14 de nov de 2014

Delegados da PF deixaram digitais: acreditavam que o golpe ia dar certo


Nessa quinta-feira 14,  reportagem de Júlia Duailibi, publicada em O Estado de S. Paulo revelou:  no período eleitoral, delegados da Polícia Federal (PF) usaram as redes sociais para elogiar Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, e para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff, que disputava a reeleição, bem como a replicar conteúdos críticos aos petistas.

Esses policiais, que mostraram ser anti-petistas militantes e radicais, são simplesmente os responsáveis pela Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, empreiteiras, doleiros, partidos políticos, funcionários e ex-funcionários da estatal.

Pela primeira vez os rostos desses delegados estão sendo mostrados. Para isso, contamos com a preciosíssima colaboração do NaMariaNews. Como os delegados mudam de nome dependendo da situação, a pesquisa foi bastante difícil. São eles:

Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado

2 - 1- Igor Romario de Paula

As investigações da Lava Jato estão sendo conduzidas por delegados vinculados a Igor Romário de Paula, que responde diretamente a Rosalvo Ferreira Franco, superintendente da PF do Paraná.

Igor Romário de Paula, que atuou na prisão do doleiro Alberto Youssef, participa de um grupo do Facebook chamado Organização de Combate à Corrupção (OCC), cujo “símbolo” é uma imagem da Dilma, com dois grandes dentes incisivos para fora da boca e coberta por uma faixa vermelha na qual está escrito “Fora, PT!”

Márcio Adriano Anselmo, coordenador da Operação Lava Jato

10 - 9- Marcio Anselmo 2

Márcio Adriano Anselmo foi quem, no  Facebook,  afirmou: “Alguém segura essa anta, por favor”, em uma notícia cujo título era: “Lula compara o PT a Jesus Cristo”

Na reta final do 2º turno, fez comentários em outra notícia, na qual Lula dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Escreveu: “O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser”. O delegado apagou há poucos dias o seu perfil no Facebook.

Maurício Moscardi Grillo, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários

15 - 12-Mauricio Moscardi Grillo em VIDEO 1-003

Maurício Moscardi Grillo é o responsável por apurar a denúncia de grampos na cela de Youssef.

Segundo a reportagem de Júlia Duailibi, ele aproveita a mensagem de Márcio Anselmo, para se manifestar sobre Lula: “O que é respeito para este cara?”

Grillo também compartilhou propaganda eleitoral do PSDB, como a que dizia que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobrás. “Acorda!”, escreveu ele ao comentar a reportagem da Veja, que foi às bancas na quinta-feira anterior ao segundo turno: “Lula e Dilma sabiam de tudo”.

Erika Mialik Marena, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos do Paraná

Erica

Na delegacia de Erika Mialik Marena, estão os principais inquéritos da operação Lava Jato.

Em uma notícia sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás à Justiça Federal, ela comenta: “Dispara venda de fraldas em Brasília”. No Facebook, usava o codinome “Herycka Herycka”. Após a reportagem de Júlia Duailibi, seu perfil foi retirado dessa rede social.

A denúncia envolvendo esses quatro delegados da PF é gravíssima.

Estranhamente, a mídia deu pouca repercussão a ela.

Estranhamente também, até a hora do almoço dessa quinta-feira, 15 de novembro, a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) não haviam se manifestado sobre a denúncia do Estadão.

O Viomundo contatou então as quatro instituições, via suas respectivas assessorias de imprensa. Primeiro, por telefone. Depois, por e-mail, fazendo vários questionamentos.

Uma pergunta comum a todos:

– Que providências pretende tomar em relação ao caso?

Ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  perguntamos também:

– A partidarização explícita dos delegados da PF envolvidos na Lava Jato não contamina o resultado da investigação, já que eles demonstraram evidentes objetivos políticos?

– A partir de agora a Lava Jato não fica sob suspeição?

Ao ministro Teori Zavascki , do STF, indagamos:

– O comportamento dos delegados da PF não contamina a investigação, comprometendo o inquérito?

– A partir de agora a Lava Jato não fica sob suspeição, inclusive as delações premiadas?

À Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde fica a sua sede, perguntamos:

– O que a PF tem a dizer sobre os evidentes objetivos políticos desses delegados?

Na parte 1 da entrevista abaixo, o delegado Maurício Moscardi Grillo  fala aos 2,06 minutos da gravação sobre a PF e COMO deve agir em casos policiais.  Imperdível. Ele diz que a Polícia Federal é republicana. Exatamente o oposto do que foi feito nas eleições 2014.



Por isso, perguntamos também à Polícia Federal, via sua assessoria de imprensa:

– Como a sociedade vai confiar numa Polícia Federal que não agiu republicanamente nessas eleições, mas politicamente em favor do então candidato do PSDB, Aécio Neves, e contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Lula?

Do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quisemos saber, entre outras coisas:

– Quais seriam as medidas punitivas aos envolvidos no caso?

– Como a sociedade vai confiar numa Polícia Federal que não age republicanamente,  mas sistemática e politicamente em favor do PSDB e contra o PT?

Nenhum respondeu. Insistimos por telefone.

Questionada de novo, a Polícia Federal disse que não se manifestaria sobre o caso.

O procurador-geral Rodrigo Janot também não respondeu. A assessoria de imprensa da PGR, em Brasília, alegou que ele estava em São Paulo e não tinha sido possível contatá-lo. Desculpa, no mínimo, estranha, já que existe celular hoje em dia e de de vários modelos. Não seria mais digno  dizer que não iria se manifestar e pronto?

Como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não respondeu às nossas quatro perguntas, acrescentamos agora uma nova:

– O senhor concorda com a nota dos procuradores do Ministério Público Federal, seção Paraná, em apoio aos delegados da PF?

A íntegra da nota:

Operação Lava Jato: Membros da força-tarefa do Ministério Público Federal manifestam apoio a delegados, agentes e peritos da PF

Os Procuradores da República membros da Força-Tarefa do Ministério Público Federal, diante do teor da reportagem “Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede”, publicada pelo jornal “O Estado de São Paulo” nesta data, vem reiterar a confiança e o apoio aos delegados, agentes e peritos da Polícia Federal que trabalham nessa operação.

Em nosso país, expressar opinião privada, mesmo que em forma de gracejos, sobre assuntos políticos é constitucionalmente permitida, em nada afetando o conteúdo e a lisura dos procedimentos processuais em andamento.

A exploração pública desses comentários carece de qualquer sentido, pois o objetivo de todos os envolvidos nessa operação é apenas o interesse público da persecução penal e o interesse em ver reparado o dano causado ao patrimônio nacional, independentemente de qualquer coloração político-partidária.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, também não respondeu nada.

No início da noite, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça nos prometeu enviar o áudio da coletiva de entrevista de Cardozo, dada um pouco antes em Brasília. Ficou na promessa. Mais uma vez o vazio.

Como bem observou Fernando Brito, do Tijolaço, no  post Cardoso, o Lento, pede sindicância sobre “delegados do Aécio”, o ministro da Justiça  “resolveu agir 12 horas depois que o país tomou conhecimento de que os delegados federais da Operação Lava-Jato  participavam, no Facebook, de animadas e desbocadas tertúlias sobre a investigação que conduzem”.

Cardozo determinou à Corregedoria da Polícia Federal que abra investigação sobre o caso.

Na coletiva de imprensa, ele disse:

Lava Jato - Cardoso 2

Cardozo mostrou mais uma vez que é inepto e incompetente, para o dizer o mínimo.

Em artigo publicado nesta sexta-feira 15, no GGN, Luis Nassif acrescenta:

“O Ministro chega às 11 no trabalho, sai às 12hd30 para almoçar, volta às 16 e vai embora por volta das 18hs00. A não ser que se considere como trabalho conversas amistosas com jornalistas em restaurantes da moda de Brasília”

Será que é por isso que esta repórter não as respostas de Cardozo até agora?

As manifestações dos quatro delegados da PF são cristalinas.  Ou será preciso desenhar para o ministro Cardozo?

Nassif diz mais:

“É blefe a atitude do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, de pedir uma investigação para a Polícia Federal sobre o ativismo político dos delegados da Operação Lava Jato. O problema da Lava Jato não é o ativismo de delegados no Facebook, mas a suspeita de armação com a revista Veja na véspera da eleição. Se Cardozo estivesse falando sério, estaria cobrando a conclusão das investigações sobre o vazamento”.

Os quatro delegados têm o direito de ter as suas preferências políticas. A questão é que o comportamento desrespeitoso está longe de ser um caso menor. “É um ato político”, avalia Paulo Moreira Leite, em seu blog

Na condição de ministro da Justiça, Cardozo, como bem observou Paulo Moreira Leite,  deveria saber que o aspecto  do caso está resolvido no artigo 364 no regimento disciplinar da Polícia Federal, que define transgressões disciplinares da seguinte maneira:

I - referir-se de modo depreciativo às autoridades e atos da Administração pública, qualquer que seja o meio empregado para êsse fim.

II - divulgar, através da imprensa escrita, falada ou televisionada, fatos ocorridos na repartição, propiciar-lhe a divulgação, bem como referi-se desrespeitosa e depreciativamente às autoridades e atos da Administração;

III - promover manifestação contra atos da Administração ou movimentos de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades;

A questão, portanto, é política. E  parece que Cardoso não se quer se dar conta da gravidade do que aconteceu debaixo do seu nariz.

Nos últimos 12 anos, tivemos vários momentos em que a Polícia Federal agiu em benefício dos tucanos contra os petistas. E sempre ficou por isso mesmo.

Em 2006, tivemos o caso do delegado Bruno, eleitor assumido do PSDB,  que vazou para a mídia fotos do dinheiro apreendido no caso dos ” aloprados” do PT. A cena foi ao ar  na quinta-feira anterior ao primeiro turno da eleição presidencial e ajudou a levá-la para o segundo turno.

O delegado Bruno não foi punido por vazar fotos do dinheiro; pegou 9 dias de suspensão por mentir aos superiores.

Na campanha eleitoral de 2014, tivemos o caso de Mário Welber, assessor do deputado estadual  Bruno Covas, do PSDB paulista. Ele foi detido pela PF em Congonhas com R$ 102 mil em dinheiro vivo e 16 cheques em branco assinados por Bruno Covas. A Polícia Federal ocultou o quanto pode o caso e continua fazê-lo.

Em compensação, em 7 de outubro de 2014, a PF de Brasília vazou imediatamente para O Globo  a apreensão de avião que transportava dinheiro suspeito. Em seguida,  que o detido no jatinho era da campanha do PT em Minas Gerais.

São os já conhecidos dois pesos e duas medidas da mídia e da Polícia Federal.

Eis que na eleição presidencial de 2014, setores da PF aparecem, de novo, atuando em favor dos tucanos e contra os petistas.

O vazamento seletivo da Operação Lava Jato já sinalizava o objetivo político e a Polícia Federal do Paraná como uma das possíveis fontes.

As manifestações no Facebook dos delegados PF em postos-chave na Lava Jato escancararam as suspeitas. Deixaram a PF nua.

Os delegados da PF agiram de forma organizada para interferir no resultado das eleições presidenciais de 2014. O nome disso é golpe.

Aparentemente, tudo bem orquestrado com setores da mídia, entre os quais a revista Veja, que antecipou a ida para as bancas na semana que antecedeu o segundo turno das eleições.

A Veja trazia na capa as fotos de Lula e Dilma, com o título: “Lula e Dilma sabiam de tudo”. A matéria referia-se à corrupção na Petrobras e a Operação Lava Jato.

Em 25 de outubro, véspera do segundo turno, o doleiro Alberto Youssef  foi hospitalizado. Surgiram então boatos de que ele havia morrido envenenado.

A PF sabia que o óbito não era verdade. Porém, deixou que isso fosse disseminado durante horas nas redes sociais e nos programas televisos de domingo sobre as eleições. Só foi desmentir no começo daquela tarde.

Fazia parte do golpe em andamento, que acabou não dando certo.

“Os delegados, flagrados no Facebook,  tinham tanta certeza de que o golpe teria êxito que deixaram digitais e provas pelo caminho. Só isso explica o que disseram”, observa um experiente analista da política brasileira. Talvez também porque nesses 12 anos do governo petista outros delegados da PF ficaram impunes.

Paulo Moreira Leite  alerta:

“A campanha anti-PT dos delegados da Polícia Federal lembra os desvios do Inquérito Policial-Militar (IPM)  da Aeronáutica que emparedou Getúlio Vargas em 1954.

Em 1954, quando o major Rubem Vaz, da Aeronáutica, foi morto num atentado contra Carlos Lacerda, um grupo de militares da Aeronáutica abriu um IPM à margem das normas e regras do Direito, sem respeito pela própria disciplina e hierarquia.

O saldo foi uma apuração cheia de falhas técnicas e dúvidas, como recorda Lira Neto no volume 3 da biografia de Getúlio, mas que possuía um objetivo político declarado — obter a renúncia de Vargas. Menos de 20 dias depois, o presidente da República, fundador da Petrobras, dava o tiro no peito”.

Mas isso não pode acontecer atualmente. Não se pode encarar com naturalidade o anti-petismo militante e radical dos delegados denunciados.

Para o bem da democracia, é preciso investigar a fundo a tentativa de golpe do qual eles fizeram parte, assim como é preciso combater seriamente a corrupção.

Do contrário, a democracia corre o risco de ser golpeada mais uma vez.

PS 1 do Viomundo: Na coletiva de imprensa, o ministro José Eduardo Cardozo disse que a Corregedoria da PF deve apurar primeiramente se as manifestações dos quatro delegados são verdadeiras.

Como isso vai ser apurado se o site OCC foi quase que totalmente esterilizado após a publicação da denúncia do Estadão? As provas só podem estar com a jornalista Júlia Duailibi. Será que a jornalista fez os print-screens das páginas? Ou será que ela só teve acesso a fotos dessas páginas do Facebook?

Conceição Lemes
No Viomundo
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Gregório Duvivier: "Que todo mundo seja rico!"


Em entrevista ao Jô Soares, na última quarta-feira (12), o ator Gregorio Duvivier relatou a violência que sofreu por declarar voto ao ‪#‎PT‬, nas eleições.

"Vamos parar de dividir o Brasil, pelo amor de Deus. Todo mundo quer o bem do País!", opinou.

Assista, curta e compartilhe! É bem legal!

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O dia em que Aécio ganhou a eleição num avião e a apoteose do jornalismo brega

“Obrigado pelo carinho, pessoal”
Uma das grandes questões que assombram a humanidade desde priscas eras é a seguinte: qual a linha que separa o brega — ou kitsch — da grande arte? Por que um vaso quebrado chinês de Ai Wei Wei tem mais valor do que um auto-retrato de Romero Britto? Por que Chico Buarque falando quer ficar no seu corpo como tatuagem é superior a Odair José mandando a namorada parar de tomar a pílula?

O brega está em todas as áreas: política, religião, literatura, economia, erotismo, publicidade, televisão etc. Se é difícil definí-lo, é fácil reconhecê-lo. Você percebe sua presença. O sentimento de “ugh” está na tela, nas notas, nas palavras.

Quer se trate de um anão de jardim, de uma balada do Jota Quest, de uma poesia de Pedro Bial, de uma frase de Paulo Coelho, do piscar de olhos de Bambi, de um beijo no coração — a breguice está lá, reconhecível como o rosto de sua tia querida. Não há muito espaço para a dúvida. Se você acha que pode ser, então é. No jornalismo, claro, não é diferente. (Aliás, quem faz um apanhado do que há de melhor nessa seara é o Wando em sua coluna no Yahoo).

Bem, esse blablablá foi para compartilhar um artigo de Ricardo Noblat no Globo. Noblat narra o que aconteceu num voo em que Aécio Neves estava presente. Não fica claro se o jornalista estava no avião ou se a história lhe foi contada por uma de suas fontes (talvez a mesma que lhe garantiu que a morte de Ariano Suassuna era “questão de horas”. Suassuna, aos 87 anos, estava numa UTI, em coma). Deveria? Isso é outra questão.

A cena, uma ode ao que poderia ter sido e não foi, é uma apoteose brega — ou kitsch. Como disse Milan Kundera, “não importa o quanto o desprezemos, o kitsch é uma parte integral da condição humana”.

Eis o relato:
— Isto é uma pegadinha? – espantou-se a mulher ao olhar para o homem sentado na cadeira do corredor da terceira fila do voo 1488 da GOL, que decolaria ontem, no meio da tarde, do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino a Brasília.

— Pegadinha, como? – perguntou o homem, sorrindo.

— O senhor é a cara de Aécio – observou a mulher.

— Eu sou Aécio – o homem respondeu.

Instalou-se então a confusão, que acabou por atrasar a decolagem. Bem mais da metade dos passageiros que quase lotavam o avião fez questão de cumprimentar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e de tirar fotos junto com ele.

Outra mulher comentou depois de abraçar Aécio:

— Você está por aqui? Não acredito.

Um homem idoso apertou a mão de Aécio e disse:

— Aécio, é você? Chorei muito quando você perdeu a eleição.

Entre uma foto e outra com o senador, uma jovem tascou:

— Nossa, você é muito bonito. É mais bonito do que na televisão.

A tripulação teve trabalho para conseguir que as pessoas ocupassem seus assentos. Antes que o avião decolasse, por três vezes, e a curtos intervalos, passageiros gritaram o nome de Aécio provocando aplausos.

Na descida do avião em Brasília, o comandante falou aos passageiros por meio do sistema de som:

— A GOL sente-se honrada em transportar o senador Aécio Neves, futuro presidente do Brasil.

Novamente Aécio foi aplaudido. E por último foi aplaudido ao se levantar para desembarcar, olhar para os fundos do avião e dizer:

— Obrigado pelo carinho, pessoal.
Imagine isso ilustrado por Hans Donner ou filmado por Vincent Minelli ou ainda pelo diretor de “Chiquititas”. Noblat não confirma se a Gol vai inaugurar vôos para Cláudio, em Minas.

Kiko Nogueira
No DCM
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O fim da operação Lava-Jato?

Tenho cá com os meus botões que a Operação Lava-Jato, hoje, começou a morrer.

Morte talvez lenta, mas decretada pelos seus próprios agentes.

Pois quando o juiz Sérgio Moro lançou uma tropa de policias federais contra dúzia e meia dos pesos mais pesados da economia brasileira — os mega-empresários da construção civil — praticou um lance de ousadia que dificilmente poderá sustentar, mesmo com a disposição do governo de investigar a tudo e a todos.

Prisão, ao menos para gente poderosa economicamente, segue ritos processuais que é pouco provável que tenham sido religiosamente seguidos, até porque, ao que consta, não houve busca e apreensão de documentação  que a sustente juridicamente.

Não é o “teje preso” usado para nós, simples mortais, que nem advogados temos, quanto mais as melhores bancas.

Mas, as ações generalizadas de hoje abandonaram, ostensivamente, a gradatividade, a fundamentação e a prudência que se deve ter com “peixes grandes”.

Se o objetivo jurídico for o de conduzir “meio processo” com aqueles — empresários, dirigentes e ex-dirigentes da Petrobras — que não dispõe de foro privilegiado no STF, o que deixaria o caso, em tese, fora do alcance jurisdicional do Supremo, vai produzir um nada encadernado em vários calhamaços, porque é impossível tratar de corrupção política sem políticos.

Se chegar lá, porque não entra a semana que vem sem que um caminhão de recursos, habeas-corpus e pedidos de desconstituição de provas caia sobre os tribunais.

E com boas chances de êxito nas mãos de juízes que se pautem, apenas, nos requisitos formais da lei.

Certamente, por alguns dias, o núcleo formado por delegados e promotores do Paraná terá o que vazar escandalosamente nas páginas dos jornais e da Veja que se se prepara para amanhã.

Mas uso político de um processo judicial esbarra, mais cedo ou mais tarde, no próprio processo judicial.

O poder econômico, no Brasil, pode fazer negócios — e os faz — à direita e à esquerda.

Mas ele está no mesmo campo da mídia e da Justiça: o do conservadorismo político.

A questão não é se os chefes das empreiteiras irrigam a política, porque eles fazem isso há décadas e décadas e em seus favores há meia (meia?) república,

Nem mesmo é se, por esta ou outras falcatruas, bem mereçam detenções ou processos.

Ou, ainda, em que finalmente vai acabar esta tal Operação Lava Jato, porque seus próprios investigadores parecem jogar contra sua sobrevivência jurídica no médio prazo e muito mais nos seus efeitos políticos imediatos.

A questão é se o Governo Dilma consegue se iniciar, se estabilizar e sobreviver à onda que se levantou contra ela.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A direita tenta seu primeiro golpe de Estado


Uma tentativa concreta de golpe de Estado, finalmente! O primeiro contra o segundo mandato de Dilma.

A política brasileira já estava ficando enfadonha!

As pessoas devem entender que golpes de Estado são sempre assim: vem de dentro.

Explora-se as contradições de um governo, fomenta-se a insatisfação entre grupos que possuem autonomia funcional (como exército, judiciário, MP e PF), sem ligação com o povo, sem voto, mas detêm poder de fogo, dá-se-lhes uma cobertura midiática favorável, um verniz de legalidade, e pronto!

Temos uma embalagem perfeita para derrubar um governo legitimamente eleito.

Por uma linda coincidência, tudo acontece no dia seguinte em que se descobre que os policiais federais que cuidavam da operação Lava-Jato faziam estardalhaço, em suas redes sociais, com informações sigilosas, espalhando ofensas contra o governo e dando loas a Aécio Neves, o candidato da oposição.

Claro, tiveram que adiantar o ataque! Ou então, o que também é plausível, fazia parte do plano levar adiante essas ações na véspera do dia 15 de novembro, quando a direita quer botar mais golpistas na rua.

O mesmo setor da PF, sob orientação dos mesmos promotores do Ministério Público e da mesma Justiça, desencadeiam uma operação espetáculo, com uma cobertura intensa da mídia, para prender figuras graúdas de empreiteiras que fizeram negócios com a Petrobrás, além de um ex-diretor da estatal, Renato Duque.

Não se fala mais de nenhum outro partido, deixando claro que a operação de hoje, midiática, sensacionalista, pode ser o primeiro grande ataque ao governo desencadeado a partir da “República do Galeão” do Paraná.

O núcleo de procuradores, agentes da PF, o juiz Sério Moro, o senador Alvaro Dias, além, é claro, do cartel midiático, não parece interessado numa investigação isenta e eficiente sobre os desvios na Petrobrás.

O objetivo é derrubar o governo.

A prisão espetaculosa de diretores de empreiteiras vai nesse sentido.

Os mesmos procuradores e agentes da PF que se posicionam com tanta agressividade contra o PT irão interrogá-los.

O juiz Sergio Moro irá oferecer-lhes delação premiada.

A mídia nem precisa falar nada. Todos sabem que a única maneira de escapar das malhas da fúria midiática é acusando o PT.

Resultado: todo mundo vai acusar o PT.

Não haverá necessidade de provas, além de declarações. Isso a imprensa já deixou claro. Ela se encarregará de fazer investigações, julgar, condenar e ainda vigiar as condições carcerárias.

A mídia brasileira aceita o papel com a volúpia de sempre: ser policial, juiz e carcereiro.

Esta é a razão pela qual a oposição quer tanto Eduardo Cunha na presidência da Câmara.

O plano é pedir o impeachment.

Conseguindo ou não, ao menos paralisam a máquina pública, e atrasam as grandes obras, para que não possam ser inauguradas por Dilma.

Ou a derrubam antes disso.

Enquanto isso, a imprensa cita a oposição para dizer que a etapa seguinte da Lava-Jato será a prisão de políticos.

Ora, como eles sabem?

Não há mais sequer o cuidado de esconder a relação orgânica estabelecida entre políticos de oposição do Paraná, como o senador tucano Alvaro Dias, e o deputado federal Rubens Bueno, do PPS, e a “República do Galeão”, ou “República do Paraná”.

Na CBN, os internautas avisam que Merval Pereira age como um sargentão sublevado em êxtase ao ver as tropas rebeldes nas ruas. Fala em “fim do governo” e outras expressões bem democráticas.

Na imprensa, os agentes da PF aparecem falando em “juízo final”.

O grande jogo já começou. A direita lançou a sua primeira cartada importante.

Claro que é preciso investigar os esquemas de corrupção na Petrobrás.

Transformar tudo, porém, num espetáculo político, comprometerá a isenção das investigações.

Pretender transformar um espetáculo num golpe de Estado, por sua vez, é um crime.

A direita não conseguiu vencer nas urnas, então agora vai apelar para o que sempre fez: golpe.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Mercadante passa o trator por cima da Urubóloga

Ela foi tosquiar e saiu tosquiada. Ela não aprende.


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O misterioso som do cometa 67/P


Logo após o pouso da nave Philae na superfície do cometa 67/P, milhares de sites passaram a divulgar um som que supostamente seria produzido pelo cometa. Alguns diziam ser a própria voz da rocha ou que o cometa estaria cantando. Afinal, o que é esse estranho e fascinante som?

Antes de qualquer coisa, esse som não é produzido pelo cometa. Ele é o registro numérico feito pelos magnetômetros da espaçonave Rosetta desde agosto e que reflete variações no campo magnético de 67/P. Esses dados, após processados, se transformaram em um gráfico, com múltiplas intensidades, picos e vales.

Se essas variações fossem convertidas diretamente em sons seriam totalmente imperceptíveis, pois ocorrem de forma muito lenta.

Para ter uma visão global dessas oscilações e poderem apresenta-las de forma mais interessante, os cientistas aceleraram os registros em mais de 10 mil vezes, fazendo com que as ondas aumentassem sua frequência até se tornarem audíveis.

Esse procedimento é bastante comum de ser realizado sempre que os pesquisadores estão diante de um evento de muito longo período. Um exemplo típico é a aceleração das ondas dos terremotos, impossíveis de serem ouvidas por terem frequência muito baixa, ou longo período.

O oposto também é possível e permite que eventos de duração extremamente curtas, como explosões ou raios, possam ser estudados de forma mais detalhada. Esse tipo de trabalho se tornou muito popular com as chamadas "super câmeras".

Sons do Cometa

No caso do cometa 67/P, os cientistas não estão interessados no mecanismo que produz o som. Isso eles já sabem, afinal foram eles que aceleraram o gráfico. O interesse da ciência está em encontrar os motivos que fazem o campo magnético do cometa variar e essa é o primeiro grande legado produzido como os dados da missão Rosetta. E as perguntas são muitas.



Outros cometas também podem apresentar essa variação? Seria ela causada apenas pela rotação da rocha ou pela interação do seu fraco campo magnético com a ionização das partículas neutras dos gases? Que tipos de cometas podem apresentar variações no campo magnético? No caso de 67/P, por ser um contato-binário qual o hemisfério da rocha é responsável pela variação? Que quantidade de ferro e/ou tamanho de núcleo poderia causar as variações na intensidade registrada? Qual o provável shape de um possível núcleo de ferro?

Como podemos ver, a missão Rosetta/Philae nem bem desceu e já produziu dados suficientes para muito tempo de pesquisa.

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Merval convoca o Golpe na CBN!


Claro que o Lula e a Dilma sabiam de tudo!




— Parece que ela está em fim de Governo rsrsrsrs;

— O Mercadante já disse que o programa de “arrocho fiscal” foi derrotado nas urnas, logo, não vai mudar nada…

— A Petrobras vai render;

— TODAS as empreiteiras estão envolvidas;

— Uma delação premiada pode levar ao Lula e a Dilma, porque era a base do esquema de financiamento do Governo;

— Editorial do Estadão já disse que o Lula e a Dilma sabiam de tudo;

— Eles sabiam o que se passava na refinaria de Abreu e Lima;

— Vai ser uma devastação;

— E se uma delação disser que estava tudo combinado com o Palácio do Planalto?

— Como vai ficar?

— Alguém sabia!

— Difícil imaginar que ninguém no Palácio do Planalto não soubesse;

— O mensalão caiu nas costas do chefe da quadrilha, o José Dirceu, mas agora é complicado;

— O Youssef já disse (à Veja) que o Lula e a Dilma sabiam;

— Isso vai a algum lugar importante;

— Vai mexer na estrutura;

— Chegou ao final;

— É impossível, é inviável continuar com esse projeto!

No CAf
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A guerra fria da PF contra o PT


Coincidências acontecem, mas …

Mas a superoperação da Polícia Federal no caso Petrobras nesta manhã de sexta feira parece feita sob medida.

O estardalhaço tende a desviar as atenções das denúncias — frescas e de alta relevância — sobre o comportamento brutalmente partidário dos delegados encarregados das investigações.

As informações sobre o antipetismo estrondoso dos delegados da PF colocaram uma sombra copiosa de dúvida sobre a qualidade das apurações da PF.

Ódio partidário influencia qualquer investigação. Inimigos são tratados com extremo rigor e amigos podem ser convenientemente engavetados caso alguma coisa comprometedora apareça.

O caso do Helicoca é exemplar: como a PF conseguiu não apurar nada, com tantas evidências? Como a ligação com os Perrellas, os donos do helicóptero, foi tão rapidamente descartada?

Aparentemente, a nova fase da operação Lava Jato assinala uma guerra fria entre a PF e o PT.

Há similitudes no comportamento da PF e da mídia. Grandes organizações jornalísticas, quando alguém as aborrece, costumam promover uma retaliação imediata na qual não são poupados os feridos.

A Globo é mestra nisso, mas está longe de ser um caso único.

Num mundo menos imperfeito, as coisas não seriam assim. Mas, no Brasil 2014, são.

A PF tem que ser reinventada. Tanto a PF como as polícias militares são, para usar a grande expressão de Brizola, filhotes da ditadura.

A mentalidade dominante ali é aquela segundo a qual a esquerda come criancinhas.

É o tipo de pensamento com o qual a imprensa, a Globo de Roberto Marinho à frente, intoxicou mentalmente os brasileiros na época dos militares.

As polícias brasileiras são dominadas por uma cultura, ou falta de cultura, de extrema direita.

É esta cultura que tem que ser enfrentada com disciplina, método — e rapidez.

Ou teremos sempre, na PF, investigações partidarizadas — e por isso suspeitas — quando, como no caso da Lava Jato, políticos estiverem de alguma forma envolvidos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sem comunicação


O go­verno pratica uma política de sustentação financeira da mídia conservadora, especialmente para a Rede Globo que, em 10 anos, recebeu R$ 5 bilhões em publicidade ofi­cial

Nas eleições recentes, viu-se como o governo pos­sui enorme dificuldade para informar adequadamente so­bre todas as suas próprias realizações. Até militantes do PT, muitas vezes, registram desconhecimento sobre obras e programas de governo, consequentemente, têm dificul­dade de defendê-los. As forças conservadoras, sim, pos­suem uma comunicação destrutiva organizada e conse­guiu confundir boa parte do eleitorado que, mesmo be­neficiado pela distribuição de renda, pelo crescimento do trabalho formal e pelos programas sociais, aceitava a te­se marota da alternância de poder, porque argumentava: “um partido não pode ficar muito tempo no poder, tem que mudar”.

Mas, transformar uma sociedade com monstruosas in­justiças sociais acumuladas, que ainda tem marcas do es­cravagismo, não é tarefa para um curto período, espe­cialmente em se tratando de governo que não conta com maioria de esquerda no Congresso. Mais difícil ainda se este governo não tem comunicação. É óbvio que o PT não organizou uma política de comunicação para defender as conquistas de Lula e Dilma dos ataques conservadores. TVs e Rádios públicas, comunitárias e universitárias con­tinuam fragilizadas, sem sustentação. No entanto, o go­verno pratica uma política de sustentação financeira da mídia conservadora, especialmente para a Rede Globo que, em 10 anos, recebeu R$ 5 bilhões em publicidade ofi­cial. Desperdício de recursos públicos, mau uso, altíssimo custo social e político negativo.

Ao contrário, na Argentina, Venezuela, Equador e Bo­lívia, além do fortalecimento, expansão e qualificação da rádio e TVs públicas, investiu-se pesado em jornais po­pulares impressos, com distribuição militante e comer­cial massiva, a preços módicos ou gratuitamente, que fazem a disputa ideológica com a direita. Há vigorosa ex­pansão do parque gráfico e da leitura de jornal e livros. Aqui, mesmo alertado, o prefeito Haddad não usou, até a agora, a prerrogativa que lhe dá a lei para ter um canal de TV a cabo na maior cidade do país, sem precisar mu­dar a Constituição. Organizar um poderoso jornal coo­perativo popular, impresso e digital, também não exige mudanças na Constituição, para o que não há maioria. Medidas que exigem apenas decisão política, como hou­ve ao fundar a CUT, ao PT. Como tiveram as forças de es­querda nos países vizinhos.

Beto Almeida
No Brasil de Fato
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“Não dá mais para empurrar com a barriga”: como foi a manifestação do MTST na Paulista


Se a parcela direitista levou, de acordo com a PM, 2 500 pessoas à Paulista no mês passado, menos de duas semanas depois o MTST, acompanhado de centrais sindicais e movimentos sociais, derramou, ainda segundo a polícia, 10 mil manifestantes na mesma avenida.

O recado, entretanto, era de mão dupla. Se por um lado era voltado para dar o troco na ala que trouxe demandas esdrúxulas como intervenção militar ou impeachment de Dilma, e dizer que “não passarão” (e, de quebra, dançar um forró em plena alameda Jaú — no coração dos Jardins — em resposta contra o preconceito aos nordestinos), por outro lado era também uma pressão sobre o governo federal pelas reformas estruturantes que atendam aos gritos das ruas. A desejada e sonhada reforma política.

“O mínimo que se espera é ela (Dilma) realizar o programa de mudanças pelo qual foi eleita. Agora, é preocupante que os primeiros sinais da presidente não tenham sido esses. Passou a campanha inteira dizendo que Marina e Aécio iriam governar para banqueiros e cogita o presidente do Bradesco para o ministério da Fazenda?”, declarou Guilherme Boulos, líder do MTST.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, também não suavizou. “São duas bandeiras nesse ato. A primeira é contra a intransigência, contra o golpe que se quer aplicar, contra a proposta maluca de impeachment, contra a agenda conservadora que não fala da reforma da moradia, da reforma agrária, dos direitos dos trabalhadores”, disse.

“A segunda é para mostrar que a presidente Dilma se elegeu com esse povo aqui. Ela se elegeu para fazer reforma. Ela não se elegeu para depois vir o PSDB ou o mercado e dizer que tem que ter aumento de taxa de juros. O Brasil teve duas propostas e elegeu a proposta progressista, não a reacionária. Não vamos aceitar que os acordos com um congresso conservador levem em consideração a sanha do PMDB que quer mandar no governo.”

O Dia Nacional de Luta por Reformas Democráticas foi uma demonstração de que essa campanha ganhará força junto à população. “Só a sociedade irá fazer com que as reformas necessárias aconteçam”, disse Marcos Nobre, professor de Filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap. “São as pessoas que precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso”. Bem, lá estavam as pessoas. E não é de agora.

Um “plebiscito popular” (uma votação paralela que não teve a legitimidade de um plebiscito convocado pelo Congresso, como exige a Constituição) por uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político já havia sido realizado entre os dias 1 e 7 de setembro e recolheu 7.754.436 votos em todo o país. Esperava coletar 10 milhões de votos mas ainda assim é um número expressivo. Esse resultado foi entregue oficialmente aos três poderes da República no dia 14 de outubro. Já são 500 entidades envolvidas na campanha que defende que o Congresso convoque uma Assembléia Constituinte para tratar exclusivamente da reforma política (a proposta é original do PT, PCdoB e de vários movimentos sociais). Um caldeirão imenso.

“Não dá mais para empurrar com a barriga. Ou o governo adota a pressão da direita, que é do mercado financeiro, dos setores conservadores que ganham com o status quo, que é da política neoliberal que a gente sabe muito bem o que significa ou o governo vai ter de enfrentar o desafio das reformas populares. É inadmissível depois do que foi junho de 2013 que a reforma política ainda não seja um tema que tenha maioria nos poderes políticos. É inadmissível depois do que a revista Veja fez nessa campanha eleitoral que não se consiga pautar a democratização nos meios de comunicação. É uma ilusão acreditar que o Congresso vá fazer reforma política, que vá acabar com financiamento privado de campanha. Não vai. Nós achamos que o plebiscito para a constituinte é o caminho mais viável para se pensar em reforma política no país”, disse Guilherme Boulos.

Ou seja, coxinhas à parte, é importante o governo estar atento ao lema do MTST. A luta é pra valer.

Mauro Donato
No DCM
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Uma solução para a incompetência de Alckmin


Uma inovação desenvolvida da P & G pode transformar um balde de 20 litros de água suja em água limpa e potável em apenas 30 minutos.

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A volta da República do Galeão?


Campanha anti-PT de delegados da Polícia Federal lembra desvios de IPM da Aeronáutica que emparedou Getúlio Vargas em 1954

Em reportagem publicada no Estado de S. Paulo, Julia Duailibi revela que delegados encarregados da investigação da Operação Lava Jato utilizaram-se de redes sociais para fazer campanha a favor de Aécio Neves e ofender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

A reportagem mostra uma moblização política-policial com poucos antecedentes históricos. Descreve delegados engajados partidariamente para combater e desmoralizar personagens centrais de uma investigação em curso, sob seus cuidados.

Um dos coordenadores da Lava Jato referiu-se a Lula como “essa anta.” Um outro participa de um grupo no Facebook cujo símbolo é uma caricatura de Dilma com dois incisivos vampirescos, com uma faixa escrita “fora PT,” e proclama que seu objetivo é mostrar que “o comunismo e o socialismo são um grande mal que ameaça a sociedade.”

O aspecto disciplinar do caso está resolvido no artigo 364 no regimento disciplinar da Polícia Federal, que define transgressões disciplinares da seguinte maneira:

I - referir-se de modo depreciativo às autoridades e atos da Administração pública, qualquer que seja o meio empregado para êsse fim.

II - divulgar, através da imprensa escrita, falada ou televisionada, fatos ocorridos na repartição, propiciar-lhe a divulgação, bem como referi-se desrespeitosa e depreciativamente às autoridades e atos da Administração;

III - promover manifestação contra atos da Administração ou movimentos de apreço ou desapreço a quaisquer autoridades;

Em 1954, quando o major Rubem Vaz, da Aeronáutica, foi morto num atentado contra Carlos Lacerda, um grupo de militares da Aeronáutica abriu um IPM a margem das normas e regras do Direito, sem respeito pela própria disciplina e hierarquia.

O saldo foi uma apuração cheia de falhas técnicas e duvidas, como recorda Lira Neto no volume 3 da biografia Getúlio, mas que possuía um objetivo político declarado — obter a renúncia de Vargas. Menos de 20 dias depois, o presidente da República, fundador da Petrobras, dava o tiro no peito.

Em 2014, nem é preciso perder tempo em perguntas sobre a isenção dos policiais, sobre foco, sobre indispensável distanciamento profissional para produzir provas consistentes e críveis. Está tudo claro.

A desobediencia a determinações claríssimas do regimento da PF sinaliza uma fraqueza profissional inaceitável.

Fica difícil saber até onde foi uma investigação necessária em torno da Petrobras — e onde ocorreu algo que tem características de uma conspiração, tipica de quem se vale de seus postos no Estado para atingir finalidades políticas.

Quem terá coragem de negar que as mais graves suspeitas que rondam o inquérito desde o início, de que seria uma investigação dirigida para causar prejuízos imensos ao Partido dos Trabalhadores, evitando comprometer políticos e legendas da oposição, ganharam veracidade e consistência a partir de hoje?

Como duvidar de uma ululante teoria do domínio do fato para tentar colocar a presidente e o ex num escândalo cujo alcance ninguém conhece?

Em 2004, quando ocorreu a primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores, apareceu um vídeo onde Waldomiro Diniz, assessor parlamentar do PT, pedia propina para o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Semanas depois, surgiu uma gravação, onde o procurador Roberto Santoro, que conseguiu a gravação, apela a Cachoeira para lhe entregar a fita, usando um argumento claríssimo: “pra ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, pra derrubar o governo Lula…”

A primeira gravação foi um escândalo. A segunda,logo caiu no esquecimento — embora fosse indispensável para compreender a primeira. Isso porque atrapalhava o esforço da oposição para criminalizar o governo do Partido dos Trabalhadores.

Resta saber, agora, o que será feito com o anti-petismo militante e radical dos delegados.

Responsável pela Polícia Federal, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo anunciou a abertura de uma investigação.

“É importante dizer que, se por um lado os delegados têm todo o direito de se manifestar a favor do candidato A, B, C ou D, contra partido Y, contra partido Z, de outro lado, quem conduz uma investigação deve ser absolutamente imparcial, até para que não traga nulidade ao processo”, afirmou Cardozo. Ele acrescentou que “a manifestação é livre, mas um delegado não pode conduzir uma investigação parcialmente, pelas suas convicções intimas, nem divulgar informações sigilosas”.

Nessas horas, é bom evitar confusões. Até agora ninguém questionou o direito dos delegados terem suas próprias opiniões políiticas. Quem coloca essa carta na mesa apenas ajuda a embaralhar uma discussão séria e urgente. Delegados e agentes da PF são brasileiros como os outros, em direitos e obrigações. Da mesma forma que existem policiais tucanos, também existem eleitores de Dilma, de Marina e dos outros candidatos. Isso não está em questão.

O que se questiona é um comportamento indisciplinado e desrespeitoso, que está longe de configurar um caso menor. A indisciplina não é uma reação de garotos e garotas mal comportadas na sala de aula. É um ato político.

Em 2006, foi a indisciplina de um delegado da Polícia Federal, eleitor assumido do PSDB, que forneceu imagens do dinheiro apreendido no caso dos aloprados, que garantiu uma cena que assegurou a realização de dois turnos na eleição presidencial.

Também se questiona outra coisa. Assim como acontece com militares, delegados são cidadãos que tem várias regalias — inclusive o porte de arma — no exercício de suas funções.

A sociedade lhes dá este direito porque confia em sua capacidade não só para obrigar os outros brasileiros a respeitar a lei e a ordem — mas também em sua disposição para dar o exemplo e submeter-se às peculiaridades que a lei e a ordem reserva para quem tem o direito de portar armas, abrir inquéritos, denunciar e acusar.

Esta é a questão. Basta recordar que foram — justamente — personagens e supostas revelações da Lava Jato que alimentaram a tentativa de golpe eleitoral midiático de 26 de outubro para se entender a importância de apurar cada passo, cada mensagem, cada iniciativa dos delegados denunciados.

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O papel cada vez mais estranho da Polícia Federal no caso Helicoca

O flagrante no helicóptero dos Perrellas no Espírito Santo
Na esteira da denúncia de que delegados da Polícia Federal envolvidos na operação Lava Jato fizeram campanha para Aécio Neves, vale a pena relembrar um eisódio recente e rumoroso em que a PF teve um papel, no mínimo, estranho. Falo do Helicoca.

O helicóptero da família Perrella foi apreendido com 445 quilos de cocaína numa fazenda no interior do Espírito Santo em 24 de novembro de 2013. Vai fazer um ano.

Apenas quatro míseros dias depois, a ligação dos Perrellas com o crime foi descartada. Segundo o delegado responsável, Leonardo Damasceno, não existiam indícios de participação dos parlamentares.

“Pará nós, essa questão está encerrada”, disse ele. “O deputado [Gustavo, filho de Zezé] não estava no local e a contratação do frete foi feita pelo copiloto, que subcontratou o piloto”.

No inquérito, o proprietário do local onde ocorreu o pouso foi inocentado também, sem uma explicação convincente. A Superintendência da PF em Minas ouviu Gustavo, mas apenas como testemunha. “Hoje não há nada que indique que ele tivesse conhecimento sobre a droga”, afirmou Damasceno.

Uma escala num hotel fazenda em Jarinú (SP), onde, de acordo com documentos, ficaram 50 quilos do entorpecente, foi ignorada. O juiz federal Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa relacionou algumas questões sem resposta: “Há realmente diversos aspectos que dependem de investigação, como a origem da droga apreendida, a dúvida sobre a internacionalidade, o papel dos envolvidos e a possível participação de terceiros”.

Quem é Leonardo Damasceno? Ele formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e é pós-graduado em Direito Público e Processual pela Consultime-Unives, de Vitória. Em 1996, foi nomeado para o cargo de agente fazendário em Belo Horizonte.

Fez carreira em terras capixabas. Em janeiro, assumiu a secretaria de Defesa Social do município de Serra, o mais populoso do ES e um dos mais violentos do Brasil. O prefeito é Audifax Barcelos (PSB), que trabalhou pela reeleição de Renato Casagrande (derrotado). Ambos apoiaram Aécio.

Damasceno ficou cerca de três meses na função e teria saído por causa de conflito de interesses. Ele esteve à frente de operações como “Duty Free”, que desbaratou um bando especializado em crimes ligados à área do comércio exterior, e “Calouro”, que apanhou fraudadores de mais de 50 vestibulares em 30 instituições de ensino superior privadas.

O jornalista Joaquim de Carvalho falou com o policial na série de reportagens sobre o Helicoca publicada no DCM. Escreve Joaquim: “Leonardo Damasceno é de uma família de funcionários públicos. Seu irmão, auditor fiscal em Minas Gerais, ocuparia um cargo de confiança no governo mineiro. Sobre a hipótese de conflito de interesses, já que Zezé Perrella, dono do helicóptero, é aliado político de Aécio Neves, Leonardo diz:

– Não tenho ideia do que fazem meus irmãos. Ilações todo mundo faz. Dizem, por exemplo, que por eu ser Galo (torcedor do Atlético Mineiro) não poderia defender alguém que é do Cruzeiro (Zezé Perrella era presidente do clube).

Parecia empenhado na investigação, mas o fato é que, depois da entrevista em que isentava Perrella, entrou de férias e quem assina o relatório final do inquérito é a delegada Aline Pedrini Cuzzuol.”

Kiko Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 44


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Essa é do Barão... 102


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