7 de nov de 2014

Por que Eliane Cantanhede foi demitida

A internet roubou sua coluna
Não fui leitor de Eliane Cantanhede em seus anos de colunista na Folha.

Apenas, ouvi falar que ela era uma das vozes mas estridentes do antipetismo.

Não tenho como julgá-la tecnicamente, portanto.

Mas notei a repercussão em torno de sua demissão, e achei que deveria dar minha visão do que está por trás dela, do ponto de vista corporativo.

A demissão de Eliane Cantanhede enquadra-se, essencialmente, na agonia da mídia impressa.

Com a Era Digital, os jornais e as revistas vão perdendo leitores e anunciantes.

As despesas não mudam, mas as receitas declinam rapidamente, num movimento sem volta.

Para prolongar a sobrevida, jornais e revistas vão cortar desesperadamente custos.

Jornalistas mais caros, como Cantanhede, serão demitidos. Você pode ter colunistas pagos apenas por coluna, o que sai muito mais em conta.

O número de páginas editoriais vai-se reduzir, mais uma razão para mandar gente embora.

Para fazer menos páginas, você precisa de menos jornalistas.

Em algum momento, como está ocorrendo nos Estados Unidos já, jornais diários passarão a ter duas ou três edições por semana.

A qualidade do papel também vai piorar. Você vai comprar o papel mais barato possível. Alguns leitores vão se queixar, mas é melhor suportar reclamações do que quebrar em pouco tempo.

Jovens jornalistas, nervosos, se perguntam se estão na profissão certa, diante de um quadro tão desolador.

Estão.

Aos poucos, os empreendimento editoriais relevantes vão se deslocando das mídias tradicionais para a internet.

Jovens talentos poderão fazer grandes carreiras na mídia digital, e num ambiente de muito maior autonomia intelectual do que o oferecido pelas empresas tradicionais.

Você nunca mais ouvirá falar, como foi tão comum no passado, no lançamento de um jornal novo, ou de uma revista nova.

As novidades estarão na mídia digital. Recentemente, o dono do e-Bay anunciou que estava investindo 350 milhões de dólares na construção de um site investigativo.

Ele contratou um dos melhores jornalistas digitais do mundo, Glenn Greenwald.

Neste exato momento, entre os jornalistas, já se observa um fenômeno: os melhores cérebros vão se transferindo para a internet, onde existe um mundo por conquistar e leitores num número que não para de crescer.

Mídias dominantes sempre atraem os melhores jornalistas, e com a internet está acontecendo exatamente isso.

A migração da publicidade rumo à internet dará solidez aos sites mais competentes como negócio e mais instigantes no conteúdo.

Eliane Cantanhede não foi despedida por ser uma má colunista, embora para os petistas ela fosse abominável.

Ela tombou por ser uma jornalista de papel num mundo digital.

Caso consiga retomar a carreira, será na internet, e não em qualquer outro jornal. Nenhum terá recursos para contratá-la, a não ser a preços vis.

Todos os jornalistas caros de jornais e revistas estão com os dias contados, e sabem disso, porque são pessoas bem informadas.

Não é hoje a demissão, é amanhã, ou depois de amanhã.

E todos os donos de jornais e revistas sabem que seus produtos estão com os dias numerados.

Não se trata de evitar a morte, mais, porque é impossível.

Trata-se apenas de prolongar a sobrevida ou, para usar a palavra mais precisa, a agonia.

Paulo Nogueira
No DCM
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O jogo sujo da mídia nas eleições


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Jô Soares em um momento raro de lucidez na TV




No GGN
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Dilma, a regulação dos oligopólios de mídia e as meninas do Jô


Ontem Dilma Rousseff comprovou que sua melhor performance é nas entrevistas coletivas e/ou conversas informais. Sobressai, ai, a prosa inteligente, espirituosa e os raciocínios claros — em contraposição aos debates, onde a tensão por vezes atrapalha a explanação das ideias.

Dois aspectos da coletiva de ontem.

O primeiro, a economia e a questão fiscal.

Nos jornais de hoje, alguns articulistas alegam que Dilma passou a tomar medidas de ajuste que negara na campanha. Não é verdade. Na campanha, a discussão foi entre medidas draconianas (propostas por Eduardo Gianetti, pela Marina, e Arminio Fraga, por Aécio) e ajuste gradual (defendido por Dilma). O reajuste moderado dos combustíveis — ajudado em parte pela queda dos preços internacionais de petróleo — é ajuste gradual. Na entrevista, Dilma reafirmou seu compromisso com o gradualismo.

O segundo ponto, foi a questão da regulação econômica da mídia.

A segurança com que entrou no tema, a explicitação das diferenças entre ajuste econômico e controle de conteúdo, marca uma nova etapa do tema. E mostra uma presidente afirmativa como não se viu no primeiro governo, sem receio de arrostar os tabus.

Aliás, foi certeira ao ironizar a composição "bolivariana" do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), fórum que junta desde lideranças de movimentos sociais a banqueiros.

O caso da mídia

Ontem coloquei no Blog um vídeo surpreendente do último programa de Jô Soares e suas "meninas". Infelizmente não entrou o som.

Conforme expliquei na série "O caso de Veja", em 2006, Jô foi o primeiro comunicador a perceber a nova onda do mercado de opinião, de explorar a suposta superioridade social e intelectual da classe média internacionalizada contra os "cucarachos".

Explorou pioneiramente o tema, foi seguido por Arnaldo Jabor, depois abriram-se as porteiras e o terreiro foi invadido por pitbulls de todos os tamanhos.

No programa, as "meninas" começaram a explorar o preconceito, seguindo a receita habitual, quando foram interrompidas por Jô, com palavras sensatas. Falou do ridículo de comparar o Brasil com a Bolívia, do ridículo de julgar que no atual estágio de desenvolvimento poder ser controlado por um regime chavista.

A posição de Jô surpreendeu suas "meninas". Com olhar atilado dos grandes pensadores, uma delas soltou essa pérola: "Será mesmo, Jô? Deus te ouça". Em seguida, uma crítica acerba ao PSDB, pelo fato de muitos de seus integrantes terem avalizado os manifestos da ultra-direita.

Quando se pensava que Jô já encerrara a aula, veio a segunda lição, mais surpreendente ainda: uma defesa eloquente de Evo Morales. Disse que Morales é um índio que fez muito por seu povo e acabou atacado por uma elite insensível.

Pode ter sido apenas um pequeno clarão no padrão Globo de show bizz. Ou não.

Luís Nassif
No GGN
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Reportagem "Homens de pedra - Vítimas da escravidão" ganha prêmio nacional de jornalismo


A TV Pajuçara de Alagoas exibiu, em fevereiro deste ano, uma série de reportagens sobre o trabalho análogo à escravidão em pedreiras do interior de Alagoas. 
São mostrados trabalhadores sob o sol forte, passando todo o dia quebrando pedras sem qualquer tipo de equipamento de proteção e sem quaisquer direitos trabalhistas. Não fornecem comida, nem água aos trabalhadores. A água que eles bebem vêm de uma cacimba, com uma água bem suja. "Pior é nada. Pelo menos a gente ganhando, nós estamos comendo", diz um dos trabalhadores.
São vistos seres humanos trabalhando de maneira muito degradante. Um trabalho bastante exaustivo, que é suficiente apenas para eles sobreviverem. A reportagem mostra a que nível pode chegar a busca pelo lucro de algumas pessoas, que exploram ao extremo pessoas que vivem na miséria.

Segundo o repórter Thiago Correia, em apenas 3 dias, encontraram mais de 50 pedreiras clandestinas.

Eles trabalham nesses locais numa rotina exaustiva, vulneráveis a vários riscos de acidentes de trabalho, que são comuns nesses locais e em troca de todo o esforço recebem quantias miseráveis.

Essa reportagem ganhou nesta quinta-feira, 6 de novembro, o prêmio BNB de jornalismo (um prêmio nacional), na categoria telejornalismo regional. A conquista é mais do que merecida, pois o trabalho ficou excelente, como poderão constatar no vídeo abaixo:



No Jornalismo alternativo
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Nota à Imprensa


Na edição de outubro, a revista piauí publicou matéria “A afilhada rebelde” sobre presidenta Dilma Rousseff, afirmando inverdades atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na edição deste mês, a revista publica a carta enviada por Lula (leia abaixo) junto a uma "Nota da Redação", novamente com mentiras baseadas em fontes anônimas. Reafirmamos que, mais uma vez, as informações não foram checadas e não correspondem a verdade.

 "Lamento profundamente que a edição de outubro de Piauí tenha atribuído a mim declarações e atitudes que não correspondem à realidade. A reportagem abusa de fontes anônimas, recorre a narrativas de segunda e terceira mão, mas não cumpre a regra básica de conferir o que foi apurado. 

A assessoria do Instituto Lula não foi procurada para confirmar, retificar ou esclarecer o que foi publicado. Ao invés de informar, Piauí rebaixou-se a difundir o “disse me disse” de personagens ocultos. Não têm procedência os comentários sobre a presidenta Dilma Rousseff, atribuídos a mim, em supostas conversas com empresários, muito menos fora do país. Nos últimos quatro anos, não recebi em minha casa nem ofereci pizza a nenhum empresário.

Entristece-me o fato de ver minha família mencionada nessa teia de futricas, sem ter a chance de repudiá-las antes da publicação. Reitero minha decepção pelo mau jornalismo praticado em uma revista com as ambições editoriais de Piauí."  

Luiz Inácio Lula da Silva
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STF decide: não há o que investigar sobre Elvino Bohn Gass

Por decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (5), o deputado Elvino Bohn Gass (PT/RS) não faz mais parte da lista de investigados do inquérito que apura uma suposta fraude do Pronaf no município de Santa Cruz do Sul.

O ministro acolheu o pedido do Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que após analisar detidamente todos os documentos enviados pela Polícia Federal e tomar conhecimento dos vazamentos ocorridos durante o período de investigação, entendeu que não havia razão para que se investigasse o parlamentar e decidiu pela retirada do nome de Bohn Gass do inquérito. Em sua decisão, Zavaski afirmou: “Não existem elementos seguros nos autos que pudessem apontar a ligação do congressista com o esquema de desvio de recursos do Pronaf investigado”.

Ao saber da decisão, na manhã desta quinta-feira (6), Bohn Gass desabafou: “Fez-se Justiça. Se houvesse convicção e elementos concretos a me incriminar, tenho certeza de que tanto o ministro quanto o procurador não teriam se manifestado dessa forma. Ao contrário, muito provavelmente insistiriam na apuração. A simples suposição de que eu pudesse ter prejudicado agricultores foi a maior injustiça de que já fui vítima na vida. Passei 40 anos fazendo justamente o contrário, ou seja, defendendo os colonos. Não era suportável que esta situação se mantivesse.”

Dizendo-se “de alma lavada”, Bohn Gass, que já havia colocado à disposição da Justiça todos os seus sigilos (bancário, telefônico, fiscal…) reafirma que vai buscar todas as reparações possíveis a sua imagem, “tenham sido provocadas por autoridades, por profissionais de imprensa ou até em redes sociais”. E explica: “Trata-se de repor uma verdade que eu repeti desde o primeiro momento: nunca recebi recursos ilegais para financiar campanhas eleitorais ou para qualquer outro fim. No entanto, por conta de uma mera suspeita, fui execrado publicamente. Creio que é indiscutível o meu direito buscar o reparo a estes danos.”

Sobre a continuidade da investigação, o deputado reitera que se houver prova de desvios de recursos no Pronaf, espera que os responsáveis sejam severamente punidos. “Ajudei a conceber e a qualificar este programa que, pela sua magnitude e importância, não pode se prestar a irregularidades”.

O deputado já havia orientado seus advogados a interpelarem judicialmente os terceiros que, durante a investigação, citaram seu nome como possível beneficiário da suposta fraude. “Queria saber de onde tiraram isso. Por que isso não existe, nunca existiu. E a única vez que eu apareço, de fato, é numa conversa sem códigos e sem falas cifradas, ou seja, num telefonema que realmente existiu e onde eu não tento esconder nada. Por que não havia nada a esconder. É uma fala transparente que, aliás, reflete a minha história de agricultor, dirigente sindical e parlamentar que ao longo de 40 anos de militância, faz a defesa da agricultura familiar.”

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Sudeste e sul sempre foram mais conservadores

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6644

Separatismo paulista

São Paulo tem um pequeno problema com o Brasil. Foi quem mais resistiu, junto com Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, à abolição da escravatura. Tivemos de comandar, ao lado dos paraibanos e dos mineiros, a Revolução de 30 contra os paulistas, que, novamente junto com Minas Gerais e, paradoxalmente com parte do Rio Grande do Sul, impuseram aos brasileiros o golpe de 1964. Em geral, sul e sudeste estão de um lado, enquanto o nordeste está de outro. O Rio Grande do Sul conseguiu votar contra, em 1871, a Lei do Ventre Livre.

O nordeste foi a região que mais apoiou a abolição. O sudeste, a que mais lutou contra. Entre 1879 e 1881, dos 11 deputados que mais defendiam reformas contra o escravismo, dez eram do norte e do nordeste. Apenas um era de Minas. José do Patrocínio sintetizou: “O norte, muito mais benévolo para o escravo, desfez-se da hedionda mercadoria quanto pôde (…) O sul, ambicioso, obstinado, aristocrático, bárbaro e cruel para o escravo, embriagado pelo jogo do café, foi comprando a fatal mercadoria a todo custo”. Criou-se um fundo para a emancipação. Conseguia-se arbitrar preços exorbitantes para velhos escravos e, com os ganhos, comprar escravos jovens.

Um deputado de Sergipe propôs, em 1877, a abolição e escolas para que trabalhadores livres pudessem aprender a ler e escrever. O deputado baiano Jerônymo Sodré, em 1879, chamou a Lei Rio Branco, que permitia manter escravos até 21 anos de idade os nascidos livres, de “vergonhosa e mutilada”. O fundo de emancipação fora desviado para campanhas eleitorais. Que tempos aqueles! Nunca se veria igual. O deputado paulista Martim Francisco Ribeiro de Andrade reagiu violentamente: “Nós, os representantes das províncias do sul do Império, apreciamos a integridade deste vasto país, mas não tanto que, para conservá-la, queiramos tolerar a liquidação geral das fortunas e a destruição violenta da propriedade escrava…” Hummm…

Contestado pelo nordestino Joaquim Nabuco, o paulista Andrade saiu-se com um argumento intemporal. Disse que as opiniões do abolicionista eram “exageradamente radicais”, exigiu sensatez e responsabilidade e pediu que o outro não usasse sua retórica a serviço de uma causa, a abolição, que “pode prejudicar e muito a nossa pátria”. Daí a conclusão do historiador americano Robert Conrad: “Não é de estranhar que tenha sido um representante de uma província do Nordeste que renovou o debate abolicionista na Assembleia Geral em 1879 e que a primeira reação negativa tenha vindo de um deputado representante de São Paulo”. Pelo jeito, nada mudou.

O Brasil está dividido. Já era assim em 1870. Deputados do sudeste opunham-se à abolição alegando que produziria uma massa de vagabundos e propondo que fossem, ao menos, transformados em servos, obrigados a trabalhar para seus ex-donos. Velhos e crianças foram libertados mais cedo, quando não havia mais volta, para diminuir custos. Parte do fundo de emancipação foi gasta na compra de livros para registro dos escravos a serem libertados. Um estudioso interpretou tudo isso como “um dos primeiros exemplos do moderno separatismo paulista”. Agora é guerra contra o Bolsa-Família? Uau!
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A longa indigestão

Quando o Brizola se convenceu de que não chegaria à Presidência da República, consolou-se com uma sentença: a elite brasileira teria que engolir um sapo barbudo em seu lugar.

Quem estava vivo e consciente na época se lembra do quase pânico provocado pela perspectiva do Lula no poder. Oitocentos mil empresários fugiriam do país. Ninguém sabia ao certo o destino de sua prataria, nem de suas cabeças.

A ideia de engolir um sapo, ainda mais um sapo com uma ameaçadora barba cubana, era revoltante. Mas, fazer o quê? Lula foi eleito legalmente, o sapo foi deglutido e empossado. E o pior não aconteceu.

Poucos empresários emigraram e os que ficaram, principalmente do setor financeiro, não se arrependeram. E ninguém foi guilhotinado.

É verdade que o PT tratou de tornar-se mais palatável para ser eleito. Prometeu seguir o modelo econômico vigente, com alguns ajustes na área social para honrar seu passado e seus compromissos de campanha, mas sem fazer loucuras.

E o sapo barbudo desceu pela goela da nação com a suavidade possível. Já a sua digestão foi outra coisa. Não se muda de dieta tão radicalmente sem consequências ao menos gástricas.

Pela primeira vez o Brasil tinha na Presidência um ex-operário, vindo das lutas sindicais, que errava a concordância verbal, mas mobilizava a massa.

Com todas as suas precavidas concessões ao status historicamente quo, o PT não deixava de representar a “classe perigosa”, como a nobreza francesa chamava os pobres antes da Revolução, no poder, o que também não ajudava o metabolismo.

A resistência do patriciado brasileiro ao PT tem várias causas: diferenças ideológicas, interesses contrariados, medo, a própria arrogância do partido no governo e suas quedas na corrupção, e — especialmente inadmissíveis — os seus sucessos: distribuição de renda, políticas sociais, desemprego baixo etc. Mas o ódio ao PT só se explica como má digestão.

Doze anos de indigestão: é compreensível a irritação causada pela eleição de mais quatro anos de PT no governo e a continuação da praga do Brizola.

Os que se manifestam contra uma suposta fraude no pleito apertado e pedem o impeachment dos vencedores estão exercendo o direito de todo perdedor, o de espernear.

Só achei curioso ver, desfilando numa manifestação na Avenida Paulista, uma faixa que pedia a volta dos militares ao poder. Teoricamente, não é preciso mais de três pessoas para fazer e carregar uma faixa daquelas: uma para pintá-la e duas para segurá-la.

Fiquei pensando em quantas pessoas no desfile, além das três hipotéticas, concordavam que outra ditadura militar é preferível ao PT no governo. Talvez ninguém, talvez a maioria. Nunca se sabe o efeito da má digestão num organismo.

Luís Fernando Veríssimo
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A herança maldita do PSDB em Minas


Desde o resultado das eleições para o Governo de Minas, uma grande preocupação percorre os corredores da Assembleia Legislativa: como Fernando Pimentel irá conseguir reverter o quadro desastroso deixado pelos 12 anos de governos tucanos em Minas Gerais?

Os governos de Aécio, Anastasia e Alberto — a trinca de Ás responsável pela derrocada do Estado de Minas Gerais — levaram ao sucateamento dos serviços públicos em todas as áreas. O malfadado Choque de Gestão deixa o estado em situação de caos, afunilando nossa economia e colocando Minas Gerais na contramão do desenvolvimento.

Reconstruir Minas Gerais será o maior desafio da gestão de Fernando Pimentel. Veja alguns dos problemas que o petista terá que enfrentar a partir de 1º de janeiro:

Educação — Os professores mineiros não recebem o Piso Salarial Profissional Nacional definido por Lei Federal. Nem o mínimo constitucional para a Educação (25% da receita estadual) é aplicado, o que gerou uma dívida com o setor de 8 bilhões de Reais. Faltam mais de 1 milhão de vagas para o Ensino Médio na rede pública. Por causa da falta de estrutura, existem escolas estaduais funcionando em locais antes utilizados como motel e posto de gasolina. Fora o quadro de instabilidade causado pela extinção da Lei 100.

Saúde — Também sem a aplicação do mínimo constitucional para a Saúde, os mineiros seguem marcados pela amarga gestão do SUS/MG. Nenhum novo hospital. Nenhum programa estruturador. Some-se a isso uma ação movida pelo Ministério Público que questiona desvios da verba da Saúde para a Copasa da ordem de mais de 5 bilhões de Reais. Outra ação questiona um superfaturamento na compra de medicamento entre 2008 e 2012, que causou um rombo de 28 milhões de Reais aos cofres públicos mineiros.

Economia — Acumulada principalmente nos últimos 12 anos, a dívida pública mineira está estimada em 102 bilhões de Reais, colocando Minas Gerais na posição de 2º estado mais endividado do país. Apesar dos pagamentos de juros e amortização, a dívida cresce. A crise pela qual passa nosso estado já garantiu para 2015 baixas orçamentárias nas secretarias de Planejamento e Gestão, de Transportes e Obras Públicas e na de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Previdência — A extinção do Funpemg (Fundo de Previdência do Estado de Minas Gerais) como forma de apropriação dos recursos do fundo para cobrir os déficits do caixa mineiro foi um dos maiores golpes contra o povo de Minas Gerais. Ainda assim, somente no ano passado, o Tesouro Estadual precisou fazer um aporte de 5,9 bilhões de Reais para cobrir o pagamento de benefícios previdenciários. Parte desse dinheiro foi excluído do pagamento com despesas de pessoal.

Será preciso muito trabalho de Fernando Pimentel a da base aliada na ALMG para dar conta do recado. Mas com grande força de vontade e com o apoio da população, será possível levar o estado de Minas Gerais a resgatar o respeito e relevância que possui no cenário nacional. Sem Choque de Gestão, sem as cartadas da trinca de Ás que derrubaram a vontade de vencer do povo de Minas Gerais.

Rogério Correia
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O destino italiano de Pizzolato


Condenado da AP 470 conseguiu vitória ao evitar a extradição mas terá outros desafios pela frente

A leitura da íntegra da sentença da Corte de Bolonha sobre Henrique Pizzolato confirmou as primeiras notícias sobre o caso. Os juízes italianos rejeitaram o pedido de extradição do governo brasileiro em função das más condições do sistema carcerário.

Essa decisão representa uma vitória de Pizzolato. Ele não queria ser extraditado para o Brasil e atingiu o objetivo. É uma decisão até rara, se você considerar que Pizzolato até agora não tinha obtido nenhuma vitória jurídica de relevo desde 2007, quando que se tornou réu na AP 470. Sua pena de 12 anos e sete meses é uma das mais duras do processo e ele sequer teve direito aos embargos infringentes oferecidos a outros condenados.

Os juízes também rejeitaram as alegações de fundo dos advogados italianos de Pizzolato que sustentaram que ele foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão sem contar com um amplo direito de defesa. Este ponto é polêmico.

A partir de uma leitura da sentença com auxílio de um jurista com profundo conhecimento da AP 470, é possível avaliar que a Corte de Bolonha examinou as alegações de Pizzolato a partir de critérios basicamente formais, sem dar resposta às principais contradições do caso.

Por exemplo: para demonstrar que foi tolhido em seu direito de defesa, Pizzolato denunciou o fato de ter sido julgado pelo STF, sem direito a um segundo grau de jurisdição — quando era um réu sem privilégio de foro. Os juizes de Bolonha respondem a esse problema lembrando que a Justiça de seu país também admite um tratamento semelhante, em determinados casos. O problema é definir quando e por que isso pode ocorrer. Para justificar o que se fez no Brasil, eles lembram a vinculação de Pizzolato com o ministro Luiz Gushiken, titular da SECOM.

Embora essas ligações até fizessem parte da denúncia, em 2006, sequer foram sustentadas de modo consistente durante o julgamento no Brasil, em 2012. No final, Pizzolato foi condenado a 12 anos e 7 meses, enquanto Gushiken foi declarado totalmente inocente e mereceu até um pedido de desculpas por parte do ministro Ricardo Lewandovski. Se a denúncia se baseava em sua vinculação a um ministro considerado inocente, como Pizzolato poderia ser condenado?

As justificativas para uma condenação sem segundo grau de jurisdição perdem consistência diante do desmembramento oferecido a todos os réus do mensalão PSDB-MG e negado aos petistas, num caso grotesco de duplo tratamento para uma denúncia idêntica, envolvendo o que se considerou um crime idêntico. A sentença sequer menciona essa disparidade notável.

A corte ainda argumenta que Pizzolato teve direito a um amplo direito de defesa porque pode contar com a assistência permanente de um advogado, estava presente e foi ouvido nas audiências e também teve acesso a diversas formalidades que o Direito assegura aos acusados. É verdade mas é pouco.

O principal recurso material da defesa se encontrava entre os documentos reunidos no inquérito 2474, que foi mantido em segredo durante o julgamento da AP 470 no Brasil e até hoje não teve ampla divulgação. Possivelmente por desconhecimento, os juizes italianos descartaram o valor dos documentos do inquérito 2474. Por exemplo: os diretores do Banco do Brasil, responsáveis diretos pelos pagamentos que, conforme a acusação, alimentavam o esquema de Marcos Valério, sequer foram levados a julgamento.

O julgamento de Bolonha não encerra o caso na Italia. A partir dessa decisão, o governo brasileiro tem duas alternativas. Vencido na extradição, pode entrar com recurso para que Pizzolato seja obrigado a cumprir, na Itália, a pena que recebeu no Brasil. Caso essa hipótese seja rejeitada, o governo brasileiro ainda pode pedir que a Justiça italiana faça um novo julgamento — com base nas leis e normas daquele país.

O conteúdo da sentença de Bolonha sugere, no entanto, uma nova realidade.

Pizzolato não enfrentou dificuldades maiores para evitar a extradição, medida que dependia apenas da decisão de autoridades italianas, que poderiam aceitar, ou não, alegações do governo brasileiro. A situação pode se tornar mais difícil quando a Justiça Italiana tiver de se manifestar sobre o julgamento no Brasil, dando aval — ou rejeitando — as decisões do Supremo Tribunal Federal. Será preciso questionar ou acatar, diretamente, as deliberações de outro tribunal, de outro país.

Como se viu na sentença de Bolonha, se não tiveram dúvidas para rejeitar a extradição, os juizes italianos não economizaram esforços para apontar argumentos favoráveis a decisão de seus colegas brasileiros.

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Mesmo proibido, 271 parlamentares são sócios de veículos de comunicação

Até 2012, 260 concessionários de rádio e TV estavam nas mãos de 
políticos em cargos eletivos
Apesar da proibição Constitucional, atualmente no Congresso Nacional existem 271 políticos sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. É o que aponta levantamento feito pelo Projeto Donos da Mídia e debatido pelo Fórum Nacional pela Democratização (FNDC).

O artigo 54 da Constituição Federal não poderia ser mais claro: é proibido a todo e qualquer ocupante de cargo eletivo ser diretor ou proprietário de canais de comunicação, como jornais impressos, rádios e TV. E o Artigo 55 pune com a perda do mandato quem descumprir o artigo anterior. Mas, no Congresso Nacional, existe uma bancada bem estabelecida do baronato da mídia nacional ou, indiretamente, financiada por ela. Ao todo, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação.

Segundo o Secretário Executivo do FNDC, Pedro Rafael Vilela, até 2012, havia 260 concessionários de rádio e TV nas mãos de políticos em cargos eletivos.

Desde 2013 o FNDC trabalha para coletar 1,3 milhão de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para impedir, de fato, a propriedade de veículos de comunicação a parlamentares.

A preocupação do FNDC é, também, o processo de democratização da produção e consumo do conteúdo veiculado. “Das seis maiores redes de comunicação do País, cinco estão em São Paulo e uma no Rio de janeiro”, explica Vilela. Segundo ele, o que está em jogo é a representação da pluralidade cultural brasileira, que não se enxerga na produção da mídia hegemônica.

Titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, o deputado Emiliano José (PT-BA) garante que a comissão nunca tratou do assunto sobre parlamentares proprietários de veículos de comunicação. Segundo ele, candidatos assim levam vantagem por poder controlar o conteúdo do noticiário. “Isso é antidemocrático, empobrece o debate e exclui a sociedade do acesso ao direito à comunicação”, diz o deputado. Para Emiliano, o caminho para se chegar à regulação da mídia passa pela reforma política do sistema eleitoral.

Para um outro integrante da mesma Comissão, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), nem o cumprimento do Artigo 54 e nem a regulação da mídia vão acontecer “porque isso deriva do fato de muitos parlamentares serem donos de veículos de comunicação”.

Regulação da mídia no Congresso

Bittar acredita que o rompimento da limitação dos avanços rumo a uma regulação democrática da mídia imposta por parlamentares proprietários de veículos de comunicação virá por meio de uma ação coordenada entre o Executivo e a sociedade organizada. “Dilma deve promover um amplo e aprofundado debate sobre importância para a democratização e para vedar, terminantemente, a propriedade de veículos de comunicação por políticos”, afirma.

O deputado viveu as dificuldades de democratizar a comunicação no Brasil quando, em 2007, foi relator da reforma da tevê por assinatura. Ele apresentou uma proposta para destinar 30% dos recursos do Fundo Setorial do Audiovisual Brasileiro para produções independentes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. “Isso paralisou a reforma e as discussões duraram até 2011, quanto a reforma foi aprovada”, conta Bittar.

Ainda assim, a sociedade tem se organizado e avançado nas discussões. Entre os dias 13 e 24 de outubro ocorreu a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, organizada pelo FNDC e por mais de 300 entidades filiadas.

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A mídia não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’

Dilma na entrevista de ontem aos jornais
“O PT  busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação — o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”

Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece — e a seus donos — na forma de anúncios governamentais?

Outras perguntas decorrem desta primeira.

Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados da Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

Apenas a Globo — com audiência em franca queda por causa da internet — recebeu 600 milhões de reais em 2012.

Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 37


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Essa é do Barão... 95


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O triste, mas previsível fim de uma das bestas do PIG

E tomara que seja a primeira dentre os demais…


Foi-se!

Ouvi de alguns que não devemos comemorar a desgraça alheia.

Mas resta uma pergunta: e quando a pessoa, que ficamos felizes com a desgraça, é quem deseja e transforma a profissão em provocar a desgraça de milhões?

Ainda bem que vivi para ver isso: Eliane Cantanhêde demitida da Farsa de São Paulo.

Que seja seguida, no rumo do inferno, pelas outras bestas. Quem sabe assim teremos uma mídia digna nesse país?

Pena que a Globo ainda lhe dará guarida na TV a cabo. Mas logo, logo, quiçá até a Globo faça como a Farsa.

Ide em paz e que o Diabo a carregue!

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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