4 de dez de 2014

Oposição derrotada parte para o vale tudo contra Dilma

É como se Aécio Neves dissesse para Dilma Rousseff, ao final desta opera bufa em que encarna Carlos Lacerda à beira de um ataque de nervos: "Tudo bem, eu perdi a eleição, não vou ser mais presidente, mas você também não vai governar. Nós não deixaremos".

Vai ficando mais claro a cada dia que o objetivo real da oposição é um só: criar o clima e as condições necessárias para que a presidente reeleita Dilma Rousseff não assuma o segundo mandato e, se isso acontecer, impedi-la de governar o país pelos próximos quatro anos.

A guerra deflagrada contra a votação do projeto de lei para autorizar mudanças na meta fiscal de 2014, que terminou nesta madrugada de quinta-feira, com mais uma vitória do governo, foi apenas o pretexto imediato utilizado pelas oposições mobilizadas no Congresso Nacional, no Judiciário e na mídia para uma ofensiva golpista sem precedentes.

* No Congresso Nacional — O vale tudo começou na noite de quarta-feira, quando uma tropa de choque oposicionista invadiu as galerias e tentou impedir a votação no grito e na marra. Eram apenas uns 30 bate-paus ensandecidos, gritando as mesmas palavras de ordem utilizadas nas recentes manifestações da avenida Paulista, em São Paulo, enquanto parlamentares do PSDB e do DEM, entre outros menos votados, ocupavam a tribuna com ataques irados contra Dilma e o PT, mas foi o suficiente para que, diante da baderna promovida pelos arruaceiros, o presidente do Senado, Renan Calheiros, suspendesse a sessão.

"Esta é a casa do povo e o PT tem que aprender a conviver com o povo novamente nas galerias", defendeu Aécio, que há muito tempo não usava a palavra povo duas vezes na mesma frase. Eles voltaram mais enfurecidos na manhã de ontem, dispostos a impedir a entrada de deputados e senadores, agora acoitados por tipos como Ronaldo Caiado, revivendo seus tempos de líder da famigerada UDR, e Paulinho da Força, sempre o mesmo, entre outros baluartes da democracia, que dão sustentação à "nova oposição" liderada por Aécio Neves. Nem o ex-presidente da República José Sarney escapou do cerco, que o deixou bastante assustado, quando os manifestantes chutaram e tentaram virar o seu carro.

À tarde, os representantes do povo pró-Aécio, convocados pela rede social por entidades como "Movimento Brasil Livre e Democracia", "Revoltados Online" e "O Brasil despertou", que passaram o dia gritando "Fora PT", "PT roubou" e "Vá para Cuba" receberiam o reforço do indescritível cantor Lobão, que apareceu em Brasília para liderar um "movimento popular" contra a votação, e chegou a ir ao STF para pedir a liberação do acesso as galerias.

Em conversas reservadas com sua tropa, segundo a Folha de S. Paulo, o ex-governador mineiro já deu as instruções, para não deixar dúvidas: a ordem é "cumprir o objetivo de deixar o governo Dilma no chão". Caso o projeto de lei sobre flexibilização da meta fiscal não fosse aprovado, a estratégia tucana era denunciar Dilma por "crime de responsabilidade", para embasar um pedido de impeachment. Derrotados novamente, agora os aliados de Aécio jogam todas suas fichas nas denúncias dos delatores na Operação Lava-Jato, uma ação casada com vazamentos seletivos, para levar o "mar de lama" até o gabinete presidencial.

"Se comprovadas essas denúncias, estamos diante de um governo ilegítimo", disparou Aécio Neves, nosso Carlos Lacerda redivivo, agora em nova versão radical chique, em que chegou a perder o fôlego ao final de mais um discurso incendiário para impedir a votação da lei, depois de ter afirmado em entrevista que perdeu a eleição para uma "organização criminosa".

É em meio a este clima beligerante que a Câmara Federal se prepara para eleger o ínclito Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como seu novo presidente, em fevereiro. E é com a boa vontade dele que a oposição conta caso consiga formalizar o sonhado pedido de impeachment, para abreviar sua volta ao poder. É o presidente da Câmara, afinal, quem decide se o pedido será ou não acolhido para seguir adiante nas comissões e no plenário. Assim se fecharia o cerco programado.

* No Judiciário — Enquanto juízes e delegados da Operação Lava-Jato, em Curitiba, vão soltando a cada dia novas denúncias de pagamentos de propinas por executivos de empreiteiras a emissários do PT e partidos aliados, em Brasília arma-se o ataque final para colocar na mira diretamente a presidente Dilma Rousseff e, se possível, também seu antecessor Lula, virtual candidato a voltar em 2018. Segundo o jornal O Globo, o ministro Gilmar Mendes, sempre ele, do STF, já está preparando uma "devassa" nas contas da campanha da reeleição.

A estratégia ganhou força com o depoimento do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto em que ele afirmou ter feito pagamentos de propina em troca de contratos na Petrobras, na forma de "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores", que teriam começado em 2010, quando Lula era o presidente e Dilma candidata à sua sucessão.

O alvo imediato é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT nas campanhas de 2010 e 1014, citado nas delações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Com base nos vazamentos destas delações premiadas, lideres da oposição revezam-se nas tribunas da Câmara e do Senado, quase sem contestação dos aliados do governo, para denunciar que está "sob suspeita" o comando do país.

* Na mídia — Para amarrar as pontas e fechar a roda, não poderia faltar o decisivo apoio da mídia tucano-familiar, que rasgou a fantasia, e há semanas dedica a maior parte dos seus noticiários à Operação Lava-Jato, como se nada mais estivesse acontecendo no país, colocado à beira do abismo.

Já não se sabe se é a mídia que pauta as oposições no Congresso e no Judiciário ou vice-versa, pois virou tudo uma coisa só, muito bem orquestrada, por sinal. As manchetes e os destaques dos veículos impressos ou eletrônicos parecem ser produzidos pela mesma pessoa, a partir de um comando central que atende pelo pomposo nome de Instituto Millenium.

Após uma brevíssima trégua, com a indicação de Joaquim Levy para comandar a economia no segundo mandato, parece que resolveram abrir todas as comportas para inundar o país com o "mar de lama", uma criação original de Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas, agora ressuscitada por Aécio Neves, que parece ter trocado definitivamente o PSD conciliador do seu avô Tancredo Neves pela velha UDN golpista das vivandeiras de porta de quartel.

Neste cenário de vale tudo, de nada adianta a presidente Dilma tentar acalmar as feras fazendo seguidas concessões à direita derrotada nas urnas. Ela e Lula são e serão tratados como inimigos a serem abatidos, sem dó nem piedade. Após 12 anos de PT no poder central, a turbulência brava está só começando. Senhores passageiros, fechem as mesinhas à sua frente, amarrem os cintos e desliguem seus aparelhos eletrônicos.

Vida que segue. E seja o que Deus quiser.

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Aécio Neves agradece os votos de BH em vídeo com dono do jornal Estado de Minas

As eleições já acabaram há mais de um mês, mas o clima de confrontação estimulado por Aécio parece estar longe de terminar. Nesta semana ele afirmou em entrevista que não perdeu as eleições para um partido político, mas sim para uma organização criminosa. Eleitores de Dilma estão se mobilizando para um processo coletivo na justiça. Ontem, segundo deputados, senadores e jornalistas, o PSDB teria estimulado a confusão que levou a senadora do PCdoB, Vanessa Graziotin, a ser agredida de forma bizarra. Como disse o presidente do PT, Rui Falcão,”o fracasso subido à cabeça de Aécio”.

Mas nem por isso, a luta terminou. Nem a parcialidade da imprensa mineira.

O blog recebeu um vídeo onde o tucano envia um recado de agradecimento a um grupo de WhatsApp, que teria sido “importantíssimo” para Aécio durante sua campanha presidencial. Ao seu lado está Geraldo Teixeira da Costa Neto, o “Zeca” - filho de Álvaro Teixeira da Costa, presidente da Diários Associados, que é  responsável pelo Estado de Minas, um dos jornais que mais fizeram campanha pelo tucano — e André Lamounier, da revista Encontro, que também pertence ao Estado. Zeca chegou, inclusive, a convocar seus funcionários a irem para as ruas  em apoio ao tucano. Durante a corrida presidencial, o herdeiro e diretor-executivo do jornal havia dito, poucos dias antes da eleições, que Lula era um “cachorro” e que Dilma Rousseff não teria “governabilidade”.

O tal de André começa o vídeo — que comprova que a cumplicidade entre a mídia tradicional mineira e o tucano continua firme — dizendo que a eleição já acabou há algum tempo, “mas nosso grupo de WhatsApp não. Ele continua forte e operante”. Depois de mostrar Zeca, o celular filma Aécio, que então manda o seu recado especial:

“Olá minha gente, tô aqui recebendo o André, o Zeca e quero agradecer: agradecer muito a vocês, ao grupo de WhatsApp de Belo Horizonte, vocês fizeram a diferença… o resultado…se em Minas não foi o que nós esperávamos, em Belo Horizonte foi extraordinário. E é muito importante que essa mobilização que começou na campanha, continue. Política a gente faz não é só na véspera das eleição não, portanto eu quero agradecer mais uma vez o empenho de vocês, a forma como vocês, se vincularam a esse nosso projeto. E vamos continuar juntos porque, a luta só tá começando”.

O vídeo não tem pretensões, afinal, foi distribuído pelo WhatsApp – onde nenhum segredo é mantido por muito tempo. Mas relembrando os últimos dias antes da votação, em 26 de outubro, — talvez coubesse duas perguntas curiosas ao leitor: quem mais estaria nesse seleto grupo de WhatsApp e o qual foi o tipo de “política” que eles fizeram às vésperas da eleição que fez (ou deveria ter feito?) para Aécio? Fernando Pimentel não vai ter vida fácil pela frente. Esse vídeo é a senha.



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A grande derrota: novela tucana pós-eleições não convence ninguém


O mau perdedor. Este parece ser o personagem assumido por Aécio Neves após o resultado das eleições em outubro. Criando um enredo recheado de desespero, tendências fascistas e tentativas de golpe, os tucanos encenam nestes últimos tempos aquela que talvez seja uma das mais escabrosas de suas novelas. A cada episódio, um novo susto para defensores da liberdade e da democracia, que assistem atônitos e aguardam incredulamente as cenas dos próximos capítulos.

Esta semana, nada parece ter causado mais horror à audiência do que o show de horrores protagonizado por funcionários e simpatizantes demotucanos no Congresso Nacional. Em protesto contra a aprovação do projeto que flexibiliza a meta do superávit e sob o comando de Jair Bolsonaro (PP-RJ), aecistas dispararam sua metralhadora de gritos, baixarias e palavrões. O roteiro deste episódio, impróprio para menores, incluiu até chamar a senadora Vanessa Graziotin (PcdoB – AM) de “vagabunda” em plena sessão parlamentar.

O enredo tucano ganha ainda contornos de fantasia. Sem qualquer argumento legal ou político, a não ser o vexame da derrota, o eterno candidato Aécio Neves flerta com o golpismo e ventila a possibilidade de um impeachment na marra. Chama o Partido dos Trabalhadores de “organização criminosa”, quando os verdadeiros vilões dessa história são o chamado projeto neoliberal e a impunidade característica de governos tucanos.

A trama empreendida por Aécio e pelo PSDB possui o mesmo grau de irrealidade que uma ficção científica de baixo orçamento. Não tendo conseguido convencer o povo brasileiro de suas ideias reacionárias durante a campanha presidencial, agora o menino do Rio roteiriza um enredo alienante e tenta se colocar no papel de mocinho. Mas a plateia não é burra. O dramalhão mexicano dos tucanos pode até possuir audiência, mas não consegue cativar a ninguém.

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Roseana Sarney renuncia

Próxima de terminar o mandato, a governadora do Maranhão Roseana Sarney anuncia sua renúncia. Ela ainda não se pronunciou sobre o motivo da decisão, especula-se que uma das razões pode não querer passar a faixa ao governador eleito Flávio Dino (PC do B)

No anúncio feito nessa quinta-feira (4), Roseana Sarney (PMDB) falou a integrantes do Judiciário e Ministério Público do Maranhão, durante um almoço na residência do Palácio dos Leões, na capital São Luís. Quem assumi o governo do estado até 1° de janeiro de 2015 é Arnaldo Melo (PMDB), atual presidente da Assembleia Legislativa — uma vez que o vice-governador Washington Oliveira havia renunciado ao cargo em 2013 para trabalhar no Tribunal de Contas da União.

Roseana Sarney ainda não se pronunciou sobre o motivo da renúncia, mas especula-se entre políticos maranhenses que a hipótese mais provável para sua renúncia a pouco mais de 20 dias de terminar o mandato é por conta da derrota nas urnas em outubro, quando Flávio Dino (PC do B) foi eleito governador ainda no primeiro turno, derrotando o senador Edison Lobão Filho (PMDB). Ela não gostaria de participar da cerimônia de posse e passar a faixa ao novo chefe do Executivo.

“A governadora não entrou em detalhes. Disse apenas que ia sair, que ia deixar tudo saneado, falou das emendas dos deputados. Ela entrega a carta às 9h da terça-feira (9), na Assembleia”, afirmou o deputado César Pires (DEM), líder do governo no Legislativo.

Em junho, Roseana já havia anunciado que não iria mais concorrer a cargos públicos e iria se dedicar mais à família.

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Roberto Porto, mais uma perda irreparável para o Botafogo em 2014

"Com imenso pesar, o Botafogo de Futebol e Regatas lamenta o falecimento do benemérito, jornalista, escritor e historiador botafoguense Luiz Roberto Ribeiro Porto, ou Roberto Porto, como era conhecido. Com a saúde fragilizada e vítima de complicações provocadas pela diabetes, ele morreu, aos 74 anos, na manhã desta quinta-feira no Hospital do Andaraí, onde estava internado.
O Botafogo decreta luto oficial de três dias e hasteia sua bandeira a meio mastro, em honra e agradecimento a este grande botafoguense, que durante anos representou o clube com efusivas demonstrações de carinho, além de crônicas e livros memoráveis sobre o Glorioso.
O clube manifesta solidariedade e força a amigos, familiares e fãs de Roberto Porto, jornalista de carreira brilhante. As informações sobre velório e enterro ainda serão divulgadas."
Roberto Porto é mais uma grande perda para o Botafogo neste infeliz ano de 2014. Porto devia estar muito triste com a queda de seu amado Botafogo para a Série B.

Creio que Roberto Porto foi o último dos grandes jornalistas botafoguenses que fizeram das páginas de esporte do saudoso e brilhante Jornal do Brasil, uma leitura imperdível.

João Saldanha, Armando Nogueira, Sandro Moreyra, Oldemário Touguinhó, todos grandes e apaixonados alvinegros já nos deixaram, agora perdemos o Porto.

O Botafogo está de luto.


Leia também: Jornalista Roberto Porto, urgente
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JN reconhece erro em denúncia contra Dilma


A edição desta quarta-feira do Jornal Nacional reconheceu um erro cometido contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Na reportagem, conduzida pela repórter Cristina Serra, foi citado o trecho em que Paulo Roberto Costa afirma que jamais alertou Lula ou Dilma sobre desvios na Petrobras. Assista:



Ontem, reportagem do 247 apontou que esta informação foi escondida na cobertura dos jornais sobre o tema (leia aqui). Durante as eleições, a tese do "eles sabiam de tudo" foi usada numa tentativa de golpe, liderada pela revista Veja, para fraudar a vontade popular e manipular o processo eleitoral.
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Não há mais dúvidas: Banco Central e COPOM optaram pela recessão

Com o aumento da taxa de juros Selic de 11,25% para 11,75% não há mais nenhuma dúvida: o Banco Central (BC) e seu Comitê de Política Monetária (COPOM) optaram pela recessão como caminho equivocado de trazer a inflação para o centro da meta (4,5%). Equivocado é pouco, equivocadíssimo, registre-se, porque a recessão em si não resolve os problemas da economia e da inflação de 6,5%.

Mesmo com essa alta dos juros e ante essa opção adotada agora pelo BC-COPOM, as causas da inflação continuam a existir: os preços, pressão dos preços dos alimentos e da demanda de serviços, além do fato de que a oferta não será aumentada na recessão. O COPOM mantém dois dias de encontro — 3ª feira e ontem — e sai da reunião como entrou. Não saiu nada, não há de incentivo a produção, ou de política para mais  concorrência nos vários setores da indústria de alimentos.

O aumento dos juros, como sabemos não tem funcionado nos últimos meses como redutor da inflação. Só aumenta o serviço da dívida e encarece o custo do financiamento para o consumidor e o investidor. Além disso, diminui ainda mais a demanda e os investimentos, derruba a arrecadação e agrava o déficit público.

A maior elevação dos últimos três anos

E o que traz em troca ao país? Mais concentração de renda — como nunca, aliás — nas mãos dos rentistas e dos bancos. Para terminar o circo dos horrores do aumento dos juros teremos o real mais valorizado e as contas externas piores. Enquanto isso nada de reforma tributária ou política, nada com relação aos custos reais da economia, começando pelo financeiro e o tributário.

A alta da taxa de juros para 11.75% é a maior dos últimos três anos. A taxa é a maior desde outubro de 2011, quando estava em 12%. No dia 20 daquele mês, o COPOM reduziu a taxa para 11,5% ao ano. A justificativa para a elevação é, de novo, que se está diante de um cenário de inflação resistente.

No comunicado em que informa a decisão, o COPOM diz que, “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia”.

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Palha não entra: o seleto (e secreto) clube dos cannabiers ou maconheliers


Toda vez que perguntam ao presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o porquê de sua defesa da legalização da maconha, ele dá duas razões principais: o combate à violência resultante do narcotráfico e a necessidade de garantir ao usuário segurança sobre a erva que irá fumar. No Brasil, a realidade dos fumadores de maconha é se submeter ao risco de adquirir o produto das mãos de um traficante sem saber exatamente o que está comprando ou… burlar a lei e plantar alguns pés de maconha em casa para consumo próprio.

Embora proibido, o autocultivo  tem não só encontrado cada vez mais adeptos entre nós como começam a surgir verdadeiros connoisseurs da planta, capazes de identificar a qualidade ou não de um baseado apenas pela aparência da erva. Depois dos baristas (especialistas em café), sommeliers (vinho ou cerveja) e chocolatiers, eis que surgem os cannabiers ou maconheliers: os especialistas em maconha, uma elite de usuários preocupada com o sabor, o cheiro e o tipo de “onda” que a maconha vai dar.

O termo cannabier já foi utilizado em um artigo científico pelo antropólogo Marcos Verissimo, que apresentou, em 2013, sua tese de doutorado em Cultura Canábica na UFF (Universidade Federal Fluminense). O neologismo, escreveu Verissimo, “foi cunhado em função da aproximação significativa entre os círculos de apreciadores de cannabis oriundas de autocultivos domésticos e os círculos de apreciadores de vinhos (sommeliers). Quando as flores da maconha atingem o ponto de maturação, as plantas são cortadas, tratadas (processo denominado manicura), passando então à fase do secado (que pode durar algumas semanas). Portanto, da semeadura à degustação do resultado, o importante é ter sabedoria e paciência para se saber admirar o processo, como ocorre no caso dos vinhos mais consagrados”.

Assim como os vinhos, as floradas também ganham nomes — Moby Dick, Critical Mass, Destroyer, Blueberry — e são resultado da assemblage, digamos assim, entre plantas famosas no desconhecido mundo dos plantadores de maconha. Os cultivadores assinam suas criações sob pseudônimo e compartilham experiências pela internet, sobretudo através do site Growroom.

Quem é o cannabier? Em geral é jovem, profissional liberal e homem. Como me disse um deles, “um bando de machões que cultivam flores”. Há garotas, claro, que desfrutam dos blends especiais fornecidos por esta galera, mas as cultivadoras ainda são minoria. São os meninos que mais mergulham a fundo nas técnicas e macetes para produzir plantas dignas de campeonato. Verdadeiros nerds da maconha, os caras sabem absolutamente tudo sobre o assunto. Como seus congêneres especializados em cafés, chocolates, cervejas ou vinhos, é uma atividade que envolve muito orgulho e vaidade. Se chegarmos algum dia à legalização do uso e plantio, seguramente figurarão, ao lado dos enochatos, os maconhochatos.

tricomas
A flor da maconha com os tricomas. 
Foto: coletivo Prensa420
Alberto* é advogado e cultiva meia dúzia de pés de maconha em um quarto, em sua casa, no Rio, sob luz artificial. Sua produção costuma causar sensação entre os amigos. O segredo, conta, é “frustrar sexualmente” a planta. Como a maconha que dá barato é apenas a planta fêmea, cultivadores experientes como ele sabem que, quanto mais a planta estiver pronta para a polinização e ela for impedida de acontecer, mais produzirá tricomas (os “cristais”, parte da planta rica em canabinoides). Ou seja, ficará mais potente. Daí a expressão “sin semilla” (sem semente) para designar a erva que é um must entre os maconhólatras. Para maximizar a produção de tricomas pela planta, são usadas técnicas como pequenas “massagens” para quebrar os galhos, e a água e a luz é milimetricamente controlada –na última semana antes da colheita, água e luz são cortadas, potencializando ainda mais a maconha.

“Meu carma no reino vegetal está péssimo”, brinca Alberto. Além de garantir a frustração sexual da pobre plantinha para seu prazer, o advogado diz que também é fundamental oxidar a flor após a colheita, fechando-a em um recipiente hermético por semanas ou meses. Qual a diferença de uma maconha para outra? “Na verdade, tem um tipo de maconha para cada pessoa ou momento. Se a pessoa quer relaxar, pode fumar uma Indica. Se prefere algo mais estimulante, uma Sativa. Se fosse permitido o autocultivo, o ideal era ter pelo menos três tipos de planta em casa: uma Indica, uma híbrida e uma Sativa”. Em uma festa recente de cultivadores, ele conta, chegaram a aparecer 37 tipos de flores diferentes.

Se os vinhos possuem os taninos, a maconha possui terpenos, moléculas responsáveis pelo odor da planta. Os terpenos vão influenciar no cheiro e no sabor da erva ao ser fumada. Falam-me de “notas” de manga, madeira, limão… “Fumamos um beck que deixava retrogosto de queijo”, me garante o antropólogo Paulo. No quintal de sua casa em Brasília, meio oculto entre três pés de mandioca para confundir eventuais helicópteros, uma nova planta de maconha começa a florescer. Ele pratica o autocultivo há dez anos. Um único pé é o suficiente para o consumo dele e de sua mulher, Marina, e ainda sobra para apresentar aos amigos. Como o ciclo da planta pode chegar a um ano, enquanto a outra cresce, eles fumam a que colheram.

Paulo é um cultivador orgulhoso de sua produção, mas aponta o que vê como exageros de alguns colegas com suas plantinhas de estimação. “Tenho um amigo que comprou até uma máquina de moer coco para fazer uma palha que ele usa como terra. Outro, italiano, controlava pelo celular a milimetragem da água e os nutrientes da planta que estava cultivando lá em Roma”, ri. “O que eu faço é basicamente mijar na planta, que é um NPK (fertilizante) natural. Coloco uns nutrientes na terra, mas não muitos porque acho que interfere no gosto”.

blasézismo de seu comentário contrasta com o ar triunfal que exibe ao mostrar, dentro de um vidro, os “camarôes” ou berlotas (flores já secas) da última safra, em que chegou a um resultado “excepcional” — diz isso como se estivesse falando de grãos de café ou das uvas de um hipotético vinhedo. “Consegui produzir uma cannabis com resina leitosa, que dá uma onda mais excitante, criativa. A resina marrom é down, baqueia. Não serve para fumar e trabalhar, deixa a pessoa sem energia, largadona no sofá”, explana.

budtender
Budtender em ação no Colorado
No Colorado, nos Estados Unidos, onde o uso recreativo da maconha, além do medicinal, foi liberado, há inclusive uma profissão em alta, a de “budtender” (trocadilho com bartender, sendo que “bud” é “camarão”). Trata-se do cara ou da mina que atende os clientes das lojas de maconha, exatamente como os vendedores das cervejas artesanais agora em moda no Brasil –ou como os funcionários dos coffee shops holandeses que sempre fascinaram os brasileiros. Capazes de indicar qual o tipo de maconha que você “precisa”, os budtenders possuem formação profissional, fornecida por cursos especializados. O cannabusiness anda tão turbinado por lá que não estranhem se surgir um MBA em Maconha nos próximos anos.

“Que tipo de sensação você quer ter?”, “você é usuário frequente ou vai experimentar pela primeira vez?”, “quer maconha para trabalhar ou para jogar videogame e depois chapar?” pergunta o budtender ao freguês. A depender da resposta, o vendedor irá indicar que tipo de maconha é a ideal para o usuário. Apenas no primeiro mês de legalização para uso recreativo, estima-se que a economia da cannabis movimentou cerca de 14 milhões de dólares no Colorado, e ser budtender virou uma possibilidade de emprego atraente para os jovens –a mais “hot” delas, segundo alguns (leia mais aqui).

No Brasil, até outro dia, o máximo que se distinguia sobre os tipos de maconha era entre a maconha “solta”, produzida no Nordeste, ou a “prensada”, que vem do Paraguai. Algumas maconhas nacionais chegaram a alcançar fama, como a mítica “manga rosa”, de Pernambuco, ou a “cabeça-de-nego”, da Bahia. Reza a lenda que algumas maconhas campeãs mundo afora vieram delas. Houve um verão, em 1987, em que milhares de latas de maconha chegaram à costa brasileira, atiradas ao mar pela tripulação de um navio australiano interceptado pela Marinha, e, a partir daí, baseados potentes passaram a ser chamados de “da lata”. O curioso e hilário episódio virou um documentário dirigido por Tocha Alves e Haná Vaisman em 2012.



Mas sofisticação como se tem agora, nunca se viu. No site especializado Leafly, é possível descobrir que variedade de maconha “combina” mais com o temperamento ou necessidade do usuário, através de um teste online: se pretende ficar falante, relaxado, feliz, eufórico, sonolento… Ou por razões medicinais: as mais indicadas para insônia, fadiga, náusea (um efeito colateral comum a quem se submete à quimioterapia), pressão ocular, stress…

É tanto conhecimento que já começa a irritar. “Tem muita gente cuspindo no prato paraguaio que comeu”, provoca o psicanalista Pierre, de São Paulo. “Chegou-se a um nível de refinamento que outro dia fui numa festa e, quando souberam que o baseado que eu estava oferecendo era paraguaio disseram: ‘ah, não quero, não’. Que é isso? O fumo paraguaio tem seu valor, porque está sempre aí, nunca negou fogo. Qualquer dia acabará virando cult.”

O psicanalista admite, porém, que é muito difícil voltar para a maconha paraguaia, ou seja, para a erva vendida pelo narcotráfico, depois que se experimenta um baseado feito com cannabis autocultivada. “Quando se planta, além de fugir das redes de violência, se garante que a maconha não terá aditivos, porque o fumo paraguaio ninguém sabe o que contém. O nosso, não, é tóxico sem agrotóxico”, diz. Outra diferença é que, como em qualquer plantio em pequena escala, artesanal, todas as etapas são acompanhadas de perto pelo cultivador para que resulte numa erva “gourmet”, ao contrário do que ocorre com o narcotráfico, que utiliza grandes plantações e aproveita tudo da planta: galhos, folhas e até sementes. “O autocultivador, não, só aproveita as flores.”

Pierre cultivava um pezinho em casa, ao qual apelidara carinhosamente de “meu pé de maconha-lima”, e ter que causar a tal frustração sexual da planta o incomodou a princípio. “Deixar a plantinha sem água na última semana mexia comigo, mas pensei em algo que me pacificou: adoro foie gras e não estou nem aí para o que fazem com o ganso. Então foda-se se a planta é torturada.” Acabou parando de plantar por achar trabalhoso demais e hoje fuma no “se-me-dão”, isto é, pede aos amigos maconheliers.

Rara mulher entre os cultivadores, a produtora musical Carla prefere não recorrer às “torturas”, fertilizantes e nutrientes em sua pequena plantação indoor em São Paulo. Sua maconha é inteiramente orgânica. Ela usa uma calda de fumo para combater os pulgões, estrume de composteira, casca de ovo, pó de café e… menstruação. Produz pouco, mas sua erva, diz, é perfumada e seu sabor pode ser frutado ou mais ácido. “Planto na lua nova e colho na lua cheia, e vou conversando com elas enquanto crescem.”

Ao contrário dos rapazes, Carla não usa seu talento como jardineira apenas para produzir maconha. Planta ainda maracujá, acerola e banana no quintal. Pergunto por que há mais meninos e meninas no clube dos cannabiliers. “Acho que pela mesma razão pela qual há mais meninos na física e na matemática e mais meninas na pedagogia: o mundo é assim”, diz. “Mas eu vejo diferenças. Fui convidada para uma Cannabis Cup e me senti lisonjeada, mas percebi que era uma coisa de meninos, de competição. Acho que a gente vê diferente. Para mim plantar é uma forma de não depender dos homens para comprar ou fumar meu baseado.”

Se as plantas fêmeas cultivadas não germinam, onde essa turma consegue sementes? Trocando entre eles ou comprando pela internet em sites estrangeiros –o que, em tese, também é proibido por lei, mas decisões judiciais recentes têm dado certa segurança aos cultivadores. Em setembro, o juiz Fernando Américo de Souza, de São Paulo, livrou da cadeia um usuário que havia comprado, pela internet, 12 sementes de maconha na Bélgica e foi denunciado por “contrabando”. “O usuário que produz a própria droga deixa de financiar o tráfico, contribuindo para a diminuição da criminalidade”, disse o juiz (confira aqui).

Para os cultivadores, a prática da troca de sementes e da própria maconha para degustação entre os amigos é uma prova de que a idéia dos clubes de cannabis, como existem na Espanha e que estão previstos na lei uruguaia, pode ser a melhor saída para o problema, porque rompe o vínculo com o crime e tira do usuário a carga de “alimentar” o narcotráfico.

Enquanto isso não ocorre, a “elite” degusta iguarias e a enorme maioria dos usuários (estima-se que existam 1,5 milhão no Brasil) continua a consumir maconha malhada, palha e mofada. Será que até nisso quem nasceu para Sangue de Boi nunca chegará a Romanée Conti?

*Os nomes dos personagens desta reportagem foram trocados.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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A Globeleza desnuda o mito da interatividade na televisão

Globo deixa de delegar ao público a decisão de eleger a moça do Carnaval. Será que não confia nos seus critérios estéticos?

Interatividade é um dos nomes que ganham a feroz competição em que tevê e internet se engalfinham, de olho no futuro próximo da comunicação de massa.

A tevê, por tradição, impõe um padrão de recepção passiva, o espectador escarrapachado na poltrona a engolir a indigente, ou indigesta, dieta que lhe é apresentada. A web, ao contrário, é hiperativa, excita o usuário a uma relação de afirmação e autonomia, liberta o internauta das amarras da grade fixa de qualquer programação.

Para estancar a irremediável migração da informação e do entretenimento para a internet, a televisão esforça-se para abrir caminhos para que o espectador saia da pasmaceira e consiga interagir com aquilo que aprendeu a assistir com distanciamento.

Reality shows como o BBB e A Fazenda oferecem a ilusão de poder decisório. Emissões como The Voice Brasil aproximam emocionalmente candidatos, artistas e seu vasto auditório eletrônico. Mas no geral o convite à participação é tão risível quanto as perguntas feitas durante partidas de futebol aos comentaristas sabichões.

A Globo chegou a pensar em deixar nas mãos, aliás, nos olhos e na fantasia dos que a frequentam a escolha da nova Globeleza, a sacolejante sílfide que preside as noitadas de carnaval tendo como figurino uma pintura de pele. Desistiu. Talvez não confie nos critérios estéticos da audiência. Talvez seja um exagero de democracia com o qual o padrão Globo não está acostumado.

Nirlando Beirão
No Carta Capital
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Até quando Jô vai sobrar na Globo? — Assista

Contra o impeachment, detonando a paranoia bolivariana

Ele
Talvez pela simples e excelsa vontade de falar o que acha que tem de ser falado, talvez por um certo fastio, talvez para servir como contrapeso ao direitismo paranoico do concorrente Danilo Gentili — seja lá por que razão, Jô Soares tornou-se uma voz política sensata na Globo.

Nesta semana, durante um debate com suas “meninas”, o apresentador defendeu a aprovação da LDO. “Torcer para que essa lei não seja aprovada é torcer contra o Brasil. Não tô falando que tá certo. Mas de repente a Dilma ser atingida por uma lei dessas é uma catástrofe para o Brasil”, disse.

Criticou o surto de impeachment. Após Lilian Witte Fibe mencionar a “roubalheira”, perguntou se ela não achava que era “uma generalização quando se fala em governo corrupto”.

Esgrimiu com uma Ana Maria Tahan exaltadíssima, que comparou o governo Dilma ao de Collor, insistindo na tese de “má gestão”. Fez a distinção entre as duas épocas.

Não foi a primeira vez. Recentemente, Jô partiu para cima da idiotia que vê bolivarianismo debaixo da cama. Chamou de absurda a possibilidade de virarmos uma Venezuela ou uma Cuba e elogiou Evo Morales, lembrando que devia ser difícil para a minoria branca aceitar um índio no governo. “A gente está se socializando da forma mais democrática”, disse. Praticamente uma heresia.

Jô está fugindo do script não apenas no seu programa, diante de suas convidadas e de seu público, mas sobretudo em sua emissora — o império dos jabores, dos alexandres garcias, mervais, jabores e waacks, cada vez mais apocalípticos por causa, entre outras coisas, da possibilidade de o governo encampar a regulamentação da mídia.

Dado o pensamento único estabelecido, Jô Soares está sobrando, no melhor sentido. A prosseguir nessa toada, ninguém terá o direito de se surpreender se ele, repentinamente, for aposentado.

Sabe como é. Essas coisas acontecem. De qualquer modo: taca-le pau!


Kiko Nogueira
No DCM
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A história real da velhinha do Congresso que ‘poderia ser sua mãe’

Pobrezinha
E eis que descobrimos que a pobre velhinha, aquela senhora que poderia ser a mãe ou a avó de qualquer um de nós, mataria todos os comunistas bolivarianos lulodilmistas do Brasil e do mundo se lhe dessem armas para isso.

Durou pouco, bem ao estilo da Era Digital, a farsa montada em torno de Ruth Gomes de Sá depois que ela foi fotografada quando um segurança a continha no Congresso.

Quanto não houve nada perigoso no gesto do segurança os fatos subsequentes provaram: nos momentos seguintes, lá estava dona Ruth concedendo entrevistas a jornalistas nas quais afirmava que voltaria ao Congresso para continuar o que vinha fazendo.

Numa palavra, tumultuar.

A revista Fórum fez o que nenhum repórter das grandes companhias fez: foi checar a acurácia das declarações da idosa no Facebook.

E então descobriu, primeiro, que a “aposentada” se apresentava como servidora pública.

Depois, que é integrante de um grupo de extrema direita que prega não apenas o impeachment de Dilma, mas uma intervenção militar nos moldes da de 64.

Rapidamente, ela retirou seu perfil no Facebook do ar.

Não sem antes, é claro, ser objeto de simulada comoção entre direitistas como ela.

Lobão, que caminha para ser igual a ela no futuro não tão remoto, retuitou uma frase que dizia o seguinte: “Podia ser sua mãe.”

Bem, poderia, mas só se sua mãe quisesse ver esquerdistas pendurados no poste por todo o país.

O Facebook da doce velhinha tinha uma foto reveladora, na qual ela aparecia ao lado de Aécio, não o de papelão, mas o real.

Isso mostra o quanto o PSDB se misturou com a extrema direita.

Houve uma tentativa de um ou outro tucano, como Xico Graziano, de desvincular o PSDB de radicais conservadores, mas não deu em nada.

Também aí o PSDB repete a UDN: na proximidade com quem quer dar um golpe.

Antes, era Jango o alvo. Agora, é Dilma.
Mudaram os tempos e os nomes, mas não a estratégia. Falar obsessivamente em “mar de lama”, com a ajuda infinita dos barões da imprensa.

No mundo fantasioso que se tenta criar, Dilma, Lula e o PT inventaram a corrupção no Brasil. Ou reinventaram, uma vez que Jango já tinha feito isso na década de 1960, e antes dele Getúlio.

No caso Petrobras, por exemplo, não é um problema estrutural e velho, ainda que o delator diga que desde Sarney — incluído FHC, claro — cargos altos tinham origem política.

Também não vale nada que o delator tenha afirmado que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já morto, tomou 10 milhões da Petrobras para evitar uma CPI.

Circula na internet, neste campo, um vídeo em que Guerra, ao lado de Aécio, faz um inflamado ataque ao PT por conta da Petrobras. Caso se confirme a propina de 10 milhões, terá sido uma das mais cenas mais infames da moderna política brasileira. (No fim do artigo, você pode assistir ao vídeo.)

É em meio a isso tudo que surgem, abraçados ao PSDB, figuras como a pobre-senhora-que-poderia-ser-sua-mãe-se-sua-mãe-quisesse- matar-todos-os-bolivarianos.

A imagem dela ao lado de Aécio, os dois num sorriso histérico, conta muito sobre ambos e o ambiente político que os cerca.


Paulo Nogueira
No DCM
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Deputado Paulo Pimenta denuncia organização fascista


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Para lá da Petrobras

É conveniente fazermos uma reserva de espanto, para consumo em futuro não muito distante. Assim como aos políticos convém poupar, para suspenses vindouros, o medo de envolvimento pessoal ou do seu grupo com subornos, superfaturamentos e licitações fraudadas. Não só na Petrobras, nem só na área federal.

É que a Suíça não tem exército convencional, mas tem uma tropa de promotores e investigadores que elabora, com matéria-prima desencavada em seus bancos e empresas internacionais, bombas e obuses de eficiência inigualável. Usá-los não era muito comum, dada a impossibilidade de evitar que estilhaços caiam sobre a própria Suíça, com danos financeiros e morais grandes. Os costumes mudam, porém. E a artilharia dos promotores suíços está mais voltada para o Brasil que se supunha.

Mesmo sobre o caso Petrobras a investigação suíça está muito mais adiantada do que o método de delação premiada adotado no Brasil. Há uma razão preliminar para isso. A delação induz muitos delatados a confissões ou delações, mas nunca há a certeza de até onde abriram o jogo. As delações produzem resultados, sim, mas encontram outra dificuldade depois das possíveis omissões: sem o acompanhamento de provas, têm valor duvidoso para as denúncias e julgamentos.

Já o uso da investigação alimenta-se da percepção de ramais para novas investigações, levando a aprofundamentos e alargamentos. Os três procuradores brasileiros que chegaram domingo da Suíça, onde conversaram sobre o caso Petrobras, sabem que viram e ouviram pouco em apenas quatro dias. Mas o suficiente para estarrecer quem os ouviu aqui, mesmo estando por dentro da Operação Lava Jato.

Por si só, a conexão da Lava Jato com a investigação suíça vai trazer nos primeiros meses do novo ano um movimento incomum de pasmos, ruínas e indignações. Mas não será tudo. Devem começar então as revelações de outros feitos de generosidade corruptora das grandes empreiteiras. E ainda não será tudo. Também promotores e investigadores holandeses, cuja ação relativa ao Brasil tardou a ser sabida aqui, com sua colaboração inicial já motivaram nove linhas de investigação e processos na Controladoria-Geral da União, sobre fraudes, subornos e superfaturamentos.

Os que estão a serviço da entrada forte de empreiteiras no Brasil, sobretudo americanas, têm material em abundância para a campanha que iniciam com discrição.

Outro

Ganha adesões influentes, entre intelectuais e artistas, a sugestão de que o jornalista e escritor Fernando Moraes seja o ministro da Cultura no novo governo. Contra Juca Ferreira — para não entrar em outros aspectos também consideráveis — há o fato de que já esteve no cargo duas vezes: o ministro Gilberto Gil na verdade se chamava Juca Ferreira e, na exoneração do nome fantasia, Juca deu nome e rosto pessoais ao cargo.

O Ministério da Cultura é dos mais necessitados de uma reviravolta. Nas proporções em que Dilma Rousseff faz no Ministério da Fazenda, mas em sentido inverso. Até por ser um lugar para inteligência, criatividade e desenvolvimento humano.

Janio de Freitas
No fAlha
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Delação manipulada

Ao contrário do que se divulgou, doações de executivo da Toyo Setal ao PT foram feitas de forma legal

O esforço dos meios de comunicação para encontrar  — de qualquer maneira — uma ligação da campanha de Dilma Rousseff com os recursos nas  da operação Lava Jato superou um novo limite na fronteira que separa a boa fé da manipulação mais descarada.

Tenta-se, agora, aproximar a delação premiada do executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal, da campanha presidencial de Dilma em 2010. Todos os jornais destacaram que parte da propina paga para o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque eram “doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”.

O que se esconde é um aspecto essencial. Mendonça Neto esclareceu no depoimento que não havia informado ao PT do motivo das doações.

É verdade que o executivo admitiu  ter mantido em 2008 uma reunião com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, na sede do diretório estadual do PT em São Paulo, quando disse que “gostaria de fazer contribuições” ao partido. Mas Mendonça Neto também disse no depoimento que não contou ao tesoureiro que “as doações seriam feitas a pedido de Renato Duque” e que seriam fruto de propina.

Vaccari então lhe orientou como doar de forma legal. Ou seja, o PT aceitou a doação na forma da lei.

Outro aspecto é que os jornais preferiram confundir seus leitores ao repercutir a acusação de Aécio Neves que a doação legal ao PT em 2010 poderia tornar “ilegítima” o governo de Dilma Rousseff. No depoimento à Justiça do Paraná, Mendonça disse que as empresas Setec Tecnologia, PEM Engenharia e a SOG Óleo e Gás doaram legalmente R$ 4 milhões ao PT. Não existe nenhuma prova de que esse dinheiro tenha sido usado pela campanha de Dilma porque a legislação eleitoral da época não exigia a identificação da origem dos recursos transferidos entre partido e campanha, a chamada “doação oculta”. Isso só passou a ser obrigatório em 2014.

Com essa obrigatoriedade, sabe-se hoje que seis construtoras ligadas à Lava-Jato e com obras nos governos tucanos de Minas (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão) doaram R$ 34,17 milhões à campanha de Aécio Neves.

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Sérgio Porto # 64


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Essa é do Barão... 122


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A planilha de Youssef

Os 750 projetos Brasil afora sob a influência do doleiro preso na operação Lava Jato


Na busca e apreensão realizada na casa de Alberto Youssef durante a primeira fase da Operação Lava Jato, em 17 de março, a Polícia Federal encontrou um documento cujo conteúdo demonstra que a atuação do doleiro extrapola os limites da Petrobras e estende seus tentáculos sobre outras estatais federais, órgãos públicos estaduais, prefeituras e empresas privadas. Apreendida em meio a relógios e canetas importados, a planilha de 34 páginas, à qual CartaCapital teve acesso, traz um relatório de 747 projetos vinculados a clientes diretos, no caso as construtoras, e relacionados a um cliente final, na maioria empresas públicas e algumas privadas.

“Assim, é claro o envolvimento de Youssef e seu grupo com grandes empreiteiras, e, através da planilha apreendida, pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”, observam os policiais federais. Somadas, as obras datadas do período entre 2008 e 2012, alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais e sugerem uma explicação para o fato de a força-tarefa envolvida nas investigações afirmar que a organização criminosa “abrange uma estrutura criminosa que assola o País de Norte a Sul”. Chama atenção a disciplina e organização do doleiro ao produzir o relatório. Nele, cada obra é seguida do telefone fixo e celular do contato na empresa, informações detalhadas sobre o projeto, como espessura e tipo de materiais a serem utilizados, data e valor.

No caso dos projetos listados na planilha, segundo a PF, o doleiro utilizava a empresa Sanko-Sider para fechar contratos com centenas de construtoras e abocanhar obras em órgãos públicos em todas as regiões do Brasil. Sobre a relação encontrada com Youssef, suas empresas de fachada, incluídas a MO Consultoria e a GDF Investimentos, e a Sanko, os investigadores da força-tarefa da Lava Jato observam que foram “construídas” centenas de contratos fictícios para justificar a saída de recursos das grandes empreiteiras em direção ao sistema financeiro paralelo mantido pela organização criminosa. No entendimento das autoridades, essa não era a única forma de operação do grupo liderado pelo doleiro. Os outros dois seriam a “entrega física de numerário” direto pelas construtoras para posterior “distribuição” de Youssef e o pagamento no exterior em offshore como a Santa Tereza Services. Agora, o desafio dos investigadores é descobrir se, no caso dos projetos citados na planilha, assim como ocorreu na Petrobras, houve pagamento de propina a agentes públicos. Essa busca tende a resultar em uma avalanche de inquéritos capazes de desnudar o maior esquema de desvio de dinheiro público da história.

Das obras citadas na lista, nem todas foram conquistadas pela clientela de Youssef. A planilha indica, no entanto, a abrangência de seus negócios. Ao menos 59% dos projetos citados envolvem como cliente final a Petrobras. Aparecem no documento o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), seis refinarias, uma fábrica de amônia em Uberaba (MG), uma plataforma de petróleo, a Petrobras Netherlands, a sede administrativa em Santos, a Transpetro. Consta no documento até a obra para remoção de dutos no terreno em Itaquera, na capital paulista, onde foi construído o estádio do Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo.

Além da petroquímica, os projetos listados têm como clientes diretos companhias paulistas como Sabesp e o Metrô e estatais de saneamento de Minas Gerais (Copasa), Maranhão (Caema), Alagoas (Casal), Ceará (Cagece), Rio de Janeiro (Cedae), Goiás (Saneago), Diadema (Saned).  Do Nordeste, aparecem o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), ligado ao Ministério da Integração Nacional, e o Porto de Suape, empreendimento do governo de Pernambuco. Entre as empresas privadas, destacam-se a Vale, a Fiat e empresas do Grupo X de Eike Batista. Surgem ainda no documento projetos em países como Angola, Uruguai e Argentina.

Além das construtoras citadas na fase Juízo Final da operação, integram a coluna da planilha destinada aos clientes diretos cerca de cem empresas. Entre elas, a Delta Engenharia, o Grupo Schahin, a IHS Engenharia, a Potencial Engenharia e a CR Almeida. Empresas públicas que figuram como clientes diretos, a exemplo das companhias de gás de Bahia (Bahiagás), Ceará (Cegás), Mato Grosso do Sul (MSGás), Paraíba (PBGás) e Sergipe (Sergas), têm negócios detalhadamente organizados no documento.

Um dos alvos do doleiro eram as obras contra a seca no Nordeste, em especial as administradas pelo Dnocs. O órgão é ligado ao Ministério da Integração Nacional, que durante o período abarcado na planilha era comandado pelo ministro Fernando Bezerra Coelho. Nas interceptações telefônica da Lava Jato, o irmão do ex-ministro e ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, Clementino de Souza Coelho, surge a pedir dinheiro ao doleiro. Ao menos duas obras envolvem contratos com a Galvão Engenharia e a Camargo Corrêa, ambas investigadas por formação de cartel na Petrobras. A obra da Camargo Corrêa, de 9,4 milhões de reais, traz a anotação “adutora Guadalupe”. É uma referência ao Perímetro Irrigado Platôs de Guadalupe, realizado pelo Dnocs com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento. O projeto da Galvão tem o valor de 42,9 milhões de reais e é acompanhado da citação “sistema adutor do agreste”, referência a um projeto inaugurado pelo governo alagoano em agosto e que beneficia 400 mil habitantes de dez municípios. Nos dois casos, as construtoras citadas de fato participaram de parte das obras. Uma proposta de contrato ainda maior, de 141 milhões de reais, está ao lado da citação da Construtora Passarelli como cliente direto para a “implantação da 1ª e 2ª etapas do Sistema Adutora Gavião Pecém”. O sistema é, na realidade, a interligação do sistema de reservatórios de água da região metropolitana de Fortaleza ao Complexo Portuário e Industrial Gavião Pecém.


Como na Petrobras, cujas obras com participação do doleiro apresentaram problemas de superfaturamento e atraso na entrega, alguns dos projetos relacionados ao relatório encontrado na casa do doleiro deixaram rastros da falta de zelo com o dinheiro público. No Maranhão, onde o doleiro foi preso em março, uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou irregularidades na obra realizada pela companhia de saneamento estadual para remanejamento da adutora de água tratada, no trecho do Campo de Perizes. Segundo os fiscais, o maior dos desvios ocorreu na licitação vencida pelo consórcio formado pela EIT Construções e Edeconsil. Na planilha apreendida, o consórcio aparece em dois momentos como cliente de Youssef e atrelado a um contrato de 58 milhões de reais.

Outro caso parecido é o trecho do monotrilho entre a estação Oratório e Vila Prudente, na capital paulista, integrante da linha 15-Prata do Metrô. No documento apreendido, a Construtora OAS, consorciada com a Queiroz Galvão e a canadense Bombardier, seria o cliente do doleiro em um contrato de cerca de 8 milhões de reais. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin para janeiro deste ano, o monotrilho ainda não entrou em operação. O presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, o vice-presidente do setor Internacional, Agenor Medeiros, e mais três dirigentes foram presos pela PF. Na planilha aparecem ainda outros projetos de estatais paulistas, a começar por duas adutoras da Sabesp e obras no trecho Sul do Rodoanel. No caso da construção do anel rodoviário, em 2009, o TCU havia apontado ao menos 79 irregularidades graves, inclusive sobrepreço. Na planilha do doleiro, a menção ao Rodoanel precede a inscrição do valor de 1,5 milhão de reais. No caso da construção do estádio do Corinthians, o cliente de Youssef seria a Sacs Construção e Comércio, responsável por remanejar a tubulação da Petrobras sob o terreno. A retirada dos tubos foi um dos motivos do atraso na entrega do estádio-sede da Copa do Mundo. Na página 19, o projeto está orçado em 1,3 milhão de reais e tem como cliente final a estatal, mas no site da Sacs, a empresa informa que o clube arcaria com as despesas.

Além do estádio, a Petrobras e suas subsidiárias aparecem como cliente final em cerca de 400 projetos exibidos na planilha. Os investimentos vão muito além da Refinaria Abreu e Lima, alvo de inquéritos e processos da Lava Jato. Destacam-se os apontamentos sobre projetos da empresa Iesa Óleo & Gás, cujo diretor Otto Garrido Sparenberg foi preso na Juízo Final. A citação à Iesa está relacionada a um contrato de 10,5 milhões de reais para obras na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados V, localizada na cidade mineira de Uberaba. Aparece também na listagem do doleiro a citação a um contrato com a empreiteira Construcap referente à construção da sede da Petrobras na cidade de Santos. A construtora confirma ter mantido contratos com a Sanko, embora afirme processar a empresa por problemas na entrega de tubulações adquiridas no passado. Sobre o engenheiro apontado citado na planilha, a empresa diz não empregá-lo atualmente.

Outra companhia a aparecer na lista é a Logum Logística. Resultado de composição acionária entre a Petrobras, Odebrecht, Camargo Corrêa e outras três empresas, a Logum foi criada, em 2011, para construir e operar o Sistema Logístico do Etanol. Embora acionistas, a Camargo Corrêa e a Odebrecht formam o Consórcio Etanol que venceu uma licitação de 900 milhões da própria Logum para as obras do primeiro trecho do etanolduto, entre as cidades de Paulínia e Ribeirão Preto, em São Paulo. Na planilha, o consórcio é citado como cliente direto de Youssef em ao menos dois contratos que chegam a 140 milhões de reais. Além dos dutos para o escoamento da produção de etanol, a Logum é responsável pela construção dos terminais para carregamento das barcaças de transporte do combustível pela hidrovia Tietê-Paraná. Como revelou CartaCapital na edição 819, de 1º de outubro, por conta de possível direcionamento na licitação de 239 milhões de dólares, o Ministério Público pediu o afastamento do presidente da Transpetro, Sergio Machado. O executivo foi citado na delação de Paulo Roberto Costa por ter entregado a ele 500 mil reais. Atualmente está afastado do cargo.

Em depoimento à CPI da Petrobras na quinta-feira 27, o dono da Sanko, Marcio Andrade Bonilho, confirmou ter repassado ao menos 33 milhões de reais ao doleiro pelos serviços de intermediação de grandes contratos com construtoras. Segundo o empresário, os repasses eram comissões de 3% a 15% pagas por serviços que foram prestados integralmente. “Era dito no setor que ele tinha tráfego bom junto às construtoras.” As empresas citadas na reportagem negam qualquer tipo de relação com Youssef e afirmam estar à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento sobre as citações na lista apreendida na casa do doleiro.  O Metrô  de São Paulo e a Secretaria de Transportes do Estado, responsáveis pelo Monotrilho e o Rodoanel, respectivamente, enviaram nota na qual afirmam que a reportagem tira conclusões precipitadas baseadas em um documento do inquérito da Lava Jaro. Segundo as empresas, nenhuma das obras citadas contratou  ou subcontratou os serviços da Sanko Sider.

O relatório de projetos apreendido pela PF demonstra como o doleiro era capaz de negociar com estatais comandadas por políticos das mais diversas cores partidárias. Apadrinhado do ex-deputado José Janene, falecido em 2010 e a quem deve a abertura das portas em Brasília e nos partidos políticos, conseguiu aliar sua capacidade de arquitetar engrenagens financeiras paralelas para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades à astúcia na tarefa de corromper agentes públicos. A expertise nascida dessas qualidades transformou o antigo operador de câmbio preso no caso Banestado em um dos maiores lobistas do Brasil, capaz de complicar a vida de grande parte da República. Caso estejam dispostas a mapear a ação do doleiro, o primeiro passo sugerido às autoridades da Lava Jato é instaurar um inquérito para cada obra citada na planilha. Quem sabe assim o País terá pela primeira vez um panorama da corrupção e suas engrenagens em todas as esferas de poder.

Fabio Serapião
No Carta Capital
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