23 de dez de 2014

Fora Coronéis da Mídia


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Filha de Mário Lago deveria entrar na Justiça para proibir o nome do pai numa ‘farsa’?

Alguns dos contemplados com o Troféu Mário Lago
O desabafo contundente da filha de Mário Lago sobre o prêmio conferido a William Bonner no Faustão esbarra num problema: o “Troféu” Mario Lago é apenas mais uma piada do programa. Disfarçada, mas piada. O equivalente ao Troféu Imprensa do Silvio Santos.

“Meu pai, Mário Lago, merece respeito! Enojada e revoltada com a farsa que foi o Prêmio Mário Lago 2014. Com a audiência do Jornal Nacional despencando, o premiado foi o editor geral do panfleto global”, ela escreveu no Facebook. “Lá no infinito, papai e mamãe devem ter ficado muito revoltados. E atenção, Rede Globo, não sou instrumentalizada por ninguém ou por nada. Sei pensar, refletir, fazer escolhas, opinar, me posicionar”.

Quem vota nos indicados? Durante quanto tempo? Quantos são? Votação aberta ou fechada? Ninguém jamais ficará sabendo porque não é essa a intenção.

A única informação sobre o modus operandi da coisa foi dada pelo apresentador no site oficial: “O Troféu tem um critério, um conceito. A pessoa precisa ter uma longa ficha de serviços prestados. Tem que ser uma pessoa com a importância, pelo trabalho, dignidade, ética… por tudo aquilo que representa a figura do Mário Lago”, disse Faustão. São ideias elásticas, vindas de um apresentador que se especializou em chamar qualquer mané que vá ao seu estúdio de “grande figura humana”.

A tal premiação é mais um ato de autocongratulação da Globo. A emissora, porém, dá a isso ares de solenidade. Pobre público dominical. O próprio Bonner, ao receber a estatueta (feita por Hans Donner, talvez?) das mãos de Fernanda Montenegro, vencedora do ano anterior, afirmou que “em sonho nenhum eu poderia imaginar que aconteceria isso.” Em seguida, ajoelhou-se diante dela, teatral.

O negócio foi criado em 2001 com o nome originalíssimo de “Conjunto da Obra” e dado a Mario Lago, que morreria logo depois e acabaria por batizar o evento.

Desde então, a lista de ganhadores vai de Glória Menezes a Tarcisio Meira, passando por Hebe Camargo, Regina Duarte e Roberto Carlos. Bonner é o primeiro jornalista a fazer parte desse rol. Tire suas conclusões. No ano que vem, ninguém deve se surpreender se Arnaldo Jabor subir ao palco por sua contribuição para o apocalipse.

Graça Lago tem sua razões para se indignar. Mario Lago, um homem de esquerda, provavelmente, não concordaria com o resultado. Se estaria rindo ou furioso, jamais saberemos. Fica uma sugestão: que ela entre na Justiça para proibir que o nome do velho seja ligado a uma palhaçada.

Kiko Nogueira
No DCM
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Venina, ou a delação vazia para aparecer como musa do verão


A musa do verão deste ano no Rio chama-se Venina. É um produto da parceria jornal Valor e Tevê Globo. A palavra é da mesma raiz de veneno, mas o princípio ativo é de muito má qualidade. Na verdade, precisou de ser embalado triplamente para envenenar a opinião pública brasileira contra a presidente da Petrobrás. O mais forte sortilégio para o envenenamento foi uma entrevista de 25 minutos de Venina no Fantástico; o segundo, uma reapresentação dos “melhores momentos” da entrevista no Jornal Nacional; terceiro, uma tréplica do Jornal Nacional depois da  entrevista de Graça Foster, que a havia desmentido.

O que continha a entrevista de 25 minutos? Tinha, essencialmente, uma antiga denúncia significativa a propósito de irregularidades no setor de Comunicação. Foi em 2008, Graça estava longe de ser presidente. Gerou uma comissão de inquérito, e da comissão de inquérito resultou a demissão do responsável, retardada porque ele estava de licença médica. Portanto, essa denúncia teve pleno efeito. Acaso houve outra denúncia objetiva a respeito de mais irregularidades na Petrobras? Só a suprema má fé ou imbecilidade dos jornalistas do Fantástico e do Jornal Nacional justificariam uma resposta positiva.

Nada, nenhuma sombra do que Venina disse na entrevista pode se aproximar sequer um milímetro das grandes trapaças que o diretor de que foi gerente por anos, Paulo Roberto, praticou na empresa. Ele próprio negou qualquer relevância nas supostas denúncias dela.  É até possível que ela tivesse ouvido o galo cantar, mas não sabia onde. No e-mail para Graça Foster que se tornou uma espécie de peça de resistência de suas denúncias, conforme reiterou várias vezes, só há palavras vagas e imprecisas, impossíveis de serem tomadas como indicações objetivas de irregularidades. Imaginem, uma empresa de 85 mil funcionários, cada um mandando e-mails vagos para todo lado, superiores e pares!

E quanto à credibilidade da musa? Sim, alguém descobriu que ela havia assinado pela Petrobras dois contratos, em 2004 e 2006, com alguém que viria a ser seu marido. É verdade que ela correu para dizer que o contrato foi descontinuado depois que ela se casou formalmente em 2007. Questão ética. Imaginem agora se a Globo fosse tão perversa com ela como tem sido com Graça Foster? Os repórteres do Fantástico correriam para dizer ao Brasil e ao mundo que contratar pela Petrobrás com namorado pode, mas não com marido! Aliás, como é que foi exatamente essa descontinuação contratual? Teve multas? Pagas por quem?

E quanto à motivação de Venina? Sou incapaz de dizer alguma coisa. É preciso convocar  psicólogos. Noto apenas que, quando há uma massificação de qualquer assunto pela grande mídia, aparecem malucos por todo lado para surfarem na onda e tentar aparecer. É claro que isso não aparece do nada. O gigantesco episódio de corrupção na Petrobras, descoberto por eficazes instrumentos de investigação, notadamente a delação premiada, uma vez descoberto pode suscitar a exaltação de um ego gigantesco capaz de achar realmente que sabia de tudo antes, e tudo denunciou no tempo certo.

Agora vejamos por que a Globo e grande parte da mídia querem derrubar Graça Foster. O esclarecimento está numa agenda de bolso da Petrobrás de 2015. Ela diz: em 2006 foi descoberto o pré-sal; em 2014, o pré-sal está produzindo 520 mil barris por dia; a produção acumulada chegou a 360 milhões de barris; a vazão média por poço é de 25 mil barris/dia; o tempo médio de perfuração de poços no pré-sal nos campos de Lula e Sapinho passou de 134 dias em 2010 para menos de 60 dias em 2013. Alguém viu ou ouviu a Globo falar sobre isso?

Ora, essas conquistas da Petrobrás são intoleráveis para os que querem entregar nosso petróleo às grandes petroleiras mundiais, inclusive mediante a mudança do regime de exploração conforme acaba de ser proposto pelo tucano Aloysio Nunes em projeto na Câmara. O oportunismo é descarado. Estão tentando transformar a corrupção na Petrobrás, praticada por um punhado de bandidos, em corrupção da Petrobrás, como  pretexto para esquartejar, aí sim, a empresa, subtraindo ao Brasil seu principal instrumento de desenvolvimento.

J. Carlos de Assis, Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
No GGN
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Graça, no JN, é equilibrada e séria. O problema é que não há equilíbrio mais…


Em qualquer parte do mundo civilizado, acusação, para ser levada a sério, tem dois requisitos: lógica e provas.

Na entrevista que deu ontem ao Jornal Nacional, na falta de provas — que não foram e não são apresentadas — Graça Foster tentou mostrar a falta de lógica das acusações da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, de que a presidente da empresa sabia dos esquemas de corrupção de Paulo Roberto Costa, seu chefe por quase uma década.

Fica claro que Venina tinha todo o acesso possível a Graça e poderia, a qualquer momento que quisesse, ter-lhe dito e mostrado, com os documentos que, como braço direito de Costa, poderia (ou pode) ter reunido.

E que não o fez.

Graça também procurou demonstrar — e as anotações curriculares de Venina, feitas por ela própria em seu Linkedin  corroboram — que a história de Cingapura, como se demonstrou aqui, são, na verdade, duas.

A primeira quando foi para lá como subordinada do próprio Paulo Roberto Costa, com quem tinha se desentendido.

A segunda, já com Graça no comando da companhia, quando recebeu (difícil que se receba sem pedi-lo) um posto de comando de uma subsidiária da empresa em Cingapura, com o salário, nada desprezível, de mais de R$ 167 mil reais mensais, afora benefícios como aluguel e escola para dependentes.

Na primeira estada em Cingapura, sob o comando do “ladrão de carreira” Costa, é possível que tenha assinado o contrato de seu hoje ex-marido, Maurício Luz, com a Braskem — que tem 47% de capital pertencente à Petrobras, para trabalhar na mesma Cingapura.

Se isso foi um “exílio” por conta das diferenças surgidas entre parceiros de quase dez anos — Costa e Venina — ela deveria dizê-lo ou, pelo menos, apontar as responsabilidades de Costa no assunto, não sair-se com dramalhões do tipo ser mandada para o outro lado do mundo, histórias de “arma na cabeça”, “não pude ver minha mãe”, etc…

Quem ganha isso pode, perfeitamente, comprar uma passagem de avião quando quiser.

Venina, um mulher bem informada, capaz de dirigir negócios de bilhões, sabe achar o endereço do Ministério Público e se cobrir de garantias.

Não fez isso desde 2009/10 e nem mesmo veio a público, após as denúncias sobre Paulo Roberto Costa ou de sua prisão, em março (março!!!) deste ano para colaborar com as investigações.


Durante toda a entrevista, é visível a preocupação de Graça Foster de não negar credibilidade aos documentos e informações que Venina, como braço gerencial de Costa possa ter e fornecer.

Ela é, pela posição de proximidade total com o ex-diretor, alguém em condições privilegiadas para saber tudo.

Mas onde estão as informações concretas de Venina, exceto pelo gerente de comunicação denunciado, punido e processado judicialmente de imediato?

Como, ao que conste, Venina não negocia um acordo de demissão premiada, porque o sigilo das informações?

Qual é o interesse em usar o que ela diz agora contra uma dirigente à qual não se acusa de um ato sequer de desonestidade?

Há, porém, uma grande falha nas declarações da presidente da Petrobras.

Ela parte do princípio de que há algum interesse na verdade, quando, de fato, o interesse político está acima de qualquer coisa.

Se a lógica tivesse alguma importância, o pobre cordeiro não tinha virado o almoço do lobo que bebia rio acima.

Não adianta falar e agir como quem quer apenas a verdade.

A verdade tem de ser brandida como arma, porque é ela que faz a mentira tremer.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A orgulhosa vanguarda do atraso


Os dois jornais paulistas que dominam a cena da imprensa escrita no Brasil voltam a atenção para o território onde têm suas bases. O Estado de S. Paulo publica, na edição de segunda-feira (22/12), um novo painel sobre o aumento da criminalidade na capital e no interior. A Folha de S. Paulo, por sua vez, traz resultado de pesquisa Datafolha segundo a qual os paulistanos são vistos por um número crescente de brasileiros como invejosos, egoístas e orgulhosos.

As duas reportagens se cruzam em alguns pontos, mas os textos e gráficos publicados reduzem a perspectiva do leitor a aspectos formais dos temas abordados, evitando um olhar para questões mais profundas, tanto do aumento da violência como da deterioração da imagem dos paulistas. Embora a Folha cite, de passagem, que a polarização das últimas eleições possa ter afetado a visão que o resto do país tem dos habitantes de São Paulo, faltou penetrar um pouco mais fundo nas causas dessa polarização.

No que se refere ao problema da criminalidade e da violência, mais uma vez a imprensa é conduzida por estatísticas oficiais, sem investir em dados paralelos que permitiriam mensurar o fenômeno num campo mais amplo do que aquele determinado pela ação de delinquentes ou pelos confrontos entre os criminosos e agentes públicos. Ficam parcialmente fora das análises os atos violentos praticados por cidadãos sem histórico de delitos, o que seria importante para o estudo da violência na rotina da sociedade.

Visto das estatísticas que apenas levam em conta boletins de ocorrência de assaltos, furtos, homicídios e latrocínios, o quadro se limita a contabilizar a atividade do crime contumaz ou organizado, que tem sempre um importante fator de sazonalidade. Por exemplo, em determinadas épocas aumenta o roubo de carga, em outros períodos cresce o furto de telefones celulares, e o assalto a bancos pode aumentar quando se intensifica a repressão ao tráfico de drogas.

Sem essa abordagem complexa, o noticiário apenas reproduz os gráficos da polícia que, como admitem as próprias autoridades, são distorcidos por fatores banais, como a isenção de taxa para a emissão de documentos em caso de roubo ou furto: supõe-se que muita gente registra boletins falsos para não ter que pagar pela emissão de uma nova carteira de identidade.

Perfil reacionário

No caso da pesquisa Datafolha, segundo a qual a imagem dos paulistas piorou, nos últimos onze anos, do ponto de vista dos outros brasileiros, a análise se concentra no fato de que o estado de São Paulo tem perdido importância relativa com o processo de redução das desigualdades regionais. A capital paulista cresce num ritmo menor do que o Nordeste, por exemplo, e isso a torna menos atraente, enquanto a melhoria das condições de vida em outras regiões reduz a necessidade de migrar em busca de bem-estar.

A Folha de S. Paulo se refere ao perfil político que foi diferenciando os paulistas dos outros brasileiros nos últimos anos, mas não faz uma relação entre a questão das escolhas eleitorais e a realidade criada pelas políticas nacionais de redução da pobreza. “Pelo menos desde 2006, o comportamento eleitoral dos paulistas – e mais fortemente, dos paulistanos – destoa do comportamento dos eleitores do Nordeste. Enquanto São Paulo consolidou-se como maior reduto do PSDB, os Estados nordestinos firmaram-se como celeiro de votos do PT”, diz o jornal.

O que não está dito é que uma parcela importante do eleitorado paulista, e, como reflexo disso, da própria sociedade paulista, vem se tornando mais conservadora, e essa característica define um comportamento que é visto, de outras regiões, como sinal de egoísmo e arrogância.

À medida que se comprovam os resultados econômicos de políticas sociais que reduzem as diferenças regionais pela diminuição da pobreza, quebra-se a histórica hegemonia de São Paulo sobre o resto do país e surgem os dois sentimentos presentes na percepção dos brasileiros: os paulistas se tornam ressentidos e reagem com manifestações de desprezo e preconceito.

O estudo do Datafolha mostra com clareza que os demais brasileiros notam o recrudescimento de um sentimento de superioridade dos paulistas, que foi bastante manifestado após a eleição presidencial. Mas a pesquisa passa ao largo de um ponto importante: ao omitir, durante anos, os benefícios da política econômica de interesse social, e ao se comportar como um partido político conservador, a mídia tradicional tem contribuído para forjar esse perfil justamente na região onde tem mais influência.

Não estranha que milhões de reacionários com elevado grau de educação formal e alta renda se mostrem tão orgulhosos de compor a vanguarda do atraso.

Luciano Martins Costa
No OI



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Só Sarney e FHC se curvaram tanto diante da Globo

O Governo Dilma é o patinho de madeira no parque de diversões​.


Nem os militares.

Nem Collor.

Que usaram a Globo tanto que a Globo os usou.

Os militares deram muito, receberam muito, mas não deram tudo o que a Globo quis.

Collor se elegeu com a ajuda da Globo, mas não se esqueceu que Roberto Marinho só o apoiou quando estava na frente nas pesquisas.

E tentou montar uma rede alternativa, a CNT, do Martinez.

Sarney e FHC, não.

A Globo co-presidiu o Brasil nos governos Sarney e FHC.

A Globo protegeu na Europa a mãe do suposto filho de FHC fora do casamento.

E o elegeu e reelegeu e reelegeria quantas vezes fossem necessárias.

Roberto Marinho escolhia os ministros da Fazenda de Sarney.

E conseguiu ganhar dinheiro com a fracassada Tele MonteCarlo, numa operação cheia de “não conformidades”, no Banco Central de Sarney.

Mas o Governo Dilma é diferente.

É a submissão por omissão, por conivência.

Com a Bolsa PiG.

Com a inação diante de um Golpe que se desenrola 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano, nas telas e em todas as plataformas da Globo.

Onde já se viu a presidente de uma empresa como a Petrobras, uma funcionaria exemplar e insuspeita como Graça Foster, se submeter a um interrogatório do jn, como se fosse um meliante do programa do Marcelo Resende, o Cidade Alerta, ou estivesse diante do Coronel Albernaz, num interrogatório, na cadeira do Dragão.

Onde já se viu?

Quem é a Globo para submeter a Graça a essa humilhação?

Que autoridade moral tem os filhos do Roberto Marinho, titulares da Globo Overseas, para suspeitar da Graça?

A desastrada entrevista de Graça ao jn teve um efeito perverso.

Esvaziou, implodiu a importante declaração da presidenta Dlma, no encontro com os jornalistas: a Graça não sai!

Porque não há nada contra ela.

E a quem interessa detonar a Graça?, perguntou Dilma.

Interessa a quem quer assaltar o pré-sal e rasgar o regime de partilha.

Entregar a Petrobrax ao PSDB.

Tão simples assim, diria a Presidenta.

É inadmissível que um Governo eleito pela quarta vez consecutiva se deixe implodir dessa forma.

Como um patinho de tiro ao alvo em parque de diversões.

Todos atiram nele e a única reação do patinho de madeira é cair no fosso.

E quem mais acerta o patinho mais ganha dinheiro.

Bater na Dilma é um exercício sem custo.

Ou risco.

Bate, bate, bate e não acontece nada!

Ao contrário!

Ainda recebe o Bolsa PiG para bater mais e mais.

Só o Sarney e o FHC!

Nem os militares ou o Collor!

Em tempo: diz o Vasco, sempre afiado: os acordos de delação premiada não são mais feitos na Justiça, mas na Globo!

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Tio Bonner está sendo injusto com os internautas ao criticá-los e eu conto por quê

Ingrato
Bonner é um mal agradecido.

Queixou-se das redes sociais ao receber um prêmio no Faustão.

Ora, ele tem mais de 6 milhões de seguidores no Twitter, onde se apresenta como Tio, e agora começou a postar no Facebook cenas dos bastidores do Jornal Nacional.

Se é para reclamar de alguém, Bonner deveria mirar é nos telespectadores, e não nos internautas.

O JN, de Bonner, perde continuamente audiência. Em 1996, quando ele assumiu, o Ibope era superior a 40 pontos.

Metade desse público se foi desde então, e neste instante em que escrevo mais pessoas estão deixando de ver o JN.

O JN tenta hoje se manter nos 20 pontos, mas é uma luta perdida, dada a voracidade com que a internet avança sobre todas as mídia, incluída a televisão.

Bonner, com seu JN, foi abandonado por milhões de pessoas nos últimos anos, e continuará a ser nos próximos anos.

Ele e seu chefe, Ali Kamel, formam a dupla mais abandonada da televisão brasileira, mas é preciso reconhecer que o mercado foi mais decisivo para isso do que a capacidade de ambos.

O futuro é complicado para todo jornalista que trabalha nas mídias que não sejam a internet, e não é diferente para Bonner.

Até quando a Globo poderá pagar salários como os que paga a ele e a Kamel no Jornal Nacional?

A resposta é: enquanto a publicidade puder bancar. Mas aí surge uma segunda pergunta: e até quando os anunciantes gastarão milhões numa mídia em declínio.

Qual vai ser o ponto de disrupção? Quando os anunciantes vão dizer: estou pagando muito por uma mídia velha e decadente?

Não é possível precisar ainda.

Imagino que isso ocorra quando a audiência recuar para um dígito, mas pode ser antes, naturalmente.

Em geral, o que ocorre entre os anunciantes é o chamado efeito manada. Um sai e os outros seguem.

É o que está ocorrendo na Abril.

Recentemente, a L’Oreal, durante muito tempo o maior anunciante das revistas femininas da Abril, comunicou que estava saindo da mídia impressa.

Numa conta simplificada, em breve Bonner terá mais público no Twitter que no Jornal Nacional.

Um ponto no Ibope, em São Paulo, equivale a 60 mil lares. O Ibope sustenta — sem comprovação nenhuma — que em cada casa três pessoas em média assistem aos programas de tevê.

Repare: na internet você afere leitor por leitor. Na televisão, existe uma estimativa obviamente inflada, bem como nas revistas e nos jornais.

Em meus tempos de Abril, usávamos a métrica — sabe-se lá de onde tirada — de que para cada exemplar de revista havia quatro leitores. Nós fingíamos que acreditávamos, as agências fingiam que acreditavam, os anunciantes fingiam que acreditavam — e todos éramos felizes nessa crença trôpega.

Segundo o Ibope, o JN em São Paulo, com 20 pontos, é visto em 1,2 milhão de casas. Mesmo aceitando a taxa de três espectadores por lar, você fica em 3,6 milhões de pessoas.

Isso é pouco mais da metade do número de seguidores de Bonner no Twitter. São Paulo não é o mercado nacional, é verdade, mas é a maior parte dele.

Na site da Globo, está escrito que o JN é visto diariamente por 25 milhões de pessoas no país.

Mas quem acredita nisso, como dizia Wellington, acredita em tudo.

Bonner está sendo ingrato com os internautas.

Em algum momento não muito distante, sua carreira vai depender deles e só deles.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sigilo de fonte e violação do segredo de Justiça

Alan de Abreu
“O jornalista é o único ser capaz de olhar com altivez por um buraco de fechadura. Quem está ali, bisbilhotando, é a sociedade inteira.” O comentário de Armando Nogueira, numa antiga entrevista à revista Playboy, em janeiro de 1988, sintetiza uma ideia largamente aceita no meio profissional: a de que o jornalista não pode sofrer nenhum tipo de restrição para realizar seu trabalho, porque, em qualquer circunstância, estaria agindo em nome do interesse público. Especialmente quando revela o que algum interesse superior ou escuso deseja manter escondido.

A fragilidade do argumento deveria ser evidente: bastaria pensar na hipótese de chantagem, para ficarmos num exemplo extremo, ou nos mais corriqueiros casos de divulgação de informações precariamente apuradas e eventualmente falsas. Afinal, há bons e maus jornalistas, mais ou menos competentes, mais ou menos — e, às vezes, nem um pouco — éticos, como ocorre em qualquer atividade. Porém, a mística em torno da profissão dificulta enormemente a discussão sobre os limites que os jornalistas deveriam respeitar.

O caso do jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto (SP), fornece uma boa oportunidade para essa discussão: em 2011, o repórter Allan de Abreu publicou matérias baseadas em escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal, que apurava denúncia de corrupção na Delegacia Regional do Trabalho. Procurado pelo Ministério Público, negou-se a revelar suas fontes e foi indiciado por ter divulgado informações que estavam sob segredo de Justiça. Agora, tanto ele quanto o jornal para o qual trabalha tiveram seus sigilos telefônicos quebrados, embora caiba recurso à decisão.

Discutir responsabilidades

A ombudsman da Folha de S.Paulo dedicou a primeira parte de sua coluna de domingo (21/12, ver aqui) a este caso, afirmando, logo na abertura:

“Não se faz jornalismo sem fontes, e não se fazem fontes sem relação de confiança e garantia de anonimato. Tentar forçar um repórter a revelar quem lhe passou uma informação é mais do que desrespeitar a ética de uma profissão. É atentar contra o direito de toda a sociedade à liberdade de informação”.

Disso não cabe a menor dúvida. O problema é considerar que só os responsáveis pela condução das investigações devem zelar pelo segredo de Justiça. Por que os jornalistas também não estariam implicados nesse compromisso? Por que estariam autorizados a romper com uma determinação judicial? Por que não seriam cúmplices de uma violação?

Não é uma questão simples. Envolve, de saída, a própria discussão a respeito dos critérios para o estabelecimento do sigilo a determinados casos. Mas essa discussão não costuma ser travada, de modo que, em qualquer situação, o jornalista empenha-se em buscar a informação escondida e exclusiva, desobrigando-se de revelar os métodos utilizados para obtê-la. Seja quando vá “bisbilhotar” por seu próprio esforço, seja quando — o que parece bem mais comum — receba o material decorrente de vazamentos, e aqui não é possível ignorar os interesses que orientam os responsáveis por essa iniciativa: no mínimo, deveria ser claro que, nessa relação, o repórter se submete à fonte, que vai soltando as informações de acordo com sua conveniência.

A ideia de que o repórter está autorizado a tudo devassar embute, além do mais, a crença de que todas as informações obtidas serão divulgadas. Não é bem assim: jornalistas não publicam tudo o que sabem. Em casos de sequestro, só para dar um exemplo conhecido, normalmente comprometem-se em silenciar para não atrapalhar as investigações, embora todos tenhamos na memória a aberração da cobertura do sequestro da jovem Eloá Pimentel, em 2008, transmitido ao vivo com interferência direta de repórteres e apresentadores de programas populares de TV, e que resultou na morte da garota.

Contestar as pressões para que os jornalistas revelem suas fontes é essencial, pelos motivos já citados. Mas também deveria ser necessário pôr em causa certas práticas que, de tão recorrentes, passam a ser naturalizadas e aparecem como normais e indiscutíveis. O caso do jornal de São José do Rio Preto poderia proporcionar essa oportunidade.

Sylvia Debossan Moretzsohn, jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)
No OI

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Internet: concorrente ou abrangente ao jornalismo impresso?

O que está sendo posto em xeque é o sistema de comunicação um-vários e a composição de redes que divergem a partir de centros de difusão


Pedem-me para comparar o impacto da Internet, atualmente, com o da televisão (e, acrescento, do rádio), em outros tempos, no jornalismo impresso.

A resposta implica diferençar mídias complementares de mídias concorrentes e mídias abrangentes.

Rádio e jornal são mídias complementares. A informação escrita permite remissão, recuperação e interrupção temporária da mensagem, admite a distração momentânea sem perda de sentido, possibilita o arquivamento e tem valor documental. Não ocorre isso com o rádio que, no entanto, é mais ágil, dispensa custos (papel, impressão, distribuição) e pode desenvolver vários tipos de comunicação, da mais formal à mais intimista; no período em que coexistiram em plenitude, o rádio foi grande indexador e promotor da venda de jornais.

Rádio e televisão são mídias concorrentes. A televisão incorporou cinema e rádio; com isso, suprimiu da audiência radiofônica a imaginação — personagens e ambientes deixaram de ser concebidos pelo receptor para ser oferecidos em forma de representações realistas ou cenográficas. Tomou, também, do rádio, a promoção de espetáculos musicais, seriados dramáticos, debates, conversas e a apresentação imediata de notícias de impacto. Sobraram a fruição com os outros sentidos ocupados (no trabalho, na sonorização de ambientes) e algumas formas de comunicação intimista, simbolizadas, antes, pelo radinho de pilha e, ainda hoje, pelo rádio do automóvel.

De modo geral, a televisão preservou, com relação ao jornal, a relação complementar. O viés de concorrência atingiu principalmente as revistas ilustradas — Life,  Look, Paris Match, Réalités, Stern, Quick etc. — que tiveram seu apogeu na década de 1950. A desaparição de algumas dessas revistas deveu-se, em parte, a seu sucesso: como todos os veículos comerciais de comunicação impressos, tinham a tiragem situada entre um piso e um teto, definidos pelo aporte de recursos publicitários. No caso, ultrapassou-se o teto, que a existência da televisão fez rebaixar;  Life, por exemplo, encerrou suas atividades quando tinha enorme mercado potencial de leitores.

Já Internet é mídia abrangente: não apenas instrumentaliza todas as outras como as engloba. Tende a tornar-se o hub por onde trafegam todas as mensagens — do longa-metragem ao selfie, do tratado ao bilhete, do caderno escolar ao livro de registro dos cartórios. Viabiliza a todos com vantagens evidentes e os compõe, se necessário,  na informação multimídia. Trata-se de algo diferente, cujas repercussões não são ainda plenamente percebidas. Torna obsoletos os objetos livro e revista; o aquivo físico como conhecemos; as bibliotecas, que tendem a se tornar museus. Muda o espaço real de casas e escritórios, já que tudo cabe no universo virtual, reprodutível quanto se quiser em gravações digitais ultracompactas. Acentua-o a característica de rito que os espetáculos já mostravam. Afeta a  relação de vizinhança e as formas de aprendizado. Amplia o acesso à informação cultural.

O impacto do rádio

Quando o noticiário radiofônico se difundiu, nos anos de 1930 — tempos agitados, entre a depressão econômica que se seguiu ao craque de 1929 e a Segunda Guerra Mundial — a principal mudança na mídia impressa diária foi a supressão da urgência.

Antes, nas primeiras décadas do Século XX, os jornais diários tiravam edições extras a cada notícia de impacto e, em dias calmos, muitos deles circulavam em duas edições diárias, matutina e vespertina: a imagem de repórteres correndo para as cabinas telefônicas na disputa do furo é comum nos filmes da época.

As duas mídias se acomodaram — o rádio associando informação imediata, espetáculos de auditório, apresentações musicais em estúdio e radioteatro — e muitas emissoras terminaram associadas a empresas jornalísticas.

A presença da TV

Quando a TV superou a fase experimental e surgiu efetivamente como mídia, no final da década de 1940 e, principalmente, ao longo da década de 1950, sua atividade como difusora de informação jornalística reduzia-se a uma extensão do rádio: o locutor lendo notícias — no começo, de cabeça baixa, logo no teleprompter; narração em off sob imagem parada — fotografia, desenho, gráfico, radiofoto (fotografia enviada por ondas hertzianas, com perda de qualidade).

As primeiras sequências em movimento inseridas nos telejornais provinham de eventos locais e eram gravadas em filme negativo com câmeras movidas a corda (isto é, por molas helicoidais que se enroscavam em torno de um eixo); a reversão para positivo ocorria no processamento eletrônico.

Logo começaram a circular, via agências internacionais de notícias (UP, AP, Visnews) rolos de filmes que chegavam por via aérea, com pelo menos dois dias de atraso; para apresentá-los, costumava-se construir um lead expositivo para ser lido ao vivo, com fatos de atualidade, e, em seguida, legendar em off a narrativa: “na semana passada (ou anteontem)...”

Os satélites internacionais chegaram na década de 1970, quando se completava a interligação das regiões brasileiras por micro-ondas. A televisão colorida começou logo depois, com a implantação, aqui, do sistema Pal-M, o repasse de enormes recursos à Rede Globo e a adoção de seu “padrão de qualidade”.

A edição de filmes sonoros sobre eventos de atualidade foi retardada e prejudicada por um detalhe técnico: como a captação do som magnético se fazia, nos projetores a uma distância de vários fotogramas da imagem que estava sendo projetada, a montagem em moviola (pelo corte da fita) suprimia trechos da fala, música ou som ambiente. Esse problema persistiu quando se desenvolveram câmaras portáteis operacionais com gravação sonora (as CP, largamente usadas na cobertura da guerra do Vietnã) e filmes coloridos positivos (color reverse), no final da década de 1960. Câmeras eletrônicas portáteis  (analógicas, coloridas) apareceram por volta de 1975, lançadas pela Sony.

A gravação de som e imagem em fita editável de duas polegadas (pouco mais de cinco centímetros) de largura — o videoteipe — surgiu no final da década de 1950 (consoles Quadruplex, fabricados pela Ampex, uma divisão da RCA Victor), mas as primeiras ilhas de edição (analógica) de mesa com fitas de ¾ de polegada (pouco menos de dois centímetros) e qualidade razoável foram lançadas no mercado em meados da década de 1970. A edição se fazia por copiagem; havia necessidade de um terceiro equipamento entre o aparelho emissor e o aparelho leitor; o TBC, time base corrector. O conjunto constituía uma ilha de edição e a capacidade de produção se media pelo número de ilhas disponíveis. A tecnologia evoluiu, daí em diante, no sentido da miniaturização e digitalização dos equipamentos, mas sem mudanças fundamentais na produção.

A consequência desse escalonamento na evolução da TV, determinado essencialmente pela tecnologia, é que os eventuais espaços de concorrência com os jornais jamais foram percebidos e os dois veículos se articularam, um promovendo o outro.

O futuro dos jornais impressos

Em tempo de Internet, o destino dos jornais impressos é incerto; isso poderia ser avaliado com maior clareza a partir de dados tais como a fabricação, atual ou projetada, de novas grandes unidades de impressão gráfica rotativa. A tendência é que se tornem mídia redundante e, portanto, tenham que buscar espaços marginais.

Na verdade, o que está sendo posto em xeque é o sistema de comunicação um-vários e a composição de redes que divergem a partir de centros de difusão — o modelo centralista denunciado no relatório MacBride, de 1975, Um mundo, muitas vozes; a condição dominante dos proprietários ou concessionários de canais em relação aos produtores; a própria estrutura da publicidade comercial. O desafio abrange não só jornais e revistas, mas também emissoras de rádio, televisão — não os produtos audiovisuais.

O jornalismo, sem dúvida, continuará existindo, seja qual for a base em que se veiculem suas mensagens: não há alternativa senão ter os jornalistas como intermediários na interlocução com fontes de informação necessariamente seletivas. Além dos motivos práticos, há razões institucionais para a preservação desse privilégio de acesso: a produção de informação pública tem consolidadas uma ética de convívio e práticas de controle social . A aparente liberdade propiciada pela Internet cria ambiente distinto da comunicação interpessoal, eliminando barreiras à transição do mundo real a mundos possíveis, do diálogo educado ao insulto; facilita o ressurgimento de toda sorte de conceitos e valores abandonados ao longo da História e que se mantinham recessivos na sociedade.

O fato de as empresas jornalísticas abrirem suas preocupações ao conhecimento de seus empregados e buscarem neles sugestões que as beneficiem é resultado dessa aparente falta de perspectivas.

De fato, o negócio jornal muda de dimensão, encolhe em termos econômicos, e o problema é que a estrutura de custeio, tanto quanto os centros de poder político, não está dimensionada para isso. A saída mais provável é que o fluxo de recursos seja desviado dos atuais empresários emissores para as companhias telefônicas que operam linhas de transmissão ou, mais provavelmente, para os mecanismos de busca que, racionalizando o acesso, impedem que o sistema se torne entrópico e inservível, salvo para comunicação interpessoal. Caberia a essas novas estruturas pulverizar os recursos entre os produtores, individuais ou organizados de alguma forma.

Nilson Lage
No GGN
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A batalha pela publicidade infantil

A gigante Maurício de Sousa Produções prevê caos econômico se restrições forem impostas, mas entidades defendem resolução que trata propaganda como abusiva

Parte da campanha da Maurício de Sousa Produções com a Vedacit. A MSP afirma que a empresa patrocinava um site infantil da Climatempo, dedicado a explicar de forma interativa os fenômenos meteorológicos para crianças. Com a resolução e a restrição da propaganda, o patrocínio foi extinto
A publicação de um estudo contratado pela gigante do entretenimento Maurício de Sousa Produções (MSP) neste mês esquentou a briga pela legitimidade do mercado publicitário infantil. A pesquisa questiona resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que considera a publicidade infantil abusiva, e pinta um quadro de desastre para a economia caso a recomendação seja cumprida. Em 2015, o tema deve continuar mobilizando forças dos dois lados, pois será debatido no Congresso.

O levantamento divulgado pela MSP foi realizado pela GO Associados. Segundo os números, a produção destinada ao público infantil gera 51,4 bilhões de reais em produção na economia nacional, 1,17 bilhão de empregos, mais de 10 bilhões de reais em salários e quase 3 bilhões em tributos. Com as propostas do Conanda em prática, que restringem nas peças publicitárias o uso de linguagem infantil, de personagens e de ambientes que remetem à infância, as perdas seriam, segundo a MSP, de 33,3 bilhões em produção, cerca de 728 mil empregos, 6,4 bilhões em salários e 2,2 bilhões em tributos.

Para Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Instituto Alana, dedicado à garantir condições para a vivência plena da infância, a decisão do Conanda é baseada na Constituição, na qual a propaganda infantil é classificada como abusiva, e portanto ilegal. Para Karageorgiadis, o problema é que a fiscalização do material televisivo, impresso e radiofônico não é eficiente. "Justamente porque essa publicidade continua existindo, o Conanda traz uma norma que dá a interpretação, para que o juiz, promotor ou o Procom possam identificar de maneira mais fácil o abuso", afirma. Karageorgiadis rebate a tese de caos econômico apresentada pelo MSP. Segundo ela, a resolução não tem impacto sobre a produção de produtos como brinquedos, cadernos e alimentos. Eles poderão continuar a ser produzidos, diz ela, mas terão de ser divulgados aos pais, em propagandas realizadas em canais adultos e sem elementos do universo infantil. "O licenciamento para entretenimento não é afetado: os desenhos continuam existindo, os brinquedos continuam existindo, o problema é a comunicação que se faz disso", diz.

A advogada relata caso em que a propaganda é feita até mesmo dentro das escolas. "Há denúncias de canais infantis que vão em escolas e distribuem brindes de novelas que estão sendo realizadas", diz. "A novela infantil pode ser realizada, mas um grupo de agentes ir à escola distribuir maquiagens e cadernetas não pode". Para a MSP, dona dos projetos que envolvem a Turma da Mônica e maior estrutura de licenciamento da América Latina, isso não impede a perda de empregos e diminuição do mercado.

Mônica de Sousa, diretora executiva da MSP, disse que a principal preocupação da empresa é o impedimento da "comunicação mercadológica dirigida à criança", o que afetaria a comercialização de diversos produtos da MSP, como cadernos, livros e até uma linha de macarrão instantâneo dos personagens da Turma da Mônica. "Os artistas responsáveis pela criação desses desenhos e personagens serão triplamente prejudicados. De um lado, seus desenhos deixarão de ser atrativos para as emissoras de TV, já que elas não poderão fazer comerciais nos intervalos dos programas. De outro, suas criações não poderão ser emprestadas a quaisquer produtos", diz ela. "E, por último, eles não poderão promover shows e espetáculos com seus personagens, já que a resolução veta o patrocínio em eventos dirigidos ao público infantil", completa.

Um exemplo para dar forma à disputa em questão é a peça publicitária desenvolvida pela MSP para a Vedacit. Em maio deste ano, o Ministério Público do Estado de São Paulo enviou um ofício ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) questionando uma propaganda da Mauricio de Sousa Produções, Otto Baumgart e Climanet. Na peça publicitária divulgada na internet, os personagens da Turma da Mônica utilizavam a linha de impermeabilizantes Vedacit. O processo foi arquivado pelo Conar, que aceitou a justificativa de que "não havia confusão entre conteúdo editorial e comercial". O Conar é criticado por ser um órgão da iniciativa privada e não aplicar as leis governamentais, mas as leis de seu regimento interno, que preveem multas e restrições a empresas que restringirem seu código de ética.
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'É o fim dos personagens', diz Mônica de Sousa, a inspiração da personagem principal dos gibis
A advogada do Alana questiona o teor da peça publicitária. "Por que um produto químico, um impermeabilizante de telhados, precisa dialogar com a criança? A publicidade se usa de um personagem que não gosta de água, cria novos personagens, os "amiguinhos Vedacit" e se utiliza de uma linguagem infantil", diz Karageorgiadis. Segundo ela, mesmo sem ser do interesse da criança, ao ir à uma loja de construções com a família, ela será uma intermediária na compra do produto. "Para vender o Vedacit eu preciso mesmo de toda essa estratégia?".

Do outro lado, Mônica diz que a propaganda não foi destinada às crianças e que a produção das histórias em quadrinhos que continham os personagens da Vedacit e o personagem Cascão eram voltadas ao público adulto. "É bom lembrar que nossos personagens têm 50 anos e portanto fazem parte do imaginário de diversas gerações de adultos", diz Mônica. "Esse é um bom exemplo de como a restrição total e irrestrita proposta na resolução pode afetar a própria existência dos personagens." "É o fim dos personagens, pois eles não poderão mais estar em lugar nenhum", diz a herdeira do criador da Turma da Mônica e inspiradora de seu principal personagem.

Mônica ainda defende que a autorregulamentação da publicidade se aprimore, mas rechaça as proibições. "O Brasil possui hoje 22 normas que restringem a publicidade dirigida à criança, mais do que o Reino Unido, com 16 normas, e que os Estados Unidos, com 15. Se há excessos – e numa sociedade complexa como a nossa, é claro que eles ocorrem – é preciso continuar a aperfeiçoar essas normas", defende Mônica. "Mas proibir totalmente tanto a publicidade quando o licenciamento de marcas, como propõe o Conanda, é condenar os brasileiros a consumir única e exclusivamente a produção de conteúdo infantil estrangeira."

O vice-presidente do Conar, Edney Narchi, também critica a resolução do Conanda. "A mão pesada do Estado constitui uma afronta à liberdade de expressão e vilipendia o direito de cada família brasileira de criar seus filhos da maneira que acha correta”.

Papel dos pais

O papel dos responsáveis é um dos principais pontos de discussão dos dois lados. A presidente da Associação Brasileira de Licenciamento, Marici Ferreira, afirma que a resolução do Conanda usa a displicência dos pais no cumprimento do seu papel em "dizer não". "Pais ocupados e ausentes começaram a encontrar dificuldade para balancear regras e liberdade, autonomia a autoridade", afirma em nota. Ela ainda diz que a resolução tem "viés claramente paternalista" e "tenta ocupar quando minimiza o papel dos pais na educação e se investe da autoridade de decidir o que é melhor para seus filhos".

Karageorgiadis, do Instituto Alana, rebate. "Os pais certamente têm um papel fundamental na educação das crianças, mas a responsabilidade pela criança não é exclusiva dos pais, é dever do Estado, família e sociedade assegurar à essa criança prioridade absoluta", diz.

Em 2015, a briga seguirá no Congresso. Um projeto de lei do deputado Milton Monti (PR-SP) tenta derrubar a decisão do Conanda. Em novembro, o projeto recebeu parecer contrário da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. A questão ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para votação na Câmara e no Senado.



Paloma Rodrigues
No CartaCapital
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O jornal e a utopia metropolitana


Zero Hora dá aula de como cavar a própria vala. Suja, rasa, sem lápide, para ser enterrada como indigente. E só eles, enquanto negociam vinhos, pirulitos e “negócios digitais”, não se dão conta do que perdem. Independente dos motivos, grandes nomes que faziam valer a leitura daquelas páginas mal acabadas foram seguindo seu rumo. Altair Nobre, Alexandre Bach, Chico Amorim, Carlos Wagner, Luiz Adolfo, Moisés Mendes e tantos outros jornalistas competentes que foram saindo ou sofreram a degola das tesouras da RBS, para falar só dos jornais impressos do grupo.

ZH virou um playground com linha editorial remendada, dentro de um segmento de público-alvo que não consegue atingir: o jovem. E nem vai.

O Diário Gaúcho, subestimado, alvo de preconceitos pelo seu suposto populismo, atropelou a carne nobre dos impressos da RBS. Mas o seu projeto tem prazo de validade e está vencendo. E assim como a Folha de S.Paulo é incorrigível dentro dos seus modismos editoriais, Zero Hora também o é.

Agora resolveu que o jovem vai salvar o seu negócio. No entanto, sua reforma (apressada, atrapalhada e que causou confusões dentro do departamento de diagramação) é um tiro no pé feito dentro de uma sala escura, já que muda a forma de o jornal se relacionar com o seu leitor de uma hora para a outra, indo do clássico ao desarranjo contemporâneo e caótico sem avisar.

Miscelânea de bobagens

Jornais de verdade levam, em média, 10 anos para implantar uma mudança gráfica e de linha editorial radical. Isso é feito de conta-gotas. O motivo? Simples: respeitar a experiência de leitura do público e ir aperfeiçoando detalhes despercebidos durante o processo. Mas Zero Hora trabalha com o conceito mais estúpido do mundo, em se tratando de papel: tudo é beta e para ontem. Tudo pode mudar, até amanhã. Se não der certo, não tem problema: era beta, mesmo. E deixam isso claro com seu slogan “papel, digital, o que vier”. Mas se esquecem de que sequer estarão de pé para encarar “o que vier” se continuarem a desconstruir o jornalismo que alegam fazer.

A impressão que passa, de fora da redação, é de que existe um artista caótico enredado com os fios dos fantoches que tenta manipular. É como uma criança brincando de ser criança, mas manipulando não um castelo de plástico ou um postinho de gasolina em miniatura, mas um império de comunicação. “Vamos fazer desse jeito para ver onde vai dar...”

Do lado de dentro nota-se que nenhum jornalista da empresa consegue sentar com você e explicar, detalhe por detalhe, os parâmetros dessa mudança, seus objetivos e onde se pretende chegar. Eles não sabem. Não por falta de vontade, imagino. Mas a reforma foi tão forçada por uma festividade do cinquentenário de ZH que foi feita de qualquer jeito, contrariando todas as mudanças gráficas já desenvolvidas para a empresa.

Tratando-se de jornalismo, o conteúdo perdeu relevância social. O que faz esse motor funcionar são uma dúzia de nomes que sobressaem e ainda buscam fazer jornalismo de verdade nesta miscelânea de bobagens.

Por isso, digo: ZH é uma província que tenta parecer metrópole.

Tiago Lobo, jornalista e editor da revista Pensamento
No OI
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O relegado

As críticas de ministros do Supremo e de advogados à demora de Dilma Rousseff na substituição de Joaquim Barbosa incorrem no que criticam: também elas demoraram muito. Ninguém com mais autoridade, e portanto com menos difícil audição na Presidência, do que os próprios ministros para realçar os inconvenientes que a inexistência do décimo primeiro traz às já retardadas decisões do tribunal.

Cobrada para a indicação do novo ministro logo em seguida à renúncia de Joaquim Barbosa, Dilma nem sequer respondeu aos advogados e políticos. Mas a falta de providência era sensata. Havia pela frente uma eleição presidencial, e a nomeação irremediável para um cargo de tal importância conviria ficar para o eleito.

A escolha já deveria ocorrer logo depois do resultado eleitoral. Desde então passaram-se dois meses. E apenas se definiu, graças ao café presidencial com jornalistas para iniciar esta semana, que José Eduardo Cardozo continuará ministro da Justiça. Por via indireta, assim Dilma indicou que a insistente nota da imprensa, dando Cardozo como favorito para a indicação, era mesmo chute e bola fora. Quanto à função de nomear, o que se sabe é que Dilma consome os dias sobretudo com discussões sobre tal ou qual fulano ocupará tal ou qual ministério sem verba, como serão todos.

Não é o primeiro caso de injustificada demora de Dilma Rousseff para nomeação ao Supremo. No anterior, tardou, tardou, e afinal nomeou Luiz Fux. Por força do lobby que o próprio, ainda sob a euforia da nomeação, descreveu com crueza histórica.

O protegido

O deputado que está nos jornais por insultar a deputada Maria do Rosário chegou a isso por um percurso sem curvas nem desvios. Sua entrada na vida pública deu-se quando fez um plano para explodir a adutora de água do Rio, além de outros crimes, caso não fossem aumentados os soldos dos tenentes, seu posto no Exército. Deu o plano a "Veja", para chantagear o governo, e atribuiu a divulgação à mulher. Mas a autoria não era dela e, assim como a chantagem, era passível de processo criminal.

A proteção de casta assegurou a impunidade do tenente terrorista. Como capitão, deixou a ativa para eleger-se deputado, com os votos dos militares e suas famílias no Rio, aos quais tem representado com a precisão atestada por suas sucessivas reeleições. Sempre obrando uma imbecilidade agressiva em seguida a uma cretinice violenta, e vice-versa. Sempre sujeito a um artigo do Código Penal e do Regimento da Câmara. E sempre impunemente.

O ataque à deputada Maria do Rosário, e às mulheres em geral, começou na impunidade ao plano terrorista. Sua defesa a pretexto da liberdade de expressão não tem cabimento: a liberdade de expressão não inclui o direito de agredir verbalmente. Ou, do contrário, não existiriam as tão conhecidas ações penais por calúnia, difamação e injúria, entre outras.

Soccer

O Botafogo, você sabe e não deve esquecer, caiu para a segunda divisão. Ou, como dizemos, para a segundona. Não todos. O "ministro" Joaquim Levy diz que o Botafogo "levou um downgrade".

Mister Levy é botafoguense, além do mais.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 83


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Essa é do Barão... 141


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Graça não dá coletiva. Defende-se na Globo — Assista

Presidente da Petrobras volta a detonar a “testemunha” da Glória Maria no Show da Vida.

Ele já sabe. O governo, não!
A presidente da Petrobras, Graça Foster, concedeu entrevista exclusiva ao jn nessa segunda-feira (22). Assim como fez em nota oficial divulgada pela Petrobras na última semana, Graça Foster esclareceu que Venina Velosa Fonseca não foi explícita em nenhum momento sobre casos de corrupção na empresa.

Graça afirmou que Venina usou “comentários que pareceram cifrados” para alertar a diretoria. “Em nenhum momento ela (Venina) falou em corrupção, fraude, cartel… são palavras muito fáceis de serem entendidas”.

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