19 de dez de 2014

“Temos de punir as pessoas e não prejudicar o país”


Dirigindo-se ao cidadão comum, Dilma fala com clareza sobre a Petrobras no dia de sua diplomação como presidente

O dia da diplomação de Dilma Rousseff, vitoriosa no final uma das mais apertadas campanhas presidenciais desde 1889, quando Deodoro proclamou a República, começou tenso e complicado mas terminou com um surpreendente discurso da presidente, à noite.

Usando o microfone no salão vermelho do Tribunal Superior Eleitoral, Dilma não dirigiu-se a platéia de políticos, juristas e demais autoridades presentes, mas fez um pronunciamento voltado ao conjunto dos brasileiros, onde sua aprovação subiu para 40% de bom e ótimo nos ultimos meses do ano. A presidente falou da Petrobras, defendeu os trabalhos da Comissão da Verdade e deixou claro que pretende manter os compromissos de defesa do emprego e do salários entre 2015 e 2019.

Dilma não respondeu a todas as interrogações que acompanham a formação do novo mas deu um sinal importante, ao passar 16 minutos prestando contas a quem a elegeu. É um cuidado indispensável. Embora a eleição tenha se encerrado há quase dois meses, e ninguém discuta a sua vitória, a oposição mantém-se firme na estratégia de procurar artifícios e atalhos para quesitonar o resultado.

Começando pelo começo. Ontem, cinquenta e dois dias depois de perder a eleição nas urnas, o PSDB tentou estragar a festa de diplomação com uma tentativa de virar o jogo às costas do eleitor e

foi ao TSE pedir a cassação do mandato de Dilma e de seu vice, Michel Temer, alegando “abuso de poder, político e econômico”. Num argumento que sugere uma tremenda falta de consideração estatística pela decisão soberana dos eleitores, alegou também que a presidenta obteve uma vantagem “pífia” sobre Aécio Neves. (Foram 3,5 milhões de votos, ou 3,3%, margem típica de uma eleição disputada, em qualquer parte do mundo — onde nenhum político sério de eleitores-pífios.)

Demonstrando uma imensa falta de critério para escolher caminhos para chegar ao poder na primeira oportunidade, o PSDB solicitou, no mesmo documento, que, depois do imaginário afastamento de Dilma e Temer, seus candidatos, Aécio Neves e o vice, Aloysio Nunes Ferreira, sejam empossados automáticamente nas vagas de presidente e vice — sem que o eleitor tenha o direito de dizer o que acha disso tudo. Como sabem os eleitores de diversas cidades brasileiras que já tiveram prefeitos e vices cassados pela Justiça, a jurisprudência recomenda que sejam realizadas eleições sempre que se anula a vitória de um candidato que teve apoio superior a 50% do eleitorado. Dessa maneira, tenta-se impedir a posse de um candidato que não teve apoio da maioria — pífia ou não —, como determina o princípio básico de toda eleição.

O temor, de novo, é a voz dos pífios. Numa hipotética segunda eleição — que está fora de todo horizonte real — a emenda iria sair muito pior do que o soneto. Isso porque o PT seria obrigado a convocar Luiz Inácio Lula da Silva e seu IBOPE de mais popular político brasileiro para entrar em campo.

O pedido contra Dilma confirma a imensa dificuldade do PSDB para aprender que nem sempre se pode ganhar na luta política. Isso é surpreendente, considerando que já foram quatro derrotas presidenciais consecutivas, sem falar no sério risco de Marina Silva tirar Aécio do segundo turno em 2014.

No discurso de encerramento da cerimonia de diplomação, o ministro José Augusto Toffoli, presidente do TSE, disse que “eleições concluídas são, para o poder o judiciário eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Não há espaço. Que os especuladores se calem. ”

Toffoli ainda revelou para a platéia de autoridades, advogados e promotores que assistiam a cerimonia: ” Já conversei com a corte e esta é a posição inclusive de nosso corregedor geral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto desses 54.501.118 eleitores,” disse.

Sentada ao lado do presidente do TSE, Dilma sorriu e pousou a mão em seu braço.

No final da campanha presidencial, Toffoli passou a ser considerado, nos meios jurídicos do governo e do Partido dos Trabalhadores, como a demonstração definitiva da “incrível infelicidade de Lula ao indicar ministros do Supremo,” como escreveu o colunista Fernando Brito, do Tijolaço. Isso ocorreu em função de diversas decisões contrarias a Dilma no TSE, em situações nas quais parecia muito razoável, aos advogados da presidenta-candidata, que um magistrado equilibrado tivesse apoiado seu ponto de vista. Nos últimos meses, muitas atitudes de Toffoli são vistas como demonstrações de poder de um magistrado que, apesar da origem petista, não conseguiu manter uma boa interlocução junto aos centros de decisão do governo Dilma.

Embora os brasileiros tenham o direito a sua cota de alívio ao ouvir o presidente do TSE rejeitar aventuras contra a vontade do eleitor, não custa lembrar a boa tradição jurídica que ensina que os magistrados devem falar através dos autos. Também devem evitar apreciações de caráter político.

É uma questão de método, dizem os filósofos. O mesmo juiz que se considera no direito de afirmar que “não haverá terceiro turno, não há espaço,” pode acordar, um belo dia, e concluir que agora “há espaço”e que a tal página “não foi virada” e que os especuladores “devem falar em vez de calar.”

A atuação de Dias Toffoli à frente do TSE, em 2014, contribuiu para criar situações desnecessárias de tensão e de alarme falso. Ele demonstrou pressa em dar início ao processo que levou a substituição de Henrique Neves, um ministro cujo mandato expirou no início de novembro, que tinha função de relator das contas de campanha do PT. Não havia a menor urgência real no caso. A escolha era um direito natural da presidente Dilma Rousseff, favorável a manutenção de Henrique Neves, como o próprio Toffoli. Mas outras vozes dos meios jurídicos preferiam — e fizeram sua opção chegar a Dilma de modo assertivo, digamos assim — a indicação do ministro-substituvo Admar Gonzaga para o posto.

A divergência acabou gerando um impasse, quando Toffoli deu início ao processo aleatório que terminou por conduzir nomeação de Gilmar Mendes para relatar as contas da campanha do PT, situação temerária quando se considera as críticas duras e sem constragimento que o ministro faz ao partido.

No final, Gilmar aprovou as contas, com ressalvas, por 7 a 0, placar festejado pelo PT em função das avaliações que previam uma rejeição por 4 a 3. Apesar do placar típico de goleada, não foi uma decisão sem sequelas.

Por trás da palavra “ressalvas” escondem-se objeções que ajudaram o PSDB a formular seu pedido de impugnação. O selo da assessoria técnica do TSE lhe dava legimitidade, para usar um termo caro a Fernando Henrique Cardoso. Também pode ser usado mais tarde, caso a temperatura política do país volte a subir. Gilmar Mendes entregou as supostas irregularidades denunciadas no laudo da Assessoria Técnica para a Polícia Federal e o Ministério Público. Isso quer dizer que que, mesmo sem provas consistentes, poderão auxiliar a oposição a fustigar o governo

Num livro de 178 páginas, “A Classe Operária Vai ao Parlamento,” o historiador Dainis Karepovs descreve as eleições no Brasil da República Velha, anterior a 1930, mostrando uma situação que tem paralelos com a disputa de hoje.

A obra descreve um processo que, sintomaticamente, era chamado de “Terceiro Escrutínio”, ou “Degola”, e que tem uma semelhança óbvia com toda tentativa contemporânea de Terceiro Turno. A partir de um complexo processo de apuração, contagem e queima de votos, as forças da ordem arrumavam o resultado saído das urnas, assegurando vitórias permanentes para seus candidatos.

Os poucos concorrentes de oposição que saiam vitoriosos, explica Karepovs, colhiam vantagens de amizades poderosas e outros recursos invisíveis que facilitavam uma acomodação a seu favor.

O Brasil de 2014 não tem a mais remota relação com aquele país anterior a Revolução de 1930. A mudança essencial, que se consolidou em várias Constituições até chega a de 1988, consiste na compreensão — real e não apenas literária — de que os poderes emanam do povo e em seu nome são exercidos.

Isso explica as quatro vitórias consecutivas de uma candidatura como a de Lula-Dilma, que seriam impensaveis mesmo no Brasil da Carta de 1946, onde um dissidente saído da elite governente foi levado ao suicídio e o outro derrubado por tanques, baionetas e jornais. Mesmo as amplas garantias democráticas de hoje não impedem movimentos que tentam explorar atalhos antidemocraticos para recuperar posições negadas pelas urnas.

Procurando descrever os esforços dos primeiros líderes de trabalhadores que tentaram defender seus direitos no plano político, “A Classe Operária vai ao Parlamento” permite analogias inspiradoras com o Brasil atual, quando se procura criminalizar o governo de um partido nascido nas lutas populares.

No ponto central de seu pronunciamento, a Petrobras, Dilma fez um discurso destinado ao país inteiro mas, especialmente, a seus eleitores. Aí reside a importância do que ela disse. Aos petistas que enfrentam as denúncias lembrando as inesquecíveis mazelas produzidas no passado pelo PSDB, a presidente lembrou que o governo recebeu uma “herança nefasta” mas ela “não pode servir de álibi para ninguém nem para nada.”

A quem procura construir uma visão apocalíptica da Petrobras, torcendo para a abertura de uma crise política capaz de emparedar o governo, lembrou que se é preciso punir as práticas condenáveis de “alguns funcionários”, também é necessário “punir as pessoas, não destruir as empresas,” apontado para o verdadeiro risco: “Temos que saber punir o crime, não prejudicar o país e sua economia. ” Também falou em abrir as portas para combater a corrupção e não para impedir o crescimento. Prevendo que, por trás das denúncias, logo se armará um coro a favor de medidas privatizantes, Dilma colocou a discussão em termos claros: “Toda vez que, no Brasil, se tentou condenar e desprestigiar o capital nacional estavam tentando, na verdade, dilapidar o nosso maior patrimônio – nossa independência e nossa soberania.”

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Nenhum partido está isento de culpa no escândalo da Petrobras, aponta pesquisa Vox Populi


Para quem acompanhou o carnaval da “grande mídia” em torno das pesquisas em 2014, soa estranho o silêncio atual a respeito da crise da Petrobras. Seus veículos trombeteiam o assunto há 3 meses, mas não dedicaram a ele uma única e escassa pesquisa.

Exagero. Houve uma, realizada pelo Datafolha no início de dezembro. Ficou famosa pela extravagante manchete gerada a partir da leitura das informações pela Folha de São Paulo, dona do instituto: “Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras”. Nenhum outro levantamento foi encomendado. Como se aquele resolvesse a questão e o resultado bastasse. Como se não fosse tão questionável que até a ombudsman do jornal criticaria a despropositada matemática usada pelos editores ao noticiá-la.

Tamanha parcimônia contrasta com o exuberante investimento em pesquisas que a mídia corporativa fez neste ano. Embora tenha sido quase todo bancado pela TV Globo, que financiou as empresas menores, foi uma tal superoferta de pesquisas que, na reta final da eleição presidencial, o cidadão mal conseguia respirar antes de um novo levantamento ser divulgado.

A abundância tinha a ver, é claro, com a torcida para Dilma Rousseff cair nas inteções de voto. Tantas pesquisas refletiam o desejo dos donos de jornal (e seus funcionários) de crescimento de uma das candidaturas a ponto de suplantar a petista. Como sabemos, gastaram dinheiro em vão.

Algo semelhante acontece com as oposições partidárias. Atravessamos o ano a ouvir os líderes oposicionistas citando resultados de pesquisa a torto e a direito: O “desejo de mudança”, a “rejeição ao PT”, a “reprovação do governo”. Seu discurso atual a respeito da crise na Petrobras prescinde, no entanto, de quaisquer referências à opinião pública.

É pena. Todos ganharíamos se ouvíssemos mais e mais frequentemente os cidadãos. Saberíamos o que pensam e compreenderíamos melhor suas manifestações, especialmente as mais importantes, como os resultados eleitorais. Evitaríamos equívocos de interpretação e erros de tomada de posição.

Entre os dias 5 e 8 de dezembro, o Vox Populi fez uma ampla pesquisa nacional, com 2,5 mil entrevistas, distribuídas em 178 municípios. Tratou de vários assuntos e incluiu perguntas sobre a Petrobras.

Ao contrário da tese de alguns próceres tucanos e dos muitos mal informados na sociedade, para os quais a vasta maioria da população ignora o que se passa no Brasil, apenas 13% dos entrevistados não tinham ouvido falar das denúncias de irregularidades na empresa. Em outras palavras, 86% da população as conhecia, sem variações significativas segundo os níveis de escolaridade: 85% entre aqueles com ensino fundamental, 87% no ensino médio e 89% no nível superior.

Entre quem tinha ouvido falar no assunto, 69% acreditavam que “as irregularidades na Petrobras vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”. Dos restantes, 23% disseram achar que “começaram com o PT” e 8% “não sabiam”. Sobre quais partidos estariam “envolvidos nas irregularidades”, 7% dos entrevistados responderam “só o PT” e 18% cravaram “o PT e os partidos da base aliada, como PMDB, PP etc”. Os dois terços restantes disseram que “todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.

Como se vê, a percepção da grande maioria da opinião pública conflita com o noticiário da mídia hegemônica, que não se cansa de apresentar o PT como o grande vilão no caso. E não poupa as lideranças tucanas, na contramão da imagem de paladinos da moralidade que imaginam possuir.

Aliás, quando a pesquisa pediu a opinião sobre qual dos três últimos presidentes da República “mais combateu a corrupção”, as respostas foram Lula 31%, Dilma 29% e Fernando Henrique Cardoso 11% (os restantes 29% disseram “não saber” ou não responderam). Feitas as contas, 60% escolheram um governante do PT, enquanto FHC nem sequer atinge um quarto do eleitorado que votou no PSDB em outubro.

Por que a mídia prefere não fazer pesquisas sobre o tema? Por que os líderes da oposição se permitem falar ignorando a imagem real que possuem? Hipótese: no fundo, eles não dão o menor valor para o que pensa o cidadão comum.

Marcos Coimbra
No Viomundo
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A nova investida de Aécio sobre o Twitter


Aécio volta a atacar numa área em que é especialista: a intimidação. A Justiça de São Paulo determinou a quebra dos sigilos cadastrais de 20 usuários do Twitter que teriam vinculado seu nome a crimes como o uso de drogas.

Com a decisão, seus advogados poderão processar cada um deles. É o desdobramento de um pedido feito ainda durante a campanha, quando requisitou-se o cadastro de 66 perfis da rede, entre eles o DCM.

A equipe jurídica do candidato acabou chegando, num primeiro momento, a 55. Foi então determinado que o Twitter repassasse os dados para o tribunal, com a ressalva de que nada fosse entregue aos advogados de Aécio até a análise do conteúdo. Trinta e cinco foram isentados pelo magistrado. As duas dezenas de “acusados” estão aqui. Devem ser processados.

Em setembro, os representes do Twitter disseram na defesa: “Admitir esse tipo de medida corresponde a transformar o Poder Judiciário em instrumento de perseguição de cidadãos, dando margem ao surgimento de um Estado policialesco, que desconsidera as garantias fundamentais dos cidadãos de forma injustificável”.

Aécio reclama de uma rede de “caluniadores” e “detratores”. Muitos seriam “robôs”, ou seja, perfis falsos criados para atacá-lo. Não por coincidência, foi um expediente bastante utilizado em sua campanha. Um desses “robôs”, para citar apenas um caso, fez uma denúncia fajuta de direitos autorais obrigando o Youtube a retirar do ar o vídeo do “Helicoca”, do DCM.

Aécio já acionou o Google, o Yahoo! e o Bing para tentar impedir resultados de buscas que o ligassem a delitos como consumo de cocaína. A Justiça negou o pedido. Seus advogados também entraram com uma ação contra o Facebook para extinguir perfis que o satirizavam, como o Aécio Boladasso e o Aécio Boladão.

Ele tem especial apreço ao termo “submundo da Internet”. Em sua visão muito particular das coisas, tudo deveria estar “combinado” com a mídia — expressão que usou numa reportagem de TV que lhe foi desfavorável, história presente no documentário “Liberdade, Essa Palavra”.

É a maneira como sempre atuou em Minas Gerais. Há dias, o editor de Cultura do Estado de Minas, João Cunha, pediu demissão após ter sido proibido de escrever sobre política. Seu último artigo era a respeito da tentativa de “inviabilizar a sequência do processo democrático”.

“A oposição, por sua vez — e o senador Aécio Neves, candidato derrotado como seu nome de maior destaque —, tem uma tarefa a cumprir: dar um passo à frente no jogo político, com a grandeza que o momento requer. O que ainda está devendo”, escreveu. Um abraço. (No dia seguinte à vitória de Dilma, a manchete principal do site do EM era sobre a febre chikungunya. O Granma perde).

Se ele, perdedor, está empenhado nesse interminável tour de force jurídico para tentar calar aqueles que lhe desagradam, é de se imaginar o que não estaria fazendo se tivesse vencido a corrida pela presidência. E isso é apenas o começo para o nosso Kim Jong-un das Alterosas.

Kiko Nogueira
No DCM
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Comunicação e democracia, tudo a ver

O principal extrato da Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 (íntegra aqui), divulgada na sexta-feira (19/12) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, revela que quase metade da população tem acesso à internet, e desse total 37% a utilizam todos os dias, com uma intensidade de quase 5 horas por dia.

A televisão continua sendo o meio mais utilizado: 95% dos entrevistados afirmaram ver TV regularmente, sendo que 73% têm o hábito de assistir diariamente. Outro aspecto interessante do estudo é o fato de que os jornais continuam sendo apontados como os veículos mais confiáveis, enquanto as revistas perdem credibilidade.

A pesquisa foi encomendada ao Ibope Inteligência, empresa contratada em 2013 por meio de licitação, com a metodologia testada entre setembro e outubro e os dados coletados em novembro deste ano. Trata-se da segunda versão da mesma consulta (ver aqui a primeira versão da pesquisa), planejada para mostrar como o brasileiro usa os meios de comunicação, a frequência de acesso, as motivações e a credibilidade de cada um deles. Como a metodologia foi aprimorada entre as duas primeiras versões, ocorre uma descontinuidade em alguns dados, como a intensidade de uso da internet.

Uma das curiosidades, que contraria em parte o senso comum, é a pujança do rádio: em 2013, 21% dos brasileiros haviam declarado ouvir rádio todos os dias; nesta última pesquisa, esse número subiu para 30%.

Diante da pergunta sobre qual meio de comunicação o entrevistado usa mais, 42% citaram a internet, e destes 76% a acessam todos os dias, com uma exposição média de 4 horas e 59 minutos por dia, entre segunda e sexta-feira, e de 4 horas e 24 minutos nos finais de semana.

Os gráficos revelam, principalmente, que o uso dos meios de comunicação segue o padrão de consumo determinado pela renda, escolaridade e faixa etária: o uso diário e mais intenso da internet é maior entre os jovens com até 25 anos (65%), enquanto entre os adultos com mais de 65 anos essa proporção cai para 4%.

No grupo dos entrevistados com renda familiar de até um salário mínimo, 20% declararam acessar a internet pelo menos uma vez por semana, enquanto nas famílias com renda superior a cinco salários mínimos, 76% têm acesso à rede digital.

Diferenças sociais

A análise dos números deve considerar algumas intercorrências, como a mudança na questão referente à intensidade de uso da TV, do rádio e da internet. Períodos em que a opinião pública sofre intensa mobilização tendem a aumentar a busca por informações através dos meios imediatos, com o uso complementar de múltiplos veículos — o que, de certa forma, contribui para uma maior audiência da televisão, do rádio e da internet.

Embora não esteja contemplado na análise original da pesquisa, deve-se levar em conta, por exemplo, que as entrevistas foram feitas no mês seguinte às eleições que foram consideradas as mais acirradas do período da restauração democrática. Além disso, é preciso considerar que as eleições foram realizadas apenas três meses depois de encerrada a Copa do Mundo, evento que também mobilizou intensamente a sociedade brasileira.

Os resultados tendem a mostrar um quadro restrito ao período mais próximo ao das entrevistas, mas as duas primeiras versões da pesquisa já permitem observar a evolução de tendências no ambiente midiático. No entanto, alguns aspectos, como a mudança na natureza da mediação e o uso complementar de várias mídias, podem não estar contemplados ou explicitados nas conclusões do estudo. Por exemplo, se a primeira informação é obtida na internet ou no rádio e consolidada na leitura de um jornal ou no noticiário da televisão, que encerra o dia, o usuário é induzido a considerar os meios que consolidam a informação como mais confiáveis.

Na grande diversidade de elementos proporcionados pela pesquisa, pode-se destacar a urgência de acelerar a redução das diferenças sociais, por seu efeito na desigualdade de acesso à informação, que, por outro lado, afeta as chances de universalização do bem-estar. A defasagem entre os brasileiros com ensino superior e aqueles que só completaram a 4ª série, por exemplo, pode ser de 87% para 8% na questão da familiaridade com as tecnologias digitais.

Conclusão: democratizar a comunicação é fundamental para a democracia.

Luciano Martins Costa
No OI
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Brasileiros ficam mais tempo conectados que assistindo TV, confirma Pesquisa de Mídia

Durante apresentação da PBM 2015, ministro Thomas Traumann destacou que o brasileiro tem migrado de forma consolidada para os meios digitais.
Foto: Iano Andrade – Gabinete Digital/PR.
Maior levantamento sobre os hábitos de informação dos brasileiros, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 (PBM 2015) confirma que brasileiros passam mais tempo navegando na internet do que assistindo TV. No entanto os dados mostram a televisão ainda como meio de comunicação predominante (maioria dos entrevistados diz assistir); o rádio continua o segundo meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros; e os jornais são os veículos mais confiáveis. Os dados foram apresentados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), nesta sexta-feira (19), no Palácio do Planalto.

Os usuários de internet ficam conectados, em média, 4h59 por dia durante a semana e 4h24 nos finais de semana, superior ao tempo médio que brasileiros ficam expostos ao televisor, respectivamente 4h31 e 4h14. Praticamente a metade dos brasileiros, 48%, usa internet. O percentual de pessoas que a utilizam todos os dias cresceu de 26% na PBM 2014 para 37% na PBM 2015. O hábito de uso da internet também é mais intenso do que o obtido anteriormente. De acordo com a pesquisa de 2014, o tempo médio conectado era 3h39 por dia durante a semana e 3h43 nos finais de semana.

Mais do que as diferenças regionais, são a escolaridade e a idade dos entrevistados os fatores que impulsionam a frequência e a intensidade do uso da internet no Brasil. Entre usuários com ensino superior, 72% acessam à internet todos os dias, com uma intensidade média diária de 5h41, de 2ª a 6ª-feira. Entre as pessoas com até a 4ª série, os números caem para 5% e 3h22 – 65% dos jovens na faixa de 16 a 25 se conectam todos os dias, em média 5h51 durante a semana, contra 4% e 2h53 dos usuários com 65 anos ou mais.

O uso de telefones celulares para acessar a internet já compete com o uso por meio de computadores ou notebooks, 66% e 71%, respectivamente. O uso de redes sociais influencia esse resultado. Entre os internautas, 92% estão conectados por meio de redes sociais, sendo as mais utilizadas o Facebook (83%), o Whatsapp (58%) e o Youtube (17%).

Televisão

Apesar do tempo médio conectado na internet ser maior, a televisão segue como meio de comunicação mais utilizado pela população. De acordo com a pesquisa, 95% dos entrevistados afirmaram ver TV, sendo que 73% têm o hábito de assistir diariamente. O tempo que o brasileiro passa exposto ao televisor diariamente também cresceu em relação à PBM 2014 que eram 3h29 de 2ª a 6ª-feira, e 3h32 nos finais de semana (4h31 e 4h14, respectivamente na PBM 2015).

Rádio

O rádio continua o segundo meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, mas seu uso caiu na comparação entre a PBM 2014 para a PBM 2015, de 61% para 55%. Em compensação, aumentou a quantidade de entrevistados que dizem ouvir rádio todos os dias, de 21% em 2014 para 30% em 2015.

Jornais e revistas

Permaneceu estável o percentual de brasileiros que leem jornais ao menos uma vez por semana entre as duas rodadas da PBM: 21%. Apenas 7% leem diariamente, sendo a 2ª-feira o dia da semana mais mencionado pelos leitores (48%). A escolaridade e a renda dos entrevistados são os fatores que mais aumentam a exposição aos jornais: 15% dos leitores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos leem jornal todos os dias. Entre os leitores com até a 4ª série e renda menor que um salário mínimo, os números são 4% e 3%.

O uso de plataformas digitais de leitura de jornais ainda é baixo: 79% dos leitores afirmam fazê-lo mais na versão impressa, e 10% em versões digitais.

Foi detectado cenário semelhante ao dos jornais em relação às revistas: 13% dos brasileiros leem revistas durante a semana, número que cresce com aumento da escolaridade e da renda dos entrevistados. Versões impressas (70%) são mais lidas do que versões digitais (12%).

Mesmo que sejam baixas a frequência e a intensidade de leitura de jornais e revistas, eles são os meios de comunicação com maior nível de atenção exclusiva. Entre os leitores de jornal, 50% disseram não fazer nenhuma outra atividade enquanto o consome. Entre os de revista, 46%.

Comunicação de governo

Dentre as formas oficiais de comunicação do Governo Federal, o programa “A Voz do Brasil” é a mais conhecida pelos brasileiros: 57%. Além disso, o conteúdo do programa é bem avaliado por quem o conhece: 45% consideram-no “ótimo ou bom”; 20%, “regular”, e 12%, “ruim ou péssimo”.

Índice de confiança

Cresceu a confiança dos brasileiros nas notícias veiculadas nos diferentes meios de comunicação. Os jornais continuam como os mais confiáveis: 58% confiam muito ou sempre, contra 40% que confiam pouco ou nunca. Na PBM 2014, esses valores eram de 53% e 45%. Televisão e rádio têm nível de confiança similares. No caso da TV, 54% confiam muito ou sempre, contra 45% que confiam pouco ou nada. No caso do rádio, 52% confiam muito ou sempre, contra 46% que confiam pouco ou nunca.

Dentre os veículos tradicionais, a revista é o único que inverte essa equação: 44% confiam muito ou sempre, contra 52% que confiam pouco ou nunca.

Já em relação às novas mídias, a desconfiança predomina. Respectivamente, 71%, 69% e 67% dos entrevistados disserem confiar pouco ou nada nas notícias veiculadas nas redes sociais, blogs e sites.

PBM 2015

Encomendada pela Secom, a PBM 2015 foi realizada pelo Ibope com mais de 18 mil entrevistas entre 5 e 22 de novembro de 2014, por meio de entrevistas domiciliares. Como principal característica, manteve-se a representatividade nacional da pesquisa de 2014, com uma amostra que retrata adequadamente cada um dos 26 estados e o Distrito Federal.

Veja a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 na íntegra


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3º turno no Pará: Simão Jatene pode ser cassado por compra de votos

Na campanha Jatene intensificou a entrega dos cheques. Eleitores faziam filas para receber o benefício
Foto: Bruno Carachesti
Coligação entra com ação contra Jatene e Marinho é o título da matéria publicada no Diário Online que revela a medida adotada pela assessoria jurídica de Helder Barbalho — candidato derrotado no segundo turno das eleições deste ano por Simão Jatene, reeleito governador do Estado do Pará, o qual pode ter seu mandato cassado, sob a acusação de abuso do poder econômico através da compra de votos através do Cheque Moradia. Seria o caso de chamar de terceiro turno paraense?

A coligação majoritária “Todos pelo Pará” - que teve Helder Barbalho e Joaquim de Lira Maia como candidatos a governador e vice-governador, respectivamente - ingressou ontem com ação de investigação judicial eleitoral contra o governador reeleito Simão Jatene, o vice Zequinha Marinho, além de dois servidores do alto escalão da Companhia de Habitação do Pará (Cohab).

A Ação pede a cassação dos mandatos de Jatene e de seu vice, multa de R$ 100 mil e a suspensão, por oito anos, dos direitos políticos dos envolvidos. Eles são acusados de abuso de poder político e compra de votos.

O alvo da ação foi o uso do programa cheque moradia para favorecer o candidato Jatene durante a campanha eleitoral deste ano. “A isonomia entre os candidatos foi claramente afetada pela abusiva e indiscriminada concessão e liberação de verbas do programa, principalmente nos três meses que antecederam a eleição e durante a disputa do segundo turno”, explica o advogado Alex Centeno, um dos autores do pedido de investigação.

Para pedir a cassação de Jatene, os advogados da coligação reuniram documentos que somam mais de quatro mil páginas, entregues ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Como se trata de uma ação por abuso do poder político e compra de votos, o caso vai ser investigado pela Corregedoria do TRE que vai chamar testemunhas para depor. Alex Centeno conta que os advogados da coligação estão trabalhando na reunião de provas desde outubro. Ontem, as cópias da ação lotaram o porta-malas de um automóvel.

Segundo dados da própria Cohab, em 2012, o governo liberou R$ 24, 2 milhões para o programa, beneficiando 3.483 famílias, quase 18 mil pessoas. Neste ano - com a campanha eleitoral a pleno vapor - o programa foi turbinado e o orçamento chegou a R$ 95, 2 milhões, mais que a soma dos dois anos anteriores.

“A normalidade e a legalidade do pleito foram decisivamente prejudicadas pelo uso abusivo do Programa Cheque Moradia do governo do Estado, gerenciado pela Companhia de Habitação do Estado do Pará – COHAB, através do seu Presidente – João Hugo Barral – e da Coordenadora do programa junto às lideranças comunitárias – Sônia Massoud, utilizado com o objetivo escancarado de obter votos”, escrevem os advogados em um dos trechos da ação. Barral e Sônia Massoud também figuram como réus no pedido de investigação eleitoral.

Evolução

Para ingressar com a ação, a coligação analisou a evolução do programa Cheque Moradia ao longo de 2014. Os dados revelam que a distribuição dos cheques foi intensificada à medida que o pleito se aproximava. Os meses com maior concentração de benefícios foram julho, agosto, setembro e outubro, justamente após as convenções após a escolha dos candidatos em convenção partidária.

Para se ter uma ideia, em julho, foram 3.639 famílias, o que representa mais de 18 mil pessoas beneficiadas. Em outubro, mês da eleição, foram 10.443, o que chega a mais de 50 mil beneficiados, apenas nos primeiros treze dias, o que reforça a tese de que esse é um programa eleitoreiro.

Em termos financeiros, o programa saltou de R$ 3.3 milhões em maio para R$ 31 milhões em setembro. “O valor concedido no mês de setembro, véspera do primeiro turno, foi totalmente desproporcional aos demais meses, o que demonstra claramente a utilização do Cheque Moradia como meio para obter votos”. Apenas nos 13 primeiros dias de outubro, foi constatado um valor superior a todos os meses anteriores a agosto.

No As Falas da Pólis
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Na falta de papel higiênico, vamos exportar a Veja para Cuba


A Veja se supera. Pode mesmo ser dito: é porca por cada edição (porcada edição).

Vejam só (acima) a capa da (capada) que está nas bancas.

Esta semana, numa feliz coincidência, na véspera do anúncio de Obama, tive uma discussão com dois velhos na fila do caixa no supermercado.

Estávamos na fila dos “especiais”, onde às vezes eu entro por motivo de pressa, depressa. Os caras conversavam em voz alta, numa altura e tom que iam além do volume natural da fala pernambucana. Era uma conversa de propaganda de ideias para todos os demais, fala de microfone para o público. Era só cacete nos petralhas, na quadrilha, na roubalheira da Petrobras. Aí, no clímax, pegaram a Veja ao lado, que mostrava a última da quadrilha de Dilma.

- Já viu?  – E gritavam a manchete da capa.

Então eu, no meu natural ponderado, entrei na discussão, da qual já participava pelas agressões que ouvia à cultura e política. E disse;

- A sua fonte de informação é isto aqui?

- É. Que é que tem? Ela nunca errou uma denúncia.

Ao que respondi:

- Vejam, esta revista no supermercado está no lugar errado. Ela devia estar na seção de papel higiênico.

E o velho mais exaltado:

- Falar nisso, em Cuba está em falta papel higiênico…

E eu:

- Então vamos exportar a Veja pra Cuba. Mas não sei se os cubanos têm melhor papel pra limpar a bunda.

E toda a conversa foi assim, na mais contida ponderação.

Urariano Mota
No Viomundo
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Foi Toffoli quem manobrou para Maluf ser absolvido no TSE


Ao contrário do que foi divulgado, a manobra no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para absolver Paulo Maluf da Lei de Ficha Limpa não foi da relatora Lúcia Guimarães Lóssio, mas do próprio presidente José Antonio Dias Toffoli.

Foi dele a decisão de  colocar as questões na pauta, aproveitando-se da ausência do MInistro Admar Gonzaga — que era contra —,  conseguiu o voto a favor do suplente, Ministro Tarcísio Vieira, para reverter a votacão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que havia impugnado a candidatura.

Contra Maluf votaram Luiz Fux, Maria Thereza de Assis Moura e a relatora Lóssio. A favor, Dias Toffoli e os ministros Gilmar Mendes, João Otávio de Noronha (o substituto) e Vieira.

A manobra maior não foi essa. O recurso apresentado era embargo de declaração, que se destina apenas a corrigir omissões e eventuais contradições, e não a modificar a decisão, porque nesse caso haveria o chamado efeito infringente — mudar o resultado do julgado — vedado em embargos de declaração. Trata-se de um precedente jurídico temerário, valendo-se de um recurso não previsto em lei.

Não se sabe as razões que levaram Toffoli a essa manobra. Ele não se limitou a votar a favor de Maluf, mas também a manobrar, lançando dúvidas sobre sua motivação. Certamente não foi pelo fato de pertencer à base de apoio do governo, já que votou em dobradinha com Gilmar Mendes — inimigo figadal do governo Dilma.

O TRE havia negado registro a Maluf devido a uma condenação pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por superfaturamento de cerca de R$ 200 milhões em obras.

A decisão desmoraliza a Lei da Ficha Limpa e demonstra que o TSE absolve ou condena de acordo com a vontade pessoal dos Ministros.

No GGN
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A cubanização dos Estados Unidos por Obama

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6780

Os Estados Unidos capitularam.

Depois de 53 anos de teimosia, reataram relações diplomáticas com Cuba. É o segundo fim da Guerra Fria. O primeiro foi com a queda do muro de Berlim. Obama é o cara. Mas o Papa Francisco também. E Raúl Castro. O Brasil construiu um porto para Cuba. Os americanos vão construir uma nova Cuba para a Ilha. É só uma questão de negócios. Foi deixar um argentino falar que a resistência ao comunismo cubano desabou. A cubanização dos Estados Unidos está em curso.

Ou seria mais um avanço do bolivarianismo?

Se Obama tivesse consultado o Tea Party brasileiro liderado por Lobão, que se manifesta quase toda semana em São Paulo contra o comunismo, não teria dado esse grande passo. Enquanto Obama estende a mão aos cubanos, a direita brasileira preferiria isolar ainda mais a Ilha. Enquanto o ex-tupamaro Pepe Mujica rompia com a política falida da repressão às drogas, liberando a maconha, o Tea Party brasileiro aprovava uma legislação mais repressiva e retrógrada. Estou preocupado com os Estados Unidos. Se deixarem Obama continuar agindo assim, sem limites, vai acabar fazendo História. Ninguém vai pedir o seu impeachment?

Será que isso terá de ser feito na avenida Paulista por meia dúzia de gatos pingados?

Não, pingados, não, que isso é coisa de esquerdista rastaquera. Meia dúzia de gatos “uísquados”.

Alguns republicanos vão infestar o senado dos Estados Unidos com discursos contra Obama. É uma turma que fala grosso e pensa pequeno, mas não rasga dinheiro. Estou com Obama. Isso deve bastar. Quando ele se candidatou pela primeira vez, usei uma camiseta com a sua propaganda. Foi a única vez na vinda que servi de outdoor para político. Não me arrependo. É verdade que Obama prometeu acabar com Guantánamo e não o fez. Não existe político sem promessa não cumprida. O máximo que ele conseguiu nesse quesito foi com ajuda do sempre intrépido Mujica. É isso aí: Obama, Mujica e o Papa Francisco são os homens do ano. Raúl Castro ainda precisa comer um pouco mais de feijão, passar por uma eleição de verdade e soltar todos os seus presos políticos para jogar no mesmo time. Não parece o seu jogo. Com ele, com os Castro, o esquema é retranca.

Enquanto Obama reata relações diplomáticas com Cuba e pavimenta o seu lugar na grande História, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) brasileiro arranjou, mais uma vez, lugar na pequena história livrando a cara de Paulo Maluf, declarado ficha limpa. O ato de Maluf não teria sido doloso (intencional), mas culposo. Maluf deve essa façanha jurídica aos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que, aproveitando a viagem de um colega de tribunal, numa manobra rápida viraram o jogo em favor do “idôneo” político paulista. Quando Paulo Maluf é ficha limpa, Papai Noel sai do armário e assume ser uma ficção. Desafio o Papa Francisco a convencer o TSE de que Maluf é ficha suja. Essa missão não é para o Papa. Talvez seja para Deus.

Eu já sabia: Obama é comunista!

Nessas reviravoltas da história, o deputado gaúcho Marco Maia corrigiu seu relatório da CPI da Petrobras e pediu o indiciamento de 52 envolvidos. Só esqueceu de arrolar algum político na sua lista. Deve ser difícil encontrar algum. Os caras do momento não são daqui.
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Porque os grupos de mídia atacam os blogs


A Folha publicou um resumo dos gastos de publicidade das empresas públicas. Entre os mais de 5 mil veículos programados, o jornal definiu uma curiosa subdivisão: as verbas dos grupos de mídia e as verbas dos blogs e jornais online independentes — classificados como "aliados do governo".

Na relação de mídia há rádios, sites de todos os tipos, revistas semanais ou revistas especializadas. Por que a fixação nos blogs — e em revistas independentes, como a Carta Capital — que receberam parcelas ínfimas da publicidade pública?

Essa implicância se explica por dois fenômenos centrais na crise dos grupos de mídia.

O monopólio da audiência

O primeiro deles é o fim do monopólio da audiência.

Na era pré-Internet, havia enormes barreiras de entrada a novos grupos de mídia.

Na imprensa escrita, nunca houve competição, pela necessidade de investimentos a se perder de vista; na televisiva e radiofônica, pelo cartório das concessões.

Com a diversificação editorial no mercado de revistas, montou-se uma estrutura oligopolista, um pacto entre grupos de mídia e agências de publicidade (em torno do Bônus de Veiculação) que tem como agente legitimador o IVC (Instituto Verificador de Circulação).

Quando começou a cair a tiragem da Veja, um dos estratagemas consistia em prorrogar a assinatura, mesmo sem o consentimento do assinante e mesmo sem pagamento. Ou então proceder a uma vasta distribuição de assinaturas. Tudo entrava na conta das assinaturas pagas — a métrica que vale para medir tiragem. O custo da distribuição compensava mais do que a queda proporcional no faturamento publicitário.

No caso das TVs, o agente legitimador é o IBOPE. No último ano houve uma queda radical da audiência da Globo. Há suspeitas no ar de que essa aceleração da queda foi uma espécie de encontro de contas, ante a iminência da entrada de novos medidores de audiência e também da venda do IBOPE para um grupo internacional.

Até então, as agências de publicidade admitiam anunciar apenas em veículos auditados ou pelo IVC ou pelo IBOPE.

Com a Internet, duas barreiras deixaram de existir: a barreira da audiência e a barreira dos medidores de audiência.

A audiência de qualquer site ou blog pode ser auditada em tempo real por sistemas do Google ou por sistemas mais especializados. E o mercado de mídia deixou de ter audiências segmentadas por veículos.

A Internet rompeu definitivamente as barreiras entre a mídia e outros setores. A disputa por públicos passa por sites de compras, portais de entretenimento, grupos religiosos, torcidas de futebol. Todos esses grupos se acotovelam na Internet disputando públicos e publicidade.

O anunciante quer resultados. O que vende mais carro ou imóvel: uma publicidade em jornal impresso, em um site jornalístico ou em um portal especializado? O anúncio de uma geladeira é mais eficaz na página interna de um jornal ou no site de uma loja de departamentos?

Esse é o drama: portais de comércio online ou de outros tipos de audiência passaram a competir no mercado publicitário com os grupos jornalísticos.

O ranking da Alexa (o mais conhecido medidor de audiência em Internet) traz dados surpreendentes sobre o Brasil.

Na lista dos 25 sítios de maior audiência do país, os quatro primeiros são de redes internacionais: Google brasileiro, Facebook, Google internacional, Youtube. Só então aparecem dois brasileiros: Uol e Globo. Na sequência, quatro estrangeiros: Yahoo, Live (antigo Hotmail), Allexpress, Youradexchange. Na 10ª posição o Mercado Livre; na 13ª o Netshoes; na 16ª o Megaoferta. Só então a Abril na 17ª. Por alguma razão não entrou o Buscapé — que tem enorme audiência.

Nos Estados Unidos, os dois últimos bastiões da imprensa — os anúncios de produtos nacionais e os classificados — já migraram para outros veículos digitais.

O monopólio da informação/opinião

O que resta para os grupos de mídia? O último diferencial, exaustivamente explorado por Rupert Murdoch: o uso despudorado do poder de opinião.

O mercado de opinião é composto de diversos subgrupos homogêneos: operadores de direito, igrejas, torcidas de futebol, políticos, militares, sindicalistas, movimentos sociais.

A força maior dos grupos de mídia está na sua influência sobre os grupos centrais de poder: mundo jurídico, político, militar e econômico.

Embora numericamente desimportantes, esses grupos é que decidem políticas econômicas, influenciam decisões judiciais, aprovam leis e controlam o próprio aparelho do Estado — e, através dele, mantem o controle sobre as grandes compras públicas do seu mercado, dentre as quais publicidade, assinaturas, livros didáticos etc., além de regalias no tratamento fiscal, com sucessivos perdões de dívida, inacessíveis às empresas comuns.

Por isso mesmo, é um terreno defendido a ferro e fogo, com uma gana dos antigos coronéis nordestinos.

Dia desses conversava com o presidente de um grande grupo nacional, que já entrou em diversos setores. “Em cada setor, me dizia ele, as empresas já existentes nos tratam como concorrentes. No caso da mídia, qualquer ensaio de entrada e já somos tratados como inimigos”.

Pois justamente esse centro derradeiro de influência foi invadido nos últimos anos pelos zumbidos de um enxame de abelhas, os blogs.

Antes, o mercado de opinião era subdividido entre a linha noticiosa dos jornais e seus colunistas. Nas décadas de 90 e metade de 2.000, ainda sob os efeitos da marcha das diretas e da redemocratização, esse modelo permitiu uma razoável diversidade e uma relativa autonomia dos colunistas.

A partir de 2005 encerrou-se o pacto e os grupos de mídia montaram sua estratégia de guerra, visando a conquista do poder político. Aboliu-se o contraditório dos jornais, o direito de resposta. E passou-se a recorrer às reportagens como armas de guerra, sem preocupação até com a verossimilhança das informações veiculadas.

Esse modelo era de mais difícil aplicação nos anos 90 graças a algum espaço para a metacrítica jornalística. Quando o pacto aboliu as críticas entre jornais e entre colunistas, a imprensa perdeu o rumo. Não havia mais riscos em serem desmascarados mesmo nas matérias mais estapafúrdias.

Perdeu a diversidade e  os grupos de mídia — ainda influentes — passaram a falar para uma audiência restrita e hidrófoba, deixando ao relento os leitores mais qualificados, formadores de opinião.

É aí que surgem os blogs, cumprindo a função do colunismo sem amarras, valendo-se do poder de disseminação de informações da Internet. Basta um blog desmontar uma reportagem da grande mídia para o artigo se espalhar como rastilho pela blogosfera.

Pela primeira vez, a mídia se viu frente a críticos que transitavam na mesma plataforma tecnológica. Antes, o enfrentamento se dava via mimeógrafo, xerox e cartazes.

Estratégias de desqualificação

Os blogs têm audiência e atuam no creme do mercado de opinião: os formadores de opinião, que transitam entre blogs mais à esquerda e mais à direita para formar sua opinião. É um público qualificado, de adultos, bancarizados.

Muitos dos blogs tentam se estruturar como empresas. Como tal, alugam escritórios, contratam jornalistas, contatos publicitários etc.

Os ataques dos jornais — nítido na matéria da Folha — consistem em explorar a desinformação dos seus leitores, tratando o faturamento publicitário como se fosse uma mesada a uma pessoa física e não a compra de um espaço publicitário do mesmo nível daquele oferecido pelos grandes grupos jornalísticos.

Ou então, desqualificando a posição dos blogs. Mesmo que existam críticos do governo, não vale a crítica pontual — ou o elogio pontual. Só se aceita o padrão de guerra total dos grupos de mídia. E não se tolera o contraponto ao que a mídia publica.

Obviamente a desproporção de forças é imensa assim como a força de coerção preservada pelos grupos de mídia.

Tome-se o caso dos Correios em 2013 — com informações extraídas das planilhas da Secom.

Os Correios estão no centro do fogo da Lava Jato. Hoje em dia, é a empresa pública mais vulnerável, com estripulias diversas nas licitações internas, no aparelhamento e no Postalis, seu fundo de pensão.

Jamais mereceu uma reportagem mais aprofundada, apesar de fartamente citado nas declarações de Alberto Yousseff. E essa blindagem é garantida diretamente pela maneira como distribuir suas verbas.

Em 2013, empenhou R$ 544 milhões em verbas publicitárias.

Desse total, destinou R$ 46 milhões para a TV Globo; R$ 3,3 milhões para a Editora Globo; R$ 1,4 milhão para a CBN; R$ 8,6 milhões para os canais a cabo da Globo; R$ 9 milhões para a rádio Globo.

Dentre os impressos, destinou R$ 5 milhões para a revista Veja; para as demais revistas da Abril, mais R$ 2 milhões.

Não incluiu nenhum veículo online alternativo para não incorrer na ira dos grupos de mídia.

Mas não se livrou desse fato da estratégia defensiva da sua diretoria ser apontada, porque não existe mais a blindagem pretendida pelo pacto da mídia.

Luís Nassif
No GGN
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Twitter terá que abrir donos de perfis a Aécio


Uma decisão judicial obtida pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) abre um precedente na internet e obriga o Twitter, uma das redes sociais mais acessadas no mundo, a revelar quem são os nomes de perfis que o associam ao consumo de drogas.

Na ação judicial, Aécio pretendia saber as identidades de 66 perfis no Twitter, mas apenas vinte foram considerados difamatórios, segundo reportagem de Daniela Lima e Alexandre Aragão.

A decisão foi tomada no último dia 12 pelo juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral, de São Paulo. "Inegável que nossa Carta Magna garante expressamente o direito à liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento", escreveu ele, na sentença. "Ocorre que, ao passo que nossa Constituição prestigia os direitos supramencionados, ela também reconhece a importância da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização caso ocorra alguma violação a tais garantias", conclui Amaral.

"O Twitter recorreu alegando que os perfis têm direito a expressar opinião com liberdade e que a quebra representaria censura", informa a reportagem. No entanto, os advogados de Aécio "argumentaram que os usuários formam uma 'rede' paga por adversários para disseminar conteúdo difamatório nas redes sociais."
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Na diplomação de Dilma, Toffoli diz que eleição é 'página virada' e repudia 3º turno


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral Dias Toffoli aproveitou a diplomação da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e do vice Michel Temer (PMDB) para repudiar as tentativas de terceiro turno encampadas pelos partidos de oposição desde que o senador Aécio Neves foi derrotado pela petista em 26 de outubro. Toffoli afirmou que "não há espaço para terceiro turno" e pediu que os "especuladores" de plantão se calem.

"As eleições de 2014, para o Poder Judiciário, são uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que especuladores se calem. Já conversei com a Corte, e esta é a posição inclusive do nosso corregedor-geral eleitoral [João Otávio de Noronha], com quem conversei, e de toda a composição. Não há espaço para, repito, terceiro turno que possa cassar o voto destes 54.501.118 eleitores [que garantiram a vitória de Dilma]", afirmou Toffoli.

A diplomação de Dilma estava agendada para às 19h, segundo informações do TSE, e começou com alguns minutos de atraso. Horas antes, o PSDB informou que entrou com um novo pedido de cassação de Dilma na Justiça Eleitoral. Desta vez, com um diferencial gritante: solicitando a diplomação de Aécio Neves e seu candidato a vice, Aloysio Nunes, no lugar de Dilma e Temer.

Em seu pronunciamento, Dilma afirmou que a eleição não pode ser entendida como uma guerra que produz vencidos e vencedores. "O povo, na sua sabedoria, escolhe quem ele quer que governe e quem ele quer que seja oposição, simples assim. Cabe a quem foi escolhido para governar, governar bem. Cabe a quem foi escolhido para ser oposição, exercer da melhor forma possível o seu papel", disse a presidente.

Com um tom de independência das "amarras partidárias", Dilma ainda avaliou que "mais importante e mais difícil que saber perder, é saber vencer. Quem vence com o voto da maioria e não governa para todos, transforma a força majoritária em um legado mesquinho." 

O TSE destacou, em seu portal, a presença dos ex-presidentes Lula (PT) e José Sarney (PMDB), do presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, do deputado Henrique Alves (PMDB), representando a Câmara Federal, e do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB). A presença de Gilmar Mendes, que julgou as contas de Dilma e do PT, não foi citada pelo Tribunal.

A diplomação na mídia


Nos sites dos jornais O Globo, Estadão e Folha, a diplomação de Dilma e o clima de terceiro turno deram lugar às falas da presidente sobre o combate à corrupção e o caso Petrobras. Exceto na Folha, onde a chamada de destaque era a multa que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pretende aplicar em quem aumentar o consumo de água. O jornal trata a multa - mais uma ação para lidar com as crises dos Sistemas Cantareira e Alto Tietê - de "sobretaxa".

Sobre a Petrobras, Dilma disse que a estatal e o governo vão superar a crise atual, mas que é preciso encontrar um caminho para que as investigações da Lava Jato não signifiquem necessariamente a diminuição da relevância da empresa.

"Temos que saber apurar e saber punir sem enfraquecer a Petrobras, sem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro. Temos que continuar acreditando na mais brasileira das nossas empresas.​"

No GGN



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A tentativa do PSDB de diplomar Aécio e não Dilma

Aécio precisa ser informado de que perdeu
As pessoas se perguntavam nas redes sociais: é piada?

Mas não. Não era.

Pouco antes da diplomação de Dilma hoje, o PSDB solicitou ao TSE o seguinte. Que, em vez de Dilma, Aécio fosse diplomado.

Quer dizer: o PSDB quer cassar mais de 54 milhões de votos.

Há detalhes até engraçados. Você pode imaginar a cena: um mensageiro do PSDB vai em louca correria ao presidente do TSE para entregar-lhe o pedido e, ao chegar a seu escritório, descobre que ele já está diplomando Dilma.

Em quem teria se inspirado o PSDB? No Fluminense, que escapou da segunda divisão no ano passado graças ao tapetão de última hora?

No grande filme de Dustin Hoffman em que ele salva a amada de um casamento torto em plena igreja, quando ela, belíssima em seu vestido de noiva, estava prestes a dizer sim?

O desfecho seria perfeito, como comédia, se no momento em que Toffoli entregava o diploma a Dilma o presidente do PSDB, Aécio, irrompesse na sala e cantasse: “Por favor, pare agora. Senhor juiz, pare agora.”

O final não foi este, e sim o esperado. Dilma foi diplomada e fez um discurso em que sublinhou seu compromisso com a “justiça social”. Falou também num “grande pacto”, de todos os poderes da República, contra a corrupção.

O tempo dirá quanto ela cumprirá da agenda ampla que anunciou nesta noite da diplomação.

Só se poderá julgar o segundo mandato de Dilma com o correr dos longos dias.

Desde já, no entanto, é legítimo dizer que a tentativa do PSDB de colocar o diploma nas mãos de Aécio, e não de Dilma, é um dos capítulos mais patéticos da história política nacional.

O PSDB já não está mais se comportando como um grupo reacionário e disposto a tudo para chegar ao Planalto por quaisquer meios. Está agindo como um bando de lunáticos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 79


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Essa é do Barão... 137


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