23 de nov de 2014

Operação abafa está varrendo petrolão tucano para debaixo do tapete

As investigações da operação Lava Jato são só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa.

Primeiro, foi o mensalão. Agora, é o "petrolão". Em ambos os casos, o esquema de desvio de dinheiro público foi inventado desde o governo tucano de FHC — pelo menos —, mas só descoberto quando vieram os petistas.

Estamos aguardando Aécio Neves, que além de Senador é agora comentarista político do Jornal Nacional, aparecer no estúdio para confessar que continua com a ideia fixa de que tudo o que o PT fez e ampliou começou com FHC.

Há gente muito otimista quanto ao desfecho do atual escândalo, na linha de que não sobrará pedra sobre pedra e que todos serão tratados igualmente pela Polícia Federal do Paraná, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Poderíamos citar Dante e sua Divina Comédia para recomendar a todos que deixem a esperança na porta, ao entrar; mas a situação combina mais com o bordão do compadre Washington (aquele do "sabe de nada, inocente").

Pouco adianta a constatação do Ministério Público de que o esquema que assaltou a Petrobras existe há pelo menos 15 anos.

Se não houver a devida investigação para dar nome aos bois do período FHC, a constatação cai no vazio — ou melhor, na impunidade.

O problema não é se vai sobrar pedra sobre pedra, mas para onde serão dirigidas as pedradas, se é que alguém ainda tem alguma dúvida.

A apuração feita pela Operação Lava Jato não é neutra. Os investigadores da PF encarregados do caso não são neutros, muito pelo contrário.

A maioria é formada por um grupo de extremistas que foram flagrados em redes sociais vomitando comentários raivosos e confessando suas opções partidárias.

Se dependermos dessa gente diferenciada, não teremos Estado de Direito, mas Estado de direita.

O Código de Ética da associação nacional dos delegados da PF proíbe a seus membros a manifestação de preconceitos de ordem política. Mas alguém acha que esses vão sofrer qualquer reprimenda?

Alguém imagina que os deslizes, considerados ao mesmo tempo graves e primários por gente séria da própria PF, terão a punição que foi aplicada ao ex-delegado Protógenes Queiroz, que cometeu o crime hediondo de prender um banqueiro?

O PSDB tem sido zelosamente preservado nessa "investigação" que deveria feita na base do doa em quem doer. Balela.

A operação Lava Jato é só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa.

O senador Álvaro Dias e o deputado Luiz Carlos Hauly, ambos tucanos do Paraná, citados por delatores, até agora estão absolutamente preservados.

O nome de Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, já falecido, apareceu menos como uma revelação do que como um "boi de piranha". Guerra já não pode confessar nada nem sob tortura.

PT e PMDB têm seus operadores. O PSDB também, mas onde estará o infeliz? Certamente, por aí, limpando sua conta e seus rastros.

Quase metade da lista de políticos citados pelos delatores é formada por apoiadores da campanha de Aécio Neves em 2014 (confira aqui).

A sina persecutória dos delegados paranaenses chegou ao ponto de incriminar o atual Diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, sem qualquer prova, sem sequer testemunho. O crime do diretor estava apenas na pergunta dos investigadores.

Até mesmo um ex-diretor da PF nomeado por FHC considerou o episódio contra Consenza o cúmulo do absurdo, conforme relatado pelo jornalista Ilimar Franco em sua coluna.

Isso não se faz, a não ser com segundas e terceiras intenções. Não foi erro material", como os investigadores alegaram, nem mera trapalhada, foi obra do comitê eleitoral da campanha tucana de terceiro turno.

As tartarugas do ministro da Justiça

Das duas tartarugas que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tinha que cuidar, uma já fugiu; a outra está escondida debaixo de seu nariz.

A defesa da autonomia da Polícia Federal, que é de uma obviedade gritante, não resolve uma dúvida crucial: a PF do Paraná tem autonomia para varrer a sujeira do PSDB para debaixo do tapete, ao sabor da preferência partidária de alguns investigadores?

Está claro que o comando da PF no Paraná tem autonomia suficiente para não ser aparelhada pelo PT, nem pelo PMDB, mas pode gozar de autonomia para ser aparelhada pelo PSDB?

Se depender do ministro Cardozo, claro que sim — é para isso que serve a autonomia — para que qualquer órgão público faça o que bem entender, com base nas conveniências de seus servidores.

Por sorte, ao alargarem o tamanho do escândalo, para que ganhasse ares superlativos — suficientes para serem aproveitados por uma oposição que, incapaz de ganhar eleições presidenciais, só vê saída no impeachment —, os investigadores cometeram um erro crasso. Comprometeram todo o sistema político. Excelente ideia.

A rigor, todo aquele que recebeu doações de qualquer dos envolvidos no escândalo deveria ter seu mandato cassado.

Considerando que a Polícia Federal paranaense chegou à conclusão de que não existe almoço grátis, de cada 10 parlamentares eleitos, pelo menos 4 deveriam ser impedidos de assumir o mandato. Agora, ou vai ou racha.

A investigação que Gilmar Mendes determinou que se faça contra as contas da campanha de Dilma, com uma força tarefa formada por TCU, Receita Federal e Banco Central, deve ter uma similar para Aécio e todos os demais candidatos, à exceção dos do PSOL, PSTU e PCO - os únicos que se livraram do pavoroso expediente de receber "doações" de empresas.

É uma pena que o anticomunismo dos investidores encarregados da operação os impeça de chegar à conclusão, em seu relatório, de quem ninguém presta na política nacional, salvo os comunistas. Todos os demais partidos, nessa lógica, estão infestados de ladrões.

Se negarem vinculação com o PSDB e continuarem a recusar simpatia aos comunistas, aos delegados paranaeses restará apenas o movimento Punk — se for essa a opção, contarão doravante com meu respeito.

Anedotário do Gilmar

Em qualquer escândalo, quem quer desviar para longe o faro da impensa precisa dar carne aos leões. Só assim se consegue conduzir o olhar para longe de quem se quer proteger e em direção a quem se quer atacar.

Pela milésima vez, uma operação-abafa é feita para esconder a sujeira da corrupção praticada pelo PSDB para debaixo do tapete, tal como foi feita com os mensalões do PSDB e do DEM, com o apoio do oligopólio midiático.

No STF, o ministro Gilmar Mendes vai na mesma linha. Mantém trancada há sete meses uma decisão que já conta com maioria do STF para abolir o financiamento empresarial de campanhas. Com Natal, Ano Novo e Carnaval, a decisão sequestrada por esse pedido de vistas fará aniversário em breve.

Não satisfeito, o ministro ainda se deu ao luxo de nos brindar com a piada, contada com sua voz de coveiro, de que o mensalão deveria ter ido para o juizado de pequenas causas.

A gracinha ocupou as manchetes como se fosse um desabafo, quando não passa de deboche com as instituições.

O anedótico Gilmar Mendes finge que o problema não é com ele, nem com o financiamento de privado, nem com empreiteiras, nem com corruptos que são sócios de políticos e partidos. O único problema — dele, pelo menos — é com o PT. O resto pouco importa.

No exato momento em que Gilmar fazia sua graça, a segunda tartaruga sob os cuidados de José Eduardo Cardozo fugia velozmente em plena Esplanada dos Ministérios.

Enquanto isso, tucanos e democratas continuam se fazendo de freiras castas pregando no bordel, mas sem dispensar as notas dobradas das empreiteiras, presas em suas apertadas calcinhas.

Mas que fique bem claro: não são calcinhas vermelhas, são pretas. Aí pode, sem problema.

Antonio Lassance
No Carta Maior
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Por que tantas especulações em torno de Toffoli?

Teoria conspiratória?
Só o Sombra sabe o que se passa no coração dos homens, dizia uma antiga história em quadrinhos.

Isto posto,  fora o Sombra, ninguém tem condições de dizer o que se passa no coração de Dias Toffoli, do STF — exceto ele mesmo.

Essa pergunta ganhou vulto nas últimas semanas, depois que Toffoli foi colocado no  centro de uma alegada conspiração para derrubar Dilma no tapetão.

O maior propagador dessa tese é o jornalista Luiz Nassif, segundo quem Toffoli estaria aliado a Gilmar Mendes e a Sergio Moro, o responsável pela operação Lava Jato.

Respeito e admiro Nassif, em quem reconheço um pioneirismo no jornalismo digital alternativo à grande mídia, mas não consigo ver sentido nessa suposta conspiração.

Gilmar é Gilmar, um juiz que se guia por intensa raiva do PT, mas Toffoli parece ser de outra natureza.

Colunistas conservadores sempre o criticaram por conta de antigos laços com o PT, embora ele tenha tido mão pesada, como todo o STF no conjunto, no julgamento do Mensalão.

Toffoli, que além de pertencer ao Supremo é presidente do TSE, foi incluído no suposto complô por causa de sua atitude na questão das contas de Dilma.

O exame das contas estava entregue a um juiz do TSE que se aposentou. A substituição deveria ter sido providenciada por Dilma, mas ela viajou para a Austrália para a reunião do G-20.

Toffoli não esperou que Dilma voltasse, e sorteou um novo relator para examinar as contas. Deu Gilmar, que como Toffoli acumula o Supremo e o TSE.

É verdade que foi um tremendo azar: Gilmar, é claro, fará tudo para enxergar problemas graves nas contas de Dilma.

Mas, concretamente, do que pode ser acusado Toffoli? Em essência, ele cumpriu sua obrigação no TSE. Apenas não esperou Dilma.

Mas por que haveria de esperar?

É virtualmente impossível imaginar Toffoli e Gilmar juntos em qualquer coisa que fuja das atividades em comum que têm no Supremo.

Agora mesmo: Toffoli tem defendido vigorosamente o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, e Gilmar está do lado oposto.

Há meses Gilmar segura uma emenda que trata exatamente desse assunto.

De resto, a tese do golpe fraqueja também no seguinte. Gilmar é apenas um voto entre sete integrantes do TSE.

Ainda que ele crie problemas, faltariam mais três votos para reprovar as contas.

Não parece haver clima para golpe jurídico de nenhuma natureza. Até porque o Supremo, por onde o processo teria forçosamente que passar, tem o comando sereno e equilibrado de Lewandowski, um juiz que nada tem da inconsequência perigosa de Joaquim Barbosa.

As especulações em torno de Toffoli parecem estar ligadas sobretudo à polarização que divide o país e pode criar fantasmas do que a qualquer outra coisa.

Só o Sombra sabe o que se passa no coração dos homens, repito.

Mas, feita esta ressalva, Toffoli não está  fazendo nada além de cumprir suas obrigações de presidente do TSE.

Paulo Nogueira
No DCM
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Deputado Rogério Correia (PT), denuncia golpe: ”A Veja é bandida!”


Dep. Rogério Correia (PT) fala de golpe da Veja na véspera das eleições 2014 e diz que Aécio comprou instituto para fazer pesquisa falsa. Durante o plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no dia 28 de outubro de 2014, terça-feira, o deputado estadual Rogério Correia (PT) denunciou o golpe da revista Veja às vésperas das eleições presidenciais e chamou a atenção para a importância da regulação dos meios de comunicação no Brasil.

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Nota de Esclarecimento

Em relação à publicação do jornal o Estado de São Paulo deste domingo que relata supostas acusações do sr. Paulo Roberto Costa dirigidas a mim em delação premiada, afirmo que:,

1. Todas as doações de campanha que recebi na minha candidatura ao senado em 2010 foram feitas de forma legal, transparente, devidamente declaradas e registradas em minha prestação de contas à justiça eleitoral e inteiramente aprovadas, estando disponíveis a quem queira acessá-las;

2. Assim, nego veementemente ter pedido a quem quer que seja que solicitasse qualquer doação de campanha ao sr. Paulo Roberto;

3. Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha;

4. Mais inverossímil ainda é a versão de que se o sr. Paulo Roberto não tivesse autorizado tal doação, correria o risco de ser demitido, como se eu, à época sem mandato e tão somente candidato a uma vaga ao Senado, tivesse poder de causar a demissão de um diretor da Petrobrás;

5. Causa espécie o fato de que ao afirmar a existência de tal doação, o sr. Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido;

6. Conheci o sr. Paulo Roberto em 2004 e minha relação com ele se deu no campo institucional, no processo de implantação da refinaria de petróleo em Pernambuco, do qual participei assim como vários políticos, empresários e representantes de outros segmentos da sociedade pernambucana o fizeram;

7. Conheço e sou amigo de infância do sr. Mário Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (ASSINPRA), que também foi partícipe da mesma luta pela refinaria. Porém, em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos ao Sr. Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010.

8. Tenho uma vida pública pautada pela honradez e seriedade, não respondendo a qualquer ação criminal, civil ou administrativa por atos realizados ao longo de minha vida pública;

9. Sou defensor da apuração de todas as denúncias que envolvam a Petrobras ou qualquer outro órgão do Governo. Porém, entendo que isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas. O fato de o sr. Paulo Roberto estar incluído em um processo de delação premiada não dá a todas as suas denúncias o condão de expressar a realidade dos fatos.

10. Aguardo com absoluta tranquilidade o pronunciamento da Procuradoria-Geral da República sobre o teor de tais afirmações, ocasião em que serão inteiramente desqualificadas. Quando então, tomarei as medidas cabíveis.

11. Informo ainda que me coloco inteiramente à disposição de todos os órgãos de investigação afetos a esse caso para quaisquer esclarecimentos e, antecipadamente, disponibilizo a abertura dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

Recife, 22 de novembro de 2014,

Humberto Costa
Senador da República
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“Mostra fotos do filho para ela chorar”: a brasileira Maria, Regina Casé e a Globo

Maria e Casé a Globo, nos dias de comoção pela morte do dançarino DJ
Um vídeo comoveu as pessoas neste final de semana nas redes sociais.

A estrela é Maria, mãe do dançarino DJ, assassinado pela polícia do Rio há alguns meses.

Num debate sobre questões dos negros, ela falou sobre a maneira como a mídia tratou a morte de seu filho.

Mais especificamente, a Globo e Regina Casé. Regina Casé comanda o Esquenta, programa da Globo no qual DJ fazia algumas participações.

Não impressiona a forma como a Globo e Regina Casé exploraram a dor de Maria.

No calor da revolta da sociedade, Maria foi levada ao programa de Regina Casé, na louca e cruel cavalgada pela audiência.

Maria foi usada e abandonada ainda no palco. Terminado o programa, ela conta que Regina Casé simplesmente a largou.

“Estou esperando até agora”, disse Maria.

Ela não precisou o que esperava. Imagino que fosse algum tipo de solidariedade. Não me pareceu, pelo que vi de Maria, que ela estivesse atrás de dinheiro ou coisas materiais.

Mas nada.

O máximo que ofereceram a ela foi produzi-la para o programa em que ela falaria do filho assassinado, como se fosse uma atriz. Ela rejeitou a suprema dádiva de fazer unha e cabelo num salão global. “E eu queria lá unha e cabelo?”, diz ela no vídeo.

Se a atitude da Globo e de Regina Casé absolutamente não me surpreendem, a firmeza lúcida de Maria me impressionou.

Ela representa um novo brasileiro simples, muito distante do “bovino” na já célebre definição de Diogo Mainardi.

É lúcida, sabe o que quer, não se deixa enganar – e fala com um tipo de clareza sincera que eu gostaria de ver, por exemplo, nos juízes do STF.

É este novo brasileiro que impediu que, nas últimas eleições, as manobras da mídia para eleger seus amigos não funcionassem.

Ele sabe que, no fundo, estão tentando bater sua carteira quando fazem campanhas pseudomoralistas em épocas de eleições.

Maria é Maria e milhões de brasileiros iguais a ela, que despertaram de um longo torpor do qual a mídia e seus amigos sentem uma torrencial saudade.

Eles votam não em quem seus patrões gostariam que votassem, mas em quem melhora sua vida.

No vídeo, uma parte, especificamente, me doeu. É quando Maria conta que, para fazê-la chorar, e assim conseguir mais audiência, a instrução era mostrar a ela fotos do filho morto.

Não vou retornar a um tema que trago sempre à discussão no DCM: 600 milhões em dinheiro público vão dar, na forma de publicidade federal, na Globo todos os anos.

Para fazer este tipo de coisa.

Procurada, a Globo disse que as acusações de Maria não têm fundamento.

Mas quem acredita nisso, para usar a grande frase de Wellington, acredita em tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
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A volta do jornalismo cor-de-rosa

Uma das mais eficientes estratégias utilizadas pela publicidade tem sido a de travestir informações publicitárias com as técnicas da “narrativa” da informação jornalística. A fórmula tem sido amplamente praticada e decorre da queda do muro ético entre a Redação e o departamento de publicidade, a partir dos anos 1990, para otimizar a eficácia do faturamento das chamadas organizações empresariais no ramo da comunicação.

A tática das agências de propaganda é enfiar textos publicitários nos jornais impressos (assim como dos rádiojornais, dos telejornais ou dos webjornais) com a “cara”, “o corpo” e o “estilo” de produtos jornalísticos puros. A estratégia é ludibriar o leitor, “criando uma publicidade com cara de notícia” para levá-lo a acreditar que ele está consumido uma informação objetiva, credível, confiável e “totalmente” verdadeira.

Na verdade, a artimanha faz parte de um vasto repertório de técnicas desenvolvidas pelas organizações da propaganda e da publicidade no Brasil e no mundo, para facilitar o ingresso de recursos financeiros nas empresas jornalísticas e manter a saúde do jornalismo e da publicidade em dia.

A prática utiliza, segundo estudos mais apurados, mais ou menos 25 estratégias subliminares para transformar publicidade em notícia e, com isso, fazer com que as artimanhas da sedução, da persuasão e da venda sejam inoculadas na mente dos leitores por meio de um verdadeiro Cavalo de Tróia hipermidiático e hiperconsumista.

Nova forma de jornalismo

A prática tem sido reconhecida no universo acadêmico como jornalismo cor-de-rosa, jornalismo transgênico, info-entretenimento ou jornalismo diversional. Seja qual for o nome, todas essas estratégias seguem os mesmos princípios: a lógica do capital e do livre mercado para flexibilizar o conceito e o processo do newsmaking; a política publicitária-mercadológica-liberal para dominar a cultura, a economia e a comunicação; a inédita “ética da estética” para introduzir uma patologia na estrutura clássica da informação; o jornalismo hiperjornalístico para esparramar a estética da mercadoria e do ultralivre mercado; e o processo de multiplicação dos cromossomos da publicidade para invadir e controlar os cromossomos da informação.

A tendência tem sido, sobretudo, a de chamar esta nova ordem informacional de jornalismo cor-de-rosa pelo fato de que, além de suceder os jornalismos marrom e amarelo, o modelo cor-de-rosa é um sistema feito para agradar muito mais ao anunciante do que ao leitor, para vender jornais independente do conteúdo do veículo, para vestir a notícia com as técnicas do marketing e para transformar todo o universo da sociedade e da informação em ambiente palatável para todas as pessoas que, de certa forma, passam a “consumir informação” a partir da mesma lógica do consumo capitalista.

Liberdade de empresa

O estágio mais avançado do capitalismo tardio, o chamado neoliberalismo, procura travestir o discurso da liberdade da imprensa com a sutil defesa da liberdade de empresa. Os capitalistas da informação sabem que a época é propícia para a conquista e para o controle de todos os sistemas e de todos os aparatos da sociedade universal da informação e da comunicação.

O advento das novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) veio criar um ambiente de sinergia e de convergência entre plataformas tecnológicas além de instaurar um processo de hibridização de discursos de todas as vertentes, de todas as naturezas e de todos os interesses.

Nada mais eficaz, nesse sentido, do que, a partir da lógica do capital, cruzar o DNA da informação com o DNA da publicidade para oferecer aos consumidores e aos cidadãos um prato que mistura, ao mesmo tempo, persuasão e informação.

É uma única tacada para matar dois coelhos. O capital simplifica e “monetiza” suas ações e o leitor acaba pagando e “comprando” um típico “dois-em-um”: ele adquire um jornal, mas ganha notícia e publicidade no mesmo produto.

Uma mistura “inédita”

O jornal O Estado de S. Paulo inaugurou no domingo (9/11) um modo absolutamente original de misturar jornalismo e publicidade em uma mesma embalagem.

O prodígio da empresa jornalística apareceu na “suposta” reportagem “É o fim da história do rei com a Friboi”, publicada na página B11, do caderno de Economia & Negócios (9/11/2014, ver aqui). A obra-prima foi escrita por uma jornalista do Estadão paga, em tese, para ser jornalista, mas que acabou produzindo um produto absolutamente inédito dentro do chamado jornalismo transgênico ou cor-de-rosa.

A reportagem descreve inicialmente a ruptura e o acordo entre o “rei” da música popular brasileira, Roberto Carlos, e a empresa JBS, dona da marca Friboi. A informação ocupa espaço significativo na página e ostenta, inclusive, uma foto do “rei”, do ator Tony Ramos e de Wesley Batista, da JBS, com créditos de Marcos Alves, da agência O Globo.

A reportagem parece, à primeira vista, uma autêntica notícia. Descreve a história do contrato, os desdobramentos, o litígio e o desfecho. O inusitado (ou o sobrenatural) da informação está em três aspectos absolutamente singulares.

Uma “mercadoria noticiosa”

Em primeiro lugar, a reportagem ostenta, acima do título, uma cartola intitulada “Publicidade”, mostrando, evidentemente, que o assunto tem caráter de mercadoria, não de informação. Como os leitores nem sempre se atentam a este detalhe, a informação pode acabar sendo engolida como uma “reportagem” jornalística, isto é, autêntica, verdadeira e inquestionável.

Em segundo lugar, a jornalista do Estado de S. Paulo aceita o papel de usar seus conhecimentos e suas habilidades técnicas, próprias do jornalismo, para redigir uma obra que, em sua essência, em sua natureza e em sua “ética” (!) é apenas uma peça de publicidade (paga por anunciantes aos donos do jornal).

O terceiro lugar é o mais grave de todos. Ao redigir a peça publicitária (como se estivesse escrevendo uma autêntica notícia), a jornalista acaba misturando, no texto, uma narrativa com as informações do contrato e do distrato entre o rei e a JBS, mas, misturando, no mesmo texto, uma reflexão sobre quais deveriam ser as melhores técnicas ou as melhores estratégias jornalísticas para a produção do lead ou dos news values da informação.

Só lendo para acreditar. A jornalista escreve, na verdade, uma publicidade (como cara de jornalismo), mas parece esquecer que está vendendo uma “mercadoria noticiosa” para discutir (dentro da própria notícia-mercadoria) quais deveriam ser os critérios jornalísticos mais apropriados para aquela publicidade.

Leandro Marshall
No OI
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Mãe de DJ detona Regina Casé e esfria o Esquenta

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A esquerda deve assumir papel ativo, na esfera institucional e nas ruas!

Lula discursa aos metalúrgicos contra a Ditadura
Não esperem que as ações golpistas da direita sejam realizadas por meio de grandes mobilizações populares. Por mais que a Globo tenha dado ênfase à retórica dos sem partidos em julho de 2013, jamais as mobilização estiveram sob hegemonia da direita, tanto é verdade que a saída do “Movimento Passe Livre” da organização resultou num esvaziamento das passeatas, e no crescimento da violência sem sentido dos “black-bockes”.

A rua não é um espaço onde os conservadores sintam conforto, especialmente com a presença de população organizada. Sem o apoio agressivo das forças da repressão, os golpistas neoliberais preferem a penumbra dos gabinetes e os acordos na calada da noite. Assim foi em 64, assim foi na votação na Câmara contra a Política Nacional de Participação Social e em todos os momentos da história.

As sombras e a hiper-realidade da mídia são os únicos espaços onde os agentes da direita conseguem se expressar de forma mais clara. Fica mais fácil esconder informações, manipular dados, criar heróis e vilões num jogo maniqueísta de poder.

É exatamente por isso que devemos nos precaver contra “golpes brancos”, ou o uso farsesco de instrumentos formais para direcionar ataques contra a organização democrática institucional. O Golpe de Estado praticado pela direita Paraguaia contra o Governo Democrático de Fernando Lugo, condenando pela diplomacia do Mercosul e da Unasul, ainda está muito próximo, e não pode ser esquecido.

A direita brasileira cada vez mais se aproxima da direita paraguaia, vejam a retórica de pessoas como Gilmar Mendes, Fernando Henrique Cardoso e Ferreira Goulart.

Quando uma comissão parlamentar de inquérito, formado por todos os partidos, resolve atacar apenas o sigilo bancário do tesoureiro de um único partido, quando PP, PMDB, PSDB e PSB aparecem em todas as listas de possível beneficiados não por esquemas de caixa dois de campanha, mas de corrupção, alguma coisa está muito errada.

Quando a Veja antecipa a publicação de uma edição, inclusive errado a data, existem indícios de que a mídia oligopolista pretende afastar ameaças aos grupos a quem está vinculada.

E aqui deixo bem claro o meu entendimento exarado em textos anteriores, de que pessoas suspeitas de corrupção devem ser investigadas, “doa a quem doer”, mas isto não pode ser realizado de forma seletiva, quando temos escândalos gritantes como o do Metrô de São Paulo, a Operação Satiagraha, e a Operação Castelos de Areia, que ainda continuam sem punição.

Outro ponto importante, e que fica evidente em todos os processos, é que não vejo nenhum fundamento na política de terra arrasada, pois isto apenas poderia redundar em efeitos negativos contra a economia.

Também não existe fundamento para utilizar as informações da Operação Lava Jato para reforçar a especulação financeira contra a Petrobrás. Reiterado interpretação anterior: “cada ataque à empresa estatal é, de fato, uma tentativa escandalosa de reduzir os custos de uma futura operação de venda da estatal”. Essa é a verdadeira bandeira da direita, e não a defesa do patrimônio público.

A Petrobrás é a fiadora de muitas obras e projetos desenvolvidos no Brasil em todos os campos, e fonte de geração de milhões de empregos. Mais do que isto, a Petrobrás é a gestora das obras e dos fundos do Pré-sal, fornecendo condições para a criação de importante capital social para o futuro do país, através do reforço das políticas de educação.

Portanto, também não é momento para condutas esquerdistas, daquelas que acreditam que o caos econômico permitirá uma transformação revolucionária. Qualquer intelectual de esquerda que tenha lido a obra de Antônio Gramsci sabe a importância da conquista hegemonia, e da necessidade reforçar a atuação política no campo da sociedade civil, por meios de sindicatos, movimentos sociais e ONGs.

Logo, o atual momento político não pode ser lido de forma ingênua, nem permite espaço para condutas mimadas e ressentidas de militantes e de políticos. É importante que o Partido dos Trabalhadores assuma uma posição de protagonista no enfrentamento dos arroubos golpistas da direita, e na efetiva defesa da Democracia, inclusive através do reforço das lutas populares.

Os resultados das eleições de outubro demonstram que a sociedade não aceita mais os desmandos dos meios de comunicação oligopolistas, nem quer um retrocesso ao neoliberalismo dos anos 90. Quer, isto sim, e de forma hegemônica, a manutenção de governos comprometidos com políticas sociais, com a radicação da democracia participativa, e com a defesa intransigente de direitos fundamentais.

Nunca tivemos um país dividido, como pregam os asseclas do golpismo, mas o confronto eleitoral de projetos distintos de desenvolvimento e de diferentes formas de forma vínculos com a sociedade. A única divisão concreta é entre os reacionários, comandados pela mídia e pelo PSDB, e as forças progressistas, que possuem no PT a sua maior expressão.

Retornando à parte inicial do artigo, a rua não é um espaço de conforto para a direita. Quem ataca a Política Nacional de Participação Social tem medo de mobilização efetiva da sociedade e, mais do que isto, de mobilização consciente e crítica, prefere ruas esvaziadas, ou ocupadas por meia dúzia de histéricos direitistas com comportamento histriônico.

É por isso que além da luta institucional, seja no âmbito parlamentar, seja por meio judicial, seja na própria Presidência da República, devemos reforçar a mobilização popular de sindicatos, de movimentos sociais, e das organizações efetivamente comprometidas com a Democracia contra qualquer forma de golpismo.  A defesa da participação social, da Reforma Política, da sustentabilidade, e do controle social da mídia, são bandeiras que devem tomar conta das ruas.

Precisamos colocar a defesa da Democracia no centro do debate político. Esta é uma tarefa fundamental da esquerda. Este é um imperativo ao Partido dos Trabalhadores.

Sandro Ari Andrade de Miranda
No Sustentabilidade e Democracia
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O mapa da conspiração no Brasil segundo o padrão da CIA


Temos em curso no Brasil uma conspiração destinada a desestabilizar o Governo Dilma sob o pretexto da luta contra a corrupção. É da mesma natureza das iniciativas para promover mudanças de regime na chamada Primavera Árabe, com a diferença de que, nesses casos, os regimes eram ditaduras estabilizadas , enquanto no nosso caso somos uma democracia vulnerável. Como não é possível estimular um golpe em favor de democracia que já existe, a desculpa é o combate à corrupção que se pretende vincular aos presidentes Lula e Dilma.

Pessoas de boa fé pensam que tal conclusão é precipitada. Eu próprio costumo rejeitar teorias conspiratórias, porém só até o ponto em que as evidências começam a falar mais alto. Vou tentar mostrar a evidência de uma conspiração em curso no Brasil usando como principal referência a principal revista de política externa dos Estados Unidos, a “Foreign Affairs”, insuspeita de antiamericanismo. Tomo como referência ensaios da edição de setembro/outubro sobre a crise na Ucrânia e sobre o golpe contra Allende no Chile há 40 anos.

Relativamente à Ucrânia, a revista diz abertamente que a crise é culpa sobretudo do ocidente, ou seja, dos Estados Unidos. Resulta da ambição da OTAN, sob liderança americana, de empurrar suas fronteiras para o Leste incorporando sucessivamente quase todos os estados da órbita da antiga União Soviética. Assim, em 1999, foram incorporadas a República Checa, a Hungria e a Polônia. Sempre sob protestos russos, em 2004 foram anexadas Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Em 2009, foi a vez de Albânia e Croácia.

Essas incorporações violaram compromissos formais estabelecidos com Gorbachev no processo de reunificação da Alemanha, para a qual foi essencial a concordância russa. A Rússia não reagiu além de protestos formais, parte porque estava ela própria internamente fragmentada, parte porque todos esses países incorporados à OTAN não fazem fronteira direta com ela, exceto os pequenos países bálticos. Em 2008, contudo, a OTAN manifestou a intenção de incorporar também as fronteiriças Geórgia e a Ucrânia, o que significava acabar de cercar a Rússia.

Nenhum líder russo aceitaria ou aceitará o cumprimento dessa ameaça no seu próprio quintal, muito menos um estrategista da estatura de Putin. Quando o presidente da Geórgia, simpatizante da entrada na OTAN, resolveu reincorporar as províncias rebeldes de Abkhazia e Ossétia do Sul, Putin reagiu imediatamente e as invadiu. Deixou claro, nesse movimento, que não aceitará a incorporação da Geórgia, um país limítrofe da Rússia, à OTAN, a não ser fragmentado. Assim como deixou claro a Bush, segundo um jornal russo, que “se a Ucrânia fosse admitida na OTAN ela cessaria de existir.”

“Foreign Affairs” faz um retrato realista do que aconteceu daí em diante na Ucrânia. No processo de criar a atmosfera “democrática” favorável à adesão à União Europeia, atalho para a entrada na OTAN, os Estados Unidos despejaram desde 1991 mais de US$ 5 milhões em instituições de formação de opinião no país, para - segundo Victoria Nulan, a secretária de Estado assistente para a Europa e a Eurásia -, criar para a Ucrânia “o futuro que ela merece”. Uma instituição especial, a National Endowment for Democracy, promoveu mais de 60 projetos para minar a estabilidade do Governo legítimo de Yanukovych, pró-russo.

O presidente dessa instituição, Carl Gershman, não deixou muita dúvida quanto ao objetivo último desse movimento. Numa entrevista ao New York Times, declarou que “a escolha da Ucrânia de integrar a Europa vai acelerar a morte da ideologia do imperialismo russo que Putin representa”. De forma ainda mais explícita, acrescentou que “os russos também enfrentam uma escolha, e Putin pode encontrar-se no lado perdedor final não no exterior do país mas dentro da própria Rússia”. Putin reagiu a esse tipo de provocação invadindo a Crimeia e promovendo o referendo para sua anexação à Rússia.

Estou transcrevendo trechos dessa longa reportagem porque sei que os brasileiros não merecem de nossa imprensa, escrita ou televisiva, um noticiário imparcial sobre o que está acontecendo na Ucrânia. Nossa grande imprensa é em relação aos Estados Unidos mais governista, em qualquer circunstância, do que a própria imprensa da elite americana. Mas o que quero acentuar é que o governo americano tem uma estratégia clara de sustentação de sua dominação no mundo e está disposto a pagar qualquer preço, sobretudo se o preço foram instituições ou vidas de outros povos, para firmar seus objetivos estratégicos.

É nesse ponto que convém examinar a situação brasileira atual. Os Estados Unidos restabeleceram a Guerra Fria e elegeram a Rússia como inimigo estratégico, já que a Rússia, ainda uma potência nuclear de primeira linha, é o único poder estratégico, junto com a China na economia, capaz de rivalizar com eles. Ora, nós estamos cometendo a audácia de nos aproximarmos da Rússia e da China no âmbito dos BRICS, criando uma alternativa de desenvolvimento no mundo, tanto do ponto de vista geoeconômico quanto geopolítico. Para quem quer levar o braço da OTAN até as planícies ucranianas, esse é um grande desafio, considerando o fato de que Brasil e África do Sul são considerados quintais relativamente bem comportados do poderio americano.

Se para eliminar o risco de uma maior aproximação com a Rússia for necessário desestabilizar o Governo brasileiro, apelando para uma inventada condescendência com a corrupção, como aconteceu na Ucrânia, os Estados Unidos não se farão de rogados. Eles tem aliados poderosos aqui dentro como leais quinta-colunas. Por algum motivo gravaram os telefones da Dilma. Já no Chile, de acordo com documentos desclassificados depois de 40 anos da deposição de Allende, verifica-se, segundo a mesma “Foreign Affairs”, que o golpe e o assassínio de Allende foram orquestrados por Washington, sob coordenação de Henry Kissinger. Começou com o assassinato do general anti-golpista Schneider, pago pela CIA, e teve durante todo o tempo da conspiração a instigação permanente do jornal “El Mercurio”, que para isso recebeu da CIA US$ 11 milhões em dinheiro de hoje. A “Veja”, como todos sabem, passa por dificuldades financeiras. Não seria o caso de se examinar quem está sustentando suas infâmias destinadas a desestabilizar o Governo brasileiro?

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
No GGN
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Porto Alegre cassa ditador


A Empresa Publica de Transporte e Circulação (EPTC) instalou nesta sexta-feira as duas placas indicativas da avenida da Legalidade e da Democracia, antiga Castelo Branco. As sinalizações ficam localizadas nas imediações da Rodoviária e da Ponte do Guaíba, na BR 290 (freeway).

O nome da via foi alterado recentemente pela Câmara de Vereadores. A lei complementar 11.688/2014, que mudou o nome da avenida Castelo Branco para avenida da Legalidade e da Democracia, foi promulgada no dia 1º de outubro. A mudança teve aprovação por 21 votos contra 5 no final de agosto.

O autor do projeto de lei, o vereador Pedro Ruas, comemorou a decisão da prefeitura de instalar as placas. “Ainda é pouco, mas neste momento é o que temos. Esse é um marco para o RS e para o país, pois homenageamos um dos atos cívicos mais importantes da nossa história e retiramos o nome de um ditador de nossa cidade”, destacou Pedro Ruas à Rádio Guaíba.

Castelo Branco governou o país entre abril de 1964 e março de 1967. O general foi um dos conspiradores do golpe militar. Durante o governo dele, foi decretado o Ato Institucional Número 2, que garantiu ao chefe do Executivo o poder de cassar os mandatos políticos de qualquer cidadão. Os AI-3 e AI-4 também foram baixados por Castelo Branco, determinando eleições indiretas e a convocação do Congresso para votação de uma nova Constituição (em 1967), respectivamente.
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As teorias do Golpe de Estado


O conceito de ""coup d´etat" nasceu com Napoleão Bonaparte. Seu golpe do 18 Brumário visando consolidar seu poder é considerado o primeiro da História moderna.  O conceito diferencia o golpe de Estado da Revolução, considerando esta um movimento histórico mais amplo, mais profundo e mais extenso.

O golpe de Estado é mais simples, mais rápido e menos conflitivo. O historiador romeno-americano Edward Luttwalk escreveu em 1968 um pequeno clássico do assunto, o MANUAL DO GOLPE DE ESTADO. Luttwalk estudou 300 golpes de Estado e dessa análise extraiu conclusões e montou como sátira um Manual. O pequeno livro foi traduzido em 18 linguas e trouxe fama a Luttwalk, hoje com 72 anos, que já esteve no Brasil para palestras.

Suas conclusões se parecem com o economista John Kenneth Galbraith que tambem estudou o tema.

A tese de Galbraith é mais redonda e clara. Um golpe de Estado para bem suceder necessita três premissas:

Primeira > O governo a ser deposto precisa estar sem capacidade de governar, basta um empurrão e a fruta cai do pé.

Segundo> O golpe necessita de um LÍDER real, que tenha capacidade de arregimentar e unir forças e seja por elas seguido.

Terceiro > O golpe necessita de apoio mesmo que temporário de uma MASSA crítica de seguidores, é preciso gente na rua.

É quase impossível, segundo Luttwalk e Galbraith, derrubar através de um golpe um governo sólido. O governo derrubado já está sem capacidade operacional mas se recusa a sair do palacio, é a presa clássica do golpe.

Nesta categoria apenas como exemplo, Goulart no Brasil, Lugo no Paraguai, Zelaya em Honduras, foram empurrados fora do poder com pouca ou nenhuma resistência. O golpe não se confunde com um levante contra um governo estabelecido e sólido, como foi o caso do "alzamiento" dos generais Franco, Mola e Sanjurjo em julho de 1936 contra o governo da República Espanhola, nesse caso só uma sangrenta guerra civil definiu o conflito. Situação semelhante no Chile em 1973, o levante do General Pinochet exigiu uma luta que poderia ser classificada como uma guerra civil, na realidade o governo estabelecido só foi derrubado pelas armas.

Como historiador Luttwalk tem outra obra controvertida A GRANDE ESTRATÉGIA DO IMPÉRIO ROMANO DO PRIMEIRO AO TERCEIRO SÉCULO. Como teórico de estratégia foi consultor do Departamento da Defesa, do Conselho Nacional de Segurança, do Departamento de Estado, do Exército dos EUA.

O valor da tese de Luttwalk é a reflexão de que não é a malignidade intrínseca de um governante que o faz alvo de um golpe, Stálin jamais sofreu uma tentativa de golpe de Estado mas sim a sinalização de fraqueza e de falta de domínio do Poder, o que torna a operação que leva ao golpe de baixo risco.

Motta Araujo
No GGN
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O primeiro passo

A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, vista de fora, é uma decisão política, não econômica. Faz supor uma escolha de Dilma Rousseff por temor da voracidade com que os conservadores ambicionam a retomada do Poder perdido. Presenteia-os, parece, na suposição de aplacá-los.

De fora, ainda não há como saber — e muito menos crer — de algum entendimento prévio sobre linha de política econômica que possa tornar a escolha mais inteligível. Seja como for, coerente com o sentido da campanha de Dilma, não é.

A escolha não tem coerência nem com o momento em que é feita. Na manhã mesma em que fez uma reunião para definir a escolha, liberada não oficialmente à tarde, o caderno "mercado2" da Folha apresentava como manchete: "Desemprego recua em outubro e atinge 4,7%; renda bate recorde". A seção "Economia" do "Globo", com uma nota na primeira página, também dava como manchete: "Emprego em alta, renda recorde".

Aos dois jornais não faltaram, claro, o "mas" e o "apesar de". Ainda assim, das manchetes pode-se entender que a economia esteja mais para o massacrado Guido Mantega do que para o Joaquim Levy que bem poderia ser ministro em um governo de Aécio Neves.

O histórico de Joaquim Levy não deixa dúvida sobre o seu conservadorismo, posto em prática evidente ao menos desde que foi secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento no governo Fernando Henrique. Conservadorismo confirmado no governo Lula, quando foi um dos inspiradores da política econômica que consagrou Antonio Palocci nos setores do domínio financeiro. E conservadorismo consolidado como secretário do Tesouro, quando Levy foi o ponto de resistência a gastos e outras medidas de linha social pretendidas no governo Lula.

Caso o histórico não baste, o presente garante: se não fosse adepto de concepções do conservadorismo neoliberal, Joaquim Levy não seria diretor do Bradesco. O que prova não se tratar, até agora, de pessoa incoerente.

Também sem comunicação oficial quando escrevo, a apontada indicação da senadora Kátia Abreu para a Agricultura sugere, ou confirma, uma disposição incomum de Dilma Rousseff para incrementar problemas com as correntes não conservadoras. A senadora exerce com muita competência a liderança do agronegócio e dos grandes proprietários de terra. Mas nem todos os interesses que defende coincidem com o que deveriam ser objetivos do governo, de todo governo.

Dilma Rousseff entra no segundo mandato devendo muito para reparar os desempenhos deploráveis do seu governo em três capítulos da desgraça nacional: o problema indígena, sem as demarcações territoriais devidas e com o genocídio em progressão; a questão fundiária em geral, com imensos territórios tomados e explorados; e, ainda e sempre, a reforma agrária, pendente de correções e de avanços. Três assuntos em que o responsável pela Agricultura tem deveres e poderes muito grandes. Três assuntos em que os interesses representados pela senadora Kátia Abreu conflitam, em todos os sentidos desta palavra, com as vítimas e com as obrigações e as dívidas administrativas e sociais do governo Dilma.

O primeiro movimento para o novo governo parece feito em marcha a ré. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 53


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Essa é do Barão... 111


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