13 de dez de 2014

Datafolha: Lula é considerado o melhor presidente da história do Brasil

Pesquisa Datafolha mostra crescimento da popularidade do PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado o melhor presidente do Brasil por 64% dos entrevistados pela pesquisa DataFolha, divulgada dia 8 de dezembro. O mesmo levantamento mostrou que o Partido dos Trabalhadores cresceu na preferencia dos brasileiros.

O reconhecimento pelas realizações do governo Lula é registrado em todos os segmentos e é maior entre os jovens, com 64% e, 46%, entre os mais velhos. A região com maior aprovação foi a Norte (62%), seguida por Nordeste, 68%. Entre os mais escolarizados, o petista teve o reconhecimento de 41% e, 36%, entre os mais ricos, a frente dos 32% de FHC.

Partido

Um comparativo feito pelo blog “O Cafezinho” mostra a recuperação da popularidade do PT entre os eleitores. Foi observado um crescimento de seis pontos percentuais entre a pesquisa realizada no dia 1º de setembro — um mês antes do primeiro turno das eleições — que mostrava o partido com 16% de preferencia, para 22% no levantamento feito neste mês.

Entre as mulheres, a popularidade passou de 13% para 21%; e entre os mais jovens, com até 24 anos, passou de 12% para 21%.

O PT permanece, ainda, como o partido preferido dos mais ricos e com maior escolaridade. Entre os entrevistados com ensino superior, o PT garantiu 16% de preferência, contra 14% do PSDB. E entre os que ganham mais de 10 salários-mínimos, o PT levou 17%, contra 13% do PSDB.

Até mesmo na região Sudeste, onde o PSDB conquista os melhores resultados nas urnas, a preferência pelo PT foi de 22%, a frente dos 9% para os tucanos.

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Congressistas eleitos têm 55 concessões

Herdeiros de família com tradição na política, líderes evangélicos e empresários estão entre os 33 deputados federais e senadores eleitos que declararam ser proprietários de emissoras de rádio ou TV.

Levantamento feito pela Folha aponta que ao menos 55 concessões pelo país pertencem a políticos que vão tomar posse em 2015. Juntas, as rádios e televisões somam patrimônio de R$ 8,3 milhões.

Entre elas, estão afiliadas das principais redes de TV do país. O deputado Sarney Filho (PV), por exemplo, declarou ter R$ 2,7 milhões em participação na TV Mirante, retransmissora da Globo no Maranhão. O ex-presidente Fernando Collor (PTB), reeleito ao Senado, é sócio da afiliada da Globo em Alagoas.

São sócios de afiliadas da Bandeirantes o senador eleito Tasso Jereissati (PSDB-CE) e a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher do senador Jader Barbalho.

Na lista dos donos de rádios eleitos também estão Celso Russomanno (PRB-SP) e o ex-ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

O senador Aécio Neves (PSDB) declarou na eleição ser sócio em uma emissora de rádio que retransmite a Jovem Pan em Belo Horizonte.

Dois governadores eleitos também são sócios: Robinson Faria (PSD), que possui rádio no interior do Rio Grande do Norte, e o alagoano Renan Filho (PMDB), que declarou participação em outras duas.

O número de congressistas proprietários deve ser ainda maior, já que é comum o registro permanecer no nome de familiares ou laranjas.

Em 2011, cadastro do Ministério das Comunicações mostrou 56 congressistas como sócios ou com parentes no controle de emissoras.

A legislação diz que eleitos podem ser sócios de emissoras desde que não ocupem cargo na direção delas. Projetos em tramitação buscam proibir qualquer vinculação.

Para o professor de comunicação da Unesp Carlo Napolitano, o fato de a lei não permitir que políticos ocupem cargos na direção não impede, na prática, que eles tirem proveito eleitoral disso. "Ele pode usar do meio de comunicação para se favorecer com um serviço público", diz.

Há ainda casos como o do atual deputado tucano Bonifácio Andrada (PP), que integra a Comissão de Comunicações da Câmara, que analisa pedidos de concessão.

O deputado Arolde de Oliveira (PSD-RJ) diz que impedir sócios de emissoras de se candidatar seria "discriminação". "Se até analfabeto pode ser candidato, eu não posso por ter uma emissora?", questiona. Reeleito, ele é sócio de uma rádio no Rio, mas diz que a empresa é de familiares.

O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), sócio em duas rádios, diz que a internet mudou o cenário que esses meios costumavam ter. "Hoje os meios de comunicação são democráticos", diz.

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Artimanhas da linguagem jornalística

O debate público em torno do relatório da Comissão da Verdade é um exemplo didático de como a imprensa pode funcionar, contraditoriamente, a serviço da desinformação. Não apenas por abrigar e dar destaque a articulistas incapazes de sair do círculo vicioso de aleivosias e mentiras deslavadas, mas principalmente pelo fato de que muitos jornalistas só conseguem se manter em postos de grande visibilidade na mídia tradicional por atuarem como vocalizadores radicais dos piores pensamentos de seus patrões.

Existem coisas que um publisher não pode afirmar publicamente, mesmo que seja parte de suas crenças mais profundas, porque o dinamismo da sociedade pode tornar deselegante ou mesmo transformar em crime, no período de poucos anos, aquilo que um dia foi tema corriqueiro de anedotas de salão ou da linguagem corrente.

Preconceitos, pensamentos discriminatórios e intolerância ao contraditório não devem integrar o discurso explícito nos meios de comunicação, porque ficam registrados e podem se revelar motivo de desconforto quando os fatos vierem a demonstrar que tais manifestações contrariam a essência do que deveria ser o jornalismo. Por isso o leitor crítico percebe certas incongruências entre alguns editoriais e textos de colunistas — que os editores consideram tão relevantes que fazem questão de reproduzi-los nas primeiras páginas.

Os editoriais cumprem o papel de expor o discurso politicamente correto, com o qual os jornais querem que o leitor se convença de seu equilíbrio na análise dos fatos mais polêmicos. Mas a verdadeira opinião dos editores pode estar sendo veiculada pela boca, ou pelas mãos, de seus colunistas mais celebrizados. Esse “duplipensar” não é novidade e não representa diversidade de opiniões, mas a afirmação de uma opinião central.

Os jornalistas que trabalharam na chamada grande imprensa durante os anos de chumbo sabem que os controladores da mídia sempre chamaram os opositores do regime de “terroristas” ou “subversivos” e os arquivos da época estão disponíveis para quem quiser refrescar a memória. Somente após a morte do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, quando o general-presidente Ernesto Geisel venceu a queda de braço com os líderes da chamada “linha dura”, essa linguagem começou a mudar.

O duplo vínculo

A sociedade brasileira evoluiu muito no período da redemocratização, e um dos sinais mais claros dessa transformação é a possibilidade de levar ao conhecimento público atos e fatos que seus autores e agentes prefeririam manter acobertados. Os casos de corrupção fazem parte desse conjunto de eventos que agora podem vir à tona, justamente porque o empenho da sociedade, por seus líderes progressistas, conduziu ao colapso o regime de exceção e refundou a democracia.

A imprensa, como instituição, cuida de chamar a si os méritos do processo de redemocratização, mas não foi bem assim: quem empurrou para dentro dos jornais a pauta da liberdade foram os repórteres que faziam a cobertura da política, do movimento sindical, das atividades da igreja e até mesmo alguns que cobriam esportes, os setores de inteligência e a polícia política. Alguns editores aderiram a esse pacto subversivo — para usar os valores oficiais da época —, contra o desejo explícito ou dissimulado da maioria dos controladores da mídia tradicional. Uma exceção entre os patrões foi o fundador da Editora Abril, Victor Civita, que por isso mesmo era hostilizado pelos demais empresários.

Quando ficou claro que a ditadura era insustentável, os dirigentes das empresas de comunicação passaram a investir no controle dos trabalhos da Assembleia Constituinte, cuidando para evitar que antigos vassalos da ditadura caíssem no ostracismo. Além disso, como demonstra o pesquisador Francisco Fonseca, da FGV, em seu livro Liberalismo autoritário, a imprensa deu visibilidade ao grupo de parlamentares chamado de “Centrão”, que organizou e profissionalizou a prática do “toma lá, dá cá”, matriz da corrupção contemporânea.

Nesta segunda década do século 21, quando a democracia brasileira dá mostras de solidez após as mobilizações de 2013 e a dura disputa eleitoral de 2014, a imprensa convoca articulistas que trocaram o jornalismo pelo panfletarismo para assumir o papel de porta-vozes do impronunciável. O impronunciável, neste caso, é a tentativa de relativizar os crimes da ditadura. Isso se chama metacomunicação: os estímulos periféricos dos colunistas pitbulls condicionam a interpretação do conteúdo oficial da imprensa.

O leitor atento percebe sinais de hipocrisia nesse jogo, e alguns deles têm conduzido debates respeitosos, ainda que de posições divergentes, em comentários neste Observatório. Mas a maioria é refém do duplo vínculo proposto no discurso esquizofrênico da mídia.

Luciano Martins Costa
No OI
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No Maranhão, Flávio Dino terá rádio pública e internet para enfrentar reação dos Sarney à perda de privilégios


Em primeiro de janeiro um jovem de apenas 46 anos de idade, ex-juiz federal, ex-deputado e ex-presidente da Embratur, assume o governo do Maranhão com o compromisso de proclamar a República no Estado.

Trata-se de Flávio Dino, o primeiro governador eleito na história do Partido Comunista do Brasil.

As expectativas em torno de seu governo são imensas: depois de quase 50 anos de controle do Maranhão pela oligarquia do senador José Sarney — com breves interrupções aqui e ali —, metade da população maranhense não dispõe de saneamento básico. É um dado que diz tudo.

Mas há outros: embora esteja em décimo sexto lugar em Produto Interno Bruto, o Maranhão tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da federação, o que reflete uma desigualdade ainda maior que a do restante do país.

Flávio Dino defende o diálogo com todas as forças políticas a partir de convicções claras.

Diz que não vai fazer um governo de revanchismo contra os Sarney e seus associados.

Porém, sabe que ao implantar a impessoalidade nos negócios do Estado vai acabar atacando os privilégios da oligarquia, que se projetou nacionalmente justamente para preservar o completo domínio sobre os negócios locais.

Um domínio expresso muito além das rodovias, escolas, ruas, cidades, prédios públicos e monumentos que levam “Sarney” no nome. Um domínio que só se tornou possível graças a ferramentas como uma poderosa rede de comunicação que inclui a retransmissora da TV Globo e suas afiliadas, o maior jornal de São Luís, portal na internet e dezenas de emissoras de rádio.

Durante a campanha, esta rede foi usada descaradamente. A TV Difusora de Imperatriz, afiliada do SBT que pertence à família Lobão, subalterna dos Sarney na oligarquia, chegou a produzir uma série de cinco reportagens sobre o comunismo para sugerir aos telespectadores, em um importante colégio eleitoral do Estado, que Flávio Dino comeria criancinhas no café da manhã — conforme denunciou Renata Mielli em O Escandaloso antijornalismo dos Sarney.



Na entrevista dos candidatos ao governo na TV Mirante, retransmissora da Globo controlada pelos Sarney, quando foi a vez de Dino o apresentador parecia crente de que o candidato implantaria o comunismo expropriando as igrejas católicas.



A ironia é que, eleito em primeiro turno com mais de 63% dos votos, Flávio Dino diz que seu republicanismo será equivalente a uma “revolução burguesa”, a um “choque de capitalismo” no Maranhão.

Na entrevista exclusiva que concedeu ao Viomundo, na sede do PCdoB no centro de São Paulo, o governador eleito explicou como vai enfrentar o PIG local — PIG, Partido da Imprensa Golpista, na feliz definição do deputado Fernando Ferro para a mídia que se acredita dona de mandato divino para governar.

Também explicou o motivo pelo qual não buscará diálogo com os Sarney.

Veja abaixo os dois trechos iniciais de nossa entrevista. No pé do post, reprodução completa da conversa. No áudio, Dino começa avaliando a decisão da governadora Roseana Sarney de renunciar nos últimos dias do mandato, deixando assim de participar da transmissão do cargo ao comunista.




Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Tucano é cassado. Cadê a mídia?


No domingo passado (7), o empresário Omar Najar (PMDB) venceu as eleições para a prefeitura de Americana, município com 226 mil habitantes no interior de São Paulo. A mídia chapa-branca, servil ao governador Geraldo Alckmin, deu pouca atenção para o pleito fora de época. O motivo é simples: o prefeito Diego De Nadai, do PSDB, foi cassado por graves denúncias de corrupção. Na sua seletividade, a chamada grande imprensa, sempre tão “neutra e imparcial”, prefere encobrir escândalos envolvendo caciques tucanos. As manchetes são garrafais apenas para os políticos de esquerda. Desta forma, a mídia hegemônica estimula na sociedade o ódio doentio, quase fascista, ao PT e ao chamado “lulopetismo”.

Durante várias semanas, a cidade de Americana ficou acéfala. Na ausência do prefeito, sacos de lixos se acumularam nas ruas, prontos-socorros ficaram fechados e a merenda não foi entregue nas escolas. A população sofreu e os protestos viraram rotina no município, a 127 quilômetros da capital paulista. Os jornalões e as emissoras de rádio e televisão, porém, não deram maior atenção a este sofrimento. O prefeito cassado sempre foi ligado ao governador Geraldo Alckmin. Sua cassação foi uma verdadeira novela, apesar das provas de irregularidades na prestação de contas da eleição de outubro de 2012. Desgastado, o PSDB preferiu não lançar candidato e, oportunista, apoiou o industrial eleito. Pobre Americana!

São inúmeros os casos de políticos tucanos cassados ou envolvidos em corrupção que não merecem as manchetes da mídia “imparcial”. Em abril passado, o governador Siqueira Campos, do Tocantins, renunciou ao cargo para escapar da cassação. Pesavam sobre o histórico chefão do PSDB várias denúncias de desvio de recursos do Estado. A renúncia foi uma manobra para garantir a candidatura de Eduardo Siqueira Campos, filho do tucano, ao governo estadual. Ele justificou a manobra alegando que a medida foi tomada “com o propósito de continuar servindo ao bravo povo tocantinense, respeitando as normas sobre inelegibilidade definidas pela Constituição Federal”. A mídia nunca fez alarde com este caso bizarro!

A seletividade é a regra. O deputado Carlos Alberto Lereia, do PSDB de Goiás, foi flagrado em negociações com o mafioso Carlinhos Cachoeira. A Câmara Federal até cogitou sua cassação. Em abril passado, ele até foi suspenso e o caso sumiu do noticiário. Já o ex-governador e ex-senador Eduardo Azeredo, que inaugurou o esquema do “mensalão” com o publicitário Marcos Valério, renunciou ao mandato de deputado federal para evitar seu julgamento no STF. Na sequência, ele também desapareceu da mídia — que sempre tratou o escândalo de “mensalão mineiro” — e não tucano. Cadê o tal “jornalismo investigativo” da grande imprensa? Cadê as suas famosas campanhas moralistas de linchamento público?

E tem gente que acredita que Globo, Folha, Estadão e Veja ainda farão uma investigação isenta sobre o “trensalão tucano” em São Paulo ou sobre o “aecioporto” em Minas Gerais. A mídia hegemônica nunca investigou a fundo as denúncias de corrupção no processo da privataria — até porque ela sempre defendeu a privatização das estatais. Ela também evitou dar continuidade às apurações sobre a compra de votos na reeleição de FHC — que sempre foi seu protegido. A escandalização da política, com suas manchetes garrafais e diárias, servem apenas para atacar os que não rezam da sua cartilha. Não há qualquer imparcialidade ou isenção no jornalismo. A mídia tem dono e defende sua classe!

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Lava Jato volta a encontrar digitais tucanas em empreiteira investigada

Mídia silencia e confirma que o comportamento do PSDB e de sua imprensa aliada continua o mesmo: varrer a corrupção dos seus para debaixo do tapete

Investigações sobre corrupção no Brasil voltam a
esbarrar em tucanos, com silêncio da mídia
Sem manchete "espetaculosa", sem repercussão nos portais de seus jornais e sem chamada no televisivo Jornal Nacional, a revista Época, da Globo, publicou na terça-feira (9) que, a operação Lava Jato da Polícia Federal (PF) apreendeu, três semanas atrás, na sede da empreiteira Camargo Corrêa, uma tabela que relaciona políticos, obras e valores em dólares. Suspeita-se que a lista indique propinas pagas pela empreiteira entre os anos de 1990 e 1995.

Entre os políticos listados, segundo a revista, estão o ex-governador de São Paulo Mario Covas (PSDB), falecido em 2001; o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que nos anos 1990 foi deputado federal; Jorge Maluly Netto (falecido em 2012), que foi deputado e depois prefeito de Araçatuba pelo então PFL (hoje DEM);  e o atual suplente de José Serra no Senado, José Aníbal (PSDB), na época também deputado federal.

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Trecho da lista apreendida na
empreiteira: possível lista de propinas
José Aníbal aparece três vezes na lista. Os valores associados a ele, segundo o documento, somam US$ 90 mil. O primeiro, de US$ 40 mil, relacionado a um projeto de "canalização, pavimentação e ponte" em Botucatu (interior de São Paulo). Os demais valores (US$ 30 mil e US$ 20 mil respectivamente), a um projeto que envolvia canalização, pavimentação e a construção de uma barragem em Jundiaí, também no interior paulista.

Esta não é a primeira vez que uma investigação da Polícia Federal encontra digitais dos tucanos nos cofres de empreiteiras.

Em 2009, a mesma Camargo Corrêa foi alvo da operação Castelo de Areia, que apurava suspeitas de corrupção e pagamento de propina a políticos para a obtenção de contratos com o governo. Na casa de um diretor da empresa, a PF apreendeu uma planilha cheia de siglas, nomes e números. Na ocasião, muitos atribuíram àquela planilha o caráter de prova definitiva de como o caixa dois da Camargo era gerido. Siglas e nomes da planilha foram entendidos como se fossem de políticos a quem se destinavam propinas.

Isso nunca foi comprovado, faltou uma investigação aprofundada e a Castelo de Areia teve curta duração e pouco impacto. O Superior Tribunal de Justiça suspendeu a investigação em 2010 e anulou todas as provas, entre elas a tal planilha. A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas depois de quatro anos o STF ainda não se manifestou.

A reportagem da Época desta terça não cita todos os nomes de políticos e os partidos da oposição que foram flagrados na operação Castelo de Areia, mas de acordo com mesma revista, que em 2009 publicou reportagem  sob o título "Lavagem, doações ilegais a  políticos, superfaturamento...", os policiais federais passaram um ano ouvindo telefonemas e abrindo mensagens de e-mails de conhecidos doleiros de São Paulo e do Rio de Janeiro, em busca de provas sobre uma rede de evasão de divisas e lavagem de dinheiro dentro da Camargo Corrêa.

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Trecho de matéria da Época de 2009: Maia citado nominalmente
Quando, porém, passou a ouvir os diretores que faziam negócios com os doleiros investigados, a PF esbarrou também no caixa de contribuições políticas da construtora – e encontrou indícios de doações ilegais  para os partidos PSDB, DEM, PMDB, PPS, PDT, PP e PSB. O senador José Agripino Maia (DEM-RN) é citado nominalmente na reportagem.

Na ocasião, a Polícia Federal em São Paulo prendeu, também em 2009, quatro diretores da empreiteira, duas secretárias e três doleiros, todos acusados de praticar crimes como evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e operação de instituição financeira sem autorização. De acordo com decisão do juiz Fausto de Sanctis, que determinou a prisão de todos, a PF demonstrou que o grupo teria usado pelo menos quatro empresas de fachada para remeter irregularmente recursos da empreiteira para o exterior e poderia ter participado de um esquema de superfaturamento na construção de uma refinaria.

Em conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, os quatro tratavam dos negócios por códigos que envolviam nomes de animais. A PF calculou que o grupo teria remetido  para o exterior mais de R$ 20 milhões por meio daquele esquema.

Havia  ainda indícios de que o grupo pode ter participado do superfaturamento da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. As conversas gravadas mostram o diretor Pietro Bianchi pedindo, com urgência, o transporte de dinheiro vivo em Recife. De acordo com a PF, o pedido poderia estar relacionado à construção da refinaria. Naquele ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) já suspeitava de superfaturamento em alguns itens da obra.

Agora, com a Lava Jato em curso e novos fortes indícios de participação de tucanos de alta plumagem em negócios obscuros, parece até que estamos assistindo uma refilmagem da mesma história. Se os acontecimentos das planilhas sobre os anos 90 e a Operação Castelo de Areia não tivessem sido engavetados, a depuração que se pretende fazer hoje já poderia ter ocorrido no passado.

No entanto, por se tratar de políticos do PSDB, a imprensa tradicional tirou logo de pauta e os tucanos trataram de abafar. Assim, o assunto caiu no esquecimento, os inquéritos foram arquivados ou continuam parados nas gavetas, e a Polícia Federal não pode prosseguir na investigação sem ordem judicial para seguir o caminho do dinheiro e chegar aos destinatários finais de propinas.

Aliás, a CPMI da Petrobras, criada pela oposição para coincidir com a campanha eleitoral, perdeu o ímpeto quando as investigações da Lava Jato passaram a "ir longe demais" atingindo o tucanato, seus aliados nos estados e seus altos financiadores de campanha. Já está encerrando seus trabalhos sem alarde.

Hoje, quem está no papel de presidente do PSDB é o senador Aécio Neves. Não cabe acusá-lo por supostos atos de seus sucessores no comando do partido, mas o comportamento tucano e de sua imprensa aliada continua o mesmo: varrer a corrupção dos seus para debaixo do tapete, em vez de investigar a todos e "cortar na própria carne", se for preciso.

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Zuenir Ventura: personagem, testemunha e narrador da História




Zuenir Ventura é uma testemunha da história. Jornalista, professor e agora imortal da Academia Brasileira de Letras, ele viveu para contar e resgatar a memória de um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil. Seu livro “1968 - o ano que não terminou” é um dos mais célebres registros sobre a época da ditadura militar. A edição especial do Brasilidade traz um personagem cujo papel fundamental tem sido transmitir às diferentes gerações a necessidade de se falar sobre princípios básicos como liberdade e democracia. “Você precisa do passado para entender o presente e para construir o seu futuro”, pondera.

O jornalista diz que até hoje ainda é difícil lembrar do que aconteceu com pessoas próximas; vítimas de perseguições, torturas e mortes. Para escrever “1968”, Zuenir diz que ouviu muitas pessoas e mergulhou em documentos, registros e qualquer outra forma de traduzir, com fidelidade, os episódios e situações históricas. “Em 1987, quando eu estava escrevendo sobre 68, eu só pensava em 68. Quase não lembro do que aconteceu em 87, eu acho que fiquei até meio chato, porque só perguntava às pessoas onde elas estavam e o que elas estavam fazendo em 68”, conta.

Para Zuenir, um dos episódios mais marcantes foi o dia 13 de dezembro daquele ano, quando foi instituído o AI-5, revogando direitos individuais e deflagrando diversas operações de captura, tortura e assassinatos. Ele diz que a censura, as perseguições e o cerceamento à informação foram os principais prejuízos para a sociedade da época. “A matéria prima do jornalista, que é a liberdade, é o ar que a gente respira. Eu acho que o prejuízo maior foi para a sociedade, porque, claro que nós, jornalistas, sofremos muito, mas a sociedade ficou sem saber o que estava acontecendo. Hoje, quando um jovem diz para mim assim: ‘Não, mas olha, hoje também, hoje tem censura do mercado’, eu falo: ‘Olha, você não sabe o que é viver sob censura’, avalia.

Ele lembra do episódio de uma tentativa de tentar retratar o contexto da época sem o veto imposto pela censura. “Tem uma edição histórica do Jornal do Brasil que tenta furar a censura. Saía assim, em cima do jornal, no cabeçalho, ao lado, a temperatura, a meteorologia, e aí a meteorologia daquele dia era assim: ‘Tempo escuro, sujeito a tempestade, não sei o quê’, que era uma forma, era uma tentativa de você passar a informação de que estava sob censura, mas era tudo muito sutil, que o leitor, o leitor médio, ele não percebia. Mas aí começa a tentativa de você passar, de alguma maneira, a informação para o seu leitor, mas era muito difícil”, lembra.

O próprio Zuenir foi vítima da repressão do período. Preso sem nenhuma acusação formal, passou três meses encarcerado, mas não chegou a sofrer nenhum tipo de violência física. “Eu fui preso sem a menor razão, eu não participei de nenhum movimento. Eu acompanhava, eu era professor, eu acompanhava os jovens numa passeata, numa assembleia, mas nada de importante. Não tinha nenhuma importância política e eu fui preso como muitos foram naquela época, sem saber o porquê. Naquele momento você nunca estava livre da ameaça de tortura, você nunca sabia se chegaria o seu dia. Tive a sorte de ser bem tratado, não ser torturado, mas outros amigos meus, não. E é muito triste lembrar disso”, relata.

Passados 50 anos do golpe militar, Zuenir diz que o Brasil avançou em sua democracia ao instituir a Comissão Nacional da Verdade e passar a limpo um dos episódios mais marcantes de sua história recente. “Eu sofria demais vendo outros países que já tinham comissão da verdade e o Brasil se recusava a abrir os seus arquivos, abrir o seu passado. Está sendo feito e está sendo feito com muito critério, está sendo feito sem nenhum espírito de revanche, sem nenhum espírito de vingança. O que está se querendo fazer é exatamente descobrir o seu passado, rever o seu passado, a sua história e não repetir. Aquele ciclo não tinha se fechado ainda, sem a Comissão da Verdade, sem esse balanço ”, diz.

No Brasilidade
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Cadê as ameaças à liberdade imprensa?

Antes de começar a escrever na manhã desta quarta-feira, olho debaixo da mesa, abro as portas dos armários, tiro os livros das estantes, tomo todos os cuidados para me certificar de que não tem nenhum agente secreto à espreita querendo cercear minha liberdade de expressão.

De onde ressurgiu de repente esta síndrome de pânico da censura, que desaparecera da minha vida em 1975, quando o general-presidente Ernesto Geisel fez o favor de tirar seus homens das oficinas do centenário Estadão, onde eu trabalhava e eles por sete anos cortavam as matérias que a gente escrevia?

Acho que fiquei muito impressionado com as ameaças que ouvi de alguns colegas na noite da entrega dos prêmios aos "Cem mais Admirados Jornalistas Brasileiros", uma iniciativa das empresas Jornalistas&Cia. e Maxpress, baseada numa pesquisa feita junto a 2 mil executivos de Comunicação Corporativa num universo de 55 mil profissionais em atividade no país.

Segundo alguns destes profissionais admirados e premiados que, sem citar fatos nem entrar em maiores detalhes, fizeram discursos inflamados sobre a gravidade do momento para a nossa profissão, diante das ameaças governamentais à liberdade de imprensa e expressão, a volta da censura estava logo ali na esquina, com as tropas só esperando uma ordem para invadir as redações, como fizeram na noite de 13 de dezembro de 1968 no Estadão, quando boa parte dos 600 convidados que lotavam o salão do Clube Homs, na avenida Paulista, nem havia nascido ou não tinha a menor ideia do que foi o Ato Institucional Nº 5.

A partir do alerta sobre os perigos iminentes feito por um colega de Brasília, cujo nome não me lembro, vários outros premiados viram-se como que na obrigação de também tocar no assunto, na mesma linha de editoriais e colunas publicados nos últimos tempos pela imprensa familiar tucana, na linha de "o preço da liberdade é a eterna vigilância", a máxima do udenismo que voltou à moda na recente campanha eleitoral.

De onde tiraram isso? Não encontro nenhuma razão objetiva, nenhum fato novo concreto, qualquer sinal de que a liberdade de imprensa esteja correndo perigo no Brasil, um país que vive hoje o mais longo período democrático e de pleno respeito às liberdades públicas da nossa História.

Gostaria que me citassem um só caso em que a liberdade dos jornalistas e das suas empresas sofreu qualquer restrição por parte do governo federal, direta ou indiretamente, desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003, quando eu era o Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.

Já naquela época, qualquer tentativa de se debater a necessidade da criação de um novo marco regulatório para as comunicações sociais, que vivem a mais profunda revolução desde a invenção da prensa de Gutemberg, faz mais de 500 anos, era imediatamente taxada de tentativa de controlar a imprensa e promover a volta da censura. Só para lembrar: a legislação em vigor data do tempo da televisão em branco e preto, lá nos idos dos anos 1960. Para os barões da mídia, que continuam os mesmos daquele tempo, é simplesmente proibido tocar neste assunto.

Pensei em falar disso quando me chamaram ao palco, já perto da meia noite. Mas, como cada "admirado" só tinha 15 segundos para os agradecimentos, e eu estava acompanhado de alguns dos meus netos, todos nós com sono, achei melhor deixar para lá, e curtir o resto da festa.

Só resolvi escrever sobre este assunto agora, depois de ler nota publicada no Observatório da Imprensa pelo meu amigo Luciano Martins Costa, um dos premiados, sob o título "O fantasma bolivariano". (leia abaixo). Faço minhas as palavras do sempre brilhante colega, que também não entrou na onda do efeito manada assustada daquela noite, e foi o único a registrar o que aconteceu em sua coluna:

"Na hora dos agradecimentos, foi das mesas onde se concentravam figuras conhecidas das grandes empresas de comunicação que brotaram os raros discursos com teor político: como num jogral, personalidades da escrita, do rádio e da TV desfiaram no palco seus temores e seu repúdio a uma suposta ameaça à liberdade de imprensa, que estaria pairando sobre o universo midiático. Foi quase um manifesto de solidariedade ao credo patronal: o Brasil estaria à beira de ver ressuscitar a censura do período militar, agora por conta de um regime "bolivariano" em Brasília".

"As frases de sentido dúbio insinuavam esta aleivosia, que vem sendo repetida por outros jornalistas menos categorizados do que aqueles — os pitbulls remunerados para radicalizar o discurso partidário da imprensa — colocando respeitados profissionais no papel pouco edificante de incutir naquele ambiente festivo um viés que — por imposição ética do jornalismo — só deve ser exposto em circunstância que permita o contraditório".

"Além do mais, foi uma manifestação de pouca educação, visto estarem todos ali para uma celebração, não para uma dessas passeatas que levam à Avenida Paulista os desafetos da democracia".

"A demonstração de corporativismo em seu sentido mais raso teve frases de efeito que beiravam a sabujice. Mas nada disso estragou a festa. O evento de Jornalistas&Cia. talvez seja o último lugar onde jornalistas brasileiros postados em campos ideológicos opostos podem trocar amabilidades, ainda que alguns não tenham entendido o espírito da coisa".

Nada tenho a acrescentar ou objetar.

Ricardo Kotscho
No Blog do Miro



Quem são os jornalistas brasileiros?

Há uma série de trabalhos acadêmicos sobre essa profissão no Brasil, entre os quais estudos feitos sob encomenda de entidades como a Federação dos Jornalistas, mas não estão disponíveis levantamentos atualizados e completos sobre os perfis predominantes nesse campo.

Por isso, é importante o boletim Jornalistas&Cia, que produz o Portal dos Jornalistas (ver aqui) e atualiza constantemente uma relação que já tem 5.600 trabalhadores da imprensa.

No entanto, embora estejam ali expostas as carreiras, especializações e obras literárias eventualmente produzidas por esses profissionais, há imprecisões que dificultam a compreensão do universo da mídia nacional sob o ângulo daqueles que fazem acontecer o jornalismo.

Aparentemente, há uma espécie de barreira entre dois mundos: o daqueles que exibem seus trabalhos nas grandes empresas de comunicação e os que exercem seu mister em outras áreas, como a comunicação corporativa, trabalhando em blogs, sites ou mantendo páginas pessoais ou coletivas nas redes sociais.

Ainda que incompleto, esse conjunto de perfis permite a pesquisadores um contato primário com uma base de trabalhadores intelectuais cujo destino é afetado diretamente pelas mudanças que ocorrem nos últimos anos no campo da comunicação.

Não apenas pelo advento das tecnologias digitais, mas, no caso do Brasil, o contexto em que atuam os profissionais da imprensa tem sofrido alterações profundas por conta de uma guinada conservadora no núcleo duro da mídia, onde se concentram quatro dos mais poderosos grupos empresariais do setor.

Jornalistas que atuam nos grupos Globo, Folha, Abril e Estado tendem a ser identificados com as empresas que pagam seus salários, característica que não era determinante dos perfis profissionais em décadas recentes.

Hoje, o alinhamento com a política editorial é quase uma condição para a manutenção do emprego.

O "quase" fica por conta das exceções de praxe, tão raras quanto delicadas, ao ponto de se poder afirmar que a estabilidade pode estar condicionada ao grau de engajamento do jornalista na linha predominante na empresa.

Interessante observar que essa dicotomia só é perceptível na chamada mídia alternativa, porque nas páginas da chamada grande imprensa o discurso hegemônico permite pouca diversidade, e vozes eventualmente dissonantes cumprem uma função mercadológica, por assim dizer.

O fantasma bolivariano

Nesta segunda-feira (8), algumas centenas de jornalistas puderam observar como se manifesta essa divisão vertical na categoria profissional.

Reunidos por iniciativa de Jornalistas&Cia, para a festa em homenagem aos cem jornalistas mais admirados do Brasil, os agraciados se compuseram naturalmente em tribos que reproduziam claramente essa característica do universo jornalístico brasileiro.

Exceto pelos veteranos que carregam em suas personas a história quase inteira da imprensa moderna no Brasil, e que por isso podem trafegar com naturalidade por todo o campo conflagrado, o que se viu foi a composição de mesas por afinidade ideológica ou empregatícia.

Na hora dos agradecimentos, foi das mesas onde se concentravam figuras conhecidas das grandes empresas de comunicação que brotaram os raros discursos com teor político: como num jogral, personalidades da escrita, do rádio e da TV desfiaram no palco seus temores e seu repúdio a uma suposta ameaça à liberdade de imprensa, que estaria pairando sobre o universo midiático.

Foi quase um manifesto de lealdade ao credo patronal: o Brasil estaria à beira de ver ressuscitar a censura do período militar, agora por conta da iminência de um regime "bolivariano" em Brasília.

As frases de sentido dúbio insinuavam essa aleivosia, que vem sendo repetida por outros jornalistas menos categorizados do que aqueles — os pitbulls remunerados para radicalizar o discurso partidário da imprensa —, colocando respeitados profissionais no papel pouco edificante de incutir naquele ambiente festivo um viés que — por imposição ética do jornalismo — só deve ser exposto em circunstância que permita o contraditório.

Além do mais, foi uma manifestação de pouca educação, visto estarem todos ali para uma celebração, não para uma dessas passeatas que levam à Avenida Paulista os desafetos da democracia.

A demonstração de corporativismo em seu sentido mais raso teve frases de efeito que beiravam a sabujice.

Mas nada disso estragou a festa.

O evento de Jornalistas&Cia talvez seja o último lugar onde jornalistas brasileiros postados em campos ideológicos opostos podem trocar amabilidades, ainda que alguns não tenham entendido o espírito da coisa.

Luciano Martins Costa
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Democratização da mídia manda lembranças

Debate é tão atual que apareceu até numa noite de festa, invocado como um fantasma autoritário por jornalistas que querem manter tudo como está — inclusive nos meios de comunicação

Imagine você que na última segunda-feira fui ao tradicional Club Homs, na avenida Paulista, como um dos homenageados na entrega do Premio dos 100 Jornalistas Mais Admirados dos país. Encontrei amigos, revi colegas sumidos. Subi ao palco, agradeci o prêmio e os votos que recebi e fui embora.

Num mundo cada vez mais atomizado, iniciativas desse tipo, realizada pelo site Comunique-se, merecem aplauso. Reforçam o convívio entre as pessoas, ajudam a manter laços esgarçados, reforçam a solidariedade. Lembrando que cientistas políticos sustentam que até corais de vizinhos ajudam a dar raizes ao regimes democrático, pois constroem laços que atravessam uma comunidade inteira, só podemos valorizar eventos dessa natureza.

Mas o evento de segunda-feira ajudou a mostrar uma divisão política clara entre jornalistas, entre os mais prestigiados do país, a respeito de um tema de urgência — a democratização dos meios de comunicação.

Num sinal dos tempos que vivemos, enquanto centenas de presentes estavam à mesa, permutando nostalgias, diversos colegas que também subiram ao palco na condição de “mais admirados,” aproveitaram o microfone para falar de supostas ameaças que perseguem a liberdade de imprensa do país.

Nós conhecemos a matriz desse discurso, que tenta desqualificar um debate necessário, apresentando toda tentativa de mudar uma situação de monopólio — proibido pela Constituição — como um exercício de ginástica bolivariana. Respeitando o direito de todos a manifestar sua opinião, sempre que consideram adequado, sabemos que é um comportamento coerente com a mobilização conservadora que marcou a derrota de Aécio Neves em 26 de outubro, que tem incluído passeatas de protesto e até pedidos de impeachment sob liderança de neo-ativistas, inclusive Lobão.

Mas, mesmo iniciada por seus adversários, a discussão tem absoluta atualidade.

Um dos mais aplicados críticos da mídia brasileira, o jornalista Luciano Martins Costa — também premiado — aproveitou sua coluna no Observátorio da Imprensa, no dia seguinte, para fazer a discussão. Disse que os adversários da democratização da mídia “desfiaram seus temores e seu repúdio a uma suposta ameaça à liberdade de imprensa, que estaria pairando sobre o universo midiático. Foi quase uma manifestação de solidariedade ao credo patronal: o Brasil estaria à beira de ver ressuscitar a censura do período militar, agora por conta de um regime ‘bolivariano” em Brasília.” No mesmo tom, outro premiado, Ricardo Kotscho, comentou: “Não encontro nenhuma razão objetiva, nenhum fato novo concreto, qualquer sinal de que a liberdade de imprensa esteja correndo perigo no Brasil.”

Não custa lembrar que este debate só pode ser compreendido a partir de um contexto mais amplo. A discussão sobre riscos — imaginários, em minha opinião — à liberdade de imprensa, tem origem no lugar que os principais grupos de comunicação decidiram ocupar na vida da sociedade brasileira nos últimos anos, em particular depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, em 2003. Como ficou particularmente claro na campanha presidencial, temos hoje uma nítida divisão entre opiniões políticas que se manifesta no apoio ou na oposição às principais políticas de Estado, do Bolsa Família à valorização do salário mínimo, cotas para ingresso na universidade e uma política externa menos dependente dos Estados Unidos.

Eu acho que os jornalistas que se colocam como adversários da democratização dos meios de comunicação, repetem o comportamento das corporações médias que em 2013, usaram a presença de médicos cubanos para combater o programa Mais Médicos — sem dar respostas concretas a população da pobre que não consegue encontrar um doutor para cuidar de suas dores nem quando o Estado se dispõe a pagar R$ 30 000 por mês.

Estamos falando de projetos para o país, de esquerda e direita, ainda que, em função dos vínculos jamais apagados com o regime de 64, a “direita” brasileira prefira não dizer seu nome e até sustentar que essas distinções foram eliminados em algum ponto da história humana posterior à Queda do Muro de Berlim.

Após a quarta vitória do bloco Lula-Dilma em eleições presidenciais, feito raríssimo nas democracias do mundo, parece difícil negar que uma parcela importante da população não se sente representada pelas opções de mídia que estão aí. A maioria de jornais, revistas, emissoras de r[adio e TV, não só estão alinhadas sem pudor no apoio aos adversários, mas são capazes de orientar a cobertura factual para sustentar suas preferências políticas, num tratamento seletivo que é particularmente nocivo para o debate público e a formação dos cidadãos.

Não se trata, é claro, de um debate de interesse exclusivo de jornalistas. Estes são profissionais que, em 99% dos casos, jamais têm o direito de usufruir da liberdade apresentar os fatos à sua maneira, de acordo com sua opinião. Sobrevivem como cidadãos submetidos a uma divisão de trabalho que se tornou ainda mais rígida depois que os meios de comunicação se tornaram parte essencial da polarização política do país.

Não haveria nada de mais na situação atual se ela fosse fruto de uma disputa leal, entre ideias e instituições que tiveram a chance de concorrer entre si e vencer com igualdade de condições. Mas não. Vivemos num país onde impera uma política de comunicação que procura tirar vantagens tanto da herança do regime militar como das noções de uma desregulamentação grosseira, radical como em poucas partes do mundo — para impedir a entrada de novos concorrentes, manter tudo como sempre esteve, e até piorar um pouco.

No plano das garantias do cidadão, o Brasil aboliu o direito de resposta, que era a principal proteção efetiva contra erros e abusos cometidos por jornalistas, e que foi, ironicamente, uma das poucas garantias democráticas previstas pela carta de 1967, do regime militar.

No terreno das emissoras de rádio e TV, que são uma concessão pública, convive-se sem remorso com o entulho deixado pela ditadura — que perseguiu e esfacelou aliados do antigo regime — reforçado pelos movimentos sequenciais de José Sarney para engordar as legendas conservadoras e garantir cinco anos de seu mandato na Assembléia Constituinte.

Em vez de procurar limites a concentração de propriedade, numa mercadoria que pode conduzir ao domínio da informação e da opinião, nada se faz para cumprir uma Constituição que condena o monopólio e o oligopólio em qualquer setor da economia, seja a venda de sabonetes, as redes bancárias e as fábricas de chocolate.

Esta é a discussão de fundo que precisa ser encarada, destravando um debate que foi sufocado em 1988 pelo Centrão que fez maioria na Assembleia Constituinte. Derrotado no debate político, nosso conservadorismo foi vitorioso no atalho regimental: estabeleceu a exigência de que todas as mudanças só entrariam em vigor quando fossem regulamentadas por lei ordinária — e a partir então a bancada de amigos trabalha tem trabalhado com empenho para impedir que isso aconteça, consolidando interesses cada vez mais poderosos para impedir qualquer mudança.

O esforço para encontrar raízes bolivarianas neste debate não resiste a 5 minutos no Google.

Basta ler os projetos originais, de um quarto de século atrás, da deputada Cristina Tavares, daquele honroso PMDB pernambucano ligado as lutas contra a ditadura de onde saiu Eduardo Campos, e do senador Arthur da Távola, da geração tucana que honrava a palavra social-democracia, para compreender o alcance da discussão de hoje. Quem fala em bolivarianismo não sabe o que diz — ou sabe tão bem que procura confundir em vez de esclarecer. Quando a Constituinte encerrou seus trabalhos, de forma positiva em tantos capítulos, mas melancolica em outros, Hugo Chávez era um simples coronel com ideias de esquerda, que desenvolvia uma militância clandestina nos quarteis da Venezuela.

Paulo Moreira Leite
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Esclarecimento sobre matérias publicadas na imprensa a respeito de denúncias

Com referência às matérias publicadas na imprensa a respeito de denúncias feitas pela empregada Venina Velosa, a Petrobras reitera que tomou todas as providências para elucidar os fatos citados nas reportagens. Não procede a afirmação de que não houve apuração por parte da Companhia em nenhum dos três casos citados por ela: RNEST, Compra e Venda de BUNKER e Irregularidades da Gerência de Comunicação do Abastecimento.

A Petrobras instaurou comissões internas de apuração, entre as quais uma referente aos procedimentos de contratação nas obras da RNEST, em 2014. A empregada foi ouvida nesta comissão, momento em que teve a oportunidade mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa. A empregada guardou estranhamente por cerca de 5 anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão.

A empregada foi citada no relatório desta Comissão com referência a responsabilidades por não conformidades consideradas relevantes. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes. A empregada foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19/11/2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial.

A Petrobras instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 3 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da Companhia. A demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica. A demissão foi efetivada em 2013. O resultado das análises foi encaminhado para a CGU e MP/RJ e há uma ação judicial em andamento visando ao ressarcimento dos prejuízos causados à companhia pelo ex-empregado.

Após resultado do Grupo de Trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker, com a implementação de controles e registros adicionais. Com base no relatório final, a Companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014.
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Troféu Bolsonaro 2014


Todo ano, com extremo rigor e muito trabalho, a Academia Palomense atribui o Troféu Bolsonaro aos piores dos últimos dozes meses. Trata-se de um prêmio sério e muito visado. A comissão julgadora é obrigada a justificar a escolha. Tem prêmio por aí que escolhe o melhor do ano disso ou daquilo sem apresentar qualquer razão. Fica assim: por que fulano é o melhor do ano? Porque sim. A Academia Palomense é mais exigente. Só se interessa pelos piores. Nunca lhe falta o que julgar.

O Troféu Bolsonaro 2014 vai para Jair Bolsonaro. O regulamento não impede que a desonraria seja concedida a quem já lhe empresta o nome desde que ao menos dez critérios sejam atendidos. O deputado do Partido Progressista do Rio de Janeiro mais uma vez foi imbatível em grosseria, reacionarismo, estupidez, homofobia, machismo, racismo, defesa de torturadores, justificação da ditadura, quebra de decoro, incitação à violência, falta de educação e lacerdismo tardio. A Academia Palomense, contudo, só se decide quando o indicado pode ser condecorado em função de uma realização concreta. Atitudes genéricas não bastam. Jair Bolsonaro ganhou o troféu Bolsonaro de pior de 2014 por sua ofensa à deputada Maria do Rosário: “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Fique aí, Maria do Rosário. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”. O que dizer? Simplesmente que Bolsonaro é pusilânime.

O segundo Troféu Bolsonaro de 2014 vai para os eleitores do Rio de Janeiro que consagraram Jair Bolsonaro como o mais votado do Estado para a Câmara de Deputados. A comissão de notáveis palomenses justificou a sua unanimidade: “Só um eleitorado muito reacionário e alheio aos valores civilizatórios e democráticos é capaz de dar tantos votos a um homem que sintetiza os preconceitos mais repugnantes disseminados na cultura brasileira. Não se poderia ignorar tamanha disposição para a infâmia”. O terceiro Troféu Bolsonaro 2014 vai, por antecipação, para a Câmara dos Deputados, que, obviamente, não cassará Jair Bolsonaro por quebra de decoro e por incitação à violência contra as mulheres. O machismo vencerá. É aliado da covardia.

Atenta a tudo o que acontece no Brasil, a Academia Palomense não se deixa enganar por indivíduos que repetem suas estratégias só para tentar ganhar o Troféu Bolsonaro novamente. Nesse sentido, não premiará outra vez Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Marco Antônio Villa, Rodrigo Constantino e Arnaldo Jabor. Em contrapartida, sente-se obrigada a coroar, mais uma vez, a revista Veja pela capa “Eles sabiam de tudo” destinada a tentar influenciar o resultado da eleição presidencial. Dificilmente a mídia brasileira fará pior em termos de manipulação e ausência de provas. Outro ganhador do Troféu Bolsonaro 2014 é o militante de direita Lobão. Leva o prêmio pela sua atuação nas manifestações contra a democracia. A direção da Petrobrás também ganha o Troféu Bolsonaro pela situação em que se encontra a empresa. A Comissão Palomense faz um questionamento: quando Bolsonaro sairá do armário? Lobão já saiu. Assumiu-se plenamente como reacionário. Bolsonaro é o que o Brasil tem de pior.
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‘Exigir’ a saída de Graça Foster é uma manobra cínica e oportunista

Na mira da oposição cara de pau
A oposição exige que Dilma mande embora Graça Foster.

Um momento: exige?

Quantos votos a oposição teve? Bastaria que vencesse a eleição para que Graça fosse tirada da Petrobras.

Mas perdeu.

Então, não há o menor sentido em exigir nada.

O que a oposição está querendo, com a contribuição milionária da imprensa, é fingir que os problemas na Petrobras se iniciaram com o PT.

Não adianta o delator Paulo Roberto Costa haver dito que a coisa vem lá de trás, desde que ele se conhece como funcionário da Petrobras, coisa da época de Sarney.

Não adianta também, nas evocações que são feitas hoje a Paulo Francis, recordar que as denúncias dele diziam respeito à Petrobras de FHC.

Mas eram outros tempos, aqueles de Francis.

Quando Francis falava — com sua costumeira leviandade — de corrupção na Petrobras, ninguém conectava a empresa a FHC.

Agora, qualquer coisa ruim na Petrobras é logo vinculada a Dilma, a Lula e ao PT.

É muita cara de pau da oposição exigir a cabeça de Graça antes que se comprove qualquer envolvimento dela com as delinquências.

Pela mesma lógica, Alckmin já deveria ter demitido o presidente do Metrô, indiciado na roubalheira.

Para não falar no conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Robson Marinho, que continuou “fiscalizando” as despesas do governador de São Paulo quando a Suíça já avisara fazia tempo que bloqueara uma conta milionária dele por ter sido abastecida com propinas.

Alguém exigiu de Alckmin que fizesse alguma coisa? Jabor, Dora Kramer, Merval — qualquer um deles fez perorações moralistas sobre tais casos?

Entregar a cabeça de Graça apenas porque a oposição “exige” seria um sinal de extrema fraqueza de Dilma.

Se houver fatos concretos que a desabonem, que se faça o que tiver que ser feito.

Se não, que sejam criadas barreiras para que a Petrobras não seja abjetamente usada por interesses políticos — algo que a rigor acontece desde que ela foi fundada.

Antes de exigir qualquer coisa, a oposição — especificamente o PSDB — deve à sociedade uma explicação sobre a denúncia de que um ex-presidente seu, Sérgio Guerra, teria embolsado 10 milhões de reais em troca de inviabilizar uma CPI.

Dias atrás, vazaram informações de que Aécio teria sofrido pressões da Odebrecht para maneirar no caso Petrobras. Anotações vazadas pela Polícia Federal sugerem que Aécio, sob pressão, teria escalado os senadores Álvaro Dias e Mario Couto para “fazer circo”.

Com tudo isso ainda por ser esclarecido, é Graça quem tem que pagar a conta?

É muito cinismo.

Ou, para usar uma palavra tão usada por Aécio na sua fracassada campanha, muita leviandade.

Paulo Nogueira
No DCM
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O Globo descaradamente, mente outra vez


Reportagem sensacionalista do jornal O Globo, publicada há uma semana, tratava da suposta entrega de um triplex ao ex-presidente Lula na Praia das Astúrias, no Guarujá, pela empreiteira OAS; "De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato", dizia a reportagem; o problema: nem Lula, nem Marisa Letícia são donos do imóvel; têm apenas uma cota do empreendimento e poderão adquiri-lo, ou não, nas mesmas condições oferecidas aos outros cooperados; leia a nota divulgada nesta sexta pelo Instituto Lula

"O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já pode passar o “reveilon” na Praia das Astúrias, no Guarujá, área nobre do litoral Sul de São Paulo. De sua ampla sacada, poderá ver a queima de fogos, que acontece na orla bem defronte do seu prédio, feito pela OAS, empresa investigada pela Operação Lava-Jato. É que na semana passada terminaram as obras de reforma do apartamento triplex no Edifício Solaris, que ele e dona Marisa Letícia, sua mulher, compraram por meio da Bancoop — a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo —, ainda na planta, em 2006. Acusada de irregularidades e em crise financeira, a Bancoop deixou três mil famílias sem receber os sonhados apartamentos."

Assim começava uma reportagem do jornal O Globo, publicada há uma semana, sobre a entrega de um imóvel que foi transferido pela Bancoop à construtora OAS. O problema: Lula e Marisa Letícia não são donos do triplex. Compraram uma cota do imóvel e poderão, agora, decidir se irão adquiri-lo, ou não, nas mesmas condições oferecidas a todos os cooperados. Leia, abaixo, nota postada por Lula em seu Facebook:

Nota sobre o suposto apartamento de Lula no Guarujá

Dona Marisa Letícia Lula da Silva adquiriu, em 2005, uma cota de participação da Bancoop, quitada em 2010, referente a um apartamento, que tinha como previsão de entrega 2007. Com o atraso, os cooperados decidiram em assembleia, no final de 2009, transferir a conclusão do empreendimento à OAS. A obra foi entregue pela construtora em 2013. Neste processo, todos os cooperados puderam optar por pedir ressarcimento do valor pago ou comprar um apartamento no empreendimento. À época, Dona Marisa não optou por nenhuma destas alternativas esperando a solução da totalidade dos casos dos cooperados do empreendimento. Como este processo está sendo finalizado, ela agora avalia se optará pelo ressarcimento do montante pago ou pela aquisição de algum apartamento, caso ainda haja unidades disponíveis. Qualquer das opções será exercida nas mesmas condições oferecidas a todos os cooperados.

Assessoria de Imprensa
Instituto Lula
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Sérgio Porto # 73


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Essa é do Barão... 131


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