5 de dez de 2014

Esposa de Juiz da Lava Jato é assessora de Flávio Arns, vice do tucano Beto Richa


O nome de Rosângela Wolff de Quadros Moro passaria despercebido se não fosse por um detalhe o sobrenome “Moro”. Rosângela é esposa de Sérgio Fernando Moro, o Juiz responsável pela Operação Lava Jato, apontado por diversos juristas de nome e renome como o “Rei dos Vazamentos” mas só quando os depoimentos citam alguém do PT e PMDB.

A senhora Moro é assessora jurídica de Flávio José Arns, Vice do Governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).Flávio Arns, é Sobrinho de Zilda Arns e de Dom Paulo Evaristo Arns. Zilda é fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, e Dom Evaristo, arcebispo-emérito de São Paulo. O Vice-Governador do Paraná Iniciou a carreira política quando se candidatou a deputado federal pelo PSDB, logrando êxito, e sendo reeleito por três vezes seguidas. Em 2001, deixou o PSDB e filiou-se ao PT. Em 2002, foi eleito senador, e em 2006 concorreu ao governo do Paraná, obtendo o terceiro lugar com 9,3% dos votos.

Em 19 de agosto de 2009, anunciou que se desligaria do PT, por não concordar com a maneira como o partido tratou as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Arns voltou, em 2009, junto com o senador Expedito Júnior (PR-RO), para o PSDB. Nas eleições de 2010, foi candidato a vice-governador do Paraná na chapa encabeçada por Beto Richa, chapa esta vitoriosa no pleito de 3 de outubro de 2010, em primeiro turno.

Flavio Arns é conhecido por defender os direitos dos deficientes físicos e mentais, em especial dos autistas, foi defendendo essa bandeira que conheceu Rosângela Moro, que logo depois assumiu como Procuradora Jurídica das APAEs no Paraná. A senhora Moro chega a representar em Comissão na Câmara Federal, o Vice de Beto Richa (PSDB). Acompanhe…


Rosângela Moro faz parte do escritório de Advocacia Zucolotto Associados em Maringá. O escritório defende várias empresas do Ramo do Petróleo, como: INGRAX com sede no Rio de Janeiro, Helix da Shell Oil Company, subsidiária nos Estados Unidos da Royal Dutch Shell, uma multinacional petrolífera de origem anglo-holandesa, que está entre as maiores empresas petrolíferas do mundo. Aproximadamente 22 000 funcionários da Shell trabalham nos Estados Unidos. A sede no país está localizada em Houston, Texas.

Além das empresas do Ramo de Petróleo, o escritório presta serviço para empresas de Farmácias e Clínicas Médicas. Uma em especial chamou a atenção, tirando as empresas do ramo de Petróleo. A Paranaense Perkons, empresa investigada pelo MPF por comandar a Máfia dos Radares no Sul do país, MS, MT, GO, DF….
Zucolotto Advogados


O elo de Rosângela Moro com o PSDB é tão visível que ela acompanha todos os trabalhos de Eduardo Barbosa de Minas Gerais, Vice-Líder do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) na Câmara dos Deputados, chegando á segui-lo na Rede Social. Assim como a senhora Moro, EB presidiu a Federação das Apaes de Minas Gerais, foi também Presidente da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes).


Irmão do Juiz

Sérgio Fernando Moro tem um irmão que além de ser maratonista e Diretor executivo na empresa Iadtec Soluções em Tecnologia, é um dos que pregam o ódio ao PT, veja.


Coração Tucano da Família

O slogan Taca lhe pau ficou conhecido em todo o País, como “Grito de Guerra Tucano”, como “Taca-lhe Pau Aécio”….


No Poços10
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Luciana Genro: “A direita não tem autoridade moral para pedir impeachment da Dilma”




De Luciana Genro, em sua conta no Twitter, ao conceder entrevista à Globonews:

@lucianagenro: “A direita não tem autoridade moral para pedir o impeachment da Dilma” #LucianaNaGloboNews

@lucianagenro: “Não podemos deixar que a cara da oposição no Brasil seja a direita. Somos a oposição de esquerda coerente” #LucianaNaGloboNews

@lucianagenro: “A direita usa o debate da corrupção de forma cínica. Quando estão no governo se utilizam da corrupção” #Equipe50

@lucianagenro: “Está claro que as empreiteiras não foram extorquidas, mas fazem parte de um esquema de corrupção com políticos” #LucianaNaGloboNews

@lucianagenro: “Não que sejam iguais mas a política econômica é o que assemelha Dilma e Aécio. Levy podia ser ministro de Aécio” #LucianaNaGloboNews
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Serra e Aécio, revoltados online, convocam para protesto amanhã


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Silvio Santos tirou do ar a versão masculina de Sheherazade — Assista

"Animal"
Silvio Santos se faz de velhinho bobo aos domingos, mas de idiota nada tem.

Ele foi formando no SBT, país afora, um grupo de comentaristas de direita comparável à da Globo.

A diferença é que, diante de rumores de que possa ter problemas com os 150 milhões de reais que ganha anualmente do governo em publicidade federal, ele não tem hesitado em silenciá-los.

Mas isso depois de inúmeros discursos de ódio feitos, dia após dia.

Sheherazade, por estar baseada em São Paulo, é apenas o caso mais notável.

No Paraná, Paulo Eduardo Martins faz Sheherazade parecer doce, terna, construtiva, uma quase Madre Tereza. Ou fazia, porque ele foi — enfim — afastado.

Na última aparição de Martins antes de ser demitido, ele conseguiu chamar o telespectador de “animal” por, supostamente, aceitar a “ditadura do PT”.

Isso numa concessão pública que sem dinheiro do contribuinte não se sustenta. Martins é, ou era, pago por você e eu para promover o ódio ultraconservador no país.

O fanatismo cega as pessoas. Você pode fazer todas as restrições que quiser ao PT, mas acusá-lo de comandar uma ditadura é um extraordinário disparate.

Fosse uma ditadura real, ao estilo por exemplo da de Pinochet, Martins não teria coragem de se opor com tamanha veemência porque saberia o tamanho das consequências.

As bravatas de gente como ele se enquadram no chamado falso heroísmo, a coragem dos que sabem que nada vai acontecer ainda que insultem e agridam a todo instante o partido que está no poder.

Estes são os mais covardes em situações que definitivamente envolvam riscos.

Reduzido às redes sociais, Martins segue vociferando, na confortável segurança de quem sabe que sequer um processo vai enfrentar.

“Aos que me acusam de ter ódio do PT, esclareço: não tenho ódio, eu tenho nojo.”

Quanto ele é inconvincente nas perorações ficou claro nas últimas eleições. Ele se candidatou a deputado federal e, a despeito do palanque diário da tevê, fracassou miseravelmente. Mereceu 1,13% dos votos dos paranaenses.

Como Paulo Martins não se autocolocou na posição de comentarista do SBT no Paraná, a responsabilidade pelo mal que ele fez durante tanto tempo aos telespectadores mais ingênuos é de Silvio Santos.

Como para Sheherazade, o SBT prometeu a Martins, ao tirá-lo do ar, que ele teria um imaginário programa em 2015.

O de Sheherazade já micou. Está claro que Silvio Santos apenas esperava o resultado das eleições para ressuscitar, ou não, Sheherazade.

Quem sabe em 2018? Até lá, ela vai se virando na Jovem Pan, rádio que está recrutando o que existe de mais atrasado e mais predador no jornalismo político nacional.

Paulo Martins, embora tenha publicado em seu Facebook que voltaria num novo formato em 2015, sabe que Silvio Santos fez uma promessa que não será cumprida enquanto o PT estiver no poder.

O que mais incomoda, em tudo isso, é ver como o dinheiro público foi torrado, na forma de propaganda federal, para a produção de um conteúdo tão desagregador e tão canalha.

O governo provavelmente não soubesse o que estava fazendo ao manter, em nome da “mídia técnica”, o multimilionário aporte de dinheiro público para o SBT.

Mas Silvio Santos sabia muito bem o que fazia ao colocar em seus telejornais, e depois retirá-los, comentaristas como Sheherazade e Paulo Martins.

Paulo Nogueira
No DCM

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“Aécio é um coronel midiático”


Luiz Felipe Ferreira Stevanim é jornalista e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia Política da Informação e Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PEIC/UFRJ). Ele publicou um texto no site GGN denunciando que o senador Aécio Neves é proprietário de três rádios, uma emissora de TV em Minas Gerais e um jornal. Suas posses vão contra a determinação da Constituição Federal que proíbe parlamentares de controlarem empresas que dependem de concessão pública.

A atitude de Aécio foi definida por Stevanim como “coronelismo eletrônico”.

Para aprofundar o assunto, o DCM falou com ele sobre o uso político da mídia nestas eleições, quais outros políticos agem como Aécio Neves e a necessidade de democratização dos meios de comunicação.

Aécio tem veículos de comunicação e também monitora o que é publicado na mídia, sobretudo em Minas Gerais. Ele pode ser definido como um político midiático?

Aécio Neves é um político um pouco diferente de outros midiáticos, como Celso Russomanno, e seu caso é mais grave porque ele e sua família possuem ligação com outorgas de rádio e televisão, contrariando o artigo 54 da Constituição Federal. Segundo o texto constitucional, deputados e senadores não podem firmar ou manter contrato com empresa concessionária de serviço público e nem mesmo ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que tenha contrato com pessoa jurídica de direito público. Mas Aécio é apenas parte de uma rede de relações entre os políticos e os meios de comunicação que chamamos de “coronelismo eletrônico”. Essa prática é comum e se estende a nomes como Tasso Jereissati, Albano Franco, ACM Neto, Lobão Filho, Sarney e tantos outros.

Você é doutorando pela UFRJ. O caso do candidato tucano ajudou em sua pesquisa?

Ajudou, sim. Eu fiz o meu mestrado sobre o debate em torno do tema da TV Pública que levou à criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), entre 2007 e 2008. Neste estudo, me deparei com o fato de que, por causa de algumas brechas legais, as concessões de TV educativa são muito utilizadas por políticos. Em 2011, constatei que em um universo de 192 TVs educativas espalhadas pelo país, 51 delas tinham ligações com políticos, familiares e seus aliados. Entre elas, 30 TVs estão em Minas Gerais, o estado com o maior número neste nicho no Brasil. As televisões educativas são regidas por um decreto da época do regime militar, o de número 236 criado em 1967, que determina que elas não podem ter finalidade comercial e estão vinculados ao Estado , às universidades ou às fundações privadas.

Meu estudo atual, no doutorado, é fruto de um esforço para compreender a luta pela democratização da comunicação no Brasil. Busco o que tem sido feito para defender o direito à comunicação, que se vê ameaçado por práticas como esta que descrevo.

Quais delas são de Aécio Neves em Minas?

Uma das mineiras é a televisão ligada à família Neves em São João Del Rei, chamada de TV Campos de Minas e mantida pela Fundação Cultural Campos de Minas. A concessão para o canal é de 2002, quando o ministro das Comunicações era Pimenta da Veiga (PSDB), o candidato derrotado ao governo do estado. O presidente da Fundação Cultural Campos das Vertentes é José Geraldo D’Ângelo, aliado de Aécio que assumiu a presidência do Instituto Cultural Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG Cultural) em 2003, quando o neto de Tancredo era governador.

Outros candidatos na história exerceram essa influência midiática de Aécio, além de ACM Neto, Sarney e Collor?

Sim. O uso da imprensa para expandir o poder político é uma prática comum desde o governo de Getúlio Vargas, que criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e desenvolveu uma série de políticas de comunicação acentuando o poder autoritário do Estado sem ferir os interesses do mercado privado. É neste período que nasceu um modelo de comunicação que predomina ainda hoje, com maioria de mídia comercial e um espaço marginal para a comunicação pública e alternativa.

Em um levantamento de documentos oficiais no Arquivo Nacional que fizemos para montar a exposição “Coronelismo eletrônico” na UFRJ, encontramos uma carta de 1950 do presidente da rádio Mayrink Veiga colocando a emissora totalmente à disposição do então candidato a presidência da República pelo PSD, Cristiano Machado. Na época, este era o partido mais favorecido pelas políticas de comunicação e pela distribuição de concessões.

Essa prática se manteve ao longo do tempo, restringindo o direito da população a utilizar o espectro eletromagnético, pelo qual são transmitidos os sinais de rádio e TV, como um bem público. Outro caso emblemático foi quando o ministro das Comunicações do governo Sarney, Antonio Carlos Magalhães, distribuiu 527 concessões de rádio e TV a políticos aliados para garantir a votação do mandato de cinco anos para Sarney na Assembleia Constituinte. Esse fato foi denunciado na época pela

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mas infelizmente a prática não se encerrou ali. Ao contrário, expandiu-se.

Você diz que Aécio descumpre o artigo 54 da Constituição. Ele é blindado por isso?

Acredito que sim. Ao contrário de um mito construído pela imprensa de que esta seria defensora imparcial dos interesses da sociedade, a mídia também possui o seu quadro de interesses, como empresa comercial que precisa se sustentar financeiramente e que exerce grande influência política. O mito da imparcialidade é herança de uma tradição de jornalismo que se compreende como “cães de guarda” da sociedade, acima do bem e do mal, que é ensinada em muitas faculdades de jornalismo.

Alguns veículos de comunicação defenderam um projeto de direita que saiu do armário recentemente. É o caso da Veja, que construiu uma cobertura de ataque à candidata Dilma e de defesa de Aécio. Essa eleição foi bastante emblemática na área da comunicação. Diante da matéria de capa da Veja com uma suposta declaração que apontava a ligação de Lula e Dilma com o escândalo da Petrobrás, a presidenta reagiu em seu último programa, atacando a revista e expressando a necessidade de recorrer à justiça para reivindicar o direito de resposta, levando depois ao debate sobre a regulação econômica da mídia. Infelizmente, essa pauta da comunicação apareceu apenas em um momento eleitoral e há pouca probabilidade dela levá-la adiante, porque iria contrariar interesses de aliados e da mídia hegemônica. Não há coragem política quanto a essa questão.

Como, ainda exercendo o “coronelismo midiático”, Aécio conseguiu perder as eleições?

Talvez esse fato seja uma evidência de que não é correta aquela tese que sustenta a passividade da sociedade diante da manipulação da mídia. Os efeitos da cobertura da imprensa sobre a opinião pública não agem de modo determinista, definindo as intenções de voto de modo mecânico. A formação da opinião é ambivalente e possui diversos espaços de influência, como a família, a vizinhança, as relações de trabalho, a religião e a própria mídia.

Existe também um componente utilitarista no voto, do eleitor principalmente de classe baixa do Norte e Nordeste e da zona rural ao perceber melhorias em sua vida nos últimos três governos, entre 2003 e 2014. Ele pensa: Minha vida melhorou, hoje meu filho está na faculdade com o Prouni e eu consegui comprar um carro, para que mudar? Dilma explorou bastante esse viés em sua campanha eleitoral.

O “coronelismo eletrônico” é um sistema de poder que se dá principalmente em nível regional ou local. Mas, mesmo nesta esfera, o poder da mídia pode ser relativizado. O caso do Maranhão nessas eleições é bastante ilustrativo, tanto a cobertura da televisão ligada à família Sarney, aTV Mirante afiliada da Globo, quanto do canal do candidato derrotado, o senador Edson Lobão Filho, o Sistema Difusora afiliado ao SBT. Os dois fizeram uma cobertura extremamente desfavorável ao candidato de oposição, Flávio Dino do PCdoB, e isso não impediu que o candidato comunista vencesse no primeiro turno, derrotando “Edinho” Lobão com 63,52% dos votos.

O pesquisador Stevanim
O pesquisador Stevanim
A democratização dos meios de comunicação deve afastar políticos da imprensa? 

Essa deve ser uma pauta central na luta pela democratização da mídia e pela garantia dos direitos à informação, à comunicação e à cultura. A relação de políticos com meios de comunicação tira a autonomia e prejudica direitos tais como o voto consciente e livre e o direito de ser eleito, porque cria uma disputa desigual entre um candidato que é dono da rádio ou da TV com vantagem na disputa. Também lesa a liberdade de informação e de expressão, assim como a diversidade de pensamento necessária na democracia.

Na minha visão, existe uma urgência histórica: A aprovação de uma lei que regulamente o texto da Constituição que se refere à comunicação, principalmente os cinco artigos do capítulo da Comunicação Social, de 220 até 224. Já se passaram 26 anos da promulgação da Constituição e até hoje não avançamos nessa questão. A mídia precisa ser regulada por uma lei democrática e que garanta a liberdade de expressão, a diversidade e a pluralidade de vozes na sociedade como acontece em vários países do mundo. Mas a questão vai além do plano legal. Mesmo que o STF julgue a ADPF 246 e reconheça que os políticos radiodifusores infringem o artigo 54 da Constituição, o “coronelismo eletrônico” e outras influências políticas da mídia não vão deixar de existir da noite para o dia.

É preciso amadurecer a escolha e a participação política da sociedade, porque muitos julgam que podem extrair benefícios para si mesmos de relações derivadas do clientelismo e do coronelismo, naquela lógica de “eu critico que todos os políticos são corruptos, mas elogio o deputado que consegue uma cirurgia para mim furando a fila do SUS”. Os espaços contra hegemônicos e democráticos de comunicação, sejam rádios comunitárias ou portais alternativos de notícia, cumprem um papel essencial para mudar essa cultura política.

Andrea Neves da Cunha mascara as atividades de Aécio Neves? 

As relações familiares de Aécio apontam para um aspecto central na política brasileira, que ajuda a afirmar uma tradição patrimonialista em que os interesses privados são favorecidos em prejuízo da cidadania e do interesse público. Não é o único caso na nossa política. Ao contrário disso, a tradição familiar é uma característica da política brasileira desde o Antonio Carlos Magalhães Neto até o filho do ex-governador do Rio, o Marco Antonio Cabral.

Infelizmente, esse favorecimento que pode gerar o nepotismo, o filhotismo e outros fenômenos nocivos à democracia não é reconhecido como um problema por grande parte da sociedade. Até mesmo em suas campanhas na TV, os candidatos costumam aparecer ao lado de seus filhos e de sua mulher, como se pelo fato de ser um bom pai ele fosse ser um bom governante.

Como diria o Guimarães Rosa, “quase todo mais grave criminoso feroz sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai e é bom amigo-de-seus-amigos”.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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A organização criminosa que apoiou Aécio Neves

O Senador Aécio Neves terá que engolir sua afirmação de que foi derrotado por uma organização criminosa.

Grande parte dos políticos corruptos que receberam propina do esquema que saqueou a Petrobrás, citados por um dos delatores, apoiou sua campanha, desde o primeiro turno.

Ainda conforme os próprios delatores, o envolvimento de cada um deles com essa organização criminosa data do governo do presidente Fernando Henrique.

Já basta desse lenga-lenga de Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Roberto Duque.

Os brasileiros querem saber os nomes dos políticos que receberam dinheiro de propina do esquema que assaltou a Petrobrás.

O que se espera agora é que as informações já vazadas sejam confirmadas no inquérito da Polícia Federal, se os delegados fizerem o trabalho de delegados e não de cabos eleitorais de distintivo.

O que se quer é que todos sejam imediatamente julgados pelo STF ou fujam logo de seus mandatos para serem processados em primeira instância, como fizeram os acusados Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, mensaleiros amigos de Aécio Neves.

Quando os nomes ligados a Aécio nas eleições de 2014 e que constam da delação premiada forem qualificados como parte do esquema, Aécio terá uma organização criminosa para chamar de sua.

No PP, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ao que consta, um dos citados na delação, organizou o apoio de todo o Diretório do Partido Progressista do Rio de Janeiro ao presidenciável tucano.

Outro citado, João Pizzolatti, presidente do PP de Santa Catarina, articulou o apoio desse diretório a Aécio e ao chapão em aliança com o PSDB no estado, incluindo o apoio à candidatura do tucano Paulo Bauer, a governador, e de Paulo Bornhausen ao Senado, pelo PSB - também apoiador de Aécio.

Mesmo no PMDB, muitos dos nomes citados estiveram oficialmente associados à oposição, como o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o senador Romero Jucá, de Roraima, e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A recomendação ética de Aécio aos membros prediletos dessa que acusa de ser uma organização criminosa foi: "suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado".

A consequência da baixaria do senador e presidente do PSDB é que ele próprio, ao nivelar por baixo o debate político, ao invés de agir como líder da oposição, incorporou o discurso e vestiu a camisa de chefe de um bando desqualificado de extrema direita que pretende levar a disputa política para as vias de fato.

A partir de agora, Aécio torna-se responsável direto por qualquer ato que fuja do controle do processo democrático e revele a face não apenas golpista e autoritária, mas violenta desse bando.

O que se viu nas galerias do Congresso (terça, dia 2) é apenas o começo de algo que, na República, sempre teve um fim triste e personagens obtusos.

Aécio acaba de entrar para a essa galeria de personagens obtusos.

Antonio Lassance, cientista político. 
No Carta Maior
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Paralisia do governo facilita golpismo


A aprovação de mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias, obtida no final da madrugada desta quinta-feira, não sustou ou debilitou a escalada conservadora.

Apesar da vitória parlamentar, evitando explosão de uma crise fiscal no colo da presidente, como era desejo da oposição de direita, o governo segue acuado.

Os partidos conservadores, associados à velha mídia, tomam carona na manipulação de denúncias provenientes da Operação Lava Jato e tentam manter o oficialismo sob fogo cerrado.

Os sinais do caráter golpista da estratégia opositora são evidentes.

Mesmo que suas principais lideranças ainda considerem insuficientes as condições políticas e jurídicas para abrir processo de impedimento, as operações de desgaste e sabotagem não escondem o propósito desestabilizador.

Não há surpresa no comportamento do PSDB e o resto da matilha, a bem da verdade. Durante a campanha já era evidente, pelo discurso de alguns próceres, que a aliança reacionária se jogaria de corpo e alma no enfrentamento.

Nunca esconderam a intenção de deslegitimar a presidente, empurrá-la contra as cordas e, se possível, abortar o mandato conferido pelas urnas.

Tampouco deixam dúvidas sobre o plano de desconstruir o PT e o ex-presidente Lula antes das eleições de 2018.

O que espanta é a inação governista desde o final de outubro.

Apesar de resoluções combativas, o petismo parece tomado pela apatia e o cansaço político. A reclamar do golpismo, por infração às regras democráticas, mas sem adotar comportamento resoluto e massivo, capaz de interromper as tramóias.

A tomada das galerias do parlamento por um punhado de delinquentes remunerados, durante a votação da LDO, foi simbólica desta política de guarda-baixa.

Por que o PT e o PC do B não convocaram sua militância para ocupar as arquibancadas do parlamento, em defesa da proposta do governo?

Por que a presidente não foi seguidamente à televisão e ao rádio, em entrevistas e em rede, para indicar o que estava em jogo na decisão sobre o superávit primário?

Por que os instrumentos de comunicação do governo não foram acionados para explicar do que se tratava a batalha em torno da LDO?

De qual manual o governo extraiu a lição que o melhor remédio contra a politização da direita seria a despolitização da esquerda?

O Planalto parece aprisionado pela orientação defensiva adotada depois do triunfo eleitoral, contaminando partidos e movimentos que constituem sua base de apoio.

A presidente e sua equipe mais próxima empenham-se em providências e discursos para apaziguar o capital financeiro, o ruralismo, os meios de comunicação, os centros imperialistas, as frações centristas que flertam com a direita, os próprios partidos de direita.

Partem de premissa comprovada, a correlação desfavorável de forças nas instituições, para conclusão gradualmente desmentida pelos fatos: a política de recuos não revela eficácia para conter as forças golpistas.

Ao contrário. A oposição de direita sente-se mais forte em seus ataques, dedica-se a explorar eventuais contradições e vulnerabilidades da esquerda, toma gosto por fazer política recorrendo à disputa aberta do Estado e da sociedade.

Os momentos de calmaria, propiciados por decisões como a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, logo são seguidos por novos vendavais.

O conservadorismo, mesmo com fraturas e divisões, expõe inédita determinação, um apetite pantagruélico por ocupar todos os espaços disponíveis.

A política do recuo, por outro lado, inibe o campo popular. Divide e paralisa as forças progressistas que levaram ao triunfo eleitoral de Dilma Rousseff. Não deixa clara qual a agenda pela qual seguirá seu segundo governo, conquistado pela narrativa do aprofundamento e da aceleração de reformas.

Pouco se faz para animar a esquerda e provocar o retorno ao palco dos setores populares. Afinal, são esses os únicos destacamentos aptos a enfrentar o consórcio golpista, como a disputa presidencial deixou claro.

Revelam-se politicamente inócuas medidas como a indicação de ministros amigáveis às classes dominantes, o duplo aumento da taxa de juros, o aceno para política econômica mais ortodoxa, o arrefecimento da crítica aos monopólios da informação e o rebaixamento da defesa de uma Constituinte para a reforma política.

Ainda que parte desses encaminhamentos seja inevitável, para preservar a governabilidade institucional, que depende de coalizão pluripartidária e policlassista, demonstra-se estarrecedora a ausência de programas, decisões e símbolos que mobilizem a base natural do petismo.

Vale lembrar que inexiste registro histórico de intentos golpistas detidos por lamentações acerca de sua natureza pérfida.

Não há saída fora da contraposição, à sanha conservadora, de um movimento popular e democrático impulsionado por governantes e partidos que legitimamente exercem a liderança do país.

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O trensalão tucano


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Financiamento

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O alvo do impeachment não é Dilma, mas o PT

A operação Lava Jato, segundo pessoas que tiveram algum tipo de acesso ao processo, tem provas substanciais e vai levar muita gente à cadeia. A Polícia Federal teria feito um trabalho que deixa pouca margem à defesa e por isso a grande quantidade de delações premiadas. Quando o réu se vê frente ao que já se acumulou de informaçõe sobre os crimes que cometeu, abre o bico para tentar se livrar de uma imensa pena. A despeito de quem possa vir a ser punido, esse é o papel da PF. A mesma Polícia Federal indiciou ontem 33 pessoas no caso do trensalão tucano de São Paulo.  Também cumprindo seu papel de investigar.

As diferenças entre um caso da PF e o outro não parece ser o processo de investigação, mas os vazamentos seletivos por um lado e a forma como a mídia tradcional aborda cada um deles.

Hoje, por exemplo, todos os grandes jornais do país dão manchetes buscando incriminar o partido de qualquer forma na Operação Lava Jato. O gancho é o depoimento de Augusto Mendonça, do grupo Toyo Setal, de que teria doado recursos de propina para o caixa oficial do partido. Ao contrário do que toda as reportagens destacam, no entanto, o executivo teria de fato dito que se encontrou com o tesoureiro do PT, João Vaccari, para finalizar a operação, mas acrescentou que “na ocasião não informou a Vaccari que as doações estavam sendo feitas a pedido do então diretor de Serviços da Petrobras”. Ou seja, a ser verdade que houve doação por caixa 1 que poderia envolver propina, o que é praticamente impossível de se comprovar, o tesoureiro do PT não fez nenhum tipo de acerto com o doador. E isso, segundo, o delator do caso.

Mas Vaccari está sendo achincalhado e transformado em bandido por todos os veículos de comunicação. Ao mesmo tempo nenhum dos 33 indiciados ontem no caso do trensalão tucano teve seu nome citado nas reportagens dos veículos tradicionais. E o caso não ganhou nem destaque nas capas desses jornais. Aliás, o único nome citada nas matérias é o de José Serra, para dizer que “investigado ele não foi indiciado”.

Ou seja, no caso de uma investigação que envolve tucanos, só o inocentado é citado. No caso petista, alguém que nem é citado é criminalizado.

Há uma clara desproporção nas coberturas. E ha também uma intenção clara por trás delas. O PT é um inimigo a ser derrotado pela mídia tradicional. E neste momento o principal objetivo não é nem criar clima para um impeachment de Dilma, porque essa operação careceria de outras condicionantes. Impeachment não é apenas uma operação jurídica, ele também precisa de condições políticas.

Ao que parece o objetivo é o de colocar o PT ou na completa ilegalidade ou o de lhe imputar multas tão altas que praticamente o inviabilizem. A operação em curso (há algum tempo aliás) é a de derrotar o PT. Dilma seria algo para o futuro. E talvez até se tornasse uma operação desnecessária se ficasse completamente amarrada a se defender das acusações e visse seu partido completamente destruído.

O PT, independente de ter a presidência da República e cinco governadores, hoje é um partido muito mais fraco do ponto de vista simbólico do que já foi no passado. E também por isso se tornou um alvo fácil para qualquer denúncia. Tudo cola no partido.

E isso tem relação com o fato de em outros momentos a agremiação ter se acomodado na defesa de dirigentes que foram acusados sem provas por um lado e ter sido leniente com outros filiados que claramente estavam envolvidas em ilicitos. O partido parece ter percebido isso e nos últimos tempos e mudou sua postura. Mas sua ação ainda é tímida.

O que vem pela frente é uma avalanche de acusações para incriminar o PT. O alvo ainda não é Dilma. Ela é o bode na sala. Enquanto petistas estiverem preocupados em defendê-la, o partido vai sendo desgastado e demolido. Até que ninguém terá mais coragem para defendê-lo.

Na última eleição muitos jovens ousaram colocar a estrela vermelha do PT no peito. Pode ter sido a última vez se a direção do partido não tiver coragem de enfrentar essa batalha com coragem e determinação. E ao mesmo tempo não tiver a ousadia de abrir mais espaços para novas lideranças que batam com firmeza no peito e defendam a história de um projeto que, com altos e baixos, não pode ser tratado e nem se deixar tratar como uma organização criminosa.

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Vitória em ambiente de ameaça golpista

O governo da presidenta Dilma Rousseff conquistou uma grande vitória política com a decisão tomada em sessão conjunta do Congresso Nacional, na madrugada desta quinta-feira (4), de aprovar a nova meta fiscal para o ano de 2014. Foi uma batalha legislativa que, do ponto de vista da oposição neoliberal e conservadora liderada pelo candidato derrotado Aécio Neves, fez parte de uma estratégia golpista.

Durante três semanas, esta oposição instalou um clima de guerra no interior do Poder Legislativo, com o indisfarçável propósito de jogar este e a opinião pública contra o governo da presidenta reeleita e impedir a aprovação de uma justa proposta formulada pelo Executivo de abater do cálculo do superávit primário as desonerações tributárias e investimentos nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A estridente ação oposicionista integra a movimentação política para criar um ambiente de ingovernabilidade e crise.

O PSDB, o DEM e demais componentes da coalizão reacionária não fizeram apenas uma batalha pelo voto dos parlamentares em torno de uma proposta legislativa, algo que seria rotineiro e absolutamente normal. Não estavam, muito menos, preocupados com a “credibilidade da economia brasileira”. Toda a estratégia se voltou para imputar à mandatária o “crime de responsabilidade”, supostamente decorrente da não obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal. Com suas chaves de palha, os comandados de Aécio Neves et caterva pretendiam abrir as portas para o processo de impeachment ou qualquer outra forma de deposição da presidenta.

Por isso, o clima de guerra chegou ao paroxismo na terça-feira (2), quando os partidos oposicionistas mobilizaram uma espécie de milícia formada por três dezenas de fascistas, que com gritos, insultos e ameaças de agressão nas galerias da Câmara dos Deputados, a Casa do povo, inviabilizou a continuidade da sessão deliberativa. O ódio do grupelho, agindo como estipendiário dos partidos derrotados na última eleição presidencial, voltou-se especialmente contra uma parlamentar comunista, a senadora Vanessa Graziottin, destilado com insultos e palavras de ordem direitistas.

A ofensiva golpista da oposição ganhou novos contornos durante a semana com a continuidade dos vazamentos seletivos de depoimentos da Operação Lava Jato. Prossegue a tentativa afanosa da mídia monopolista e de parlamentares oposicionistas para encontrar, custe o que custar, uma ligação das doações de recursos financeiros para a campanha de Dilma Rousseff com as traficâncias descobertas pela Polícia Federal. As manipulações grosseiras feitas em torno do tema fazem parte da tentativa de imputar crime eleitoral à presidenta da República e ao Partido dos Trabalhadores.

O candidato derrotado Aécio Neves foi o primeiro a tirar conclusões apressadas e politizar a questão de acordo com o roteiro golpista que ele próprio traçou: “Governo ilegítimo”, bradou na tribuna do Congresso.

Os episódios da semana — na batalha legislativa e na Operação Lava Jato — são reveladores da intensidade da luta política no período pós-eleitoral, sinalizando o nível de enfrentamento que o país viverá durante o segundo mandato presidencial, a se iniciar em 1º de janeiro e na legislatura que se inaugura no mês seguinte. É um momento exigente para as forças progressistas e o movimento popular.

Clareza de propósitos, unidade e mobilização serão mais necessários do que nunca para derrotar os planos da direita e fazer o Brasil avançar aprofundando a democracia e as conquistas acumuladas em 12 anos de governos progressistas.

Ilustração: Neto Sampaio
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Oposição perde a segunda arma do impeachment


De três alternativas, resta a tentativa de vincular doações campanha a Lava jato

A renitência da guerra regimental travada ao longo da noite entre governo e oposição para aprovar o projeto do superavit tem poucos precedentes na história parlamentar recente. Para a oposição, o que estava em jogo não era a questão fiscal mas o fim do segundo caminho para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se o projeto fosse rejeitado, poderia denunciá-la por responsabilidade, por ter ferido a Lei de Diretrizes Orçamentária com o estouro da meta de superávit. Resta agora a tentativa em curso, de vincular as contas de campanha à corrupção na Petrobrás. Guerra de curto prazo: para ser diplomada juntamente com Temer no dia 17, Dilma precisa das contas aprovadas.

Três foram os caminhos prospectados pela oposição com o objetivo de barrar o segundo governo Dilma. Ainda na véspera da eleição, o golpe da revista Veja com a capa ‘Eles sabiam de tudo”. A via midiática não produziu resultados eleitorais nem os desdobramentos institucionais. Mas serviu para colocar a palavra “impeachment” em circulação, a partir de duas pequenas manifestações em São Paulo, que deram carona aos defensores de um golpe militar. Na última, o cantor Lobão tentou expulsá-los mas já eram farinha do mesmo saco golpista.

Na questão fiscal, já na campanha o candidato Aécio Neves falava no estouro da meta do superávit como um crime. E ontem, ao longo da votação, alguns líderes da oposição não esconderam a estratégia.  Repisaram nos discursos a afirmação de que aprovar o projeto flexibilizador da meta seria conceder “anistia à presidente da Republica por um crime que ela já cometeu”. E alguns o detalharam: crime de responsabilidade por descumprir a lei, que enseja pedido de abertura de processo de impeachment. O governo ganhou a duras penas, aprovando o mérito do projeto numa sessão martirizante. Restam os destaques mas a batalha foi vencida graças a uma surpreendente coalizão da base governista, — que mereceu agradecimento do líder do Governo na Câmara, Henrique Fontana —, ao empenho dos líderes e a uma condução irrepreensível do presidente do Senado, Renan Calheiros, que soube combinar firmeza no uso do regimento e paciência para aturar as manobras caprichosas da oposição. A maioria funcionou.

Resta agora ao neo-lacerdismo o terceiro caminho, a tentativa de vincular a prestação de contas de campanha de Dilma às empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato. Em seu artigo de hoje no 247 Paulo Moreira Leite aponta a omissão — por todo o noticiário excitado dos jornais — da parte essencial da delação premiada do executivo Mendonça Neto: a de que fez doações legais ao PT mas não revelou ao tesoureiro do partido, João Vaccari, que o fazia por orientação do diretor corrupto Renato Duque. Mas antes mesmo do vazamento do conteúdo da delação, conforme registrei ontem, o ministro Gilmar Mendes, que analisa a prestação de contas de Dilma, já tomava providências sintonizadas com este caminho. Repito que este processo está se atrasando. Para haver diplomação no dia 18, a prestação de contas deverá ter sido aprovada pelo TSE, a partir do relatório Gilmar.

Este plano tem chances de vingar? Acho difícil. O impeachment exige condições jurídicas e políticas. As primeiras significam observância do devido processo legal, com prova e contraprova. O PT parece muito seguro de que as doações legais que recebeu não têm como ser vinculadas ao esquema de propinas na Petrobrás. Como distinguir as doações que as empreiteiras fizeram ao PT das que foram feitas a ouros partidos e candidatos, inclusive ao PSDB e a Aécio? Sem provas não há processo. As condições políticas pressupõem apoio popular, pois trata-se, afinal, de uma medida contra a decisão tomada pelo povo. Este elemento não faltou no caso de Collor. Mas existiriam no país milhões dispostos a marchar contra Dilma sob a liderança de Lobão?

De todo modo, a guerra do superávit indica, para a presidente, um ponto de inflexão. Ela precisa concluir o ajuste na política, pacificar sua base e armar-se com uma maioria segura para enfrentar tempos muito duros. Ainda este ano, será preciso aprovar o orçamento de 2015. E no ano que vem a nova equipe econômica vai descarregar algumas medidas polêmicas no Congresso, que vão resultar em novas escaramuças como a de ontem. E tais medidas, apesar das caretas da esquerda, serão importantes para desanuviar o ambiente, agora mais pesado na política que na economia.

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Má fase

“Rebaixamento” tem uma conotação meio fúnebre, tem, não? Soa como enterro, sepultamento, algo definitivo. Claro que não é nada disso. O time que cai para a segunda divisão tem um privilégio que nenhum morto tem, o de poder voltar. O Fluminense, por exemplo, foi rebaixado até as cavernas do inferno e voltou espetacularmente, à vida e à primeira divisão.

Qualquer grande clube pode ser vítima dessa maldição que ronda o mundo do futebol que é a má fase. A terrível má fase. Quando se entra numa má fase — um misterioso período da vida de um clube em que nada dá certo e os vexames se acumulam —, não há o que fazer.

A má fase é como um vírus de origem desconhecida e terapia impossível que derruba grandes e pequenos do mesmo modo. A única maneira de enfrentar uma má fase é como se enfrenta uma tormenta: esperando que passe. (Tentar melhorar a administração do clube e o seu plantel também ajuda, claro.)

A torcida do Botafogo tem um consolo adicional para a má fase do seu time. Existe a velha máxima, dita com um certo orgulho fatalista, de que certas coisas só acontecem com o Botafogo. Não é verdade, ninguém está livre de sucumbir a fases ainda piores do que a dele — veja-se o Vasco.

Mas, no caso do Botafogo, a dor do rebaixamento é atenuada pela lembrança de que o clube tem uma vocação para o drama. Viver um momento de completa descrença no time é reafirmar, ao mesmo tempo, o folclore que o diferencia de todos os outros. Assim, quanto pior for a situação do time, melhor a literatura que o cerca.

O rebaixamento fortalecerá o folclore. Sofreremos como nenhuma outra torcida, e voltaremos dos mortos em 2015 — está bem, talvez 2016 — purgados e triunfantes. E a estrela solitária se erguerá das cinzas, como já aconteceu antes, e brilhará no céu da pátria outra vez.

O Começo

Leitura recomendada para os nostálgicos da ditadura: a entrevista com o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos publicada pela “Folha de S.Paulo” nesta segunda-feira. Pedro Henrique é o autor do livro “Estranhas catedrais — As empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar”, recém-publicado. Na sua pesquisa de quatro anos para o livro, ele estudou a participação das empreiteiras no golpe de 64 e a sua relação com o governo militar que se seguiu, e os casos de corrupção, que na época eram acobertados porque não existia fiscalização, a imprensa era censurada, e qualquer crítica era considerada contestação ao regime.

O poder das empreiteiras, que nasceu no governo Juscelino, aumentou com seu acesso direto ao Estado ditatorial e sobreviveu ao fim da ditadura, com os mesmos maus hábitos. Pedro Henrique diz que, na era dos militares, a apropriação do Estado pelas empreiteiras era até maior do que a que está sendo revelada hoje por instituições democráticas como o Ministério Público e a Polícia Federal. Mas também reconhece que foram mantidas certas estruturas, em relação à distribuição de cargos e ao aparelhamento político, que facilitam a corrupção.

Luís Fernando Veríssimo
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Sérgio Porto # 65


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Essa é do Barão... 123


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Um roteiro para entender a operação impeachment


Confira primeiro os posts anteriores.

Em 6 de novembro de 2011, em “O Xadrez do Jogo do Impeachment” descrevo como se dão os golpes em regime democrático e a estratégia em curso pela oposição:

1.      Exacerbação da opinião pública.

2.      Manipulação da Lava Jato.

3.      Intimidação do Supremo Tribunal Federal e do Procurador Geral da República. Essa última etapa começará proximamente.

Em 18 de novembro, no post “Armado por Toffoli e Gilmar já está em curso o golpe sem impeachment” mostro como o desfecho dessa tática seria a tentativa de criminalização do Caixa 1 do PT.

Em 22 de novembro, no post  “Juiz Moro monta a segunda garra da pinça do impeachment” descrevo o papel do vazamento seletivo de informações da Operação Lasva Jato, visando instrumentalizar Gilmar Mendes no julgamento das contas do PT e da campanha de Dilma.

No dia 25 de novembro, em “A Operação Apocalipse encontra a operação Toffoli-Gilmar” mostro a concretização da operação e a pessoa-chave para tentar criminalizar Dilma e Lula: o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque.

Os quatro posts são um bom roteiro para situá-los para o acompanhamento dos próximos passos do jogo.

O momento atual.

1.      Ampliar a exacerbação popular. No Congresso, Aécio Neves tomou a si a responsabilidade.

2.      Forçar Duque a abrir o jogo. No Blog do Gerson Camarotti, delegados da Polícia Federal admitiram que a intenção da manutenção da prisão de Duque era pressioná-lo psicologicamente para abrir o jogo. Ou seja, entregar Lula e Dilma. Essa é a intenção dos delegados e procuradores. O que não siognifica que serão bem sucedidos.

3.      Reforçar a tese da criminalização do Caixa 1. Os jornais estão sendo pródigos em descrever parte do relato de um dos presos, afirmando que o dinheiro do suborno entrou no Caixa 1 da campanha de 2010. Pouco importa se afirmou não possuir provas e se seu companheiro afirmasse peremptoriamente que não houve mistura de caixas: o julgamento do TSE é político.  Agora, tentarão encontrar indícios em 2014.

Luís Nassif
No GGN
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