ressentimento. Bentinho, é bom lembrar, nunca mais foi feliz. Foi ele mesmo o criador e a vítima da síndrome que o consumiu.

João Paulo Cunha
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Aula para um formador de opinião


Qual(ais) o(s) jornalista(s) que forma(m) sua opinião? Pois nesse natal você deveria ser bonzinho com ele(s). Não apenas para agradar o Papai Noel, mas porque, afinal, é quem forma a sua opinião e como todo mundo você deve dar muito valor a sua opinião formada.

Ah! Quem não dá! Afinal você não investe na assinatura do seu jornal, da sua revista, nem perde tempo na frente da TV à toa, não é mesmo? Você faz tudo isso para ter uma opinião formada sobre o mundo, o Brasil, a política, a economia, o que seja! Então... Quem é que forma a sua opinião?

Neste Natal seja bonzinho com o seu formador de opinião, pois ele gosta muito de você. Ou nunca viu como todo jornalista se orgulha de se dizer um formador de opinião.

William Bonner, por exemplo, tem tanto carinho por aqueles a quem forma opiniões que os chama de Homer Simpson. Gente maldosa entendeu que chamou de idiotas os de opinião formada pelo Jornal Nacional da TV Globo, mas o Bonner explicou que é só um jeito carinhoso de se referir aos que tem opinião formada pela Globo.

Além da Globo, quem mais forma a sua opinião? Neste natal escreva a todos aqueles que formam a sua opinião, mas seja bonzinho e não faça como o meu amigo Pacheco que por buscar as informações que a imprensa nacional não divulga, não permite que os jornalistas brasileiros formem sua opinião. Nem o William Bonner, nem ninguém!

Veja aí a carta que o mal criado do Pacheco escreveu, dando uma aula num desses formadores de opinião. Esse Pacheco! Vai ver que não acredita em Papai Noel... E você? Acredita em Papai Noel?

E no William Bonner, você acredita?

Leia a carta do Pacheco e a envie para seu formador de opinião favorito. Depois me escreva contando qual a opinião que lhe foi formada sobre a aula do Pacheco ao jornalista da Gazeta do Povo.

Prezado

Creio que você talvez pudesse começar seu bem elaborado artigo, como o fez, criticando nosso pibinho. Contudo, como estamos em ritmo de festas, você poderia ter compensado a crítica com aquele "mas", presente na mídia, sempre desejosa em querer criar um fato negativo quando a notícia é favorável ao governo, tipo:

"menos pessoas passam fome no Brasil, mas...ainda 7 milhões padecem desse mal". Ou

"a inflação vai fechar o ano dentro da meta, mas...em janeiro ela deve ultrapassar o teto ".

Assim, no teu artigo caberia:

"...mas países europeus desenvolvidos apresentarão crescimento negativo"

Quanto à Petrobrás, não creio que o principal problema da empresa seja o "petrolão", embora ele não pare de crescer. Isso será episódico, embora a um grande custo.

O que nossa petroleira está sendo bombardeada em duas frentes: uma doméstica e outra internacional, ambas procurando desacreditá-la.

O aspecto doméstico está configurado no processo de vazamento seletivo de depoimentos prestados sob delação premiada. Sabe-se que alguns dias antes das eleições, um jornalista de prestígio na mídia dominante, noticiou que informações sigilosas foram fornecidas à Aécio Neves e à Álvaro Dias.

É também notória a campanha anti governo na mídia social, desenvolvida pelos delegados federais que atuam no processo Lava Jato. Já há mais tempo agentes federais praticavam exercício de tiro tendo Dilma como "mosca". Isso tudo sob as vistas do Ministro da Justiça (Zé, o lento) seu superior.

O juiz Moro, sempre tucano de carteirinha, vaza somente nomes de políticos da base de sustentação do governo. Já se disse, não sendo muito difícil comprovar, que a corrupção grassa (sem trocadilho) em vários níveis de governo e desde há muito tempo. Um dos advogados de empreiteiro declarou que:

"no Brasil não se coloca um paralelepípedo numa rua, sem o pagamento do "por fora ".

Não exatamente nesses termos.

Mas Moro, muito parcimonioso, permite que apenas dois nomes da oposição sejam revelados: o do tucano Sérgio Guerra e o do "socialista" Eduardo Campos. Ambos já no além vejam só!

A esposa do juiz, advogada, presta consultoria ao governo tucano de Beto Richa e pertence a escritório que defende os interesses de subsidiária da Shell, concorrente da Petrobrás.

Quer dizer que, se no decorrer do processo o magistrado conseguir chegar isento até o fim, merecerá uma "estátua de bronze na praça onze".

Já a mídia, por demais interessada na privatização da estatal, começaria por incentivar a mudança do sistema de exploração, de partilha para concessão, esta o sonho dos tucanos e neoliberais desde os tempos da "Petrobrax".

No âmbito internacional a briga é também encarniçada.

Vejamos: o preço do petróleo, já bastante "despencado", ainda não chegou ao fundo do poço. Como o custo de produção da Arábia Saudita se situa em torno de US$5/barril, ainda há muito espaço. Devemos ter presente que os sauditas não pretendem abrir mão da hegemonia de maior produtor mundial. Com preços tão e cada vez mais baixos, os árabes matam cinco coelhos de uma só cajadada: Rússia, Venezuela, país com a maior reserva mundial, o arqui-inimigo Irã, Líbia e outros menos cotados.

E o quinto?

Oras, a nossa Petrobrás que tem um programa de maior investimento mundial em exploração petrolífera; detém toda a tecnologia de exploração em águas profundas; e agora, com o potencial expressivo do pré-sal, que segundo os estudiosos, será ainda viável com o preço de US$35/barril, podendo se tornar um importante player no tabuleiro mundial da commoditie.

Com essa política, a Arábia Saudita determina que os EUA, seu grande aliado, adie sua exploração de xisto, que ficará estocado à espera de maior emergência e oportunidade. E Obama poderá sapatear sobre o caixão de Putin. A menos que o urso branco recorra à proteção da China, seu mais novo aliado desde o fim da União Soviética. Os dois países possuem um intercâmbio comercial de US$100 bilhões, com novo contrato para 30 anos para o gás russo que atinge US$400 bilhões. A China está numa confortável posição, em cima de uma reserva de US$3,89 trilhões.

Os chineses se preparam para assumir e manter a hegemonia econômica mundial. Começam por dar início à construção do Canal da Nicarágua, alternativa por demais interessante, para escapar da necessidade de utilizar o Canal do Panamá, de domínio americano. Os "amarelos", já em posição de destaque no intercâmbio cultural com diversos países, caminham celeremente para assumir o lugar de maior potência econômica mundial.

O programa chinês de ferrovias é qualquer coisa de impressionante. Com trens que desenvolvem velocidades inimagináveis, estão pretendendo espalhar a malha ferroviária pelos quatro cantos do mundo. Logo, logo o transporte ferroviário, levando e trazendo mercadorias de países longínquos do seu chão, estarão competindo com grande "handicap" com todos os países do mundo.

Então teremos uma nova geopolítica mundial.

Ah, os EUA continuarão com suas guerrinhas.

Enfim, só lamento ter tomado teu tempo com essa longa digressão comentando teu artigo.

Um grande e Feliz Natal para você e familiares.

Abç

Pacheco

Raul Longo
No Pé na Terra
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Veja diz que Aécio Neves é o pior senador do Brasil

Veja publica pelo quarto ano o seu Ranking do Progresso, uma avaliação objetiva do desempenho dos senadores e deputados — que, sim, no conjunto, tratam o país com seriedade
Ilustração Negreiros

Todo último ano de uma legislatura, como foi 2014, é, por natureza, especial. Para dizer o mínimo, ele encerra um período de expectativas depositadas nos parlamentares juntamente com o voto de cada eleitor. A divulgação, pela quarta vez consecutiva, do Ranking do Progresso — avaliação anual objetiva do desempenho de senadores e deputados feita por Veja em parceria com o Núcleo de Estudos sobre o Congresso (Necon), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-­Uerj) — permite refletir não apenas sobre a etapa derradeira de mandatos iniciados em 2011, ano em que se fez o primeiro levantamento, como também convida a um balanço do país espelhado por seu Parlamento.

Antes de tudo, é fundamental recordar aqui alguns pontos sobre os parâmetros conceituais do ranking Veja — que, aliás, é pioneiro no Brasil. Pelo mundo afora, os vários indicadores que mapeiam as ações dos parlamentares têm o objetivo de definir o posicionamento dos congressistas em relação a temas-chave do cotidiano da sociedade. A relevância disso é cristalina: de posse desses dados, é possível analisar comparativamente a atividade de deputados e senadores, desenvolvendo e testando hipóteses explicativas, e preditivas, sobre o comportamento coletivo do Legislativo; ao mesmo tempo, eles possibilitam aos eleitores avaliar em que medida os parlamentares se aproximam — ou se afastam, evidentemente — dos seus pontos de vista. No caso do ranking da revista, são levadas em conta propostas de ajuste na legislação capazes de contribuir para um país mais moderno e competitivo, segundo a perspectiva de Veja e da Editora Abril. O Necon desenvolveu uma metodologia que observa todas as etapas de uma proposição, de sua origem à votação final, com peso específico em cada uma das fases.

Esclarecidas as diretrizes que norteiam o ranking, pode-se passar à análise dos resultados — para além da frieza dos números.

Nos anos anteriores, enfatizamos a contribuição que o Parlamento brasileiro tem dado à discussão de projetos que visam a aperfeiçoar o status quo legal do país. Destacamos, em 2011, 2012 e 2013, a presença de uma resistência oposicionista de qualidade. Com isso, caiu por terra a ideia de uma oposição atordoada após sucessivas derrotas no pleito presidencial, reduzida à tarefa de reverberar o trabalho investigativo da imprensa e desprovida de uma agenda consistente de políticas públicas a ser apresentada à população. No contrafluxo dessa visão, registramos que os parlamentares que sobressaíram na Câmara dos Deputados como defensores de propostas condizentes com o aumento da competitividade e modernização da economia brasileira, de novo, segundo os parâmetros de Veja e da Editora Abril, eram basicamente políticos eleitos por partidos de oposição (em especial PSDB e PPS, e alguns do novo PSD, egressos do DEM).

Pois bem: é outro o cenário apresentado pela sessão legislativa de 2014. Neste ano, temos maior equilíbrio entre parlamentares do governo e da oposição na Câmara Federal. Entre os vinte mais bem colocados, sete integram os quadros da dupla PSDB/DEM, o mesmo número do par PT/PMDB (os seis deputados restantes pertencem a PPS, PTB, SD, PSOL e PMN). O que explicaria tal mudança? É impossível não considerar como determinante do ranking de 2014 o fator “calendário eleitoral”. Tivemos um longo e árduo ano de campanhas para os pleitos presidencial e legislativo — contaminadas, mais uma vez, por uma sucessão de escândalos que envolveram a classe política e alguns candidatos-protagonistas. Senadores e deputados passaram boa parte de 2014 empenhados em levar aos seus eleitores o resultado do trabalho desenvolvido a partir de 2011. Além disso, muitos congressistas se lançaram na disputa para os executivos federal e estaduais. Isso trouxe pelo menos duas consequências: a) um número pequeno de deliberações no Congresso, se considerarmos como base o período 2011-2013; b) pouco trabalho feito por parlamentares que, em outro momento, teriam maior atuação nos processos decisórios do Legislativo.

O número relativamente baixo de deliberações teve relevância para o cálculo do Ranking do Progresso porque, diante da escassez legislativa, aumentou o peso de pequenas ações ou decisões tomadas por senadores e deputados. Um simples discurso ou uma votação em plenário podem ter sido decisivos na definição do lugar de um congressista no ranking Veja. Isso não teria tanto impacto se, no conjunto, houvesse um número muito maior de matérias votadas ou discursos pronunciados. Já a segunda consequência decorrente de 2014 ter sido um ano eleitoral é de difícil verificação. Na verdade, ela é até, de certa maneira, desmentida pelo fato de os dois primeiros colocados no Senado terem se candidatado ao governo de seus respectivos estados. Seja como for, é razoável supor que as disputas estaduais e as esperanças de vitória possam ter contribuído para um maior ou menor empenho nas atividades legislativas. Não se deve imaginar, no entanto, que só a ausência nas sessões do Senado e da Câmara dos Deputados explicaria a má colocação de um parlamentar no Ranking do Progresso. Estar em plenário e votar mal, vale dizer, na contramão daquilo que a revista e a Editora Abril consideram decisivo para a modernização do Brasil, conta, e muito, para que o senador ou deputado em questão desabe no ranking.

Outro aspecto a ser ressaltado são as diferenças de desempenho entre as duas Casas do Congresso. Nas sessões legislativas de 2011 a 2013 tínhamos observado que o Senado não era exatamente a sede mais efetiva da oposição. Em 2014, esse traço se aprofundou: o número de congressistas oposicionistas caiu drasticamente entre os de maior destaque na chamada Câmara Alta. Não temos explicação para isso; o fato é que os deputados de oposição continuaram oferecendo contribuição mais substantiva em proposições que levam o país para a frente do que seus colegas do Senado. Na próxima legislatura, a Câmara terá reforçado o seu caráter mais conservador. Para onde isso a levará começaremos a saber em 2015.

Um terceiro resultado digno de nota diz respeito à confirmação do que vimos nas edições passadas quanto ao perfil daqueles que acabaram recebendo boa pontuação. Com as exceções de praxe, trata-se de um conjunto de parlamentares com alguma experiência na vida política e, em especial, parlamentar. Isso prova que a política brasileira é uma atividade profissionalizada, que exige dedicação integral e boa assessoria.

Por último, mas não menos importante, vale frisar o que verificamos desde o início da publicação do Ranking do Progresso: não temos um Legislativo ocupado única e exclusivamente por maximizadores do bem próprio. A agenda em torno da qual foi montado o Ranking Veja se compõe essencialmente de projetos enviados pelo Executivo, de impactos significativos a curto e longo prazo. As intervenções e modificações introduzidas pelos parlamentares, e que serviram de medida para a montagem de nossa lista, acabaram moldando o resultado final de várias dessas políticas. Portanto, também não é verdadeira a tese segundo a qual o Congresso brasileiro pouco quer saber do Brasil. Trata-se de uma instituição na qual o destino do país é discutido e tratado com seriedade — apesar, ressalve-­se sempre, de lastimáveis desvios de conduta.

Ranking do Progresso 2014 - Senadores



Ranking do Progresso 2014 - Deputados



Na Veja
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O Petrolão e os outros escândalos abduzidos pelo noticiário


Nas últimas semanas, o Brasil tem vivido sob o impacto da Operação Lava Jato, que, em torna da qual o noticiário, na busca de uma associação ao chamado “mensalão”, batizou de Petrolão. Enquanto se eleva esse novo escândalo ao posto de "o maior da história", relegam outros episódios aos rodapés, os lançam um imenso Triângulo das Bermudas, o reduzem aos pedacinhos pelas lâminas de Freddy Krueger, os abduzem feito obra de alienígenas.

Esse é o caso, por exemplo, do "mensalão do PSDB", perpetrado, de forma pioneira, com a ajuda do conhecido Marcos Valério, durante o governo do senhor Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.

Esse é o caso do escândalo do Banestado, de desvio de mais de R$ 100 bilhões para o exterior, no qual foram indiciados vários personagens ligados ao governo Fernando Henrique Cardoso, incluído o senhor Ricardo Sérgio de Oliveira, "arrecadador" de recursos de campanhas do PSDB, perpetrado, entre 1996 e 2002, também no Paraná, com a ajuda do mesmíssimo "doleiro" Alberto Youssef do atual escândalo da Petrobras.

Esse parece ser também o caso, do Trensalão do PSDB de São Paulo, que, apesar de ter tido mais de R$ 600 milhões das empresas envolvidas bloqueados pela justiça no dia 13 de dezembro, parece ter sido coberto por um Manto da Invisibilidade digno de Harry Potter, do ponto de vista de sua repercussão.

Seria ótimo se — hipocrisias à parte — o problema do Brasil se resumisse apenas a uma briga entre "bonzinhos" e "malvados".

Está claro que temos aqui, como ocorre em muitíssimos países, bandidos recebendo propinas no desvio de verbas públicas, atuando como "operadores" e facilitadores no trabalho de tráfico de influência, no superfaturamento e na lavagem de dinheiro e envio de recursos para o exterior.

E claro está também que existem empresários acostumados, com o tempo, a pagar ou a ser extorquidos, a cada obra, a cada licitação, a cada aditivo de contrato, pelos "intermediários" e oportunistas de sempre, e que já sofrem sucessivas paralisações, atrasos e adiamentos nas grandes obras que executam, que ocorrem devido a razões que muitas vezes escondem interesses políticos que nem sempre correspondem aos do próprio país e da população.

E padecemos, finalmente, ainda, da falta de coordenação e entendimento, entre os Três Poderes da República, em torno dos grandes problemas nacionais.

Leis, projetos e obras que são essenciais para o futuro do país, não são discutidas previamente entre Executivo, Legislativo e Judiciário, antes de serem encaminhadas para aprovação e execução, o que acaba levando, nos dois primeiros casos, a relações de pressão e contrapressão que acabam descambando no fisiologismo e na chantagem – e que afetam, historicamente, a própria governabilidade.

Na contramão do que imagina a maioria das pessoas, com algumas exceções, ao contrário dos corruptos e dos "atravessadores", os homens públicos — incluindo aqueles que trabalham abnegadamente pelo bem comum — estão muito mais preocupados com o poder, para executar suas teses, ideias e projetos, ou apenas exercê-lo, simplesmente, do que com o dinheiro.

No embate político, ter recursos — que às vezes chegam de origem nem sempre claramente identificada, pelas mãos de "atravessadores" que se oferecem para "ajudar" — é essencial, para conquistar o poder, na disputa eleitoral, e nele manter-se, depois, ao longo do tempo.

Esse é o elemento mais importante da equação. E ele só começará a ser resolvido se houver uma reforma política que proíba, definitivamente, a doação de dinheiro privado a agremiações políticas e candidatos a cargos eletivos, promova a cassação automática de quem usar caixa dois e aumente a fiscalização do uso dos recursos partidários ainda durante o período de campanha.

A gravidade da situação coloca em risco a imagem da empresas mais importante do país levou. A ponto de a defesa da Petrobras ocupar parte importante do discurso de diplomação da presidenta reeleita. Foi um recado importante de que não está fechando os olhos para a crise e de que tampouco permitirá que setores interessados na fragilização da companhia se dela de locupletem.

Mas por mais que sejam importantes, e impactantes, as prováveis prisões dos corruptos envolvidos no escândalo da Petrobras e a recuperação dos recursos desviados, se não for feita uma reforma política, de fato, elas não impedirão que mais escândalos ocorram, no financiamento de novas campanhas, já nas próximas eleições.
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Em Maricá, Prefeito do PT implanta tarifa zero


Prefeitura criou empresa pública e instituiu novo modelo de transporte público

As operações da Empresa Pública de Transportes (EPT), autarquia da Prefeitura de Maricá (RJ), começaram nesta quinta-feira (18) com a disponibilização de transporte coletivo com tarifa zero por toda extensão da cidade. O serviço será oferecido 24h por dia, de Ponta Negra ao Recanto de Itaipuaçu. Qualquer pessoa, moradora ou não, poderá usar as quatro linhas (dez veículos), sem nenhuma cobrança de passagem ou qualquer tipo de cadastro para se deslocar.

Há 40 anos apenas uma empresa controla o transporte público na cidade e, com a operação da EPT, os moradores podem optar por uma das linhas gratuitas, totalmente custeadas pela Prefeitura. O primeiro veículo partiu do terminal rodoviário do Centro com destino a Ponta Negra às 10h50 da manhã.

Antes do início das atividades, o prefeito, acompanhado da primeira dama e deputada estadual eleita, Rosangela Zeidan; do filho Diego Zeidan; e de secretários municipais e vereadores, embarcou às 9h17 em Inoã para a viagem inaugural até o Centro. Durante o trajeto, Quaquá acenou para a população, que retribuía o carinho, e falou sobre a implantação da EPT. “Isso é um marco histórico, os ônibus de graça.

“A tarifa zero é um benefício ao povo e incentivo ao desenvolvimento econômico da cidade, já que novos empreendedores poderão abrir negócios na cidade e não terão mais despesas com vale-transporte dos funcionários. Seremos exemplo para o Brasil. A segunda parte do projeto prevê a integração do transporte público gratuito às vans”, declarou o prefeito Washington Quaquá.

A pedido do prefeito, o Mc Meia Noite, artista local, criou o “Funk dos Ônibus”, que exalta o transporte gratuito. O público que acompanhou a solenidade repetiu, com o cantor, o refrão: “Prefeitura de Maricá tá mostrando seu talento / Ônibus de graça, 0800”.

Para a deputada estadual eleita, Rosangela Zeidan, a criação da Empresa Pública de Transportes representa o atendimento às reais demandas da população. “Estamos provando que é possível oferecer transporte de qualidade e gratuito”, afirmou Zeidan, reforçando que uma das suas bandeiras na Alerj será melhorar o transporte público no estado.

“O transporte de massa é muito ruim. Lutarei para criar linhas de ônibus interligando Maricá com Nova Friburgo, Cabo Frio e São Gonçalo”, acrescentou.

Às 11h10, o pedreiro Elcio Pereira, morador do Silvado, embarcou em um ônibus da linha Recanto-Ponta Negra (via Cordeirinho), no terminal rodoviário do Centro. Sentado na primeira cadeira, elogiou o serviço. “O transporte público na cidade já melhorou. É gratuito e os ônibus são novos, limpos, confortáveis e tem ar condicionado. Vou deixar o carro em casa e trabalhar de ônibus”, afirmou o pedreiro.

“Há tempos esperávamos por isso. Três vezes por semana, faço fisioterapia no Centro da cidade e, muitas vezes, ficava horas na fila esperando o ônibus”, explicou Valdete, que é portadora de necessidade especial, por causa de um AVC (acidente vascular cerebral) sofrido há alguns anos.

Ônibus circulam 24 horas

Com a implantação da EPT, Maricá, segundo a Prefeitura, é a terceira cidade no estado (as outras são Porto Real e Silva Jardim) e a primeira com mais de 100 mil habitantes a oferecer a tarifa zero. As quatro primeiras linhas saem do Recanto para Ponta Negra e vice-versa (via Manoel Ribeiro e Cordeirinho) e funcionam 24 horas, inclusive nos finais de semana. As linhas municipais passarão pelos terminais rodoviários do Centro e de Itaipuaçu e atenderão também as principais escolas e unidades de saúde do município, inclusive nos bairros que até então não eram atendidos pelas empresas, como o Retiro.

Estrutura dos veículos

Equipados com ar condicionado, sensores de portas (somente trafegam com as portas fechadas) e elevadores para deficientes físicos – circulam com intervalos de 20 minutos, das 5h às 22h. No período de menor movimento (22h às 5h), os ônibus funcionam com intervalos de uma hora. Os pontos de partida são na Rua Barão de Macaúba, em frente à Escola Municipal João Monteiro, no Recanto, e na Praça de Ponta Negra (Rua São Pedro Apóstolo). Outros três ônibus funcionam como reserva e quatro encontram-se ainda em linha de montagem no fabricante. Um reboque também foi adquirido e está disponível para utilização. O investimento do município até o momento foi de R$ 4,8 milhões.

O controle de passageiros nos veículos será feito por catracas instaladas na parte dianteira (os passageiros entrarão pela porta dianteira e sairão pela porta traseira). Todos os veículos possuem portas centrais com elevadores, exclusivos para embarque e desembarque de cadeirantes. A capacidade máxima dos coletivos é de 43 passageiros sentados e 43 em pé.

A equipe da EPT conta com 30 motoristas e quatro despachantes, além de manobreiro (2), inspetor de tráfego (2), consultor de operações (2), consultor de manutenção (2), auxiliar de controle de frota (1), almoxarife (1) e abastecedor (1). Ao todo, 45 pessoas compõem o quadro de funcionários da autarquia municipal.
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Movimentos sociais e centrais articulam frente de esquerda


Cerca de 40 líderes de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos como PT, PSOL, PC do B e PSTU começaram a articular a criação de uma frente nacional de esquerda e já preparam uma série de atos e manifestações para 2015. O objetivo dessa mobilização é o de se contrapor ao avanço de grupos conservadores e de direita não só nas ruas, mas no Congresso e no governo federal.

A primeira reunião do grupo ocorreu na semana passada, em um salão no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Participaram lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Consulta Popular, Intersindical e Conlutas, além de representantes dos quatro partidos e integrantes de pastorais sociais católicas.

A iniciativa partiu de Guilherme Boulos, do MTST, que no sábado havia feito elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de um conjunto habitacional gerido pelo movimento, na Grande São Paulo. Dias depois, Lula, que é cotado para disputar o Palácio do Planalto em 2018, divulgou vídeo no qual diz que é preciso “reorganizar” a relação com os movimentos e partidos de esquerda se o PT quiser “continuar governando o Brasil”. Boulos não quis comentar a criação da nova frente. “Isso ainda não foi publicizado”, disse.

Participantes da reunião negam que a frente tenha caráter eleitoral. Segundo eles, a frente popular de esquerda (ainda sem nome definido) vai agir em duas linhas. A primeira é atuar como contraponto ao avanço da direita nas ruas e no Congresso. Após os protestos contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff, esses grupos também preparam maior articulação.
A segunda é buscar espaço dentro do governo Dilma para projetos que estejam em sintonia com a agenda da esquerda, como reforma agrária e regulação da mídia. “Vamos fazer a disputa dentro do governo”, disse Raimundo Bonfim, da CMP. Os movimentos que participaram da reunião preparam um cronograma de manifestações que começa com atos pela convocação de uma constituinte exclusiva para a reforma política na posse de Dilma, no dia 1.º.

Em 1º de fevereiro, quando tem início a nova legislatura, um ato no Congresso vai pedir a cassação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por quebra de decoro. “Em torno destas atividades deve se buscar uma unidade. O primeiro semestre deve ser de muita instabilidade política”, disse o deputado Renato Simões (PT-SP). Segundo ele, outra missão da frente de esquerda será enfrentar na rua o “golpismo” representado, segundo ele, por grupos que pedem o impeachment de Dilma.

A previsão de instabilidade tem base nos desdobramentos da Operação Lava Jato. No ano que vem a Procuradoria-Geral da República deve se pronunciar sobre políticos citados no caso.

Segundo o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que também participou da reunião, os grupos e partidos sem ligação com o governo vão cobrar apuração e punição dos desvios, mas sem estímulo à venda do patrimônio estatal. “Não vamos permitir que os escândalos sejam usados para privatizar a Petrobras.”
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Sérgio Porto # 87


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Essa é do Barão... 145


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Com o Ministério, Dilma prepara a guerra de 2015


Em 2015, as duas maiores ameaças ao governo Dilma serão a Justiça e o Congresso — e como ponto permanente de atenção, a Defesa. Com os grupos de mídia amplificando as revelações e estimulando o clamor popular — e a oposição sem conseguir desenvolver um discurso propositivo sequer — os embates se darão no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Congresso.

No STF, o governo enfrentará a oposição sistemática de Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello, reforçada pela dubiedade de Antonio Dias Toffoli. Mas não se pode minimizar o impacto da Lava Jato sobre os Ministros assim como a ofensiva midiática.

No Congresso, a maior ameaça será a eleição de Eduardo Cunha, a melhor tradução do nível atual dos grupos de mídia, turbinado até a raiz do cabelo por interesses financeiros dos mais difusos, pela complacência da mídia e pela tolerância geral ao negocismo mais arraigado, desde que seja de utilidade para propósitos políticos.

São essas as peças do cenário analisado por Dilma para compor seu Ministério. O Ministério anunciado até agora visou, acima de tudo, preparar o governo Dilma para o embate de fevereiro.

É uma seleção brasileira de operadores políticos, Não de grandes gestores públicos  

Substituindo Moreira Franco na Secretaria de Aviação Civil, o inefável Eliseu Padilha. No governo FHC, junto com Gedel Vieira Lima, ajudou a domar o PMDB, inclusive na convenção que recusou uma candidatura a Itamar Franco.

O ex-governador do Ceará Cid Gomes é um bom articulador político do seu grupo. Tem em seu favor os grandes avanços obtidos na educação no Ceará e, particularmente, em sua cidade natal. Mas conta, sobretudo, seu estilo político e de seu irmão.

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab saiu do nada e montou um partido relevante com controle sobre mais de uma centena de parlamentares.

Próximo Ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebello, do PCdoB, assumirá uma pasta relevante, e um setor em polvorosa com atrasos na liberação de verbas. Mas sua maior virtude é o livre trânsito com seus colegas de Câmara.

Para a Defesa foi escalado o mais hábil dos quadros do PT, ex-governador baiano Jaques Wagner. Os três setores da economia — mercado, indústria e agronegócio — foram agraciados com Ministros saídos do próprio setor.

A primeira rodada de Ministros obedece a uma estratégia de guerra, e não se poderia exigir menos no meio do tiroteio atual. As últimas crises políticas ensinaram Dilma. Assim como a campanha eleitoral deve ter ensinado a importância de uma interlocução mais próxima com a sociedade. Aplacadas as demandas dos setores de poder, está liberada para montar um Ministério social de peso.

Resta saber como Dilma montará o seu núcleo estratégico.

Com Wagner na Defesa e Ricardo Berzoini nas Comunicações, o núcleo ficou restrito a Aloizio Mercadante, na Casa Civil, e ao futuro Secretário de Relações Institucionais. É pouco para permitir uma visão abrangente do jogo de forças.

Na área do Judiciário, Dilma continua a pé. A manutenção de José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça é a prova maior de que Dilma não tem noção sobre o papel ideal de um Ministro, menos ainda sobre quem colocar no cargo. Há uma infinidade de juristas e advogados simpáticos ao PT. Mas Dilma não os conhece e não parece pretender dar o braço a torcer.

Luís Nassif
No GGN
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