24 de out de 2014

Veja expõe a precariedade de seu pseudo-jornalismo ao publicar resposta a Dilma




Após essas declarações da presidenta Dilma Rousseff a respeito da edição mentirosa e caluniosa da revista Veja desta semana, o veículo de comunicação publicou em seu site uma resposta que traz em si mesma as evidências da precariedade do material pseudo-jornalístico estampado com estardalhaço pela revista.

Analisamos abaixo os 6 pontos pelos quais a Veja tenta justificar seu anti-jornalismo de cunho golpista: 

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

Precisamente. E em quatro das cinco últimas eleições, a revista Veja antecipou sua ida às bancas na última semana do pleito justamente na tentativa de influenciar o resultado das eleições e pautar o debate público, já que os candidatos do PT assumiam a dianteira nas pesquisas eleitorais. Mostramos aqui como a publicação age sempre da mesma forma em períodos pré-eleitorais, criando um cenário de terror, por meio de mentiras e acusações infundadas, sem nenhum compromisso com o jornalismo honesto e com a informação de qualidade, para confundir o eleitor. A Veja começa fazendo o serviço sujo para que outros veículos da mídia, que seguem a mesma linha, repercutam as mentiras com grande alarde e pautem a opinião pública durante os dias que antecedem a ida dos brasileiros às urnas.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

Procuramos entre as palavras e frases de toda a reportagem e não encontramos o grau de certeza e clareza necessário para a publicação de fatos tão graves.  É incrível, mas a própria publicação questiona a veracidade da acusação feita pelo doleiro Alberto Youssef de que Dilma e Lula sabiam do esquema de desvio de recursos da Petrobrás: “O doleiro (Youssef) não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse”. Sendo assim, que certeza é essa que a revista afirma apresentar? Por toda a reportagem, a Veja tenta defender o depoimento em delação premiada dizendo que é do interesse do investigado que ele diga a verdade porque se não o fizer perderá o direito de ter sua pena reduzida.

O direito à delação premiada depende de dois preceitos básicos: o delator não pode mentir nem voltar a praticar a infração pelo qual está sendo investigado. A Veja omite  que Youssef já aderiu ao recurso em processo anterior, em que perdeu o direito à redução da pena por ter voltado a praticar o crime pelo qual estava sendo investigado. Ora, se ele já infringiu o primeiro preceito, o que garante que não infringiria o segundo?

O  claro aqui é que a Veja teve acesso (não explicado, que fique claro, já que o processo corre em segredo de justiça) a um depoimento feito sob delação premiada, que ainda carece, portanto, de todas as provas para fundamentar as acusações que estão sendo feitas, e o publicou, a dois dias das eleições, como se fosse verdade absoluta. Isso é jornalismo?

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema foi produzido pelos fatos degradantes ocorridos na Petrobras nesse governo e no de seu antecessor.

A revista Veja não é o mensageiro. Ela formula a mensagem, agenda e enquadra a notícia. E, no seu caso, a utiliza como bem lhe convém para alcançar seus objetivos caluniosos e difamadores de desacreditar um governo eleito democraticamente pelos brasileiros. O cerne do problema esta no modo como a Revista Veja pratica o anti-jornalismo. Construindo suas teses oposicionistas na redação refrigerada do jornal e submetendo a realidade dos fatos a suas escolhas e preferências políticas. Isso sim é degradante.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

Este argumento é a clara contradição do que foi dito acima pela própria revista. A “certeza e a clareza”, o compromisso com a informação de qualidade, com a verdade e com o leitor, é que devem pautar o tempo da publicação, não as eleições. Nada disso foi buscado pela Veja. Os fatos não mudam, é verdade. Porém, não estamos falando de fatos, mas de denúncias vazias, não comprovadas, que têm claro fim eleitoral. Denúncias vazias, a matéria-prima do jornalismo da Veja, têm a clara intenção de afetar o voto do eleitor brasileiro, por isso são sempre publicadas na véspera das eleições. Esse sim um fato que não muda na história recente da revista.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral por terem vindo a público antes das eleições é reconhecer que temeridade mesmo seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

Finalmente, no quinto ponto, a revista reconhece seus objetivos “eleitoralmente prejudiciais”. Aqui fica claro, para os bons entendedores, a quem servem a revista Veja e suas manipulações de dados e informações, que têm como único objetivo influenciar no resultado das eleições, quando o candidato que melhor representa os interesses da revista aparece em desvantagem nas pesquisas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “uma defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de  fatos que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.

De fato, a presidenta Dilma, com apenas 20 anos, foi presa e barbaramente torturada para que essa mesma imprensa que hoje usa de sua liberdade de expressão conquistada a duras penas possa se expressar livremente. Mas deixemos claro que liberdade de imprensa nada tem a ver com manipulação de dados, do leitor, das pesquisas, do debate público e do pleito eleitoral. Dilma mantém e manterá suas qualidades de defensora intransigente dessa liberdade, pois esta está pautada e protegida pelo paradigma legal do país. Estejam certos os autores da infâmia publicada pela Revista, a presidenta buscará seus direitos de reparação dentro dos marcos legais vigentes no país. Ela mesma deu o recado: "Os brasileiros darão sua resposta à Veja e seus cúmplices nas urnas. E eu darei minha resposta na Justiça". 

A Veja escreve, em sua reportagem,  que o delator não pode mentir, senão perde o direito à delação premiada. E quem publica a mentira do delator, perde o que?

No Muda Mais
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O que pode — e deve — vir depois da capa da Veja


Quando soube da capa da Veja, me ocorreu uma passagem que, algum tempo atrás, testemunhei em Londres.

Os tabloides foram avançando cada vez mais em métodos indignos, desonestos e criminosos na busca de furos — e com eles leitores e anunciantes.

Até que se soube que um tabloide de Murdoch, o News of the World, invadira a caixa postal de uma garota de treze anos sequestrada e morta.

Acabou ali a festa.

Em menos de uma semana, em meio a uma torrencial comoção espalhada entre os britânicos, o centenário News of the World estava fechado.

Logo, repórteres, editores e altos executivos de empresas jornalísticas delinquentes começaram a ser investigados, processados e, em muitos casos, presos.

Não demorou muito e se estabeleceu um consenso na sociedade britânica: a imprensa tinha que ser submetida a novas regras. O regime de auto-regulação, como mostrou espetacularmente o caso do News of the World, fracassara.

Agora, os arranjos finais das novas regras estão em debate. Os tabloides nunca mais voltaram a fazer o que faziam impunemente.

Enxergo no jornal de Murdoch na cobertura do sequestro e morte da garota inglesa a Veja nesta capa às vésperas das eleições.

Certas passagens trágicas, e este é o lado positivo delas, têm o poder de transformar coisas ruins que de algum modo vão se acumulando.

Uma hora um limite é rompido — e a opinião pública berra um basta do qual não existe retorno.

A Veja não vai deixar de circular imediatamente como o News of the World.

Mas, como ficou claro na reação de Dilma, uma história de muitos anos acabou com a capa desta sexta e outra história só não vai se iniciar caso Aécio vença.

O que chegará ao fim, se Dilma ganhar, é um pacto não escrito entre a imprensa e sucessivos governos.

Este pacto estabelece, basicamente, o seguinte. A mídia dá uma cobertura amiga. Não investiga corrupção, por exemplo. Projeta uma imagem de bem-aventurança generalizada. Protege o poder.

Em troca, as grandes empresas recebem dinheiro público em doses avassaladoras. É publicidade, é compra de livros didáticos, é aquisição de lotes de revistas, é financiamento facilitado em bancos públicos.

É, enfim, uma coleção interminável de mamatas que levaram os donos das empresas a terem algumas das maiores fortunas do país.

Com FHC, o pacto funcionou esplendidamente. Tanto que a compra de votos para a emenda da reeleição jamais foi investigada com seriedade.

Os problemas começaram com Lula.

É curioso notar que a ruptura do pacto foi unilateral: partiu da imprensa. Talvez em dose não tão grande, mas ainda assim absurdamente elevada, a bilionária publicidade governamental continuou a fluir para as maiores companhias jornalísticas.

A Globo, como passamos a saber depois que a Secom decidiu divulgar seus gastos, recebe anualmente 600 milhões de reais em verbas publicitárias federais.

Quando você acrescenta a aquilo tudo recursos de governos estaduais e municipais, não é exagero dizer que as grandes empresas de mídia são virtualmente financiadas com dinheiro público.

A novidade que surgiu na era PT é que a mídia descobriu que poderia continuar a mamar sem dar as contrapartidas que sempre ofereceu aos governos amigos.

Foi então que começaram a brotar colunistas dedicados exclusivamente a atacar Lula em todas as mídias: jornais, revistas, rádios, televisão, internet.

Para a mídia, era o melhor dos mundos. O que era uma guerra fria no começo se tornou logo um batalha aberta. Não raro, denúncias sem nenhum fundamento passaram a ser publicadas como se fossem verdades indiscutíveis.

Colaborou para isso a Justiça brasileira, complacente com os crimes da imprensa, ao contrário do que ocorre em sociedades avançadas.

E o melhor, para as grandes empresas: ao mesmo tempo em que atacavam ferozmente o governo, sempre recolheram, no final de cada mês, o Mensalão das verbas publicitárias desse mesmo governo.

Para a sociedade, esse esquema é uma calamidade. É como se ela mesma pagasse para ser enganada e manipulada por jornais e revistas.

O objetivo é perpetuar um situação em que uns poucos — a começar pelos donos da mídia — tenham privilégios assombrosos. Você não consegue entender a desigualdade brasileira se não entender este pacto entre mídia e governos.

Por que o PT não rompeu um contrato tão sinistro para o país?

Esta é uma grande pergunta.

Numa visão benévola, defendida por alguns petistas, por “republicanismo” — expresso numa expressão de consequências funestas para os brasileiros: “mídia técnica”. É como se a mensagem fosse a seguinte: “Sou tão correto que encho a Globo de dinheiro mesmo sabendo que esse dinheiro vai dar em Mervais, Jabores, Sardenbergs etc.”

Numa visão menos benévola, por medo. Por insegurança. Por temer a retaliação dos barões da imprensa.

Deu no que deu: nesta capa da Veja.

Se essa capa representar o fim de um pacto tenebroso para os brasileiros, teremos, paradoxalmente, que ser gratos a ela.

Paulo Nogueira
No DCM



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O TSE e a descoberta do programa de fraude nas urnas eletrônicas


Há menos de três meses, um jovem hacker recém formado pela Universidade de Brasília acessou o sistema das urnas eletrônicas no TSE e descobriu, entre 90 mil arquivos, um software que possibilita a instalação de programas fraudados: o “Inserator CPT”. A ação foi planejada pela CMind (Comitê Multidisciplinar Independente), formado por especialistas em tecnologia.

A advogada Maria Aparecida Cortiz, que participa do grupo, articulou a estratégia dentro do Tribunal Superior Eleitoral, representando o PDT, depois que o presidente da Corte Dias Toffolli anunciou que não abriria edital para testes nas urnas das eleições 2014. “Não vai fazer teste? Então vamos por um hacker lá dentro para descobrir o que tem de errado”, disse em entrevista ao GGN.

Cortiz descobriu outra brecha no sistema: além do Inserator, o programa comandado pela empresa Módulo Security S/A — conforme relato do GGN a única proprietária do serviço por 13 anos com contratos irregulares — é transmitido de Brasília para os estados por meio da insegura rede da Internet.

As denúncias de irregularidades foram enviadas ao TSE em uma petição. Entretanto, a petição não virou processo e foi arquivada por um juiz da Secretaria de Informática. Além da omissão do próprio ministro Dias Toffoli, a advogada ainda denuncia o desaparecimento de quatro páginas do documento. “É o crime perfeito. O réu julga suas próprias ações”, conclui.

Leia a entrevista completa:

Procurador-geral Rodrigo Janot, a advogada Maria Cortiz e o ministro Dias Toffoli, durante cerimônia de lacre do software em setembro de 2014

Como seria fazer uma auditoria preventiva para evitar as fraudes eleitorais?

O problema do TSE é a concentração do poder. Para fazer uma auditoria, temos os limitadores que eles próprios nos impõem.

Uma auditoria no software é inócua, porque é muito cara, muito demorada e existem sempre as cotas do fundo. E a gente não conseguiria ter certeza que tudo o que a gente pediu seria implementado e que estaria sendo usado no dia da votação.

E o processo de auditoria feito em janeiro de 2013, investigando as licitações da Módulo Security S.A.?

Todas as licitações foram feitas para manter a Módulo. Isso é fato, notório, público, por aquelas consultas que eu fiz nos Diários Oficiais, que são documentos públicos, que todos os procedimentos foram feitos para manter a empresa Módulo lá dentro, no TSE. O que é a empresa Módulo? É responsável pela segurança do sistema. É responsável pelos SIS, um sistema de instalação de segurança, é o primeiro sistema que confirma as assinaturas para validar os programas que são colocados na urna.

O TSE, com a concentração de poderes, não deixa a gente fazer nada e a gente não tinha mais solução para tentar mudar esse sistema. Aí eu propus para o grupo, que é o CMind [Comitê Multidisciplinar Independente], em que o Pedro Rezende e o Diego Aranha também trabalham, e que a gente milita. Propus a eles que a gente colocasse um hacker dentro do TSE. Eu falei: consigam a pessoa, que eu vou ficar com ele lá dentro, dar as dicas, porque, embora a minha formação não seja técnica, estou lá há muitos anos, eu sei como funciona.

O Diego e o Pedro escolheram um menino chamado Gabriel Gaspar, que foi aluno deles na UNB. Em agosto, conseguiu ir. Por orientação, ele foi trilhando o mesmo caminho do Diego no código fonte. Diego Aranha é aquele técnico da UNB, professor que descobriu o desembaralhamento dos votos, que dava para identificar o eleitor. Então, o Diego orientou, disse o caminho, o que era importante.

A gente descobriu, no meio de 90 mil arquivos, um artefato (a gente chamou assim) no sistema de segurança, que é desenvolvido pela Módulo. Achamos que aquilo era importante, e fizemos todo um estudo. Para que ele serve? O ministro [Toffoli] assina um programa, manda para os outros ministros, Ministério Público e OAB assinarem, envia esse programa para os estados, e só poderia funcionar nas urnas esses que vieram de Brasília, concorda? Só que usando o "Inserator" podem ser instalados programas na urna, assinados por esse artefato. Ele está apto a validar programas não oficiais. Foi uma descoberta muito importante. Isso foi agora, dia 4 de setembro.

Em 2013, eu não sabia como que eles faziam, quando eu fiz o estudo da licitação da Módulo, sabia que a empresa estava usando alguma coisa, mas não o que era. Neste ano, nas eleições 2014, eu descobri como o programa foi utilizado, lá em Londrina, em 2012: com o Inserator. A gente descobriu o nome dele e onde ele estava: dentro do sistema de segurança, é um subsistema.


E o resultado disso?

Cópia da Petição enviada à OAB 
A partir daí, fiz uma petição com o ministro Dias Toffoli, explicando que, além disso, que é gravíssimo, tem outras vulnerabilidades. Descobrimos outra coisa muito, muito ruim: a Justiça Eleitoral não está usando mais aquela rede super segura, que sempre disseram que nada tem conexão com a internet, não é?

Só que eu pedi para fazer um teste lá [no sistema de urnas do TSE] e eles toparam, mas não sabiam a minha intenção com esse teste, não sabiam que eu estava com um hacker. Eu pedi para fazer o teste questionando se um computador que gera mídia – a mídia é aquele pendrive que vai carregar a urna – pode estar conectado à internet. Pedi: quero que façam o teste, um computador conectado e um não conectado. Aí eles falaram: nós vamos fazer, mas não tem sinal nenhum, porque nós usamos a internet.

Então, os programas que estão vindo para os estados, que são assinados, criptografados, vêm via internet. Não tem mais a rede hiper super segura. Eles próprios pagaram uma fortuna para abrir a rede, e abandonaram, porque ela não é segura de jeito nenhum.

Olha a situação: o Inserator existe, está dentro do SIS, o SIS é instalado no computador da Justiça Eleitoral, o computador da Justiça Eleitoral está conectado à internet. A pessoa que conhece o Inserator puxa um programa da Internet, as pessoas não sabem de onde veio aquele programa, assina no teclado e coloca na urna. Que dificuldades tem isso?

O partido político, o fiscal, o juiz que estiver lá não percebe. Não dá para perceber a diferença de colocar um programa original de um fraudado. Porque a justiça eleitoral confessou que precisa da Internet para gerar mídia.

Qual foi a consequência da petição?

Tudo que entra na Justiça vira processo. A minha petição foi para o juiz auxiliar secretário da presidência, julgada com um parecer da secretaria de informática, e mandada para o arquivo. Ela não tinha capa, não tinha número, só tinha número de protocolo, não virou processo. Eles tinham que, de qualquer maneira, desaparecer com isso, eles não podiam colocar como visível para outras pessoas. Tanto é que, você como jornalista, não encontra porque não fizeram número, não fizeram processo. É só um número de protocolo qualquer. 

Qual seria o trâmite, de acordo com a resolução: apresentada a impugnação, é escolhido um relator, o relator leva para a mesa, para julgar. E esse julgamento iria passar na televisão, ia ser público. Eles não podiam deixar isso acontecer, de jeito nenhum.

Então, foi grampeada a petição, com o parecer da secretaria de informática. O juiz indeferiu, mandou arquivar.

Nós fomos atrás desse processo. O parecer tem nove páginas, mas só tem cinco lá, o resto está faltando. Ninguém sabe onde está esse parecer. A gente está aguardando, para ver se eles acham o resto.

Não consegui encontrar o contrato da Módulo, ela venceu a licitação para as eleições de 2014?

Venceu. Eles fizeram uma coisa totalmente direcionada. A Módulo participa do projeto base, então só ela ganha [a licitação].

Por que os outros concorrentes não teriam critérios técnicos?

São eles que criam os critérios técnicos. Para ganhar. Então, não tem chance, não tem como ganhar. A Módulo tem contrato com todos os órgãos do governo. Não é só um, são todos.


Como mandou para o TSE, você poderia mandar esses documentos ao MPF, à OAB, para articular melhor a sua petição?

Eu mandei para a OAB, porque ela poderia mexer com isso. Mas o presidente do Conselho Federal da OAB [Marcus Vinicius Furtado Coêlho] falou uma coisa que eu quase morri do coração. Falou que as urnas brasileiras são exportadas para o mundo inteiro. Primeiro, que não é "TSE Limitada" e muito menos "S.A.". E outra, nenhum país do mundo aceita essas urnas. Então, eu fiz a petição, com a minha obrigação de ofício como advogada, entreguei para ele com as irregularidades. Mas ele não tomou conhecimento, não.

As auditorias podem ser feitas por qualquer órgão?

A lei 9.504 só permite que analisem os programas o Ministério Público, a OAB e Partidos Políticos. Então, embora eu faça parte do CMid, eu tenho que fazer parte de um partido político. Tanto que já sou filiada há muitos anos, mas não sou ligada ao PDT, não tenho nenhuma vinculação, a não ser esse trabalho de ir lá e fazer a análise de códigos.

Especialistas discutem como hacker de 19 anos fraudou eleições no RJ, em 2012 
A Justiça Eleitoral, de quando em quando, publica o edital de que vão existir testes. O Diego participou de um teste nas urnas de 2012, desembaralhou os votos e descobriu quem votava em quem. Também estávamos juntos, porque ele não poderia falar [por não ter a autorização do TSE]. Então eu fiquei do lado dele, escutei [as conclusões] e passei para frente. Teve que ter toda uma estratégia.

Este ano, o ministro Toffoli disse que não ia fazer teste. Não vai fazer teste? Então vamos por um hacker lá dentro para descobrir o que tem de errado.

Legalmente falando, é possível?

A lei fala que o TSE tem que apresentar os códigos fonte para mim. Eu fui com base na lei. Só que eles não sabiam da capacidade do menino, se eles soubessem teriam bloqueado. Porque é muito, muito restrito. O PDT tem outros técnicos, mas um ficou fora, e eu sou advogada, normalmente eu não sento nas máquinas. Só que este ano a gente mudou de estratégia. Eu fui sozinha e levei o menino, que eles nem sabiam quem era. Eles achavam que ele era do PDT, e não da UNB.

Essa sua petição não foi a público?

Foi, está dando uma repercussão boa, porque eu falei dela na Universidade Federal da Bahia. O Pedro fez um site, eu fiz o debate na Bahia. Não é a mesma divulgação que Justiça eleitoral dizendo que nada é conectado à internet.

Se não fosse verdade, eu já teria respondido a milhares de processos pela Polícia Federal. Não tem como dizer que não está lá dentro, o programa está lá dentro.

Patricia Faermann
No GGN
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Como funciona o “tráfico de notícias” da imprensa mineira censurada


A repórter LVC trabalha numa grande publicação da imprensa mineira. Ela contou ao DCM como funciona o “tráfico” de reportagens apuradas em Minas Gerais e que são repassadas para órgãos de imprensa do Rio e de São Paulo.

Em resumo: nas gestões de Aécio Neves e de seu sucessor Anastasia, ficaram vetadas matérias “negativas” sobre o governo. A pressão sobre a mídia, exercida principalmente por Andrea Neves — irmã de Aécio e responsável pela comunicação –, foi bem retratada em dois documentários: “Liberdade, Essa Palavra” e “Gagged in Brazil” (“Amordaçados no Brasil”). Ironicamente, a versão original dos dois filmes foi retirada do YouTube.

Diante da censura e do receio de demissão, a saída dos profissionais é “sugerir” para colegas de outros estados as denúncias. Na maioria das vezes, elas são publicadas. Na maioria. “A gente fica feliz por tabela”, diz LVC.

O depoimento:

O tráfico de matérias daqui de Minas para outros jornais foi a forma que encontramos para driblar a censura, que tomou uma dimensão inacreditável nos últimos anos.

A gente já sabia de muitas dessas histórias, hoje conhecidas, há muito tempo. O aeroporto de Cláudio, o nepotismo, os problemas na educação… 

Somos proibidos de ouvir o chamado ‘outro lado’ nas reportagens envolvendo inimigos do governo. Em casos como o aeroporto, o Estado de Minas [o maior jornal local] e o Hoje em Dia nunca deram uma linha. Quando saiu alguma coisa, foi apenas a justificativa da assessoria de Aécio Neves. Apenas O Tempo fez a cobertura.

A história do Agnello Queiroz, por exemplo, foi entregue por um amigo meu à imprensa de São Paulo e Rio [um funcionário da Secretaria de Saúde que foi assessor do governador de Brasília Agnelo Queiroz, quando ele era ministro do Esporte, recebia propina de uma empresa que presta serviço ao GDF. O dinheiro abasteceria um caixa 2 da campanha]. Não podia sair nada porque Agnello é amigo de Aécio.

Também foi um colega daqui que passou adiante os documentos comprovando que assessores do gabinete de Aécio, quando senador, recebiam dinheiro em cargos de estatais mineiras. A Heloísa Neves, assessora de imprensa do Aécio, é uma dessas pessoas 

[Diz o Estadão: “Três servidores comissionados recebem, além do salário do Senado, remunerações por integrar conselhos de empresas do Estado, governado pelo tucano de 2003 a 2010 e agora sob o comando do aliado Antônio Anastasia (PSDB). Assim, turbinam os rendimentos em até 46%. Ninguém é obrigado a bater ponto no Senado e, nas estatais, são exigidos a ir a no máximo uma reunião por mês. (...)

Também assessora de Aécio, com salário de R$ 16.337, a jornalista Maria Heloísa Cardoso Neves recebe jetons de R$ 5 mil por mês da Companhia de Desenvolvimento Econômico de MG (Codemig) para participar, obrigatoriamente, de três reuniões anuais do Conselho de Administração. E, por vezes, de encontros extraordinários”.]

O mensalão do Arruda não foi noticiado por causa de suas relações com Aécio. Nós conversamos bastante com os correspondentes dos jornalões. A direção dos jornais daqui já suspeita de que isso acontece, mas não há nada que eles possam fazer.

Há orientações sobre fotos. As de Dilma têm de ser fechadas nela e, de preferência, ela não pode aparecer sorrindo. Depois que votou em Porto Alegre no primeiro turno, por exemplo, ela foi para a casa do ex-marido, o Carlos Araújo. O neto apareceu lá. Foi proibida a publicação da foto dela com o menino.

Com a candidatura do Aécio, o Estado de Minas passou a dar duas manchetes de política. São sempre favoráveis a ele. 

A carteira de policial que Aécio obteve quando o avô Tancredo governava Minas
A carteira de policial que Aécio obteve
quando o avô Tancredo governava Minas
Toda a imprensa mineira funciona assim. No Estado de Minas, houve uma rebelião e os jornalistas deixaram de assinar matérias em que os editores mudavam demais o texto. Fica como “Da Redação”. No Hoje Em Dia, personagens que os repórteres não ouviram estão sendo incluídos nos artigos. 

Essa censura vale até para assuntos corriqueiros.  Coisas com que qualquer governante tem de lidar. As greves de professores, por exemplo, não são repercutidas.

As fontes relacionadas ao governo de Itamar Franco foram banidas. Existe um índex  uma lista negra, de pessoas que não podem sair de jeito nenhum. Algumas delas são o Fabrício de Oliveira, economista que critica o “choque de gestão”;  o Rogério Correia, deputado estadual pelo PT; o Padre João, deputado federal pelo PT; e o Sávio Souza Cruz, deputado estadual pelo PMDB.

Ocorrem armações. Uma vez, a oposição estava reclamando que Aécio estava passando tempo demais no Rio de Janeiro. O Estado de Minas fez uma foto dele, de manhã cedo, no Palácio da Liberdade, para dar a impressão de que trabalhava muito.

Não há condições de continuar assim por muito tempo. O Aécio não aceita a mínima crítica. Tudo é controlado. 

Existe por parte dos donos dos meios de comunicação um realismo maior do que o rei. Eles esperam que, com a vitória do candidato, a recompensa venha na forma de mais verbas publicitárias.

Quando o Aécio foi pego no bafômetro no Rio, saiu nota de pé de página só porque o clamor foi enorme. 

No caso do aeroporto de Cláudio, nós sabíamos da obra há anos. A novidade, para nós, foi que a chave ficava com o tio-avô de Aécio, o Múcio. Isso porque nunca pudemos investigar nada in loco. Nem pensar em ir até Cláudio.

O emprego de parentes é algo antigo. Mas a única informação recente sobre nepotismo na política que saiu aqui foi sobre o irmão da Dilma, o Ygor Rousseff. Aí rendeu manchete. [Durante um debate, Aécio declarou que o irmão da presidente foi funcionário “fantasma” e recebia salário da prefeitura de Belo Horizonte “para não fazer nada”].

Um conhecido passou para a imprensa paulista a história da carteira da polícia que o Aécio conseguiu. A matéria acabou não sendo publicada [em 1983, aos 23 anos, Aécio obteve a carteira. Seu avô, Tancredo, era o governador].

O primo dele, o Quedo, é famoso. Quando ele foi preso, saiu uma notícia. Daí em diante, a ordem era para que todo o desdobramento do episódio fosse para apresentar a defesa [em 2011, o comerciante Tancredo Tolentino foi acusado de pedir 150 mil reais de propina para libertar traficantes de drogas. Ele teria dado o dinheiro ao desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e alvo de ação penal no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Fantástico não mencionou o nome de Aécio].

A apreensão do helicóptero dos Perrella com cocaína seguiu a mesma lógica. Saiu a notícia. Em seguida, só matérias deles se defendendo. No caso do mensalão mineiro e do Eduardo Azeredo, é vetado usarmos a palavra “mensalão” [Aécio tem insistido que são mensalões “diferentes”: “Acho que com serenidade e muita transparência Azeredo terá tempo de apresentar seus argumentos e demonstrar que não há paralelo entre uma questão e outra", afirmou].

Nós somos obrigados a fazer esse jornalismo de guerrilha. É muito frustrante ter uma grande matéria nas mãos e ela ser censurada. Quando sai em outro lugar, ficamos felizes por tabela.

Kiko Nogueira
No DCM
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Como opera a máquina de censura de Aécio em MG

Com o auxílio da irmã Andréia, o presidenciável tucano usa publicidade oficial para controlar a imprensa. Nos demais poderes, age impedindo o contraditório

No último sábado (18), a TV Band Minas não exibiu o programa Extraclasse, produzido pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), como faz há seis anos, desde que a direção contratou um espaço de 20 minutos na grade de programação da emissora para se comunicar melhor com a categoria. Questionada pela diretoria do Sinpro Minas, a emissora justificou que não pode exibi-lo porque ia contra sua linha editorial.

O programa censurado (assista abaixo) faz críticas à gestão da educação em Minas Gerais, algo impensável de ser exibido pela imprensa mineira, há 12 anos subjugada ao projeto de poder tucano. Em alusão às comemorações pelo Dia dos Professores (15 de outubro), o Extraclasse discute os desafios da profissão docente no Brasil. E acaba por comparar dois diferentes modelos em execução no país: o implementado em Minas por Aécio e o executado no país pela presidenta Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição.

“É um absurdo a emissora influir em um programa contratado pelo sindicato, cujo conteúdo é de nossa responsabilidade. Nós enviaremos o programa novamente no próximo sábado (25). Se não for exibido, tomaremos as providências jurídicas”, afirma o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reais, um dos entrevistados da edição. Segundo ele, ao justificar que o programa contrariava sua linha editorial, a TV Band deixou clara a sua falta isenção na corrida eleitoral. “A Band apoia o projeto de governo de Aécio”, denuncia.

Atentado à liberdade de expressão

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes afirma que a censura ao programa do Sinpro é apenas um dos muitos exemplos de como os governos do PSDB vêm atentando contra à liberdade de imprensa no estado. Segundo ele, logo após Aécio assumir o governo, em 2003, ocorreu uma onda de demissão de jornalistas responsáveis por reportagens desfavoráveis ao governo.

Não escapou nem mesmo o diretor regional de jornalismo da poderosa TV Globo, Marco Nascimento, que havia autorizado a exibição de uma matéria sobre uso de crack no centro da capital Belo Horizonte. Segundo ele, a jornalista e irmã do então governador, Andréia Neves, chegou a reclamar pessoalmente que esse tipo de reportagem prejudicava a imagem do futuro presidenciável. Como ele não se curvou ao “jornalismo chapa branca”, ela procurou o diretor geral de Jornalismo da Globo, Carlos Henrique Schoreder, no Rio de Janeiro, que demitiu Marco.

Ocorrências semelhantes resultaram na demissão do então editor do Estado de Minas, Ugo Braga, do repórter esportivo da Band, Jorge Kajuro, e do então apresentador da Rádio Itatiaia, Paulo Sérgio, entre outros. Todos os casos têm em comum o envolvimento direto de Andréia, a eminência parda do governador, nomeada por decreto dele para controlar toda a verba publicitária do Estado e, por meio dela, o que deveriam dizer ou não os veículos de comunicação. Sobre as demissões dos jornalistas mineiros, veja mais no vídeo “Liberdade, essa palavra

Andreia só deixou o posto no início deste ano. Agora controla as três rádios e um jornal da família Neves. Todos eles ainda recebem verbas do governo do estado, cujo valores não são divulgados. Líder da oposição na Assembleia de Minas, o deputado Sávio Souza Cruz (PSDB) estima que os gastos de publicidade do estado, hoje, consumam em torno de meio milhão. Ele, que foi secretário do governo Itamar Franco, lembra que, em 1999, os gastos do estado com publicidade era de R$ 900 mil. “Quando Aécio assumiu, em 2003, elevou para R$ 258 milhões”, relata.

Pior do que na ditadura

Para o parlamentar, a censura de hoje em Minas é pior até mesmo que a da ditadura. “Os militares calavam os jornais com seus canhões, mas a censura econômica de Aécio não só cala a imprensa, como a obriga a aderir ao seu projeto político de chegar ao Palácio do Planalto”, afirma. Sávio Souza Cruz avalia que a política de comunicação tucana em Minas cria um estado ilusório que contrasta com o real, vendendo a imagem de bom gestor de Aécio pelo país afora. “Aécio é a antítese dele próprio, porque tudo que fala, ele faz ao contrário”, acusa.

Como exemplo, o deputado cita os principais traços trabalhados pela publicidade oficial do presidenciável. “Aécio se gaba de ser um bom gestor, mas quebrou o estado. Quando ele assumiu, herdou uma dívida com o governo federal de R$ 24 bilhões que ele aumentou para R$ 80 bilhões e ainda contraiu outra de R$ 27 bilhões”, denuncia. Contesta também a promessa do candidato de reduzir a máquina pública. “Aécio fala em reduzir ministérios e demitir servidores, mas quando foi governador de Minas contratou mais 120 mil cargos comissionados”, contabiliza.

Sávio Souza Cruz critica ainda o fato de que o tucano promete reduzir a carga tributária brasileira, depois de transformar a mineira em uma das mais altas do país. “O estado ostenta o maior ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) sobre energia elétrica e combustível, além do maior ITCD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) do Brasil”, afirma. Lembra, também, que Aécio critica o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, mas, sob sua administração, Minas ficou em 22º lugar no ranking de estados do país, abaixo da média nacional.

Controle dos demais poderes

Para o deputado Sávio Souza Cruz, a obsessão do presidenciável Aécio Neves em controlar a liberdade de expressão atinge todos os poderes de Minas. “No estado em que a palavra liberdade é tão cara, não existe mais nenhum contraditório”, afirma. Segundo ele, o legislativo é corriqueiramente tratorado pela maioria tucana. Desde que Aécio assumiu, há 12 anos, a Assembleia do Estado só aprovou a criação de três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), e nenhuma delas para investigar o governo. “Nada é investigado”, lamenta.

No Tribunal de Contas do Estado (TCE), o deputado garante que a situação não é diferente. “Há 12 anos, Minas Gerais não respeita o mínimo constitucional para investimento em saúde e educação. E, mesmo assim, as contas do governo são aprovadas. É um verdadeiro Tribunal de Faz de Contas”, denuncia.

Exemplo de como funciona o TCE ocorreu após o debate da Band, em 14/10, quando a presidenta Dilma acusou Aécio Neves de desviar R$7,6 bilhões da saúde. O tucano disse que ela estava mentindo e, então, Dilma convidou os eleitores a acessarem o site do TCE. Naquela noite, o site saiu do ar. No dia seguinte, os documentos citados por Dilma desapareceram por cerca de 4 horas, até a imprensa denunciar a manobra. A presidenta do TCE, Adriane Andrade, foi indicada por Aécio e é casada com Clésio Andrade (PMDB), vice-governador dele no primeiro mandato.

O deputado acusa até mesmo o Ministério Público Estadual (MPE) de ter sido subjugado por Aécio. “Quando era governador, ele podia sempre contar com o então procurador-geral de Justiça, Alceu Torres, que matava no peito todas as denúncias contra os tucanos. Tanto que foi promovido a secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento do governador Anastasia, que sucedeu Aécio”, revela.

Alerta aos brasileiros

O presidente do Sindicato dos Jornalistas acrescenta que a opressão à liberdade de expressão é tão suntuosa que os jornalistas do estado, preocupados que o padrão se estenda para o país com uma possível vitória de Aécio nas eleições, decidiram lançar o Manifesto dos Jornalistas Mineiros ao Povo Brasileiro, em assembleia geral realizada em 15/10, no qual alertam os eleitores sobre os riscos que tais práticas representam para a democracia.

No documento, eles avaliam que a cobertura da mídia mineira sobre as eleições é claramente favorável ao tucano. “Tais fatos, públicos e notórios, são sobejamente atestados por instituições de pesquisa e monitoramento da mídia, revelando uma tentativa de corromper a opinião pública e de decidir o resultado das urnas”, denunciam. Eles afirmam também que “a atividade jornalística e a atuação dos profissionais foram diretamente atingidas pelo conluio explícito estabelecido entre o governo e os veículos de comunicação, com pressão sobre os jornalistas e a queda brutal da qualidade das informações prestadas ao cidadão mineiro sobre as atividades do governo”.

De acordo com Kerison Lopes, embora o documento não tenha conseguido nenhum espaço nos órgãos da imprensa convencional, atingiu um grande número de eleitores brasileiros por meio da internet, o “Calcanhar de Aquiles” do projeto de comunicação do tucano. “Aécio não entende de democracia. E muito menos de democracia digital. Tenteou censurar até os sites de busca, como o Google, mas não conseguiu nada. A rede é um universo que, ao contrário da mídia convencional, ele não consegue comprar”, afirma.

Najla Passos
No Carta Maior



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“Não é, Fernando, meu amore?” Ah, D. Ruth…

Nem o Aecinico foi capaz de cena tão constrangedora


”O tucano gravou ao lado da namorada, Patricia Kundrat, que também pediu ‘mais amor’ na eleição.”

Não foi à toa que a Economist, a revista dos banqueiros, chamou a manifestação dele, a da Potato Square, de “manifestaçao do cashmere”…

E burros são os nordestinos…



No CAf
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“A maior fábrica de mentiras do mundo”

Para Lula, enquanto a Disneyworld produz diversões para crianças, "Veja fabrica mentiras para produzir ódio."

Poucas horas depois de tomar conhecimento da reportagem de capa da Veja, Luiz Inácio Lula da Silva reagiu de forma indignada em entrevista ao 247:

— A Veja é a maior fábrica de mentiras do mundo. Assim como a Disney produz diversão para as crianças, a Veja produz mentiras. Os brinquedos da Disney querem produzir sonhos. As mentiras da Veja querem produzir ódio, disse, referindo-se a um elemento da química eleitoral que adquiriu uma presença importante na campanha de 2014.

Poucos políticos brasileiros foram alvo de tamanha quantidade de reportagens negativas por parte da Veja como Luiz Inácio Lula Silva. Reportagens erradas, bem entendido, que não debatiam suas ideias políticas, nem o PT, mas questionavam seu caráter e sua formação. Os dois episódios mais conhecidos ocorreram no ano de 2006, quando Lula disputava a reeleição — momento especialmente propício para desastres midiáticos, como se sabe.

Em maio a revista publicou a denúncia de que Lula e vários ministros possuíam contas secretas no exterior. Como aconteceu com a capa “Eles sabiam de tudo”, a revista não possuía informações confiáveis para sustentar o que dizia, admitia isso perante os leitores — mas não se furtou lançar acusações gravíssimas que, se fossem comprovadas, levariam a um impeachment do presidente. Mas era uma farsa grotesca, com dados que não combinavam, misturados num enredo mirabolante. O autor da apuração chegou a deixar claro a seus superiores que a história não batia, possuía várias contradições — mas ela foi publicada mesmo assim.

Em outubro daquele ano, às vésperas do pleito onde Lula disputou a reeleição, Veja publicou “O Ronaldo de Lula,” onde sugeria que Fábio Luís, filho do presidente, havia feito fortuna atuando como lobista do governo do pai. Havia dados e números sobre os negócios de Fábio Luís mas nenhum episódio que provasse o que se insinuava.

No início do ano passado, Lula e Roberto Civita, o dono da editora Abril, foram vizinhos no hospital Sírio Libanes, em São Paulo. Lula seguia no tratamento contra o câncer na laringe, do qual se recuperou, enquanto Civita cuidava do aneurisma no abdômen, causa de sua morte. Informado da gravidade da doença do empresário, Lula decidiu lhe fazer uma visita de cortesia. Civita reagiu com surpresa à chegada do ex-presidente. Em determinado momento, Civita lembrou-se da matéria sobre Fábio Luíz e disse a Lula que lamentava terem feito aquela acusação sem provas. Lula tranquilizou Civita. Disse que não fora ali para discutir, mas para lhe desejar boa sorte. Poucos minutos depois, retirou-se.

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DataCaf: Dilma 49 a 40

Tracking DataCaf (copiado e jamais igualado)



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A peleja do “PT Malvado” contra o “Pobre Tucano”

Em busca de uma razão para explicar a nova onda vermelha de Dilma e o derretimento de Aécio, na antevéspera da eleição presidencial, a velha imprensa familiar criou uma narrativa comum que, de tão fantástica, lembra a literatura de cordel: "A Peleja do PT Malvado contra o Pobre Tucano".

Dava até pena de ver experimentados profissionais se contorcendo nas cadeiras dos telejornais noturnos, visivelmente contrariados, diante das novas pesquisas divulgadas no final da tarde desta quinta-feira, que apontavam a reeleição de Dilma no domingo, por uma diferença entre 6 e 8 pontos dos votos válidos. Ver análise sobre os números do Datafolha e do Ibope neste link:

O chororô do pensamento único vinha acontecendo já há alguns dias, desde que o Datafolha e o Vox Populi mostraram Dilma na frente de Aécio, no início da semana, pela primeira vez no segundo turno, e foi chegando próximo à histeria, diante da confirmação da inversão das curvas nas novas pesquisas, abrindo a boca do jacaré.

Tudo era culpa do "PT Malvado": baixo nível, jogo sujo, má fé, mentiras, leviandades, agressividade, terrorismo, desconstrução. Ou seja, acusa-se o adversário pelas dificuldades enfrentadas por Aécio na reta final da campanha, depois de entrar com a bola toda no segundo turno.

Se procurassem as razões da derrocada na própria campanha tucana, os "istas" e "ólogos" de plantão poderiam descobrir que as entrevistas desastradas de Fernando Henrique Cardoso sobre os eleitores do PT e de Arminio Fraga sobre bancos públicos foram mais danosas para Aécio do que todas as propagandas negativas do PT focadas no nepotismo e no patrimonialismo, tão coisas nossas.

Em política, como sabemos, o papel de vítima indefesa diante do adversário malvado não funciona. O coitadismo nunca deu certo, o povo não aceita. Lula e o PT só passaram a ganhar eleições quando perceberam isso.

Por acreditar demais na mídia amiga, Aécio parece ter levado um susto ao ver a ave de bico grande indo para o brejo, quando já posava de presidente eleito, e não se conformava de ter sido chamado de "filhinho de papai" pelo ex-presidente Lula: "Ver um ex-presidente sendo protagonista dessa campanha sórdida, e a meu ver criminosa, é lamentável", queixou-se.

Após visita a d. Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, Aécio ainda pediu aos seus eleitores que saiam no sábado vestidos com as cores da bandeira brasileira, sem se dar conta de que o mesmo apelo já tinha sido feito por Fernando Collor, pouco antes de ser afastado da Presidência da República, em 1992, acusado de corrupção.

"Nos aguardem. Domingo falarei com vocês como presidente eleito", anunciou o candidato tucano, após incorporar um Collor básico, que não combina com ele. Algum assessor deveria lembra-lo que naquele episódio, em vez de verde-amarelo, o povo se vestiu foi de preto para protestar contra o então presidente.

Desta vez, a cor predominante nestas últimas horas de campanha eleitoral, fora de São Paulo, claro, é o vermelho. Por aqui também já bateu o desespero nos tucanos pouco antes da divulgação das pesquisas, como relata Nilson Hernandes, de O Globo, sobre o confronto entre tucanos e petistas diante do Teatro Municipal, no centro da cidade, envolvendo 500 apoiadores de Aécio:

"Ao se depararem com cerca de 50 petistas que faziam campanha para a presidente Dilma Rousseff, com bandeiras e distribuição de material de campanha, um dos cabos eleitorais de Aécio atirou uma bandeira em direção a um correligionário de Dilma. O militante petista, então, revidou contra o ônibus no qual os apoiadores do PSDB estavam embarcados. Nesse momento, cerca de dez militantes tucanos desceram e começaram a dar socos e pontapés contra os petistas, que também desferiram agressões contra os adversários".

Era previsível e até estava demorando: todo o clima de ódio e agressões do Fla-Flu eleitoral alimentado por pitbulls nas redes sociais e também por blogueiros da grande imprensa acabou chegando às ruas, em cenas que lembraram os recentes confrontos entre torcidas organizadas do futebol.

Uma nota pitoresca em meio à batalha final entre tucanos e petistas foi registrada pela revista britânica "The Economist", que apoia abertamente Aécio Neves, em despacho do seu correspondente Jan Piotrowski, sobre a manifestação tucana da véspera, que reuniu 10 mil pessoas no largo da Batata, em São Paulo.

Encantado com o que viu, o jornalista chamou o ato pró-Aécio de "Revolução da Cashmere", uma referência à lã macia usada em roupas caras. "Foi um espetáculo talvez sem precedentes na história das eleições e não apenas do Brasil. Vestidos com camisas com iniciais bordadas e bem passadas empunhavam bandeiras de Aécio. Socialites bem vestidas protegidas por pashminas para se proteger do frio fora de época entoavam frases anti-PT. As únicas coisas que faltaram foram taças de champanhe e o próprio sr. Neves, que fazia campanha em Minas", escreveu o correspondente.

Agora, meus caros leitores, como diria o professor Heródoto Barbeiro em bom latim, "alia jacta est". A sorte já está lançada, o jogo está jogado. Só faltam dois programas de televisão, na hora do almoço e à noite, e depois o debate na TV Globo. A campanha está acabando. Faltam menos de 48 horas para a abertura das urnas.

Bolão do Balaio

Continuem participando do "Bolão do Balaio", que está bombando por aqui desde ontem.

É bem simples: basta entrar na área de comentários e mandar seu palpite sobre o resultado final (votos válidos) que o TSE vai anunciar neste domingo, a partir das 20 horas.

A partir das 17 horas, estarei ao lado de Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão aqui no R7 e na Record News acompanhando a marcha das apurações do segundo turno. Não percam.

Bons votos para todos.

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Escândalo na Sabesp: vaza áudio em que diretores admitem estelionato eleitoral


O blogue teve acesso a um áudio vazado de uma reunião da diretoria da Sabesp em que  a presidenta da empresa, Dilma Pena, admite que a população deveria ter sido comunicada da crise hídrica, para que economizasse água. Porém, segundo ela, seus “superiores”  não permitiram. Em outras palavras, o governador Geraldo Alckmin não foi honesto com a população para não prejudicar sua candidatura à reeleição.

“A gente tem que seguir orientação… A orientação não tem sido essa, mas é um erro. Tenho consciência absoluta e falo para pessoas com quem converso sobre esse tema, mesmo meus superiores, acho um erro essa administração da comunicação dos funcionários da Sabesp, que são responsáveis por manter o abastecimento, com os clientes”, afirmou Dilma Pena.

A presidenta da Sabesp, durante todo o áudio, faz questão de demonstrar que estaria em desacordo com o que os “superiores” estão fazendo. “A Sabesp tem estado muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar na mídia, com os superintendes locais, nas rádios comunitárias, Paulo [Massato] falando, eu falando, o Marcel falando, todos falando, com um tema repetido, um monopólio: ‘Cidadão, economize água’.”

Também participou da reunião o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, que causou polêmica quando disse, no último dia 25 de maio, na Câmara Municipal de São Paulo, que ia “distribuir água de canequinha em São Paulo.

Massato é mais alarmista e prevê o pior, caso não chova. “Essa é uma agonia, uma preocupação. Alguém brincou aqui, mas é uma brincadeira séria. Vamos dar férias [inaudível]. Saiam de São Paulo, porque aqui não tem água, não vai ter água pra banho, pra limpeza da casa, quem puder compra garrafa, água mineral. Quem não puder, vai tomar banho na casa da mãe lá em Santos, Ubatuba, Águas de São Pedro, sei lá, aqui não vai ter.”

Com as declarações de Dilma Pena, cai por terra todo o discurso do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que sempre afirmou não haver racionamento e nem motivo para tanto. Fica absolutamente claro que o tucano não foi honesto com a população para não se prejudicar nas urnas, alienando os paulistas que lhe confiaram o voto da tragédia que provavelmente vão viver.




A assessoria de comunicação da Sabesp procurou o blogue e enviou a nota abaixo:

NOTA DA SABESP

1) O objetivo da reunião operacional foi de ampliar ao máximo as ações de comunicação para o uso racional da água junto aos funcionários da companhia. Vale destacar que a comunicação da Sabesp é feita de forma autônoma. E as decisões ocorrem no âmbito da companhia. Naquele momento, a diretoria da Sabesp discutia com o conselho de administração da companhia (órgão superior) a estratégia de comunicação.

2) Também naquele momento a diretiva era diminuir ao máximo a dependência do Sistema Cantareira. O contexto era de convencer, de forma contundente, os gerentes operacionais da companhia da necessidade de redução. A estratégia tem dado certo. A dependência do Cantareira diminuiu de 9 milhões para 6,5 milhões de pessoas, uma redução de cerca de 30%.

Renato Rovai
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Até FHC desmente Aécio


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Meritocracia — Pai de Aécio foi nomeado para conselho de estatal mineira durante seu governo


Ele trabalhou no conselho da Cemig entre 2003 e 2009 — mesmo período em que o tucano era governador do estado

Rio – Aécio Ferreira da Cunha — pai de Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB — exerceu diversos cargos públicos ao longo da vida. Foi duas vezes eleito deputado estadual e seis vezes deputado federal. Além disso, também integrou o conselho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Morto em 2010, o último cargo que exerceu em vida foi a partir de uma nomeação realizada pelo governo de Minas Gerais no Conselho de Administração da Companhia Energética de MG (Cemig) durante a gestão do filho como governador.

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Na ata da nomeação ao qual O Dia teve acesso consta que na reunião do dia quatro de junho de 2003, primeiro ano de governo de Aécio, Cunha foi um dos escolhidos para integrar o conselho da empresa. O nome dele está relacionado em uma lista de oito “eleitos pelo acionista Estado de Minas Gerais”. Outros dois acionistas privados elegeram mais seis conselheiros. A remuneração paga para o comparecimento a uma reunião mensal, conhecido como jeton, é atualmente de R$ 6.090,91.

A Cemig é uma empresa de economia mista e de capital aberto, com mais de 130 mil acionistas particulares brasileiros e internacionais. No entanto, o governo mineiro possui a maioria das ações. O pai de Aécio Neves trabalhou no conselho entre 2003 e 2009 — mesmo período em que o tucano era governador do estado.

Procurada, a Cemig disse que os membros do Conselho de Administração são eleitos pelos acionistas da companhia em Assembleia Geral. “Não existe conflito de interesse”, informou por meio de nota. Aécio Neves disse também, por nota, que o pai foi escolhido de forma “transparente” e por “unanimidade”. Ele morreu aos 83 anos de insuficiência hepática.

Ao longo do segundo turno, Aécio foi acusado pela adversária, a presidenta Dilma Rousseff (PT) de nepotismo devido ao trabalho da irmã Andrea Neves no núcleo de Comunicação do governo durante sua gestão no governo de Minas Gerais. Andrea detinha controle sobre o reparte de verba publicitária e a família possui três rádios, além de um jornal no estado. Aécio também nomeou um tio e seis primos em outros cargos do governo. Ele refutou as acusações de nepotismo feitas por Dilma por considerar o trabalho da irmã voluntário.

Juliana Dal Piva
No O Dia
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Meritocracia?


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Dilma liquida a Veja


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Testemunha ocular: Como funciona a “venda casada” entre a revista Veja e o Jornal Nacional

Eleições presidenciais de 2006: Primeiro turno em 01/10 e segundo turno em 29/10; Lula vs. Geraldo Alckmin*
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Eleições presidenciais de 2010: Primeiro turno em 03/10 e segundo turno em 31/10; Dilma vs. Serra

Em 2006 eu era repórter da TV Globo de São Paulo. Foi a primeira cobertura de eleição presidencial de minha carreira. Minha tarefa nas semanas finais da campanha foi a de acompanhar o candidato tucano Geraldo Alckmin. De volta à redação paulista da emissora, ouvia reclamações de colegas sobre a cobertura desigual. As reclamações partiam de uma dúzia de colegas, alguns dos quais continuam na Globo.

Explico: a Globo havia destinado todos os recursos e os melhores repórteres e produtores investigativos para levantar tudo que se relacionasse ao mensalão petista ao longo de 2005.

Numa ocasião, num plantão de fim de semana, fui deslocado para São Bernardo do Campo para fazer a repercussão de uma denúncia de Veja:

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Não consegui encontrar Vavá, o irmão de Lula, na casa dele.

Quando voltei à redação, disse ao chefe do plantão que achava estranho repercutir acriticamente uma reportagem de outra empresa sem que nós, da Globo, fizessemos uma checagem independente do conteúdo. E se as denúncias se provassem falsas?

A resposta: era pedido do Rio e deveríamos simplesmente reproduzir trechos do texto da revista no Jornal Nacional.

Percebi pessoalmente, então, como funcionava o esquema: a Veja apresentava as denúncias, o Jornal Nacional repercutia e os jornalões entravam no caso no fim-de-semana. Era uma forma de colocar a bola para rolar. Depois, se ficasse demonstrado que as denúncias não tinham cabimento, o estrago estava feito. Quando muito, saia uma notinha aqui ou ali. Nunca, obviamente, no Jornal Nacional ou com o mesmo alcance.

Em 2006, portanto, o desconforto de colegas tinha antecedentes. O primeiro deles a se manifestar na redação foi Marco Aurélio Mello, editor de economia do JN. São Paulo sempre foi a principal praça para a cobertura econômica, por motivos óbvios. Naquele período, os índices econômicos batiam recordes, especialmente na construção civil. O consumo bombava. Era comum fazer reportagens a respeito. Segundo Aurélio, repentinamente ele recebeu orientação para “tirar o pé” desse tipo de reportagem, que poderia beneficiar a reeleição de Lula.

Quando o repórter Carlos Dornelles, em uma palestra no Sul, disse que não apenas o mensalão, mas também os barões da mídia deveriam ser investigados, foi imediatamente colocado na geladeira, de onde saiu para o Globo Rural.

Num comentário para o Jornal da Globo, Arnaldo Jabor comparou o presidente e candidato Lula ao então ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il.

De repente, o comentarista de política Alexandre Garcia passou a fazer aparições no programa de Ana Maria Braga.

Na cobertura do dia dos candidatos, com 90 segundos para cada, em geral eram três contra um. As denúncias do noticiário eram repercutidas com Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque: 270 segundos. Lula tinha 90 segundos para se defender.

A situação chegou a tal ponto que os colegas decidiram protestar formalmente, numa reunião com o diretor regional da Globo.

Para colocar panos quentes ficou decidido que, sim, a Globo também investigaria os tucanos. A base era a capa de uma revista IstoÉ que trazia detalhes que poderiam ser comprometedores para o então candidato a governador de São Paulo, o ex-ministro da Saúde José Serra. Era sobre o envolvimento dele com a Máfia das Ambulâncias superfaturadas, que até então era atribuída completamente ao PT.

Porém, no caso da IstoÉ, a Globo não fez a repercussão acrítica que fazia da Veja.

Como eu não estava presente na reunião, acabei escalado para tratar do assunto, de forma independente. Porém, não nos foram dados recursos para investigar. A produtora Cecília Negrão, hoje no Sindicato dos Bancários, teve de se virar por telefone. Nem uma viagem até Piracicaba foi autorizada. Era a cidade de Barjas Negri, ex-prefeito, homem que havia substituído Serra no Ministério da Saúde quando ele se licenciou para sair candidato ao Planalto em 2002.

Ainda assim, conseguimos algumas informações importantes: de fato, a máfia das ambulâncias que havia atuado no Ministério da Saúde de Lula era herança do que a Globo chamava, quando era de seu interesse, de “governo anterior”. Governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Confirmamos também que das 891 ambulâncias superfaturadas negociadas pela máfia, 70% tinham sido entregues antes de Lula assumir! Esse era o dado crucial. A reportagem nunca foi ao ar, mas por sorte eu escrevi o texto em um bloquinho de anotações e pude rememorar o caso aqui.

Naquela temporada eleitoral também aconteceu o caso dos aloprados, os petistas que supostamente tentaram comprar um dossiê contra o candidato Serra. As fotos do dinheiro apreendido com eles, coincidentemente, vazaram para a mídia na antevéspera do primeiro turno. Contei este caso mais recentemente aqui. Nunca vou me esquecer de um colega, diante do prédio da Polícia Federal em São Paulo, ligando para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para alertá-lo que a Globo estava disposta a levar a eleição para o segundo turno a qualquer custo.

De tudo o que vivi naquele 2006, no entanto, o mais marcante foi a descoberta in loco, não como observador externo, mas como testemunha ocular, da “venda casada” entre a revista Veja e o Jornal Nacional. Ela se repetiu em 2010 e já aconteceu em 2014. Hoje, dia do debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves na emissora, teremos ocasião de ver se a parceria está em pleno vigor. Vamos ver quantos minutos o JN dedicará à capa da Veja horas antes do debate final que antecede o segundo turno. Façam suas apostas.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Por que o Golpe com a Veja fracassou

E o PT? Ora, o PT é o do zé da Justiça, do Plim-Plim, do Suplicy…
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Amigo navegante descreve a sequência, passo a passo, que levaria ao Golpe da Veja.

Aquilo que o jenio do 'Ataulfo' considera a derradeira bala de prata…

1. ​O​távio Cabral, ​assessor de Aécio é um ex-repórter de Veja.

2.​ Gerson ​Camarotti​, coroinha da Globo,​ escreve que Álvaro Dias teve acesso ​a​ toda ​a ​delação premiada ​do doleiro do Juiz Moro e​ entregou ​a​ Aécio.

3. ​Ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra é citado​ como beneficiário do esquema.

4. Álvaro Dias é apontado como ​também ​beneficiário, segundo laranja de Yousseff.

5. Advogado de Yousseff diz que laranja mente e tucanos não estão envolvidos.

6. No Twitter, o tucano José Aníbal cita Lacerda sobre ​JK​ – Ele ​(a)​ não pode ser candidato ​(a)​…​ não governará.​

7. Advogado de Yousseff ​foi ​conselheiro da Sanepar, empresa de Saneamento do Paraná, no governo de Beto Richa.

8.​ Manifestação na Potato Square é retumbante fracasso.​

​9. ​Ibope e Datafolha ​plagiam DataCaf e ​apontam dianteira de Dilma.

​10​. Veja antecipa ​a ​capa. Doleiro diz que Dilma e Lula sabiam de tudo.

​11. Investigação da Lava-Jato pelo Juiz Moro é eleita “a Esculhambação do Ano” pela OAB de Vila Valqueire.​

1​2​. ​Ataulfo Merval diz que capa da Veja “pode ser definida como a última bala de prata da oposição”.

13. Quatro horas depois de “lançada” a capa da Veja, advogado do doleiro​ a desmente.

14. PT não entra na Justiça contra o Juiz Moro nem contra a Veja.

15. O Aecínico promete que não vai suar no debate da Globo.

16. Esse Bessinha…

No CAf
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A capa criminosa da Veja dessa semana #desesperodaveja

A morte do jornalismo
Eu tinha 17 anos quando entrei para a faculdade de Jornalismo e sonhava em trabalhar na Veja. Eu sabia que gostava de escrever e que a VEJA era a maior revista do país, praticamente a única que quase todos tinham acesso e comentavam na minha cidade.

Nasci e cresci em Laguna, uma pequena cidade de Santa Catarina, o estado mais de direita do Brasil, numa época em que a internet não era nada perto do que é hoje. E as matérias da VEJA eram discutidas no colégio.

Chegavam a cair em provas, como “atualidades” e a Biblioteca disponibilizava um arquivo de Vejas para pesquisa.

Talvez por isso eu não me culpo, aredito que não tinha muita escolha.

Era uma cidade com uns 50.000 habitantes, e, que eu me lembre, todos acreditavam na VEJA.

Cheguei então na faculdade com esse pensamento e nas primeiras semanas de aula lembro que um professor pediu pra que nós elegêssemos nosso jornalista favorito. Mais de 80% da turma elegeu o Arnaldo Jabor e o segundo mais votado foi William Bonner.

Eu também era fã do Jabor na época, mas talvez para ser diferente, para aparecer, ou porque realmente eu pensava assim, escolhi outro: o colunista da VEJA, Diogo Mainardi.

Eu vibrava com as tiradas sarcásticas, o humor ácido e as frases curtas do Mainardi. Pouco me importava o conteúdo que eu não entendia direito, ou pior, eu concordava até os meus 17 anos. Ele falava de economia, política, filosofia e xingava o Lula. Lembro que era o que eu mais gostava: do jeito que ele xingava o Lula.

Era isso o que, na época, eu mais ouvia as pessoas fazerem em Laguna, e o Mainardi levava o xingamento a um outro nível.

Vale lembrar que o governador, os senadores, deputados e provavelmente a maioria dos prefeitos e vereadores de Santa Catarina eram do DEM, PP e outros partidos de extrema direita ou quase isso.

Santa Catarina sempre foi uma capitania hereditária da direita conservadora. Talvez porque lá a desigualdade nunca existiu como em outros estados, nem mesmo a escravidão, e ao invés de mão de obra escrava, o estado se serviu muito bem dos imigrantes europeus. Por isso os catarinenses são tão loiros e fazem tanto sucesso nos comerciais de margarina.

E talvez por não ter que lidar ou mesmo ver de perto a miséria extrema e a desigualdade obscena que afeta muito mais outros estados, nós, catarinenses, somos um povo tão despolitizado, tão rebanho de oligarquias direitistas e tão sucetível às manipulações grosseiras dessa mídia criminosa na qual eu queria trabalhar até os meus 17 anos.

Mas essas são talvez apenas as minhas desculpas por ter sido tão estúpido até essa idade e Santa Catarina é mesmo um estado lindo. Aécio também deve ter as desculpas dele para dizer, em entrevista com a mesma idade, que todos no Rio de Janeiro tem uma ou duas empregadas e que as mulheres não precisam trabalhar.

Mas é que a capa criminosa da VEJA dessa semana realmente foi demais para mim e eu senti a mais profunda vergonha por um dia já ter sonhado em trabalhar nessa revista. Vergonha por não ter percebido antes. Por ter algum dia sido cúmplice dos crimes que ela comete em defesa dos próprios interesses desesperados.

Se Dilma vencer no domingo, será a prova de que a VEJA acabou como revista de jornalismo.

Ela pode até continuar a existir, mas deve ser ensinado nas escolas e universidades que aquilo que ela faz tem outro nome, não é jornalismo.

Realmente não sei hoje como chamar, mas ainda espero que um dia chamemos de crime.

Leonardo Mendes
No DCM
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#DesesperodaVeja







Revista investe no terrorismo eleitoral, mas já perdeu toda a credibilidade










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