16 de out de 2014

Carta a Chico Sá


Ou carta à presidenta Dilma Rousseff

Escrever para a Folha de S. Paulo não enobrece ninguém!

Pelo contrário, Chico. Mancha o nome da pessoa. Agora que você se demitiu desse jornal, por não poder expor sua opção política pela candidatura Dilma, vamos conversar. Aconteceu comigo também em 2001, quando da primeira eleição do Lula à presidência.

Quanto tempo faz? Eu também era o que se chamava de “colunista” de opinião do caderno Cotidiano. Quanto tempo faz? Mas, veja: a história não se repete agora nem como tragédia nem como farsa. A história se repete como descaramento, como safadeza mesmo, hipocrisia dessa mídia golpista.

Aconteceu também, há poucos anos, com Maria Rita Kehl, não foi? Se não me engano, no jornal O Estado de S. Paulo. Os dois “veículos de comunicação” pactuam de novo o complô censor e golpista. Lá no meu caso, em 2001, a coisa teve menos repercussão porque, afinal, não sou tão importante quanto você e Maria Rita. Além do que, você também é da TV, não? Um cara pop. Aparece muito mais, e tal. E Rita é uma personalidade intelectual do mais alto nível (além de loira, o que, já de cara, dá muito mais repercussão aqui no Sudeste racista!).

Olha, eu até queria que essa carta tivesse um pouco de repercussão (queria que chegasse na presidenta!). Mas vai ser mínima, cara. Talvez circule um pouco pelas redes sociais, minimamente, porque eu não me publico mais nem me divulgo. Então, não tenho repercussão nenhuma! E, agora, que não temos mais, nem você nem eu, a tribuna de um jornal tipo FSP, imagine, quem vai ler essa carta? (Gargalhe!). Kkkkkkkkkkkkk! Quem se importa, afinal, com essa “mer...” dessa Folha de S. Paulo? Quem precisa dessa “bos...” pra escrever ou publicar algo? Peço desculpas pelos palavrões, mas eu não aguento não. Como jornalismo é m mundo baixo, do qual me lembro com enjoo ainda hoje, evoca palavrões na minha fala.

Cara, nem sei porque escrevo pra você essa carta, se mal nos conhecemos. Falei com você umas três vezes na vida, talvez. E isso não é uma carta de solidariedade, não. Ninguém precisa de solidariedade porque deixou de escrever nesse jornal.

Escrevo talvez porque me deu uma enorme vontade de gargalhar quando soube que o caso se passa agora também com você. Gargalhar por causa da importância que ainda se dá a esse jornal e a outros, e à Rede Globo e às redes todas da mídia golpista. Cara, é muita gente querendo ainda escrever na Folha, aparecer na Folha, no Globo, na Globo, na pqp! É de intelectual a artista e político! É de secretário de governo a ministro, a prefeito e a assessor disso e daquilo! É por essas e outras que essa cambada de golpistas age como se fossem eles os donos do mundo, impunes que se sentem, protegidos pelo interesse econômico que representam!

Chamei esse texto aqui de “ou carta à presidenta Dilma” porque minha vontade era fazer chegar à presidenta um recado torto, e ao Lula também: gente, entendam de uma vez por todas que é preciso regular essa mídia brasileira! Que já demorou demais, que é pura covardia não peitar essa cambada de irresponsáveis. Demorou, presidenta! Presidenta Dilma Rousseff, é preciso garantir as liberdades comunicativas no país, é preciso pluralismo, democratização da mídia, liberdade de expressão! São 12 anos de acovardamento do PT! E eu sou petista, sim, desde sempre, desde então. Lula e você, Dilma, são ídolos meus! E olha que eu quase não tenho ídolos! Só Graciliano Ramos depois de vocês! Ou antes, melhor dizendo!

Chico. Escrever pra Folha de São Paulo não enobrece ninguém. Não traz renome. Pelo contrário: a pessoa chafurda ali na lama daquelas vaidades, das pequenas trapaças, das intrigas internas, das grandes e perigosas manipulações da informação. Aquilo é um mundo baixo, do qual me lembro com enjoo ainda hoje. E carrego pecha ainda maior: de ter sido amiga do dono, um erro de cálculo provocado pela cegueira e pela vaidade da juventude. Sempre fui péssima nas matemáticas da vida. Sempre só soube direito português, que não serve pra nada, afinal.

Chico. Em 2001, me chamaram por telefone lá daquele jornal, para dizer também que eu tinha feito “proselitismo político” pró Lula, e que o jornal, neutro (Gargalhe! Que fazia campanha aberta pro Serra), não aceitava aquilo. Gargalhemos novamente. E que, portanto, tudo o que eu escrevesse dali por diante passaria, antes de ser publicado, pelo escrutínio da “direção de redação”. E que, além disso, meu texto sairia apenas de 15 em 15 dias e não mais semanalmente como era. E que, portanto, meu salário também seria cortado pela metade!

Fiquei pasma! Pela ousadia da tal “direção de redação” chegar para uma pessoa e dizer uma barbárie dessa! E impor uma censura assim, descaradamente, presidenta! Censura é isto! Cadê a liberdade de expressão que eles exigem da senhora? Arrumei a trouxa e fui-me embora daquela “mer...”, com perdão da palavra.

Do lado de lá, a “direção de redação” também pasmou quando percebeu que eu, de fato, decidira largar aquilo de uma vez por todas depois de 12 anos! Devem ter achado que eu, por ser negra e pobre, dependente daqueles honorários de “mer...” que me pagavam, cederia a tamanha humilhação! Tentaram reverter, tentaram me convencer a ficar, dizendo que voltavam atrás nas condições, nos salários, talvez na “p...” da censura.

Não cedi não. E rompi com aquela gente. E prefiro hoje morrer de fome a ter que escrever uma linha que seja de autoria minha pra essa mídia golpista. Chico, certamente hoje você é uma pessoa melhor do que ontem. Transcrevo aqui o texto da “coluna” que foi o estopim do meu pedido de demissão naquela época (com o Lula já eleito, ao menos isso, graças a Deus, que eles não engolem até hoje!). Dedico de novo o texto ao ex-presidente Lula, a minha candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e... a um terceiro ídolo, que eu lembrei que tenho: Marilena Chaui. A você, agradeço a oportunidade de tocar no assunto, com palavrão e tudo, como eu queria. Um abraço.

Marilene Felinto, 56, é escritora e tradutora, autora do romance AS Mulheres de Tijucopapo (1982), pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Revelação de Autor, entre outros livros. Trabalhou na imprensa de 1989 a 2006, na Folha de S. Paulo, Revista Caros Amigos, entre outras publicações.

Marilene Felinto

São paulo, 15/10/2014



É proibido comemorar

Marilene Felinto

Texto escrito em 29/10/2002, quando da primeira eleição do Lula à presidência da República. Publicado na Folha de S. Paulo).

É PROIBIDO comemorar, mas eu vou comemorar: por minha tia Irene, pelo menos, que também perdeu parte de um dedo na máquina da fábrica de tecidos em Paulista (Grande Recife), nos anos 50. Paulista, Caetés, Buíque, está tudo ali, naquelas vilas perdidas do interior do país, onde tudo foi sempre seco, matuto, duro e difícil. Buíque (PE), vilarejo muito perto de Caetés (onde nasceu o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva), é onde o escritor Graciliano Ramos passou parte de sua infância, ele que nasceu em 1892 em Quebrangulo (Alagoas), no mesmo 27 de outubro que Lula.

E ele, Graciliano, que escreveu um romance chamado "Caetés" (1933) e outro chamado "São Bernardo" (1934), nome da cidade São Bernardo do Campo, onde o operário virou líder sindical. Está tudo ali. Está tudo aí, fazendo história universal, quase irreal, quase fictícia de tão surpreendente.

É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: comemorar não uma pessoa, mas uma idéia, um símbolo. O povo elegeu sua própria cara mais profunda pela primeira vez. Isso é bom para a auto-estima do povo. Quem já experimentou o preconceito sabe _a discriminação por origem social, tão típica da estrutura da sociedade brasileira. É mais do que saudável que o poder mude de mãos: especialmente num país sempre dominado por uma elite sem nenhuma simpatia humana, de uma perversidade e de um egoísmo sem par no mundo.

É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: ao menos pela menina "Te", de quatro anos de idade, que conheci num casebre de taipa em Cruzeiro do Nordeste (município de Sertânia, a 350 km de Recife) em 2001. "Te" era o apelido dela que não tinha nome ainda, não tinha certidão de nascimento, não tinha nacionalidade, não tinha país, não existia para o Brasil e seu censo. Não merecia nenhuma simpatia humana da parte desses governantes insensíveis, eruditos urbanos empertigados ou usineiros exploradores. "Te" estava doente, eu acho. Não parava de chorar quando a conheci, a não-sei-que-nascimento na fila de uma carrada de sete filhos de um casal analfabeto, que passava o mês todo com os R$ 80 que o chefe da família então ganhava carregando estrume para fazendeiros da região. "Te" era apenas esse monossílabo, seminua, suja, talvez faminta chorando no meio da casa.

Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU: "Artigo 21 - 1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos."

É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: por um raio de esperança ao menos para essas tragédias nordestinas, a de "Te", a de Lula, a de Irene (que morreu alcoólatra e empregada doméstica a um salário mínimo mensal), a Mmarilene inha mesma. Se eu fosse dez anos mais velha, talvez tivesse vindo para São Paulo sacolejando na mesma boléia de um pau-de-arara. Vim 15 anos depois de Lula, mas de ônibus, da viação São Geraldo ou Itapemirim, não me lembro. Tive mais sorte, vim na poltrona já estofada do ônibus, numa viagem que durou quatro dias, ao invés de 13. Tive mais sorte, fiz curso superior.

É proibido comemorar porque jornalistas não comemoram, criticam. Mas cada coisa a seu tempo. Não faltarão críticas. Mais do que isso: há fascistas e neo-fascistas à espreita país afora. Farão de tudo para aterrorizar e destruir.

No momento, comemoro, faço do português o inglês (para o mundo entender) que me ensinaram por sorte na universidade e digo como a atriz Marilyn Monroe disse ao presidente Kennedy, num dia de aniversário: "Happy birthday, Mr. President!", pelos mais de 50 milhões de votos.
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Dilma na TV


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Credibilidade

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Aécio insiste em corrupção; Dilma lembra aeroporto, nepotismo e lei seca

Agressividade marca segundo embate. Tucano chama petista de 'incompetente' e 'conivente' com desvios, e presidenta lança nova pegadinha ao falar de desrespeito à Lei Seca


Com temas repetidos, o segundo debate entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) foi marcado pela subida de tom nas acusações pessoais e pela escolha da corrupção como assunto central. De um lado o tucano acusou a presidenta de “conivente” com malfeitos e de “incompetente” na administração pública durante o encontro de hoje (16) no SBT. De outro, a candidata à reeleição levantou nova pegadinha ao falar sobre o respeito à Lei Seca, o que irritou o adversário, e elencou casos de corrupção envolvendo tucanos.

Aécio buscou tom mais agressivo logo na pergunta inicial, ao falar sobre denúncias de corrupção na Petrobras, insinuando que a petista trabalhou para acobertar casos de desvios. “Ou a senhora foi conivente, ou a senhora foi incompetente para cuidar da maior empresa brasileira.”

Dilma voltou a abordar diferenças entre PT e PSDB no que se refere ao campo moral, avaliando que nas administrações dela e de Luiz Inácio Lula da Silva houve uma mudança de comportamento, com liberdade para os órgãos de investigação e de processamento das denúncias. “Quero dizer para o senhor: tenho um compromisso diferente. O meu compromisso é investigar e punir. Aqueles governos que não investigam, não acham”, afirmou, acrescentando que os escândalos envolvendo tucanos não têm presos porque o trabalho de apuração foi engavetado.

Em outro momento em que se tratou do caso da Petrobras, Dilma falou a Aécio sobre a denúncia de que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra intermediou o pagamento de propinas a parlamentares tucanos para que esvaziassem uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). “É muito fácil o senhor ficar fazendo denúncias. Quando a gente verifica que o PSDB recebeu propina para esvaziar uma CPI, o que importa? Importa investigar.”

Em uma de suas perguntas, Dilma levantou a questão do nepotismo, acusando Aécio de nomear irmãs, tios e primos durante seu governo em Minas Gerais, de 2003 a 2010. O tucano procurou comparar o caso ao uso de informações pessoais de Lula por Fernando Collor nas eleições de 1989, e ouviu da petista que se trata de uma questão bem diferente por envolver o uso da máquina pública em proveito individual de parentes.

Aécio afirmou que sua irmã, Andréa, era voluntária no governo mineiro, e deixou de responder aos demais casos. “Seu irmão, candidata, foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel em 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade. Não queria trazer esse tema aqui”, rebateu.

Em mensagem postada no Twitter, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, informou que Igor Rousseff foi assessor especial. “É advogado e trabalhou com seriedade e honradez." Já Dilma afirmou a Aécio que a legislação sobre nepotismo proíbe o emprego de parentes em uma mesma esfera de governo, o que não é seu caso. “A sua irmã e o meu irmão têm de ser regidos pela mesma lei”, afirmou. “Todo mundo sabe que ela era responsável pela destinação das verbas em todas as questões relativas à propaganda. Quanto vocês colocaram nas rádios e no jornal que vocês possuem?”

A exemplo do que ocorreu no primeiro debate, quando levantou o tema da violência contra a mulher, Dilma elencou uma questão pessoal delicada de seu adversário ao falar sobre a importância da Lei Seca, sancionada por ela em 2012 para endurecer a punição a motoristas flagrados dirigindo bêbados ou drogados. “Queria saber o que o senhor acha, e como o senhor vê essa questão da Lei Seca. E se todo cidadão que for acionado, que for solicitado, deve se dispor a fazer exame de álcool e droga”, disse, sem mencionar a recusa de Aécio a ser submetido a teste quando parado em uma blitz no Rio de Janeiro.

“A senhora traz nesse debate, talvez pelo desespero, e tenta deturpar um tema que tem que ser colocado com absoluta clareza. Eu tive um episódio sim, e reconheci, candidata, eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa Lei Seca porque minha carteira estava vencida e ali naquele momento inadvertidamente não fiz o exame e me desculpei disso”, rebateu o tucano.

Na resposta, Dilma desconheceu novamente a questão pessoal do adversário. “Acho muito importante a Lei Seca para o Brasil. Acho que o senhor está tentando diminuí-la. Sabe por quê? No Brasil, todos os dias, todas as semanas tem gente morrendo quando o motorista dirige embriagado ou drogado.”

No segmento das alfinetadas pessoais, Dilma levantou ainda o estilo de vida de Aécio ao ser questionada sobre a insistência em abordar questões relativas ao governo do PSDB em Minas Gerais. O tucano acusou a petista de desconhecer o estado e de se preocupar excessivamente com os resultados da gestão do PSDB, insinuando que ela teria preferência por disputar o governo mineiro ao Planalto. “Não coloque Minas Gerais como sendo o senhor”, afirmou a petista. “O senhor não é Minas Gerais. Eu nasci em Minas, aliás antes do senhor. Se é por isso, nasci antes do senhor. Saí de Minas não foi para passear no Rio, candidato, foi por causa da ditadura.”

Em tema que surgiu ao longo de todos os debates, do primeiro e do segundo turnos, Dilma e Aécio trocaram farpas a respeito da construção do aeroporto de Cláudio, na região metropolitana de Belo Horizonte, erguido em terras de um tio do tucano usando dinheiro do governo estadual. “É muito triste ver uma presidente da República mentindo. O aeroporto de Cláudio foi construído numa área desapropriada pelo estado”, afirmou o candidato do PSDB.

“No caso do aeroporto de Cláudio o senhor deve, sim, explicação. Deve explicação porque construiu um aeroporto dentro de sua propriedade”, rebateu a petista. “Uma das coisas mais importantes do país é que não podemos mais tolerar o uso de bens públicos para beneficiar A, B ou C privadamente. Essa é uma questão que nenhum candidato à presidência da República pode se furtar a responder.”

Economia

Tema relevante no primeiro encontro, e historicamente centro de divergências entre PT e PSDB em todas as disputas presidenciais desde 1995, a economia não foi protagonista desta vez. A principal questão se deu em torno do combate à inflação, com a acusação do tucano de que o atual governo perdeu o controle sobre os preços dos itens básicos de consumo. “Agora há pouco a senhora disse que a inflação não é um problema do governo, é problema sazonal, e eu acho que não é, por isso, comigo, tolerância zero com a inflação”, disse.

Já a petista afirmou que há uma ideia de manipular o sentimento da população para criar uma sensação negativa nesta seara. “Existe uma tentativa de criar um clima de quanto pior, melhor. Essa tentativa vocês fizeram na Copa, dizendo que não ia ter Copa, que não tinha condições. Ficou claro que o Brasil fora de campo estava muito bem preparado”, disse, atribuindo a elevação de preços a um problema provocado pela seca que afeta parte do país nos últimos meses.

A petista criticou ainda a proposta da equipe econômica de Aécio de levar a inflação para uma taxa de 3% ao ano – nos últimos anos o IPCA, que é a medição oficial, tem ficado próximo do teto estabelecido pelo Banco Central, de 6,5%. “Não vou combater inflação com os métodos do senhor, que é desempregar, arrochar e desinvestir”, disse. “Para ter inflação de 3% vamos ter uma taxa de desemprego de 15%. Ele está se queixando de uma taxa de desemprego de 5%.”

O próximo encontro entre Dilma e Aécio será domingo, na Record. Depois disso, eles têm mais um debate, o último antes da votação do dia 26, organizado pela Globo.

No Pragmatismo Político
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Jornalista mineira diz que imprensa de Minas já sabia do aeroporto de Cláudio


A presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição pelo PT, utilizou seu programa eleitoral na TV para criticar cerco a jornalistas e à imprensa em Minas Gerais quando o Estado era governado pelo presidenciável Aécio Neves (PSDB), que defendeu sua gestão e acusou seus adversários de mentirem.

Apresentando recortes de jornais com matérias sobre a demissão de jornalistas críticos à gestão tucana, o programa petista acusou o candidato de tratar a imprensa mineira com “mão de ferro”.

“Essa questão todinha do aeroporto de Claudio, aqui dentro de Minas Gerais a gente tinha essa história”, afirma a ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de MG Eneida da Costa, referindo-se a aeroporto construído em terra desapropriada de parente de Aécio, a quem a chave do terminal foi entregue.

“Nós sabíamos, nós os jornalistas… a gente nunca pôde publicar”, completou Eneida no programa da TV de Dilma desta quarta-feira.
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Dilma 46 Aécio bafômetro 43

Tracking DataCaf acha o Globope uma novela das oito.


O Tracking DataCaf desta quinta-feira (16) apresenta:

Dilma – 46

Aécio Bafômetro – 43

Quá, quá, quá !
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A incompetência tucana no Sistema Cantareira

Como a SABESP privatizada pelo PSDB não investiu, acompanhe agora como está gravíssima a situação do Reservatório Cantareira


Nível hídrico do Sistema Cantareira

Variação Anual/Semestral 2014 do Sistema Cantareira

2010 94,6
2011 86,1
2013 40,1
mar/14 15,3
abr/14 12
mai/14 8,2
01/06/2014 Com Volume Morto 22,4
jul/14 17,3
ago/14 13,1
set/14 9,1
16/10/2014 4,1

Variação Diária

09/10/2014 5,3
10/10/2014 5,1
11/10/2014    5
12/10/2014 4,9
13/10/2014 4,7
14/10/2014 4,5
15/10/2014 4,3
16/10/2014 4,1

A fala de Alckmin é importante, em um primeiro contexto, porque ela já contradiz fundamentalmente a tão reiterada promessa de que teríamos abastecimento pleno até Março de 2015, independentemente do que ocorresse.

O Governador, que discursou enquanto que já está tendo seu volume morto aduzido, comentou, em tom de “torcida racional”, que “é evidente que vem chuva”. Triste pensar que a medida mais consistente do Estado mais rico e tecnicamente preparado da federação para lidar com a adversidade seja esse ato de fé. Difícil fazer um paralelo com outra área de política pública em que se pudesse transferir o fator fundamental de seu sucesso para uma variável tão “independente”: talvez, na Educação, seria algo como esperar a melhoria global do desempenho escolar dos alunos com base no bom humor diário de cada um como o fator-chave.

O problema do discurso de Alckmin é que ele, simplesmente, não é verdadeiro. Por sinal, como há muito já se coloca, o fim dessa primeira cota de volume morto coincide com o segundo turno das eleições. Já imaginamos o perigo social, humanitário, econômico (e político) de colossais proporções caso não venha o referendo da Agência Reguladora para a extração de mais água ou se os técnicos do governo de São Paulo não forem capazes de concluir a nova improvisação.

Impressiona, então, o modo como a imprensa produz notícias, uma atrás da outra, sem conectá-las entre si minimamente para que venham a elaborar juízos críticos razoáveis sobre a situação. Não seria preciso, sequer, a convocação de especialistas: bastaria recuperar as próprias matérias para que se confrontasse o que diz o governador em um momento e o que afirma em outro, ou o que a SABESP noticia em um documento e o que publica em outro.

Digo que esse modo de produção jornalística – para além de toda a sua dimensão ideológica – acaba por se configurar como uma espécie de fordismo por se basear uma elaboração de informações e fatos como fins em si mesmos, como pequenas peças desconectadas de uma engrenagem muito maior – que, em razão desse afastamento, impedem com que o cidadão leia a matéria e seja capaz de compreender a gravidade do que está ocorrendo. Não importa, nesse modelo, se há alguma relação entre a peça anterior e a próxima, se são diferentes, se há contradição entre elas, se elas se suplementam. É irrelevante. Noticia-se um dado solto no ar, como uma mera obrigação jornalística, como um evento encerrado em si mesmo, sem vocação sistêmica. Não me parece difícil de defender o quanto isso inviabiliza o senso crítico do leitor e da sociedade de modo amplo, e o quanto isso cria barreiras para se intervir adequadamente no problema e para que identifiquemos com clareza os responsáveis – da cidade dos homens, e não da cidade de deus – pela crise. No final, quem se torna o operário do conhecimento, sem consciência hermenêutica e alienado da realidade material, não é ninguém menos do que eu e você.

Veja o antes (foto acima) e o depois (foto abaixo).


Como os tucanos tratam a CPI em São Paulo

Andrea Matarazzo: Police é um vagabundo


No Forum ZN
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Cancelamento de entrevistas no JN mostra que mídia faz o que bem entende no Brasil


A Rede Globo cancelou as entrevistas ao Jornal Nacional (JN) programadas para a próxima semana com os candidatos ao Planalto, senador Aécio Neves (coligação PSDB-DEM e outros partidos que a eles aderiram) e presidenta Dilma Rousseff (PT e legendas da base aliada).

O pretexto — ou desculpa oficial — da poderosa Rede para o cancelamento é que no processo de negociações relacionado às entrevistas, os representantes dos candidatos reivindicaram que dos 15 minutos de entrevista de cada um fossem descontados o tempo utilizado nas perguntas.

A participação dos candidatos já estava pré-agendada desde antes do início da campanha do 2º turno para as próximas 2ª e 3ª feira e havia sido confirmada pelas equipes de campanha dos dois candidatos. Mas, segundo a Rede Globo o cancelamento decorre da falta de acordo em relação a este pedido das coligações, que pretendiam aumentar o tempo das respostas durante as entrevistas.

Em nota oficial a Rede Globo explica que o pedido das coligações era para que a duração das entrevistas excluísse o tempo das perguntas. A exemplo das entrevistas realizadas com os presidenciáveis no Jornal Nacional no 1º turno, a duração seria de 15 minutos, incluindo o tempo de perguntas.  “Não foi possível se chegar a um acordo porque o tempo de produção do telejornal (excluídos os anúncios comerciais), com o horário eleitoral obrigatório é, em média, de 21 minutos”, diz a nota.

Globo só quer jornalismo pasteurizado e que atenda a seus interesses

Dada a tradição da Globo, sempre pouco preocupada com jornalismo e mais em fazer política de acordo com os seus interesses, pode-se muito bem concluir que a Rede não quer entrevistar os candidatos coisa nenhuma. Como os dois candidatos estão em empate técnico, mas o candidato dela, Aécio Neves, tem uns pontinhos na frente da presidenta Dilma, querem ajudá-lo. Não querem mexer com esse andor para ele chegar assim até o fim da procissão dia 26, data do 2º turno.

A Globo nunca teve a menor preocupação com jornalismo, que não seja esse pasteurizado que apresenta nas coberturas presidenciais. Sempre manipulou seu jornalismo nessas ocasiões — vide a edição do debate presidencial de 1989 em que favoreceu escandalosamente o candidato Fernando Collor de Mello e prejudicou o candidato Lula. Estaria empenhada em jornalismo agora!!!

O cancelamento dessas entrevista de 2ª e 3ª feira próximas no JN e  a saída da Folha de S.Paulo do debate promovido pelo UOL, SBT e Rádio Jovem Pan que se inicia logo mais às 18 h é mais uma prova concreta do poder que a mídia tem de fazer o que bem entende no país — e de não fazer o que convém e interessa ao Brasil se isto não atender a seus interesses e objetivos políticos e comerciais…

No Blog do Zé
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"Tenho medo" em nova versão


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O Bolsa Família Rica que poucos souberam que existiu


A Dívida Pública nos Governos Cardoso, Lula e Dilma: uma análise comparativa

Durante o 1º governo Cardoso (1995-1998), a política monetária esteve presa à estabilização do câmbio (então fixo e sobrevalorizado), a principal âncora para controle inflacionário.

Pressões cambiais, decorrentes de saídas de capitais, eram arrefecidas por meio de elevações das taxas de juros básicas da economia.

Como a valorização excessiva do real comprometia o desempenho das contas externas, essa política tornava estruturais e crônicos tanto a tendência altista da taxa de juros, quanto o componente financeiro do gasto público, além de submeter a economia a recorrentes solavancos recessivos.

Em linhas gerais, a gestão da dívida pública brasileira esteve atrelada às necessidades de captação de recursos estrangeiros.

Nesse contexto, grupos privados, residentes ou não, aproveitaram para realizar oportunidades de lucros associados a uma ciranda financeira internacional.

Tomavam recursos em mercados exteriores (em dólares) a juros baixos e aplicavam-nos no mercado financeiro brasileiro (em ativos denominados em reais), principalmente em títulos públicos federais.

Como o câmbio era fixo e o diferencial de juros expressivo, o lucro tornou-se certo, considerável e sem grandes esforços. Para se ter uma ideia, enquanto as taxas de juros básicas praticadas pelo FED estiveram na casa dos 5% a.a. nesse período, as taxas básicas da economia brasileira oscilaram na faixa dos 20% a 40% a.a., com picos superiores a isto.

Os dados confirmam o endividamento externo privado excessivo. Sua participação no total saltou de 40% em 1994 para 62% em 1997. Para maiores detalhes ver, Gremaud, et. al., A Economia Brasileira Contemporânea, Editora Atlas, São Paulo, 2002.

O que era uma oportunidade de ganhos fáceis e significativos transformou-se num pesadelo em 1998, quando ocorreu uma fuga expressiva de capitais do Brasil por contágio da crise russa, em meados daquele ano. Diante disso, o governo Cardoso bem que tentou arrefecer as pressões sobre o câmbio, a partir de uma expressiva elevação das taxas de juros, na ocasião, para acima dos 40% a.a. Ademais, acenou com um forte arrocho fiscal. No entanto, as medidas não surtiram efeito, e a sangria prosseguiu. Entre agosto e setembro, a perda de reservas do Banco Central foi da ordem de 30 bilhões de dólares. Ver Gremaud, et. al., op. cit.

Para o governo, o problema não era apenas econômico, mas também político, pois o presidente Cardoso encontrava-se em plena disputa eleitoral, e sua reeleição dependia da manutenção da estabilidade monetária e, portanto, cambial. Para os grupos privados endividados em moeda estrangeira, a situação também implicava sérias preocupações.

Pairavam no horizonte prejuízos expressivos (ou mesmo risco de falência) decorrentes de uma provável e muito próxima desvalorização do real.

A única saída para esses grupos passou a ser a de encontrar algum “desavisado” que se dispusesse a vender ativos em dólares ou atrelados a ele de modo a assumir o risco (prejuízo) cambial (certo), promovendo assim a proteção (o hedge) de que tanto necessitavam.

Mas quem entraria no mercado “vendendo dólares” (ou emitindo dívidas indexadas direta ou indiretamente ao câmbio) com a certeza de uma desvalorização iminente? Quem se disporia a assumir os prejuízos dos que haviam ganhado muito dinheiro com uma ciranda financeira internacional?

Assim como em outros momentos da história econômica brasileira, coube ao Estado assistir os grupos privados fornecendo-lhes proteção e abrigo. Implementaram-se dois movimentos “estratégicos” durante o 2º semestre de 1998. De um lado, o governo recorreu ao FMI, que lhe concedeu recursos pouco antes das eleições, no valor de 42 bilhões de dólares, associados a uma agenda de contrapartidas bastante severas à sociedade brasileira.

Por outro lado, além de atuar no mercado de câmbio vendendo dólares, o governo emitiu títulos públicos indexados ao dólar ou que acompanham indiretamente o movimento do mercado de câmbio (títulos com juros pós-fixados).

A dívida pública transformou-se no instrumento de socorro aos grupos privados; sua gestão se orientou pela socialização de prejuízos privados; e, como estratégia, levou-se a cabo a sua quase que total “dolarização”. Em resumo, a dívida pública foi utilizada como uma espécie de “bolsa família” aos que haviam realizado grandes lucros e não aceitavam prejuízos de uma ciranda financeira internacional.

Por isto que, quando veio a desvalorização cambial de 65% em 01/1999, os agentes privados já não estavam somente “hedgeados” (protegidos) em relação às suas dívidas em dólares, mas também aproveitaram o contexto para realizar mais alguns outros ganhos patrimoniais.

A magnitude do processo de socialização dos prejuízos privados pode ser estimada pelo impacto direto desta desvalorização sobre a dívida pública, que cresceu aproximadamente 50 bilhões de reais somente naquele mês. Para ser ter uma ideia do significado desse aumento, basta lembra que, dois anos antes, em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce havia sido vendida por 3,5 bilhões de reais (valores corrigidos aos preços de 1999). Ver, Gremaud, et. al., op. cit.

Não por acaso, houve uma elevação da dívida pública líquida em relação ao PIB durante o primeiro governo Cardoso.

Em 1994, ainda no governo Itamar, a dívida correspondia a 30% do PIB; em 1999, chegou a 44,5% do PIB; e, no último ano do segundo governo Cardoso, em 2002, a dívida já havia alcançado aproximadamente 50% do PIB. Maiores detalhes, ver: Sales, T. “Vulnerabilidade Externa ao Longo dos Governos FHC e Lula”, dissertação de mestrado, PEPI, IE-UFRJ, 2012.

Nota-se, também, que essa evolução da dívida pública não ocorreu como contrapartida de um processo de transformação de forças produtivas, de industrialização ou de conquistas sociais, mas como resultado de um endividamento externo privado excessivo e de seu repasse posterior a toda sociedade brasileira por meio das finanças do Estado.

Além da socialização de prejuízos, outra conseqüência dessa gestão foi, como dito, a quase que completa “dolarização” da dívida pública federal. Houve uma expressiva redução da participação dos títulos pré-fixados na dívida total (de 55% em 05/1998 para 3% em 12/1998), os quais não permitem proteção aos movimentos no mercado de câmbio.

Em contrapartida, os títulos indexados ao câmbio passaram de 15% para 21% do total; e os pós-fixados, de 41% a 69%, contabilizando 90% de toda dívida pública. Para se ter uma noção, em 1994, estes dois tipos (indexados aos câmbio e pós-fixados) correspondiam a apenas 24% do total. Maiores detalhes, ver: Sales, T. op. cit.

Mas qual seria o problema em se ter 90 % do total da dívida pública “dolarizada”? Acentuou-se sobremaneira a vulnerabilidade da economia brasileira a choques internacionais. Oscilações cambiais passaram a ter, durante os anos seguintes, efeitos diretos e expressivos sobre a dívida.

Como se tratava de uma economia com crônica tendência ao desequilíbrio externo (vulnerabilidade excessiva), comprometeu-se severamente a capacidade de o Estado realizar políticas públicas em geral, eliminando a possibilidade de iniciativa estratégica do governo na efetivação de investimentos públicos, gastos sociais, etc.

Se, por um lado, o governo Cardoso conseguiu salvar os grupos privados ao mesmo tempo em que garantiu a sua reeleição, por outro, lançou o Estado e seu segundo mandato (1999-2002) a um imobilismo excessivo e a uma elevada vulnerabilidade fiscal e externa.

Para a sociedade, fora o prenúncio de anos bastante difíceis.

É difícil imaginar quais teriam sido os efeitos da crise de 2008 na economia brasileira, a maior desde 1929, caso a gestão da dívida pública prosseguisse na orientação do governo Cardoso no sentido de sua dolarização. No entanto, antes da crise, instaurara-se a percepção no governo Lula (2003-2010) acerca da necessidade de se retomar a capacidade de iniciativa estratégica do governo.

O contexto favorável para isto adveio dos resultados positivos nas contas externa no início do governo Lula, decorrentes da própria desvalorização da moeda, de uma diplomacia ativa em relação à política de comércio exterior, associada a uma política externa de orientação sul-sul, e do aumento dos preços das commodities internacionais.

Nesse processo de restruturação da dívida pública, no sentido de sua “desdolarização”, o alvo principal foram os títulos indexados ao câmbio, que passaram de 22% (em 2002) para 1% (em 2008), e os pós-fixados, de 61% (em 2002) para 36% (em 2008).

Em contrapartida, os pré-fixados aumentaram sua participação de 2% (em 2002) para 32% (em 2008). Ademais, o estoque da dívida pública líquida caiu de 52% do PIB em 2002 para 35% em 2008, voltando aos patamares do período do governo Itamar.

No governo Dilma (2010-2014), permaneceu a orientação de se evitar a dolarização da dívida pública. Em agosto de 2014, 40% eram de pré-fixados, 35% atrelados a índices de preços e, apenas, 20% de pós-fixados e 4% indexados ao câmbio.

O mais importante a se observar é que, quando se deflagrou a crise internacional de 2008 e seus desdobramentos durante os anos seguintes, já havia sido retomada a capacidade de o Estado atuar de modo a arrefecer os efeitos de uma severa crise econômica por meio de políticas fiscal e monetária expansivas.

Os bons resultados nas contas externas nos anos anteriores e a “desdolarização” da dívida pública foram decisivos para tanto.

Assim, diferente da crônica tradicional da história econômica brasileira, o governo não lançou mão de ajustes econômicos recessivos.

Ao contrário, inverteu as prioridade e, por decisões de natureza política, trabalhou de modo a defender o nível de emprego e renda das camadas mais vulneráveis da população brasileira, em vez de priorizar a proteção dos interesses e a riqueza patrimonial de grandes grupos privados.

Mauricio MetriProfessor de Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Tucano é contra o Bolsa Família, sim!

Começou com o “Bolsa Esmola” … É tudo burro, FHC?


O Conversa Afiada publica a opinião dos tucanos — e do PiG — sobre o Bolsa Família, desde 2004:

2004

José Serra, Folha de S.Paulo, em 16 de fevereiro de 2004:

“Outro sucesso publicitário tem sido o Bolsa-Família, que, em sua maior parte, agrega os programas de transferência de renda herdados do governo passado”.

“Essa área, que prometia ser prioridade do atual governo, tem sido alvo de constantes retrocessos. (…) O Bolsa-Família, cuja nova prioridade é a periferia das grandes cidades, não vai chegar aos grotões e lugares como carvoarias, plantações de sisal e pedreiras. Essas crianças voltarão ao trabalho, pois os especialistas são unânimes em alertar que o auxílio mensal não pode ser interrompido. Mas, infelizmente, o atraso é constante”.

Arthur Virgílio, em 9 de março de 2004:

É do conhecimento público que o Planalto possuía um cadastro com mais de 8 milhões de beneficiários. Por que o Bolsa-Família só atendeu 3,6 milhões de famílias?”.

Editorial do PSDB, Bolsa Esmola, em setembro de 2004:

“Para um governo comandado por um partido que historicamente se fortaleceu sob a bandeira da redenção dos pobres de todo o país, o balanço das políticas federais de inclusão social tem sido profundamente desapontador. (…) O programa Fome Zero, eixo central do discurso de campanha do então candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofre de inanição desde a sua festejada criação e atabalhoada execução. (…) Trata-se de um símbolo tristonho da negligência governamental para aquela que seria prioridade absoluta da atual gestão. Os entraves dos programas sociais do governo federal são a evidência clara de uma política embotada pelo apego a números que podem render dividendos políticos musculosos, porém com eficácia social bastante questionável. São 4,5 milhões de famílias beneficiadas, orgulha-se o Palácio do Planalto. O risco é que, ao fim do mandato petista, boa parte delas continue à espera da esmola presidencial”.

Em 16 de setembro, o então senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), hoje governador de Alagoas:

Esse descompromisso termina transformando os programas (…) em mero assistencialismo, esterilizando por completo todo seu vasto potencial de transformação social. Virou esmola. Virou assistencialismo puro”.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldman, em 2004:

“Qual não minha surpresa quando o ministro Patrus veio a público defender a inoperância no controle da assiduidade escolar sob a justificativa de que mais importante do que garantir a frequência seria assegurar às famílias uma fonte de renda”.

Rodrigo Maia (PFL-RJ):

“Esse programa de transferência de renda da história do Brasil tem mostrado suas falhas e mazelas

(…)

Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro:

“O Fome Zero é o maior gol contra que eu já vi. Mexeram errado na área social. Tiraram do Bolsa Escola a característica que era dar o dinheiro para as famílias manterem seus filhos na escola. Na Educação, estão dando abatimento fiscal para escolas privadas e abandonaram a ênfase no ensino básico. Na Saúde, o que foi feito de novo? Nada”.

2005

Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), da tribuna do Senado

“O governo se apóia, na área social, em iniciativas demagógicas e assistencialistas que visam, tão-somente, a criar uma relação de dependência entre Estado e os elementos mais pobres da população. Esse assistencialismo antiquado é mais conhecido pelo nome de Bolsa-Família. (…) O Bolsa-Família, tal como foi desenhado, é incapaz de combater a pobreza e de promover a inclusão social dos mais pobres, como apregoa. (…) O atual Governo, lamentavelmente, além de manter práticas atrasadas em diversas áreas, também o faz no campo da assistência social. O que se viu até agora foram projetos de cunho populista fracassados, como o Bolsa-Família, denominado pelo jornalista Demétrio Magnoli, como “O Mensalinho dos Pobres”.

José Serra, no Estadão:

“Quem torna o povo cativo da falsa caridade, transformando recursos públicos em demagogia eleitoreira, não é ético”.

José Agripino:

“A única obra em andamento é a Bolsa-Família, por ser um programa paternalista com o intuito de barganhar votos nas eleições gerais do ano que vem”.

FHC, na revista Agenda 45:

“As políticas de transferência de renda do tipo Bolsa Escola, agora rebatizada de Bolsa Família, dão um alívio imediato, mas também não são suficientes”.

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB):

“Os programas de bolsas não resolverão as dificuldades às quais os segmentos mais carentes estão submetidos”.

Alberto Goldman, à IstoÉ:

“As famílias entram nesse sistema assistencialista sem perspectiva de sair. É quase condenar o cidadão a viver o resto da vida na dependência do Estado.”

2006

Álvaro Dias:

“Os programas sociais no Brasil estão sendo utilizados indevidamente, o que configura má aplicação de dinheiro público. Não podemos ficar indiferentes a essa questão.”

Arthur Virgilio:

“(O governo) limitou-se a distribuir dinheiro a fundo perdido, sem nenhuma exigência de contrapartida educacional, sem nada, quase que uma esmola eleitoreira.”

FHC ao Correio Braziliense:

“Na área social, o Bolsa-Família juntou o que já havia antes, mas tirou o nervo. Quando se faz um programa dessa natureza, não é só dar o dinheiro. É dar dinheiro para melhorar. Mas os requisitos diminuíram”.

Carta aos Eleitores do PSDB, às vésperas das eleições presidenciais:

“(…) não devemos temer a Bolsa-família. Ela não apenas resultou de programas que nós criamos (inclusive a preparação técnica para a unificação dos programas) como vem sendo desvirtuada pela velocidade eleitoreira com que cresce e pelo descuido na verificação da satisfação de requisitos para sua obtenção. E sobretudo porque tem sido feita no embalo da pura propaganda eleitoral, tornando um propósito saudável, pois inauguramos estes programas como um ‘direito do cidadão’, numa benesse do papai-Presidente. Na verdade por este caminho formar-se-á uma nova clientela do governo. Se a ela somarmos a clientela dos assentados pela reforma agrária que não são emancipados, quer dizer, que não produzem para pagar seus compromissos e dependem a cada ano de novas transferências de verbas orçamentárias, estaremos criando o maior exército de reserva eleitoral da história. Aí sim caberá o “nunca se viu neste país…!”

2007

Aécio Neves, ao Estadão:

O Bolsa-Família precisa ter portas de saída tão estimulantes quanto as de entrada.

(…)

Não quero crer que a ampliação do Bolsa-Família possa ser o grande projeto de um governo. Ele foi essencial num dado momento, mas tão ou mais importante do que ele é criar condições, através da qualificação, de novas oportunidades de trabalho para as famílias que hoje dependem do programa”.

Geraldo Alckmin:

“Sou favorável aos programas de complementação de renda. Mas eles não podem virar moeda de troca com o voto. Eu disse na campanha que o Bolsa-Família é transitório e que precisamos gerar empregos. Tanto bati na tecla certa que ficou na agenda nacional”.

Deputado Duarte Nogueira, hoje presidente do PSDB:

“Criamos uma rede de proteção social formada por programas de complementação de renda – como o Bolsa-Alimentação, o Bolsa-Escola, o Vale-Gás, espertamente apropriados pelo governo Lula – que os herdou, os rebatizou e os transformou em um sustentáculo do seu projeto de poder”.

FHC, em 6 de junho, no site do partido:

“Se quisermos projetar um futuro que não seja de esmolas para os pobres disfarçadas em bolsas e de concentração de renda ainda maior, temos que assegurar à maioria condições para competir e obter emprego, com melhor educação e mais crescimento econômico. Caso contrário seguiremos no rumo do apartheid moderno, que transforma o Estado em casa de misericórdia e o mercado em apanágio dos bem educados”.

Tasso Jereissati

“Fizemos o projeto São José [de assistência social], aqui no Ceará, que guarda semelhanças como Bolsa Família, mas não dava esmolas”.

2008

FHC ao Estadão:

“[A Bolsa Família] é paliativo, se não for conjugada a uma política de geração de empregos. Aumentar consumo, essas bolsas aumentam. Mas toda política social compensatória precisa ter porta de entrada e de saída, do contrário é ruim. A Bolsa-Escola, por exemplo, tinha uma clara porta de saída: terminou a escola, terminou a bolsa. No caso das gestantes, terminou a gravidez, terminou a bolsa. No Bolsa-Família, isso ficou confuso. Como vai ser a saída? Não está pensado. Agora ampliaram a faixa de atendimento do programa. É preciso ver se não há duplicação no atendimento. Eu não ando pela periferia de São Paulo, mas a Ruth (Cardoso, antropóloga e ex-primeira-dama) anda. E constata que há uma oferta grande de bolsas sociais – a do município, a do Estado, a do governo federal. Isso, num primeiro momento, pode ser bom. A longo prazo, pode criar uma camada de dependentes do Estado”.

Arthur Virgílio:

“O governo Lula é absolutamente inepto e não cria portas de saída desses programas, tornando as pessoas dependentes a vida inteira. “

2010

Tasso Jereissati:

“Vai acabar todo mundo no Bolsa Família e ninguém produz mais nada.”

José Serra, durante a campanha presidencial:

“Aliás, o Bolsa-Família é uma criação do governo FHC – uma junção do Bolsa-Escola e do Bolsa-Alimentação”.

Mônica Serra, espora do hoje senador eleitor por São Paulo:

“As pessoas não querem mais trabalhar, não querem assinar carteira e estão ensinando isso para os filhos”.

2011

FHC:

“A Bolsa Escola, por exemplo, foi a origem de todas as bolsas. Distribuímos 5 milhões de bolsas e eu não usei isso como se fosse dádiva”.

“As políticas compensatórias iniciadas no governo do PSDB – as bolsas – que o próprio Lula acusava de serem esmolas e quase naufragaram no natimorto Fome Zero – voltaram a brilhar na boca de Lula, pai dos pobres, diante do silêncio da oposição e deslumbramento do país e… do mundo! (…)

José Serra, em O Globo:

“Oito anos depois, eis que ressurge do esquecimento com um novo nome, “Brasil sem Miséria”, num relançamento que também deveria ter sido retumbante.”

Álvaro Dias, no Roda Viva:

“[O Bolsa Família] mantém na miséria porque estimula a preguiça. Inclusive, há gente que não quer trabalhar porque não quer ter carteira assinada e perder o benefício”.

Aécio Neves:

“Posso adiantar para vocês que o PSDB fará em outubro o seu primeiro grande evento nacional, onde vamos resgatar o nosso legado, as principais figuras que construíram a estabilidade econômica e o maior plano de inclusão social do Brasil, que não é o Bolsa-Família, é o Plano Real”.

2013

Aloysio Nunes, na tribuna do Senado:

“(…) É preciso que se pergunte à Presidente que contas são essas, porque o número de miseráveis no Brasil aumenta e diminui ao sabor dos governos do PT. O objetivo do PT quando era oposição e mesmo quando assumiu o Governo Federal era, segundo o Presidente Lula, garantir, nos seus primeiros quatro anos de Governo, três refeições diárias a 9,3 milhões de famílias, ou seja, 44 milhões de pessoas. E os 16 milhões do lançamento do Brasil sem Miséria? Os 19 milhões que são anunciados nas estatísticas oficiais e repetidos pela Srª Presidente, que já teriam saído da miséria nos últimos dois anos? Ou, ainda, 22 milhões, dentre os quais a Presidente diz que ainda precisam ser resgatados 2,5 milhões da situação de miséria?”.

José Serra ao Jornal da Cidade 2ª Edição, na Rádio Metrópole

“Bolsa Família não é a solução. Ele estaciona. Para a pessoa subir na vida precisa mais do que isso. Não se fez inovação nenhuma”.

Aécio Neves:

“O Brasil não pode viver exclusivamente desse benefício. Um pai de família não pode querer deixar de herança para o seu filho um cartão do Bolsa Família.”
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Tracking dia 15: Dilma 52,2


Tracking do dia 15/10:

Dilma 48%, Aécio 44%

Votos Válidos:

Dilma 52,2%, Aécio 47,8%
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Aécio gastou R$ 1 bi com a mídia em sete anos

Governo Aécio em Minas: a arte e as técnicas da ludibriação
A dívida do estado, que saltou de R$ 32,9 bilhões, em 2002, para R$ 79,7 bilhões, em 2013, indicador inequívoco de um estado com contas desequilibradas, foi omitida do público durante toda a gestão do PSDB, desde 2003, e escondida por meio de um truque contábil

Nas propagandas, o governo de Minas Gerais aparece retirando a população do estado do “inferno” em que a levou a administração Itamar Franco (1999-2002) e conduzindo-a ao paraíso da máxima felicidade de Aécio Neves e de seu sucessor, Antônio Anastasia, tornando-o “melhor lugar do Brasil para se viver”.

Um crescimento econômico capaz de causar inveja ao País, um estado saneado financeiramente, políticas sociais que o colocam na dianteira dos demais, em termos de indicadores de eficiência e de resultados, são algumas dessas conquistas alcançadas com a implementação do programa de governo conhecido como “Choque de Gestão”.

Em trabalho recentemente publicado com o título “Choque de Gestão e as técnicas de cooptação, controle e manipulação aplicadas no Estado de Minas Gerais, desde 2003”, João Batista Soares aponta três técnicas, todas de origem inglesa, utilizadas pela iniciativa privada para “vender seu produto”, as quais, adaptadas para a administração pública do estado na montagem deste programa, foram transformadas em sofisticados instrumentos de ludibriacão. São elas:

i) a do benchmarking, que simplificadamente significa a identificação de projetos de grande aceitação popular (educação, saúde, segurança pública, por exemplo) e a associação de sua paternidade ao governo, mesmo que apenas “pegando carona” nos existentes, visando a tirar proveito de seus resultados;

ii) a da “Análise SWOT e Verificação de Risco”, sinônimo das siglas inglesas Strengts, Weakness, Oportunities e Threats, que significam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, com a qual se busca, de um lado, identificar as ações que devem ser realizadas para tirar o máximo proveito das oportunidades e dos pontos fortes; e, de outro, neutralizar as ameaças e os pontos fracos do programa, seja omitindo-os, seja combatendo as notícias negativas, quer por meio da cooptação dos agentes, quer pela coação, assédio e até mesmo demissão de jornalistas ou servidores que se oponham ou denunciem suas fraquezas;

iii) a técnica da “Análise Stakeholder”, que complementa as duas anteriores, e que implica a identificação de partes interessadas e de pessoas que são determinantes para o sucesso do projeto estratégico ou político, ou seja, dos que devem ser cooptados (mídia, agentes públicos e funcionalismo público mais graduado) ou punidos em caso de fazerem críticas ao programa (jornalistas, funcionalismo, intelectuais etc.).

Na Minas Gerais do mundo real, isto é, fora das propagandas do governo, o crescimento do PIB do estado, com média anual de 3,29% ao ano, entre 2003 e 2013, foi inferior à do Brasil, que atingiu 3,8% a.a., no mesmo período. Mas, seguindo o script das técnicas empregadas, o governo sempre se pautou por omitir o seu desempenho quando este não foi favorável e por divulgar, com grande alarde, os resultados alcançados, quando estes registram melhores números que os do País.

A dívida do estado, que saltou de R$ 32,9 bilhões, em 2002, para R$ 79,7 bilhões, em 2013, indicador inequívoco de um estado com contas desequilibradas, foi omitida do público durante toda a gestão do PSDB, desde 2003, e escondida por meio de um truque contábil propiciado pela contabilidade pública, que fornece aos interessados em mascarar a realidade de seu desempenho fiscal, o conceito enganoso de resultado orçamentário, com o qual se pode transformar uma situação de fortes desequilíbrios fiscais em outra de equilíbrio ou até mesmo de superávits.

Nas políticas sociais, se a situação do ensino fundamental no estado é a melhor do País e, a da saúde, a melhor da região Sudeste, como o governo insistentemente divulga, são outros os principais agentes responsáveis por estes resultados: os municípios, a quem cabe principalmente a oferta do ensino fundamental, e o governo federal, por meio de recursos do SUS, e também os municípios, que destinam percentuais mais elevados de suas receitas (15%) para o financiamento da saúde que o estado (12%).

Se dependessem do governo do estado, provavelmente essas áreas estariam em situação precária, pois o mesmo, adepto da “contabilidade criativa”, sempre destinou para o seu financiamento percentuais menores que os estabelecidos pela Constituição.

Tanto isso é verdade que este teve de firmar, em 02/05/2012, com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), com o qual se comprometeu a atingir, gradualmente, até 2014, os percentuais de recursos previstos constitucionalmente para as áreas da saúde e da educação, que, naquele ano, deveriam atingir 9,68% e 22,81%, respectivamente.

O crescimento espantoso dos índices de criminalidade no estado, especialmente nos últimos anos, confirma a “prioridade” conferida pelo governo às políticas mais importantes demandadas pela população.

Fica claro que para as técnicas empregadas funcionarem é necessário contar com o apoio indispensável da imprensa (um dos agentes-chave que se deve cooptar). Para isso, o governo destinou, segundo a revista Mercado Comum, recursos para publicidade que montaram a R$ 1 bilhão (R$ 140 milhões/ano)nos sete primeiros anos do Governo Aécio, praticamente o custo da construção da Cidade Administrativa.

Com essa montanha dinheiro, os ensinamentos de Goebbls de que uma “mentira repetida cem vezes torna-se verdade” puderam ser explorados com competência, eficiência e brilhantismo. A isso se reduz, de fato, o tão propalado “Choque de Gestão” que se propõe implementar também no Brasil.

Fabrício de Oliveira, Doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e autor, entre outros, do livro “Dívida pública do Estado de Minas Gerais: a renegociação necessária”, de 2012 | do Brasil Debate
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Em nome da Justiça

Juízes federais e procuradores da República moveram suas associações corporativas, em especial as seções paranaenses, para defender o que não precisava ser defendido. O questionável na audiência do corrupto da Petrobras, Paulo Roberto Costa, pela 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, não foi que deixasse de ser "estritamente técnica" e de "respeitar a regra dos processos judiciais", aspectos ressaltados pelo corporativismo judicial. Questionável foi a realização da audiência ao abrir-se o segundo turno, do que resultou a inclusão do Judiciário na disputa eleitoral — com benefício de um dos lados.

Uma das defesas da audiência publicadas na Folha argumentou, referindo-se à divulgação do depoimento de Paulo Roberto, que "trata-se de informação sob domínio público que não pode ser escondida". Não se trataria de esconder coisa alguma, mas de respeitar democraticamente as circunstâncias do momento especialíssimo vivido pelo país. E, para isso, não mais do que aguardar três semanas para tomar o depoimento do acusado e vê-lo divulgado como mereceria.

A respeito do prazo, a nota do Ministério Público Federal defende que a audiência "obedeceu aos prazos fixados para procedimentos de réus presos". Pode ser, para os ainda presos. Mas Paulo Roberto não estava preso, mandado para sua casa na Barra da Tijuca pela mesma 13ª Vara.

Ainda contra esconder o que não estava nem ficaria escondido, disse o artigo que, divulgado o depoimento acusatório, cabe agora ao acusado defender-se (dos acusados no noticiário, só o PT foi citado no artigo). É uma tese que aguarda argumentos substanciosos, porque até hoje os doutores do Direito acreditam que o ônus da prova cabe ao acusador, não ao acusado. O próprio artigo tem a correção de ressalvar que "as denúncias não foram comprovadas", lembrando a conveniência de vê-las "com máxima cautela", por "envolverem delação premiada". O que não não envolviam.

Outra contribuição, também na Folha, à defesa da audiência naquela data e à divulgação das acusações então feitas, afirma que o juiz "tinha a obrigação" de "tornar públicas" as declarações do depoente. Sendo assim, o juiz faltou com sua obrigação. O depoimento de Paulo Roberto foi relatado aos repórteres pelo advogado do doleiro Alberto Youssef, que teria acompanhado a audiência. Os três partidos dados no noticiário como acusados por Paulo Roberto, no depoimento, não foram mencionados por ele. Foi também o advogado de Youssef quem os citou para os repórteres, esclarecendo não atribuir a citação ao depoente.

Mas o juiz não descumpriu "a obrigação", porque nunca a teve. Juízes pronunciam-se nos autos, diz uma das poucas regras judiciais de conhecimento geral. Não têm "a obrigação" de tornar públicas as declarações de ninguém, não são porta-vozes de acusados ou de testemunhas.

O juiz tem o dever, este sim, e acima de todos os outros, de assegurar imparcialidade às partes. Não há sinal algum de que tal dever haja sido maculado na 13ª Vara. Já a tomada do depoimento de Paulo Roberto Costa em 8 de outubro, ao iniciar-se o segundo turno, com a grande probabilidade de sua divulgação, para não dizer a fácil certeza por se tratar de audição aberta, foi uma impropriedade. A divulgação alimentou a injustiça — irreparável — com uma pessoa que só as ordinarices desta campanha eleitoral querem dar como desonesta: em boa ou em má-fé, é possível discordar de tudo o que Dilma Rousseff disse, pensou e significa, desaprová-la até o desprezo, mas insinuar-lhe desonestidade é uma desonestidade repugnante.

Janio de Freitas
No fAlha
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Quem tem medo da verdade


Em sua coluna “Prosa, Poesia e Política”, o escritor e jornalista pernambucano Urariano Mota analisa o recente debate organizado pela TV Bandeirantes com os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff e Aécio Neves. “Se a imprensa tem impedimentos de fidelidade ao acontecimento, bem que poderia falar, pelo menos em relação ao último debate entre a presidenta e o candidato tucano: ‘Dilma vence como uma guerreira’”, falou o colunista.



Ramon de Castro
No Rádio Vermelho
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Sérgio Porto # 17


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Essa é do Barão... 75


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Relatórios usados por Dilma para criticar Aécio somem do site do TCE-MG após site voltar ao ar


Um exemplo em tempo real de como os tucanos varrem para baixo do tapete seus escândalos de corrupção e má gestão ocorreu durante o debate na TV Bandeirantes.

Dilma falou que quando governador, Aécio desviou R$ 7,6 bilhões das verbas da saúde para outras coisas.

Aécio tentou desqualificar Dilma dizendo que suas contas tinham sido aprovadas pelo Tribunal de Contas de Minas (TCE-MG), sem dizer que eram com as ressalvas que Dilma havia dito.

Dilma pediu aos telespectadores para conferir no site do TCE-MG. Logo após a página saiu do ar.

O site voltou na manhã de quarta-feira, mas os documentos citados por Dilma, que correspondem ao período que vai de 2006 a 2012, não estavam mais disponíveis, segundo denunciou o bloco de oposição estadual Minas Sem Censura.

Só voltaram ao ar 4 horas depois, quando cópias do documento passou a circular na Internet e com oposição aos tucanos na Assembléia Legislativa de Minas denunciando violação das leis de transparência e que obrigam a dar publicidade.

A candidatura de Aécio está desenganada e derretendo. A Folha de São Paulo já desembarca, dando estas notícias (ainda que atrasadas em relação aos blogs como o nosso, que noticiou tão logo os internautas comentaram a saída do ar durante o debate).


No Amigos do Presidente Lula
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