10 de out de 2014

Advogado desmente Aécio: PSDB votou, sim, contra aumento do salário mínimo

aécio minimo

Aécio votou contra o aumento real do salário mínimo

Ao rebater afirmação da presidenta Dilma Rousseff de que ele tinha votado contra a política de valorização do Salário Mínimo, Aécio Neves respondeu, via redes sociais, que isso mostrava “o desespero de quem está perto de deixar o poder“.

A resposta, além de arrogante não é verdadeira. Aécio, o candidato anti-trabalhadores, votou sim contra o projeto que garantiu mais 72% de aumento real para o salário mínimo nos últimos doze anos, beneficiando 48,2 milhões de pessoas e incrementando a economia em mais de R$ 28 bilhões.

Para comprovar (imagem abaixo da foto), basta clicar aqui. Depois, clicar em tramitação. Abra a ata do dia 23/02/2011 (ATA-PLEN – SUBSECRETARIA DE ATA – PLENÁRIO). Lá você vai ver que 12 senadores votaram contra os trabalhadores. Entre eles, Aécio e a bancada do seu partido (PSDB), Ana Amélia (PP) e Demóstenes Torres (DEM).

A maioria dos brasileiros sabe que Aécio e os parlamentares, governadores e prefeitos do PSDB estão do lado contrário ao da classe trabalhadora. A novidade é ele dizer que vai trabalhar para melhorar a vida do trabalhador, coisa que nunca fez nem como deputado nem como Senador, muito menos como governador de Minas Gerais.

Em seu primeiro mandato, com 26 anos, quando se elegeu deputado Constituinte pela força do poder do avô, Tancredo Neves, Aécio atuou como um leão para proteger os direitos dos empresários, banqueiros e patrões em geral. Como Constituinte ele votou contra a jornada de trabalho de 40 horas semanais e contra o adicional de hora extra de 100%.

Quando presidiu a Câmara dos Deputados, o candidato tucano à sucessão presidencial trabalhou duro para aprovar projeto de FHC que alterava o artigo 618 da CLT e deixava vulneráveis direitos dos trabalhadores, entre os quais férias e 13º salário. Eleito em 2002, Lula mandou arquivar o projeto em abril de 2003, antes da bancada do Senado aprovar.

Como governador de Minas, as obras mais vistosas de Aécio são os dois aeroportos que ele mandou construir em terrenos onde sua família tem fazenda ou nas proximidades das terras dos Neves. As chaves do Aeroporto de Claudio, por exemplo, ficavam com um tio-avô do candidato.

Já quanto aos trabalhadores, ele trata no estilo “linha dura”. A educação foi uma das áreas que mais sofreram no governo dele. Falta infraestrutura, salas de aula precárias, mais de 50% escolas de ensino médio não têm laboratório de ciências nem salas de leitura, 80% sequer tem almoxarifado. Aécio e os governadores que ele colocou em seu lugar deixaram de cumprir, por vários anos, o investimento mínimo de 25% da receita em educação, como determina a Constituição. E para piorar, ele não pagou piso salarial dos professores.

Agora, como candidato a presidente da república, enquanto por um lado faz promessas que não vai cumprir, por outro, deixa claro sua posição patronal patrão quando se recusa a assinar compromisso contra o trabalho escravo, por exemplo.

O governo do presidente Fernando Henrique foi uma tragédia para a classe trabalhadora. Todos os governantes do PSDB nos Estados têm a mesma prática. Eles cerceiam os direitos trabalhistas, propõem flexibilização e supressão dos direitos trabalhistas para, dizem de forma descarada, garantir o desenvolvimento econômico, o aumento da competitividade e a geração de empregos.

Aécio e seus principais assessores, como o já nomeado ministro da Fazenda Armínio Fraga, caso o tucano vença as eleições, dizem que não têm receio de tomar medidas impopulares, ou seja, demissão e arrocho salarial. Já  disseram diversas vezes que o salário mínimo está alto demais. Para eles, isso é prejudicial a economia. Mas, o que vimos nos governos Lula e Dilma é exatamente o contrário.

A política de valorização do salário mínimo melhorou a vida das pessoas, incrementou o consumo das famílias e, com isso, aqueceu a economia, gerou mais empregos. E foi principalmente a força do mercado consumidor interno que permitiu ao Brasil sair da grave crise internacional de 2008 de modo muito mais rápido e menos doloroso do que os países que adotavam à época o receituário neoliberal, que, aliás, fecharam milhares de postos de trabalho.

A candidatura de Aécio Neves é uma séria ameaça aos trabalhadores, aos sindicatos e até mesmo à competitividade da economia brasileiraNão se pode tratar o trabalhador como uma mera peça sujeita a preço de mercado, transitória e descartável. A luta em defesa da política permanente de valorização do salário mínimo (que infelizmente teve o voto contrário de Aécio Neves no Senado Federal) é um lembrete à sociedade sobre os princípios fundamentais de solidariedade e valorização humana, que ela própria fez constar do documento jurídico-político que é a Constituição Federal, e a necessidade de proteger o bem-estar dos trabalhadores e trabalhadoras e de toda a sociedade.

Maximiliano Nagl Garcez
No Viomundo
Leia Mais ►

Lula: “Armínio e Aécio são o mundo que não deu certo”


O ex-presidente Lula está reforçando as linhas de confronto direito entre a campanha do PT e o PSDB. "Armínio, Aécio, essa gente toda significa o retrocesso, a volta de um mundo que não deu certo", disse Lula em entrevista à revista Carta Capital, que circula a partir desta sexta-feira 10.

— O sistema financeiro está ouriçado para que Aécio ganhe as eleições. O FMI, que estava quietinho, voltou a dar palpite porque sabe onde o seu Armínio Fraga vai colocar os juros, criticou Lula, apostando numa forte alta da Selic.

Ele lembrou que assumiu a Presidência da República, em 2003, com os juros nas alturas e uma dívida externas de 30 bilhões de dólares. Acrescentou ter herdade uma política econômica que não criava empregos.

— Agora, a pretexto de atacar a inflação eles querem criar desemprego. Isso acontece porque eles não se importam em nada com quem trabalha, desferiu o ex-presidente.

Para Lula, "O Brasil o país que tem o futuro mais garantido". Ele citou o volume de obras de infraestrutura em curso e os recordes que vão sendo batidos na extração do petróleo do pré-sal.

— Não é jogando nas costas do povo um ajuste fiscal, cortando salários, dispensando trabalhadores que vamos fazer o Brasil crescer.

Lula disse estar preocupado com a atenção que a população está dando ao pleito:

— As pessoas não perceberam que o que está em disputa nesta eleição são dois projetos de país. O nosso, que é o presente e do futuro, e o deles, que é de volta ao passado. E é isso o que me preocupa, assinalou o ex-presidente.

Ele não poupou, ao contrário, foi bastante direto na crítica a seu antecessor Fernando Henrique Cardoso:

— Eu me sinto muito ofendido com esse preconceito que chega às raias do absurdo, atacou Lula. O Fernando Henrique é um cientista político estudioso que não percebeu a evolução política da classe mais pobre. Ele está falando do passado do tempo dele, quando ainda valia o voto de cabresto. O povo mudou e ele não percebeu, continua representando uma certa elite preconceituosa.

No 247
Leia Mais ►

Há uma conspiração em curso. Campanha Dilma deve denunciar golpismo midiático

O governador do Rio Grande do Sul denunciou na manhã desta sexta-feira, uma conspiração política em curso para manipular a vontade eleitoral no 2º turno.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) denunciou na manhã desta sexta-feira, por meio de sua conta pessoal no twitter uma "conspiração política em curso para manipular a vontade eleitoral no segundo turno". Diante disso, Tarso defendeu que a campanha Dilma deve reagir e denunciar o golpismo midiático que embala essa conspiração.

E acrescentou: "Acusações sem provas à beira da eleição, feita por ladrão confesso é manipulação do processo eleitoral com ajuda da mídia que protege Aécio". Para o governador gaúcho, novo caso envolvendo a Petrobras foi preparado para estourar agora, reforçar Aécio, abafar o caso do aeroporto envolvendo o candidato tucano e esquecer o episódio da compra de votos para a reeleição de FHC.

Tarso Genro também gravou um vídeo sobre o tema e publicou em sua página no Facebook:


No Carta Maior
Leia Mais ►

Requião aponta laços do advogado de Youssef com tucanos do Paraná


O senador Roberto Requião (PMDB), coordenador-geral da campanha de Dilma no Paraná, nesta sexta-feira (10), pelo Twitter, disse ver ligações umbilicais do advogado do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, com o tucanato paranaense.


Segundo o site da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Figueiredo Basto foi conselheiro administrativo da empresa até o último dia 28 de abril. O advogado é homem de confiança do governador reeleito Beto Richa (PSDB).

Youssef e outro paranaense preso — olha aí a coincidência de novo —, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, depuseram na “boca da urna” em delação premiada visando incriminar PT, PP e PMDB.

Os dois presos paranaenses são a principal “bala de prata” de Aécio/mídia contra Dilma.

No Blog do Esmael
Leia Mais ►

Dilma: eles querem dar um golpe!

Dilma fala sobre a importância do combate à impunidade e os perigos de seu uso eleitoreiro

Em coletiva no Palácio do Alvorada, Dilma Rousseff reforçou mais uma vez que tem tolerância zero com a corrupção e que foi a única candidata dessas eleições a apresentar propostas concretas para o combate à corrupção e à impunidade. A presidenta disse estar surpreendida com o vazamento das informações referentes à investigação da Petrobras, já que, segundo informações do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal, o processo corre em segredo de justiça.

Dilma disse que tomou as providências para que não houvesse aparelhamento dos órgãos de investigação no seu governo.“Eu tomei, como presidenta, medidas para garantir que nem a PF, nem o Ministério Público, tivessem aparelhamentos que fossem induzidos nessa ou naquela direção. Nem sempre foi assim no Brasil. A Polícia Federal foi aparelhada, sim [em outros tempos]. Foi dirigida durante muito tempo por pessoas que tinham filiação no PSDB. E eu não preciso dizer a respeito do procurador-geral da república, porque vocês mesmos da imprensa colocaram nele o nome de engavetador-geral da república”, declarou. Ela disse que faz questão que todas as denúncias sobre a Petrobras sejam apuradas com rigor para tomar as medidas cabíveis, mas é preciso ter responsabilidade para com as acusações: “Eu acho muito estranho e muito estarrecedor que, no meio de uma campanha, façam esse tipo de divulgação”, declarou a respeito do vazamento das gravações de depoimentos na Justiça, que ela acredita não estarem completas. “Eu acho que a investigação deve ser feita sem manipulação política ou qualquer tipo de intervenção”.

Ao ser questionada sobre possíveis erros do PT e se isso poderia interferir na sua campanha, Dilma declarou que, no Brasil, quem são punidas são as pessoas e não as instituições. “Nós vamos investigar e quem errou tem que pagar, independentemente de partido (...) Eu não varro pra baixo do tapete. Nunca varri na minha vida pública”, declarou. Ao final, a presidenta disse que aprendeu, em sua vida, que “quem luta, e quem luta com fé, sabendo que está lutando pela coisa justa, faz a boa luta”.



No MudaMais

* * *

“E esse golpe, nós não concordamos”, disse a Presidenta em Canoas (RS)

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e os furos "seletivos"
Em campanha no Rio Grande do Sul, a Presidenta Dilma Rousseff voltou a criticar o vazamento dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef à Justiça Federal, que foram divulgados pela imprensa. A candidata à reeleição acusou a oposição de tentar “dar um golpe”.

“Eles [governos anteriores adversários] jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível, que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral , sempre querem dar um golpe. Estão dando um golpe. E esse golpe, nós não concordamos” “, afirmou Dilma em Canoas (RS) nesta sexta-feira (10).

Mais cedo, em entrevista coletiva, a petista classificou como “estranho que, em meio a eleição, tenha uma investigação como essa”. O ex-dirigente da estatal e o doleiro são réus no processo da Operação Lava Jato, e foram ouvidos pelo juiz Sérgio Moro. Na última quinta-feira (9), a Justiça Federal do Paraná divulgou áudios dos depoimentos prestados por ambos.

Dilma citou o governo de Fernando Henrique Cardoso para defender o seu mandato quanto ao combate à corrupção. Vamos lembrar como era o Brasil antes de nós. Antes a Polícia Federal era aparelhada, não havia muitas condenações. Nós, não. Nós investigamos, condenamos e punimos. Eles engavetavam os problemas, a corrupção”, finalizou a Presidenta.
Leia Mais ►

Mantega bate em Armínio, assista




Armínio Fraga, cotado para assumir o ministério da Fazenda em um eventual governo Aécio Neves (PSDB), chamou a política atual do Brasil de esdrúxula, em meio a um quadro de inflação alta e crescimento econômico baixo, durante debate que ocorre na noite desta quinta-feira (9) com Guido Mantega, atualmente no ministério, em programa de Miriam Leitão na Globo News.

"A inflação requer um compromisso permanente para não sair do controle como ela saiu. O que acontece no Brasil é uma situação esdrúxula, em meio a uma política desordenada", atacou. "O importante agora é recuperar a confiança".

Por sua vez, quando questionado sobre o problema da inflação, Mantega disse que a inflação está atualmente em 6,75% no acumulado dos últimos 12 meses, mas não vai terminar desta maneira. "Deve terminar em 6,4% em 2014. Temos hoje uma pressão por conta da seca e energia elétrica, uma vez que as tarifas têm que ser elevadas e isso cria uma pressão adicional, mas os alimentos estão crescendo menos", disse. "A inflação está está sob controle. Faz 11 anos que cumprimos a meta da inflação".

Mantega lembrou ainda que durante sete anos as commodities subiram, o que trouxeram pressões inflacionárias, mas apontou que o governo fez uma política monetária rigorosa este ano. "Não brincamos com a inflação. Quando Armínio era presidente do Banco Central, ele pegou uma inflação em 9% e entregou em 12% em 2002", criticou.

Em resposta, Armínio disse que a situação naquela época era diferente e que houve um "medo" da entrada de Lula no governo, que puxou o dólar para uma disparada frente ao real, e consequentemente trouxe uma enorme pressão inflacionária.

O ano de 2002 foi um ano de crise, que foi a crise cambial. Uma das âncoras era a taxa cambial, comentou. "A taxa de câmbio estava em R$ 2 e passou para R$ 4, ocorrendo uma enorme pressão inflacionária. O problema era do governo Lula que se aproximava".

Crise internacional

Questionado sobre a crise internacional, o ministro da Fazenda explicou que só os Estados Unidos estão ensaiando uma retomada, que ainda não é certa, o que acaba por afetar os rumos da economia doméstica. Ele admitiu que esta é a maior crise mundial.

“A crise mundial comprometeu o crescimento de todos. Os europeus estão em franca desaceleração. A China e a Índia também estão perdendo força. O mundo está passando por uma crise complicada. Fica difícil crescer muito quando não há comércio e mercado internacional”, explicou Mantega, completando que o Brasil felizmente tem a China como seu principal parceiro comercial.

Além disso, o ministro que não permanecerá no cargo ainda que Dilma Rousseff, do PT, seja reeleita, afirmou que, na média, o país está crescendo mais.

“De 2008 a 2013, somos uma das economias que mais cresceu. Entre os países do G20 somos o sexto país que mais cresceu desde 2008”, explicou, citando a China, a Índia, a Indonésia, a Arábia Saudita e Turquia como os países que tiveram um desempenho melhor do que o Brasil neste período.

Por outro lado, Armínio foi bastante critico sobre a situação da economia atualmente e disse que isso não reflete uma crise internacional já que a mesma não existe.

“A economia mundial está se recuperando. Estamos investindo muito pouco. A infraestrutura do país está penando. O quadro de crise é mais interno do que externo e vem piorando cada vez mais”, explicou o ex-presidente do Banco Central.

Além disso, Armínio disse que é preciso reconhecer que o modelo atual fracassou. “É preciso ter bom senso agora e perceber que hoje em dia não está funcionando. Precisamos corrigir esse quadro, porque o Brasil não é um caso perdido”.

Mantega: Economia continua saudável

Evitando contestar as acusações de que o Brasil está em situação pior que os seus principais pares, Mantega foi contundente ao dizer que a economia do país é saudável.

“Apesar de crescer um pouco menos, mantemos o mercado de consumo. Nossa economia ainda cresce e gera emprego. Ter passado pela crise gerando emprego é uma prova do sucesso de nossas política econômica”.

Em seu discurso, o ministro da Fazenda citou o Bolsa Família e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como trunfos da gestão petista. “O mercado está ativo, estabelecemos a inclusão social”.

Armínio: “Estamos com modelo econômico que não entrega crescimento”

No início do segundo bloco, Mantega e Armínio foram questionados sobre as principais diferenças dos programas econômicos das candidaturas de Dilma e Aécio.

Aliado do tucano, Armínio foi contundente ao afirmar que o Brasil está com um modelo econômico que não entrega crescimento, o que causa ainda mais dificuldades. “Este governo tem muitas dificuldades em mobilizar capital. Cinco anos sem fazer novas concessões de petróleo, no setor de rodovias e ferrovias. Nossa proposta é fazer o país crescer com responsabilidade e transparência”, explicou.

De acordo com Armínio, o país está inseguro, registrando índices de confiança baixos. Por isso, ele destaca que é preciso “arrumar a casa de maneira virtuosa, mobilizar capital, fazer reformas, entre elas tributária, e atrair investimentos”.

Mantega, por sua vez, contestou dizendo que apenas fundamentos não são suficientes e que o país precisa de um regime anticíclico. Ele aproveitou para dizer que o plano elaborado por Armínio poderia impulsionar as taxas de juros.

Armínio sobre bancos públicos: "Não sei bem o que vai sobrar"


'Financial Times': em confronto com Mantega, Armínio Fraga decepciona

Em artigo publicado no Financial Times nesta sexta-feira (10), a jornalista Samantha Pearson destaca que, no confronto entre o economista Armínio Fraga, apontado pelo tucano Aécio Neves como seu futuro ministro da Fazenda, caso seja eleito, e o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, Fraga decepcionou.

A jornalista destaca que Mantega "certamente tem algumas explicações a dar", já que a economia deve crescer "míseros 0,2% este ano" e que a inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou em 6,75 por cento - acima do limite superior da faixa de tolerância do país e muito acima da meta oficial de 4,5 por cento. Segundo o texto, até o momento, Mantega e o PT culparam a crise financeira mundial e que, "em suma, Mantega deveria ter sido um alvo fácil." 

De acordo com o FT, "Fraga teve certamente os argumentos certos, contudo, Mantega "falou como um político confiante, baseando-se (embora um pouco falho) em narrativas populistas e coerentes", enquanto "em grande parte Fraga respondeu com o pragmatismo frio e detalhes técnicos de um banqueiro central."

>> Para Armínio Fraga, crise econômica mundial acabou. FMI pensa diferente

Artigo do 'Financial Times' diz que Armínio Fraga decepcionou
Artigo do 'Financial Times' diz que Armínio Fraga decepcionou

O artigo destaca o comentário do jornalista brasileiro Sérgio Augusto no Twitter: "Eu tinha esquecido o quão ruim Armínio Fraga está em entrevistas e debates. Ele vem como tudo o que ele não é: inseguro e falso." 

Ainda segundo o FT, após oito anos de Mantega como ministro da Fazenda, os investidores e empresários podem receber um pouco de pragmatismo frio. "No entanto, não são essas pessoas que Fraga tem que convencer — a grande maioria teria escolhido Fraga sobre Mantega de qualquer maneira. Em vez disso, Fraga e o PSDB precisam encontrar uma maneira de obter a mensagem econômica através da média brasileira e desconstruir a crença comum de que o que é bom para os mercados é ruim para as pessoas e vice-versa."

O texto conclui afirmando que, "afinal, este não é apenas um debate econômico cordial: é guerra — a batalha final pelo controle sobre o segundo maior mercado emergente do mundo e as vidas de mais de 200 milhões de pessoas."

No JB
Leia Mais ►

Como trocar a roda, com o carro em movimento?


A "onda conservadora" é um tema presente em muitas análise das eleições 2014.

Presente, especialmente, naqueles analistas que superestimaram os aspectos progressistas dasas manifestações de junho de 2013, minimizando o fato delas não serem homogêneas nem organizadas e, principalmente, terem produzido uma reação por parte da direita política e midiática, seja para "interpretar" seu significado, seja para neutralizar eventuais desdobramentos positivos.

Presente, também com destaque, nas preocupações daqueles que subestimaram os nossos adversários nas eleições presidenciais de 2014, acreditando em vitória no primeiro turno e outras quimeras do estilo.

Presente com força, finalmente, naqueles que destacam o que ocorreu no legislativo (redução do número total de deputados da esquerda e eleição bem-votada de porta-vozes da pior direita), minimizando o resultado que obtivemos na eleição presidencial, contra quase tudo e contra quase todos (e inclusive contra alguns da mal denominada base aliada).

Isto posto, a onda conservadora existe, suas raízes vem de 2003 e não pode ser subestimada. Tampouco superestimada, sob pena de pessimismo, derrotismo e desmobilização, na linha da profecia auto-anunciada.

A respeito, recomendo ler o texto "Onda conservadora", de Guilherme Boulos (reproduzo na íntegra ao final).

Segundo Boulos, o "último domingo revelou eleitoralmente um fenômeno que já se observava ao menos desde 2013 na política brasileira: a ascensão de uma onda conservadora. Conservadora não no sentido de manter o que está aí, mas no pior viés do conservadorismo político, econômico e moral. Uma virada à direita. Talvez, o recente período democrático brasileiro não tenha presenciado ainda um Congresso tão atrasado como o que foi agora eleito. O que já era ruim ficará ainda pior".

Boulos nota que São Paulo, que foi o berço das mobilizações de junho de 2013, foi também base fundamental desta virada a direita. "Contradição? Nem tanto": "Por um lado, as jornadas de junho expressaram uma descrença de que as transformações populares se darão por dentro destas instituições. Foram sintoma de uma aguda crise urbana, traduzida no tema da mobilidade. E deixaram um legado positivo com o crescimento das mobilizações populares, ocupações e greves no último período. Esta vertente esquerdista de junho talvez tenha se manifestado eleitoralmente — além da votação no PSOL — pelo aumento das abstenções e votos inválidos. Neste ano somaram 29,03%, mais do que os 26,93% do primeiro turno de 2010 e do que os 26,79% que definem a média das eleições brasileiras desde 1994".

Aqui há um ponto que eu gostaria de destacar. Nas atuais condições históricas, uma estratégia socialista deve combinar ruas e urnas, mobilização social e presença institucional, movimentos e partidos.

A descrença em transformações "por dentro" das instituições, se conduzir à abstenção eleitoral e a invalidar os votos, se for acompanhada de um movimentismo "sem partido", não vai conduzir a transformação alguma.

Mutatis mutandis, a ideia de transformação "por dentro", se não for combinada com a mobilização social, tampouco conduzirá à transformação. Por isto, aliás, é que devemos apontar que o esquerdismo e a esquerda moderada cometem erros simétricos.

Voltemos a Boulos: "junho teve outra vertente, que deixou rescaldos mais marcantes. A direita saiu do armário". (...) "Isso tudo se sintetizou num antipetismo feroz que correu o país. As ofensas a Dilma em estádios da Copa apenas repetiram o cântico que foi ecoado nas ruas meses antes".

Sim, este é o fato, a direita saiu do armário. Mas por qual motivo este fato ocorreu?

Na minha opinião, por motivos similares aos da eleição de Tancredo & Sarney no Colégio Eleitoral, depois das Diretas Já; e aos da eleição de Paulo Maluf prefeito de São Paulo, logo depois do movimento pela ética na política conhecido como Fora Collor.

A saber: toda vez que há uma grande mobilização de massas com um sentido progressista, há uma reação. E se a mobilização de massas não tem organização, homogeneidade e desdobramentos, a reação terá maior êxito em "domesticar" seu significado.

Boulos acrescenta algo muito importante: "Alguns petistas ainda não compreenderam. Pensaram estar lidando com uma segunda versão do movimento "Cansei". E por isso são incapazes de entender o que ocorreu no último domingo. Aécio ganhou no Campo Limpo, Itaquera, Jardim São Luis, Ermelino Matarazzo e Sapopemba. Elite?"

Novamente, este é o fato: o anti-petismo penetrou setores populares. Não é apenas um fenômeno da "classe média tradicional" e do grande empresariado. Mas que setores populares são anti-petistas? E por quais motivos?

Arrisco a seguinte explicação, evidentemente incompleta e parcial: há um fenômeno "geracional", há um fenômeno "social" e um fenômeno "político-ideológico".

"Geracional": a nova classe trabalhadora (por idade ou por tempo de carteira) não pensa da mesma forma que a "velha" classe trabalhadora e não tem os mesmos vínculos e opiniões com o PT.

"Social": o fenômeno de ascensão social via consumo tende a gerar um comportamento social que mimetiza a "velha classe média" no que ela tem de pior. Risco que não é levado em devida conta por quem acha que nosso objetivo é criar um "país de classe média".

"Político-ideológico": nos últimos 12 anos, a direita reforçou seus aparatos de comunicação, cultura e educação. E a esquerda, na melhor das hipóteses, fez muito menos do que deveria e poderia.

Os três fenômenos citados estão presentes, de forma combinada, em todo o país. E estão na base da popularização do anti-petismo. Contudo, por quais motivos as eleições conduziram a resultados regionalmente tão contrastados?

Entre outros motivos, na minha opinião, porque...

....1) os aspectos positivos do que fizemos nestes 12 anos impactaram de maneira regionalmente desigual;

....2) a correlação de forças e a influência da hegemonia da classe dominante também são diferentes de região para região. Em São Paulo, por exemplo, há um peso maior do grande empresariado e dos setores médios tradicionais;

....3) finalmente, porque se é verdade que em nosso discurso faltou politização/polarização de classe, também é verdade que em nosso discurso esteve presente uma politização/polarização digamos "regional".

Este terceiro aspecto vale para nós, mas também para a direita. Aliás, este é um tema que não aparece na análise de Boulos: o anti-petismo de base popular (assim como, no passado, o anti-varguismo etc.) é mais forte em determinadas regiões do país, como São Paulo.

Sigamos adiante com Boulos: "o que o PT teimou em não compreender é que o modelo de governo que adotou nos últimos doze anos chegou ao esgotamento. Junho de 2013 foi um sintoma disso. O pacto social construído por Lula em 2002 não funciona mais. A ideia de que todos os interesses são conciliáveis, de que todos podem ganhar, depende do crescimento econômico e da desmobilização das forças sociais".

Para ser preciso, desde 2005 setores importantes do PT vem apontando para o esgotamento da estratégia (não apenas do "modelo de governo") baseado em mudanças sem rupturas, baseado na ampliação das políticas públicas mas não em reformas estruturais etc.

Hoje, arrisco dizer que parte importante do PT já se convenceu de que é preciso outra estratégia, embora haja opiniões diametralmente opostas sobre o que seria esta outra estratégia.

Mas... os setores que são majoritários na direção nacional do PT não se convenceram da necessidade de mudar a estratégia a tempo de incidir nas eleições de 2014. Pesou nesta postura, na minha opinião, uma visão equivocada acerca do cenário em que esta eleição se daria. Mas, desde que perceberam qual o cenário real, vem havendo uma tentativa de ajustar, senão a estratégia, pelo menos a tática.

Esta tentativa, como Boulos aponta, dá espaço preferencial para "uma retórica semelhante à de 2006 contra Alckmin, dos de baixo contra os de cima", sendo que "a eficácia [desta retórica] pode não ser a mesma".

Qual a alternativa? "Apontar o rumo de transformações populares para o próximo mandato", opção que nas palavras de Boulos pode causar problemas com aliados de centro e direita.

O desafio, resumidamente, está em saber trocar a roda do carro, com o carro andando.

* * *

SEGUE O TEXTO DE BOULOS

Onda conservadora

09/10/2014

O último domingo revelou eleitoralmente um fenômeno que já se observava ao menos desde 2013 na política brasileira: a ascensão de uma onda conservadora. Conservadora não no sentido de manter o que está aí, mas no pior viés do conservadorismo político, econômico e moral. Uma virada à direita.

Talvez, o recente período democrático brasileiro não tenha presenciado ainda um Congresso tão atrasado como o que foi agora eleito. O que já era ruim ficará ainda pior. O pântano de partidos intermediários, cujo único programa é o fisiologismo, cresceu consideravelmente. A bancada da bala e os evangélicos fundamentalistas tiveram votações expressivas em vários Estados do país.

O deputado mais votado no Rio Grande do Sul foi Luis Carlos Heinze, que recentemente defendeu a formação de milícias rurais para exterminar indígenas. No Pará, foi o delegado Eder Mauro. Em Goiás, o delegado Waldir, com um pitoresco mote de campanha que associava seu número (4500) com "45 do calibre e 00 da algema". No Ceará foi Moroni Torgan, ex-delegado e direitista contumaz. No Rio de Janeiro, ninguém menos que Jair Bolsonaro, que há muito deveria estar preso e cassado por apologia ao crime de tortura.

Isso sem falar da cereja do bolo, São Paulo, que desde 1932 orgulha-se em ser a vanguarda do atraso. Alckmin foi reeleito com quase 60% de votos. Serra suplantou facilmente Suplicy e, tal como em 2010, não teve pudores em recorrer ao conservadorismo mais apelativo. Desta vez, com a redução da maioridade penal como bandeira. O deputado federal mais votado foi Celso Russomano e o terceiro, o pastor homofóbico Marco Feliciano. Dois coronéis, Telhada e Camilo, conseguiram vagas na Assembleia Legislativa.

Como não falar numa onda? Onda que teve como crista a surpreendente votação de Aécio Neves para a presidência, que ficou apenas 8% atrás de Dilma quando todos os institutos de pesquisa apontavam o dobro de diferença. De São Paulo levou — direto para o aeroporto de Cláudio — 4 milhões de votos de vantagem em relação a Dilma.

São Paulo, que foi o berço das mobilizações de junho de 2013. Contradição? Nem tanto.

Por um lado, as jornadas de junho expressaram uma descrença de que as transformações populares se darão por dentro destas instituições. Foram sintoma de uma aguda crise urbana, traduzida no tema da mobilidade. E deixaram um legado positivo com o crescimento das mobilizações populares, ocupações e greves no último período. Esta vertente esquerdista de junho talvez tenha se manifestado eleitoralmente — além da votação no PSOL — pelo aumento das abstenções e votos inválidos. Neste ano somaram 29,03%, mais do que os 26,93% do primeiro turno de 2010 e do que os 26,79% que definem a média das eleições brasileiras desde 1994.

Mas junho teve outra vertente, que deixou rescaldos mais marcantes. A direita saiu do armário. Passou a adotar abertamente um discurso mais ousado e raivoso. Os velhinhos do Clube Militar tiraram a poeira das fardas para defender uma reedição de 64. Homofóbicos, racistas e elitistas passaram a falar sem pudores de suas convicções. Isso tudo se sintetizou num antipetismo feroz que correu o país. As ofensas a Dilma em estádios da Copa apenas repetiram o cântico que foi ecoado nas ruas meses antes.

E não foi só a elite. Alguns petistas ainda não compreenderam. Pensaram estar lidando com uma segunda versão do movimento "Cansei". E por isso são incapazes de entender o que ocorreu no último domingo. Aécio ganhou no Campo Limpo, Itaquera, Jardim São Luis, Ermelino Matarazzo e Sapopemba. Elite?

O que o PT teimou em não compreender é que o modelo de governo que adotou nos últimos doze anos chegou ao esgotamento. Junho de 2013 foi um sintoma disso. O pacto social construído por Lula em 2002 não funciona mais. A ideia de que todos os interesses são conciliáveis, de que todos podem ganhar, depende do crescimento econômico e da desmobilização das forças sociais.

O que temos hoje é o contrário. Uma sociedade muito mais polarizada e uma economia beirando a recessão. A mágica de agradar a todos acabou e o povo sente necessidade de mudanças. Quem teve força política para capitanear o discurso da mudança não foi a esquerda, mas a direita. O sentimento é difuso e despolitizado, por isso pôde ser encarnado farsescamente pelo PSDB após o declínio de Marina Silva.

Este segundo turno será um divisor de águas. A burguesia brasileira provavelmente se alinhará em bloco com Aécio Neves, seu candidato puro sangue. Se o PT quiser disputar o discurso direitista com Aécio corre grave risco de ser derrotado e ainda sair desmoralizado para uma eventual oposição a partir de 2015.

Outra alternativa que tem é apontar o rumo de transformações populares para o próximo mandato, o que não fez nos últimos doze anos. Fazer o combate pela esquerda. Se o fizer, terá um preço a pagar em relação à base aliada e aos financiadores. Dificilmente o fará.

O mais provável é que recorra a uma retórica semelhante à de 2006 contra Alckmin, dos de baixo contra os de cima, sem maior consequência prática. Mas o momento é outro e o discurso da mudança está com muito mais capilaridade inclusive entre os de baixo. A eficácia pode não ser a mesma. A onda conservadora está vindo com força e, agora ou em 2015, obrigará o PT a reposicionar-se na conjuntura, para lá ou para cá.

Guilherme Boulos, é formado em filosofia pela USP, professor de psicanálise e membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Também atua na Frente de Resistência Urbana e é autor do livro "Por que Ocupamos: uma Introdução à Luta dos Sem-Teto".

Leia Mais ►

A memória de Arraes e o PSB


Para a nova face do PSB, que ainda mantém o nome de Partido Socialista Brasileiro, foi decisivo o papel da direção partidária de Pernambuco. Nesta nova face, que alguns já chamam de novo fascio, têm lugares decisivos o avô Miguel Arraes e o neto Eduardo Campos. Mas como opostos e ruptura em um processo de morte, enterro e transformação. Façamos um brevíssimo recuo.

Em 13 de agosto de 2005, escrevi que os obituários, sempre tão generosos no olho e olfato de abutres, pois sempre esvoaçam e rondam a agonia dos grandes homens, daquela vez haviam falhado no alcance e na mira. Sempre tão bons no faro e argúcia, daquela vez os obituários haviam errado o cadáver do brasileiro Miguel Arraes. No entanto hoje, no mais recente outubro de 2014, que continua o trágico 13 de agosto deste ano, o cadáver é outro. Ou melhor, Eduardo Campos ainda não é um cadáver, como foi o socialista  e avô em 2005. Hoje, Eduardo Campos se tornou um fantasma, que ronda o Brasil a partir de Pernambuco.   

A mudança no perfil do PSB foi de tal forma, que não devemos falar em diferenças. Talvez devêssemos falar na decomposição de um nobre que gerou um vampiro. Quando era presidente nacional do PSB, Miguel Arraes alertava que as eleições não deviam contaminar o partido. Mas o que Arraes dizia, os valores pelos quais o pensador de esquerda Miguel Arraes lutava têm agora a moldura de marketing. As ideias de Arraes não mais lutam, hoje apenas enlutam. Em lugar da luta, o luto, das suas ideias. Para o luto de Eduardo Campos.

Desde o velório, diante do seu corpo, os sinais de esgotamento do PSB pulavam entre os vivos. De fato, no contexto armado do show mortuário em frente ao palácio do governo de Pernambuco, cujo mote era uma tragédia, entre os telões com os atores políticos e pessoas com bandeiras eleitorais do PSB e de Marina Silva,  a ressurreição falava mais perto à terra. Porque o significado era mais simples e baixo, nas condições do show eleitoral criado em torno da missa: a ressurreição era para Marina Silva e a inclinação à direita.

Ali começou a campanha da onipresença da direita no Recife e no Brasil, de modo sufocante e matador da sensibilidade e inteligência. A trágica morte de Eduardo Campos foi usada sem nenhum pudor. Desde o velório, plantaram-se boatos de que Dilma e o PT eram responsáveis pela morte física de Eduardo Campos. Durante toda a campanha, Eduardo Campos se tornou o personagem El Cid, aquele que morto teve o cadáver posto, amarrado a um cavalo, a cavalgar na batalha, para que desse a ilusão de vida e assim melhor ânimo espalhasse na tropa. Mas o caminho à direita já estava aberto bem antes do feito heroico do novo El Cid.

Para o PSB, Arraes como pensamento já era passamento, morte, anterior ao desastre de 13 de agosto de 2014. A sua prática, do avô, a sua destruição, pelo neto, estava em queda antes da tragédia do avião. Aquele abraçar contrários, ex-adversários, inimigos do avô Arraes,  como Jarbas Vasconcelos, ao mesmo tempo que se voltava para um lugar distante de aliados, amigos de esquerda e socialistas históricos,  a quem antes havia abraçado, isso já estava claro, porque se fazia a olhos vistos. Mas sempre com um sorriso aberto, que era um passaporte para a mordida, que a maioria de nós não víamos.

Uma das maiores contribuições de Maquiavel foi abstrair da análise política os propósitos virtuosos, repletos de valores éticos e edificantes. Mas isso não significa que a moral, no reino até dos animais, tenha deixado de existir. Daí que lembramos de passagem a mudança assustadora do PSB em Pernambuco, que se transformou também   em partido fincado em laços de amizade e genéticos. Com Arraes, naquele tempo que se apagou definitivo, havia ex-companheiros do tempo da resistência democrática que o acusavam de concentrador, porque não distribuía generoso cargos, valores e representações, e, pior, não abria espaço para que os ex-companheiros também ascendessem ao poder no tempo das vacas gordas. Quanta ironia, quando se compara com o PSB que Eduardo Campos construiu. O neto não seguiu o avô, embora tenha usado a sua memória mais de uma vez para receber apoios na esquerda e receber atenções materiais dos governos Lula e Dilma.

Quando se olha a administração pública, pela incidência de nomes vinculados aos Campos e Arraes, temos a impressão de que estamos diante de novos nobres, ou um clã de novos Kennedys. A comparação, a lembrança do nome Kennedy, não vem por acaso, mas não cabe um aprofundamento nos limites deste artigo. O fato é que o DNA Arraes aparece em todos os caros cargos da administração. Segundo uma pesquisa publicada no site Vi o Mundo, em reportagem de  Conceição Lemes, Chico Diniz e Daniel Bento, os parentes de Eduardo Campos se estendiam da mãe Ana Arraes, no Tribunal de Contas da União,  a sobrinhos, tia, sogro, cunhada, ex-cunhado e primos em cargos relevantes de Pernambuco. O que mais chamava a atenção na lista era a presença de três gerações de familiares de Eduardo e Renata Campos na administração estadual, inclusive jovens. (Em http://www.viomundo.com.br/denuncias/eduardo-campos-tem-parentes-no-governo-secretario-nega-nepotismo.html ) É uma família de gênios, reconheçamos. Da mãe aos primos e filhos, a quem já prometem um futuro venturoso  na política.  

Que diferença, para os princípios “atrasados“ do velho Arraes, que exigia da filha Mariana uma prática de jornalismo sem privilégios, pois a deixava correr perigo em programa de rádio de Direitos Humanos, como fui testemunha e com quem trabalhei. Para o velho pensador, para o socialista Miguel Arraes, a família era acima de tudo os trabalhadores espoliados. Uma das maiores dificuldades de Gregório Bezerra, no primeiro de abril de 1964, foi convencer camponeses a não virem ao Recife. Massas de trabalhadores se dispunham a vir à luta armados apenas de facões, facas e enxadas contra fuzis e tanques do exército brasileiro. Bastaria esse fato para dar a dimensão do velho. Mas ainda é pouco. A coisa dita assim, até parece que massas ignorantes, fanatizadas, dispunham-se ao sacrifício, a entregar o próprio corpo ao genocídio. Mas não. Tal amor era manifestação testemunhal por atos concretos do que foi o primeiro governo Miguel Arraes. É com ele que surge o revolucionário, o pioneiro e odiado "Acordo do Campo": trabalhadores da cana-de-açúcar tiveram os mesmos direitos que os trabalhadores urbanos de Pernambuco: salário, décimo terceiro, carteira assinada... deixavam de ser escravos. Daí o fanatismo daquela grande família.

As últimas notícias falam que na portaria da sede do PSB, a quem os jornais chamam com acerto de “sigla”, na região central de Brasília, chegaram a ser pregadas folhas com a inscrição: "Aqui o socialismo resiste. #nenhumvotonoPSDB". Coitados dos idealistas, tão inocentes. E tão frágeis, porque afinal se mantiveram neste novo PSB, que nega e renega o que foi o partido de Miguel Arraes. O  compressor da direita de Eduardo Campos foi mais pesado.

Há nove anos, em um 13 de agosto, escrevi “Arraes, urgente”. Naquele dia, para a memória de um dos mais ilustres brasileiros, lembrei uma declaração de princípios do velho político: "Como homem público, tenho que esperar tudo, sem queixa, porque é minha obrigação ir pra cadeia, se é pra manter a minha posição de defesa do povo e não capitular diante dele. É minha obrigação ir pro exílio, se não posso ficar na minha terra”.

Quantas ciladas a vida nos prega. Hoje, com o apoio do PSB à direita brasileira, a história responde com o fantasma do neto Eduardo Campos: Arraes, adeus. 

Urariano Mota
Leia Mais ►

Recordar é dever: corrupção em Minas é “legalizada”!


O Bloco Minas Sem Censura denunciou à época: os tucanos alteraram a lei tributária para garantir benefícios fiscais de forma arbitrária e secreta à empresas ou setores empresariais sem qualquer fiscalização do Legislativo.

O artigo 225 da Lei 6763 permitiu que o governador nomeasse um secretário que tivesse o poder de negociar benefícios, inclusive com empresas devedoras do fisco estadual.

Antônio Eduardo Macedo Leite foi nomeado secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico no governo tucano. Sua esposa “coincidentemente” era chefe de gabinete do deputado Luiz Humberto (PSDB).

Segundo investigações do Ministério Público, o referido deputado tucano e aecista era assíduo frequentador do gabinete de Antônio Eduardo, quando acompanhava empresários que iriam lá negociar “facilitações” tributárias.

Avalia-se que em só em 2012 o estado deixou de arrecadar 40 MILHÕES DE REAIS!

O processo corre em segredo de justiça. E, diferentemente de outros casos, não tem vazamentos de áudios.

É legítimo perguntar: teve “comissão” na cessão de tais benefícios? Os tais benefícios não quebravam a necessária isonomia no tratamento às empresas? Por que tais concessões eram secretas?

Ah, esteve envolvido um advogado conhecido da Polícia Federal e da Receita Federal: Ildeu Cunha, preso com Marcos Valério em 2008 por crime tributário. Com a palavra, Aécio Neves da Cunha!

Minas Sem Censura
Leia Mais ►

1º programa de Dilma na TV no 2º Turno


O primeiro programa eleitoral do segundo turno de Dilma Rousseff nos mostra um panorama das eleições no último domingo: mais de 43 milhões de brasileiros querem Dilma Rousseff de novo! Ela venceu em 15 dos 27 estados brasileiros e foi a segunda mais votada em 10 estados.

Em Minas Gerais, governada por 12 anos por Aécio Neves e seus correligionários do PSDB, a vitória foi dupla: Fernando Pimentel (PT) foi eleito no primeiro turno e o estado também votou, em sua maioria, pela reeleição de Dilma Rousseff.

"O que está em jogo é um modelo de país. É fato que o candidato da oposição representa um modelo que quebrou o país três vezes, que abafou todos os escândalos de corrupção, que privatizou o patrimônio público a preço de banana, que causou desemprego altíssimo, arrocho salarial e repressão, que esqueceu os mais pobres", afirma Dilma Rousseff ao relembrar que a sua luta é pelo futuro do Brasil, com novas oportunidades de avanços pelo povo brasileiro.

O programa eleitoral também nos relembra que líder do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, após o resultado do primeiro turno, chamou os 43 milhões de brasileiros que votaram em Dilma Rousseff de desinformados. FHC ignora os brasileiros que viram a melhora de suas vidas após os governos de Lula e Dilma. Hoje, não somos mais o 2º país com maior número de desempregos: somos o Brasil com a menor taxa de desemprego da história.

Vamos ao segundo turno, com um governo novo, ideias novas! No final do programa, Dilma apresentou as suas propostas para Saúde, Educação, Reforma Política, Combate à Corrupção, Desenvolvimento. Um governo de igualdade de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Estamos todos juntos: somos coração valente!

Leia Mais ►

A família pública do Aécio


Leia Mais ►

Aécio: é São Paulo contra o Nordeste


O PSDB é um partido paulista: controlado por líderes paulistas, defende os interesses da elite de São Paulo e depende fortemente do voto paulista.

Foi no Estado de São Paulo que Aécio Neves colheu sua maior vitória no primeiro turno em 5 de outubro (de São Paulo saíram 10 milhões dos cerca de 30 milhões obtidos pelo PSDB).

Nas redes sociais, militantes tucanos comemoram: “aqui é São Paulo!”

Outros dizem coisas horríveis sobre o povo nordestino — que votou em massa no PT. A elite paulista pautou a eleição assim: São Paulo contra o Brasil.

E não deixa de ser irônico: o PSDB — partido dos paulistas — dessa vez tem um candidato mineiro. Mas é um mineiro rejeitado em sua terra natal.

Sim, em Minas Gerais o PSDB perdeu no primeiro turno a eleição para governador, e Aécio Neves ficou bem atrás de Dilma na soma de votos para presidente!

Mas em São Paulo — terra de FHC, Serra e Alckmin — o PSDB colheu vitória importante.

Por isso, não há qualquer dúvida: a candidatura de Aécio está nas mãos dos paulistas. E eles querem dominar de novo o Brasil, como já fizeram no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Não se engane: Aécio tem sotaque mineiro, e gosta de frequentar as noitadas cariocas. Mas na Política ele representa São Paulo. Da mesma forma que FHC (nascido no Rio) foi no governo um representante das elites paulistas.

A elite dos Jardins e Higienópolis (bairros “nobres” paulistas) não se conforma com o avanço do Brasil.

Não se conforma com o fato de o Rio de Janeiro ser o núcleo da nova indústria do Petróleo, depois da descoberta do Pré-Sal.

Não se conforma com a força da nova economia nordestina — que cresce enquanto São Paulo mergulha no mau humor.

A elite de São Paulo não aceita que o Nordeste tenha melhorado nos últimos doze anos.

E atenção: o povo nordestino (que vive em seus estados de origem, ou que dá um duro danado em São Paulo, Rio e por esse Brasil afora) precisa saber o que se fala do Nordeste em terras paulistas.

O típico paulista acha que Nordestino é “vagabundo”. Sei disso porque vivo em São Paulo, já ouvi isso da boca de paulistas.

E nem é gente rica. É gente que detesta o sotaque nordestino, gente racista.

O mais triste: parte do povo trabalhador em São Paulo foi contaminada por esse discurso, e manifesta um ódio visceral “por esses nordestinos que agora andam de avião e pensam que são gente”.

O ex-presidente FHC, chefe político de Aécio, acaba de dizer que o PT só tem voto do “povo mal informado”.

FHC (aquele que chamava aposentado de “vagabundo”) não teve a coragem de falar com todas as letras o que tucanos de São Paulo berram nas ruas, nos bares, nos ambientes sociais: “nordestino é povo sem cultura”.

Mas FHC traduziu isso de forma chique…

Infelizmente, ouvi coisa parecida de um colega de trabalho, na semana da eleição.

“Eu voto em qualquer um para acabar com esse PT corrupto, e que só ajuda o Nordeste”.

Aí lembrei a ele que o PT não inventou a corrupção, e que os governos Lula e Dilma incentivaram a Polícia Federal a investigar pra valer os poderosos.

O amigo paulista respondeu: “pode ser, mas então eu não voto porque não quero mais favorecer nordestino”.

É disso que se trata: Aécio significa o Brasil dominado pela turma da Bolsa de Valores de São Paulo, dos bancos e empresas paulistas, e pelo ódio da classe média paulista.

O povo da Bahia, do Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Alagoas precisa saber disso.

E mais que tudo: o povo pernambucano (que votou massivamente em Marina Silva, por lealdade a Eduardo Campos) não deve se confundir.

Aécio é garotão mineiro, criado nas praias da zona sul carioca.

Mas, por trás dele, há toda a turma de São Paulo. Há a ideologia da elite paulista.

Claro, eu sei que Aécio tem votos em outras partes do Brasil.

Mas a candidatura dele representa um projeto paulista: ligado aos bancos, dominado pela ideologia de que o mais forte deve vencer, ele é contra a intervenção do governo para proteger os mais pobres, e quer privatizar tudo.

Programas sociais e direitos trabalhistas? Não, porque isso “atrapalha” as empresas.

Esse é o projeto que Aécio representa.

Não é novidade. Em 1930, Getúlio Vargas derrotou a elite paulista.

São Paulo reagiu em 1932 com uma “revolução” liberal.

Na verdade, era a reação dos fazendeiros paulistas inconformados porque o poder lhes escapava das mãos.

Nos anos 50, o trabalhismo de Vargas se consolidou em todo Brasil: menos em São Paulo e no Rio de Carlos Lacerda (onde a “zona sul” já era fortemente contra o povão).

Direitos sociais, direitos trabalhistas: a elite paulista detestava (e detesta) isso tudo.

Sabe o que diziam de Vargas? “Nunca houve governo tão corrupto”. Igualzinho ao que falam hoje sobre Lula e Dilma.

Aécio é a repetição dessa história. Ele vem forte para o segundo turno? Sim.

Com ele, estão FHC, Serra e aquela paulistada que pensa assim: “queremos o Brasil de volta, em nossas mãos”.

Não se engane. Se Aécio fosse bom para os mineiros e para o Brasil, ele teria ganho a eleição em Minas. E perdeu.

Aécio é bom para a elite de São Paulo. E só.

Quem assina esse texto é um paulista, filho de paulista, neto de paulista. Conheço bem essa terra.

Ela está envenenada pelo ódio. Mais à frente, quem sabe, poderemos implodir essa muralha de ódio.

Por hora, é preciso impedir que o ódio paulista contamine o Brasil! Aécio vencerá em São Paulo no segundo turno? É provável, e com ampla margem.

Mas que não vença com o voto do nordestino que vive em São Paulo, e nem com o voto dos paulistas que sabem qual o lado do povo trabalhador.

E mais importante: que Aécio seja amplamente derrotado Brasil afora.

Essa eleição será mais ou menos assim: São Paulo x Brasil. Infelizmente, será assim.

O Nordeste, a Amazônia, o Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Sul terão força para derrotar esse projeto?

Acredito que sim.

Não me impressiono com pesquisas.

A elite de São Paulo vai perder de novo. Mesmo que dessa vez tenha escolhido um mineiro para “disfarçar”…

Mas é um mineiro que serve ao ódio paulista.

E ódio, como se sabe, serve para muito pouco nessa vida.

Antonio de Azevedo, é paulistano da gema
No Viomundo
Leia Mais ►

O dia em que FHC rejeitou o REUNI


Assim como o Bolsa Família, o REUNI (Programa de Apoio a Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) tornou-se uma das vitrines dos governos Lula-Dilma Rousseff.

O programa foi instituído pelo decreto nº 6096, de 24 de abril de 2007. Além das possibilidades de testar novos projetos pedagógicos, com a abertura de novas universidades regionais o REUNI acabou se transformando na maior ferramenta de fortalecimento regional do país — mais ainda do que o Bolsa Família e o salário mínimo, na opinião de Tânia Bacellar, a maior especialista em desenvolvimento regional do país.

* * *

O Bolsa Família passou como um cavalo encilhado por Fernando Henrique Cardoso. E ele não montou (leia “O dia em que FHC rejeitou o Bolsa Família). A universalização do combate à pobreza já tinha passado pelo Congresso mas foi vetado por ele com um argumento burocrático: o projeto poderia "contrariar o interesse público", devido ao fato de que "as metas propostas (...) implicam conta em aberto para o Tesouro Nacional, (...)”.

* * *

O caso REUNI é igualmente emblemático — e acompanhei de perto.

Por volta de 1997 e 1998, montei algumas discussões públicas sobre o papel das universidades. Tempos depois, entrevistei a professora Glacy Zancan, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) que me contou que, com base no material divulgado pela coluna, a SBPC preparara um projeto de reforma universitária, que encaminhou para o então Ministro da Educação Paulo Renato de Souza.

Os princípios do projeto eram, entre outros pontos, a abertura de novas universidades fora dos grandes centros e a criação de novos critérios de avaliação, nos quais haveria peso maior para a contribuição que a universidade pudesse dar para a economia regional.

O projeto continha ainda uma série de recomendações para utilização da capacidade ociosa das universidades, mudanças curriculares.

Glacy reclamava não ter recebido resposta alguma do MEC. Cobrei de Paulo Renato e denunciei pela coluna o descaso.

De nada adiantou.

* * *

Por volta de 2005, o então Secretário Executivo do Ministério da Educação Fernando Haddad descobriu o projeto da SBPC perdido nas gavetas do MEC. Entendeu de pronto seu alcance, juntou todas as pontas e lançou com o nome de REUNI.

O decreto definia uma dotação para o programa, que reverteria em recursos para as universidades que montassem projetos enquadrados nas prioridades do programa.

* * *

Esse modelo de dotações extras acoplados a programas e metas foi um dos principais instrumentos do MEC, tanto para as universidades como para o ensino básico, através da FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

* * *

Qual a razão para tal perda de oportunidades por FHC?

A principal era a falta de espírito público. Na Presidência, encantava-o o cerimonial, o espírito de corte, não a possibilidade de mudar o país. Com o Avança Brasil, poderia ter inovado na forma de gestão pública, mas jamais deu a menor atenção ao programa.

O que se passaria na cabeça de FHC, enquanto presidente?

Ousar novas políticas dá trabalho, de administrar interesses contrariados, de confrontar o estabelecido. Além disso, qualquer projeto novo será sempre bombardeado pela mídia enquanto não se consolida; e esquecido depois que dá certo. E o Brasil não tem um povo que mereça tanto sacrifício.

No entanto, tornou-se a expressão máxima do PSDB.

Talvez explique a razão do partido ter perdido qualquer veleidade reformista, qualquer proposta inovadora, limitando-se apenas a prometer manter as políticas bem sucedidas.

Luiz Nassif
No GGN
Leia Mais ►

“Tentativa de interferência na disputa eleitoral”


Para Conselheiro Nacional do Ministério Público, vazamento de informações obtidas pela delação premiada compromete imparcialidade da Justiça

Doutor em Direito, com curso de pós-graduação na Alemanha, o professor Luiz Moreira é um dos principais estudiosos da judicialização — aquele processo das sociedades contemporâneas pelo qual o poder judiciário busca interferir em decisões do poder político. Conselheiro Nacional do Ministério Público, Luiz Moreira condena com veemência o vazamento das informações de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff a respeito do escândalo da Petrobras. Isso porque elas foram obtidas pelo regime de delação premiada — cujo pressuposto é o sigilo. “Cria-se a sensação de que estamos num vale tudo e que o sistema de justiça além de imiscuir-se na disputa eleitoral também não tem compromisso com a ordem jurídica,” diz Luiz Moreira. O professor deu a seguinte entrevista ao 247:

— Como explicar que informações obtidas a partir de um acordo de delação premiada tenham vazado para os jornais, para o rádio e a TV?

Explica-se a partir de uma tentativa de interferência na disputa eleitoral. É lamentável que o sistema de justiça produza essa anomalia, ou seja, que um procedimento judicial cercado de técnicas sofisticadas de colhimento dos testemunhos simplesmente se volte contra a ordem judicial que determina seu sigilo. No fundo, esse vazamento deslegitima o sistema de justiça, porque ele perde sua imparcialidade, porque perde seu apego à legalidade.
Cria-se a sensação de que estamos num vale tudo e que o sistema de justiça além de imiscuir-se na disputa eleitoral também não tem compromisso com a ordem jurídica.

— Por que nenhuma autoridade assume suas responsabilidades nessa situação?

Esta situação é fruto de uma covardia institucional que prospera em certos círculos, em que arestas são evitadas. Este é o ambiente propício para que interesses corporativos se sobreponham à República. Impressiona o silêncio das autoridades e a disseminação de uma cultura de desconfiança em que todos somos corruptos até que se provê o contrário. Este ambiente que produziu uma espécie de estado de exceção que ataca diretamente as liberdades e criminaliza a política. Claro que institucionalmente estas ações tem propósito eleitoral e político. Eleitoral porque é produzida para interferir no segunda turno das eleições presidenciais; política porque fabrica a submissão do Estado aos órgãos de controle e cristaliza o status quo.

— Qual a justificativa para se manter a delação premiada sob sigilo?

Era de se esperar que o sigilo durasse, no mínimo, até que o processo eleitoral fosse concluído. Fundamental para o sistema de justiça é a produção de segurança e que a sociedade lhe atribua respeitabilidade. Se o sistema de justiça passa a agir sem critérios mínimos e passar a se imiscuir na disputa eleitoral, deixa de ser visto como imparcial.O sigilo é inerente à delação premiada. Nesse sentido, os testemunhos só são verossímeis se acompanhados de provas. Sem provas, não têm qualquer valor jurídico.

— Por que acreditar que as informações estão sendo divulgadas de forma seletiva?

A seletividade é óbvia. Explico: os depoimentos colhidos são tomados a partir de uma técnica sofisticada que garante o sigilo, protege os dados e impossibilita tanto a difusão do teor dos depoimentos quanto das informações colhidas. Nesse sentido, há uma engenharia responsável pelo vazamento que seleciona criteriosamente que partes devem ser divulgadas e o momento adequado para que o vazamento chame mais atenção e cause mais impacto nos eleitores. Estou afirmando claramente que há um projeto de poder nesses vazamentos, que tenta se sobrepor pelo medo, na medida em que produz uma chantagem institucional sem precedentes. Não por acaso as duas delações em que questão vazam, respectivamente, na reta final do primeiro turno e no início do segundo. Todo mundo sabe que seria possível aguardar o fim das eleições. Isso não iria interferir de forma nenhuma na produção de provas nem nos testemunhos.

Leia Mais ►

Justiça eleitoral confere “título” inédito ao PSDB: O partido mais corrupto do Brasil


Análise dos 317 políticos brasileiros que foram impedidos de se candidatar pela lei Ficha Limpa traz uma descoberta interessante: o PSDB é o partido político mais sujo do Brasil. Veja o ranking


Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) barraram até agora a candidatura de 317 políticos com base na Lei da Ficha Limpa, de acordo com levantamento feito nos 27 Estados do país.
Entre esses fichas-sujas, 53 estão no Estado de SP.

Na divisão por partido, o PSDB é o que possui a maior “bancada” de barrados, com 56 candidatos — o equivalente a 3,5% dos tucanos que disputam. O PMDB vem logo atrás (49). O PT aparece na oitava posição, com 18 –1% do total de seus postulantes.


Os nomes barrados pelos TREs irão aparecer nas urnas eletrônicas, mas todos os seus votos serão considerados sub judice até uma eventual decisão no TSE. Exemplo: se o ficha-suja tiver mais votos, mas seu recurso for rejeitado, assume o segundo colocado na eleição.

A maioria dos barrados foi enquadrada no item da Lei da Ficha Limpa que torna inelegível aqueles que tiveram contas públicas rejeitadas por tribunais de contas.

Levantamento

De iniciativa popular, a lei foi sancionada em 2010, mas só passou a valer na eleição de 2012, e em 2014 ganhou mais força. A lei ampliou o número de casos em que um candidato fica inelegível — cassados, condenados criminalmente por colegiado ou que renunciaram ao cargo para evitar a cassação.

Analisando os 317 políticos brasileiros que foram impedidos de se candidatar pela lei Ficha Limpa, a equipe de reportagem fez uma descoberta fantástica.

Os petistas tem 18 candidatos que a Justiça impediu de candidatar-se em função daquilo que em outros tempos se chamava de folha corrida. Não é pouco, certamente.

Homens públicos devem ter uma reputação sem manchas e seria preferível que nenhum candidato — do PT ou de qualquer outro partido — tivesse uma condenação nas costas.

O problema é que os supostos “petralhas” são apenas o 8º partido em condenações. Se houvesse um campeonato nacional de ficha-suja, estariam desclassificados nas quartas-de-final e voltariam para casa sob vaias da torcida, que iria até o aeroporto jogar casta de laranja no desembarque da delegação.

E se você pensa que o primeiro colocado é o PMDB, tão associado às más práticas da política, símbolo do atraso, da fisiologia e da corrupção — em especial depois que se aliou a Lula, nunca antes — enganou-se. O líder é o PSDB de Aécio Neves e Reinaldo Azambuja.

Os tucanos tiveram 56 candidatos rejeitados pela Lei dos Ficha Suja. Isso dá três vezes mais do que os petistas. Para falar em termos relativos: a porcentagem de ficha suja tucana entre seus candidatos é de 3,5%. Dos petistas, 1%.

Em sua entrevista em Paris, logo depois da entrevista de Roberto Jefferson onde ele denunciou o mensalão, Lula disse que o PT apenas fazia “o que os outros partidos sempre fizeram.”

Lula foi muito criticado por isso, na época. Vê-se que Lula errou, mas por outro motivo: o PT fazia menos do que os outros partidos.

No Poços10
Leia Mais ►

Abstenções, brancos e nulos superam votação de Aécio no 1º turno

Aécio Neves, em votação em Belo Horizonte (5/10
Tucano chegou ao 2º turno com 34,8 milhões de eleitores enquanto votos não válidos e faltosos somam 38,7 milhões

O primeiro turno das eleições de 2014 revelou um dado alarmante para os partidos políticos. O alto número de abstenções e de votos brancos e nulos, que superaram a votação do candidato Aécio Neves (PSDB), que ficou em segundo lugar na corrida presidencial.

Na primeira fase da eleição encerrada no último dia 5 de outubro, os eleitores que não foram representaram 27.698.475 milhões de votos enquanto os nulos somaram 6.678.592 e os brancos 4.420.489. No total, foram 38.797.556 milhões de votos sem candidato definido.

A título de comparação, Dilma Rousseff (PT) conquistou 43.267.668 milhões de votos enquanto Aécio teve 34.897.211 milhões de adesões e Marina Silva teve outros 22.176.619.

Eleições 2010

O fenômeno, no entanto, não é novo. Nas eleições presidenciais de 2010, por exemplo, Dilma recebeu 47.651.434 no primeiro turno. Seu advesário mais direto, o tucano José Serra, teve 33.132.283 e a terceira colocada, Marina Silva, então no PV, recebeu o apoio de 19.636.359.

Naquela eleição, a abstenção foi de 24.610.296 enquanto os votos nulos somaram 6.124.254 e os votos em branco foram 3.479.340. No total foram 34.213.290 milhões de votos, votação igualmente superior ao do segundo colocado no primeiro turno daquela eleição.

Na etapa final das eleições de 2010, vencidas por Dilma, a petista computou 55.752.483 milhões de votos contra 43.711.162 do tucano José Serra. a abstenção atingiu 29.196.864 ante 4.689.394 votos nulos e 2.452.594 votos em branco.

Apenas nesse caso, com dois concorrentes apenas na fase final, é que o número de abstenções, brancos e nulos não supera a votação do segundo colocado. No caso do segundo turno em 2010, brancos, nulos e abstenções totalizaram 36.338.852 milhões de votos.

No Último Segundo
Leia Mais ►

“Carnaval” da mídia não garantiu vantagem a Aécio. É daí para baixo, agora


Ibope e Datafolha fecham um resultado em comum na primeira pesquisa: 51% para Aécio, 49% para Dilma.

Estes números, que seriam os votos válidos, correspondem a 46 a 44%, com 4% de nulos e 6% de indecisos, em ambas as pesquisas.

Com a “margem de erro” revelada nas pesquisas finais do primeiro turno, isso quer dizer… absolutamente nada.

Ou melhor, quer dizer, sim.

Aécio está, com o surpreendente resultado que obteve no primeiro turno e ruidosa comemoração da mídia deste fato, no seu melhor momento.

Aliás, com a permanência de Marina, até as pesquisas finais, de adversária mais provável  de Dilma, Aécio vinha se livrando de questionamentos mais diretos.

E os dias seguintes, era saudado como o que iria receber todos os apoios, o que só em parte se confirmou, com a relutância de Marina Silva em passar-lhe um cheque em branco.

Aécio está naquela mesma condição em que estava a ex-senadora Marina Silva quando se tornou candidata, aparecendo do nada a que estava relegado como “grande esperança” de vitória contra o governo Lula-Dilma.

E, ainda assim, não lhe puderam — bem que a Época  tentou, com uma pesquisa marota, feita para ser exibida no programa de TV de Aécio, hoje — dar-lhe uma vantagem na disputa.

E olhe lá se tem estes números…

Quem estava pessimista, se olhar que nem neste momento conseguem disparar com Aécio.

Aécio vai minguar depois de sua festa de ressurreição que pareceu a muitos um milagre e a mim, apenas, a reafirmação de que a política real — não os nossos delírios — é a que acaba prevalecendo.

E Dilma, refeita do baque que foi perceptível na sua entrevista pós-eleição, vai crescer, se alimentando da mobilização que seus dois primeiros dias de campanha de rua.

Fernando Brito
Leia Mais ►