25 de out de 2014

A bala de prata virou tiro no pé.


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Apreensão de cocaína gerou confronto Globo x Abi-Ackel


Um livro a ser lançado nas próximas semanas promete abalar a relação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e as Organizações Globo.

Trata-se da biografia autorizada de Ibrahim Abi-Ackel, ex-ministro da Justiça do governo João Figueiredo. Ele ocupou o cargo entre 1980 e 1985.

A obra, Ibrahim Abi- Ackel, Uma Biografia, escrita pela jornalista Lígia Maria Leite e prefaciada pelo senador Aécio Neves, diz que malotes da Rede Globo enviados para sucursal no exterior transportavam drogas.

Sete vezes deputado federal, entre 1975 e 2007, Abi-Ackel sofreu acusações no Jornal Nacional, em 1983, quando era ministro da Justiça, fruto de um confronto nos bastidores com o dono das Organizações Globo.

O livro dedica 10 páginas ao episódio.

Na página 359 o livro sustenta que a campanha promovida por Roberto Marinho contra Abi-Ackel nasceu de um engano do empresário, que acreditava que o ex-ministro havia determinado a apreensão de cocaína em malotes da emissora.

Leia a página:

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O texto atribui ao ditador João Figueiredo a seguinte explicação: “A campanha do Roberto Marinho contra o ministro Ibrahim Abi-Ackel se deveu a um engano do senhor Roberto Marinho. Os malotes da Rede Globo para Nova Iorque serviram de transporte para cocaína. A Polícia Federal apreendeu dois desses malotes e o Roberto Marinho nunca perdoou o Abi-Ackel, porque pensou que foi ele que mandou fazer a apreensão. Esse foi o motivo”.

Em 1983, depois que o norte-americano Mark Lewis foi preso na alfândega dos Estados Unidos com pedras preciosas brasileiras avaliadas em U$ 10 milhões, os ataques ao ministro no Jornal Nacional começaram.

Em mais de uma reportagem, a Globo acusou Abi-Ackel de envolvimento com o contrabando de pedras preciosas, o que nunca foi provado.

A biografia autorizada de Abi-Ackel foi financiada através da lei Rouanet de incentivo fiscal e recebeu patrocínio da estatal de energia elétrica Cemig e do Governo de Minas. No prefácio da obra, Aécio Neves enaltece a vida pública do colega de Câmara dos Deputados.

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“Fomos deputados, ele repetidamente mencionado entre os dez parlamentares mais influentes do Congresso”, diz o texto (leia um trecho acima). Mais adiante, depois de listar as qualidades de Abi-Ackel: “Foram essa qualidades que me fizeram recorrer a ele, como governador, em 2006, para o comando da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, onde conduziu um trabalho exemplar”, destaca Aécio.

Quando Abi-Ackel foi inocentado das acusações que sofreu da Globo, a Folha de São Paulo noticiou:

Ackel é inocente no caso das turmalinas

por JOÃO BATISTA NATALI

Foi na manhã de 29 de março de 1985. A alfândega do aeroporto de Miami apreendeu um carregamento de águas-marinhas, esmeraldas, topázios e turmalinas.

O portador das pedras, Mark Lewis — cidadão norte-americano, na época morador em Anápolis (GO) — não conseguiu documentar ser dono do carregamento. Foi o estopim do chamado “escândalo do contrabando de pedras preciosas”, em que o ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel (1980-85) teve seu nome envolvido, sem que sua participação seja objeto de qualquer evidência.

Ainda corre hoje na Câmara pedido para abertura de processo contra o ex-ministro por peculato, por conta de acusação contra seu filho, Paulinho. O filho teria mantido escritório de advocacia em que protelava extradições ou obtinha vistos de residente para estrangeiros que dependiam do arbítrio do gabinete de seu pai.

“Eu fui o bode expiatório. Não era militar e também não tinha mandato”, disse à Folha o hoje deputado Abi-Ackel (PPB-MG). Sua suposta ligação com as pedras apreendidas é das mais tortuosas.

Lewis era apenas uma “mula” (portador). As pedras pertenciam em verdade a Antonio Carlos Calvares, dono da Embraima (Empresa Brasileira de Mineração, Importação e Exportação), em Goiânia.

Calvares procurou o ex-ministro, que voltara a advogar. Pediu que ele intercedesse em sua defesa. Deu-lhe uma procuração, que foi apresentada por um advogado norte-americano, Charles Hayes, como prova de que Calvares e Abi-Ackel eram sócios no contrabando.

Hayes disse isso em entrevista no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. A Folha apurou que na época eram tensas as relações entre a Globo e Abi-Ackel. Hoje, o ex-ministro prefere não falar sobre essa dimensão do assunto. A Folha procurou Hayes, mas não há pistas dele.

Outro personagem-chave na história foi um delegado da Polícia Federal, Mário Machado Filho, que instruiu o inquérito em Goiânia. Ele se aposentou e hoje mora em Aracaju (SE). Disse à Folha ter tido a impressão de que Calvares, para se dar ares de importância, simulou um grau de familiaridade com o ministro que nunca possuiu. Um caso de mitomania.

Foi essa uma das conclusões que o delegado remeteu à sede da PF, em Brasília. O inquérito foi arquivado. Sem inquérito, não houve tampouco motivo para processo judicial.

Calvares destacou para falar com a Folha um dos executivos da Embraima que se apresentou como seu sobrinho. Para este, o caso já rendeu para a família “US$ 150 milhões” em indenizações por difamação, pagas por jornais norte-americanos.

No plano judicial, o que houve de concreto foi um “grand jury” em novembro de 1986 em Lexinton, Estado de Kentucky, para apurar responsabilidades de norte-americanos e estrangeiros no contrabando de pedras brasileiras.

Abi-Ackel não foi em nenhum momento citado por dar cobertura ou como responsável direto pelo tráfico.

Rodrigo Lopes
No Viomundo
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Dilma amplia vantagem sobre Aécio, segundo Vox Populi


Presidente aparece com 54% das intenções de voto, contra 46% do senador mineiro

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) continua à frente do senador Aécio Neves (PSDB) na disputa pela Presidência da República, segundo pesquisa Vox Populi divulgada neste sábado (25) por TV Record, Record News e Portal R7. A petista aparece com 48% dos votos totais, contra 41% do tucano.

A vantagem de Dilma sobre Aécio passou de três para sete pontos percentuais, já que no último levantamento, de 20 de outubro, a petista tinha 46% e o tucano, 43% dos votos totais. A pesquisa de hoje, portanto, é a primeira do instituto em que Dilma aparece na liderança fora da margem de erro.

Votos brancos e nulos somam 5%, enquanto outros 5% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Considerando apenas os votos válidos — que exclui brancos, nulos e eleitores indecisos —, Dilma passou de 52% para 54% na pesquisa atual, enquanto Aécio caiu de 48% para 46%.

A pesquisa foi realizada neste sábado com 2.000 eleitores de 147 municípios do país. O levantamento está registrado no TSE com o número BR-01185/2014.
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Folha padrão Veja: o DNA marrom da mídia brasileira



É inegável que a cobertura eleitoral do jornal Folha de S. Paulo nas eleições de 2014 foi francamente enviesada contra a candidata Dilma Rousseff e seu partido, o PT. O gráfico de valências contrárias para candidatos, abaixo, não deixa dúvidas.

Folha

Dilma foi campeã de chamadas e manchetes negativas por quase todo período de campanha, com exceção de um breve momento quando Marina a ultrapassou levemente, e da última semana do gráfico, 12 a 18 de outubro, penúltima da campanha, quando Aécio pela primeira vez superou Dilma em negativos. Mas o gráfico da última semana da campanha, a que estamos encerrando hoje, mostra uma volta aos padrões anteriores, como podemos ver abaixo:

Folha semanal 2

Dilma recebeu 8 chamadas ou manchetes negativas enquanto Aécio ficou com somente 3.

Como já mostrei em outros textos, esse padrão de viés da Folha fica bem aquém daquele mostrado por seus congêneres, os jornais Estado de S. Paulo e O Globo. Só para ficarmos na cobertura da última semana, o Estadão publicou 32 matérias contrárias a Dilma frente a 8 contrárias a Aécio, somente em suas capas, e O Globo atingiu a marca de 27 a 4, para os respectivos candidatos. Mesmo que possamos argumentar que a proporção de negativos de Dilma em relação a Aécio não é tão diferente assim na Folha, quase 3 (8/3) e no Estado, 4 (32/8), o nível de politização da cobertura é bem desigual. O Globo e o Estadão publicam uma avalanche de notícias negativas, enquanto a Folha é mais parcimoniosa.

Mas no sábado, véspera da eleição, o jornal paulista radicalizou bruscamente seu comportamento. A manchete lê-se em letras garrafais, acima de uma fotografia enorme que traz Aécio e Dilma apertando as mãos no debate, “Doleiro acusa Lula e Dilma, que fala em terror eleitoral”, com o subtítulo “Ambos sabiam de desvios na Petrobras, diz delator; para Aécio, caso é ‘extremamente grave’”. A Folha dá eco ao “escândalo” noticiado pela revista Veja, que essa semana adiantou em dois dias seu lançamento com claro intuito de produzir impacto eleitoral. A Folha diz ter confirmado o vazamento da informação de que o doleiro tenha citado Lula e Dilma em seu depoimento, ainda que o depoimento seja sigiloso e o próprio advogado do doleiro negue o fato.

Logo abaixo da manchete vem a chamada “Corrupção e ataques mútuos dão o tom do último debate”. O texto que segue a chamada começa “As acusações de desvios da Petrobrás voltaram à tona…”, e inclui uma citação direta de Aécio Neves dizendo que Dilma patrocinou “a mais sórdida das campanhas”. Logo abaixo, outra chamada parece confirmar a acusação que Aécio faz: “Candidatos usam só 12% do tempo na TV para propostas”.

O contraste com a Manchete de O Globo é gritante: “Sem ofensas, Dilma e Aécio duelam sobre corrupção”, com o subtítulo “Já nas perguntas de indecisos, candidatos discutiram mais suas propostas”. O resto da capa não é destituído de textos com viés anti-Dilma, mas esse não é bem o tópico aqui. A descrição que segue na capa de O Globo é bem mais fidedigna daquele que parece ter sido na verdade o debate do segundo turno em que mais se falou de políticas públicas e propostas de governo. A Folha, assim, escolheu carregar nas tintas da interpretação do debate, talvez porque achasse que combinaria melhor com o marrom da manchete.

O caderno eleições do jornal paulista, que concentra as matérias sobre o assunto, é na verdade um grande panfleto sobre o “escândalo da Veja”. Manchete de capa do caderno, quase repetindo a da capa do jornal: “Doleiro acusa Lula e Dilma; PT fala em terrorismo, e Aécio, em caixa dois”. Se não bastasse a mensagem da manchete, seu subtítulo afirma: “Alberto Youssef diz em depoimento que ex-presidente e sua sucessora tinham conhecimento dos desvios da Petrobrás”. Ou seja, o leitor que estive folheando o jornal vai se deparar com quatro títulos dizendo a mesma coisa antes de ler qualquer matéria, duas vezes na manchete de capa e duas vezes na manchete do caderno.

Essa técnica de massacre jornalístico continua dentro do caderno, com uma matéria tomando mais de metade da página 3, com o título: “Lula sabia de esquema desde 2005, diz doleiro”. Sim, parece inacreditável, mas a mesma informação é repetida aqui em letras garrafais pela quinta vez. Ao lado da matéria vem um infográfico com o suposto esquema e uma imagem da capa da revista Veja. No topo da página duas notas, uma dizendo que Lula indicou Paulo Roberto para a Petrobras e outra dizendo que Lula indicou Marcio Fontes de Almeida para o Ministério das Cidades.

A página quatro contém uma foto enorme de Dilma gesticulando abaixo do título “’Não há nenhuma prova’, diz Dilma”. A matéria que segue narra a resposta do PT e de Dilma às acusações da Veja. Ladeando a fotografia de Dilma, do lado direito, há uma matéria de igual tamanho na qual a Folha se presta a ouvir o “outro lado”, ou seja, a própria revista Veja, defendendo, obviamente, a lisura total de seu comportamento, sem em nome da defesa da verdade e da livre expressão. Abaixo da foto há uma notícia com foto de Aécio acusando o PT de caixa dois na campanha e de tentar silenciar a mídia.

Somente uma matéria toma toda a página 5 e ela centra na questão dos ataques nas campanhas. Um dos subtítulos diz que enquanto Aécio manteve a proporção do primeiro turno, Dilma dobrou o “espaço de acusações”. A página seguinte é dominada pelo título “Corrupção e troca de acusações pautam último debate”. O restante do caderno é ocupado com matérias descritivas, sem o viés patente descrito até aqui.

Impressiona a quantidade de páginas e títulos que a Folha dedica nessa edição a uma notícia que tem quase nenhum conteúdo, a suposta acusação não adiciona quase nada ao que já tinha sido narrado exaustivamente em matérias das semanas passadas, e advém de fonte muito suspeita: o doleiro condenado, cujo depoimento é sigiloso. Ao invés de assumir uma postura prudente e cuidadosa frente a uma informação dúbia mas gravíssima, com potencial efeito eleitoral, a editoria do jornal prefere alardear em tom panfletário as acusações. Age como a revista Veja.

A nota cômica dessa cobertura que a Folha faz do “Escândalo da Veja”, é uma pequena matéria incrustrada na página 3 do Caderno Eleições na qual a Folha se digna a noticiar um não fato: “Jornal Nacional não menciona reportagem”. Como se cobrando do seu congênere televisivo a adesão à campanha iniciada por Veja. O texto só poderia repetir o título, pois é difícil qualificar o que já não existiu.

A cobertura que a grande mídia fez da campanha de 2014 é um retrato de sua posição hoje na sociedade brasileira. Ao invés de cumprir a função de sustentáculo da formação da opinião pública democrática, nossa mídia expressa interesses partidários mesquinhos por meio da distorção das matérias e da escolha discriminatória do que é noticiado. A fabricação de escândalos tem marcado a cobertura eleitoral desde 2006, mas essa tentativa de produzir uma “bala de prata”, jargão de gosto horripilante, inclusive com a antecipação da publicação de revista e a manipulação editorial de notícias, como vemos agora na Folha, para produzir grande efeito, dá um tom deprimente a algo que já era bem ruim.

Enquanto escrevia essa matéria meu iPad acendeu anunciando a chegada a edição da Folha. A mensagem escolhida pelo jornal para anunciar a edição de sábado não podia ser outra: Lula sabia de esquema na Petrobras desde 2005, diz doleiro”, seguida da singela frase “leia mais na Folha de hoje”. Sonho com o dia em que esse tipo de prática não mais ocorra em meu país.

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Globo reproduz Veja e roteiro do golpe midiático em marcha repete o de 2006


Golpe midiático em marcha: Globo entra no “escândalo” da Veja

A Justiça reconheceu o caráter eleitoreiro da última edição de Veja – e proibiu que seja feita publicidade da revista.

Reparem: não se impede a circulação da revista, mas se proíbe que a edição cumpra seu papel nefasto de propaganda mentirosa a serviço do PSDB – às vésperas da eleição.

A decisão judicial traz alento. Mas não interrompe o golpe midiático.

Reparem também que a Globo, na sexta-feira, não deu qualquer repercussão à “denúncia” desesperada de Veja.

O JN fugiu desse terreno pantanoso. Por um motivo muito claro: Dilma, com seu duro pronunciamento contra o golpismo da Editora Abril, mandou um recado para Ali Kamel.

A presidenta avisou que, se a Globo entrasse na aventura, teria resposta no mesmo tom.

Imaginem a seguinte situação: o JN embarca na aventura golpista de Veja, promovendo a leitura da edição impressa em rede nacional, por volta de 20h de sexta-feira.

Menos de duas horas depois, Dilma abre o debate da Globo denunciando a própria Globo por golpismo.

Por isso, o JN fugiu do pau.

E, também, porque a revista da marginal não traz qualquer prova, nada. O texto da revista mesmo diz que os “fatos” narrados pelo doleiro não servem para comprometer Lula e Dilma (isso está lá no texto da revista – que me recuso a linkar).

Ou seja, o texto faz a ressalva, mas a capa da revista da marginal serve como panfleto tucano.

Pois bem, esse era o quadro na sexta-feira…

Acontece que, neste sábado, Dilma já não terá voz para responder. Não há propaganda eleitoral. Não há debate. Os candidatos estão proibidos de falar. Mas a Globo de Ali Kamel está livre para agir – no limite da irresponsabilidade.

Do que estou falando?

A Folha, na edição deste sábado, deu manchete principal para a “criminosa” (nas palavras de Dilma) edição de Veja. A Folha endossou a denúncia de um bandido, feita sem provas, a 3 ou 4 dias da eleição.

Qual o objetivo dessa manchete da Folha? Oferecer uma saída plausível para que Ali Kamel e a família Marinho levem o golpismo midiático para o JN de sábado.

É assim que eles trabalham: operações casadas – como se pode ler aqui, num texto didático de Luiz Carlos Azenha.

Em 2006, eu estava na Globo. Azenha, eu e outros colegas acompanhamos de perto a cobertura enviesada promovida pela Globo no chamado escândalo dos “aloprados”.

A Globo colocou Lula na defensiva: o aparato jornalístico global – durante 1o dias – abria espaço para que os candidatos Alckmin (PSDB), Cristovam (PDT) e Heloisa Helena (PSOL) perguntassem no JN “de onde veio o dinheiro para a compra do dossiê dos aloprados?”.

Era um massacre com ares jornalísticos. E era a preparação para o grande final… que viria logo depois.

Faltando 3 dias para a eleição de 2006 (primeiro turno), as fotos do dinheiro apareceram.

Na verdade, o delegado Bruno (da PF) entregou as fotos para Cesar Tralli, da Globo. Um produtor da Globo me contou que, quando Tralli mostrou o material bombástico, a direção da Globo (Ali Kamel) teria dito: “não podemos dar essas fotos sozinhos; seremos acusados de um golpe; só podemos dar se o delegado vazar também para outros jornais”.

E assim se fez: no dia seguinte,  o delegado Bruno chamou meia dúzia de jornalistas e entregou as fotos.

A página do Estadão na internet logo publicou. Assim, o JN sentiu-se liberado para também noticiar o “fato” em sua edição, a 3 dias do primeiro turno.

O mesmo roteiro desenha-se agora.

Na sexta, a Globo fugiu do assunto: por cautela. Não seria bonito ver Dilma denunciando a Globo por golpismo dentro dos estúdios da Globo no Rio.

Mas nada como um dia depois do outro. O sábado chega, a “Folha” endossa a “Veja”, e assim Ali Kamel ganha o álibi perfeito: “poxa, virou um fato jornalístico, todo mundo está divulgando”.

Nessa tarde de sábado, essa decisão será amadurecida. Se houver chance de empurrar Aécio para a vitória, o JN levará a “denúncia” para o JN.

Um amigo jornalista – com mais de 30 anos de experiência – foi quem deu o alerta: “eles estão com o roteiro pronto –  da Veja para a Globo, com endosso da Folha”.

Segundo esse colega jornalista, a operação  se confirmada – “seria um fato ainda mais grave do que a manipulação do debate Collor x Lula em 89″.

Se Dilma mantiver uma dianteira folgada nas pesquisas (Ibope e DataFolha) que serão concluídas nas próximas horas, aí o JN provavelmente será comedido: pode simplesmente ignorar a Veja, ou então pode tratar a revista da marginal de forma mais discreta…

Mas se houver qualquer sinal de que Aécio pode reagir, a Globo entrará pesado. Não tenham dúvidas.

A Democracia brasileira segue sequestrada por meia dúzia de famílias que controlam as comunicações.

Dilma mostrou, na sexta, que carrega com ela a coragem brizolista para enfrentar os barões midiáticos.

Se conseguir a vitória, o confronto será mais do que necessário, será inevitável daqui pra frente.

Os golpistas tentam empurrar Aécio pra vitória, na marra. E se não conseguirem, já sinalizam que o caminho da oposição será o golpe jurídico-midiático.

O confronto está claro, cristalino. Não adianta mais fugir dele.

O golpe pode não vir no JN de hoje, se Dilma mantiver a sólida vantagem de 8 ou 10 pontos que aparece nos trackings internos deste sábado.

Mas o golpismo voltará a cada semana, a cada manchete.

É hora de tratar os barões da mídia como de fato são: inimigos!

Não do PT e da esquerda; inimigos de um projeto social generoso, inimigos da Democracia.

Os barões da mídia representam o atraso, o preconceito, são o partido de direita no Brasil.

Um partido extremista, que precisa ser enfrentado, e derrotado. Nas urnas e nas ruas.

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PS do Viomundo: A Globo já deu o primeiro tiro, reproduzindo as denúncias da revista Veja no Jornal Hoje, em reportagem de 5 minutos e 21 segundos. Aproveitou-se de uma manifestação da UJS diante do prédio da Abril, em São Paulo. A reportagem de Ali Kamel não diz que a revista Veja antecipou sua edição em dois dias, nem que a Globo faz jogo casado com a Veja em campanhas eleitorais, nem que o esquema midiático funcionou em 2002, 2006 e 2010. Em resumo, a denúncia da “barbárie” dos jovens socialistas é feita de forma descontextualizada.

PS2 do Viomundo: Segue relato de um jornalista que trabalha na Abril sobre o clima no prédio da Marginal de Pinheiros:
Da editora Abril, coletei ontem e hoje o testemunho de jornalistas que trabalham em quatro publicações diferentes da casa – nenhum deles na Veja. A palavra mais repetida foi “vergonha”. Há um clima de intensa insatisfação no prédio da marginal Pinheiros. “Passou dos limites”, “Se pudesse, pedia demissão”, “Se não processar por calúnia, o governo é covarde” foram algumas das coisas que ouvi por telefone e whatsapp. A edição impressa foi disputada. Em ao menos uma redação, trechos da reportagem foram lidos em voz alta. As reações da plateia variavam entre o riso e a indignação. Em alguns andares, houve comemoração com a chegada da manifestação que picou revistas e pichou muros da editora. Há também quem esteja otimista, vislumbrando na manobra o canto do cisne do “reino da baixaria”, como definiu uma das fontes. “A Veja queima o nosso filme. Até por razões de mercado, a Abril não pode ficar marcada como sinônimo de ódio e irresponsabilidade. E isso justamente com a sua maior revista”.
Rodrigo Vianna
No Viomundo
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Como prevenir um crime eleitoral que será cometido logo mais no Jornal Nacional - vídeo


Hoje à noite, exatamente às 20 horas, será cometido um crime de imprensa e um atentado à democracia. O Jornal Nacional dará entre 5 a 10 minutos de reportagem sobre uma informação falsa veiculada pela revista Veja. 

O que fazer?

O primeiro passo é entender que a Constituição (e a democracia) não admitem censura prévia. Mas não havendo a censura prévia tem que se prever consequências, como forma de inibir o crime.

No Brasil, não existe a censura prévia nem as consequências. É isso que explica o estupro permanente da verdade.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite o direito de resposta. Ocorre que um direito de resposta convencional só poderia ser exercido na segunda-feira, quando as eleições já ocorreram.

Os advogados do PT deveriam ir agora ao TSE e solicitar uma medida cautelar com direito de resposta. Seria assim:

Um porta-voz de Dilma ficaria disponível no estúdio da Globo, aguardando o Jornal Nacional.

Saindo a reportagem sobre o factoide da Veja, lhe seria assegurado o mesmo tempo para apresentar a sua versão.

Não se trata de uma saída jurídica convencional, mas tem todos os elementos de justiça para ser aceita pelo TSE.

Luís Nassif
No GGN



A matéria da Globo:

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Petista tem vantagem de 6 pontos e está muito próxima da reeleição, diz Globope


Situação é de empate técnico, segundo o DatafAlha, com Dilma numericamente à frente



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Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja

Protesto contra a Veja
Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma quer da reportagem da Veja?  Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém — gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar — sem provas — uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dilma 49 a 40, depois do Dilmabate!

Aecioporto precisava ganhar de 7 a 1 e levou uma joelhada nas costas.


Depois das qualis que mostraram que ele perdeu, tracking do DataCaf confirma liderança da Dilma: 49 a 40.

Como diz o Azenha: o que era para ser uma bala de prata não passou de um tiro no pé.

Paulo Henrique Amorim
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O debate na Globo — assista


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STF critica duramente o governo Aécio Neves em MG

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Organizações Globo: o que a gente vê por aqui

“Em ato em São Paulo, Lula faz nova agressão à imprensa”. Esse é o título de matéria de O Globo publicada no dia 21 de outubro. Nela o jornal (não há crédito para autor) relata que Lula teria “atacado a imprensa”, ao dizer em comício que os jornalistas Miriam Leitão e William Bonner falavam mal de Dilma. Logo após enunciar o fato, a reportagem de O Globo vai ouvir a outra parte, a TV Globo.

A resposta curta da emissora vale a pena ser reproduzida literalmente: “[nossos] jornalistas não falam mal de ninguém, mas apenas cumprem a sua obrigação de perguntar e noticiar fatos”.

As Organizações Globo são a maior empresa de comunicação do Brasil. Os 45 anos de seu Jornal Nacional, o mais notório noticiário da televisão brasileira, foram comemorados este ano sob a sombra do registro de uma das mais baixas audiências de sua história. Ainda assim, o JN não perdeu seu protagonismo no gênero. O jornal impresso O Globo desempenha papel semelhante no Rio de Janeiro: a despeito da queda de sua tiragem anual, ainda representa a mídia impressa de maior circulação na cidade e ocupa o terceiro lugar no Brasil, de acordo com o ranking de 2013 da Associação Nacional de Jornalistas (ANJ).

A concentração da propriedade dos meios de comunicações em nosso país, da qual as Organizações Globo são o maior exemplo, levanta uma série de questões de ordem teórica e política, entre elas, a da sinergia e coerência das linhas editoriais de suas várias mídias: TV Globo, Jornal O Globo, Revista Época, Globo News etc. No presente artigo, fazemos um estudo de caso comparando a cobertura das eleições de 2014 no jornal O Globo e no JN. Será que elas seguem os mesmos padrões? Será que a descrição que a TV Globo fez de seus jornalistas é verdadeira? A análise da cobertura dos candidatos em cada um desses meios, que vai abaixo, nos ajudará a responder essas perguntas. Comecemos pelos gráficos de matérias neutras para cada candidato:

Jornal Nacional — Candidatos (Valências neutras)

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No Jornal Nacional a presidente Dilma Rousseff manteve-se quase que o período todo acima de seus dois principais contendores no número de neutras, com exceção do curto período que se segue à semana da morte de Eduardo Campos (13/08), no qual Marina Silva a ultrapassou. Após a superexposição dada pelo Jornal Nacional a Marina Silva, nesse momento, sua curva se aproxima muito da de Aécio, a ponto de tornarem-se virtualmente idênticas. A de Dilma também tem forma bem similar, mas está acima das curvas de seus dois adversários. A superioridade de Dilma na cobertura neutra se deve certamente ao fato de ela ser Presidente da República, ou seja, continuar no exercício da função mesmo durante a campanha eleitoral. Já o formato muito similar das curvas de Aécio e Marina, e mesmo de Dilma, mostram que o jornal provavelmente controla não somente a exposição de cada candidato, mas também a valência das matérias que tratam deles.

O Globo — Candidatos (Valências neutras)

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Como o gráfico acima mostra, o comportamento da cobertura de capa do jornal O Globo é diverso do seu congênere televisivo no que toca a cobertura neutra dos candidatos. A semana da morte de Eduardo Campos inaugurou um período de superexposição de Marina Silva mais longo e intenso. Já na primeira semana ela obtém quase o dobro de neutros de Dilma (22 contra 13), fica acima da candidata-presidente até o final de agosto e, a partir daí, passa a se alternar com Dilma na liderança das menções neutras até praticamente o primeiro turno. O gráfico de neutros do jornal tem também outro aspecto de interesse. Nas últimas semanas anteriores ao primeiro turno, quando Marina começava a cair nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSDB, Aécio Neves, que havia sido relegado a um terceiro plano depois da subida de Marina, começa a ter sua exposição aumentada pelo jornal, a ponto de passar Marina e passar Dilma. Na semana do primeiro turno ele obteve uma proporção de 3 neutras na capa para cada 2 de Dilma (18/13). Ou seja, tanto o crescimento de Marina e depois o de Aécio foram apoiados pela exposição do jornal, mas só o crescimento de Marina parece ter recebido tratamento similar do Jornal Nacional.

A comparação dos gráficos de matérias e chamadas neutras nas capas do jornal com o número de matérias neutras no Jornal Nacional, como um todo, mostra que o jornal impresso manipulou bem mais a exposição dos candidatos do que seu congênere televisivo. O quadro da comparação dos gráficos de negativas, contudo, é diverso. Vejamos primeiro a cobertura do Jornal Nacional durante a campanha.

Jornal Nacional — Candidatos (Valências contrárias)

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A imagem é tão forte que dispensa muitos comentários. O viés contra Dilma ao logo de todo o período eleitoral foi tremendo. Só para se ter um parâmetro de comparação, quando ela atingiu um pico de 23 matérias negativas na semana de 7 a 13 de setembro, Aécio teve duas e Marina uma. Esses números não levam em conta as matérias negativas do JN sobre o Governo Federal, que não citavam Dilma diretamente, sobre economia e sobre o PT, que, como as páginas dos Manchetômetro mostram, foram abundantes em toda a campanha (http://www.manchetometro.com.br/analises/). Note-se ainda que há um crescimento da cobertura negativa à medida que a campanha avança no tempo, o que denota a intensificação do combate da editoria do JN à candidatura do governo.

O Globo — Candidatos (Valências contrárias)

OGlobo_Candidatos_ValenciasContrarias

O gráfico de negativas de O Globo é bem similar ao do JN: Dilma é massacrada, enquanto os outros candidatos passam quase incólumes. Mas há uma diferença importante e ela diz respeito à cobertura de Marina Silva. O jornal de fato aumentou bastante o número de negativas na capa para a candidata no período que vai da morte de Eduardo Campos até meados de setembro. Mas à medida que Marina começou a cair nas pesquisas, o número de negativas nas capas também arrefeceu. O número de negativas para Dilma é realmente expressivo, atinge picos de 28 manchetes ou chamadas por semana, ou seja, uma média de quatro por dia, somente na capa do jornal. E esse pico é alcançado duas vezes, na semana de 7 a 13 de setembro e na semana de 21 a 27 de setembro, isto é, às portas do primeiro turno.

Como nossa análise mostrou, as Organizações Globo, tanto por meio do Jornal Nacional quanto pelo periódico O Globo, cobrem as eleições de maneira fortemente enviesada, dedicando um número desproporcional de matérias negativas à Dilma Rousseff e ao seu partido, o PT. Ao mesmo tempo, blindam os candidatos da oposição, limitando-se a noticiá-los de forma neutra. O Manchetômetro, por meio de suas análises, mostra claramente esse comportamento enviesado. Até quando os grandes meios de comunicação vão conseguir manter o discurso hipócrita da neutralidade? Isso é algo que ainda não podemos responder.

João Feres Júnior, Eduardo Barbabela e Marcia Rangel Candido
No Manchetômetro
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Os atos finais da campanha de Dilma em SP


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Em busca de 2015: Revolução Democrática 3.0


E, enfim, vamos à eleição!

A eleição mais programática da história recente do país e, sem dúvida, a mais polarizada.

Aécio, de seu lado, defendeu abertamente o governo FHC e não o escondeu em sua campanha. Foi justo com seu correligionário e correto do ponto de vista político: disse à sociedade o que pensava.

Desde declarar-se pronto para tomar “medidas impopulares” em jantar com empresários, seu anúncio de que acabaria, sim, com o Mercosul, passando por FHC associar os votos petistas a “ignorantes-nordestinos-pobres”, tangenciando Armínio Fraga e sua falta de certeza sobre o que sobraria dos bancos públicos e sua queixa sobre o salário mínimo estar “muito alto”, chegando ao ex-embaixador estadunidense se intrometendo no pleito brasileiro e prometendo que, caso Aécio vencesse, os EUA imediatamente o convidariam para os visitar. Sem falar no diplomata que articulou a fuga de um político corrupto boliviano daquele país pedir votos em Aécio, ou Lobão prometendo que fugiria do “Brasil comunista” caso Dilma fosse eleita. Mais claro impossível.

Dilma, ao seu lado, não deixou por menos. Disse que não anuncia ministério coisíssima nenhuma para “tranquilizar” mercado, que sinaliza é para o povo. Não titubeou em falar uma verdade inadiável: a The Economist (que defendeu “mudanças” no governo brasileiro) é uma revista do sistema financeiro. Dilma não recuou em seu compromisso de combater a inflação, mas, com todas as letras, demarcou que o preço disso não seriam empregos e salários. Em discursos e na TV, não balançou em condenar severamente qualquer ideia de independência formal do Banco Central e, além disso, pôs as instituições democráticas como soberanas em qualquer matéria, inclusive a política econômica. Ante a ofensiva da direita evangélica (nem todos lá são de direita), se comprometeu em criminalizar a homofobia.

Aécio foi buscar o fascismo dos colunistas “pigais”, mobilizou o ódio das classes mais altas e seus preconceitos sociais e chiliques remotos à Guerra Fria.

Dilma foi lá onde a mídia plantou o terrorismo com a inflação e o desemprego e resgatou a classe C.

Aécio, quando parecia combalido e vendido pela onda marineira, quando seus partidários (FHC e Serra à frente) falavam em renúncia de sua candidatura para apoiar Marina, quando a extrema-direita (Malafaia, Feliciano e Bolsonaro) exigiam que assim o fizesse, foi lá e disse “fico”, nadando até o segundo turno.

Dilma, quando parecia nocauteada por uma furtiva expressão eleitoral das Jornadas de Junho, chamou a liderança da campanha para si, organizou sua tropa de choque e, armada com a militância e a propaganda revolucionária (em todos os bons sentidos da palavra) de João Santana, comandou a virada da primeira volta e, segundo Ibope e Datafolha desta quinta-feira 23/10/2014, a da segunda.

Na pré-campanha, as questões de fundo, do Id da sociedade brasileira, vieram à tona.

Jango exumado, Jango resgatado e revisitado no cinquentenário do golpe militar de mais do que as narrativas de tortura etc.

Do outro lado, Serra e FHC dizendo que Jango não era democrata e só não deu o golpe primeiro. Elio Gaspari fazendo paralelos entre o espírito autoritário (e “aparelhista-sindicalista”) de Jango e o PT de hoje. Fernão Lara Mesquita proclamando que “desde 32, São Paulo resiste” e pondo-se a atacar Lula por meio das críticas à Getúlio, num quase loas à Velha República.

Trabalhismo x Udenismo na mesa. Revolução de 30 x Federalismo Oligárquico na sobremesa. Neste exato momento, Lula lembra o suicídio de Vargas e o PSDB convoca marcha contra “podridão”. Valter Pomar alerta que precisamos vencer com uma certa margem por que Alberto Goldman, há dois dias seguidos, promete golpe de estado, afirmando que o próximo governo não teria legitimidade.

Lindo! (digo eu). Mais do que projeto político, história aberta, clara, límpida para o povo escolher. Novamente, quem encarnou o espírito da UDN amarga derrotas atrás de derrotas nas urnas democráticas.

Quem tentou esconder o que pensava virou pó e choramingos sobre “baixarias” e “calúnias” que nada mais eram do que o confronto político nu e cru, onde se chamou as coisas pelo nome que elas tem. Quem pendurou sua liderança nos ombros de um banco, no “banco” pendurada ficou. Quem não tinha a ver com o passado de disputa de rumos da sociedade brasileira, misturando Chico Mendes com elites, nem o “Hulk” teve, ao final, para lhe consolar.

Este é o Brasil, onde, no bar, além de futebol se discute política. Para horror de um certo Departamento de Estado, que preferia “ganhar” eleições com anúncios-declarações de Lindsay Lohan.

Este é o retrato do país que vai às urnas e, por óbvio, do país que sai das urnas. Há riscos de radicalização? Sim. Há “riscos” de conciliação? Sim. Ambos devem ser afastados em nome do avanço da democracia brasileira, pois o avanço dela não é mais um consenso em torno de que ela é necessária, como na época das Diretas, Colégio Eleitoral, Impeatchment de Collor a transição FHC-Lula de 2002-2003. Agora, a democracia política mais longa de nossa história deve caminhar ao compasso da democracia social que se desenvolveu a partir de 2003.

A última peça publicitária da campanha aponta o futuro: levar a tendência histórica da sociedade brasileira a qual Dilma, no século XXI, representa, até o fim. Estes são os novos desafios. Ao seu lado, o povo, movimentos sociais, militância, marketing de qualidade, Lula! O PT pendurado no pescoço, a aliança com o PMDB, mas a força histórica garbosa de Getúlio, Jango, Brizola, Arraes, Prestes, Darcy, Florestan, Apolônio, Marighella, Jobim e tantos outros que sonharam e amaram o Brasil.

Que a história não acabaria, só Fukuyama não acreditou. Agora, deve começar a Revolução Democrática 3.0.

Leopoldo Vieira
No Blog do Zé
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Debate final

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Coxinha


Aroeira
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Dilma ganhou de pouco, venceu de muito


No último debate, a presidente precisava empatar mas mostrou mais consistência do que adversário

O debate de ontem terminou na primeira pergunta. Aécio Neves tentou usar a última edição da Veja para colocar Dilma contra a parede. A presidente deu uma resposta a altura, desqualificando uma denúncia que nem seu autor — nem a revista que a publicou — conseguem sustentar com base em provas. Foi uma colocação firme, sem piscar.

O debate terminou aí porque, como se sabe, o último debate de uma campanha envolve uma questão essencial. Quem está na liderança das pesquisas joga na defesa e pode ganhar mesmo que empatar. Quem está atrás precisa tentar virar o jogo de qualquer maneira, mas isso só se consegue quando o interlocutor oferece brechas e oportunidades.

Num confronto que tem algo de uma luta de boxe, é preciso encaixar golpes no rival — uma forma de mostrar ao juri de eleitores, indecisos e pouco firmes, que ele tem pontos fracos que precisam ser levados em consideração. Mas a presidente atuou como se estivesse protegida por uma couraça. Quando a primeira revista não deu certo, Aécio falou de uma reportagem da Istoé.

Entre o 5 de outubro, dia do 1º turno, e o debate de ontem, o eleitorado brasileiro assistiu a uma outra campanha. Durante um ano inteiro, o discurso da oposição — qualquer que fosse seu candidato — colheu o benefício da postura dos principais meios de comunicação contra o governo. Tratados como questões prioritárias da eleição, temas como inflação, baixo crescimento, incompetência administrativa, Petrobras, dominaram a agenda da primeira fase, graças a um auxílio numérico, também. Em cada confronto presidencial, ocorria um conflito de 6 contra 1, sem alívio para a presidente.

No segundo turno, o debate teve outro horizonte.

Graças ao horário político, o domínio dos meios de comunicação foi amenizado. As redes sociais também mostraram seu alcance e sua garra. Tudo isso permitiu a Dilma defender os pontos de vista do governo, ajudando sua campanha a reencontrar a base de apoio que vinha construindo aos trancos e barrancos desde a posse. Para dois terços do eleitorado, a inflação ficará como está ou pode cair. O desemprego pode diminuir ou ficar na mesma proporção. Para 44%, o crescimento pode melhorar.

Ao derrotar Marina Silva no plano das ideias e dos argumentos, num jogo que foi bruto de parte à parte, Dilma não venceu apenas uma candidatura. Também derrotou uma visão política, a noção de que o mercado tem as melhores e mais eficientes respostas para um país como o nosso. Fazendo uma campanha muito mais à esquerda do que seu governo, a presidente mostrou realizações. Voltou ao discurso pobre x rico que está na origem do PT — e de toda organização política nascida pelo reconhecimento da existência de uma luta de classes nas sociedades contemporâneas.

O reconhecimento dos dramas mas também dos benefícios do presente permitiu ao eleitorado recordar o “passado”, aquela parte da história do país com a qual os herdeiros de 500 anos de governo tem uma compreensível dificuldade para conviver e explicar. Com uma visão basicamente idêntica, que lhe permitiu diversas ações combinadas de auxílio-mútuo, Aécio ultrapassou Marina — mas já estava sem uma perna quando chegou ao segundo turno e precisava enfrentar um debate cara a cara. Não por acaso, perdeu todos os confrontos, inclusive aquele em que foi o mais agressivo. Empurrado para um canto conservador, debateu-se em contradições insolúveis. As intervenções de Armínio Fraga como candidato a ministro da Fazenda trouxeram mais danos do que benefícios a candidatura, em especial depois de uma derrota amarga num debate — assistido por todos os entendidos — para Guido Mantega.

Aécio tentou, ontem, usar a AP 470 contra o governo — missão difícil para quem não oferece respostas convincentes para o mensalão PSDB-MG, que o eleitor hoje conhece e condena até com mais vigor, pois não levou a uma única punição. Denunciou o porto de Mariel, em Cuba, um negócio que é difícil de condenar do ponto de vista comercial — mas serve para explorar o anti-comunismo primitivo de fatias conservadoras do eleitorado, apenas.

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Dilma passou pelo teste do debate da Globo e é favoritíssima para ser reeleita


O debate da Globo tem características diferentes dos de outras TVs e portais. Ele conta com a presença dos chamados indecisos. Esses eleitores fazem perguntas mais programáticas, mas ao mesmo tempo quebram um pouco o ritmo do enfrentamento entre os candidatos. Até por isso, o debate da Globo foi menos eletrizante que os anteriores. E isso favoreceu a presidenta Dilma.

O primeiro bloco foi o mais quente. Como já era esperado, Aécio Neves foi pra cima de Dilma usando a capa da Veja logo de cara. Dilma se saiu de forma tranquila, mas muito firme. Disse que vai processar a revista e deixou meio claro que se tratava de uma tentativa de golpe eleitoral.

Nos outros blocos, o ritmo de ataques diminuiu. E  o debate ficou mais tranquilo e programático. De qualquer forma, ainda houve tempo para Aécio trazer à baila o mensalão e perguntar a Dilma o que ela achava do fato de Zé Dirceu estar preso.

E deu tempo também de Dilma perguntar se houve falta de planejamento no caso da falta de água de São Paulo, já que no Nordeste também não chove , mas não falta água. E aí veio a melhor tirada da noite. Dilma citou o humorista José Simão e disse que do jeito que a coisa estava indo os tucanos iam lançar o plano Meu Banho, Minha Vida.

Não houve grandes vencedores no debate desta noite. Mas eu diria que Dilma pode até ter ganhado por pontos.E que como já estava em vantagem, esse resultado foi excelente para ela

Hoje, em várias cidades brasileiras a militância petista foi às ruas de vermelho e criou um clima de vitória. Quando essa onda se forma é muito difícil revertê-la. Se Aécio começou com pequena vantagem no segundo turno, Dilma passa pelo debate da Globo como a grande favorita.

É claro que numa eleição dessas é de alto risco fazer previsões, mas este blogueiro cravaria todas suas parcas economias na vitória de Dilma no domingo.

Dilma deve ser reeleita presidenta da República, ganhando de toda a mídia, do PSDB, de Marina, da família Campos, de parte do PMDB e de toda a direita truculenta.

Não é pouca coisa.

Dilma deve ganhar de todos eles e com o apoio do PSoL e de quase todos os movimentos sociais brasileiros sérios.

Também não é pouca coisa.

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Sérgio Porto # 26


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Essa é do Barão... 84


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Dilma neutraliza a bala de prata


A famosa “bala de prata”, que poderia modificar os votos dos indecisos, foi neutralizada de cara pela presidente Dilma Rousseff, já na abertura do debate da TV Globo.

Ela atacou a credibilidade não só da revista Veja, como também da IstoÉ, que mais uma vez neste fim de semana fez jus ao apelido jocoso de QuantoÉ.

Diríamos que este foi o debate do alprazolam, a droga que é o sossega leão dos ansiosos.

Aécio Neves cometeu algumas gafes, como quando se referiu ao inexistente Ministério do Desenvolvimento Econômico ou disse que é um orgulho ter um pedaço do Nordeste “incrustrado” em nosso território, Minas Gerais. Reproduziu, assim, o preconceito comum de uma pequena fatia dos mineiros em relação às terras cantadas por Guimarães Rosa.

Por outro lado, o senador foi bem quando disse que a melhor forma de combater a corrupção é tirando o PT do poder. Foi bem, ainda, quando disse que o governo de FHC “tirou a inflação das costas do brasileiro”. Friso: do ponto-de-vista da retórica.

Já Dilma foi muito feliz quando popularizou seu discurso e recorreu a uma frase do humorista José Simão, segundo o qual os tucanos criaram, em São Paulo, o programa “Meu banho, minha vida”.

Além disso, a candidata governista insistiu nas coisas que realmente importam não só para os indecisos, mas para os brasileiros em geral: emprego e salário. No frigir dos ovos, é isso o que conta. O grande terror de qualquer brasileiro, em qualquer tempo, é o desemprego.

No conjunto da obra, Dilma fez o necessário para impedir uma grande surpresa de última hora. Se de fato Aécio precisava de uma grande virada para vencer as eleições de domingo, não teve êxito.

Se a capa de Veja foi a bala de prata da oposição, melhor caracterizá-la como um tiro no pé.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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