28 de out de 2014

Merval, tome um chazinho…


Merval Pereira, por favor, tome um chazinho.

Passiflorina, camomila, jasmim…  Já nem sugiro um daqueles que o pessoal hippie tomava para ficar mais “paz e amor”…

Não fica bem a um acadêmico, quase um lorde, como você ter estes destemperos, que o levaram até a ganhar uns trancos de seus colegas de bancada na Globonews, no dia da apuração dos votos…

Modere-se, Merval, para não cair no ridículo…


Qual Rede Globo, aquela que manipulou criminosamente o debate de Lula e Collor, em 1989?

Aquela Rede Globo que, confessadamente, apoiou o golpe e a ditadura?

Ou a Globo que tem o jornal em que você, Merval, publicou a foto de Leonel Brizola com um presidente de associação de moradores de uma favela dizendo que era com um traficante? Você lembra, Merval, lembra do processo que você tomou por isso?

Ou a Globo que censurou durante anos o filme inglês  “Muito além do Cidadão Kane”, sobre o poder e os métodos do Dr. Roberto?

Você que é quase um jurisconsulto, uma espécie de ministro sem toga dos nossos altos tribunais, não tem uma palavra para a desobediência da ordem judicial feita pela Veja, usando todo tipo de trampa para recusar-se a dar o direito de resposta concedido pelo TSE por aquelas acusações sem prova?

Merval, talvez você não lembre, mas o único movimento golpista contra presidentes recém-eleitos no Brasil aconteceu contra JK, em 1955 e 56.

Sabe o que aconteceu?

Aconteceu que Juscelino é lembrado e admirado pelo povo brasileiro e  Jacareacanga e Aragarças são dois nomes que ninguém sabe o que são, Merval.

Então você, Merval, que pela vasta obra literária que produziu ganhou o direito de ser imortal, acalme-se.

Tome um chá, Merval, como sabiamente tomam os velhinhos do Petit Trianon.

Precisamos de você: daqui a quatro anos tem eleição de novo e como ficará o povo brasileiro sem a sua sabedoria para nos guiar?

Para o outro lado, é claro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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DEM morreu. ACM Neto marca o enterro!


O senador Agripino Maia, presidente do DEM, levou uma surra no Rio Grande do Norte, mas continua rosnando valentia. Ele esbraveja que “não dará paz à presidenta Dilma”. É pura bravata. Sua legenda morreu nestas eleições e os demos rumam para o inferno — isto se o capeta permitir o ingresso. A única liderança que ainda sobrou neste partido moribundo, ACM Neto, prefeito de Salvador (BA), já anunciou que ele será extinto no próximo ano. Vale conferir o relato do jornalista Ilimar Franco, do insuspeito jornal O Globo, um dia antes do segundo turno:

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O DEM vai acabar

A cúpula do DEM vai acabar com o partido. Seus dirigentes avaliam, independentemente do resultado da eleição, que essa é a única maneira de sobreviver. Eles pretendem abrir negociação com dez partidos nanicos, que abrigam 24 deputados, para criar nova legenda. O DEM elegeu 22 deputados, e seus líderes imaginam chegar a 50. Esse caminho não é unânime. Há os que defendem se entregar nos braços do PSDB. “O DEM não vai mais existir como tal. Se Aécio ganhar, faremos uma fusão para crescer. Se Aécio perder, faremos uma fusão para sobreviver”, afirma Antônio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador (BA).


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Os demos não conseguiram capitalizar a forte onda conservadora do primeiro turno, que deu um perfil mais reacionário ao Congresso Nacional. Os “novos” direitistas preferiram se abrigar em outras siglas, temendo a desgaste do DEM, num processo de pulverização da sua representação. A legenda da velha oligarquia, que já teve mais de 100 deputados federais no passado, elegeu apenas 22 neste ano. Em 2010, os demos conquistaram dois governos estaduais — em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte. O catarinense Raimundo Colombo logo abandonou o DEM, no racha liderado por Gilberto Kassab. A potiguar Rosalba Ciarlini, totalmente desmoralizada, foi abandonada pelo seu próprio partido e nem disputou a sucessão.

Os demos apostaram todas as suas fichas num único Estado em 2014, a Bahia, com a candidatura decrépita do ex-governador Paulo Souto. Mas os baianos rejeitaram o capeta, os institutos de pesquisa e a mídia monopolista e elegeram o petista Rui Costa com 54% dos votos. O DEM agora prepara o funeral — uma vitória da democracia brasileira!

Altamiro Borges
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Casa Civil desmente entrevista de ministro Mercadante ao site InfoMoney


A Casa Civil da Presidência da República emitiu nota nesta terça-feira (28) informando que o ministro Aloizio Mercadante não concedeu entrevista ao site Infomoney e que são inverídicas as declarações do ministro contidas na matéria “Mercadante descarta assumir Fazenda e sinaliza que cargo ficará com setor privado”.

Confira a íntegra da nota:


“A Assessoria de Comunicação Social da Casa Civil da Presidência da República informa que o ministro Aloizio Mercadante não concedeu entrevista para o site InfoMoney. Mercadante, tão pouco, deu qualquer informação para o referido portal. Portanto, não é verdadeira a matéria ‘Mercadante descarta assumir Fazenda e sinaliza que cargo ficará com setor privado’, publicada no site InfoMoney desta quarta-feira, 28, sendo totalmente inverídicas as informações contidas no material.

Assessoria de Comunicação Social da Presidência da República”
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Instituto de pesquisa Sensus deve explicações ao Brasil

O Sensus é o grande derrotado da eleição e deve explicações ao Brasil. O instituto chegou a apontar vitória de Aécio Neves com 17 pontos de vantagem e seu diretor garantiu que a reeleição de Dilma seria "algo impossível". Todas as pesquisas do Sensus foram contratadas pela revista IstoÉ


Ao contrário do que aconteceu no primeiro turno, os maiores institutos do país acertaram o resultado das eleições 2014. Pode-se dizer que o Datafolha cravou o resultado em sua última pesquisa, realizada no sábado. O instituto colocou a presidente com 52% dos votos, enquanto Aécio somou 48%. Na apuração final, Dilma obteve 51,64% e o tucano ficou com 48,36%.

O Ibope, por sua vez, acertou com a ajuda da margem de erro, que era de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em seu último levantamento, o Instituto apontou a presidente com 53% dos votos válidos, enquanto Aécio somou 47% na pesquisa divulgada no sábado.

Considerando o limite da margem de erro, o MDA, contratado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) também não errou. Na pesquisa do instituto, Aécio teve 50,3% dos votos. Como a margem de erro era de 2,2 pontos percentuais, ela poderia ficar com 48,3%. Mais ou menos o que ele deve ficar. Foi por pouco.

Sensus

O Sensus é o grande derrotado da eleição e deve explicações ao Brasil. O instituto, que chegou a colocar Aécio Neves 17 pontos a frente de Dilma neste segundo turno e, há quatro dias, disse que o tucano venceria a eleição com 9 pontos de folga, apontou em sua última pesquisa vitória do tucano com cinco pontos de vantagem sobre Dilma: 52,7% a 47,9%. O resultado de Aécio acabou ficando mais de quatro pontos abaixo, e o de Dilma, três acima. O diretor do instituto, Ricardo Guedes, chegou a afirmar que a reeleição de Dilma era “algo impossível”. As pesquisas do Sensus foram todas contratadas pela revista IstoÉ.

Há dez dias, investidores ouvidos pelo jornal O Valor denunciaram que as pesquisas do Instituto Sensus – dando vitória a Aécio por larga margem – visariam favorecer manobras especulativas no mercado. “Alguém ganhou muito dinheiro com isso. Não faz sentido soltar pesquisa com mercado aberto e a pesquisa mostrar uma vantagem de votos desse tamanho”, disse a fonte do jornal.

Ainda durante o segundo turno, o jornalista Fernando Brito revelou, em seu blog, que a história do Sensus está recheada de acusações e fraudes e até o próprio PSDB chegou a representar judicialmente contra o instituto.

É importante que não se varra para debaixo do tapete o papel vergonhoso desempenhado pelo Sensus nas eleições de 2014 e que o instituto responda pela sucessão de erros. O eleitor, ou boa parte dele, pretende saber por que foi enganado.

No Pragmatismo Político
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Aécio comemorou antes da hora


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Viralizou a informação de que por volta das 19:30 de domingo o apartamento de Andreia Neves em Belo Horizonte estava em festa. Segundo o que emergiu, naquela hora Aécio recebeu um telefonema em que alguém lhe dizia que já estava com mais da metade dos votos válidos e já poderia ser considerado Presidente da República.

Sua filha Gabriela, sempre de acordo com o relato, fora as pressas para BH assim que soube que o pai abrira uma larga vantagem por volta das 17:40.

FHC ao tomar conhecimento da notícia já estava com tudo pronto para ir para Belo Horizonte.

No apartamento de Andreia o clima era de êxtase: abraços de parabéns pela sala e selfies com o novo presidente.

A festa foi subitamente interrompida as 19:32. Dilma tinha virado.

Depois do choque de realidade

Depois do choque de realidade

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ONU condena bloqueo a Cuba

En la Asamblea General de Naciones Unidas (ONU), políticos de todo el mundo condenaron el bloqueo político, económico, financiero y comercial que mantiene Estados Unidos contra Cuba y que se ha recrudecido en los últimos años, violando la Carta de la ONU y los derechos soberanos de la isla.

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Contra o preconceito! O Resultado Ponderado das Eleições por Estado


Thomas Conti é Mestrando em Economia pelo Instituto de Economia da UNICAMP e foi dele uma das mais inteligentes demonstrações de que o discurso de ódio e separatista, que ganhou as páginas das redes sociais, e imprensa, na segunda feira, é uma grande bobagem.

Thomas resolveu mudar o padrão binário (bom e mau) da representação das votações dos candidatos a presidente nos estados, por uma amostra matemática e real. O Brasil deixou de ser dividido entre Azul e Vermelho e passou a ser mais "roxinho", ou seja, é falsa a ideia de que o pais é dividido.

Em seu blog Thomas explica os motivos que o levaram a fazer o mapa que olhasse o resultada das eleições sob outro aspecto. Ele diz que seu perfil, no Facebook, recebeu "um enxame de declarações preconceituosas depois de apurados os votos". Em seguida ele completa "acho bom as pessoas terem em mente que não apenas estão propagando um discurso de ódio tacanho e lastimável, como ainda estão com uma visão completamente equivocada da realidade deste país!".

Na sequência ele destrói os infográficos, divulgados pela imprensa, que mostram um país dividido. "Os gráficos que foram veiculados distorcem o cenário eleitoral: dezenas de milhões de nordestinos não votaram na Dilma, dezenas de milhões do sudeste não votaram no Aécio! Não adianta ficar propagando ódio contra esse ou aquele grupo, venceu quem teve o maior número de votos ENTRE 144 MILHÕES DE ELEITORES", afirma.

Na sequência ele explica como elaborou o novo mapa.

Como foram obtidas essas escalas de cor?

Usando o Excel 2013, computei o percentual de votos válidos de cada candidato em uma tabela. Nas versões mais novas, o Excel tem um recurso chamado Formatação Condicional que permite ao programa colorir automaticamente tabelas a partir de uma instrução. Usando esse recurso, selecionei o vermelho básico para 100% de votos em Dilma, e o azul básico para 0% de votos em Dilma. Depois fiz o contrário para a coluna do Aécio: 100% de votos nele é o azul básico, e 0% de votos nele é o vermelho básico. Feito isso, todos os valores intermediários são coloridos automaticamente pelo excel, formando uma cor que reflete precisamente o grau de distância entre 0% e 100% nessas escalas. O fato de as duas colunas terem precisamente a mesma coloração atesta a precisão do programa.

Por que os Estados do Sudeste parecem menos azuis?

Isso se deve à proporção que cada candidato teve de votos por Estado. Nos Estados em que Dilma teve o pior desempenho – Acre e São Paulo – obteve ainda assim 36% dos votos válidos, 15 pontos percentuais a mais do que o pior desempenho de Aécio, que foi de 21%. Ou seja, mesmo nos Estados do Sul o peso de no mínimo 36% para a cor vermelha acaba atenuando um pouco a força da cor azul.

Com tantos analistas e especialistas, as emissoras de televisão e os jornais poderiam, e deveriam ter, um senso mais apurado da realidade para não serem os estimuladores de discursos equivocados.

"Qualquer generalização de gênero, cor e classe social não vai conseguir dar conta de tudo isso, então façam o favor de parar de instilar veneno e preconceito!!!! Ninguém é obrigado a continuar ouvindo isso!", finaliza Thomas.

O número de acessos ao seu blog foi tão grande que na maior parte dessa segunda feira ele ficou indisponível devido ao grande número de requisições.

Com informações de Blog Thomas Conti
No PolentaNews
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Lava Jato reduzirá corrupção?


A Operação Lava Jatos, que investiga esquemas que atuavam na Petrobras, provavelmente terá um alcance e desdobramentos similares ao da CPI do Orçamento, no início dos anos 90.

Dela, nasceu um conjunto de medidas — das quais a mais ostensiva foi a Lei 8666, das licitações — que manietaram completamente a administração pública, sem reduzir a corrupção.

De lá para cá, criou-se uma enorme parafernália burocrática, que apenas especializou os esquemas existentes.

No seu depoimento, Paulo Roberto Costa envolve outros diretores e informa que o aparelhamento da Petrobras ocorreu ininterruptamente nos governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique Cardoso e Lula. E a conta recai sobre Dilma, a primeira a tentar romper essa prática.

* * *

Da CPI do Orçamento para cá houve enorme sucessão de episódios, investigações, CPIs, todas varridas para baixo do tapete pela enorme influência política dos corruptores.

Foi assim com a CPI do Banestado, com a CPI dos Precatórios, com a CPI de Cachoeira — que, aliás, levantou esquemas entre grupos de mídia e organizações criminosas — e com diversas operações da Polícia Federal, como a Satiagraha — que envolvia o Banco Opportunity —, com a Castelo de Areia — que flagrou a Construtora Camargo Correia em sua atividade paulista.

As CPIs naufragaram devido a pactos entre os partidos, já que praticamente todos tinham rabo preso; as Operações da PF foram paralisadas devido à interpretação de determinados Ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre aspectos formais das investigações.

* * *

Agora, Lava Jato traz com riqueza de detalhes algo que era nítido desde a CPI do Banestado, a enorme zona cinzenta da economia que passa pelo caixa dois operador por doleiros, com a cumplicidade de grandes bancos — como o Safra —, pelos operadores da máquina, pelos tesoureiros dos partidos políticos e pelos governantes loteando os cargos atrás da governabilidade.

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Trata-se de um jogo fundamentalmente hipócrita. No poder, todos os partidos praticam as mesmas jogadas; na oposição, as mesmas denúncias.

Do lado dos grupos de mídia, a hipocrisia não é menor. A Operação Lava Jato recebe ampla visibilidade porque, no momento, existe um objetivo político claro por trás da cobertura. Enquanto perdurar o interesse político, haverá cobertura. Depois, o mesmo desinteresse que levou ao engavetamento dos escândalos da Satiagraha e Castelos de Areia.

Do lado do MPF e da PF, quase tão escandaloso quanto o próprio episódio é o vazamento seletivo de depoimentos, um rodízio escancarado entre as diversas publicações, uma constante que parece não ter sido interrompido com a nomeação do Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

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É importante entender que nesse jogo não há santo.

Apesar da evidente má vontade da mídia com o PT, é evidente que o partido permitiu a perpetuação desse modelo. Apesar da evidente boa vontade da mídia com o PSDB, é evidente que o partido também sempre recorreu a esses mesmos esquemas.

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A esperança é que desta vez o Judiciário seja suficientemente rigoroso — e imparcial — para que se reduza da vida política nacional essa excrescência, comum a todas as democracias mas que no Brasil alcançou níveis intoleráveis.

E essa ação remete a outro problema: a reforma política, como garantir a governabilidade sem entrar na lama até o pescoço.

Luís Nassif
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Fábio Barbosa tem que responder por tudo que a Veja tem feito

Ele sabia
Quando Fábio Barbosa foi contratado para ser presidente executivo da Abril, ele tinha a fama de ser um dos executivos mais arejados e mais modernos do Brasil.

Era particularmente aplaudido pelas suas palavras e ações, à frente dos bancos que comandara, no terreno da sustentabilidade.

Pela imagem de executivo diferenciado, ele foi convidado a ser membro do Conselho de Administração da Petrobras não na gestão do PSDB — mas na do PT.

Não à toa, muita gente imaginou que Fábio Barbosa poderia exercer uma influência transformadora sobre a Abril e, particularmente, sobre a Veja, já àquela altura metida numa louca cavalgada pseudojornalística.

É verdade que dentro da própria Abril as expectativas eram menos elevadas. Almocei, na ocasião, com um amigo meu dos dias em que integrávamos o Comitê Executivo da Abril, no começo dos anos 2000.

“O que vocês esperam do Fábio Barbosa?”, perguntei.

“Ele é especialista em planejamento fiscal. A gente espera que ele faça isso para nós, agora que estamos dando muito lucro.”

Rimos. Era 2010, e a Abril tivera o maior lucro de sua história. “Planejamento fiscal”, como sabemos todos, é uma expressão bonita para dizer evasão de impostos. Ou, para usar a palavra justa, sonegação.

Grandes empresas multinacionais, em seu planejamento fiscal, transferem seu faturamento para lugares em que a carga de impostos é virtualmente nula.

Sonegam legalmente por esse expediente — uma esperteza que diversos governos estão tentando eliminar com grande empenho nestes nossos tempos.

Para o mundo exterior, o papel esperado de Fábio Barbosa na Abril ia muito além, naturalmente, de buscar frestas na legislação que permitissem à empresa pagar menos impostos.

Passado algum tempo, nada aconteceu do muro para fora. A Veja continuava a mesma.

Mas havia uma explicação razoável para eximir Barbosa de responsabilidade: Roberto Civita estava vivo e atuante.

RC, como o chamávamos, sempre dedicou a maior parte de seu tempo na Abril à Veja — o grande amor de sua vida.

Todo o resto do que foi o império Abril era pouco, ou quase nada, para RC diante da Veja.

Ele tinha uma reunião nas noites das quintas-feiras com o diretor da revista, na qual as coisas essenciais de política e economia na edição em curso eram acertadas.

Na gestão de JR Guzzo, durante parte da qual trabalhei na Veja, lembro do telefone vermelho que se destacava na mesa do diretor de redação.

Era, como tantas outras coisas na vida de RC, um simbolismo americano. Aquele aparelho servia exclusivamente para ligações de RC para Guzzo. Só tocava em momentos especiais, como o telefone vermelho que na Casa Branca da Guerra Fria era reservado a contatos com o comando supremo da União Soviética.

Tudo isso posto, era compreensível que, sob RC, Fábio Barbosa nada fizesse para tirar a Veja da delinquência editorial.

Mas as circunstâncias mudaram com a morte de Roberto Civita.

Seus filhos, Gianca e Titi, substituíram o pai. Nem um e nem o outro jamais tiveram pretensões jornalísticas, e então era o momento certo para algum tipo de mudança.

Aqui, confesso, tive alguma expectativa. Gianca — sob cuja chefia trabalhei um curto período — é uma pessoa que ouve o que os outros têm a dizer, e se rende a argumentos convincentes.

Cheguei a escrever que algo poderia ocorrer de novo na linha da Veja, pós-RC. Uma semana depois, estava claro que as coisas continuaram iguais.

Mudar uma revista não é difícil, ao contrário do que muitas pessoas possam imaginar.

Mudei muitas ao longo de minha carreira.

Você tem que saber o que quer e o que não quer, e conversar sobre isso com o diretor de redação e seus principais editores.

Depois, na edição seguinte, você lê e vê se as novas diretrizes foram ao menos parcialmente cumpridas.

Se sim, ótimo. Mais conversas vão acelerar as mudanças desejadas.

Se não, fica claro que você, para mudar a revista, tem que mudar seu diretor. Para o resto da redação, a mensagem é imediatamente percebida: não queremos mais a mesma coisa.

Morto Roberto Civita, e aberta portanto a chance de transformações fundamentais, nada aconteceu.

Imaginei, num primeiro instante, que de alguma forma Fábio Barbosa estivesse alijado de decisões editoriais, como sempre aconteceu com presidentes executivos na Abril sob RC.

Lembro que Maurizio Mauro, presidente executivo vindo da Booz Allen, se martirizava por não ter ação nenhuma na área editorial. Ele não sabia sequer qual a capa da Veja que chegaria no sábado às bancas.

Viveria Barbosa no mesmo regime?

Soube que não — depois da morte de Roberto Civita.

Amigos meus da Exame, onde vivi meus melhores anos na Abril, me contaram que Fábio Barbosa participava de reuniões editoriais regulares nas quais se discutia o conteúdo da revista.

Na Veja, o mesmo ocorria.

Num recente boletim executivo da Abril, isso se tornou público. Fábio Barbosa era tratado ali, oficialmente, como coordenador editorial da Veja e da Exame.

Chequei com colegas meus dos dias de Comitê Executivo.

“Ele adora dar a amigos empresários detalhes das coisas que a Veja vai dar na próxima edição”, me contou um daqueles colegas.

Me veio à mente Roberto Civita: seus olhos brilhavam quando ele antecipava, a uns poucos eleitos, os “furos” da Veja que chacoalhariam a República.

Logo, Fábio Barbosa é tão responsável pelo que a Veja faz quanto os dois filhos de Roberto Civita e o diretor de redação, Eurípides Alcântara.

A capa criminosa das vésperas das eleições não teria saído sem a anuência desse quarteto do qual Barbosa faz parte.

A Veja era Roberto Civita.

Morto Roberto Civita, a Veja é Gianca,Titi, Fábio Barbosa e Eurípides Alcântara.

Qualquer tentativa de Fábio Barbosa, agora que a casa caiu, de se eximir de responsabilidade será apenas falácia, cinismo e mentira — tudo aquilo, aliás, que vem pautando o comportamento da Veja.

Paulo Nogueira
No DCM
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O discurso da conciliação

O segundo governo da presidente Dilma Rousseff foi inaugurado pela mídia na segunda-feira (17), com a oposição declarada à proposta que ela fez no discurso da vitória, de um plebiscito como processo para a reforma política. Os jornais foram buscar os elementos-chave no PMDB para vocalizar a tese de que o Congresso Nacional não vai aceitar a manifestação soberana da sociedade — poderia, quando muito, tolerar que uma deliberação gerada no Parlamento venha a ser referendada pelo voto direto dos eleitores.

Por que a imprensa não usou os costumeiros porta-vozes do PSDB como ventríloquos da vontade das redações? Porque o partido derrotado na eleição presidencial está em recesso, com as feridas ainda em fase de cicatrização, e torna-se politicamente interessante explorar as divisões produzidas no principal aliado do governo durante a campanha.

O PMDB, herdeiro do “Centrão” — núcleo de aves migratórias sempre em busca de um bom poleiro no poder – sabe a força que pode ter, se contar com o apoio da mídia tradicional. Ao se oferecer como amplificador das demandas do PMDB no novo ajuste das forças que se movimentam em Brasília, a imprensa tenta recuperar pelo menos uma fração da influência que desperdiçou ao apostar todas as fichas no candidato tucano.

Agora, trata-se de reduzir a liberdade de movimentos da presidente reeleita, e a tática mais eficiente será cooptar aquela parcela da aliança governista que mais se parece com a oposição. O objetivo é evitar a qualquer custo que o descrédito das representações partidárias — sempre avessas a mudanças no sistema político — venha a estimular o protagonismo direto da sociedade.

Há muita controvérsia em torno da tese do plebiscito, que agrada à fração mais à esquerda do espectro político e provoca náuseas entre os conservadores. A rigor, trata-se de uma operação de alto risco, uma vez que as melhores intenções podem ser viradas do avesso numa campanha aberta, sujeita às mesmas manipulações que marcam as disputas eleitorais.

A ideia lançada pela presidente reeleita foi um balão de ensaio. Seu objetivo é comprometer as forças políticas com a reforma.

A paranoia do controle

Ao se antecipar na tentativa de abortar o plebiscito, a imprensa morde a isca: coloca um empecilho para a fórmula da deliberação direta por parte da sociedade, mas deixa espaço para o debate sobre o que realmente importa — modernizar o sistema representativo, reduzindo a vulnerabilidade dos partidos e criando instrumentos para conter a corrupção na origem. Ao mesmo tempo, pode-se discutir um projeto que defenda a sociedade das manobras desonestas da própria mídia sobre o processo democrático.

O leitor e a leitora que interpretam criticamente o conteúdo da mídia podem observar, na terça-feira (28), como se cristaliza uma mudança no estilo dos principais meios de comunicação do país. Desde a capa da revista Época, que aposta numa edição especial sobre a eleição, até o editorial do jornal O Estado de S. Paulo — o único dos grandes veículo que declarou oficialmente seu voto, ainda que no final da disputa —, o tom geral é de conciliação.

Época usa a imagem do sul-africano Nelson Mandela como sugestão à presidente da República de uma política de convergência diante de desafios que, segundo a imprensa, o governo terá de enfrentar. No entanto, o discurso conciliador não esconde o verdadeiro temor dos donos da mídia: o primeiro editorial da revista acena com a ideia de que “somos um só Brasil”, mas as páginas seguintes desfilam críticas ao que se tornou um mantra da imprensa partidarizada: na opinião da revista, o “lulopetismo” quer o “controle social da mídia”. O modelo, segundo o editorial, seria “o bolivarianismo de Hugo Chávez, na Venezuela” e seu objetivo não é democratizar a comunicação, “mas antes cercear a imprensa livre e independente”.

Puro delírio paranoico.

Os controladores da mídia tradicional gastam energia à toa: a presidente Dilma Rousseff nunca foi adepta de uma regulamentação das atividades da imprensa, nos moldes em que a questão é discutida nas redes sociais e nos manifestos de alguns grupos do Partido dos Trabalhadores e seus aliados mais à esquerda.

A estratégia evidente do núcleo de comunicação do governo petista é cooptar o que puder com as verbas da publicidade oficial e apostar no desgaste natural da imprensa provocado pelo jornalismo panfletário.

Ainda tem gente no governo sonhando com as páginas amarelas de Veja.

Luciano Martins Costa
No OI
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"Acirramento não se reflete no Parlamento"

Wanderley Guilherme, sobre reformas do segundo governo Dilma:
 "O imposto sobre grandes fortunas é indispensável"
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista com o filósofo e doutor em ciência política pela Universidade Stanford, Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele declarou seu voto em Dilma.

Valor: Dilma assume um novo governo em meio ao tiroteio da Petrobras, quais os efeitos disso sobre ela, sobre Lula e sobre a bancada do PT no Congresso?

Wanderley Guilherme dos Santos: Acredito que tal como aconteceu em episódios anteriores as investigações prosseguirão autonomamente como manda a Constituição. E ponto.

Essa questão causa algum abalo sobre a reputação da presidente, algum risco de impeachment?

Não posso falar sobre isso porque não conheço o processo. Mas a corrupção não é algo patológico ou da personalidade brasileira, está ligada a questões mais complicadas, onde existe competição por lucro, em que a tentação é muito grande para se tentar obter vantagens na competição. Eu vejo essa questão com a mesma sinalização moral do cidadão do supermercado que comete um erro no peso. É a mesmíssima coisa. Muda a escala e muda em repercussão social, mas o motor é o mesmo: obter mais com o mínimo do que se colocou. O que aconteceu na Petrobras - e em outros lugares - não me surpreende. Necessário é que haja investigação e punição. Não é possível que os processos se arrastem até que os denunciados caiam em "desuso", digamos assim.

Serão 28 legendas no Congresso, como ter governabilidade?

Acredito que novamente haverá uma composição de uma maioria razoavelmente confiável no Congresso, como seria o caso em qualquer um dos vencedores. É muito difícil a um partido só em um sistema multipartidário obter uma maioria absoluta no Congresso. Nunca houve maioria do presidente eleito no Congresso que fosse do seu partido, exceto no período da ditadura. É inevitável, seja qual for o vencedor, que tenha que negociar e formar base de apoio no Parlamento.

O segundo turno foi bastante disputado, com o acirramento nas ruas. Isso não se refletirá no Congresso?

Tenho a impressão que esse acirramento não se reflete no Parlamento, até porque as decisões já foram tomadas e os resultados já são conhecidos. De um modo geral, o Parlamento se comporta sempre de uma forma bem mais razoável e bem menos agressiva do que acontece durante uma campanha presidencial. O Parlamento é o lugar exatamente onde a oposição tem os seus limites de fazer oposição normalmente, como foi o caso do governo passado, do mesmo modo como quando a maioria não se aproveita disso para passar rolos compressores na oposição. Há evidentemente disputas, formas diferentes de ver, mas o clima parlamentar é um clima diferente das eleições majoritárias.

"Nunca houve maioria do presidente eleito no Congresso,
exceto no período da ditadura"

Esse acirramento dos ânimos nas ruas deve continuar?

Acredito que vai arrefecer, que isso tende à normalidade das discussões rotineiras de consultórios de dentistas, de restaurantes. Se considerar o Brasil como um todo, teve pequenas coisas em SP, MG e RJ. Não houve episódios de confronto. Uma coisa é a intensidade da oposição e do desejo de ver seu candidato vitorioso. Outra coisa é a intensidade da ação. São quase 140 milhões de habitantes, que têm sua vida, não vão ficar 24 horas por dia percorrendo ruas com bandeiras ou fazendo manifestações em vários lugares.

Para o senhor 2010 seria a última eleição em que os programas de política social seriam suficientes para definir uma eleição?

No Estado em que o candidato Aécio teve uma votação "nordestina", [obteve 64,31% dos votos contra 35,69% de Dilma], que foi SP, é o Estado com o maior número de beneficiários do Bolsa Família. É curioso isso. Essas análises de um país dividido partidariamente por regiões ou em funções de políticas sociais não estão valendo mais. Políticas sociais, embora sejam relevantes, se deixarem de existir, o povo cobra, mas não definem mais o voto. Elas podem definir na ausência, na negação, que é o que me parece que aconteceu. Os beneficiários por políticas sociais não definiram seu voto só por isso - eles querem mais. Um pequena maioria - já que a disputa foi acirrada - acreditou que Dilma é uma intérprete melhor para essas mudanças que o povo quer.

O temor de que o PSDB acabaria com essas políticas sociais impactou negativamente na candidatura do PSDB?

Faz parte da disputa se radicalizarem opiniões, mas não que os programas sociais fossem exterminados. Nenhum governante em sã consciência faria algo semelhante. Seria razoável supor que a ênfase na aplicação das políticas sociais seria diminuída em relação a outras prioridades, não que fossem terminar.

Como retomar a queda da desigualdade?

Um dos elementos cruciais para a redução da desigualdade não são nem as políticas como o Bolsa Família, Luz para Todos, mas sim a política do salário mínimo. Ela tem sido um componente mais importante que as outras políticas. Esse é um assunto delicado. Nesse ponto, Aécio se colocou frontalmente contra a forma pela qual o salário mínimo vem sendo definido.

Que reformas seriam mais relevantes no segundo governo Dilma?

Tenho uma implicância muito grande com a reforma política porque não sei o que eles propõem que seja reformado. Sou favorável a mais de 90% da Constituição atual. O que eles querem reformar? Acho que essa é a questão. Uma Constituinte exclusiva, como faz parte do programa da presidenta Dilma, desde logo me oponho a este programa. Em princípio, como tese geral, não vejo que [a reforma política] seja importante para o país. Importante para o país, aí sim, é o imposto sobre grandes fortunas. Ele é absolutamente indispensável. É necessário que as grandes fortunas contribuam de forma mais generosa para o desenvolvimento social do país. Eles têm que assumir uma contribuição maior, porque afinal é o país que os enriquece. Segundo lugar, acredito que o fator previdenciário não pode mais deixar de ser reconsiderado. O sistema tributário brasileiro em geral tem que ser revisto. Em particular, o fator previdenciário é uma exigência de sacrifício excessiva dos assalariados para a construção nacional.  

Vanessa Jurgenfeld | Camilla Veras Motta
No Valor
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A pressão por uma guinada de Dilma à esquerda começa agora

Dilma Rousseff não ganhou o segundo turno por conta de João Santana. A atuação de Lula, que segue sendo o grande eleitor do país, foi fundamental, mas outro elemento se mostrou determinante: a militância.

Petistas ou pessoas que não são ligadas ao partido, mas defendem bandeiras de esquerda e enxergavam na continuidade do mandato uma possibilidade maior de diálogo para essas pautas, levaram, junto com organizações e movimentos sociais, a campanha ao espaço público e às redes sociais. Conquistaram votos como o PT fazia antigamente antes do partido se apegar demais ao poder e se apaixonar pelo reflexo no espelho.

O governo reeleito sabe disso. Dilma citou isso em seu discurso de vitória. Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, exaltou o papel dessa militância em entrevista a Josias de Sousa, Mario Magalhães e a mim, no UOL, neste domingo (26). A partir de agora, como Dilma tratará esses grupos será definidor do seu próximo mandato.

Porque essa militância histórica que defendia bandeiras ligadas à efetivação dos direitos humanos e os movimentos sociais foram, por vezes, ignorados ou nem mesmo atendidos nos últimos quatro anos. Parlamentares representantes do agronegócio, por exemplo, tomaram litros de cafezinho com bolinhos transgênicos com Dilma, enquanto lideranças indígenas eram atendidas apenas por alguns ministros.

A grande pergunta é: o governo dará o devido valor a esses grupos, empoderando alas do próprio governo que já tentam pautar esses temas na agenda e atendendo às reivindicações ou continuará levando-os em banho-maria ou ignorando-os em nome da governabilidade — uma palavra tão vazia quanto casuísmo, oportunismo e hipocrisia?

Menos da metade das terras indígenas foram regularizadas e, pelo menos 30 delas, estão com processo pronto, mofando em cima da mesa enquanto esperam a canetada presidencial.

A reforma agrária parou — o que vemos é um simulacro que obedece mais ao calendário eleitoral do que a necessidade de trabalhadores rurais.

O governo não tem conversado devidamente com comunidades tradicionais e, tendo Belo Monte como laboratório, planeja alterar para sempre o ecossistema do rio Tapajós com um rosário de usinas sem entender e ouvir quem mora por lá.

Ao atender aos pedidos de movimentos sociais apenas em momentos de pressão (pré-Copa e eleições), o governo federal evitou desenhar uma política de moradia que não passe apenas pelo acesso ao financiamento, mas promova uma verdadeira reforma urbana, tentando tirar da Constituição a teoria da função social da propriedade.

Isso sem contar a inexistência de uma política decente de promoção da diversidade e combate à homofobia, apesar dos reiterados pedidos dos movimentos sociais.

Ou uma fuga louca do debate quando organizações sociais põem na mesa a ampliação dos direitos reprodutivos.

E uma subserviência completa, para a tristeza de sindicalistas não-pelegos, quando o assunto é responsabilizar financiadoras de campanhas, ops, empreiteiras, pelas péssimas condições dos operários da construção civil.

Enfim, a lista é longa.

Gilberto Carvalho disse que o governo sabe que, a partir de 2 de janeiro, esses militantes e esses movimentos sociais vão, com toda a justiça, cobrar a fatura para ver essas pautas saindo do papel.

Caso o governo resolva mudar sua postura, quer dizer que o segundo turno levou a uma guinada à esquerda. Isso não significa acirrar os ânimos ou criar cisão. Desde quando um governo conciliador tem que ser um governo que ignora os direitos fundamentais? Ou que não garante serviços públicos de qualidade e não promove uma boa reforma política? Pelo contrário, seria um governo que garanta a todos e todas um quinhão de dignidade há muito negado. Para os que votaram em Dilma, para os que votaram em Aécio.

Muita gente que tem experiência em Brasília duvida disso e diz que Dilma colocará a culpa no Parlamento, mais conservador. Mas a questão para esses movimentos e essa militância não é o governo federal tentar e conseguir pouco e sim nem tentar.

Mas o ministro Gilberto está enganado. Não é a partir do início do ano que vem que essa pressão vai acontecer. Encontrei-me, neste domingo, com Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que é a liderança do principal movimento social deste país hoje em termos de centralidade da pauta, mobilização e visão de atuação na minha opinião. Um movimento com uma pauta antiga, mas que sabe se comunicar e influenciar a disputa simbólica da narrativa, pela mídia, pelas redes sociais, de uma forma nova. Também conversei com lideranças LGBTT e indígenas ao longo do dia de ontem.

A pressão começa agora.

Leonardo Sakamoto
No Blog do Saraiva
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Novidades sobre o segundo governo Dilma


Surgem nomes fortes para Ministério, o PT recupera a identidade e Lula pode ajudar a manter a ordem num partido que terá de escolher um candidato para 2018

Nascido a partir de uma vitória por 3,2% dos votos, o segundo governo Dilma não terá um grama a menos de legitimidade do que qualquer outro. Mas seu perfil retrata uma vitória que, sempre ao alcance da mão ao longo da campanha, foi conseguida por caminhos ásperos e curvas inesperadas, processo que irá se refletir em suas prioridades de governo e na formação da equipe de ministros e auxiliares mais próximos.

Em função da campanha e do papel que cada um desempenhou dentro dela, parece claro que, no segundo governo Dilma, o Planalto terá uma configuração diferente da atual. Nela se destacam Aloizio Mercadante, Jacques Wagner e Miguel Rossetto, assim mesmo, em ordem alfabética, a quem se destinam três pastas próximas a presidente, que até a noite de ontem não pareciam definidas, numa situação onde os nomes e vocações de cada um ganharam prioridade sobre os cargos. O certo é que a presidenta quer os três por perto e fala-se deles, na Brasília de Dilma, com uma reverência que há muito tempo não se via.

O fato decisivo é que a partir de 2015 o Brasil estará sob o governo de uma presidente cada vez mais ciosa de suas prerrogativas e direitos de reeleita. O ritual da vitória, na noite de domingo, espelha isso. Pelo programa original, seria uma celebração entre Dilma e aqueles ministros e assessores próximos que formaram o núcleo duro da campanha. Lula estaria ausente e só deveria ir a Brasília no dia seguinte, segunda-feira, para dar os cumprimentos e abraçar a presidente.

A decisão que levou Lula a antecipar a viagem só chegou ao conhecimento de auxiliares próximos dos dois no próprio domingo, nos preparativos para o encontro no hotel Golden Tulipe. Caso o ritual original tivesse sido mantido, a foto da festa — e aquela memória que ajuda a compreender o significado de todas as coisas importantes — seria outra.

Aplicando uma observação clássica de Leon de Tolstoi, a família petista também poderia estar feliz — mas seria feliz de outra maneira.

No primeiro mandato, o “volta Lula” chegou a ser uma sombra entre a presidente e o ex. O apoio da ministra da Cultura Marta Suplicy à ideia gerou um conflito insolúvel com a presidente que, mesmo podendo engordar seus votos junto ao arredio eleitorado paulista durante a campanha presidencial, recusou-se a fazer qualquer gesto para pedir sua ajuda. A relação entre ambas atingiu um tamanho grau de amargura e irritação que colegas de Marta no Ministério duvidam que ela tenha disposição para permanecer no posto até janeiro.

A partir de 2015 o “volta Lula” deixa de ser um problema, até pelo impedimento legal de Dilma candidatar-se a um terceiro mandato consecutivo. A pergunta é saber se Lula irá tentar o retorno, em 2018, quando estará com 73 anos de idade. Embora o presidente do PT, Rui Falcão, já tenha anunciado essa hipótese, mais de uma vez, provocando reações irritadas durante a campanha porque isso poderia tirar o foco em Dilma quando ela mais precisava reunir energias para o segundo turno, a maioria dos petistas tem dificuldade de levar este segundo ”volta Lula“ a ferro e fogo. O próprio Rui Falcão é menos enfático, em conversas informais. Como tantos dirigentes, ele partilha uma visão utilitária do Lula-2018.

A tese é que, num governo sem uma candidatura natural a sucessão, ministros e governadores interessados na cadeira de Dilma poderiam ficar motivados a usar suas posições no Ministério e/ou em seus Estados para ganhar musculatura, gerando crises e conflitos mortais para a condução de qualquer governo, ainda que submetido a autoridade de uma presidente ciosa como poucas da hierarquia e disciplina. Ao colocar Lula no primeiro lugar da fila, o que se garante é a disciplina dos eventuais pretendentes. Nenhum pré-pré-candidato se atreverá a disputar sua sorte com o líder maior do partido e de toda essa história que levou à conquista inédita de quatro mandatos consecutivos — até porque irá precisar do apoio sempre indispensável de Lula para ter qualquer chance numa eleição presidencial que, a julgar pelos números de domingo, e também pelo desgaste inevitável das longas permanencias no poder, a cada campanha pode se tornar um pouco mais difícil.

Quem esteve no Golden Tulip, na noite de domingo, assistiu a reaparição de uma força política que esteve colocada numa posição perto da irrelevância nos debates reais do governo, nos últimos anos — o Partido dos Trabalhadores. Até a arquitetura do evento reservava um lugar especial aos militantes do partido, reconhecidos, após o segundo turno, como uma peça fundamental para enfrentar o imenso arsenal de forças colocado a disposição de Aécio Neves. Cidadãos com bandeiras vermelhas são uma parte previsível no cenário de cerimônias petistas desde o Colégio Sion, onde o PT foi fundado. Mas aquilo que se viu na noite da vitória de 2014 lembrava outros tempos do PT, quando a militância tinha um papel real na dinâmica do partido.

A militância — palavra que na campanha incluiu petistas e muitos não-petistas, sindicalistas, ativistas de movimentos sociais e cidadãos que acharam que tinham o dever de resistir ao esforço do PSDB para retornar ao comando do Estado e foram a rua impedir que isso acontecesse — deu à campanha um tom bem mais à esquerda do que o governo Dilma em seu cotidiano.

Foram estes militantes que fizeram um ato inesquecível de 100 000 pessoas no Recife, ajudando Dilma a levar mais de 70% dos votos de Pernambuco, onde Marina Silva foi vitoriosa no primeiro turno e a família de Eduardo Campos apareceu na TV para pedir votos a Aécio. Essa força garantiu uma boa vitoria no Rio de Janeiro e uma vantagem decisiva em Minas. Num pleito onde cada voto era uma preciosidade, o ativismo ajudou a amenizar a derrota brutal de São Paulo. Atraiu a juventude da periferia que foi aplaudir Dilma em Itaquera, dias antes do pleito — e também participou do ato na PUC, e de diversas manifestações com batuque, palavras de ordem e cerveja na Praça Roosevelt, inclusive na véspera da votação.

Essa situação Ipode-se ver naquela noite sofrida em que se contabilizaram os votos. Com ajuda de um teleprompter, Dilma leu aquele que deve ter sido o mais bem acabado discurso em mais de 50 anos de vida pública — inclusive o tempo em que pertencia a Var Palmares — perante uma platéia numerosa, apertada, comprimida, mas feliz, atenta a cada palavra e cada silêncio do pronunciamento da presidente. No momento em que a presidente-candidata fez uma pausa antes de enumerar as prioridades do segundo mandato, um militante sentado nas primeiras fileiras de cadeira, molhado pela chuva que caía sobre Brasília naquela hora, camisa vermelha, tronco enrolado numa bandeira do Brasil, soltou um berro: “Reforma Politica!”, antecipando, exatamente, aquilo que a presidente iria dizer.

A plateia também encheu o peito e ergueu os punhos para cobrar a regulamentação dos meios de comunicação. Se essa reivindicação adquiriu importancia cada vez maior nos últimos anos, ganhou urgência redobrada depois que dois dias antes da votação Veja deu curso a um golpe midiático que nada tinha a ver com jornalismo e não passava de uma operação política destinada a prejudicar Dilma e ajudar a vitória de Aécio Neves de qualquer maneira, acendendo uma nova onda anti-PT que a presidente fora capaz de estancar nos últimos debates.

Na festa da vitória, os militantes olhavam desconfiados para quem, em outros pontos da plateia, não acompanhava o coro de palavras-de-ordem como “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo.”

Na nova conjuntura política, iniciada com a confirmação da vitória de Dilma, a oposição procura incluir novos pontos em debate. Interessada em fazer o governo retornar a uma posição defensiva, sobre uma pressão semelhante a do período anterior, quando se enxergava o fim do governo Dilma e do PT como uma possibilidade concreta e próxima, tenta-se construir a visão de um país “dividido”, no qual a presidente teria autoridade apenas sobre uma parcela de cidadãos — aqueles que lhe deram seu voto — mas não sobre o conjunto da nação, que foi as urnas no domingo. Caso essa visão visse a prevalecer na vida prática, Dilma teria de ignorar os compromissos de campanha e submeter sua autoridade — nova em folha — às conveniências e opções de seus adversários, como se petistas e tucanos tivessem resolvido formar um governo de coalizão após uma das disputas eleitorais mais quentes de nossa história recente.

Este argumento parece sob medida para inviabilizar pela raiz certas iniciativas da presidente, como o plebiscito para reforma política, caminho indispensável para abrir caminho para qualquer mudança que irá atingir os interesses econômicos que alugam o poder de Estado a seus interesses — e pagam políticos aliados para fazer o serviço. O plebiscito já começa a ser definidas como “bolivarianismo”, noção típica de quem não desistiu de pensar o Brasil como uma versão só um pouco mais sofisticada do que a Venezuela e os governos do PT como caricaturas de Hugo Chávez.

A vitória por uma diferença magra chegou a assustar o PT. Personagens graúdos até imaginaram o pior. Mas depois do domingo, aquela força social que parecia sem orientação e sem grande motivação durante muitos anos havia recuperado a própria identidade e tinha muita clareza sobre aonde quer chegar — e essa é uma das boas novidades da vitória.

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Entrevistas de Dilma


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Aécio liderou disputa por Presidência até quase 90% da apuração

Aécio recebe a notícia da derrota
As eleições de 2014 foram as mais acirradas desde 1989, mas grande maioria dos brasileiros não passou por tanta tensão quanto 30 deles. Por causa dos quatro fusos do país, gerados graças ao horário de verão — com diferença de três horas entre Brasília e o Acre —, o resultado parcial da apuração só foi divulgado às 20h da capital do país, quando cerca de 95% das urnas já estavam apuradas. Até este horário, apenas os 30 técnicos de informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que checavam a regularidade da totalização da eleição em todo o Brasil, acompanharam o momento em que o candidato Aécio Neves (PSDB), que até então ganhava a disputa, foi passado por Dilma Rousseff (PT).

Segundo a Folha de S. Paulo, o tucano começou a apuração na frente até que, às 19h32, a petista consegui 50,05% do total apurado e não deixou mais a liderança. Para que a informação não vazasse, o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, determinou que os envolvidos ficassem isolados e não passassem as informações a ninguém. “Deu uma angústia ver o desenrolar das coisas e não poder compartilhar com ninguém.

Para quem viu, foi uma disputa bem emocionante”, disse o secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Giuseppe Janino, que chefiava a equipe. Janino definiu ainda que os servidores desligassem os o celular e não tivessem acesso a e-mail ou redes sociais. Foi providenciada comida para que as pessoas não precisassem sair. “A ordem era para que não passássemos informação nem se tivesse uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando isso. Na porta das duas salas, cartazes avisavam que o acesso era restrito. Um segurança garantia que ninguém sairia do tribunal a pretexto de ir ao banheiro, por exemplo. Ao sair da sala, o vigia seguia o servidor até o retorno, para não haver nenhum vazamento de informações”, garantiu o secretário.

A definição do resultado saiu às 20h27, quando 98% das urnas apuradas garantiam a Dilma 51,45%. Após a divulgação do resultado, Toffoli teria ido pessoalmente cumprimentar a equipe de Janino e parabenizar o trabalho bem sucedido.

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Conta de dividir

Entre as incontáveis confusões propaladas a respeito da eleição presidencial, já se tornou lugar-comum a afirmação de que o Brasil dividiu-se ao meio. Afirmação que vem de antes da votação, induzida pelas pesquisas, e dada como definitiva e comprovada pela proximidade dos 51,64% de votos em Dilma e 48,36% em Aécio, ou 54,5 milhões para ela e 51 milhões para ele. Mas o tal país dividido em dois não existe. Ao menos no Brasil.

A soma dos votos em Dilma e Aécio leva a 105,5 milhões de eleitores, equivalentes à metade da população, também em número redondo, de 200 milhões. Logo, o que está dividido ao meio, ou quase, são os votos, não o país. No qual os 51 milhões de Aécio correspondem a 1/4 da população. O mesmo se dando com Dilma. E, portanto, nenhum deles dividindo o país em dois. Cada um é apenas metade da metade dos brasileiros. Além dos totais de eleitores que se aproximam, sobra outro tanto na população do Brasil.

Mas a ideia do país dividido ao meio, rachado, metade contra metade, é necessária. Como diz o velho slogan, "a luta continua" — tão consagrado quanto seu companheiro de derrotas "o povo unido jamais será vencido". "Fora Lula", "Fora PT", "Fora Dilma" foram levados à urna por um símbolo físico, o símbolo que foi possível arranjar, nas circunstâncias ingratas. Não sucumbem, porém, no desastre do seu representante ocasional. São uma ideia de força. E, mal a contagem concluíra, já um dublê de blogueiro e colunista político lançava, altissonante e global, o brado da beligerância: "O país está dividido e a culpa é do PT". Beligerância ferida, sim, mas não de morte. Apenas no cotovelo.

Há que considerar ainda, na divisão do país, a quantidade imensa de eleitores que não se manifestaram por um nem por outro candidato. Os ausentes na votação foram 30,13 milhões. Os que anularam o voto, 5,21 milhões. Somados também os que deixaram o voto em branco, totalizam-se 37,27 milhões de eleitores. Ou 27,44% do eleitorado. Excluídos os possíveis ausentes por morte, não é imaginável que esse povaréu, quase um quinto da população, seja desprovido de toda preferência com sentido político. A propaganda de divisão meio a meio os elimina do cômputo, mas existem e são comprovantes, também, do país multifacetado — como sempre.

As referências de Dilma ao diálogo aproximativo com a oposição e, de outra parte, o espírito da propaganda de país dividido são conflitantes. E não por um instante de sensibilidades contrárias de vitoriosos e derrotados. As divergências são de fundo, na percepção das necessidades e na prospecção de futuros do Brasil. A meta dos derrotados na urna continua a mesma. Os meios de buscá-la, também, se todos os recém-usados continuarem possíveis. E se não vierem a contar com outros, não menos conhecidos.

União, nem em Minas, onde foi feito o julgamento de Aécio, derrotado duas vezes por seus ex-governados. União, só a de Marina, do nome Eduardo Campos, da viúva Campos, de Aécio e do PSB para o vexame presunçoso de perder para Dilma por 70% a 30%, o 7 x 1 em versão eleitoral. 

Janio de Freitas
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