17 de dez de 2014

Como o dinheiro público sustenta as grandes empresas de mídia e seus colunistas

Os irmãos Marinho, da Globo
O que é pensar com cabeça tumultuada?

Considere o texto do jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, sobre as despesas de estatais com publicidade, por exemplo.

Rodrigues gasta um artigo inteiro para analisar 17 milhões de reais de publicidade oficial que foram dar, em 2013, em sites que não pertencem às grandes empresas jornalísticas, como o 247, o Conversa Afiada e o GGN.

(O DCM não está na lista.)

E Rodrigues consegue ignorar coisas como os mais de 5 bilhões que caíram no colo da Globo entre 2002 e 2013. Isso com audiências sempre cadentes na tevê.

Não notou também a Abril. Mesmo com um jornalismo sempre destrutivo e desonesto em seu carro-chefe, a Veja, as estatais colocaram 500 milhões de reais em anúncios no período.

Fernando Rodrigues olhou o tostão e ignorou o milhão, ou bilhão, para usar a célebre expressão de Jânio Quadros.

O que levou Rodrigues a uma análise tão parcial?

Uma hipótese é que ele simplesmente não tenha enxergado o problema.

Outra hipótese é que ele tenha levado em conta sua carreira. Ele pode ter sentido que liquidaria suas chances de trabalhar na Globo — Globonews e CBN abrigam vários jornalistas com o mesmo perfil — se escrevesse o que tinha que ser escrito.

Pode ter pensado que mesmo no UOL as coisas poderiam se complicar, dado que os donos, os Frias, são sócios dos Marinhos no Valor Econômico.

Como quer que seja, ele foi nos pequenos e ignorou os grandes — os tubarões, como a eles se referiu Mujica ao falar da Lei de Meios que começa a ser discutida no Uruguai.

Publicidade oficial é uma discussão complexa, sem dúvida. Nos países mais avançados, ela se concentra em campanhas de claro interesse público.

No Brasil, em todas as esferas — federal, estadual e municipal — a propaganda oficial serviu, desde a ditadura militar, para enriquecer os donos das empresas em troca de cobertura favorável.

O apogeu disso se deu com a Globo na ditadura. Roberto Marinho transformou um pequeno jornal numa grande empresa comandada pela TV Globo graças às mamatas que lhe foram dadas em troca de apoiar o regime.

Não foi apenas propaganda copiosa, mas empréstimos em bancos oficiais e outros favores — sempre com o dinheiro público.

Com o PT houve uma mudança unilateral.

As estatais continuaram a anunciar intensamente nas grandes empresas de jornalismo.

Só que estas — que sempre deram em troca cobertura amistosa — passaram a atacar cada vez mais ferozmente a mão que as abastecia.

Nada disso foi notado por Fernando Rodrigues, e seria uma surpresa se fosse diferente.

Paulo Nogueira
No DCM
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Fernando Rodrigues precisa explicar suas contas

O jornalista Fernando Rodrigues, que conheci quando ainda era trotskista lá no campus da Universidade Metodista, tem desempenhado há alguns anos o papel de setorista pra questões do financiamento da mídia independente na Folha de S. Paulo, de onde, consta, foi recentemente demitido. De tempos em tempos ele busca, com informações levantadas no governo federal, prejudicar veículos que têm tido um papel importante na oxigenação do ambiente midiático. E atira na política de pulverização das verbas publicitárias, como se defendesse com isso o interesse democrático. Na prática, apenas faz o jogo dos donos da mídia tradicional.

Mas dessa vez Fernandinho, como era conhecido na universidade, jogou pesado. Ele publicou um texto a 1h58 da madrugada de hoje no seu blogue e talvez pelo adiantado da hora cometeu uma série de devaneios matemáticos. Acontece que os devaneios deturpam todos os dados e são prejudiciais apenas a um lado, o dos veículos que Fernando Rodrigues quer impedir que existam e tenham o legítimo direito de disputar verbas no mercado publicitário.

A tranquilidade abunda do lado de cá para tratar deste tema. Em primeiro lugar, porque pela reportagem de Rodrigues a Revista Fórum é o site com maior audiência de todos os citados e foi o que recebeu o menor volume de publicidade entre todos. E exatamente por isso, nenhuma linha do texto é dedicada à Fórum. Que também não entra nas contas de Rodrigues. Isso não quer dizer que não seremos solidários com os outros veículos parceiros de blogosfera. Porque eles não receberam nada a mais do que merecem. Muito pelo contrário.

Vamos às armadilhas Rodriguianas

1)      A primeira coisa que se precisa explicar ao Fernando é que ele não pode pegar o volume de recursos do ano recebido por uma publicação e dividir pelos visitantes únicos de um único mês. E escolher pra isso exatamente o mês de menor audiência na internet, dezembro. Trata-se de uma clara manipulação estatística. Fernando pega, por exemplo, os R$ 618,2 mil recebidos da Caixa e do BB pelo Conversa afiada e divide por 236 mil visitantes únicos de dezembro/2103, o o que resultaria num custo por visitante de R$ 2,60. Hã? Como assim? Dividir o volume de recursos do ano todo pelos visitantes únicos de um único mês, de onde ele tirou isso? Para o leitor que não é do ramo entender seria o mesmo que dividir todo o recurso do ano arrecadado nos jogos do Morumbi pela quantidade de pessoas que foram ao estádio em dezembro.

2)      Ao mesmo tempo Rodrigues pega todo o recurso recebido durante o ano inteiro pelo Terra, que teria sido de R$ 5,5 milhões, e divide…tchan, tchan, tchan pela audiência de 24,9 milhões de visitantes únicos de, segundo o texto,  2013. E não de apenas um mês. E aí chega a um custo por visitante único bem menor.

3)      Em relação à Fórum, Rodrigues preferiu não fazer contas. Claro que nos deixou de lado porque já estava tarde e não com base numa certa seletividade jornalística. Mas seguindo o padrão das contas dele, Fórum que teve 470 mil visitantes únicos, segundo os dados ele, em dezembro de 2013 e recebeu ao longo do ano a impressionante cifra de R$ 58,2 mil das estatais citadas, teria um custo mesmo assim menor que o do Terra, que seria de R$ 0,21. O da Fórum seria de R$ 0,12. Mas aí a conta não foi feita. O leitor do Rodrigues não tem o direito de saber disso. Reportagem não  pode ser correta, tem que ser sacana.

4)     Acontece que todas essas contas valem muito pouco, porque não há lógica alguma em nada disso. O mercado não usa visitante único como base em nenhuma plataforma. Visitante único é o mesmo que leitor, ouvinte, telespectador. Ou seja, se eu for ler a Folha todo dia quando um anunciante for contratar a publicidade ele só me contará uma vez durante o mês? Se eu vejo a Globo todos os dias minha audiência é contada só uma vez durante o mês? Evidente que não. Por isso o mercado usa como referência o critério de page views na hora de comprar publicidade na internet. Isso vale para o UOL, pro Globo e pra Fórum.

5)      Os veículos que Fernando Rodrigues diz ter audiência limitada, por exemplo, tem mais audiência que IstoÉ na internet. Basta ele ir lá no Alexa e comparar. Nem é necessário pedir estatísticas para empresa privada. No caso da Fórum, eu topo abrir o Analytics na frente dele (o Analytics é do Google, que não é bolivariano) pra mostrar que limitado é o jornalismo que deturpa números para forjar uma tese que não se sustenta sem fraude matemática.

Enfim, a lista poderia ser grande. Há outras muitas incoerências na matéria da Folha, assinada pelo blogueiro do UOL.  E se o Fernando Rodrigues desejar, estou à disposição para debater com ele essas contas. Porque seriedade com os dados e suas correlações é o mínimo que se espera de quem diz respeitar a profissão.

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Aumenta em quatro vezes participação dos alunos mais pobres na universidade pública


Resultado direto de 12 anos de PT no governo, das inúmeras políticas de inclusão social implementadas pelas administrações do partido, registrou-se um aumento em quatro vezes do ingresso dos jovens das famílias mais pobres nas universidades públicas. O dado revela não apenas que a ampliação das oportunidades — uma obrigação do Estado —  é possível mas, sobretudo, mostra a garra desses estudantes que estão correspondendo às expectativas e ao investimentos que o governo tem feito na área de educação.

Os dados desse aumento são da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE. Eles apontam que a presença dos 20% mais pobres da população brasileira na universidade pública aumentou quatro vezes entre 2004 e 2013. “Houve políticas de ampliação de vagas e outras (medidas) como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e as cotas, mas também houve aumentos da renda e da escolaridade média (do brasileiro)”, comemora a responsável por essa parte da pesquisa no IBGE, Betina Fresneda.

Em 2004, esses alunos representavam apenas 1,7% do total das vagas nas universidades públicas brasileiras. Em 2013, chegaram a 7,2%. Nas universidades privadas também houve aumento de alunos deste segmento: eles passaram de 1,3 % para 3,7%. Em contrapartida, houve uma queda da participação dos 20% mais ricos. Eles passaram de 55% para 38,8% nas instituições de ensino superior públicas; e de 68,9% para 43% nas de ensino privadas no mesmo período.

O IBGE também aponta a redução da distorção idade-série entre os jovens de 15 anos a 17 anos. Em 2004, apenas 44,2% desses alunos cursavam o ensino médio (adequado à sua idade); em 2013, esse percentual subiu para 55%. Já o número de jovens que não estudam também diminuiu: passou de 18,1% para 15,7%. Na faixa dos alunos de 13 anos a 16 anos fora da série adequada o índice, que era de 47,1% em 2004 diminuiu para 41,4% em 2013.

A preocupação deve continuar incidindo, porém, aponta o IBGE, entre os chamados nem nem, jovens que não estudam, nem trabalham. Em 2013, um em cada cinco jovens brasileiros entre 15 anos e 29 anos (20,3%) não estudava nem trabalhava. A faixa etária que mais concentra este segmento (24%) é a de jovens entre 18 anos e 24 anos.

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“Estamos, sim, diante de um caso escandaloso”, diz tributarista sobre sonegação da Globo

O advogado tributarista Machione: “Estamos, sim, diante de um caso escandaloso de sonegação”
No dia 2 de janeiro de 2007, quando o processo da TV Globo desapareceu dos escaninhos da Receita Federal, no Rio de Janeiro, a empresa devia ao Fisco mais de R$ 615 milhões, incluindo juros e multas, pela sonegação de impostos devidos pela aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo em 2002. Quase oito anos depois, ainda permanecem sem resposta duas perguntas essenciais: a Globo quitou o débito? Se quitou, quanto deixou nos cofres da Receita Federal?

A resposta está no inquérito da Polícia Federal registrado sob número 0017221-36.2014.4.02.5101 na 8ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro. Mas é impossível ter acesso a ele. O inquérito foi arquivado sob segredo de justiça. Para o público, só está disponível a decisão da juíza, que atendeu à manifestação do Ministério Público e da Polícia Federal.

A decisão, assinada pela juíza Valéria Caldi Magalhães, tem uma só página e a palavra Globo ou Globopar não aparece uma única vez.

“Tratando-se de procedimento meramente investigativo, em que exerce o Judiciário apenas tarefa anômala de fiscalização das manifestações ministeriais de arquivamento ou de garantia de direitos individuais constitucionalmente assegurados, incumbe à autoridade que conduziu as investigações adotar as medidas necessárias à atualização de registros que ela própria inseriu”, escreveu a juíza.

Um criminalista a quem mostrei a sentença disse que o Poder Judiciário se comportou como Pôncio Pilatos (“lavou as mãos”), mas no direito brasileiro o caminho é esse mesmo. Quem investiga é a Polícia e o Ministério Público.

No inquérito da Globo, a juíza deixou uma brecha para que a investigação seja retomada, ao escrever que sua decisão era “sem prejuízo do disposto no art. 18 do CPP”. Em bom português, se surgirem fatos novos, retoma-se a investigação.

O inquérito foi aberto para apurar se houve o crime definido pelo artigo 1º da lei 8137/90. Diz a norma que é crime “suprimir ou reduzir tributo”, mediante algumas condutas, como “elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato”. A pena é de dois a cinco anos de reclusão, mais o pagamento de multa.

O advogado tributarista Jarbas Machione, a quem mostrei o processo da Receita Federal que multou a Globo por sonegação, diz não ter dúvida. “Estamos, sim, diante de um caso escandaloso de sonegação”, afirmou.

A Globo utilizou empresas controladas por ela mesma no Uruguai,  Ilha da Madeira, Holanda, Antilhas Holandesas e Ilhas Virgens Britânicas para simular negócios que existiam apenas no papel. “O objetivo é claro: não pagar imposto no Brasil”, afirma Machione.

O advogado diz que a utilização de empresa em diferentes países era uma estratégia para dificultar o rastreamento da operação. “Na época, se acreditava que, se se fizesse o dinheiro circular por vários países, eram criadas mais barreiras e isso tornava a fiscalização muito difícil, senão impossível”, diz.

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf também usou essa estratégia, no caso dele, segundo o Ministério Público do Estado de São paulo, para esconder o dinheiro da corrupção. Mas, assim como a Globo, Maluf acabou descoberto.

“Posso apostar que a denúncia contra a Globo partiu de fora para dentro. São acordos internacionais, em que autoridades estrangeiras, ao tomarem conhecimento de uma operação suspeita sob seus domínios, comunicam à autoridade do país conveniado”, afirma o advogado.

No Brasil, quem faz o intercâmbio com a comunidade internacional é o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), criado em 1998, ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, como parte de um movimento mundial coordenado de combate à lavagem de dinheiro.

O alvo inicial era cortar as fontes de financiamento do terrorismo e do narcotráfico, mas nas grandes lavanderias de dinheiro sujo as autoridades encontraram corruptos e sonegadores, como, ao que tudo indica, foi o caso da Globo.

globo - inquérito

No Brasil, o pagamento do tributo extingue a punibilidade. Mas não isenta o acusado de responder por lavagem de dinheiro. O advogado Jarbas Machione não tem dúvidas quanto à sonegação, mas diz que não encontrou no processo da Receita Federal elementos para apontar a ocorrência de outros crimes.

Em 2012, o Tribunal Federal da Suíça revelou que dois dirigentes da Fifa, João Havelange e Ricardo Teixeira, receberam R$ 45 milhões de suborno para favorecer a empresa que adquiriu os direitos de transmissão da Copa do Mundo em 2002 e também em 2006 para o território brasileiro.

O processo estava em segredo de justiça, mas as autoridades suíças decidiram tornar pública a informação, em nome do “relevante interesse público”. É óbvio que a empresa em questão se trata da Globo, mas os jornais que deram a notícia na época não citaram o nome da empresa da família Marinho.

O jornalista Andrew Jennings, que escreveu dois livros sobre corrupção na Fifa, “Jogo sujo” e “Jogo cada vez mais sujo”, esteve no Brasil em julho e participou de uma conferência na Bienal do Livro em São Paulo. Eu estive lá e fiz uma pergunta a ele: “Existe corrupção para a aquisição de direitos de transmissão de TV da Copa do Mundo?”

“Sim”, ele disse. “O jogo para ficar com o direito de transmissão é muito pesado na Ásia, menos na Europa, pouco na América do Norte e muito na América do Sul.” E no Brasil? “Também”, disse, sem dar mais detalhes.

A seu lado, o jornalista Juca Kfouri pediu a palavra e, em português, comentou, sabendo que Jennings o acompanhava pela tradução simultânea. “Não sei por que o Andrew Jennings não quis se aprofundar no tema. Mas ele sabe que a transmissão da Copa é um jogo de tubarão”, disse.

Nas manifestações de junho de 2013, quando surgiram na internet as primeiras denúncias de que a Globo sonegou os impostos na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, algumas manifestações aconteceram em frente à emissora, em que cartazes foram erguidos para protestar contra a sonegação.

Na Inglaterra, a indignação contra a evasão fiscal provocou protestos mais barulhentos. Os ingleses foram à porta da cafeteria Starbucks, acusada de não recolher os impostos devidos no país, o que provocou a abertura de uma investigação pelo Parlamento Britânico, em que não apenas executivos da Starbucks tiveram que prestar esclarecimentos, mas também representantes da Amazon e da Google.

“No Brasil, o grito hoje é contra a corrupção, o que está correto, mas só seremos uma nação verdadeiramente moderna quando a população considerar a sonegação tão nociva quanto a corrupção e protestar, como fizeram com a Starbucks em Londres”, afirma o tributarista Jarbas Machione.

globo - ricardo teixeira
Ricardo Teixeira, presidente da CBF em 2002

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Desinformação, calúnia e difamação são "pecados" da imprensa, segundo o papa


O papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (15), que a desinformação, a calúnia e a difamação são os "pecados" da imprensa, em uma audiência com funcionários da rede de televisão italiana "TV 2000".

O pontífice pediu aos jornalistas para que evitem cometer esses erros em seu trabalho, entre os quais também incluiu o "alarmismo catastrófico" e a "falta de sensibilidade", duas tendências que disse "continuamente serem vistas" na imprensa e que "não oferecem um bom serviço às pessoas".

O papa explicou que a desinformação, que disse consistir em contar apenas a metade das informações, "não leva a poder fazer um julgamento preciso da realidade".

Além disso, Francisco argumentou que "uma comunicação autêntica não se preocupa em culpar", mas também "abrir e não fechar" e "estar disposta não somente a dar, mas também a receber".
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Obama e Raúl Castro anunciam retomada das relações de Cuba e EUA


Prisioneiro americano em Cuba e cubanos detidos nos EUA são soltos.

Obama diz que espera que Congresso levante embargo à ilha.


Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciaram nesta quarta-feira (17) o restabelecimento das relações dos Estados Unidos com Cuba.

Obama confirmou que Cuba libertou nesta quarta o prisioneiro americano Alan Gross e, em troca, três agentes de inteligência cubanos que estavam presos nos Estados Unidos voltaram à ilha.


Foram anunciadas as seguintes medidas:

- restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países;

- facilitar expansão de viagens a Cuba;

- autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba;

- autorização para norte-americanos importarem bens de até US$ 400 de Cuba;

- início de novos esforços para melhorar o acesso de Cuba a telecomunicação e internet.

Obama também disse que espera um debate sério do Congresso norte-americano para que levante o embargo a Cuba.

Obama disse que a normalização das relações com Cuba encerram uma "abordagem antiquada" da política externa americana. Ao justificar a decisão, o presidente disse que a política "rígida" dos EUA em relação a Cuba nas últimas décadas teve pequeno impacto.

O presidente americano afirmou que acredita que os EUA poderão "fazer mais para ajudar o povo cubano" ao negociar com o governo da ilha.

Em Havana, Raúl Castro confirmou o restabelecimento de relações diplomáticas e disse que quer restabelecer os vínculos especialmente no que se refere a viagens, correio postal direto e telecomunicações.

"Exorto ao governos dos Estados Unidos a remover os obstáculos que impedem os vínculos entre nossos povos", disse Castro. "Devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com nossas diferenças", acrescentou.

Castro disse ainda que reconhece que há “profundas diferenças” entre os dois países, “fundamentalmente em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política exterior”, para em seguida completar: “Reafirmo nossa vontade de dialogar sobre todos esses temas.”

O presidente cubano ainda disse que a ilha vai libertar e mandar para os EUA um homem de origem cubana que espionou para os americanos — não se trata, nesse caso, de Alan Gross, que já está em solo americano.

Papel do Vaticano

Obama e Castro mencionaram o papel do Vaticano e do Papa Francisco em facilitar as negociações entre os dois países. Obama dissse que o Papa ajudou ao pressionar pela libertação do americano Alan Gross. Raúl Castro também agradeceu o apoio do Papa Francisco para "ajudar a melhorar as relações entre Cuba e os EUA". Ele também agradeceu ao Canadá pelo apoio logístico.

Após o anúncio, Papa Francisco parabenizou os dois países e disse que continuará a apoiar o fortalecimento das relações bilaterais.



Blogueira cubana Yoani Sánchez lamenta "vitória do castrismo"
A ativista cubana Yoani Sánchez lamentou nesta quarta-feira (17) a reaproximação entre os governos do seu país e dos Estados Unidos, que culminou com a libertação do norte-americano Alan Gross, e a qualificou como uma vitória do regime da ilha.

"O castrismo venceu, ainda que Alan Gross tenha saído vivo de uma prisão que poderia se tornar o seu túmulo. No jogo da política, os totalitarismos sempre conseguem se impor sobre as democracias", escreveu a blogueira dissidente no site "14 y medio".

Yoani se pronunciou antes mesmo dos esperados discursos dos presidentes Raúl Castro e Barack Obama. A libertação de Gross deve ser compensada pela soltura de três dos cinco cubanos que haviam sido presos nos Estados Unidos sob a acusação de espionagem.

Os beneficiados pela medida são Gerardo Hernandez, Ramón Labaniño e Antonio Guerrero. Os outros dois, Fernando e René González, já estão livres.



Brasil marcou um golaço ao financiar Mariel

Com o porto de Mariel e outros inúmeros investimentos em Cuba, o Brasil é um dos países que estão mais bem posicionados para se beneficiar da queda do embargo americano à ilha, cuja negociação será anunciada hoje.

Alvo de críticas ferrenhas, o porto de Mariel, que recebeu cerca de US$ 800 milhões de financiamento do BNDES e foi tocado pela Odebrecht, está a apenas 200 quilômetros da costa da Florida.

Depois da dragagem, poderá receber navios grandes como os Super Post Panamax, que Dilma citou várias vezes durante a cúpula da Celac este ano, e concorrer com o porto do Panamá.

Mesmo sem a dragagem, já será concorrente de portos como o de Kingston, na Jamaica, e das Bahamas, bastante movimentados.

O raciocínio do governo brasileiro sempre foi o de "entrar antes da abertura para já estar lá quando caísse o embargo".

Essa estratégia se provou acertada.

Patrícia Campos Mello é repórter especial da Folha e escreve para o site, às sextas, sobre política e economia internacional. Foi correspondente em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Em Nova York, cobriu os atentados de 11 de Setembro. Formou-se em Jornalismo na Universidade de São Paulo e tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros "O Mundo Tem Medo da China" (Mostarda, 2005) e "Índia - da Miséria à Potência" (Planeta, 2008).
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Ibope: aprovação do governo passa de 48% para 52%


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Jô Soares repreende rapaz que grita palavras, no auditório, de apoio a Bolsonaro




Jô Soares repreendeu um rapaz que estava no auditório e gritou palavras de apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), 59 anos, durante o seu programa no início da madrugada desta quarta-feira (17). O parlamentar é acusado de ferir o decoro ao dizer que "não estupraria Maria do Rosário [PT-RS] porque ela não merece".

"Viva, Bolsonaro!", gritou o rapaz, logo depois do programa exibir um VT com palavras de Bolsonaro. "Quem foi que gritou esse absurdo? Maluf está na plateia? Quem que gritou? É só para eu saber", perguntou Jô, surpreso.

Após segundos de silêncio, o homem se "entregou" e justificou o seu apoio a Bolsonaro. "Eu entendi o que ele quis dizer. Ele foi autor de um Projeto de Lei para castração química de estrupador (sic).  Ele não quis fazer apologia. Eu acredito que deu no contexto da fala dele", justificou o rapaz. "Eu já ouvi muita bobagem na minha vida, mas essa supera o Bolsonaro", rebateu Jô.

Após a resposta, o apresentador da Globo foi aplaudido pela plateia presente e pelas jornalistas que estavam ao seu lado.

Duas semanas atrás, Jô Soares já havia dividido opiniões em redes sociais ao criticar aqueles que defendem o "impeachment" de Dilma Rousseff (PT) e por achar que a presidente não deveria ser responsabilizada por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

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Provas da operação Satiagraha são ilegais, decide STF

Segunda Turma considerou ilegítima a apreensão de evidências no prédio do banco Opportunity

Preso durante a Satiagraha, Daniel Dantas virou símbolo da
operação da Polícia Federal
Em plena discussão sobre a operação Lava Jato, uma outra, de 2004, acaba de passar por um revés. A operação Satiagraha, que em 2008 prendeu Daniel Dantas, além de banqueiros e investidores, teve suas provas consideradas ilegais na terça-feira 16 pela segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

O entendimento dos magistrados é que a Polícia Federal não poderia ter recolhido as evidências no 3º andar da sede do banco Opportunity, no Rio de Janeiro. O assunto foi discutido pelo STF no habeas corpus de Dantas. Seus defensores sustentaram que a Justiça só havia dado permissão para que a polícia realizasse busca e apreensão no 28º andar do prédio.

As cópias de HDs de computadores com as listas de nomes suspeitos foram apreendidas e utilizadas como base da denúncia.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia invalidado a operação ao considerar ilegais os grampos telefônicos plantados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Como o Ministério Público recorreu, o tema será julgado pelo Supremo de forma definitiva.

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Levy fez a Urubóloga de boba — A entrevista

Uma bomba: o ajuste será balanceado.




Cumpriu-se um dos rituais da República: o futuro Ministro da Fazenda dá a primeira entrevista exclusiva à Urubúloga no Mau Dia Brasil.

(O Globope deve ter sido de arromba!)

A segunda, provavelmente, será no programa dela de trepidantes entrevistas.

A terceira – quando ninguém mais aguentar ouvi-lo – será no Entre Caspas.

É assim nos Governos petistas, desde o Visconde de Cayru.

Funcionário de Governo petista não resiste à Globo.

Tanto que – comprova a Fel-lha – lhe confere 1/3 de toda a publicidade estatal.

Por que não uma entrevista coletiva, Dr Levy?

Não é mais Republicano, transparente?

Ou transparência só nos Gastos Públicos?

Mas, pensando bem, até que a “coletiva” seria tediosa.


Uma entrevista inútil.

Em que mais se ouviu a opinião da Urubóloga do que do Levy.

“Vejo as coisas com certa confiança”, disse o futuro Ministro.

Imaginem se dissesse o contrário: vejo tudo escuro na minha frente!

“Tem que ser um pacote balanceado, é a prioridade. A gente tem que pegar os diversos gastos que já foram feitos, estancar alguns, reduzir outros. E na medida do necessário, a gente pode considerar também algum ajuste de impostos”.

Um pacote balanceado!

Deve ser coisa do PROCON: balança!

Convenhamos, amigo navegante, os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – gastam uma fortuna para mandar a Urubóloga a Brasília e ela traz isso na bagagem?

E o futuro Ministro?

Interrompe sua ortodoxa rotina para fazer esse papelão?

Mas, não tem jeito.

Os Governos petistas gostam mais da Globo do que o IBOPE.


Porque quem decide o que vai cortar é ele!

Ele também tem uma balança!

Em tempo: longe vai o tempo em que a Urubóloga tinha um estúdio de gravação na sala ao lado do gabinete do Ministro Malan ! Alguma coisa mudou… Pouco, mas mudou…

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Os 10 melhores momentos da direita brasileira em 2014


Remessas de dinheiro para a União Soviética, falta de liberdade de expressão, “Raio privatizador” e, claro, Lobão: confira nossa lista

Foi uma tarefa difícil. Não pela escassez de material, mas por ter que eleger apenas dez momentos em que um setor indignado da população demonstrou todo seu conhecimento histórico (como reclamar do Brasil enviando dinheiro para a União Soviética em pleno século 21) ou toda sua coerência (como gritar a plenos pulmões, no Largo da Batata, em São Paulo, que não tinha liberdade de expressão).

Confira abaixo nossa seleção:

1. Remessas de dinheiro do Brasil para a União Soviética

Para um eleitor de Aécio Neves, o PT deveria parar de enviar dinheiro para a União Soviética,”Países unidos da Cuba” e toda a turma do “Xê” Guevara.



2. Grifes de direita

Eles podem não ter muito conhecimento sobre ditadura militar, nem ter estudado história (leia aqui), mas definitivamente sabem se vestir direito. Entre os adeptos da grife “Vista Direita”, estão dois Bolsonaros, um Ultraje a Rigor, um colunista da revista Veja e moças não-identificadas.

O modelo do estilista Sérgio Ka – aquele que criticou o Bolsa Família – também entrou para a lista.

(Reprodução)
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3. Lobão diz que vai embora do Brasil se Dilma vencer eleições

Até uma festa foi marcada para celebrar o fato.

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4. Depois da vitória, Lobão diz que fica

Mas ele desistiu.

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5. Lobão diz que está pagando de otário

Ao perceber que o tucano não compareceu à manifestação que ele mesmo convocou, Lobão se mostra decepcionado. “Cadê o Aécio, o Caiado?”, questionou. E reconheceu: “Estou pagando de otário”.



6. PT acaba com a liberdade de expressão

“Eu tenho 18 anos e não tenho liberdade de expressão! Porque o PT tira todos os direitos!”, disse manifestante pró-Aécio em protesto contra o governo.


7. Marcha da Família com Deus pela Liberdade

No Recife, só seis pessoas compareceram à reedição do evento que aconteceu há 50 anos.

Relembre aqui como foi a manifestação em São Paulo.

(Foto: Ed Wanderley/ DP/ D.A press)

8. Aécio na ventania

O balançar do então presidenciável tucano em entrevista à TV Estadão virou motivo de polêmica. Seu comitê, com medo de que as pessoas achassem que estivesse bêbado, pediu que o vídeo fosse escondido no portal.



9. Luciano Huck #chateado com a derrota de Aécio Neves

Apresentador se escondeu atrás de pessoas da comitiva tucana em Belo Horizonte após saber que seu candidato não seria presidente.
(Reprodução)

10. Raio privatizador

Com o slogan “Magoe um socialista, vote no Batista”, Paulo Batista foi candidato a deputado estadual pelo PRP de São Paulo. No vídeo de divulgação de sua campanha, ele aparece como um super-herói que tem como poder o “raio privatizador”.

Leia mais aqui.



No Revista Fórum
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A imprensa chapa branca



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A Folha descobriu que Fórum não recebe quase nada do governo federal

Encalhe
Folha empilhada num domingo, próximo ao meio-dia,
em frente a um café na Vila Madalena
Acabo de receber um email do gerente de publicidade da Revista Fórum que demonstra o nível a que chegou o jornalismo pelas bandas da Barão de Limeira. A repórter não me procurou. Não me ligou. Não me contatou no Facebook. E diz ter ligado na revista e não ter sido atendida. Pra não dizer que não deu espaço para os “acusados”, ela enviou email para o @assineforum, para o @redacao e para a @publicidade. E o fez às 18h58. Sorte que o nosso gerente de publicidade olhou a caixa de mensagem. O email está a seguir, leia que eu volto depois dele.
Olá,
Entro em contato porque estamos fazendo reportagem sobre o volume e destinação da verba de publicidade das estatais federais entre 2000 e 2013. Tentei contato telefônico com a revista (11 – 3813-1836), mas como não tive sucesso, envio a demanda por email.
O total recebido pela Revista Forum no período foi de R$ 1,73 milhão em valores correntes de 2013, segundo dados das próprias empresas.
Gostaria de fazer as seguintes perguntas:
1.Congressistas da oposição afirmam que o governo e o PT financiam sites e publicações favoráveis a eles e críticos à oposição. O repasse da verba citado acima exerce alguma influência sobre a linha editorial ou os posicionamentos da revista?
2.Os recursos de publicidade repassado pelas estatais -aliado a eventuais repasses de órgãos da administração direta – foram a principal fonte de receita do veículo? Quanto essa receita representa em relação ao total?
 Peço um retorno ainda nesta terça-feira (16).
 Obrigada desde já,
Flávia Foreque
Folha de S. Paulo
Sucursal de Brasília
(61) 3426-6670 / 9668-7233
Convenhamos, o tal jornal vai fazer uma reportagem levantando suspeitas sobre outros veículos e a repórter encaminha um email desses? Não dá pra levar a sério, certo? Por isso mesmo não me dei o trabalho de ligar para a Flávia ou para quem quer que seja. Vou só fazer um desafio por aqui.

Segundo os cálculos da Folha, a Fórum, que tem audiência pra dar e vender na internet e que por 12 anos foi às bancas mensalmente, recebeu em valores atualizados 1,73 mi em 14 anos do governo federal. Ou seja, Fórum recebeu 123 mil por ano. Ou dividido por mês, 10 mil reais aproximadamente. Descontado o valor da nota fiscal, mais os 20% da agência e a comissão do comercial não devem ter sobrado nem 5 mil reais líquidos.

Evidente que a Folha não sabe fazer essas contas para perguntar para uma revista que teve durante 12 anos 20 mil exemplares em bancas se essa era a principal fonte de receita do veículo. Dez mil reais, querida Folha, mal paga o aluguel da casa onde a Fórum está estabelecida na Vila Madalena.

Mas eu não vou abrir a minha contabilidade para o Frias, até porque a Fórum paga religiosamente todos os seus impostos, é uma empresa idônea e nunca teve um processo trabalhista. Mas eu faço um desafio ao Frias. Vamos chamar o Ministério do Trabalho pra fazer uma visita na minha redação e na dele. Que tal, bonitão? Topas?

Eu quero ver a carteira de trabalho dos seus funcionários. Quero saber se você paga todos os direitos a que eles têm direito. Ou se faz o mesmo que fez com a dona Danusa, manda emitir uma nota.

De resto, o governo federal precisa ser mais justo com a Fórum. E o governo estadual também. Porque nunca fez um anúncio por aqui. E joga dinheiro em rádios e jornais regionais que não atingem ninguém. E compra assinaturas aos montes de veículos que nem a Folha que aqui, na Vila Madalena, são entregues de graça nos cafés e postos de gasolina aos domingos. E que mesmo de graça, ficam empilhados na calçada.

Renato Rovai
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Busto de Costa e Silva é retirado de praça em Taquari

Busto em homenagem a Costa e Silva foi retirado de praça
A Prefeitura de Taquari retirou nesta quarta-feira da Praça Lagoa Armênio, principal ponto turístico do município, o busto em homenagem ao general Arthur da Costa e Silva, que foi presidente do País durante o regime militar. “Não tem por que ficar exaltando”, disse o prefeito Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco (PT).

Maneco ainda explicou que o equipamento vai ser levado a um museu na casa onde nasceu o militar. “Museu é para contar história. Vamos colocar lá também uma cópia do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV)”, explicou o chefe do Executivo.

O busto e a estrutura que o sustenta medem mais de dois metros de altura. Foi preciso uma máquina para remover o conjunto. O prefeito Maneco disse que a decisão ocorreu depois de a CNV citar Costa e Silva como um dos responsáveis por graves violações de direitos humanos durante o regime antidemocrático. O chefe do Executivo disse ainda que a obra fica na parte central da praça, que está sendo adequada para receber um número maior de pessoas. “Estamos reorganizando espaço e busto ficava bem na frente do palco”, completou.

Além de Costa e Silva, os também presidentes Humberto Castello Branco (1964-1967), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), Ernesto Geisel (1974-1979) e João Figueiredo (1979-1985) foram enquadrados em uma de três listas elaboradas pela CNV apontando os responsáveis pelas violações de direitos ocorridas durante o regime militar.

No CP
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Sérgio Porto # 77


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Essa é do Barão... 135


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