3 de dez de 2014

MPF conclui que pivô da “lava jato” não era dono do laboratório Labogen

O Ministério Público Federal acaba de fazer uma retratação tímida em um dos processos ligados à chamada operação “lava jato”. Depois de dizer que o doleiro Alberto Youssef, pivô de toda a investigação, era “o real controlador” do laboratório Labogen, a procuradoria concluiu que, na verdade, ele só usava a empresa para operações de câmbio, pagando uma porcentagem aos administradores.

Youssef foi preso em março, quando pouco se falava ainda sobre indícios de desvios na Petrobras. O nome do laboratório ficou conhecido por ter negociado parceria com o Laboratório Farmacêutico da Marinha para a produção de um medicamento (citrato de sildenafila). A suspeita de que o deputado André Vargas (sem partido-PR) ajudou a Labogen para se aproximar do Ministério da Saúde fez o parlamentar deixar o PT, responder a processo por quebra de decoro parlamentar e virar alvo de investigação.

Em uma das denúncias apresentadas em abril, o MPF alegava existirem “elementos robustos que indicam que Youssef (foto) era de fato controlador das empresas”. No meio de 191 páginas de alegações finais protocoladas nesta quarta-feira (3/12), porém, o órgão diz ter ficado “evidenciado ao longo da instrução processual que, na verdade, Youssef usava os serviços financeiros” de Leonardo Meirelles, administrador da empresa, e de seu irmão Leandro.

O laboratório emprestava sua própria conta para receber transferências e entregava o valor em espécie, segundo depoimento de Leandro Meirelles nos autos. O irmão dele já havia negado a sociedade com o doleiro ao ser ouvido no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Só operador

Youssef, que firmou termo de delação premiada, aponta outro erro na denúncia ao ser colocado como chefe de uma organização criminosa. Ele se classifica como operador financeiro. O MPF, no entanto, não mudou de ideia sobre esse ponto. Ainda nas alegações finais, disse que o réu desenvolvia “função de suma importância para a organização, a ponto de ser reconhecido como líder e ordenador das movimentações bancárias”.

“Não fosse a figura dele, o esquema sequer existiria ou pelo menos não existiria com a magnitude que se viu”, afirmam os procuradores da República que assinam o documento.

A novela “lava jato” começou em março com uma operação da Polícia Federal que apontou suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que seria comandado pelo doleiro com empresas de fachada. A investigação apontou relação entre ele e Paulo Roberto Costa (foto), ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Em acordo de delação premiada, Costa afirmou que partidos dividiam propina em contratos da Petrobras pagas por construtoras, o que levou a um novo capítulo da operação, rendendo até prisão de dirigentes de empreiteiras.

Nesta quarta-feira (3/12), o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque foi solto depois de conseguir Habeas Corpus assinado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

Processo: 5026212-82.2014.404.7000

Felipe Luchete
No Conjur
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PT-SP entra com ação contra Bruno Covas e o presidente da Cetesb

Mario Welber (à esquerda) e Bruno Covas durante entrevista
O Diretório Estadual do PT-SP apresentou nesta segunda-feira (01/12) uma representação ao Procurador Regional Eleitoral no Estado de São Paulo em face de Bruno Covas, atual deputado estadual, por práticas em sua campanha a deputado federal, de conduta vedada ao dispor de empregados públicos estaduais paulistas para serviços eleitorais, mais especificamente os funcionários da CETESB, Mario Welber Bongiovani Ferreira e Fabiana Macedo de Holanda, e face a Otávio Okano, presidente da CETESB, por ceder empregados da administração indireta para campanha eleitoral de Bruno Covas.

O departamento jurídico do PT-SP tem, detalhadamente, situações que comprovam a conduta vedada dos funcionários acima citados, conforme descreve:

· Mario Welber Bongiovani Ferreira, assessor de Bruno Covas, foi apreendido no dia 27 de setembro de 2014, pela PF no aeroporto de Congonhas, quando embarcava para São José do Rio Preto com R$ 102 mil em dinheiro vivo, além de 16 cheques da campanha de Bruno Covas, assinados em branco e material da campanha do candidato. Mario Welber, na ocasião, não tinha comprovação e não conseguiu explicar a origem do dinheiro encontrado com os cheques e material de campanha, limitando-se a dizer que o destino do dinheiro seria a compra de um automóvel.

A alegação de Mario Welber de que pretendia comprar um carro não explica a ORIGEM do dinheiro e a justificativa que apresentou não é crível, pois o valor do automóvel que declarou que seria adquirido é menor que o montante de dinheiro apreendido pela PF com Mario.

Mario Welber foi assessor parlamentar de Bruno Covas na Alesp e quando Bruno foi Secretário Estadual do Meio Ambiente, Welber era empregado da CETESB, no cargo de Assessor Técnico I. Bruno Covas reassumiu como deputado em 04/04/2014 e a partir de 05/07/2014 tornou-se candidato a deputado federal. A vinculação de Mario com a campanha de Bruno Covas, durante o período pré-eleitoral e o período eleitoral, está devidamente documentada.

No site da CETESB não consta a data da licença de Welber, entretanto, qualquer que seja a data de seu início, a licença de seu emprego público na CETESB é irregular; não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais de suspensão de contrato de trabalho. Portanto, a licença usufruída por Mario Welber é irregular, não podendo ser alegada para justificar sua prestação de serviços, como empregado público, para Bruno Covas.

· Fabiana Macedo de Holanda, Assessora Técnica IV da CETESB, também prestava serviços de assessoria de imprensa a Bruno Covas, conforme troca de e-mails aos sites ‘Diárioweb’ e ‘Viomundo’, onde Fabiana apresentou como representante da ‘assessoria de imprensa do deputado Bruno Covas’. O uso dos serviços de Fabiana de Holanda por Bruno Covas é conduta vedada e nos termos expostos está comprovada, impondo as penas da lei.

Diante dos fatos, comprova-se que Bruno Covas usou de serviços de empregados da administração indireta para sua campanha eleitoral e OTÁVIO OKANO, presidente da CETESB, cedeu empregados da administração indireta para campanha eleitoral de Bruno Covas.

É fundamental a apuração para verificar se a conduta vedada caracteriza ato que pode justificar a cassação do registro ou do diploma de Bruno Covas, nos termos da Lei Complementar 64/90; e se caracteriza ato de improbidade.

O Diretório do PT-SP pede ainda que seja realizada a oitiva dos empregados públicos Mario Welber e Fabiana de Holanda e, na análise da representação, Bruno Covas e Otavio Okano sejam notificados para que apresentem defesa nos termos da lei.
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Como a família fez Paulo Roberto Costa converter-se em “enojado”


Ontem, no seu depoimento à CPI, Paulo Roberto Costa disse aos deputados, senadores e ao país que foi estar enojado — anos de enjôo e roubando, viu-se —  e os apelos da família que o levaram a fazer a delação premiada.

Para que não se duvide, transcrevo o UOL:
“Ao final do desabafo, (Paulo) afirmou ter sido convencido pela família, e não pelos advogados, a fazer a delação.”Quem me colocou com clareza para eu fazer a delação foi minha esposa, minha filha, meus genros e meus netos. Falaram pra mim: ‘Paulo, por que só você? E os outros? Cadê os outros? Você vai pagar sozinho?’. Fiz a delação para dar um sossego a minha alma e por respeito e amor à minha família.”
Aí, claro, você imagina a pobre família, inocente, premida pelas dificuldades e pelo sofrimento, reunida em orações, não é?

Só que aí aparece um blogueiro que está enojado sem ter roubado e traz o trecho do insuspeito Estado de Minas, no nem tão longínquo dia 3 de outubro:
“A família de Paulo Roberto Costa foi incluída no acordo de delação premiada assinado pelo ex-diretor da Petrobras, preso pela Operação Lava a Jato, da Polícia Federal. Assim, a mulher, as duas filhas e os genros de Costa também deverão colaborar com as investigações e devolver os recursos obtidos ilegalmente para, em troca, escapar da prisão. A família de Costa responde aos crimes de formação de organização criminosa e obstrução das investigações.

Em março, quando foi deflagrada a Operação Lava a Jato, as filhas e os genros de Paulo Roberto Costa foram até a empresa dele, a Costa Global, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e retiraram diversos documentos – para, supostamente, destruí-los em seguida. Eles foram flagrados pelas câmeras de segurança do edifício, que mostra os quatro entrando e saindo do prédio várias vezes, com sacolas e mochilas. As imagens foram obtidas pela Polícia Federal, que os acusou de tentar destruir provas e dificultar as investigações.”
Depois, o mesmo blogueiro chato, que quer estragar este momento comovente de amor familiar, transcreve a Veja:
“Uma das filhas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Arianna Bachmann, é suspeita de se beneficiar com “informações privilegiadas” em contratos de venda de móveis para empresas contratadas da estatal.”
E, pior, determinado a destruir este momento sublime em que a Nação se verga à conversão do “ladrão de carreira” pelo poder do amor familiar e tudo o que ele diz é fruto  puríssimo desta epifania no lar, ainda transcreve a Época:
“Os negócios de Arianna serviram como estágio para que ela subisse na hierarquia do negócio familiar montado por Paulo Roberto. O esquema, como ÉPOCA revelou, envolvia todos os integrantes de sua família. Havia hierarquia e funções bem definidas. Arianna tocava o dia a dia dos negócios. Márcio Lewkowicz, marido de Arianna, organizava as finanças. Humberto Mesquita, o Beto, era rival de Márcio na tarefa de administrar, no Brasil e no exterior, o dinheiro da corrupção na Petrobras. Shanni, a outra filha de Paulo Roberto, casada com Beto, tentava influenciar o patriarca para que o marido assumisse o controle financeiro das operações. Marici, a mulher de Paulo Roberto, era laranja em empresas e contas secretas em paraísos fiscais.”
Desculpem acabar com o momento de santidade que os jornais brasileiros proporcionaram a vocês, com a incapacidade de apontar o que há de fato: um ladrão, pego em flagrante, capaz de acusar a qualquer um, aos culpados e aos inocentes, em troca de uma escapatória menos grave para ele e para seus familiares cúmplices.

Nenhum jornal foi capaz de fazer este rápido e simples “recordar é viver” com o que eles próprios escreveram.

O ladrão da Petrobras, os outros que existirem e os políticos que apanharam dinheiro, coniventes com a propinagem de Paulo Roberto Costa devem responder pelo que fizeram.

Quem quer santificá-lo por razões políticas é tão desonesto quanto ele.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula, “Paulinho” e a hierarquia das notícias na mídia patronal


Durante a campanha eleitoral, a coluna de Elio Gaspari (15.10.2014) com a menção ao PT e ao “Paulinho” no título e o detalhe com a “informação” (abaixo).


detalhe gaspari
globo

Página de O Globo (03.12.2014) com a cobertura do depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa e detalhe (abaixo) enfiado no fim do texto.

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folha

Página da Folha (03.12.2014) dedicada à cobertura do depoimento de Paulo Roberto Costa e detalhe (abaixo) enfiado no fim do texto.

detalhe folha

No Viomundo
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Aécio pagou consulta a dois ex-ministros do STF com dinheiro da campanha

Ayres Britto e Carlos Velloso cobraram R$ 56 mil e R$ 58 mil, respectivamente, por documentos que atestam a legalidade da desapropriação da área onde foi construído o aeroporto de Cláudio. PT pede que despesa seja considerada irregular pelo TSE


O senador Aécio Neves (PSDB) usou dinheiro da campanha à Presidência da República para pagar os serviços de dois ex-ministros do Supremo Tribunal Federal no episódio do aeroporto de Cláudio. Durante a corrida eleitoral, o jornal Folha de S. Paulo revelou que Aécio, quando governador de Minas Gerais (2003-2010), construiu um aeroporto de R$ 14 milhões em um terreno que foi desapropriado de seu tio-avô, Múcio Tolentino, ex-prefeito da cidade de Cláudio.

Os pareceres emitidos pelos escritórios de Ayres de Britto e Carlos Velloso atestaram a legalidade de uma obra pública em um terreno desapropriado pelo Estado, ainda que haja um imbróglio - o parente de Aécio não concordou com o valor pago pelo governo pela área e estendeu a causa à Justiça.


À época, a Folha noticiou que o escritório de Britto cobrou R$ 56 mil pelo serviço. Segundo a prestação de contas da campanha de Aécio declarada ao Tribunal Superior Eleitoral, Velloso, por sua vez, recebeu R$ 58 mil para ajudar o ex-presidenciável tucano a justificar a obra no terreno que pertencia ao tio-avô, feita em uma cidade de cerca de 25 mil habitantes.

O periódico ainda cravou que a disputa em torno da indenização faz com que as chaves do aeroporto construído com verba pública permaneçam com familiares do senador. Além disso, a Anac (Agência Nacional de Aviação) não homologou o equipamento por falta de documentos.


Impugnação das contas

Nesta segunda-feira (1/12), o jornal O Globo informou que o PT pediu mais tempo ao TSE para analisar as contas de Aécio, pois a digitalização dos documentos foi feita em cima do prazo para que os partidos políticos solicitassem a impugnação das candidaturas com base em erros nos gastos de campanha, se for o caso.

Na impossibilidade de estender o prazo de análise, o partido de Dilma pede que o Tribunal considere a despesa com os serviços dos dois ex-ministros irregular, pois versam sobre uma obra que Aécio entregou em 2010, quando os gastos de campanha do candidato devem se limitar ao período eleitoral.

O PSDB solicitou diretamente a impugnação das contas de Dilma. Os tucanos alegaram, entre outros pontos, que o PT gastou muito mais do que o teto permitido pela Justiça Eleitoral.

Cíntia Alves
No GGN
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Carta aberta ao candidato derrotado Aécio Neves


Senhor senador,

Posso avaliar a intensidade da frustração que lhe corrói a alma e embota o raciocínio. Deve ser mesmo duro perder uma eleição quando se tem ao seu lado a cobertura parcial, pusilânime e, como no caso da Veja às vésperas das eleições, criminosa do monopólio midiático brasileiro. O trabalho dos pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o chamado "Manchetômetro", é a prova cabal do linchamento midiático a que foi submetida a presidenta Dilma e do céu de brigadeiro que foi oferecido ao senhor pela mídia mais velhaca do planeta.

O mercado financeiro, os rentistas, aquela turma que "não dá prego em barra de sabão", também cerrou fileiras junto ao senhor. E cerrou para valer. Especularam sem pudor, fizeram a bolsa e o dólar subir e descer ao sabor das pesquisas, repetindo o terrorismo do qual Lula foi vítima em 2002. Boa parte dos grandes capitalistas brasileiros também o apoiaram. Tudo isso temperado por um sentimento antipetista, xenófobo, intolerante, preconceituoso e obscurantista jamais visto neste país. Nesse cenário, é até compreensível que o senhor acalentasse o sonho de ser o próximo presidente da República.

No entanto, como para seu partido o povo não conta, o senhor desprezou as inúmeras realizações dos governos de Lula e Dilma, as 40 milhões de pessoas que deixaram a miséria e a pobreza absolutas, o recorde na criação de empregos, a defesa dos salários, a política de valorização permanente do salário mínimo, o Minha Casa, Minha Vida, o Ciência sem Fronteiras, o Prouni, o Pronatec, as obras de infraestrutura, as mais de um milhão de cisternas construídas no Nordeste, o enfrentamento da crise econômica internacional preservando as conquistas do povo, a política externa soberana.

Sua dor hoje talvez fosse menor se seus marqueteiros e estrategistas tivessem lhe alertado para o fato de que os movimentos social e sindical estavam com Dilma e que a juventude das jornadas de junho voltara às ruas para apoiar a presidenta, temerosa do retrocesso brutal para o país que uma eventual vitória do senhor representaria. O setor de inteligência da campanha tucana tinha a obrigação de prever que sua concorrente usaria com competência o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, na prática o único período em que o monopólio da mídia é quebrado no Brasil, para mostrar suas realizações e dinamitar sua fama de bom gestor público.

Como, provavelmente, nada disso aconteceu, o senhor caiu do cavalo no dia 26 de outubro. Vamos combinar que o tombo foi feio mesmo. Mas custava adotar um comportamento minimamente democrático e republicano depois da derrota ? Além de se revelar um péssimo perdedor, o senhor a cada dia dá mais razão aos que acham que sua negativa em aceitar a derrota é sintoma de uma estranha patologia política, em que a derrota sobe à cabeça.

Devemos admitir, porém, que o senhor conseguiu uma proeza: deixar para trás, no quesito obscurantismo, o seu correligionário José Serra, também derrotado em 2010. Muitos chegaram a pensar que o Brasil não veria tão cedo um candidato lançar mão de táticas e estratégias tão baixas como Serra. Ledo engano. Quatro anos depois, a falta de compostura política exibida pelo senhor e o ódio que dispensa a quem cometeu o crime imperdoável de superá-lo em número de votos, acabou empurrando até o senador eleito por São Paulo para o time dos que pretendem fazer oposição republicana ao governo.

Já se passaram 36 dias da sua derrota. E nesse período o senhor não fez outra coisa a não ser dar vazão a um ressentimento doentio, apontando o dedo acusador para quem lhe venceu. Um dia pede ao TSE a recontagem de votos, no outro acusa o governo de crime de responsabilidade por não cumprimento de meta fiscal e defende o impeachment de Dilma, o que faz também ao explorar a Operação Lava Jato. Na mesma linha golpista, pede a reprovação das contas da presidenta e, infâmia das infâmias, acusa o PT de ser uma organização criminosa.

Além de faltar com o respeito com os mais de 54 milhões de eleitores que votaram na candidata do PT e caluniar os mais de um milhão de filiados ao partido, seus militantes, dirigentes, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e a presidenta Dilma, esse tipo de ataque só aumenta a convicção de que o senhor é um caso perdido para a nobre causa da convivência democrática. Espero que o PT, conforme anunciou Rui Falcão, presidente do partido, vá as últimas consequência no processo criminal que pretende mover. Vamos ver se nos tribunais o senhor mantém a arrogância e falta de civilidade costumeiras.

Da minha parte, fico a pensar na sua suprema cara de pau, em como seu udenismo moralista não resiste a mais banal confrontação com a realidade. Sua trajetória como político, sua passagem pelo governo de Minas e os fatos que vieram à tona na campanha eleitoral, nas redes sociais, e até na imprensa que lhe protege, deixam claro que o senhor, dono de um gigantesco telhado de vidro, não tem a mínima autoridade moral para dar lição de ética em quem quer que seja. Nessa toada, porém, a história lhe fará justiça, reservando-lhe a galeria destinada aos políticos demagogos, pequenos e mesquinhos. Que assim seja.

Cordialmente,


Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2014.
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Aposentada ícone do movimento golpista é militante do PSDB

Ruth Gomes Sá, que ganhou os noticiários após ser agredida por um segurança do Congresso, se apresenta, em seu perfil no Facebook, como servidora do governo do Distrito Federal

Foto: Reprodução/Facebook
Durante a repercussão da confusão que ocorreu na sessão plenária da última terça-feira (2) e desta quarta-feira (3), nas quais seria votado o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), uma personagem ganhou destaque: a “aposentada” Ruth Gomes de Sá, que foi filmada levando uma gravata de um segurança do Congresso Nacional. Apresentada com uma “pobre coitada”, Gomes Sa é militante do PSDB e do grupo “Vem Pra Rua”, que defende intervenção militar e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

À imprensa, Ruth Gomes Sá se qualificou como aposentada, porém, não é o que aparece em seu perfil no Facebook, onde ela se declara servidora do Governo do Distrito Federal. Em outros momentos de sua rede social, fica claro que Gomes Sá é uma ativista de extrema direita ligado ao grupo “Vem Pra Rua”, assumidamente alinhado à candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da República durante as eleições.

Aliás, Ruth Gomes Sá também exibe em seu perfil foto com o ex-presidenciável tucano, tirada durante uma convenção no dia 5 de novembro. Ou seja, não apenas ela, mas também os outros grupos que estavam nas galerias do Congresso Nacional, fazem parte deste movimento que tem ido às ruas pedir o impeachment de Dilma Rousseff e também a intervenção militar.

No Fórum
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Presidentes inaugurarán Torre Unasur en Ecuador


La edificación, de 19 mil 523 metros cuadrados, tiene una costo de inversión de aproximadamente 40 millones de dólares. Su nombre será Néstor Kirchner en honor al expresidente argentino, impulsor del organismo regional.

La nueva sede de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) abrirá sus puertas en la Mitad del Mundo (norte de Quito), desde este viernes 5 de diciembre.

Tiene cinco pisos distribuidos en forma escalonada. La construcción se inició el pasado 5 de diciembre de 2012.

Conoce las 10 curiosidades de la construcción de la nueva sede:

1.- Volado, sin soporte

En la parte exterior del edificio sobresale un volado de cinco metros de largo, que no tiene ningún soporte. Los diseñadores informaron que este es el volado más grande en Suramérica.

2.- Tecnología avanzada

Todos los sistemas tecnológicos están integrados a lo largo de todo el edificio con sistemas de audio, video y conectividad, así como sistemas de microfonía.

Cuenta con dos pantallas gigantes de última tecnología y de alta fidelidad que solo existirán en la sede, solo hay una en Colombia.

3.- Estatua de Néstor Kirchner

En la entrada principal a la sede se encuentra una estatua del expresidente de Argentina, Néstor Kirchner, a quien los presidentes designaron como el primer secretario general de la organización el 4 de mayo de 2010.

4.- Construcción mínima en suelo

El área de construcción de la planta baja es de mil 500 metros, pero está implantado sobre una plataforma de 15 mil metros, que se se extiende hacia arriba por los cinco pisos de construcción.

5.- Obras de Guayasamín en la sala de exposiciones

En la sede de Unasur, en el subsuelo, funcionará una sala de exposiciones permanente. En el lugar se exhibirán obras de reconocidos artistas, entre ellos el pintor Oswaldo Guayasamín. En la sala de exposiciones se exhibirá la obra Historia de la Patria, de 1939. También en la sala de Presidentes estará el mural de 13 cuadros de la Serie de las manos, de la Edad de la ira del pintor ecuatoriano.

6.- Biblioteca Gabriel García Márquez

Ernesto Samper, secretario de Unasur, anunció que la biblioteca, que se encuentra en la planta baja de la edificación, se llamará Gabriel García Márquez, en honor al escritor colombiano que falleció en este año. La biblioteca será pública.

7.- Piedras de la canteras

En la construcción de la sede se usó piedra de las canteras de San Antonio de Pichincha.

8.- Comunidad digital

La construcción de la sede de Unasur implicará todo un proyecto de regeneración urbana y turística de San Antonio de Pichincha. Frente a la sede de la organización se diseñará una comunidad del milenio, que contará con una Unidad Educativa y un parque digital para la población.

9.- Fuentes de agua

A lo largo de la construcción, resaltan las grandes fuentes de agua, que según el arquitecto Diego Guayasamín, logran un espacio de sincronía con la naturaleza. Por ello, al interior de la sede resaltan, también, el uso de árboles que reslatan en los vitrales del lugar.

10.- Vitrales

El edificio de Unasur destaca por el gran número de vitrales que recubren a la construcción, lo que permite visualizar desde el interior al monumento a la Mitad del Mundo.

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Folha distorce matéria sobre volta da CPMF


As discussões sobre a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) sempre veem acompanhadas de uma série de informações equivocadas, em boa parte reflexo de reportagens veiculadas pela grande mídia que apresentam o tributo como uma contribuição inútil hoje defendida única e exclusivamente pelo PT.

O assunto voltou nesse início de semana, da mesma forma: distorcido, com a Folha de S.Paulo colocando em título ontem que “Governadores eleitos do PT articulam a volta da CPMF”.

Quase uma página dedicada ao assunto pelo jornalão. Lendo-se o material vê-se que a volta da contribuição é defendida por vários governadores de outros partidos, como Ricardo Coutinho (PSB) da Paraiba, e Beto Richa (PSDB) do Paraná.

Então, precisa ler a reportagem e não só o título, para descobrir que a noticia na verdade é que a volta da CPMF é defendida por diversos nomes de petistas e não petistas.

E pior, a Folha falha ao expor os motivos da necessidade da volta desse tributo. Por isso achamos indispensável esclarecer alguns pontos sobre esse assunto e recuperar a história.

A CPMF, foi extinta pela oposição por vingança e principalmente por boa dose de autoproteção: o tributo, do qual bem mais de 90% dos brasileiros ficaram isentos de pagar, possibilitava à Receita Federal mediante o cruzamento de dados das declarações de renda das pessoas físicas e jurídicas, flagrar os sonegadores.

Assim, com a CPMF tínhamos o controle mais eficaz e barato do mundo contra os sonegadores.

CPMF foi uma das fórmulas mais eficazes adotadas para combater sonegação

No debate de sua extinção, a oposição vendeu a ideia falsa e demagógica que o povo pagava CPMF e que ela não ia toda para a saúde, o que era verdade no governo FHC (1995-2002).

Na gestão Lula, o governo negociou e para manter a CPMF acertou uma mudança pela qual toda a arrecadação do tributo passaria a ser canalizada para a saúde, além de assumir o compromisso de ir reduzindo a alíquota incidente na cobrança da CPMF até que ela ficasse em um valor simbólico.

A oposição não aceitou nenhuma proposta de acordo com o governo Lula e extinguiu a CPMF na vã e criminosa esperança de uma crise geral na saúde que afetasse o governo e sua popularidade e a ajudasse em futuras eleições.

O que essas lideranças não contavam era com a capacidade dos governos Lula e Dilma de aumentar a arrecadação, através do crescimento econômico e de gerir a saúde com sucesso adotando programas como o Mais Médicos.

O que não elimina o fato de, apesar das soluções encontradas pelo governo, o fim da CPMF por obra e graça da oposição via Congresso Nacional ter retirado do orçamento da saúde mais de R$ 40 bi/ano.

E a oposição não colocou propôs nada para substitui-la, nem para cobrir os recursos nem como forma de controle da sonegação fiscal.

Precisa encontrar um jeito de financiar a saúde

Agora cobra e diz que a saúde publica no Brasil é ruim. Numa tática perigosa tenta fazer propaganda contra os meios de arrecadação do Estado sem dizer, óbvio, que a população é a principal prejudicada com essa sua ação.

O fim da CPMF foi uma decisão eleitoreira e demagógica, que agora precisa ser revista com a instituição de uma nova contribuição para a saúde, tenha ela o nome de CPMF ou outro.

Até porque, nos últimos anos, o governo reduziu — e muito — via desonerações, os impostos sobre investimentos, exportação, micro e pequena empresa dentre outras áreas.

Desonerou, ainda, a folha de pagamento e o investimento em inovação, protegeu setores da economia e da indústria expostos à guerra cambial e adotou medidas drásticas de ajuste fiscal.

No Blog do ZéDirceu
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O novo sistema de poder

As empresas de jornalismo estão perdendo o controle do que é notícia. O domínio de empresas de tecnologia na produção e distribuição de conteúdo informativo e opinativo está criando uma nova esfera pública, cujos controladores não estão especialmente preocupados com transparência e ética.

Esse é o tema de publicações recentes sobre a maneira como a mídia tradicional ajuda, por omissão, a consolidar no mundo contemporâneo o poder quase absoluto dos tecnólogos que inundam o planeta com uma enxurrada ininterrupta de aplicativos cujas possibilidades as pessoas desconhecem. Uma das análises mais interessantes é feita por Emily Bell, diretora do Centro Tow de Jornalismo Digital, instituto de pesquisas da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, e foi considerada pelo Fórum Mundial de Editores como o mais importante texto sobre o futuro do jornalismo divulgado neste ano (ver aqui, em inglês, a versão editada para o Instituto Reuters, de Oxford, publicada na terça-feira, 2/12). Sua principal qualidade está em marcar o esvaziamento do poder do jornalismo em definir sua própria natureza.

Emily Bell observa que as principais decisões que impactam o espaço público da comunicação estão sendo tomadas por engenheiros que raramente pensam em jornalismo, em impacto social da informação ou na responsabilidade sobre como notícias são geradas e disseminadas. “Jornalismo e liberdade de expressão se agregaram como parte de uma esfera comercial onde as atividades de notícias e jornalismo se tornaram marginais”, alerta a pesquisadora.

Apontada como responsável pelo renascimento do grupo britânico Guardian, do qual foi diretora de conteúdo digital, ela lembra também que nenhuma das principais iniciativas tecnológicas que dominam o serviço de relacionamentos e interações entre pessoas foi criado ou pertence a empresas jornalísticas.

Como as plataformas de mediação social não estão interessadas em contratar jornalistas ou criar estruturas para a tomada de “decisões editoriais”, atividade altamente complexa e custosa – conclui –, o espaço público fica à mercê dos interesses do mercado de tecnologia.

Onde mora o perigo

Emily Bell comenta que o Facebook usa um conjunto de complicadas fórmulas para decidir como as notícias vão para o alto das páginas pessoais dos usuários; esses mecanismos não apenas determinam o que o indivíduo vai ver, mas também definem, pela constância do uso, o modelo de negócio das plataformas sociais. Esses algoritmos são secretos, não são alcançados pelas regulações que asseguram as liberdades básicas inerentes ao direito à livre informação e à privacidade e, pior, podem ser alterados sem aviso prévio.

A diretora do Centro Tow lembra que nenhuma outra plataforma na história do jornalismo criou tal concentração de poder, o que faz do jovem Gregory Marra um dos mais poderosos executivos do mundo. Ele é diretor de produto do sistema de notícias do Facebook e tem apenas 26 anos de idade. Recentemente, Marra repetiu no New York Times o refrão dos tecnólogos segundo o qual a tecnologia é neutra, porque não faz julgamento editorial sobre o conteúdo postado nas redes sociais. Pois é justamente aí que mora o perigo, diz Emily Bell.

Ainda que os engenheiros acreditem que não estão tomando decisões editoriais, é isso que fazem suas fórmulas matemáticas. Por exemplo, ela lembra, em junho deste ano pesquisadores registraram que o Facebook manipulou as fontes de notícias de 700 mil usuários para observar como diferentes tipos de informação poderiam afetar o humor das pessoas. A resposta: boas notícias deixas as pessoas mais felizes. A questão dos pesquisadores: como o Facebook ousa brincar, literalmente, com as emoções das pessoas?

Em 2010, a rede social fez outra experiência, para verificar como a inserção de notícias sobre eleição estimula pessoas a votar no sistema americano de voto facultativo. Um professor de Harvard pondera que o mesmo recurso pode convencer milhões de eleitores, por exemplo, a escolher determinado candidato.

Emily Bell conclui o artigo alertando que o Facebook não tem obrigação de revelar como manipula o sistema de notícias. Ela afirma também que a imprensa tradicional deveria parar de se deslumbrar com as filas para comprar o novo iPhone e olhar mais para a tecnologia como um novo sistema de poder sem controle social.

Luciano Martins Costa
No OI
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Jornalista Roberto Porto, urgente

Recebi há pouco mensagem que fala das condições terríveis, que gritam o maior desamparo, talvez as últimas horas do jornalista e grande caráter que nos acostumamos a chamar de Roberto Porto. A mensagem veio do jornalista César Oliveira, que me autorizou a divulgação:

“Senhores:

Não quero, não pretendo nem vou cobrar loas por qualquer comportamento que eu tenha tido com o meu querido amigo, parceiro e ídolo Roberto Porto ao longo da sua doença. Dispenso qualquer tipo de elogio, da mesma forma como pouparei críticas.

Robertão tem pouco tempo de vida. Horas, dias... não sei. Foi levado hoje à UTI do Hospital do Andaraí. É um espectro do homem grande e forte que conhecemos. Há meses, está mal de saúde e totalmente abandonado. Evitei expor a situação para poupá-lo. Tentei ajudá-lo de todas as formas, sem sucesso.

Minha mulher, que é técnica de enfermagem e cuidadora de idosos, há tempos para ele arrumou pra ele uma cuidadora (que cuidaria dele e da casa, de alimentação e remédios), mas ele – teimosão como sempre – preferiu a doméstica que a Ada Regina (quatro anos de falecida no domingo passado) havia contratado. Como não sou parente, não pude impingir o tratamento; se o fosse, faria. Se pudesse pagar (algo em torno de R$1.200/mês, bancaria).

Tudo começou com o problema nos olhos ("Não estou enxergando bem"). Consegui com um desconhecido uma consulta gratuita num consultório no Largo do Machado e tratamento completo e grátis no Hospital da Lagoa, mas ele não foi (teimoisão...), dizendo que era longe. Era esclerose da retina, ficou cego de um olho e tem apenas 20% do outro. Mas os anos de abuso de tabaco e álcool cobram, agora, seu preço.

Com isso, passei a escrever as colunas dele na ESPN (revelo agora, apenas para que entendam a extensão do drama, e peço desculpas à ESPN, mas fiz por um amigo querido), como se fosse ele, usando o mesmo vocabulário e repertório de palavras, para que ele continuasse mantendo o emprego. Ele dizia para quem o visitava que ditava as colunas para mim. Pouco importa quem escrevia, importante era manter o emprego. Sem dinheiro, não sei o que seria. Com R$2.000 de aposentadoria e R$4.000 da ESPN, bastava interná-lo decentemente e usar os proventos dele para pagar as contas.

Mas ele se abandonou, até que um dia o cunhado flagrou a menina que lhe prestava favores sexuais na portaria do prédio e armou um banzé. De lá pra cá, foi ladeira abaixo. Até o ponto em que eu mandei um e-mail para os familiares, fiz um banzé entre os jornalistas que o conhecem. Queria que soubessem e tentassem ajudar.

Nas Olimpíadas de Inverno, em fevereiro deste ano, mandei uma mensagem para o filho na Rússia, através de amigos comuns, mas ele jamais retornou. A outro radialista veterano, que trabalhou com o Porto na Rádio Nacional, quando indagado sobre o pai (em recente jogo em São Januário) disse que ‘não sabia de nada’. 

Um conhecido jornalista e editor me ligou para perguntar ‘o que estava acontecendo’, porque um amigo, que trabalha no Hospital Pedro Ernesto, ligou pra ele dizendo que identificara o Porto (quem não?...) na emergência, levado por vizinhos, com uma grave infecção nos dedos dos pés, provavelmente diabetes nunca detectada. Descaso, abandono.

‘Trabalhando na TV Globo, tem o melhor plano de saúde do jornalismo brasileiro, e poderia interná-lo decentemente’ – sacramentou um veterano jornalista sobre o filho (vou poupando nomes). 

Domingo, ele ainda sorria, entendia as brincadeiras, a mania de acentuar meu nome, o livro (‘Botafogo: 101 anos de histórias, mitos e superstições’) do qual temos o maior orgulho. Estava com péssima aparência, cabeludo e barbudo, o corpo esquelético cheio de equimoses.

Ia ser operado, talvez amputar, ontem os dedos dos pés. Mas estava com a glicose muito alta e não foi. Quando minha mulher e eu chegamos lá ontem, 16h (ela trabalha até 15h), para visitá-lo, continuava em jejum, apesar da suspensão da operação. 

Depois de eu lhe fazer a barba, ela arrumou os cabelos e o alimentou por seringa porque as duas domésticas que se revezam na atenção a ele não sabem fazer isso, e as enfermeiras não estão nem aí. Ele já deveria estar sendo alimentado de forma parenteral, mas... quem liga? 

Ontem, conseguimos que o trocassem de cama, porque ele não cabia na outra. Falei com o novo VP de Comunicação do Botafogo, ontem, pedindo que o Clube desse a ele o mesmo tratamento dado ao Nilton Santos para que Porto, pelo menos, tenha um fim digno.

Foi levado pra UTI na manhã de hoje. Sua agonia deve durar pouco. Muita falta de cuidado. Muita falta de amor. Mas não foi por falta de aviso.

Abraços,

Cesar Oliveira

Editor da www.livrosdefutebol.com

Para o quadro escrito acima, falar o quê? Há uma semana o site do Botafogo divulgou uma nota, que pode ser vista  aqui http://www.lancenet.com.br/botafogo/Botafogo-recuperacao-Pele-Roberto-Porto_0_1256874415.html :

“O Botafogo divulgou nota no site do clube na qual se solidariza e torce pela recuperação de Pelé e do jornalista Roberto Porto. O primeiro está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a uma infecção urinária, enquanto Roberto Porto está internado no Hospital do Andaraí, Zona Norte do Rio devido a um grave problema de infecção nos dedos dos pés. Confira a mensagem do clube da Estrela Solitária:

'Recebam o carinho do Botafogo, tanto o adversário mais genial que já tivemos, personagem marcante da rivalidade mais grandiosa do futebol mundial, quanto o jornalista que sempre retratou com brilhantismo nossas glórias e muitos dos momentos que fazem do Botafogo um clube único.

Estamos com vocês!'”.

E pelo visto, o Botafogo achou que já havia cumprido a sua dolorosa missão.

Diante das últimas horas de Roberto Porto, não é preciso chover no molhado, pois as tragédias, mesmo as pequenas e do cotidiano, repelem os clichês. Por isso nem lembro o quanto é passageira a glória humana. O instante é de urgência e longe da pregação evangélica. Mas é impossível esquecer, ainda que rápido, o quanto a  grande mídia trata o sangue e o espírito de quem um dia ela sugou.  Não importam o valor, o talento, o mérito, os cargos ocupados, que isso não é moeda na hora da desgraça.

De Roberto Porto me tornei amigo virtual, por três motivos: primeiro, éramos colunistas do Direto da Redação, site dirigido por Eliakim Araújo; segundo, porque eu admirava as suas memórias de jornalista quando falava de João Saldanha e Nelson Rodrigues; terceiro, porque ele era quase pernambucano de Caruaru, e no meio de tanto colunista do sudeste eu me sentia meio deslocado.

Agora, aqui do meu canto e inutilidade, a minha forma de recuperar o grande Roberto Porto é divulgar algumas mensagens em que ele me fez revelações inéditas de Nelson Rodrigues e Ademir Queixada:

“Certa tarde, Nelson me chamou à parte, e me fez a seguinte declaração:

- Roberto, arranjei uma namorada em  São Conrado, muito linda. Ficamos sentados no sofá conversando horas.  

Aí­ ele me  perguntou:  

- Você acha que eu devo pegar na mão dela?

Fiquei estupefato. E respondi:

- Ora, Nelson, se ela é sua namorada, pegue a mão e tudo o que você tem direito.

O problema é que eu não me recordo se já contei isso. Me ajude, please. Fora outras, ocorridas na redação de The Globe, que vou me recordando vez por outra. O fato, incontestá¡vel, é que ele confiava em  mim.  E consegui fazer as pazes dele com Alceu Amoroso Lima, quando ele soube que o doutor Alceu era bisavô dos meu filhos Roby Porto (hoje na Sportv) e Cristiana Porto (morando há 20 anos em Santa Bárbara, Califórnia).

Saudações do Roberto Porto

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E a do Botafogo, why not? Deixa comigo. Será impossível saber quem era a moça, mas posso incluí-la num novo contexto. Quanto ao Nélson, era um sujeito tímido, educado, fechado em si mesmo. A vida como ela é não representa o que ele era. Você está certo. Mas hoje, às vesperas de fazer 70 anos, me recordo que comecei a lê-lo a partir de 1951, com apenas 11 anos.

Meu pai, pernambucano, chegou em casa com a Última Hora e disse: "Vejam o jornal do meu amigo Samuel Wainer..." Eu devorei.
Porto

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Pode acreditar que ainda tenho algumas, como a do Mickey Mouse gigante que entrou na redação do Globo. Mandaram o palhaço ir pelas costas de Nelson, que dedilhava sua coluna a meu lado, para ver se ele se assustava. Quando o diabo do Mickey deu um toque em Nélson, ele virou-se e disse apenas e simplesmente "grande figura".

E voltou-se calmamente à sua
Remington nova que eu havia lhe dado.
Saudações do Porto

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Meu quase conterrâneo:

Trabalhei com o Queixada em O Dia. Ele era uma grande figura.  Tinha uma coluna, mas era ruim de memória. Então, chegava para mim e dizia:

 - Roberto, conte uma história minha para eu passar para o redator de minha coluna...

 Pode? Podia.

Um dia disse a ele:

 - Conte a história do Heleno na concentração do Vasco, em 1949, quando você botou cebola no prato dele, antes que ele chegasse para o  jantar na concentração...

Ele disse:

 - Sensacional. Adorei. Minha coluna hoje está  salva...

E olhe que eu não trabalhava no esporte. Era editor internacional e nacional. Mas ele, Ademir, sabia que eu sabia tudo dele.
O abração do Roberto Porto

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Nélson não era o maior salário da redação. Escrevia lá mesmo, no meio da bagunça geral. E usava apenas os indicadores para escrever a coluna.
Era uma áfrica esperar ele terminar. Eu mesmo fazia a revisão, porque ele escrevia 'palitó' ao invés de paletó e assim por diante. Não era mulherengo e não fazia emendas. Era uma crônica limpa, só com pequenas correções minhas. Estava sempre com o mesmo terno cinza, sem perfume e adorava café.
Tinha um contínuo particular que ele apelidou de 'Pão Doce' (ex-contínuo do JS). Mas espere a do Johnny Without Fear. É esculhambante.

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Creio que entendo a sua tese porque minha família, por parte de pai, é de Caruaru. Lá, o velho Leocádio Rodrigues Duarte Porto 'fabricou', com Carlota Magalhães, Mário, Mílton, Carmem, Nélson (meu pai) e Hennè (nome esquisito para Caruaru). Carlota morreu cedo, acho que 34 anos. Leocádio casou com Mariah Anacleto, de 15 anos, e mandou mais cinco: Ivanildo Anacleto Porto (vivo em São Paulo), José Marcílio, José Anacleto (morto), Ivoneide e Ivanise (freira, por incrível que pareça). Acho que a ascendência (sou carioca, filho de mãe goiana) pernambucana foi muito forte em mim.

Por isso, entendo o que você afirma sobre sexualidade reprimida de Nelson Rodigues. Até porque Nelson Rodrigues veio de Pernambuco para o Rio e daqui não mais saiu. Imagine que eu, subeditor de esportes de O Globo, anos 70, botei Nélson para trabalhar como meu repórter. Eu precisava de uma entrevista com o Francisco Horta e só Nélson faria. Ele foi para um telefone afastado e mandou bala. Eu adorava ele, que sempre me chamava de 'doce' Roberto. Acho que por causa do irmão morto a tiros no jornal do pai Mário.

Ele me telefonava toda noite para comentar os filmes da Globo. Ele dizia assim:

- Roberto, você já reparou que no cinema americano mocinho tem cara de mocinho e bandido tem cara de bandido?

Mas eu não tinha o telefone dele. Quando queria falar com ele, ligava para o irmão Augusto. Daí, Nélson me retornava. O fato de meu pai ser pernambucano também ajudava na nossa ligação. Meu pai fez Direito, começando em Recife e concluindo em São Paulo. Trabalhou como um cão. Nunca teve uma carteira profissional e um emprego. Só sua banca na Rua da Assembléia. Rejeitou um convite de Getúlio (convicções políticas de esquerda) para ser ministro do Trabalho. Morreu aos 85 anos. Foi amigo de Adolpho Bloch, Samuel Wainer e Assis Chateaubriand. Fez trabalhos para os três. Por isso, pela amizade com Wainer, ele passou a comprar Última Hora desde o primeiro número em 1951. Aí, eu, excitado, mergulhei de cabeça em 'A Vida Como Ela É'. Tinha só 11 anos. Vou parar por aqui para não chatear mais você.Aquele abraço de

um filho de pernambucano.”

Não sei por quê, mas quando recebi a mensagem de César Oliveira, em que ele  fala “sua agonia deve durar pouco”, eu só me lembrei do samba de Bide e Marçal, Agora é Cinza.

Urariano Mota
No GGN
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Como um ministro do STF tem poder para segurar uma ação por 8 meses?

Um estranho conceito de justiça
Eu só queria entender o seguinte: é possível um ministro do STF pedir vistas de uma ação e segurá-la um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete — oito meses?

Isso quando vários de seus colegas já a examinaram e votaram?

É uma pena para a sociedade, mas a resposta é sim. É possível engavetar por Deus sabe quanto tempo uma ação.

É o que Gilmar Mendes — ele, sempre ele — está fazendo com um ação da OAB que propõe o fim do financiamento privado das campanhas políticas.

Fora da plutocracia, interessada em perpetuar um sistema em que ela afinal maneja o universo político pelo dinheiro das “doações”, existe um consenso de que o sistema atual de financiamento é a raiz da corrupção no Brasil.

Não existe almoço gratuito, na definição brilhante do economista Milton Friedman, e muito menos doação gratuita.

Como uma pessoa no STF tem o poder de reter por tanto tempo uma ação sem dar a menor satisfação à opinião pública?

Pergunto: seus colegas não fazem nada? Assistem, simplesmente, a essa magnífica protelação?

Não há limites, não há prazos, não há regra nenhuma quando se trata de pedido de vistas, ainda mais quando ele tem origem suspeita porque o autor tem sabidamente interesse na história?

O interesse público tem que ser colocado acima de tudo numa sociedade avançada. Como um ministro do STF pode julgar que está em suas atribuições segurar uma ação infinitamente?

As motivações são claramente políticas.

Mas então este juiz tem que fazer política, e isto é em outra esfera. Deve enfrentar o julgamento dos eleitores nas urnas e aí sim se dedicar à política.

Gilmar Mendes é o homem errado, no lugar errado, na hora errada.

Me incomodava ouvir a expressão “herança maldita” quando petistas falavam de FHC. Mas Gilmar, indicado por FHC, é isso mesmo, uma herança maldita.

Mas o que mais choca, em tudo isso, é que ele, sendo um em onze, tenha tanto poder para fazer as coisas que faz.

Paulo Nogueira
No DCM
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Wagner é o favorito para as Comunicações, Berzoini corre por fora

O ministério das Comunicações está longe de estar entre os mais importantes da Esplanada, mas está muito mais longe de ser desprezível. Principalmente porque quem vier a assumi-lo deve ir (espera-se) com o compromisso assumido por Dilma em entrevista com blogueiros e em outros tantos momentos da campanha: o de fazer a regulamentação econômica do setor. E esse é um desafio histórico que se bem conduzido vai garantir ao responsável um lugar na história política nacional.

O fato é que o PT não tem tantos quadros assim para conduzir este processo. E os outros partidos, então, nem se fale. Em primeiro lugar, porque além de força política a regulamentação do setor exigirá imensa habilidade política para não fortalecer o discurso de oposição e fazer o governo recuar. E ao mesmo tempo para não transformar uma grande energia dos movimentos em uma imensa frustração. Alguém pode dizer, mais isso é impossível. Não é. E a forma como a aprovação do Marco Civil da Internet foi trabalhada é exemplo. O setor das comunicações tem imensas necessidades de uma reforma que por um lado impeça que os players nacionais venham a ser engolidos pelos globais, como Google e Facebook. E para que essas reformas legais se implementem, é preciso negociar contrapartidas que devem abrir espaço para democratizar a quantidade de vozes na área. Não é simples, mas é o caminho.

Tanto Jaques Wagner quanto Ricardo Berzoini são exímios negociadores. Ambos são ex-sindicalistas e a arte de saber operar em conflitos é a base para se tornar liderança com respeito no movimentos sindical. De qualquer forma, Berzoini sempre se mostrou mais interessado neste debate que o atual governador da Bahia. E ao mesmo tempo tem ambições políticas menos audaciosas neste momento, o que leva a uma parte do PT e do movimento da democratização a preferi-lo em relação a Wagner. O baiano que é um dos nomes fortes pra sucessão de Dilma se Lula não vier a ser candidato poderia pensar duas vezes em brigar com a Globo, avaliam. E sem comprar umas brigas com a turma do Jardim Botânico, não há regulamentação que valha a pena.

Por outro lado, Wagner sai hoje como uma das principais lideranças do PT no Brasil. E ao colocá-lo nas Comunicações Dilma daria um recado de que ela vai tratar a área com a prioridade que merece.

No momento, Wagner é o nome favorito para a pasta. Entre outros motivos, porque já teria deixado claro a Dilma que não está disposto a assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), ministério comandado por Berzoini no momento. E na dança das cadeiras, com Mercadante ficando na Casa Civil e Rosseto indo para a Secretária Geral não sobraria outra pasta política. Na Petrobras, ao que consta, fica Graça até a tempestade passar. Depois, ela deve sair, inclusive a pedido.

Wagner e Berzoini são dois bons nomes e um grande avanço em relação a Paulo Bernardo, mas independente de qual deles vier a ser escolhido para assumir o ministério que por muito tempo teve nomes indicados por Roberto Marinho, o que mais importa é a missão que Dilma atribuirá ao escolhido. Se ele for pra o cargo com a missão de fazer o tempo passar, qualquer um que for vai sair de lá do tamanho do atual ocupante do cargo. Se for com a missão de enfrentar os desafios que o atual cenário impõe, vai sair ainda maior do que entrou. Mas isso não depende só do indicado, mas de Dilma. E essa é a conversa que quem for indicado deve ter com a presidenta antes de aceitar o desafio da área.

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Como nos golpes de Estado


Oposição mobiliza arruaceiros para impedir Congresso de exercer sua soberania para debater e votar proposta de Dilma sobre orçamento

Sem votos para impedir uma provável vitória do governo na proposta de eliminar o superávit primário nas contas de 2014, a oposição produziu ontem uma cena preocupante do ponto de vista da democracia.

Mobilizando arruaceiros profissionais e voluntários da baderna, engajados numa dessas ONGs cujo nome  parece inspirado em entidades de exilados cubanos da Flórida, parlamentares oposicionistas criaram  um ambiente de violência e tumulto nas galerias do Congresso. No final de uma jornada de tensão, conflito e violência, conseguiram  impedir que a maioria dos  parlamentares presentes cumprissem seu dever constitucional mais elementar: votar, soberanamente, com os votos recebidos do eleitorado, na proposta que julgassem melhor.

Os brasileiros não têm boa memória daqueles momentos em que deputados e senadores foram impedidos cumprir suas obrigações. Na maioria das vezes, foram cenas que antecederam golpes de Estado.

A diferença é que isso costumava ocorrer com a presença intimidadora de soldados pelo Congresso e arredores, numa paisagem ilustrada por tanques e baionetas. Ontem, a coreografia era outra. Lembrava os clássicos assaltos ao poder, de origem fascista, com vocação para atacar instituições democráticas.

O ataque partiu de civis, “presumivelmente assalariados”, nas palavras de Renan Calheiros, presidente do Senado. Conforme Renan, um grupo de 26 pessoas “instrumentalizadas, provocando o Congresso,” impediu os deputados de tomar uma decisão que, conforme cálculo da quase unanimidade dos observadores, seria favorável ao governo.

A baderna foi organizada como um espetáculo de circo amador. Como se o fim do superávit primário fosse um tema tão popular como a taxa de juros e o aumento da gasolina, cidadãos instalados nas galerias montaram um coro de palavrões, vaias e xingamentos destinado a inviabilizar um debate real entre parlamentares.

Quando Renan determinou que as galerias fossem esvaziadas — medida banal em qualquer Congresso do planeta — os cidadãos que logo seriam promovidos a “representantes da sociedade civil” pelos analistas meios de comunicação resolveram ficar onde se encontravam.

No mesmo instante, quinze parlamentares da oposição correram em seu socorro, formando uma espécie de piquete para impedir que fossem removidos pela polícia legislativa. Equipados para poses fotográficas, logo surgiram cidadãos com mordaças vermelhas com a sigla do PT.  Tudo ensaiado e dramatizado.

Presente a casa poucos dias depois de ter afirmado que perdeu a eleição para uma “organização criminosa”, Aécio Neves saiu em defesa da baderna. Disse, conforme relato da Folha de S. Paulo: “A população brasileira acordou. As pessoas estão participando do que está acontecendo no Brasil. E algumas querem vir [ao Congresso]. Nós vamos fechar as galerias?”

Com essa postura, o candidato presidencial do PSDB dá um novo passo para se afastar das instituições democráticas. O primeiro foi a tentativa de criminalizar — diretamente — a vitória de Dilma em 26 de outubro. O segundo foi brindar uma iniciativa que em nada contribui para um debate civilizado sobre as necessidades.

“Eu não estou reconhecendo o Aécio,” disse o governador do Ceará, Cid Gomes, em entrevista ao Espaço Público, ontem, na TV Brasil.

Vários personagens e várias cenas se tornaram irreconhecíveis nos últimos dias.

Da mesma forma que o governo tem o direito de tentar suprimir o superávit primário, a oposição tem o direito de tentar o contrário. Faz parte da democracia. Cenas semelhantes ocorrem periodicamente nos Estados Unidos, sempre que a Casa Branca ameaça ultrapassar seu limite de endividamento.

Não faz parte da democracia, porém, tentar impedir o Congresso de funcionar. Quem age dessa forma pratica o mandamento número 1 de toda intervenção antidemocrática, que consiste em respeitar as regras e leis de um país  apenas quando lhe convém. Isso só interessa a quem planeja impedir o funcionamento do regime democrático.

Este é o aspecto preocupante da baderna de ontem.

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Aécio convoca funcionários de gabinetes demotucanos para tentar golpe à democracia

Quando a gente pensa que já viu todas as baixarias de Aécio, descobre que ele é capaz de fazer muito mais.


Baixaria, gritos, palavrões, na noite desta terça-feira entre seguranças do Senado e na maioria funcionários de gabinetes demotucanos apoiados pela oposição para derrubar a votação do projeto que flexibiliza o ajuste fiscal levou à suspensão da sessão que analisaria a proposta. Os policiais do Senado tentaram esvaziar as galerias mas foram impedidas por deputados da oposição. Sem mais o que fazer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que a sessão será reaberta amanhã, às 10 horas.

A baixaria começou porque durante discurso da senadora Vanessa Graziotin (PC do B-AM) em defesa do projeto do governo, alguns manifestantes gritaram: "Vai pra Cuba". "vagabunda". A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que isso era inadmissível a falta de respeito. E pediu a Renan que retirasse os manifestantes das galerias. Renan deu a ordem para que os seguranças agissem. Entre os golpitas estavam alguns empregados do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) e pessoas que articulam encontros por redes sociais, a exemplo do grupo chamado "Brasil livre". Um grupo de deputados demotucanos subiu às galerias e começou a proteger os manifestantes, que gritavam: "Ô Izalci, não deixem tirar a gente daqui".

Segundo nota publicada hoje na coluna Painel da Folha, os responsáveis por arregimentar a claque que tumultuou a sessão foram Paulinho da Força (SD-SP), Jair Bolsonaro (PP-RJ), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Fernando Francischini (SD-PR).

Os deputados Fernando Francischini (SD-PR), Mendonça Filho (DEM-PE), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Marchezan Júnior (PSDB-RS), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Abelardo Lupion (DEM-PR) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) começaram a se agarrar aos bardeneiros para impedir que eles fossem retirados pela segurança.

Ao comentar o tumulto, Renan não citou o deputado Izalci. Mas disse que os manifestantes agiam sob encomenda "É um caso único no Congresso Nacional. Vinte e seis pessoas assalariadas tumultuando e paralisando o Congresso Nacional". E estava mesmo. A mando de Aécio Neves, que ainda pensa que é candidato.



O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que havia pedido para que as galerias fossem abertas para público, disse que o projeto do governo causará um dano ao Brasil. E que o PT queria impedir a presença de público nas galerias, disse.

Para o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), a oposição tentou um golpe. "O que aconteceu hoje foi um golpe à democracia. Temos uma maioria constituída e a oposição foi para a galeria obstruir a sessão. Vi diversos parlamentares da galeria comandado um processo para inviabilizar a votação".

No Amigos do Presidente Lula
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Aécio, o povo e os aloprados que xingaram a senadora no Congresso


“População é retirada à força da galeria da Câmara neste momento. Base da presidente Dilma não quer a presença do povo no casa que é do povo!”

Assim o PSDB se referiu à mixórdia no Congresso durante a votação do projeto do Executivo que prevê mudanças nas regras do superávit primário — que vai desobrigar o governo de cumprir a meta atual.

Povo? Vejamos.

Boa parte das duas dezenas de manifestantes que xingaram a senadora Vanessa Grazziotin, do PC do B, admitiu ser ligada ao PSDB.

Vanessa teria sido chamada de “vagabunda”, segundo sua colega Jandira Feghali. O líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy, afirma que não era bem isso: o coro era o imortal “Vai pra Cuba!”, a palavra de ordem do coração de todo idiota médio.

Renan Calheiros convocou a polícia legislativa para retirar aquelas pessoas. Políticos da oposição subiram até a plateia e fizeram uma espécie de “cordão de isolamento” para protegê-las.

Briga de futebol. Uma senhora de 79 anos levou uma gravata de um segurança. O professor de história Alexandre Seltz foi imobilizado com uma descarga de arma de taser. Estava lá também o líder dos “Revoltados Online”, Marcelo Reis, figura manjada dos atos pelo impeachment.

Havia ainda membros do “Movimento Brasil Livre”, que apoiou Aécio Neves. A página do MBL no Facebook tem fotos fofas com Ronaldo Caiado. O próprio professor Seltz, aliás, faz o que define como vídeos-desabafos. A maioria contém “apelos às Forças Armadas, à maçonaria, à ala conservadora da Igreja Católica” para que ajam antes que os “comunistas filhos da puta” tomem conta do Brasil.

Não, isso não significa que ninguém mereça tomar choque. Mas daí a chamar um grupo de baderneiros levados por parlamentares de “povo” vai um oceano.

Em sua já proverbial falsa indignação, Aécio, que continua em campanha, afirmou que Calheiros impediu “o povo brasileiro de participar” e, por isso, “radicalizou-se o clima”. Mais: “E é uma ilusão porque o povo está participando nas redes sociais, em casa, nas universidades e vai participar cada vez mais. Faltou a meu ver, aqui hoje, respeito à democracia”.

Faltou.

Kiko Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 63


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Essa é do Barão... 121


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