3 de out de 2014

Síndrome de Lacerda ataca PSB e PSDB na reta final


Não apenas o 'tapetão' do TSE, mas também a surrada ameaça de crise institucional entram no repertório da oposição; braço direito de Marina Silva, Walter Feldman chama presidente Dilma Rousseff de "autoritária" e vê "risco para a democracia" na reeleição dela; em nome do PSDB, deputado Carlos Sampaio entra com ação na Justiça pela impugnação da candidata do PT; se não der, ele quer que não haja diplomação; base para pedido é suposto favorecimento dos Correios na distribuição de material de campanha; apelidado de "corvo", espírito golpista de Carlos Lacerda (1914-1977) baixa forte na antevéspera da eleição; advogado Luiz Eduardo Greenhalgh criticou "golpismo"

Ex-governador do Rio de Janeiro, o jornalista Carlos Lacerda (1914-1977) foi uma das primeiras vítimas do golpe militar de 1964. Antes de ter seus direitos políticos cassados, porém, ele próprio advogava que uns deveriam ser 'mais iguais' que outros nas oportunidades políticas. Lacerda sonhava em ser presidente da República, mas não admitia que o mineiro Juscelino Kubitschek (1902-1976) pudesse voltar ao cargo:

— Juscelino não será candidato. Se for, não se elege. Se se eleger, não toma posse. Se tomar posse, não governa..., dizia Lacerda, em referência às eleições marcadas para 1965 — e jamais realizadas, em razão da interrupção democrática ocorrida no ano anterior. Ao ser atingido pela primeira onda de cassações do novo regime, Lacerda procurou o mesmo Juscelino e o presidente deposto Jango Goulart para formar a chamada Frente Única. Era tarde demais.

Nesta sexta-feira 3, o espírito golpista de Lacerda baixou forte na oposição à presidente Dilma Rousseff. Expressando um raciocínio perigoso num País que já sofreu uma série de rupturas institucionais, o braço direito da candidata Marina Silva, do PSB, simplesmente excluiu Dilma do campo democrático — ideia que, até aqui, a ninguém ocorrera:

— Dilma é autoritária. A reeleição dela vai representar um risco para a democracia brasileira, uma vez que irá exercer um governo bolivariano no Brasil, disse Walter Feldman.

O ex-tucano perdeu uma oportunidade de ficar calado — ou de trabalhar melhor para a sua candidata, em lugar de tentar carimbar em Dilma a marca da ruptura com a ordem institucional. A presidente, que vai completando quatro anos no cargo, nunca se envolveu em embates entre os poderes da República e, antes, jamais quebrou sua promessa de defender a Constituição. Feldman pode ter tirado suas preocupações muito mais da queda livre de Marina nas pesquisas, em benefício de uma escalada continuada de Dilma, do que na postura da presidente. Político de segunda linha, que precisou deixar o PSDB para ganhar mais expressão na frustrada tentativa de montagem do Rede, ele, certamente, tinha outras formas de agradar sua chefe sem ofender o caráter democrático da presidente.

Coordenador da campanha petista, o ex-ministro Miguel Rossetto, mostrou para Feldman o que fazer para consertar a gafe:

— Essa declaração é uma vergonha, ele deveria pedir desculpas imediatamente, disse Rossetto.

No PSDB, o lacerdismo baixou na forma da ida ao 'tapetão' do Tribunal Superior Eleitoral. Uma ação pela impugnação da candidatura de Dilma foi impetrada também nesta sexta 3 pelo secretário-geral da agremiação, Carlos Sampaio. Com base em suspeitas não comprovadas de privilégios, pelos Correios, na entrega de material eleitoral de Dilma em São Paulo — e de boicote à distribuição de propaganda do candidato tucano Aécio Neves em Minas Gerais —, sem qualquer cerimônia Sampaio buscou um nocaute da adversária. Se o primeiro golpe do pedido de impugnação não der certo — e há 100% de chances de ele não se acatado até o domingo 5 —, Sampaio quer que Dilma, uma vez eleita, não seja diplomada.

Para ele, uma resposta adequada foi dada pelo ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh. Em sua conta no Twitter, o advogado classificou o gesto como "desespero" e "ameaça golpista contra a vitória de Dilma".

A direção dos Correios já divulgou registros a respeito da correta distribuição dos materiais de campanha de Aécio em Minas, enquanto a denúncia de um sindicato de funcionários da estatal sobre o beneficiamento a Dilma em São Paulo ainda não tem materialidade. O PSDB de Sampaio apoiou-se, ainda, para tentar brecar a posse da eventual vitoriosa, numa declaração de um deputado petista falando sobre um certo "dedo forte" da direção dos Correios em Minas. Não se sabe bem o que isso significa, mas o gesto de Sampaio, no momento em que todas as pesquisas, sem exceção, apontam a vitória de Dilma em primeiro turno (e amplo favoritismo na eventual segunda volta), tem nome.

Chama-se apelação.

No 247
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Lula aos indecisos: Como era o Brasil antes do PT?

Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. E que a partir desta sexta-feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta.

Ex-presidentes costumam dar expediente em institutos e fundações de carpete macio, gabinetes de mogno e mesas de vidro com aço escovado.

Telefonemas bajuladores e audiências reverenciais compõem uma rotina colorida, fatiada de almoços elegantes e recepções requintadas. Amenidades bocejam 24 horas por dia no seu entorno.

Bons negócios, comendas, lavanda inglesa e gravatas de seda italiana.

Mas tem um deles que destoa do figurino de voz macia e boutades autocentradas.

Debaixo da garoa fina desta quinta-feira, protegendo a cabeça branca com chapéu de boiadeiro que destoa do blusão esportivo, a voz rangendo idade, cansaço, estrada, o rosto vincado, lá está ele em Diadema, no cinturão vermelho de São Paulo, em cima de uma carroceria, puxando a carreata que fecha o primeiro turno da campanha de 2014.

Alguém poderia imaginar que estamos falando de FHC?

Não. Quem está ali com uma mão agarrada ao microfone e a outra a gesticular, alternando uma e outra, a voz rouca modulando altos e baixos de ironia e indignação, mestre na oralidade, é o único ex-presidente capaz de fazer isso como se fosse um novato, a suar a camisa para provar que suas ideias pertencem ao mundo através da ação.

O novato no caso é o político que alia a garra de um jovem militante à experiência de maior líder popular do Brasil.

Duas vezes ex-presidente da República, ele dá o exemplo da volta às origens que cobra do PT.

Levar a disputa às ruas.

Definir o campo de classe dos interesses em jogo.

Voltar às bases, ouvir, falar, engajar e aí nunca mais se omitir.

É isso que ele tem feito com intensidade assustadora para a idade e o susto de um câncer diagnosticado há três anos , em 29 de outubro de 2011.

Lula fará 69 anos no dia seguinte ao pleito de 5 de outubro próximo. A contrariar o fardo dos outubros, nos últimos nove dias ele visitou nove cidades, fez mais de 15 comícios.

Na terça feira, de dia, estava na Capela do Socorro; à noite em Cidade Tiradentes, agora em Diadema. Fala duas, três vezes por dia. Como fazia no governo.

Fosse FHC, as câmeras de televisão estariam formando uma parede entre o orador e a plateia reunida em frente a um supermercado em Diadema.

Mas é Lula; e sendo Lula quem é, tem que ser escondido pelo que representa, pelo que já fez, pelo que ainda fará e hoje, sobretudo, pelo que ainda fala e faz.

Ele faz coisas do seguinte tipo: na carreata em Diadema levou anotações com dados do site Manchetômetro, um monitoramento de mídia feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) sobre a cobertura das eleições de 2014.

Durante quase dez minutos Lula dissecou o sentido político dos números frios colhidos pelo Manchetômetro.

Fez manchetes com notícias que não saem nos jornais.

Ao mencionar o tempo ocupado por escaladas negativas contra a presidente Dilma Rousseff no Jornal Nacional ( 1h46m), por exemplo, recorreu à metáfora futebolística e disparou para ninguém mais esquecer: ‘A Globo na campanha presidencial de 2014 dedicou mais tempo dando manchetes contra a Dilma do que a duração de uma partida de futebol’.

Pronto. Não precisava mais nada.

Mas para reforçar ele não hesitou em sacudir a anotação no ar: sabem quantos minutos de noticiário negativo a candidata do PSB teve no mesmo período ?

Nenhum.

Um mestre na pontuação oral.

Sobrou também para os jornalões da ‘gloriosa imprensa brasileira’, como ele gosta de alfinetar com ironia ácida.

Um número resume todos os demais.

Desde o início da disputa, em 6 de junho, lembrou a voz rouca, mais afiada que nunca, os jornais Folha de SP, Globo e Estadão deram nada menos que 490 manchetes negativas contra Dilma.

Uma intensidade mais de quatro vezes superior a soma das manchetes negativas atribuídas a Aécio e Marina juntos (114).

A conclusão disso tudo altera a voz rouca, que agora adquire um sentimento de indignação diante do qual é impossível ficar indiferente.

Imagine essa cena no Jornal Nacional.

Não acontecerá.

Porque Lula não é FHC e porque FHC jamais diria o que ele vai disparar em seguida.

‘Isso acontece porque neste país não existe liberdade de imprensa, mas sim a doutrina de nove famílias que dominam a comunicação e nutrem ódio pelo PT. Não pelos erros que o PT possa ter cometido’, fuzila a rouquidão indignada. ‘O PT tem defeito? Tem’, prossegue depois de uma pausa. ‘Mas eles nos odeiam não pelos nossos defeitos. E, sim, porque o PT promoveu a ascensão social dos pobres neste país. É por isso que desde o início da campanha eles atacam a Dilma com o equivalente a três manchetes negativas por dia cada um’.

A indignação contra esse cerco, cujo núcleo duro está arranchado no estado de São Paulo, fez o ex-presidente intensificar a campanha de rua no interior e na região metropolitana da capital.

Sua determinação extrai força de uma certeza: é preciso enfrentar e romper o torniquete de aço contra Dilma, contra Padilha e, sobretudo, contra o PT e contra ele próprio. Ou a restauração conservadora pode fechar de vez as portas e frestas sociais e geopolíticas arduamente abertas a unha nos últimos doze anos.

Ao final da carreta, esse orador empenhado faz um apelo acalorado.

Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. Que ela continue a falar o que a sua voz já não poderá mais dizer na boleia de um caminhão. E que a partir desta 6ª feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta, voto a voto para buscar o eleitor indeciso e decisivo na arrancada final para a urna.

A senha que ele sugere à militância diante dos recalcitrantes é a sua convicção de que a memória é um pedaço precioso do futuro a ser conquistado nestas eleições.

É com essa certeza que ele faz sua despedida como quem sacode o país pelos ombros para espantar o torpor criado pela doutrinação midiática conservadora e diz: ‘Perguntem às pessoas se elas se lembram como era o Brasil antes de o Lula governar este país’.

Carta Maior dá a sua contribuição a esse resgate da memória nacional deixando aos seus leitores o vídeo abaixo, como parte da corrente sugerida por Lula na boca de urna das horas que correm e do estirão que urge.


Saul Leblon
No Carta Maior
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Alckmin cai em pegadinha e vira alvo de protesto de estudantes


São Paulo –  O governador Geraldo Alckmin posou nesta sexta-feira, 3, para fotos com um grupo de estudantes que carregavam cartazes de protesto contra a crise de abastecimento de água que atinge a região metropolitana de São Paulo. Todos eles declararam apoio ao candidato da oposição Alexandre Padilha (PT)

 A iniciativa da reivindicação veio de sete estudantes de um cursinho da região do Largo Treze de Maio, onde Alckmin realizava uma caminhada. Eles pediram para tirar fotos com o tucano durante uma caminhada que ele fazia na região, zona sul da capital. Como de costume, o governador, que nunca recusa fotografias com os eleitores, atendeu o pedido, sem saber que seria vítima de um protesto.

Quando todos estavam a postos e sorrindo, uma das estudantes sacou do bolso um pequeno cartaz com os dizeres: “Cadê a água?”. Várias imagens foram registradas pelo celular de uma das garotas do grupo de manifestantes. 

Integrantes da campanha de Alckmin repreenderam o grupo quando se deram conta do ato. “Para que isso?”, perguntou, em tom de revolta, o ajudante de ordens do governador aos estudantes.

 Alckmin ficou constrangido ao se dar conta que tinha caído numa peça pregada pelos jovens. O tucano sorriu e se retirou.

 O grupo era formado por Aline Cerqueira, de 18 anos, Barbara Cavazzani, de 17, Gabriela Bechara, de 18, Lais Poza, de 17, Mateus Andrade, de 18, Elen Dornelis, de 20, e Maria Gabriela, de 20, que não quis se identificar pelo sobrenome.

Eleita a porta voz do grupo, Lais disse que a ideia veio de improviso, quando o grupo saía da aula para almoçar e se deparou com a aglomeração de pessoas que acompanhavam Alckmin na caminhada. Ela afirmou que o que indigna os jovens era o fato de o governador não assumir que o racionamento de água já existe nos municípios operados pela Companhia de Saneamento Básíco do Estado de São Paulo (Sabesp). Para ela, Alckmin não tem “vergonha na cara”.

 ”O problema é a falta de vergonha na cara de não reconhecer que já existe racionamento em muitos lugares. E não só pela seca. É que não houve planejamento também”, afirmou ela.
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Datafalha: pode dar 1º turno

Bye, bye Arrocho, quer dizer, Ataulfo!

A diferença das capas do O Dia e no O Globo de hoje (03)
Saiu no site da Jovem Pan:

Considerando imprevisibilidade, diretor do Datafolha não descarta vitória de Dilma no primeiro turno

O diretor do Datafolha Mauro Paulino disse nesta sexta-feira (03) que não dá para prever quem vai ao segundo turno ou, mesmo, se vai ter um segundo turno. Ele ressaltou ainda que Marina Silva (PSB), apesar de ter caído nas pesquisas, apresenta “ligeira” vantagem sobre Aécio Neves (PSDB), que subiu nas intenções de voto.

“É uma campanha que começou imprevisível já no início do ano e termina de forma completamente imprevisível. Tanto pode terminar no primeiro turno com a vitória de Dilma, que é uma hipótese ainda não descartada, quanto não é possível dizer quem vai para o segundo turno, se é Marina ou Aécio”, explicou.

A três dias das eleições, Paulino explicou que a taxa de Dilma deve ficar muito próxima do que as pesquisas têm mostrado por conta de ela ter um eleitorado mais convicto. Marina e Aécio tem uma percentagem menor de eleitores mais fiéis, segundo ele.

Ouça a entrevista e análise completas no áudio



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Dilma 44 vs 20 Bláblá. Debate amplia vitória!

Cheira a primeiro turno


E o Arrocho do Ataulfo, aquele que vai virar?

O Arrocho, coitado, empacou em 18.

Está no mesmo “atoleiro técnico” da Bláblá, segundo expressão nosso “analista de número”,  Mauro Montebianco.

Como esteve o DataCaf ontem, quinta-feira?

43 vs 22 vs 18.

Ou seja, Dilma subiu com o debate e Bláblá esborrachou-se com seus sucessivos pitis.

Segundo turno, para não estragar o sábado do Ataulfo:

Segundo turno, se houver: Dilma Rousseff 49 vs 35 Bláblá.

Ontem, era 48 a 38.

Quanto mais o eleitor conhece a Bláblá, mais a Dilma se revigora!

Paulo Henrique Amorim, subvencionado — a Bláblá detesta “subvenção”! — pelo ouro de Havana.

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FHC de helicóptero, Eduardo Jorge de mochila, Levy suado: os bastidores do debate na Globo


O DCM acompanhou o último debate do primeiro turno das eleições de 2014 para presidente da República. Fizemos nosso blog ao vivo, contando os principais lances. Além do que você viu na televisão, houve cenas que presenciei e conto aqui.

Chegamos às 17h40 à central de produção da TV Globo em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Aguardamos até 20h30 para entrar. Alguns jornalistas entraram junto com assessores dos políticos. Ficamos no andar de baixo. O jantar servido era arroz acompanhado por tomate seco e carne, além de uma massa. Sem contar o finger food de salgadinhos e frios. Para beber, refrigerante gelado e suco. O debate começou pontualmente às 22h55.

Cada candidato adentrou as dependências da Globo à sua maneira: o Pastor Everaldo estava estático, sorrindo só para fotos, enquanto revia alguns pontos com o assessor. Recusou-se a responder às perguntas do DCM sobre Levy Fidelix.

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Eduardo Jorge chegou muito tranquilo, de mochila, sorriso sincero, suave na nave. Muitos jornalistas riam de suas falas, sobretudo nas pausas e quando reclamava de projetos que supostamente ele fez.

Levy Fidelix estava visivelmente abatido, suado e cabisbaixo. Cumprimentou Eduardo Jorge assim que chegou. Mal saberia ele que, pouco depois, protagonizaria uma discussão calorosa com o candidato do PV em que seria basicamente destruído.

Luciana Genro era a candidata mais animada e a que permaneceu mais tempo em pé conversando com assessores e posando para fotógrafos. Veio acompanhada do candidato do PSOL ao governo do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta. Sua animação se traduziu em críticas diretas a Levy, a Dilma, a Marina e ao tucano Aécio Neves, que encarou quando ele lhe apontou o dedo.

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Aécio Neves entrou no estúdio com ares de rock star. Aplaudido efusivamente pelos tucanos, veio acompanhado por Fernando Henrique Cardoso, que puxou mais palmas. No entanto, nenhum sinal de Geraldo Alckmin ou José Serra. Forçava um sorriso até quando não era fotografado. Falava em voz alta com apoiadores, incluindo o jogador Ronaldo, José Júnior do AfroReggae e Paulinho da Força Sindical. Tentou intimidar com uma claque que interrompia o debate, deixando William Bonner nervoso. Animadão, estourou o tempo pelo menos três vezes.

Dilma Rousseff não foi aplaudida quando chegou ao palco, mas foi fotografada maciçamente pelos repórteres de agências internacionais, como Reuters, EFE e AP. Estava de vestido creme, combinando com o terninho de Luciana. Parecia mais calma do que no debate da Record. Parecia. O diálogo ríspido com Marina por pouco não termina em luta livre no gel.

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“Cadê Marina Silva?”, perguntava a produção da TV Globo. Marina chegou por último ao palco. A assessoria trabalhou para tratar sua aparência. Muita maquiagem e relaxamento deram um jeito na tensão.

Após o debate, Marina Silva, Luciana Genro, Aécio Neves, Dilma Rousseff, Eduardo Jorge e Pastor Everaldo desceram nesta ordem para uma coletiva de imprensa caótica no subsolo.

Fernando Henrique foi embora de helicóptero. Saiu apressado e não chegou a se despedir de ninguém. Nem a Aécio para agradecer a menção carinhosa que o candidato lhe fez no debate.

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eduardo jorge

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Na intranet, Receita diz que Globo recolheu R$ 1 bi em dívidas


Os dois anexos a esta mensagem correspondem a uma mesma notícia publicada na INTRANET da Receita Federal.

O arquivo 1* é a notícia como foi divulgada no dia 26/09 (sexta). O arquivo 2** é a notícia retificada pela assessoria de imprensa da RFB no dia 29/09 (segunda).

Trata-se de um recolhimento À VISTA de R$1.082.282.733,00 feito pela Globo no dia 22/08/2014.

Refere-se a dívidas (na maioria de autuações da empresa nos últimos anos).

A Lei 12.996/2014 concedeu um perdão total de multas sobre os valores originais para quem pagasse à vista (trata-se de uma benesse vergonhosa e triste porque estimula a sonegação no longo prazo, mas não é esse o motivo da mensagem).

A retificação é decorrente das questões relacionadas ao sigilo fiscal e as consequências que isso pode causar.

A INTRANET é uma rede interna de acesso dos servidores da RFB e nela são publicadas notícias de interesse da instituição que circulam em diversos veículos de comunicação e matérias produzidas regionalmente pela assessoria de comunicação (o caso desta matéria).

Arquivo 1*:

Captura de Tela 2014-09-30 às 21.46.55

Arquivo 2**

Captura de Tela 2014-09-30 às 21.47.13

PS do Viomundo: O repórter investigativo Amaury Ribeiro Jr. confirmou, junto a fontes na Receita Federal, que o recolhimento se refere parcialmente à multa que a TV Globo recebeu na compra dos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. Porém, segundo Amaury, ainda existem outras pendências em aberto.

Amaury Ribeiro Jr. + fonte que acessou a intranet e nos mandou o texto seguinte
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PT tem direito de resposta na revista Veja barrado por Gilmar Mendes

Direito de resposta ao PT nas páginas da revista Veja, concedido pelo TSE por 7 votos a 0, é cassado pelo ministro Gilmar Mendes. Presidente do partido publica nota de repúdio: "é uma vergonha para as instituições do nosso país"

Gilmar Mendes barra direito de resposta do PT nas páginas da revista Veja
Uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu, nesta quinta-feira, o direito de resposta ao PT na revista “Veja” concedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por 7 votos a 0. A resposta, que seria de uma página, publicada na próxima edição, se referia a texto publicado pela revista no dia 13 de setembro com o título “O PT sob chantagem”.

A reportagem acusava o partido de pagar propina para “comprar o silêncio de um grupo de criminosos” para evitar o envolvimento de seus integrantes no escândalo da Petrobras. Também dizia que dinheiro desviado da estatal teria sido usado para calar um empresário que ameaçava envolver lideranças petistas no assassinato, em 2002, do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

O TSE entendeu, por unanimidade, que a revista divulgou uma “ofensa” ao PT sem comprovar as informações. Mendes — que também integra o TSE — não participou do julgamento no dia.

Na liminar que suspende a decisão da Justiça Eleitoral, o ministro afirma que a revista revelou no texto as fontes nas quais se baseou e seria “impossível” afirmar, neste momento, que os fatos descritos pela reportagem sejam “inverídicos”, como fez a corte eleitoral.

O presidente do PT, Rui Falcão, divulgou uma dura nota contra o ministro Gilmar Mendes, que anulou, com uma liminar, decisão do TSE, por 7 a 0, que obrigava a revista Veja a publicar direito de resposta favorável ao PT. Leia abaixo:
A liminar do ministro Gilmar Mendes que anulou decisão do Tribunal Superior Eleitoral favorável ao direito de resposta que o PT havia obtido para se defender de acusações torpes e sem provas é uma vergonha para as instituições do nosso país. O ministro Mendes desqualificou decisão unânime da qual participaram três ministros do Supremo Tribunal Federal e outros integrantes da corte eleitoral. E que contou com parecer favorável do procurador-geral da República. O PT lamenta a decisão do ministro e reitera que continuará a buscar justiça sempre que mentiras forem assacadas contra o partido.

Rui Falcão, presidente nacional do PT

No Pragmatismo Político
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Levante Popular faz esculacho de Levy Fidelix em São Paulo contra homofobia

Kayser


O Levante Popular da Juventude fez um esculacho na sede do PRTB em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (3/10) para cobrar a punição do candidato à presidência do partido, Levy Fidelix, pelas manifestações de ódio e incitação da violência contra os LGBT’s em debate na TV Record. Um grupo de militantes do movimento fez pichações na sede do partido e, com uma caixa de som, acusaram o candidato de homofóbico e cobraram punição.

Abaixo, leia a nota e veja fotos do escracho do Levante Popular:

PRTB amanheceu decorado: Fora Levy Fidelix

No dia 28 de setembro Levy Fidelix candidato à Presidência da República pelo PRTB protagonizou um discurso de ódio e estímulo à intolerância em rede nacional. Levy Fidelix se manifestou visivelmente exaltado e incomodado com a pergunta da candidata Luciana Genro (PSOL) acerca da sua posição em relação ao casamento civil igualitário para pessoas do mesmo sexo.

Optando por fazer apologia à agressão e a violência, Levy Fidelix (PRTB) delirou ao dizer publicamente absurdos tais como “aparelho excretor não faz filhos”, comparou os homossexuais aos pedófilos e finalizou convocando a “maioria enfrentar a minoria”, se referindo explicitamente à população LGBT brasileira.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestou diante do incidente acionando a Procuradoria-Geral Eleitoral para caçar a candidatura do PRTB diante de seu discurso exaltado de mobilização de ódio contra a população LGBT.

No último debate entre os presidenciáveis, realizado pela Rede Globo dia 2 de outubro, Levy Fidelix (PRTB) reafirmou suas declarações ao explicitar sua defesa da família tradicional, em suas palavras, “família composta por homem e mulher”. Não refutou suas declarações e defendeu seu direito de “liberdade de expressão”.

Essas declarações preconceituosas e repugnantes em nossa sociedade fazem parte de um comportamento que tem contribuído para um verdadeiro extermínio da população LGBT em nosso país. Neste ano, 222 LGBT’s foram brutalmente assinados/as. Nos últimos anos, estes números, infelizmente tem crescido de forma assustadora. Apesar da subnotificação dos dados o Brasil é campeão mundial em homicídios de LGBT’s.

O discurso deste senhor, que se intitula defensor da família, faz parte de onda de conservadorismo que está arraigado na sociedade brasileira e que nada tem haver com a defesa da família. Ao contrário, ao disseminar o ódio e a intolerância, a violência tem ceifado a vida de homens e mulheres e desestruturado inúmeras famílias.

Para reverter essa situação deplorável, é necessário que os/as lutadores/as sociais se coloquem na tarefa diária de exigir do Estado brasileiro a criminalização da homofobia. Enquanto este crime contra a população LGBT for ignorado pelo Estado, o direito à vida dos/as LGBT’s continuará a ser ignorada, prevalecendo um discurso de ódio, homofobia, lesbofobia e transfobia.

O Levante Popular da Juventude soma-se a luta pela radical ruptura do patriarcado e da homofobia. Continuaremos lutando pela criminalização da homofobia no Brasil e denunciado todas as manifestações de ódio contra os LGBT’s, especialmente às do candidato Levy Fidelix (PRTB) em ambos os debates que ocorreram nesta semana.

Vamos à luta para caçar a candidatura do Levy Fidelix e criminalizar a homofobia no Brasil!

Homofobia mata! A vítima pode ser você. #‎ForaLevyFidelix e #‎LevanteConstraLGBTFobia


No Escrevinhador
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Carta aos Gaúchos

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Uma surpresa final para Marina


Mais responsável do que ninguém por um eventual segundo turno, Marina corre o risco de ficar de fora — se ele ocorrer

Uma cena decisiva da campanha de 2014 ocorreu num dos ultimos momentos do debate de ontem, quando Eduardo Jorge e Marina Silva se encontraram num momento pergunta-e-resposta.

Discutindo taxa de juros, politica economica e crescimento, o candidato do PV falou uma verdade trivial. Condenou o rentismo, sistema de enriquecimento dos endinheirados brasileiros, que permite que investidores ganhem dinheiro na ciranda financeira enquanto “passeiam pela Europa.” Falou que a taxa de juros precisa cair para que o trabalhador tenha crédito para consumir e para que o empresário possa pegar empréstimos no banco para investir. Eduardo Jorge disse que os juros deveriam estar “um pouco acima da inflação, como é no mundo todo,” e não nos patamares de hoje — a taxa Selic se encontra em 10,9%.

Na prática, Eduardo Jorge foi simpaticamente demagógico em sua colocação, e tentou facilitar as coisas para Marina. Deixou de lembrar que, mesmo em seu patamar atual, a taxa de juros é uma das menores da história e se houve um nível mais baixo, ele foi atingido em agosto de 2011 e nos meses seguintes, no próprio governo Dilma. Candidato de um partido que definiu como conservador, reformista e revolucionário, Eduardo levantou a bola, deixando a platéia presente ao debate na espectativa de que Marina ajeitasse para um golaço.

O que se viu foi uma cena surpreendente. A candidata do PSB ficou em silêncio, como se estivesse em dúvida e precisasse pensar muito para maldizer os juros altos.

Quando abriu a boca, foi para usar palavras de economistas conservadores: disse que os juros se tornaram altos no Brasil porque o governo não controla os gastos nem a inflação.

Eu não esperava que Marina reconhecesse que o discurso exagerado sobre o fantasma do “descontrole inflacionário”, muito mais imaginário do que real, foi uma das bandeiras dos aliados do sistema financeiro para pressionar o Banco Central a reajustar os juros a partir de 2013, numa intervenção que ajudou a prejudicar o crescimento no final do governo Dilma. Também não pensava que Marina fosse capaz de denunciar os lucros espetaculares dos bancos brasileiros, em larga medida assegurados pelo patamar dos juros. Mas achava que ela teria coragem de defender o crescimento e o emprego, lembrando que os juros baixos são condição para o investimento produtivo. Para quem não perdeu o costume de lembrar sua origem no “seringal”, e ontem recordou sua passagem pela direção da CUT do Acre, seria uma oportunidade e tanto, vamos combinar.

A resposta evasiva de Marina demonstra que o principal traço de sua atual personalidade política são os compromissos com o mercado financeiro. Tão profundos que a candidata não se permitiu, siquer, uma bravata demagógica nesse campo — embora tivesse tirado o 13º do Bolsa Família do colete. Em sua última aparição antes da caminhada às urnas, preferiu mostrar-se confiável aos senhores (e senhoras, como Neca Setubal) que têm nas mãos os fios que pressionam os governos, todos eles, e fazem a economia andar conforme seu gosto. Foi uma cena didática.

Na fase atual da campanha, o desmanche da candidatura Marina Silva provoca analistas e politicólogos. Um dos responsáveis reais pelo desastre já achou outro culpado: “é o marketing selvagem Dilma x Marina, calcado na exploração da credulidade, na mentira calculada e na excitação do medo,” escreve Eduardo Gianetti, o bom-moço do conservadorismo radical que ficou tempo demais na vitrine eleitoral de 2014 para que suas ideias impopulares não pudessem ser reconhecidas pelo eleitorado.

Nenhuma candidatura foi tão protegida pela cobertura generosa dos meios de comunicação, que santificaram a nomeação de Marina Silva como substituta de Eduardo Campos. O tratamento se explica pelo que acontecia antes de sua entrada na campanha.

Para tristeza da maioria dos analistas, quando Eduardo Campos morreu, a eleição avançava para uma disputa com grandes chances de se resolver em primeiro turno — a favor de Dilma. O Ibope de julho marcava 38% para a presidente, contra 36% para a soma dos adversários. O Data Folha trazia números semelhantes e era só imaginar o efeito do horário político sobre eleitores indecisos, boa parte deles intoxicados pela cobertura negativa da mídia adversária do governo, para entender o que poderia ocorrer.

Aécio não saia do mesmo patamar em que se encontra hoje — em torno de 20% — e o concorrente do PSB ficava entre 10%. A novidade foi Marina e bastava conhecer suas intenções de voto para adivinhar o que poderia acontecer. O quase-nanico concorrente do PSB seria substituído por uma candidatura tamanho grande. Arriscado para Aécio. Mas bom para a estratégia de quem pretendia vencer Dilma de qualquer maneira. Marina entrou na campanha para garantir votos que levariam a um segundo turno.

Por essa razão, jornais e revistas evitaram apurar qualquer fato que pudesse atrapalhar sua escalada. Jamais se interessaram de verdade pelas conexões — legalmente inseparáveis — entre a vice e o titular da chapa, particularmente preocupantes depois que se descobriu que o Cessna caiu num oceano de intermediários e papéis pouco explicados. Um pouco mais tarde, quando um repórter procurou, como fazem absolutamente todos os jornalistas investigativos, informações constantes de um inquérito da Polícia Federal aberto para apurar fatos ocorridos durante a passagem de Marina Silva pelo ministério do Meio Ambiente, o caso foi denunciado como intromissão e aparelhismo petista. Contrariando a enxurrada de acusações contra Dilma e as habituais proclamações em nome da liberdade de imprensa e contra a censura prévia, aquelas informações, que poderiam prejudicar Marina, permaneceram em segredo.

Outro caso só seria mencionado no debate, ontem. Antigo membro do Greenpeace, o presidente do Ibama que Marina nomeou e Dilma demitiu foi investigado pela CGU e proibido, desde então, de ocupar cargo público.

As semanas finais da campanha mostraram Marina como uma candidata frágil do ponto de vista político, em episódios que seria ocioso recordar aqui. A cena ontem mostrou uma candidata em busca de uma nova coerência. Capaz de lançar uma proposta-isca para os eleitores, como o 13o no Bolsa Família, ela não se atreve a cometer qualquer gesto — nem um comentário — que possa arranhar seus parceiros do capital financeiro.

Mais responsável do que ninguém por um eventual segundo turno, arrisca-se a ficar de fora.

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Luciana Genro mais uma vez deu um show no debate da Globo


Mais uma vez, os melhores momentos couberam a Luciana Genro no debate da Globo, o último antes das eleições.

Foi brilhante sua reação a uma deselegância de Aécio quando ela o questionou sobre o aeroporto que ele mandou construir em terras da família com dinheiro público.

Desnorteado, sem encontrar palavras que expliquem o aeroporto, ele esticou o dedo para Luciana Genro. Imediatamente ela ordenou que ele baixasse o dedo.

E ele baixou, depois da bofetada moral que levou.

Logo no começo, ela aproveitou para falar o que pensava da Globo em plena Globo. Não poderia perder a oportunidade, e não perdeu.

Luciana Genro disse também certas verdades inconvenientes a Marina, e arrancou dela uma declaração vital. Num tributo involuntário a Luciana Genro, Marina disse que seu programa é parecido com o dela, Luciana, e não com o de Aécio.

Marina completou ali o giro total que ela deu nas suas propostas. Premida pela queda nas intenções de voto, ela acabou indo para a esquerda, depois de começar com um discurso de centro direita, parecido com o de Aécio.

Flexibilizar as leis trabalhistas se transformou em estendê-las para empregados que não estão protegidos pela CLT. Até para o Bolsa Família ela anunciou uma novidade: um 13.o.

É presumível que seu guru econômico, o ortodoxo Eduardo Giannetti, tenha engasgado diante da nova Marina, tão identificada com Luciana Genro que chegou a usar o pronome “tu” em certo momento.

Giannetti dissera, antes da transformação, que os compromissos sociais só seriam cumpridos se e quando o orçamento permitisse.

Marina está dizendo o oposto, e há aí uma dissonância cognitiva que deve redundar numa crise na equipe de Marina. Informalmente, é como se ela tivesse despedido Giannetti e companheiros de ortodoxia.

Luciana Genro foi aguda, também, ao perguntar a Dilma o que pensa da taxação das grandes fortunas. É uma pena que Dilma não tenha respondido. No encontro com blogueiros, diante de outro ponto vital para o avanço da sociedade, a regulação da mídia, ela respondeu com firmeza e clareza.

Foi ainda Luciana Genro quem trouxe a criminalização da homofobia para o centro do debate nacional ao perguntar, no debate anterior, a Levy Fidelix o que pensava do assunto.

Disse, em outro artigo, e repito aqui: Luciana Genro não vai ganhar, e nem passará para o segundo turno.

Mas, e isto ninguém lhe tira, ela dinamizou o debate político nestas semanas de campanha com sua verve, com sua inteligência, com sua coragem e com sua sinceridade. A expressão “nova política” acabou se tornando uma piada, no decorrer das últimas semanas.

Mas, se alguém emergiu desta campanha com ideias que merecem ser chamadas de novas, é essa gaúcha ousada e intrépida que, cachos ao vento, capturou o Zeitgeist, o espírito do tempo – aquele sentimento que comandou as Jornadas de Junho, nas quais a voz rouca das ruas disse não à política que está aí.

Paulo Nogueira
No DCM
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A renovação na Câmara dos Deputados


São naturais as expectativas quanto à renovação do quadro de deputados representantes das unidades federadas na capital do País. Dessa taxa depende, conforme a doutrina ortodoxa, a oxigenação e aperfeiçoamento da atividade política. Sem dúvida, o que costuma ocorrer são modificações no tamanho das bancadas dos partidos e, conseqüentemente, o valor de sua participação nas coalizões parlamentares a serem formadas.

As taxas históricas de renovação na Câmara de Deputados, do mesmo modo que nas Assembléias estaduais, são razoáveis, em torno de um terço daqueles que se candidatam à reeleição. É importante distinguir a renovação compulsória, isto é, a proporção de novos nomes resultante da desistência dos atuais deputados a novo mandato, da renovação líquida, que se dá quando incumbentes se candidatam e não conseguem se reeleger. Obrigatoriamente, nomes não constantes da atual lista dos 513 representantes terão de aparecer. Do mesmo modo, deputados da legislatura que acaba podem preferir concorrer a postos diferentes, aumentando, na mesma quantidade e proporção, a lista de novos nomes na próxima legislatura, comparada com a atual. A rigor, só podemos assegurar que na lista de novos nomes que integrarão a futura Câmara haverá uma proporção relativa àqueles que, componentes da atual, se recandidatem e sejam derrotados – a já citada renovação líquida da Câmara dos Deputados, produzida pela escolha livre do eleitorado.

Não podemos identificar individualmente o recém-eleito que substitui um candidato derrotado, mas sabemos quem são os que reapresentam para um novo mandato e, entre estes, aqueles que não obtém a reeleição. Por ora, contudo, já é possível medir a taxa de renovação “compulsória”, isto é, o número daqueles que estarão preenchendo o número de lugares dos que desistiram da política e aqueles que se candidataram a outro posto político.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, 38 dos atuais legisladores (7,4%) não concorrerão a nenhum mandato político nas eleições de 2014, 77 (15%) deles concorrerão a outros postos e, portanto, teremos 398 (77,6%) buscando a reeleição. Assim, a renovação compulsória, isto é, o número de novos nomes na legislatura que vem em decorrência de algum modo de abandono da posição será igual a 22,4% (15% de concurso para outros postos + 7,4% de retirada da atividade política)´, ou seja, 115 novos nomes da próxima legislatura estarão substituindo igual número de representantes que, voluntariamente, abdicaram desta competição.

A medida da renovação não voluntária, ocorrida em função de escolha do eleitorado, é simples de estabelecer: número de derrotados/ números de candidatos à reeleição (398). Falta-nos, portanto, somente o numerador desta fração, que será conhecido nos primeiros dias da próxima semana. Faremos, então, o cálculo, só para ficar estabelecido o tamanho total da bancada de que se espera oxigenação e produtividade da legislatura que virá.

Wanderley Guilherme dos Santos
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Os debates consagraram a dupla mais abjeta da TV brasileira: Aécio e Everaldo

Didi e Zacarias
William Bonner abriu o papel em que estava escrito o tema a ser discutido. “Previdência”, é o que se lia.

O Pastor Everaldo, à frente do palco, convocou Aécio Neves. “Meu querido senador”, ronronou, a voz melíflua. Entrou a falar sobre o PAC. Bonner, como um bedel, pediu que os dois se concentrassem no assunto determinado.

Everaldo deu um sorriso cínico, descarado, sabujo e mandou bala: “O que o senhor tem a me dizer sobre a Previdência no Brasil?”

A dupla mais abjeta da televisão brasileira depois de Danilo Gentili e Roger do Ultraje é formada por Aécio e Everaldo. A sorte é que foi a última vez, na temporada, em que ela aparece. Mas deve ter futuro na política.

Desde os primeiro debate, os dois interpretam um casal 20 de fundo de quintal em que o candidato do PSC se deixa subjugar pelo do PSDB. Se você tem alguma dúvida, é bom que saiba: é tudo combinado.

Everaldo, com sua pinta de vendedor de cinto de couro de cobra, sua mania de declarar que inventou o Bolsa Família, a falta completa de ideias e coragem, assumiu nos encontros a função de escada para o novo patrão.

Era mais ou menos previsível que procurasse algo ou alguém para onde correr. Sua candidatura se transformou num traque. O restolho de voto evangélico que tinha migrou para Marina Silva. Não resistiu a 15 minutos de Jornal Nacional. Silas Malafaia, que o apoiava quando não estava ocupado detonando homossexuais, trocou-o por Marina.

Everaldo chegou a ser saudado como uma “grata surpresa” por Rodrigo Constantino, o que deveria ser interpretado como um sinal. Uma esperança para a direita, no desespero da direita em achar alguém assumidamente de direita. Revelou-se um conservador meia boca de fala mole.

Um nanico entre os nanicos. Luciana Genro e Eduardo Jorge mostraram brilho próprio. Levy Fidelix, em sua imensa, pantagruélica estupidez, acabou ganhando muito mais visibilidade, embora por vias transversas.

O pastor havia terminado um dos debates com uma bênção evangélica. Na Globo, pediu a bênção a seu padrinho Aécio Neves, trocando afagos e beijando a mão do patrãozinho, que olhava o servo com desdém enquanto lhe trepava nas costas para vender seu peixe.

Kiko Nogueira
No DCM
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Sérgio Porto # 4


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Essa é do Barão... 62


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