21 de dez de 2014

Fux impediu o golpe paraguaio de Gilmar

Começam a ficar claras as razões que levaram o Ministro Gilmar Mendes a aprovar as contas de campanha de Dilma Rousseff.

Tudo encaminhava para a rejeição:
  • a campanha prévia da mídia preparando o clima;
  • a ofensiva do PSDB estimulando as manifestações de rua, que levaram até o insondável José Serra para a linha de frente;
  • o empenho de Gilmar em convocar áreas técnicas do Banco Central, COAF, Receita e TCU para proceder a um pente fino nas contas;
  • o parecer técnico da Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias, condenando as contas e amplamente enviezado, a ponto de enquadrar como falta grave o mero fato de máquinas trituradoras de papel terem sido declaradas como bens não duráveis;
  • o próprio voto de Gilmar, destoando completamente de sua própria decisão final, de aprovar as contas, ainda que com ressalvas.
Gilmar voltou atrás quando percebeu que seria derrotado em plenário. A corte é composta por 7 ministros. Votam seis. Havendo empate, o voto de Minerva é do presidente.

Contra Dilma havia o voto de Gilmar Mendes e de João Otávio Noronha, ligado a Aécio Neves. Com mais um voto, no mínimo haveria empate e a decisão final sobre o mandato de Dilma seria de Toffoli.

A batalha maior foi em torno do voto de Luiz Fux. Apesar da insistência de Gilmar, Fux não aceitou matar no peito e votar pela rejeição das contas de Dilma. Sem chance de vitória, Gilmar acabou recuando no seu voto.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Riqueza suspeita

Alvo de ação penal no STF, Alfredo Kaefer, o deputado mais rico da Câmara, teria acumulado fortuna graças a calotes aplicados em credores e manobras no patrimônio familiar

Dez vezes o patrimônio Segundo o MP, dívidas de Alfredo Kaefer
com credores e instituições financeiras ultrapassariam a casa do bilhão
O deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR) é o mais rico dentre os parlamentares recém-eleitos para a Câmara. Segundo sua declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, ele tem R$ 108,5 milhões em patrimônio e grande parte desses recursos provém do aglomerado de empresas em seu nome, que inclui seguradora, frigorífico e jornais. Longe dos números frios declarados pelo próprio parlamentar, sua fortuna é controversa. O deputado é alvo de três inquéritos e uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), dois deles em fase avançada, graças às investigações já realizadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Paraná. A suspeita mais recorrente nas investigações é a de que o deputado milionário tenha enriquecido graças a calotes aplicados nos seus credores e a uma série de manobras no patrimônio familiar para salvar seus bens de execuções. Segundo o Ministério Público Federal, a soma das dívidas de Kaefer com credores e instituições financeiras passa de R$ 1 bilhão, se somados os juros e as multas. É dez vezes o patrimônio que ele declara possuir.

O mais delicado dos processos é o inquérito 3678/2013, relatado pelo ministro Marco Aurélio Mello. Composto de diligências policiais e depoimentos de testemunhas, o caso caminha rapidamente. No dia 13 de agosto, o deputado foi chamado a depor sobre o pedido de recuperação judicial das empresas de um dos seus grupos, o Diplomata, mas não compareceu. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há indícios de que a falência foi fictícia e serviu apenas para não pagar a credores do grupo, pois a mesma empresa fez doações para a campanha política do deputado e ainda transferiu mais de R$ 27 milhões para sua conta pessoal. Dias antes do pedido de recuperação, Kaefer se retirou da sociedade, deixando sua mulher na administração. Para o MP, foi uma tentativa de evitar que seu patrimônio fosse considerado parte do processo. “Tudo leva a crer que a retirada de Alfredo Stoffels Kaefer das sociedades foi um ato meramente formal, cujo fim era ludibriar credores e permitir operações e manobras”, concluiu Janot.

arte.jpg

Em setembro, Kaefer se tornou réu no STF por fraude do sistema financeiro. A ação penal aberta contra ele apura crimes de gestão fraudulenta, empréstimo dissimulado e fornecimento de informação falsa ao Banco Central quando era presidente do conselho de gestão da empresa Sul Financeira S/A. O parlamentar nega todas as acusações e chegou a criticar o juiz do Paraná que decretou a intervenção em suas empresas.

Izabelle Torres
No IstoÉ
Leia Mais ►

Globo quer transformar Lava Jato em golpe contra o PT


Agora não há margem de dúvida.

A Globo resolveu centrar todo o seu poder de fogo contra o PT.

As “delações premiadas” tem sido inteiramente manipuladas com este objetivo.

Observe o quadro acima.

A informação sobre os 3% do PT, informadas por Paulo Roberto Costa, é baseada em “rádio corredor”, segundo seu próprio depoimento. Acusação muito mais direta de Costa menciona senadores tucanos, como Sergio Guerra, de receber R$ 10 milhões, Aécio Neves, de receber para fazer circo na CPI da Petrobrás, e Eduardo Campos, de receber R$ 20 milhões. Os 3% para o PT, no depoimento de Costa, foram ditos na base do “ouvi falar”.

Não interessa, a Globo só fala em PT.

Alberto Youssef é defendido por um advogado que tinha sinecura de luxo no governo tucano do Paraná e tem feito dobradinha descarada com a Globo.

Um dos testas de ferro de Youssef, por exemplo, o senhor Leonardo Meirelles, declarou que o doleiro tinha negócios com o PSDB e que Youssef tinha, como padrinho, um senador do Paraná (praticamente nomeando Álvaro Dias). Há um vídeo de seu depoimento. A mídia imediatamente tentou abafá-lo e neutralizá-lo.

As ligações de Youssef com o tucanato são antigas. Ele operou para quase todos os tucanos graúdos. Participou dos esquemas da privataria tucana e dos caixa 2 do partido em todas as suas eleições presidenciais. Há inúmeras matérias e documentos sobre isso. A mídia esconde tudo.

É um caso até parecido com o de Marcos Valério. Operam para tucanos durante anos, e são presos por operar para o PT. O PSDB usa e joga fora.

Os outros dois delatores “homologados” também têm longa relação com o tucanato. Augusto Mendonça é primo de Marcos Mendonça, tucano de alta plumagem, atual presidente da Fundação Anchieta, que controla a TV Cultura.  Augusto é envolvido até o pescoço no trensalão e tem interesse em detonar o PT.

É o mesmo caso do outro delator da Toyo Setal, porque o envolvimento com o trensalão é da empresa.

Abaixo, outros delatores, ainda não “homologados”:

ScreenHunter_5424 Dec. 21 12.18

Pedro Barusco já confessou que participa de esquemas na Petrobrás há pelo menos 18 anos, ou seja, bem antes da chegada do PT ao poder.

Estão criando toda uma trama para envolver o PT, repetindo a estratégia bem sucedida da Ação Penal 470.

Não estou dizendo que o PT seja santo ou não tenha culpa no cartório. Estou dizendo que eles manipulam a informação, exageram os fatos, tiram outros partidos do foco, e, com isso, não fazem justiça, mas justiçamento partidário.

O procurador-geral começou a sofrer pressão da mídia e já piou. A sua declaração, agressiva, de que a diretoria da Petrobrás deveria ser substituída, equivaleu a um bater de continência para o quarto poder.

A mídia, que o vinha atacando, imediatamente passou a blindá-lo.

E agora ficamos sabendo que os julgamentos da Lava Jato serão feitos não pelo plenário do STF, mas pela Segunda Turma do tribunal. E quem terá cadeira cativa?

Ele mesmo, Gilmar Mendes.

A Segunda Turma será formada por Teori Zavaski, Carmen Lucia, Gilmar Mendes, Celso de Mello, mais o novato a ser nomeado por Dilma.

Cabe a Dilma agir rápido e nomear um ministro vacinado contra pressões, para que faça um julgamento limpo, imune às eternas tentativas de golpe branco patrocinadas por nossa direita midiática e golpista.

Cabe ao PT, sobretudo, fazer um enfrentamento político à altura, porque a mídia já deixou bem claro que partiu para a guerra total.

E a principal vítima nunca é o PT e sim a democracia e o interesse soberano do povo brasileiro.

Miguel do Rosário
No Tijolaço
Leia Mais ►

Globo deflagra estratégia para manter Cardozo na Justiça

Cardozo e Daniello: a garantia de que os vazamentos não serão  coibidos.
Reportagem de O Globo de hoje sustenta que o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o delegado geral da Polícia Federal Leandro Daniello deverão ser mantidos nos respectivos cargos por Dilma Rousseff.

As alegações são risíveis. 

"Dilma também teria decidido manter Cardozo no cargo porque o ministro tem tido papel importante na linha de defesa do governo contra denúncias que surgem na Lava-Jato. O ministro foi o primeiro a contestar publicamente a suspeita de que parte do dinheiro de um dos empreiteiros investigados abasteceu a campanha da presidente em 2010. Em meio a críticas da oposição, o ministro alegou que a doação foi devidamente registrada. Disse também que o dinheiro foi para o PT, e não para a campanha da presidente".

Cardozo  não tomou nenhuma atitude em relação aos vazamentos da Lava Jato, sequer daquele que resultou da capa falsa de Veja e que poderia ter decidido as eleições; não mantém nenhuma influência sobre a Polícia Federal, nenhuma interlocução com o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal. Deixou o governo sem defesa em inúmeros episódios, sob a alegação de sua falta de iniciativa devia-se ao espírito "republicano". Nas poucas vezes em que saiu em defesa do governo, precisou ser empurrado para o centro do ringue — em uma delas, pela própria Dilma.

Há quase consenso no Palácio sobre o papel inócuo de Cardozo, não apenas na defesa do governo como no dia-a-dia da pasta, mesmo por parte de auxiliares que o tratam com carinho.

Por seu turno, Daniello é um delegado discreto, mas ferozmente crítico em relação ao abandono da PF pelo governo federal e, especialmente, pelo Ministro da Justiça

Para se preservar no cargo e não entrar em dividida, Cardozo adotou uma estratégia dúbia. Não leva para a presidente nenhuma demanda da PF porque sabe que Dilma, assoberbada por uma infinidade de problemas, não gosta de auxiliares que lhe tragam mais um.

Para compensar essa falta de iniciativa, Cardozo entrega à PF o que ela não necessita: palavras, elogios, retórica, declarações de apoio inócuas e liberdade absoluta para vazar dados, mesmo de depoimentos sob sigilo judicial, alimentar o noticiário contra seu governo. Para os agentes — e para a mídia — é jogo sem riscos.

O grande projeto de uma Polícia Federal de primeiro mundo implodiu quando, pressionando pelos grupos de mídia e pelo Ministro Gilmar Mendes, Lula tirou o delegado Paulo Lacerda do comando e colocou o substituto Luiz Fernando com a incumbência de esvaziar a Satiagraha. Vazamentos, empenho da PF em buscar provas contra Dilma e Lula têm como espoleta a maneira como o governo desmoralizou as investigações da Satiagraha e o abandono a que a PF foi relegada na gestão Cardozo.

A volta de Lacerda para o comando da PF poderia ser um ato de ousadia do governo Dilma. Mas é tão improvável quanto qualquer iniciativa de regulação de mídia.

De qualquer modo, mantidos Cardozo e Daniello, o cenário da Lava Jato será o mais adequado para a oposição, deixando o governo sem sua última linha de defesa.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Enquanto muita gente corre delas, um dos homens mais ricos do mundo multiplica sua compra de ações da Petrobras

http://www.maurosantayana.com/2014/12/enquanto-muita-gente-corre-soros.html


Enquanto, no Brasil, aplicadores correm da Petrobras, grandes investidores estrangeiros, confiantes em fatos como a inauguração da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade para processar 230.000 barris de combustíveis e derivados por dia, já no primeiro trimestre de 2015; e a constante expansão da produção do pre-sal, estão aproveitando os baixos preços das ações da empresa, para fazer compras maciças que poderão lhes render bilhões de dólares em ganhos no futuro.

George Soros, um dos homens mais ricos do mundo, aumentou em 84% a compra de ações da Petrobras, de junho para cá.

Será que ele, com uma fortuna pessoal de mais de 24 bilhões de dólares, está errado ao apostar na Petrobras?

Na época da campanha para a última eleição, espertos fizeram fortunas, da noite para o dia, "jogando" com o sobe e desce das bolsas, ao ritmo da divulgação das pesquisas e das notícias dos jornais, enquanto incautos se desfaziam de ações de primeira linha, deixando de usar a cabeça, para se deixar influenciar pelo comportamento de "manada" e pela desinformação.

Ao contrário do que muita gente acha, a campanha contra a Petrobras que está em curso — que não pode ser confundida com as investigações de corrupção na empresa — não vai quebrar a maior companhia brasileira nem tirar o atual governo do poder.

Ela irá, apenas, aumentar a participação de estrangeiros na Petrobras, aproveitando a queda de preço das ações, já que eles não se deixam contaminar pelo "clima" reinante em alguns segmentos da opinião pública.

Como exemplo dessa contradição entre alguns investidores brasileiros e estrangeiros do ponto de vista da confiança no Brasil, vale lembrar a recente decisão da Jaguar e da Land Rover, de instalarem suas primeiras fábricas fora da Inglaterra por aqui; ou a da Nestlé Mundial de construir a sua primeira indústria de cápsulas de café das Américas em Montes Claros, Minas Gerais.

Se as perspectivas no mercado brasileiro estão tão ruins, por que não foram para a Colômbia, por exemplo, que oficialmente está crescendo muito mais neste ano, e é membro do conhecido "factoide" Aliança do Pacífico?

Por falar em AP, nos oito primeiros meses deste ano, segundo a CEPAL, o Investimento Estrangeiro Direto caiu em 18%, no México, para pouco mais de 9 bilhões de dólares, enquanto aumentou 8%, para quase 50 bilhões de dólares, no Brasil.

Pesquisa divulgada essa semana pela FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, mostra que 47% dos empresários entrevistados vão manter seus investimentos em 2015, e que 41% deles pretende aumentá-los no ano que vem.
Leia Mais ►

Venina precisa explicar contratação, sem licitação, da empresa do marido


Venina tem muita coisa nebulosa também a esclarecer, como a contratação, sem licitação, da empresa Salvaterra, do hoje ex-marido, Maurício Luz, em 2004 (R$ 2,4 milhões) e 2006 (R$ 5,4 milhões), para serviços de consultoria; e também a de Nílvia Vogel como funcionária local, mas custeando sua mudança, quando exercia a representação em Cingapura. Há outros processos contra ela na empresa.

No Blog do Moreno
Leia Mais ►

Graça deve sair da Petrobras?

Quem acredita que Dilma não tem outra saída deve temer as profecias que se auto-realizam e duvidar de palavras imponentes e vazias

Para muitos observadores, a saída de Graça Foster da presidência da Petrobrás é caso resolvido. Pessoas bem informadas e analistas competentes têm certeza disso. Tenho dúvidas.

O argumento mais conhecido para defender a decisão é uma dessas profecias que se auto-realizam. Graça não teria “credibilidade” para permanecer no cargo. Não teria “condições” de permanecer a frente da maior empresa brasileira.

É subjetivo demais.

O tempo me permitiu assistir a muitos escândalos políticos para reconhecer palavras vazias, que todos repetem como se fossem sinônimos de verdades profundas e indiscutíveis. Sua origem está em dicionarios de marketing. “Credibilidade” e “condições” são apenas as mais conhecidas de uma longa lista.

Servem para justificar mudanças políticas de aparência bem intencionada mas que frequentemente se mostram contraproducentes e temerárias.

Na maioria das sociedades, quem confere — ou retira — a credibilidade de uma pessoa são os meios de comunicação. São eles que dizem que a palavra de uma autoridade merece — ou não — a confiança do cidadão. Podem levar a sério ou desprezar seus argumentos. Podem lhe dar espaço ou podem promover um massacre. Tudo depende de sua visão sobre a personagem. Num país onde os meios de comunicação retratam um lado só, raciocinam por um pensamento único, nós sabemos o que acontece.

Não vamos nos iludir. Para além das disputas de natureza jurídica-policial, a disputa mais importante no escândalo da Petrobras não está à vista da maioria dos cidadãos e envolve o futuro da empresa.

A pergunta é saber se haverá uma reversão  nas mudanças de envergadura ocorridas após a posse de Lula, ou se, após a guerra de nossos dias, será possível manter conquistas que permitirão  ao país dispor de uma das maiores empresas do mundo, com capital, quadros e conhecimentos para ser um instrumento para um desenvolvimento relativamente autônomo da nação. Estamos falando do pré-sal, da reserva para a industria local, de compromissos que vão além das lucros na contabilidade e dos pregões da Bolsa. O ponto central em debate sobre a permanência de Graça reside aí.

Num país onde se fala um idioma de significados trocados, uma novilíngua no melhor estilo da obra de George Orwell, credibilidade tornou-se sinônimo de ”aprovação do mercado”, ”condições” podem ser traduzida por ”apoio da mídia.” São essas forças que querem mudar a presidência da Petrobras. Para fazer o que?

Em nome de quais compromissos?

Alguém tem duvida sobre o figurino e o perfil de executivos “críveis” na atual situação? O que deverão dizer? O que irão prometer? Em quais armários irão revirar, em busca de quais esqueletos? Sob quais ”condições”?

Este é o ponto central da discussão.

Mais do que uma mudança de dirigentes, o que a população espera, da Petrobras, são explicações, amplas, completas. Não vejo reparos de natureza ética a fazer contra Graça Foster. Minha restrição é política. O silêncio estratégico, defensivo, tem sido um grande erro.

Até o momento, as historias e os personagens a Operação Lava Jato tem sido narradas, explicadas e interpretadas pelos adversários do governo e inimigos históricos da Petrobras, o que inclui os principais meios de comunicação do país, não custa lembrar. As respostas e investigações alternativas, que ajudarim a formular uma visão mais completa do que ocorre, são raras.

Se você passar numa banca de jornais e comprar a revista Caros Amigos — sim, a velha e boa Caros Amigos — poderá ler uma boa reportagem de Raimundo Pereira sobre o caso. Não resolve todas as dúvidas. Não desmente tudo o que se disse. Mas tem fatos e argumentos, ao longo de seis páginas, para lembrar que é preciso ter muito cuidado quando as fortalezas da ordem se unem para criar um inimigo comum.

Motivo de justo orgulho da maioria dos brasileiros, a Petrobras transformou-se, na Operação Lava Jato, no alvo do maior ataque já disparado contra uma empresa brasileira em qualquer época e um dos maiores na história do capitalismo mundial.

Nem traficantes de escravos apanharam tanto, no seculo XIX. Nem grandes financiadores da tortura levaram tanta porrada, no século XX. Mas a Petrobras, que transformou o país num dos líderes na produção de petróleo no mundo, desmoralizando supostos sábios que teimavam em dizer que nossa geologia jamais permitiria tal coisa, pode ser colocada numa situação de risco.

O projeto é não deixar pedra sobre pedra — e por isso o espetáculo do escândalo não pode parar.

No início das investigações sobre a Petrobrás, o alvo nobre era Sergio Gabrielli, o ex-presidente. Era uma tentativa para chegar até Lula. O alvo nobre hoje é Graça. A meta é Dilma.

Estou errado?

Leia Mais ►

O Bloqueio - A guerra contra Cuba


Leia Mais ►

Meios e fins

A resposta indicada para a pergunta “O que você acha de Cuba?” era “Qual Cuba?”. Havia a Cuba que se transformara de bordel dos Estados Unidos em país independente, inclusive dos Estados Unidos, a Cuba que resistira durante anos à retaliação americana enquanto dava lições ao resto da América Latina em matérias como saúde publica e educação universal, a Cuba do idealismo preservado apesar de todas as privações — e a Cuba dos paredões, das prisões politicas, da censura à imprensa, da perseguição a dissidentes e do culto à personalidade dos irmãos Castro, eternizados no poder. Era possível admirar uma Cuba e lamentar a outra. Ou não era? A dúvida nos remetia à velha questão, velha como o tempo: quando é que os fins justificam os meios? Até onde a Cuba admirável dependia, para sobreviver a tão poucos quilômetros da Flórida, da Cuba lamentável? Felizmente, quem não era cubano não precisava se definir. As relações das duas Cubas eram apenas pontos de um debate teórico.

O século passado viu a representação mais dramática até hoje da velha questão de meios e fins, ou da também velha máxima segundo a qual é impossível fazer omeletes sem quebrar ovos: o salto da China comunista, de uma sociedade feudal em que se morria de fome a uma sociedade que consegue alimentar mais de um bilhão de pessoas. A quantidade de cascas de ovos quebradas para fazer esta omelete foi incalculável. Sob a ditadura maoísta, uma geração inteira se sacrificou para que a maior transformação social de que se tem noticia chegasse a um bom fim, a China moderna. O resultado absolveu os meios? Teoricamente, sim. Mas é certo que nenhum dos sacrificados pela Revolução Chinesa tinha teorias sobre a nova sociedade que estava ajudando a construir, e ninguém lhe perguntou...

O José Onofre, que não está mais entre nós para nos fornecer frases definitivas, costumava dizer que não se pode, mesmo, fazer omeletes sem quebrar ovos, mas que precisamos nos precaver de quem não quer fazer omeletes, quer é ouvir o crec-crec das cascas sendo quebradas. Os apologistas da tortura (outros teóricos) gostam de alegar que os fins justificam quaisquer meios para atingi-los, mesmo os mais bárbaros. Mas é impossível distinguir quem pensa realmente que tortura adianta de quem só participa de torturas pelo prazer do crec-crec. O relatório recém-publicado sobre a tortura praticada pela CIA concluiu que em nenhum caso o “interrogatório intensificado”, o eufemismo deles, produziu alguma informação aproveitável. Conclui-se que no mundo dos torturadores os sádicos sejam maioria.

A aproximação de Cuba e Estados Unidos significa que velhas queixas serão esquecidas. Já foram libertados prisioneiros dos dois lados. O bordel talvez não reabra, mas os cassinos, os turistas e os dólares voltarão, e Las Vegas que se cuide. Em suma, um bom fim.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Dias melhores verão

Pode ser, e suspeito que seja, mero jogo de cena, para cedo cantarem vitória sobre os alegados indícios que, agora, levam a más expectativas para o próximo ano. Não fazem sentido as previsões negativas que repetem para jornalistas o presidente do Banco Central, os futuros ministros da Fazenda e do Planejamento, e seus companheiros nas teses de governo pró-"mercado".

"A inflação no que ano que vem vai ser maior", exemplifica uma frase de Alexandre Tombini. Ou, nas palavras de Joaquim Levy, o que precisa ser feito "será firme e rápido", o que, além de insinuar incomprovada urgência crítica, parece uma elegância ilusória para o mais conhecido "curto e grosso".

Certo é que a direção do governo importa mais, para a maneira como se pinta a situação do país, do que os números arbitrários usados na propaganda contra ou a favor de um ministro, do governo ou de quem preside.

Uma equipe econômica aliada e alinhada prioritariamente com os interesses do capital desfruta de habeas corpus. Mailson da Nóbrega levou a inflação a 84%. Ao mês. Sem ser criticado, só saiu porque o governo Sarney acabou.

Todos os números do governo Fernando Henrique são piores do que os atuais, mas Pedro Malan, como Mailson, como Marcílio Marques Moreira e tantos outros, saiu do governo para o abrigo gratificante de grandes empresários.

Guido Mantega não foi alvo solitário. O grosso da pancadaria dirigiu-se a Dilma Rousseff. E nisso se dá o primeiro efeito da troca de Mantega por Levy: a menos que queira palpitar, Dilma deixa de ser atacada em razão da política econômica, porque fazê-lo atingiria também Levy e seus parceiros.

Para Dilma, é um lucro muito grande. Ela não soube defender o seu governo, nem a si mesma e, muito menos, o atacado gasto governamental, decorrente — como disse no Congresso o secretário do Tesouro, Arno Augustin — "da estratégia de elevar os investimentos e gastos sociais, o que trará ganhos de longo prazo para o Brasil".

Por mim, quando leio um título negativo como "Sete milhões passam fome no país", prefiro saber que, por baixo dele, diz-se que em dez anos caiu de 6,9% para 3,2% o número de famílias com "insegurança alimentar grave".

Ou seja, as moradias onde possa haver fome são, hoje, menos da metade do que eram em 2003. Posta a redução em números humanos: de 15,5 milhões de pessoas para 7,2 milhões. Ou 8,3 milhões de crianças, adultos e velhos resgatados da fome ou do risco de sofrê-la.

O que sobrará para a fazer a continuidade desse avanço de vida? Por ora, as esperanças de mais vida só podem ser postas em generosidades do verão que chega hoje.

Rica promessa

Se respeitadas as proporções, "a maior corrupção da história" nem acabou de ser apurada na Lava Jato, mas seu título já passou da gigante Petrobras para o minúsculo município fluminense de Itaguaí.

Seu prefeito de apenas 32 anos, Luciano Mota, montou um bando que desviou POR MÊS, pelo apurado até agora, entre R$ 10 milhões e R$ 30 milhões da prefeitura, cuja arrecadação mensal média é de R$ 90 milhões. Os desvios incidiram sobretudo nos repasses do governo federal, por participação no pré-sal e para o SUS.

Vou falar baixinho, para o senador Aécio Neves não ouvir: Luciano Mota foi até agora um dos jovens políticos promissores, com outros integrantes da quadrilha, do PSDB.

Vale a pena

Duas convictas sugestões de leitura, que, hoje, também são de presente. "O Estado Empreendedor - desmascarando o mito do setor público versus setor privado" é uma demonstração muito interessante de que os grande avanços científicos e tecnológicos, "da internet à indústria farmacêutica" e ao iPhone de Steve Jobs, provêm de empenho do Estado.

Há casos surpreendentes na trama levantada por Mariana Mazzucato, professora na Universidade de Sussex, no Reino Unido. O livro foi sucesso na Europa e nos Estados Unidos.

"Cartas Extraordinárias" é uma seleção, por diferentes critérios, da "correspondência inesquecível de pessoas notáveis", mas, na verdade, da correspondência esquecida ou nem conhecida de pessoas, elas próprias, extraordinárias. Comecei-o sem sequer curiosidade. E não larguei mais. 

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 81


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Essa é do Barão... 139


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►