8 de out de 2014

Diretor do Instituto Paraná é nomeado para estatal tucana


Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, que acaba de divulgar uma pesquisa para o segundo turno dessas eleições, colocando Aécio Neves com 54% dos votos válidos, contra 46% de Dilma, já está nomeado para integrar o novo governo de Beto Richa.

A informação vazou para o blog do Esmael, há algumas horas.

Imaginem se fosse o contrário? Se o Vox Populi divulgasse uma pesquisa mostrando a liderança isolada de Dilma poucos dias depois de vazar a informação de que ele seria nomeado para a diretoria de uma estatal do PT?

Hidalgo deverá dirigir a Celepar, companhia de TI do estado do Paraná.

A pesquisa cheira a uma grande farsa, porque dá vantagem a Aécio inclusive entre os mais pobres.

Depois do fiasco das pesquisas nas eleições do primeiro turno, os institutos agora abandonaram todos os escrúpulos no segundo. Em especial este de Hidalgo, novo empregado de Beto Richa.


PS: Veja porque a pesquisa do Instituto Paraná parece fraude.

No primeiro turno, foram registrados 104 milhões de votos válidos.

Dilma obteve 43 milhões de votos. Aécio, 34,9 milhões. 25,8 milhões de votos foram dados a outros candidatos, sobretudo Marina.

O Instituto diz que Dilma tem, no segundo turno, 46% dos votos válidos. Isso corresponderia, então, a 47 milhões de votos.

Ou seja, Dilma teria herdado apenas 4 milhões de votos dos outros.

E Aécio, teria herdado… 21,27 milhões.

É muita cara de pau.

Tem mais.

O instituto dá 55% para Dilma no Nordeste. Isso corresponderia a 16 milhões de votos, num total de 29 milhões de votos válidos na região.

Ora, Dilma teve 17,45 milhões de votos no Nordeste no primeiro turno. Quer dizer que ela, além de não herdar nenhum votinho de Marina, ainda perderia mais de 1 milhão de votos?

Aécio, por sua vez, de uma hora para outra, se tornaria um campeão do Nordeste?

Conta outra!

PS 2: A pesquisa foi paga pelo próprio instituto, e custou R$ 62 mil. É muita disposição para gastar dinheiro, não?

PS 3: O tal instituto Paraná não fez nenhuma pesquisa de abrangência nacional no 1º turno. Ao menos, não encontrei nada registrado no TSE, desde janeiro deste ano.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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“Se tudo for investigado, ele acaba preso”; ele é Aécio

Correia  cita como casos de corrupção, os dois aeroportos feitos por Aécio com dinheiro público nas fazenda da família do pai e da mãe, a rádio Arco-Íris, o Mineirão, o mensalão tucano e a Lista de Furnas
Antes do último domingo 5, Aécio Neves (PSDB) alardeava que, em Minas Gerais, teria 4 milhões de votos a mais que Dilma Rousseff (PT) na disputa presidência da República.

Os mineiros lhe deram uma baita cortada nas asas, assim como de outros tucanos.

Em Minas, segundo colégio eleitoral brasileiro, Dilma teve mais votos: 4.829.513 — 43,48%. Aécio, 4.4414.452 — 39,75%.

Na disputa ao governo do Estado a surra foi maior. Fernando Pimentel (PT) ganhou no primeiro turno 5.362.870 (52,98%). Pimenta da Veiga, candidato de Aécio, teve 4.240.706 votos (41,89%).

“Minas tem uma tarefa importante agora”, avalia o deputado estadual Rogério Correia (PT), em entrevista ao Viomundo. “Demonstrar ao Brasil o quanto é falso o discurso aecista e os malefícios produzidos aqui pelo choque de gestão.”

“A corrupção em Minas é enorme”, diz Correia. “Só que as pessoas não sabem.”

“Enquanto a Dilma manda investigar toda denúncia, pois não tem nada a temer, Aécio não deixa investigar nada aqui”, frisa.

“O senador Aécio não deixa investigar nada, porque tem denúncias que o envolvem pessoalmente, além das denúncias contra o seu governo”, afirma Rogério Correia. “Se tudo for investigado, ele acaba preso.”

Rogério Correia foi reeleito para um quarto mandato na Assembleia Legislativa de Minas com 72.413 votos. É o vice-líder do Minas Sem Censura, bloco parlamentar de oposição que ajudou a criar. 

Segue a íntegra da nossa entrevista

Viomundo — Como avalia a derrota de Aécio em Minas Gerais?

Rogério Correia — Aqui, tudo era escondido. Mas, com a campanha nacional, Minas passou a conhecer melhor o Aécio e isso levou à derrota dele. O que ele dizia na televisão, no horário eleitoral, chocava o povo mineiro.

— De que forma?

— Ele insistiu muito que nós tínhamos uma educação maravilhosa. Só que aquela educação maravilhosa não existe aqui. Quando os alunos, os professores e os mineiros em geral viram aquela propaganda mentirosa, eles compararam e ficaram chocados. Era um discurso falso. Ou seja, o marketing que o Aécio fez para o restante do Brasil entrava em contradição com a realidade. Essa falsidade levou à derrota dele aqui.

Houve ainda mais dois fatores que levaram Aécio à derrota em Minas. Um foi a arrogância. Achava que mandava em Minas. Ele dizia que ia ter aqui 4 milhões a mais de votos que a Dilma.

O outro fator é que quem cuidou do povo de Minas foi a presidenta Dilma, não foram os tucanos. Tanto que a votação dela nas regiões mais carentes foi estupenda.  No Norte de Minas, Dilma chegou a ter mais de 70% dos votos.

A cerca neoliberal tomou um curto circuito, ela foi desligada e o choque de gestão desmascarado.

Com a cerca neoliberal desligada, nós pudemos saber melhor o que estava se passando em Minas. E a opção foi pela Dilma.

Minas Gerais tem, agora, uma tarefa importante: demonstrar o quanto é falso, mentiroso, o discurso aecista e revelar ao Brasil os malefícios produzidos  aqui pelo chamado choque de gestão.

— O senhor falou da cerca neoliberal. Ela seria o quê? 

— Seria uma espécie de cerca eletrificada, circundando o Estado de Minas por todo lado, e que dá choque. No caso, choque de gestão. Aqui, em Minas, a cerca neoliberal aqui tem quatro pontos. O primeiro deles, um Estado quebrado.

— Como um Estado quebrado?

Aécio fica falando do crescimento do Brasil, só que Minas não se desenvolveu. Minas ficou exportando minério. O minério caiu de preço, a economia mineira foi para o buraco.

Eles [Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Antonio Anastasia] nunca propuseram um desenvolvimento de forma sustentável para o Estado de Minas.

— Por quê?

Eles nunca acreditaram que o Brasil fosse se desenvolver. Para eles tudo é dependente do capital financeiro internacional. É o vínculo ao capital estrangeiro e, no caso aqui, à exportação de minério.

Então eles ficaram esperando o fracasso do Brasil em vez de fazer de Minas um Estado que planejasse o seu desenvolvimento.

Tanto que aqui não tem projeto para metrô, estradas, anel rodoviário. Aqui, não tem projeto regional de desenvolvimento.

Nós vamos ter que fazer esse projeto. Desenvolver Minas do jeito que o Brasil se desenvolveu. Colocar Minas na mesma rota que o Brasil se desenvolveu.

— E o segundo ponto da cerca neoliberal?

O neoliberalismo em si. Essa cerca conta com privado. Aqui, tudo feito com parceria público-privada (PPP). Tanto que eles nunca quiseram trazer para cá as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal.

— Por quê?

Porque aqui só serve se for PPP e privatização. Metrô, anel rodoviário, estradas. Aqui, ou é PPP ou não se faz. E, em Minas, as PPP fracassaram.

O pedágio cobrado na MG 50 [rodovia estadual] é o mais caro que existe em Minas e essa estrada sequer foi duplicada. Ela mostra que o modelo de privatização de estradas foi um fiasco.

Aqui, privatizaram até presídio.  Os presídios privados custam mais caro ao Estado do que os presídios públicos.

Eles privatizaram o Mineirão. Melhor dizendo, doaram o Mineirão.

E, agora, no final do atual governo eles queriam vender a Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais] e a Gasmig [Companhia de Gás de Minas Gerais].  É a PEC 68 que pretendia a privatização dessas empresas e que nós, do Minas Sem Censura,  não deixamos que fosse adiante.

Tem ainda a desorganização do Estado. É o que eles fizeram com as professoras. Eles baixaram a lei 100, que mentia, dizendo que iria efetivar todo mundo sem concurso público. Depois, caiu por terra.

O pessoal do Aécio desorganiza para poder privatizar depois. Esse é segundo ponto da cerca neoliberal em Minas.

— E o terceiro?

As questões sociais. Em Minas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) cresceu menos que no Brasil. Somos o último estado do Sudeste e agora Goiás ultrapassou Minas.

Esse é resultado de 12 anos ininterruptos de Aécio e Anastasia e mais os quatro anos de Azeredo. Todos tucanos.

— E o quarto ponto da cerca neoliberal?

— O estado de exceção. O Aécio e seu grupo político têm controle absoluto na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Contas, no Tribunal de Justiça, no Ministério Público. Falta democracia nesses órgãos. Isso sem falar no controle absoluto que eles têm sobre a mídia mineira. Censura, mesmo, com mãos de ferro.

Isso foi rompido com o Bloco Minas Sem Censura, os movimentos sociais e a própria campanha eleitoral deste ano.

Ao romper o cerco midiático e o aparato do Estado, que é completo, nós desmontamos para a sociedade o que é o governo neoliberal em Minas.

Essa cerca neoliberal em Minas esconde tudo.  Ela não deixa investigar nada.  Por exemplo, os dois aeroportos que o Aécio construiu em Minas com dinheiro público para a família dele.  A rádio Arco-Íris, do Aécio e da irmã dele, a Andrea.

— Aécio e os tucanos em geral vivem acusando o governo Dilma de corrupção, como se fossem vestais, não tivessem telhado de vidro.

— Isso é piada. Aécio e a tucanada mineira sabem disso.

A corrupção em Minas é enorme.  Os governos de Aécio e Anastasia foram tremendamente corruptos, só que não deixaram investigar. Aqui, nós temos ex-secretários que estão em processo judicial, inclusive com pedido de prisão.

— Os mineiros sabem desses casos de corrupção?

Quase ninguém sabe, porque a Andrea Neves, irmã do Aécio, controla a mídia mineira com mãos de ferro. Quem tenta furar esse bloqueio, acaba preso, como o jornalista Marco Aurélio Carone, do Novo Jornal. Eles acabaram com o jornal do Carone e, ainda, o mantêm preso desde janeiro deste ano.

— Que casos de corrupção o senhor apontaria?

— Para começar, os dois aeroportos feitos por Aécio à custa de dinheiro público para beneficiar a família. Ele é tão generoso com os parentes que fez um aeroporto para a família do pai e outro para a família da mãe.

O de Cláudio, da família da mãe, é o mais conhecido. É aquele que fica fechado o tempo inteiro e o tio do Aécio guarda a chave para que outros não o utilizem.

Mas tem também o de Montezuma na área da fazenda do pai.

Tem a rádio Arco-Íris, localizada na Grande Belo Horizonte, que é do senador e da irmã Andrea. Ela injetou milhões lá. Nós não sabemos quantos exatamente, porque nunca deixaram investigar. Nós pretendemos criar uma CPI na Assembleia Legislativa para descobrir essa corrupção.

— Qual corrupção será alvo de investigação?

— Além dessas que acabei de citar, tem a reforma do Mineirão, a dívida de mais de  R$ 8 bilhões com a Educação e outros R$ 8 bilhões com a Saúde, descumprindo o mínimo constitucional… E por aí vai.

A corrupção tem de ser sempre enfrentada. É o governo Dilma faz. A Dilma enfrenta, não põe pra baixo do tapete. Já o Aécio não enfrenta a corrupção.

— O Aécio teria medo de enfrentar essas denúncias?

— Teria, não. O Aécio tem medo de enfrentar essas denúncias.

— Por quê?

Porque as denúncias de corrupção o envolvem pessoalmente. A perda do controle sobre a Assembleia Legislativa de Minas Gerais e a perda do governo levaram os tucanos ao desespero.

O senador Aécio não deixa investigar nada, porque tem denúncias que o envolvem pessoalmente, além das denúncias contra seu governo. Se tudo for investigado, ele acaba preso.

Além dos dois aeroportos, da rádio Arco-Íris e do Mineirão, o senador não consegue responder à população sobre o mensalão tucano e o caso Lista de Furnas, do qual ele e o partido fizeram parte. Aécio recebeu R$ 110 mil de Marcos Valério e R$ 5,5 milhões da Lista de Furnas.

Enfim, o governo tucano em Minas endividou o Estado, não planejou o nosso desenvolvimento, não aplicou o mínimo para Educação e Saúde, impedindo um melhor IDH. Escondeu tudo através da censura e substituiu os três poderes de Montesquieu pelo lema dos 3 mosqueteiros: “Um por todos e todos por um”.

Conceição Lemes
No Viomundo
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Nanicos apoiam Aécio. Qual é a surpresa? Que diferença faz?

Até o final da tarde desta quarta-feira, Marina Silva ainda não proclamou oficialmente ao país quem irá apoiar no segundo turno, embora não haja muitas dúvidas sobre a sua preferência.

Mas três nanicos já se anteciparam, ao anunciar que estão com Aécio Neves, e não abrem: primeiro, foi Roberto Freire, eterno presidente e proprietário do PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro), que não conseguiu sequer se reeleger deputado federal em São Paulo, apesar do apoio de José Serra e da mídia aliada; em seguida, chegou a vez de Eduardo Jorge, do PV, um partido que há tempos é uma folclórica linha auxiliar dos governos do PSDB e, por fim, o venerável pastor Everaldo, do PSC, que já vinha fazendo dobradinha com o tucano nos debates.

E daí? Qual é a novidade? Se nos programas políticos e nos debates de televisão do primeiro turno já eram todos contra o PT de Lula e Dilma, não havia motivos para que mudassem de posição agora. Com perdão pelo trocadilho, até aí morreu o Neves.

Somando o voto de todos os nanicos com os de Marina, como mostrei e provei no post anterior, nem se chega perto do total de eleitores que optaram por não escolher nenhum deles no primeiro turno.

Pois são exatamente eles, os 38,7 milhões dos eleitores reunidos no contingente dos "não votos" (brancos, nulos e abstenções) que irão definir este segundo turno em 2014, e não estes caciques nanicos de partidos idem. O resto é só farofa para alimentar os portais e as especulações em dia de noticiário fraco, antes do reinício da propaganda eleitoral previsto para amanhã, quando serão divulgadas também as primeiras pesquisas do Ibope e do Datafolha no segundo turno.
Ricardo Kotscho
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Grampos da PF tem Caixa 2 de Eduardo Campos e pegam PSDB!


Investigações revelaram intensa atividade de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção de empresários e políticos ligados ao PSDB e ao PSB.

Grampos realizados pela Polícia Federal, com autorização da justiça, dentro das Operações “Farda Nova” e ”Zelador”, iniciadas ainda em 2007, para investigar ações do doleiro Jordão Emerenciano, com o “Jogo do Bicho” (objeto da Operação "Zebra"), acabou por flagrar a intensa atividade de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, de políticos e empresários, dentro do governo Eduardo Campos e até do que nas conversas se chamou de negócios com “petróleo”. 

Dentre os flagrados pelos grampos da Polícia Federal, destacam-se, pela desenvoltura com que operavam e direcionavam licitações e negócios de empresários em SUAPE, em troca de comissões que chegavam a 35% do valor contratado pelas mais diversas secretarias e órgãos do Governo do Estado de Pernambuco, o ex-vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros, hoje um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves, em Pernambuco e extremamente ligado a tucanos da mais alta plumagem, o ex-deputado federal Bruno Rodrigues, hoje do PSB, mas quando das práticas criminosas filiado ao PSDB e o até hoje presidente da CEASA de Pernambuco, Romero Pontual, do PSB e ex-tesoureiro de campanha do Partido Socialista Brasileiro e do ex-governador Eduardo Campos.


Da “Operação Zelador” surgiu a Operação “Farda Nova”, onde Romero Pontual é apontado pelos agentes federais como integrante de uma “verdadeira quadrilha” destinada a fraudar licitação para compra de fardamentos para alunos da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco. Já ali, chama a atenção dos agentes federais, o fato de que Pontual fora “tesoureiro da campanha” do então governador Eduardo Campos:




Nos grampos, é possível acompanhar a desenvoltura com que o ex-tesoureiro de campanha de Eduardo Campos e do PSB, juntamente com o doleiro Jordão Emerenciano, direcionavam as licitações milionárias nos mais diversos órgãos do Estado de Pernambuco, para favorecer as empresas comprometidas com o esquema de corrupção de seu grupo: fardamento, combustível, merenda, medicamentos, empreiteiras, Petrobras, influência política, instalação de empreendimentos em SUAPE, nada ficava fora do esquema do que a própria Polícia Federal chamou de "Organização Criminosa", que usava a própria sede da CEASA para reuniões de "negócios":

 







Em um dos relatórios a que o Blog teve acesso, fica claro que o doleiro Jordão Emerenciano era uma espécie de Alberto Youseff dos esquemas de corrupção, em Pernambuco, que não poupava nem o FUNDEPE - Fundo de Pensão dos Servidores do Estado de Pernambuco, numa espécie de conluio com o então deputado federal do PSDB, depois filiado ao PSB, Bruno Rodrigues: "aparecem indícios de que o mesmo poderia estar envolvido na prática de crimes de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, possível pagamento de propina a políticos dentre outros crimes contra o Sistema Financeiro, e operações ilegais de câmbio e corretagem, o que, pelo menos em tese, se constatado mediante investigação policial, formaria verdadeira Organização Criminosa":



O relatório da Polícia Federal chega a comparar o esquema montado pelo doleiro Jordão Emerenciano juntamente com o ex-deputado Bruno Rodrigues com aquele arciculado pela Corretora Bônus Banval: "O esquema montado pelo DEPUTADO FEDERAL BRUNO RODRIGUES e por JORDÃO EMERENCIANO se assemelha ao esquema praticado pela BANVAL CORRETORA que se aproveita dos fundos de pensão para fazer operações(…):


A Polícia Federal flagrou, ainda, nos grampos, articulações do então vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros e do doleiro Jordão Emerenciano, junto  ao que chamaram de "caciques da política pernambucana ligados ao PSDB" para "aprovarem projetos e instalações de empresas no PORTO DE SUAPE":


Outro fato que chama a atenção nos grampos da “Operação Zalador” é o próprio ex-governador Eduardo Campos ser flagrado cobrando Romero Pontual sobre a licitação da Saúde, apesar de Romero Pontual ser presidente da CEASA, órgão, portanto, totalmente dissociado da área a ele cobrada pelo ex-governador. Em outra conversa interceptada entre Romero Pontual e o ex-governador Eduardo Campos, observa-se que o assunto tratado é a licitação da "Educação". Confiram:



Os grampos ainda apontam para a influência de Romero Pontual, juntamente com Jordão Emerenciano na Casa Militar, além de possível tráfico de influência do ex-deputado Bruno Rodrigues, junto ao governador de São Paulo, também do PSDB, que, na época, era o recém eleito senador José Serra:


Os grampos ainda apontam para vários contatos de Pontual com Antônio Figueira, à época presidente do IMIP, o que leva a crer que o contrato a que se referia o então governador Eduardo Campos, era a terceirização dos Hospitais e UPAS para a entidade presidida por seu futuro secretário de Saúde, que também aparece nos grampos da Operação Assepsia do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que resultou na cassação da prefeita de Natal, Micarla, do PV.

O presidente da CEASA de Pernambuco, Romero Pontual, de acordo com as investigações realizadas pela Polícia Federal, nas Opreações “Farda Nova” e “Zelador”, mantinha rotina de almoços com o ex-governador Eduardo Campos, ao mesmo tempo em que manipulava os resultados das licitações e negócios nas mais diversas secretarias e órgãos do governo de Pernambuco, o que demonstra o alto grau de confiança e proximidade do Chefe do Executivo pernambucano com seu subordinado, chefe do esquema de achaques ao Erário, flagrado pela Polícia Federal:



O filho de Romero Pontual, conhecido como Romerinho, é dono de várias empresas fornecedoras de merenda escolar, entre elas a "Casa de Farinha", fornecedora, por coincidência, de todas as prefeituras do PSB, inclusive para a Prefeitura do Recife, Ipojuca, São Lourenço da Mata, Paulista, Moreno e para o governo do Estado de Pernambuco.

As empresas de Romero Pontual Filho também já foram alvo de Operações da Polícia Federal. Em um trecho das gravações, os policiais flagram uma conversa entre pai e filho sobre um cheque que haveria para eles na sede da Construtora Moura Dubeux e que foi considerada uma "conversa obscura" pelos agentes federais:


O que causa estranheza é que tendo sido iniciadas em 2007, nenhuma dessas operações, apesar dos flagrantes de crimes gravíssimos, até agora resultaram nem no afastamento do senhor Romero Pontual e nem muito menos em processos ou prisões para os criminosos flagrados, pela própria Polícia Federal, com o conhecimento do Ministério Público Federal, em atos atentatórios contra o Erário.

Noelia Brito
No Carta Maior
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Direito de Resposta a FHC


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Contadora de Youssef acusa Veja de mentir


A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, preso no âmbito da Operação Lava Jato, Meire Poza, desmentiu a revista Veja em diversos momentos de seu depoimento à CPI Mista da Petrobras nesta quarta-feira 8, no Congresso. "Eu não disse o que Veja colocou. Não disse que Youssef tinha ascendência sobre prefeituras do PT", afirmou a depoente aos parlamentares.

Questionada sobre se o tesoureiro do PT, João Vaccari, seria o "operador" do esquema, ela negou e disse não ter qualquer informação a respeito.

Mais de uma vez, Meire declarou que diversos comentários publicados por Veja, em uma edição que saiu às vésperas do primeiro turno das eleições, não foram feitos por ela. A contadora ressaltou nunca ter distribuído dinheiro a ninguém – a capa da reportagem tinha como título: "Eram malas e malas de dinheiro". "Isto é a Veja, não é o que eu disse", disse a depoente.

Em outro trecho da reportagem de Veja, afirma-se que "Meire Poza viu malas de dinheiro saindo da sede de grandes empreiteiras, sendo embarcadas em aviões e entregues às mãos de políticos". Ao ser questionada por parlamentares, ela novamente negou. "Não é o meu depoimento. Isso é a Veja."

Sobre parlamentares envolvidos em esquemas de corrupção, ela afirmou ter ciência do voo do deputado federal André Vargas (ex-PT/PR) num jatinho e do helicóptero dado ao deputado federal Luiz Argôlo (SD/BA). Outro político mencionado foi o ex-ministro Mario Negromonte, das Cidades. Ela negou, ainda, que Youssef tivesse ascendência sobre prefeituras do PT, conforme publicado pela revista da Abril.

Meire Poza também foi questionada sobre a suposta chantagem feita pelo doleiro Enivaldo Quadrado sobre o PT em razão da morte do ex-prefeito Celso Daniel – tema de outra reportagem de Veja. "Não sei de chantagem", afirma. "Esse contrato não me dizia nada", disse. Ela afirmou, apenas, que Enivaldo Quadrado teve sua multa no processo do mensalão paga pelo PT.

O depoimento vem frustrando os parlamentares. "O depoimento coloca os pontos nos is em questões que foram atribuídas a ela", disse o senador Humberto Costa (PT-PE). "Como por exemplo dizer que o senhor Youssef tinha ascendência sobre prefeituras do PT e que o senhor João Vaccari operasse qualquer esquema junto a fundos de pensão", afirmou. "Órgãos de imprensa colocam na boca de pessoas coisas que não são verdade. Aliás, essa conspiração citada por um órgão de imprensa [Veja] sobre chantagem foi negada pela própria Justiça Eleitoral".

No 247
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Depois do tucano receber os votos dos paulistanos e se reeleger, mandou avisar que #NãoVaiTerAgua

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Juca Kfouri conta como Aécio Neves engavetou a corrupção da Loteca

O candidato Aécio Neves, fala muito em combater corrupção. No entanto, quando teve a chance de colocar em pratica, engavetou  e jogou  dois casos de corrupção (loteca e processo de cassação do mandato do deputado Eurico Miranda) para debaixo do tapete. Pelo menos é isso que explica o jornalista da Uol Juca Kfouri,  na matéria de titulo: “Dois contatos com Aécio”

“Duas vezes os destinos de Aécio Neves e o deste blogueiro se cruzaram no mundo do futebol”.


A primeira foi em 1985, quando o senador por Pernambuco, Marcos Freire, presidia a Caixa Econômica Federal e Aécio Neves, por indicação do seu parente Francisco Dornelles, então ministro da Fazenda do governo de José Sarney, foi nomeado diretor do setor de Jogos da Caixa.

A revista “Placar”, três anos antes, havia denunciado um esquema de manipulação de resultados dos jogos da Loteria Esportiva e, durante todo o período final da gestão do ditador João Figueiredo, a Caixa não colaborou para sua elucidação.

O caso ficou nacionalmente conhecido como o da “Máfia da Loteria”.

Como a Loteca caiu em descrédito, era de interesse da Caixa tratar de limpar a imagem das apostas e Freire determinou a Aécio que colaborasse para tal.

O jovem Aécio, aos 25 anos de idade, jamais deu um passo para cumprir a ordem.

O cruzamento seguinte deu-se em 2001 quando Aécio era presidente da Câmara dos Deputados.

Corria um processo de cassação do mandato do deputado Eurico Miranda, do mesmo partido de Francisco Dornelles, o PP.

A cassação era dada como certa até que, no dia da decisão, sob a justificativa de comparecer ao enterro da mãe de Dornelles, Aécio se ausentou e o processo acabou arquivado pela mesa diretora da Câmara.

O “Jornal Nacional” da Rede Globo noticiou o episódio:

“O deputado Eurico Miranda se livrou hoje do processo de cassação de mandato. A mesa da Câmara considerou que não havia provas suficientes contra o presidente do Vasco – contrariando o parecer do relator. A manobra foi comandada pelo deputado Severino Cavalcanti. Amigo de Eurico Miranda, ele se empenhou para derrubar o relatório da corregedoria. A base da investigação foi o trabalho da CPI do Futebol, que apresentou provas contra o dirigente do Vasco da Gama. Ele é acusado de desviar dinheiro do clube, sonegação de impostos e apropriação indébita. O relatório do corregedor pediu a abertura de processo para perda de mandato. 

Dos seis integrantes da mesa diretora só dois votaram a favor do relatório. O presidente da Câmara, Aécio Neves, que estava fora de Brasília por causa do enterro de um parente, não votou, mas deixou a posição dele por escrito pela abertura de processo contra o deputado Eurico Miranda. Quatro deputados votaram contra. Resultado: o pedido de investigação foi arquivado. “Nós mandamos o arquivamento porque não encontramos documento necessário.

 Nós não estamos aqui para absolver a ou b, mas sim para não fazer injustiça com aquilo que nós não temos consciência”, justificou o deputado Severino Cavalcanti. “Eu estou convencido de que a corregedoria da casa apresentou provas materiais e testemunhais que possibilitariam o Conselho de Ética aprofundar num processo de punição contra o deputado Eurico Miranda”, criticou o deputado Barbosa Neto. Livre da investigação na Câmara, o deputado Eurico Miranda ainda vai ter muito o que explicar na Justiça Federal. Ele responde a inquéritos por crimes contra a ordem tributária, contra o sistema financeiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e estelionato. O deputado Eurico Miranda não foi encontrado para comentar a decisão da mesa da Câmara”.

Helena
No Amigos do Presidente Lula
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A discutível capacidade de Marina para transferir votos


A união com Eduardo Campos quase nada agregou ao então candidato do PSB

Embora vá cozinhar o anúncio até quinta-feira, Marina Silva está decidida a apoiar Aécio Neves. Segundo fontes do PSB, ela tem avaliado que o apoio a Dilma é impossível, pois seus próprios eleitores não a perdoariam, e que a neutralidade também a desgastaria muito junto a uma parte importante de sua base política. Apoiar Aécio será a opção de menor custo político, embora vá também descontentar a ala esquerda de seu eleitorado. Será um trunfo importante para o tucano, que já ganhou o apoio do PPS e colherá o do PSB, embora rachado: a secção do Rio, liderada pelo ex-deputado Vivaldo Barbosa, já avisou que ficará com Dilma. A repercussão positiva de um fato político traz ganhos eleitorais, sem dúvida, mas outra coisa é a capacidade de transferir votos, um atributo que nem todos os políticos têm. Marina, até aqui, não demostrou possui-lo. Na história recente, ninguém superou Leonel Brizola neste especialidade. Ela transferiu para Lula praticamente todo a sua votação no primeiro turno de 1989.

Em 2010, a capacidade de transferência de votos de Marina nem foi testada, na medida em que ela ficou neutra. Pelo resultado final, viu-se que os 20 milhões de votos que ela obteve no primeiro turno dividiram-se entre Dilma e Serra no segundo, com alguma vantagem para a petista. Mas em sua aliança com Eduardo Campos, o resultado neste quesito não foi bom. Quando o TSE barrou a Rede, em outubro de 2013, Marina tinha cerca de 20% de preferência nas pesquisas. Eduardo Campos tinha 5%. Os dois se uniram, ela se tornou sua vice mas Eduardo cresceu muito pouco. Sua maior marca, segundo a série do IBOPE, foi em junho, quando chegou a 13%. Quando ele morreu, em agosto passado, tinha apenas 8% de preferência. Sua campanha, naquele momento, planejava colar mais a imagem dele ä dela durante a campanha. Marina se empenhou mas não conseguiu, até ãquele momento, transferir sua potencial votação para Eduardo.

Nem por isso, o arco de apoios que Aécio vem recolhendo deixa de ter sua importância: a repercussão é positiva e aponta para a união de todas as forças que desejam tirar o PT do poder. O próprio eleitor, desta vez, pode ser mais receptivo ao pedido dela, embora todo mundo saiba que parte do eleitorado de Marina, frustrada com os governos do PT, acabará refluindo para Dilma. Aliás, o xis desta disputa está na porcentagem de votos marinistas que irá para cada um dos concorrentes no segundo turno.

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O silêncio de Aécio nos ataques ao Nordeste


Desde a apuração dos votos no domingo, a internet foi inundada por uma série interminável de posts preconceituosos em relação aos nordestinos pela votação maciça obtida na região por Dilma.

O sentimento xenofóbico de parte da população do Sul e Sudeste contra os nordestinos não é nenhuma novidade. Tanto que há poucas semanas a nova Miss Brasil também foi xingada nas redes sociais pelo simples fato de ser cearense.

O fato novo é que desta vez a discriminação vem associada a um movimento político de claro apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves, e que foi potencializada pela fala do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que desqualificou o voto dado em Dilma como tendo vindo de uma parcela ignorante da sociedade.

Ainda assim, passados três dias do recrudescimento da demofobia do Sul maravilha, Aécio não fez um mísero pronunciamento repudiando o preconceito contra cidadãos dos quais ele pretende ser o líder daqui a menos de três meses.

O acirramento dos ânimos, natural tendo em vista a quarta disputa consecutiva em segundo turno entre petistas e tucanos, não pode ser o sinal verde para atitudes tão vis. Na França, por exemplo, a demora do Partido Socialista em rebater o ultranacionalismo racista de Jean-Marie Le Pen fez crescer o ódio aos imigrantes.

Ao não se posicionar claramente contra o preconceito antinordestino, Aécio abre espaço para que este pensamento ganhe força e coloca em risco, ao fim e ao cabo, nossa democracia, ainda tão jovem e conquistada a duras penas por mulheres e homens de todos os cantos do país.

Mais: ao calar, o senador, como diria o ditado, parece consentir com o ódio aos nordestinos. Pode-se inferir que o tucano, ciente de que não vai obter melhora significativa de sua votação nos estados da região, quer mais é alimentar o exacerbamento do antipetismo entre o eleitorado das metrópoles do Sul-Sudeste visando a conseguir vantagem sobre Dilma em colégios eleitorais de peso como São Paulo e Rio de Janeiro para aplacar a grande derrota que a presidenta deve lhe impor no restante do país. Aécio vai sujar as mãos desta maneira em troca de uma eleição?

Se a fala de Levy Fidelix incitando a perseguição de homossexuais no debate da Record foi um choque para os brasileiros, o silêncio de Aécio sobre os ataques sofridos pelos nordestinos tem potencial para nos envergonhar muito mais.

Pedro Muxfeldt Oliveira
No DCM
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Wanderley explica segundo turno

Para Wanderley Guilherme dos Santos, convém recordar que "deixar os desvalidos para trás é uma essência imutável no projeto dos tucanos"


Um dos principais intelectuais brasileiros, o professor Wanderley Guilherme dos Santos é o pensador de momentos importantes da historia do Brasil. Seu artigo “Quem vai dar o golpe” permanece como uma obra indispensável para entender o movimento que derrubou o governo João Goulart. Nos textos reunidos em “Décadas de Espanto e uma Apologia Democrática,” Wanderley permite compreender as privatizações e as tentativas de mudar o papel do Estado no governo Fernando Henrique Cardoso. Na entrevista que você pode ler abaixo, feita logo após a contagem dos votos do primeiro turno da eleição presidencial, Wanderley lembra as diferenças entre Dilma e Aécio para dizer que “deixar os desvalidos para trás” é uma “essência imutável no projeto dos tucanos.” Avaliando o que está em jogo no segundo turno, o professor explica: “é mais do que desejável, sobretudo para os pobres, que agora entraram no orçamento da República, que Dilma obtenha tempo para consolidar uma arrancada econômica.”

Qual deve ser a pauta do segundo turno?

Se a pauta do segundo turno for tão mofina e puramente expressiva como a do primeiro, a taxa de abstenção, brancos e nulos tende a aumentar. As duas candidaturas têm o que apresentar, projetos de mudança em direções divergentes, mas reais.

Quais são essas diferenças?

É óbvio não ser possível compatibilizar uma meta de 3% de inflação, a ser buscada desde o primeiro dia de governo, com um aprimoramento das políticas sociais, nem reduzir o ativismo estatal e retomar o crescimento material da economia. E, em especial, o candidato tucano finge apenas não saber que uma chaga de corrupção tão hiperbólica que ocupa todo o seu discurso não poderia dar lugar aos programas sociais do governo, nem garantir a desconcentração regional da economia. Nos últimos dez anos, o crescimento médio per capita no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste foi superior ao crescimento médio per capita do país como um todo, e, este, superior ao do Sudeste e do Sul, na ordem. A diferença entre os dois projetos é profunda, partem de convicções distintas do que entendem por uma boa sociedade e de como chegar a ela.

Qual é a grande questão dos próximos dias?

A pergunta central posta na agenda, agora, é a seguinte: a votação de Dilma está próxima de seu teto enquanto a de Aécio é apenas seu patamar no reinício do jogo, ou vice-versa?’

Qual o balanço do primeiro turno?

Dispensadas as numerologias, o resultado da eleição presidencial de 2014 repetiu quase como Xerox a disposição final, por estado, a eleição de 2010. O candidato do PSDB venceu naquela e ratificou a vitória, em 2014, nos estados do Centro-Oeste e no tradicional trio estadual, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A candidata do PT reproduziu, em 2014, a sólida hegemonia de que dispõe nos estados do Norte, Nordeste e alguns estados do sudeste para baixo. Esta penetração do PT no Sudeste e Sul se revela mais claramente nos resultados dos segundos turnos anteriores. Olhando os mapas coloridos por vitórias partidárias em 2010 e 2014 vê-se que a distribuição das manchas de são idênticas, com a novidade de que, em dois estados, Acre e Pernambuco, Marina Silva obteve a maioria dos votos, em 2014. A conclusão mais razoável indica que a distribuição estrutural das preferências partidárias permanece sem grandes mudanças.

Dá para explicar as falhas nas pesquisas?

As enormes falhas das pesquisas eleitorais estimulam a interpretação de que houve significativa mudança nas preferências nacionais, que não captaram. Diretores de institutos apontam para condições operacionais das pesquisas, materialmente incapazes de captar mudanças ocorridas em 24 horas. O argumento é legítimo, em tese, mas não para explicar que, em 24 horas o candidato Aécio Neves tenha aumentado 11 pontos percentuais em intenções de voto. Isso é impossível. O que ocorreu, com toda probabilidade, foi que os institutos não captaram o que já vinha acontecendo. O resultado final, agregado, estrutural, foi conservador. Os institutos é que apontaram mudanças extraordinárias no eleitorado. Não foi por aí.

Como entender os votos do PSDB em São Paulo?

As mudanças significativas ocorreram nas diferenças nas derrotas e vitórias entre vitoriosos e derrotados, por estado. O PT perder para o PSDB, em São Paulo, é normal, esquisita foi a diferença entre o que diziam os institutos e o que disseram os eleitores. Comparada com votações anteriores, nos candidatos tucanos à Presidência, o percentual obtido por Aécio Neves flutuou, para cima, em torno dos resultados históricos. O resultado fora da curva continua sendo o de Geraldo Alkmin, curiosamente o menos carismático dos três competidores, ele, José Serra e Aécio Neves. Em princípio, a votação de Aécio em São Paulo se explica pelo histórico do PSDB, mas, e o medíocre desempenho eleitoral de Dilma Roussef quando, em outro equívoco, os institutos lhe atribuíam vitória? Esta questão pertence ao conjunto de resultados que, embora historicamente consistentes, apresentaram números bastante diferentes da eleição de 2010. O que importa, em uma vitória, são as diferenças de vitórias locais que, no agregado, garantem a vitória final. O que mudou bastante, em 2014, foram diferenças estaduais entre vencedores e vencidos. E o caso de São Paulo é o mais espetacular deles.

Ccomo explicar isso?

Em minha opinião, o desempenho de Aécio Neves, em São Paulo, e em outras regiões, se deve à recuperação da sigla PSDB nas eleições para a Câmara dos Deputados. Depois de uma trajetória descendente nas últimas três eleições, resgatou a posição de sólido terceiro partido na Câmara. Os candidatos a deputado conduziram Aécio Neves, sem desdouro de seu esforço pessoal. O presidenciavel contou com ventos favoráveis aos candidatos proporcionais, ao contrário do que ocorreu nas eleições de 2006 e 2010.

E os votos para Dilma?

O quadro muda de direção na trajetória de Dilma Roussef. Ela buscou obter vitórias com as maiores vantagens possíveis, que permitissem compensar as desvantagens das derrotas. Mas o fez contra os ventos das campanhas petistas. O PT perdeu dezoito deputados federais nas eleições de 2014, com resultados vergonhosos como o de não conseguir eleger um só deputado em Pernambuco. Em São Paulo o desempenho do PT foi igualmente desapontador. Com toda a irritação que esse juízo possa provocar, Dilma Roussef obteve bons resultados apesar da má conjuntura do Partido dos Trabalhadores. Claro que os acordos, o trabalho das lideranças e da militância petista contribuíram para a vitória de Dilma no primeiro turno, mas as diferenças nas vitórias pontuais não geraram um agregado confortável de votos, face ao desempenho histórico da candidatura tucana. Caberia indagar as razões desse desconforto petista, mas aí é outra história.

Qual é a História?

Seria necessário ir fundo na análise dos sabotadores movimentos “Volta Lula”, entregando ao adversário a crítica de que até o PT estava descontente com Dilma, e o “Lula 2018”, deixando a candidata com um papel de gerente interina no próximo governo. Apesar de tudo isso, Dilma foi capaz de, com sobriedade e sem apelar para as facilidades dos gracejos, mostrar o excelente governo que vem fazendo. É mais do que desejável, sobretudo para os pobres, que agora entraram no orçamento da República, que Dilma obtenha tempo para consolidar uma arrancada econômica, possível, mas sem deixar os desvalidos para trás, essência imutável dos projetos tucanos.

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Aécio: o discurso falso



Aécio Neves: fala em meritocracia, mas seu primeiro emprego foi por indicação política do Sarney, aos 25 anos, de Diretor da Caixa Econômica Federal. Além disso, ganhou uma rádio em Betim-MG do ex-presidente.

Fala em “retomada da competitividade”, mas em 2013 Minas caiu do terceiro para o sexto lugar no ranking de competitividade da “The Economist”, perdendo posições para RS,SC,e PR.

Fala que o seu trabalho em Minas é reconhecido pela população, porém perdeu as eleições para Dilma no estado e seu candidato a governador foi derrotado em primeiro turno por um candidato do PT.

Fala em reduzir os cargos comissionados (sem concurso), mas ele mesmo empregava em abril 23 comissionados em seu gabinete no Senado, com salários entre 10 e 30 mil reais. Hoje, por conta do período eleitoral, emprega 18. Alguém tem dúvida de que ele precisava no máximo de cinco pessoas?

Tudo dito aqui tem fonte:

1) (páginas 31 e 32) http://www.senado.gov.br/transparencia/LAI/secrh/servidores_comissionados_pdf.pdf

2) http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/148042/Para-Economist-Minas-perdeu-competitividade.htm

3)http://www.jusbrasil.com.br/diarios/3457005/pg-1-secao-2-diario-oficial-da-uniao-dou-de-15-05-1985

No DesmascarandoGloboFolha
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Menos médicos com Aécio

Comunidade médica prega holocausto no Nordeste em campanha contra Dilma na web

Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende 'castrações químicas' a eleitores do PT

Reprodução da página 'Dignidade Médica' com quase 100 mil membros no Facebook
Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra de classes no entorno da corrida presidencial, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Com o título de "Dignidade Médica", as postagens do grupo pregam "castrações químicas" contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um "holocausto" entre os eleitores da petista.

Médicos, professores e estudantes de medicina estão entre os 97.901 membros da comunidade na rede social Facebook. Entre postagens de revolta com a situação da econômica do País e xingamentos a nordestinos, os participantes confessam que fazem campanha pró-Aécio até dentro do próprio consultório – público ou privado – convencendo os seus pacientes. Eles dizem que colocam "a recepcionista no lugar dela" com ameaças de que perderia o emprego com a reeleição de Dilma.

O discurso de ódio com conta com frases de "nível de conversa que pobre entende" e ameaças de expulsão do grupo caso o usuário se manifeste contra os ideais da página. Um usuário protesta: "70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!".

As manifestações, no entanto, saíram das redes e foram denunciadas pelo tumblr “Médicos Indelicados”, que reúne os post mais inflamados e dá comentários irônicos aos desabafos dos profissionais de jaleco branco.

Procurado pelo iG, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com sede em Brasília, afirmou ser “contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa”. Em nota, o órgão ponderou dizendo que todos os profissionais podem manifestar opiniões, “inclusive políticas”, mas considerando o “comportamento ético e o respeito às leis”. O CFM cita ainda uma investigação em casos que “extrapolem esses limites”.

Leia abaixo a íntegra da nota CFM ao iG sobre o caso:

“O Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa praticada por qualquer pessoa por conta de aspectos como etnia, origem geográfica, gênero, religião, classe social, escolaridade, orientação sexual ou posicionamento ideológico, entre outros. Esse entendimento representa a percepção da classe médica brasileira.

Para a Autarquia, o Brasil é um país democrático, onde todos os cidadãos devem e podem manifestar suas opiniões, inclusive políticas. No entanto, esta expressão deve ter como parâmetros o comportamento ético e o respeito às leis. Casos que extrapolem esses limites devem ser investigados pelas autoridades competentes.”

Leia os comentários da página "Dignidade Médica" no Facebook:

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Por que a decisão de Gilmar no caso PT x Veja é um perigo para a sociedade

Um estranho conceito de justiça
Eu estava para escrever sobre isso há alguns dias, mas a cobertura do primeiro me consumiu o tempo.

Escrevo agora.

De Gilmar Mendes aprendi a só esperar coisas ruins, mas desta vez ele ultrapassou todos os limites.

Não foi apenas negar um direito de resposta que fora aprovado unanimemente na instância abaixo.

Foi a lógica perversa de sua justificativa.

Como tantas vezes, a Veja fez acusações pesadas sem provar. Disse a revista: “Para evitar que o partido e suas principais lideranças sejam arrastados ao epicentro do escândalo da Petrobras às vésperas da eleição, a legenda comprou o silêncio de um grupo de criminosos – e pagou em dólar.”

Em qualquer país cuja mídia e justiça funcionem, você só publica uma coisa daquelas se tiver documentos que comprovem cabalmente.

Ou então você está na lei da selva, no vale tudo em que um jornalista pode destruir reputações — e vidas — sem qualquer responsabilidade, e em regime de completa impunidade.

A Veja não tinha provas. Instada pelo TSE a publicar uma resposta do PT, recorreu ao STF. E o caso foi parar — logo onde — nas mãos de Gilmar Mendes, o juiz que compareceu, alegre, em pleno Mensalão, ao lançamento de um livro de Reinaldo Azevedo sobre os “petralhas”. É incrível que ainda seja aceita, no Brasil, a promiscuidade entre mídia e justiça. A vítima é a sociedade.

Mendes, cujo antipetismo exacerbado é conhecido, suspendeu o direito de resposta com um argumento que é um perigo para a sociedade, e bom apenas para a Veja.

“O direito de resposta admitido constitucionalmente é aquele decorrente de informação falsa, errônea. Significa dizer que é preciso haver comprovação nos autos de que a informação veiculada na mídia é inverídica”.

Isso quer dizer o seguinte: você tem que provar que é inocente para conseguir resposta.

Fica invertida a máxima segundo a qual você é inocente até prova em contrário. Agora, segundo Mendes, você é culpado até prova em contrário.

O caso ainda será discutido no plenário do Supremo, e é previsível que a sentença infame de Mendes seja atirada, merecidamente, no lixo.

Mas jamais será apagada dos anais do Supremo o gesto de Gilmar Mendes — um ato que ignora, distorce, destrói pilares eternos daquilo que conhecemos como justiça.

Paulo Nogueira
No DCM
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