19 de nov de 2014

Sem dialogar com a sociedade, Câmara pode revogar Estatuto do Desarmamento

Ricardo Stuckert
Novo projeto de lei libera porte de armas para civis e acaba com a necessidade de renovação de registro de posse

No apagar das luzes do Congresso em 2014, uma alteração na comercialização de porte de armas em todo o Brasil pode ser aprovada. Trata-se do Projeto de Lei 3722/2012 do deputado Peninha Mendonça (PMDB-SC) que visa ser o substituto do Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003.

A rápida tramitação na Câmara pegou muitas ONGS de surpresa. O diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, reforçou que Peninha usou de uma manobra: colocou o PL para ser votado em mais de três comissões e, com isso, precisou ser criada uma comissão especial exclusiva.

“Dos 19 deputados nomeados para essa comissão, 11 tiveram financiamento da indústria das armas nas eleições de 2010 e 2014, inclusive o presidente e os dois vices. Com essa manobra, conseguiram substituir as seis consultas públicas que iriam acontecer pelo Brasil todo em apenas uma no próximo dia 26 de novembro em Brasília. Além disso, dos oito convidados para debater, apenas um defende o Estatuto do Desarmamento”, explicou.

Entre as principais mudanças, o projeto visa a volta do porte de armas para civis, o aumento de 6 para 9 do número de armas que uma pessoa pode ter e acaba com a necessidade de renovação da permissão do porte de armas.

“Executivo tem que entrar em campo”

De acordo com o 8º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 53.646 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2013. Em 71% dos casos as mortes foram por arma de fogo. Para Ivan, isso pode piorar com a diminuição da burocracia do Estado no comércio de armas. “Todo mundo sabe que a arma do cidadão de bem quase sempre acaba na mão do bandido”.

Ele se mostrou preocupado com a maioria que os contrários ao estatuto do desarmamento conseguiram dentro da comissão e alertou para a importância que o poder executivo tem nesse momento para evitar a um retrocesso nesse ponto.

“O governo tem que entrar em campo para defender o estatuto, que foi fruto de muita luta e debate com a sociedade e que é um dos mais avançados do mundo”, afirmou.

Próximos passos

Muitas coisas podem acontecer ainda esse ano na tramitação do projeto. Na próxima quarta-feira (26) vai haver na Câmara a única audiência pública sobre o PL. No mesmo dia, será apresentado, e possivelmente aprovado, o relatório que já tem data para ser levado a plenário: dia 10 de dezembro.

“O diálogo é quase zero. Não convidaram ninguém da Polícia Federal nem do Exército para a Audiência Pública. Nós conseguimos organizar um movimento relâmpago que envolve várias ONGs, especialistas, professores e outras áreas que são favoráveis ao estatuto. Esperamos fazer uma grande mobilização no dia 10 de dezembro que além de ser o dia da votação no plenário, é o dia internacional dos Direitos Humanos”, encerrou. 

Bruno Pavan
No Brasil de Fato
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Bomba: FHC vendeu a Petrobras para seu próprio genro em 2002

David Zylbersztajn e seu sogro, o ex-presidente FHC
A “Foreing Policy” publicou matéria em 2010 com o título ”PSDB teria vendido a Petrobrás”. Questionando o novo marco regulatório do pré-sal, principalmente no que diz respeito à participação do Estado na Petrobrás. Citando os dois possíveis candidatos mais em evidência, a revista afirmou na época que se o governador José Serra vencesse as eleições presidenciais de 2010, ele tentaria reverter o marco.

Já se a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sair vencedora, as empresas internacionais terão de recorrer à Justiça.

Segundo Gabrielli, presidente da estatal na época, se o resultado das eleições tivesse sido outro, com a vitória de José Serra em 2002 ou de Geraldo Alckmin em 2006 e 2010, a Petrobrás teria tomado outro rumo.

“Partes da empresa poderiam ter sido privatizadas.”Presidente da estatal diz que o PT salvou a estatal de ter partes vendidas, caso os tucanos vencessem a eleições

Segundo levantamento da equipe de reportagem do i9, a Petrobras já foi vendida em 2002, no final do governo FHC. Acompanhe:



Segundo o que foi apurado as empresas relacionadas abaixo, já tem o direito de Exploração, Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural e Venda de Ativos Relacionados no contrato - E&P-CORP N 001/2002, governo comandado na época pelo PSDB. O que chama a atenção é a empresa DZ NEGÓCIOS COM ENERGIA S.A. de David Zylbersztajn - genro do presidente FHC :

SCHAHIM ENGENHARIA LTDA.

COMPANIA ESPANOLA DE PETROLEOS - CEPSA

NORSERGE - NORTE SERVIÇOS GERAIS LTDA.

GDK ENGENHARIA S.A.

TERRA PETROLEUM LTDA.

DZ NEGÓCIOS COM ENERGIA S.A.

MEDANITO S.A

SOTEP - SOCIEDADE TECNICA DE PERFURAÇÃO S.A STARFISH OIL & GAS S.A.

GASINDUR, S.L.

POTIOLEO LTDA

PETRORECONCAVO S.A.

MARÍTIMA PETROLEO E ENGENHARIA LTDA.

PETROSYNERGY LTDA.

OKER EMPREENDIMENTOS PART. E SERV. LTDA.

CARCARA PETROLEO S.A

LAM EQUIPAMENTOS E PEÇAS S.A.

COMPANHIA PARANAENSE DE GÁS - COMPAGAS

SAMSON DO BRASIL LTDA.

ESTRELLA ENERGY LTDA

CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORRÊA S.A. TECPETROL DO BRASIL LTDA.

QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES S.A.

EL PASO PETROLEO DO BRASIL LTDA.

GROWTH OIL & GAS, INC.

Das 23 empresas do consórcio de exploração de ativos ou seja pré-sal, 5 são citadas ou investigadas na Operação Lava Jato, são elas: SCHAHIM ENGENHARIA LTDA, DZ NEGÓCIOS COM ENERGIA S.A., CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORRÊA S.A. TECPETROL DO BRASIL LTDA, QUEIROZ GALVÃO PERFURAÇÕES S.A., EL PASO PETROLEO DO BRASIL LTDA.

Genro de FHC

Atualmente o Prof. e Dr. David Zylbersztajn integra o Conselho Estadual de Política Energética — CEPE do Governo Alckimin (PSDB) juntamente com outro investigado e condenado. O professor Ildo Sauer, ex-diretor da área de Gás da Petrobras exonerado no governo Lula em setembro de 2007. Sauer foi diretor da Petrobras, ainda no governo do sogro de Zylbersztajn, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ildo foi condenado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a devolver uma montanha de dinheiro no caso da compra da Refinaria de Pasadena.

A condenação bilionária fixada pelo TCU determina a devolução de US$ 792,3 milhões — a estratosférica cifra de R$ 1.757.448.000,00 bilhão — aos cofres da estatal.

Todos os condenados pelo TCU tiveram seus bens declarados indisponíveis, mas podem recorrer da decisão do Tribunal, que é um órgão de assessoria ao Congresso Nacional que apura, tecnicamente, irregularidades em contratos que envolvem recursos da União.


AGORA CAROS LEITORES E ELEITORES, VOCÊS ENTENDERAM, O PORQUE DO PSDB TER TANTO INTERESSE EM TIRAR A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF OU, O PT DO PODER?

Fabiano Portilho
No i9
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Ana Luiza sobre a manifestação contra o governo em Teresina


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Corrupção e jogo sujo por baixo dos panos

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6689

Corrupção, corrupção, corrupção.

Depois do escândalo chamado Bigmalyon, vulgo financiamento ilícito da campanha de Nicolas Sarkozy, o ex-primeiro ministro Françøis Fillon, do partido de Sarkozy, com quem disputa a presidência da UMP e direito de ser candidato a chefe da nação, em 2017, teve uma conversa com um assessor do inimigo, François Hollande, para pedir que a justiça seja mais severa com seu antigo chefe. Entenderam? Fillon pede a Hollande para ferrar Sarkzoy. Pode isso, Arnaldo?

Que deu na direita francesa? Quer todos os escândalos para ela?

A situação é grave. Nunca se viu tanta corrupção. O novo caso envolve um empresário de primeira grandeza, senador e dono de um importante jornalão de direita, dinheiro para compra de votos (em torno R$ 150 milhões), um contador fiel e capaz de levar e trazer dinheiro de contas no exterior, especialmente na Suíça e no Liechtenstein, um transportador da bufunfa, apelidado de “carregador de malas”, e uma operação complexa envolvendo sacos de dinheiro depositados no canto de um escritório situado na mais charmosa e dinâmica avenida do país.

A nação está paralisada com as revelações. A mídia só fala disso. A lavagem de dinheiro deu-se entre 1995 e 2012.

O advogado do empresário alega que os fatos já prescreveram. Pego com a boca no botija, o contador aceitou entregar tudo para tentar aliviar a sua pena.

– Os sacos plásticos de dinheiro eram colocados no canto do escritório e a gente falava apenas de outras coisas.

O senador empresário, cujo esquema de votos acaba de ser desmantelado, é conhecido por sua língua virulenta. Moralista, defensor de uma justiça rigorosa com os malfeitores, apologista da tolerância zero com os corruptos, sempre se elegeu como apóstolo dos bons costumes e crítico do excesso de Estado na vida das pessoas. Jamais perdeu oportunidade de atacar os trabalhadores preguiçosos que vivem do assistencialismo estatal e os políticos que não cuidam das finanças públicas.

Para ele, governar é cortar gastos e demitir.

Eta, Brasil! Será o José Sarney? Será o Renan Calheiros? Não, leitor, não é o Brasil nem nossos impolutos senadores. É a França. O empresário chama-se Serge Dassault, dono do jornal “Le Figaro”, senador da República, sexta fortuna do país, prefeito de Corbeil até 2009 e figura exponencial do combate ao socialismo e a todas as formas de intervenção do Estado na economia. O seu contador, que agora usufrui das instalações carcerárias francesas, chama-se Gérard Limat e apresenta-se como um homem discreto. O dinheiro para compra de votos chegava pelas suas mãos a um escritório chique da portentosa avenida dos Champs-Élysées. Ele fez 33 entregas de grana líquida e sonante para comprar votos.

A direita brasileira precisa reagir. Não é possível que um francês venha desconstituir a ideia de que só tem corrupção no Brasil. Ainda mais com métodos equivalentes e para fins semelhantes. O que nos diferencia é a incapacidade francesa para dar um bom nome ao escândalo. Nem mensalão nem petrolão. Nadinha. Só “Caso Dassault”. Que pobrinho! Dassault especializou-se em laranjas. O esquema furou quando um banco se recusou a repassar dinheiro para a conta de um laranja condenado à prisão.

É o terceiro grande escândalo de corrupção em menos de um ano na França.

O ex-presidente Nicolas Sarkozy está atolado num deles. Os franceses sussurram pelos cafés:

– Será que algum dia nós teremos, enfim, a coragem de botar um ex-presidente da República na cadeia?

Na França, a gente se sente em casa. Basta abrir os jornais para encontrar as mesmas denúncias e a mesma atmosfera de corrupção. A única diferença é a modéstia francesa. Eles não acham que isso só acontece com eles.

Mas tem diretor de clube de futebol, de Marselha, em prisão preventiva por causa de malfeitos na venda de jogadores.

E tem uma investigação sobre resultados arranjados de jogos.

Que é isso? Será que nunca houve tanta corrupção na França como agora?
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A louca cavalgada de Merval para se defender de um ataque no Facebook

Ex-jornalista
Merval surtou.

É a única explicação possível para ele invadir a conta do Facebook de um jornalista que criticara seu artigo de ontem no Facebook.

O jornalista, Luís Costa Pinto, chamou o texto de Merval de pornográfico e golpista.

No meio de uma discussão animada, eis que irrompe, do nada, Merval e se defende atacando Luís.

Chamou-o de “ex-jornalista” e disse que ele estava envolvido no Mensalão.

Merval cometeu um erro clássico: acusou o golpe. Alguém — um amigo com um secreto prazer em transmitir insultos — deve ter feito chegarem a ele as palavras de Luís.

Sempre temos um amigo que se compraz com isso. Não surpreende. A surpresa foi Merval reagir. Foi como se ele dissesse: “Essa doeu.”

A curiosidade me levou a procurar e ler o artigo de Merval. Encontrei-o no site da Veja, no blogue de Augusto Nunes.

Nunes, célebre pela preguiça agitada, costuma reproduzir textos alheios em seu blogue, uma forma de se livrar do trabalho de escrever ele mesmo.

Para resumir: Luís estava certo.

Ali estava Merval numa louca cavalgada, fazendo panfletagem política e não jornalismo.

Parece ainda em campanha.

Ele disse coisas como a seguinte: o PT levou a corrupção a tal grau, e com tamanhas consequências na economia, que os investidores estrangeiros estão fugindo do Brasil.

Aécio disse a mesma coisa algumas vezes em sua fracassada campanha, e lembro que Dilma jamais rebateu com propriedade — números, estatísticas, essencialmente.

Os dados objetivos sobre o assunto existem. Basta querer, ou saber, encontrá-los.

Exatamente no mesmo dia das palavras apocalípticas de Merval, a BBC Brasil fez uma reportagem sobre os investimentos estrangeiros no país.

O objetivo era checar se a desaceleração da economia tivera efeito sobre os investimentos estrangeiros.

A BBC jogou luzes nas sombras, ao contrário de Merval, que jogou mais sombras onde já havia sombras.

Abaixo, um trecho:
“ … o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) para o Brasil continua em patamares elevados.

Nos últimos 12 meses, tal fluxo atingiu US$ 66,5 bilhões, segundo dados do BC — mesmo nível de 2011, quando o Brasil ainda era o queridinho entre economias emergentes. Em 2010, quando o PIB se expandiu 7,5%, o IED ficou na casa dos US$ 48 bilhões.

Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parecem confirmar o fenômeno. De acordo com a Cepal, o IDE para o Brasil aumentou 8% de janeiro a agosto na comparação com 2013. Já na região como um todo, os investimentos estrangeiros caíram 23%.”
Quer dizer: o leitor brasileiro, para se informar sobre o estado de espírito dos investidores brasileiros, tem que ler a BBC.

A BBC ouviu a executiva Irene Mia, diretora para América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit, a EIU. É uma divisão do grupo Economist, que edita a revista tão usada pelos conservadores brasileiros nas eleições por suas críticas a Dilma.

A EIU, ficamos sabendo, tem planos de abrir um escritório em São Paulo até o final do ano, para “melhor servir seus clientes brasileiros e estrangeiros focados no Brasil”.

“A atratividade do Brasil para o IDE permanece enorme”, disse a executiva à BBC.

A atratividade do Brasil, conforme explicam os investidores, está ligada ao tamanho do mercado brasileiro.

A BBC ouviu Olavo Cunha, do Boston Consulting Group. “O mercado de cosméticos brasileiro é o terceiro maior do mundo, o automobilístico é o quarto maior e o de laptops, o terceiro”, disse ele.

“Muitas multinacionais sentem que precisam ter um plano para o Brasil para os próximos dez, vinte anos. E mesmo aquelas que já têm uma forte presença no país, como a Nestlé ou a Unilever, por exemplo, precisam fazer investimentos para manter sua fatia do mercado no longo prazo.”

Em quem acreditar: nos números, nos fatos, na executiva Irene, no consultor Olavo ou em Merval?

Merval acusou Luís Costa Pinto de ser “ex-jornalista”, por não estar militando nestes dias na imprensa.

A definição cabe muito melhor para ele próprio, no entanto.

Ao fazer propaganda política e partidária disfarçada de jornalismo, desinformando e manipulando leitores inocentes, é Merval que faz jus ao título de ex-jornalista.

Paulo Nogueira
No DCM
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Merval bate boca no Facebook depois de ser acusado de ‘pornográfico’


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O jornalista Luís Costa Pinto escreveu, no Facebook, um texto em que classifica de ‘pornográfico’ o artigo de Merval Pereira no Globo desta terça.

A pornografia, segundo Pinto, está no ‘golpismo’ de Merval.

Travou-se um debate animado, em que alguns apoiaram Merval e muitos concordaram com as críticas.

Mas o melhor momento da discussão foi quando o próprio Merval, para defender sua reputação, entrou na conversa. Ele acusou Luís Costa Pinto de envolvimento no Mensalão.

Faz parte da cultura da Globo acompanhar tudo que se escreve sobre ela — e responder às críticas. Semanas atrás, Ali Kamel bateu boca com um colunista de mídia da Folha que acusara a Globo de amarelar na cobertura das acusações da Veja no caso Petrobras às vésperas das eleições.

O que ninguém imaginava é que, pelo menos no caso de Merval, a vigilância se estendesse até uma mera nota no Facebook.

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Recife, cidade roubada: Nem tudo o que é “novo” é novo, ou bom




Bia Bru
No Viomundo
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Lula inicia semana alertando sindicatos sobre 'vacina' contra golpe

Em semana tensa, ex-presidente se reuniu com sindicalistas, pediu mais atenção do governo aos movimentos, e alertou contra o ambiente de golpe. “Não vai ter moleza. Eles vão vir para cima”

Lula: estamos vendo um trabalho da direita e da imprensa no sentido
de conduzir a sociedade a negara política
Roberto Parizotti/CUT
A tensa semana política no Brasil terminou com manifestações golpistas. Algumas disfarçadas, como uma entrevista do senador Aécio Neves (PSDB) a uma rádio na quinta-feira (13), em São Paulo. O candidato derrotado na urnas disse que o segundo mandato da presidenta já começa com “sabor de final de festa” e que se existisse um equivalente eleitoral ao Procon, ela teria que “devolver o mandato” conquistado no dia 26 de outubro. Outras explícitas, como a manifestação de ontem – 125º aniversário da República – em que extremistas pediam “fora Dilma” e “intervenção militar”, com a direito a brigas e pancadarias entre os próprios “manifestantes”. Antes, porém, os protestos que vêm sendo convocados pela direita tiveram um forte contraponto, com a realização de marchas de movimentos sociais em dezenas de cidades. Em São Paulo, uma multidão calculada em 20 mil pessoas caminhou na região da Avenida Paulista, sob chuva, em defesa de reforma política, mais democracia e mais direitos.

No dia seguinte, houve a prisão espetacular de empresários investigados pela operação Lava Jato por suspeitas de corrupção em contratos com a Petrobras. A operação já teve lances de vazamento parcial de informações privilegiadas, com objetivo de atingir eleitoralmente apenas o PT. Inclusive expressões partidárias antipetistas de delegados da Polícia Federal participantes da operação foram expostas nas redes sociais. A atitude pôs em xeque a credibilidade dos agentes públicos, mas não a da operação Lava Jato.

O advogado Pedro Serrano, professor da PUC, entende que ela se trata da melhor e maior apuração da história da PF. Para Serrano, houve exagero nas prisões realizadas na sexta (14). “Houve abuso porque as prisões temporárias servem apenas para os investigados realizarem seus depoimentos e a maioria dos que foram presos já havia se colocado à disposição da Justiça. Ao que parece essas prisões foram apenas para criar um clima de espetáculo”. Na opinião dele, o que vale num processo desses é conseguir punir os culpados ao final do julgamento. E fazer barulho na apuração mais atrapalha do que ajuda, segundo disse ao Blog do Rovai. O advogado não acredita que a Lava Jato tenha motivação política e deve atingir empresários e políticos, e não parece algo que guarde relação apenas com um ou outro partido. “É algo muito maior.”

No blog O Cafezinho, o jornalista Miguel do Rosário avalia ainda que o chamado “petrolão”, ao atingir as principais empreiteiras do país e chamuscar todos os partidos, em especial os núcleos representados no Congresso, resultará no fortalecimento de Dilma Rousseff. “O escândalo é vasto demais mesmo para a nossa grande imprensa. Junto à opinião pública, apesar dos esforços da mídia (que só tem um objetivo: golpe), prevalecerá a impressão de que Dilma está cumprindo o que prometeu: não sobrar pedra sobre pedra. Até porque é isso mesmo o que está acontecendo. Ao dar liberdade e autonomia aos delegados e agentes da PF, sem exercer qualquer pressão sobre o Ministério Público, Dilma fez a sua grande aposta. E deu corda para os golpistas se enforcarem”, escreveu.

Líder da oposição

A conduta de Aécio de tentar se posicionar como líder da oposição já havia sido observada pelo ex-presidente Lula, na terça-feira, durante participação em reunião com dirigentes da CUT. Na ocasião, Lula disse que o senador tucano está “mexendo num vespeiro” onde não devia. “O Aécio está se achando. Teve 48% dos votos, com toda a mídia ajudando ele. Eu, em 1989, contra toda a imprensa e contra a maioria dos partidos, tive 47% e nem por isso me achei. E esse cidadão está lá, numa trincheira, não quer diálogo, não quer conversa. Deixa pra depois o que vai acontecer com ele”, ironizou.

O presença de Lula na reunião da direção executiva nacional da CUT dá sinais de que o ex-presidente terá um protagonismo maior na cena política. O ex-presidente lembrou o papel decisivo dos movimentos sociais e sindicais na eleições e disse que os eleitos graças a essa participação deverão dar mais ouvidos a esses segmentos da sociedade. “O Fernando Pimentel (eleito governador em Minas) terá de falar com a CUT antes, durante e depois da posse”, cobrou, referindo-se às intervenções da presidenta da CUT no estado, a professora Beatriz Cerqueira, que está sofrendo uma série de processos movidos pelo grupo de Aécio pele volume de denúncias envolvendo a situação do ensino público durante as gestões tucanas em Minas.

E mandou o mesmo recado a Dilma, defendendo que o movimento sindical seja ouvido não apenas para tratar de reivindicações trabalhistas, mas para discutir políticas para o país. “Toda a política de desoneração tem de passar por negociação com os sindicatos, para saber se vai haver ganhos para os trabalhadores do setor beneficiado.”

Nova agenda e vigilância

O discurso de pouco mais de uma hora de Lula não serviu apenas para cobrar os governos. O ex-líder metalúrgico cobrou dos dirigentes sindicais uma agenda mais sintonizada com a nova realidade do país. “Sinto que está faltando política em nossa ação sindical. O economicismo só não é suficiente”, disse. O ex-presidente lembrou que Dilma perdeu a eleição em quase todos os municípios governados pelo PT e até mesmo nos bairros populares de São Paulo onde vencia desde 1982, observando que muitos dirigentes sindicais “ficaram decepcionados com os trabalhadores da sua categoria votando em Paulo Skaf , Geraldo Alckmin ou Aécio.

“Passado o sufoco, é preciso entender o que aconteceu. O poder público precisa ter mais diálogo com a sociedade e nós precisamos ter mais conversa, mais parceria e mais solidariedade entre nós”, disse, reiterando que o movimento sindical não pode ficar restrito a conquista de cláusulas econômicas durante as campanhas salariais. “O movimento sindical tem de sair do chão de fábrica, do chão das lojas, do chão dos locais de trabalho, pois o limite de representatividade passa do chão. Tem a ver com cidadania, com educação, com saúde, com segurança. Temos que apresentar nossa pauta aos prefeitos, aos governadores e à presidência da República.”

Lula disse ainda que hoje há muitos jovens em todas as categorias profissionais e que é preciso dialogar com eles para tentar compreendê-los. “Hoje me espanto quando vou à porta de fábrica e vejo muito jovem que quer fazer faculdade, não quer ser mais apenas um peão. É preciso conversar com ele. É preciso colocar política na cabeça dele. Ele sabe qual foi o papel do pai e da mãe dele? Ele sabe qual foi e qual é o papel da CUT?", questionou.

O ex-presidente voltou a expressar preocupação com a “demonização da política” pela mídia. “A despolitização só interessa à direita. Não interessa a nós. Precisamos dizer com clareza o que fizemos e o que queremos fazer.”

Assista trechos da fala de Lula em reportagem da TVT



Lula terminou seu discurso alertando para o ambiente golpista instalado no país desde a reeleição de Dilma. “Esses que nos atacam são os mesmos que nunca aceitaram política social neste país. Não é á toa que na mesma capa da revista colocaram a minha cara e a cara da Dilma. E vai ser assim. Não vai ter moleza. Eu vou avisar vocês com antecedência. Vocês se preparem porque, da mesma forma que quando o movimento sindical encheu esse país de adesivos com a mensagem ‘mexeu com Lula, mexeu comigo’, a gente vai de ter de estar preparado para defender a Dilma”, alertou. “Eles vão vir pra cima.”

Ouça trechos da fala de Lula em reportagem da Rádio Brasil Atual


No RBA
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Quem é o tio dos agressores de jornalistas?

Se você não assistiu os vídeos em que os repórteres Guga Noblat, do CQC, e Marlene Bergamo, da Folha são atacados pelos manifestantes que acreditam estar defendendo nas ruas o Estado democrático, assista. Eles estão aí embaixo do texto e somados permitem uma aula em qualquer curso e para estudantes de qualquer idade. Pode-se falar de democracia, de liberdade de imprensa, de cultura do ódio, entre outras coisas.

O fato é que ao estimularem seus pit-bananas a ladrarem contra o que chamam de aparelhamento do Estado, golpe comunista, falta de liberdade de expressão e outras cositas mais, alguns velhacos da mídia chocaram o chamado ovo da serpente. E colocaram parte das pessoas que hoje dormem e acordam xingando o PT contra seus colegas de profissão.

Aliás, alguns deles, como o blogueiro da Veja e agora apresentador (só um minutinho que eu preciso dar uma sonora risada) de programa de rádio na Jovem Pan, Reinaldo Azevedo, utilizam seus espaços para criticar os jornalismo aparelhado o tempo todo.

Segundo eles, petistas das redações degradam a cobertura dos atos da bananada e tratam democratas que pretendem libertar o país como golpistas.

Como esse pessoal é limítrofe, a ordem lhes parece algo como: “ataquem os jornalistas que estiverem cobrindo os atos, eles também são seus inimigos”. E de alguma forma, não estão completamente enganados. Porque foram alimentados pelo ódio contra tudo e contra todos que não concordam com o ódio que seus tios da mídia destilam.

Os jornalistas sérios (e são muitos) que trabalham em veículos da mídia tradicional precisam reagir não só produzindo textos condenando essas ações, como se diferenciando daqueles que se tornaram seus capitães do mato.

O macartismo que foi tratado por alguns como algo inofensivo agora se tornou um monstro. Pode-se deixar o monstro à vontade por aí fazendo das suas, mas pode-se também buscar derrotá-lo.

O que não dá mais é fazer de conta que ele não existe. E que não é alguém que às vezes você acha até engraçadinho.



Renato Rovai
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Quem são os bandidos que batem em jornalistas e pedem o impeachment de Dilma

Protesto pede impeachment da Dilma (Foto: AP)
Acostumados a se esgueirar pela noite, sempre em bandos, em busca de homossexuais e negros andando desacompanhados (para cobrir de porradas, quem sabe matar), predadores neonazistas agora deram para exibir sua truculência à luz do dia.

Como participantes das manifestações que a direita paulistana vem promovendo para disseminar seus ideais golpistas, esses órfãos de Hitler parecem ter encontrado uma turma disposta a acolhê-los e legitimá-los, como se fossem apenas mais alguns entre os opositores do governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, recém-eleita.

Seria apenas uma moçada jovem, careca e muitas vezes musculosa exercendo o sagrado direito democrático de manifestação e expressão.

Só que não.

Nas redes sociais, essa gente reúne-se em comunidades com nomes carregados de simbolismos de violência explícita, como Carecas do ABC, CCC (uma homenagem ao velho Comando de Caça aos Comunistas, organização paramilitar de direita que teve seu apogeu nos anos 1970), Frente Integralista Brasileira (uma contrafação de organização nazista), Confronto 72 (anti-semita e skinhead), além do Combate RAC (Rock Contra o Comunismo) e do Front 88 (a oitava letra do alfabeto é o H; HH dá “Heil, Hitler”, a saudação dos nazistas).

Trata-se de grupos que cultivam o ódio como definição existencial, como se viu no ato público realizado no sábado (15/11) pelo impeachment de Dilma.

Pois bastou a tais lobos encontrarem a repórter-fotográfica Marlene Bergamo, da “Folha de S.Paulo”, que registrava a manifestação tendo ao lado Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais-SP, para começarem a salivar.

Armados de socos ingleses, muitos carecas, vestidos com camisetas ilustradas com a bandeira de São Paulo, ou com os dizeres “Fora Dilma”, ou “Hate” (Ódio), ou “Proud” (Orgulho), acharam-se no direito de urrar nos ouvidos de quem desconfiavam ser “petralha”: “Comunistaaaaa!”, “Vai pra Cubaaaaaa!”

Como hienas excitadas, e sempre em bando, prometiam “limpar a rua desses malditos”. Logo um deles desferiu cusparada no rosto de Zelic. Outro estapeou Marlene quando viu que ela filmava a agressão.

Covardes.

É claro que a direita “fina” quer parecer distante dessa turma. Não pega bem aparecer ao lado de facínoras tatuados com o número 88, ou exibindo a Cruz de Ferro com a suástica, com que se condecoravam os militares alemães, durante o Terceiro Reich.

O candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), totalmente sem eixo, perspectiva e nem noção, achou de comparecer ao ato, mas sem subir nos carros de som.

Sua adesão, entretanto, foi comemorada pela malta. Que o tucano, agora, não alegue desconhecimento sobre quem seriam seus companheiros de passeata.

A última que essa gente patrocinou,no dia 1º de novembro, acabou nas portas do Comando Militar do Sudeste, o antigo Segundo Exército, no bairro do Paraíso, em São Paulo, implorando pela “Intervenção Militar Já”.

Foi, aliás, nas tristes instalações do Segundo Exército, em seu anexo mais soturno, o DOI-Codi, que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado em 1975, por bandidos anti-comunistas como esses que cuspiram no rosto do ativista e bateram na fotógrafa.

E o que dizer da paralisia da Polícia Militar diante das ameaças dos fascistas? Estaria inebriada com os gritos de “Viva a PM!”, entoados pela turba?

Todos se lembram quando, nas manifestações contra a Copa, a PM revistava mochilas e confiscava qualquer apetrecho “suspeito”, levando preso o seu proprietário.

Foi assim que um frasco contendo líquido amarronzado e cheirando chocolate, que depois a perícia provou ser Toddynho mesmo, custou quase dois meses de prisão a um manifestante.

No ato pelo impeachment da presidente Dilma, contudo, a polícia fez-se se de morta, enquanto rapazes com socos ingleses, canivetes e nunchakus (arma usada por praticantes de artes marciais) desfilavam impunemente, arrostando sua violência e arreganhando os dentes.

Na hora em que essa gente matar alguém, que pelo menos o senador Aloysio e o comando da PM não digam que foram pegos de surpresa. Seu silêncio e inação são cúmplices.

Laura Capriglione
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Dia da Bandeira do Brasil



Hino à Bandeira:
Letra de OLAVO BILAC
Música de FRANCISCO BRAGA
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Em outubro, desemprego foi de 4,7%


A taxa de desocupação em outubro foi estimada em 4,7%, não apresentando variação significativa frente a setembro (4,9%). No confronto com outubro de 2013 (5,2%), a taxa caiu 0,5 ponto percentual. A população desocupada (1,1 milhão de pessoas) ficou estável frente a setembro e caiu 10,1% em relação a outubro de 2013. A população ocupada (23,3 milhões) registrou alta de 0,8% em relação a setembro e ficou estável na comparação com outubro do ano passado. A população não economicamente ativa foi estimada em 19,0 milhões, mantendo-se estável em relação a setembro e crescendo 3,3% frente a outubro de 2013. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,7 milhões) ficou estável tanto em relação a setembro de 2014 quanto a outubro de 2013. O rendimento médio real habitual dos ocupado (R$ 2.122,10) ficou 2,3% acima registrado no mês anterior (2.075,39) e 4,0% maior do que o obtido em outubro de 2013 (R$ 2.041,10).A massa de rendimento médio real habitual (R$ 50,1 bilhões) em outubro de 2014 registrou alta de 3,1% em relação a setembro último e de 3,8% na comparação com outubro do ano passado. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (50,3 bilhões em setembro de 2014) cresceu 2,9% na comparação com agosto de 2014 e 4,4% na comparação com setembro de 2013.

A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, SãoPaulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.

Taxa de desocupação (%)


Desocupação cai em Salvador e fica estável nas demais regiões

Regionalmente, a análise mensal mostrou que a taxa de desocupação na região metropolitana de Salvador caiu 1,8 ponto percentual (de 10,3% para 8,5%) e nas demais regiões não variou. Em relação a outubro de 2013, a taxa subiu 1,6 ponto percentual em Porto Alegre (de 3,0% para 4,6%) e caiu 1,2 ponto percentual em São Paulo (de 5,6% para 4,4%). Nas demais regiões não foi observada variação significativa.


O contingente de desocupados, em outubro de 2014, foi estimado em 1,1 milhão de pessoas no conjunto das seis regiões investigadas, não apresentando variação na comparação com setembro. Frente a outubro de 2013, o comportamento foi de queda (-10,1%). Na análise regional, o contingente de desocupados, em comparação com setembro, apresentou redução em Salvador (-18,4%), ficando estável nas demais regiões. No confronto com outubro de 2013, a desocupação aumentou 55,4% em Porto Alegre e caiu em São Paulo (-22,7%) e em Belo Horizonte (-16,7%).

Nível da ocupação fica em 53,6%

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado, em outubro de 2014, em 53,6%, para o total das seis regiões investigadas, registrando alta de 0,4 ponto percentual frente a setembro (53,2%) e queda de 0,6 ponto percentual no confronto com outubro do ano passado (54,2%). Regionalmente, na comparação mensal, o cenário foi de estabilidade em todas as regiões. No confronto com outubro do ano passado, em Belo Horizonte, esse indicador caiu 1,9 ponto percentual (de 56,5% para 54,6%), e em Salvador ocorreu elevação de 1,6 ponto percentual (passou de 52,0% para 53,6%).

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade de setembro para outubro de 2014, observou-se estabilidade em todos os grupamentos. Em comparação com outubro do ano passado, houve queda de 4,0% no Comércio e alta de 4,4% em Outros serviços.

Na comparação anual, rendimento médio aumenta em todas as regiões

Regionalmente, em relação a setembro, o rendimento cresceu em Salvador (9,7%), Belo Horizonte (4,6%), Rio de Janeiro (0,8%) e São Paulo (2,8%); caiu em Porto Alegre (-1,8%) e não se alterou em Recife. Na comparação com outubro de 2013, o rendimento apresentou acréscimo em todas as regiões, com destaque para o Rio de Janeiro (8,6%) e Recife (8,4%).

Na classificação por grupamentos de atividade, para o total das seis regiões, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a setembro de 2014 foi na Indústria (6,4%). Nenhum grupamento apresentou queda e Educação, Saúde, Administração Pública manteve-se estável. Na comparação anual, observou-se aumento em todos os grupamentos, sendo o mais expressivo na Indústria (6,1%).


Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido se deu entre os trabalhadores por conta própria, tanto na comparação mensal (5,2%) quanto na anual (6,0%). Militares e funcionários públicos estatutários apresentaram queda na comparação mensal (-1,5%) e, na comparação anual, os empregados sem carteira do setor privado mostraram rendimento estável.


No IBGE
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Resposta exemplar ao golpismo


Numa reação institucional inédita, Conselho Nacional do Ministério Público afasta por 90 dias procurador que divulgou documento que elogia golpe de 64 e critica militares de hoje pela "cabeça baixa"

Em determinadas situações, fatos que parecem menores adquirem uma importância inesperada. O que distingue uma coisa da outra é a conjuntura política.

Na segunda-feira passada o Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público tomou uma atitude que merece um aplauso prolongado e vários momentos de reflexão.

Afastou por 90 dias o procurador Davy Lincoln Rocha, do Ministério Público em Joinville, Santa Catarina, que, em tom de provocação, divulgou pela internet um apelo às Forças Armadas, sugerindo uma intervenção militar no país. Dirigida a oficiais superiores, a “Carta Aberta às Forças Armadas define o sistema político brasileiro criado pela Constituição de 1988 como “simulacro de democracia, onde um único poder, o PT, suprimiu os demais” e faz um elogio absurdo ao golpe de 1964: “quando o Brasil se encontrava na beira do abismo, prestes a cair nas mãos do Comunismo, da baderna generalizada, os senhores se apresentaram e devolveram um país democratizado, estável, a salvo de ter-se tornado uma republiqueta de bananas. Teríamos nos tornado uma gigantesca Cuba, ou uma Venezuela, ou mesmo uma Bolivia, não fossem os senhores.”

Quando se refere aos militares do Brasil de 2014, o procurador evita toda sutileza. Diz que se mostram “calados, tímidos, de cabeça baixa” diante da “corruptocracia que dominou aquilo que outrora chamávamos Brasil.”

Fazendo críticas diretas ao governo Dilma, o procurador define o programa Bolsa Família como “uma genial estratégia de compra de votos”, que deixa 40 milhões de brasileiros “entre a opção de passar fome ou trocar seu voto por um carrinho de supermercado.” Acusa o “Mais Médicos de manter “escravos da ditadura cubana”.

Num momento inacreditável, o texto chega a elogiar os trabalhos de espionagem do governo norte-americano no Brasil: “em boa hora a democracia americana já se acautela em obter informações”.

Na mesma passagem, o procurador condena a posição das Forças Armadas, que cumprem a determinação constitucional de manter-se como um poder subordinado ao regime democrático: “enquanto os senhores, cabeças baixas, batem continência a tudo isso.”

Por iniciativa do conselheiro Luiz Moreira, o CNMP debateu e aprovou um Prodecimento Administrativo Disciplinar contra o procurador. O conselheiro lembrou que ao sugerir uma intervenção militar, Davy Lincoln “utilisa de suas prerrogativas para manchar o regime democrático e a soberania nacional.” Para Luiz Moreira, o procurador cometeu crime contra a ordem democrática e demonstrou ausência de decoro pessoal.

Em situações normais, a carta do procurador e a reação do Conselho Nacional do Ministério Público poderia ser vista como um assunto interno, de interesse restrito a corporação. Num país onde a fraqueza dos compromissos democráticos de vários setores da oposição tem estimulado passeatas contra a democracia e até manifestações vergonhosos a favor de um golpe militar, sua importância é outra. O inconformismo contra a consolidação — pelo voto popular — de um projeto de combate à desigualdade e por melhorias na condição de vida dos mais pobres tem levado a comportamentos a margem da lei e do que é razoável do ponto de vista político.

Por essa razão, o afastamento do procurador por 90 dias é um bom exemplo para o país. Foi a primeira reação institucional ao surto de proclamações golpistas que tem ocorrido no país.

Não é pouca coisa, até porque não faltam exemplos daquilo que não deve ser feito. Amanhã, terá passado uma semana desde que, graças a uma reportagem de Julia Duailibi, publicada pelo Estado de S. Paulo, o país ficou sabendo que delegados da Polícia Federal em posição de comando na operação Lava Jato passaram a reta final da campanha presidencial distribuindo material de propaganda anti-PT e pró-Aécio Neves pela internet, num comportamento condenado pelo Regimento Disciplinar. Embora o Ministério da Justiça tenha anunciado a abertura de um inquérito, até agora nenhuma medida disciplinar foi tomada.

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Sérgio Porto # 49


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Essa é do Barão... 107


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