14 de out de 2014

O caso dos vídeos sobre Aécio Neves que estão sendo censurados no YouTube


O documentário “Helicoca — o helicóptero de 50 milhões de reais”, produzido pelo DCM, foi retirado do YouTube por causa de uma reivindicação de direitos autorais.

O responsável pelo pedido, um certo “Jorge Scalvini”, não existe. É um perfil fake da internet. Recorremos ao Google há uma semana, mas até agora nada. Isso é resultado de uma prática kafkiana chamada “notice and take down”, em que o autor é obrigado a provar ao YouTube que existe, enquanto o denunciante só necessita de um CPF.

A derrubada do “Helicoca” está longe de ser um episódio isolado. Há pelo menos dois casos similares. Ambos envolvem Aécio Neves.

O primeiro é o do instigante “Liberdade, Essa Palavra”, filme sobre o qual já falei aqui. Foi o trabalho de conclusão do curso de jornalismo de Marcelo Baêta. “Liberdade…” trata da relação da imprensa mineira com o governo de Aécio em seu primeiro mandato (2003/2006).

São várias histórias sobre a pressão da administração aecista sobre jornalistas e as demissões que decorreram dela. Andrea Neves, irmã e braço direito, é um dos personagens principais. Na época, o PSDB mineiro colocou no ar uma resposta acusando Baêta de “petista” e seu trabalho de “manipulação” e “fraude”.

O original de “Liberdade, Essa Palavra” (um verso de Cecília Meireles) foi abatido do YouTube por causa de — adivinhe — reivindicação de direitos autorais.

A trajetória de “Gagged in Brazil” (“Amordaçados no Brasil”) não é muito diferente. Foi escrito e dirigido por Daniel Florêncio para a Current TV, canal por assinatura e portal da web criado por Al Gore.

Tema e período são os mesmos da obra de Baêta. Daniel mostra a cumplicidade da mídia com o projeto de poder de Aécio. Uma editora da TV Globo aparece, sem ser identificada, relatando que a emissora esperava que Aécio estivesse “do lado da Globo”.

Uma matéria no Jornal Nacional elogiava o “déficit zero” nas contas públicas do estado. Logo após a “notícia” narrada por Fátima Bernardes, entrava nos comerciais um anúncio do governo de MG repetindo quase ipsis verbis o que a âncora relatara.

“Gagged” foi ao ar na Current TV no Reino Unido e nos EUA em maio de 2008. Uma semana mais tarde, foi postado no YouTube, com legendas, e bombou em pouco tempo.

Quatro meses depois, sairia da Current.com. Florêncio — que mora em Londres há dez anos — escreveu no Observatório de Imprensa que sua editora lhe esclareceu o seguinte: “Os executivos seniors do canal nos EUA receberam cartas com severas considerações e críticas sérias em relação ao filme. As cartas foram enviadas pelo PSDB de Minas Gerais. O PSDB afirmava que meu filme tinha caráter político-partidário, que não representava a realidade no estado e questionava minha conduta ética”.

Por desejo do diretor de programação David Newman, o gerente de jornalismo Andrew Fitzgerald deu início a uma investigação. “Elaborei dossiês, contatei minhas fontes no Brasil, e escancarei meus procedimentos para Andrew Fitzgerald”, diz Daniel. Fitzgerald o avisaria, afinal, que “Gagged in Brazil” estava de volta à Current TV.

No YouTube, porém, o desfecho foi outro. No dia 3 de fevereiro deste ano, Florêncio recebeu um alerta de um desconhecido, querendo saber o que houve com o filme. Quando clicou no link, pumba!: infração de copyright, requisitado por um certo Gabriel Amâncio. Ganha um pão de queijo quem acredita que Gabriel Amâncio é um cidadão de carne, osso, miolos e músculo.

Como no caso de “Liberdade”, outras versões estavam disponíves. Mas a eliminada contava com quase meio milhão de visitas, além dos links em sites, blogs e nas redes sociais. Na internet, a relevância varia de acordo com o número de links e visitas. O objetivo era fazer com que o documentário se tornasse irrelevante no Google, Bing, Yahoo etc.

O PSDB perpetrou um vídeo-resposta a “Gagged” que explodiu milagrosamente no YouTube. Os comentários, veja só que curioso, eram de países da Ásia, África, Europa. Todos falsos. Daniel explicou a ciência por trás dessa façanha num outro filme curto, que eu posto abaixo. Basicamente, é um spam. Assista enquanto Jorge Scalvini não dá as caras.

Aécio tem processos contra Facebook, Twitter e Google. Quem o representa é o escritório de advocacia Opice Blum, tido como autoridade em direito digital. Segundo um perfil na Piauí, seu contrato é como pessoa física.

Uma advogada afirmou à revista que as ações contra buscadores fazem referência a “uma mentira que espalharam na rede dizendo que o senador é acusado em ação judicial promovida pelo Ministério Público de ter desviado 4,3 bilhões de reais”.

Foi o Opice Blum que moveu a ação contra o Twitter para descobrir os dados cadastrais de 66 contas que, supostamente, fariam parte de uma “rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas”. Uma dessas contas é a do DCM.

Noves fora a onda de repulsa que essas arbitrariedades causam, a cada vídeo retirado aparecem outros, num efeito multiplicador. O “Helicoca”, por exemplo, tem cinco versões no YouTube no momento em que digito estas maltraçadas. Fora as do Vimeo e as do Daily Motion. Existem outras tantas de “Gagged” e de “Liberdade, Essa Palavra”.

Já dizia a fabulosa Hannah Arendt: “Somente quando as coisas podem ser vistas por muitas pessoas, numa variedade de aspectos, sem mudar de identidade, de sorte que os que estão à sua volta sabem que vêem o mesmo na mais completa diversidade, pode a realidade do mundo manifestar-se de maneira real e fidedigna”.

Marina Silva citava Hannah Arendt com frequência. Não sei se Aécio Neves tem ideia de quem se trata.


Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

É decente um governador colocar dinheiro público em rádios da família?

A peculiar ética do candidato
Gostei muito de Luciana Genro, no primeiro turno, pela sinceridade em suas colocações.

Sinceridade é uma das virtudes que mais me tocam.

Pelo lado inverso, hipocrisia me incomoda terrivelmente. Não conhecia a fundo, antes da campanha, Aécio Neves.

O que mais me aborrece nele é exatamente sua desfaçatez, aliás esplendidamente exposta por Luciana Genro num debate presidencial.

Hoje, por exemplo.

Vejo no site da Folha que o governo de Minas não informa quanto dinheiro colocou em publicidade nas rádios de Aécio.

Alguém aí falou em transparência?

O que se sabe é que, sob Aécio, os gastos com publicidade do governo de Minas cresceram três vezes.

Um momento: Aécio tem uma rádio? Mais precisamente: três? E um jornal?

Tudo bem um político ter veículos de mídia? A Constituição veda, como lembrou em sua campanha Luciana Genro. Ela prometia acabar com a farra.

Mas de novo: é decente isso, ainda que dando o controle a laranjas possa ser legal?

É decente você, como governador, colocar dinheiro público em rádios e num jornal de sua família?

Se Aécio fosse um prodígio como empreendedor, poderíamos discutir com um pouco mais de complexidade este assunto. Mas ele ganhou sua primeira rádio aos 25 anos, uma cortesia de Sarney. Caiu em seu colo de neto de Tancredo.

Em que mundo vivemos? Sei que não estamos na Suécia, onde muito menos que isso é socialmente inaceitável, mas também não temos que exagerar no lado contrário.

A mídia – sempre tão pronta a se indignar com qualquer coisa – acha normal isso? É uma pergunta que eu gostaria de fazer aos donos das empresas jornalísticas.

E os colunistas campeões da moralidade: o que pensam disso? Gostaria também de saber a opinião de sumidades jurídicas como Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes.

A Folha diz que o governo mineiro não diz quanto colocou nas empresas de mídia da família Neves.

Mas é claro que com algum esforço de reportagem essa informação seria obtida. Alguém, cansado de tanto despudor, vazaria a cifra.

Mas a Folha sabe até onde ir. O que mais interessa a ela é manter a imagem de pluralismo, e não propriamente elucidar escândalos de gente como Aécio.

Quanto a mim, gostaria de saber quanto dinheiro foi posto também na Globo nestes anos de Minas sob Aécio.

Quantos milhões?

Isso ajuda a entender por que a Globo jamais cobriu, com honestidade jornalística, Aécio.

As grandes empresas jornalísticas não mamam apenas do governo federal. Mamam também de governos estaduais e de prefeituras.

Se Alckmin perdesse, o lote de assinaturas da Veja para escolas – os alunos desprezam, naturalmente, e nem tiram da embalagem – não seria renovado. Livros didáticos da Abril não seriam comprados.

Aí está um paradoxo: se você desplugar as empresas de comunicação do Estado, elas desabam. Elas são Estadodependentes. Não caminham pelas próprias pernas.

Nem competir elas competem: há uma reserva de mercado que veda a entrada de empresas estrangeiras.

Um choque de capitalismo: é isto que as empresas deveriam receber, e não verbas de todos os lados que as fazem depender do “Estado Babá”.

Claro que, num choque capitalista, políticos não poderiam ser donos de veículos de mídia pelo óbvio, brutal, intolerável conflito de interesses.

Pela indecência, em suma — um atributo que se torna ainda mais sinistro quando associado a alguém que diz defender a decência.

Paulo Nogueira
No DCM

Leia Mais ►

Assessor do Procurador Geral de Justiça de Pernambuco vazou investigação da PF

Procurador Geral de Justica de Pernambuco, Aguinaldo Fenelon, em evento social com autoridades locais
Em depoimento prestado nos autos do Inquérito 433/2007 e já tornado público nos autos da Ação Penal nº 000194-30.2012.8.17.0810, em tramitação na 1º Vara Criminal de Jaboatão dos Guararapes, o ex-secretário de Finanças de Jaboatão dos Guararapes, FERNANDO FRANCISCO WANDERLEY, um dos investigados do Mensalão Pernambucano, revela que teria tomado conhecimento de que estava sendo investigado, pela Polícia Federal, por meio de alerta feito pelo Promotor de Justiça FLAVIO ROBERTO FALCÃO PEDROSA, ninguém menos que o Assessor Técnico da Assessoria em Matéria Administrativo-Disciplinar do Procurador Geral de Justiça Aguinaldo Fenelon, a quem compete denunciar os políticos e autoridades com foro privilegiado, em matéria criminal. Em seu depoimento, o ex-secretário ainda afirma que era comum que o então prefeito de Jaboatão pedisse "cargos para serem ocupados por pessoas ligadas a Desembargadores e Procuradores de Justiça":

"QUE com relação aos diálogos em que o interrogado revela que a Polícia Federal estava na área e iria chegar, tem a esclarecer que recebeu essa informação do Promotor, FLAVIO FALCÃO que era amigo do interrogado e que lhe tinha na mais alta conta; QUE FLAVIO FALCÃO disse ao interrogado que sabia que era uma pessoa honesta, mas que a Polícia Federal estava na área e que o investigado deveria tomar cuidado. QUE FLAVIO FALCÃO não revelou como soube dessa informação"

Ao pesquisar no Diário Oficial sobre a manutenção do Promotor Flávio Falcão, na assessoria do Procurador geral de Justiça, mesmo depois da denúncia, o blog descobriu que em fevereiro deste ano, o Procurador Geral de Justiça mandou publicar no Diário Oficial, Portaria com data retroativa a setembro de 2013, concedendo licença, de um ano, para que seu assessor, citado por um denunciado como tendo vazado operação sigilosa da Polícia Federal de combate à corrupção a um dos investigados, foi agraciado com licença para estudos na Europa:




No Blog Da Noelia Brito
Leia Mais ►

Dilma ganha com 52%, 53%. Base da Dilma é mais sólida

Buscar a classe intermediária e a Rede que não engole o Aécio.


O ansioso blogueiro reencontrou o Profeta Tirésias, com quem manteve substancioso diálogo sobre o peso do Nordeste e de São Paulo.

Nessa terça-feira (14/10), ele ofereceu as seguintes observações:

— Dá pra Dilma ganhar, com 52%, 53% dos votos válidos, com dificuldade.

— O Brasil era e está dividido.

— Porém, a base da Dilma é mais sólida, mais fiel: conta com os excluídos, a classe média baixa.

— E ela tem potencial para crescer na classe intermediária.

— Basta fazer “disputa política”, confronto, ideia contra ideia, projeto contra projeto, aliados contra aliados.

— Botar o Fernando Henrique e o Armínio nos programas foi muito boa ideia.

— O Aécio está perto do teto deles.

— Ele subiu no fim do primeiro turno por causa da liquefação da Marina, do último debate na Globo, em que ele desmascarou a Marina, e a manipulação das pesquisas em cima da hora.

— O voto útil nele já se deu, em boa parte.

— Tem que explorar a dissidência na Rede.

— Quem disse que a Rede toda engole o Aécio ?

— É uma boa hora de implodir a Rede, que já se implode por si própria.

— A Marina vai acabar se fundindo com os votos do Roberto Freire, do DEM… E do que sobrar do que foi o socialismo pernambucano.

— Quem ferrou o Arraes? Foi o PSDB, que não deu um centavo a Pernambuco…

— E o PT tem que enfrentar a militância espontânea do PSDB, especialmente em São Paulo.

— Esse ódio cego de que o Fernando Meirelles é exemplo tão inesperado quanto alucinado – veja que Meirelles terá que pagar gorda indenização ao João Santana.

— Só nas ruas o PT de São Paulo neutraliza isso.

— Não se sabe o que mais está lá dentro da delação deliberadamente vazada do Paulo Roberto Costa.

— O PT deveria ter ido com mais apetite para cima do Juiz Moro.

(Não deixe de ler entrevista de Luiz Moreira ao Paulo Moreira Leite e , depois, a estratégia de Moro para chegar ao Supremo, segundo PML.

— Cadê as provas?, Meritíssimo?

— Cadê o Eduardo Campos? Sumiu da delação?

— O PT foi frouxo… Até segunda ordem – são as próprias empresas que dizem – as doações ao PT foram legais.

— Do ponto de vista eleitoral, e se o Moro não induzir a outro vazamento, o efeito já se deu.

— E quem é o senhor Aécio para falar em corrupção? O Wagner tem toda a razão.

— Além do mais o Aécio é um péssimo gestor.

— O Eduardo Campos era um bom gestor.

— O Serra era um bom gestor. Quando foi Governador de São Paulo, ignorou São Paulo, e se concentrou em cinco obras, cinco marcas que poderiam elege-lo em 2010.

— Serra tinha foco.

— Aécio não encosta neles como administrador público – e essa fragilidade pode ser explorada.

— Nos três debates na tevê.

— Ir pra cima dele.

— Sem medo.

(Afinal, o público evangélico, de Classe C, pode se sensibilizar com a questão do bafômetro e da cocaína – PHA)

Não deixe de ler “Aécio é mau e machista”, observações extraídas de seu comportamento no último debate do primeiro turno.

E, aqui, o que dizem a Vox (e o DataCaf) sobre os primeiros movimentos no segundo turno.


Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

Manifesto: Aécio Neves é o Inimigo Público nº 1 da Liberdade de Expressão


Na semana de luta pela democratização da comunicação, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé declara o candidato Aécio Neves como o Inimigo Público nº 1 da Liberdade de Expressão e aponta o retrocesso que uma vitória do tucano significaria na luta pela regulação democrática dos meios de comunicação.


Em sua trajetória na política, Aécio Neves tem atuado ostensivamente como censor. São incontáveis os casos de intervenção direta do tucano nos veículos de comunicação e nas redes sociais para impedir a publicação de notícias negativas a seu respeito ou sobre o seu governo.

A censura praticada por Aécio Neves assume várias formas: a ligação direta para os donos dos veículos de comunicação, perseguição a jornalistas e comunicadores sociais e ações judiciais para impedir publicações e retirar conteúdos da internet.

Aécio e o PSDB são autores de duas ações para retirada de conteúdo na internet. Uma delas quer retirar da rede mundial de computadores todos os links (levantamento aponta que são mais de 20 mil conteúdos) que fizerem menção ao desvio de verbas praticado pelo tucano no governo de Minas Gerais. A outra –  que corre em segredo de Justiça! – pede que sejam tomadas providências contra perfis e comunidades na internet que relacionam Aécio ao consumo de drogas.

Durante a campanha eleitoral, Aécio Neves entrou com um processo contra o Twitter exigindo que os registros cadastrais e eletrônicos de 66 usuários da rede social lhe fossem entregues, entre os quais de blogueiros, jornalistas e ativistas digitais. Também foi amplamente divulgada a invasão do apartamento da jornalista Rebeca Mafra, pela polícia do Rio de Janeiro, por solicitação de Aécio Neves, que citou a jornalista por crime contra a honra.

Estes são apenas alguns exemplos da faceta autoritária do candidato Aécio Neves. Um político que não consegue conviver com a liberdade de expressão não terá nenhum compromisso com a sua promoção. Ao contrário, suas ações no Senado Federal mostram inclinações opostas, como ficou explícito durante a votação do Marco Civil da Internet, aliás, uma lei que em parte surgiu para responder a tentativa do senador tucano, Eduardo Azeredo, de instituir o AI 5 Digital e transformar a internet num ambiente de controle e sem liberdade.

Neste momento crucial para o avanço da democracia no Brasil, o Barão de Itararé reitera seu compromisso com a liberdade de expressão, um direito que pressupõe que todas e todos os cidadãos possam manifestar livremente suas opiniões. Tal direito só pode ser garantido se o Estado criar mecanismos que impeçam a existência de monopólios privados atuando na comunicação. E, infelizmente, o Brasil é um exemplo de como a ausência destes mecanismos traz danos irreparáveis à democracia.

Reconhecemos, ainda, que poucos passos foram dados nos últimos anos para enfrentar a necessária regulação democrática dos meios de comunicação, e assim promover mais pluralidade e diversidade na mídia brasileira, combatendo o monopólio privado da mídia que atua, no país, como partido de oposição.

Neste sentido, afirmamos que é imprescindível aumentar a mobilização da sociedade para lutar por um novo marco legal para as comunicações, ampliando a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma Mídia Democrática e exigir que um novo governo da presidenta Dilma Rousseff assuma o compromisso, já sinalizado pela candidata, de fazer a regulação econômica da mídia.

O Brasil não pode andar para trás.

Contra a censura, em defesa da Liberdade de Expressão!
Leia Mais ►

Fora PT, por quêêê??


Leia Mais ►

Brasil terá modelo de placas de veículos unificado com o Mercosul


Os cinco países que fazem parte do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela — terão modelo de placa unificada para veículos a partir de 2016. A medida atingirá frota de quase 110 milhões de veículos nos cinco países e tem o objetivo de fortalecer a integração regional e a circulação de cidadãos entre membros do bloco.


De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a mudança deve acontecer de maneira gradual no Brasil. Na prática, isso significa que a partir de 1° de janeiro de 2016 o novo modelo só será obrigatório em veículos novos — no momento do primeiro emplacamento — e em automóveis que passarem por transferência de propriedade ou de local do emplacamento.

450 milhões de combinações

As novas placas adotadas no Mercosul terão 13 cm de altura por 40 cm de largura, as mesmas dimensões utilizadas hoje no Brasil. O design será semelhante ao adotado nos países da União Europeia: fundo branco com faixa azul na parte superior. Haverá ainda o símbolo do Mercosul à esquerda, além do nome e da bandeira do país de origem do veículo.

A nova identificação será formada por sete caracteres: duas letras, três números e mais duas letras. Essa estrutura é capaz de gerar até 450 milhões de diferentes combinações. O modelo utilizado hoje no Brasil poderia chegar a 175 milhões de possibilidades.

Segundo o Itamaraty, a unificação do sistema nos cinco países facilitará a circulação e a segurança no trânsito entre países do bloco, contribuindo, por exemplo, para melhor fiscalização aduaneira e migratória. Além disso, a unificação resultará em um sistema integrado de consultas às informações dos veículos. Essa integração também facilitará o acesso a dados de propriedade, modelo, marca, fabricação e tipo de veículo, além de gerar informações sobre roubos e furtos.

Sistema brasileiro

O modelo de placas brasileiro — que possui três letras e quatro números — foi adotado no Brasil na década de 1990 para substituir as antigas placas amarelas. Pela variação de combinações possíveis, o sistema brasileiro poderia ser mantido até 2030. Na Argentina, no entanto, o sistema atual possui três letras e três números, o que o torna sustentável somente até 2015. Sendo assim, o padrão de placas do Mercosul já deve ser aplicado na Argentina a partir do ano que vem.

Leia Mais ►

Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos

Uma Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos Escrita por um Tio Preocupado (Não o "Tio" do Jornal Nacional, que é Daqueles Que te Constrangem nas Festas com um Papinho Preconceituoso, mas o Tio que Usa Tênis, Calça Jeans Puída e que te Constrange nas Festas Porque Insiste em Conversar com Seus Amigos Como se Fosse da Turma.)

Li esta semana que Aécio tem tido uma boa votação entre os jovens de 18 a 25 anos de idade e fiquei espantado. A juventude é a época do pensamento no coletivo, do idealismo, da generosidade. É a época em que tendemos a pensar mais no mundo do que no umbigo. É a época em que o sofrimento daquele mendigo pelo qual passamos na rua dói e sentimos o impulso de erguê-lo, de alimentá-lo, de agasalhá-lo. É só com o passar dos anos que começamos a tender a um foco mais individualista: pensamos nas nossas contas bancárias antes de fazermos uma doação. Nem todos passam por esta transformação (felizmente), mas a tendência geral é esta.

Assim, como é possível que tantos de nossos jovens já estejam iniciando a idade adulta com um pensamento tão conservador? O pensamento de que o "mercado" importa mais do que as pessoas? O pensamento de que o conteúdo do iPod é mais importante do que o conteúdo da alma (e uso alma como metáfora)? O pensamento de que poder escolher o tipo de iogurte é... nem sei como completar esta frase. Que tal... "minimamente relevante"?

E aí fiquei pensando. O que pode ter acontecido pra que esse conservadorismo aparente tivesse tomado conta da juventude? Seriam os novos jovens mais egoístas do que os da minha época?

Claro que não. A juventude respira generosidade se tiver permissão e contexto.

É isso. Faltam permissão e contexto.

Um tiquinho de paciência e já explico.

A falta de "permissão" vem da mídia e da despolitização. Os jovens abaixo de 25 anos cresceram com uma mídia cujo conservadorismo já resultou em críticas até do Reporters Without Borders (1) e que insiste em transformar qualquer denúncia, por menor que seja e por menos provas que tenha, em um escândalo inquestionável. Às vésperas da eleição de 1989, por exemplo, os jornais relacionaram o PT ao sequestro de Abílio Diniz, comprometendo a vitória da esquerda, mas mais recentemente, na última eleição presidencial, podemos encontrar um exemplo claro no caso Erenice Guerra, próxima de Dilma, que foi massacrada pela Globo e pelos jornais durante semanas, acusada de todo tipo de ato de corrupção imaginável. Erenice que depois foi, vejam só, inocentada. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Orlando Silva. E com Luis Gushiken. E, ESTA SEMANA, com José Eduardo Dutra, que a Folha acusou numa matéria de ter sido "denunciado" por Paulo Costa apenas para, no dia seguinte, publicar uma pequena errata dizendo que haviam errado e que Dutra nada tinha a ver com o caso.

Com isso, a mídia criou uma impressão de corrupção generalizada — mas só do lado que a interessa, já que sempre ignora qualquer denúncia contra a direita (cartel do metrô em SP, falta de planejamento da SABESP, mensalão tucano, compra de votos da reeleição de FHC, máfia dos sanguessugas, etc.). Aliás, quando noticia algo, é pra aliviar a barra: esta semana, o Jornal Nacional anunciou que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncias contra Aécio no caso do aeroporto em Cláudio — mas deixou convenientemente de informar que a PGR disse apenas que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL e que, por isso, encaminhou a denúncia pra Procuradoria Geral do Estado por ver indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte do governo de Aécio.(2)

Assim, como a juventude pode se sentir livre para defender o projeto do governo se este é constantemente rotulado pela mídia brasileira como "o mais corrupto da história"? Um governo que, vejam só, criou diversos mecanismos justamente para investigar, coibir e punir a corrupção? (3) Com isso, só resta a opção de defender a oposição, cujos desmandos são varridos para debaixo do tapete, embora sejam inúmeros, de vulto infinitamente maior e, ao contrário do que ocorre com o governo Dilma, JAMAIS investigados apropriadamente.(4)

Isto tem um nome: despolitização. A mídia atira termos como "bolivarianismo" e "Foro de São Paulo" na cabeça do público e passa a vê-lo reproduzi-los sem terem ideia do absurdo que dizem. Como aqueles que afirmam, sem hesitar, que o filho de Lula se tornou multimilionário e é dono da Friboi, duas mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram mantra de vários eleitores da oposição.

Já o segundo elemento que torna nossa juventude conservadora é o contexto. Ou melhor: a falta de. Quem tem menos de 25 anos cresceu num país pós-Lula. E, assim, se acostumaram a um país com problemas infinitamente menores do que aqueles que eu vi ao crescer. É uma juventude que compreensivelmente quer melhorias constantes, mas à qual falta a compreensão de que 500 anos de injustiças não são corrigidos em apenas 12 anos. É uma juventude que nunca leu nas capas de jornal que a fome estava matando um número trágico de crianças, que não viu milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila pra um concurso de gari numa época em que o Brasil era o 2o pais do mundo em DESEMPREGO, que não viu os juros dos bancos atingirem 79% ao ano, etc, etc, etc. (5)

Infelizmente, estes jovens não se lembram de como o Brasil era antes da era Lula-Dilma. Mas eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI (6). Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz (7). Lembro da falta de oportunidades na educação pública (8). Da falta de universidades (9) (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas) (10). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).(11) Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). (12) Lembro dos grampos telefônicos na era FHC.(13) Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas.(14) Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos.(15) Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola).(16) Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000.(17) Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás.(18) Lembro da dengue descontrolada.(19) Lembro dos reajustes de 580% na telefonia.(20) Lembro do PIB ridículo.(21) Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC.(22) Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos”.(23) E o povo brasileiro de “caipira“.(24). Lembro de como Aécio, ao contrário do que afirmou recentemente, votou contra o aumento real do salário mínimo.(25) Lembro de como Aécio sabotou CPI sobre a má gestão tucana da Petrobrás em 2001, que resultou no afundamento de uma plataforma.(26) Lembro de Armínio Fraga, que Aécio anunciou como seu ministro da Fazenda, dizendo que o salário mínimo está alto demais.(27) Lembro de quando Armínio era presidente do Banco Central e elevou os juros básicos de 37% para 45%.(28)

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei. Porque acredito na generosidade da juventude e acredito que, quando forem lembrados de como este país era e do que se tornou, votarão com a consciência de que, depois de 500 anos de miséria e fome, os últimos 12 anos viram uma redução de 75% na pobreza extrema (imaginem isso!)(29), viram o Brasil sair PELA PRIMEIRA VEZ do mapa da fome da Onu (30) e também viram nosso país ser premiado por iniciativas públicas pela mesma ONU (31).

E trazer estas informações para nossos jovens, em vez de apenas bombardeá-los com factóides e denúncias que sempre parecem surgir magicamente nas vésperas da eleição, não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.



Fontes:
































Pablo Villaça
Leia Mais ►

Resolução da direção nacional da Articulação de Esquerda

Resolução aprovada pela direção nacional da Articulação de Esquerda, tendência petista.

1. Acertamos ao prever que a eleição seria muito provavelmente resolvida no segundo turno e que seria duríssima. Hoje parece desnecessário insistir nisto, mas é bom lembrar que a subestimação dos adversários (“são anões políticos”) e o salto alto (vitória no primeiro turno) prevaleceu até 13 de agosto. Estes erros não podem repetir-se no segundo turno.

2. Os resultados do primeiro turno confirmam: embora Dilma saia com vantagem, o resultado da eleição presidencial não está garantido.

3. A candidatura Aécio Neves conta com o apoio da extrema-direita, do oligopólio da mídia, da especulação financeira e de potências estrangeiras. A frente reacionária em torno de Aécio vocalizará os interesses dos setores hegemônicos do grande capital, nacional e internacional. Contará, também, com o apoio de setores que apoiaram outras candidaturas presidenciais, como é o caso do PV, do Pastor Everaldo e do PSB. Aécio fará de tudo, legal ou ilegal, para tentar nos derrotar. Portanto, precisamos estar política, organizativa e psicologicamente preparados para três semanas de guerra.

4. Mas tampouco devemos temer os adversários. O único que devemos temer são os “ufanistas-de-primeiro-turno” que agora se convertem em “derrotistas-de-segundo-turno”. Os números abaixo dão elementos importantes para nossa reflexão:
1º turno de 2014                   1º turno de 2010
Dilma 41,59% 43.267.478     Dilma 46,91% 47.651.434

Aécio 33,55% 34.897.206     Serra 32,61% 33.132.283

Marina 21,32% 22.176.613   Marina 19,33% 19.636.359
5. Os números do primeiro turno de 2014 (acima) são semelhantes aos do primeiro turno de 2010. Quem ficou impactado com os 33,55% de Aécio é porque acreditou nas pesquisas, mas esqueceu que em 2010 Serra já havia obtido 32,61%. O fundamental não são os índices, mas o movimento: Aécio vai ao segundo turno numa curva ascendente, o que pode favorecê-lo nas pesquisas iniciais do segundo turno, mas que pode ser revertida nas próximas semanas com a ampliação da mobilização social e demarcação programática de nossa parte.

6. Marina, por sua vez, aumentou tanto percentualmente quanto em votação absoluta, em relação ao resultado que teve em 2010. Mas o movimento é oposto: ela saiu politicamente menor. Apesar disto, o apoio dela, do PSB e do PV no segundo turno tem mais relevância política que estritamente eleitoral, pois com este apoio Aécio pretende tornar sua candidatura mais palatável a setores contrários às políticas tucanas.

7. Por isto mesmo, devemos dar especial atenção para os mais de 4 milhões de votos que nós perdemos, em relação as eleições de 2010. Neste sentido, nossas prioridades são: a) recuperar os eleitores que perdemos; b) atrair a parcela progressista do eleitorado de Marina; c) atrair parcela dos votos não válidos do primeiro turno; d) tentar manter neutros os demais segmentos.

8. Tomando como base as pesquisas de primeiro turno, consideramos que estes votos que perdemos são, no fundamental: a) socialmente, de jovens trabalhadores; b) residem nos grandes centros urbanos; c) politicamente são pessoas com simpatias à esquerda.

9. Para ganhar estes setores, será preciso manter a linha geral de campanha. A saber: mobilização máxima, politização máxima e máxima polarização programática. Mas não basta a comparação de governos. Será preciso apresentar propostas programáticas claras, que apontem o sentido geral do novo ciclo que se pretende abrir no segundo mandato Dilma com “mais mudança”. Entre estas propostas, destacamos:
a) reforma política, através de uma Constituinte exclusiva;

b) democratização da comunicação;

c) reforma tributária progressiva, com imposto sobre grandes fortunas;

d) 40 horas de jornada;

e) revisão do fator previdenciário;

f) criminalização da homofobia;

g) revisão dos índices de produtividade agrária.

h) revisão da Lei da Anistia, para punição dos torturadores e sequestradores.
10. Sem prejuízo das ações no sentido de neutralizar ou ganhar outros setores políticos e sociais, o esforço fundamental deve ser o de manter e ampliar o voto junto à classe trabalhadora, em especial a juventude trabalhadora.

11. Do ponto de vista geográfico, é preciso manter e ampliar os resultados obtidos; mas cabe atenção especial para a Grande São Paulo, bem como para alguns estados, como é claro São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul, onde ademais temos uma candidatura petista disputando o segundo turno.

12. A linha geral é: frente única contra a direita neoliberal. Neste sentido, a decisão da direção nacional do PSOL para o segundo turno, recomendando seus eleitores a não votar em Aécio e tomar livremente sua decisão, deve servir para que nós eleitores da Dilma peçamos o voto dos eleitores da Luciana Genro. Por outro lado, devemos buscar os votos dos eleitores progressistas e populares de Marina e de Eduardo Jorge. Para que esta frente única tenha êxito, reiteramos ser fundamental dar continuidade à correta guinada à esquerda dada pela campanha depois de 13 de agosto, assumindo fortemente os pontos programáticos que elencamos acima e explicando de forma didática para a população as consequências práticas da opção neoliberal do tucanato.

13. A ampliação da campanha é fundamental para neutralizar o “programa mínimo” da oposição, que será o anti-petismo. E é preciso perceber que, em estados como o São Paulo, o anti-petismo contaminou também setores populares.

14. Para enfrentar o ódio e a desinformação, será preciso aliar a firmeza no combate aos inimigos com a paciência no diálogo com os setores populares e aliados que tem críticas a nós. Por isto é fundamental realizar mutirões, visitas de casa em casa, atividades nos bairros populares onde possamos não apenas falar, mas também ouvir.

15. Será necessário, também, estar especialmente atento para as agressões, armações e manipulações, a começar pelas pesquisas.

16. A experiência do primeiro turno mostrou que as pesquisas continuam sendo um instrumento fundamental no ânimo e motivação da militância. Mas as eleições também mostraram que as pesquisas estão sendo manipuladas e/ou contém falhas metodológicas gravíssimas, motivos pelos quais elas não podem substituir nunca a análise política.

17. As direções estaduais, municipais, setoriais, núcleos, comitês de candidaturas, devem convocar ao longo das próximas semanas várias plenárias de mobilização com petistas, simpatizantes e eleitores.

18. Devemos convidar para estas plenárias toda a esquerda, todas as forças democráticas e populares, todos os setores progressistas, todos aqueles que não participam ou são oposição ao governo encabeçado por nós, mas que não desejam uma restauração neoliberal.

19. Certamente será necessário um profundo balanço da situação geral do Partido, debilidades e diferenças. Mas o momento para fazer isto é depois de concluída a batalha presidencial e as batalhas pelos governos onde estivermos no segundo turno.

20. O povo brasileiro, a classe trabalhadora e a esquerda socialista estão muito perto de conquistar mais uma importante vitória, reelegendo a presidenta Dilma Rousseff e criando as condições para um segundo mandato superior, alinhado com as reformas democráticas e populares. Mas para atingir estes objetivos será preciso, mais do que nunca, manter a guarda alta, o salto baixo e fazer uma defesa firme de nossas bandeiras.

08 de outubro de 2014
A direção nacional da Articulação de Esquerda
Leia Mais ►

A saída de Xico Sá da Folha mostra uma nova fase na vida dos jornalistas

Ele disse chega
A saída estrepitosa de Xico Sá da Folha é um marco numa nova era na vida dos jornalistas.

Xico deixou o jornal depois que foi proibido de expressar apoio a Dilma numa coluna.

Quanto isso o indignou pode ser visto numa série de tuítes que continham um desabafo irado e sem freios.

“Só Reinaldões” podem defender candidatos na “imprensa burguesa”, disse ele.

Quer dizer: os candidatos que os donos das empresas apoiam, naturalmente.

Esse constrangimento — o jornalista saber que o limite de sua liberdade de expressão é a opinião de seu patrão — não é propriamente novo.

Novas são as circunstâncias trazidas pela Era Digital. Xico Sá tem, na internet, microfone para expor as suas razões e para criticar sem censura a Folha.

Terá também, na internet, maneiras de continuar sua carreira. É uma mídia florescente — ao contrário dos jornais — e ele construiu um nome capaz de atrair uma boa audiência.

Antes da mídia digital, pessoas incomodadas como Xico Sá engoliam seu desagrado pela falta de alternativas. Outros jornais e revistas eram a mesma coisa.

Agora, um jornalista não é obrigado a se contentar em repetir o que seu patrão quer que ele escreva.

A internet está aí. A autonomia é imensamente maior. Meu caso mesmo: em 25 meses de jornalismo digital expus muito mais minhas opiniões do que em 25 anos de carreira na Abril e na Globo.

Como é inexorável a migração — rápida — de publicidade para meios digitais, o jornalismo na internet logo atrairá os melhores jornalistas, como Xico Sá.

Mídias dominantes, ao longo da história, atraem os jornalistas mais talentosos. Nelas as oportunidades são maiores, o público é crescente — e as perspectivas na carreira parecem ilimitadas.

Para a Folha, a saída de Xico Sá é um golpe no marketing com que ela tenta convencer as pessoas de que não tem rabo preso com ninguém.

Tem sim.

Apenas, disfarça para enganar leitores menos argutos e mais crédulos.

Mas para quem trabalha lá a realidade não é muito diferente da que você tem em redações como a da Veja.

Você tem toda a liberdade de expressar suas opiniões — desde que elas coincidam com as dos donos.

Paulo Nogueira
No DCM

Leia Mais ►

Lula entrevistado por Mino Carta


Leia Mais ►

Terra estrangeira

Eis que de repente, não mais que de repente, toda caminhonete que se preze tem um adesivo do Aécio. No peito do motorista, um brasão, muitas vezes peludo, quando não um cavalo, aquele enorme cavalo em alto relevo, que vai do umbigo ao mamilo. Olham, ele e o cavalo, altaneiros por sobre os bípedes, coitados, que insistem em andar ao rés do chão — ainda não vi uma bicicleta com adesivo do Aécio.

Estou voltando para casa a pé, tarde da noite, quando percebo que uma enorme SUV me acompanha — lustrosa, reluzente, cheirando a blindada. Finjo que não percebo, até que começam a buzinar. Minha auto-estima elevada me faz crer que são fãs do Porta dos Fundos. Aceno simpático. Um sujeito põe a cabeça para fora da janela e berra: “Vaza, PT! Volta pra Cuba!”

Sento no meio-fio, desolado. Não votei nem manifestei apoio ao PT, tampouco a Cuba, mas parece que , aos olhos do mundo (ou, ao menos, do Leblon), tenho uma estrela no braço. Por algum motivo, represento o inimigo. A realidade é dura: ,oro em terra estrangeira.

Nos postes da cidade, os adesivos se multiplicam. “Aqui se vota Aécio”. Você, que não vota como o poste: ame o Rio – ou deixe-o. Aqui não é sua área. Aqui se brinda pelo fim da maioridade penal. Aqui a gente cansou da corja do PT e quer gente nova — mas logo quem? O mensalão tucano, a compra da reeleição, o aeroporto, o helicóptero, tudo virou pó.

Um amigo, Aécio ferrenho, disse que sonha com um Brasil em que ele possa ir para Nova Iorque com o dólar um pra um. Aí, eu vi sinceridade. O que não dá é votar Aécio contra corrupção. O mandato nem começou e ele já está cheio de esqueletos no armário.

Por isso, não voto feliz em nenhum dos dois candidatos. Não importa quem ganhe, já começa endividado – e vai quitar dívida com dinheiro público. Ambos contraíram empréstimos milionários com empreiteiras, bancos, com a Friboi (sim, Friboi doou a mesma quantia para os dois candidatos – não quis correr riscos) e fizeram acordo com os setores mais reacionários da sociedade. Ambos os governos — não se enganem — vão ser ruralistas, fundamentalistas e corruptos. Seu dinheiro, eleitor já está comprometido.

Por essas e outras, poderia votar nulo — mas a militância de jipe e os comentaristas de portal não me dão essa opção. Se quem defende causas humanitárias e direitos civis é tachado de petista, não me resta outra opção senão aceitar essa pecha.

Gregório Duvivier
No Entre Fatos
Leia Mais ►

Aécio e Marina: Eles se tratavam assim


Leia Mais ►

Marina divisora

A adesão de Marina Silva a Aécio Neves é o seu caminho convencional, mas, para formular os argumentos vazios que invocou, não precisava de tantos dias, bastavam minutos. Além disso, Marina já tem convivência bastante com a política para saber que nenhuma condição exigida de Aécio tem valor algum: se eleito e por ela cobrado, não esqueceria o velho refrão político "as circunstâncias mudaram". Ao espichar as atenções por mais uns dias, no entanto, Marina instalou a implosão em dois partidos. Um feito, sem dúvida.

A demora de Marina proporcionou tempo para que uma ala do Partido Socialista Brasileiro, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro-esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com o PSB. Novo rumo: adesão a Aécio.

Em termos partidários, é como se o PSB fosse extinto, com uma descaracterização que preserva apenas o nome e a sigla. Não de todo, aliás, com o humor já se referindo ao "novo PV": não de Partido Verde, mas Partido da Viúva.

O manifesto "A favor da nova política" tem argumentos consideráveis e reúne, em corrente própria, os que se integraram à Rede Sustentabilidade, partido de Marina, para construir novos modos de fazer política. E consideram a adesão a Aécio, decidida por Marina, "grave erro" e contrária ao "projeto original da Rede Sustentabilidade", ao torná-la "parte da polarização PT x PSDB". A adesão agrava-se porque Aécio, diz o manifesto, tem "integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro", três frentes a que a Rede se opõe por princípio.

Para contornar a reação de correligionários valiosos, Marina Silva precisará de argumentos melhores do que lhe bastaram para aderir ao candidato do PSDB, em vez de "rejeitar as duas candidaturas". Rede se remenda. O PSB, não.

Vitórias

As condições extraordinárias da Bolívia, que o êxito eleitoral de Evo Morales faz o mundo notar, deve muito a ter existido o governo Lula.

A reação conservadora à primeira vitória de Morales foi feroz. O secular golpismo boliviano ativou-se logo, impulsionado pelo agronegócio do Departamento de Santa Cruz, com apoio, inclusive, de brasileiros que exploram muitas terras naquela Estado fronteiriço. Em pouco tempo, o golpismo progrediu para separatismo, disposto a recorrer mesmo à guerra civil. Os golpistas contavam com apoio daqueles conhecidos patrocinadores de golpes na América Latina. Foi a intervenção contrária de Lula, com intensa e sigilosa atividade do governo brasileiro, que conteve ou facilitou a contenção da incandescência que se iniciava, inclusive com mortes.

Até a região de Santa Cruz deu a vitória a Morales.

A política externa brasileira está sob ataque dos ex-embaixadores adeptos da proximidade com as políticas dos Estados Unidos, por eles praticada até 2003. Muitas das posteriores iniciativas por eles desaprovadas, porém, levaram a avanços não só para o Brasil. Todas sem o apoio, também, dos meios de comunicação brasileiros. Pena que tudo isso ainda esteja por ser contado.

Do lado boliviano, o governo Lula encontrou um interlocutor difícil, mas brilhante: o vice-presidente Álvaro García Linera, que é a cabeça política do projeto liderado por Evo Morares e o estrategista do governo. Uma opinião brasileira sobre ele: "É difícil porque ora ele raciocina como político, às vezes tem a cabeça de físico, e sempre é o intelectual".

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Governo Aécio não diz quanto gastou em rádio do Aécio

O que a irmãzinha não faria se controlasse a SECOM?


Empresas da família do Aecioporto receberam da irmã para veicular publicidade.

É o que diz a Fel-lha, nesta terça-feira (14/10), na página 5 do caderno sobre Eleições.

O Governo de Minas Gerais se recusou várias vezes nos últimos anos a divulgar informações sobre despesas que realizou para veicular publicidade oficial em três rádios e um jornal controlados pela família do Aecioporto do Titio.

Quando irmão era governador, Andrea Neves, a irmã mais velha, coordenava um grupo de assessoramento do governo que tinha como atribuições “estabelecer diretrizes para a política de comunicação e manifestar-se previamente sobre a relação de despesas com publicidade”.

Aqui se sabe o que ela fazia com quem divulgava notícias de que ela não gostava…

Agora, amigo navegante, imagine o que a irmãzinha não faria se controlasse a SECOM, a Polícia Federal e a Receita?

Em tempo: a denúncia é do repórter Lucas Ferraz, o mesmo que detonou o aeroporto cuja chave só o Titio tem. Depois da saída da Laura Capriglione, que escreveu o epitáfio da Bláblárina, deve ser um dos dois ou três repórteres ainda na Fel-lha. O resto é colonista .

Paulo Henrique Amorim

Vovô Almeida, a irmãzinha da SECOM e o vice-presidente da Caixa
Leia Mais ►

Dilma e Aécio, dos 17 aos 21

Há uma diferença radical de trajetórias entre Aécio Neves e Dilma Rousseff e também entre a maneira como eles reivindicam as suas biografias.

Dos 17 aos 21 anos, Aécio Neves vivia no Rio com a família. Seu pai chegou a ser deputado federal da Arena, partido sustentáculo da ditadura. Segundo o site da Câmara dos Deputados, neste período, ele teve um cargo de secretário de gabinete parlamentar na Câmara Federal, localizada em Brasília, embora morasse no Rio.

Durante esses anos, conforme relatos publicados na imprensa brasileira, Aécio foi um "menino do Rio", que gostava de surfar, de festas e estudava em escolas de elite. Entre 1977 e 1981, período em que o Brasil vivia sob ditadura civil-militar, o jovem de família ligada à Arena, partido de sustentação da ditadura, gozou a vida enquanto o Brasil vivia sob o tacão de um regime ilegítimo.

Como todo regime autoritário, a ditadura brasileira tinha na oligarquia do país o seu sustentáculo da manutenção do poder via a censura e controle da imprensa (que só podia existir como cúmplice) e a força bruta: a tortura, a perseguição e o desaparecimento de dissidentes.

Dos 17 aos 21 anos, Dilma Rousseff resistia à ditadura civil-militar. Segundo ela mesma e os documentos da época, engajou-se na resistência armada que reagiu ao Ato Institucional nº 5 e foi, entre os 18 e 21 anos, barbaramente torturada, pelo governo que tinha, entre outros sustentáculos, a família do candidato Aécio, filho ele mesmo de um deputado da Arena.

Entre 1977 e 1981, Dilma Rousseff morava em Porto Alegre. Estudou, casou, teve uma filha, reerguendo a própria vida e tomando parte na resistência democrática e na luta pela reabertura do país, pelas eleições diretas, pela anistia, pelo fim da ditadura, pela democracia.

A trajetória de Dilma não começou em Porto Alegre, assim como a de Aécio não começou no gabinete de Sarney, onde esteve, por ser neto de Tancredo Neves.

Não é correto, a não ser que se defenda, como o candidato Aécio defende, a redução da maioridade penal, atribuir responsabilidade penal a adolescentes.

Mas é correto, quando se tem compromisso com a democracia, levar a memória, a história e as responsabilidades a sério. A origem social de ninguém, numa democracia, deve ser destino, e menos ainda garantia. Por isso, é inegável reconhecer esta diferença tão radical de trajetórias dos candidatos e da maneira como eles reivindicam as suas biografias; uma candidatura é representante da democracia e da luta histórica pela democracia; outra, da oligarquia e da luta histórica contra a democracia. Em nome dessa luta e de sua legitimidade histórica, é preciso que Aécio seja derrotado pela democracia.

Nota da Redação aos desavisados: é óbvio que Carta Maior não teve acesso às imagens do candidato Aécio quando jovem surfista no Rio. O grotesco é intencional, deliberado e atende a propósitos ostensivamente pedagógicos.

Katarina Peixoto
No Carta Maior
Leia Mais ►

Sérgio Porto # 15


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Essa é do Barão... 73


Leia mais clicando aqui.
Leia Mais ►

Vox Populi: Dilma lidera no segundo turno


http://www.r7.com/r7/media/2014/20141013-Voxpopuli-Presidencia/20141013-Voxpopuli-Presidencia.png

Votos por regiões

O levantamento do Vox Populi traz um recorte das intenções de voto pelas regiões do País. Aécio ganha no Sul e Sudeste, e Dilma vai melhor no Nordeste. No Centro-Oeste e Norte, os candidatos estão empatados.

No Sul, o tucano tem 55% da preferência, contra 33% de Dilma — brancos/nulos são 4% e eleitores indecisos, 7%. No Sudeste, Aécio tem 51%, contra 36% de Dilma — brancos/nulos somam 7%, e eleitores indecisos são 6%.

No Nordeste, Dilma tem 67% das intenções de voto, contra 26% do tucano. Os brancos e nulos na região são 4%, e os eleitores indecisos totalizam 3%. No Centro-Oeste e Norte, ambos os candidatos têm 45% das intenções de voto cada — brancos e nulos são 4%, e indecisos somam 6%.

Desempenho da presidente

O Vox Populi também quis saber a avaliação que os eleitores fazem da presidente Dilma Rousseff (PT). A avaliação positiva da petista chegou a 40% do total. Outros 37% consideram a presidente “regular” e, por fim, 22% fizeram avaliação negativa de Dilma e 1% não opinou.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em 147 cidades de todas as regiões do País entre o sábado (11) e domingo (12). A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-01079/2014.
Leia Mais ►

Bancas de jornal vendem e exibem “material de campanha” de Aécio


A campanha nas bancas de jornal agora é total. Uma verdadeira blitzkrieg. A ponto de a IstoÉ Dinheiro pretender transformar uma das virtudes do governo Dilma, a baixa taxa de desemprego, em um problema: “Desemprego, o monstro acordou”.

Além de atacar, na sua versão semanal, de “Campanha de Dilma sob suspeita”; “3% eram para o PT”.

Mas a Época e a Veja trazem uma nova nuance da campanha midiática, que se estende aos estúdios de rádio e televisão.

Aécio Neves, o “candidato de centro”.

Ambas deixaram o chamado “Petrolão” como sub-manchete, para propagandear na capa um candidato que não é mais de direita.

No conjunto, fica assim: enquanto Dilma é criminalizada, Aécio é apresentado como estadista.

Curiosamente, frases inteiras das entrevistas do tucano foram reproduzidas nas capas de Veja e Época.

Por que?

Em minha modesta opinião, porque aqueles cartazes gigantes que promovem a venda das duas revistas ficam pendurados nas bancas e se convertem em verdadeiros outdoors de Aécio para os que estão de passagem e não são assinantes.

Com isso, as bancas se convertem em verdadeiros centros irradiadores da campanha tucana.

Primeiro, três pesquisas fajutas, reproduzidas na blogosfera dantesca e no horário eleitoral dos tucanos, dão Aécio como virtualmente eleito.

A Veja, por exemplo, diz na capa que Aécio “ganhou 30 milhões de votos de uma hora para outra”.

Depois do “fato consumado”– a vitória líquida e certa de Aécio — vem o programa de governo do presidente eleito, nas entrevistas.

É o candidato “de centro”.

– “Bolsa Família não é favor de partido político. É dever do Estado. No meu governo ela será mantida, melhorada e, se preciso, ampliada”;

– “O meu vai ser o governo dos pobres”;

– “Não me sinto obrigado, se ganhar a eleição, a disputar um segundo mandato”;

– “Vou acabar com as boquinhas do PT. Dá para cortar um terço dos cargos comissionados”;

– “Qualquer discriminação deve ser tratada como crime, homofobia também”;

– “(A Petrobras) paralisará o atual governo, se ele vencer”.

Estas últimas cinco frases couberam na capa de Época, das Organizações Globo, a mesma que propagandeou a primeira pesquisa fradulenta, do Instituto Veritá.

Vendem a ideia de Aécio o amigo dos homossexuais, que tem despreendimento em relação ao poder e sensibilidade social. Ah, sim, também quer acabar com as “boquinhas” do PT, ele que aos 25 anos de idade já era diretor da Caixa Econômica Federal no governo Sarney, indicado pelo primo, o ministro da Fazenda Francisco Dornelles.


Captura de Tela 2014-10-13 às 19.11.54

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
Leia Mais ►