18 de dez de 2014

Jornal Nacional altera resultados da pesquisa Ibope-CNI


O Jornal Nacional divulgou na quarta à noite Pesquisa IBOPE-CNI com resultados diversos daqueles que constam no material entregue aos jornais.



A pesquisa é trimestral. Pelo material divulgado pelo IBOPE, foram efetuadas pesquisas em junho, setembro e agora em 8 dezembro.

Pela pesquisa, a aprovação do governo Dilma subiu de 44% para 52% no período.


Já o Jornal Nacional se baseia em uma série histórica não mencionada no material. Menciona pesquisas que teriam ocorrido em 15 de outubro, 23 de outubro e 24 de outubro e, depois, a de 17 de dezembro.

Com isso, em vez de uma recuperação da aprovação de Dilma, o JN apresentou uma suposta queda de  58% para 52%.


O mesmo ocorreu com o dado sobre a popularidade de Dilma.

Pela pesquisa IBOPE-CNI,  o índice de Ótimo-Bom saltou de 31% para 40%; a Aprovação à maneira de governar passou de 44 para 52%; e o Indice de Confiança na presidente de 41% para 51%.


Pelos dados divulgados no Jornal Nacional, a avaliação do governo teria caído de 46% para 40%.

O JN não explicou o motivo para essa discrepância entre os dados oficiais da pesquisa e aquela divulgada por ele.


Luís Nassif
No GGN
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Editor do jornal Estado de Minas é impedido de falar de política

CENSURA
João Paulo Cunha, que trabalhava no jornal há 18 anos, pediu demissão após aviso de que estava proibido de falar de política
Na terça-feira (16) João Paulo Cunha, um respeitado jornalista dos temas cultura e política, pediu demissão de um dos mais tradicionais meios de comunicação de Minas Gerais, o Estado de Minas. A notícia traz à tona a “onda de censura” implantada no jornalismo mineiro, fato comentado, documentado e denunciado por jornalistas mineiros há anos. 

A demissão de João Paulo aconteceu após uma conversa entre ele e a diretoria do jornal, em que a chefia deixou claro que ele não poderia mais escrever de política. Por considerar a atitude uma manifestação de censura sobre o seu trabalho, o jornalista não aceitou continuar no cargo e pediu demissão.

“Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania”, afirma o jornalista. O motivo da censura seria a sua opinião política, diferente da linha adotada pelo jornal, que segundo ele é “francamente explícita a favor de Aécio Neves”. 

No artigo “Síndrome de Capitu”, publicado no suplemento semanal “Pensar” no dia 5, João Paulo criticou a recente movimentação para um golpe político, elaborado pela oposição à presidência, e defendeu a Reforma Política como “agenda prioritária para a sociedade”. “A coluna que ele escreveu deve ter desagradado interesses do jornal e de alguns políticos, que fizeram uma represália a ele”, acredita Kerison Lopes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

“Pensar continua sendo perigoso”

No estado, episódios de censura não têm acontecido apenas nas redações de jornais. A professora Beatriz Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT MG), foi alvo de 17 processos contra uma campanha publicitária sobre a educação mineira. Os processos foram movidos pela coligação do PSDB ao governo do estado. “Em Minas, pensar continua sendo um ato muito perigoso, quase um terrorismo contra o Estado”, afirma Beatriz. 

“Infelizmente, o Estado de Minas perde qualidade e credibilidade com essa atitude”, afirmou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes. Ele conta que, na manhã de quarta-feira (17), dezenas de leitores e jornalistas procuraram o sindicato para dar depoimentos descontentes com a saída de João Paulo. “A gente espera que esse seja o último caso de censura da era tucana em Minas, mas talvez seja o mais emblemático, pelo que João Paulo representa para o jornalismo mineiro”.

Daniel Camargos, jornalista do caderno de política do Estado de Minas, diz que a despedida de João Paulo foi comovente. “Quando ele se despedia das pessoas formou uma imensa roda em torno dele. Todos querendo saber o que havia ocorrido. Ele explicou e a reação final de toda a redação foi levantar e bater palmas”, conta. “Hoje (17) muita gente, mas muita gente mesmo, veio de camisa branca de malha. Uma maneira de homenagear o João Paulo, que se vestia constantemente assim”.

Juarez Guimarães, professor de Ciências Políticas da UFMG, acredita que este seja o caso de censura mais simbólico dos últimos tempos. “A falta de pluralismo dos donos da comunicação de Minas Gerais é uma afronta ao princípio de liberdade que funda a história dos mineiros”.

Entrevista com João Paulo Cunha

Formado em filosofia, psicologia e jornalismo, João Paulo Cunha trabalha há 25 anos como jornalista, sendo 18 deles no jornal Estado de Minas. Atualmente, era editor chefe do caderno de Cultura, além do caderno TV, Divirta-se e do suplemento que circula aos sábados, o Pensar. Em 2011, João Paulo lançou o livro “Em busca do Presente”, com artigos publicados na sua coluna “Olhar”.

Na sua opinião, o que motivou a censura jornalística a você?

O jornal, como todos, tem uma linha editorial própria, sobre a realidade política, social e econômica. Isso é legítimo. Como eu tenho uma linha de pensamento diferente, que discordava do jornal, avisaram que eu estava a partir daquele momento proibido de escrever ideias sobre política.

Pra você, é admissível que donos de um jornal ditem o que os jornalistas vão escrever?

Não. Acho inadmissível que um jornal censure seus profissionais. A luta histórica que tivemos no Brasil é para termos o jornalismo como instrumento de cidadania. Ao censurar a imprensa ou o jornalista, você está tirando dele o mais importante, que é a liberdade de expressão e a possibilidade de trazer várias visões de mundo.

Sempre há denúncias de que há censura no Estado de Minas, inclusive durante as eleições. Isso realmente acontece?

Na minha área de trabalho, que é a cultura, nunca tive nenhum tipo de cerceamento com relação aos conteúdos. Mas ficou nítida nessa última eleição uma linha explícita a favor de Aécio Neves, sempre positivando as ações dele, e críticas e negativas a Dilma Rousseff. Hoje há um nítido direcionamento, que favorece Aécio. 

Por que isso prejudica o jornalismo?

A base do nosso trabalho é ampliar a capacidade das pessoas de se relacionar com o mundo, para tomar suas decisões da melhor forma e viver em sociedade. Quanto mais informação ele divulga, maior o compromisso do jornal com a sociedade. Se você limita as ideias a apenas uma posição, você está impedindo que o jornalismo faça o que é sua função essencial: levar informação de qualidade, reflexão e visão de mundo plural pra todas as pessoas.

No Brasil de Fato
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Golpismo, "Comunismo", Hipocrisia e Reforma Política

http://www.maurosantayana.com/2014/12/golpismo-comunismo-hipocrisia-e-reforma.html


Nas últimas semanas, insatisfeitos com o resultado das eleições, golpistas que nos últimos anos praticavam seu ódio à democracia e às instituições pela internet têm convocado caminhadas pelo país, pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff ou intervenção militar.

Para tentar derrubar o governo, os novos golpistas fazem como fizeram os que os antecederam na história brasileira, que praticamente mataram Getúlio em 1954, tentaram inviabilizar Juscelino Kubitschek em 1955 e derrubaram João Goulart em 1964.

Apelam para o tosco, velho e surrado discurso anticomunista da época da Guerra Fria, que justificou crimes como os milhares de civis mortos e torturados no Chile, na Argentina, na Indonésia, e em conflitos prolongados e estéreis como a Guerra do Vietnã.

Dizer que é comunista um país em que o sistema financeiro lucra bilhões, em que as multinacionais fazem o mesmo e remetem fortunas para o exterior, em que qualquer cidadão pode montar um negócio a qualquer momento, com ajuda do governo e de instituições, como o Sebrae, e em que nossos armamentos são produzidos em estreita cooperação com empresas inglesas, norte-americanas, francesas, suecas, israelenses, é tremenda hipocrisia.

À oposição institucional cabe também agir com responsabilidade. Caso fosse adiante um pedido de impeachment, ou caso viesse a ser impedida por outras manobras a diplomação de Dilma Rousseff, a ascensão do vice Michel Temer à Presidência da República corroeria, em vez de ajudar, as chances de Aécio Neves de chegar ao Palácio do Planalto em 2019. E na remotíssima possibilidade de os golpistas terem sucesso por outros meios, jamais entregariam o poder ao ex-governador mineiro. Os mais radicais o desprezam e desconfiam de seu discurso anti-petista.

O problema do Brasil não é comunismo, como apregoam essa minoria extremista e alguns golpistas de plantão, em seus comentários nos portais e redes sociais. O que põe a opinião pública em estado de perplexidade é a corrupção. Esse mal nasce de uma acumulação histórica de defeitos no universo político, como o clientelismo e o fisiologismo, que vêm desde o Brasil Colonial. Sua raiz está na busca permanente do poder, por partidos e candidatos, e da necessidade de fontes de financiamento para suas campanhas. No caso da Petrobras, o próprio Ministério Público declarou que o esquema funciona desde 1999 – logo, ainda antes da chegada do PT ao poder.

Quando das manifestações de junho de 2013, Dilma lembrou a necessidade de reformas que tirassem o país da dependência desse quadro de relações incestuosas entre o governo e o Congresso, e de se criarem mecanismos que permitissem maior espaço para a população manifestar seus anseios e interesses. Suas teses, no entanto, não prosperaram no Legislativo. Agora, que a reforma política volta à tona, o que importa é saber se teremos uma de fato, ou se uma reforma de faz de conta, comandada pelos grupelhos de sempre, com mudanças cosméticas para enganar a população.

O caixa dois não é mais do que uma extensão do financiamento eleitoral privado, e legal. O menos citado caixa um, que poderia ser suprimido por meio do financiamento público de campanhas, como prevê a proposta de reforma política defendida por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e tantas outras entidades e movimentos com representação em amplos setores sociais.

No meio desse processo estão pilantras que aparecem para viabilizar “negócios” e “acertos”, extorquem recursos de empresas e irrigam, com parte dos recursos auferidos, candidatos e partidos. Eles não agem em nome do interesse público ou partidário, não são “azuis” ou “vermelhos”, nem “golpistas” nem “comunistas”. Se existisse um termo exclusivo para defini-los, seria simplesmente “corruptistas”, ladrões que se aproveitam das distorções históricas do atual sistema político.
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Os dois lados

Na reação ao relatório da Comissão da Verdade sobre as vítimas da ditadura, afirma-se que, para ser justo, ele deveria ter incluído o outro lado, o das vítimas da ação armada contra a ditadura.

Invoca-se uma simetria que não existe. Nenhum dos mortos de um lado está em sepultura ignorada como tantos mortos do outro lado.

Os meios de repressão de um lado eram tão mais fortes do que os meios de resistência do outro que o resultado só poderia ser uma chacina como a que houve no Araguaia, uma estranha batalha que — ao contrário da batalha de Itararé — houve, mas não deixou vestígio ou registro, nem prisioneiros.

A contabilidade tétrica que se quer fazer agora — meus mortos contra os teus mortos — é um insulto a todas as vítimas daquele triste período, de ambos os lados.

Mas a principal diferença entre um lado e outro é que os crimes de um lado, justificados ou não, foram de uma sublevação contra o regime, e os crimes do outro lado foram do regime.

Foram crimes do Estado brasileiro. Agentes públicos, pagos por mim e por você, torturaram e mataram dentro de prédios públicos pagos por nós. E, enquanto a aberração que levou a tortura e outros excessos da repressão não for reconhecida, tudo o que aconteceu nos porões da ditadura continua a ter a nossa cumplicidade tácita.

Não aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda a nação para os porões da tortura é desonesto.

O senador John McCain é um republicano “moderado”, o que, hoje, significa dizer que ainda não sucumbiu à direita maluca do seu partido.

Foi o único republicano do Congresso americano a defender a publicação do relatório sobre a tortura praticada pela CIA, que saiu quase ao mesmo tempo do relatório da nossa Comissão da Verdade.

McCain, que foi prisioneiro torturado no Vietnã, disse simplesmente que uma nação precisa saber o que é feito em seu nome.

O relatório da Comissão da Verdade, como o relatório sobre os métodos até então secretos da CIA, é um informe à nação sobre o que foi feito em seu nome. Há quem aplauda o que foi feito. Há até quem quer que volte a ser feito. São pessoas que não se comovem com os mortos, nem de um lado nem do outro. Paciência.

Enquanto perdurar o silêncio dos militares, perdura a aberração. E você eu não sei, mas eu não quero mais ser cúmplice.

Luís Fernando Veríssimo
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Transparência, mas nem tanto


Há sempre um pressuposto por trás da edição de um jornal? Sim, mas nem sempre é fácil descobrir a intenção que se dissimula num conjunto de notícias e textos opinativos. Eventualmente, a notícia se revela como um mero artifício para que seja publicada uma opinião existente a priori. No entanto, para a maioria dos leitores, ouvintes ou telespectadores, o produto jornalístico não passa de entretenimento, substrato para conversas de botequim, o que torna superficial sua interpretação.

Na imprensa brasileira, o partidarismo passou a dominar de tal maneira a atividade jornalística que as intenções vêm quase sempre adiante da informação propriamente dita. Nos dias em que um ou mais acontecimentos importantes distraem a atenção do público, é mais fácil fazer passar opinião por notícia, como aconteceu na quinta-feira (18/12), data em que se anuncia o reatamento histórico de relações entre Estados Unidos e Cuba.

Mesmo nas extensas reportagens especiais preparadas para anunciar a decisão, os três diários de circulação nacional apenas registram um dos aspectos econômicos do acordo entre americanos e cubanos mais interessantes para o Brasil: a importância que passa a ter o porto de Mariel, cuja reforma e expansão é financiada pelo governo brasileiro. Os jornais só citam o acerto da iniciativa brasileira porque a presidente Dilma Rousseff fez uma declaração sobre o valor estratégico dessa obra.

Apenas o Estado de S. Paulo deu maior destaque aos possíveis benefícios que a reaproximação entre Estados Unidos e Cuba poderá trazer ao Brasil, anotando, entre opiniões negativas, que o fato de o governo brasileiro ter procurado amenizar os efeitos do bloqueio americano à ilha terá grande peso nas futuras importações dos cubanos.

Pode-se apostar que não apenas as viagens turísticas de brasileiros, como as compras de medicamentos cubanos e o acordo que trouxe profissionais daquele país para trabalhar no programa Mais Médicos, têm consolidado uma relação que deverá trazer resultados conforme se ampliar a abertura de negócios em Cuba.

Jornais falsos

Esses aspectos do provável fim do bloqueio imposto a Cuba durante 53 anos estão ausentes ou escondidos em meio ao noticiário e às análises sobre o evento histórico – alcançado, em grande parte, pela intermediação do Vaticano.

Mas não é apenas e principalmente nas grandes coberturas que se pode constatar a manipulação de informações em favor de uma opinião dos editores. Apanhemos, por exemplo, uma reportagem da Folha de S. Paulo, publicada na véspera, que dá sequência à divulgação dos gastos do governo brasileiro e suas estatais com publicidade (ver “A mão que alimenta a mídia”). Na edição de quinta-feira (18), a Folha traz uma continuação desse relato, intitulada “Estatais destinaram R$ 1,3 milhão para jornais-fantasmas”.

À primeira leitura, passa-se a ideia de que foi a iniciativa do jornal paulista, ao exigir na Justiça mais transparência para os gastos oficiais com publicidade, que permitiu descobrir o golpe perpetrado por um empresário, que registrou cinco títulos fictícios para receber verbas oficiais. A Folha publica como novidade que “as principais estatais federais” direcionaram, de 2004 a 2012, verba de propaganda para jornais que não existem.

Na verdade, a fraude foi descoberta em 2012 e naquela ocasião a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República pediu instauração de inquérito na Controladoria Geral da União e na Polícia Federal para apurar as atividades da Laujar Empresa Jornalística Ltda. Lá pelo meio da reportagem, o leitor fica sabendo que a empresa recebeu em 2012 um total de R$ 135,6 mil reais dos cofres federais; se prestar atenção, vai tomar conhecimento de que a empresa dos jornais fictícios também recebeu publicidade do governo paulista, durante a gestão de José Serra, no total de R$ 309,1 mil.

Não foi a ação judicial movida pela Folha, que obrigou o governo federal a adotar mais transparência nos seus gastos com publicidade, que expôs o falsário, mas ela produz como efeito colateral não apenas a possibilidade de revelar desvios na esfera federal e no âmbito dos estados e municípios, mas também cria a possibilidade de investigar as relações de todos os poderes com a imprensa brasileira.

Mas será que as empresas de comunicação querem toda essa transparência? Não poderia ser um tiro pela culatra?

Luciano Martins Costa
No OI
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O embargo de Cuba e as dificuldades de uma mídia cucaracha


Não há nada de mais "bolivariano", "cucaracho" no Brasil do que os grupos de mídia. Espelham-se nas técnicas, no aspecto gráfico dos países desenvolvidos, mas reproduzem, em todo seu subdesenvolvimento, seus congêneres sul-americanos, especialmente os venezuelanos.

Nasceram para ser Hearst, não Pullitzer.

Quando um país alcança determinada posição internacional, a diplomacia e a geopolítica tornam-se peças intrínsecas no seu planejamento estratégico. E o chamado jornalismo de opinião participa com discussões aprofundadas da elaboração e refinamento das estratégias.

De certa forma, houve os primeiros ensaios nos anos 70, quando os "barbudinhos" do Itamarati sonharam em criar uma zona de influência brasileira na África e na América Latina. Nos últimos anos, tentativas de investida na África, Oriente Médio e ampliação da influência na América Latina.

A lógica da diplomacia comercial é fria e objetiva. Críticas e apoio devem levar em conta essa dimensão e não essa bobagem de considerar que apoio a determinados países signifique endosso a todas suas práticas.

Um país estabelece afinidades diplomáticas com outros. O passo seguinte é transformar a afinidade em relações comercias e estratégias geopolíticas. É quando a mera afinidade começa a render frutos. O peso de um país, na diplomacia internacional, é diretamente proporcional ao número de países que consegue  influenciar.

Nos últimos anos, o governo Dilma abandonou a ofensiva diplomática. Mas o Brasil já havia conseguido estender sua influência sobre a América Latina, África e Oriente Médio e com bons frutos comerciais. A Venezuela tornou-se a maior compradora de produtos brasileiros, aumentaram as exportações para o Oriente Médio e empreiteiras e agronegócio brasileiros ccomeçaram a entrar na África.

Em países com imprensa desenvolvida, os jornais ajudariam a discutir os aspectos da estratégia diplomática, as perdas e ganhos de cada opção no campo internacional e comercial.

Por aqui, virou Fla x Flu primário, tatibitate, como se, estreitando relações comerciais com a Venezuela, ou a Bolívia, o Brasil importaria, também, as ideias "cucarachas" — para usar o termo do lord José Serra.

Criou-se um falso dilema: ou a Venezuela ou os Estados Unidos.

Ora, mesmo que o país decida se alinhar diplomaticamente com os Estados Unidos, nosso maior trunfo seria o aumento da influência na América Latina. Esse sempre foi o sonho do Departamento de Estado: um país aliado incumbindo-se da geopolítica continental, desobrigando-o dessas responsabilidades.

Essa estratégia ficou congelada. Da parte do governo Dilma, pela indiferença em relação ao tema; do lado da mídia, para poder explorar até o último limite o padrão Murdok de produto jornalístico.

A lógica dos grupos de mídia é eminentemente comercial. Vale para a chamada imprensa sensacionalista e vale para o jornalismo de opinião. Ao contrário de países desenvolvidos, eles não se sentem co-partícipes na construção de políticas públicas.

Cada tema é analisado como "produto" comercial para entrega imediata. Embrulham o tema em retórica de fácil aceitação para seu público. Se o público engoliu a história da "bolivarização" que lhes seja entregue o produto, da mesma maneira que jornais sensacionalistas entregam mulheres peladas na capa.

Foi assim com a estratégia brasileira para Cuba. Desde o início, o objetivo foi explicitado: conquistar espaço na reconstrução da economia cubana, assim que o embargo econômico fosse levantado.

Agora, saúda-se o tirocínio brasileiro. O efeito-manada ordena que seja louvado por alguns dias. Depois, toca a retomar o tema da bolivarização novamente.

Luís Nassif
No GGN
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A vitória dos bons princípios


Reestabelecimento de relações EUA-Cuba mostra que governo brasileiro tinha razão em respeitar soberania de povos e países

Depois de passar meio século em operações sombrias para derrubar o governo nascido da revolução de Sierra Maestra por todos os meios ao alcance do império, Washington tomou uma medida de acordo com o estágio de civilização criado pela formação dos Estados Nacionais, lá pelos séculos XVIII-XIX.

Anunciado ontem, o reatamento de relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba tem uma utilidade suplementar no Brasil: coloca em seu devido lugar o anti-comunismo primitivo que fez uma grande aparição na da última campanha presidencial.

Tornou-se ainda mais agradável, agora, dar boas risadas diante do folclore diplomático que permitiu Aécio Neves, em pleno século XXI, atacar os “médicos cubanos” que tratam da população pobre do Brasil como se fossem agentes disfarçados do Comintern dos Partidos Comunistas dos anos 30.

Mais divertido ainda é lembrar o tom de ironia provinciana, empregado para falar dos investimentos — com retorno óbvio para o país — no porto de Mariel: “Finalmente a presidente Dilma inaugurou a primeira grande obra de seu governo, pena que em Cuba“.

Para os brasileiros, está claro que o porto de Mariel não foi apenas um bom negócio para empresas brasileiras — será o principal ponto de vendas de Cuba para os Estados Unidos, que irão crescer cedo ou tarde –, e ajudou a criar e manter empregos no país, e acima de tudo traduziu uma visão diplomática acertada.

Apesar de seu caráter essencialmente risível, que a colocou de braço dado com os exilados de Miami, a postura do PSDB refletiu o conservadorismo de matriz norte-americana que tornou-se fonte recente de inspiração de largas fatias do partido. Nascida nos ninhos à direita do Partido Republicano, essa visão alimenta o extremismo conservador dos exilados de Miami. Prega um tratamento agressivo do governo de Raul Castro, fecha portas a toda negociação produtiva e propõe o isolamento forçado do regime, inclusive pela manutenção de um embargo odioso, na perspectiva de uma restauração da economia de mercado capaz de eliminar vestígios e conquistas da revolução.

Numa postura em linha de continuidade com a escola diplomática civilizada, que prega o respeito a soberania dos povos como o princípio básico para a convivência pacífica entre países, o governo Lula-Dilma fez a aposta inversa. Cansou de tomar porrada de sábios que dão plantão na TV.

Vê-se agora quem estava com a razão — num debate que tem raízes em nosso passado político, também.

O rompimento dos Estados Unidos com o regime de Fidel Castro sempre será lembrado como um lance grave e decisivo na história do Continente. Está na origem do apoio de Washington ao ciclo de ditaduras militares latino-americanas, inclusive o golpe de 64 que derrubou João Goulart.

Convencido — de verdade — que a revolução de Fidel poderia transformar-se num exemplo a ser seguido em países de maior peso geo-político e potencial econômico, quebrando o domínio dos EUA sobre a região, a Casa Branca deu um curso de natureza colonial a sua diplomacia, aos negócios e às operações militares. Formulou estratégias de desenvolvimento dependente. Construiu programas para formação de lideranças políticas em suas universidades. Abriu o cofre para promover investimentos junto a aliados que se mostrassem fiéis e mobilizou agências de publicidade para garantir uma cobertura favorável nos jornais.

Acima de tudo, Washington abandonou os próprios pruridos democráticos, ajudando a erguer ditaduras notórias pela crueldade. O que estava em jogo, em toda parte, era enfraquecer a soberania de cada país — e era por esse critério que a Casa Branca escolhia aliados e inimigos.

No livro” João Goulart, “o historiador Jorge Ferreira explica que João Goulart não passou a ser considerado um inimigo regional por Washington em função de seu discurso à esquerda, nem por causa da reforma agrária, nem mesmo pelos interesses das empresas norte-americanas ameaçados pela lei de remessa de lucros. O problema, avalia o historiador, ocorreu em 1962, um ano depois da fracassada invasão da baía dos Porcos, promovida pela CIA. John Kennedy “escreveu uma carta a João Goulart, propondo a invasão da ilha, com a participação do militares brasileiros.” Contrariado, Jango respondeu que o Brasil sempre reconheceu a todos os países “independente de seus regimes ou sistemas de governo, o direito de soberanamente se autodeterminarem.” Indo um pouco além, Jango insistiu no “legítimo direito de Cuba se defender de possíveis agressões, partissem de onde partissem.” Em função dos mísseis soviéticos, Jango concordou com o bloqueio militar a Cuba mas sua oposição a toda intervenção militar levou Kennedy a se afastar definitivamente do presidente brasileiro. “A posição brasileira na crise dos mísseis foi intolerável para Kennedy,” escreve Jorge Ferreira.

Durante uma visita ao país, na mesma época, o Secretário de Justiça Robert Kennedy, irmão do presidente americano, propôs “financiamento em troca de alinhamento político.” Também disse que a Casa Branca temia que a política externa brasileira se tornasse “sistematicamente antiamericana” e, sem maiores pudores, reclamou em tom de acusação que Jango mantinha “comunistas” no governo. Também mostrou-se preocupado com o esforço do governo brasileiro em ampliar seu comércio com países do bloco socialista. Ofendido, Goulart deixou claro que eram assuntos que diziam respeito ao próprio país, “não comportando interferências de nações estrangeiras.”

Medidas banais de cooperação de Jango, como uma estação de energia a óleo diesel que Goulart mandara de presente para os cubanos — uma espécie de porto de Muriel de meio século atrás, não é mesmo? — reforçaram no presidente norte-americano a certeza de que o próprio Jango se tornara “um perigo para a segurança nacional” dos Estados Unidos.

Não custa notar que essa postura independente não assegurou a Jango um tratamento preferencial por parte do governo cubano. Uma das crises mais desconcertantes daquele período envolveu a descoberta de que, apesar dos gestos simpáticos do presidente, Havana sustentava, com armas, dinheiro e treinamento, grupos armados que pretendiam iniciar guerrilhas contra seu governo.

Foi nesse ambiente que Washington e Havana romperam relações diplomáticas. Carlos Lacerda, o mais estridente adversário civil de Goulart, definiu a derrota da invasão da baia dos Porcos, apenas três meses depois da posse de Kennedy, como uma “catástrofe para o mundo livre”. Num texto escrito para apresentar um livro que reunia vários discursos do presidente americano, Lacerda apontou o dedo para Fidel e perguntou: “o que fazer diante deste provocador internacional?” Após o golpe de 64, como se sabe, o Brasil rompeu relações com Cuba, que só seriam retomadas após a democratização.

Não é difícil identificar as raízes ideológicas de quem passou os últimos anos no camarote de onde só partiam críticas a diplomacia brasileira, vamos combinar.

Cabe registrar, de qualquer modo, um dado interessante. Obama tomou posse falando em aproximar-se de Cuba e chegou a prometer novas relações no Continente num encontro diplomático em Trinidad-Tobago, um de seus primeiros eventos internacionais. Em seguida, recolheu-se à aquele universo morno que tem mercado seus dois mandatos.

O reatamento de relações diplomáticas merece aplauso, ainda que a preservação do embargo seja lamentável.

É obrigatório notar que, neste período, o Brasil consolidou-se como principal lider regional naquela parte da América que se encontra abaixo do Rio Grande. Enquanto o México era aplaudido pela adesão ao Nafta, o Brasil ocupou um lugar próprio, reconhecido pelos principais vizinhos. Tornou-se interlocutor e mediador de conflitos, ocupando um espaço que a diplomacia norte-americana deixara vazio. Aproximando-se de Cuba, Barack Obama faz um novo movimento no tabuleiro do continente americano. O futuro dirá as consequências deste lance.

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Para Chomsky, aqui se articula o terror mundial

Intelectual dissidente analisa campanhas de sabotagem deflagradas pelos EUA contra Angola, Cuba e Nicarágua. E alerta: Washington continua a desestabilizar adversários
“É oficial: os EUA são o maior Estado terrorista do mundo e se orgulham disso”.

Essa deveria ter sido a manchete da notícia principal do New York Times no dia 15 de outubro, que foi polidamente intitulada “Os Estudos da CIA sobre ajuda secreta alimentam ceticismo sobre a ajuda aos rebeldes sírios”. O artigo relata uma revisão da CIA sobre as operações secretas dos EUA para determinar sua efetividade. A Casa Branca concluiu que infelizmente os sucessos foram tão raros que é necessário repensar essa política.

O texto cita o Presidente Barack Obama, dizendo que ele solicitou à CIA que conduzisse a revisão para encontrar casos de “financiamentos e fornecimento de armas para grupos insurgentes em um país que realmente tenham funcionado. E eles não encontraram muitos”. Por isso, Obama reluta em manter tais esforços.

O primeiro parágrafo do artigo do Times cita três grandes exemplos de “ajuda secreta”: Angola, Nicarágua e Cuba. Na verdade, cada um desses casos foi uma grande operação terrorista conduzida pelos EUA. Angola foi invadida pela África do Sul, que, segundo Washington, defendia-se de um dos “maiores grupos terroristas” do mundo – o Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela.

Na época, o governo Reagan estava praticamente sozinho no seu apoio ao regime do apartheid, inclusive violando sanções do congresso para aumentar o comércio com seu aliado sul africano. Washington juntou-se à África do Sul para prover apoio crucial ao exército terrorista da Unita, chefiada por Jonas Savimbi, em Angola. Continuou a fazê-lo mesmo depois de Savimbi ser completamente derrotado em eleições livres cuidadosamente monitoradas, e da África do Sul retirar seu apoio. Savimbi era um “monstro cuja sede de poder trouxe uma miséria apavorante ao seu povo”, nas palavras de Marrack Goulding, embaixador britânico em Angola.

As consequências foram horrendas. Um inquérito de 1989 da ONU estimou que os atos hostis praticados por sul-africanos provocaram 1,5 milhão de mortes nos países vizinhos, sem contar o que estava acontecendo internamente na África do Sul. Ao fim, forças cubanas contra-atacaram os agressores sul-africanos e os compeliram a se retirar da Namíbia, ilegalmente ocupada. Apenas os EUA continuaram a apoiar o monstro Savimbi.

Em Cuba, após a invasão frustrada da Baía dos Porcos em 1961, o Presidente John F. Kennedy lançou uma campanha assassina e destrutiva para levar “os terrores da terra” à ilha – nas palavras de um íntimo aliado de Kennedy, o historiador Arthur Schlesinger, em sua biografia semi-oficial de Robert Kennedy, a quem foi atribuída a responsabilidade pela guerra terrorista.

As atrocidades contra Cuba foram severas. Os planos eram de que o terrorismo culminasse em uma rebelião em outubro de 1962, que levaria a uma invasão estadunidense. Agora, estudos acadêmicos reconhecem que essa foi uma das razões pelas quais o primeiro-ministro russo Nikita Khruschev colocou mísseis em Cuba, iniciando uma crise que ficou perigosamente próxima de uma guerra nuclear. O secretário de Defesa dos EUA, Robert McNamara posteriormente admitiu que, se fosse uma liderança cubana na época, “teria esperado uma invasão dos EUA”.

Os ataques terroristas americanos a Cuba continuaram por mais de 30 anos. O custo disso aos cubanos foi, é claro, muito grave. A contagem de vítimas, dificilmente vista nos EUA, foi relatada em detalhes pela primeira vez em um estudo do canadense Keith Bolender, “Vozes do Outro Lado: Uma História Oral do Terrorismo Contra Cuba”, em 2010.

O preço em vidas de uma longa guerra terrorista foi ampliado por um embargo esmagador, que continua até hoje, a despeito do resto do mundo. Em 28 de outubro, a ONU, pela 23ª vez, endossou a “necessidade de dar um fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba”. A votação foi de 188 a 2 (EUA e Israel) com três abstenções, das dependências dos EUA nas Ilhas do Pacífico.

Existe hoje alguma oposição ao embargo em lugares importantes dos EUA, relata o ABC News, por que ele “não é mais útil” (citando o novo livro de Hillary Clinton, Hard Choices). O estudioso francês Salim Lamrani revisa os amargos custos aos cubanos em seu livro de 2013, A Guerra Econômica Contra Cuba.

Quase não é necessário mencionar Nicarágua. A guerra terrorista do presidente Ronald Reagan foi condenada pela Corte Internacional, que ordenou que os EUA encerrassem seu “uso de força ilícito” e pagassem reparações substantivas.

Washington respondeu aprofundando a guerra e vetando resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1986, que chamava todos os Estados – significando os EUA – a observarem a lei internacional.

Outro exemplo de terrorismo foi lembrado em 16 de novembro, data do 25º aniversário do assassinato de seis padres jesuítas em São Salvador por uma unidade terrorista do exército salvadorenho, armada e treinada pelos EUA. Sob as ordens do alto comando militar, os soldados invadiram a Universidade Católica para assassinar os padres e qualquer testemunha – incluindo uma governanta e sua filha.

O evento marcou o fim das guerras terroristas dos EUA na América Central nos anos 80. Mas seus efeitos ainda estão nas primeiras páginas de hoje, nos relatos sobre a fuga de “imigrantes ilegais” — uma medida das consequências dessa carnificina. No entanto, eles são deportados dos EUA para sobreviverem, se puderem, nas ruínas dos seus países de origem.

Washington também emerge como o campeão mundial em gerar terror. O ex-analista da CIA Paul Pillar alerta que “o impacto gerador de ressentimentos dos EUA atinge” a Síria, onde talvez induza, no futuro, as organizações do Jihad Jabhat al-Nusra e o Estado Islâmico a “reparar suas falhas no ano passado e fazer campanha em conjunto contra a intervenção dos EUA, pintando-a como uma guerra contra o Islã”.

Essa é uma consequência já familiar das operações dos EUA, que ajudaram a espalhar o jihadismo — antes restrito a um reduto do Afeganistão, — para grande parte do mundo.

A manifestação do jihadismo mais alarmante hoje é o Estado Islâmico, ou ISIS, que estabeleceu seu califado assassino em grandes áreas do Iraque e da Síria.

“Penso que os Estados Unidos são um dos criadores chave dessa organização”, relata o ex-analista da CIA, Graham Fuller, comentarista destacado sobre assuntos na região. “Os Estados Unidos não planejaram a formação do ISIS”, acrescenta “mas suas intervenções destrutivas no Oriente Médio e a guerra do Iraque foram as causas básicas do nascimento do ISIS”.

A isso nós podemos incluir a maior campanha terrorista do mundo: o projeto global de assassinato de “terroristas” de Obama. O “impacto gerador de ressentimento” desses drones e ataques de forças especiais deveriam ser conhecidos demais para requerer mais comentários. Esse é um registro a ser contemplado com certo pavor.

Noam Chomsky | Tradução: Mariana Bercht
No Outras Plavras
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Boaventura: a Terceira Guerra é contra a Rússia

Washington provoca Moscou em três frentes, atiça possível conflito nuclear e ignora opinião da sociedade norte-americana. Em nome da “democracia”?

Bombardeiro B-52 equipado com armas atômicas.
Para Boaventura, “várias agências de segurança [norte-americanas]
fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear”
Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da UE. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 a Resolução 758, que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação da Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.

Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela e Irã). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.

O segundo componente é controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em Fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland, “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagámos para isso”. O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitima a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo midiático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em Fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?

Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando uma discrepância semelhante ou maior separa os cidadãos dos seus governos e da Comissão da UE, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

Boaventura de Sousa Santos
Do Outras Palavras
No CartaCapital
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Aviões dos Estados Unidos entregam carregamento de armas aos terroristas do EIIL

EUA forneceram armas para o grupo terrorista EIIL, na cidade iraquiana de Tal Afar, a oeste da capital da província de Nínive, Mosul, que se tornou desde junho último reduto do grupo terrorista, de acordo com um parlamentar árabe.

Três aeronaves US transportando armas avançadas, roupas e alimentos para EIIL, desembarcaram no aeroporto de Tal Afar, relatou neste domingo (14) Nahla Al-Hababi, o representante da província de Nínive no parlamento iraquiano.

Al- Hababi, sem especificar datas exatas, explicou que os desembarques ocorreram em três ocasiões separadas e forneceram aos terroristas uma grande quantidade de armas, que seria suficiente para armar um grande exército.

O parlamentar iraquiano observou que uniformes militares entregues aos membros do Estado Islâmico são muito semelhantes aos usados ​​por peshmerga (forças curdas iraquianas) e, possivelmente, será usadas em ataques contra estes combatentes.

Mais cedo, o presidente da Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento iraquiano, Hakem al-Zameli, teve revelou aterrisagem de aviões dos EUA no aeroporto de Tal Afar para fornecer armas para EIIL.

Um vídeo divulgado no dia 21 de outubro mostrou que os membros EIIL assumiram algumas das armas e equipamentos médicos lançadas por aviões norte-americanos. UU. Que seria destinada para as forças curdas que defendem a cidade síria de fronteira Kobani com a Turquia.

Os analistas políticos questionam os verdadeiros objetivos da nova intervenção militar dos EUA no Oriente Médio sob o pretexto de combater o Estado Islâmico, um grupo extremista que de acordo com vários documentos foi criado inicialmente apoiado por Washington e seus aliados ocidentais e regionais.

Tradução: Valter Xéu
Do Hispan TV
No IrãNews
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Governador Arnaldo Melo (MA) concede pensão de R$ 25 mil a Roseana Sarney


Está explicada a razão pela qual Roseana Sarney tinha tanta urgência em deixar o Palácio dos Leões antes do final do mandato de governadora.

De acordo com o Diário Oficial do Estado, uma das primeiras providências do governador-tampão, Arnaldo Melo (PMDB), foi conceder pensão vitalícia de quase R$ 25 mil à antecessora.

A decisão foi publicada em 12 de dezembro, dois dias após a renúncia da filha do oligarca José Sarney.

A ex-governadora já é aposentada como servidora da gráfica do Senado Federal, recebendo salário de quase R$ 21 mil.

Com o acúmulo dos dois vencimentos, ela ganhará pelo menos R$ 46 mil mensais, valor superior ao subsídio pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o teto do funcionalismo público.

No São Mateus em off
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Como o governo do PT banca a pior mídia do planeta


O recente levantamento publicado pela “Folha de S.Paulo” sobre despesas de publicidade do governo federal, nos últimos 14 anos, 12 dos quais sob o comando do PT, é, ao mesmo tempo, um espanto estatístico e um desalento político.

Foram 15,7 bilhões de reais despejados, prioritariamente, em veículos de comunicação moralmente falidos e explicitamente a serviço das forças do atraso e da reação. Quando não, do golpe.

O mais incrível é que 10 entre 10 colunistas cães de guarda da mídia não perdem a chance de abrir a bocarra para, na maior cara de pau, acusar blogueiros de receber dinheiro do governo para falar bem do PT.

Ainda que fosse verdade (99% dos blogueiros não recebem um centavo de ninguém), ainda assim, não seria injusto.

Isso porque somente a Globo recebeu 5 bilhões de reais dos cofres públicos para, basicamente, falar mal do PT. Nada menos que 1/3 de todo dinheiro gasto com publicidade pelo governo federal.

E se pode, ainda, colocar mais 1 bilhão de reais por fora, valor atualizado da sonegação de impostos com a qual a Globo está envolvida.

Sem falar na Editora Abril, responsável pelo esgoto da revista Veja.

Apesar do histórico de invencionices, o balcão dos Civita faturou quase 300 milhões (!!) de reais de grana do contribuinte para produzir lixo tóxico disfarçado de jornalismo.

Isso significa que o negócio do jornalismo no Brasil, sempre tão ávido em apontar o dedo para o governo, simplesmente, não vive sem o dinheiro da Viúva.

Esse levantamento reforça a tenebrosa impressão de que os governos do PT foram definitivamente dominados pelos oligopólios da mídia de forma a garantir-lhes renda líquida e necessária, mesmo que a contrapartida seja a fatura conhecida de todos: calúnia, difamação, injúria, mentiras, boatos, assassinatos de reputação e ataques editoriais.

Por essa razão, tornou-se imperiosa a necessidade de se fazer, imediatamente, uma revisão geral dos critérios de aplicação de publicidade oficial nessas máquinas privadas de sucção de dinheiro público.

Em um mundo virtual, onde a comunicação de rede trabalha com audiência de milhões de pessoas em torno de um único post nas redes sociais, tornou-se totalmente obsoleto o tal “critério técnico”, seguido como evangelho pelo governo federal.

Está bem claro quem são os beneficiários dessa armadilha burocrática mantida intacta pelo Palácio do Planalto.

E, é bom que se diga, isso nada tem a ver com regulação da mídia, nem se inclui em qualquer dessas falsas polêmicas relativas a liberdade de imprensa e de expressão — tão caras a moralistas e hipócritas a soldo das empresas de comunicação.

Trata-se de acabar com um sorvedouro de dinheiro público.

Leandro Fortes
No DCM
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O retrógrado relator do novo Código Penal

Relator aceita mudar conceito de trabalho escravo a pedido de ruralistas

O relator da reforma do Código Penal na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, Vital do Rêgo (PMDB-PB), acatou as emendas que mudam o conceito de trabalho escravo, diminuindo a possibilidade de punição a quem se utiliza dessa forma de exploração de mão de obra e reduzindo direitos dos trabalhadores.

A proposta, que altera o conteúdo do artigo 149, que trata desse crime, está programada para ir à votação nesta quarta (17), na CCJ, com o restante do novo Código Penal. Depois, ela precisará ainda ser aprovada no plenário.

Contemplando as sugestões dos senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), o novo texto exclui as condições degradantes de trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais ou que coloquem em risco a saúde e a vida do trabalhador) e a jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo e sistemático que acarreta danos à sua saúde ou risco de morte) como elementos definidores de trabalho análogo ao de escravo.

Ou seja, se não forem comprovados o trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e a servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente uma dívida e por ela fica preso), os outros elementos que hoje, também caracterizam trabalho escravo, o empregador não será responsabilizado pelo crime.

Na prática, isso dificulta o resgate de imigrantes estrangeiros em oficinas de costura, como bolivianos e paraguaios, ou de migrantes brasileiros na construção civil ou no corte de cana, por exemplo. Nesses casos, as condições degradantes é um elemento que vem sendo constatado com frequência por auditores fiscais do trabalho e procuradores do trabalho durante fiscalizações.

Em sua justificativa, Vital – que também é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – afirmou que isso garantirá “certeza e segurança jurídica aos aplicadores da lei''.

Também explicou que a nova redação do artigo 149 é compatível com o projeto de regulamentação da PEC do Trabalho Escravo – promulgada em 5 de junho, após 19 anos de trâmite pelo Congresso Nacional. Essa proposta de emenda constitucional aprovada prevê o confisco de propriedades em que trabalho escravo for encontrado e sua destinação à reforma agrária ou ao uso habitacional urbano e era uma antiga bandeira dos atores que atuavam no combate a esse crime.

A proposta de regulamentação para essa nova legislação, aprovada em comissão especial mista, foi produzida pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). Prevê a mesma subtração de direitos trabalhistas, excluindo as condições degradantes de trabalho e a jornada exaustiva dos elementos caracterizadores de trabalho escravo que o projeto do novo artigo 149.

O projeto de Jucá também acaba com a “lista suja'' do trabalho escravo, cadastro público de empregadores flagrados com esse crime, atualizado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2003 e que vem sendo usado pelo setor empresarial como importante ferramenta de gerenciamento de risco. Esse projeto de regulamentação continua tramitando pelo Senado.



Relator retira criminalização da homofobia do projeto do novo Código Penal

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) retirou do relatório sobre o projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012) a proposta de criminalização da homofobia. Para Vital, a questão deve ser mais discutida pelo Congresso. A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que já foi relatora do projeto de criminalização (PLC 122/2006), protestou contra a decisão do relator.

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O significado da indiferença

Os 53 anos do bloqueio americano a Cuba não foram ao regime comunista cubano. Foram a milhões de crianças, e a milhões de mulheres, e a milhões de homens, que compuseram na infância, na juventude, como adultos e como velhos as sucessivas gerações submetidas a mais de meio século do flagelo inútil de carências terríveis.

O regime sobreviveu muito bem, deu-se mesmo ao luxo de derrotar todas as investidas, nas mais variadas formas, que a maior potência bélica não cessou de lhe dirigir. As afirmações de que o regime mudou não são inteligentes, são apenas vulgares. O que mudou foi o mundo, e o regime se adaptou às circunstâncias, como sempre fizera, e por isso sobreviveu. Em Nova York, há 50 anos, ver negros entrando no elevador com brancos era prova de estar na ONU. Hoje a discriminação continua, porque o segregacionismo está na índole do país, mas os brancos vão à Casa Branca (um nome sugestivo) para falar com um negro.

E por que tantos anos de sofrimento imposto a um povo cujo país nada poderia contra os Estados Unidos?

Os motivos do bloqueio e seus antecedentes perderam-se na vaguidão "cultural" da atualidade. Mas não diferem dos outros que têm movido os Estados Unidos mundo afora. Apoiadores da ditadura de Fulgencio Batista — simbolizável nos órgãos genitais mandados à noiva do estudante oposicionista que os perdeu em tortura —, os Estados Unidos exigiam que a revolução democrática de Fidel Castro preservasse os negócios de americanos no seu quintal cubano: a maior concentração de cassinos e bordéis do mundo, bebidas alcoólicas, grandes plantações de cana com mão de obra semiescrava e exportação de açúcar. Cuba era dividida entre negócios e grupos da máfia americana.

Os problemas começaram com o fechamento dos cassinos e bordéis. Os chefes mafiosos haviam sido importantes para a eleição de Kennedy. A escalada foi intensa: reação americana, avanços revolucionários com nacionalizações e com reforma agrária. Kennedy ordenou a invasão, derrotada pelos cubanos, e o bloqueio total a Cuba. Fidel, em seu primeiro grande movimento de manipulação das circunstâncias, compõe-se com a oferta de ajuda da União Soviética, típica da Guerra Fria. Até então, e desde a luta contra Batista, o grupo de Fidel e os comunistas mantinham hostilidade frontal. Também isso mudaria, e mudaria tudo mais.

Dez anos depois da morte de Stálin, o Partido Comunista Cubano conservava o stalinismo em sua forma mais ortodoxa. Integrado a um governo que precisava apegar-se às relações com a União Soviética, o PCC e suas concepções tornaram-se a força predominante na caracterização do regime.

A crise da União Soviética desnorteou o regime cubano, e o fim do comunismo soviético lançou-o em circunstâncias que enfraqueceram a ortodoxia. No tempo das aberturas, o poder voltou ao reformismo, com uma peculiaridade: passou de irmão a irmão, com o sisudo e inflexível Raul retomando o Fidel extrovertido e aberto do princípio. E agora, o papa Francisco, o segundo papa cristão em nosso tempo, com João 23.

A tão longa indiferença americana com o sofrimento de milhões de vítimas do bloqueio não tem originalidade. É a mesma que, em certa manhã de verão, lançou sobre os habitantes de Hiroshima uma tempestade de fogo e gases que os carbonizou, quando o seu país já queria discutir os termos da rendição. E, passadas pouco mais de 48 horas, a mesma indiferença jogou uma segunda bomba atômica, sobre os habitantes de Nagasaki, incandescendo-os todos. É a mesma indiferença que lançou sobre o pequeno Vietnã mais bombas com o fogo pegajoso do napalm do que todas as suas bombas lançadas na Europa e na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial. É a mesma indiferença de um país, em palavras recentes do seu presidente, que "está em guerra permanente".

Indiferença pode ser sinônimo de perversão e de perversidade. Significado que, parece provável, os futuros historiadores vão preferir.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 78


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Essa é do Barão... 136


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