17 de out de 2014

Policial autor de vídeo sobre Aécio é intimado e entrega provas à Corregedoria de MG




O vídeo que o policial civil Lucas Gomes Arcanjo postou no Facebook teve mais de um milhão de visualizações, além de 120 mil compartilhamentos.

Viralizou na rede.

Hoje ele foi ouvido na Corregedoria da Polícia Civil, em Belo Horizonte.

Ao repórter Caio Castor, disse que apresentou as provas contra o ex-governador Aécio Neves e aliados, documentos que colocou em sua página no Facebook.

No vídeo acima, ele resume algumas das acusações, dentre as quais o uso do Departamento de Trânsito (Detran) mineiro para lavar dinheiro e fazer caixa dois.

Como o PT assume o governo mineiro a partir de janeiro, espera-se que o governador eleito Fernando Pimentel não fique sentado sobre as provas, se elas de fato forem consistentes.

Caio Castor
No Viomundo
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O fascismo botou as garras de fora

O fascismo brasileiro botou as garras de fora. Parte da oposição brasileira transformou a atual campanha presidencial numa espécie de filme de faroeste onde a lei é matar ou morrer.

A postura do seu candidato, seu discurso e suas atitudes, alguns dos apoios recebidos, o incentivo ao preconceito e ao racismo, o uso seletivo de frases de bandidos com delação premiada, tudo isso vai desaguar num mar de lama que, freudianamente, procura imputar aos seus adversários. Qualquer aluno do primeiro ano de psicologia mata a charada.

Deixando de lado o fator ‘briga de torcidas’ tão comum em disputas eleitorais, e levando-se em conta os crimes até aqui praticados por boa parte da imprensa brasileira, como a divulgação de pesquisas manipuladas e das tais delações premiadas seletivas contra o governo e o Partido dos Trabalhadores, penso que é dever de todo cidadão brasileiro consciente lutar até o fechar das urnas no próximo dia 26 pela vitória da presidente Dilma Rousseff.

Repito: deixar que marginais tentem influir no resultado das eleições – e por marginais não me refiro apenas ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto e ao doleiro Youssef – é uma temeridade e uma prática política que o país tem que enfrentar e derrotar.

A atual oposição e seus cães de guarda estejam eles nos partidos políticos, nas redações jornalísticas ou mesmo em algumas cloacas judiciárias, está abusando da liberdade de que desfruta e apelando para os mais variados golpes de sordidez.

Uma oposição, essa sim, que começa a rachar o país ao meio: preconceituosa, arrogante, antidemocrática. Já é possível, como afirmo na abertura do artigo, identificar algum comportamento fascista ou mesmo nazista de alguns de seus integrantes que atacam nas ruas simpatizantes da candidatura de Dilma Rousseff.

À medida que os dias avançam e nos aproximamos do domingo 26 sentimos a corda esticar e o nervosismo espalhar-se pelos poros da nação, pois desta vez não se trata apenas de ter o eleitor de se identificar com esse ou aquele candidato, com esta ou aquela ideia. Ou proposta.

Há mais do que isto, pois, mesmo em termos embrionários e imaturos de uma consciência política ainda difusa, vai se impondo imperceptivelmente para muitos, à direita e à esquerda, as mudanças e melhorias dos últimos doze anos.

E toda mudança, mesmo que suave, causa o enfrentamento entre os que acreditam nela e os que tentam desacreditá-la ou negá-la.

A propósito, tenho lido aqui e ali alguns artigos de “apoios envergonhados” a Dilma Rousseff com a já velha cantilena do purismo ideológico, esse mesmo purismo que transforma partidos em agrupamentos de pouquíssima representatividade no conjunto da sociedade brasileira.

São os especialistas em coisa nenhuma, os “voyeurs” acima do bem e do mal, que arrotam uma cultura livresca com citações ao pé de página que jamais entenderam, mas que soa bem para uma elite para quem a cultura “é ser segurança no programa do Gugu”.

Quem explora o ódio e o preconceito corre o risco de se tornar vítima desses sentimentos mais cedo ou mais tarde. A direita brasileira, na falta do que propor para o país está abrindo as comportas de um fanatismo alicerçado em bandeiras que já espalharam muita dor pelo mundo.

Os anos Lula e Dilma criaram um projeto para o país, um projeto que confirma a nossa soberania, o nosso desenvolvimento, a nossa solidariedade a países mais pobres, o nosso desejo de paz com nossos vizinhos e em todo o planeta. Estabelece o combate à desigualdade entre os cidadãos e cria estruturas de acesso à educação. Sem esquecer os pormenores de outras questões relevantes, é disso que se trata a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Sobre o candidato Neves, o que se pode dizer é o seguinte: quando a hipocrisia ultrapassa os limites da sua própria natureza já se trata de uma questão de internamento. E a cadeira do Palácio do Planalto não é necessariamente um divã de psiquiatria. O Brasil não merece essa desgraça.

Dia 26 o Brasil será duas vezes 13. Duas vezes Dilma.

Izaías Almada
No Blog do Miro



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Dilma é real, Marina foi sonho, Aécio é pesadelo

Política de austeridade proposta por tucanos prostra há anos a capacidade de recuperação das economias europeias, depois da crise de 2008, que delapidou vários erários públicos no continente

Cortes nos investimentos públicos à vista: onde?
Nas políticas sociais, ora. Onde mais há para cortar?
Estou glosando artigo de Luís Nassif publicado no ABCD Maior algumas semanas atrás. Dizia ele que a situação do primeiro turno lembrava a de um matrimônio prolongado: a ou o consorte a gente conhece. É o caso de Dilma: a gente sabe as qualidades e os problemas. Mas, dizia ele, há quem fique sonhando com os namorados ou namoradas de antanho. Eles são sonho, não roncam, não têm manias mais etc. Dizia então: Marina (naquele momento), é assim: um sonho a verificar. E a escolha seria então entre apostar no que se conhece ou na hipótese do sonho.

Bom, o sonho desandou. Marina tanto pulou de um lado para o outro que acabou pulando fora da disputa. Querendo agradar gregos e troianos, Malafaias e banqueiros, perdeu para Aécio, o galardão do antipetismo, que lhe tomara de início, depois da tragédia da morte de Eduardo Campos. Os votos que dele migraram para ela voltaram ao aprisco original, diante da possibilidade de que ela não mais vencesse Dilma no segundo turno.

Restou a realidade de Dilma: um projeto de longo prazo para o país, apoiado num papel pró-ativo do Estado e propulsor de políticas includentes, em todos os setores.

Problemas? Sim, problemas. Impulsionar, como já vem sendo feito, a reindustrialização do país, comprometida pela política de total “abertura dos portos” empreendida pelo PSDB nos anos FHC. Redimensionar políticas como a da reforma agrária, diante de um Congresso que lhe será mais hostil do que era. Redimensionar a iniciativa dos ministérios, dando-lhes mais autonomia. Equacionar a proposta de uma reforma política progressista, não regressiva, como querem os conservadores. E a reforma tributária? O debate será terrível, sem falar no campo das comunicações... E outros e outros.

Entretanto, em meio às dúvidas que a hipótese Dilma nos apresenta, podemos ter certeza quando às certezas que o pesadelo Aécio nos anuncia. O primeiro debate foi eloquente: entre as evasivas vieram as confirmações do pesadelo. Salário mínimo muito alto é um problema, bancos públicos devem se retrair, inclusive na manutenção das políticas sociais, o mercado deve ser a prima dona de tudo, do câmbio aos juros, da política financeira ao emprego ou desemprego. Cortes nos investimentos públicos à vista: onde? Nas políticas sociais, ora. Onde mais há para cortar?

O interessante é que este pesadelo está em curso aqui na Europa, de onde escrevo. Chama-se “política de austeridade”. Está prostrando há anos a capacidade de recuperação das economias europeias, depois da crise financeira de 2007/2008, que delapidou vários erários públicos no continente. Depois de muito tempo, como não poderia deixar de ser, a política recessiva trouxe a inundaçào às portas da fortaleza alemã.

Como a Europa ainda é a principal parceira econômica da Alemanha, a perda do poder aquisitivo (que é o que os magos do PSDB querem reimpor ao Brasil) individual e coletivo começou a manietar a indústria germânica. Menos pedidos, menos produção é igual a crescimento zero nos últimos meses. PIB em queda, de 1,7% (coisa que a mídia conservadora no Brasil qualificaria de “pífia”, se se tratasse do Brasil), para 1,2 ou 1,3% em 2014. Para a Zona do Euro, 0,8%, se tanto. E se a economia alemã de fato entrar em recessão, o resto do continente vai para a depressão.

Em suma, este é o pesadelo que Aécio, Armínio e companhia ilimitada querem importar de volta para o Brasil.

Flávio Aguiar
No RBA





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Globo obriga Facebook a retirar vídeo da página de Dilma na rede social

Página reproduziu reportagem divulgada pelo Jornal Nacional, em 2002, sobre a fome que assolava as populações de diversas regiões do País no governo FHC

Notificação encaminhada pelo Facebook à pagina de Dilma

A Globo Comunicações e Participações determinou ao Facebook a retirada de reportagem especial sobre a fome, divulgada pelo Jornal Nacional, em 2002, reproduzida na fanpage da presidenta Dilma Rousseff na rede social. O material, publicado no dia 14 deste mês, narra a miséria e o sofrimento de comunidades de diversos pontos do País durante a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A emissora alegou que a página da presidenta utilizou indevidamente o material em sua campanha eleitoral, segundo notificação assinada pela advogada Larissa Marques, da Diretoria Jurídica do Grupo Globo.

“Como é sabido, as matérias jornalísticas, obras audiovisuais e demais conteúdos produzidos pela notificante são protegidos pelo direito autoral, sendo a notificante única e exclusiva detentora dos mesmos, não podendo suas obras serem utilizadas sem a sua devida autorização”, diz a notificação encaminhada por e-mail aos responsáveis pela página da presidenta.

A proibição restringiu-se à fanpage de Dilma.

Asista abaixo:

A fome no Brasil na era FHC

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Cadeirante é agredido por eleitores de Aécio por usar estrela do PT

Ênio Barroso Filho: 'Mídia é responsável direta por incitar o ódio'

Após ter sofrido agressão na saída de uma estação do metrô de São Paulo, apenas por usar símbolos em apoio à candidatura de Dilma Rousseff, o blogueiro Ênio Barroso Filho encontrou uma forma eficaz para divulgar o caso: publicou um relato narrando o episódio, rapidamente reproduzido por outros blogueiros e portais alternativos. Vítima da 'onda conservadora' que tem resultado em ofensas e atos como o que sofreu, Ênio sentencia: “A mídia é responsável direta pela incitação do ódio”.

Ênio posa para foto ao lado de Lula, no IV Encontro de Blogueiros. Foto: Lidyane PoncianoÊnio posa para foto ao lado de Lula, no IV Encontro de Blogueiros. Foto: Lidyane PoncianoDe acordo com o cadeirante – Ênio sofre uma doença generativa “genética e incurável” –, o clima de hostilidade política promovido pelos grandes meios de comunicação lembram a rivalidade de torcidas organizadas. “Na internet, o efeito que a mídia produz é de um verdadeiro Fla x Flu”, comenta. “O problema, porém, é que isso está extrapolando o mundo virtual”.

No episódio, o blogueiro, militante desde a fundação do PT, usava uma camiseta vermelha, adesivos de Dilma Rousseff e “uma velha estrela de metal” que guarda desde a década de 1980. Ele conta que a hostilidade dos três homens que o abordaram não chegou às vias de fato, mas serve de alerta para o cenário de guerra que o discurso de ódio conservador está criando: “Não me machuquei, foi mais uma intimidação, ainda que agressiva, do que violência. Terei que registrar um boletim de ocorrência para não me acusarem de estar mentido, mesmo sabendo que não será investigado, mas ao menos faremos divulgar o caso”.

Aguardando uma equipe d'O Estado de S. Paulo, que fará fotos e, de acordo com ele, “talvez publiquem o relato”, Ênio aproveita para expressar sua gratidão aos blogueiros e portais que têm ajudado a disseminar seu depoimento. “Agradeço a solidariedade de todos, pois solidariedade se faz, não se anuncia”.

Confira o relato completo:

Preciso contar a agressão que sofri

Quase todos aqui sabem que sou cadeirante devido ser acometido por uma doença degenerativa que me extingue aos poucos a forças musculares. Já praticamente nas as tenho mais.

Terça-feira saí de casa para participar do “Churrascão da Gente Desinformada” na Praça Roosevelt a noite e vesti minha camisa vermelha, paramenteia-a de adesivos pró Dilma acompanhados da minha velha estrelinha de metal do PT que ostento com orgulho e de cabeça erguida desde Fevereiro de 1980, data da fundação do PT.

Saltei na estação República do Metrô e como não havia nenhum elevador funcionando (muitas estações estão assim depois da eleição do 1º turno) funcionários me levaram pela escada rolante e saí pela Rua do Arouche. Estava escuro e ermo como quase todo o centro de São Paulo nas noites de hoje. Nisso um carro (acho que era Pajero) encostou na calçada e seus ocupantes começaram a me xingar pedindo que eu tirasse a camisa. Respondi que não e lhes disse

“— É Dilma!!!”

PRA QUÊ!!! Um deles disse:

“— Te conheço da internet, “petralha do ca…alho”!!! Estamos de olho!!!”

e outro anunciou:

“— Não é porque você é um aleijado comunista que não mereça uma surra pra te endireitar”

VEJAM BEM O TERMO USADO —> “ENDIREITAR!!!”.

Mandei irem à merda e os três brutamontes carecas e bombados (menos o motorista) desceram e começaram a chacoalhar a minha cadeira tentando me derrubar. Gritavam muito e um deles me deu um tapa na cabeça. Pareciam drogados, enfurecidos!!! Não tive medo já que isso não é novidade para mim. Na ditadura militar enfrentava soldados armados por quem fui preso quatro vezes mas NUNCA por civis!!! Muitas pessoas viram mas nada fizeram a não ser uma moça do outro lado da rua que gritou

“Polícia!!!”.

Foi aí que eles me deixaram, entraram no carro e seguiram sem pressa.

Evidente que não pude anotar a placa devido as circunstâncias, Só notei dois adesivos no carro “chic”, “AÉCIO 45″ e aquele conhecido “FORA DILMA e leve o PT junto” mas os rostos dos “elementos” enfurecidos eu não esquecerei jamais!!!

Segui meu caminho na direção da Pça. Roosevelt e encontrando uma dupla de PMs contei o ocorrido.

O PIOR VEM AGORA!!! Um dos PMs disse que como não anotei a placa do veículo nada poderia fazer e me “orientou” a não andar por aí com “esse tipo de estrelinha e esse tipo de adesivo” pois isso nessas épocas “é muito perigoso”.

NUNCA ME SENTI TÃO REVOLTADO!!! Tenho certeza que se fosse o contrário e eu sendo um riquinho “bem trajado” e com as cores políticas “certas” a reação dos policiais seria outra. É esse o estado em que se encontra o Estado de São Paulo, uma beligerância!!! Uma guerra tal qual as guerras de torcidas que marcam as camisas de torcedores dos times adversários para lhes cobrirem de porrada se possível até a morte!!!

A nossa sociedade está envenenada e não dividida!!! O veneno sabemos de onde vem, VEM DA MÍDIA COMERCIAL E GOLPISTA!!! Ou acabamos com ela ou ela acaba com a política e com o Brasil!!!

Tem gente que pensa que democracia é só para eles, que liberdade de expressão é só para eles. Tem gente querendo também a “liberdade de espancamento”!!! Nazistas na Alemanha e agentes do Apartheid na África do Sul faziam assim. Deu no que deu.

Não há notícias de agressão partindo de petistas (a não ser uma ou outra bolinha de papel) mas do lado de lá a baba de ódio escorre pela boca como cachoeira!!!

Queria escrever mais mas meu dedo cansou... MAS EU NÃO!!!

Felipe Bianchi
No Barão de Itararé
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O ateísmo nada tem a me oferecer




O ateísmo nada tem a me oferecer.
Ele não me traz conforto ou certeza.
Nele não há nenhum ensinamento ou dever.
Nele não há ilusões de grandeza.

Jamais me disse como devo pensar.
Jamais me trouxe saber ou inspiração.
Ele não me obriga a crer sem duvidar.
Não me ameaça com a eterna punição.

Não torna minha vida mais contente.
É indiferente quando imploro.
Não promete a cura quando estou doente.
E não me traz alento quando choro.

Nele não encontro nenhum conselho.
Nenhuma resposta, nenhuma indagação.
Ele não me pede para cair de joelhos.
Ou passar a vida pedindo perdão.

Ele não me oferece a tola felicidade.
De me achar um escolhido entre tanta gente.
Ele não me induz a cometer maldades.
Para glória de um deus ausente.

O ateísmo não me ensina a odiar.
Ou discriminar os diferentes de mim.
Não proíbe os iguais de amar.
Não me diz o que é bom ou ruim.

Não me diz que a vida vale a pena.
O ateísmo nada me oferece, é verdade.
Mas como a realidade me basta, e só quero viver o que sou,
Então o ateísmo me oferece tudo, tudo que um dia a religião me roubou.

No Se não canto, pelo menos grito
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DNA do Bolsa Família


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Campanha na hora mais selvagem


Agressividade de Aécio pode ter sido excessiva, dizem qualitativas da campanha do PT

Aviso aos navegantes: a campanha presidencial de 2014 chegou àquele estágio no qual os candidatos dispensam enfeites. Esqueçam os cenários de novela, as fantasias, frases de efeito. O equilíbrio entre as candidaturas de Dilma Rousseff e Aécio Neves se encontra no mundo pós-publicidade. A disputa entre eles já não cabe no marketing, dispensa truques excessivos e armações muito sotisticadas. O eleitor indeciso, aquele porção em torno de 12% dos votos disponíveis, a quem o destino do país entregou os destinos da eleição, não quer muitas abstrações nem questões imaginativas. Quer saber como eles são, como pensam, como reagem, como se comportam. Os métodos convencionais de convencimento já não funcionam pela lógica tradicional dos confrontos de ideias e nem sempre aquilo que se vê é aquilo que mais importa.

Aécio Neves e seus aliados sairam felizes do debate do SBT. A equipe de Dilma Rousseff também, ainda que isso pareça fora do senso comum.

Enquanto Aécio acredita que pode ser recompensado pela agressividade, pelo fustigamento permanente da adversária, o publicitário João Santana saiu do encontro convencido de que o concorrente do PSDB passou da conta. A prova é que deixou indignado um grupo de senhoras de classes C e D que assistiram ao encontro num grupo de pesquisa qualitativa formado pelo PT. Elas consideraram que o candidato do PSDB foi duro demais com uma adversária que também é uma senhora de 67 anos. Um efeito semelhante, acredita-se, foi obtido com a lembrança de que certa vez Aécio Neves recusou-se a fazer o teste do bafômetro — atitude que causou forte impressão num segundo grupo de qualitativa, agora em versão masculina.

A revelação de que um irmão de Dilma foi empregado na prefeitura de Belo Horizonte, durante a gestão de Fernando Pimentel, não fez bem para a candidata do PT. A revelação de que Sérgio Guerra, então presidente do PSDB, recebeu propinas de Paulo Roberto Costa, o corrupto que se tornou delator premiado, não ajuda Aécio, que fez da Petrobras sua prioridade eleitoral.

A pergunta a ser respondida pelas pesquisas dos próximos dias é saber se o debate do SBT interrompeu o processo de crescimento de Dilma, que estava nítido até ali, num evento que analistas e militantes atribuem ao desempenho da candidata do PT no primeiro debate do segundo turno, na Band. Se em seu ultimo levantamento Ibope e DataFolha anunciaram que os dois se encontravam em empate técnico, com Aécio numa vantagem na margem de erro dois pontos, também se registrou um aumento da rejeição ao candidato tucano em todas as regiões do país.

Antes do debate de ontem, as pesquisas traking da equipe de Dilma diziam que ela estava na frente, por 52,2% contra 47,8%. Outros sinais iam na mesma direção. As visitas ao site da própria candidata tem crescido perto de 13% ao dia. Até a tarde de ontem, o vídeo de apoio gravado por Chico Buarque já tivera 43 000 compartilhamentos e fora visto por 4,3 milhões de pessoas. Em São Paulo, onde os petistas travam sua luta mais difícil, as mobilizações de rua animaram o último fim de semana, reunindo militantes do PT, simpatizantes de Dilma e adversários de Aécio em geral. Perto de 1500 pessoas se reuniram no Largo do Arouche. O Sindicato dos Engenheiros ficou lotado, enquanto, na Praça Roosevelt, ocorria um Churrasco dos Desinformados, numa referência irônica a mais recente frase de Fernando Henrique Cardoso sobre os eleitores de Dilma. Dias antes, na quadra do Sindicato dos Bancários, Luiz Inácio Lula da Silva fez um comício para 5 000 pessoas. Em Brasília, onde o candidato do PT não chegou ao segundo turno — como em São Paulo — há mais bandeiras de Dilma nos automoveis. Petistas pedem votos nos pontos de concentração do comércio.

Os estudiosos entendem que a mercadoria mais valiosa, no estágio atual da campanha, são denúncias novas. Aquilo que o eleitor indeciso conhece já foi contabilizado e esgotou sua capacidade de produzir mudanças. Mas aquilo que ele não sabia pode interferir em seu julgamento. Ao responder a cada acusação com a palavra “mentira” Aécio convence aqueles que julgam que sempre diz a verdade — mas nada diz para quem, justamente porque seu nome é indeciso, encontra-se em dúvida. Quando evita dizer quanto as emissoras de rádio de sua família embolsaram em publicidade oficial, durante os oito anos de seu governo, o candidato do PSDB permite ao leitor imaginar que os anúncios geraram uma soma considerável

O ponto politicamente mais relevante do debate de ontem envolveu a última questão, uma resposta de Dilma ao questionamento de Aécio sobre uma intervenção num debate anterior. A candidata do PT disse, na ocasião, que ninguém está acima da corrupção. O candidato do PSDB — com seu permanente sorriso de malícia nos lábios — queria saber se Dilma pretendia pedir desculpas pelo que dissera, insinuando que a presidente poderia ter feito uma espécie de confissão. Ouviu uma aula de ética política e democracia. Dilma esclareceu que ninguém está acima da lei e que pessoa nenhuma — nem ela, nem seu adversário, nem ninguém — está livre do risco de enfrentar casos de corrupção, devendo-se obrigar a manter uma postura de vigilância e cuidado permanente para dar combate, investigar e punir responsabilidades.

Uma afirmação bastante apropriada numa noite em que se revelou que o PSDB também recebeu recursos no esquema de Paulo Roberto Costa, não é mesmo?

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A caixa de gordura

Respeito e entendo quem está se sentindo desconfortável com o nível dos dois debates presidenciais ocorridos neste segundo turno.

Desconheço qual a avaliação da coordenação da campanha e o que dizem as pesquisas a respeito.

Isto posto, minha opinião pessoal é a seguinte: no dia-a-dia da campanha, cada um de nós sabe qual o nível do debate e qual o nível das acusações a que estamos sendo submetidos nas ruas e nas redes.

Nelas, o debate "de alto nível" sobre os dois projetos é convertido a seus termos mais simples: verdade e mentira, honestidade e falsidade, tolerância e preconceito, pobre e rico, trabalhador e explorador, vida e morte...

Sendo estas as condições escolhidas pelo lado de lá, considero inevitável que, sem deixar de falar nos dois projetos, sejamos obrigados a desmascarar, tanto como pessoa jurídica quanto física, uma candidatura que se comporta como "pombo enxadrista" (ver ilustração ao final).

Insisto neste ponto: as condições da disputa foram escolhidas pelo lado de lá. Escolhidas conscientemente, pois incapazes de defender seu passado e impossibilitados de apresentar qual futuro propõem, lhes resta radicalizar "contra tudo isto que está aí", mesmo que para isto tenham que distorcer os fatos.

Esta é a escolha feita pela maioria dos meios de comunicação, quando maximizam os problemas (reais ou supostos) do PT e de seus governos, quando minimizam ao máximo os problemas do PSDB e de suas administrações (veja o caso da água em São Paulo), quando publicam as "afirmações" de Aécio enquanto criticam as "alegações" de Dilma, quando invertem o ônus da prova...

Esta é a escolha feita pelo próprio Aécio, que se comporta como aquele assaltante que grita "pega ladrão" para disfarçar seu malfeito.

Esta é a escolha feita por 9 em cada 10 militantes da candidatura Aécio, que repercutem todo tipo de mentira e ofensa, e cada vez mais partem para a ignorância.

Aliás, o candidato das elites não é quem é, nem é como é, por acaso. Ele é produto da "seleção natural" que gerou centenas de milhares como ele: filhinhos de papai, coxinhas, mauricinhos, toda a fauna e flora playboy, com seus conhecidos hábitos pessoais, seu nepotismo e seu repertório de violência verbal e física.

É repugnante (e aqui vai toda minha solidariedade à presidenta Dilma) ter que desmascarar tudo isto. Mais lamentável ainda, contudo, é não deixar claro que o ser Aécio resume a conduta política de toda uma segmento social. Quem o vê nos debates, reconhece logo o tipo: valentão de boutique, grosseiro com os pobres e servil com os ricos.

Como disse no início, não tenho elementos objetivos para julgar os efeitos eleitorais dos dois confrontos diretos ocorridos neste segundo turno.

Mas animicamente acho reconfortante ver que nossa principal militante sabe que estamos enfrentando um gangsterismo estilo Al Capone; sabe que não ganharemos com performances a la Woodstock; sabe que estamos num daqueles momentos em que o exemplo pessoal da comandante ajuda muito no ânimo dos combatentes (http://valterpomar.blogspot.com.br/2014/10/alemao.html).

Limpar a caixa de gordura espalha um cheiro ruim pela casa. Mas depois da limpeza, o cheiro passa. Já a outra alternativa...

Valter Pomar
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O antipetismo, o ódio à discordância e por que voto em Dilma (e não voto em Aécio)


Pablo Villaça

O golpe vem aí
Este vídeo foi encontrado no Facebook. Se alguém conhecer a fonte, por favor informe para ser dado o devido crédito.
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Tucano flagrado com dinheiro vivo é assessor da presidência da Cetesb


O assessor é Mario Welber, jornalista e suplente de vereador em São José do Rio Preto (PSDB-SP). O ex-secretário tucano é o deputado estadual Bruno Covas, eleito deputado federal em 5 de outubro.


Poucas horas depois dá, em manchete garrafal, que o detido no jatinho era da campanha do PT em MG, mas não fala nada de Welber.


Welber -globo

Dois pesos e duas medidas, como sempre.

1. Embora a detenção de Welber tenha ocorrido em 27 de setembro e em 2 de outubro o Viomundo e o Estadão (este, como “vacina”) tenham revelado o caso, o Globo só o “descobriu” no dia 9.

2. O assessor de Bruno Covas é brindado com o título de “apoiador”. Welber trabalhou como repórter da TV Tem, a retransmissora da Globo em São José do Rio Preto

3. A apreensão do dinheiro vivo e dos cheques assinados em branco foi antes de 5 de outubro. Portanto, seriam utilizados na eleição. O que configuraria crime crime eleitoral. Já o do petista foi após a eleição.

A Folha de 9 de outubro parece que combinou a edição da matéria de Welber com o Globo.

Na capa, Welber é apresentado no título como “aliado”, na página interna como “colaborador” de Bruno Covas.

A Folha deu espaço claramente desigual para dois casos idênticos: apreensão de dinheiro vivo de origem duvidosa. Vejam as imagens.

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Cinco dos sete parágrafos são dedicados à defesa de Welber.

A Folha não diz que os cheques apreendidos com Welber estavam em branco, mas que eram assinados pelo contador da candidatura de Bruno Covas a deputado federal.

A Folha não fala dos cargos ocupados por Welber, nem da proximidade dele com tucanos de alta plumagem.

Parágrafo final da “denúncia” da Folha: “A assessoria acrescenta que o colaborador estava na capital para ‘compromissos particulares’ e, a pedido do contador da campanha, levou os cheques ao coordenador. Todo e qualquer cheque emitido por campanha é regular”.

É bastante inverossímel que um “colaborador” de campanha tenha vindo a São Paulo resolver um problema particular e, na volta, portando 102 mil reais em dinheiro, tenha sido usado como portador de 16 cheques oficiais, não lhes parece?

Agora vejam como termina a reportagem da Folha sobre os ‘colaboradores’ da campanha de Fernando Pimentel e os pilotos do jatinho em que viajaram: “Os cinco homens levados a prestar esclarecimentos foram liberados na noite de terça. Nenhum foi localizado para comentar o caso”.

É a Folha em campanha para livrar os tucanos de possível crime eleitoral.

WELBER, EXEMPLO TÍPICO DO APARELHAMENTO TUCANO NA MÁQUINA PÚBLICA

Welber não é um assessor qualquer. É o chamado pau para toda obra de Bruno Covas, segundo fontes de Rio Preto e da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Aonde Bruno vai, Welber se ajeita atrás. É o exemplo típico do aparelhamento que os tucanos fazem da máquina pública e do qual acusam o PT.

A trajetória de Welber ilustra isso.

Em 30 de setembro de 2009, Welber foi nomeado como agente de segurança parlamentar na Alesp.

Daí até 31 de dezembro de 2010 ficou lotado no gabinete de Bruno Covas.


“De 3 de fevereiro de 2011 a 7 de julho de 2011 ele respondia como assessor administrativo da CETESB (pediu demissão)”, diz, por e-mail, a assessora de imprensa de Bruno Covas, em resposta ao questionamento feito pelo Viomundo.

Atualmente, trabalha na Cetesb, como o Viomundo divulgou em primeira mão.

“De 11 de janeiro de 2013 a 31 de julho de 2014 — assessor administrativo da CETESB (quando pediu licença sem vencimentos)”, acrescenta a assessora de de Bruno Covas.

Welber, que se afastou para fazer a campanha de Bruno Covas, tinha até dia 10 para solicitar ou não a renovação do afastamento por, no  máximo, o mesmo período.

Só que Welber não é assessor administrativo, como informou a assessora de imprensa  de Bruno Covas.

Welber é assessor técnico I da Cetesb. Não tem uma subordinação direta. Está ligado à presidência. Faz o que quer no campo. Salário: R$ 9.546,00

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Welber - cetesb print 4-001

–  Welber retornou ao trabalho no dia 10?

Eu, Conceição Lemes, também tive essa curiosidade.

Nessa quarta-feira 14, enviei e-mail à Cetesb e à assessora de imprensa de Bruno Covas, perguntando sobre o retorno de Welber. Nenhuma respondeu

A assessora de imprensa de Bruno Covas chama-se Fabiana de Holanda.

Welber - Fabiana 3

Agora, pasmem.

A Fabiana de Holanda (nome completo Fabiana Macedo de Holanda), assessora de Bruno Covas, é simplesmente a gerente do Departamento de Comunicação Social da Cetesb. Cruzando os dados nessa madrugada foi que eu descobri.

Salário: R$ 15.326,00.

Welber -- Fabiana-001Welber Fabiana


Coincidência pegar dois tucanos que trabalham para Bruno Covas e, ao mesmo tempo, na Cetesb? Dupla-função?

Aparentemente, não. Reportagem publicada em 2013 pelo Estadão, que de petista não tem nada, revela que Bruno Covas é chegado no aparelhamento da máquina pública.

A ponto de o presidente  da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani afirmar: “A impressão é que a secretaria foi transformada num comitê eleitoral”.

estadão

E depois os tucanos acusam o PT de aparelhar a máquina pública.

Parafraseando o dito popular quem tem padrinho, não morre pagão, esta reportagem deixa clara outra versão: quem tem padrinho tucano, não morre depenado.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Dilma depois debate: ela está ótima!

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DataCaf: Dilma 47 x 42 Machão do Leblon

As mulheres das Classes C e B morrem de medo dele.


DataCaf:
- Dilma 47%

- Aécio 42%
Rejeição de Aécio já está em 39%.

Dilma tem 34%.
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A pressão baixa de Dilma e a pressão alta dos debates


A pancadaria franca do debate no SBT, em que Dilma e Aécio se acusaram mutuamente durante o tempo inteiro, sem trégua, teve dois momentos emblemáticos.

O primeiro foi o aparte de Carlos Nascimento, o mediador, pedindo para a claque do PSDB se comportar. Foi uma bronca lúcida, a partir do seu púlpito esquisito, na torcida organizada, que aplaudiu estrepitosamente o candidato depois de um discurso.

O segundo foi o baque de Dilma na entrevista que se seguiu ao programa. A presidente tenta terminar uma frase, se atrapalha com a palavra inequivocamente, avisa que está mal.

A jornalista Simone Queiroz, solícita, lhe oferece um copo d’água e a conduz até uma cadeira. Simone afirmaria, na seqüência, que Dilma parecia já não estar se sentindo muito bem antes das duas começarem a conversa.

É absolutamente normal que, após quase duas horas de tensão e de trocas de ofensas pesadas, Aécio e Dilma tenham se sentido exauridos. Aécio tinha as mãos trêmulas quando questionado sobre nepotismo e falou abertamente de sua irmã Andrea.

Aos 66 anos, Dilma sentiu o peso do confronto e, segundo ela mesma, sua pressão baixou. A reação ao ocorrido, porém, foi no tom que tem sido conferido a esta campanha.

Militantes a chamaram de covarde, fujona, mentirosa, fingidora, farsante — e esses são os adjetivos publicáveis. Aécio, mesmo, foi flagrado pela Folha num telefonema com Marina Silva. “Deu o desespero. Viu que ele passou mal no final?”, disse a Marina.

É importante que debates tenham uma dose de agressividade para que ninguém durma. Mas quem esperava algo um pouco mais propositado — por exemplo, os milhões de indecisos — testemunhou uma briga de galo girando, basicamente, nos mesmos temas.

É sintomático do atual estado de ânimos que a cena de uma senhora pedindo para se sentar, após uma troca de golpes intensa, seja motivo de chacota, desconfiança e ódio ao invés de algo próximo de compaixão.

Se esse for o caminho dos próximos dois debates, não será de se estranhar se um dos dois contendores sair de maca, numa ambulância, enquanto a plateia urra e aponta os polegares para baixo.

Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma passa mal e o canalha do Aécio comemora — assista



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Debate no SBT — Assista na íntegra


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Dilma botou o bafômetro na cara de Aécio no debate do SBT


O debate do SBT não foi tão folgado para a presidenta quanto o da TV Bandeirantes. Aécio estava mais preparado para os questionamentos, mas mesmo assim não teve como escapar da questão dos motivos que o levaram a não assoprar o bafômetro quando foi pego, provavelmente embriagado, no carro da Rádio Arco Iris e com a carteira de habilitação vencida.

Aécio tentou dizer que cometeu um erro e se arrependeu. Como se tivesse feito isso quando era adolescente. Mas na verdade isso foi ontem. E ele não assoprou porque sabia que havia cometido um crime ao dirigir bêbado.

A tática de Aécio para combater os questionamentos contra ele são a de jogar para uma campanha difamatória os questionamentos.

Aécio também não respondeu as perguntas sobre nepotismo. Ele empregou diversos parentes no seu governo, mas preferiu falar de sua irmã como se fosse uma madre Tereza de Calcutá que atendia pobres no estado. Até os paralelepípedos das calçadas de BH sabem qual era o papel de Andréa Neves no governo dele. Andréa controlava com mãos de ferro as verbas publicitárias. E é acusada por várias pessoas da imprensa de ligar para editores pedindo a cabeça de jornalistas.

Esse debate não deve mudar muito a situação da disputa, mas ela aumentará o fogo nas redes sociais. Essa campanha que já está altamente quente tende a virar um inferno.

Os dois próximos debates, na Record e na Globo, passam a ser ainda mais decisivos. Ao que parece, serão os debates que decidirão o novo presidente da República.

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O “mar de lama” à Aécio

Os contendores
Primeiro que tudo, acho importante que haja agressividade em debates presidenciais, e que questões pessoais sejam trazidas à discussão.

É o interesse público que está em jogo. A sociedade tem que conhecer melhor cada candidato.

O pior cenário, para os cidadãos, seria uma conversa de lordes ingleses, com elogios mútuos e protocolares em meio a goles de chá.

Por isso dou nota elevada ao debate de hoje no SBT. Onde alguns viram baixaria enxerguei a tensão, a eletricidade, a adrenalina dignas de uma disputa presidencial.

A grande diferença entre Dilma e Aécio esteve no conteúdo da agressividade.

Aécio fez o que sempre faz. Pediu generosidade quando jamais é generoso. Pediu respostas quando ele invariavelmente tergiversa. Pediu sinceridade quando é cínico em regime de tempo de integral. Pediu humildade quando é arrogante a ponto de falar em nome dos brasileiros.

Num momento de descaro abissal, comparou o caso do irmão de Dilma ao time de parentes aos quais ele dá altos cargos públicos quando pode.

Uma rápida pesquisa mostra que Igor Rousseff foi assessor do prefeito petista Fernando Pimentel, de Belo Horizonte.

Depois disso, nunca ocupou cargo público nenhum. Disse o Globo, o insuspeitíssimo Globo, num perfil de 2011: “Quem não conhece o Igor não fica sabendo nunca que ele é irmão da presidente. Morre de medo de pensar que quer tirar proveito disso.” (Aqui o link.)

Pois Aécio quis tirar proveito disso.

Não há termo de comparação entre o caso da irmã de Aécio e o caso do irmão da Dilma. Mas fingiu — nisto ele é mestre — que são coisas iguais.

Andrea Neves ocupou sob Aécio um cargo — ainda que formalmente não remunerado — que dava a ela o comando das verbas publicitárias estaduais.

Sabe-se, porque a Folha enfim resolveu investigar um pouco o candidato tucano, que o governo de Aécio colocou dinheiro público nas rádios da família.

É, em si, uma indecência. Isso piora quando, numa afronta brutal ao conceito de transparência tão citado por Aécio, ninguém informa quanto foi o dinheiro público investido nas rádios.

E não é apenas Andrea. É o cunhado, são primos, agregados — em funções muitas vezes de mando.

Meritocracia?

Só se for pela ótica de quem, aos 25 anos, foi nomeado diretor da Caixa Econômica Federal pelo mérito de ser neto de Tancredo Neves.

Aécio não surpreende. A cada debate, ele faz mais do mesmo.

Dilma, ao contrário, surpreendeu ao adotar o mesmo tom de Aécio. Ou quase o mesmo: Aécio a chamou de mentirosa várias vezes e Dilma disse o mesmo uma ou duas.

Onde ela avançou em relação ao primeiro debate: não deixou que certos assuntos sumissem da discussão.

O aeroporto de Cláudio é o maior exemplo. Aécio fala, tergiversa, se desvia — mas não consegue dar uma única explicação convincente para o aeroporto de uso privado construído com dinheiro público.

Jornalistas de Minas disseram que essa história já era conhecida nas redações. Mas ninguém publicava pela censura que, na prática, Andrea Neves comandava para proteger o irmão de notícias desfavoráveis.

Eis o conceito de liberdade de expressão de Aécio.

Para quem lida com palavras como eu, irritou particularmente a manipulação de Aécio ao usar uma frase de Dilma que, supostamente, seria um incentivo à corrupção.

O significado da frase é o seguinte: todo mundo pode cometer corrupção.

É uma verdade verdadeiríssima. Ninguém está acima às tentações que o poder e a sensação de impunidade trazem, como mostra o próprio episódio do aeroporto de Cláudio.

A questão é fiscalizar e punir.

Neste sentido, o PSDB — dos votos comprados para a reeleição de FHC às propinas do Metrô de SP — não tem muita coisa a dizer.

No debate, Aécio voltou a afirmar que não havia evidências de nada nos casos de corrupção do PSDB.

Hoje mesmo, viralizou na internet o depoimento do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, autor do furo em 1997 sobre a compra de votos.

“Não eram evidências”, disse ele. “Eram provas.” Ninguém investigou — incluída, como lembra Rodrigues, a mídia. Como FHC era presidente, e amigo dos donos da mídia, entendeu-se que não era assunto a compra de votos para que ele pudesse se reeleger.

Como Lacerda, Aécio fala em “mar de lama” olhando para o outro. Ambos deveriam, no entanto, olhar para o espelho.

Paulo Nogueira
No DCM
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Fernando Pimentel sobre Igor Rousseff

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