24 de nov de 2014

Estranhas Catedrais

Relação promíscua entre empreiteiras e governo começou na ditadura militar

Reprodução da capa do livro “Estranhas catedrais'', sobre as empreiteiras e a ditadura
Empreiteiras nacionais prosperaram depois do golpe de 64


Estrangeiras sucumbiram por causa de decreto da ditadura


No anos 70, começou a grande concentração de faturamento

Para quem acha que a corrupção entre empreiteiras e governo começou ontem ou anteontem, vale olhar o decreto presidencial 64.345, de 10 de abril de 1969. O então presidente Artur da Costa e Silva fechou com uma canetada as portas para empresas estrangeiras em obras de infraestrutura no Brasil:

Art. 1º Os órgãos da Administração Federal, inclusive as entidades da Administração Indireta, só poderão contratar a prestação de serviços de consultoria técnica e de Engenharia com empresas estrangeiras nos casos em que não houver empresa nacional devidamente capacitada e qualificada para o desempenho dos serviços a contratar”.

A partir desse decreto de 1969 criou-se uma reserva de mercado para empreiteiras nacionais. Prosperaram assim muitas das que hoje estão encrencadas no escândalo da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Esse decreto da ditadura vigorou até 14 de maio de 1991, quando o então presidente Fernando Collor o revogou. Mas parece que já era tarde. As empreiteiras nacionais já operavam de forma a impedir competição estrangeira ou mesmo para alguma empresa de fora do grupo das principais nacionais.

Só para lembrar, até o final dos anos 60, a atual gigante Odebrecht era apenas uma empresa local da Bahia. Depois do decreto de Costa e Silva, despontou para o sucesso construindo o prédio-sede da Petrobras no Rio de Janeiro (em 1971), aproximando-se dos militares que comandavam a estatal, conforme relata reportagem de Marco Grillo, que buscou as informações no livro “Estranhas catedrais – As empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar” (Editora da UFF, 444 pág., 2014), resultado da pesquisa para a tese de doutorado “A Ditadura dos Empreiteiros”, concluída em 2012 pelo professor Pedro Henrique Pedreira Campos, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

O título do livro, “Estranhas catedrais”, evoca um verso da canção “Vai passar”, de Chico Buarque e Francis Hime: “Dormia a pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações. Seus filhos erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais”.

O Blog leu a tese de Pedro Campos. No texto, o autor demonstra que, “após o governo Médici”, a Odebrecht “com sua atuação junto aos militares presentes na Petrobras, arrematou 2 contratos que alteraram significativamente o seu porte, fazendo seu faturamento triplicar em um ano. As vitórias nas concorrências para construção do aeroporto supersônico do Galeão [no Rio] e da usina nuclear de Angra levaram a empresa do 13º ao 3º lugar na lista dos 100+”. Foi escolhida pelo setor como empreiteira do ano em 1974.

Antes de a ditadura militar consolidar a reserva de mercado para as empreiteiras nacionais, a tese do professor Pedro Campos mostra que havia um domínio de empresas estrangeiras no Brasil:

Empreiteiras-Brasil-seculo20

No início da década de 70, as coisas começaram a mudar drasticamente, como demonstram esses gráficos a seguir, com a evolução das empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior e Odebrecht no ranking das maiores do país:

Ranking-Odebrecht-ditadura Ranking-MendesJunior-ditadura Ranking-Camargo-ditadura Ranking-Andrade-ditadura

Quem analisa esses gráficos e tabelas pode achar que os militares fizeram o movimento correto ao desenvolver um mercado para empresários brasileiros durante a época de expansão da infraestrurura nacional. O problema é que junto com a promoção das empresas brasileiras veio também a concentração nas mãos de poucos empresários, que ficaram cada vez mais poderosos a partir da ditadura militar.

A tese “A Ditadura dos Empreiteiros” traz dois quadros reveladores sobre como o dinheiro das obras públicas serviu para construir gigantes nacionais que concentravam o naco principal do dinheiro público:

Ranking-concentracao-faturamento-5-maiores-empreiteiras Ranking-concentracao-faturamento-10-maiores-empreiteiras

A simbiose entre o público e o privado na época da ditadura se dava com a colocação de militares em cargos de direção nas empresas que forneciam para obras de infraestrutura. Os generais iam parar em diretorias e conselhos de grandes corporações, como mostra o quadro a seguir:

Militares-empresas-privadas

Em resumo, como se observa, a gênese do problema que hoje está sendo desvendado pela Operação Lava Jato vem de muito longe. O fato de as anomalias serem antigas em nada alivia a responsabilidade do governo atual que terá o ônus de promover a faxina há muito demandada nessa área.

Nenhum governo civil (Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma) conseguiu, até hoje, reduzir o poder das grandes empreiteiras. Ao contrário, essas empresas se transformaram em verdadeiros leviatãs, fazendo de tudo, inclusive financiando as campanhas eleitorais dos principais políticos do país.

Fernando Rodrigues
No Blog do Mário
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Voltando ao mapa da conspiração desenhado pela CIA


O jornalista Sérgio Léo fez um longo comentário sobre meu artigo anterior a respeito de um eventual incentivo do governo norte-americano à promoção de um golpe jurídico-midiático no Brasil. Nele me contesta em basicamente dois pontos: primeiro, no que diz respeito à participação dos Estados Unidos no golpe que derrubou Allende há 41 anos; segundo, o que é mais importante, negando a relevância dos BRICS para a estratégia norte-americana, o que afastaria qualquer interesse da parte dos EUA em desestabilizar o Brasil.

Vamos por partes. A participação direta dos EUA na deposição e assassinato de Allende, assim como na carnificina posterior sob o comando de Pinochet, está demonstrada de forma inequívoca no artigo de Peter Kornbluh da edição de setembro/outubro da “Foreign Affairs”. Esse artigo desmonta ponto por ponto o publicado anteriormente por essa mesma revista, sob o título “What Really Happened in Chile”, pelo antigo espião da CIA Jack Devine que estava baseado em Santiago na época dos eventos, encarregado de pagar propina ao principal jornal do país, “El Mercurio”.

Sérgio Léo cita o artigo de Devine em apoio a sua tese de inocência americana no golpe final contra Allende, mas aparentemente desconhece o artigo retificador de Kornbluh, baseado todo ele em documentos desclassificados do Departamento de Estado e da Assessoria de Segurança Nacional dos EUA. Aliás, o que a CIA fez na preparação do golpe — por exemplo, no assassinato do comandante do Exército, General Schneider, a fim de remover um obstáculo no caminho dos golpistas — seria suficiente para inculpá-la totalmente no desfecho.

Relativamente ao eventual desinteresse norte-americano em relação aos BRICS, Léo talvez não preste muita atenção nos desdobramentos estratégicos das articulações desse grupo. Se ele concorda que o centro dos interesses estratégicos dos EUA é, em primeiro lugar, como eu próprio tentei demonstrar relativamente à crise da Ucrânia, conter a Rússia e, secundariamente, conter a China, qualquer coisa que fortaleça os BRICS coloca um aliado até há pouco incondicional do país, o Brasil, numa rota contrária aos interesses norte-americanos.

Algum tempo atrás, ainda antes da decisiva reunião que formalizou a criação do Banco dos BRICS, a embaixadora Maria Edileuza, então encarregada no Itamaraty da área dos BRICS, me relatou o incômodo que os países ocidentais manifestavam com relação à criação do banco. A União Europeia pediu uma reunião especial com o Brasil para conhecer o projeto; na reunião representantes dos grandes países não se manifestaram abertamente; mas as objeções vinham sintomaticamente dos pequenos. “Por que, em lugar de criar um banco, não fortalecer as instituições existentes, como o Banco Mundial?”, perguntavam.

A resposta poderia ser encontrada, agora, em recente artigo de Eric Toussaint, na série “Os setenta anos de Bretton Woods, do Banco Mundial e do FMI (parte 12)”, sob o título “As mentiras teóricas do Banco Mundial”. Trata-se de um libelo irrespondível sobre a atuação do Banco, que, ao longo do tempo, atendeu principalmente aos interesses dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos em lugar de favorecer o desenvolvimento dos pobres. Se alguém tem dúvida, consulte o Relatório de 1914 do banco, sob o título “Risco e Oportunidade”: é puro charlatanismo ideológico em favor do livre-cambismo e do Consenso de Washington.

O Banco dos BRICS, ao contrário do que pensa ingenuamente Sérgio Léo, é a primeira grande tentativa em 70 anos de se romper com a estrutura financeira internacional criada no pós-guerra com foco nos interesses dos ricos. É evidente que o banco terá condicionalidades financeiras rígidas, pois afinal é um banco, não uma agência de fomento a fundo perdido; mas a simples ausência de condicionalidades políticas ou macroeconômicas será suficiente para dar-lhe um caráter desenvolvimentista real, ao contrário do Banco Mundial e do FMI.

Finalmente, Sérgio Léo alega que, se há risco de promoção de golpe no Brasil, deve ser procurado nas forças internas, e não na CIA. É outra ingenuidade. Não há diferença entre forças golpistas internas e externas. São as mesmas. A primeira coisa que algum golpista interno faz é buscar apoio externo. E a primeira coisa que uma força externa pró-golpe faz é buscar forças internas para que assumam um papel ostensivo e aparentemente hegemônico. O que a “Veja” faz é puro golpismo, eventualmente amparada financeiramente pela CIA, como foi o caso de “El Mercurio” no golpe contra Allende. Os que tem olhos para ver, vejam.

Quanto ao suposto desinteresse dos EUA de ver desestabilizada uma área tão tranquila, como o Brasil, volta-se de novo ao terreno da ingenuidade. São forças internas, no nosso caso da mídia, que preparam a intervenção externa. A Ucrânia estava tranquila antes que ONGs financiadas pelos EUA iniciassem o processo de sua desestabilização. Não há, nesse jogo, espaço para escrúpulos de qualquer natureza. O que importa para a política externa norte-americana são os seus interesses estratégicos de curto e longo prazos. Para isso são capazes de tudo. Inclusive de violar a democracia que pregam em seus discursos e fragmentar os países em lutas fratricidas, como ocorreu em quatro países na chamada “Primavera Árabe” e no golpe ucraniano.

J. Carlos de Assis, Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor da Economia Internacional da UEPB.

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Requião defende no Senado a regulação da mídia




Há nesta Casa senadoras e senadores que são radicalmente contra qualquer tipo de regulação da mídia.

A justificativa é sempre a mesma: a defesa da liberdade de imprensa. Mas, respondam-me. A propriedade cruzada de meios de comunicação, isto é, o fato de o mesmo grupo empresarial controlar jornais, revistas, rádios, televisões, internet não favorece a monopolização da informação e o consequente manejo de opinião?

Não terá sido por isso que países com instituições sólidas e uma longuíssima estabilidade democrática, como Estados Unidos e Inglaterra, proíbem a propriedade cruzada de meios de comunicação?

A inexistência de qualquer mecanismo que permita ao cidadão o direito de resposta, no caso de notícia mentirosa, injuriosa, ofensiva não significa uma grave ofensa à liberdade de informação e às liberdades individuais?

A unificação e centralização das programações, especialmente nas televisões e no rádio, impostas pelas emissoras que detém o monopólio dessas mídias, cerceando as manifestações culturais regionais, nesse Brasil tão imenso e diverso, não são, igualmente, formas de censura e discriminação e até mesmo preconceito?

A ideologização e partidarização das informações, e a autocensura, que tornam as notícias tendenciosas, cegas, enviesadas não são um gravíssimo atentado à liberdade de informação e ao direito do cidadão de conhecer a verdade dos fatos?

Os dois pesos e as duas medidas usados pelos veículos de comunicação das cinco famílias que monopolizam o setor, na campanha eleitoral deste ano, quer na campanha presidencial quer nas campanhas regionais, não são a prova mais barulhenta do propósito de manipular a opinião pública?

Os gráficos produzidos por observatórios de mídia independentes, durante as eleições presidenciais, avaliando os conteúdos veiculados pelas organizações Globo, Abril, Folha, Estadão, principalmente, não deixam a mais fugaz, fugidia dúvida da parcialidade da cobertura desses veículos.

Ninguém, nenhum jornalista, nenhum parlamentar, nenhum juiz, nenhum promotor, nenhum acadêmico, qualquer cidadão minimamente isento e honesto, confrontado com ao gráficos, deixará de atestar essa parcialidade.

Nada contra. Afinal o parti pris desses veículos é bem conhecido, o que os pressiona a assumir posições indisfarçadas.

O que não é honesto, o que soa cínico, zombeteiro, debochado e hipócrita são as profissões de fé de praticantes de um jornalismo isento, equilibrado e aquele truísmo todo.

Melhor fosse que assumissem limpidamente apoio às candidaturas conservadoras, pelas quais torcem e distorcem. Seria mais digno, mais decente, do que ficarem brandindo indevidamente a bandeira da liberdade de imprensa, cada vez que se aponte a sua nudez, as suas vergonhas expostas.

O caso da capa de “Veja”, a dois dias do segundo turno, é exemplar. E houve até estranhamento entre veículos da dita grande imprensa, com um acusando o outro de frouxo, pusilânime por não repercutir a intrujice.Mas todos, de uma forma ou outra ecoaram a mentira.

Vejam só o que disse o procurador geral Janot sobre o episódio à Folha de S. Paulo: “Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”.

A Folha, que gostaria que a Globo fosse a fundo na divulgação da mentira de “Veja”, nem ficou corada ao reproduzir, semanas depois, as declarações do procurador.

Já outros veículos, da sagrada e seleta família, não se deram à preocupação de repercutir a gravíssima acusação de Janot.

A prisão de empreiteiros, acusados de vínculos com os desvios na Petrobrás, deu azo a outras manifestações de parcialidade, de partidarismo de nossa mídia.

Mesmo que o ex-ministro tenha negado fortemente, a grande família mediática vinculou um dos diretores da Petrobrás preso a José Dirceu.

E classificou o indigitado de “engenheiro mediano”, para desqualificar ainda mais o suposto padrinho.

Ao noticiar o montante da contribuição das empreiteiras às campanhas eleitorais, porque a bufunfa, o capilé envolvia outros partidos, além dos dois enlameados de sempre, o PT e o PMDB, a mídia não citou qualquer outro partido. Foi isenta.

É assim, selecionando os fatos e a verdade dos fatos que organizações Globo, Abril, Folha e Estadão, com seus fortes parceiros regionais no Sul, em Minas, no Norte e no Nordeste moldam ao seu bel-prazer a opinião pública.

Os clássicos mapas, partindo o país em vermelho e azul, como se o Norte, o Nordeste, Minas e Rio houvessem votado em peso em Dilma e o restante do país houvesse votado cem por cento em Aécio estimulam o ódio, o preconceito, o separatismo, o racismo e uivos fascistas.

E vociferações de um lacerdismo serôdio, adjetivo tão fora de moda que uso em homenagem aos eternos vigilantes, sempre à espreita de um golpe que os redima do fracasso das urnas.

A desclassificação especialmente dos nordestinos, diminuindo-lhes o peso do voto, um ensaio patético de reinstituição do voto censitário, tem o mesmo sentido da campanha conservadora que pretendia anular a vitória de Juscelino Kubitschek, em 1955. Campanha, vê-se, a que aderiu a nossa mídia isenta, democrática e patriótica, sempre a serviço do Brasil.

Naquela eleição, Juscelino teve três milhões e setenta e sete mil votos; Juarez Távora, dois milhões e seiscentos mil votos. A diferença entre os dois foi de quatrocentos e sessenta mil votos. Foi essa diferença que animou Carlos Lacerda e a UDN a lançar a cruzada pela anulação da vitória de JK. Os udenistas argumentavam que os quase 500 mil votos que derrotaram Juarez Távora foram dados pelos comunistas, e como o Partido Comunista Brasileiro fora colocado na ilegalidade, os votos dos comunistas deveriam ser também cassados.

Mas como eles chegaram a esse cálculo se o voto era secreto? Comp distinguir os votos dos comunistas de outros votantes?

Elementar, diziam os udenistas. Nas eleições presidenciais de 1945, dez anos antes, quando o PCB era legal, o candidato dos comunistas, o gaúcho Yedo Fiuza, tivera 569 mil votos.

Ora, dez anos depois, era de se crer que todos os quase 500 mil votos que deram a vitória a Juscelino eram votos comunistas, já que Prestes orientara o voto em JK.

Tão simples assim, diziam os golpistas democráticos. Da mesma forma, hoje, 59 anos depois, com os seus mapas dicotômicos e desonestos, de um primarismo monstruoso, a mídia e os conservadores colocam em xeque, questionam a legitimidade da reeleição da presidente Dilma, por causa dos votos dos nordestinos, dos mais pobres, dos menos instruídos.

Já que o Brasil desenvolvido e mais instruído teria votado majoritariamente em Aécio, como disseram por aí e por aqui também, a reeleição não valeu. Aliás, nem isso é verdadeiro, uma vez que Dilma teve mais votos no Sul e no Sudeste que no Norte e no Nordeste.

Logo, o mapa dicotômico da mídia é uma fraude.Temos, assim, agora, a reprodução farsesca da tentativa de golpe udeno-lacerdista de seis décadas passadas.

De um lado, a mídia ecoa fortemente toda manifestação de inconformidade com a reeleição da presidente. Basta que duas pessoas se reúnam para exibir cartazes pedindo o impedimento da presidente, para que essa massiva demonstração ganhe as cabeças dos noticiários.

Ao mesmo tempo, exige que a presidente escolha “nomes do mercado” para a Fazenda e o Banco Central.

Perderam a eleição, a mídia e a oposição perderam a eleição, mas cobram que a vencedora adote programa do derrotado. E nem ficam constrangidos com tamanha desfaçatez. Afinal, julgam-se domos do país, reservas morais da nacionalidade.

A regulação da mídia é imprescindível para a preservação, a consolidação e o avanço da democracia. Porque a grande mídia empresarial é intrinsecamente golpista, geneticamente antidemocrática, arraigadamente elitista.

A regulação da mídia é condição inescusável para se garantir a soberania nacional. Porque os grupos que monopolizam a mídia são entreguistas e, historicamente, se opõem aos interesses nacionais, servindo de cabeça de ponte para o avanço imperial sobre a nossa economia, sobre os nossos recursos naturais, sobre as nossas riquezas, sobre o mercado interno, sobre as nossas relações externas.

Os mais velhos devem se lembrar que, segundo a mídia, o Brasil não tinha petróleo.

Agora mesmo, em voz casada os setores mais dependentes e integrados aos interesses multinacionais de nossa burguesia industrial, financeira e agrária, a mídia ergue as bandeiras antiMercosul, anti-Brics, pró-acordos bilaterais com os Estados Unidos e União Européia, pela ressurreição da Alca, da Teoria da Dependência, da Doutrina Truman, sabe-se lá que passo atrás mais.

A regulação da mídia é vital como a água à terra, como o oxigênio à vida. Porque a mídia monopolista é parte integrante de nossas elites econômicas, políticas, sociais, culturais. E as nossas elites fracassaram miseravelmente na construção de um país desenvolvido, pacífico, culto, justo e solidário.

Porque a mídia monopolista é conivente, quando não cúmplice, com o preconceito, o racismo, a discriminação, a violência contra os trabalhadores, contra os negros, os pardos, os pobres, contra os índios.

Porque a mídia monopolista é indiferente, quando não conluiada com a violência que abate, anualmente, mais de cem mil brasileiros, vítimas da repressão policial, da insegurança urbana e rural, do tráfico de drogas e do crime organizado. Dos acidentes de trabalho, dos atropelamentos no trânsito.

Porque as policias brasileiras estão entre as mais letais do mundo, e a mídia empresarial e monopolista estimula e afiança essa violência à medida que não a investiga, não a denuncia e não a combata. E, com frequência, a enalteça, contribuindo para apertar o gatilho dos executores.

A regulação da mídia é urgente e obrigatória porque a mídia monopolista e empresarial colabora e associa-se com a política de concentração de rendas que faz do Brasil um dos países mais desiguais e injustos do Planeta Terra.

Porque o imposto sobre fortunas, corriqueiro nos países mais desenvolvidos, tem da parte da mídia uma oposição fundamentalista e até mesmo rancorosa. Porque a inexistência desse imposto favorece ainda mais a concentração de rendas e o acúmulo de fortunas fantásticas, e relaciona alguns detentores de concessões públicas de televisão e rádio, como os irmãos Marinho, entre os bilionários mundiais.

A regulação da mídia é uma medida sanitária, de emergência pública.

Porque a mídia é omissa em relação à sonegação e às fraudes fiscais — quando não a pratica — e acoberta que os super-ricos brasileiros têm a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais. São mais de um trilhão de reais, cerca um terço de nosso PIB, esse mesmo PIB cuja anemia nos últimos anos a mídia, a oposição e a nossa indignada burguesia tanto tem criticado.

O país campeão em concentração de rendas, onde se alarga cada vez mais a distância entre ricos e pobres, é o país que está no G4 das maiores fortunas depositadas em paraísos fiscais. A regulação da mídia é uma medida anticorrupção, porque as denúncias de corrupção que a mídia monopolista faz são seletivas, parciais, incompletas, dirigidas.

Ou não é corrupção as manobras de que a mídia e os bancos se utilizam para sonegar impostos, fraudar o fisco, não pagar imposto sobre a renda ou pagar menos imposto de renda que os assalariados?

Tão ciosa em escarafunchar as fichas sujas de pequenos e médios delinquentes políticos, a mídia não se ocupa em escarafunchar a origem e a propriedade desse mais de um trilhão de reais refugiados em paraísos fiscais. Difícil investigar?

Não. Incômodo? Certamente. À moda norte-americana, alguns veículos passaram a divulgar o tal do “impostômetro”, uma medição presumida de quanto o Estado arrecada. Mas nenhum espaço para a medição, também suposta, da sonegação.

E já que adotamos a moda ianque, deveríamos também adotar a rigorosíssima a legislação norte-americana contra a sonegação.

A regulação da mídia é um ato de defesa do trabalho, do emprego e do salário. Porque a mídia monopolista defende, com radicalismo cada vez maior, o ponto de vista do mercado, do capital financeiro, da elite econômica que prega a adoção de medidas contracionistas que levarão ao desemprego, ao arrocho salarial, ao corte de gastos sociais, à diminuição dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.

A fúria com que a mídia monopolista reagiu à decisão do governo de reduzir os gastos com juros da dívida pública, redimensionando essa excrescência liberal chamada de superávit primário, é reveladora de seu compromisso com o capital financeiro, com os rentistas, e não com os brasileiros.

Senhores e senhores senadores, a mídia monopolista é a quinta coluna dos interesses antinacionais, antidemocráticos, antipopulares.Regular a mídia é salvar o país do atraso, da pobreza, da violência, da desindustrialização, da dependência da exportação de produtos primários, do sangramento da remessa de lucros para o exterior, do esgotamento de seus recursos naturais, da destruição do Estado que zele pelo bem-estar social. Porque a mídia monopolista não está a serviço do Brasil.
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Matemática do ministério: Quantas divisões tem Dilma no Congresso?

Alguém se surpreende com as contradições do Brasil? Acima, um governante “civil”
Logo depois do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 2010, sentei-me em um bar ao lado de Miguel do Rosário, de O Cafezinho. Alertei-o de que Dilma, eleita, faria um governo conservador. Não deu outra: uma das primeiras decisões da presidente eleita foi participar de uma festa da Folha de S. Paulo, jornal que havia publicado a ficha falsa da ainda candidata, em primeira página. Depois, veio o omelete com Ana Maria Braga. E decisões constrangedoras para os defensores da reforma agrária, dos direitos indígenas, do meio ambiente e de outros setores que haviam batalhado por Dilma.

Ao assumir, Dilma não fez mais que repetir o que aprendeu com quem a “inventou” para a política eleitoral, o ex-presidente Lula. Trazer para dentro do governo as dissensões explícitas na sociedade, atuar como mediadora, aplicar o movimento do pêndulo de acordo com a conjuntura. Ora à esquerda, ora à direita. Trata-se de um presidencialismo muito parecido com o parlamentarismo, a partir da constatação de que um presidente sem base de apoio no Congresso, no Brasil, em geral acaba apeado do poder. Real politik.

Por isso, é curioso ver agora gente que se diz “surpresa” com as indicações de Dilma para o ministério. Suponho até que as “reportagens” que leio nos jornais, baseadas em fontes anônimas segundo as quais haveria reação do PT às escolhas da presidente, tenham sido turbinadas. Qualquer observador da cena política brasileira minimamente informado pode se opor às escolhas por motivos ideológicos, mas reconhecerá que Dilma simplesmente está aplicando a matemática eleitoral. Qual é a surpresa de uma pessoa agir de acordo com seu instinto de sobrevivência?

Basta relembrar dois números das eleições recentes para entender: a bancada do PT no Congresso foi reduzida de 88 para 70 deputados. A bancada ruralista, de acordo com a Frente Parlamentar Agropecuária, tem o potencial de atingir 257 dos 513 deputados, ou 50% do Congresso. Além disso, o PMDB não é um parceiro confiável. Mais ainda, estamos diante de uma investigação da Petrobras cujo futuro é impossível prever.

Por isso, do ponto-de-vista de sobrevivência política — friso, da matemática do Congresso —, faz todo o sentido indicar Kátia Abreu, do PMDB, para o ministério.

Quanto ao ortodoxo Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, sempre dissemos neste espaço que, depois da derrota eleitoral por pouco, o que realmente importava à direita era o controle da economia. Quem vai pagar a conta da crise, agora que o jogo ganha-ganha dos mandatos de Lula se esgotou, é o verdadeiro terceiro turno de 2014. Tudo o mais, inclusive o chamado “petrolão”, é subsidiário, uma vez que ficará absolutamente cristalino, em pouco tempo, que as empreteiras brasileiras irrigaram com suas doações e propinas gente de quase todos os partidos, provavelmente menos o PSOL.

Do ponto-de-vista do PT, a solução do imbróglio acima seria uma reforma política capaz, a médio prazo, de reverter o absoluto domínio do Congresso pelas bancadas empresarial, ruralista e evangélica. Porém, com a presidente preocupada com sua própria sobrevivência política, isso não deve acontecer. Pelo mesmo motivo, também não vai haver regulamentação da mídia eletrônica.

Nestas circunstâncias, um plebiscito sobre reforma política poderia servir para politizar a discussão, mas dependendo do que estiver em jogo tem o potencial de representar retrocesso, com o fim do voto obrigatório, a instalação do voto distrital e o endosso de outras posições da direita. Afinal, alguém duvida da militância midiática em defesa das posições conservadoras?

À esquerda, resta a mobilização popular para perder de pouco. Dilma fará o governo do possível diante de limitações políticas e, sobretudo, econômicas. A conjuntura atual me faz lembrar de algo que “aprendi” no Instituto de Educação Ernesto Monte, em Bauru, quando se falava na Revolução de 1932, de uma professora que se orgulhava de seu “paulistismo”. “São Paulo perdeu a guerra, mas venceu”, dizia ela.

A direita perdeu em 2014, mas venceu. Tem maioria no Congresso e um “petrolão” para divulgar na mídia de acordo com seu viés.

Dilma escolheu o núcleo conservador de seu ministério para anunciar primeiro. Tudo indica que, em cargos menos importantes, usará o pêndulo. Em 2018, mais uma vez, o PT em campanha fará uma inflexão à esquerda — de algumas semanas de duração. Este é o caráter de nossa modernização conservadora, que com o Congresso instalado em 2015 será mais conservadora e menos modernizante.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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A ‘reabilitação’ de Paulo Francis

O pai de Jabor, Mainardi et caterva
O noticiário da Petrobras teve um efeito colateral: reabilitou, para muitos, Paulo Francis.

Em discussões jornalísticas, você encontra com frequência a tese de que Paulo Francis, afinal, tinha razão.

É uma bobagem. Ele não tinha razão, e continua a não ter.

Francis, no auge do thatcherismo conservador ao qual aderira, começou há mais ou menos vinte anos a bater na Petrobras e em seus diretores.

Ele queria a privatização da “Petrossauro”, um tema obsessivo em seus artigos na Folha e em suas participações no Manhattan Connection.

Começou, a certa altura, a acusar indiscriminadamente seus diretores de corruptos. A campanha foi feita no mesmo tom que a Veja adotaria anos depois: sem o menor compromisso com provas.

A Petrobras conseguiu processá-lo pela Justiça americana, uma vez que no Manhattan Connection ele acusava os diretores da empresa em solo americano, Nova York.

A Justiça americana, ao contrário da brasileira, não é inoperante ao cuidar de casos ligados à mídia. Pediu provas a Francis.

Ele tinha apenas a garganta, a pena e o veneno. Na iminência de uma indenização que poderia quebrá-lo, ficou atormentado, segundo relatos de amigos, e acabou morrendo do coração.

Francis continua a ser o que foi: o exemplo de um tipo de jornalista que se julga no direito de destruir reputações alheias sem a menor cerimônia.

De certa forma, ele foi o precursor de tantos outros colunistas que as empresas jornalistas recrutaram nos últimos anos, de Diogo Mainardi a Arnaldo Jabor, para citar apenas dois numa multidão.

Nada no atual caso Petrobras redime o horrendo papel de Francis no jornalismo brasileiro, e sua pérfida influência sobre tantos imitadores.

Curiosamente, a teoria de que Francis “vive” encontra eco até em “progressistas”, porque mostraria que a corrupção na Petrobras era viva na era FHC. Foi nos anos de FHC que ele foi processado.

De novo: tolice.

Se você investigar o período, vai notar apenas uma coisa que merece destaque. Naqueles anos, acusações contra a Petrobras jamais a vinculavam ao Executivo.

FHC jamais teve que dar nenhuma satisfação a Francis ou a quem fosse, ainda que tivesse indicado, como manda a Constituição, o presidente da Petrobras, Joel Rennó.

Essa “aproximação” é mais uma das novidades trazidas pela mídia nos anos do PT, com os (maus) propósitos conhecidos.

Quanto a Paulo Francis, continua a ser o que sempre foi: um exemplo a não ser seguido.

Paulo Nogueira
No DCM
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Perguntas e respostas da Operação Lava Jato

Entenda o esquema de cartel e lavagem de dinheiro que pode ter desviado bilhões dos cofres públicos

Youssef e Costa: os principais delatores da Lava Jato
Deflagrada em 14 de novembro, a sétima fase da Operação Lava Jato causou um certo choque pelo ineditismo de seus alvos: executivos de algumas das maiores empreiteiras do Brasil foram parar na cadeia por envolvimento naquele que pode ser um dos maiores escândalos de corrupção da história do País. A ação é o desdobramento de uma investigação que chegou ao público em março e que pode, a depender de seu andamento, levar políticos para a prisão. Abaixo, algumas perguntas e respostas a respeito da Lava Jato.

O que é a Operação Lava Jato?

É uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal a respeito de uma organização criminosa formada por políticos, funcionários públicos, executivos de empreiteiras e doleiros. As empreiteiras distribuíam entre si contratos com órgãos públicos, em especial a Petrobras, mediante o pagamento de propina e desvio de dinheiro público, que era repassado a partidos políticos.

Por que a Lava Jato está na sétima fase, o que aconteceu antes?

A Lava Jato foi deflagrada em 17 de março de 2014 e se concentrava no combate ao crime de lavagem de dinheiro, com foco na atuação do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa era um dos alvos e foi preso em 20 de março. A partir de grampos, documentos apreendidos e dos depoimentos, a PF e o MPF chegaram ao esquema de desvio de dinheiro público. Desde então, conforme avançam as investigações, novas fases da operação são realizadas.

Como funcionava o esquema?

De acordo com o MPF, as empreiteiras se reuniam e decidiam previamente quem executaria cada uma das obras oferecidas pelo poder público. Ao valor da oferta apresentada nas licitações era acrescentado um determinado porcentual, que era desviado para funcionários públicos e partidos políticos. Essa verba era repassada pelas empreiteiras à quadrilha por meio de empresas de “consultoria” ligadas aos integrantes do esquema, “lavando” o dinheiro.

Quem comandava a quadrilha?

De acordo com a PF e o MPF, o doleiro Alberto Youssef era o operador financeiro do esquema, enquanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa era o operador político. Em depoimentos à Justiça, Costa afirmou que o esquema funcionava também em outras diretorias da Petrobras, como Serviços, Gás e Energia, Produção e Internacional. Há suspeitas também de que a quadrilha agia na Transpetro, subsidiária da estatal. Na sétima fase da Lava Jato, um dos presos foi Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras.

Quais empreiteiras faziam parte da quadrilha?

Em novembro, na sétima fase, a Lava Jato investigou executivos de nove empreiteiras: Camargo Corrêa, OAS, UTC/Constram, Odebrecht, Mendes Júnior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa Óleo & Gás e Galvão Engenharia.

Quanto dinheiro o esquema desviou?

Segundo as investigações, o esquema de lavagem de dinheiro investigado originalmente movimentou até 10 bilhões de reais. Não há, por enquanto, informações a respeito de quanto dinheiro público foi desviado. Em despacho divulgado em novembro, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelo caso, afirmou que os danos sofridos apenas pela Petrobras “atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais”. Em março, quando Youssef foi preso, a PF encontrou com ele uma lista de 750 obras que envolviam grandes construtoras e obras públicas.

Por que a maior parte das notícias sobre a Lava Jato envolve só a Petrobras?

Porque toda investigação precisa de um foco e a apuração da PF e do MPF teve início com Youssef e Paulo Roberto Costa. À medida que mais informações forem obtidas por esses órgãos, a investigação deve ser ampliada. Ainda que o foco esteja na Petrobras, outras empresas públicas já apareceram nas investigações, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma das principais concessionárias de energia elétrica do Brasil, que teria firmado contrato com uma empresa de fachada pertencente a Alberto Youssef.

Quem foi beneficiado pelo esquema?

Até aqui, depoimentos de Costa e Youssef indicam que o dinheiro repassado a partidos políticos serviu para irrigar os cofres de PT, PMDB e PP. Segundo as declarações de Costa à Justiça Federal, no caso do PT quem recebia e distribuía o valor era o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. No caso do PMDB, o operador seria Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”.

Paulo Roberto Costa também afirmou que intermediou o pagamento de 20 milhões de reais para o caixa 2 da campanha do então candidato à reeleição ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2010. Outro nome citado é o da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), cuja campanha ao Senado, segundo Costa, recebeu 1 milhão de reais do esquema de desvios da estatal.

Outro envolvido no esquema seria o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, morto em março deste ano. Segundo Paulo Roberto Costa, ele teria pagado propina a Guerra em 2009, para que ele esvaziasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretendia esclarecer as denúncias de corrupção na Petrobras. Segundo Costa, Guerra o procurou e cobrou 10 milhões de reais para que a CPI, aberta em julho de 2009, fosse encerrada. O pagamento, que teria sido feito depois do encerramento da CPI, teria sido feito pela Queiroz Galvão. Além disso, Leonardo Meirelles, um dos donos do Labogen, laboratório usado por Youssef para lavar dinheiro ilegal, disse acreditar que "o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto" foram beneficiados nos desvios de dinheiro da Petrobras.

Todos os partidos e políticos citados negam envolvimento no esquema.

Desde quando existe o esquema?

O Ministério Público Federal afirma que o esquema de cartel das empreiteiras em obras da Petrobras existe há pelo menos 15 anos. “Muito embora não seja possível dimensionar o valor total do dano, é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras" escreveram os procuradores na petição em que pedem autorização para a deflagração da sétima fase da Operação Lava Jato.

As indicações para as diretorias da Petrobras são políticas?

Sim. Paulo Roberto Costa, por exemplo, foi indicado pelo PP para a Diretoria de Abastecimento da estatal. Em um de seus depoimentos à Justiça Federal, Costa contou desde quando isso ocorre: "Desde que eu me conheço como Petrobras, as diretorias da Petrobras, e a presidência da Petrobras foram sempre por indicação política. Eu dava sempre o exemplo (...) ninguém chega a general se não for indicado. Você, dentro (...) das Forças Armadas, [se não tiver indicação] você para como coronel e se reforma como coronel. Então, as diretorias da Petrobras, quer seja no governo Collor, quer seja no governo Itamar Franco, quer seja no governo Fernando Henrique, quer seja nos governos do presidente Lula, foram sempre por indicação política, e eu fui indicado, realmente, pelo PP, para assumir essa Diretoria de Abastecimento".

Existe alguma relação entre a Lava Jato e o "mensalão"?

Assim como o "mensalão", a Lava Jato é uma nova tentativa de entender a promíscua relação entre partidos políticos, doações eleitorais e licitações milionárias. Até aqui, a relação entre os dois casos se dá pelo fato de que Youssef, segundo o MPF, lavou 1,16 milhão de reais repassados pelo empresário Marcos Valério, operador do "mensalão", a José Janene (PP-PR), então líder do PP na Câmara e um dos réus do "mensalão". Além disso, a corretora Bonus-Banval, citada na denúncia do "mensalão" como uma das empresas usadas para lavar dinheiro, é apontada como pertencente a Alberto Youssef.

Qual é o futuro da Lava Jato?

Os processos e investigações referentes à Lava Jato seguirão em duas mesas distintas. Enquanto o juiz federal Sérgio Moro continua com suas diligências em Curitiba a fim de provar o esquema criminoso envolvendo as empreiteiras, doleiros e empresas públicas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, debruça-se sobre as provas para, perante o STF, conduzir a investigação dos detentores de foro privilegiado, os políticos.

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Céus!

Essa lambança da Petrobras com as empreiteiras e suas possíveis últimas consequências na economia e na própria história do país me lembraram o caso do amante no armário.

Pois diz que a mulher estava na cama com o amante quando ouviu o ruído do marido que chegava de São Paulo. Ele tinha tomado um voo mais cedo da ponte aérea e, como se sabe, voos adiantados da ponte aérea são as principais causas de flagrantes de adultério no Rio.

— Céus, meu marido! — disse a mulher.

— O quê?!

— O armário, rápido!

— Mas...

— Entre no armário! Entre no armário!

O amante entrou no armário segundos antes de o marido entrar no quarto. E perguntar:

— Com quem você estava falando?

— Por que você chegou mais cedo?

— Eu ouvi vozes aqui dentro.

— Era a televisão.

— Nos não temos televisão no quarto.

— Não mude de assunto. Por que você chegou tão cedo?

Mas o marido já se dirigia para o armário, que tremia. Abriu a porta do armário e deu de cara com o amante. Durante quase um minuto, nenhum dos dois falou. Ficaram se encarando em silêncio até que o marido disse:

— Vou ter que bater em você.

— Eu entendo, mas pense bem no que vai fazer — disse o amante. — Você pode machucar suas mãos. Ou eu posso reagir e bater em você também. Aí seria uma briga feia e nós dois nos machucaríamos. Acabaríamos num hospital. E pior seria o ridículo. Amante dentro do armário. Marido descobre. Mulher grita “céus!” Uma cena de comédia pastelão de péssimo gosto. De quinta categoria. O que você me diz?

— É... — disse o marido, indeciso.

— Nós queremos isso? Não queremos. Outra coisa: você vai ter que pedir divórcio. Pense na incomodação. Nos custos. Advogados etc. E na repercussão. Vão acabar descobrindo que a separação se deu porque você foi corneado. Isso sem falar nos traumas para as duas famílias, a sua e a dela. E, pensando bem, você é o culpado por esta situação. Tinha que voltar de São Paulo mais cedo?

— O que você sugere que se faça?

— Faz de conta que isto nunca aconteceu. Eu não estou aqui. Você chegou de São Paulo mais cedo e sua mulherzinha o esperava na cama. Tudo em paz. Tudo normal. Estaremos evitando o ridículo e salvando um casamento. E ninguém vai ficar sabendo!

Combinaram que o amante recolheria sua roupa, seus sapatos e iria embora.

Antes de sair do quarto, o amante ainda ouviu o marido dizer:

— Brigadão, hein?

Luís Fernando Veríssimo
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O “estagiário” da Globo apronta mais uma…


O incansavelmente bem humorado Stanley Burburinho pegou mais uma “arte” do que ele chama de “estagiário” da Globo encarregado de fazer os infográficos usados na Globonews.

Desta vez, com um índice de 4,7% de desemprego que “vira”, no gráfico, quase igual a um de 6,7% e bem maior que outros, de 4,8 e de 5,7%.

Parece que o “estagiário” gostou daquela história da margem de erro de “mais ou menos dois por cento”

Em janeiro, repare no detalhe da imagem, já havia feito prodígios com a nossa taxa de inflação.

Mas é claro que isso é sempre casual.

Honi soit qui mal y pense.

Maldito seja quem vir nisso maldade, como já mandava bordar em seu manto D. Pedro, com o dístico da sua Ordem da Jarreteira.

O mais provável é o obvio: apenas um erro.

Mas contra o Governo e pelo “mau-humor” econômico, erro vira “acerto” na boca dos agourentos comentaristas.

A coisa já foi melhor no “padrão Globo de qualidade”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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'Colonista' da Globo chama eleitor de Dilma de corrupto

Cúmplice de corrupção corrupto é.


Na Globo, como se sabe, tem 'colonista' que pensa que é o Paulo Francis e chama os nordestinos de bovinos.

Na Globo tem a Cristiana Globo, que chama o Governo Dilma de “eles”, a Urubóloga, o Jabor, o Traaack (segundo a Severina, amiga navegante), a Entre Caspas, e todos os que se encaixam na frase do Mino “no Brasil os jornalistas são piores que os patrões”.

Por exemplo, o 'Ataulfo Merval' e o Gilberto Freire com “i”.

E tem o Alexandre Garcia, que, aqui no Conversa Afiada, ficou internacionalmente conhecido como Alexandre Maluf Garcia.

Em priscas eras, na sucessão do Presidente Figueiredo, Maluf Garcia, diretor da TV Manchete em Brasília, militava abertamente — e com a cumplicidade dos donos — na campanha do Maluf.

Primeiro, contra Andreazza.

Depois, contra o Tancredo.

Na Manchete, ele se notabilizou com um quadro para desmoralizar o Congresso (e enaltecer os militares).

O quadro chamou a atenção de Antonio Carlos Magalhães, que o recomendou ao Dr Roberto (cujos filhos não têm nome próprio).

Ele tentou reproduzir o quadro no 'Fintastico'.

Foi um malúfico (não toque, revisor, por favor) fracasso.

Hoje, ele se recolhe à insignificância de 'colonas' no 'Mau Dia Brasil' (em vias de extinção, ou enxugamento progressivo) e esses comentários raivosos no rádio:

Alexandre Garcia critica eleitores de Dilma e causa mal-estar na Globo

Um comentário feito pelo jornalista Alexandre Garcia em uma rede de emissoras de rádio na semana passada está causando um tremendo mal-estar na Globo. O comentarista afirmou que os “53 milhões de eleitores” que votaram em Dilma Rousseff são “cúmplices” da corrupção na Petrobras, porque as denúncias envolvendo a estatal são conhecidas desde o início do ano. Na Globo, o comentário foi visto como agressivo, exagerado e inoportuno.

Jornalistas avaliam que a opinião de Garcia foi um “tiro no pé” e afeta a imagem da emissora mesmo não tendo sido feito na TV, afinal, ele é conhecido e só tem programete em rádio porque é “o Alexandre Garcia da Globo”. Em um momento de luta contra a queda da audiência, não ajuda em nada agredir 53 milhões de telespectadores.

O comentário mais comum nos bastidores da Globo é o de que esse tipo de opinião vai formando uma imagem de que a emissora só tem comentarista e apresentador raivoso de direita: Alexandre Garcia, Merval Pereira, Miriam Leitão e William Waack.

No rádio, Garcia comentava a prisão de Fernando Baiano e Adarico Negromonte pela operação Lava Jato. Ele lamentou ainda não ter saído a ordem de prisão do tesoureiro do PT. “Enquanto isso, é bom que se diga, de novo: 53 milhões de eleitores aprovaram tudo isso e 39 milhões de eleitores lavaram as mãos. Já estava tudo sabido pelos jornais, pelo rádio, pela televisão, desde janeiro, e depois na campanha política. Então, não me venham dizer que não são cúmplices”, afirmou.

Garcia foi ainda mais claro ao encerrar o comentário: “Nunca na história desse país houve tanta corrupção, e aprovada por 53 milhões mais 39 milhões de Pilatos, de cúmplices”. Na verdade, Dilma Rousseff teve 54,5 milhões de votos no segundo turno. Os outros 39 milhões a que ele se refere são algo próximo da soma dos que se abstiveram ou votaram nulo ou em branco.

(…)



No CAf
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Nem golpe, nem chantagem: a redenção dos derrotados


Não há possibilidade objetiva para nenhum golpe ou terceiro turno contra Dilma porque não há apoio internacional, o que é imprescindível para ações antigoverno. Os EUA não vão se arriscar a prejudicar a parceria mais estratégica do hemisfério

Muita gente aparenta estar preocupada, assustada ou, pelo menos, incomodada com as manifestações de ódio e até com as especulações e pedidos de impedimento da presidenta.

Mas, o blefe não pode ser visto assim, porque o resultado improvável dos golpistas é menos importante que seus efeitos indiretos para a determinação do novo governo: trata-se de uma estratégia orquestrada para minimizar o impacto da vitória do PT e provocar a esperada acomodação conservadora que sempre se instaura com a derrota das elites.

Não, não há condições e não haverá terceiro turno. As eleições acabaram e o que está em jogo neste momento é qual será a direção do novo governo.

Não existe possibilidade objetiva para nenhum golpe. Em primeiro lugar porque não há apoio internacional e isso é pré-condição fundamental para qualquer ação antigoverno. Embora pareça jargão, é fato: se não há apoio dos Estados Unidos, não há condições materiais para o golpe.

E por que não há apoio dos EUA?

Em primeiro lugar, o próprio presidente Barack Obama obrigou-se a rapidamente dizer em público que reconhecia a democracia brasileira, parabenizou a presidenta reeleita e reconheceu o resultado das urnas.

Ou seja, dizia aos seus (aos investidores que têm dinheiro no Brasil) que qualquer aventura não contará com o arsenal ou o endosso do governo dos Estados Unidos.

Depois de atuarem fortemente nas eleições, apoiando no submundo da informação e do mercado e favorecendo um ou dois candidatos da direita, reconheceu a derrota e agora vai tomar sua clássica medida pragmática de minimizar possíveis perdas.

Fora o reconhecimento do atual governo, não há alternativa aos EUA. Apoiaria um impedimento da presidenta no Brasil ou um golpe civil ou militar se houvesse condições de vencer.

Mas, a qualquer indicação de que o governo Obama não iria reconhecer os resultados eleitorais do Brasil, China, Índia e Rússia fatalmente não vão se calar. O BRIC não silenciaria, diante dessa ação imperialista.

Reunidos no Brasil em agosto deste ano, duas medidas foram inéditas e fundamentais para a garantia de novas parcerias estratégicas que ressaltaram a soberania brasileira e sua independência: acordos de desenvolvimento de tecnologia próprios em segurança e defesa e o Banco dos BRICs, com a maior carta de crédito do mundo.

Foi, sem dúvidas, a maior vitória da política externa do governo Dilma em termos de resultados.

E não se trata de oposição aos EUA. Mas, de equilíbrio de poder.

Os EUA não vão bater de frente em uma aventura contra o Brasil. Sua avaliação agora é que se tencionar a relação podem ficar fora do jogo e perder a mais importante parceria estratégica do hemisfério americano.

Já avaliaram e sentenciaram que não existe essa condição de reverter o quadro e o próprio Obama já tratou de mudar a estratégia, do confronto à fraternidade.

Somado a esse fato, respiraram aliviados Mujica, Kirschner, Bachellet, Morales, Santos, Corrêa e Maduro, pelo menos.

Não se trata de bolivarianismo como branda a direita torpe. Mas houve, sim, o autonomismo tomando conta da região, depois da onda neoliberal dos anos 1990, que reivindicava a retomada do desenvolvimento tirado da América do Sul pelo Consenso de Washington. Por isso, tantos bastidores americanalhados nestas eleições.

Com as atitudes ligadas ao desenvolvimento nacional e autônomo por parte do governo, os militares no Brasil se deram por satisfeitos.

Mesmo que incomodados com as comissões da verdade, sabem que o apoio dos EUA custa sempre muito caro e as parcerias com Rússia, China, Índia, União Europeia e Mercosul são estratégicas ao Brasil. Se tem uma coisa que os militares concordam com o PT é em termos de segurança, defesa e política externa.

Ambas as forças debandadas, isolaram-se em seu palavrório as elites brasileiras.

Os investidores nacionais que perderam dinheiro com a derrota da oposição agora tentam convencer os investidores estrangeiros a retirar seu dinheiro do País, mas o próprio Banco Mundial hoje deu sinais de que não vai entrar na onda conspiratória e reforçou sua posição de que o Brasil é um bom lugar para investimentos.

Entre sangrar a economia brasileira para compensar a derrota nas urnas e a urgência de ocupar posições antes que China e Rússia o façam, a elite internacional já se decidiu.

De qualquer modo, a estratégia do choque e do terror é o último suspiro dos derrotados. Se não der certo, pode dar algum resultado. A ação se sustenta na teoria do choque: para vencer o inimigo e mudar a tendência da história, nada melhor que começar a disputa com um choque.

O choque neutraliza, imobiliza, trava e enquanto isso você tem momentos preciosos para a ação. O primeiro estrago de qualquer bomba é o barulho. Então, não é por nada que se faz muito barulho. Que já tem seus primeiros termos: é preciso acalmar o mercado.

Todavia, pensando objetivamente e afastadas todas as distopias do terror: a disputa foi vencida por um discurso de esquerda. A oposição não perdeu um jogo, não perdeu uma aposta, não perdeu uma guerra, perdeu a eleição de seu modelo.

E não existe nenhuma racionalidade no fato de que mesmo derrotados os agentes do mercado determinam as políticas econômicas. Além disso, Dilma só venceu porque reconheceu que precisa avançar em direção à ampliação da cidadania e isso implica hoje reduzir vários privilégios de setores parasitários.

Portanto, enquanto as negociações durarem, o clima de instabilidade é estratégico para a direita.

Mas, a mobilização das forças progressistas que ainda permanecem no pós-eleitoral é o antídoto a qualquer choque de gestão.

E isso tem mostrado que, de fato, ainda estamos no momento mais radicalizado no Brasil desde 1989 – assim: bastante delicado. Mas, entre as coincidências e os desencontros históricos, é preciso fazer valer que, desta vez, a eleição foi ganha pelo PT.

Luís Fernando Vitagliano, cientista político e professor universitário
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Os títulos do jornal Libération



O jornal francês Libération é famoso por seus trocadilhos nas manchetes.

A edição desta segunda, 24 de novembro, tratando da disputa interna na UMP, partido de direita, que se encaminha para a realização de sangrentas primárias entre o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-ministro Alain Juppé, traz este título:

“É a luta primária”.

Trocadalho do carilho ou sacada genial?
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Governo novo, ideias velhas

Nem no seu nascimento o PT se pretendia um partido revolucionário, na acepção clássica do termo. Nem sequer reformista, nos moldes da social democracia do século passado. No máximo poderia ser caracterizado como um partido reformador.

Espaço existia, como prova a história: num país com desigualdades tão acentuadas como o Brasil, uma legenda reivindicando ser porta-voz dos trabalhadores e tendo em seu programa a luta, mesmo genérica, contra abismos sociais, conseguiu a proeza de emplacar quatro mandatos seguidos na direção do Planalto. Mas a fórmula não é eterna.

Impossível escapar. A política de agradar a Deus e ao Diabo encontra seus limites no sistema capitalista embora no Brasil nem tarefas democráticas básicas, como a reforma agrária, ainda tenham sido cumpridas.

Mesmo com todas estas condicionantes, o triunvirato econômico que se dá como fechado para o próximo governo extrapola os limites da moderação. Na fase final da campanha, Dilma Rousseff abraçou o slogan de governo novo, ideias novas. Nada mais velho e cheirando a mofo do que os nomes aparentemente indicados para o núcleo duro da economia.

Não por acaso Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini são comemorados pelo chamado mercado — aquele ente supostamente imaterial que afogou o planeta numa das maiores crises da história contemporânea.

Levy tem uma história vinculada ao "caixa": sua obsessão confessa é fazer o azul superar o vermelho, seja em que sentido for. Sua visão dispensa maiores preocupações com os custos sociais das fórmulas matematicamente "elegantes", capazes de levar a banca, grande capital e um setor da academia ao êxtase e ao mesmo tempo disseminar o desespero na maioria que possui pouco ou quase nada.

Barbosa e Tombini têm pouco a apresentar aos milhões que votaram na presidenta. São figuras miúdas, ideais para compor um time suscetível à pressão do mais forte. Moldáveis ao gosto do freguês.

Como brinde, anuncia-se a nomeação de Kátia Abreu para a Agricultura. Ainda não se sabe direito se é apenas um balão de ensaio ou um fato consumado. Confirmada a segunda hipótese, a coisa assume ares de provocação para uma parcela destacada dos que reconduziram Dilma ao Planalto.

Esta é a questão de fundo, aliás. Nos seus primeiros sinais, a administração vindoura parece ignorar as condições de sua vitória. Na eleição mais disputada dos últimos anos, o PT teve que recorrer às raízes profundas do partido, mantidas sob sedativos por anos de adaptação de fatias da legenda a benesses do poder. O apelo foi respondido com um triunfo inquestionável sobre a ofensiva conservadora.

Era de se esperar dos vencedores medidas no mesmo sentido. Todos percebem que a economia anda aos trancos e barrancos, fruto de uma crise mundial que não poupa ninguém e também da timidez do governo em aprofundar um caminho de ruptura com modelos vigentes. Some-se a isto o pessoal que aposta na profecia que se autorrealiza, entre os quais um setor importante do empresariado. A turma do "não investimos porque o país não vai crescer, e não crescemos porque deixamos de investir".

Longe de qualquer observador equilibrado esperar rupturas bruscas, mas sim de enxergar um horizonte que mantenha e aprofunde as conquistas sociais. Salvo pela existência de uma bem guardada carta na manga, impossível de se vislumbrar até agora, o novo governo vem andando na contramão do que prometeu. Um jogo mais do que perigoso.

Ricardo Melo
No fAlha
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Sérgio Porto # 54


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Essa é do Barão... 112


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