7 de out de 2014

Os alckmistas estão chegando, estão chegando os alckmistas


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Auditora fiscal do Trabalho é denunciada por incitar ódio aos nordestinos nas redes sociais

Auditora fiscal do Trabalho é denunciada por incitar ódio aos nordestinos nas redes sociaisPostagem foi feita depois do resultado das eleições

O resultado das eleições à Presidência da República de2014 repetiu uma cena que foi vista nas eleições de 2010: uma enxurrada de postagens nas redes sociais que incitam o ódio aos nordestinos.

Na época, a estudante Mayara Petruso foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por discriminação e foi condenada a 1 ano e cinco meses de prisão pela Justiça Federal.

Na noite deste domingo, diversos internautas denunciaram usuários de redes como Facebook e Twitter por incitar o ódio contra os nordestinos.

E uma delas, Ingrid Berger, foi denunciada na Ouvidoria do Ministério Público do Trabalho (MTE) por postar em seu perfil no Facebook que o Nordeste “merecia uma bomba como Nagasaki, para nunca mais nascer uma flor nos próximos 70 anos”.

A denúncia foi feita na esfera administrativa, pois a denunciada é auditora fiscal do Trabalho, aprovada em um concurso de 2013, está em estágio probatório, e por isso, ainda não tem o direito à estabilidade funcional dada aos servidores públicos.

Atualmente, a servidora, que é formada em direito, está lotada Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Cuiabá, no Mato Grosso.

A denúncia foi protocolada pelo advogado baiano Durval Saback.

Ao Bahia Notícias, ele afirmou que recebeu a mensagem através de um colega pelo Whatsapp e checou a veracidade da informação, e, através de um colega, que também é auditor fiscal, confirmou que ela foi aprovada no concurso público.

“A denúncia foi feita na ouvidoria do Ministério do Trabalho para apurar se ela cometeu infração que possa ferir o Código de Ética do Servidor, para instaurar um processo administrativo disciplinar. Somente depois é que se saberá se ela cometeu a infração, para ser demitida do serviço público ou não”, explica.

Tempo depois, segundo o advogado, a conta de Ingrid Berger foi deletada, assim como a postagem. Mas o print da tela foi salvo.

Mensagens de incitação ao ódio, discriminação e racismo postados em rede sociais ainda podem ser investigadas pelo MPF.

A denunciada ainda pode ser investigada na esfera cível e penal.

Denúncias parecidas podem ser feitas no site da Polícia Federal e da ONG Safernet.

No Viomundo
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Ombudsman da Folha entrevista o Manchetômetro, mas não cita

No dia 5 de outubro, dia da eleição, a ombudsman da Folha de S. Paulo publicou artigo com um estudo de valências das matérias publicadas na Folha a partir da escolha de Marina para concorrer à presidência na chapa do PSB. Tudo muito parecido com o que fazemos no MANCHETÔMETRO. Ninguém tem monopólio sobre a metodologia da análise de valências, que já foi testada no Brasil e no exterior, mas o artigo deixa de fazer referência a uma longa entrevista que dei à jornalista dias antes da publicação do estudo, que versou exatamente sobre esse assunto.

No dia 30 de setembro chegou ao e-mail institucional do MANCHETÔMETRO mensagem de um preposto da ombudsman da Folha de S. Paulo, Vera Guimarães Martins, pedindo uma entrevista com o coordenador do site, esse que vos escreve, para “uma conversa sobre os critérios do estudo, a ser discutido na coluna desta semana”. Achei o método de comunicação um pouco estranho. No passado já havia trocado mensagens com a então ombudsman do jornal, Suzana Singer, sem que para isso fosse necessário o uso de intermediários. Pensei com meus botões: por que será que ela não me escreve diretamente? De qualquer forma, aceitei o convite, marcando para terça-feira à tarde uma conversa por telefone.

No começo da entrevista ouvi ao fundo a voz da jornalista falar para uma outra pessoa ao lado uma frase que soou parcialmente ininteligível, mas na qual discerni a palavra “gravação”. Ato contínuo pedi a ela para que, se estivesse gravando, me enviasse uma cópia da entrevista, o que ela concordou em fazer. A conversa começou em tom cordial. Ela começou me dizendo que queria saber mais sobre a metodologia do MANCHETÔMETRO. Eu graciosamente descrevi como funciona nosso trabalho: uma análise de valência, ou sentimento (como dizem alguns autores), feita por meio da codificação manual dos textos, e com 3 níveis hierárquicos de checagem para dirimir dúvidas interpretativas. Ela me respondeu que era fácil determinar quando um texto era favorável ou contrário a um candidato ou partido. A conversa continuou, com mais explicações minhas quanto aos critérios de atribuição de valência que utilizamos.

A uma certa altura, interrompi as explicações para perguntar à jornalista se seu objetivo na matéria era usar nosso trabalho para fazer uma autocrítica do jornal ou criticar o MANCHETÔMETRO. Eu disse a ela que minha impressão, baseada na leitura de sua coluna eventualmente e em troca de mensagens com a titular anterior, era de que o Ombudsman funcionava muito mais como um advogado do jornal frente ao público do que o contrário, que seria sua tarefa autoatribuída. Ela respondeu que era comum o Ombudsman ser acusado de tomar o partido do jornal, mas que sua intenção era usar o MANCHETÔMETRO como um instrumento de ajuda na avaliação da cobertura da Folha.

Em seguida, passei a mostrar à jornalista que nossos resultados apontam para diferenças nas coberturas dos diferentes meios pesquisados, ainda que todos revelem um viés anti-Dilma e anti-PT. Disse até que o viés da Folha é menor, se comparado aos de Estadão e O Globo. Ela respondeu que tinha dúvida se o “viés era anti-Dilma ou se o viés era anti-governo”. Eu alegremente redargui que foi exatamente para responder essa dúvida que fizemos a análise comparando os pleitos de 1998 e de 2014. Ora, naquela eleição o candidato da situação, Fernando Henrique Cardoso, concorria à reeleição. Havia uma terceira força, Ciro Gomes, e o embate principal era entre PT e PSDB, como também por boa parte do atual processo eleitoral. Os resultados narrados por mim são sintetizados no gráfico abaixo, que se encontra em nossa página http://www.manchetometro.com.br/analises-1998/analises98-jornais/:

1

Como mostram os dados, a cobertura de 1998 na Folha foi amplamente favorável ao candidato da situação, contrariando a tese da Ombudsman da Folha de S. Paulo. FHC teve uma taxa de contrários sobre neutros de menos de 23%, ou seja, menos de 1:3. Lula, seu principal adversário, teve quase 92%, isto é, praticamente uma notícia negativa para cada neutra. Proporcionalmente, Lula teve cobertura quatro vezes mais negativa do que seu contendor da situação. FHC ainda teve uma taxa de 40% de favoráveis sobre neutros, enquanto Lula amargou 17%. Dilma, esse ano em posição análoga a FHC no pleito de 1998, tem uma taxa de praticamente 50% de contrários sobre neutros, o dobro de FHC, e 1,7 % de favoráveis sobre neutros, quase 23 vezes menor que a do candidato tucano e então presidente do Brasil.

Ao ouvir esses dados, a Ombudsman engasgou. A voz ficou um pouco titubeante. Mas ela logo se saiu com o argumento de que há outros fatores que devem ser levados em conta, particularmente o “desgaste natural do poder, que sempre tem”. Eu respondi que o PSDB estava em 1998 há 8 anos no poder, e ela objetou que a “Dilma está há doze”. Eu disse que não era tão diferente, mas ela insistiu que era 50% a mais.

Apontei então para o caráter precário do novo argumento, pois ou o jornal tem uma predisposição contra a situação razoavelmente constante, tese que foi refutada com a análise de 1998, ou há um tempo a partir do qual o desgaste do partido no poder leva a um aumento do nível crítico da cobertura. Não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo. Pois se o argumento da ombudsman sugere que acontece algo mágico entre 8 e 12 anos, e o jornal passa do tom laudatório, como fez com FHC em 1998, à crítica acerba, então isso não se verificou com o PT. Basta tomar o pleito de 2010 como exemplo, pois nessa ocasião o PT acumulava 8 anos na presidência, isto é, como o PSDB em 1998. Não disponibilizamos ainda esse estudo no site do MANCHETÔMETRO, mas reproduzo abaixo gráfico com a cobertura dos candidatos na Folha de S. Paulo em 2010:

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Como se pode ver, o desequilíbrio contrário a Dilma e ao PT em 2010 é muito similar àquele que verificamos atualmente. A proporção de contrários sobre neutros nas capas da Folha foi de 57% para a candidata do PT e de menos de 40% para Serra, naquele pleito. Em suma, não é o desgaste temporal da situação que explica o comportamento enviesado do jornal.

No seu Manchetômetro do B, publicado na edição impressa de domingo (5/10/14), a ombudsman constata o viés contrário à Dilma e ao PT, campeões de negativas na primeira página, em manchetes e nas reportagens internas, tanto em números absolutos como em comparação a outros candidatos e partidos. Mas no texto que circunda os gráficos ela tenta justificar esse fato. O argumento principal apresentado por ela é que a Folha de S. Paulo cumpre o papel de contrapoder, ou seja, que o desequilíbrio da cobertura não é viés contra o PT. Literalmente, ela diz que Dilma é mais “fustigada” porque ocupa o “cargo mais alto do país”. Isso é um pouco surpreendente, pois eu já havia mostrado à jornalista que a análise do pleito de 1998 joga essa tese por água abaixo. A tal ideia ela adiciona algo que não havia dito a mim na entrevista: que as críticas desproporcionais devem-se a “índices econômicos ruins”, pois, ela lembra o leitor: “a economia é item de primeira necessidade no noticiário”.

Mais uma vez um argumento que não tem suporte na realidade dos fatos. Voltemos à eleição de 1998. Usando o poder racional da inferência, podemos concluir que, se a tese da economia se verifica, uma vez que a situação de reeleição está presente, então o tratamento favorável dado a FHC deve ser atribuído à melhor situação econômica daquele momento, se comparado ao atual. Tal inferência, contudo é falsa. Vejamos os números das principais variáveis da economia.

De fato, a inflação no IPCA em 1998, 1,65%, foi menor do que a prevista para o ano corrente, de 6,3%, ainda que essa esteja dentro do teto da meta. Mas todos as outras variáveis econômicas são desfavoráveis a 1998, em comparação a 2014. A taxa de desemprego nas regiões metropolitanas era de 18,6% e agora caiu para 10,8%. O crescimento econômico foi 0% naquele ano, e esse ano a previsão é de 0,9% – baixo, mas ainda assim superior à estagnação completa de 1998. A taxa de juros básica da economia flutuou intensamente em 1998 chegando a atingir 49,7%, enquanto que em 2014 ela variou de 10% a 11% ao longo do ano. Eram necessários 6,5 salários mínimos na época para se manter uma família de 4 pessoas, segundo cálculo do DIEESE. Hoje esse índice é de 3,9 salários mínimos.

Em suma, se a tese dos “índices econômicos ruins” vigorasse, FHC teria sido alvo de uma cobertura muito mais negativa em 1998 por parte da Folha, mas não foi.

Não pude, contudo, demonstrar a inadequação desse argumento econômico pois ele não foi usado durante a entrevista. Na verdade, ao ter suas duas teses principais refutadas, a do contrapoder e do desgaste no poder, a ombudsman começou a ficar um pouco desconfortável. Percebendo isso, resolvi assumir eu o papel de entrevistador. Pedi a ela que lembra-se das capas da Folha de S. Paulo dos últimos três dias. A de 30/07 foi: “Com Dilma em alta, bolsa tem a maior queda em 3 anos”. A jornalista concordou que era negativa para Dilma. A do dia anterior, 29/07, era “Dilma não cumpriu 43% das promessas de 2010”. E a do dia 28/07, abaixo da fotografia de Dilma lia-se “PF investiga ligação entre tesoureiro do PT e doleiro preso”. Foi aí, frente a brutalidade desses fatos, que arrematei com as seguintes sentenças: “3 manchetes em seguida, um dia após o outro, todas contrárias à campanha de Dilma. Nós estamos no final de uma campanha política. Não é possível que você trabalhe nesse jornal e não tenha noção disso, sendo ombudsman do jornal.”

Ao invés de responder, contudo, a jornalista passou a reclamar que eu estava assumindo um tom acusatório nos meus argumentos, sendo que o objetivo dela era somente se informar sobre as atividades do MANCHETÔMETRO e talvez citar o trabalho em sua coluna, que saiu no dia 5/10, dia da eleição com um trabalho em tudo igual ao que fazemos. Eu disse que estava respondendo às suas questões, mas ela novamente reclamou de meu tom e disse que achava melhor não publicar qualquer referência ao MANCHETÔMETRO.

O MANCHETÔMETRO nunca foi citado em qualquer dos meios que estuda: Estado de S. Paulo, O Globo, Folha ou Jornal Nacional. Não esperamos tratamento diferente desses órgãos de imprensa, uma vez que nosso trabalho revela uma intensa politização da cobertura que fazem das eleições, a despeito de sua retórica de neutralidade e profissionalismo jornalístico. Não me surpreende o fato de o texto da Ombudsman ser mais uma tentativa de advogar pelo jornal, e não pelo leitor ou pelo público, que é a maneira como essa função é propagandeada pela própria Folha. O que deve ser apontado é a incapacidade da ombudsman, seja na entrevista ou em sua coluna, de responder às questões muito objetivas que lhe foram colocadas: como explicar a tese do contrapoder frente ao viés da cobertura de 1998? Como adotar a tese do desgaste temporal da situação se a cobertura da própria Folha a refuta? Como argumentar que é o contexto econômico que explica o viés se em 1998 a economia estava muito pior do que agora? E por fim, cara ombudman, como o jornal pode publicar 3 manchetes de capa negativas seguidas contra um só candidato e isso não se tornar assunto em suas colunas?
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2014 repete 2010. Dilma enfrenta tucano

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Mais um mito gaúcho que cai


As eleições do último domingo derrubaram um mito muito caro para os gaúchos, o de que éramos um Estado onde vivia uma das populações mais politizadas do País. Nada disso, somos tão alienados como o eleitorado paulista que já elegeu um rinoceronte chamado Cacareco para a Câmara e que já fez do palhaço Tiririca o seu candidato mais votado.

Nós escolhemos o ex-goleiro do Grêmio, Darley, como um dos mais votados para a Câmara Federal e não contente com isso, elegemos também o ex-centro avante Jardel, como deputado estadual. De nenhum dos dois, se ouviu até agora ao menos uma manifestação de um pensamento político de algum valor.

O caso de Jardel, que se apresentou com o nome de Jardel centro avante, é ainda mais sintomático da alienação política dos eleitores, uma vez que desde os seus tempos de jogador era visto como tipo excêntrico, um tanto desconectado da realidade e que depois que encerrou sua carreira foi viver fora do Rio Grande do Sul, só retornando este ano ao Estado.

Sua eleição se deu na esteira do prestígio de Darley, com quem fez dobradinha e com o apoio do treinador Felipão, o mesmo que há anos atrás elogiou o ditador Pinochet, do Chile.

Até hoje, os gaúchos mostravam a polarização entre os partidos de esquerda e direita, como uma prova do comprometimento que tinham com as idéias que organizam as formas de governo, ao contrário de outros estados onde os eleitos muitas vezes não tinham qualquer compromisso com a política.

O resultado, pelo menos no primeiro turno, desfez esta idéia. O vencedor disparado dessa etapa para o Governo do Estado, José Sartori, do PMDB, se posicionou como alguém acima dessa divisão clássica da política, superando os candidatos ideológicos, Tarso Genro, da esquerda, urbana e com veleidades socialistas e Ana Amélia,da direita, rural e conservadora e representantes do que seriam os dois grandes segmentos sociais do Estado.

Sartori, como já fez no passado, Germano Rigotto, pretende se colocar acima das grandes divergências políticas e se posicionar como um administrador honesto e competente. Ou seja, para governar o Estado, os gaúchos estão preferindo um gerente e não um político, abastardando com isso as funções desse cargo.

Mais reveladora ainda foi a eleição do radialista Lasier Martins, sem qualquer vivência política anterior, para o Senado, superando um dos maiores ícones da política rio-grandense, o ex-governador Olívio Dutra. Escorado na fama criada como apresentador de programas de rádio e televisão da RBS, Lasier derrotou Olívio, talvez o quadro mais coerente politicamente do PT.

Dado interessante, que nos permite tentar uma analise do comportamento dos eleitores, foi o fato de que a pesquisa de boca de urna do Ibope, indicou uma vitória de Tarso contra Sartori, de 35% contra 29% e de Olívio sobre Lasier, de 37% a 31%. Os resultados da votação real, porém, foi diferente, com Sartori fazendo cerca de 40% dos votos, contra 32% de Tarso e Lasier com 37% contra 35% de Olívio.

Como é pouco provável que a pesquisa de boca de urna tenha tido um erro tão grande apenas no caso gaúcho, fica a impressão que alguns dos eleitores consultados tenham tido vergonha de confessar que votaram em Sartori e Lasier e que preferiram declarar que acompanhavam o que parecia ser a intenção da maioria, de votar em Tarso e Olívio.

Embora tenha se apresentado como candidato de um partido, o PDT, nominalmente pertencente ao espectro da esquerda política, tudo indica que Lasier será mais um representante do conservadorismo gaúcho, que a julgar pelos eleitos para a Câmara Federal, vai ser mais uma vez dominante em Brasília.

Para os que, como nós, esperavam uma renovação nos quadros políticos do País, os resultados eleitorais são desanimadores até agora e apontam para grandes dificuldades de um segundo governo de Dilma Roussef, se ela confirmar sua vitória no segundo turno sobre Aécio Neves.

Se o Rio Grande está mandando para Brasília uma bancada tão conservadora como a que agora termina o seu mandato, imagina-se que o mesmo deva ocorrer com outros Estados.

Com representantes do latifúndio, dos grandes empresários, da mídia e movimentos religiosos dominando o Congresso, mais uma vez pouco se pode esperar no sentido de que se façam as reformas que o País precisa, principalmente a política. Com seus mandatos renovados no último domingo, estes parlamentares não vão querer mudar uma vírgula no que está escrito na Constituição.

Marino Boeira
No Imagem Política
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Oferta de primavera

Um manancial de praticamente um terço dos eleitores está à espera de ser interessado a participar do segundo turno. O mistério do primeiro turno é a influência que esse manancial, cujas preferências são desconhecidas, desempenhou no resultado ao deixar de incluir sua manifestação por um dos candidatos. O mistério agora é quanto dele é despertável para a participação e, em sendo, como se dividira. Certo é que pode ser decisivo.

Dos quase 143 milhões de eleitores, 29% não foram à urna, votaram em branco ou anularam o voto. Bem mais do que todos os votos dados a Marina Silva, nos seus 21,3%, e próximo do total de 33,6% que levou Aécio Neves ao segundo turno. É uma quantidade exuberante de participações negadas ou impossibilitadas, mas, como de outras eleições, logo se ouvem as corridas em busca de apoio dos derrotados, e nenhuma preocupação em atrair as multidões disponíveis de trânsfugas.

Esperada por muitos já para amanhã, em reunião a ser conduzida por Marina, a escolha do PSB por Aécio Neves seria menos simples, na prática partidária, do que aparenta. Como legenda socialista, o PSB é um partido considerado e que se considera de esquerda, e, com a adesão ao candidato do PSDB, estará apoiando a proposta de um governo com política econômica neoliberal e arrochante em muitos sentidos, por exigência de uma inflação de 3%, como pretendida pelo projeto de Arminio Fraga/Aécio.

O PSB tem parlamentares e governantes, em exercício e agora eleitos, identificados com o (pequeno) simbolismo expresso no nome do partido. E alguns já emitiram os sinais de que puderam acompanhar a candidatura de Marina, um tanto amorfa em política econômica, mas não iriam além disso. Para prevenir tais reações, logo entrou em discussão a cobrança de um compromisso formal de Aécio, protegendo as conquistas sociais existentes. Mas a forma de garanti-lo, para que não seja mero facilitador da adesão, continua em aberto. Caso exista.

O mais cobiçado dos apoios individuais está nos quadros do PSB e, do monumento dos 4,6 milhões de votos para tornar-se senador pelo Rio, o craque Romário avisa que decidirá por si a sua adesão. E lembra: "Sou um favelado que se torna senador". Não apoiou Dilma, o que não quer dizer que tenha dado apoio real a Aécio. Nem que esteve entre as mal disfarçadas traições a Dilma, que teve o apoio declarado dos quatro disputantes ao governo e não o recebeu, de fato, de nenhum deles. O foi mais grave no PMDB, que pôde chegar à campanha com bastante a mostrar graças, sobretudo, à contribuição federal.

No Rio, aliás, Marina deixa disponíveis 31%, que teve contra apenas 27% de Aécio e os 36% que comprovam o abandono de Dilma. Onde menos ocorre a dualidade PT-PSDB é no Rio, ambos fracos. Mas outra multidão de votos tende a discutir sua adesão: os evangélicos, que vão ao segundo turno com o arguto bispo Crivella. Se os evangélicos se aliarem para valer, serão capazes de um salto de gigante rumo ao seu objetivo — o poder. Não só o do Rio. Os católicos assistem em silêncio.

Os próximos dias serão de negociações por baixo e boatos por cima. Os prefeitos que preparem os ouvidos, nos Estados sem segundo turno, porque os governadores eleitos sabem o quanto já são fortes com o poder que ainda não têm.

Por fim, com Eduardo Suplicy, outra perda histórica a mudar a fisionomia do Senado: Pedro Simon, vencido no Rio Grande do Sul.

Janio de Freitas
No fAlha
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Coligação de Dilma elege maioria na Câmara: 304 deputados


Grupamento de Aécio elegeu 128 e o de Marina, 52

Um dos resultados mais nefastos da eleição de domingo foi o aumento da pulverização partidária na Câmara. Na medida em que os partidos com representação na Casa passaram de 22 para 28, os governos serão obrigados a negociar mais para forma uma coalizão majoritária — o que não se faz sem as concessões associadas à “velha política”, a única possível no sistema. O processo parlamentar também se torna mais complicado, com dificuldades para o fechamento de acordo e a votação das matérias. Por conta do ingresso de novos partidos ou do ligeiro crescimento dos pequenos que já tinham representação, as bancadas dos grandes partidos encolheram, embora as maiores continuem sendo do PT, PMDB e PSDB.

A coligação que apoiou Dilma Rousseff no primeiro turno foi a única a obter a maioria absoluta de cadeiras na Câmara (50% mais um, ou mais de 257 votos). Juntos os partidos da base governista elegeram 304 deputados, assim distribuídos: PT (70), PMDB (66), PSD (37), PP (36), PR (34), PRB (21), PDT (19), PROS (11), PC do B (10). Não é uma maioria de 3/5, que garanta a aprovação de emendas constitucionais sem negociação com a oposição, mas é bastante para aprovar projetos de lei e medidas provisórias.

A coligação que apoiou Aécio no primeiro turno elegeu 128 deputados, o que dele exigirá, se for eleito presidente, muita negociação para pelo menos dobrar sua base de apoio com o ingresso de outros partidos no governo. A velha política. Os deputados da coalizão estão assim distribuídos: PSDB (54), PTB (25), DEM (22), SD (15), PTN (4), PMN (3), PEN (2), PTC (2). PT do B (1).

Os partidos que apoiaram Marina Silva elegeram juntos apenas 52 deputados, o que representaria um grande problema de governabilidade caso ela se tornasse presidente: PSB (34), PPS (10), PHS (5), PRP (3).

Na hipótese de todos os partidos da coligação liderada pelo PSB apoiarem Aécio no segundo turno e virem a apoiar um eventual governo do tucano, ele teria uma base parlamentar de 180 deputados, o que continuaria exigindo negociações para ampliá-la, atraindo partidos que hoje apoiam Dilma.

Outros 29 deputados estão distribuídos por partidos que não estiveram nas coligações do chamado G-3, como PSOL, PV e outros.

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Congresso eleito é o mais conservador desde 1964, diz Diap


Apesar das manifestações de junho de 2013 — carregadas com o simbolismo de um movimento popular por renovação política e avanço nos direitos sociais —, o resultado das urnas revelou uma guinada em outra direção. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Diap, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

O aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo refletem, segundo o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, esse novo status.

— O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964. As pessoas não sabem o que fazem as instituições e se você não tem esse domínio, é trágico.

Ele acredita que a tensão criada pelo debate de pautas como a legalização do casamento gay e a descriminalização do aborto deve se acirrar no Congresso, agora com menos influência de mediadores tradicionais, que não conseguiram se reeleger.

— No caso da Câmara, muitos dos parlamentares que cuidavam da articulação [para evitar tensões] não estarão na próxima legislatura. Algo como 40% da ‘elite’ do Congresso não estará na próxima legislatura, seja porque não conseguiu se reeleger ou disputou outros cargos. Houve uma guinada muito grande na direção do conservadorismo.

O levantamento do Diap mostra que o número de deputados ligados a causas sociais caiu, drasticamente, embora os números totais ainda estejam sendo calculados.

A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares. Junto com a redução desses grupos, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização das drogas — temas que permearam os debates no primeiro turno da disputa presidencial — têm poucas chances de serem abordados pelo Congresso eleito, que tomará posse em fevereiro de 2015.

— Posso afirmar com segurança que houve retrocesso em relação a essas pautas. Se no atual Congresso houve dificuldade para que elas prosperassem, no próximo isso será muito mais ampliado. Houve uma redução de quem defendia essa pauta no Parlamento e praticamente dobrou [o número de] quem é contra.

Parte consistente do conservadorismo, segundo Queiroz, virá da bancada evangélica. Ele estima que o número de religiosos desta corrente deve crescer em relação aos 70 deputados eleitos em 2010.

— A bancada evangélica vai ficar um pouquinho maior, mas com uma diferença: nomes de maior peso dentro das igrejas para melhor coordenar e articular os interesses desse segmento junto ao Congresso Nacional.

Entre essas lideranças, o Diap já identificou 40 bispos e pastores.

Militares

O Diap também estima um aumento consistente de policiais e militares eleitos. Queiroz prevê que o aumento de parlamentares com este perfil deve chegar a 30%. “Esse grupo, necessariamente, vai fazer parte da ‘bancada da bala’, porque defende a defesa individual”, diz, referindo-se ao lobby da indústria armamentista.

A ampliação desse grupo é uma onda que veio na contramão das manifestações populares de 2013.

“Isso é produto da alienação. Quem foi para rua, em grande medida, foi pedindo mudanças. Mas sem ter uma liderança capaz direcionar e coordenar [o movimento]. Era ‘contra tudo o que está aí'”, observa.

Queiroz considera que, caso o candidato do PSDB, Aécio Neves, seja eleito, temas como a redução da maioridade penal, considerada uma proposta conservadora, podem avançar facilmente no Congresso.

— O PSDB perdeu em quantidade (reduziu de 12 para dez o número de senadores), mas é uma bancada que se renova do ponto de vista qualitativo. Só que com viés conservador.

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Câmara Federal vai ter 28 partidos: chega de nanicos!


Se todos os partidos que, nas eleições de domingo, conseguiram representação de pelo menos um deputado na Câmara Federal, apresentarem candidatos a presidente da República, em 2018, as emissoras de televisão vão ter que montar palcos gigantescos: serão nada menos do que 28 atores em cena.

Sim, é isso mesmo: aumentou de 22 para 28 o número de siglas com representação na Câmara. Isto torna simplesmente inadministrável organizar qualquer debate, por mais que a lei eleitoral determine a participação de todos os que apresentarem candidaturas.

Inadministrável, na verdade, fica o próprio país. Seja quem for eleito presidente, como vai governar? Alguém já pensou como o presidente da República vai fazer para administrar as demandas de 28 presidentes partidários e seus respectivos líderes na hora de montar sua base aliada para ter maioria no parlamento, sem o que, é impossível governar o país?

Diante deste quadro assustador produzido pelas urnas de 2014, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, já voltou a defender a cláusula de barreira para restringir a verba do fundo partidário e o tempo de televisão para as siglas nanicas. "Este grande número de partidos com um ou dois deputados, que passam a ter acesso a tempo de TV e fundo partidário, mostra que é hora de instituir a cláusula de barreira".

Já passou da hora, caro ministro, permita-me acrescentar. Jamais poderíamos chegar a esta balbúrdia partidária, uma anomalia que me parece única no mundo civilizado. A cláusula de barreira, que prevê um mínimo de 5% dos votos nacionais para que um partido possa ter representação no Congresso Nacional é, a meu ver, o principal ponto de uma reforma política pela qual o país clama, mas que jamais irá acontecer, se depender só dos políticos, sem que haja uma forte pressão popular.

Isto já aconteceu em 2006, mas o Supremo Tribunal Federal fez o favor de derrubar a cláusula de barreira. Nada sugere que agora será diferente. Mesmo que a medida seja aprovada no Congresso Nacional, bastará que o ministro Gilmar Mendes peça vistas do processo, e não se falará mais nisso.

A propósito, lembro que Mendes ainda não liberou o processo sobre a proibição de financiamento privado de campanhas, que já foi aprovada pela maioria do STF, mas não pode entrar em vigor até que o cuidadoso ministro faça o favor de devolvê-lo.

Dos 28 partidos a que chegamos na Câmara, três deles elegeram apenas um deputado (o PTdoB, o PRTB de Levy Fidelix e o PSL) e outros três contam com dois (o PEN, o PSDC e o PTC). Além do insistente Levy Fidelix, poderemos agora ter de volta aos debates o incrível Eymael, o democrata cristão, do PSDC, que antes não tinha nenhum deputado federal. Qual é o eleitor que sabe me dizer o significado dessas siglas?

Para se ter uma ideia da urgência da reforma partidária, se a cláusula de barreira já estivesse em vigor, apenas 7 partidos teriam representação na Câmara. E ficaria de fora o DEM, que já chegou a eleger a maior bancada, em 1998, quando ainda era chamado de PFL, e agora teve apenas 4,2% dos votos válidos.

Esse certamente é um dos motivos do desencanto demonstrado por boa parte dos eleitores nas eleições de domingo, quando quase um terço do eleitorado se recusou a participar da escolha dos novos governantes e dos parlamentares que serão responsáveis pelos nossos destinos nos próximos quatro anos.

Entre votos brancos, nulos e as abstenções, o índice chegou a 29%, um número muito elevado, que deveria preocupar os políticos deste país, se eles não estivessem ocupados apenas com o que é melhor para eles.

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Aécio, Bolsonaro, Feliciano: este é o legado de junho?

Uma parte importante da voz que saiu das urnas no domingo expressa um moralismo reacionário e uma reação conservadora sem precedentes em décadas.

Há dois pontos de partida para entender a decisão deste primeiro turno nacional, encerrado ontem. O primeiro é junho de 2013 e o segundo, o Congresso Nacional eleito. Toda captura de flutuações e acidentes eleitorais não pode deixar de ser sobrepujada pelo fato de que a decisão de domingo (5) contém o moralismo reacionário e uma reação conservadora sem precedentes, pela via eleitoral, em décadas. O Rio, para ficar num exemplo, escolheu Bolsonaro como o grande votado para a Câmara de Deputados. O que o torna o grande votado é o seu caráter moralizador: supostamente, ele está fora dessa "sujeira toda". Em São Paulo, a versão  moralizadora é evangélica, mesmo, sem intermediações classistas no armário: Marcos Feliciano e Russomano. Evangélicos e televisão, além do palhaço Tiririca, que não é pior que nenhum deles, embora tenha sido eleito pelo eleitor que “quer dar o troco”. O troco a que? “A essa sujeira toda”.

A resposta veio com um Congresso mais à direita: mais conservador e mais evangélico. Não há novidade histórica nisso. A todos os movimentos desestabilizadores mobilizados com ajuda de redes sociais, dos últimos anos, no mundo, seguiram-se reações autoritárias, conservadoras e regressivas socialmente. O que se passa é que a resposta à demanda moral é e sempre foi esta: o abrigo seguro da zona de conforto perceptiva representado pela estabilidade prometida da direita. Esse truque moralista da direita tornou-se possível, agora, com a legitimação que as grandes manifestações de junho lhe propiciaram. Poderia ser apenas uma piada ter Aécio Neves reivindicando o “legado” de junho.  O problema é a legitimidade com que ele faz isso: trata-se de tomar para si a reclamação contra "essa sujeira toda".

O moralismo é uma expressão reativa de instabilidade social e desagregação política. O seu truque, embora muito bem calçado na mídia oligárquico-familiar que, mais uma vez, conseguiu tirar uma vitória no primeiro turno para o projeto popular, agora está mais robusto e animado do que nunca. Não têm um carrancudo ou uma carrancuda ressentidos, como candidatos, mas um moço bonito, bem nascido e simpático. Um rapaz que não é exatamente do ramo da Política, mas das oligarquias. Nunca precisou trabalhar para pagar uma conta, nem governar para ter aprovação.  A sua candidatura arregimenta a direita de maneira veloz e consistente, com a gigantesca propaganda midiática que lhe é aliada, desde sempre. Como derrotar isso?

A resposta sopra de Minas Gerais e da superioridade moral da Dilma. Para se chegar nessa resposta é preciso enquadrar o debate eleitoral, pautá-lo e não se render ou entrar no jogo do que nos jogam no colo. É muito revelador da indigência política da oposição brasileira à transformação dos últimos dez anos resumir-se a um único tema: a corrupção. Então, acabar com a fome endêmica não merece reconhecimento, nem termos em curso o maior programa de habitação popular da história do país, nem termos, como temos, hoje, de maneira inédita, um quadro de pleno emprego, nacional, numa democracia, nesta gigantesca crise mundial.

Não importam as conquistas da Petrobras, nem as obras em infraestrutura. O Brasil Sem Miséria, a valorização do salário mínimo e o PRONATEC tampouco são questionados. As políticas de cotas, a política de investimentos públicos e de crédito via bancos públicos. Tudo isso é “corrupção”. Por que? Se tudo isso não passasse de corrupção, esses programas teriam os resultados que tiveram e teriam produzido o impacto que produziram? Por que razão não apresentam alternativas, outras propostas ou programa, para disputar o voto e a confiança do eleitor? Em que se alicerça a confiança requerida pelo candidato do PSDB, para pedir o voto dos brasileiros?

O que ele teria a oferecer está baseado no seu mandato como senador ausente, morador do Rio de Janeiro, ou como ex-governador de Minas Gerais? Seria possível Aécio tecer alguma crítica ou oferecer algum programa de governo alternativo, sem depender da Tevê  Globo, dos seus colunistas no rádio e nos seus jornais, e da Editora Abril e do Grupo Frias, em São Paulo?

O que Aécio pensa do nordeste brasileiro e da transposição do São Francisco? O que ele pretende fazer com a ferrovia transnordestina? Qual a opinião do candidato sobre o sistema de ferrovias e hidrovias em curso e, claro, qual a sua política para o setor energético, vale dizer, Petrobras?

Qual o programa do candidato para fazer o Brasil voltar a crescer nos patamares que o PT fez? Qual o balanço que Aécio faz da educação, do ensino superior e da pesquisa produzida hoje, no país?

Qual o balanço que o candidato do PSDB faz da maior experiência de redução de desigualdades do mundo, neste intervalo de tempo, na história moderna?

O candidato da oposição foi julgado pelo seu estado, um dos maiores colégios eleitorais do país, e condenado, politicamente, pelos maus serviços prestados. O que o mantém e eleva é, uma vez mais, a mídia oligárquica e a direita rearranjada, com seus odiadores de estimação, em alta velocidade.

Pouco importa se ele só apresentou o seu programa de governo na véspera do primeiro turno: ele não precisa de um programa de governo, porque quem precisa disso é quem está submetido ao debate. Ele foi ungido midiaticamente para limpar o país. A esse tipo de escárnio não se responde aceitando as suas acusações nem se submetendo ao seu jogo. Vence-se esse escárnio com seriedade, respeito, memória e sentido histórico.

Não tem essa de que o que o PT fez foi dar continuidade ao que o PSDB fez. Os projetos são diferentes. Para deixar essa distinção às claras, é fundamental situar historicamente as escolhas que foram feitas. O Brasil Sem Miséria é um programa muito menos custoso do que qualquer entrega de patrimônio público já feita pelo PSDB e muito menos custoso do que a remessa de dinheiro via taxação de juros ao sistema financeiro, que foi uma regra aceita pelo PSDB, com galhardia, e pelo PT, com conivência.

Todas e cada uma das conquistas do país, da última década, devem-se a decisões de natureza Política. Reivindicar a dignidade da Política e defender a representatividade é a única maneira de combater o fascismo que nutre a acusação moralista. Se essas coisas não são concretas, cabe mostrar e estabelecer o seu elo de concretização: decidimos enfrentar essa indignidade, que é a fome, abrimos outras possibilidades, para o próximo passo, com o PRONATEC, valorizamos a agricultura familiar, o conteúdo nacional, a economia interna, o patrimônio público.

O ódio moralista é um ódio contra a ideia mesma de algo público e estatal; é a recusa cevada em doses cavalares de denúncias criminalizantes, ad nauseam, de que a solidariedade, a generosidade e o reconhecimento são truques. É esta repulsa que está na origem da defesa das privatizações e também na denegação do caráter civilizatório da transformação ocorrida no país. Sabemos de tudo isso, aprendemos e podemos olhar para o mundo e ver o que fizeram e no que deu o que fizeram (mais de 60 milhões de desempregados nos EUA e na União Europeia, sem contar a regressão brutal nos índices de desigualdade nessas regiões, à beira da depressão econômica e sem prognóstico que não um quadro mais sombrio). A América Latina é hoje, graças aos governos a contravento, da última década, um mercado mais robusto, mais educado, mais estável, do que era e do que estão zonas tradicionais do capitalismo; não é preciso muito esforço para se inferir, daí, o caráter estratégico do Brasil (vai sem dizer um detalhe: o Pré-Sal).

A resposta sopra em Minas, no nordeste, na memória e na Política. E no ataque, em contrapartida, à hipocrisia, ao cinismo, ao autoritarismo e ao caráter oligárquico do projeto representado por Aécio. Foi porque o Brasil rejeitou esse projeto que conseguiu incluir dezenas de milhões, sair do mapa da fome e ter pleno emprego. Foi porque o povo tirou o PSDB da centralidade das decisões políticas sobre o rumo do país que o Brasil chegou aonde chegou, e não o contrário: não somos nós que devemos ao PSDB as grandes conquistas alcançadas. Essas conquistas, todas elas, derivam das escolhas antagônicas àquelas por eles defendidas.

Por fim, sobre o caráter da Dilma. É preciso apresentar a sua “cepa” política: o Brasil tem, talvez pela primeira vez na sua história, uma estadista, republicana e democrática, à frente do país. Essas características estão fincadas na história do trabalhismo, da resistência à ditadura e da construção da democracia por dentro das gestões democráticas e populares. É uma trajetória de compromisso com a democratização do estado e universalização de direitos. É a história da construção mesma do Estado nacional, como experiência democrática, popular e nacionalista.

De nada adianta cantar Bob Dylan em lamento. A resposta não está soprando no vento.

Katarina Peixoto
No Carta Maior
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Dilma e a esperança

CartaCapital apoia a reeleição porque sabe que o PSDB é a direita e uma vitória tucana significaria o retorno ao passado

Semanas turvas. Na campanha final, Lula terá de novo
um papel determinante. A união faz a força
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
A mídia nativa encontra à última hora o novo salvador da pátria. Aécio Neves atropela Marina Silva na reta final do primeiro turno da eleição presidencial e consegue o segundo lugar com uma porcentagem de votos que supera as expectativas. O tucanato está em festa, e tem boas razões para tanto, a se considerar a rápida ascensão do seu candidato. Agora na aposta da continuidade do desempenho em elevação.

O verdadeiro partido de oposição, a saber a imponente estrutura midiática, exulta, na certeza de que sua atuação foi decisiva em alguns estados, sobretudo em São Paulo. De fato, este primeiro turno confirma a terra bandeirante como a mais reacionária do País. São Paulo não somente reelege um governador incompetente como Geraldo Alckmin, irresponsável até em vários casos, além de envolvido em escândalos, mas também confere a Aécio Neves uma vantagem abnorme em relação a Dilma Rousseff.

Segundo aspecto do pleito a ser acentuado: a clamorosa falha das pesquisas em vários estados. Em São Paulo, a surpresa está no resultado alcançado pelo candidato do PT, Alexandre Padilha, muito acima da porcentagem atribuída pelas pesquisas, tão baixa de fio a pavio, a ponto de levar a Globo a se desinteressar, com indisfarçável alegria, da cobertura da sua campanha.

Notável o erro em relação à Bahia, onde a vitória de Paulo Souto no primeiro turno era garantida por robusta porcentagem, e onde quem se sagrou governador de saída é o escolhido de Jaques Wagner, Rui Costa. E no Rio Grande do Sul quem trafegou em terceiro lugar desde o início da campanha a governador, Ivo Sartori, do PMDB, vai para o segundo turno em primeiro lugar. Cabe questionar os institutos: incompetência ou má-fé? Deslize em proveito da crença guardada a sete chaves, ou falta total de acuidade?

Algo mais a anotar: o excelente resultado obtido pela presidenta no Nordeste, a região que soube entender e aproveitar o êxito das políticas realizadas nos últimos 12 anos pelos governos de Lula e Dilma. Mais expressivo de todos, o desfecho baiano. Ali havia motivos para temer o retorno do carlismo, já representado na prefeitura de Salvador pelo neto de Antonio Carlos. Registra-se o êxito da administração wagneriana, sem cavalgada das Valquírias.

Na visão óbvia das próximas três semanas, a nos separar do segundo turno da eleição presidencial, não é árduo prever uma disputa ao último sangue, com a participação maciça da mídia alinhada compactamente às costas do tucanato e, do outro, de Lula, novamente em ação, talvez mais do que nunca.

Cabe comparar a situação de hoje com aquela de quatro anos atrás. Dilma cai cerca de 5 pontos porcentuais, enquanto Aécio melhora em cerca de 1 ponto a posição do então candidato José Serra. Marina Silva também cresceu cerca de 2. Ou seja, as condições não estão muito longe daquelas de 2010. E, por outra, repete-se a polarização tradicional nas últimas duas décadas. E esta é a hora de reafirmar o apoio de CartaCapital à presidenta.

As nossas motivações se reforçam nesta fase do confronto. Ao se inaugurar a campanha, previa neste espaço que tanto Aécio quanto Marina seriam inevitavelmente arrastados para a direita ao surfar a onda midiática. Neste gênero de entrega ao chamado das sereias os tucanos já mostraram largamente a sua escassa vocação odisseica. Foi o que se deu com Fernando Henrique Cardoso na Presidência e com José Serra em diversas oportunidades. Ambos tornaram-se empedernidos reacionários, a exibir toda a inconsistência ideológica da chamada esquerda brasileira. Ou, pelo menos, de certa vertente dita esquerdista.

A esta altura, Aécio já disse a que veio. Em um ponto, certamente, a orientação fica definida. Confesso meu pavor diante da perspectiva de ter Arminio Fraga como ministro da Fazenda, destemido arauto do neoliberalismo, não menos de FHC e seu governo. Apavorante retorno ao passado, para falar alto e bom som, igual a um editorial do Estadão. Temo, obviamente, que a ameaça formulada então, a privatização da Petrobras, se concretize caso Aécio chegue ao trono. E me pergunto o que será de uma política exterior que desatrelou os interesses do Brasil daqueles dos Estados Unidos, ora viva.

E que sobraria de uma política social que melhorou a vida de boa parte de condenados à miséria e investiu bastante em educação? Avanços insuficientes, é verdade factual, mas importantes no País da casa-grande e da senzala. E esta continua a ser a questão central. Como há de ser para quem se empenha a favor da igualdade.

Apoiamos Dilma porque ela representa esperança de igualdade, e CartaCapital não arrefece na expectativa de quem dela se aproxime cada vez mais. O estadista almejado.  Dono, por exemplo, de sabedoria e coragem para coibir os desmandos midiáticos, a começar pela hegemonia da Globo, na terra do futebol onde o próprio, e chego aos limites do cogitável, é disputado nos horários que ela decide. Este pode ser tomado como exemplo miúdo, mas não é.

E se falamos de esporte, regras hão de ser estabelecidas para impedir de vez a farra dos cartolas, de forma a devolver dignidade ao esporte das multidões. É deste gênero de atuação que o povo precisa, inserida no quadro de uma política social voltada às demandas mais profundas da alma nacional.

Não precisamos, por exemplo, de uma dita Comissão da Verdade que se apavora diante da verdade. Factual, está claro. Precisamos, isto sim, liquidar de vez uma lei da anistia imposta pela ditadura encerrada há quase 30 anos. Atitudes deste porte, talvez menor na aparência, provariam de fato uma ousadia nunca dantes navegada, a indicar um governo capaz de dar início à demolição da casa-grande e da senzala. Conduzida em paz, em sintonia, porém, com o nosso tempo.

Mino Carta
No Carta Capital
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Tucanos são os Fantasmas do Passado

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Quem viveu no governo PSDB/FHC não digita 45 nem no micro-ondas

 Publicado em 23/08/2014 

O PSDB quer voltar ao poder com Aécio. Relembre por meio de jornais como foram os 8 anos em que o PSDB governou o Brasil e tire suas conclusões.


1) Desemprego:

O governo do PSDB praticamente dobrou a taxa de desemprego do Brasil em oito anos.  Os juros altos, a política cambial irresponsável e as privatizações foram os principais responsáveis, segundo especialistas.

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No início do governo Lula, em 2003, o desemprego ainda era o maior problema do país. Nos 12 anos dos governos Lula/Dilma, foram gerados 20 milhões de empregos com carteira assinada e a taxa de desemprego caiu pela metade. Hoje felizmente o desemprego deixou de ser um assunto no noticiário.

2) O Endividamento do país

No governo FHC a dívida pública passou de 30% para 61% do PIB, mesmo com a venda de patrimônio público por meio das privatizações, como no caso da Vale. Ou seja, em oito anos  FHC contraiu uma dívida equivalente ao que o Brasil demorou 500 anos para constituir.  No governo petista, a dívida recuou de 61% para o nível atual de 35%.

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3) A consequência do desemprego: Miséria e Fome

Com o desemprego, a fome e a miséria se alastraram por todo o país. Depois que Lula assumiu em 2003 e turbinou o Bolsa Família, essa realidade melhorou bastante. Infelizmente, muitas pessoas até hoje não conseguem entender a importância do programa.

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4) As consequências da explosão da Dívida Pública: Brasil se humilha pedindo empréstimos ao FMI, colapso da Bolsa, volta da Inflação e sucateamento dos serviços públicos

A inflação que no governo Dilma está em 6,5% AO ANO, foi de 5,19% SÓ NO MÊS DE NOVEMBRO de 2002. No último ano de FHC, a inflação medida pelo IBGE foi de 12,51%, o dobro da atual inflação de Dilma. Diga-se de passagem, a inflação média do governo Dilma é a mais baixa se comparada com Sarney, Collor,  FHC (9,15% de média) e Lula (7% de média). Veja mais sobre isso no link: http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2014/01/10/inflacao-media-de-dilma-e-a-mais-baixa-desde-o-plano-real/

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Falam que FHC “construiu a base” para que o Brasil crescesse no governo Lula.  A “base” foi isso aqui? Ele deixou foi a famosa “herança maldita”.

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Você pensa que a saúde de hoje não poderia ser pior? Imagina na época que não existia Farmácia Popular, Samu, Mais Médicos…

É bom lembrar que a dengue estava erradicada no Brasil desde a década de 80, porém por falta de investimentos em prevenção ela voltou no governo do FHC/PSDB.

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5) Corrupção desenfreada e aparelhamento do Estado

O PSDB que hoje faz o discurso “moralista” se envolveu nos maiores escândalos de corrupção da história moderna do país.

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Vamos parar por aqui. Nem vamos falar do racionamento de energia, do escândalo do BNDES, dos escândalos de corrupção nas privatizações, porque este post não teria fim.

E aí Aécio, vamos conversar sobre o que seu partido fez enquanto esteve no poder?


No DesmascarandoGloboFolha
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Por quinze minutos de fama?


Ameaças, injúrias, racismo!

Entre outras coisas é o que venho enfrentando desde sexta feira quando neguei cumprimentar um político!

Me calei fiz questão de não responder individualmente insultos que venho recebendo, pois acredito e ponho fé no direito das pessoas se posicionarem perante qualquer situação (democracia é isto!) e foi somente o que fiz perante o candidato, me posicionei!

Fui taxado como mal educado (e realmente é mal educado quem nega um cumprimento a qualquer um que seja), mas só queria deixar bem claro que um candidato me estender a mão três dias antes de uma eleição, cercado de jornalista em um aglomerado onde jamais havia pisado, nunca representaria uma cordialidade e sim uma ação a qual, tivesse aceitado o aceno do político, estaria dizendo gestualmente pra todos que concordo com ele e o apoio, e foi sem hipocrisia que tomei minha atitude, que foi política sim, mas não partidaria (não defendo bandeiras).

Também não sou apolitico, pois faço política todos os dias quando saio de casa para trabalhar, quando convivo com meus vizinhos e temos que seguir e respeitar leis, como fiz ontem quando sai para votar!

De injúrias, como partidários do tal candidato vem postando em vários sites que repercutiram o acontecido, não acho necessário me defender, pois o que pensam de mim não me importa, só queria deixar bem claro que trabalho desde os 14 anos de idade e entre familiares meus estão advogados, professores, enfermeiras, músicos, poetas, pedreiros, diaristas, entre outros profissionais, todos criados na comunidade e que como eu passaram dificuldades sim, mas jamais precisaram utilizar bolsa família ou qualquer outro recurso governamental para sobreviver (não tirando o direito dos nescessitados de usufruir de tais recursos, claro).

Sobre meus textos

Sou eu mesmo quem os escreve, diferente de colocações classistas de alguns que se acham “superiores” e que até hoje parecem viajar na utopia de que favelados são todos analfabetos, drogados, ladrões, sem recursos culturais, como mostram os personagens destas novelas imprestáveis exibidas por canais de tv!

Vocês “Superiores”

Subam o morro um dia, vamos dialogar?

Quem sabe assim possamos achar explicações para os carrões dos filhos teus que à noite não param de encostar na entrada da favela pra buscar droga e assim alimentar o tráfico!

Apertaria com convicção a mão de um que tivesse coragem de por a cara!

Sobre citações racistas e ameaças à minha integridade física pouco vou falar, pois este tipo de gente não merece meu tempo, nem respeito, então simplesmente tenho dado print nas conversas e postagens do gênero e farei um B.O. para me defender de qualquer coisa que possa vir a me acontecer, pois infelizmente parece que ainda vivemos na época da repressão militar ou em um feudo!

Aí  tenho de ouvir de uns espertos que consegui meus Quinze minutos de fama, que já posso me candidatar para vereador na próxima eleição, brincadeira viu!

As únicas coisas que quero é que minha mãe durma tranquila (coisa que não faz desde sexta, quando saio as noites pra trabalhar) e que eu tenha liberdade e saúde para seguir em busca dos meus ideais…

Paz para todos!

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Vitória de Dilma no Nordeste gera onda de comentários preconceituosos

A exemplo da eleição anterior, vitória de Dilma no Nordeste desencadeia onda de comentários raivosos e racistas contra nordestinos nas redes sociais

Preconceito contra nordestinos nas redes sociais se acentua após vitória de Dilma no Nordeste
Dilma Roussef e Aécio Neves vão disputar a Presidência da República no seguno turno das eleições 2014. Mas a vitória esmagadora da petista sobre o tucano nas regiões Norte (onde ela teve 50,52% dos votos e Aécio, 28,26%) e Nordeste (onde Dilma ganhou com 59,58% dos votos e o tucano, 15,40%), gerou uma onda de comentários preconceituosos nas redes sociais contra os moradores da região.

Um Tumblr foi criado na madrugada desta segunda-feira para reunir as mensagens ofensivas. A página “Esses nordestinos” critica e ironiza a postura dos internautas que usaram o racismo para reclamar dos resultados.

Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, Aécio manteve-se à frente da petista. Ele venceu com margem apertada no Sudeste, onde terminou com 39,4% e Dilma com 32,43%; no Sul, com 47,21 contra 36,32 para a presidente e no Centro-Oeste, onde obteve 40,99 das intenções e a candidata do PT, 32,55% dos votos válidos.

O racismo é crime previsto na Lei nº. 7.716/89, que pune a prática e a incitação de discriminação de raça, cor, religião e também procedência nacional. A pena varia de dois a cinco anos de prisão e multa. O racismo também é crime inafiançável.

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Da soberba nas estratégias de campanha

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6485

Um dos perigos em campanha eleitoral é a soberba, essa irmã da vaidade que não perde oportunidade de infiltrar-se na vida até mesmo dos considerados modestos. Marina Silva, em 2010, foi uma candidata disponível para entrevistas por toda parte. Parecia ser mil. Atendia todo mundo. Não se negava a quem quer que fosse. Em 2014, guindada, em certo momento, à condição de favorita nas pesquisas, virou difícil. Tornou-se altamente seletiva. Fechou-se em copas. Claro que a agenda ficou mais pesada. Mesmo assim, a mudança de atitude ficou visível. Terá pago também por isso, por essa súbita indisponibilidade?

Aécio Neves, que passou bem ao segundo turno, quando viu a sua candidatura descendo a ladeira, abriu-se a todos. O jornal Folha de S. Paulo chegou a destacar essa sua disponibilidade: “Para superar a redução do espaço no noticiário nacional, falava diariamente para rádios regionais. Chegou a reunir representantes de 83 jornais de bairro de São Paulo — o maior colégio eleitoral do país — para uma longa entrevista”. Eu mesmo tive direito à meia-hora com ele, para a Rádio Guaíba, em Porto Alegre. Na ocasião, embora nitidamente cansado, Aécio mostrou-se gentil, minucioso nas respostas e alegre.

Dilma Rousseff é outro capítulo. Presidente e candidata, sua agenda é, obviamente, babilônica. Para o Rio Grande do Sul, ela só encontrou tempo, em exclusividade, para um veículo. Ganha um doce quem adivinhar qual? E dois doces quem errar. Terá Dilma esquecido que o Rio Grande do Sul é Inter e Grêmio? Terá esquecido que falar para o Grêmio e não para o Inter, ou vice-versa, tem um significado muito especial? Terá esquecido que, em se tratando de comunicação, é ainda mais intrincado e diversificado? A assessoria de Dilma pratica um jogo delicioso e ardiloso. Garante que a entrevista será concedida, que a presidente já deu o seu acordo, mas jamais marca a data. Coisa de burocrata do centro do país que desconhece a gauchada.

Ana Amélia Lemos pavimentou o caminho para que Aécio Neves falasse para os veículos gaúchos. Em nosso caso, uma semana depois de um contato com ela a assessoria de Aécio já estava ligando para fixar o encontro. Beto Albuquerque não conseguiu realizar a mesma façanha. Nem para contato telefônico. Marina derretia, mas não se aproximava da imprensa. Os petistas mais notáveis, de Tarso Genro a Olívio Dutra, sem contar Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma, empenharam-se profundamente para tornar Dilma acessível a quem não trabalha nas afiliadas da Globo. Nem assim foi possível.

Em determinado momento da campanha, quando Marina surfava uma onda altamente favorável, Lula teria — segundo o jornal Folha de S. Paulo — sacudido a presidente Dilma: “Olha, a tia tem que ir para a rua, a tia tem que se movimentar!” A tia até que botou o bloco na rua, mas seletivamente. A soberba tem seu preço. Se houvesse adotado a estratégia de Aécio Neves talvez Dilma tivesse ganho no primeiro turno. Agora, que não se iludam os petistas, será parto de burro.

De todos os candidatos, Dilma foi a que mais dependeu do seu marqueteiro, o fazedor de mágicas João Santana. É curioso que o PT, pretensamente um partido de ideias e de ideologia, precise tanto dos artifícios da embalagem para ganhar. Sugestão para melhorar a imagem: não aparelhar tanto, fulminar a roubalheira e falar para todos.
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Sérgio Porto # 8


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Essa é do Barão... 66


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Dirigente do PT diz que falta de reformas política e da comunicação explicam eleições

Para Valter Pomar, partido tem dificuldade de angariar votos da juventude trabalhadora por falta de educação política. São Paulo é cenário crítico que pode inviabilizar projetos da legenda no longo prazo

Para Pomar, a disputa com Aécio no segundo turno
é melhor para o PT do que uma disputa com Marina
São Paulo – Apesar de acreditar na reeleição de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, o integrante da Executiva Nacional do PT Valter Pomar, dirigente da Articulação de Esquerda, avalia que o partido não tem mais conseguido conquistar os votos da juventude trabalhadora, uma parcela da população que historicamente guinaria para a esquerda. A leitura é de que esse descolamento é explicado por falta de educação política e de uma mídia mais democrática. Por isso, ele considera que o PT não pode mais esperar para fazer a reforma do sistema político, nem para democratizar a comunicação.

“Nestes últimos anos a burguesia girou para a direita, mas na classe trabalhadora, que é maioria, não houve um giro total para a esquerda. Se essa nova geração que entrou no mercado de trabalho agora, devido às políticas do PT, tivesse acesso a uma mídia e uma educação mais democrática teria virado para a esquerda. Como isso não ocorreu, o que prevalece é a ideologia dominante, de uma guinada conservadora”, disse. “O partido vai ter que fazer um esforço redobrado de sindicalização e de mudanças nos currículos educacionais. Vamos ter de fazer nos próximos quatro anos o que não fizemos nos últimos 12.”

Mais do que isso: será fundamental fazer a reforma política e concretizar um processo de redemocratização da mídia, bandeiras históricas da esquerda, que não avançaram nos dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e no governo de Dilma. “No médio prazo conseguimos gerenciar, mas, se isso não for tratado, virará um problema incontornável”, diz.

“A gente deveria ter feito esforço maior pela reforma política e deveria ter implementado a democratização da mídia. Dava para ter caminhado muito nessas duas áreas mesmo sem o Congresso Nacional aprovar. Temos que fazer isso se não a possibilidade de derrota em 2018 será grande. E teremos que fazer com uma situação menos favorável”, diz. “O fato de não termos feito a reforma política e a democratização da mídia criou uma contradição: a gente continua ganhando a eleição presidencial, mas naquele terreno onde os defeitos da estrutura são mais evidentes, que é no Congresso, a gente começa a ter queda.”

No pleito eleitoral decidido ontem (5), parlamentares conservadores avançaram de maneira representativa no Legislativo federal. A bancada do PSDB na Câmara ganhou 11 cadeiras, passando de 44 para 55, um crescimento de 25%. Já a bancada do PT perdeu 20% dos seus deputados, passando de 88 para 70. Apesar disso, a ala petista ainda continua sendo a maior.

No Senado, que renovou um terço da Casa, cinco dos novos 27 parlamentares são do PMDB. O PSDB e o PDT têm quatro cada, o PSB elegeu três, mesmo número do DEM, enquanto PT, PTB e PSD conseguiram eleger dois cada. PR e PP fizeram um. A maior bancada a partir de 2015 será a do PMDB, com 19. Em seguida ficam o PT, com 13, e o PSDB, com 10.

Na leitura de Pomar, entre 1994 e 2002 houve um avanço considerável do PT nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais. De 2003 a 2010 houve um período de equilíbrio, no qual a bancada federal se manteve, com alguma flutuação, além da presidência da República. “Batemos no teto e quando isso acontece em algum momento você cai.”

Pomar não acredita que um Legislativo mais conservador vá favorecer o candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, em um segundo turno. “Ele já foi favorecido nesta votação de ontem, mas não a ponto de ele ganhar as eleições. Tem uma diferença entre o que é conservadorismo político e ideológico e o que é conservadorismo econômico e social.”

“Em termos morais o eleitorado é mais conservador, em principal sobre temas como corrupção. Mas em termos sociais e econômicos ele é mais progressista. As pessoas querem mais salário e mais emprego, que é a nossa pauta”, continua. “Tanto que Aécio e Marina Silva (PSB) foram obrigados a dizer que eram favoráveis ao Bolsa Família. E eles estavam se dirigindo ao eleitorado deles.”

Dentro do esperado

Para Pomar, a disputa com Aécio no segundo turno é melhor para o PT do que uma disputa com Marina. “Desde a eleição de 2012 tínhamos claro que a eleição de 2014 ia ser resolvida no segundo turno e em uma disputa duríssima. Para nós não é surpresa. Mas imaginamos que seria ainda mais duro se fôssemos para o segundo turno com uma candidatura aliada à base do governo.”

“Para mim é melhor que a disputa seja contra o Aécio porque não teremos margem para confusão. Não tem chance das pessoas se iludirem com as propostas de Aécio: ele é um playboy, representante do capital e dos setores da elite. É jogo claro, o que não significa jogo fácil. São dois projetos distintos para o país, que vão se enfrentar pela sétima vez desde 1989”, disse.

O ex-dirigente nacional do PT rechaça a ideia que os votos de Marina irão automaticamente para Aécio. “Ele aproveitou o desmonte da Marina para angariar para si parte do eleitorado que oscilava. Os votos da Marina vão se dividir. O eleitorado dela é composto de vários segmentos: uma parte vem desde 2010, que é de gente que não é tucana mas está insatisfeita com o PT; tem uma parte que ela agregou nessa reta final, que é de gente de direita que viu nela uma chance de derrotar o PT e voltou para o Aécio; e tem uma parte que é progressista e quer mudança.”

São Paulo freia

O avanço conservador em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, não será um empecilho para a vitória de Dilma no segundo turno na opinião de Pomar. Os paulistas elegeram Geraldo Alckmin (PSDB) para governador no primeiro turno, José Serra (PSDB) para senador e levaram para Câmara Federal os deputados federais Celso Russomano (PRB) e Pastor Marco Feliciano (PSC) e o estadual Coronel Telhada (PSDB) na lista dos três mais votados. Na disputa presidencial, Aécio obteve 4,2 milhões de votos a mais que Dilma no principal colégio eleitoral.

“O quadro de São Paulo é muito grave, mas não define a eleição presidencial. Tem um quadro no país interior que nos permite ganhar, mas é preocupante porque revela uma cristalização do voto no PSDB no estado. Tem uma parte do eleitorado aqui que sabe que o governo Alckmin é ruim, mas vota para derrotar o PT”, diz. “Tem que ser feito um trabalho político em São Paulo. Vamos ganhar eleição em âmbito nacional mesmo que aqui não consigamos reverter. Mas vamos ter que fazer estudo político para derrotar esse Tucanistão.”

Em São Paulo, a situação tende a ser mais crítica para o PT também porque no estado se concentra uma grande parte da classe trabalhadora que entrou há pouco no mercado de trabalho e tem desconfiança em relação ao partido. “Isso não será decisivo. Vamos ganhar sem desmontar essa equação, mas no médio prazo temos que desmontar porque senão São Paulo será um freio para as mudanças sociais que queremos para o país.”

Na opinião de Pomar, três fatores foram decisivos para endurecer o pleito eleitoral para o PT, que foram aprofundados nas reivindicações de junho de 2013. O primeiro deles é que cresceu o setor da juventude trabalhadora que não tem identidade no voto com Dilma e Lula e que olha o partido com dúvida. “Não é gente de direita, é gente que deveria votar no PT, mas que ao longo de 2013 e 2014 foram se distanciando ou nem chegaram a estar junto, porque começaram a ter vida política agora e não tem memória da classe trabalhadora.”

O segundo fator é que se aprofundou o antipetismo nas camadas médias, uma parcela da população que esteve presente nas manifestações de junho de 2013 e no movimento Não Vai Ter Copa. “É uma mistura de mau humor com ódio de classe, que tem a ver com o fato de que nos nossos governos a classe trabalhadora melhorou de vida e tirou deles o status, que entendem como fundamental. Os pobres estão no aeroporto, eles odeiam isso e opõe a culta no PT.”

Outro fator chave é que o grande capital, representado pelo empresariado, reforçou sua posição anti-PT e anti-Dilma, por conta da política econômica defendida e adotada pelo governo. “O capitalismo aqui é muito dependente dos salários baixos e do desemprego alto e a desigualdade social do país os fortalece. Nós fomos contra isso”, conclui Pomar.

Sarah Fernandes
No RBA
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PT e PMDB elegem novamente as maiores bancadas

O PT elegeu 70 deputados federais e terá novamente a maior bancada da Câmara dos Deputados no ano que vem, após a posse dos eleitos. Em segundo lugar, vem o PMDB, com 66 deputados. Apesar de terem garantido as duas maiores bancadas, os dois partidos elegerem menos deputados do que em 2010. Em relação à bancada atual, o PT perdeu 18 vagas na Câmara, e o PMDB, cinco. Veja tabela abaixo.

As duas agremiações integram atualmente a base do governo da candidata à reeleição Dilma Rousseff. Os partidos (PT/PMDB/PSD/PP/PR/Pros/PDT/PC do B/PRB) que a apoiaram no primeiro turno elegeram 304 deputados. Atualmente, a base governista conta com 340 deputados.

Já o PSDB elegeu a terceira maior bancada da Câmara e terá 55 deputados, 11 a mais do que tem atualmente. Dos três grandes partidos, com mais de 50 deputados, apenas o PSDB cresceu. Os partidos (PSDB/PMN/SD/DEM/PEN/PTN/PTB/PTC/PT do B) que apoiam o candidato Aécio Neves elegeram 130 parlamentares. Atualmente, essa composição totaliza 119 deputados.

Dos sete partidos médios que possuem entre 20 e 49 deputados (PSB/PP/PSD/PR/PTB/DEM/PRB), somente o PSB, o PTB, o PRB e o PR cresceram.

Renovação

A renovação na Câmara atingiu a marca de 43,5% (incluindo nesse índice deputados que, em algum momento, já exerceram mandato na Câmara). Esse percentual é um pouco menor do que o verificado em 2010, que chegou a 46,4%. Historicamente, a média de substituição na Casa fica sempre em torno de 40% a 50%.

Já o número de partidos com representação na casa, passou de 22 para 28. Dos atuais 32 partidos registrados na Justiça Eleitoral, apenas quatro agremiações (PSTU/PCB/PCO/PPL) não elegeram representantes. Seis agremiações (PHS/PTN/PTC/PSDC/PRTB/PSL) que não tinham representação na Câmara passarão a ter em 2015.

Eleição sub judice

Todos esses resultados são ainda provisórios. Até o dia da diplomação dos eleitos (19 de dezembro), a Justiça deverá julgar recursos das candidaturas indeferidas por problemas, como falta de quitação eleitoral ou de documentação. Também se enquadram nesse caso recursos dos eleitos que tiveram o registro indeferido por força da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10).

Atualmente, tramitam cerca de 800 processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em alguns estados, decisões judiciais podem modificar o quadro dos eleitos. É o caso de São Paulo, onde o candidato Paulo Maluf (PP) ficou entre os oito mais votados (com mais de 200 mil votos). Se seu recurso for aceito, pode beneficiar outros companheiros de partido pelo critério do quociente eleitoral.

Campeões de voto

Em números absolutos o recordista de votos foi o ex-deputado Celso Russomano (PRB-SP), com 1.524.361 de votos. O deputado Tiririca (PR-SP), campeão de votos em 2010, ficou com 1.016.796 milhões de votos (4,8%) e foi o segundo mais votado de São Paulo. Russomano e Tiririca foram os únicos candidatos a superar a marca de 1 milhão de votos.

Em números proporcionais, o candidato com maior votação foi o atual deputado estadual no Amazonas, Artur Bisneto (PSDB), com 15% (250 mil) dos votos no estado. Em seguida, ficou a ex-coordenadora das ações sociais do governo de Roraima e psicóloga Shéridan (PSDB), com quase 15% dos votos.

O deputado Miro Teixeira (Pros-RJ) se tornará, na próxima legislatura, o parlamentar com maior número de mandatos na Câmara, 11 ao total. O parlamentar começou a carreira como deputado federal em 1971.


Luiz Gustavo Xavier
No Agência Câmara
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