18 de nov de 2014

Vai começar a derrocada Global


Rival do Ibope enfrenta bandidos para medir audiência em favela

Um dos maiores institutos de pesquisa do mundo, a GfK entrega em abril os primeiros relatórios de medição de audiência no Brasil. Pela primeira vez, o Ibope terá um concorrente na aferição de público de televisão. A instalação dos 20 mil aparelhos medidores começou há um mês e deve terminar em fevereiro. Apesar de o people meter (como é conhecido o medidor) da GfK parecer um inofensivo porta-retratos que funciona como relógio digital, a tarefa não tem sido fácil.

Na semana passada, funcionários da empresa foram expulsos por bandidos armados em uma favela de Osasco, na Grande São Paulo. "Os traficantes não querem que um aparelho que monitora o que as pessoas fazem seja instalado na área deles", afirma Ricardo Monteiro, diretor-geral da divisão de mediçao de audiência da filial brasileira do instituto alemão, que receberá US$ 100 milhões de investimentos de quatro redes de TV (Record, SBT, Band e RedeTV) nos primeiros cinco anos de atividade no país.

Será a primeira vez que se medirá audiência em favelas de São Paulo, segundo Monteiro, que diz ter contornado a resistência em Osasco. A GfK promete uma medição mais precisa e representativa da população do que a do Ibope, e para isso terá que estar em todas as classes e em todas as "quebradas".

Antes de selecionar os 6.000 domicílios que receberão os 20 mil people meters, a GfK fez um "censo" com 66 mil entrevistas para descobrir a "distribuição correta da população" das 15 regiões em que irá atuar, as mesmas cidades aferidas pelo Ibope.

Os números da GfK serão diferentes dos do Ibope, e não apenas porque a amostra de 6.000 domícilios é maior do que a do concorrente, recentemente expandida para 4.780 casas nas 15 metrópoles. Primeiro, a GfK não irá informar audiência domiciliar, mas audiência individual. Cada um ponto na GfK representará 1% da população media (cerca de 200 mil pessoas na Grande SP) e não 1% das casas (65 mil). As emissoras poderão dizer que seus programas foram vistos por milhões de pessoas, e não que tiveram tantos pontos.

Todos os televisores dos domicílios pesquisados serão medidos. "Hoje, pode haver audiências que não são medidas", diz Monteiro, alfinetando o conceito de audiência domiciliar do Ibope. "Faz tempo que as pessoas de uma mesma família não se reúnem na sala para ver televisão. Cada um vê TV do seu jeito".

People meters da GfK em teste na sede da emissora, que ocupa quatro andares em prédio da Vila Olímpia
Televisão e segunda tela

A GfK, a rigor, não vai medir audiência de televisão, mas o uso que se faz do televisor. Todo o conteúdo que passar pela tela da TV será mensurado, venha ele de um sinal aberto, da TV por assinatura, de um Xbox ou de um Google Chrome ou Apple TV. Aplicativos como os da Netflix serão identificados, mas ainda não será possível saber o que se trafega por eles.

A maior novidade, contudo, será a aferição simultânea do consumo de TV com a chamada segunda tela. Numa segunda etapa, a GfK irá monitorar o consumo de internet (e de televisão) dos computadores, tablets e smartphones nos domicílios que estão recebendo people meters. Assim, será possível saber quantas pessoas assistem ao Fantástico ou Big Brother Brasil, por exemplo, e ao mesmo tempo tuítam, postam no Facebook ou navegam no UOL (e quais reportagens elas estão lendo).

Os "porta-retratos" da GfK registrarão a cada dois segundos o que se vê na tela do televisor, uma medição 15 vezes mais rápida do que a do Ibope. Assim, o instituto poderá traçar paineis do comportamento do público nos intervalos comerciais e durante os merchandisings. As informações serão enviadas por sinal de celular para uma central de processamento na Vila Olímpia, em São Paulo, onde serão cruzadas com a programação das emissoras abertas e canais pagos.

Com chips de duas operadoras de telefonia celular, os people meters identificam até 16 pessoas de uma mesma família em um mesmo ambiente e eventuais visitantes. Dessa forma, os amigos que assistem a uma partida de futebol na tarde de domingo poderão contar na medição de audiência. O people meter funciona como um controle remoto. Todo o controle da programação da TV passa por ele. Em sua tela, exibe perguntas, como o número de pessoas e a identidade de quem está vendo determinado programa.

A instalação dos 6.000 people meters terminará em fevereiro, quando começarão a ser produzidos os primeiros relatórios, ainda como testes, para "balanceamento" da amostra. Em abril, a medição começa para valer em São Paulo e Rio de Janeiro. Em junho, abrangerá os 15 mercados (além de SP e Rio, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Vitória, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Manaus). Todas as praças terão medição em tempo real, minuto a minuto. A audiência da TV paga também será em "real time" — hoje, o Ibope só a fornece três dias depois.

No Notícias da TV
Leia Mais ►

Lula, Lobão e ZéDirceu


Lobão de camiseta VERMELHA feito um comunista nos bastidores da festa do PT com LULA e ZE DIRCEU no Estádio de Vila Euclides.

Lobão:
Oportunismo a toda prova

Vira casaca quando lhe convém

Leia Mais ►

Leste da Europa vive inverno de 'e-revolução'


O Leste da Europa está a ser atingida por um "inverno de descontentamento", segundo a análise de vários especialistas regionais.

Culpam a internet e as redes sociais de veicularem ideias defendidas pelos movimentos anti-governamentais.

Na origem da agitação na Hungria, por exemplo, está o anúncio de que os utilizadores do país vão passar a pagar uma taxa de cerca de 50 cêntimos por cada gigabyte de dados consumidos.

Leia Mais ►

Quem está alimentando os corvos que atacaram o repórter do CQC?

Guga mostrou caráter
Primeiro: toda a solidariedade do DCM ao jornalista do CQC agredido verbalmente por extremistas de direita num protesto contra Dilma.

Aconteceu uma coisa parecida em outro protesto com um repórter do DCM, Pedro Zambarda de Araújo.

Assisti ao vídeo.

Fiquei admirado com a atitude do jornalista.  Foi minha primeira surpresa. Soube se comportar. Foi altivo num ambiente de alto risco. Poderia ter apanhado. Dado ódio dos manifestantes, poderia ter sido linchado.

Minha segunda surpresa foi ao saber que se tratava do filho de Ricardo Noblat, Guga Noblat.

Havia uma ironia ali. Guga foi chamado repetidas vezes de chapa-branca e de mídia vendida.

A ironia é que Noblat insistentemente chama sites fora das grandes empresas jornalísticas de chapa branca.

Guga recebeu, de maníacos, o mesmo insulto que o pai aplica a tantos sites.

Vou passar pelo absurdo que é de alguma forma associar o CQC ao PT. Algum tempo atrás, para lembrar apenas uma passagem, o CQC massacrou Genoino ao vivo com um expediente vergonhoso. Usou uma criança como isca para tripudiar sobre ele.

Marcelo Tas, que só agora vai deixando o comando do CQC, é sabidamente um dos homens mais reacionários da tevê brasileira.

“Mídia vendida?”

A direita brasileira enlouqueceu.

Ao comentar o vídeo, que viralizou nas redes sociais, várias pessoas lembraram de um filme do diretor espanhol Carlos Saura, Cria Cuervos.

Essencialmente: você alimenta corvos e corre o risco de ser devorado por eles.

Ricardo Noblat pertence a um mundo que vem, desde que o PT ascendeu ao poder, criando corvos, como este que ameaçou o jovem Guga.

É o mundo das grandes empresas jornalísticas.

Veja como Jabor se refere ao PT e aos petistas em todas as mídias da Globo – tevê, rádio, jornal, internet.

Os petistas são bolcheviques prestes a instaurar uma ditadura estalinista no país, conforme Jabor.

Como ele, tantos outros fazem a mesma pregação de ódio e ignorância: Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Augusto Nunes, Ricardo Setti, Rachel Sheherazade, Merval Pereira, Pondé, Mainardi etc.

Noblat pertence a este grupo.

É fácil e difícil a vida deles. Fácil porque têm ocupação garantida, desde que criem corvos. Difícil porque, se ousarem expressar opiniões diferentes daquelas pelas quais são pagos, são rapidamente descartados.

Barbara Gancia, por exemplo, começou a escrever coisas fora do habitual, e foi encostada pela Folha.

Sou pai, e sei como Noblat deve ter se sentido ao ver a violência a que Guga foi submetido.

Noblat teve sucesso na educação do filho valente, fica claro no vídeo.

Como pai, brilhou.

Mas como jornalista ele está ajudando a criar os corvos que poderiam vitimar seu filho.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

O dia em que o Pânico e CQC se deram mal


Leia Mais ►

A lição de um garoto de 10 anos sobre o racismo




Um menino de 10 anos deu a resposta perfeita para quem acredita que a melhor forma de acabar com o racismo é deixar de falar nele, como acredita o ator Morgan Freeman. Aluno da rede pública de São Paulo, Gustavo Gomes da Silva foi entrevistado pela TVT para falar de um projeto que promove leitura de obras africanas e afro-brasileiras nas escolas do município.

“Se eu sou mesmo afrodescendente, eu quero saber as histórias da África, porque mesmo que não apareça a moral, como nas fábulas, elas têm uma moral escondida que você aprende”, disse o estudante do 5º ano do ensino fundamental, destacando, provavelmente sem saber, a importância do cumprimento da lei 11.645/2008, que inclui no currículo oficial da rede de ensino história e cultura afro-brasileira e indígena.

Ao ser perguntado se esse conhecimento ajuda a combater o preconceito, o garoto afirmou: “Tudo nesse mundo cria um debate, tem sempre alguém que vai ser racista, que vai ter uma opinião diferente, por isso que eu gosto de aprender alguma coisa, não para você debater com a pessoa, mas você mostrar pra ela como que é você ser negro”.

A resposta de Gustavo é a antítese da fala de Freeman em uma entrevista para o “60 minutes”.  Ao ser questionado pelo apresentador Mike Wallace sobre como os americanos poderiam se livrar do racismo, Freeman foi enfático: “parando de falar sobre isso”.

Esta parte da entrevista viralizou e é louvada por boçais e internautas pouco esclarecidos convictos da existência de igualdade racial no Brasil. É uma crença com bases quebradiças, porém o conluio da ignorância com a canalhice dá a ela um batalhão fiel de seguidores.

Com a leveza e a simplicidade dos seus 10 anos, Gustavo fragiliza ainda mais os argumentos contrários às políticas de inclusão racial. De quebra, mostra que não é preciso ser estrela de Hollywood para dar uma de todo poderoso, pelo menos quando o assunto é racismo.

Marcos Sacramento
No DCM
Leia Mais ►

O que matou Paulo Francis





Leia Mais ►

Doença mental na política



As eleições de 2014 foram palco de um acirramento discursivo sem precedentes no país. A disponibilidade de meios e a facilidade dos fins desencadeou uma espécie de loucura coletiva que dividiu famílias, amigos e comunidades. Nunca se falou tanto em política nos divãs e os conflitos se alastram catalisando o tencionamento de relações entre professores e alunos, médicos e pacientes, empregados e funcionários. Transfigurações e epifanias se sucediam quando se descobria um novo colega “aecista” ou quando um pequeno gesto deixava farejar um “dilmista” nas redondezas.

A coisa já vinha se anunciando desde que as manifestações de junho de 2013 anunciavam, ao lado da renovação da esquerda, a emergência de um novo discurso conservador, cujo traço mais significativo é a suspensão do seu tradicional universalismo. Lembremos aqui que o apóstolo Paulo é conhecido como inventor do universalismo ao interpretar que a chegada do cristianismo significa uma suspensão da antiga lei, que dividia as pessoas entre “gregos e judeus, entre mulheres e homens, entre escravos e livres”.* Diante da nova lei, com a qual podemos nos medir e comparar, somos todos iguais e dissolvemos nossas particularidades de nascimento, de origem cultural, de gênero ou de condição social.

Discordo dos que pensam que a política deveria ser o espaço do debate neutro de ideias, sem a degradação representada pelo “Fla-Flu” eleitoral. O “Fla-Flu” está aí desde que há política e o antagonismo que ele representa constitui a política como ocupação do espaço público, não sem violência. Há interesses e há diferença de interesses. Ocorre que a nomeação dos “times” já é um ato político. Dividir as coisas entre direita e esquerda, entre progressistas e conservadores, ou entre liberais e revolucionários, exprime não só o lugar de quem propõe a geografia do problema, quanto a teoria da transformação que este pressupõe. Mas então o que teria mudado nesta última eleição de tal maneira que o ódio e o ressentimento parecem ter assumindo o controle discursivo da situação?

Paulo Arantes argumentou que esse fenômeno corresponde ao surgimento de uma polarização assimétrica, na qual há um lado que não está interessado em governar, mas em impedir que haja governo. O outro lado, o da esquerda moderada, está um tanto esgotado quanto a definir que Brasil interessa ao conjunto paulíneo dos brasileiros. Teríamos assim um agrupamento que não quer mais esperar, que alterou a relação da política com o tempo, e que não está interessado nas próximas eleições como ponto de mudança. Do outro lado, uma esquerda incomodada por ter que apostar em uma plataforma de continuidade. Para quem conhece a expressão vergonha alheia, adapte-se ao contexto definido por uma espécie de inveja alheia. Situação e oposição vivendo um drama de sinais de identidade trocados.

É o caso da madame que despede sua empregada servindo-se do discurso de que virão tempos de crise, nos quais ela não poderá arcar com os custos fixos de uma funcionária. Sabendo que a tal havia votado em Dilma, a demissão transforma-se em uma descompostura moral contra o voto mal feito. Como se a empregada, ao eleger Dilma, tivesse levado a patroa ao ato de demissão. O medo do declínio social, a incerteza identitária que caracteriza a classe média, transforma-se cinicamente em um ato de bravura vingativa e afirmação de força política feita por outras vias.

A chamada “elite branca” jamais havia sido confrontada tão abertamente quanto nessa combinação de cinismo, auto-complacência e complexo de adequação, que veio a carregar semanticamente a palavra “coxinha”. O nosso rico típico deixou de ser o ostentador consumista cuja autoridade depende da capacidade de impor humilhação e inveja ao outro, assim como petista não é mais o pobre engajado na aliança operário-camponesa-estudantil. O novo discurso do ódio generalizado começa pela interpretação de que até mesmo nossos inimigos são farsantes, dissimulados, pessoas que escondem o que “realmente são”. Os petistas viraram “esquerda caviar” e os ricos viraram “coxinhas”. Neste novo mundo, não se pode confiar nem mesmo em nossos inimigos, estes corruptos e dissimulados, black ou yellow blocs, mascarados.

Isso é muito evidente nos epígonos desta nova era de ressentimento na política, que já vinha sendo anunciada pela nova direita conservadora. Figuras visionárias que perceberam com clareza que, diante dos perigos representados pela diminuição da exclusão social e da desigualdade, seria preciso construir uma reação representada pela exclusão discursiva e por novas retóricas da diferença. Como quem diria: “os que pensam diferente de nós não representam apenas outro ponto de vista, mas são pessoas doentes que precisam ser corrigidas como indivíduos desviantes”. E o ponto comum nesta exclusão é a redução de seus adversários a uma figura de irracionalidade.

Não há que se argumentar com os “petralhas” porque eles “são” pessoas moralmente indignas. E por petralhas inicia-se uma associação englobante que vai do governo a todos os que votam no partido e termina em todos aqueles que se recusam a “ver o óbvio” — inclusive a pobre empregada doméstica demitida. Estes estão possuídos por um estado de excepcionalidade na qual foram destituídos de sua razão, do uso livre da vontade, revelando assim seu verdadeiro caráter.

Ora, como psicanalista, interessado na psicopatologia, salta aos olhos o uso sistemático e recorrente que este discurso faz da noção de doença mental. Isso me faz retomar o debate interrompido com Rodrigo Constantino sobre o uso da destituição da racionalidade do outro, pelo seu rebaixamento ao estado de loucura. Para tanto remeto o leitor a afirmações como:

“A verdadeira desordem psiquiátrica é justamente esse esquerdismo doente, que relativiza tudo e não encontra mais parâmetro algum de comportamento decente.”
(Rodrigo Constantino. “Pedofilia: uma orientação sexual?”. Veja, 31.10.2013. Página visitada em 20.11.2013.)

Questionado, nesta coluna, sobre o fato de que nenhuma orientação política ou religiosa pode ser considerada imediatamente um transtorno mental, percebe-se, na resposta do autor, que o uso de expressões como “esquerdopatia” não é alegórico, metafórico ou um exagero retórico, mas representa uma crença real de que as pessoas que pensam e votam à esquerda são “portadoras de um problema mental”. Elas estão realmente sancionando os milhões de mortes ocasionados pelos ditadores cubanos, chineses ou cambodjanos. Os eleitores de Dilma são psicopatas, como eles. Em escala reduzida, elas são tão corruptas quanto a turma do Lava a Jato da Petrobrás. Confrontado com o fato de que a associação entre orientação política e diagnóstico de transtorno mental é repudiada explicita e veementemente, até mesmo pelos manuais mais conservadores em psicopatologia, como o DSM-V e o CID-X, Constantino responde que:

“O psiquiatra Lyle Rossitter, por exemplo, sustenta que esse esquerdismo é sim um desvio de personalidade. Você não diria que os nazistas sofrem de certa patologia? Então orientação política não pode jamais ser patologia? Não tem nada a ver com comportamento decente? Nem mesmo no caso dos nazistas? Ou será que você, agora, vai adotar um critério seletivo para conviver com esse discurso relativista e hipócrita?
(Rodrigo Constantino, “A esquerda dissimulada“, Veja, 08/07/2013)

Uma determinada orientação de personalidade, circunstanciada em um contexto social, mediada por alternativas politicamente definidas, pode favorecer a adesão a certas ideologias, mas aí — e este é o ponto — há personalidades autoritárias de direita e personalidade autoritárias de esquerda. O erro aqui é pensar que a personalidade autoritária, a psicopatia, ou a personalidade anti-social, liga-se necessariamente a um tipo de partido, religião, gênero ou raça. Todavia o erro segundo, e mais importante, é inverter esta relação imaginando então que pessoas de tal partido ou orientação política ou religiosa — que coincidentemente não é a sua própria — têm uma determinada compleição patológica específica. É assim que se engendra, discursivamente, um processo como a homofobia. É assim que se desdobram os fenômenos de preconceito contra grupos e classes.

Quem leu o excelente estudo de Daniel Goldhagen, Os Carrascos Voluntários de Hitler, (Cia. das Letras), ou passou por Eichmann em Jerusalém de Hanna Arendt (Perspectiva) sabe que as atrocidades nazistas não foram causadas pelo repentino nascimento de milhões de alemães acometidos subitamente pela psicopatia. Os carrascos voluntários que trabalharam em Auschwitz e Treblinka eram, no geral, banais funcionários de Estado, interessados em valores como conformidade, adequação e obediência. Pessoas que se sentiam irrelevantes, mas que podiam substituir esta irrelevância por um grandioso projeto coletivo se obedecessem ao discurso correto.

Ou seja, eles não se distinguiriam de todos nós por sofrerem de patologias específicas, simplesmente teriam sido “mobilizados” por um discurso. Um discurso que, como o do bom burocrata, os fazia adivinhar a vontade do mestre, produzindo uma escalada de violência institucionalizada. Um discurso que suspendia o universal pela divisão entre espécies: loucos e normais, homens e mulheres, bons e maus, judeus e arianos. Em outras palavras, os carrascos voluntários não eram pessoas indecentes, mas personalidades excessivamente orientadas para o que eles julgavam ser a decência do momento. Passar de categorias clínicas e disciplinas psicológicas ou psiquiátricas para categorias morais como decência e indecência não é um acidente. Isso remonta a uma antiga e errônea convicção de que transtornos mentais implicam rebaixamento cognitivo (expressões como idiota e imbecil nasceram no alienismo psiquiátrico), ou desvios de caráter que pactuam de uma moral duvidosa. Nada mais errado e nada mais preconceituoso. Aliás, vejamos como o psiquiatra supracitado, Lyle Rossiter, caracteriza a esquerda antes de patologizá-la:

“Para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, a agenda esquerdista recomenda a negação da responsabilidade pessoal, incentiva a autopiedade e autoconsideração, promove a dependência do governo, assim como a indulgência sexual, racionaliza a violência, pede desculpas pela obrigação financeira, justifica o roubo, ignora a grosseria, prescreve reclamação e imputação de culpa, denigre o matrimônio e a família, legaliza todos os abortos, desafia a tradição social e religiosa, declara a injustiça da desigualdade, e se rebela contra os deveres da cidadania.”
(Lyle Rossiter. The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness. Free World Books, U.S.A, 2011)

O curioso neste retrato, no qual nenhum esquerdista real consegue se reconhecer, é que ele não contém nenhum elemento clínico, apenas ilações morais, semelhantes às que são mobilizadas na onda de ódio que precedeu e sucedeu as eleições. O segundo elemento estranho é que o livro em questão chama-se The Liberal Mind, ou seja, a mente liberal e não a mente esquerdista (Leftist Mind). Devemos tomar isso como uma confissão de que a mente liberal tem agendas esquerdistas? O terceiro acaso, absolutamente irônico, é que o grande caso de uso político da doença mental, historicamente denunciado, ocorreu na União Soviética dos anos 1950, onde se diagnosticava massivamente a “esquizofrenia progressiva” nos que discordavam de Stalin, antes de enviá-los aos Gulags. Ou seja, esta história de achar que esquerdista é doente mental, é uma invenção de… esquerdista, mascarado de liberal, que não consegue separar clínica de moralidade preconceituosa. Diria mesmo, que dentro de cada “aecista” sanguinário, mora uma pequena Dilma, que à noite, quando ele deita a cabeça no travesseiro, lhe sussurra obscenidades indecorosas, mas ainda assim irresistíveis.

Contudo, o verdadeiro problema do discurso da nova direita conservadora e injustificadamente intitulada “liberal” não é o clamoroso erro de uso de categorias indevidas, em contexto de desqualificação do adversário. No caso da “esquerdopatia” isso é simplesmente ignorância. O problema é que este discurso possui efeitos de incitação, desencadeamento e estimulação sobre nossas formas habituais de sofrimento e seus sintomas associados. O que este discurso faz é nomear nosso mal-estar, atribuindo-lhe uma causa precisa e localizável: “os esquerdistas e suas mentes doentias”. Ele nos faz pensar nosso sofrimento como sendo causado por um determinado objeto intrusivo que veio, não se sabe de onde, perturbar nossa paz e harmonia.

Podemos não acreditar nesta bobagem de que a esquerda é uma patologia mental, mas mesmo assim somos expostos a (e absorvemos) esta lógica discursiva. A lógica que suspende o universal, a lógica anti-São Paulo, não se faz em nome de nossa singularidade, mas em nome de nossas particularidades adesivas, do grupo que garante e certificpaula minha identidade.

Contudo, a novidade nesta onda de ódio é que ela não age em nome da identidade de cada qual, ela não fala sobre a certeza de “quem somos nós”, mas da certeza de quem é o outro. Surge assim a crença de que somos o que somos, não porque pertencemos a este ou aquele clube, mas porque não somos do clube do vizinho. Clube, aliás, que não deveria ter direito a existência. Passamos a acreditar que a palavra não é mais um meio de transformação — afinal, ‘quem vai discutir com loucos?’ —, que a negociação de interesses não é mais possível — afinal, são desonestos, e não podemos confiar neles —, e que como o Outro está a jogar um “vale tudo fora das regras”, nós também seríamos autorizados a fazer o mesmo… certo? Eis a atualização da lei de Gérson versão 2014.

Ou seja, a nossa percepção da Política, ainda que parcial ou equivocada, muda nossa relação com o mundo e a interpretação de quem são estes outros com quem vivemos. Um discurso que pregue que só existem homens e mulheres, loucos e normais, judeus e gregos, ricos e pobres, nordestinos e sulistas, para em seguida perguntar “de que lado você está?” incidirá em todas as psicopatologias, transversalmente extraindo de cada uma delas o que há de pior. Este efeito soma de todos os males acontece porque identificamos nossa própria divisão subjetiva com uma divisão objetiva, no mundo, de tal forma que se torna tentador eliminar um dos polos do conflito, que tanto nos assedia e nos faz sofrer.

Silenciando o outro, tornando-o irracional, louco e desprezível, nós nos “normalizamos”. Aderindo a um dos dois lados no qual o mundo se simplificou, nos demitimos do trabalho e da incerteza de ter que escolher, como meros indivíduos, dotados de almas inconstantes, em meio a uma geografia indeterminada. E assim esquecemos que o universal que nos constitui é exatamente esta divisão, que nos torna pauliniamente seres capazes de loucura.

* Ver por exemplo Carta aos Colossenses 3:11: “Nessa nova ordem de vida, não há mais diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo ou pessoa livre, mas, sim, Cristo é tudo e habita em todos vós.”



Christian Ingo Lenz Dunker
No Boitempo
Leia Mais ►

Ricardo Boechat detona FHC




O jornalista Ricardo Boechat comentou nesta segunda-feira, dia 17, no seu programa na Band News FM a Operação Lava Jato realizada pela Polícia Federal. O jornalista afirma que sempre houve gente roubando na Petrobras, independentemente da gestão — foi assim em todos os últimos governos que passaram pelo Palácio do Planalto.

O comentário de Boechat ganhou repercussão imediata no meio político em todo País. As afirmações passaram a ser pauta de conversas ao longo do dia no meio político especialmente em São Paulo e Brasília.

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veio a público para dizer que sentia vergonha do que estava acontecendo na Petrobras. Eu queria fazer a seguinte observação: Acho que ele [Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou também durante o seu governo. 'Ah, mas não pegaram ninguém!” Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do Sarney não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Fernando Collor não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Itamar Franco não teve gente roubando na Petrobras. A Petrobras sempre teve em maior ou menor escala denúncias que apontavam desvios. Eu ganhei um Prêmio Esso em 89 denunciando roubalheira na Petrobras. […] A Petrobras sempre foi vítima de quadrilhas que operavam lá dentro formada por gente dos seus quadros ou que foram indicados por políticos e por empresários, fornecedores, empreiteiras. Então essa vergonha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é sim uma tentativa de manipulação política partidária da questão policial”, disse Boechat.

Quanto às manifestações que ocorreram durante o final de semana, Boechat acha válido que o cidadão se manifeste contra ou a favor dos governos e criticou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a intervenção militar no País. "Eu acho mais o que saudável que as pessoas se manifestem politicamente. Contra e a favor do Governo. Eu acho muito bom que se manifestem contra principalmente porque governos sob pressão tendem a ser mais claros, objetivos, focados no interesse coletivo, mas acho que pegar essas manifestações para vender a ideia de que está se trabalhando um impeachment, ou se pedindo um impeachment da presidente Dilma é tão ridículo quanto estar nessas manifestações para pedir a volta a ditadura militar. Quem está pedindo o impeachment, mesmo que não peça a volta da ditadura militar está trabalhando com o mesmo DNA golpista, o mesmo tipo de idiotice, de imbecilidade, porque a Dilma, queiram ou não, foi eleita legitimamente não pelos nordestinos como parte deles prefere de forma neurótica e preconceituosa propagar, mas pelos mineiros que Aécio Neves governou, cariocas e fluminenses que jamais foram dados a votar em governantes da situação. Então ela foi eleita pela maioria dos votos do Brasil. Pronto, acabou, vira essa página e vamos em frente”, comentou Boechat.

No Jornal Meio Norte
Leia Mais ►

A tese da Polícia Federal sobre o caixa 1 “contaminado”

Feita sob medida para a direita?
A suspeita de corrupção em contratos de empreiteiras com a Petrobras “coloca em cheque inclusive as doações eleitorais legalmente registradas, que podem indicar uma forma estruturada de lavagem de dinheiro em que as ‘contribuições’ são repassadas por meio de doações ‘legais’ para financiar campanhas políticas”, afirma o relatório de inteligência da 7ª fase da operação Lava-Jato, intitulado “Juízo Final”.

A nova etapa da Lava-Jato, iniciada na última sexta-feira com a prisão de diretores e presidentes de nove das maiores empreiteiras do país, deverá se desdobrar em novas denúncias, acusações formais feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes envolvendo formação de cartel, corrupção e lavagem de dinheiro.

O indício apontado pela Polícia Federal (PF) no relatório de inteligência tem potencial para comprometer metade do Congresso Nacional. Levantamento do Valor, com colaboração do Valor Data, mostra que oito das nove empreiteiras listadas nesta fase da operação ajudaram a eleger 259 dos 513 deputados federais eleitos com a distribuição de R$ 71 milhões em doações. Trata-se de 50,4% da futura Câmara.

Os dados, que contabilizam repasses das empreiteiras e principais subsidiárias de cada grupo, constam da prestação de contas entregue pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apenas a Iesa Óleo e Gás não tem nenhuma doação registrada.

O grupo com maior volume de doações — e aliados na futura Câmara dos Deputados — é a Odebrecht, que transferiu R$ 37,9 milhões para 141 deputados eleitos. Em seguida aparecem os grupos Queiroz Galvão (R$ 9,8 milhões para 88 eleitos), OAS (R$ 8,4 milhões para 84 deputados), UTC (R$ 5,6 milhões para 58 eleitos) e Galvão Engenharia (R$ 4,3 milhões para 14 deputados).

Os repasses de Camargo Corrêa, Engevix e Mendes Júnior totalizaram R$ 4,9 milhões, para 45 deputados eleitos. As doações foram feitas para partidos de todos os espectros políticos. Estão na lista deputados do PT, PMDB, PP, PDT, PCdoB, DEM, PSDB, PR.

O relatório de inteligência policial assinala ainda que, “em que pese as palavras do colaborador [Paulo Roberto Costa] não devam ser reconhecidas como verdade inquestionável, é fato que há farto material probatório já angariado a amparar a estrutura criminosa de desvio de recursos e distribuição de valores”. E destaca ainda: “Não se trata apenas de depoimentos isolados, mas de narrativas coerentes em sua grande maioria, que se amparam no material probatório já angariado.”

André Guilherme Vieira e Raphael Di Cunto | Valor Econômico
No Viomundo
Leia Mais ►

Dias Toffoli defende o fim das doações empresariais para campanhas


Leia Mais ►

Mais um caso de corrupção no país

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6686

Dinheiro entregue em sacos.

Um contador atolado na lavagem da grana.

Um empresário envolvido até o gargalo.

Um laranjal.

Contas na Suíça.

Grana para compra de votos.

Um senador de direita, dono de jornal, no meio do furação.

Nada menos do que 33 entregas de dinheiro entre 1995 e 2012.

A república indignada.

No Brasil?

Não, na França. Caso Dassault, dono do Figaro, pego num esquemão de compra de votos.

Eta, mundo velho! Não deixa o Brasil parecer original.
Leia Mais ►

Procurador pede o Golpe. E é punido!

CNMP apura carta às Forças Armadas e afasta Procurador da República por 90 dias.



PAD apura carta às Forças Armadas e afasta por 90 dias proc. da República

Por maioria, o Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou nesta segunda-feira, 17 de novembro, durante a 21ª Sessão Ordinária de 2014, Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) e decidiu afastar das atividades, por 90 dias, o procurador da República em Joinville/SC Davy Lincoln Rocha. Também foi decidido o encaminhamento do processo ao procurador-geral da República, que vai analisar o caso sob o aspecto penal.

O Plenário acolheu proposta do conselheiro Luiz Moreira, que leu o texto “Carta aberta às forças armadas brasileiras”, postado na internet. De acordo com o conselheiro, ao sugerir a intervenção militar no Brasil e que esta conte com a participação dos Estados Unidos, o membro do Ministério Público Federal “utiliza de suas prerrogativas para manchar o regime democrático e a soberania nacional”. Em tese, destaca Moreira, há a ocorrência do crime contra a ordem democrática e a ausência de decoro pessoal.

O afastamento do procurador está condicionado à instauração da portaria do PAD pelo conselheiro que for designado relator, que terá o prazo de 72 horas, após o recebimento do processo, para encaminhar o documento à publicação.

CNMP
No CAf
Leia Mais ►

O espírito de corpo explica a longa carreira do ‘juiz da Lei Seca’, mais conhecido como Deus

Ele
O famoso caso do juiz João Carlos de Souza Correa encerra boa parte dos problemas do Judiciário brasileiro, em especial o espírito de corpo.

A agente fiscal Luciana Tamburini, que o chamou de Deus numa batida da Lei Seca, quis ser irônica, mas foi precisa. Correa e seus colegas têm, de fato, natureza divina. Isso ajuda a explicar uma carreira tão rica em arbitrariedades permitidas e, em consequência, alimentadas por seus iguais.

Em 48 horas, recebeu dois presentes: o TJ do Rio de Janeiro manteve a decisão do desembargador José Carlos Paes condenando Luciana a pagar-lhe de 5 mil reais. E o jornal O Globo será obrigado a desembolsar 18 mil reais de indenização por causa de uma matéria de 2011 que contava, entre outras coisas, que Correa dera voz de prisão a funcionários de uma empresa que foram a sua casa cortar o fornecimento de energia por falta de pagamento.

Correa faz, basicamente, o que quer. Sua passagem por Búzios é recheada de escândalos. Titular da 1ª Vara da Comarca local entre 2004 e 2012, ganhou em 2011 um abaixo-assinado da população pedindo sua saída.

Brigou com turistas, deu voz de prisão a uma jornalista, teria tentando entrar num navio de cruzeiro para ir ao free shop. Autorizou o despejo de 10 mil famílias numa disputa por uma área de 5 milhões de metros quadrados. Um advogado reivindicava a posse da terra contra as pessoas que tinham registro por usucapião. O substituto de João Carlos em Búzios, Marcelo Alberto Chaves Villas, acabou anulando a medida, classificando-a como “constrangedora”.

A justificativa do desembargador Paes para manter a multa da fiscal Luciana Tamburini é memorável. “Tratando-se de uma operação de fiscalização do cumprimento da Lei 12.760/2012 (Lei Seca), nada mais natural do que, ao se identificar, o réu tenha informado à agente de trânsito de que era um juiz de Direito”, escreveu.

Bem, se isso não é carteirada, o que é? Se fosse um eletricista, digamos, qual teria sido o efeito da frase? Ainda segundo o desembargador, a fiscal “zombou do cargo por ele (Souza) ocupado, bem como do que a função representa na sociedade”.

O aspecto positivo do imbroglio é ter jogado luzes sobre os desmandos da categoria. Na internet, surgiram várias páginas de protesto contra o juiz.

“Eles só perdem mais crédito na sociedade”, disse Luciana, que declarou que vai recorrer “até ao tribunal de Deus” para reverter a decisão. Ela ainda não entendeu quem manda ali.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Mudar para continuar

Um escândalo é um escândalo, não é uma solução. O otimismo, que não é só de Dilma Rousseff, mas foi por ela sintetizado na convicção de que o escândalo da Petrobras "pode mudar o país para sempre" ao "acabar com a impunidade", já foi submetido a muitos testes. E não passou por nenhum.

No caso extremo dessas esperadas mudanças a história oferece a fileira de golpes de Estado, consumados ou não. A cada recuperação do regime legal estuprado pelos militares, "nunca mais haveria golpe". Até vir o seguinte.

Entre nós, na melhor hipótese, mudam-se os métodos. Já na primeira eleição com princípios democráticos, pós-ditadura militar, exibiu-se o golpe eleitoral preventivo. Solucionou o temido risco de violência civil, em dimensão nacional, contra a conspiração e o golpe militar no caso da possível eleição de Lula. Agora mesmo passeia pelas ruas de São Paulo uma gangue de marcolas ideológicos pedindo um golpe sob a forma de impeachment.

Passa-se o mesmo com a impunidade. Além de não acabar só porque a prisão de empreiteiros seria exemplar, assume no próprio escândalo da Petrobras uma nova face, para facilitar-lhe a permanência. A delação premiada é uma forma de impunidade. O patife delata alguns comparsas, devolvem o que ninguém sabe se é o todo do que furtaram, e vão viver em casa como aposentados ricos (o que devolveram não inclui o que ganharam com uso do dinheiro furtado, nem há quem saiba qual foi esse ganho total). Em palavras de Rodrigo Janot, que mantém um desempenho muito acima de seus dois últimos antecessores como procurador-geral da República, e falou à Folha:

"Eu só não aceito perdão judicial [no acordo de delação]. Se for um crime que tenha já [direito a] semiaberto, sempre que for possível eu vou botar no aberto. Vá cumprir pena em casa, sem problema nenhum".

Importante na delação premiada não é a conduta criminosa, antissocial, é a recuperação do valor furtado — o dinheiro ou o bem valioso posto como valor acima de todos. Só o preconceito moral distinguirá o cidadão honesto do criminoso premiado pela delação. E pelo investimento do furto, porque, entre os dois, o tolo não é ele.

Ainda assim, um outro otimismo ruiu aos primeiros depoimentos de empreiteiros presos. Negaram-se a responder aos inquiridores, contrariando a convicção dos controladores da Operação Lava Jato, exposta por Rodrigo Janot, de que as prisões levariam os empreiteiros "a falar mesmo". Se não respondem, não aceitam a delação premiada. Se não a aceitam, o comprometimento dependerá de que o delator-acusador prove o que disse ou investigações policiais consigam fazê-lo. Dificuldade que, no caso dos grandes corruptores da administração pública, não costuma perturbar a impunidade, aqui ou lá fora.

Novela

A identificação de procedência da foto estava deslocada, não onde o "Globo" a usa. Não a vi, e aqui afirmei não existir. Mas existia, a foto foi comprada da Folhapress, e mostrava o embarque, em Belo Horizonte, de um dos três presos pela Polícia Federal em Brasília por levarem, respectivamente, R$ 80 mil, R$ 30 mil e R$ 6.000. Haviam trabalhado para a campanha do petista e governador eleito Fernando Pimentel. Nenhum ficou preso, passou-se quase mês e meio, mas a PF ainda não achou que deva alguma explicação do fato — um entre ao menos três semelhantes na disputa eleitoral.

Ainda intrigante

Sob o título "Sem briga", Demétrio Magnoli não negou nem confirmou a inverdade com que me atribuiu "paralelos entre a publicação da denúncia [de que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras] e o golpe militar de 1964". Tão disposto a me agredir sem motivo — e não na Folha, mas no "Globo", onde não tenho voz nem vez —, no entanto adotou o escapismo, no meu protesto, de apenas dizer que não remeti o leitor aos textos respectivos. Não o fiz porque não precisei dizer mais do que disse para o entendimento comum. Nem preciso fugir do que digo. Até por entender que há brigas justificadas e são para ser brigadas.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 48


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Essa é do Barão... 106


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►