5 de nov de 2014

Itália começa a apontar os erros da AP 470

Pedro Maciel
Leitores do Blog do Zé, apesar de evitarmos repetir assuntos e de comentar exclusivamente a Ação Penal 470, não  poderíamos deixar de recomendar a leitura do texto do advogado Pedro Maciel “Quais interesses levaram Barbosa a fraudar a AP 470?”, publicado aqui, na sessão Nossos Convidados.

O artigo analisa a decisão da justiça italiana de negar extradição ao ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. Em seu texto Maciel lembra que o ex-ministro presidente do Supremo e relator da AP 470, Joaquim Barbosa, omitiu todas as informações constantes do inquérito 2474, que inocentava Pizzolato e desmontava a falsa lógica criada em cima do processo.

“Esse inquérito policial (2474) traria elementos que permitiriam à Justiça, aos réus e à sociedade, entender o contexto das denúncias, num quadro maior. E trazia documentos, reitero, que inocentavam Pizzolato, como o Laudo 2828, feito pela Polícia Federal, a pedido do próprio Joaquim Barbosa e da Procuradoria, e que atestava categoricamente a inocência de Pizzolato e Gushiken,” afirma Maciel em seu artigo.

O advogado recorda, ainda, que que os réus da AP 470 — entre os quais o titular deste blog, o ex-ministro José Dirceu — foram privados do direito ao duplo grau de jurisdição e tiveram o processo e o julgamento direto no Supremo Tribunal Federal (STF), sem direito a outras instâncias. Nem aqueles que não teriam ao chamado foro privilegiado — caso de Dirceu que já não era parlamentar ou ministro. Era o mesmo caso de Pizzolato.  “Pizzolato não tinha mandato político e, portanto, deveria ser julgado em 1ªinstância, e não num STF transformado em tribunal midiático de exceção”, diz Maciel.

Maciel constata, assim, que a farsa do julgamento da AP 470 não resiste a um judiciário — como o italiano — que não está sujeito a pressão da grande mídia, ou, como alguns preferem chamar, do Partido da Imprensa Golpista

Leiam o artigo completo:

Quais interesses levaram Barbosa a fraudar a AP 470?

Em 26 de janeiro desse ano escrevi um artigo que denominei “POR QUE MENTIU EXCELÊNCIA?“. Naquele artigo escrevi e denunciei o fato de o então Ministro Joaquim Barbosa haver escondido o Inquérito Policial (IP) 2474 para levar a condenação os réus da AP 470. Escrevi então:

“Podemos estar às portas de conhecermos um “caso Dreyfus” aqui no Brasil, pois a pedido do réu Henrique Pizzolato e com base na Súmula Vinculante 14 do STF (que autoriza dar-se aos acusados acesso aos autos para que se defendam amplamente) o Ministro Ricardo Lewandowski, no exercício da Presidência do Supremo, (mesmo) mantendo o caráter de “segredo de Justiça”, deu acesso a oito réus ao Inquérito 2474, desdobramento do Inquérito 2245, que se tornou a Ação Penal 470 – o mensalão. Isso acontece após quase sete anos de segredo decretado por Joaquim Barbosa, o Supremo Tribunal Federal liberou para consulta o Inquérito 2474 da Polícia Federal.

Nunca é demais lembrar que as apurações deste inquérito foram solenemente ignoradas durante o julgamento do “mensalão” e sequer constaram do relatório de Joaquim Barbosa.

Por quê?

Qual a relevância do conteúdo e conclusões desse inquérito? Bem, o Inquérito 2474 foi uma investigação complementar, feita a pedido do Ministério Público, para mapear as fontes de financiamento do “valerioduto” na época das denúncias sobre o chamado “mensalão”. E qual foram as conclusões? Aqui estão:

(a) o esquema envolvia o financiamento ilegal de campanha e lobbies privados;

(b) começou em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso;

(c) terminou em 2005, na administração Lula, após ser denunciado pelo deputado Roberto Jefferson. Exatamente o oposto daquilo que Juca Barbosa concluiu em seu relatório.

Mas essas informações foram sonegadas pelo Ministro Relator da AP 470. Penso que os Ministros do STF e a opinião pública tinham direito às informações do IP 2474 antes do julgamento. Por que Joaquim Barbosa as omitiu? Essa omissão caracteriza crime de responsabilidade do Ministro?

Bem, passados alguns meses vemos a Justiça Italiana determinar a libertação de um dos Réus da AP 470, o senhor Henrique Pizzolato, porque a defesa comprovou que houve ocultação, em detrimento do réu, das provas colhidas em inquérito paralelo – o 2474. Por quê?

Ou seja, foi negado a Pizzolato, e aos demais réu, durante fase decisiva do processo, o acesso ao Laudo 2828, e a outros documentos que provavam sua inocência.

Estes documentos foram escondidos no Inquérito 2474. Houve o famoso gavetão, que só hoje está sendo liberado ao público. Que interesses motivaram Joaquim Barbosa?

O Inquérito 2474 era um aprofundamento das investigações sobre o mensalão, ao contrário do que alegou Joaquim Barbosa, que mentiu descaradamente sobre o tema. Leiam o jornalista Miguel do Rosário.

Esse IP traria elementos que permitiriam à Justiça, aos réus e à sociedade, entender o contexto das denúncias, num quadro maior. E trazia documentos, reitero, que inocentavam Pizzolato, como o Laudo 2828, feito pela Polícia Federal, a pedido do próprio Joaquim Barbosa e da Procuradoria, e que atestava categoricamente a inocência de Pizzolato e Gushiken.

Pizzolato não era o responsável pela movimentação dos recursos do Fundo Visanet. Que, aliás, ao contrário do que oportunisticamente fingiu entender o STF, era de natureza privada.

As únicas provas contra o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (Pizzolato) foram assinaturas suas em memorandos internos, não deliberativos, sobre o Visanet. Mas esses memorandos continham assinaturas de outros diretores do BB, que nunca foram citados na Ação Penal 470. Talvez não fossem petistas.

Os documentos definitivos sobre os verdadeiros responsáveis (entre os quais não está Pizzolato) pelos recursos do Fundo Visanet foram criminosamente ignorados pelo STF. Por que mentiu Joaquim?

Outro argumento da defesa aceito pela Justiça italiana foi a violação do duplo grau de jurisdição. Pizzolato não tinha mandato político e, portanto, deveria ser julgado em 1ª instância, e não num STF transformado em tribunal midiático de exceção.

Pizzolato não podia, porém, ser inocentado porque a sua “participação” no desvio dos recursos do Fundo Visanet constitui o pilar de toda a Ação Penal 470.

Por isso, ele tinha que ser condenado de qualquer jeito, e os documentos que provavam sua inocência tinham que ser ocultados.

A Justiça italiana, isenta às pressões da mídia brasileira, começa a desmontar a farsa.
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Como secar o Bolsa PiG

Lula 2018 virá por gravidade.

Tente fazer isso com um blog!!!

O passarinho saiu da árvore atrás do Palácio do Planalto e pousou na varanda aqui de casa:

Não faz sentido a SECOM ainda aplicar 60% da verba em TV.

Nem na Globo.

A internet — sem o Google — tem que ser 20% da verba.

E tudo papai e mamãe, dentro dos rigorosos critérios da mídia técnica.

Para isso, tem que enfrentar a Globo e as agências de publicidade — na maioria estrangeiras, que mamam no BV da Globo (e do Governo).

Quem não enfrenta não governa.

Além da Ley de Medios: falar, falar, entrar em rede, dar entrevista = Lula.

Viu o que aconteceu quando ela apareceu na TV?

Não adianta o chororô.

Eles perderam feio.

Ela vai passar quatro anos inaugurando obras.

Aecioporto não vai a lugar nenhum.

Perdeu em Minas duas vezes, no Rio, e em Pernambuco.

Quem ganhou em SP não foi ele — foi o Alckmin.

Alckmin — o que ele tem a oferecer à maioria ?

Eles não falam com a maioria. Ponto.

Essa eleição não é o fim do ciclo: foi a mais difícil.

Lula 2018 virá por gravidade.

Em tempo: de volta a Brasília, o passarinho sobrevoava o casebre em que "Cerra" mora quando voltou para dar outro recado:

“Acho que dessa vez ela aprendeu, com o dedinho do Bonner e a tabela Veja-jn, que não se faz omelete com a Globo”.

Paulo Henrique Amorim com a ajuda do passarinho de Brasília
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Roger mente sobre o Viomundo; SBT recebeu R$ 1,6 bi do governo


O cantor Roger mentiu nesta madrugada sobre o Viomundo em rede nacional de TV. Fomos alertados por nossos leitores.




Foram duas mentiras, durante as entrevistas de Paulo Barbosa e Eduardo Bolsonaro, organizador e principal orador na marcha que pediu impeachment de Dilma Rousseff.

Roger disse que o Viomundo é financiado pelo governo federal. Mentira. Nunca foi, não é e nunca será. Somos financiados exclusivamente por anúncios Google e pelos nossos assinantes.

Não aceitamos anúncios de empresas públicas, estatais, nem do Legislativo, Executivo e Judiciário, em todas as esferas. Quem acompanha o site sabe disso faz tempo.

A segunda mentira é que o Viomundo teria manipulado imagens da manifestação, que aconteceu sábado passado.

Com a palavra, o repórter que filmou e editou, Caio Castor: “Filmei as situações que aconteceram diante de mim. A edição reflete isso. O que ele disse é mentira!”.



Durante o programa, o escrivão da Polícia Federal Eduardo Bolsonaro revelou que a pistola que levava na cintura durante a manifestação pública estava sem munição.

Ao discursar no evento, disse que se seu pai tivesse sido candidato ao Planalto teria “fuzilado” Dilma Rousseff.

No programa The Noite, informou ao entrevistador que foi ao estúdio desarmado.

Os dois convidados usaram a oportunidade em rede nacional de TV para convocar as próximas manifestações.

Já imaginaram se no Brasil o MST ou a turma do Passe Livre tivesse a mesma oportunidade?

Infelizmente, não é assim. A extrema direita tem amplo espaço na mídia corporativa para propagar suas mentiras, sandices e alucinações.

Mídia, esta sim, financiada com grande quantidade de dinheiro público.


Em 12 anos, o SBT, que supostamente paga salário a Roger, recebeu R$ 1,6 bilhão do governo federal, como demonstra a tabela publicada pelo jornalista Fernando Rodrigues em seu blog:

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Encaminhamos o link do programa The Noite para o dr. Cesar Klouri, que terá o maior prazer em acionar Roger e o SBT para que eles nos concedam direito de resposta e uma indenização que, esta sim, ajudará a bancar o site.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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O PSDB renegou, a petição aos EUA micou: quem vai embalar o monstrinho da extrema direita?


A extrema direita brasileira vem sofrendo uma série de humilhações públicas após as eleições.

Aécio Neves, o candidato que se acreditava a salvação contra o “bolivarianismo”, a “venezuelização” ou algo que o valha, perdeu. Na volta ao Senado, tratou o pessoal que o acolheu como uma amante grávida. “Eu respeito a democracia permanentemente e qualquer utilização dessas manifestações no sentido de qualquer tipo de retrocesso terá a nossa mais veemente oposição”, disse. “Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão no outro campo político, não estão no nosso campo político”.

(Evitar as manifestações pelo impeachment obedece a uma lógica de sobrevivência política. Collor já foi impedido. Se Dilma for também, quem garante que o próximo da fila não será um tucano?)

Enquanto lhe foi útil, o PSDB alimentou esses fanáticos e não fez nenhuma crítica a discursos golpistas ou simplesmente malucos, desde que fosse contra o adversário. Agora, sinaliza fim de caso.

Uma separação doída. Coordenador da campanha de Aécio, Xico Graziano foi chamado de “petralha”, “comunista”, “safado”, “traíra” etc porque se declarou contra os protestos pelo impeachment. Alckmin disse não aceitar a defesa da “intervenção militar”. Enfim, não sobrou ninguém importante.

A última esperança que havia eram os Estados Unidos. Sim, o companheiro Obama. Qual o quê.

Os inconformados criaram uma petição no site da Casa Branca. Era um apelo para conter os planos “de estabelecer um regime comunista no Brasil – nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.” Reforçavam que “o Brasil não quer e não se tornará uma nova Venezuela”.

Mais de 120 mil pessoas assinaram. Essas petições servem para qualquer pleito. Qualquer. Recentemente, outros desocupados, mais bem humorados, requereram o desterro de Justin Bieber.

A reposta veio através de uma representante da embaixada americana em Brasília, Arlissa Reynolds, que afirmou que “petições apresentadas nessa página não representam as opiniões do governo dos EUA”.

Arlissa recordou o fato de que seu governo “publicou uma declaração parabenizando a presidente Dilma Rousseff por sua reeleição” e que “o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff a fim de fortalecer as nossas relações bilaterais”. A palhaçada ficou ainda mais triste quando foi revelado que essas cartas são destinadas a “cidadãos norte-americanos”.

Com um repertório baseado em alarmismo, paranoia, golpismo barato, macartismo, anticomunismo de guerra fria, desinformação, má fé e abstinência de Rivotril, a extrema direita ficou com um mico na mão.

Suas lideranças voltam a ser um ex-cantor parecido com Edir Macedo, um “filósofo” obcecado e um ex-comediante lotado no SBT, que levam para as ruas um deputado eleito cujo grande feito foi discursar com uma pistola na cintura, filho de um deputado que já quis fuzilar um presidente e pretende fuzilar outra.

A culpa do fracasso, pelo menos, eles já sabem de quem é. Malditos nordestinos. Maldito Obama. Malditos tucanos. Maldita democracia.

Kiko Nogueira
No DCM
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Eleição 2014 ainda não acabou e a de 2018 já começou


Dez dias após a reeleição de Dilma Rousseff, a campanha eleitoral de 2014 ainda não terminou, mas a de 2018 já começou. Com a renhida disputa do terceiro turno ainda ocupando as redes, as ruas e o Congresso Nacional, mal saímos de uma eleição e já temos três candidatos perfilados para a largada na próxima: Lula, Aécio e Marina.

No dia mesmo da vitória de Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão, lançou a candidatura do ex-presidente Lula para a sucessão dela. Nos dias seguintes, Lula divulgou vídeos com análises sobre o Brasil e o cenário internacional, mostrando que está na área. E o partido colocou no seu Face um cartaz vermelho cheio de estrelas, resgatando a estética revolucionária dos anos 1960, com uma conclamação: "Militância, às armas!"

Aécio Neves voltou ao Senado nesta terça-feira, aclamado como grande líder da oposição, e disposto a garantir sua vaga na urna em 2018. Com discurso de campanha, como se tivesse vencido as eleições, convocou "um grande exército a favor do Brasil".

Marina Silva, por sua vez, avisou que está voltando a recolher assinaturas para criar o seu próprio partido, Rede da Sustentabilidade, depois de ter se abrigado no PSB para disputar as últimas eleições. A líder ambientalista não quer ficar fora do noticiário, como aconteceu após a derrota em 2010.

Se depender dos principais líderes do PSDB e do PT não teremos paz tão cedo. Os dois eternos adversários, agora inimigos juramentados, resolveram partir para uma guerra permanente.

Claro que não é para levar ao pé da letra as proclamações de apelo militar feitas pelo PT e por Aécio. Certamente são apenas figuras de retórica empregadas neste momento para manter suas tropas unidas e fazer um chamamento à militância.

Os três pré-candidatos para 2018 têm cada qual motivos diferentes para se posicionar desde agora, antes mesmo da posse de Dilma no seu segundo mandato.

Mais do que ninguém, Lula sabe que o PT saiu bastante desgastado da eleição de 2014, apesar de Dilma ter sido reeleita. A onda de antipetismo alastrou-se pelo país, quase deu a vitória à oposição, e agora urge reformular o partido, uma operação que só ele mesmo pode comandar. Quanto antes começar, melhor para Lula e o PT, mas não para a presidente. Por isso, o ex-presidente já foi ontem mesmo acertar os ponteiros com Dilma na Granja do Torto.

Na primeira tentativa de voltar às ruas após a campanha, para defender a reforma política em contraponto à manifestação golpista da oposição do último sábado na avenida Paulista, as tropas da CUT e do MST, principais aliados do PT no movimento social, fracassaram. Sob forte chuva, apenas 200 militantes apareceram na mesma avenida Paulista, dez vezes menos do que as tropas comandadas por Lobão e o filho do Bolsonaro para pedir o impechment de Dilma e a volta dos militares.

Enquanto isso, o PSDB organizou no capricho a festa da volta de Aécio ao Senado, que teve direito até a fogos de artifício. Convocou funcionários e militantes, também cerca de 200 pessoas, que ocuparam um enorme espaço nos telejornais noturnos aos gritos de "Fora PT!" e "Aécio presidente!".

É verdade que terão de esperar pelo menos quatro anos para que isso aconteça, mas os tucanos deixaram claro que desta vez não estão para brincadeira. Empolgado com seu novo papel, Aécio prometeu fazer uma oposição sem tréguas ao segundo governo de Dilma Rousseff. Tem motivos para isso: embora saia da eleição com um arsenal de mais de 50 milhões de votos, o senador mineiro sabe que não pode se descuidar dos paulistas Geraldo Alckmin e José Serra, que ainda não desistiram de disputar a presidência da República, muito ao contrário.

Também já está em franca campanha, ainda não se sabe bem com qual finalidade, o líder da oposição no STF, Gilmar Mendes, que não perde uma oportunidade para atacar a presidente recém reeleita e seu partido. Na sessão desta terça-feira, em que o Tribunal Superior Eleitoral discutiu o pedido de auditoria nas urnas eletrônicas solicitado pelo PSDB, ao proferir seu voto, Mendes mandou bala, lembrando frases de Lula e Dilma durante a campanha. "Será que chegariam a fraudar as urnas?", deixou no ar a pergunta, sob aplausos de militantes tucanos que estavam no plenário com adesivos do PSDB.

Pelas últimas informações que chegam de Brasília, não corremos o menor risco das coisas melhorarem tão cedo: agora, a presidente reeleita só deve anunciar nomes e medidas do seu novo governo depois de voltar de viagem ao exterior para participar de uma reunião do G-20, na próxima semana. Até lá, o general Eduardo Cunha e seu "blocão", agora com o apoio ostensivo de Aécio Neves, vai tomando conta da cena, para gáudio dos analistas políticos inconformados até agora com o resultado da eleição.

Calma, pessoal. É preciso ter muita paciência nesta hora para esperar a chegada de 2018 sem botar fogo no circo.

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O jornalismo impressionista


A observação crítica da imprensa brasileira ajuda a compreender certos meandros da política nacional que a narrativa jornalística não consegue descrever ou não tenciona explicitar. É como olhar um quadro impressionista: de longe, ou de média distância, as cores vibrantes revelam o universo intenso que o pintor pretendeu mostrar; de perto, o que se vê são apenas pintas coloridas.

Na arte, deixa-se o espaço entre pontos e pinceladas para o admirador preencher com sua imaginação. No jornalismo impressionista, tenta-se retratar a realidade com impressões subjetivas.

O que na arte é qualidade, no jornalismo resulta em pobreza de linguagem e de raciocínio, eliminação de sutilezas e redução da diversidade possível na interpretação dos eventos. O que na arte é indução ao imaginário do apreciador, na imprensa é ação manipuladora, tentativa de condicionar sua compreensão.

Assim como na arte, também no jornalismo a eficiência da mensagem vai depender de como o autor seleciona e organiza os signos com os quais pretende contar uma história. No quadro impressionista, os pontos de cores vibrantes querem emocionar. No jornalismo impressionista, as expressões vibrantes querem convencer.

Curiosamente, quando os principais jornais brasileiros passaram por mudanças, na segunda metade dos anos 1980, o ponto de partida foi o “Projeto Folha”, pelo qual a renovada diretoria do diário paulista pretendeu romper com o jornalismo intenso que havia marcado o curto período de reação contra o decadente regime militar.

Empurrados pelos repórteres — e à revelia de alguns editores — os jornais haviam embarcado na campanha das “Diretas” e abriam espaço para a recuperação de valores democráticos, como a defesa dos direitos humanos. Os reformadores da Folha chamavam esse voluntarismo de “jornalismo impressionista”.

A partir de 1985, quando as forças conservadoras se reorganizavam para evitar que uma nova Constituição avançasse com uma agenda progressista, os jornais trataram de conter o protagonismo dos repórteres, reestruturando as redações para fortalecer os editores e centralizar o fluxo de decisões. Esse movimento condicionou a Constituinte de 1988 e criou o sistema partidário que hoje é condenado pela sociedade.

Uma nova manobra

Olhemos, então, o quadro que a imprensa nos apresenta neste período pós-eleitoral e, no detalhe, o que se lê e se vê nas edições de quarta-feira (5/11).

Depois de estimular o radicalismo que brotou dos ressentidos com a derrota nas urnas, dando voz inclusive a pedidos de impeachment da presidente reeleita e amplificando a gritaria das viúvas da ditadura, os diários de circulação nacional passam a impressão de que são os derrotados que abrandam o ambiente político, apesar do ânimo beligerante dos atores que o noticiário havia selecionado nos dias anteriores.

Então, quem é que surge nas primeiras páginas como o portador do discurso da temperança e da responsabilidade política? O senador Aécio Neves, candidato derrotado à Presidência da República. Depois de se valer dos pitbulls que vocalizam na mídia tradicional e nas redes sociais o discurso antidemocrático, ele é apresentado pela imprensa como o líder democrata, desautorizando publicamente aqueles que pregam a ruptura. Seu interesse — legítimo — é liderar o campo de centro-esquerda que se opõe ao atual governo.

Enquanto isso, como se apresenta o Partido dos Trabalhadores? Com um discurso anacrônico, porque perdeu o tempo de agir, aparece na mídia com um chamamento à militância para a luta contra os radicais apoiadores de Aécio Neves. Os jornais, evidentemente, destacam a manifestação oficial do partido que apoia o Executivo federal, naquilo que tem de mais ruidoso: o desastrado título dado ao documento: “Militância, às armas!” O Estado de S. Paulo, por exemplo, posicionou a reportagem sobre o tema embaixo de um artigo que explora a aparente contradição entre o discurso conciliador da presidente reeleita e a disposição aguerrida de seu partido.

De perto, os pontos coloridos do noticiário mostram que o Partido dos Trabalhadores não tem uma estratégia de comunicação adequada para interagir com os meios digitais: quando chega com a resposta, o assunto já mudou. De média distância, o quadro impressionista pintado pela imprensa quer dizer ao público que o candidato derrotado defende o respeito à decisão democrática das urnas, enquanto seus oponentes alimentam a briga de rua. De longe, vista no contexto pós-eleitoral, a cena pode ser interpretada como manobra para condicionar a reforma política e impedir plebiscitos e referendos.

Luciano Martins Costa
No OI
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É mentira que o PT, na oposição, pregava o “Fora, FHC!”

O slogan “Fora, PT!”, que permeou a campanha do candidato derrotado à Presidência Aécio Neves, foi ouvido novamente na terça-feira (4/11), durante a chegada do tucano ao Congresso. Aguardavam-no parlamentares e militantes do PSDB entoando gritos de “presidente” e “Fora, PT”


Abaixo, vídeo do primeiro momento da chegada do tucano ao Congresso, que precedeu os gritos de “Fora, PT”.



Durante a campanha eleitoral, o slogan “Fora, PT” chegou a figurar no “espaço nobre” da Folha de São Paulo, na seção Tendências/Debates. Um dos mais eminentes ideólogos tucanos, o historiador Marco Antonio Villa, chegou a usar esse slogan como título de artigo.


Durante a recente campanha eleitoral à Presidência, o “fora, Dilma” ou “fora, Lula” ou “fora, PT” foram usados à larga pela militância tucana em seus carrões importados. Esse uso foi estimulado pelo PSDB.


Que fique registrado que o candidato Aécio Neves e seu partido JAMAIS condenaram oficialmente o “fora, Dilma”, entre outros.

Porém, a cada acusação de “golpismo” feitas por petistas – de carteirinha ou não” – os tucanos respondem com a mentira de que, quando era oposição a FHC, o PT adotou o slogan “Fora, FHC”.

Essa mentira vem sendo repetida inclusive por colunistas da grande mídia alinhados ao PSDB, como, por exemplo, Merval Pereira, de O Globo, quem, há 4 dias, afirmou que, quando era oposição, “O PT lançou o grito de guerra Fora, FHC”.


Essa é só mais uma das muitas mentiras e distorções dos fatos que os tucanos e a mídia alinhada com eles não param de espalhar.

À diferença de Aécio Neves e de seu partido, porém, Lula e o PT, quando na oposição, condenaram, OFICIALMENTE, a grita dos setores mais radicais do partido pelo “Fora, FHC”.

Veja bem, leitor, não é que petistas deram declarações soltas contra o slogan igualmente golpista “Fora, FHC”. Foram Lula, o PT e até José Dirceu, em Congresso Nacional do partido, que aprovaram posição oficial contra o “Fora, FHC”.

Não me consta que Aécio e o PSDB tenham feito o mesmo. Nem oficialmente e nem extra-oficialmente. Alguns tucanos, como Geraldo Alckmin ou Xico Graziano, têm condenado o golpismo. Mas Aécio, não. E muito menos o PSDB, ao menos de forma oficial.

E quem diz que Lula e seu partido condenaram OFICIALMENTE o “fora, FHC” não é este blogueiro, mas matéria do jornal Folha de São Paulo de 28 de novembro de 1999, abaixo reproduzida.


Eduardo Guimarães
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A hora de discutir a regulação da mídia

Até agora, todas as evidências são de uma armação jornalística da revista. Passadas as eleições, não haverá como não encarar o desafio da regulação da mídia

Propaganda da revista Veja, que foi considerada "peça eleitoral" pelo TSE
Lino Bocchini
Na quinta-feira da semana passada, a revista Veja divulgou sua reportagem de capa, com a afirmação de que o doleiro Alberto Yousseff acusara Dilma Rousseff e Lula de saberem do esquema Petrobras.

Até agora, todas as evidências são de (mais) uma armação jornalística da revista, em uma operação que se configura quase um golpe de Estado.

* * *

A armação da Veja faz parte de um longo roteiro de atuações criminosas, aprofundado quando a revista se associou ao bicheiro Carlinhos Cachoeira em uma série de matérias que beneficiava a ambos.

Trata-se de uma prática criminosa importada de outros países, praticada por outros grupos de mídia inspirados na ação deletéria de Rupert Murdock, o magnata australiano que adquiriu vários jornais nos Estados Unidos e na Inglaterra.

* * *

Ao longo da última década proliferaram os abusos, o conceito de liberdade de imprensa passou a ser utilizado de forma inapropriada para negar direito de resposta aos atingidos, permitir o assassinato de reputações de forma indiscriminada, tolerar a disseminação do preconceito em todos os níveis.

* * *

Passadas as eleições, não haverá como não encarar o desafio da regulação da mídia.

Não se trata de medida bolivariana, mas de se espelhar no relatório do juiz Leveson — "Práticas e a Ética da Imprensa – Sumário Executivo e Recomendações" — preparado a pedido da Câmara dos Comuns, da Inglaterra e publicado em novembro de 2012.

No diagnóstico, o juiz Leveson constatou que os abusos tinham se tornado uma prática disseminada. "Aqui não se trata apenas de personagens famosos, mas também de pessoas comuns envolvidas em acontecimentos — alguns deles verdadeiramente trágicos — muito mais graves do que poderiam suportar, mas tornados muito, muito piores pelo comportamento da imprensa que, às vezes, só pode ser descrito como ultrajante."

Segundo Leveson, os abusos se dão em todos os níveis. “Em um setor que supostamente serve para informar, toda informação errônea e, particularmente, toda distorção, deveria ser motivo de preocupação. Porém, quando há constante representação deturpada de grupos sociais, conflitos de interesse ocultos e alarmismo irresponsável na área científica, o risco para o interesse público é evidente."

* * *

Todas as tentativas de auto-regulação resultaram inúteis. O juiz identificou um corporativismo que se manifestava em todos os níveis. The Guardian, o respeitado jornal britânico que pela primeira vez denunciou esses abusos, foi alvo de represália da associação dos jornais.

* * *

Além dos problemas de excesso de concentração de poder, o relatório Leveson sugere medidas imediatas para reduzir os abusos: a criação de um conselho não-estatal, formado por personalidades respeitadas, incluindo editores já aposentados, para opinar rapidamente sobre abusos da imprensa, assim que solicitados.

As publicações que aderissem a esse conselho se obrigariam a seguir padrões de conduta e receberiam o selo de qualidade. Quem não aderisse a esse conselho teria seus abusos julgados por tribunais e sujeitos a multas proporcionalmente muito mais elevadas.

* * *

É hora de permitir que os ventos da contemporaneidade varram de vez os detritos de um setor que se fossilizou no Brasil.

Luís Nassif
No CartaCapital
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No Planeta Reinaldo Azevedo, o TSE acatou o pedido do PSDB


A Veja vive num Brasil paralelo, sabemos faz tempo.

Mas ontem as fantasias da revista atingiram um novo patamar.

À noite, a manchete do site dizia que, por unanimidade, o TSE acatara o pedido do PSDB de criar uma comissão especial para auditar os resultados das eleições.

O furo estava assinado por Reinaldo Azevedo.

Num pequeno texto autocongratulatório em sua coluna, ele informava em primeira mão a decisão do TSE e dizia que voltaria ao assunto.

“Devemos a você mais esta, Reinaldo”, escreveu um leitor.

Em redes sociais, leitores notaram a diferença entre o que a Veja dera e o que os demais sites estavam dizendo.

Bem, de fato Azevedo retornou ao tema — mas para canhestramente tentar consertar o “furo”.

O TSE não aprovou o pedido, na verdade. Rejeitou por unanimidade.

Apenas, colocou os dados à disposição do PSDB.

Detalhe: tais dados já estavam à disposição do PSDB e de qualquer partido que quisesse checá-los.

Em meus tempos de Veja, nos anos 1980, erros eram cobrados, até para que nós, da redação, nos empenhássemos para levar aos leitores a informação mais precisa possível.

Agora, provavelmente os chefes de Reinaldo Azevedo dirão a ele, como seu leitor: “Obrigado por mais esta.”

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Paulo Nogueira
No DCM
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O bolivarianismo é coisa do demônio. Li na internet, então é verdade

Bolivari o quê?
É fascinante como algumas pessoas repetem palavras que ouviram sem se dar conta de que erram feio, erram rude o seu significado.

Isso é muito comum no mundo corporativo, por exemplo, com engravatados que gostam de “performar'' ou “operacionalizar'', principalmente no gerúndio.

Talvez achem bonito quando vêem aquele bando de letrinhas voluptuosas fluindo para fora de algumas úmidas e honoráveis bocas. Ou talvez usem porque tá na moda – papagaio ouviu, papagaio repetiu.

O mesmo ocorre no debate público. Historicamente, “comunismo'' e “socialismo'' sempre foram duas delas. Particularmente, duvido que a galera que posta em CAPS LOCK nas caixas de comentários de blogs consiga explicar, sem a ajuda do Google, quais as virtudes e os defeitos de cada um. O mesmo vale para outras palavras como “capitalismo'' e “liberalismo''. Não importa o que signifiquem, o que vale é como a turba as rebatizou.

Tendo isso em vista, comunismo passou a significar Tinhoso, Tranca-Rua, Capiroto, O-Que-Não-Se-Diz-O-Nome. Capitalismo, por sua vez, é Satanás, O Maldito, O Sem Sombra, Diabolô.

Agora, a palavra do momento é bolivarianismo.

E o que é bolivarianismo? Um tipo de vício alimentar baseado em pequenos brioches vegetarianos vendidos em padarias gourmet? Ou alguma doença que incha o pé quando se consome carne de frango cru? Quiçá uma nova corrente literária que exalta, em verso e prosa, a beleza do ovo poché?

Por favor, por favor. Longe de mim estar aqui para defender o bolivarianismo.

Mas já que muitas pessoas são tão nonsenses que abraçam loucamente o suposto significado de uma palavra sem checá-lo junto a fontes idôneas e com credibilidade, sou obrigado a resgatar uma história dadaísta aqui já discutida.

Tenho um Chávez de brinquedo e um boneco do Chaves.

Se você aperta o botão nas costas do ex-presidente, vestido com botas e uma farda verde-oliva, ele repete três vezes um discurso. Dá mais ou menos um minuto de fala, que começa com “Eu cheguei aqui para fazer todo o humanamente possível…” No começo, é engraçado. Mas, depois, vira um porre.

Já o outro revela-se, pela etiqueta, um imigrante chinês. Provavelmente filho de mãe vietnamita e pai tailandês, nascido em alguma oficina de costura escura, úmida, com muito trabalho e pouca comida, que conseguiu entrar no México por interesses comerciais. Não faz nada, não pisca, não pula, não fala. Mesmo assim, é simpático – por ser de pelúcia.

Enfim, fofo na sua natureza de fofura.

Flagrei os dois em momento de confraternização, observados com desconfiança por um ornitorrinco.

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O ornitorrinco é um rapaz que tem patas e bico de pato, rabo de castor, bota ovo e é mamífero. Uma daquelas coisas esquisitas na escala da evolução que enche Darwin de orgulho. Darwin, que é a alegria dos positivistas de plantão. Mas causa um calafrio de dor e luxúria em alguns religiosos. Menos no Papa Francisco.

O bicho é usado pelo sociólogo Francisco de Oliveira para explicar o Brasil, que não seria uma coisa nem outra na escala do desenvolvimento – perde-se entre a riqueza e a miséria ao ser um importante ator na economia global e, ao mesmo tempo, um dos países mais desiguais do mundo. O mesmo valeria, com adaptações, para outros países de nossa América Latina.

E falando em pelúcia, lembro que um artista plástico, anos atrás, fez uma exposição com vários bonecos do Lula. Fez tanto sucesso que muita gente de renome quis um. Virou hype ter um Lula “just for fun” para chamar de seu. Se não me falha a memória até Fernando Henrique ganhou um. Se dormia abraçado com ele, sinceramente não sei. Nem quero imaginar.

Um amigo – que não gosta de pelúcia – tem, ao lado do monitor de seu computador, dois bonecos de chumbo: um do Che e outro do Fidel. Os dois são bem duros, pesados, resistentes, machucam até, o que diz bastante sobre as brincadeiras de antigamente. Eles caem no chão a toda a hora. Tão lá. Descascados, mas tão. Hoje em dia, as coisas não são feitas para durar. Tudo quebra ou rasga, como o Chávez ou o Chaves.

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Recentemente, ele trouxe um Batman de plástico, bombadão, a fim de acompanhar os outros dois.

preguicaAinda guardo comigo uma foca de pelúcia que ganhei há anos. “Foca'', no jargão jornalístico, é o repórter de início de carreira, pilhado, mas que faz bastante besteira também. Tive que tirar de lá porque a foca sofria bullying dos filhos de meus amigos que visitam minha humilde choupana. Nessa, perdeu os bigodes.

Ah, e tive preguiça. De pelúcia.

A preguiça não se interessa pela dignidade dos outros pois, afinal de contas, é feita de pelúcia. Muito menos por debates políticos de qualidade.

Mas adora um notebook. E redes sociais. E memes.

Coincidentemente, quando li o comentário de um leitor de que uma certa ditadura comunogayzistabolivarianista estaria chegando, um vento forte veio e derrubou o Chávez. O ornitorrinco não se importou. E a preguiça, como era de se esperar, ficou só olhando.

Esses posts (aparentemente) sem sentido têm sempre uma moral da história. Então, lá vai: Largue a preguiça que existe em você. Informe-se. Não seja uma pelúcia nas mãos dos outros.

Orgulho de ser brasileiro. Mas nem sempre.

Leonardo Sakamoto
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