12 de out de 2014

Evo Morales é reeleito na Bolívia

"Este triunfo queda dedicado a Fidel Castro, a Hugo Chávez"

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Houve fraude eleitoral ou na pesquisa de boca de urna?

Podemos ter assistido dia 05 a mais ousada e maciça fraude da história das eleições majoritárias brasileiras. Não tema os cínicos. Fale em voz alta. Isso não é uma estória de Harry Potter como a mídia quer fazer parecer. O nome do vilão não é Voldemort. Não, não é Sarney, Maluf, Bolsonaro, nem mesmo Eduardo Cunha. O nome do vilão é ‘urna eletrônica brasileira’, a única do mundo que é totalmente invulnerável à fiscalização.

Em 2010, previ em artigo que o segundo turno traria, como tem sido tradicional desde 1998, um resultado negativo para a esquerda no limite da margem de erro da pesquisa de boca de urna do Ibope e positivo para a direita  no mesmo limite, ou seja, dois por cento.

Foi o que aconteceu. Desta vez, no entanto, errei. Previ o mesmo limite no desvio do resultado, mas o que aconteceu agora foi selvagem. O resultado de Aécio foi muito além da margem de erro do Ibope, 3,5% além do previsto, e o de Dilma aquém, 2,5%.

Isso sem contar com o fato de que os levantamentos dos trackings e as próprias pesquisas Ibope e Datafolha de um dia anterior indicavam Aécio empatado com Marina… No dia seguinte, 12 pontos de diferença… O que uma noite não faz, não é mesmo? A questão é: faz o que, e aonde?

Mas vamos nos ater à boca de urna, porque a análise de seus números prova friamente que há fraude, em algum lugar. Quando falamos que uma pesquisa tem confiabilidade de 99% e margem de erro de 2% (o que foi o caso da boca de urna do Ibope), isso significa que o estado real das opiniões tem 99% de chances de estar no intervalo entre 2% a menos e 2% a mais que a previsão.

Em outras palavras, Aécio tinha 99% de chances de estar entre 28% e 32% dos votos. As chances dele ter mais que 32% eram de 0.5% (de ter menos idem). Ele teve 33,5%. 1,5% além da margem de erro. E pior do que isso: o outro “erro” foi justamente sobre os índices de Dilma. Ela teve 0,5% além da margem de erro. Pra menos. A chance de isso acontecer ao acaso? Grosseiramente, é bem menor do que 0,005 x 0,005: em outras palavras, menor do que 0.000025.

Isso é particularmente grave se considerarmos as características da pesquisa de boca de urna, e dessa em particular.

A boca de urna não sofre influência das abstenções, nem de mudanças de opinião posteriores, pois pergunta somente em quem a pessoa acabou de votar. E essa pesquisa entrevistou simplesmente 64.200 eleitores de todas as regiões do país.

Como a matéria do Estado de Minas (jornal que apóia Aécio) lembra muito bem, apesar de o Ibope ter “prudentemente” declarado uma margem de erro de 2%, uma amostra desse tamanho em relação ao eleitorado brasileiro tem, na verdade, margem de erro de somente 0,5%. O que aconteceu, é realmente incrível. E nem estamos aqui calculando a probabilidade desse desvio em relação à distância do resultado da margem de erro: quanto mais distante, mais exponencialmente irrelevante a possibilidade da ocorrência ao acaso.

Mais uma vez, saíram artigos na imprensa, como o artigo acima citado, falando da falência dos institutos de pesquisa, como acontece desde 82 com o caso Proconsult. O que convenhamos está além do patético. O PSDB, como faz desde 1998, declara que a verdadeira pesquisa é a das urnas, como se o Ibope e o Datafolha trabalhassem contra ele. Acreditar nisso, está além do ridículo. E a esquerda, como faz desde que perdeu Brizola, se cala. O que está além da covardia. Na verdade, imaginem: com a quantidade de processos que qualquer candidato sai de uma eleição, quem denunciará o TSE?

Vamos recapitular os últimos anos dessa curiosa impossibilidade estatística. Notem que a diferença na “margem de erro” sempre sai do PT para o adversário.

fraude

Se nós estamos falando de algo que tem 0,0025% de chances de acontecer ao acaso somente nessa eleição, imagine a probabilidade de isso ter acontecido ao acaso junto com os “erros” acima da margem de erro de 2010 (menos 4% pra Dilma) e de 2006 (mais 3,6 para o Alckmin). Acho que não é necessário mais fazer contas, não?

Mas se você acha tudo isso incrível, ainda não se apercebeu dos maiores absurdos dessas eleições.

Resultados virtualmente impossíveis aconteceram em todo país. A avalanche absurda de 40,4% dos votos em Sartori no Rio Grande do Sul, por exemplo, quando o resultado previsto na boca de urna era de 29%. É isso mesmo. A boca de urna (de 99% de confiabilidade) dava Genro (PT) 35%, Sartori (PMDB) 29%, Amélia (PP) 26%. As urnas deram Sartori 40,4%, Genro 32,5% e Amélia 21,7%. Não existem espaços nessa linha para os zeros que teríamos que escrever para expressar a probabilidade disto ter ocorrido ao acaso.

Olívio Dutra, também no RS, perdeu absurdamente a vaga no senado, depois de a boca de urna ter indicado sua vitória por 6% de diferença.

No Rio, nada menos que 8% dos votos parecem ter sido transferidos de Garotinho para Pezão e Crivella, materializando uma impossível (para quem conhece a política do Rio de Janeiro) ausência de Garotinho no segundo turno. Garotinho saiu da boca de urna com 28% e das urnas eletrônicas com 19,75% (será que todo político que enfrenta a Globo no Rio é alvo de fraude como foi Brizola?). Pezão teve mais 6% e Crivella mais de 2%, todos acima da margem de erro. No caso de Pezão e Garotinho, impossivelmente além da margem de erro. Em Minas Gerais, a vantagem que o Ibope registrou na boca de urna para Pimentel (PT) sobre Pimenta da Veiga (PSDB) se transformou de 53 a 37 para 53 a 42. E assim, a nave foi por todo país.

Há muito, muito mais barbaridades localizadas nessas eleições, e eu só estou considerando aqui aquelas que a boca de urna revelou. Mas a avalanche de Aécio em SP em 24 horas, a perda do PT no ABC, a derrota acachapante de Marina para Aécio em 48 horas, tudo isso é parte do terreno da literatura fantástica. Curiosamente, de todas essas surpresas, só uma a favor do PT: a de Rui em Salvador. A exceção que confirma (mascara) a regra? E se isso ocorreu na majoritária, porque será que temos o congresso eleito mais fisiológico de todos os tempos?

Pra mim, e pra muitos brasileiros, há algo errado com as urnas eletrônicas, não com as pesquisas de boca de urna.

No mínimo, esse erro é o STF bloquear a impressão de voto, usada em todo lugar do mundo onde se usam essas urnas, já aprovada no congresso e sancionada pela presidente. Ou em o TSE se negar a levar as urnas brasileiras, que são as mais inseguras do mundo, duas gerações à frente, como as fantásticas urnas argentinas.

Como negar ao brasileiro o direito de recontar seus votos? Isso é um crime em si mesmo contra qualquer processo democrático, e, sozinho, deveria provocar a indignação de qualquer cidadão. O sistema eleitoral brasileiro é um ultraje, rejeitado o mundo inteiro, até pelo Paraguai.

O estado das coisas se torna mais chocante com a quantidade de denúncias de fraude abafadas pela imprensa e o fato de o TSE ter terceirizado a operação das urnas nesta eleição de 2014 para empresas privadas. No fim de 2012, um hacker, em audiência pública, com a presença de deputados e vereadores, simplesmente confessou, com riqueza de detalhes, como ajudou a fraudar as eleições de 2010 no Rio de Janeiro. Incrivelmente, sua denúncia não foi apurada, a imprensa não publicou nada, a polícia não o prendeu e o TSE não se manifestou.

Ninguém aqui nega a reação conservadora nem o crescimento do sentimento anti-PT na sociedade. Mas para além disso, a maioria dos que acompanham as eleições cuidadosamente, tem algum nível de dúvida sobre seu resultado. Você pode dar de ombros e dizer que essa é uma teoria da conspiração, choro eleitoral, fanatismo, que Aécio subiu em 72 horas 14,5% sem nenhum fato novo, ou 24% em São Paulo em 24 horas (1% por hora!) porque as pessoas acordaram diferente, que Sartori ganhou 14 pontos em 24 horas no RS pelo mesmo motivo e assim por diante.

Eu só advirto que só restam duas possibilidades na mesa: ou o Ibope fraudou as pesquisas de boca de urna sem qualquer objetivo eleitoral e arruinou voluntariamente sua reputação, ou o Brasil viveu sua maior e mais escandalosa fraude até hoje. Escolha que teoria da conspiração lhe parece mais racional, porque, é só o que tem pra hoje. O acaso e o erro, estatisticamente, não são alternativa. Na verdade, não há qualquer terceira alternativa.

Gustavo Castañon, Doutor em Psicologia e Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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2018

Em 2010, na campanha eleitoral, eu ouvi que o melhor controle social da mídia seria o controle remoto.

Acontece que o oligopólio da mídia tem várias cabeças, mas fala uma só língua. E de pouco adianta mudar o canal.

Em 2013, lá na Quadra dos Bancários, durante o ato de inauguração do XIX Encontro do Foro de São Paulo, eu ouvi que os jornais estariam superados, que o futuro seria digital etc e tal.

Acontece que as redes não são tão democráticas e neutras como parecem ser. E, sem redações permanentes de nosso lado, quem define a pauta é o lado de lá. E se jornais e revistas semanais fossem instrumentos dispensáveis na luta política, por quais motivos a classe dominante investe tanto nos seus?

No início de 2014, eu ouvi que "venceríamos no primeiro turno", até porque nossos inimigos seriam "anões políticos".

A crença na vitória em primeiro turno eu já conhecia, de 2006 e de 2010. Nos dois casos, só serviu para produzir desânimo na tropa, quando chegou o segundo turno.

Já quanto aos "anões políticos", bom...

Aécio é um playboy, o candidato perfeito dos coxinhas e das madames. Mas não é a primeira vez que a direita brasileira recorre, no desespero, a "salvadores da pátria". Ademais, como subestimar um inimigo que prosseguiu mesmo quando viu sua campanha virando pó?

Lá para maio de 2014, foi a época das ilusões na chamada terceira via.

Havia de tudo: os que achavam que a terceira via não ia ter candidato, os que achavam que se tivesse não decolaria, os que achavam que se decolasse poderia ser até melhor, os que achavam que a candidatura da terceira via poderia nos apoiar contra os tucanos....

Hoje sabemos onde foi parar a terceira via.

A partir de setembro de 2014, foi a vez das pesquisas. Cada uma que saia apontando que podíamos ganhar no primeiro turno, consumia energias imensas em discussões infindáveis...

Agora, o mesmo: cada pesquisa que sai, gera também discussões infindáveis, consumindo energias que poderiam ser melhor aplicadas no debate político com a população.

Existem os que acreditam que, com nossos 10 minutos no programa de TV, seremos capazes de responder-bem-respondido cada uma das acusações feitas nas demais 23 horas e 50 minutos da programação...

Melhor, penso eu, utilizar nosso tempo demarcando os dois projetos e apontando ações de futuro que empolguem a classe trabalhadora, os setores populares, a juventude, as mulheres, os setores progressistas e de esquerda, todos os setores que vão garantir a nossa vitória.

Mas a pior das ilusões é a que ouvi, talvez não por coincidência, no Dia da Criança: se viéssemos a perder as eleições agora, voltaremos em 2018.

Bom, todo mundo é livre para sonhar. No caso, me fez lembrar uma história ilustrada da Segunda Guerra, da editora Renes, que eu lia quando tinha uns 10 anos.

Eram vários títulos: Tobruk, Guadacanal, Comandos, A batalha das Ardenas, O Dia D...

Dentre tantos, me impressionaram muito os que contavam a história da invasão da URSS.

No começo, os nazistas entraram com tudo. Mas a partir de certo momento, a resistência foi crescendo e a ofensiva nazi foi perdendo energia.

Há mil e uma razões para isto. Mas nos livrinhos da Renes, era citada uma que nunca esqueci: os nazistas eram muito cruéis.

Cruéis com o povo, pois eles consideravam que os eslavos eram um povo inferior. Para usar a linguagem dos coxinhas, os eslavos eram "nordestinos".

E cruéis com os oficiais do Exército e com os militantes do Partido, para quem havia ordens de fuzilamento sumário. Para usar a linguagem das madames, eram "petralhas corruptos".

A crueldade nazista era tamanha, que num determinado momento da guerra não era mais necessário convencer ninguém: cada cidadão soviético, cada soldado raso, cada dirigente do governo ou do exército, sabia que a luta era de vida ou de morte.

Ou derrotavam os nazistas, ou seriam transformados em escravos por muitas e muitas gerações.

Acho que esta convicção, entranhada em cada indivíduo, motivou boa parte da bravura, do empenho, do espírito de sacrifício, de milhões de combatentes que, no final das contas, ganharam a guerra e derrotaram os nazistas.

Isto posto, a quem fica se iludindo sobre 2018, eu prefiro dizer o seguinte: esqueçam disto.

Se um feitiço entregasse a presidência ao playboy dos coxinhas e das madames, não acredito que viveremos quatro anos normais e depois uma "eleição limpa".

Se um feitiço entregasse a presidência ao playboy dos coxinhas e das madames, o mais provável é que inicie um período de muitos anos de perseguição contra o povo, contra os sindicatos, contra os movimentos sociais, contra a esquerda, contra o PT e especificamente contra Lula.

As elites aprenderam com 2005. Naquele ano, eles acharam que nós íamos sangrar, sangrar e perder nas eleições. E, de fato, nós sangramos, sangramos, mas também lutamos e ganhamos em 2006 e 2010.

Agora, se um feitiço desse a eles a oportunidade, é muito pouco provável que eles cometam o mesmo erro. Pelo contrário, vão tentar processar e condenar o maior número possível de lideranças deste Partido. A começar por aquela que é a mais querida pelo povo brasileiro.

Por isto, prefiro não alimentar nenhuma ilusão sobre 2018.

Melhor contar a verdade para nossos militantes, para nossos eleitores, para nosso povo. Para que cada um de nós dedique tudo de si para reeleger Dilma Rousseff.

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O juiz da conjuntura e a conjuntura do juiz


Candidatura a uma vaga no STF — a ser definida depois da eleição — permite questionar atuação de ministro responsável pela Operação Lava Jato.

Se é fácil entender a natureza explosiva dos depoimentos sobre a Petrobras que chegaram à Tv, na conjuntura de um país que dentro de quinze dias irá votar para presidente da República, também é conveniente avaliar a conjuntura do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato.

Embora nenhum presidente da República já tenha indicado ministros para o STF com base em listas corporativas, em agosto o nome de Sérgio Moro surgiu numa lista de três nomes da Associação de Juizes Federais, a AJUFE, que mobilizou seus associados para criar uma lista tríplice de candidatos mais votados para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria de Joaquim Barbosa. Numa relação na qual nenhum nome é incluído sem consentimento do próprio interessado, Sérgio Moro foi o mais votado, com 141 votos.

Nem todos observadores consideram que se trata de simples coincidência. Uma postura espetaculosa até o dia da eleição, favorecendo a criminalização do governo Dilma Rousseff numa investigação que está longe, muito longe de encerrada, pode ser motivo de recompensa depois da contagem dos votos.

Começando pelo começo. A Lei 12 850, de 2013, contém uma seção específica sobre Colaboração Premiada. O parágrafo 2o. diz que “o acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia.” No parágrafo terceiro, marca-se um prazo para o fim do segredo: “o acordo deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia.”

Isso acontece porque o Estado tem o dever de proteger cidadãos que decidiram colaborar com a Justiça e deve evitar que sejam expostos publicamente. Também deve manter as revelações em segredo, única forma de impedir que os demais implicados possam destruir provas e construir álibis forjados unicamente para responder às denúncias conhecidas de antemão.

Tanto a lei 12850 como a experiência juridica mais elementar permitem questionar a divulgação dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff sobre corrupção na Petrobras, gravados e divulgados quando os dois se encontravam na condição de colaboradores da Justiça. Neste papel, que pode assegurar a porta da liberdade para pessoas que a Lei poderia condenar inicialmente a 50 e até 100 anos de prisão, cada palavra, cada sentença, cada vírgula, tem um significado e uma função. “O sigilo está na essência da delação premiada, “afirma o assistente de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

A própria presidente da República, Dilma Rousseff, tentou obter a íntegra dos documentos que dão base à delação premiada de Yousseff e Paulo Roberto Costa. Fez o pedido ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República. Os dois pedidos foram recusados, o que deixou a República brasileira numa situação institucional insólita. Enquanto informações que deveriam ser mantidas em segredo são divulgadas a conta gotas, por decisão de um juiz de primeira instância, a presidente da República é prejudicada em seu dever maior, que é defender a Constituição. Dilma não fazia uma simples retórica eleitoral quando denunciou, referindo-se a seus adversários políticos: “Eles sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe.”

A autonomia das investigações policiais recomenda que se faça segredo — mesmo diante da presidente da República — até o início das operações. O pressuposto é que dessa forma é possível garantir que as investigações possam ser realizadas com mãos livres por parte de policiais que tentam cumprir o dever de investigar todos os suspeitos — inclusive o governo. Mas essa fase se encerra depois que são feitas prisões e operações de busca e apreensão. Isso porque não se pode imaginar que uma presidente possa ser mantida na ignorância sobre fatos e pessoas capazes de representar um risco para o país.

Depois que a própria Dilma Rousseff colocou a questão nestes termos, o juiz Sergio Moro distribuiu nota dando explicações.

O juiz prestou um esclarecimento importante. Explicou que não divulgou nem permitiu o vazamento de depoimentos que integram os arquivos da delação premiada. Isso seria um crime.

O que ele fez foi divulgar “depoimentos prestados em audência aberta e em ação penal pública, imperando os mandamentos constitucionais do contraditório e da publicidade.” Moro alegou ainda que em crimes “contra a Administração Publica a transparência nos processos e investigações é a única forma de garantir o controle da população sobre a gestão da coisa pública e sobre a ‘integridade da Justiça.” Disse também que a divulgação, pela imprensa, é um “consectário normal do interesse público e do princípio da publicidade dos atos processuais em uma ação penal na qual nãoi foi imposto segredo de Justiça.”

Os argumentos de Sérgio Moro seriam 100% coerentes — não fosse seu comportamento, de um magistrado que não exibe maiores compromissos com a isenção, à frente da lendária balança que simboliza a Justiça, mas coloca-se como parte do trabalho de acusação.

“Ele está agindo de forma apaixonada, sem isenção, com uma postura politizada muito clara,” afirma um integrante do Ministério Público Federal, onde já chegou o relato de que jornalistas que cobrem o caso em grandes veículos costumam ser abastecidos por um sistema de divulgação semelhante a das assessorias de comunicação, com notícias frescas e argumentos explicativos.

Entre juristas, considera-se uma extravagância que um magistrado, que mais tarde irá julgar dois acusados, promova uma audiência pública onde eles são orientados a dar depoimentos sob medida para serem divulgados em ambiente de escândalo. Pode-se imaginar quem, nessa situação, deixaria de atender toda e qualquer solicitação feita pela autoridade que na hora devida terá a palavra final sobre sua liberdade.

No STF e especialmente na sede da Procuradoria Geral da República, a gravação é vista como um atalho formal, destinado a contornar a lei 12 850. Os documentos originais da delação são mantidos num computador sem contato com a internet, em versão criptografada. Ao mesmo tempo, Sergio Moro alimenta os meios de comunicação com a coleta de depoimentos convencionais de toda Ação Penal, onde os delatores falam como se estivessem respondendo a um interrogatório igual a qualquer outro — quando todas as partes sabem de sua condição especial. A existência da gravação e a decisão de divulgá-las foi anunciada até no twitter.

Como você deve ter lido em outra nota neste espaço, para o professor Luiz Moreira, integrante do Conselho Nacional do Ministério Público, “é lamentável que o sistema de justiça produza essa anomalia e que um procedimento judicial cercado de técnicas sofisticadas de colhimento dos testemunhos simplesmente se volte contra a ordem judicial que determina seu sigilo.”

Outro aspecto é que Yousseff e Paulo Roberto Costa têm sido orientados a nada dizer sobre autoridades com direito a foro privilegiado, como ministros, senadores, deputados, governadores. A explicação é inacreditável: é que essas revelações iriam retirar o caso da guarda de Sérgio Moro, que ficaria obrigado a transferir o caso para o STF. E daí?, pergunta-se. Nada. É o que determina lei. O problema é político. No STF, dificilmente haveria lugar para um carnaval pré-eleitoral. Encarregado de acompanhar a Lava Jato, o ministro Teori Zavaski tem demonstrado uma postura zelosa e discreta.

É estranho que se procure, abertamente, dirigir fatos investigados de acordo com as conveniencias de uma autoridade encarregada de apurar e punir um delito, quando o enredo da investigação indica outros caminhos. O nome disso é bagunça institucional, uma situação intolerável, que deixou uma triste memória na AP 470, com distorções que resultaram num julgamento com penas fortes a partir de provas fracas, conduzido por um ministro-relator que esteve longe de exibir a postura equilibrada de magistrado, comportando-se como uma peça auxiliar e até principal da acusação.

A opção por um depoimento completo — o criptografado, inviolável — e uma segunda versão, pronta para divulgação, também permite uma seleção política de fatos e personagens. Os enredos podem ser modificados conforme as necessidades do momento.

Numa reportagem recente sobre o depoimento de Paulo Roberto Costa, Veja dizia que ele fez diversas acusações ao PSB e ao ex-governador Eduardo Campos. Parecia muito razoável, já que a usina Abreu Lima, centro de operações de Paulo Roberto Costa, foi construída em Pernambuco, com a indispensável participação do governo de Estado.

No depoimento divulgado na semana passada, as referências ao PSB e a Eduardo Campos sumiram. Aécio Neves tinha acabado de receber apoio formal dos socialistas. Será coincidência?

A presença de Alberto Yousseff ajuda a dar volume às denúncias divulgadas mas a decisão de aceitar um dos grandes doleiros do país no regime de delação premiada causa muita estranheza. Em 2002 Yousseff já havia colaborado com a polícia, durante a CPI do Banestado. Naquele momento, livrou-se das penas principais porque reuniu provas contra 60 doleiros menores, com os quais operava. Também admitiu ter movimentado US$ 5 bilhões em operações ilegais. Em função disso, recebeu os benefícios previstos em lei. Como é obrigatório em acordos desse tipo, assumiu o compromisso de que não iria mais envolver-se em atividades criminosas. Mas Yousseff não cumpriu essa parte, como as investigações de 2014 vieram a demonstrar. Mesmo assim, com a credibilidade em dúvida, conseguiu ingressar no programa de colaboração com a Justiça,”o que nunca imaginei que fosse acontecer depois que traiu o acordo de 2002,” afirma um dos responsáveis pelas investigações do Banestado.

Há menos de um mês, no julgamento de um habeas corpus, o Supremo anulou uma decisão de Sérgio Moro. Seria um caso trivial no judiciário, onde instancias superiores existem para modificar ou confirmar decisões dos patamares inferiores, não fosse pela linguagem particularmente dura dos ministros. Ricardo Lewandovski, que era o relator do caso, afirmou que “ele usurpou a competência” da instância superior. Celso de Mello, que também julgou o caso, disse que a decisão de Sérgio Moro foi um “ato absolutamente destituído de qualquer ortodoxia processual, na medida em que o magistrado federal de primeira instância procedeu a uma conduta de usurpação de competência deste Supremo Tribunal Federal.”

Em 2012, durante o julgamento da AP 470, Sérgio Moro tornou-se assistente da ministra Rosa Weber, que fez carreira na justiça do trabalho do Rio Grande do Sul. Partidário de punições duríssimas, o juiz logo caiu nas graças de jornalistas que fazem a cobertura do Supremo. Eles passaram a tratar Sérgio Moro como a eminência parda por trás das sentenças que a ministra apresentava em plenário. Embora tivesse interesse em permanecer no STF, chegando a enfrentar uma guerra nos tribunais para combinar o trabalho em Brasília com a devida carga horária como professor da Universidade Federal do Paraná, Sérgio Moro acabou retornando ao Paraná.

Na mesma semana em que os vazamentos da Petrobrás chegavam a TV e aos jornais — em breve, estarão no centro da propaganda política de Aécio — o PGR Rodrigo Janot decidiu arquivar a denuncia criminal sobre o aeroporto de Claudio. Sabe: aquela pista de 1 km que custou R$ 14 milhões ao contribuinte mineiro e hoje decora a fazenda de um tio do candidato do PSDB.

Não é a primeira vez que uma denúncia grave — embora a gravidade real dos fatos ainda não seja inteiramente conhecida — chega ao segundo turno de uma eleição presidencial. O retrospecto das campanhas presidenciais depois de 1989, quando o eleitor recuperou o direito de escolher presidentes pelo voto direto, parece ter formulado uma situação constante: nas vezes em que o Partido dos Trabalhadores teve chances reais de capturar — ou manter o governo federal — ocorrem eventos extraeleitorais capazes de interferir no resultado da eleição. Foi assim em 1989, 2002, 2006 e agora, em 2014.

Só se respirou uma situação que se pode chamar de normalidade em ocasiões onde a vitória do PSDB parecia assegurada — em 1994 e 1998 — ou em 2010, quando o candidato do PSDB não empolgava sequer os próprios aliados. Em 2012, ano de eleições municipais, que ocorreu o julgamento da AP 470. As principais sentenças, em ambiente de triunfo, foram anunciadas às vésperas da votação. Decisões que representavam garantias de direitos dos réus, como o desmembramento do julgamento foram evitadas com o argumento de que não se deveria atrasar a decisão.

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Bláblá: não subo no palanque do PSDB nem…


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DataCaf: Dilma já virou

Desconstrução do Aecioporto funciona.


Como se sabe, a batalha Dilma x Bláblá poupou aquele que não tem autoridade moral para falar de corrupção.

Começa a dar resultado a exposição do verdadeiro perfil do rapaz que nunca trabalhou — e foi vice presidente da Caixa quando ainda não tinha barba — e de seu ministro da Fazenda suspeito de ser cidadão americano.

Tem que bater, que eles se desmontam.

Resultado:

No consolidado de ontem, empate rigoroso (um de frente pra Dilma no espontâneo).

Na parcial de hoje, três de frente pra Dilma na estimulada.

Não esquecer que o Globope e sua subsidiária na Fel-lha foram os maiores derrotados do 1º turno.

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Ninguém tem o direito de se surpreender com o apoio de Marina a Aécio

Ela
Marinistas ou antimarinistas, dilmistas e aecistas, alienados, cientistas políticos, direitistas, esquerdistas, libertários, ufologistas — ninguém tem o direito de se surpreender com a decisão de Marina Silva de apoiar Aécio Neves.

Um dos atributos de se colocar acima da política, acima de direita e esquerda, além do bem e do mal, é ter uma espécie de salvo conduto para justificar qualquer coisa.

Sim, o PT e o PSDB eram a polarização desprezível que ela condenava. Mas, ao declarar o voto em Aécio, ela não está sendo contraditória. Longe disso. “O que nós estamos fazendo é inaugurar, sim, a nova política. Todos estavam imaginando que seria apenas o apoio como sempre é feito. Mas foi feito em base de um programa [sic]. Como foi feita a aliança que eu e Eduardo Campos fizemos há um ano”, afirmou. “Em uma eleição em dois turnos, você toma uma decisão em relação àquilo que acha que é o melhor para o Brasil.”

É sua novilíngua em ação. Em 2010, Marina ficou neutra. Quem achou que ela fosse repetir a dose agora, quando a polarização tornou-se mais forte do que nunca, escutou a conversa de que Aécio fez as mudanças programáticas que ela pediu. Dilma teria sido responsável por um retrocesso na agenda ambiental — tema que ela, Marina, deixou de fora da campanha por absoluta vontade própria.

Aécio não topou o recuo na proposta de redução da maioridade penal, obra de seu vice Aloysio Nunes. De resto, aceitou a “flexão social” (termo cunhado pelo o coordenador da Rede Walter Feldman) das demais exigências de Marina.

Há aí também um forte componente de ressentimento. Marina guarda uma raiva do PT que não faz mais questão de esconder. Em seu pronunciamento, Marina se queixa dos “ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder”.

Sim, ela apanhou muito do PT. Mas, por esse critério, o PSDB não a poupou. Pelo contrário. Segundo o levantamento de uma agência de propaganda paulista, nos últimos dias do primeiro turno 60% das cotoveladas vieram do lado de Aécio.

De acordo com o Datafolha, 13% dos marinistas seguiriam à risca o voto da líder; 16% poderiam ser levados a escolher o candidato dela; para 67%, não faria diferença.

O endosso à candidatura conservadora de Aécio é apenas mais uma marinada, de tantas que ela deu nas eleições. Não há nada mais velha política do que ela. Por essas e outras, tem um futuro brilhante pela frente.

Kiko Nogueira
No DCM
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Falta de água e o crime da imprensa

A falta de água em São Paulo já atinge graus extremos, colocando em risco a própria saúde pública. Mesmo assim, a midiazona paulista não faz alarde sobre esta tragédia. A omissão é um verdadeiro estelionato eleitoral, mais um crime da velha imprensa. Ela visa livrar a cara do governador reeleito Geraldo Alckmin, do PSDB e, em especial, do cambaleante Aécio Neves. A Folha tucana publicou neste domingo (12) uma notinha, bem minúscula, informando que as torneiras já secaram até nos restaurantes de Pinheiros, bairro nobre da capital paulista. Vale conferir:

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Falta de água atinge restaurantes de Pinheiros por 8 horas

Restaurantes de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, ficaram sem água por ao menos oito horas neste sábado (11), segundo gerentes de estabelecimentos locais. Rogério Santana, do Consulado da Bahia, reclamou que o problema começou às 11h e não tinha sido resolvido até às 19 horas. A Sabesp informou não ter recebido reclamações da região, mas disse que enviou técnicos para vistoriar a rede. Em Campinas, metade do 1,2 milhão de habitantes ficou sem água entre o fim da tarde de sexta (10) e o sábado (11).


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Se a midiazona fosse menos partidarizada e seletiva, os relatos da falta de água já teriam resultado em manchetes nos jornalões e em críticas nos telejornais. Na semana passada, a própria presidente da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp), Dilma Pena, admitiu pela primeira fez que “existe, sim, falta de água”. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, ela confessou que o problema decorre da queda dos reservatórios do Sistema Cantareira, que abastece 8,8 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo. Ela só fez essa confissão três dias após a votação do primeiro turno, em mais uma prova do estelionato eleitoral que enganou tantos paulistas.

Num afronta à inteligência dos paulistas, a presidenta da Sabesp ainda tentou justificar a tragédia. Ela disse que “não existe racionamento, mas administração da disponibilidade da água”. Ela “tucanou” a falta de água e garantiu que o problema é pontual. Pesquisa Datafolha realizada em agosto, mas que teve pouco destaque nos jornalões e nas emissoras de rádio e tevê, evidenciou que a crise no setor não tem nada de “pontual”: 46% dos entrevistados relataram ao menos um corte de água nos 30 dias anteriores; em maio, 35% dos paulistas já tinham denunciado problemas.

A presidenta da Sabesp havia sido convocada para depor na CPI em setembro. Mas fugiu para evitar respingos — sem água — nas eleições. A mídia tucana, que adora promover a escandalização da política — mas sempre de forma seletiva —, não fez qualquer pressão sobre o governo Alckmin. Da mesma forma, ela segue evitando dar destaque ao assunto. Possivelmente, só vai tratar do tema com mais responsabilidade, tentando se apresentar como neutra, após o segundo turno das eleições presidenciais. E ainda tem gente que acredita na midiazona. É preciso ser muito tapado!

Altamiro Borges
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Sensus: uma história de fraudes


A história do Instituto Sensus está recheada de acusações de fraudes.

O próprio PSDB cansou de representar judicialmente contra o instituto. Uma pesquisa no Google mostra uma quantidade razoável de representações judiciais de tucanos contra o Sensus.

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De alguns anos para cá, porém, o PSDB fez a pazes com o Sensus, e passou a contratá-lo.

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O que leva um partido que, até ontem, acusava um instituto de praticar fraudes sistemáticas, a adotá-lo como seu instituto preferido?

Em maio de 2014, teríamos a primeira explicação para a súbita conversão do PSDB, de inimigo a cliente.

O Estadão, jornal ultra-tucano, mas que, de vez em quando, é acometido por alguns escrúpulos éticos, denunciou que o Sensus estava preparando uma pesquisa cuja metodologia beneficiava Aécio Neves.

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Foi o primeiro grande vexame dos institutos de pesquisa destas eleições, de uma série de muitos. Nenhum outro órgão de mídia, porém, deu bola para o assunto e a coisa morreu.

Agora, no segundo turno, eis uma segunda explicação, essa definitiva, para o ódio do PSDB pelo Sensus ter se transformado em amor.

O Sensus tem outros clientes interessantes:

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Observe bem. São as principais empresas estrangeiras interessadas em roubar nosso pré-sal. Quase todas petroleiras estrangeiras.

Há ainda a Telemig, até há pouco controlada por Daniel Dantas.

Há algum tempo, muitos temiam que houvesse um processo de “venezuelização” da política brasileira.

Bem vindos! Chegamos lá.

Em todas as eleições em que Chávez se elegeu com larga maioria dos votos, os principais institutos de pesquisa da Venezuela sempre apontavam larga vantagem para a oposição, semanas antes do pleito.

Estaremos vivendo a mesma angustiante experiência?

Suponho que sim.

Dilma sempre foi favorita para vencer estas eleições. Ganhou o primeiro turno com 43 milhões de votos. Aécio obteve 34 milhões de votos.

O Sensus está dizendo que Dilma não acrescentou um mísero votinho a seu capital eleitoral e que Aécio ganhou 30 milhões de votos?

Se um dia fizermos uma reforma política, teremos que debater a questão dos institutos de pesquisa. Eles terão de ser mais plurais (mais institutos), mais transparentes, mais imparciais. De preferência, temos de fundar institutos ligados a universidades, criar regras mais transparentes e mais rígidas, abrir financiamentos para a criação de mais pesquisas.

Hoje são todos financiados pelo mesmo cartel midiático. A Istoé, que pagou o Sensus, é quase uma filial da Globo em termos de opinião e publicidade.

Não estou dizendo: ah, é impossível Aécio crescer, Dilma vai ganhar, etc.

Não sou adivinho. Não sei quem vai ganhar as eleições. Na minha opinião, o quadro é apertado e qualquer um pode vencer.

Não escondo minha preferência: sou Dilma. Mas se o tucano ganhar, paciência. É democracia. Prometo respeitar a decisão do povo. Não vou reclamar de fraude, de nada.

Vou aceitar estoicamente e seguir fazendo meu blog, contando com a generosidade de meus leitores e assinantes.

Estou apenas dizendo que não dá para confiar mais em nenhum instituto de pesquisa.

Sobretudo naqueles que são clientes do PSDB, já beneficiaram o PSDB nessas eleições, e aparecem com números absurdos.

Próxima Sensus vai divulgar resultado antes de acabar

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Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Mensagem aos militantes do PSB e ao povo brasileiro

http://ramaral.org/?p=9256

A luta interna no PSB, latente há algum tempo e agora aberta, tem como cerne a definição do país que queremos e, por consequência, do Partido que queremos. A querela em torno da nova Executiva e o método patriarcal de escolha de seu próximo presidente são pretextos para sombrear as questões essenciais. Tampouco estão em jogo nossas críticas, seja ao governo Dilma, seja ao PT, seja à atrasada dicotomia PT-PSDB — denunciada, na campanha, por Eduardo e Marina como do puro e exclusivo interesse das forças que de fato dominam o país e decidem o poder.

Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores — entre os quais me incluo — e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática.

Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional.

Ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos, encampada após sua morte por Marina Silva, no sentido de enriquecer o debate programático pondo em xeque a nociva e artificial polarização entre PT e PSDB. A sociedade brasileira, ampla e multifacetada, não cabe nestas duas agremiações. Por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes. O Senador Capiberibe votou em Dilma Rousseff.

Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente.

Estamos em face de uma das fontes da crise brasileira: a visão pobre, míope, curta, dos processos históricos, visão na qual o acessório toma a vez do principal, o episódico substitui o estrutural, as miragens tomam o lugar da realidade. Diante da floresta, o medíocre contempla uma ou outra árvore. Perde a noção do rumo histórico.

Ao menosprezar seu próprio trajeto, ao ignorar as lições de seus fundadores — entre eles João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Miguel Arraes —, o PSB renunciou à posição que lhe cabia na construção do socialismo do século XXI, o socialismo democrático, optando pela covarde rendição ao statu quo. Renunciou à luta pelas reformas que podem conduzir a sociedade a um patamar condizente com suas legítimas aspirações.

Qual o papel de um partido socialista no Brasil de hoje? Não será o de promover a conciliação com o capital em detrimento do trabalho; não será o de aceitar a pobreza e a exploração do homem pelo homem como fenômeno natural e irrecorrível; não será o de desaparelhar o Estado em favor do grande capital, nem renunciar à soberania e subordinar-se ao capital financeiro que construiu a crise de 2008 e construirá tantas outras quantas sejam necessárias à expansão do seu domínio, movendo mesmo guerras odientas para atender aos insaciáveis interesses monopolísticos.

O papel de um partido socialista no Brasil de hoje é o de impulsionar a redistribuição da riqueza, alargando as políticas sociais e promovendo a reforma agrária em larga escala; é o de proteger o patrimônio natural e cultural; é o de combater todas as formas de atentado à dignidade humana; é o de extinguir as desigualdades espaciais do desenvolvimento; é o de alargar as chances para uma juventude prenhe de aspirações; é o de garantir a segurança do cidadão, em particular aquele em situação de risco; é o de assegurar, através de tecnologias avançadas, a defesa militar contra a ganância estrangeira; é o de promover a aproximação com nossos vizinhos latino-americanos e africanos; é o de prover as possibilidades de escolher soberanamente suas parcerias internacionais. É o de aprofundar a democracia.

Como presidente do PSB, procurei manter-me equidistante das disputas, embora minha opção fosse publicamente conhecida. Assumi a Presidência do Partido no grave momento que se sucedeu à tragédia que nos levou Eduardo Campos; conduzi o Partido durante a honrada campanha de Marina Silva. Anunciados os números do primeiro turno, ouvi, como magistrado, todas as correntes e dirigi até o final a reunião da Comissão Executiva que escolheu o suicídio político-ideológico.

Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global.

Denunciámos a estreiteza do maniqueísmo PT-PSBD, oferecemos nossa alternativa e fomos derrotados: prevaleceu a dicotomia, e diante dela cumpre optar. E a opção é clara para quem se mantém fiel aos princípios e à trajetória do PSB.

O Brasil não pode retroagir.

Convido todos, dentro e fora do PSB, a atuar comigo em defesa da sociedade brasileira, para integrar esse histórico movimento em defesa de um país desenvolvido, democrático e soberano.

Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2014.

Roberto Amaral
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Para Armínio, Minas não merecia investimentos estrangeiros


Armínio Fraga, o banqueiro que o ex-governador de Minas Gerais e candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, gostaria de ter como seu homem forte da economia se vencesse as eleições, declarou que os investidores estrangeiros não deveriam levar dinheiro para Minas. Foi no dia 1º de outubro de 1999. Armínio foi a Nova York, se reuniu com investidores e desaconselhou investimentos em Minas.


Ele estava irritado porque o governador de Minas, Itamar Franco, havia conseguido barrar um acordo que entregava o controle da Cemig, a empresa de energia elétrica de Minas, a sócios americanos. Na época, o governo tucano vendeu à empresa Southern Electric 32% das ações da Cemig, uma das mais importantes empresas do setor no Brasil, pelo preço mínimo de R$ 1,1 milhão. Eleito governador, Itamar considerou a venda lesiva aos interesses de Minas e barrou na Justiça o acordo que dava o controle da Cemig aos sócios privados.

Irritado com a defesa que Itamar fez dos interesses do Estado, Armínio foi a Nova York pedir que os estrangeiros não investissem mais em Minas. Sua atitude foi amplamente criticada no Brasil.

"O senhor Armínio Fraga ainda não se deu conta de que não pode pretender representar no Brasil os interesses financeiros que tantos lucros lhe renderam ao longo de sua vida de banqueiro no exterior", disse Itamar Franco em nota à imprensa. Ele se referia ao fato de Armínio ter sido um dos homens fortes do especulador George Soros, em Nova York.

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) classificou as declarações de Armínio de "absurdas, infelizes e despropositadas". O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou "com veemência" a posição de Armínio.

A questao que fica agora é como o eleitor pode acreditar que alguém que desejou o pior para Minas Gerais e defendeu interesses de empresas americanas pode falar em desenvolvimento para o Estado e para o Brasil?

No Dilma
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Aécio Neves e a hipocrisia suprema!


Aécio Neves é um imoral, praticante da mais pura hipocrisia!

“Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo dos que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos, que fogem das comparações. Para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido. O aparelhamento partidário que vemos no governo federal é um mal que precisa ser erradicado” (aqui)

Não é à toa que Aécio Neves e Ana Amélia Lemos andavam de mãos dadas no 1º turno e que a senadora o apoia no segundo.

Ambos, todos sabemos, defendem a meritocracia. Só que para os outros. Ana Amélia foi CC do marido biônico no senado, mesmo quando já trabalhava para a RBS.

Aécio Neves era assessor parlamentar, quando ainda menor de idade e estudante e, sabe-se, jamais compareceu ao trabalho.


Mais tarde, por influência do tio e nomeação do então presidente Sarney, ocupou cargo de direção na CEF.

Sim, não foi aparelhamento. Sim, ele teve todos os méritos para isso.

Sim, esse é o caráter de um senador que não teve um projeto sequer aprovado até hoje. Sim, esse é o caráter de um governador que sabidamente quebrou o Estado de Minas Gerais.

Sim, o mesmo Estado que agora elegeu um candidato de oposição ao seu apadrinhado.

Sim, o mesmo Estado onde ele perdeu para a candidata Dilma e onde as pesquisas já apontam que perderá de forma acachapante no segundo turno.

Sim, o Estado onde o povo conhece bem quem ele é e o que é capaz de fazer (ou não fazer).

É a hipocrisia suprema falar em meritocracia quando o único mérito que tem é ser neto de Tancredo Neves. E usar e abusar desse laço familiar para se eleger.

O Brasil precisa entender a grande falcatrua que esse candidato está preparando. Assim como o RS defenestrou Ana Amélia Lemos, por perceber que ela não tinha o estofo moral necessário para o cargo de governadora, devemos defenestrar Aécio Neves também, pois este possui menos ainda.

Já conhecemos bem essa história. Não se deixe enganar! Não se iluda com o “fora PT/Dilma”, pensando estar colocando na presidência alguém melhor.

Não pense que está trocando algo ruim para o país por algo que nos salvará do “caos comunista”!

Aécio Neves é a hipocrisia suprema!

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Uma eleição de muitos

As subidas e descidas da Bolsa e do dólar, a cada pesquisa ou a cada boato da eleição presidencial, mostram bem o que é a chamada "elite financeira" brasileira. E, por extensão, atingem a alardeada ética da imprensa, da TV e das rádios.

As altas por euforia e as quedas por desalento eleitoral são reações falsas. A Bolsa não espera mais do que um punhado de horas para provar a falsidade. E o faz do modo mais objetivo e inequívoco. Já no dia seguinte, a queda é sufocada por subidas, ou o inverso. Mas o motivo alegado para a reação na véspera não cessou, sendo frequente que até aumentasse, com resultados mais fortes do que o esperado das pesquisas e pelos boatos.

A eleição presidencial é transformada em pretexto, pelos manipuladores da Bolsa, para provocar os movimentos de alta e de baixa que alimentam o jogo especulativo, com as valorizações e depreciações de papéis que não precisam ser mais do que artificiosas. É o tal cassino, catedral do capitalismo que gira em torno de lucros com juros e renda de ações, não de produção. O capitalismo brasileiro.

Na imprensa, na TV e nas rádios, os movimentos da Bolsa a pretexto da eleição ganham o seu papel de influência eleitoral. As quedas e as subidas recebem destaque de fatos relevantes quando se prestam a significar repulsa por determinado candidato. Se a subida ou queda não trouxer tal possibilidade, a Bolsa terá o seu noticiário habitual.

Eleição presidencial no Brasil pós-ditadura não se decide entre candidatos e respectivos partidos. Integram a disputa os candidatos, os partidos, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até a Bolsa de Valores. Imprensa, TV e rádios também, claro, mas em outro diapasão, porque participam das eleições como de tudo mais o tempo todo.

Registre-se a nota social, aliás, do Judiciário como debutante na disputa eleitoral, em par com o Ministério Público (também chamado de Procuradoria da República). Daí resultou a interessante coincidência, no calendário, entre o primeiro turno eleitoral e a delação premiada sob um novo sistema: o de sigilo judicial com alto-falante. E, ainda melhor, esta outra obra do acaso, que foi o primeiro depoimento judicial de um delator, com o previsível vazamento, logo no primeiro dia da disputa de segundo turno.

Já que as coincidências estão aí, convém repor no seu lugar aquela com que Fernando Henrique prova continuar querendo que se esqueça o que disse, por escrito ou de viva voz. Em entrevista a Mário Magalhães e a Josias de Souza, para o UOL, disse ele que "o PT está fincado nos menos informados, que coincide de serem os mais pobres".

Não há como negar a interpretação de que a frase atribui o voto no PT a inferioridades culturais e sociais, não existentes nos eleitores de outros partidos. Ninguém, portanto, entre os muitos que viram na frase uma divisão preconceituosa do eleitorado, mentiu sobre a autoria, a própria frase e o seu sentido, como Fernando Henrique os acusa com virulência. O blog do Mário Magalhães ainda remete para a entrevista.

Entre o Bolsa Família e a Bolsa de Valores, há mais do que uma disputa eleitoral entre os mal informados e os bem deformados.

Janio de Freitas
No fAlha
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Esqueça o povo: o “grande eleitor” nestas eleições pode ser o juiz Sérgio Moro

Em breve, no Supremo?
Um declarado eleitor de Aécio Neves, o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Prado, o Kakay, disse o seguinte ao blogueiro Josias de Souza, do UOL: “Houve uma grave instrumentalização do Poder Judiciário.”

Kakay estava se referindo à liberação seletiva de trechos dos depoimentos em casos de delação premiada pelo juiz paranaense Sérgio Moro.

Repito: Kakay disse a Josias que vai votar em Aécio. “Até fui a um jantar de adesão. (…) Alternância no poder é importante. Não quero que o Brasil fique fossilizado como São Paulo, administrado há duas décadas pelo PSDB.”

O ponto central de Kakay é: por que parte do vazamento é aberta e parte não, e justamente às vésperas de uma eleição presidencial?

“Parece brincadeira. Aqui, tem segredo. Ali, é tudo aberto. Isto se chama instrumentalização. É muito grave. A poucos dias da eleição, as consequências são gravíssimas.”

Nada foi aberto, por exemplo, em relação ao que os depoimentos trazem sobre Eduardo Campos, cuja família acaba de declarar apoio a Aécio.

Por quê? A resposta mais provável é que por trás dos vazamentos estão razões políticas e partidárias, e não de justiça.

Para Kakay, o juiz Sérgio Moro “está fazendo um jogo extremamente perigoso” — mas não surpreendente.

Moro, no Mensalão, ajudou a juíza Rosa Weber em seus trabalhos. Rosa entrou para a história ao condenar Dirceu com as seguintes palavras: “Não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite.”

Neste exato momento, Moro é candidato à vaga de Joaquim Barbosa no Supremo. Eleito Aécio, quais serão suas chances?

Num artigo publicado na Folha algumas semanas atrás, Kakay escreveu que os brasileiros estavam diante da seguinte situação: um delator — Paulo Roberto Costa — poderia ser o “grande eleitor” nas eleições presidenciais.

Com base em acusações não investigadas e nem, muito menos, provadas. Em seu artigo, Kakay imaginava a seguinte situação: e se Costa decidisse, por algum motivo, citar Dilma? Os brasileiros, neste caso, teriam um novo presidente escolhido por um delator.

Na entrevista a Josias, Kakay voltou à mesma lógica, apenas com nome trocado.

O “grande eleitor”, agora, segundo ele, é o juiz Sérgio Moro.

E ele não precisa tirar uma self na cabine do voto para que saibamos quem é a sua escolha.

A Justiça brasileira fala como Justiça, se veste como Justiça, respira como Justiça — só não age como Justiça.

Pobre sociedade. Pobres brasileiros.

Paulo Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 13


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Essa é do Barão... 71

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Pesquisa fraudulenta Sensus/IstoÉ

A capa da semana passada e a pesquisa de hoje: propaganda nas bancas
O Instituto manipulou a tabulação dos eleitores por faixa etária, diferente da utilizada pelo TSE, o que impede a verificação de alguns perfis.

Aumentaram o peso dos eleitores de mais de 16/17 anos em 4 vezes (de 1,15% para 4,8%) e dos eleitores de 18 a 24 anos em 2 p.p.

Faixas em que Marina tinha vantagem e que teoricamente vão mais para Aécio.

Além disso, adotaram uma tabulação do número de eleitores por faixa etária totalmente diferente da que está no TSE, impedindo a conferência nas outras faixas acima de 24 anos.

Esses caras são capazes de tudo!


Plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado, margem de erro e nível de confiança: a)

Ponderação sexo, idade, instrução, nível econômico. Sexo: 48,3% Masculino; 51,7% Feminino.

Idade: 

4,8% de 16 a 17 anos

16,9% de 18 a 24 anos

12,1% de 25 a 29 anos

21,0% de 30 a 39 anos

17,6% de 40 a 49 anos

27,6% 50 anos ou mais

Instrução

28,2% até 4a Série do Ensino Fundamental

22,8% the 5a a 8a Série do Ensino Fundamental

33,0% the 1a a 3a Série do Ensino Médio

16,0% Superior completo ou incompleto

Nível Econômico:

22,7% até 01 SM

56,0% Mais de 01 até 05 SM

13,6% Mais 05 até 10 SM

5,3% Mais de 10 até 20 SM

2,3% Acima 20 SM

b) Intervalo de Confiança = 95%, Margem de Erro = ± 2,2%


Faixa Etária Qt %

16 anos 479996 0,337

17 anos 1158473 0,813

18 a 20 anos 8791241 6,171

21 a 24 anos 12583519 8,833

25 a 34 anos 33183566 23,292

35 a 44 anos 28312984 19,873

45 a 59 anos 33684835 23,644

60 a 69 anos 13449439 9,44

70 a 79 anos 7016054 4,925

TOTAL 142467862 100,00

PS do Viomundo: Nesta campanha a IstoÉ tornou-se um panfleto nas bancas. O objetivo da campanha de Aécio é criar o “fato consumado”. Além de contar com pesquisas “amigas”, parece ter site comprometidos com a tarefa de propagar os resultados na blogosfera e nas redes sociais. Quem te viu, quem te vê…

Eder Carvalho, técnico de Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco
No Viomundo

* * *

Pesquisa Sensus é um caso de polícia. É a venda de resultados “no varejo”


Não é mais uma expressão metafórica.

É caso de polícia, mesmo.

Porque se trata de bandidagem.

Fazem-se pesquisas fajutas com o único fim de exibi-las na televisão e induzir os eleitores.

É o caso deste resultado divulgado pelo Sensus, na Istoé que, realizado basicamente nas mesmas datas do Ibope e do Datafolha, que registraram um empate estatístico entre Aécio Neves e Dilma Rousseff (51 a 49% em votos válidos), vem agora apontar uma suposta diferença de 17 pontos em favor do mineiro.

Isso não existe em estatística. Nem mesmo em roletas, exceto as viciadas.

E a “cobertura” da esperteza se faz com o expediente, aceito pela lei, de dizer depois da pesquisa quais os municípios pesquisados.

E a “malandragem”, tal como aconteceu na pesquisa da Época, é registrar a pesquisa como se fosse de iniciativa do próprio instituto e depois oferecer, no “varejo” a um órgão de comunicação os resultados.

Foi o que aconteceu com esta e vai acontecer, se a Justiça Eleitoral nada fizer, de dois em dois dias, porque mais uma já foi registrada, dia 10, para divulgação no dia 15.

E, no meio do caminho, outra só em Minas, que certamente vai mostrar que o derrotado Aécio agora flutua, uma semana depois, como “redentor”.

Alguém está cometendo um crime de estelionato, tentando iludir pessoas para obter vantagens eleitorais e pessoais.

A Procuradoria Geral da República e o Tribunal Regional Eleitoral estão desafiados a agir.

Ou tornarem-se cúmplices.

Fernando Brito
No Tijolaço
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