11 de nov de 2014

A lição de bons modos que Alckmin deu a Míriam Leitão

O déficit civilizatório de Míriam Leitão
Meu pai, Emir Macedo Nogueira, estudou latim.

Era um conhecedor profundo do português. Durante anos, ele manteve na Folha de S. Paulo uma coluna chamada A Língua Nossa de Cada Dia, em que abordava o português do cotidiano das pessoas.

Papai costumava dizer que a língua portuguesa é, acima de tudo, generosa. Há poucos pontos em que ela é irredutível, e não dá alternativas a quem a usa.

Lembro que certa vez, muitos anos atrás, meu pai falou sobre o uso de presidente ou presidenta para a líder argentina Isabelita Perón.

As duas formas, explicou meu pai, são aceitáveis e defensáveis, e ali estava um pequeno exemplo da generosidade do português.

Fiz este introito porque soube, por meu irmão, que Míriam Leitão, numa entrevista, encrencou com Alckmin porque ele se referiu a Dilma como “presidenta”.



Míriam Leitão, que até então cumulava Alckmin de sorrisos e engoliu passivamente todos os números que ele lhe enfiou para tentar explicar a seca de São Paulo, ficou brava com o “presidenta”.

Segundo ela, quem chama Dilma de presidenta é petista. Me pareceu que ela fez uma careta ao falar “petista”, mas pode ter sido impressão apenas.

Alckmin, com sua mediocridade simpática e sorridente, se saiu muito bem. Disse que chama as pessoas como elas gostam de ser chamadas.

Se a série confusa de estatísticas que ele apresentou para Míriam Leitão não resolve a falta de água dos paulistas, sua atitude civilizada ao explicar por que “presidenta” merece aplausos.

Míriam Leitão, em compensação, faz jus a vaias de pé.

Se a língua portuguesa é generosa, como falava um dos jornalistas que a conheciam com mais profundidade, Míriam Leitão mostrou pequenez e mesquinharia.

Os jornalistas que decidiram chamar Dilma de “presidente” têm, vamos ser francos, razões muito mais ideológicas do que vernaculares.

Eles são mais versados no “odiojornalismo”, para usar a expressão da pesquisadora Ivana Bentes, do que no português.

Não estão protegendo a língua com o “presidente Dilma”. Estão atacando Dilma, gratuita e maldosamente.

Imagine, apenas a título de exercício, que a mulher de Roberto Irineu Marinho assume a presidência da Globo.

Pense agora que ela gostaria de ser tratada como “presidenta”.

Como Míriam Leitão se dirigiria a ela?

Fiquemos em Roberto Irineu. Digamos que ele queira que o tratem não como presidente da Globo, mas como CEO. E então, como os bravos jornalistas da Globo se refeririam ao chefe? Numa confusa justificativa, Míriam Leitão disse que “presidente Dilma” é “mais normal” que “presidenta Dilma”.

E “CEO Roberto Irineu Marinho”, caso ele decidisse adotar esse título: é “menos normal”? Míriam Leitão, em nome dessa abstrusa normalidade, insistiria em dizer “presidente Roberto Irineu”?

Alckmin deu uma lição de boas maneiras não apenas a Míriam Leitão, mas a todos os jornalistas que só chamam Dilma de “presidente” para importuná-la.

Faltam bons modos a eles — e também conhecimento de português para sustentar seu déficit civilizatório.

Paulo Nogueira
No DCM
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Conheça o ameaçador acordo "bolivariano" firmado entre MST e Venezuela


A assessoria de imprensa do MST faz os seguintes esclarecimentos, diante da repercussão da parceria do Movimento com o governo da Venezuela:

1- O acordo firmado entre o MST e o ministro de movimentos sociais da Venezuela, Elias Jaua, prevê um intercâmbio bolivariano entre camponeses de ambos os países na área de cooperativismo agrícola e economia solidária, com a finalidade de troca de experiências e conhecimento sobre a produção agroecológica (conforme o acordo abaixo).

2- O MST é reconhecido internacionalmente pelo trabalho de luta pela Reforma Agrária e organização de comunidades no meio rural para a produção de alimentos, a partir de um processo de organização de cooperativas de trabalhadores rurais, que viabilizam a industrialização e a comercialização da produção. O MST tem cerca de 100 cooperativas, 1.900 associações e 100 agroindústrias, que demonstram a força da agricultura camponesa e que se constitui numa referência internacional.

3- Os setores conservadores do Congresso Nacional, liderados pelo fundador da União Democrática Ruralista (UDR), Ronaldo Caiado, aproveitam o clima criado nas eleições presidenciais para colocar suas baterias contra a Reforma Agrária e os movimentos sociais do campo. Os setores derrotados nas eleições presidenciais buscam criar um clima de instabilidade política no país, qualificando de forma preconceituosa qualquer iniciativa de protagonismo popular como “bolivarianismo”.

4- Desde o decreto de Política Nacional de Participação Social, derrubado pela Câmara dos Deputados, passando pela oposição à realização de plebiscito sobre a convocação de uma Constituinte do Sistema Político, até a condenação da indicação pelos presidentes da República dos ministros do STF, como prevê a própria Constituição. Agora é a vez do acordo de cooperação agrícola entre a Venezuela e os Sem Terra do Brasil.

5- Assim, os setores conservadores demonstram que não admitem qualquer participação popular, condenando iniciativas de criação de conselhos consultivos, convocação de plebiscitos e a realização de acordos na área de cooperativismo e economia solidária.

Abaixo, leia o acordo bolivariano firmado entre o MST e a Venezuela:


MEMORANDO DO ACORDO ENTRE O MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (MST) DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O MINISTÉRIO DO PODER POPULAR PARA AS COMUNAS E MOVIMENTOS SOCIAIS DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da República Federativa do Brasil e o Ministério do Poder Popular pra as Comunas e Movimentos Sociais da República Bolivariana da Venezuela (MPPCyMS), em adiante denominados “As Partes”

IMPULSIONANDO a cooperação entre os países do Sul que aponte rumo à transformação da vida de nossos povos, enfatizando principalmente o bom viver dos grupos humanos mais deprimidos economicamente;

OBSERVANDO, que para “As Partes” é de soma importância aprofundar no estabelecimento de laços de cooperação e complementaridade para a capacitação e formação de atores sociais, com a finalidade de desenvolver ações conjuntas orientadas ao desenvolvimento e consolidação de novas relações produtivas e em prol do fortalecimento das bases da economia comunal;

CONSIDERANDO, que para “As Partes” é necessário fortalecer a participação do povo nos afazeres sociais, políticos, econômicos sempre sob sua iniciativa, conformados dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e comunas como Entidades Locais Territoriais sobre as quais se exercem os princípios de soberania e participação.

RECONHECENDO que, a Economia Solidária e Comunal é o instrumento mais adequado para a luta contra a fome e a pobreza, para a promoção da Agricultura Familiar, de Segurança Alimental e nutricional e do Direito Humano à Alimentação.

CONSIDERANDO que a colaboração estreita e o intercambio de conhecimentos técnicos e práticos entre “As Partes”, pode constituir um processo imprescindível que contribua ao desenvolvimento de potencialidades humanas e formação em comunidades urbanas e rurais em matéria de meios de participação popular, economia comunal e movimentos sociais.

ESTABELECEM

ARTIGO I

OBJETIVO


O presente Memorándum de Acordo tem por objeto assentar as bases mediante as quais o Ministério do Poder Popular para as Comunas y movimentos Sociais da república Bolivariana da Venezuela y o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da República Federativa do Brasil, realizarão ações para desenvolver programas, projetos e atividades conjuntas com a finalidade de beneficiar as comunidades urbanas e rurais, assim como toda aquela potencialidade em matéria de participação popular, economia comunal e movimentos sociais.

ARTIGO II

ÁREAS DE COOPERAÇÃO


Para alcançar o Objetivo ao que se refere o ARTIGO I, “As Partes” em conformidade com suas respectivas legislações internas, levarão a cabo ações de cooperação com especial interesse nas seguintes áreas:

1. Desenho e identificação de estratégias de cooperação em matéria de Economia Solidária e Comunal, Desenvolvimento Local e Economia Social.

2. Coordenação de estratégias integrais para a formação de empreendimentos sócio-produtivos.

3. Desenho e execução de programas de formação em matéria de economia solidária e comunal, organização de empresas de propriedade social direta e indireta na República Bolivariana de Venezuela.

ARTIGO III

MODALIDADES DE INTERCÂMBIO


O intercâmbio entre “As Partes” poderá efetuar-se através das seguintes modalidades:

1. Intercâmbio de informação e experiências nos âmbitos de interesse.

2. Intercâmbios de talento humano, técnicos e especialistas para o cumprimento do objeto ao que se refere o presente Memorándum.

3. Estudo, desenho e desenvolvimento de projetos de complementaridade produtiva, de maneira conjunta entre “As Partes”, nas áreas de cooperação enunciadas no presente instrumento.

4. Organização conjunta e participação em eventos tais como: foros, seminários, oficinas, encontros e conferências, vinculados às áreas de interesse para “As Partes”.

5. Qualquer outra modalidade que “As Partes” considerem, em concordância com o ordenamento jurídico de ambos países e no âmbito de suas competências.


ARTIGO IV

COMISSÃO TÉCNICA


“As Partes” estabelecem criar uma “Comissão Técnica“, que se encarregará de avaliar as ações para o desenvolvimento das áreas e estratégias de Cooperação bem como os programas, projetos e atividades com a finalidade de beneficial às comunidades rurais e toda aquela potencialidade em matéria de participação popular, economia comunal y movimentos sociais.

A referida “Comissão Técnica” estará integrada por três (3) representantes de cada uma d'“As Partes”, os quais se reunirão dentro os quize (15) dias seguintes à assinatura do presente Memorándum de Entendimento, a fim de definir os programas, projetos e atividades a serem desenvolvidas para o cumprimento Objetivo ao que se refere o ARIGO I.

ARTIGO V

MECANISMOS DE EXECUÇÃO E ACOMPANHAMENTO


Para a coordenação, execução e acompanhamento das atividades assinaladas nos Artigos anteriores, a “Comissão Técnica” prestará “As Partes”, informes periódicos dos resultados obtidos durante a execução do presente documento.

ARTIGO VI

MODIFICAÇÃO E EMENDAS


“As Partes” estabelecem que qualquer modificação do presente Memorándum , será decidida e incorporada de comum acordo por escrito e mediante a assinatura do Addéndum de rigor, podendo-se modificar o presente instrumento por razões de conveniência ou necessidade, sem que em nenhum momento se desnaturalize seu objeto dentro do marco deste instrumento.

ARTIGO VIII

SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS


Qualquer dúvida ou controvérsia que surja com motivo da interpretação ou execução do presente Memorándum de entendimento, será resolvida amistosamente através de negociações diretas entre “As Partes”.

ARTIGO VIII

VIGÊNCIA E ENCERRAMENTO


O presente Memorándum de Entendimento, se fará efetivo na data de sua assinatura e terá uma duração de 2 anos, prorrogáveis por períodos iguais, salvo que alguma d'“As Partes” comunique à outra sua intenção de não prorrogá-lo, mediante comunicação escrita com pelo menos 6 meses de antecipação à data do período correspondente. Igualmente, qualquer uma d'“As Partes” poderá dar por encerrado em qualquer momento o presente Memorándum de Entendimento e dito encerramento surtirá efeito 6 meses após haver sido comunicada à outra parte. O encerramento não afetará a realização dos Programas, Projetos e atividades que se encontrem em execução, os quais continuarão até concluir-se no tempo para o qual foram originalmente desenvolvidos.

No MST
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O cinismo de Alckmin: "São questões localizadas", sobre falta de água em SP




Enfim São Paulo perde a pressa

Geraldo Alckmin empurra para amanhã o que devia ter feito anteontem

Coisa irritante que era aquela musiquinha tocando em todos os radinhos de pilha do final da década de 60 no meio de minhas sonolentas manhãs de adolescência ginasiana à noite e office-boy desde as 7 horas da manhã: “Vão ‘bora! Vão ‘bora! Tá na hora! Vão ‘bora!

Aquilo se repetia na minha cabeça e desde então comecei a renegar a cidade onde nasci e onde a pressa atropelava meus desejos e minhas vontades. Mais tarde atropelou meus versos, meus amores e, por fim, “Tá há hora, vão ‘bora!” e fui mesmo antes que me atropelassem as botas da ditadura militar.

Que alívio quando cheguei à Bahia e as pessoas caminhavam normalmente, absorvendo as belezas do mar, da cidade, do sol, do céu e das demais pessoas, todos tranquilamente baianos. Ninguém marchando apressado em busca de nada. Sem cada um atropelar aos outros ou a si mesmo.

“São Paulo nunca mais!” – pensei eu, mas, claro, vez por outra tive de voltar àquela cidade. Inclusive ainda há pouco tempo, coisa de mais de um ano, quando por ali ainda havia água de verdade nas torneiras e ninguém se sentia inundado de sede e sujeira. Ainda assim, fosse qual fosse a higiene dos paulistas, continuavam me incomodando com aquela pressa insana para tudo, aquele massacrar cotidiano em pontos de ônibus e plataformas de Metrô, aquele buzinar em avenidas invariavelmente imobilizadas pela própria pressa que congestiona a todos que quererem avançar ao mesmo tempo.

Nem sei se o rádio ainda toca o “Vão ‘bora! Vão ‘bora! Tá hora! Vão ‘bora!” que, se não me falha a memória, era a vinheta musical do jornal radiofônico da Bandeirantes. A mesma BAND da TV que ligada ali, agora, nesta manhã de 11 de novembro de 2014, me traz a notícia de que finalmente o governador Geraldo Alckmin e a Presidenta Dilma sentaram-se para conversar sobre medidas para evitar as agruras dos paulistas pela falta de água devido à ausência de chuvas.

Reproduziram aquela fala da Presidenta Dilma que antes já informara que desde o início de 2014 ofereceu verbas federais para a solução do problema, mas o governo daquele estado preferiu o caminho das licitações.

Elegante, Dona Dilma não explicou porque o governador de São Paulo preferiu o caminho mais longo e lento, mas para quem conhece os interesses envolvidos em licitações como as do Metrô daquele mesmo governo e estado, não se fazem necessárias maiores explicações. Perfeitamente compreensível!

Já os técnicos e especialistas da ONU em abastecimentos de água às populações mundiais, afirmaram e reiteraram que não tem isso de estiagem. Consequência de incompetência governamental, mesmo! De fato, Los Angeles e outras cidades dos Estados Unidos estão ao lado de desertos e se por causa de um ano de estiagem ficar sem água como no estado de São Paulo, aquele povo derruba governos, prefeitos, senadores e até o Obama.

Em São Paulo reelegeram o Alckmin, mas quando pela BAND NEWS, ali ao lado, ouço Geraldo Alckmin afirmar aos jornalistas que a verba agora requerida à Presidente Dilma não é para obras que solucionem amanhã o problema de ontem, pois as obras de amanhã estariam sendo realizadas por sua própria providência, juro que me tornei fã do político de Pindamonhangaba. E também lembrei de outro dito dos paulistanos apressadinhos: “Quero isso pronto antes de terminar de dizer Pindamonhangaba!

Para conseguir tamanha pachorra daquele povo, só mesmo um pindamonhangabaense! Nem baianos teriam paciência com tantas aliterações e os próprios nativos reduzem para “pindenses”, mas o gentílico correto para o Alckmin é esse palavrão e não aqueles que proferem os paulistas ao escoar do barro pelas torneiras.

Fico imaginando uma nova versão nas rádios pelas manhãs paulistanas: “Com calma! Com calma! Não tá hora! Com calma!” Hora do banho pra paulista só depois de amanhã, quando o governador resolver o problema da água que evaporou dos reservatórios desde muito antes de anteontem.

Maravilha! Enfim, a locomotiva do Brasil virou um reboque emperrado!

Raul Longo
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Gilmar Mendes e o "bolivarianismo"


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Las ideas socialistas en Latinoamérica nacieron primero que las de Marx

Estéban Echeverría
“Mártires Sublimes! A vosotros dedico estas páginas inspiradas por el amor a la Patria”

Dogma Socialista quizás sea un libro sin igual en el mundo de la política, y en el mundo de la búsqueda insesante de la verdadera democracia, muy probablemente sea la unificación de los criterios prácticos más honestos para consolidar el poder en el pueblo.

La palabra drama etimológicamente proviene del verbo griego drao, que significa hacer, yo hago, y estuvo relacionado al teatro por mucho tiempo, es decir, que un drama era una puesta en escena de una obra teatral, que podía ser trágica o cómica. Esta sección El Drama 1867 ha querido dar espacio a un estudio sobre una importantísima obra política de Estéban Echeverría de principios del siglo XIX, porque esos acontecimientos intelectuales fueron las más sublimes actuaciones de los mártires que realmente amaron la Patria, no sólo sus Patrias, sino la Patria Latinoamericana.

1. Es de significativa relevancia que la joya literaria de Echeverría: Dogma Socialista, comience con unas hermosas letanías para quienes el autor considera Los mártires de la Patria. «Mártires Sublimes! a vosotros dedico estas páginas inspiradas por el amor a la Patria [...] Oh Avellaneda! primogénito de la gloria entre la generación de tu tiempo [...] Oh Álvarez! tú eras también como Avellaneda hermano nuestro en creencias»[1]. Este reconocimiento se presenta como la invocación de esos espíritus aguerridos a la nueva batalla, a esas personas que se mostraron dispuestas a luchar incesantemente por la Patria, que en ese momento histórico se encontraba en manos del despotismo de Rosas. Echeverría se muestra como hombre profundamente católico, de principios fuertes, que se atreve de manera valiente a introducir en el mundo político algunos elementos del mundo religioso, y la operación más extraordinaria es presentar un Dogma, es decir, establecer un postulado, o un conjunto de postulados, que pudieran transformar la política de mediados del siglo XIX. Más allá de que esos postulados pudieran ser demostrados o comprendidos por el pueblo argentino, la finalidad era mostrar que el amor a la Patria y el deseo de progreso son axiomas suficientes para mover a todo espíritu a la más eficiente  revolución.

El conjunto de jóvenes que conformaron la Asociación de Mayo eran sumamente estudiosos y además fueron considerados: «herederos de la  religión de la Patria»[2]. El amor a la Patria se conformó como una religión, y como tal debía ser acompañada con un dogma, y con algunas oraciones que sostuvieran los acontecimientos peligrosos que generalmente suceden en las profundas transformaciones sociales.

2. El Dogma Socialista podría definirse en forma general como: «progreso, revolución moral, bandera de la fraternidad, igualdad y libertad»[3]. La idea principal de la Asociación de Mayo en 1837 era acabar con el despotismo de Rosas, y destruir la aceptación que el pueblo tenía del mismo gobernante, porque consideraba Echeverría y sus colaboradores que esa aceptación provenía de la escuela, es decir, que la educación desde hacía mucho tiempo estaba en manos del gobierno y servía al gobierno. Por tal motivo se debía lograr que el pueblo aceptara la nueva propuesta, y para eso la propuesta debía estar estructurada en un solo documento, con unas caraterísticas de simplicidad únicas, con una claridad inconfundible y con un sólido mensaje que pudiera motivar a todos a buscar la revolución necesaria contra los enemigos de la Patria.

El Dogma entonces sería progreso y revolución moral, pero ir hacia la revolución hacía pensar al autor que llegaría la violencia, y antes de eso Echeverría consideró preciso usar la propaganda, tratar de difundir las ideas de la doctrina por todos los medios por los que fuera posible, «desparramarlo en el pueblo»[4],  y evitar al máximo la sangre. Durante todo el documento se siente su gran humanidad y la importancia de la vida, propio de un educado espíritu católico, pero en otros pasajes de su escrito hace serios llamados a la violencia, porque para salir victoriosos y poder acabar con el estado en el que se encontraba Argentina era «preciso que ellos salieran proscriptos o mueran»[5].

La educación era el elemento fundamental para la consecución del Dogma, y otro elemento importante era la aplicación real de los criterios doctrinales, porque lo que se debía alejar era la abstracción filosófica, es decir, que la mirada política tenía que estar enfocada en la realidad, sin menospreciar que el conocimiento abstracto era la primera fuente para lograr el cambio social. La crítica sobre la abstracción se desborda hasta llegar a la filosofía europea, considerándola poco útil e inclusive provocadora de anarquía. Para Echeverría, desde el principio se debió nutrir un sistema de reflexiones que respondieran a los desafíos de los mismos países latinoaméricanos, y no tratar de adaptar pensamientos europeos a realidades completamente diferentes[6]. Pero como punto débil se podría objetar que el deseo que tenía Echeverría de alejarse de las ideas de europa, se pierde cuando él mismo conceptualiza el Dogma como la bandera de fraternidad, igualdad y libertad que eran propias de la revolución francesa, y que sin duda alguna eran intuiciones que hacían también mucha falta en la América del Sur.

En definitiva el concepto general del Dogma Socialista tiene estrecha relación con doctrinas y filosofías europeas, así como con las más abstractas reflexiones de la juventud de Mayo.

3. La generación de Mayo consideraba que: «ser grande en política, no es estar a la altura de la civilización del mundo, sino estar a la altura de las necesidades de su país»[7]. La búsqueda incesante de la democracia y la verdadera libertad del pueblo argentino era para la Asociación hacer política, no llevar al país a la cima más alta de la civilización pero en dictadura, o imitar a los países más desarrollados de Europa, y mucho menos copiar la política de los Estados Unidos, aún y cuando los Estados Unidos buscaran la plena libertad tanto como los países del sur del mundo.

Echeverría a un punto se pregunta ¿Qué había de nuevo en ese credo, en el dogma? Y se responde: «lo que deseaban los patriotas sinceros. Una nueva doctrina»[8]. La propuesta política estuvo siempre sostenida por la religión, de eso no queda duda, porque la nueva doctrina no sólo es denominada Dogma, sino también credo, algo que iba más allá de fructíferas conversaciones de grupos clandestinos, algo que debía ser creído e internalizado por quienes amaban realmente a la Patria y habían sido cegados por las habilidades políticas de Rosas.

La victoria política no era conseguir desplazar al despotismo del poder, y regresarle el poder al pueblo. La victoria era crear una buena estructura para garantizar que el Dogma permaneciera por largo tiempo. El pueblo necesitaba urgentemente ser representado en el gobierno para poder ejercer el poder. Es muy probable que la Democracia Representativa que se posicionará en la política latinoamericana a mediados del siglo XX, tenga su germen en la generación de Mayo, proveniente de mentes brillantes como las del Sr. Alberdi, Sr. Sarmiento, Sr. Gutiérrez, Sr. Domínguez y E. Echeverría.

4. El documento que encierra al Dogma en sentido estricto se desarrolla a mitad del libro en unas siete páginas. Comprende 42 proposiciones -elaboradas con la más alta retórica- que buscan convencer a los hijos dignos de la Patria a unirse a la lucha por la democracia y la libertad, principios inalienables del progreso del país. Estas siete páginas pudieran ser consideradas un antecedente importante al Manifiesto Comunista de Marx y Engels que será pronunciado en 1848, es decir, once años después, sobre todo por su tono retórico y la claridad en la exposición de sus proposiciones.

Algunas proposiciones podrían ilustrar la intención que los revolucionarios tenían para hacer llegar el cisma y la rebelión: «11. Creed o seréis exterminados […] 12. Miserables vosotros que más estúpidos que las bestias os prosternáis ante el ídolo monstruoso […] 17. Qué dirán allá en sus tumbas ignoradas los ilustres mártires de la independencia americana […] 29. En la unión está la fuerza; el reino dividido perecerá, dijo el Salvador del mundo […] 33. Acordaos que la virtud es la acción, y que todo pensamiento que no se realiza, es una quimera indigna del hombre»[9]. Luego de las 42 proposiciones, el autor dedica una página y media de condenas, al estilo del último concilio de la Iglesia católica en Trento, conocido como el Concilio de Trento, que utilizó la palabra antema, que no significa otra cosa que excomunión o exclusión, es decir, que para la Juventud de Mayo quien no estuviera de acuerdo con el Dogma era excluido con la más pesada condena moral.

Reflexión Conclusiva

El Dogma Socialista de Esteban Echeverría muestra claramente la situación de Argentina en los primeros años del siglo XIX, y de manera brillante logra exponer y comunicar el proyecto que la juventud perseguida quería llevar a cabo. La importancia de este movimiento denominado la Asociación de Mayo fue el manejo profundo de los símbolos de libertad que hasta ese momento tenían como pueblo. Echeverría repite muchas veces que sin los sucesos de Mayo no habría libertad ni democracia, y era con la amplificación propagandística de esos sucesos que se lograría la transformación social del país.

El autor, o también se podría decir el que suscribe, como lo hace notar el mismo Echeverría en su escrito, mantiene durante todas esas páginas un espíritu de humildad sin comparación, en varias ocasiones transmite el verdadero amor que tiene por la Patria, sin dejar transpirar algún deseo egoísta de querer tomar la riendas del poder para beneficio propio. Sin dudas Echeverría y otros intelectuales mártires de ese momento histórico y glorioso, no visualizaban otro fin que la más sincera transformación social y el progreso humano de sus coetáneos.

Notas:
[1] Echeverría, E. Dogma Socialista, Imprenta y Librería de Mayo, Buenos Aires 1873,1-2
[2] Ibid., 5.
[3] Ibid., 10.
[4] Ibid., 41.
[5] Ibid., 81.
[6] Ibid., 100-108. (Véase la discusión con el Sr. Galiano sobre la literatura Española y Latinoaméricana, en la cual Echeverría aprovecha para responder al por qué de no imitar a la literatura española)
[7] Ibid., 35-36.
[8] Ibid., 51.
[9] Ibid., 111-118.

Joan Luis Mora Díaz
No El Monitor 1867
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Silvio Santos ironiza cabelo de criança negra e recebe críticas na internet

Apresentador e dono do SBT fez “brincadeira” com teor racista durante o programa Teleton

Após polêmica, atriz Julia Olliver ameniza "brincadeira" de Silvio Santos
nas redes sociais
O apresentador e proprietário do SBT, Silvio Santos, cometeu mais uma de suas famosas gafes, neste domingo 10, durante a apresentação do programa “Teleton”. Desta vez, no entanto, a “brincadeira” ganhou teor racista e gerou críticas de telespectadores e internautas nas redes sociais.

O episódio aconteceu quando Silvio Santos entrevistava parte do elenco da novela Chiquititas, formado basicamente por crianças. Por isso, o apresentador perguntou a cada um dos integrantes o que eles quererem ser quando crescerem. Na vez da atriz Julia Olliver, uma atriz negra de 11 anos, ela respondeu que queria ser atriz ou cantora e o dono da emissora ironizou. “Mas com esse cabelo?”, perguntou. “Como assim?”, respondeu confusa a menina. O apresentador riu e continuou a fazer perguntas para as crianças.

O assunto acabou como um dos mais comentados do Twitter. Enquanto uma parte das pessoas defendiam o dono do SBT, alegando que foi “apenas uma brincadeira”, a grande maioria o acusou Silvio de racismo e pediu retratações do apresentador.

No mesmo dia, a própria atriz usou Twitter e Instagram para postar uma montagem em tom de resposta ao apresentador, que também é seu chefe. “Em um país como o nosso, onde a mistura de raças está por todos os cantos, fico triste em ouvir certos comentários maldosos, mas ainda assim agradeço à DEUS todos os dias por ser saudável, ter minha família, ter amigos verdadeiros e trabalhar no que amo, nada e nem ninguém vai apagar o meu talento”, afirmou.

Ela ainda postou uma montagem em que diz ter orgulho do cabelo. “Nada do que me falarem por essa vida afora vai fazer mudar meu caráter. Esse sim é mais importante que meu cabelo. Amo meu cabelo”, diz o texto.

Por conta disso, usuários da rede social escreveram para a menina para pedir que ela “não levasse” a fala como racismo. A criança respondeu, depois de algum tempo, que não estava chateada.


“Galera o mais importante é que ultrapassamos a meta do Teleton, mais de 30 milhões arrecadados. E o meu Patrão Silvio Santos.... Ahhhhh ele pode tudo né??? Não é à toa que ele é o maior comunicador da TV brasileira, inspiração para quem está começando como eu e como tantos. Admiração e respeito a família SBT”, minimizou mensagem no Instagram da menina.

Assista abaixo o trecho em que Silvio Santos ironiza cabelo de criança negra:



No CartaCapital
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A privataria e a crise da água em Itu: Mercadoria a serviço do lucro

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A Petrobras sob soberania dos Estados Unidos


Somos um país que se contenta com aparências. Quando o Governo Fernando Henrique decidiu colocar a Petrobrás sob a ordem jurídica americana, nos anos 90, não nos demos conta de que era irrelevante mudar o nome de Petrobrás para Petrobrax, ou para Petrobras sem o acento no a, como acabou prevalecendo. O que muitos não perceberam é que, por trás da troca de nomes para “facilitar” a internacionalização da empresa via lançamento de ações na Bolsa de Nova Iorque, havia a inevitável consequência de mudança de soberania sob a qual a empresa passaria a atuar.

Não me atrevo a dizer que havia um propósito deliberado de colocar a Petrobras, a maior empresa da América Latina, sob a ordem jurídica norte-americana. Havia, sim, o propósito econômico de internacionalizar a empresa. A questão jurídica seria mera consequência, aparentemente sem maiores problemas na visão dos economistas neoliberais da época. Dado que nos anos 90 se tinha como consumado o processo de globalização sob a doutrina neoliberal, os ideólogos econômicos do Governo FHC acharam natural aproveitar a onda da internacionalização sem medir as consequências jurídicas disso. Aliás, há muito se sabe nesse círculo que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil!

Agora essas consequências estão aí. A Petrobras, uma empresa de economia mista sob controle do Estado brasileiro, está sob investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos por conta do escândalo Paulo Roberto. Se os economistas que internacionalizaram a Petrobras acham que também isso é irrelevante, atentem-se para o que aconteceu com o pagamento pela Argentina dos credores de sua dívida externa renegociada. O acordo foi questionado porque os títulos haviam sido registrados em Nova Iorque. Os juízes norte-americanos se acham donos do mundo. Não há ordem superior à deles. Fazem o que querem, sem medir consequências sociais e econômicas, ou com relação a soberania.

Se o Departamento de Justiça norte-americano identificar como irregularidades de mercado, reais ou inventadas, certos procedimentos da diretoria da Petrobras, poderá propor multas da ordem de bilhões de dólares, abalando a situação econômico-financeira da empresa. Para se ter uma ideia, Citigroup e Bank America se submeteram, cada um, a multas de 20 bilhões de dólares por conta de fraudes no mercado de títulos imobiliários no contexto da crise financeira. No caso da Petrobras, acionistas individuais que se sintam lesados também terão cobertura da SEC, a agência de regulação, para propor ações judiciais, entupindo a capacidade de resposta da empresa que terá de manter um batalhão de advogados em Nova Iorque.

Nacionalistas, como eu, se sentirão ultrajados. Mas o que poderemos fazer diante de uma situação criada pelos economistas de FHC quando tinham a liberdade de não fazer a internacionalização da empresa? De fato, as vantagens trazidas pela internacionalização da Petrobrás – venda na Bolsa de Nova Iorque de mais de 30% de suas ações – eram ínfimas em relação aos riscos incorridos. Note-se que a indústria automobilística americana tem ganhado bilhões aqui e nunca abriu seu capital para brasileiros. Só quem acredita que a ordem jurídica do país hegemônico deve ser a ordem universal, sem contestação, pode encarar como normais, e suportáveis, as consequências jurídicas da internacionalização da Petrobrás.

Se antes havia dúvida quanto aos riscos, a situação atual, que qualquer advogado razoável poderia prever, revela friamente que a internacionalização da Petrobras foi um crime de lesa-pátria. Não se diga que era imprevisível. Houve muitos protestos, interpretados na época como estatizantes e anacrônicos. O resultado agora é que a “causa” da Petrobras está nas mãos de uma Justiça discricionária, privatista, anti-setor público, regulada pelo princípio do Direito consuetudinário, não do Direito positivo, e que se arvora, não raro, prerrogativas de extraterritorialidade. Uma Justiça desse tipo pode tentar quebrar a Petrobras em nome dos interesses do acionista minoritário americano, e da ideologia neoliberal anti-Estado.

Objetivamente, temos como fato concreto, ainda a ser definitivamente apurado, fraudes bilionárias articuladas por um diretor bandido em favor de si mesmo e de alguns partidos políticos por ele mencionados, mas por enquanto sem provas. Consideremos que todas as acusações sejam verdadeiras. A Petrobrás é vítima, não autora do crime. Ela seria implicitamente conivente, como foi o caso do Bank of America e do Citigroup, se decidisse acobertá-lo com o pagamento de multa para se livrar do processo criminal. Não é o caso da Petrobras, que não fez nenhum movimento para acobertar do crime seu ex-diretor. Contudo, uma Justiça privatista pode torcer os fatos. Seria melhor não estar subordinado a ela. Para isso, talvez teremos que comprar as ações da internacionalização de volta ao custo de um valor substancial de nossas reservas internacionais.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB. 
No GGN
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O brasileiro criado pela mídia versus o brasileiro real

Brasileirinhos
Como é o brasileiro?

Se você se baseia na mídia, é um ser torturado, infeliz, revoltado, pessimista desde o momento em que acorda até a hora em que põe o pijama e vai dormir.

Foi este o brasileiro que, em sua campanha, Aécio apresentou aos eleitores.

Não apenas ele.

Marina, em sua louca cavalgada quando foi ficando para trás nas pesquisas, esgrimiu também este brasileiro.

Vamos chamá-lo de BI, Brasileiro Imaginário.

Lembremos também as vociferações de candidatos como Pastor Everaldo e Levi Fidelix em nome do BI.

Agora, feita esta introdução, entremos na vida como ele é.

Acaba de sair uma pesquisa internacional feita por um dos institutos mais consagrados do mundo, o Pew Research Center.

O Pew entrevistou 44 000 pessoas em 48 países para aferir o grau de otimismo delas.

Em apenas cinco países, sete entre dez entrevistados se declararam otimistas com o futuro.

O Brasil está nesta lista dourada.

Os outros quatro: Vietnã, China, Chile e Bangladesh.

Compare com os resultados obtidos em grandes países às voltas com uma crise econômica que vai se prolongando muito além do que se imaginava.

Essa crise, aliás, vem sendo negada ou amplamente subestimada por comentaristas econômicos, e Aécio também fingiu que ela não existia.

Na França, apenas 13% dos ouvidos estão otimistas. Nos Estados Unidos, 30%.

No Vietnã, o campeão em otimismo, essa taxa é de 94%.

O Pew perguntou também aos entrevistados quais são os motivos de preocupação.

A desigualdade social, o que não surpreende, foi citada com frequência.

Voltemos ao Brasil: alguém ouviu Aécio falar em desigualdade? Ou a mídia?

Aécio e a mídia falaram para o BI, o Brasileiro Imaginário.

Mas quem foi às urnas foi o brasileiro real.

Deu no que deu.

Paulo Nogueira
No DCM
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Obama grava vídeo contra 'pedágio' na internet


O debate sobre a cobrança diferenciada de pacotes de internet esquentou nos EUA nesta segunda com a divulgação de um vídeo do presidente dos EUA Barack Obama na conta da Casa Branca no YouTube, no qual ele defende a neutralidade da rede, princípio que garante a isonomia aos internautas.

"Nenhum serviço deve ficar preso a uma pista lenta' porque não paga uma taxa", disse Obama no vídeo. "Desde que a internet foi criada, ela se organizou em torno de princípios de transparência, equidade e liberdade."

As declarações de Obama respondem aos rumores de que o presidente do FCC (Federal Communication Council, agência reguladora independente), Tom Wheeler, poderia propor uma regulação da internet dividindo-a em duas: varejo e atacado.

No varejo, a ponta onde ficam os consumidores residenciais, não poderia haver nenhum tipo de violação de tráfego, bloqueio de conteúdo ou navegação pelos prestadores de serviço.

Mas, no mercado de atacado (onde os operadores negociam com grandes empresas, incluindo produtores de conteúdo como Netflix), poderia haver cobrança diferenciada pelas donas das redes. Quem quisesse mais velocidade, pagaria a mais por isso.

Obama disse que não pode interferir nas decisões do FCC. Mas cobrou, publicamente, uma posição firme de Tom Wheleer na defesa da neutralidade plena de rede. O presidente da agência foi indicado por Obama para ocupar o cargo.

Brasil

No Brasil, as operadoras de telefonia e internet acreditam que já podem vender serviços diferenciados aos clientes que, eventualmente, queiram velocidades mais elevadas ou mais qualidade na transmissão de seus sinais de internet.

Segundo Eduardo Levy, presidente do Sinditelebrasil, associação que representa as teles, o Marco Civil da Internet permite que essa oferta diferenciada ocorra desde que seja válida para todos do mercado, provedor ou produtor de conteúdo.

"A lei mantém os modelos de negócio", disse Levy. "O que não podemos é discriminar uns em favor de outros."

O deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), relator do Marco Civil, discorda. Para ele, não existe brecha para interpretações deste tipo na lei, aprovada em abril, e que isso configura quebra da neutralidade da rede

De acordo com a lei, violações à neutralidade serão tratadas como exceções definidas pela presidente Dilma Rousseff em um decreto ainda sem data prevista.

Assista abaixo vídeo em que Obama fala do tema.

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Libertação de Henrique Pizzolato assombra Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, terá dias atribulados após a libertação de Pizzolato, na Itália
Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa retoma, nesta semana, suas atividades no Brasil, após uma temporada no imóvel que comprou no balneário norte-americano de Miami, na Flórida, em nome da empresa que tinha como endereço o seu apartamento funcional. De volta ao país, o ministro aposentado retoma a rotina de palestras bem remuneradas, a começar por uma no Rio de Janeiro, para um grupo de convidados do banco Itaú.

Mas, enquanto fatura alto com argumentos jurídicos passados à plateia disposta a pagar até R$ 500 por um ingresso, um fantasma italiano o persegue. Libertado da prisão em La Spezia, no interior da Itália, o único réu da Ação Penal (AP) 470, que passa para a história como o julgamento conhecido como ‘mensalão’, Henrique Pizzolato, promete não deixar para trás o sofrimento a que o submeteu o relator da matéria.

— Em 2007, o juiz (Joaquim Barbosa) disse para a imprensa que ele fazia a história primeiro para que as pessoas entendessem. Existem 3 mil páginas de recibos originais. Está tudo ali — relembrou Pizzolato, em uma entrevista concedida ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.

Pizzolato reafirmou que o desvio de recursos do Banco do Brasil para o alegado pagamento de uma mesada aos parlamentares, na primeira etapa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, principal argumento usado por Barbosa, para colocar de pé a história do ‘mensalão’, simplesmente não existe:

— Não faltou um só centavo (no Banco do Brasil). Era impossível que alguém pegasse o dinheiro – afirmou.

Barbosa, segundo Pizzolato, integrou uma tentativa de golpe contra o então presidente da República, urdido por partidos da direita e a mídia conservadora. Na entrevista, o ex-diretor do Banco do Brasil disse, sem subterfúgios, ter sido vítima “da má Justiça do Brasil” e aponta para a cumplicidade da mídia conservadora.

— A liberdade de imprensa não se pode confundir com a liberdade de calúnia. Depois, com isso, fizeram um processo. Antes de o processo começar, a imprensa já tinha me condenado. E não era algo simples. Me lincharam em praça pública ao ponto de que eu não poderia me mover. Minha família estava sendo molestada. Não leram os documentos. A Folha (de S. Paulo), (O Estado de S. Paulo) Estadão, a (Rede) Globo. Todos tinham os recibos do processo. Uma auditoria foi realizada e (prova que) tudo foi usado em marketing. Não era um banco pequeno. Era o maior da América Latina e com todos os controles. Eu não tinha autonomia para mover um centavo. Tudo era feito por computadores. Mas fizeram uma história. Todas as contas foram aprovadas e não por uma pessoa ou duas. Mas pela auditoria interna, externa, o Tribunal de Contas, a Bolsa de Valores e ainda com ações em Nova Iorque. Ninguém encontrou que faltava algo – lembrou.

Todo o julgamento, segundo Pizzolato faz questão de frisar, foi baseado em uma farsa. Em um extenso dossiê sobre o caso, apresentado à Justiça Italiana, ele garante ser “impossível que alguém pegasse o dinheiro”.

— Trabalharam com a fantasia popular. Era como se alguém pudesse sair de um banco com uma mala de dinheiro. Os bancos não trabalham mais assim. Me crucificaram – garante.

Os partidos representados na oposição ao governo de Lula, com apoio dos veículos de comunicação ligados à extrema direita, tentaram “tomar o poder”, denunciou Pizzolato.

— Não estavam satisfeitos que um trabalhador, como Lula, estivesse no poder. Há 500 anos o comando do Brasil mudava de mãos entre as elites. Agora, viram a chegada de Lula – afirmou.

Diante da possibilidade de apresentar seus argumentos diante de uma Corte italiana, sem o assédio das grandes redes de comunicação brasileiras, Pizzolato se sente mais tranquilo e, com isso, tira o sono de muita gente.

— Talvez, um dia, uma parte da imprensa vai entender que a calúnia não faz parte da liberdade de imprensa. A imprensa precisa trazer informações, e não ficção. Se alguém quer fazer um romance, avise que é um autor de ficção. Eu sou feliz, realizado. Não perco uma noite só de sono. Eu sabia que era inocente. Tínhamos todos os documentos. Eu não achava que se poderia tomar uma decisão sem documentos. Primeiro, fizeram a historia e depois colocaram os personagens – conclui.

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Com 20 anos de PSDB em SP e vários alarmes, faz sentido Alckmin pedir água ao governo federal?

Ele
Alckmin é a exceção que confirma a regra de que você pode enganar algumas pessoas por algum tempo, mas não todo o mundo o tempo todo.

O governador de São Paulo pediu 3,5 bilhões de reais a Dilma Rousseff para combater a crise hídrica. O nível dos seis mananciais que abastecem a região metropolitana apresentou nova queda na segunda-feira.

O problema mais grave diz respeito ao Sistema Cantareira, que opera atualmente com 11,3% da capacidade, percentual que inclui as duas cotas do famigerado volume morto.

São oito obras. O próprio Geraldo afirma que não se trata de solução imediata, já que algumas levariam nove meses para ficar prontas e outras até 60. Um grupo de trabalho foi montado com gente do governo estadual e do governo federal.

Alckmin abusa de uma espécie de bloqueio retórico-mental. Sua negação de uma série de fatos, porém, funciona como afirmação. Primeiro, insiste que não há racionamento. Depois, ao responder se a eleição atrasou uma tomada de atitude, falou que “o palanque acabou. Vamos trabalhar juntos para o benefício da população”.

Ou seja, enquanto o palanque estava montado, o interesse da população foi posto de lado. Por quê? Porque é assim que funciona.

É assombroso que em mais de duas décadas de continuidade do PSDB — alternância de poder, alguém? – no estado a questão da água tenha chegado a esse nível dramático. Esse é o choque de gestão?

O alarme soou para o Cantareira em 2004, quando ele era governador. Num documento de concessão de outorga à Sabesp, estipulava-se a necessidade de “estudos e projetos que viabilizem a redução da dependência do sistema”.

Em 2008, o Plano Diretor de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista apontava que o atual sistema de abastecimento das 180 cidades deixaria pelo menos 79, entre elas São Paulo, Campinas, Piracicaba e Santos, com falta de água se houvesse “cenário equivalente ao da pior seca da história, entre 1951 e 1956″.

O estudo registrava que a região “não dispõe de dispositivos hidráulicos capazes de garantir o suprimento quando da ocorrência de eventos críticos de escassez.” O relatório apontava que teriam de ser investidos de 4 bilhões a 10 bilhões em novos reservatórios, captações e sistemas de transferência.

O que Geraldo entregou em 2004? Duas promessas: o fim das enchentes na Marginal Tietê e, veja que maravilha, a possibilidade de navegar no rio defunto. O aprofundamento da calha, no valor de 688 milhões de reais, seria acompanhado da construção de jardins floridos. “Teremos um Tietê muito mais saudável”, disse ele.

Dez anos depois, enchentes continuam parando o trânsito na marginal, aquele esgoto continua obsceno, a situação do Cantareira piorou, Alckmin passou o chapéu em Brasília e os paulistanos não ficarão sequer a ver navios porque não haverá água para tanto.




Kiko Nogueira
No DCM
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Caminhos da reforma

As duas questões sérias que emergiram da eleição presidencial dão os primeiros sinais de um debate que precisa ser civilizado, sem reduzir à praxe de transformar divergências em troca de desaforos, intrigas e outras baixezas.

Professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas/Rio, Joaquim Falcão tornou desnecessário dizer-se mais para contestar a proposta de elevação, de 70 para 75 anos, da idade para aposentadoria compulsória dos ministros do Supremo Tribunal Federal (Folha, 1/11). Considera que "são uma tentativa de golpe branco as articulações" de "uma elite no Judiciário e no Congresso [que] parece não aceitar o resultado das urnas": "Se não é um golpe branco na forma, é na substância. É uso inconstitucional da forma constitucional". E, a meu ver, o que se segue derruba todos pretensos argumentos com que os defensores da "PEC da Bengala" fantasiam seu propósito, até já declarado por alguns, de impedir cinco possíveis nomeações para o STF no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Convém lembrar que, até a campanha eleitoral tomar impulso, o que vinha em discussão era a ideia de número fixo de anos para a atividade como ministro do Supremo. Adeptos notórios da ideia, assim que vencido Aécio Neves, adotaram a proposta de prorrogação da idade de aposentadoria.

Professor de Direito da FGV-São Paulo, Oscar Vilhena Vieira vê com reservas as diferentes propostas de reforma da Constituição (Folha, 1/11): "É preciso mesmo mudar?". Sua resposta assenta-se em três fundamentais e "bons serviços" da Constituição à sociedade, ao primeiro dos quais ouso fazer uma ressalva: "A Constituição estabilizou o sistema democrático".

Creio que, por si mesma, nenhuma Constituição estabiliza. A sociedade, sim, o faz. Ou melhor, as forças organizadas ou organizáveis da sociedade. A Constituição de 1946, pós-ditadura de Getúlio, era democrática e avançada para a época, mas em sua vigência o Brasil viveu o seu período mais instável. Os militares e a direita udenista feriram a Constituição até destruí-la: já era a tortura, a tortura das instituições democráticas.

Vilhena traz uma sugestão importante para debate. As hipóteses já consideradas para a reforma são fazê-la por um projeto único, englobando todas as mudanças para decisão do Congresso, ou por uma miniconstituinte. "Não é incomum", lembra Vilhena, "que amplas reformas políticas produzam efeitos altamente adversos". E propõe uma alternativa: "Melhor seria que adotássemos uma estratégia de reformas incrementais".

Nas atuais circunstâncias, a miniconstituinte tem inconvenientes bastantes para ser a hipótese menos atraente. A do projeto único e a de mudanças ponto a ponto enfrentam-se com bom número, cada uma, de razões positivas e outras nem tanto. Justificam a discussão pormenorizada, incluindo-se a do fator tempo em benefício de algumas mudanças.

Daí vê-se que há o estudar antes da substância das mudanças. E mesmo se melhor seria plebiscito ou referendo, ou outros meios de participação da sociedade. Para que haja um processo de reforma com a fluidez desejável, conviria debater e definir, antes de tudo, o modo, a mecânica do próprio processo. Sem essa preliminar, ou discuti-la em simultaneidade com a substância e outros componentes das mudanças, teremos um tumulto temático a se projetar sobre toda a política e sobre a administração. Por tempo de difícil controle.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 41


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Essa é do Barão... 99


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