6 de dez de 2014

O otário que acreditou que Aécio ia ao protesto

Trabalhar sábado à tarde?
Um protesto pode virar, perfeitamente, uma comédia, como se viu hoje em São Paulo.

O mais difícil é saber quem foi o palhaço principal.

São três os candidatos: Aécio, Lobão e Serra. Francamente, estou em dúvida sobre qual foi mais ridículo.

Vejamos um a um.

Lobão começou o dia superlativo no Twitter. “HOJE O CHÃO DA PÁTRIA IRÁ TREMER”, tuitou ele antes do protesto.

Assim mesmo, em maiúsculas.

Pouco depois, ele usou o plural majestoso. “Chegamos!!!!!!!”. Para poupar seu tempo, aviso que foram sete pontos de exclamação.

Depois a realidade, esta pantera, começou a se impor. Disse ele no Twitter: “Infelizmente, tive mais uma vez que sair da passeata por todos os motivos que expus ontem. Estou de luto.”

No dia anterior, ele freneticamente tentara evitar que “militaristas”, como ele chama os que defendem um golpe militar, participassem do protesto.

Já não havia maiúsculas, já não havia exclamações, mas uma mistura de frustração com raiva.

A Folha captou um desabafo de Lobão. “Cadê o Aécio? Tô pagando de otário.”

E aí chegamos a Aécio, outro candidato ao título de idiota do dia.

Bem, se Lobão imaginou mesmo que Aécio gastaria uma tarde ensolarada de sábado para ir a um protesto, é mesmo um otário.

Aécio faz tudo por uma manifestação num sábado contra a Dilma, exceto ir.

Mas por momentos pareceu que ele romperia sua tradicional vida boa e mansa. Num vídeo postado na véspera do protesto, ele convocou as pessoas a ir para a rua.

Era presumível que ele mesmo fosse, mas Aécio se mostrou incapaz de mobilizar a si próprio. Ficou claro o tamanho de sua liderança. Talvez ele devesse ter mandado em seu lugar o Aécio de Papelão, mas nem isso.

Serra, mais trabalhador, foi. E então chegamos ao terceiro candidato à coroa de trouxa do dia.

Como Aécio, Serra gravou um vídeo no qual pedia que as pessoas fossem às ruas. Ele conseguiu dizer o seguinte: que nunca, em sua vida, vira manifestações tão expontâneas quanto estas que têm sido feitas contra Dilma.

Em seu mundo particular, Serra deve ter ficado impressionado com um protesto anti-Dilma em Belo Horizonte que se dispersou diante das primeiras gotas de chuva.

A capacidade de mobilização de Serra ficou tão evidente quanto a de Aécio. Fora o fato de que ele pelo menos foi, as estimativas giravam em torno de 800 manifestantes, divididos em dois blocos.

Um era o dos “militaristas”. Outro, o de “civis” como Serra. Isto quer dizer que Serra levou 399 almas para a rua.

Não. Aécio tem também sua parte, já que gravou um vídeo. Cada um levou 199,5 almas para a Paulista.

É uma dura parada. Aécio, Lobão ou Serra? A piedade me leva a excluir Lobão: ele é a única pessoa que acredita nos propósitos de políticos como Aécio e Serra.

Opto por Aécio como o mentecapto do dia. Serra ao menos compareceu.

A quem eventualmente o recrimine pelo WO que deu, Aécio poderia dizer uma frase em inglês que não tem tradução: “Get a life! Entrei na política por muitas razões, menos trabalhar.”

Paulo Nogueira
No DCM
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O Globo Repórter e o bom sujeito




O bom sujeito assiste o Globo Repórter sobre a Suécia e deita falação sobre o Brasil.

Sabe o sujeito que a Suécia é um dos países menos desiguais do mundo? Sabe que a diferença salarial entre um médico, um professor, um gari ou um engenheiro é mínima?

Sabe que lá os impostos sobre a renda, a herança e sobre o patrimônio são altíssimos? Sabe que lá a carga tributária é de 50 por cento do PIB enquanto aqui é de 35 por cento do PIB?

O sujeito (ou os sujeitos) ama(m) a Suécia, a Noruega, a Finlândia e a Dinamarca, idolatra(m) o modo de vida da Escandinávia mas, quando o papo é sobre o Brasil, aí tudo muda de figura.

Experimentem sugerir aos amantes da Suécia que se implante no Brasil um sistema tributário direto e progressivo sobre a renda, a herança e o patrimônio...

Experimentem sugerir aos amantes dos descendentes dos vikings que se aumente a carga tributária no Brasil para garantir a gratuidade da educação pública, da pré-escola até a graduação, como é na Suécia...

Experimentem dizer que a brutal desigualdade social ainda existente no Brasil deveria ser eliminada e em seu lugar deveríamos perseguir a quase igualdade social da Noruega...

Experimentem dizer para eles que os salários do gari e do doutor deveriam ter diferenças pequenas entre si...

Experimentem, experimentem!

A verdade é que estas pessoas, quando falam sobre o Brasil, são as primeiras a reclamar da 'alta carga tributária', da infernal legislação trabalhista, da pouca vergonha que foi incluir as domésticas na legislação trabalhista porque isto aumenta o 'custo Brasil', etc.

O que dizer do encantamento do sujeito quando viu que lá na Suécia a licença maternidade e paternidade é de 1 ano e 4 meses? O sujeito ficou maravilhado!

Agora, se alguém defender isto aqui na terra das palmeiras, o mesmo sujeito enlouquece dizendo que isto vai quebrar o país!

Defendem eles, na verdade, que o Brasil permaneça eternamente atrasado e desigual. Defendem a civilização desde que essa civilização aconteça lá fora, de preferência na Europa.

Se alguém propõe políticas públicas de aumento do salário mínimo, de combate às desigualdades sociais e regionais ou de aumento na tributação dos ricos, lá vai o nosso bom sujeito vociferar nas avenidas e nas redes sociais contra um tal de ''comuno-bolivarianismo'' que se quer instalar em Pindorama.

É que tudo isso na Suécia é muito chique e elegante, mas no Brasil, ao contrário, é 'comunismo'!

Arrematando, se dependêssemos dos bons sujeitos do Brasil, jamais chegaríamos a ser uma Suécia.

Diogo Costa
No O Ornitorrinco
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Para entender a nova meta fiscal – Lei de Diretrizes Orçamentárias

O que é, finalmente, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e qual é a sua função? Há amparo constitucional para mudar a meta fiscal neste momento? O projeto apresentado configura crime de responsabilidade? Por que tanta polêmica em torno da nova meta fiscal? Entenda, a seguir, todos os aspectos jurídicos sobre a questão

Votação da nova meta fiscal no Congresso Nacional foi cercada de polêmicas e bate-bocas entre parlamentares

Exposição do problema.

O Poder Executivo do Brasil acaba de apresentar um projeto de lei para alterar a meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014 – LDO (Lei 12.919/2013).

Muita polêmica vem se travando em torno deste tema. Houve declarações de que a apresentação do projeto configura crime de responsabilidade por violação à Constituição (art. 85, VI) e à Lei 1.079/50.

De qualquer forma, a oposição acaba de impetrar Mandado de Segurança no STF para trancar a tramitação do projeto, sob o fundamento de violação da Lei do Plano Plurianual (PPA).

Tendo em conta essas questões, o objetivo é propor uma reflexão do ponto de vista jurídico, de forma a oferecer algum subsídio para os debates..

O regime jurídico orçamentário e a meta fiscal.

Segundo a Constituição, o PPA estabelecerá os objetivos e metas da Administração Pública federal para 04 anos. A LDO tem, entre outras funções, estabelecer as metas e prioridades da Administração Pública federal e orientar a elaboração da lei orçamentária anual. E a LOA é a lei orçamentária anual.

A LDO é uma peça basicamente de planejamento que pretende fazer a ligação entre os objetivos da Administração Pública de médio prazo previsto no PPA e àqueles anuais que são colocados na LOA. Caldas Furtado, ilustre Conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão, leciona que, do ponto de vista constitucional, a LDO tem a função primordial de escolher, dentre os programas constantes do PPA, aqueles que são prioritários (Direito Financeiro, Belo Horizonte, Forum, 2013, p. 119).

Entretanto, do ponto de vista da LRF, a LDO não é peça de planejamento meramente anual, mas sim trienal, tal como se vê em seu art. 4º, § 1º, que determina o estabelecimento das metas fiscais para três anos.

Aliás, esta característica foi copiada da Lei da Nova Zelândia que adota o parlamentarismo. Segundo Ricardo Lobo Torres, essa cópia “trouxe mais distorções e desajustes que vantagens” e acrescenta que “só a martelo essas ideias se encaixam no figurino constitucional brasileiro”, que é o presidencialista (Curso de Direito Financeiro e Tributário, Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 175).

As metas fiscais que são fixadas para os 03 anos seguintes tem como base uma metodologia que deve ser explicitada no documento próprio, que é o Anexo de Metas Fiscais da LDO. É o que determina o já citado § 1º do art. 4º da LRF, que agora transcrevemos:

“§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes”.

As referidas metas, portanto, apesar de serem fixadas por critérios do próprio Executivo, se convertem em lei e devem ser cumpridas.

Se a meta fiscal fixada pelo governo importa realizar um total de despesas (sem se computar as dívidas, financiamentos e refinanciamentos) menor que a receita de tributos e contribuições previstos para ser arrecadada, tem-se como meta um “superávit primário.

A proposta do atual governo de alterar a meta do superávit primário para 2014.

A LDO vigente (Lei 12.919/2013) estabeleceu R$ 167 bilhões de reais de superávit (art. 2º) em 2014, mas que poderia ser reduzido até R$ 67 bilhões de reais por causa do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC (art. 3º). Esses valores são repetidos e explicados nos Anexos das Metas Fiscais, que inclui, além da meta para 2014, as para 2015 e 2016.

Ressalte-se que o PAC foi estabelecido como prioridade pela Lei do PPA (Lei 12.593/2012), em seu art. 19. Portanto, o Congresso aprovou o PAC como sendo um programa prioritário em janeiro de 2012.

No PAC estão previstos a realização muitos investimentos de infraestrutura, que refletem em sobrecarga de despesas. Vinculado ao PAC também se tem a desoneração tributária de determinados setores da economia. Trata-se de redução da carga tributária mediante a outorga de isenção ou outros instrumentos de renúncia de receita.

Pois bem, o Poder Executivo verificou neste ano que a implementação do PAC somada à contínua queda da receita não iriam permitir o cumprimento da meta fiscal superavitária no patamar fixado, mesmo considerando a redução permitida pelo citado art. 3º (até o limite de 67 bilhões).

Assim, a proposta atual do Poder Executivo é a de eliminar o limite de redução do superávit contido no art. 3º da Lei 12.919/2013 para evitar a adoção dos citados cortes.

A determinação legal de verificar o cumprimento das metas e o papel dos Riscos Fiscais.

O ato de verificar, por parte do governo, se se conseguirá cumprir ou não a meta fiscal está previsto pela própria Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Essa verificação é, em verdade, um dever legal que se faz ao final de cada bimestre de modo solene. É o que se extrai do art. 9º da LRF:

“Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias”.

Esse acompanhamento obrigatório por parte do Poder Executivo tem uma razão de ser. O gestor já tem previamente mapeado os setores que podem acarretar problemas. Por isso, a LRF prevê que a LDO deve conter também um Anexo que exponha os riscos que podem impactar as finanças do Estado (art. 4º, § 3º).

Este anexo tem relevância jurídica. A sua falta configura até mesmo infração administrativa (Lei 10.028/00). Até o momento, ficou de fora dos comentários na imprensa e nas redes sociais. Ao se analisar este anexo da LDO vigente se constata que o risco maior apontado é o que envolve a receita (veja, por exemplo, o Anexo V – Riscos Fiscais – item 2.1. – Riscos relativos às variações da Receita).

A causa indicada deste risco foi a previsão de desaquecimento da economia em decorrência da crise econômica mundial. Esse fator geraria menor arrecadação de tributos. Não se pode esquecer que este fator de risco consta da LDO que foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2013. Não é razoável, agora, alegar desconhecimento.

A metodologia para calcular esse risco envolve o que os técnicos fiscais chamam de “análise de sensibilidade de cada tributo”. No caso da União, é a Receita Federal, administradora dos tributos, que realiza este estudo.

É importante destacar também que não há riscos de aumento de despesas com relação à manutenção da máquina pública. De fato, seria muito grave se se apresentasse a possibilidade de descumprimento da meta em razão de gasto desordenado para a manutenção da máquina administrativa. Mas não é o caso.

Assim, não há aumentos de gastos do governo em si mesmo, como erradamente se tem comentado pela imprensa.

Há amparo constitucional para mudar a meta fiscal neste momento? O projeto apresentado configura crime de responsabilidade?

Pelo perfil jurídico da LDO, o lógico é que preceda à LOA. Quanto a isso, não há discussão.

A alteração da LDO, na parte em que se refere ao exercício financeiro vigente, equivale a modificar a regra do jogo no meio do próprio jogo. Quanto a este ponto também não há dúvida. Por isso, nestes casos, a regra é não alterar. Mas há exceções, como se verá.

Um articulista da imprensa brasileira citou o jurista Regis Fernandes de Oliveira (Curso de Direito Financeiro, São Paulo: RT, 2007, p. 335), especialista em Direito Financeiro, na tentativa velada de justificar a configuração de crime de responsabilidade com a proposta de alteração da LDO.

No entanto, o trecho do livro do autor justifica apenas a dificuldade de mudar a LDO durante sua vigência por falta de tempo e não para fundamentar a ocorrência de fatos ilícitos. Mesmo o articulista não sendo da área jurídica, tentar apontar a lição do Regis como fundamentadora de ato ilícito é totalmente inadequado.

Com relação às metas para os anos seguintes ao do atual exercício, a alteração da LDO é até mesmo previsível. Basta uma alteração do PPA para que possa resultar necessária a alteração na LDO. A lei do PPA vigente contempla, inclusive, um artigo específico para sua alteração (art. 21).

Uma alteração da LDO no meio do exercício vigente somente se justificaria em razão de fatos supervenientes que vierem a impactar as contas públicas. Ela é possível somente a título de exceção.

É certo que o governo, ao propor a LDO, indicou os fatores de riscos que as contas públicas estariam sujeitas, como se disse anteriormente. A resposta para enfrentar os riscos já está prevista na Lei, que são os cortes (art. 9º da LRF). É preciso reconhecer que a solução normal não é a alteração da LDO, mas os cortes.

No entanto, há que se admitir, de outro lado, que, caso se detecte que as medidas de contingência sejam insuficientes ou demasiadamente danosas, a mudança da LDO poderá ser proposta. Não cremos na existência de impedimento constitucional para que se proponha a mudança a partir de motivos justificadores.

Por isso a proposta não significa a materialização de um crime de responsabilidade. Ao contrário, o objetivo é exatamente evitar sua ocorrência.

Caso seja rejeitado o projeto de lei (ou trancado pelo STF) e o governo insistir em não cumprir a meta vigente, aí sim, ter-se-á a configuração de crime de responsabilidade. Fora dessa hipótese, não se configura não só o crime de responsabilidade, o comum, bem como a infração administrativa.

A proposta enviada ao Congresso também não pode ser qualificada como arbitrária porque não desconsidera a competência do Congresso, razão pela qual submete a ele para que avalie se a causa é de tal sorte exógena e imprevisível e que mereça a medida excepcional. O Congresso decidirá.

Então, o que há de se perguntar é se o fato alegado na justificativa do projeto de lei para a alteração da meta fiscal é realmente exógeno e imprevisto.

Em outro dizer, cabe ao governo demonstrar duas coisas: que não houve equívoco na metodologia que vem sendo empregada para avaliar os riscos e que, não reduzindo a margem do superávit proposta haverá graves problemas ao se aplicar a solução normal para o caso: os cortes no PAC e nas exonerações tributárias.

Há que se reconhecer que a motivação constante do projeto é insuficiente. Verifique aqui.

Diante da insuficiência do texto, caberá ao governo discutir toda essa justificativa no Parlamento de modo detalhado e transparente.

Sem pretender ingressar em uma área que foge à jurídica, o que nos parece é que o governo cometeu um erro de cálculo na projeção que fez. Como se sabe, o caminho normal indicado pela lei (art. 9º da LRF) para corrigir é o contingenciamento das despesas. Considerando o impacto político e econômico dos cortes, o governo tenta aprovar a alteração da meta.

Por todas essas razões, reiteramos que o projeto de lei encaminhado, convertendo-se ou não em lei, não configura crime de responsabilidade ou comum e nem infração administrativa. Só poderá configurá-lo caso o governo insista em cumprir a nova meta proposta tendo ela sido rejeitada.

Marcus Filgueira
No Pragmatismo Político
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Brasil e China confirmam lançamento do satélite Cbers-4


Brasil e China preparam-se para o lançamento do satélite Cbers-4. Na véspera do lançamento, Petrônio Noronha de Souza, engenheiro mecânico e um dos diretores da Agência Espacial Brasileira, deu uma entrevista à Rossiya Segodnya.



A apenas dois dias de completar um ano do fracasso do lançamento do satélite CBERS-3, o Brasil e a China se preparam para lançar na madrugada deste domingo (7), o CBERS-4, o quinto do programa de sensoriamento remoto resultante da parceria sino-brasileira, que existe desde 1988. Caso a operação tenha êxito, o Brasil voltará a produzir imagens próprias da Terra e do seu território. Desde o começo de 2010, com o fim das operações do CBERS-2B, o Brasil não possui um satélite próprio para esse fim e por isso compra algumas das imagens registradas pelos Landsats das agências norte-americanas, segundo informações da Agência Espacial Brasileira (AEB).

O lançamento — que estava previsto inicialmente para dezembro de 2015, mas foi antecipado devido ao incidente com o CBERS-3 — deve acontecer entre 10h30 e 11h30 (0h30 e 1h30 do mesmo dia no horário de Brasília), no Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na província de Shanxi, a 760 quilômetros a sudoeste de Pequim, capital da China. A missão poderá ser acompanhada pela internet através de um link no site no INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Segundo a AEB, ter um satélite próprio é de extrema importância para o monitoramento do desmatamento da Amazônia, das fronteiras e para colher informações sobre expansão agrícola e desenvolvimento urbano. As imagens do CBERS podem ser acessadas gratuitamente por qualquer usuário na internet.

No Rádio Voz da Rússia
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Uruguay se prepara para recibir a prisioneros de Guantánamo

El traspaso al país suramericano será el más numeroso de presos de Guantánamo en los últimos años.

La llegada de los prisioneros fue uno de los temas centrales en la campaña electoral de Uruguay. El Presidente Mujica acordó con Barack Obama el ingreso de los presos a su país.

El Gobierno uruguayo recibirá la próxima semana a seis prisioneros de la cárcel de Guantánamo, infomó este viernes el diario El País anuncio hecho por el presidente Mujica el pasado mes de marzo.

Mujica, había anunciado que Uruguay iba a otorgar refugio a seis personas recluidas en esa prisión y meses más tarde ratificó su compromiso ante el presidente estadounidense Barack Obama.

Los presos, que están detenidos sin juicio desde el año 2002, arribarán la noche del próximo lunes o la madrugada del martes, dijo el diario El País citando fuentes que participan en el operativo de traslado.

Los prisioneros están privados de libertad por sospechas de vínculos terroristas. El Gobierno estadounidense, sin embargo, ha dicho que no representan un riesgo para la seguridad del país sudamericano. 

El canciller uruguayo, Luis Almagro, informó igualmente que los seis detenidos de Guantánamo que serán enviados a ese país podrán llevar a sus familias ya que es "prácticamente imposible" que vuelvan a sus países de origen.

No teleSUR
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A mulher do juiz da Lava Jato

Ela
A mulher do juiz do Lava Jato, soube-se ontem, tem ligações com o PSDB no Paraná.

Rosângela Moro é advogada, e presta serviços para o vice-governador Flávio Arns. São atividades meritórias, aliás: estão associadas a atividades em prol de pessoas com deficiência.

Mas há um vínculo, e isto é notícia. Não, é claro, para as grandes empresas de mídia, interessadas em fazer de Moro um novo Joaquim Barbosa.

Quanto a conexão pode configurar conflito de interesses? Os vazamentos seletivos que pouparam o PSDB poderiam ter sido influenciados por simpatias partidárias?

Num mundo menos imperfeito, questões como estas seriam debatidas agora em profundidade pela mídia.

Mas não: como os vazamentos da Lava Jato, também a investigação jornalística é seletiva, bem como a indignação — não raro simulada — de colunistas e editores.

Flávio Arns pertence a um governo engraçado sob muitos aspectos. O governador Beto Richa, para empregar uma expressão da moda, cometeu um estelionato eleitoral quando se elegeu, em 2010.

Ele acusou na campanha o então governador Roberto Requião de nepotismo por dar cargos no secretariado à mulher e a um irmão.

Richa fez exatamente o mesmo que condenara. Quer dizer: em sua visão, não. Numa entrevista, um jornalista cobrou de Richa a nomeação da mulher e de um irmão.

A resposta de Richa, eternizada num vídeo, (assista baixo), pertence ao anedotário político não apenas regional, mas nacional.

Richa disse que, uma vez que sua mulher é rica, indicá-la não é nepotismo. Nepotismo, na definição de Richa, é coisa para pobre.

Richa tem fama, como Aécio em Minas, de cercar a mídia crítica. Uma de suas vítimas, segundo ela mesma narra, foi a jornalista local Joice Hasselman, hoje na tevê do site da Veja.

No Paraná, Joice investia contra o PSDB e Richa com a mesma fúria com que bate hoje no PT e em Dilma.

Em seu epílogo no Paraná, ela prometeu apresentar documentos que comprovariam propinas na gestão Richa. Não apresentou, e isto foi bastante para que comentassem que ela parecia ter adquirido o hábito de ameaçar antecipadamente divulgar bombas e depois esquecer o assunto, sabe-se lá por quê.

É neste ambiente peculiar que a mulher de Moro circula, com sua assessoria jurídica ao vice de Richa.

Você pode fazer tudo com essa informação. Só não pode fingir que ela não existe.

Paulo Nogueira
No DCM

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O lobo está rosnando. E o cordeiro, o que fará?


Reparem a foto que ilustra o post, tomada emprestado da Folha.

Na matéria “Com discurso agressivo, Aécio quer deixar presidente ‘no chão'”, assinada por Natuza Nery e Gabriela Guerreiro, fala-se ali, com a maior naturalidade dos planos golpistas do “general” da oposição.

Discorre sobre a estratégia de guerra sem quartel do PSDB, revelando que o tucano diz, em conversas reservadas, “ser preciso manter “acesa” a indignação de parcela do eleitorado e, assim, aprofundar o desgaste do Palácio do Planalto”.

Ou seja, seguir fomentando um clima em que a derrubada do Governo eleito sendo o objetivo político a alcançar.

Aécio está ligado, de dentes à mostra e despreocupado de esconder suas garras.

O caminho está evidente: manter o caso Lava-Jato como principal problema da vida política brasileira, distribuindo suspeitas, seja por fatos ou factóides, círculo após círculo do partido da Presidente — os demais são acessórios e desimportantes — até que ela própria possa ser atingida.

É o que juiz Sérgio Moro expôs, numa conferência proferida graças à sua súbita notoriedade,  enuncia em sua defesa de uma tal “Doutrina da Cegueira Deliberada”, segundo a qual, “suspeitos de lavagem de dinheiro (…) intencionalmente não procuram saber a origem, muitas vezes criminosas, do dinheiro (…) para poder alegar o desconhecimento como álibi, na tentativa de se livrar da acusação”.

Intenção, como é óbvio, é uma subjetividade, que depende da vontade de achar que a pessoa queria ou não algo. Não é preciso provar, apenas “achar”.

Estranho direito, esse, descrito, como já se disse aqui, por La Fontaine em sua história do lobo e do cordeiro, onde “se não foi você foi o seu pai, seu tio ou seu avô” condena o indefeso bichinho a ser devorado.

Como é obvio, inútil discutir as razões do lobo, porque são apenas subterfúgios para sua fome.

Mais importante é pensar na atitude do cordeiro se este, de forma tola e pretensiosa, acha que vai conseguir escapar das presas do lobo apelando ao resto da alcatéia, que não lhe mostra os dentes. Ainda.

Se o cordeiro esquece que suas defesas são o próprio rebanho e o pastor, que com seu cajado é quem pode impor algum temor ao lobo faminto, não é preciso muito para que se tenha um desfecho como o da fábula.

Desculpem se um velho brizolista tem a mania de contar histórias.

É que não quer revivê-las, como há 50 anos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Onde está a histeria em torno do projeto “bolivariano” aprovado no governo Alckmin?

Ele
O famoso Decreto 8243 da presidente Dilma foi demonizado do nascimento à morte. Estigmatizado como “bolivariano”, essa mistura sinistra de boitatá com mula sem cabeça, acabou derrubado na Câmara dos Deputados em outubro.

A oposição criticava a chamada Política Nacional de Participação Social por considerar que invadia prerrogativas do Congresso. O líder do PSDB, Antônio Ibassahy, repetiu o mantra da histeria coletiva. “Isso é um regime autoritário”, disse. O Estadão comparou Dilma a uma lista de déspotas. Lembrou de Putin, “que deseja restaurar o Império Soviético”.

É sintomático o silêncio em torno de um projeto de lei aprovado tranquilamente na Assembleia Legislativa de São Paulo que, na prática, é uma cópia do finado 8243.

Segundo o PL 1073, “órgãos e entidades da administração pública estadual direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos nesta Lei, para a formulação, execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas.”

O projeto petista foi bem sucedido por causa de uma manobra política. Interessados em aprovar com rapidez um pacote esperado por Alckmin, governistas combinaram com o PT a aprovação sem resistência.

Ainda pode existir o veto do governador. Seja o que ele decidir, Alckmin tem salvo conduto. Se assinar, Geraldo Alckmin não será massacrado como autêntico líder bolivariano.

Pelo contrário, terá sido envolvido em uma trama comunista para, como escreveram reaças doentes no Facebook, “adoçar sua boca”. O bolivarinismo vale só para um lado.

Kiko Nogueira
No DCM
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V Fórum Interconselhos marca a consolidação da gestão participativa no país

Na próxima segunda-feira, 08 de dezembro, no auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, acontecerá a 5ª edição do Fórum Interconselhos, a instância de participação social no ciclo do planejamento governamental brasileiro.

Formado por representantes da sociedade civil nos mais de trinta conselhos de direitos e políticas públicas existentes no âmbito do Poder Executivo, o Fórum discutirá o balanço do projeto nacional anunciado na dimensão estratégica do Plano Plurianual (PPA) 2012-2015, e das políticas para Igualdade Racial, Comunidades Quilombolas e Povos e Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas, Políticas para as Mulheres, Criança e Adolescente, Juventude, Pessoa Idosa, Pessoa com Deficiência, População em Situação de Rua, e População LGBT.

Em maio de 2014, em Seul, capital da Coréia do Sul, o Fórum Interconselhos foi premiado pela Rede de Administração Pública das Nações Unidas (UNSPA) como uma das melhores práticas inovadoras internacionais de participação social. Este é considerado o prêmio mais importante do mundo na área de gestão pública.

O V Fórum também marcará a transição do PPA 2012-2015 para o do ciclo 2016-2019 e estará na pauta a proposta de escuta à sociedade para a elaboração deste novo PPA.

Também está programada a entrega de nove Planos Plurianuais Territoriais Participativos (PTPs), um projeto realizado em conjunto com a Frente Nacional de Prefeitos, que visa estruturar um sistema nacional de planejamento, baseado na articulação dos PPAs federal, estadual e municipal no âmbito dos consórcios públicos intermunicipais.

OS PTPs são um projeto do Ministério do Planejamento, com apoio da Secretaria-Geral e a de Relações Institucionais da Presidência da República, com trinta consórcios públicos intermunicipais multifinalitários do país. O objetivo do projeto é estruturar as bases de um sistema nacional de planejamento, com forte cooperação federativa, alicerçada nos planos plurianuais da União, estados e municípios, para a construção de soluções estruturantes para desafios conjuntos do desenvolvimento nacional.

Política de Juventude com planejamento, gestão e articulação federativa

Além disso, uma experiência inédita de cooperação federativa baseada no PPA, estabelecida entre o Ministério do Planejamento e a Coordenadoria de Políticas de Juventude da Prefeitura de São Paulo, será apresentada aos movimentos sociais e gestores municipais e estaduais de políticas para a igualdade racial, mulheres e juventude.

Esta experiência serviu de base para a construção do Plano Juventude Viva-São Paulo, uma exitosa experiência de gestão pública.

Em São Paulo, o Plano articula ações municipais e federais. São 164 milhões investidos com recursos próprios da prefeitura, envolvendo secretárias de grande porte como Assistência e Desenvolvimento Social, Educação, Saúde, Trabalho e Empreendedorismo; e 19, 3 milhões do Governo Federal, também em articulação com ministérios estruturantes da política pública, como o MEC e o MDS.

Na implantação, foi organizada a gestão territorial das políticas, que abarcam o Pronatec, o Bolsa-Família e o Mais Educação (escola em tempo integral), por exemplo, e se baseiam no Busca-Ativa e em e indicadores desenvolvidos em parceria com a Unicamp para selecionar os jovens beneficiários.

Para dar conta de tal desafio, a Coordenação de Juventude acabou de contratar, com recursos próprios, 25 articuladores que vão atuar nos bairros. Estão abertos também o Edital de Comunicação (concurso de campanhas a respeito do combate ao racismo e ao preconceito etário ou geracional e a cultura de paz, com um concurso cultural de comunicação com a participação da sociedade civil) e o Edital 1 milhão de reais  em apoio a projetos da sociedade civil.

A coordenadoria também lançou a frente cultural contra o extermínio da juventude negra, a campanha “Por que o senhor atirou em mim?”, em referência à pergunta do jovem Douglas Rodrigues, 17 anos, feita aos policiais que o assassinaram, em outubro, no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Assista ao vídeo:


A mortalidade da juventude negra segue como um dos mais persistentes problemas sociais do país. O Mapa da Violência 2014  revela que, apesar dos avanços nos últimos anos na área das políticas sociais e distribuição de renda, este é um desafio ainda colocado. Entretanto, soluções efetivas para esta chaga estão acontecendo no Brasil e dado certo por causa de uma gestão articulada e eficiente.

Leopoldo Vieira
No Blog do Zé
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Bilionários bancam golpismo de Aécio

No final da tarde desta sexta-feira, o candidato derrotado nas eleições publicou um vídeo convocando seus eleitores para uma "manifestação" contra o governo neste sábado.

A tentativa desesperada de prolongar a guerra eleitoral depois do fechamento das urnas não é novidade.

Aécio tenta desesperadamente se firmar como líder da oposição antes que seu arquirrival José Serra tome posse como senador e deixe-o em segundo plano.

Mas um detalhe chama a atenção de quem vê a mensagem gravada, a indicação de um site com mais informações sobre o movimento.

Um pesquisa ao Registro.BR revela que o site é registrado em nome de uma tal FUNDAÇÃO ESTUDAR com o cnpj: 040.287.005/0001-61 e tendo como responsável um tal Fabio Tran.

Estranho uma Fundação ser a dona do site de mobilização contra o Governo.

Pois bem, uma pesquisa no Google mostra que os fundadores desta tal Estudar são Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

Alguns dos empresários mais ricos do país.

Impressionante que o neto de Tancredo se preste à cumprir a função de marionete de luxo dos donos da Ambev, do Burguer King e outras franquias.

Será que os revoltados manipulados por Aécio e sua trupe sabe que a cada queda da Bolsa ou das ações da Petrobras, eles enriquecem ainda mais esses três alegres senhores?

Não acredite neste missivista. Clique no link: https://registro.br/cgi-bin/whois e procure o vemprarua.org.br.

Gustavo Alves - PCdoB/Brasília
No Megacidadania
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As perspectivas dos investimentos brasileiros


Um dos enigmas da economia brasileira é a razão da queda da taxa de investimento no país. Os financiamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) batem recordes, as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Copa são expressivas, houve um aumento na construção civil.

Qual a razão dos índices não refletiram esse cenário?

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Especialista em contas públicas, o economista Fernando Nogueira da Costa, professor do Instituto de Economia da Unicamp, tem uma tese instigante: apesar do investimento ter crescido acima do PIB (Produto Interno Bruto), a taxa de investimento (relação investimentos x PIB) não aumentou substancialmente devido à redução dos preços relativos dos bens investimento.

Mal comparando, se o consumidor A paga R$ 20 mil em um carro e o B paga R$ 25 mil para o mesmo carro, pela metodologia das contas nacionais, o B tem uma taxa de investimento maior que o A.

Segundo ele, a apreciação cambial e as desonerações tributárias reduziram o custo do investimento. Se fosse calculado em preços correntes de 2002, teria havido um aumento de 4,5 pontos do PIB desde 2002. Calculado por preços correntes, a taxa de investimento de 2013 seria de 18,9% do PIB; a preços constantes, de 20,9%.

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Um dos motivos para esse salto, foi a mudança do perfil da poupança interna, uma revolução pouco notada diz ele.

Em dezembro de 2002, a relação crédito/PIB era de 21,8% do PIB, com saldo de R$ 378,3 bilhões. Doze anos depois saltoiu para 57,3% do PIB, com saldo der R$ 2,9 trilhões.

Mais relevante: em dezembro de 2002, o financiamento total do SFN (dívida mobiliária federal + crédito) correspondia a 82,5% do PIB. Só que, desse total, 60,6% do PIB ia para o financiamento da dívida pública; e apenas 21,8% para os financiamentos bancários.

Com a redução da relação dívida/PIB a partir de 2003, em 2014 o financiamento total da economia saltou para 97,5% do PIB (15 pontos a mais). Só que, apenas 40,2% foram para financiar a dívida mobiliária pública. Os 57,3% do PIB passaram a financiar os empréstimos bancários.

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Esse quadro mostra um enorme potencial de “funding” (recursos para financiamento) de ativos de pessoas e empresas.

Nos anos 70, Itaipu foi financiado com empréstimos externos, correspondendo a 15% da dívida externa brasileira. Agora, Belo Monte foi financiado exclusivamente com poupança externa. Reside aí um avanço estrutural nas condições da economia brasileira, que irá se completar nos próximos anos, quando o pré-sal estiver a pleno vapor.

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Hoje em dia, há 644 mil pessoas físicas com poupança de até R$ 300 mil; 221 mil com poupança até R$ 700 mil; 130 mil com poupança acima de R$ 1 milhão; e 3.902 com poupança até R$ 20 milhões.

Somem-se a ela, 98 milhões de depositantes de poupança, 9 milhões de fundos de investimento, 2,3 milhões de fundos de pensão fechados e 572 mil de clubes de ações e se terá um universo maiúsculo para financiar a próxima etapa de investimentos.

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Segundo Nogueira da Costa, nos próximos cinco estimam-se investimentos de R$ 920 bilhões em infraestrutura; R$ 200 bilhões dos quais destinados a transportes. Poupança interna, mais capital externo garantirão tranquilamente o financiamento da nova etapa.

Luís Nassif
No GGN
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Jornalismo bandido quer PT fora da lei


Não demorou para um dos menestréis do neoconservadorismo, Reinaldo Azevedo, colocar as garras de fora e entregar as intenções de sua trupe.

O sonho de consumo da cloaca vai além do impedimento de Dilma Rousseff. Não é à toa que o mais recente artigo do autor, publicado na Folha de S.Paulo dessa sexta-feira, ergue a bandeira da cassação do PT.

O propósito de Azevedo, versão politizada de Téo Pereira, hilário personagem encarnado por Paulo Betti na novela “Império”, aparece disfarçada por um truque retórico, mas é nervo exposto:

“Se o que dizem Costa, Youssef, Mendonça Neto e Camargo for verdade,… o Brasil já está sendo governado por uma organização criminosa. A oração subordinada vai definir o exato sentido da principal e se o PT tem ou não de ser posto na ilegalidade.”

Para ler o resto do texto, basta clicar: “PT: organização criminosa?

A artimanha do articulista remonta às manobras do deputado Barreto Pinto, do PTB fluminense, que levaram à eliminação institucional do Partido Comunista, em 1947.

O petebista forjou uma peça acusatória contra os comunistas pinçando frases de entrevista concedida por Luiz Carlos Prestes, então líder máximo da agremiação, acerca de que lado ficariam seus pares no caso de guerra entre o Brasil e a União Soviética.

Os comunistas foram banidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, que aceitou a alegação de ser o PCB uma organização antidemocrática e subordinada à potência estrangeira.

Barreto Pinto posa para a posteridade
Foto: Jean Manzon, 1946
Histriônico como o articulista antipetista, Barreto Pinto foi o primeiro parlamentar cassado por falta de decoro, em 1949, ao se deixar fotografar de cartola, fraque e cueca. Mas aí já é outra história.

A comparação relevante está no método.

Azevedo manipula informações para construir uma mentira.

Não há, até o momento, qualquer prova que envolva o PT nas tramoias de diretores da Petrobrás, salvo referências genéricas de quem deseja preservar o próprio pescoço.

Aliás, se as delações premiadas forem tomadas ao pé da letra, quase todos os partidos teriam de ser colocados na ilegalidade. Afinal, as empresas envolvidas na Operação Lava Jato são financiadoras das principais campanhas eleitorais do país.

Quanto aos depoimentos de Júlio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivos da Toyo Setal, Azevedo apela para vil falsificação.

Esconde contradições entre os dois depoimentos, omite informações que negam sua tese e deleta declarações que colocam por terra o envolvimento de dirigentes petistas.

Camargo confessou ter supostamente pago propina a Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás.

Não fez, porém, qualquer vínculo dessa operação com doações ao PT.

Revelou que a empresa realizou contribuições ao partido, mas não deu qualquer indicação de que seria contrapartida a algum negócio na companhia petroleira.

Mendonça Neto, esse sim, disse que os R$ 4 milhões doados pela Toyo Setal ao PT, entre 2008 e 2011, seriam pagamento por um contrato na Refinaria Presidente Vargas, no Paraná.

Perguntado especificamente, no entanto, se teria tratado desse assunto com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou taxativamente.

Relatou que foi ao partido tratar somente sobre como seriam feitas as doações, que se encontram devidamente contabilizadas junto à Justiça Eleitoral.

Obviamente que não cabe, aos partidos que recebem aportes na forma da lei, investigar como eventuais empresas contribuintes ganham seu dinheiro.

Quem tem a obrigação de estabelecer listas e normas proibitivas, bem como a de investigar companhias que agem de forma delituosa, é o poder judiciário.

Abordar de outra forma seria o mesmo que considerar bandido o honorável Azevedo, assalariado da Editora Abril, caso viesse a ser provado, por exemplo, que a revista Veja recebe publicidade de empresas com práticas criminosas ou está envolvida com quadrilhas do jogo clandestino.

Enfim, há coisas que podem e há coisas que não podem ser feitas, mesmo na atividade jornalística.

Picaretagem informativa não pode. Ao menos entre profissionais sérios e zelosos, quaisquer que sejam suas inclinações ideológicas.

Atentar contra direitos constitucionais, tampouco. Ao menos entre cidadãos que prezam a vida democrática, quaisquer que sejam suas visões sobre o país.

Azevedo não passa de imitação rastaquera do udenista Carlos Lacerda. Infinitamente menos culto, menos inteligente e, acima de tudo, menos corajoso que o Corvo do Lavradio.

Ocultar-se através de oração subordinada condicional, para verter seu veneno reacionário, fala muito sobre o caráter do autor.

Certamente está mais para rato que ruge do que para rottweiler amoroso.

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Idade das Coisas

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6751

Quando tudo passa a ter uma idade, comemorativa ou nostálgica, é que o tempo passou.

Tudo, no caso, é o que faz sentido para alguém. Sentido é o que provoca saudades do que não se teve. O tempo, como ensinou ou sugeriu Albert Einstein, é relativo. O cientista não se referiu, porém, à relatividade afetiva do tempo. Quanto mais distante, mais perto. Quais mais amarelado, mais vivo. Os jornais do mundo inteiro publicaram neste ano manchetes como estas: “Brigitte Bardot faz 80 anos”, “Sophia Loren chega aos 80 anos”, “E o vento levou completa 75 anos”.

Brigitte Bardot mandou recentemente uma carta ao prefeito de Búzios e aos organizadores da mostra de cinema Búzios – França com uma frase contundente: “Foi nessa pequena cidade perdida e desconhecida que eu fui mais feliz”. O tempo tem dessas coisas. Faz pensar no momento exato em que a felicidade esteve presente. Só os infelizes creem na possibilidade da felicidade permanente. Há momentos estranhos de felicidade. Eu fui muito feliz nos meus primeiros tempos de Porto Alegre. Morava com meus primos no Sarandi. Não tinha dinheiro para coisa alguma. Mas guardo do Sarandi uma lembrança suave e, cada vez mais, agradável. O Sarandi não é Búzios? Não tinha percebido. Eu também não sou Bardot.

A eterna musa de uma época gosta do nosso país: “Tenho um grande amor pelo Brasil e pelos brasileiros, sou como eles, gosto de dançar, cantar, gosto do sol, do mar e mais que tudo gosto dos animais, não esqueçam disso”. Não sou patriota. Tanto se me dá se Brigitte Bardot ama o Brasil. O que me toca mesmo na sua declaração é o amor por dançar, cantar, pelo sol, pelo mar e pelos animais. O que o vento leva é sempre o tempo, a juventude, a beleza, os lindos dias de mar, dança e cantorias. Como assim? O mar, o sol, as danças e canções estão sempre aí. Sim e não. Começam a ficar para trás, que é uma maneira de não sair da frente. Brigitte encontrou nos animais os amigos que sempre procurou e quase nunca achou. Ela tem razão de dizer que os bichos são as grandes vítimas dos homens.

O tempo, essa obsessão dos filósofos e dos poetas, finca as suas garras num imaginário quando a gente entra na idade das coisas. Eu faço parte dos que começaram a vida de jornalista na idade das máquinas de escrever e chegaram a transmitir textos por telex. Sou tão novo e tão velho. Uma criança, diante da máquina de escrever sendo usada para uma demonstração, exclamou perplexa:

– Já vem com a impressora.

Era uma vez uma época em que Brigitte Bardot andava nua na costa brasileira e um ar de bossa nova embalava o país apesar dos seus velhos e autoritários fantasmas. A Bossa Nova já fez 50 anos. O golpe midiático-civil-militar de 1964 completou seu meio século em 2014. Coisas e homens sempre fizeram aniversário. Eu é que não notava. Era jovem demais para pensar na passagem no tempo e na idade das coisas. Tinha certeza de que minha Monark verde era eterna. A comédia musical “Um americano em Paris”, que estreou na França há uma semana, me fez acordar.

O célebre filme de Vincent Minelli vai fazer 64 anos.
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Delator da Operação Lava Jato é primo e sócio de fundador do PSDB

Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Marcos Mendonça presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.
O executivo da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto que delatou esquema na Petrobras, e que chega a afirmar que pagou suposta propina ao PT é primo de Marcos Mendonça, fundador do PSDB, tendo exercido a vereança em São Paulo de 1983 a 1994.

Assumiu a Presidência da Câmara Municipal em 1985/86. Suplente do Senador Mário Covas, foi Deputado Estadual de 1995 a 2002, foi convidado pelo Governador Mário Covas para assumir o cargo de Secretário da Cultura. Por essa razão exerceu o mandato de Deputado por poucos meses. Em 1999, Augusto Ribeiro de Mendonça e Marcos Mendonça foram alvo de denúncia sobre monopólio nas obras contratadas pela Pasta.

Mendonça foi destaque nos jornais por terem virado as mais novas peças-chave na Operação da Polícia Federal. Depois de Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, Mendonça é o responsável em delatar empresários corruptores. Ele foi o primeiro executivos que pediu um acordo de delação premiada à Justiça.

Esquema comandado pelos Mendonça em SP

Em 1999, coincidentemente, o repórter da Folha também citou em uma reportagem-denúncia os negócios de Mendonça Neto. À época, foi colocado em xeque a relação da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, então capitaneada pelo ex-deputado Marcos Mendonça (PSDB), com algumas empeiteiras. A suspeita era de formação de cartel (monopólio) para realizar as obras da Pasta. A empresa de Mendonça Neto, a PEM Engenharia, era sempre subcontratada para fazer as instalações hidráulicas e elétricas.

Augusto Mendonça, ao contrário de Duque, não recebeu da grande mídia um padrinho do nível de Dirceu, um cacique petista. Mas poderia ser associado Marcos Mendonça. O tucano foi deputado e atravessou como secretário de Cultura as gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin em São Paulo. Hoje, Marco Mendonça preside a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.

Na reportagem de 1999, a Folha destacou que a “PEM tem como sócios dois primos e o secretário Marcos Mendonça: Roberto Mendonça e Augusto Mendonça”. E informou que embora fosse questionável do ponto de vista moral, a PEM doou R$ 100 mil para a campanha de Covas. “Mas é tudo legal”.

Processo que corria na 7ª Vara de Execuções Fiscais de São Paulo denota que a Setal Engenharia, Construções e Perfurações S.A. faz parte do grupo PEM Setal, dos sócios Roberto e Augusto Mendonça, e era alvo de execução fiscal no valor de R$ 20 milhões, em 2011.

Nos autos da apresentação de embargos declaratórios, consta que “As dívidas existentes do referido grupo econômico com o Fisco chegou ao estratosférico valor de mais de R$ 168 milhões, com notável concentração desse montante sobre a empresa ora executada nestes autos [Setal Engenharia], que, sozinha, deve quase R$ 160 milhões.”

A Pem Setal trabalhou, ainda assim, com a Petrobras na construção de plataformas.

No i9
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Sérgio Porto # 66


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Essa é do Barão... 124


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A confissão de Serra, o sociopata

A arte de destruir
Quando se imaginava que Serra não era capaz de apresentar nada pior do que aquilo que vem rotineiramente tem feito nos últimos anos, eis que ele se supera e galga mais um degrau no capítulo da indecência.

A um grupo de pessoas supostamente interessadas em se filiar ao PSDB, ele se gabou, na noite desta quinta, de haver sabotado um projeto de Dilma quando ela era ainda ministra de Lula e ele governador de São Paulo.

O projeto, segundo ele, era o do trem bala que ligaria São Paulo e Rio. Serra disse que sugeriu ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que incluísse Campinas no trajeto. O objetivo, disse ele, era apenas atrapalhar.

Serra afirmou que Luciano Coutinho, ainda hoje no comando do BNDES, concordou com ele que o trem bala de Dilma merecia mesmo ser engavetado.

As declarações de Serra vazaram, e ele disse que aquilo não era coisa para chegar a jornalistas.

Bem, estamos diante de duas possibilidades.

Uma: Serra mentiu, e envolveu na história Luciano Coutinho.

A outra: Serra disse a verdade.

Em ambos os casos, o episódio é mais uma amostra da monumental falta de caráter de Serra.

Se de fato acabou com o trem bala, Serra reafirmou sua vocação de destruidor.

O que ele construiu na já longa carreira política? Nada, nada e ainda nada.

Serra é a inépcia disfarçada de preparo. Como prefeito de São Paulo, por exemplo, ele não teve competência sequer para enfrentar os pernilongos.

Assim como Alckmin culpa hoje a falta de chuva, ele atribuía ao excesso os alagamentos que infernizavam a cidade.

Num momento em que grandes cidades do mundo já lutavam pela mobilidade urbana, Serra representava, em seu petrificado atraso mental, a Era do Carro com os congestionamentos intermináveis e os índices de poluição avassaladores.

Thatcher, em suas memórias, citou um antigo premiê que dissera que havia uma e apenas uma pessoa capaz de endireitar o Reino Unido, e essa pessoa era ele próprio.

Ela disse que, assim como seu remoto antecessor, também achava no final da década de 1970 que havia entre os britânicos apenas uma pessoa apta a restabelecer a grandeza perdida do Rio Unido, ela mesma.

Em sua mirabolante visão de si mesmo, Serra sempre achou que a presidência do Brasil era um cargo feito para ele, e ninguém mais.

Os fatos mostraram que os brasileiros jamais concordaram com isso.

Em seu ressentimento corrosivo, Serra foi se adestrando na arte de fazer mal aos outros, num patológico mecanismo de compensação.

A sabotagem do trem bala enquadra-se neste tipo de sociopatia.

Paulo Nogueira
No DCM
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