15 de nov de 2014

Imagem do líder do Banana´s Party

O blog recebeu ontem uma mensagem criptografada com uma foto realizada na capital da Coxinholândia de um sujeito que seria, segundo nossa fonte, o líder do Banana´s Party. O autor da imagem pediu condição de anonimato. Ele teme que a turma liderada pelo senhor de barba branca e olhos esbugalhados possa buscar alguma retaliação. “Fiquei sabendo que eles têm feito serenata uniformizados contra aqueles que consideram seus inimigos. Fico imaginando essa turma e esse senhor cantando na janela da minha casa, seria a minha desmoralização total”, disse o anônimo. O compreensivo blogueiro entendeu sua angustia e resolveu que seria justo manter preservado o nome do autor da façanha.

Talvez o amigo não tenha lido o texto em que se revela qual a intenção e o nome da turma que se manifestou em frente ao Masp e pediu intervenção militar logo depois da eleição de Dilma. Na ocasião, o blogue informou aos seus leitores que o Banana´s Party é uma sucursal do Tea Party, corrente ultra-direitista do Partido Republicano que teve de ser derrotada internamente pelos conservadores de lá para que o partido deixasse de perder todas as eleições. A diferença básica entre o Banana´s e o Tea Party é que a turma de lá é contra aumento de impostos e a turma de cá não paga impostos.

Segundo consta, o senhor de barba esbranquiçada e olhos esbugalhados teria sido visto nos últimos tempo perambulando pela Vila Madalena meio que fora do eixo e falando sem parar as palavras  Lula, Dilma e  Pablo Capilé. Aliás, até música para o último citado ele já teria feito.

O fato é que no dia 15 de novembro, o gran-bananão estaria convocando sua turma para ir se divertir em vários pontos do país. O uniforme que está usando na foto acima seria a vestimenta surpresa do dia. Uma loja da Oscar Freire já teria encomendado o modelito em dezenas de tamanhos diferentes para uma fábrica no Brás, região central de São Paulo. Mas a orientação da empresária que fez o pedido era que toda a encomenda deveria ser enviada a Miami antes para “passar por um período de depuração”. A elegante senhora teria dito que “nossos clientes sabem o que querem e conhecem o cheiro da Flórida de longe”.

O evento tende a ser um fracasso, segundo informações levantadas por este blog com gente que atua nas hostes bananisticas, mas pode vir a render ótimas fotos. Um editor de uma publicação terminal da Avenida Marginal estaria entusiasmado e até teria mandando produzir cartazes com a palavra impeachment pintada em verde e amarelo. “Se eles de fato forem todos uniformizados daria uma ótima capa”, gritou no meio da redação um sujeito que teria passado a usar chapéu para esconder o que tem dentro da cabeça.

Já há quem aposte na Avenida 25 de março que as máscaras vão perder feio para a fantasia acima no carnaval 2015. Alguns empresários estariam encomendando centenas de calças e camisas listradas. Se nada der certo no dia 15 de novembro, na festa do Momo a turma promete fazer barulho.

Renato Rovai
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Marcha golpista volta a pedir intervenção militar


A direita investiu muito dinheiro para a manifestação de hoje, dia 15 de novembro, dia da República.

Apareceram, naturalmente, muitos cartazes pedindo intervenção militar.

E não sou eu que digo, foi um dos líderes do movimento pelo impeachment de Dilma, o caricato e ultrarreaça Lobão.

E não são infiltrados não.

Lobão admite que são os “nossos aderindo”.

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Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Eduardo Cunha e a mídia democrática

Circula nos corredores da Câmara que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) é o mais atuante “lobista” entre os congressistas. Cunha foi presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), que controla as verbas destinadas à construção de casas populares, durante o governo Garotinho e foi acusado de favorecer a empreiteira vencedora de concorrências consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE).

Atualmente, Eduardo Cunha e Garotinho, ambos deputados federais, são inimigos assumidos. Em 2011, chegaram trocar pesadas farpas pelo Twitter. No STF, Eduardo Cunha responde inquérito por crimes contra a ordem tributária. Também pesa contra ele ações de improbidade administrativa e agora aparece como candidato a presidência da Câmara.

Apesar de um vasto currículo de acusações e processos, numa campanha, cuja imprensa tradicional colocou a carapaça de guardiã das eleições limpas e dos políticos “honestos e ficha limpa”, ficou nítida a blindagem dada pelos grandes veículos, ao (então) candidato à reeleição, Eduardo Cunha.

Tal comportamento dos barões da mídia têm explicação e (como tudo na mídia brasileira) lado. Eduardo Cunha é famoso por sua postura de enfrentamento feroz a qualquer tentativa de democratização da comunicação. Durante o processo de discussões, construção e votação do Marco Civil da Internet, Cunha atuou como um devotado e selvagem cão de guarda dos empresários das “teles”, visando impedir, principalmente, a neutralidade da rede que impedia a chamada cobrança de “pedágio” e impede a discriminação do tráfego de pacotes a partir do seu conteúdo, fonte ou destino.

Prova inconteste de suas intenções a serviço da grande mídia e seu “pagamento” ao desserviço de ocultação de sua biografia pela imprensa tradicional, é a própria declaração de Eduardo Cunha que afirmou peremptoriamente que, se depender dele, engavetará todos os projetos que visem a democratização da mídia que, eventualmente, cheguem até a Câmara dos Deputados. Tal declaração o torna, portanto, o candidato oficial dos barões da mídia e, por outro lado, o inimigo número 1 da mídia democrática.

O Brasil somente poderá avançar na consolidação de sua democracia, à medida que avançar para a constituição de uma imprensa que cumpra o seu verdadeiro papel. Enquanto tivermos uma mídia concentrada, com o nítido papel de formação de opinião social, a partir dos interesses dos poderosos, viveremos sob uma ditadura mascarada que, a exemplo do “fordismo”, na revolução industrial, apropria-se dos corações e mentes e forja-os de acordo com seus interesses.

Lutar contra a eleição de Eduardo Cunha, é lutar por uma nova Lei da Mídia Democrática, que assegure a pluralidade de ideias e opiniões, promova e fomente a cultura nacional e garanta a participação social na formulação, implementação e avaliação de políticas de comunicação.

Lutar contra a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara significa lutar pelo aprofundamento da democracia no Brasil.

Sônia Corrêa, diretora de política públicas do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
No Blog do Miro
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Airton Soares massacra Marco Antonio Villa


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Gilmar Mendes e o bolivarianismo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, saiu "às falas" mais uma vez. Na semana passada, o ministro deu uma entrevista à Folha alardeando o risco de "bolivarianismo" no Judiciário brasileiro.

Afinado, como sempre, com o PSDB e ecoando as vergonhosas marchas de Jair Bolsonaro (PP) e companhia, apontou a iminente construção de um projeto ditatorial do PT, que passaria pela cooptação das cortes superiores. Não poderia deixar de recorrer ao jargão da moda.

Gilmar Mendes, todos sabem, é um bravateiro de notória ousadia. Certa vez, chamou o presidente Lula "às falas" por conta de um suposto grampo em seu gabinete, cujo áudio até hoje não apareceu. Lula cedeu e demitiu o diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Mais recentemente, o ministro comparou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a um "tribunal nazista" por ter barrado a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal. O único voto contrário foi o dele.

O próprio Arruda afirmou que FHC — que indicou Mendes ao STF — trabalhou em favor de sua absolvição. Para quem não se recorda, Arruda saiu do palácio do governo direto para a prisão após ser filmado recebendo propina.

Quem vê o ministro Gilmar Mendes em suas afirmações taxativas e bradando contra o "bolivarianismo" pensa estar diante do guardião da República. Parece ser o arauto da moralidade, magistrado impermeável a influências de ordem política ou econômica e defensor da autonomia dos poderes.

Mas na prática a teoria é outra. Reportagem da revista "Carta Capital", em 2008, mostrou condutas nada republicanas de Mendes em sua cidade natal, Diamantino (MT), onde sua família é proprietária de terras e seu irmão foi prefeito duas vezes.

Lobbies, favorecimentos e outras suspeitas mais. Mendes, que questionou o PT por entrar com ação contra a revista "Veja", processou a revista "Carta Capital" por danos morais.

Já o livro "Operação Banqueiro", de Rubens Valente, mostra as relações de Mendes com advogados de Daniel Dantas, que após ser preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, foi solto duas vezes pelo ministro em circunstâncias bastante curiosas. Na época, ele também acusou uma ditadura da PF, mostrando o que parece ser seu estratagema predileto.

Mais recentemente, seu nome foi envolvido na investigação da Operação Monte Carlo, sob a suspeita de ter pego carona no jatinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira, na ilustre companhia do senador Demóstenes Torres, cassado depois por seu envolvimento no escândalo. Em julho deste ano, Mendes deu uma liminar que permitiu a Demóstenes voltar ao trabalho como procurador de Justiça.

São denúncias públicas, nenhuma delas inventada pelo bolivariano que aqui escreve. Assim como é público que o ministro mantém parada há 7 meses a ação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que propõe a inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanhas e que já obteve a maioria dos votos no Supremo, antes de seu pedido de vistas.

Ou seja, a trajetória de Gilmar Mendes está repleta de ligações políticas e partidárias, aquelas que ele acusa nos outros magistrados, os bolivarianos. Afinal, o que seria uma "corte bolivariana"? Se tomarmos os três países sul-americanos que assim são identificados — Venezuela, Bolívia e Equador — veremos que todos passaram por processos de reformas no Judiciário.

No caso da Bolívia, a reforma incluiu o voto popular direto para juízes, estabelecendo um controle social inédito sobre o Poder Judiciário. O mesmo controle que já existe sobre o Executivo e o Legislativo. Por que o Judiciário fica de fora? Por que não presta contas para a sociedade? Não, aí é bolivarianismo!

Na Venezuela e no Equador o foco das reformas foi o combate das máfias de toga e dos privilégios de juízes. Privilégios do tipo do auxílio-moradia que os juízes brasileiros ganharam de presente do STF neste ano. Mais de R$ 4.000 por mês para cada juiz. A maioria deles tem casa própria, mas mesmo assim poderá receber o auxílio. Cada auxílio de um juiz poderia atender a oito famílias em situação de risco.

O Judiciário é o único poder da República que, no Brasil, não tem nenhum controle social. Regula a si próprio e estabelece seus próprios privilégios. Mas questionar isso, dizem, é questionar a democracia. É bolivarianismo.

Este tal bolivarianismo produziu reformas estruturais e populares por onde passou. Os indicadores mostram redução da desigualdade social, da pobreza, dos privilégios oligárquicos e avanços consideráveis nos direitos sociais. Basta ter olhos para ver e iniciativa para pesquisar. Os dados naturalmente são de organismos bolivarianos como a ONU e a Unesco.

Pena que nessas terras o bolivarianismo seja apenas um fantasma. Fantasma que a oposição usa para acuar o governo e o governo repele como se fosse praga. Afinal, Gilmar Mendes pode chamá-lo "às falas".

Guilherme Boulos
No fAlha
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Por que os delegados da Lava Jato devem sim ser investigados


Dilma usou várias vezes – mais do que deveria, é certo — o adjetivo “estarrecedor” nos debates com Aécio no segundo turno.

Imagino que seja por isso que uma nota do PSDB sobre os delegados da PF na operação Lava Jato tenha, logo no começo, exatamente essa expressão: “É estarrecedor”.

Mas o que é “estarrecedor” para o PSDB?

Bem, ficamos sabendo que o que supostamente causa horror ao PSDB é a decisão do ministro de Justiça de investigar os delegados da PF da Lava Jato que no Facebook, em grupo fechado, trocaram durante a campanha mensagens torrencialmente insultuosas contra Dilma, Lula e o PT.

O caso se limitaria simplesmente à questão de atentado à honra se não se tratasse dos delegados que estão investigando o episódio Petrobras.

Bastaria talvez aos agredidos processá-los na Justiça por calúnia e difamação.

Lula foi chamado de “anta”, e uma caricatura de Dilma com os dentes incisivos de fora ilustra um grupo do qual um delegado da PF faz parte.

Mas o assunto é muito mais complicado e muito mais grave.

Como policiais apaixonadamente antipetistas podem cuidar de um caso que exige completa isenção partidária para não se transformar num panfleto político?

Quem acredita que o antipetismo fulgurante dos policiais não vai interferir nas investigações — e nos vazamentos para a mídia — acredita em tudo, para usar a grande frase de Wellington.

Transporte os trabalhos, para que você tenha uma ideia da dimensão do problema, da polícia para a imprensa.

Como a Veja, por exemplo, se comportaria numa reportagem investigativa sobre o mesmo tema?

Com isenção? Levando ao leitor tudo que descobriu?

Ou, pelo furor antipetista, seria tentada a jogar luzes sobre o que lhe interessa e engavetar o que entende que possa prejudicar seus amigos e aliados?

Nem a velhinha de Taubaté, o personagem de Veríssimo que acreditava em tudo, confiaria nos resultados do trabalho de um grupo da PF tão tomado de ódio partidário.

Pelas postagens absurdas, ainda que fechadas, os delegados da PF na Lava Jato estão, sim, desacreditados.

O Brasil já viveu mais de uma vez — com Getúlio e Jango — situações em que, em nome do combate à corrupção, se tramou na verdade um golpe contra a democracia.

O combate à democracia — o real, o genuíno, o vital para o desenvolvimento social do país — é importante demais para ser deixado nas mãos de delegados da PF que parecem muito mais empenhados numa cruzada política do que numa operação policial.

Deve haver na PF delegados com a isenção indispensável para averiguar os fatos, ao contrário dos que faziam campanha anti-Dilma.

Se não houver, teremos um problema infinitamente maior do que o escândalo da Petrobras.

Paulo Nogueira
No DCM
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A segunda chance para Dilma Rousseff


Só se saberá sobre o segundo governo Dilma quando a presidente retornar da reunião do G20 e anunciar novo ministério e novas medidas.

A campanha eleitoral lhe ensinou duas lições: a necessidade de escolher um Ministério de alto nível; e a importância de ouvir mais. Só.

A rigor, nenhum dos auxiliares, mesmo os mais próximos, sabe o que decidirá na volta da reunião do G20. Dilma continua presa às decisões solitárias em um cargo que, pela complexidade, exigiria equipes de assessoramento em várias frentes.

O exercício da presidência é tarefa tão complexa que é humanamente impossível um presidente tratar de todos os temas sem conselheiros de alto nível.

Um presidente precisa dar conta não apenas das tarefas administrativas e econômicas, mas de um emaranhado político complexo, em que entram as relações de poder entre as instituições, os acordos políticos, interesses de grupos, setoriais ou regionais.

Quando entra em jogo o próprio poder, a situação é muito mais delicada. Como definir estratégias políticas que resguardem o governo sem alimentar as teses conspiratórias da mídia? É desafio que demanda compreensão sofisticada do quadro político, interlocutores de nível com cada poder, operadores capazes de trazer informações confiáveis.

A falta de blindagem

Hoje em dia há consenso, entre assessores próximos a Dilma, de que ela ficou muito exposta no primeiro governo.

A demora na definição das concessões teria sido culpa da ex-Ministra Gleise Hoffmann e da equipe da Casa Civil. Sobrou para Dilma. O Ministério dos Transportes estava desestruturado. Os erros no setor de energia foram de responsabilidade da EPE (Empresa de Planejamento Energético) e do Secretário do Tesouro Arno Agustin. A conta foi para Dilma.

Na verdade, a responsabilidade final é toda do estilo Dilma, ao escolher seus assessores e definir um modelo de decisão fechado.

Na política, existe o fenômeno da segunda chance, a oportunidade que se confere a um político reconhecidamente honesto e bem intencionado – como é o caso de Dilma. Mas o grau de exigência de todos – de aliados a adversários – será exponencialmente maior.

Daí porque as próximas semanas serão decisivas para definir o futuro do governo Dilma. Os sinais que dará precisarão estar à altura do enorme desafio que terá pela frente. E serão desafios para gente grande nenhuma botar defeito.

E não bastará apenas a indicação de Ministros. Tem que dar sinais efetivos de melhoria no estilo de gestão.

Os desafios

Desafio macroeconômico – definir Ministros e políticas macroeconômicas sólidas, concatenadas entre Fazenda, Banco Central e Planejamento. E há a necessidade de definir uma estratégia sólida de redução da Selic e de mudanças no sistema de títulos públicos.

Desafio gerencial – amarrar investimentos em infraestrutura, logística, energia, telecomunicações, tudo isso demanda uma capacidade gerencial excepcional. O modelo atual não deu conta. Terá que redesenhar os processos e entregar a gestão a pessoas com fôlego administrativo.

Desafio político – a AP 470 foi um aperitivo perto do potencial explosivo da Operação Lava Jato. O governo Dilma – assim como o PT – não possui um interlocutor de peso com o poder judiciário, Ministério Público, Polícia Federal. Mal e mal conseguiu retomar um pouco a interlocução com o Congresso. Apenas dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são considerados imunes às pressões da mídia: Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso. Dos demais espera-se pouco; de Antônio Dias Tofolli, a facada. Toffolli indispôs-se com Dilma depois que algumas indicações suas não foram acatadas e hoje em dia é considerado o Ministro mais próximo de Gilmar Mendes.

Sociedade civil – é tema tão relevante que exigiria uma estrutura só para cuidar desses relacionamentos. Existe o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), criado por Lula e praticamente desativado por Dilma. Poderia ser o caminho, além da revitalização do sistema de participação da sociedade civil.

O que existe de concreto

No centro do poder, ainda há muitas dúvidas sobre como serão os próximos meses.

Espera-se que a blindagem de Dilma seja feito por um triunvirato: o próximo Ministro da Fazenda, o Ministro-Chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante e o futuro ex-governador baiano Jacques Wagner. Deposita-se tanta fé na habilidade política de Wagner que passou a ser considerado figura chave mesmo sem saber qual será o seu cargo.

Ainda não há indicações sobre os novos Ministros. No Palácio, acredita-se que os cargos-chave serão dois: a Fazenda e o Ministério da Justiça.

Há consenso sobre a necessidade de um Ministro da Justiça de peso, capaz de uma interlocução de alto nível com o Judiciário e o Ministério Público.

Não há ilusões sobre o comportamento da oposição. Bill Clinton dizia que a presidência era a campanha permanente pela reeleição. Para o PSDB, será a campanha permanente de oposição, algo que Lula e o PT faziam bem quando oposição.

Não se tem dúvida de que a Operação Lava Jato será o palco da próxima grande batalha, o grande nó político dos próximos dois anos.

O papel da mídia, embora mais ostensivo, é o de menor dano. O problema maior são os vazamentos planejados ou permitidos pelo juiz, por delegados da Polícia Federal e pelos procuradores.

Pelas conversas com os palacianos, constata-se que não existe uma estrutura sequer dentro do governo pensando estrategicamente a questão. Não há operadores capazes de levantar informações sobre a Operação e os vazamentos, para se pensar em estratégias defensivas.

Luís Nassif
No GGN
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FHC, de "príncipe da sociologia" a "rei da hipocrisia"


Ontem o Jornal da Gazeta veiculou matéria sobre a Operação Lava Jato dando grande destaque ao fato de FHC ter dito que está envergonhado do que ocorre no Brasil. Sobre o passado do próprio FHC nada foi dito pelos telejornalistas.

FHC é suspeito de ter mandado comprar votos parlamentares para garantir a aprovação da Emenda Constitucional que possibilitou a sua reeleição. Com ajuda da imprensa, ele se apropriou da paternidade do Plano Real, o qual foi concebido por outras pessoas durante a gestão de Itamar Franco. Todos os membros da equipe de FHC enriqueceram de maneira não muito honesta durante a troca da moeda (episódio contado em detalhes por Luis Nassif em seu livro “Os Cabeças de Planilha"). A escandalosa venda de estatais a preço de banana durante o governo FHC é objeto de suspeitas até os dias de hoje e já rendeu vários livros. Durante o governo dele as denúncias de corrupção eram sumariamente arquivadas pelo Procurador Geral da República e a PF era absolutamente inoperante.

Ontem FHC exigiu a punição dos petistas por causa do escândalo na Petrobras. Curiosamente, ele nunca exigiu apuração e punição para tucanos envolvidos em corrupção (mensalão tucano de Minas Gerais, roubalheira do Metrô em SP, etc…), nem tampouco se mostrou indignado com o desfecho do caso envolvendo o tráfico de 450 quilos de cocaína num helicóptero de propriedade de um deputado ligado a Aécio Neves. O ex-príncipe da sociologia também não estranhou o fato da Sabesp ter distribuído lucros pouco antes da maior crise hídrica de São Paulo e o instituto dele embolsou 500 mil reais da companhia sem que o ex-presidente ficasse corado. FHC nunca criticou os Ministros Gimar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Ellen Gracie em razão das decisões absurdas que os três proferiram para beneficiar réus tucanos e impedir ou bloquear investigações contra banqueiros ligados ao PSDB.

FHC é um ator consumado. Ao atacar os petistas na televisão ontem ele se portou como se fosse um homem de reputação ilibada, alguém cujo passado é absolutamente isento de manchas. Quem não o conhece chega até a acreditar que FHC está realmente preocupado com o combate à corrupção. Há algumas décadas a imprensa transformou-o no príncipe da sociologia. Ontem o Jornal da Gazeta o utilizou como uma arma para destruir o governo Dilma Rousseff e FHC se ajustou perfeitamente ao novo papel que a imprensa lhe atribuiu. Ele é o novo rei da hipocrisia.

O idoso líder tucano disse no Jornal da Gazeta que está envergonhado com o que ocorre no Brasil. Mas a verdade é que ele está envergonhando os brasileiros. Não só isto, FHC coloca em risco a democracia, a mesma democracia que ele supostamente ajudou a construir.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN
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Era só o que faltava: Gilmar julgará contas do PT


No mesmo dia em que ocorrem prisões de executivos acusados de envolvimento no escândalo da Petrobras, Gilmar Mendes foi designado para examinar as contas da campanha de Dilma

O Planalto não é capaz de esconder sua perplexidade diante da mais nova notícia de Brasília. Em meio às denúncias da Petrobras, celebradas pela oposição como a nova esperança de colocar o governo contra a parede, Gilmar Mendes acaba de ser escolhido para ser relator do ponto mais delicado da campanha de 2014: as contas de Dilma Rousseff.

Até agora, as contas da campanha de Dilma estavam sob os cuidados do ministro Henrique Neves, indicado pelo Judiciário para integrar o TSE. Mas o mandato de Neves expirou na quinta-feira e, menos de 24 horas depois, por determinação do presidente do tribunal, José Antonio Dias Toffoli, ocorreu a escolha de seu substituto. Neves poderia ter sido reconduzido para o posto, através de Dilma Rousseff. Mas a presidente se encontrava fora do país, nas reuniões do G-20, e isso não ocorreu.

A verdade é que não havia a menor urgência no caso. Isso porque as contas de Dilma ainda não foram entregues ao tribunal — o prazo legal não venceu — o que eliminaria qualquer pressa para encontrar um substituto. Ainda assim — e este detalhe surpreendeu os petistas que acompanham o TSE — Toffoli determinou que o caso fosse redistribuído imediatamente, decisão que permitiu que Gilmar fosse escolhido.

Pelas normas do TSE, o caso deveria ter ficado com um ministro da “mesma classe” que Henrique Neves. Gilmar está fora desse critério, pois ingressou no STF como advogado. Mas acabou ficando com o caso. Este ponto — a diferença de classe entre os dois ministros — será usado pelos advogados do PT para recorrer da decisão e conseguir a indicação de um novo ministro.

A escolha de Gilmar integra um cenário de pesadelo para o PT por um conjunto de motivos compreensíveis. O primeiro é que desde 2012, quando afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma tentativa de chantagem as vésperas do julgamento do mensalão — denúncia desmentida por seu colega Nelson Jobim, presente ao encontro — Gilmar Mendes tem-se notabilizado por votos contrários ao Partido dos Trabalhadores. Foi um dos mais duros críticos do PT no julgamento da AP 470. Apoiou penas duríssimas e recusou, inclusive, os embargos infringentes que beneficiaram determinados réus.

Em 2014, no debate de uma emenda constitucional sobre mudanças nas regras de campanha, que pede o fim da contribuição de empresas privadas, Gilmar pediu vistas para examinar o caso com mais cuidado. Mesmo enfentando a pressão de uma campanha de entidades da sociedade civil, num leque muito mais amplo do que a esfera de siglas que costuma acompanhar o PT, o ministro não dá o menor sinal de que pode perturbar-se com isso. Mantém a votação que está interrompida há sete meses e não se faz ideia quando ela poderá ser retomada.

Durante a campanha presidencial de 2014, Gilmar deu uma liminar que prejudicava o PT, embora ela contrariasse frontalmente uma decisão por 7 a 0 no tribunal. Por diversas vezes, a agressividade de seus votos contrários ao PT chamou a atenção da plateia dos julgamentos.

O temor em relação as contas da campanha de 2014 não é técnico mas político. Por motivos mais do que compreensíveis, é bastante razoável supor que o PT e outras legendas tenham tido cuidados redobrados com contribuições eleitorais em 2014. Num pleito tenso, disputado do início ao fim, parece um cálculo elementar evitar qualquer brecha legal que possa ser aproveitada pelo adversário.

A questão é o momento que o país atravessa — e aí as contas do TSE podem se encontrar com a investigação sobre a Petrobras. Imagine a pressão, as manchetes glorificadoras.

Ninguém discute a necessidade de apurar até o fim toda denuncia de corrupção, com empenho e seriedade. Mas é difícil assegurar pela isenção de quem está na direção do processo depois de uma reportagem de Julia Duailibi publicada pelo Estado de S. Paulo na quinta-feira.

Demonstrou-se, ali, que delegados que comandam a Operação Lava Jato têm uma postura anti-petista agressiva e notória, o que contraria não apenas o bom senso elementar, mas também o artigo 364 do regimento disciplinar da Polícia Federal, como você pode ler em nota anterior neste mesmo espaço.

A denuncia do jornal levou a abertura de uma investigação sobre os delegados por parte da Corregedoria da PF, que deve ter início na segunda-feira. Até lá, eles seguem em suas atividades na Lava Jato. A explicação é que não seria possível tomar qualquer medida disciplinar contra os policiais na véspera da operação de busca e apreensão nos escritórios de empresas acusadas de pagamento de propina na Petrobras.

Ontem, o delegado Igor de Paula esteve no centro de uma entrevista coletiva onde explicou a operação que terminou na prisão de executivos de várias empreiteiras acusadas de envolvimento no esquema de corrupção.

Conforme o Estado de S. Paulo, além de ser um dos responsáveis por um inquérito de óbvias repercussões políticas, o que permite uma curiosa ironia. O mesmo delegado que falava de punir esquemas de corrupção participa, segundo o jornal, de um grupo no Facebook chamado Organização de Combate a Corrupção, cujo símbolo “é uma caricatura de Dilma, com dois grandes dentes incisivos para fora e uma baixa vermelha na qual está escrito: “Fora PT.”

Oito dias antes do segundo turno, o delegado Igor distribuiu um link da revista Economist, que pedia a saída de Dilma e a eleição de Aécio. Em 18 de outubro, ele escreveu “Este é o cara” numa montagem com várias fotos do candidato do PSDB.

Numa postura que revela uma opção de cobertura sobre o caso, nenhum grande veículo repercutiu, ontem, a denúncia do Estado, embora sua gravidade seja indiscutível. Ninguém teve curiosidade de perguntar como os delegados se sentiam depois da reportagem, que trouxe acusações constrangedoras — para dizer o mínimo — para qualquer autoridade comprometida com a defesa da lei e da ordem.

Você sentiu falta dos meninos tão atrevidos do CQC? Eu senti. Eles são tão engraçadinhos, não?

Ninguém sabe o que pode se passar num universo com as investigações do delegado Igor numa ponta e Gilmar Mendes na outra. Todo mundo tem direito a cultivar a hipótese de sua preferência. Não é preciso antecipar nada nem pré-julgar ninguém.

Mas você sabe muito bem o que pode acontecer, certo?

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Tiro pela culatra. Das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, 6 financiaram Aécio


Na sétima fase da operação, deflagrada nesta sexta-feira (14), presidentes de grandes empreiteiras foram alvos de mandados de prisão.

O alto clero tucano, em evento realizado pelo partido em São Paulo nesta sexta-feira (14), comemorou as prisões de executivos de empreiteiras e o possível desgaste do governo Dilma.

”Tem muita gente sem dormir em Brasília “, afirmou senador Aécio Neves; colega Aloysio Nunes, que foi vice dele na campanha presidencial, usou o mesmo tom: “A casa caiu”; PSDB se vê imune neste escândalo; “Petrobras incorporou à sua história a marca perversa da corrupção”, prosseguiu Aécio, em tom sério.

O que Aécio Neves e seus Correligionários (PSDB), não sabiam, por falta de assessoria de comunicação, ou por “cara de pau” mesmo, é que das 9 empreiteiras alvo da Operação Lava Jato, seis financiaram sua campanha para presidente; o valor gira em torno de 20 milhões de reais.

São elas: Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.


No Poços10
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Sérgio Porto # 45


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Essa é do Barão... 103


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