9 de nov de 2014

O dia em que Ayres Britto tomou LSD


Ele é incrível. Ayres Britto, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), num acesso de delírio, começa a discorrer sobre os indícios que o levam a achar que a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, a Visanet, uma multinacional com faturamento superior ao PIB de muitos países, é uma empresa pública.

Britto afirma que a Visanet é pública porque tem a palavra “Brasileira” no nome, e a compara à Embrapa, à Embraer, etc.

Nem vou comentar aqui o fato da Embraer hoje ser privada.

Agora é assim. Se a Coca-cola chamar sua empresa no Brasil de Companhia Brasileira de Refrigerantes ela passa automaticamente a integrar o sistema público nacional… Assim como a Companhia Brasileira de Distribuição — ex-Pão de Açúcar, e agora GPA, do Grupo francês Casino...

Quanto mais a gente examina esse julgamento, mais ridículo ele se torna. O delírio de Britto sobre a Visanet tinha uma intenção: chancelar a farsa, a qualquer preço.

Deu certo.


Miguel do Rosário
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A entrevista de Pizzolato ao Estadão


Itália — Henrique Pizzolato reapareceu em público neste sábado, 8, ao ir à delegacia de La Spezia buscar documentos apreendidos em fevereiro. Desde que teve a extradição negada pela Itália no mês passado, sob alegação de que o Brasil não oferece condições de segurança para o cumprimento da pena de 12 anos e 7 meses a que ele foi condenado no julgamento do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil tem os mesmos direitos de um italiano livre.

Pizzolato responde em liberdade por falsidade ideológica — ao ser abordado na casa de um sobrinho em Maranello, quatro meses após fugir do Brasil, o ex-diretor mostrou um passaporte em nome do irmão, morto há mais de três décadas. A Polícia Federal brasileira também o indiciou por falsidade.

La Spezia foi o primeiro refúgio do ex-diretor na Itália. Depois de esperar o horário de almoço dos carabinieri, recuperou seus documentos. Diante do prédio, Pizzolato disse que não falaria com jornalistas brasileiros. O repórter o informou que estava a serviço do Estado. Por 30 minutos, Pizzolato reiterou sua inocência e disse que o mensalão foi “criado” para minar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A política é suja.”

— O sr. viveu um momento duro?

— Não. Na verdade, vivi melhor que no tempo que estava no Brasil. No Brasil, eu não poderia sair do meu apartamento. As pessoas me agrediam, me molestavam. As pessoas, quando eu passava pela calçada, me agrediam.

— Hoje, o sr. é livre.

— Sempre fui um homem livre. Não fiz mal algum. Temos todas as provas no processo. Não foi um processo pela Justiça. A política é suja e sempre foi assim. Isso é triste. Eles acham que podem fazer o que querem com as pessoas. Não se pode prender uma pessoa, destruir uma família para ter mais poder.

— O sr. se sente uma vítima?

— Da má Justiça do Brasil. A liberdade de imprensa não se pode confundir com a liberdade de calúnia. Depois, com isso, fizeram um processo. Antes de o processo começar, a imprensa já tinha me condenado. E não era algo simples. Me lincharam em praça pública ao ponto de que eu não poderia me mover. Minha família estava sendo molestada. Não leram os documentos. A Folha, O Estadão, a Globo. Todos tinham os recibos do processo. Uma auditoria foi realizada e tudo foi usada em marketing. Não era um banco pequeno. Era o maior da América Latina e com todos os controles. Eu não tinha autonomia para mover um centavo. Tudo era feito com computadores. Mas fizeram uma história. Todas as contas foram aprovadas e não por uma pessoa ou duas. Mas pela auditoria interna, externa, o tribunal de contas, a Bolsa de Valores e ainda com ações em Nova Iorque. Ninguém encontrou que faltava algo.

— O Mensalão então não existe?

— Com o dinheiro do Banco do Brasil não faltou um só centavo. Era impossível que alguém pegasse o dinheiro. Trabalharam com a fantasia popular. Era como se alguém pudesse sair de um banco com uma mala de dinheiro. Os bancos não trabalham mais assim. Agora, para cobrir a outras pessoas, fizeram uma história para fazer oposição. Se você quer fazer política, faça com propostas. Me crucificaram.

— De quem então é a responsabilidade?

— Da oposição. O que eles queriam? Tomar o poder. Não estavam satisfeitos que um trabalhador, como Lula, estivesse no poder. Há 500 anos o comando do Brasil mudava de mãos entre as elites. Agora, viram chegar à Lula.

— Alguns dizem que o Brasil apresentou documentos fracos justamente para evitar sua extradição.

— Eu não sei. O problema no Brasil é que o processo está errado.

— O sr. temia por sua vida nas prisões brasileiras?

— Todos dizem isso. A ONU diz isso e até os ministros. A entidade Conectas e a Anistia também defendem isso. As prisões são medievais. As pessoas são tratadas como animais.

— Do que o sr. vive hoje na Itália?

— Eu sou aposentado. Trabalhei mais de 30 anos. Sempre tive uma previdência privada. Desde o primeiro dia que trabalhei, paguei minha pensão. Há 20 anos eu já vinha na Itália para falar sobre a previdência, na Holanda, na Suíça. Por 32 anos paguei minha pensão

— O que o sr. pensou ao saber que Dilma Rousseff tinha sido reeleita?

— Eu não estava sabendo. Eu não poderia seguir a eleição. Eu não assistia muito à televisão. Eu sabia que estávamos na época de eleição. Mas não sabia o dia. O Brasil, de pouco à pouco, andará adiante.

— Como ocorreu sua fuga? Cruzando a fronteira?

— Ali tudo foi uma fantasia. As pessoas precisam da fantasia. Talvez, um dia, uma parte da imprensa vai entender que a calúnia não faz parte da liberdade de imprensa. A imprensa precisa trazer informações, e não ficção. Se alguém quer fazer um romance, avise que é um autor de ficção. Eu sou feliz, realizado. Não perco uma noite só de sono. Eu sabia que era inocente. Tínhamos todos os documentos. Mas eu não achava que se poderia tomar uma decisão sem documentos. Primeiro, fizeram a historia e depois colocaram os personagens. Em 2007, o juiz (Joaquim Barbosa) disse para a imprensa que ele fazia a história primeiro para que as pessoas entendessem. Existem 3 mil páginas de recibos originais. Está tudo ali. Mas, se você é fraco, te metem ali. Leia Kafka. E como você faz?

— Mas por que o sr. fugiu?

— Para me salvar.

— Mas como isso ocorreu de forma concreta?

— Como fizeram os italianos para fugir dos nazistas? Era a guerra. Era a sobrevivência. Eu não prejudiquei ninguém. Eu encontrei uma maneira de proteger a minha vida. Jamais trairei o princípio que meu pai e meu avô me ensinaram. A Justiça tarda, mas vem. A todos que me atacaram, a Justiça se fará sentir. Talvez não no tempo que eu queira. Mas a história escreverá (a Justiça). Não tenho vocação de ser herói. Mas apenas de fazer Justiça. Sempre estive ao lado dos mais fracos.
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Lula e Dilma versus a revista Piauí

A dupla
Uma das obsessões da mídia é intrigar Lula e Dilma.

Lula cansou de dizer, antes e durante a campanha presidencial, que ele era Dilma, Dilma e ainda Dilma.

Não foi suficiente.

Jornais e revistas continuaram a publicar artigos segundo os quais Lula estaria prestes a substituir Dilma na chapa do PT e aliados.

Até a data em que a substituição poderia ocorrer era continuamente citada.

Como Lula tantas vezes falara, e ao contrário do que mídia tanto apregoara, Dilma saiu candidata.

E com um brutal apoio de Lula venceu.

Quais eram as fontes citadas por jornais e revistas para sustentar o conflito entre Lula e Dilma?

Era tudo “off”, que no jornalismo significa anonimato. “Altas figuras” do PT falavam em “off”, segundo jornais e revistas.

Bem, lembrei tudo isso a propósito de uma controvertida reportagem da revista Piauí que retorna ao tema Lula versus Dilma.

Nem Lula e nem Dilma quiseram conceder entrevista à repórter que fez o artigo, Daniela Pinheiro.

Mas isso não a impediu de dissertar longamente sobre os problemas entre Lula e Dilma.

Até a primeira dama entrou na matéria. Teria dito na casa de Lula, numa pizzada, que Dilma é “ingrata” etc etc.

Por coincidência, li nestes dias, na mídia inglesa, um artigo sobre o caso das artimanhas utilizadas pelos tabloides de Murdoch para obter informações e depois repassá-las ao público.

Uma coisa, especificamente, me impressionou.

Alguns textos publicados pelos tabloides, e agora sujeitos a investigações criminais, diziam coisas assim. “Segundo uma fonte graduada da Scotland Yard”, e depois vinham os alegados fatos.

Um jornalista foi instado a dizer qual era a “fonte graduada”.

Ele respondeu que aquele era um artifício usado amplamente por jornalistas para embelezar uma matéria e impressionar os chefes.

Isto na Inglaterra, onde se faz um dos melhores jornalismos do mundo, se não o melhor.

Daniela Pinheiro tem boa reputação, e não sei se chegaria a tanto. Imagino que não.

Mas quantas vocês este tipo de recurso não terá sido empregado — inventar fontes e afirmações — por jornais e revistas empenhados em minar Dilma na disputa pela presidência?

E não é só isso.

Ainda que Daniela mesmo não tenha criado fonte nenhuma. Como ela poderia estar segura de não estar sendo usada por alguém para disseminar cizânia?

Quando você se esconde por trás do “off”, pode falar o que quiser sem consequências.

Jornalistas, ao longo dos tempos, têm sido frequentemente usados por pessoas de intenções escusas para, sob o anonimato, publicar coisas destinadas a atingir desafetos e promover os próprios interesses.

Um caso clássico, antológico neste capítulo é o de Cachoeira com a Veja.

Os fatos não autorizam a versão de que Dilma e Lula não se entendem. Ela sabe muito bem que sem Lula não teria sido eleita e nem reeleita, a despeito de seus méritos.

Por isso, o artigo da Piauí soa bizarro.

Daniela Pinheiro não agiu por má fé, diz minha intuição.

Mas foi ingênua, foi tola, foi mal orientada e mal editada por seu chefe.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sabe por que a Lua parece tão grande no horizonte? Ninguém sabe!


Olhar a Lua ou o Sol nascendo é uma espécie de cerimonial. São enormes, imponentes e não tem quem não se encante ou reverencie. No entanto, o gigantesco tamanho desses astros no horizonte não é real. É uma ilusão de ótica, que ninguém sabe explicar seu motivo.

Durante muito tempo, físicos, astrônomos e mais recentemente os neurocientistas vêm estudando esse fenômeno e todos os anos alguém surge com uma nova teoria, rapidamente descartada ou vista com reservas.

Na era pré-fotografia, especulava-se que esse fenômeno era provocado pela passagem da luz pelas densas camadas da atmosfera acumuladas no horizonte e que agiriam como lentes, ampliando o tamanho do Sol e da Lua.

Essa teoria permaneceu viva por muito tempo, até que as primeiras fotos mostraram que essa afirmação era um engano. Ao se tirar diversas fotos espaçadas por alguns minutos, o tamanho do Sol ou da Lua era invariavelmente o mesmo.

Para piorar a situação, ao se medir os discos do Sol ou da Lua com instrumentos de precisão ele parecerão menores quando estão próximos ao horizonte. Afinal, qualquer objeto celeste sempre estará maior quanto mais próximo estiver de nós e quanto mais acima de nossa cabeça, ou zênite, mais perto estará.


Lua Nascendo


Diversas teorias foram propostas, algumas delas totalmente desprovidas de lógica. Outras, um pouco mais técnicas afirmavam que o tamanho variava com a proximidade do perigeu, quando o Sol e a Lua ficam de fatos mais próximos. No entanto, a teoria caia por Terra quando os objetos eram fotografados. Independente da posição do céu que se encontravam, sempre aparentava o mesmo tamanho nas imagens.

Ilusão de Ponzo

Essa explicação foi proposta pelo psicólogo italiano Mario Ponzo (1882–1960), que sugeriu que a mente humana julga o tamanho dos objetos baseados no plano de fundo.

Segundo essa teoria, nossa mente interpreta como menor um objeto situado mais próximo e maior um mais distante.

Ilusao Ponzo
Para provar sua teoria, Ponzo propôs um desenho similar aos trilhos de uma estrada de ferro, com duas barras de tamanhos idênticos desenhadas transversalmente sobre os trilhos.


Como resultado, a barra superior parece maior que a barra inferior, pois o cérebro interpreta as laterais convergentes de acordo com a perspectiva linear, nos dando a impressão que as barras estão recuando e a barra superior está mais distante.

Embora as duas barras tenham o mesmo tamanho, vemos a barra superior e aparentemente mais distante, como maior.


Ilusao_Ponzo tamnanhos diferentes

Achatamento da Abóbada

A teoria de Ponzo tem diversas variáveis e nem todas amplamente aceitas. No entanto, baseado as ideais de Ponzo foi proposta a teoria do "Achatamento da Abóbada Celeste", magnificamente explicada abaixo pelo grande astrônomo brasileiro, Ronaldo Mourão.

Segundo o ponto de vista da psicologia, o fundo do céu tem papel fundamental nesta ilusão, nos causando a impressão de que a abóbada celeste não é uma semiesfera, mas uma calota achada no zênite e que se estende em ângulo agudo até o horizonte. Essa ilusão é tão real que o próprio azul, nuvens, constelações, estrelas e planetas parecem incrustados na abóbada celeste.


A razão dessa impressão provém do fato de não existir nenhuma referência que nos permita estimar distâncias quando olhamos para cima de nossas cabeças. Ao contrário, porém, quando olhamos para o horizonte, nossos olhos contemplam os campos, bosques, montanhas, prédios, colinas e uma série de objetos que nos permite comparações e impressão de distâncias e afastamentos. Dessa forma, o céu no horizonte nos parece muito mais afastado do que no zênite.


Segundo Mourão, falecido recentemente, quando observamos o céu estrelado projetamos, sem perceber, as estrelas e a Lua sobre essa abóbada celeste achatada por nossa imaginação. Essa ilusão não ocorre somente com a Lua, mas também com as constelações ou com o Sol, que parecem maiores e avermelhados no horizonte.



Resumindo


Até agora, a Teoria de Ponzo é a mais aceita no meio acadêmico, mas por ser altamente subjetiva e praticamente impossível de ser quantizada, a falta de provas concretas a mantêm no rol das propostas possíveis.


Assim, não existe uma teoria unificada sobre o fenômeno e provavelmente levará muito tempo para o surgimento de uma.


Bons céus. Com a Lua e o Sol gigantes!

No Apolo11
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Manifestante pede intervenção militar para conter Eduardo Cunha

Cunha estendeu a mão para salvar a democracia
SUCUPIRA - Um manifestante invadiu a redação da revista Fardas & Fardos gritando palavras de ordem: "Da democracia, da democracia eu abro mão / Mas tirem do PMDB o controle do blocão", repetia, desarvorado, enquanto desembainhava uma cimitarra para, num lance rápido, cortar a Constituição em 15 pedaços.

Em seguida, o indivíduo, identificado apenas como J. Bolsonaro, sacou uma pistola e exigiu uma intervenção militar para conter Eduardo Cunha. "Jovem, se você completou ou completará 18 anos, aliste-se no Movimento Reforma Brasil e venha cumprir com seu dever cívico de garantir a ordem nessa bagaça", recrutou, olhando nos olhos dos presentes.

No fim da tarde, no entanto, o deputado federal reverteu a situação. Metade dos empregados da revista Fardas & Fardos conseguiu empregar parentes na gráfica do Senado e a outra metade deixou a empresa para trabalhar em cargos comissionados do PMDB. "Estamos 100% ao lado de Cunha", garantiu o editor Diógenes Alcântara da Fonseca.

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DatafAlha acerta na pesquisa, sem margem de erro

Coxinha é eleita o salgado preferido dos paulistanos


Você está longe de casa e bate aquela vontade de comer um salgado —por fome ou pura gulodice. Qual o seu preferido?

Segundo pesquisa Datafolha, 34% dos paulistanos entrevistados escolhem a coxinha.

Tradicionalmente frita e recheada com frango, ela é a rainha do balcão de salgados, dos botequins às padocas gourmet. Variações são permitidas: Catupiry, carne-seca, rabada, pato.

Bizarrice à parte, vale citar a coxinha (ou coxona) de um quilo, lançada neste ano pela Panetteria ZN (tel. 2236-6000) —o cliente que consegue comê-la inteira, não paga a conta (R$ 32,90). Além dela, listamos outras 14 receitas.

Sobre começar a comer a coxinha pelo bico ou pela base, não se tocou no assunto. Não vinha ao caso. O melhor jeito é o seu.

No fAlha
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O frio na barriga e a Lei da Mídia

A angústia que tomou conta dos eleitores de Dilma Rousseff ao final da tarde de domingo 26 de outubro poderia ter sido evitada. A margem tão estreita de votos obtida pela presidenta diante de um candidato fraco, dono de um currículo de realizações paupérrimo e com propostas voltadas para o retrocesso, só foi possível graças ao trabalho intenso desenvolvido pelos meios comunicação. Sem essa interferência, a disputa poderia ter sido decidida no primeiro turno. 

A escalada intensificou-se às vésperas do segundo, e ganhou ares de guerra nos três dias que antecederam a eleição final, chegando ao ápice entre a noite de sábado e o domingo, depois da divulgação das últimas pesquisas. Assim se explica o estreitamento da margem de votos entre os dois candidatos verificado nas urnas em relação ao que anunciavam os institutos de pesquisa. Os quatro ou seis pontos previstos foram reduzidos ao final para 3,2.

Dois fatos alardeados pela mídia no sábado à noite e durante todo o domingo contribuíram para essa alteração. Uma manifestação diante do prédio da Editora Abril foi o álibi usado pelo Jornal Nacional para ampliar a denúncia de corrupção feita no dia anterior pela revista Veja, sem qualquer respaldo nos fatos. No domingo, ainda com um grande número de eleitores indecisos, rádios, TVs e internet não se cansavam de especular a respeito do doleiro delator que teria sido “envenenado” pelo PT. Chegava-se ao auge da irresponsabilidade.

Nada disso é novo na história do Brasil, variando apenas o seu grau de intensidade. Assumido como partido de oposição, o conjunto dos meios de comunicação nunca poupou os governos populares de duros e constantes ataques, ao longo de todos os mandatos. Com a aproximação dos períodos eleitorais a prática se intensifica e a verdade, quase sempre, é deixada de lado. Em 2014, no entanto, a mídia se superou. A campanha foi crescendo ao longo do ano, tendo como tema a corrupção, sempre apresentada de forma seletiva e dirigida a desgastar apenas o nível federal de governo, e apenas um partido.

Em qualquer democracia, propostas e mensagens partidárias chegam à população pelos meios de comunicação. Aqui dá-se o contrário: é a mídia que oferece à oposição os seus motes de campanha. Dão o tema e os partidos correm atrás. Exemplo maior foi o candidato do PSDB responder a uma pergunta sobre a corrupção, no último debate televisivo, dizendo que o problema se resolveria tirando o PT do poder. Um dos principais déficits de democracia existente hoje no Brasil é de diversidade de opiniões e visões de mundo circulando pelos meios de comunicação. Sem superá-lo não chegaremos à democracia plena e seguiremos sujeitos a eleições em que a mídia interfere abertamente na decisão do eleitor.

Em 2007, o documento final do 3º Congresso Nacional do PT propunha “a imediata revisão dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas que vêm sendo historicamente tratadas como propriedade absoluta por parte das emissoras de radiodifusão. Essa atualização passa pelo cumprimento da lei, haja vista a flagrante ilegalidade em diversas emissoras, por maior transparência e agilidade nos processos e pela criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e debater não somente a concessão, mas também a renovação de outorgas. (…) O PT deve se juntar à luta da sociedade organizada para concretizar os preceitos da Constituição de 1988 que estabelecem a proibição do monopólio na mídia e definem como finalidade do conteúdo veicular a educação, a cultura e a arte nacionais”.

A resposta dada pela presidenta Dilma Rousseff às inverdades publicadas pela revista Veja foi um alento. Alimenta a esperança de que, em seu segundo mandato, a Lei de Meios seja posta em discussão com a sociedade e que o governo venha a se empenhar para transformá-la em realidade.
Laurindo Lalo Leal Filho
No Blog do Miro
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Catalunha realiza plebiscito sobre independência


A Catalunha, região no nordeste da Espanha, deu início na manhã de hoje (9) a uma votação informal sobre a independência, medida que o governo central do país considerou ilegal. No plebiscito, os eleitores catalães serão questionados se a região deve ser um Estado e, se sim, se deve ser independente. Os resultados só devem começar a ser divulgados na manhã da segunda-feira (10).

A administração regional catalã deu prosseguimento ao plebiscito apesar da Corte Constitucional espanhola ter ordenado seu cancelamento na última quinta-feira (6). Na ocasião, a Corte Constitucional da Espanha, a pedido do governo espanhol, suspendeu a votação pelos mesmos motivos que impugnaram o referendo em setembro. No entanto, segundo o El País, outro aspecto que pesou na decisão da suspensão foram as "escassas garantias democráticas que têm o novo processo".

Apesar da suspensão imposta pela Justiça, a administração regional da Catalunha espera que mais de 40 mil voluntários ajudem a monitorar as urnas.

A Catalunha tem uma população de 7,5 milhões de pessoas e um idioma próprio. A região responde por um quinto da economia da Espanha e há muito busca a independência, numa campanha que ganhou força com o referendo do mês de setembro, na Escócia.
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Reflexões

Numa pinacoteca de Munique estava em exibição um quadro de Bernardo Bellotto intitulado “Ruínas da catedral de Dresden”. Diante do quadro impressionante, você reflete: sim, foi terrível o bombardeio de Dresden na Segunda Guerra Mundial. A cidade toda, e não apenas sua catedral, foi arrasada, milhares morreram na tempestade de fogo que se seguiu ao bombardeio e até hoje se discute se o horror e a destruição foram necessários, já que a guerra já estava quase no fim e Dresden não tinha nenhuma importância estratégica.

Aí você se dá conta que Bernardo Bellotto viveu no século dezoito e que sua pintura não é uma obra de premonição, é o retrato de outra tragédia, de outro bombardeio. Uma leitura mais atenta do texto que explica o quadro revela quem foi Bellotto (nascido em Veneza em 1720 e morto em Varsóvia em 1780, ele ,às vezes, usava o mesmo apelido do seu tio, “Canaletto”, e como o tio também se dedicava a paisagens urbanas, com especial predileção por grandes panoramas venezianos) e por que a catedral estava em ruínas. A culpa, dessa vez, foi de um canhão prussiano, durante um sítio à cidade, na Guerra dos Sete Anos.

Aí você passa a refletir sobre a reincidência da estupidez humana. O canhão prussiano é um aperfeiçoamento da catapulta medieval e o precursor de toda tecnologia da morte à distância que viria, culminando com as bombas nucleares e os drones. Do século dezoito para cá só mudaram o alcance e a eficiência das armas, a irracionalidade das pessoas continuou a mesma, se não aumentou.

A catedral reduzida a escombros do Bellotto é um retrato do poder do irracional na História. Alguém — acho que o Lewis Mumford — tem uma tese segundo a qual o ataque a cidades é sempre, consciente ou inconscientemente, um ataque à ideia de civilização, ou à possibilidade do convívio racional. O fim implícito de todo bombardeio é o de nos devolver às cavernas.

Outra tese, não sei de quem, diz que nada resume melhor uma certa época da História da nossa espécie do que os projéteis do canhão alemão Big Bertha caindo sobre a Paris de Marcel Proust, durante a Primeira Grande Guerra. Era Big Bertha contra Proust, que nunca soube que estava na linha de frente da batalha contra as bestas.

Outra reflexão possível vendo o quadro de Bellotto é sobre a impotência da arte diante dos escombros da História. A arte não podia salvar a catedral de Dresden, nem no século dezoito nem no século vinte. Mas a história de Bellotto tem um final redentor: as suas pinturas das ruas de Varsóvia eram tão precisas que foram usadas para reconstruir a cidade no fim da Segunda Guerra. Ponto para os racionais.

Luís Fernando Veríssimo
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Outras dívidas eleitorais

Pela quarta vez, o estímulo procedente da Polícia Federal para as tendências do eleitorado não resultou. E as investigações desses estímulos, também não.

Logo depois de definidos os disputantes do segundo turno, os três passageiros de um táxi aéreo foram presos pela PF ao descerem no aeroporto de Brasília. Revistados, dizia o primeiro noticiário que um tinha R$ 80 mil, outro levava R$ 30 mil, e R$ 6 mil o terceiro.

Esse total de R$ 116 mil foi baixando nos dois ou três dias em que ainda houve noticiário a respeito. Os três voltavam de Belo Horizonte, onde haviam trabalhado na campanha de Fernando Pimentel.

Fernando Pimentel? Petista. Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, empresário gráfico que levava a maior quantia, havia produzido material impresso para a campanha petista e em 2010 fora interrogado pela PF, a pretexto de um tal dossiê que seria elaborado em Minas contra José Serra.

E o crime de agora? Nenhum. Não é ilegal transitar com dinheiro de procedência legítima, voltando os três de atividades remuneráveis. Bem, um inquérito ia verificar se, por acaso, não se tratava de lavagem de dinheiro. E, para isso, por que precisariam ir três, levando quantias tão diferentes, e pagando um táxi aéreo para levar soma que não justificaria a despesa? Sem resposta.

Mas a PF teve a gentileza de cometer uma imprudência sugestiva de armação. Com as informações da prisão no aeroporto de Brasília, alguns jornais e TVs exibiram uma foto do embarque de Benedito no avião em Belo Horizonte. Autor, aquele nomezinho quase ilegível que os jornais grudam nas fotos? Nenhum.

A foto foi fornecida às redações para acompanhar a notícia de prisão dos três petistas portadores de dinheiro dado como suspeito. Não houve uma ação preventiva da PF em Brasília. Houve uma armação começada em Belo Horizonte, passada à imprensa e à TV como um fato bem sucedido da PF. E com implicações políticas e eleitorais.

Faz um mês que o assunto apareceu e desapareceu. Se a própria PF interveio na PF e esvaziou o balão, não precisa fazer cerimônia. Pode informar a população sobre o que foi aquilo e sobre o inquérito. Fará bem à sua imagem e ninguém pedirá punição de policiais. Como não foi pedida quando daquele dinheiro "achado" em São Luís.

E do dinheiro "achado" no caso dos "aloprados" (este, com a colaboração dramatúrgica do Ministério Público Federal). E do "dinheiro cubano" também "achado", antes de enriquecer a campanha de Lula, em caixa de bebidas dirigida a um diplomata cubano.

Se a investigação continuou, hipótese pouco atraente, a PF deve à sociedade as informações a respeito. Afinal de contas, foi da PF que saíram as informações e a foto destinadas ao eleitorado que se voltava para sua decisão do segundo turno. Já basta a dívida imensa da PF com o seu silêncio antidemocrático sobre os epílogos daqueles três casos. A população precisa e quer ter confiança na PF.
Por esse mesmo motivo, mas também por outros, a pesarosa morte de Eduardo Campos não justifica que a Polícia Federal não esclareça as zonas escuras de onde saiu, para a campanha eleitoral, o jato da fatalidade. O começo da busca de explicação, nas primeiras semanas depois do desastre, sustou-se deixando apenas estranhezas.

Está aí a direção do PSB enrolada com esse assunto, que prometeu deixar limpo em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral, e mais complicou ao prestá-la sem dar conta do avião e seu uso. Diz que depende da Anac, mas não é de quilômetros voados que se trata. E a Polícia Federal sabe disso.

Muiyo intrigante

Demétrio Magnoli escreveu que defini "a reportagem de 'Veja' (e talvez a confirmação da mesma Folha...) como uma 'investida originada na imprensa para interferir na disputa eleitoral', sugerindo paralelos entre a publicação da denúncia e o golpe militar de 1964".

Não é verdade. Era uma nota sobre Alberto Youssef. Não citei a "Veja", o próprio Magnoli transcreve a palavra imprensa. Não é verdade que haja na nota qualquer sugestão, ainda que apenas insinuada, de "paralelos" com o golpe de 64, que nada tinha com o assunto. O paralelo seria simplesmente imbecil.

Não foi a mim que esse paralelo ocorreu.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 39


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Essa é do Barão... 97


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