13 de out de 2014

Vice de Aécio esconde que assaltou trem


A presidenta Dilma Rousseff é constantemente citada, por apoiadores da candidatura Aécio Neves, de ser uma ex-terrorista, ter pego em armas, assaltado bancos etc e tal.

Dilma nunca escondeu a sua militância em organização que combateu a ditadura militar, mas, a bem da verdade, nunca participou de nenhum assalto. Foi presa e torturada, isso sim.

O que o pessoal que espalha essas mentiras sobre a presidenta talvez não saiba, ou se sabe, faz o possível para esconder, é que quem realmente participou de assaltos na época da ditadura foi o candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, o senador por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira, também tucano.

O interessante é que o próprio senador esconde esses fatos, notórios, na biografia de seu site oficial.

Abaixo, estão os dois Aloysios: o que ele quer quer o público conheça, e o que ele realmente é — ou foi.

O senador Aloysio não deveria se envergonhar de sua história — pelo menos de parte dela, em sua juventude, quando lutava por ideais, ao contrário de hoje.

A biografia do site oficial

Aloysio Nunes Ferreira Filho nasceu em 05 de abril de 1945, em São José do Rio Preto (SP). Filho de Nice Beolchi e do também político Aloysio Nunes Ferreira, falecido em março de 2003.

Com vasto currículo político e acadêmico, formou-se em Direito e cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde lecionou Introdução a Ciência do Direito por dois anos.

Por conta de ações contra a ditadura militar, precisou sair do Brasil. Seu exílio foi na França, de 1968 a 1979, onde fez bacharelado em Economia Política e mestrado em Ciência Política pela Universidade de Paris, assumindo depois a cadeira de professor de Língua Portuguesa. De 1969 a 1973, foi diretor do Instituto de Pesquisa e Formação em Economia do Desenvolvimento.

De volta ao seu país, foi Deputado Estadual pelo PMDB em duas ocasiões: de 1983 a 1987, líder do Governador Franco Montoro na Assembléia Legislativa; e de 1987 a 1991. Foi também Deputado Federal pelo PMDB de 1995 a 1999. Já pelo PSDB, de 1999 a 2003 e de 2003 a 2007.

Foi Vice-Governador do Estado (1991-1994) e Secretário Estadual dos Transportes Metropolitanos (1991/1992 e 1993). Foi Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República de 1999 a 2001, Ministro da Justiça, em 2001 e 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Foi secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, em 2005 e 2006.

Até abril de 2010, Aloysio Nunes ocupou o cargo de Secretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, administrado por José Serra. Foi o responsável por toda a articulação política entre as pastas do governo e os municípios. Em outubro do mesmo ano, foi eleito senador com uma votação histórica: 11.189.168.

Em 2013, assumiu a liderança do PSDB no Senado.

A biografia que ele esconde (Wikipédia)

Começou a militância política em 1963 quando entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo. Logo depois do golpe militar de 1964, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que, por ter sua existência proibida, atuava na clandestinidade. Foi presidente do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto e formou-se bacharel em Direito em 1968.

Como o PCB se opunha à resistência armada contra a Ditadura Militar que se instalara desde 1964 no Brasil, Aloysio Nunes, assim como vários jovens da época que tinham ideais de esquerda, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo.

Assumiu na clandestinidade o pseudônimo Mateus. Durante muito tempo foi motorista e guarda-costas de Marighella. As ações da Aliança Libertadora Nacional incluíram assaltos para angariar fundos que sustentariam a resistência armada. Em agosto de 1968, Aloysio Nunes participou do assalto ao trem pagador da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Segundo relatos da imprensa da época, a ação ocorreu sem que houvesse o disparo de qualquer tiro. Aloysio Nunes foi o motorista do carro no qual os assaltantes fugiram do local com os malotes que continham NCr$ 108 milhões(US$ 21.600), dinheiro suficiente para o pagamento de todos os funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em outubro do mesmo ano, participou do assalto ao carro-pagador da Massey-Ferguson interceptando o veículo na praça Benedito Calixto, no bairro paulistano de Pinheiros.

Sofrendo um processo penal em que já havia um pedido de prisão preventiva e com a possibilidade de que descobrissem algo sobre suas ações armadas, foi enviado a Paris por Marighella utilizando um passaporte falso. Foi posteriormente identificado como guerrilheiro e condenado com base na extinta Lei de Segurança Nacional. Pretendia realizar um treinamento de guerrilha em Cuba, mas a gravidez de sua mulher o fez desistir. Tornou-se representante da Ação Libertadora Nacional no exterior e coordenou as ligações desta com movimentos de esquerda de todo o mundo. Filiou-se ao Partido Comunista Francês em 19711 e negociou com o presidente Boumedienne, da Argélia para que brasileiros recebessem treinamento militar de guerrilha naquele país.

Pôde, finalmente em 1979, regressar ao Brasil devido à promulgação da Lei de Anistia, a qual beneficiou todos que cometeram crimes políticos de qualquer tipo, assim como aqueles que torturaram e mataram em nome da repressão, durante os anos anteriores da Ditadura Militar.

Desfiliou-se do PCB, ainda na clandestinidade, e filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), tendo sido eleito por este partido deputado estadual de 1983 a 1991 em seu estado natal. Foi líder do governo Franco Montoro na Assembleia Legislativa em seu 1° mandato, e líder do governo Quercia em seu segundo mandato durante a redação e votação da Constituição do Estado de São Paulo.

Foi vice-governador de São Paulo de 1991 a 1994, eleito na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho. Acumulou a função de vice-governador com a de secretário estadual de Negócios Metropolitanos. Assumiu provisoriamente o governo quando Fleury viajou ao exterior. Foi o primeiro ex-comunista a ocupar este cargo.

Foi candidato derrotado do PMDB à prefeitura de São Paulo em 1992. Foi uma eleição polarizada basicamente entre Paulo Maluf e Eduardo Suplicy, tendo sido pré-advertido de que seria quase impossível vencê-la.

De 1995 a 2007, Aloysio foi eleito para deputado federal. Em 1997, sai do PMDB e se filia ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Interrompeu o mandato de 1999 a 2002 ao ocupar dois ministérios do governo Fernando Henrique Cardoso: a secretaria-geral da Presidência e o Ministério da Justiça. Foi o primeiro cidadão de São José do Rio Preto a exercer os cargos de vice-governador de São Paulo e ministro da Justiça.

Aloysio foi secretário municipal de São Paulo durante o governo José Serra/Gilberto Kassab. Durante o mandato de José Serra à frente do governo de São Paulo, Aloysio foi o secretário da Casa Civil.

No dia 3 de outubro de 2010, Aloysio foi eleito senador pelo PSDB de São Paulo com históricos e surpreendentes 11.189.168 votos (30,42% dos válidos), tornando-se o senador mais votado do País ao superar o recorde do petista Aloizio Mercadante estabelecido em 2002 de 10.491.345 votos (29,9% dos válidos, à época) e tendo ficado bem à frente da também petista Marta Suplicy — também eleita senadora como a segunda colocada com 8.314.027 votos (22,61% dos válidos) — e de Netinho de Paula (PCdoB), os quais até uns três dias antes eram ainda os francos favoritos em todas as pesquisas de intenções de votos.

Atualmente, Aloysio exerce a liderança do PSDB no Senado.

Carlos Motta
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Aécio defendeu Demóstenes, o ficha limpa cachoeira


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“É mais fácil manipular quem se informa pela mídia tradicional”


Um dos axiomas da teoria da comunicação de massas é que, paradoxalmente ao que acreditam as pessoas que se consideram esclarecidas, é mais fácil manipular aquele que se informa constantemente através da grande mídia (canais de TV, rádio, jornais e revistas) do que os que não consomem nenhum tipo de produto midiático.

Os primeiros são alienados, os últimos, ignorantes. Há um grande desconhecimento do real significado destas palavras.

A construção do discurso monotemático; a simplificação das matizes culturais e políticas; a demonização do adversário e a desqualificação dos interlocutores; quando marteladas através de décadas, deixam como sequela gerações inteiras de alienados sociais, incapazes de argumentar com os que pensam de modo diferente.

São os que preferem o ódio. São os que execram, banem e mortificam seus antagonistas.

Quando confrontados com argumentos mostrando que os mesmos pecados que a mídia os fez abominar também são cometidos pelos que são seus escolhidos, desconversam. Não há provas. Onde saiu? Quem noticiou? Quem provou?

Se não está na mídia, não existe.

Vários pesquisadores da Ciência da Comunicação, Psicologia, Sociologia e Propaganda constataram esse mesmo fenômeno: Jacques Ellul, Edward Bernays, Noam Chomsky, Serge Tchakhotine, Jay Blumler, Dennis Kavanagh, Joanne Miller, Jon Krosnic, Shanto Iyengar, Donald Kinder…

Autores de épocas e países diferentes (e vivendo em regimes políticos e econômicos diferentes) todos conduziram estudos que a seu modo atestam os efeitos corrosivos da aplicação das técnicas de Media Priming e Media Framing nas sociedades democráticas, através dos séculos XX e XXI (para os que se interessam, posso indicar uma boa dezena de obras indispensáveis).

Ellul, em especial, chega ao ponto de exemplificar que é mais fácil manipular as decisões políticas de um intelectual do que um camponês ou operário. Não à toa, os grandes veículos de comunicação estão sempre usando a imagem e a palavra de intelectuais e especialistas nos mais diversos assuntos, para atestar e dar legitimidade ao conteúdo que lhes interessa propagar.

E são as classes médias urbanas (devido ao caráter autômato que lhe foi impingido desde a consolidação das burguesias européias na reconfiguração de classes e responsabilidades sociais no século XVII) as maiores vítimas destes esforços de alienação e manipulação coletiva.

Notem que falo de um fenômeno que se iniciou quando não existiam Marx, comunismo, socialismo, Fidel, URSS ou qualquer outro demônio.

Existia o mercantilismo ocidental, estrutura de formação do capitalismo moderno.

Estes mesmos estudos concluíram que (o que não deixa de ser irônico) em todo mundo são as camadas mais pobres e ignorantes da população, e alijadas dos centros sociais de produção do consenso midiático, que acabam sendo as menos influenciadas ou manipuladas.

Para populações inteiras que habitam o que os autores chamam de “mundo real”, o que importa ao julgar um acontecimento, uma pessoa, um programa social ou um governo é o impacto real que o mesmo teve sobre suas vidas. Na carne, no ato diário de persistir junto aos seus.

Um consultor político da campanha de Bill Clinton em 1992 (meio sem querer, uma vez que seu objetivo era convencer o eleitorado do oposto), sintetizou de outro modo:

— É a economia, estúpido!

Sim, é fato que em toda América Latina, durante séculos os mais pobres e ignorantes foram manipulados também. Pela força bruta, pela truculência agrária, pela intimidação física e pelo desconhecimento de alternativas ao estado de privação em que viveram desde os primeiros dias da colônia.

Na Europa a opressão ocorreu primeiro pelo poder da dobradinha clero/nobreza; depois pelos grandes industriais, donos os meios de produção, que submeteram massas ignorantes à jornadas de trabalho de 18 horas, em condições abjetas, em troca de um salário que não era suficiente sequer para a alimentação própria. O que dizer de sua família.

Foi nesse cenário de abismos sociais onde 1% da população definia o que os 9% logo abaixo deveriam pensar e os 90% restantes deveriam produzir calados é que nasceram os primeiros movimentos de contestação da ordem social, reivindicando o direito à participação política dos excluídos.

Como não eram parte da classe média urbana domesticada, não surtia efeito sobre essa massa o que vendiam os meios de comunicação. E pior, se esse camponês/operário conseguisse se organizar com outros iguais em grupos, passariam do isolamento para a ação de fato, constituindo braços de representação político-partidário.

Essa é a base da formação do todos os movimentos populares no mundo ocidental e que nas últimas 15 décadas vem lutando por uma maior fatia de representação política, seja na Europa, na América do Sul, Central, ou mesmo na Africa.

De alguns anos pra cá, esses movimentos deixaram a marginalidade à qual foram empurrados pelas potências desenvolvidas (através do patrocínio e implantação de ditaduras militares e planos econômicos irresponsáveis e desastrosos nos países econômica e culturalmente subordinados) e passaram a atuar como protagonistas do cenários político global, com amplo destaque para o Brasil e os governos eleitos democraticamente a partir de 2002.

Tudo isso para mostrar que existe uma história por trás de todos os partidos populares, que remonta à república romana, na luta pela igualdade de direitos e representação política das classes subjugadas.

Tudo isso pra explicar que o seu ódio aos partidos de esquerda, mais notadamente ao PT por ser ele o partido governante, na verdade não diz respeito ao que é o PT ou o que ele representa.

Seu ódio não diz respeito aos “escândalos de corrupção nunca antes vistos nesse país”. Diz respeito a um plano de recuperação do poder por parte da elite nacional (ou multinacional, uma vez que hoje em dia todos os grandes veículos de comunicação atuam num mercado global de construção do consenso), que sempre varreu para baixo do tapete as mazelas, os escândalos e a putrefação de seus pares, políticos e industriais.

Seu ódio diz respeito à desinformação e à manipulação a que é submetido desde que nasceu. A um trabalho sistemático de alienação sociopolitica que está em curso há décadas e que nos últimos 12 anos foi confrontado, pela primeira vez.

É perfeito? Claro que não. Mas qual governo, partido, ideologia ou ser humano é?

Existe muita literatura, muito material acadêmico, muitas pesquisas e até alguns excelentes romances que exploram o assunto.

E bom, agora que você leu um pouco do que seus jornais e revistas nunca lhe dirão, continuar a alimentar um ódio irracional sobre pessoas, partidos políticos ou times de futebol, só porque você foi ensinado a abominar qualquer modo de pensamento contraditório, é de sua inteira responsabilidade.

Leonardo Oliveira, publicitário e mestre em Ciência da Comunicação. Atua há 15 anos no mercado publicitário e desde 2012 em campanhas políticas digitais no Brasil e no exterior.
No DCM
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PE: Blogueira que publicou denúncias envolvendo PSB e PSDB sofre ameaça de morte

Noélia Brito tem morte anunciada pelos inimigos da claridade


 ALERTA… ALERTA… ALERTA! 

Nesse momento quero convidar a todos os amigos para que juntos possamos #‎LUTAR‬ com a Noélia Brito que teve a coragem de fazer grandes denúncias envolvendo o #‎PSB‬ e ‪#‎PSDB‬. A mesma agora sofre com ataques dos acusados! Precisamos nos mobilizar!

Este alerta circula na internet. O Brasil é um dos raros países que tem jornalista como preso político. Acontece em Minas Gerais com Marco Aurélio Carone. A máfia do PSDB mineiro mandou acorrentar e amordaçar Carone, que denunciou o Mensalão Tucano engavetado pela justiça tarda e falha.

Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes foi preso político de Eduardo Campos.

As denúncias de Noélia já foram publicadas pelos sítios dos jornalistas verdadeiros de todo o Brasil. Foi esta propagação que irritou os corruptos denunciados.

Os jornalistas brasileiros e correspondente internacionais, os blogueiros e jornalistas onlines, que amam a liberdade de imprensa, precisam urgentemente evitar essa trama assassina, essa morte anunciada.


Página de Noélia no Facebook

No Andredetalis

Veja aqui algumas das denúncias de Noélia:



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TSE considera que Veja faz propaganda no rádio em favor de Aécio

Por decisão do ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral, a Coligação Com a Força do Povo, da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), conseguiu uma liminar que obriga a revista Veja a retirar do ar uma propaganda no rádio que favorece a candidatura de Aécio Neves (PSDB). Na peça, a Veja afirma que Aécio vai tirar a Petrobras das mãos de uma "quadrilha".

Em sua decisão, o ministro sustentou que examinou o áudio e entendeu que houve divulgação de conteúdo eleitoral na grade da programação normal do rádio, em desacordo com a regra contida no artigo 44, da Lei nº 9.504/97, segundo a qual a propaganda eleitoral nos meios eletrônicos restringe-se ao horário gratuito.

“A propaganda da Editora Abril, no trecho ‘Aécio Neves (...) promete tirar a Petrobrás das mãos de uma quadrilha’, incorre em propalar, de forma clara, discurso empreendido pelo candidato Aécio Neves sobre tema em voga e polêmico, que vem sendo o cerne das discussões entre os dois candidatos na disputa pelo cargo de presidente da República, tudo isso sob forma de divulgação da nova edição de sua revista”, entendeu o relator.

"(...) entendo que a transmissão dessa publicidade por meio de rádio, ou seja, de um serviço que é objeto de concessão pelo Poder Público e de grande penetração, desborda do seu elevado mister de informar, com liberdade, para convolar-se em publicidade eleitoral em favor de uma candidatura em detrimento de outra”, acrescentou Gonzaga.

De acordo com a representação de Dilma, a Veja fez uso de expediente semelhante em 2006. Na ocasião, a revista teria pago pela publicação da capa de sua edição em diversos outdoors para promover apoio ao candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin. Naquele ano, o TSE determinou a retirada das propagandas.

A defesa de Dilma ainda conseguiu junto ao TSE a apresentação do contrato de compra do espaço da propaganda no rádio para contabilizar o tempo de veiculação ilícita favorável a Aécio. Com isso, pretende solicitar a perda do dobro do tempo na propaganda eleitoral em rádio a Aécio, como punição.

No GGN
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Os que pilharam o Estado e massacraram o povo estão aí de novo


No início do século XI um líder muçulmano percorria as mesquitas do Oriente Médio advertindo os fiéis para a fatalidade iminente da invasão dos cruzados. Eles estavam chegando. Preparem-se, dizia ele, para que possamos evitar a catástrofe. Os cruzados são cruéis e selvagens, ignorantes e incultos. Estuprarão nossas mulheres, matarão nossos filhos, massacrarão nosso povo, incendiarão nossas cidades e aldeias. Pelo que se viu na história, não lhe deram ouvidos.

Na verdade, de acordo com o relato de Amin Maaloup no livro “As Cruzadas Vistas pelos Árabes”, que cito de memória, os cruzados chegaram, estupraram as mulheres, mataram as crianças, incendiaram cidades e aldeias e massacraram as populações do Oriente Médio que estavam em seu caminho até Jerusalém. Foi uma carnificina, em geral ignorada pelos historiadores ocidentais até pouco tempo atrás. Foram precisos mil anos para que um historiador egípcio contasse a verdadeira história.

Que lição se pode tirar desses eventos para o momento eleitoral que estamos vivendo? Os tucanos estão chegando de novo, conduzidos não por um bárbaro, mas por um boa-vida. Vai entregar o governo aos “melhores”. E quem são os tucanos? São os desestruturadores do Estado brasileiro, os que venderam a preço de banana nossas estatais — vide o crime da privatização da Vale do Rio Doce, e um crime ainda maior, por suas consequências estratégicas, que foi a privatização da Telebras e da Embratel.

Contudo, uma grade parte da nação não dá ouvidos a essas advertências. E a razão é simples: o aparelho do Estado, não do governo — o nervo dele, a própria Justiça —, foi aparelhado por simpatizantes tucanos para tentar liquidar com a candidatura de Dilma. Os tucanos aparelharam, em relação ao chamado escândalo do “mensalão”, uma parte majoritária do Supremo Tribunal Federal. Essa parte do Supremo condenou pessoas sem crime. Não cuidou de ouvir e examinar provas. Promoveu o mais selvagem massacre de reputações de inocentes, a partir de suas cadeiras majestáticas, de que se tem notícia desde o caso Dreyfus, na França, na virada do século XIX.

Agora é um juiz do Paraná que, descaradamente, cria uma dupla identidade para o segredo de justiça a fim de liberar declarações sem provas de um criminoso confesso, em pílulas diárias, com o óbvio propósito de desestabilizar a campanha de Dilma pela grande mídia, praticamente às vésperas das eleições. O que está acontecendo é um acinte ao povo brasileiro. Ora tudo era segredo de justiça pela delação premiada, ora as mesmas delações são liberadas para o grande público, em nome do “direito da sociedade de tomar conhecimento” dos fatos. Isso funciona? Funciona sim, no inconsciente coletivo, porque a mídia que tanto valor dá à liberdade de imprensa, abre mão do direito de sua liberdade de perguntar ao juiz: Por que agora? E por que o duplo critério de segredo e abertura?

Obviamente, estamos sob a ameaça de um golpe jurídico-midiático para desestabilizar o Estado. Creio que, dadas as possíveis consequências de uma eventual eleição do Aécio, caminhemos para a maior crise social e política jamais experimentada pelo Brasil desde o golpe de 64. Agora os militares estão quietos. Isso, porém, não garante que a parte da sociedade a ser esbulhada nesse golpe se contentará com mais uma onda de um governo anti-pobre e anti-povo, que tentará enfrentar a crise, esta, sim, inevitável, andando para trás. Não vou sair por aí discursando em mesquitas, mas advirto: Olha, os tucanos estão chegando! Ainda há tempo de se precaver.

J. Carlos de Assis, Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
No GGN
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Não confunda Sérgio Moro com Fausto De Sanctis


Uma pessoa é ela e suas circunstâncias. Um juiz é seu conhecimento e suas circunstâncias.

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais), por eleição direta, indicou três juízes federais como seus candidatos para ocupar uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Dois deles que viveram a circunstância de julgar processos que mexiam com as entranhas do poder: Sérgio Moro, que toca a Operação Lava Jato, e Fausto De Sanctis, que tocou a Satiagraha.

É importante entender a diferença entre ambos, na análise de suas circunstâncias.

As duas operações envolviam o mundo político-empresarial brasileiro, grandes empresas e pessoas ligadas a todos os partidos. Qualquer operador de mercado sabe que nesse submundo dos negócios do Estado navegam PT, PSDB, PMDB, PP e a rapa.

A diferença entre ambos é que, ao não privilegiar nenhum lado, De Sanctis ficou do lado da Justiça. Na Satiagraha as circunstâncias do processo o levaram a enfrentar TODAS as forças da República — governo, poder econômico, STF, grupos de mídia.

Suas investigações bateram em Daniel Dantas — apadrinhado por José Serra, Fernando Henrique Cardoso e grupos de mídia — e em José Dirceu — então todo poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil. Enfrentou a fúria de Gilmar Mendes e o esvaziamento promovido na Operação pela própria Polícia Federal do governo Lula. Pode ser acusado de radical, jamais de oportunista.

Mesmo com exageros, em nenhum momento tergiversou ou escolheu qualquer lado que não fosse o da Justiça. Naquele momento, perante a consciência jurídica do país, elevou ao máximo o respeito pelos juízes federais de 1a Instância. Daí o justo reconhecimento da Ajufe ao seu trabalho.

Sérgio Moro também enfrentou suas circunstâncias.

Avançou em duas operações delicadas, estudou-as, entendeu sua abrangência, percebeu que atingiam todos os lados do espectro político. E se viu com o poder extraordinário de controlar as informações de um tema que mexe com a opinião pública e até com o processo eleitoral.

É nesses desafios que se identifica a têmpera e os compromissos de um juiz.

De Sanctis foi grande: não cedeu.

Sérgio Moro escolheu lado. Não pensou na Justiça e na imagem dos seus próprios colegas, juízes federais, que pouco antes o haviam escolhido como representante da categoria. Sequer pensou que a eficácia de uma operação contra o crime organizado reside em identificar todos os elos, todo o mundo político. Só assim haverá força política para promover mudanças que eliminem o mal.

Nessa hora, o campeão da luta contra o crime organizado, pensou apenas em si e decidiu ser peça decisiva em uma eleição que elegerá a pessoa — o presidente da República — que indicará Ministros ao Supremo. No momento em que o STF começa a se arejar com a discrição sólida de um Teori Zavascki, de um Luís Roberto Barroso, de Ricardo Lewandowski, de Celso de Mello, surge um candidato a novo Luiz Fux, um jovem Gilmar Mendes.

Então, para que não se cometa nenhuma injustiça em relação a De Sanctis, que se coloque a retificação. Um juiz é feito de conhecimento e de caráter. Juntando todas as peças, ele e Moro não são comparáveis.

Aliás, seria instrutivo algum tracking junto aos associados da Ajufe para avaliar quantos votos Moro perdeu ou ganhou com seu gesto.

Luís Nassif
No GGN
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Economista alemão indignado escreve 7 motivos para o Brasil reeleger Dilma

Michael Lowy
A vitória de Aécio Neves representaria uma dramática regressão social e política, tanto ao nível interno do país como na sua política internacional.

Tenho muitas críticas a Dilma. Acho que fez demasiadas concessões aos bancos, ao agronegócio, ao capital. Por isso dei todo meu apoio a Luciana Genro no primeiro turno. Mas o Senhor Aécio não fará "concessões".

Ele é o representante direto dos bancos, do agronegócio, da oligarquia financeira, das classes dominantes. Ele é o candidato da Bolsa de Valores, do imperialismo americano, do Clube Militar (os aposentados da ditadura). Sua vitória representaria uma dramática regressão social e política, tanto ao nível interno do país como na sua política internacional.

Na minha opinião, a única forma de evitar este desastre é votar por Dilma.

Tenho muitas críticas a Dilma. Acho que fez demasiadas concessões aos bancos, ao agronegócio, ao capital. Por isso dei todo meu apoio a Luciana Genro no primeiro turno. Mas o Senhor Aécio não fará "concessões". Ele é o representante direto dos bancos, do agronegócio, da oligarquia financeira, das classes dominantes. Ele é o candidato da Bolsa de Valores, do imperialismo americano, do Clube Militar (os aposentados da ditadura). Sua vitória representaria uma dramática regressão social e política, tanto ao nível interno do país como na sua política internacional. Na minha opinião, a única forma de evitar este desastre é votar por Dilma.

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7 motivos para o Brasil reeleger Dilma

Li nos últimos dias que a presidente do Brasil corre o risco de não ser eleita e fiquei chocado com a notícia. Nos últimos 10 anos o governo atual mudou a maneira como o Brasil é visto na Alemanha. Se antes víamos apenas um país de terceiro mundo, agora nós sabemos que o Brasil é uma potência econômica.

Para os brasileiros eu diria 7 simples motivos para reeleger o atual governo.

1. Durante a crise mundial (2008-2013) a economia brasileira cresceu quase 5 vezes mais que a alemã.

2. A taxa de desemprego na Alemanha duplicou durante a crise mundial enquanto a brasileira surpreendentemente abaixou. Na Itália, por exemplo, 12.3% das pessoas estão desempregadas e na Espanha 24.5%. O atual governo brasileiro protegeu o emprego das pessoas enquanto as nações europeias protegeram o dinheiro dos bancos.

3. Apesar de a Alemanha ter um bom governo, em 2014 a economia brasileira vai, de novo, crescer mais que a alemã.

4. Durante a crise mundial (2008-2014) o IDH alemão diminuiu de 0.940 para 0.911. EUA diminuiu de 0.950 para 0.914, o espanhol de 0.949 para 0.869. Enquanto as maiores economias do mundo sofreram esses efeitos, Brasil aumentou seu IDH de 0.710 para 0.744. Ainda distante do primeiro mundo? Sim. Mas no caminho certo de ascensão.

5. A desigualdade social cresceu em todos os países europeus enquanto diminuiu no Brasil. Continuando no mesmo caminho, em apenas 10 anos o Brasil alcançará o nível de desigualdade dos EUA.

6. O discurso de Roussef nas Nações Unidas inspirou o mundo inteiro contra a espionagem dos EUA. Depois disso, nossa primeira-ministra Merkel e outros líderes nacionais se pronunciaram contra Obama. Pela primeira vez um país de terceiro mundo teve coragem para enfrentar o governo estadunidense.

7. O atual governo de Lula e Roussef mudou a maneira como o Brasil é administrado. Se antes era um país de terceiro mundo trabalhando para os EUA e o mercado financeiro, hoje trabalha para as pessoas.

A Alemanha tem corrupção. Na Europa temos corrupção assim como nos EUA e no Brasil e, infelizmente, isso nunca vai mudar, não importa quem esteja no governo. Mas se há um país que enfrentou a crise mundial e melhorou a vida das pessoas como nenhum outro no mundo, esse é o Brasil. E isso deve ser levado em conta.

Kurt Neuer
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Aula de rua

Cabeças brancas coroadas por bandeiras vermelhas. Gente da periferia, ao lado de verdadeiros mostruários de piercing e tatuagens. PT e PSOL juntos.

Uma praça no centro de São Paulo reuniu neste sábado alguns elementos daquilo que talvez seja preciso buscar para devolver sentido à participação política, não só neste final da campanha, mas também depois dela — seja qual for o resultado da urna.

Algumas centenas de pessoas, representantes do PT e do PSOL, lideranças dos movimentos GLBT, cantores de rock e funqueiros da periferia, quilombolas, coletivos de jovens, lideranças estudantis, lideranças trabalhadoras e de organizações de bairros e uma filósofa.

Tão ecumênico quanto o formato, o repertório de difícil enquadramento em categorias convencionais teve momentos de comício, show, conversa, festa e aula.

Um pouco de cada coisa.

E tudo harmonizado pela dimensão humana resultante da dissolução formal entre palco e plateia.

Pense na subversão representada pelo renascimento dos blocos de bairro, à margem dos desfiles de carnaval capturados pelas redes de televisão e apartados da rua por grades & grana.

Foi um pouco essa ruptura que aflorou no encontro realizado no Largo do Arouche, no centro de São Paulo.

Nem tudo são flores.

A tarde de sol contrastava com as sombrias notícias emitidas pela ‘onda’ que desde 5 de outubro vaticina a vitória incontornável do conservadorismo nas eleições presidenciais do próximo dia 26.

Longe da prostração que abate espíritos isolados, pautados pela emissão conservadora, o clima ali era de um renascimento na esperança de que algo pode ser feito, deve ser feito e será feito. E que o horizonte dessa resposta depende de decisões que competem às forças progressistas tomar.

A presença solidária e assertiva de lideranças do PSOL, que vieram manifestar o apoio à Dilma no segundo turno, sugeria exatamente o oposto do funeral sorvido com precoce gula pelas elites endinheiradas e seu dispositivo midiático.

Coube ao deputado federal reeleito, Jean Wyllys, do PSOL, tornar claro o sentido de resistência que passa aglutinar o campo progressista de agora em diante — seja qual for o desfecho de outubro.

“Não vou negar o óbvio”, começou dizendo quase como se conversasse numa roda de amigos. “A vida dos brasileiros melhorou nos últimos anos. Digo por experiência familiar própria de minha gente pobre, em Alagoinha, no interior da Bahia. Mas também pelo que vi em debate recente na Universidade Federal da Bahia, onde estudei. O que antes era uma escola da elite branca, hoje é uma instituição com marcante presença negra e de jovens oriundos do povo’, testemunhou em intervenção coloquial, mas carregada de prontidão e urgência militante, que convergiu para um chamamento: ‘Nós sabemos o perigo que significaria um alinhamento conservador entre um Executivo dominado pelo PSDB e um Congresso de maciça presença de forças regressivas, como esse que foi eleito em 2014. Por isso não poderia lavar as minhas mãos como Pilatos. Meu voto é Dilma, 13’.

Jean Wyllys reiterou o apoio idêntico de Ivan Valente, Marcelo Freixo e outros integrantes eleitos do PSOL, ademais de membros do partido, como Toddy e Bill, não eleitos, mas portadores de expressiva votação na periferia de SP.

Coube a eles reforçar o espírito da frente de esquerda, sem rodeios, nem concessões.

‘Não foi fácil vir aqui’, ponderou Bill, ‘não estamos dizendo que aceitamos as omissões do governo do PT. O que nós estamos dizendo é que queremos continuar fazendo oposição pela esquerda, e não ver o Brasil mergulhado no retrocesso com Aécio Neves. Por isso, dia 26 é 13’.

Cantores, presidentes de entidades estudantis, membros de cooperativas das periferias, ademais do ex-ministro Padilha, falaram no mesmo diapasão.

Eduardo Suplicy, candidato ao Senado derrotado pelo eterno delfim do conservadorismo, José Serra, conversou, cantou e emocionou.

Vencedores e vencidos nas urnas. Progressistas de todos os tons de vermelho. Libertários de todos os gêneros.

Militantes de cabeças brancas coroadas por bandeiras vermelhas. Gente pobre da periferia. Famílias assalariadas, ao lado de verdadeiros mostruários de piercing e tatuagens. Uma arca solidária, pluralista, amistosa e desassombrada. Uma espécie de regresso a um lar que nunca existiu, mas capaz de transmitir a sensação difusa de que esse é o lugar acolhedor para se lutar por novas formas de viver e de produzir no século XXI.

A tentativa de explicitar isso, desvendar esse impulso e dotá-lo da musculatura histórica necessária aos desafios dos dias que correm e dos anos que rugem logo adiante viria em seguida.

O bloco camarada do Largo do Arouche cessou a algaravia para a necessária compreensão desse futuro.

Teve início, então, um aula da professora e filosofa da USP, Marilena Chauí, intelectual que há muito enxergou nesse tipo de Ágora um espaço para devolver sentido à política e à militância, em meio à crise dissolvente do neoliberalismo e da esquerda que cedeu a ele seus anéis e os dedos, e agora tem dificuldade para montar o cavalo da história que passa a sua frente.

Chauí praticamente não fala mais ao dispositivo midiático conservador.

Mas não se furta de comparecer às redes, às ruas e aos sindicatos, sinalizando um novo engajamento intelectual e militante.

Que isso tudo ocorra a 15 dias das urnas do segundo turno de 2014, quando a ‘onda conservadora’ se autoproclama vencedora por ‘esmagamento’ do adversário, não deixa de ser ao mesmo tempo prenhe de tensão e de possibilidades.

Como, aliás, é a visão da democracia que a filósofa começa a destrinchar agora no meio da rua para um ajuntamento atento que se busca e se decifra nas suas palavras.

A democracia é um velho tema de Chauí.

Não qualquer democracia. Aquela da ruptura, cuja construção se confunde com o fortalecimento dos trabalhadores.

A dos que entendem o socialismo como a democracia levada às últimas consequências.

Parece lógico, mas não é consensual.

Há quem enxergue nessa ênfase a dissolução das determinações econômica que em última instância condicionariam a superação da lógica capitalista.

A polêmica tem sua raiz em um texto apresentado por Marilena Chauí em reunião da CLACSO, realizada na Costa Rica, em 1978, ‘A questão democrática’, depois editado em coletâneas da autora nos anos 80.

A abertura política e a criação de um novo partido de esquerda, diverso da concepção que originara o socialismo realmente existente, pautava os marcadores da luta progressista brasileira naquele momento.

O entendimento de que a luta democrática pavimentaria a transição para o socialismo condicionaria as características de berço do PT.

Aos que viam na ênfase democrática o abandono do marxismo, contrapunha-se a bandeira de um socialismo livre do autoritarismo e da degeneração recorrente nas experiências em dissolução no mundo.

Antes de significar um abandono de princípios a incorporação da democracia como uma fissura de direitos, que promete mais do que o mercado está disposto a conceder, seria o catalisador da luta por uma sociedade de todos, intrinsecamente antagônica à supremacia do capitalismo financeiro.

Ninguém poderia imaginar que duas décadas depois a sigla à qual esse debate se entrelaçara seria governo no Brasil. E nele permaneceria até esse segundo turno extremado de 2014, quando o risco real de uma derrota e a determinação de evitá-la faria da praça do Arouche, em São Paulo, o locus da retomada daquele debate, entrelaçado agora à experiência de uma década no poder.

Chauí dissipa as dúvidas do passado logo nas primeiras frases, ao dar à democracia a sua definição radicalmente oposta à lógica do capitalismo brasileiro.

Democracia verdadeira, ensina a professora, é indissociável da radicalização dos direitos sociais.

Por direitos, entenda-se, a provisão pública, suficiente, regular, gratuita e de qualidade daquilo que é essencial à universalização da cidadania.

A contraposição a isso está cristalizada no projeto conservador que hoje se declara antecipadamente vencedor nas urnas de outubro.

A voz da filósofa soa mais alto na praça, quando anuncia que vai exemplificar o antagonismo entre esse entendimento da democracia e o projeto personificado em Aécio Neves.

Lê então um trecho de manifesto de apoio ao ex- governador mineiro, recém lançado por intelectuais tucanos de alta cepa e egressos da candidatura Marina: ‘queremos que as pessoas realmente se emancipem da ineficiência e das distorções dos serviços públicos’, escande cada palavra na leitura.

Chauí liga então a metralhadora giratória para evidenciar a lógica por trás da frase.

O que está subjacente a essa pomposa ‘emancipação da ineficiência e das distorções dos ‘serviços oferecidos pelo Estado?’ — pergunta a voz na praça.

Está subjacente que o que se chama de ‘serviços’ são direitos; e que esses direitos serão sonegados, explica.

A filósofa emoldura então as consequências do projeto subjacente aqui e em todo o planeta.

Quais?

As da mercantilização dos direitos, transformados em serviços, adquiridos a mercado.

‘Isso’, proclama Chauí em assertiva que unifica e eletriza a praça dos cabeças brancas, dos piercings, das tatuagens, da gente da UNE, do Levante da Juventude, das lideranças do PT, dos representantes de trabalhadores, das cooperativas, dos movimentos GLBT, dos quilombolas...

‘Isso é matar o coração da democracia’, fuzila sob aplausos .

‘Isso’, repisam suas palavras ainda flutuando no entusiasmo coletivo, ‘é desincumbir o Estado dos direitos; isso é o projeto neoliberal; isso é o que vai se dar se o senhor Aécio tomar o poder’.

Por trás da frase ‘tão pomposa do manifesto’, emenda a professora, está a crítica de Armínio Fraga ao salário mínimo; está o ensaio de extinção da CLT no Congresso comandado por Aécio Neves no governo FHC; está a venda da Vale e demais estatais a preço vil.

Assim como por trás do PT ‘corrupto’ estão as setenta CPIs contra o governo do PSDB barradas em São Paulo; está o mensalão iniciado sugestivamente pelo PSDB mineiro de Aécio; está a lambança no metrô de São Paulo e o aeroporto feito com dinheiro público, na fazendo do tio de Aécio.

Então por que o aluvião conservador encontrou receptividade social?

Agora Chauí já não trata apenas do que chamou inicialmente de ‘ a nossa tarefa nos próximos 15 dias’. Fala dos próximos anos. Fala da agenda progressista para o futuro. Dentro ou fora do governo.

‘A base aliada do tucanato é a mídia’, pondera curto e grosso.

Esse emissor diuturno ceva o ódio fascista que agora se arvora em ‘onda’. A tal ponto, adverte a filósofa, ‘que se alguém espancar uma pessoa na rua e disser que é corrupto, será aplaudido’.

Um jornalismo autoexplicativo na sua manipulação da realidade é a usina que choca o ovo da serpente.

Mas não só.

A presença da intelectual na praça, falando a um grupo pequeno, sem palanque, sem ritual, sem superprodução, sem jargão, é uma crítica implícita a uma forma de fazer política que contaminou a própria esquerda, refletindo o entendimento singelo do que se passa nessa mutação histórica chamada colapso da ordem neoliberal.

Chauí execra o termo ‘nova classe média’ adotado pelo PT para denominar os quase 60 milhões de brasileiros alçados ao consumo e à cidadania nos últimos anos.

As intrínsecas consequências políticas e programáticas do termo incomodam a professora conhecida por não economizar munição contra a classe média paulista. ‘Arrogante, fascista e ignorante’, foi assim que a classificou em um evento comemorativo dos dez anos de governos do PT, em maio de 2013.

‘Não surgiu uma nova classe média no Brasil nos últimos anos’, corrige na aula debaixo da sombra de árvores centenárias do Largo do Arouche, entre elas um imponente chichá (Sterculia chicha), talvez a árvore mais altas de São Paulo. Solitário remanescente de um passado rural, quando o largo era a chácara do general José Toledo de Arouche.

Sob o testemunho desse gigante silencioso, a filósofa conceitua o presente e os desafios que emergem um século e meio depois que a majestosa sapopemba enraizou por ali.

‘O que surgiu agora foi uma nova classe trabalhadora, sem a tradição histórica da classe trabalhadora’, adverte.

Um chichá social, sem as sapopembas, as raízes longas e vigorosas que sustema o gigante vegetal ao lado.

Isso muda tudo.

‘É uma classe trabalhadora retalhada pelas novas condições do trabalho na era do neoliberalismo’, explica Chauí.

Um agrupamento que foi e é coagido a entender a sua inserção no mundo como uma relação unilateral com a gôndola do supermercado e o limite do cartão de crédito.

Está subentendido na aula da praça e todos ali entendem: o nó górdio dos dias que correm é a rala contrapartida de organização coletiva e discernimento histórico desse novo protagonista da luta pelo desenvolvimento brasileiro.

Como avançar mais se o sujeito do processo permanece alheio às raízes do conflito que determinam o seu destino?

‘Não nos faltam obras (para mostrar); falta-nos política. Nós ficamos economicistas. Precisamos definir o campo de classe dessa disputa’, disse Lula durante a primeira arrancada da direita nestas eleições, quando Marina ensaiava ser o Aécio, e Aécio era a Marina.

Durante um período longo demais, muitos dentro do governo e do PT acharam que essa era uma ‘não-questão’.

Que tudo se resolveria no piloto automático dos avanços incrementais no consumo, que se propagariam mecanicamente na correlação de forças da sociedade, fechando-se um circulo progressista virtuoso.

Que uma frente eleitoral de direita, explícita no seu ódio ao PT e aos segmentos populares, tenha empalmado inclusive setores da nova classe trabalhadora, contradiz o bastante essa concepção para repor os termos da discussão sobre democracia, capitalismo e socialismo do início dos anos 80.

Agora com os limites do jogo ainda mais estreitos.

O que está em curso nestas eleições alerta para o reduzido grau de tolerância conservadora com o projeto de construção de uma democracia social no Brasil.

O golpismo em curso evidencia que para afrontar esses limites é crucial saber onde se pretende chegar. Mas, sobretudo, providenciar os instrumentos organizativos necessários à sustentação do percurso.

O respeito ao jogo institucional e o compromisso com a construção de uma democracia social que o ultrapassa é um conflito endógeno ao PT.

De certa forma, um conflito inscrito no DNA da luta própria luta pelo desenvolvimento.

A determinação política desse processo ficou clara neste pleito resgatando a crítica ao economicismo esboçada por Chauí há mais de trinta anos.

Em resumo, não se pode mais atribuir à economia aquilo que compete à correlação de forças decidir: a repactuação de um novo ciclo de investimento com a distribuição da riqueza é indissociável de um avanço da democracia participativa no país.

O resto é arrocho.

Entre os requisitos incontornáveis para que não seja arrocho inclui-se a volta da política às ruas. Não apenas na crise; não apenas em eventos esporádicos da agenda eleitoral.

A democracia, diz o historiador italiano, Luciano Canfora, não consiste no governo da maioria simplesmente por dar à contagem dos votos a sua representação política.

Ela o será na medida em que exista um Estado social diante do qual quem não detém a riqueza na sociedade, ainda assim, tem peso efetivo na política e instrumentos para exercê-lo.

É isso que faz da democracia social uma construção política que, sem expropriar previamente a riqueza, assume como imperativo coloca-la a serviço da finalidade social do desenvolvimento.

É a essência do conflito ao qual o PT fundiu o seu destino.

‘Direitos sociais, não serviços vendidos a mercado’, reverbera a voz de Chauí no Largo do Arouche.

Até onde essa contradição poderá evoluir nos marcos de um sistema produtor de mercadoria não é um problema meramente teórico, mas de engajamento, de práxis.

É isso que a presença da filósofa ilustre está dizendo, cercada de animada receptividade na festa ecumênica da política com a praça.

É uma subversão das formas de fazer política atualmente no próprio campo progressista.

Se isso estiver certo, a lógica dos blocos de bairro vai invadir os partidos e as praças crescentemente nos próximos anos.

E a voz de filósofos, economistas, historiadores, artistas, cientistas, lideranças sociais, dirigentes sindicais, jornalistas e, claro, também a dos políticos, passará a disputar com as árvores seculares a atenção de quem passa por ali. Com a mesma aceitação, espera-se, das animadas charangas que puxam os cordões livres nos carnavais do Brasil. Evoé.

Saul Leblon
No Carta Maior

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Semelhanças entre Aécio e JK ficam no reino da fantasia


Enquanto isso, jornal inglês que tentou derrubar Guido Mantega reconhece que Arminio Fraga "decepcionou" em debate com ministro

Sete meses depois de fazer um editorial onde pedia a demissão de Guido Mantega, alegando que a medida ajudaria no crescimento da economia brasileira, até o jornal britânico Financial Times foi obrigado a reconhecer um fato relevante da campanha presidencial.

Levado para um confronto com Armínio Fraga, candidato a ministro da Fazenda na hipótese de Aécio Neves ganhar a presidência, Guido Mantega parecia condenado a um nocaute rápido, na semana passada. Aconteceu o contrário: Arminio é que foi embora atordoado.

O debate ocorreu no dia em que havia ocorrido uma superação — 0,25% — no teto da meta de inflação. Recém-anunciadas, estimativas de crescimento para 2014 chegavam a 0,3%. Apesar da paisagem desfavorável, Guido Mantega mostrou que a inflação de Dilma é menor que a de Lula que também foi menor que a de FHC. Fez uma defesa consistente dos bancos públicos e mostrou — com números — que desempenham um papel positivo no desenvolvimento do país. Falou de obras de infra estrutura e dos programas de habitação. Tinha dados e tinha argumentos, enfim.

Diante da inconveniência de admitir que o ministro da Fazenda tinha argumentos, e foi capaz de fazer sua defesa, o Financial Times avaliou que Armínio “decepcionou”.

O jornal explica que ministro-candidato é capaz de falar para empresários e homens de negócio mas observou que “Fraga e o PSDB precisam levar sua mensagem econômica para o brasileiro médio e descontruir o senso comum de que aquilo que é bom para o mercado é ruim para a população e vice-versa.”

Demonstrando um espírito particularmente agressivo em relação a campanha brasileira, muito longe da linguagem suave de uma disputa civilizada, ainda mais num país distante e soberano, o Financial Times explica a importância estratégica de uma vitória de Aécio nas eleições de 26 de outubro: “afinal de contas, não é um debate cordial: é uma guerra, a batalha final pelo controle do segundo maior mercado emergente, onde vivem 200 milhões de pessoas.”

Preste atenção nestas palavras do jornal que é um dos principais porta-vozes dos mercados financeiros: “guerra, batalha final, segundo mercado maior mercado emergente…”

É disso — realmente — que se trata.

O Financial Times atribui essa missão de guerra para Armínio, sem pudores nem rodeios, com o mesmo discurso arrogante que, no início do ano, queria derrubar Guido Mantega — como se acreditasse que Dilma Rousseff fosse uma Marina Silva e um editorial de Londres tivesse a força de quatro tuites de Silas Malafaia.

Mas fica a pergunta: por que Armínio Fraga decepionou os ingleses?

Já li que ele é ruim de dar entrevistas. Pode ser. Mas isso pode melhorar com cursos de fonoaudiologia e midia-training.

Uma dificuldade bem maior se encontra na substância, naquilo que o Financial Times definiu como “desconstruir o senso comum de que aquilo que é bom para o mercado é ruim para a população, e vice-versa.” (Eu acho uma descrição muito simplória do que está em debate em 2014. Faz tempo que o PT procura estabelecer relações amistosas e produtivas com o mercado. Mas foi assim que os ingleses colocaram a coisa).

Aécio, a quem não se irá atribuir falta de experiência no jogo retórico dos debates políticos, tem problemas sérios para ganhar discussões de política econômica, quando é preciso deixar o universo impressionista das generalidades e frases de efeito.

Vem daí, na verdade, a dificuldade da campanha do PSDB para “desconstruir o senso comum.”

Em sua última tentativa para encontrar um lastro compreensível nessa área, Aécio procurou colocar-se como herdeiro de outro personagem, Juscelino Kubistcheck. É espantoso.

Traduzindo para 2014 um debate da segunda metade da década de 1950, é fácil entender que o governo JK foi exatamente o oposto daquilo que Armínio Fraga defende e Aécio aprecia. A maior semelhança entre os dois é o fato de terem nascido em Minas Gerais. Como Dilma, aliás.

JK fez um governo desenvolvimentista, com forte presença do Estado na economia. Enquanto Aécio fala em se reaproximar dos mercados financeiros, Juscelino rompeu com o FMI. Fez isso quando este se tornou um entrave ao crescimento, cobrando uma política de corte de gastos e austeridade levaria ao desemprego e a recessão. Sabe por que?

Porque dizia que a inflação estava alta demais e era preciso cortar o crescimento.

Apesar de uma inflação anual média de 25%, que não era pequena, vamos combinar, JK foi terceiro presidente mais popular da história brasileira, só atrás de Lula e Getúlio Vargas. Imagine os editoriais, as denúncias.

Na campanha de 1960, Carlos Lacerda e a UDN forneceram as bandeiras de Janio Quadros: a luta contra a inflação e o combate a corrupção. Aquilo que hoje se fala sobre a Petrobrás se dizia da construção de Brasília. Depois do golpe de 64, o regime cassou JK e abriu um IPM para tentar que fosse preso.

Este é o problema: a imagem positiva que JK deixou junto a maioria dos brasileiros não combina com o texto político da campanha do PSDB, que foi inspirada pela cartilha dos inimigos de Juscelino.

Guru ideológico dos assessores econômicos de Aécio, no livro “Lanterna de Popa” o ex-ministro Roberto Campos usou contra JK as mesmas palavras que Aécio e seus aliados empregam contra Dilma e Lula.

Roberto Campos fala de “populismo” e “desenvolvimentismo” como se fossem doenças tropicais contagiosas. Referindo-se aos conflitos com o FMI, descreveu que “Kubistchek rompeu com o FMI, em 1959, porque os programas de austeridade interferiram em seus sonhos desenvolvimentistas. ”

Para Roberto Campos, “tanto o desenvolvimentismo como o populismo “acabaram se refugiando no ancoradouro emocional do nacionalismo radical.”

Assim fica difícil “descontruir a ideia de que o que é bom para o mercado é ruim para o voce e vice-versa,”concorda?

Assim também fica fácil entender por que Aécio se apresenta como candidato da mudança — mas não diz o que vai mudar, para que, em benefício de quem.

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Trackings do PT dão vantagem pra Dilma, mas São Paulo preocupa


O PT está realizando dois trackings diariamente. Num deles a vantagem de Dilma é de 1 ponto sobre Aécio. No segundo, o resultado é um pouco mais folgado, 47 a 43. Ou seja, de quatro pontos. O que impressiona neste segundo tracking, ao qual o blogueiro teve acesso a informações mais detalhadas, é a vantagem de Aécio sobre Dilma em São Paulo.

No estado, ele teria 58% contra 29% da presidenta. Se computados somente votos válidos, Aécio ficaria 66% contra 34% de Dilma. Caso venha a se repetir a mesma quantidade de votos válidos do primeiro turno, 23 milhões de votos, isso significaria uma diferença de aproximadamente 7 milhões de frente para o o candidato tucano. Ele ficaria com 15 milhões de votos e Dilma algo próximo a 8 milhões.

Essa vantagem  é algo absolutamente fora da curva de todas as outras disputas anteriores. Este blogue não tem dúvida de que há espaço para Dilma recuperar terreno no estado, mas para isso Haddad, Marta, Suplicy, Mercadante e Padilha teriam que se jogar nas ruas nos próximos dias em ação conjunta com todos os prefeitos da grande São Paulo e das grandes cidades do estado que apoiam a presidente e fazer um verdadeiro arrastão eleitoral.

Sem isso, São Paulo pode se tornar o Nordeste ao avesso de Dilma. Tudo que for conquistado lá, por ser perdido aqui.

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Marina Silva, descansa em paz!

Pataxó
Acabou Marina Silva (1958-2014). Fundadora da Central Única dos Trabalhadores e organizadora do PT, além de amiga e fraternal companheira do líder seringueiro Chico Mendes, Marina Silva foi durante anos, dentro do campo da esquerda brasileira, a representante de uma utopia que tentou conciliar três vetores quase sempre desalinhados: o desenvolvimento econômico, a inclusão social e o respeito ao meio ambiente e às populações tradicionais.

Sua saída do PT, em 2009, empobreceu o partido e o debate interno sobre qual caminho seguir na busca por um mundo mais justo e solidário.

A figura frágil — sobrevivente da miséria dos migrantes recrutados para trabalhar na extração da borracha; nascida em uma família de onze irmãos (da qual oito se criaram); órfã aos 15 anos; sonhática (conforme a auto-definição); vítima da malária, da intoxicação pelo mercúrio dos garimpos e da leishmaniose (doenças da extrema pobreza) — pereceu no domingo, 12 de outubro, depois de lenta agonia.

Foi nesse dia que ela formalizou seu apoio ao tucano Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais, contra a candidatura da petista Dilma Rousseff.

Como membro do Partido dos Trabalhadores, onde militou durante 23 anos, Marina ajudou a eleger e a implantar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em que exerceu o cargo de ministra do Meio Ambiente durante cinco anos e quatro meses. Foi um período importante, que consolidou as condições para o Ceará, terra dos pais de Marina, crescer mais velozmente do que a média nacional — 3,4% ao ano, contra 2,3% da média nacional.

Anos também importantes para o Nordeste como um todo, que deixou de ser exportador maciço de mão-de-obra, já que criou oportunidade de emprego e renda “como nunca antes”. Só para efeito de comparação, ainda hoje a atividade econômica nordestina cresce acima de 4% (nos cinco primeiros meses de 2014), resultado superior à média nacional (0,6%), segundo o Banco Central.

Exemplo de superação das dificuldades, Marina Silva conta em sua biografia com uma passagem como empregada doméstica. Dureza. Mas a contribuição de Marina no fortalecimento do governo do primeiro operário na Presidência ajudou a mudar a situação das empregadas domésticas.

Primeiro com a valorização do salário mínimo, que passou de R$ 200, no último ano do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, para os R$ 724 atuais.

Depois, com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição das Empregadas Domésticas, de 2013, que ela, com seu exemplo e luta a favor dos oprimidos, ajudou (ainda que indiretamente) a garantir.

Mais de um século depois da Abolição da Escravatura, 7,2 milhões de empregados domésticos brasileiros foram incluídos na categoria de cidadãos dotados de mínimos direitos trabalhistas, entre os quais o controle da jornada de trabalho, definida em oito horas diárias.

Além disso, a categoria começou a receber horas extras, remuneradas com valor pelo menos 50% superior ao normal.

Marina estudou muito, de modo a formar-se como historiadora, professora e psicopedagoga, em uma época em que o país só oferecia aos membros da elite branca a possibilidade de conquistar um diploma de nível superior.

Como membro do Partido dos Trabalhadores e afrodescendente, Marina ajudou a fazer a revolução educacional que aumentou o acesso dos mais pobres e morenos aos bancos universitários. Pela via da ampliação no número de vagas nas universidades federais, do ProUni e do Fies, o número de vagas no ensino superior mais do que duplicou de 3,5 milhões (em 2002) para 7,1 milhões (em 2013).

Uma vida de vitórias, exemplos e superações.

Mas Marina Silva acabou no domingo 12 de outubro, quando virou as costas para sua própria trajetória ao declarar voto no candidato Aécio Neves, o representante de uma política econômica ostensivamente contrária à valorização do salário mínimo e à ampliação das políticas sociais e de inclusão.

Com o capital eleitoral que conseguiu reunir no primeiro turno (21,32 % do total de votos, ou 22.176.619 eleitores), Marina poderia ajudar sua Rede Sustentabilidade a se consolidar como a tal terceira via de que tanto falou antes.

Ela preferiu juntar-se a forças bem conhecidas dos brasileiros: Que criminalizam os movimentos sociais; que atentam contra a liberdade de imprensa; que são apoiadas pela chamada “Bancada da Bala”, por Silas Malafaia e por Marcos Feliciano.

Sem contar que os votos de Levi Fidelix (PRTB, o idiota que fez do aparelho excretor um programa de governo) devem ir para Aécio também.

Marília de Camargo César, autora da biografia “Marina: a vida por uma causa” (editora Mundo Cristão, 2010), conta que, diante de um problema de difícil resolução, a ex-ministra costuma praticar a “roleta bíblica”, que consiste em abrir a Bíblia aleatoriamente, para saber o que Deus recomendaria na situação.

Não é difícil imaginá-la nesse mister quando ela se saiu com a ideia de pedir que o PSDB reconsiderasse a campanha pela redução da maioridade penal, como condição sine qua non a seu apoio. Aécio respondeu sem pestanejar: não! E assim acabou-se mais uma convicção “firmíssima” de Marina.

Descansa em paz, Marina!

Laura Capriglione
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Recordar é viver: Em 2012, Dilma demitiu o Paulo Roberto, “o dedo-duro premiado”, da Petrobras

O Estado de S.Paulo, de 25 abril de 2012.
Agora está tudo explicado. Após a dica de Stanley Burburinho, no Facebook, foi possível “desvendar oficialmente” quem demitiu o diretor Paulo Roberto Costa, da Petrobras. O “dedo-duro premiado” era funcionário de carreira da empresa, nomeado por Fernando Henrique Cardoso em seu governo (clique aqui). Agora, na véspera do 2º turno das eleições presidenciais, a “grande mídia” tenta criar um factoide para prejudicar a candidata Dilma Rousseff, que foi quem o demitiu. A notícia sobre sua exoneração foi veiculada no jornal O Estado de S.Paulo, de 25 abril de 2012, e dois dias depois confirmada pelo blog Petronotícias, especializado em notícias dos setores de petróleo, gás e energia. A seguir, leia a íntegra do texto.


Petrobras_Paulo_Roberto03Como previsto, após uma reunião da diretoria da Petrobras, foram anunciados os nomes dos diretores desligados da quarta maior petrolífera do mundo. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento, Renato Duque, de engenharia e Jorge Zelada. Nenhuma surpresa para os visitantes do Petronotícias.

Hoje, os três diretores se despediram do comando da empresa. Duque e Zelada saíram por decisão do Conselho. Paulo Roberto Costa (foto) foi demitido diretamente por Graça Foster, que deve chamar alguém de sua confiança. Ele deu adeus, mas disse que não compreendeu o motivo de sua demissão. Graça já havia mencionado o desejo de eliminar ligações partidárias entre as diretorias da empresa e está movimentando suas cartas, para desgosto dos partidos políticos que já obtém nomeações do PT e do PMDB.

Permanece o sigilo sobre o nome dos substitutos, que deverão vir de dentro da empresa. Um diretor da Petrobras recebe pelo menos R$1,12 milhão por ano. Em 2011, a remuneração máxima chegava a R$1,6 milhão por ano. Entre os nomes cogitados está o do gerente do Centro de Pesquisas da Petrobras, Carlos Tadeu da Costa Fraga. Para a vaga de Zelada, correm os nomes do gerente executivo de Novos Negócios da Área Internacional, Publio Bonfadini e do presidente da Petrobras Chile, Otávio Ladvocat. Além desses, tem Luiz Eduardo Valente Moreira, atual gerente executivo de Gás-Química e Liquefação. Ele é amigo pessoal de Graça e pode substituir Costa no Abastecimento.

Na coletiva que concedeu após a cerimônia que sacramentou sua posse, Graça Foster afirmou que não é muito de mudar nomes. Não é o que parece. Desde que tomou o crachá de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da estatal, Graça trocou várias cadeiras.

José Formigli assumiu a diretoria de exploração e produção que era de Guilherme Estrella. José Alcides foi para Gás e Energia, José Eduardo Dutra assumiu um cargo criado e agora os executivos Duque, Costa e Zelada dão adeus. Isso em um pouco mais de dois meses. O único diretor da Petrobras remanescente da gestão de Gabrielli é Almir Barbassa, que, digam-se as más línguas, já está na mira de Graça.

No Limpinho&Cheiroso
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Pra matar coxinhas: FHC emprestou dinheiro à Cuba

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O príncipe que virou sapo

Conforme previsto, boa parte da campanha eleitoral vem sendo dominada por vazamentos seletivos sobre a Petrobras. Neles ressaltam a falta de cuidado quanto às circunstâncias e alcance do que falam os "delatores". Um áudio ali, uma declaração aqui, documentos secretos acolá — vale tudo. O julgamento parece estar feito.

Personagens surgem e desaparecem subitamente. O ex-candidato Eduardo Campos era um dos citados nas "denúncias" sobre propinas. Pois bem, o nome dele sumiu como que por encanto. Será que a evaporação tem a ver com o apoio do que sobrou do PSB a Aécio Neves? Cada um pense o que quiser.

Mas quem tocou no ponto central foi um candidato fora da cédula: Fernando Henrique Cardoso. Num tom quase que acusatório, disse que o voto do PT vem dos pobres. Claro, tentou tucanar o próprio preconceito. "O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres [sic]. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados".

Bem, caro ex-presidente, e antes, como explicar seus votos no Nordeste à custa de alianças com o finado PFL e oligarquias reacionárias? Pelo mesmo raciocínio, pode-se chegar à conclusão de que a derrocada tucana começou depois que os pobres se informaram. E não gostaram do que viram. Ou seja, o contrário do que deduz o ex-presidente. Isso sem falar que os bem ou mal informados, tanto faz, derrotaram o genérico Aécio em plena Minas Gerais. Danem-se as urnas: o outrora festejado "príncipe dos sociólogos" escolheu inverter a fábula e se transformar em sapo dos endinheirados.

Talvez o que mais incomode não seja propriamente a decomposição intelectual. É a soberba quando se trata de dar aulas de ética, moral e bons costumes. FHC protagonizou um dos maiores estelionatos eleitorais: promoveu a desvalorização abrupta do real, negada de pés juntos por ele durante a campanha de 1998. Para aprovar a reeleição, o esquema oficial subornou parlamentares a peso de ouro. Sua obsessão privatizante nem sequer gerou dinheiro em caixa, ao menos para o contribuinte honesto. Pelas contas do jornalista Aloysio Biondi, a liquidação estatal deu um prejuízo de cerca de R$ 2,5 bilhões ao povo. Para quem se interessar, os números estão lá, na página 100 do livro "O Brasil Privatizado".

Aécio parece ir pelo mesmo caminho. Inútil perder tempo com as caudalosas entrevistas do candidato. Bastam alguns exemplos de disparates. Com a modéstia habitual, Aécio compara sua candidatura ao movimento que derrubou a ditadura militar! Diz ainda que fará um governo dos pobres (mal ou bem informados?) e que pretende ser o presidente da educação. Silencia sobre o fato Minas Gerais pagar aos professores, com base na contabilidade criativa tão criticada pelos tucanos, um piso inferior ao nacional. Chega a afirmar que obras como o aeroporto familiar construído com dinheiro público visaram ao interesse coletivo. Parece galhofa.

Quantos ministérios vai cortar? A gasolina custará quanto? Quantos cargos serão eliminados? Respostas: "Não posso antecipar cenários específicos", "no momento em que anunciar o novo desenho da máquina pública", "encontraremos o caminho legal adequado". Para fechar com chave de ouro, diz opor-se "violentamente a qualquer tipo de cerceamento de liberdade [...] em especial a liberdade de imprensa." Os jornalistas de Minas que o digam.

Enfim, declarações que soam tão verdadeiras quanto a marquetagem do choque de gestão aecista. A esse respeito, vale ler a manchete da Folha deste domingo (12). O perigo é se informar e trocar de candidato.

Ricardo Melo
No fAlha
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