2 de out de 2014

Carta Aberta a Luciana Genro

LG
Prezada Luciana,

Meu voto era seu até semana passada.

Mudei de ideia, porém, isso nada tem a ver com a senhora.

Continuo com a certeza de que tu és a melhor candidata.

Com seu jeito gaúcho de chamar as coisas pelo nome, o apoio a todas as causas progressistas, que só permanecem polêmicas em países atrasados. A defesa do imposto sobre grandes fortunas, do fim do fator previdenciário, por dizer não à independência do Banco Central.

Por impedir que empreiteiras, bancos e multinacionais participem de sua campanha.

Por ter como principal compromisso o combate à desigualdade e por apresentar propostas radicais para combatê-la.

Radicais por atingirem a raiz do problema.

Nesse sentido, és radical, mas não extremista, ou mesmo comunista. E nisso acredito que te diferencias dos outros candidatos à esquerda do PT que sonham em acabar com o capitalismo e não em transformá-lo.

Mas estás além dos rótulos, por representares algo novo.

Socialismo e liberdade, afirma o teu partido logo no próprio nome, e assim se distancia das experiências totalitárias que deturparam o pensamento marxista no século XX.

E em ti eu acredito.

Chego a vibrar muitas vezes, muito mais do que com qualquer outro candidato.

Sua enquadrada em Aécio Neves no debate em que o tucano falava sobre corrupção, falta de ética, e esquecia que o PSDB comprou a reeleição de Fernando Henrique, foi espetacular. Sugerir ao Danilo Gentili que ele volte aos estudos também.

Por tudo isso, o meu voto seria seu, não fosse um único ponto em que discordamos e a força das circunstâncias.

Não acho que Dilma, Marina e Aécio são iguais.

Podem estar muito mais próximos entre eles do que em relação a sua candidatura. Mas Marina e Aécio estão mais distantes.

São candidatos neoliberais e de direita.

E nisso concordo com Rodrigo Constantino, aquele colunista que disse esses dias que qualquer pessoa que vote em ti é idiota. A direita devia se assumir como direita e parar de tentar fingir ser o que não é para agradar aqueles que Rodrigo chama de “esquerda caviar”.

Segundo o colunista, a direita pode sim ter força para eleger um presidente, desde que se assuma como direita.

E isso pode acontecer com Marina ou Aécio, nunca com Dilma.

E acredito que muito graças a sua candidatura e a tudo o que disseste para demonstrar que na verdade és tu quem representa a mudança, as Jornadas de Junho, a nova política, e não Marina, Dilma pode ganhar no primeiro turno.

Peço então que me entendas, que não fique magoada caso as urnas não lhe tragam tantos votos quanto tu mereces.

Deve demorar um pouco para o Brasil ter uma presidente como tu. Mas estamos ainda sob risco de colocar a direita no poder, ou uma incógnita que pode ou não ser de direita.

Voto então em Dilma porque, infelizmente, ela é a única candidata que pode evitar que isso aconteça já nesse domingo e, admito, tenho pressa.

Porque talvez, depois dessa campanha e inspirada por ti, Dilma tenha a coragem que lhe faltou no primeiro mandato para ir além, para aprofundar o combate à desigualdade, para garantir os direitos humanos, o estado laico e a liberdade.

Todas as propostas que tu defendeste tão bem e que Dilma parece muito mais disposta a abraçar do que Marina ou Aécio.

Voto então em Dilma porque queria que tu fosses eleita, mas, infelizmente, ainda não é possível. Porque votar em ti ajuda a direita a chegar ao segundo turno.

Porque Dilma, no atual sistema, com a Câmara e o Senado que devem se formar, continua a ser o que tem para hoje.

Por tudo isso, meu voto é dela, mas meu coração é seu.

E que o futuro nos reserve dias melhores. Circunstâncias melhores para votar em ti e para que possas governar como pretendes.

Espero que me entendas.

Com pesar e gratidão,

Leonardo Mendes.

No DCM
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Globope e DatafAlha aproximam-se da realidade




No RS, Datafolha aponta: Dilma, 43%, Aécio, 25%, e Marina, 17%





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Candidaturas do PT a governador têm crescimento na reta final


Desde o domingo  trackings de disputas estaduais têm apresentando mudanças significativas. Há uma percepção entre marqueteiros de que só nos últimos dias o eleitor passou a olhar melhor as candidaturas para governador e senador.

Em alguns lugares onde o cenário parecia definido, como Rio e São Paulo, já há quem arrisque dizer que a reeleição de Alckmin no primeiro turno já não é uma certeza absoluta. Aumentaram as chances que eram quase nulas de um segundo turno. Padilha já estaria pontuando próximo dos 15%. No Rio de Janeiro, a novidade é a perda de fôlego da candidatura de Garotinho. Ele estaria perdendo votos em redutos populares á há quem arrisque um prognóstico de que tanto ele quanto Crivella e Lindberg poderiam chegar embolados no domingo.

Outros candidatos petistas beneficiados com a ventania seriam Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, Rui Costa, na Bahia, e Camilo Santana, no Ceará. Eles que travavam disputas quase irreversíveis começaram a recuperar terreno.

O PT, há uns 15 dias, só considerava fortes as candidaturas de Fernando Pimentel (Minas), Wellington Dias (Piaui), Delcídio Amaral (MS) e Tião Vianna (Acre). Com essas novas informações,  já há quem aposte que o partido pode chegar a marca de seis governos.

A avaliação é de que o crescimento  de Dilma aconteceu na hora certa da campanha é que isso estaria melhorando a situação das candidaturas a governador agora. Sendo assim, se a presidenta for bem no debate de hoje à noite ela não só melhora a vida dela na disputa. Pode melhorar a vida de outros candidatos petistas Brasil afora.


* * *

“Eu tenho condição de vencer esta eleição”, tranquiliza Suplicy

Dono de um dos mais ilibados currículos da política brasileira e de uma vida inteiramente voltada à luta contra as desigualdades sociais, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) concorre a única vaga em disputa no Senado por São Paulo nesta eleição — este ano o Senado se renova só em 1/3. Em entrevista à revista Exame desta semana, ele reafirma seus compromissos com o Estado e com com o eleitor, tranquiliza e garante: pretende legislar por mais oito anos em nossa Câmara Alta e tem, sim, “condição de vencer esta eleição”.

“Tenho a confiança de que, com todo respeito aos meus adversários, eu terei condição de vencer esta eleição”, garante Suplicy. Seu maior adversário neste ano é o ex-governador José Serra que, ao contrário do senador petista (há 24 anos na Casa Legislativa), traz um lamentável histórico de abandono, invariavelmente, dos cargos para os quais é eleito.

No Senado, então, para o qual já foi eleito uma vez, em 1994, Serra não cumpriu um único dia do mandato. Ficou os 8 anos seguintes como ministro do Planejamento e depois da Saúde de FHC e o finalzinho do mandato, em campanha pela Presidência da República, que perdeu para o presidente Lula. Seu mandato de senador por São Paulo foi cumprido, então, pelo seu 1º suplente, Pedro Piva.

Já o adversário Serra, jamais cumpriu mandato todo, pula de galho em galho

Como se nunca estivesse satisfeito — e com os olhos voltados ao posto máximo do país, a cadeira de Presidente da República — Serra sempre pulou de galho em galho. Largou vários mandatos e, felizmente, nunca conseguiu se eleger ao Planalto. Agora, tenta o Senado de novo, mas tem a difícil tarefa de deslegitimar 24 anos de vida legislativa na Casa e uma série de conquistas e de projetos defendidos por Suplicy.

Apesar das tentativas de Serra em brigar com ele, o senador Suplicy não entra em querelas e dá uma lição de ética, cumprindo à risca a norma que se impôs durante a campanha. “Eu tenho tido por norma, ao longo da campanha, não formular criticas, como eles têm feito no horário eleitoral ou por entrevistas”. Vejam, Suplicy sequer menciona o nome de Serra, aliás, um dos principais responsáveis pela crise da água que afeta todo o Estado e provocou o racionamento — foi Serra governador quem recebeu em 2009 e engavetou as propostas de medidas preventivas para evitar que os reservatórios de São Paulo secassem.

Era ele, o governador de São Paulo, quando os especialistas e estudiosos o alertaram para as consequências que teríamos caso acontecesse uma longa estiagem e não tivéssemos alternativas além do Sistema Canteira. Serra engavetou todos os alertas, todos os projetos, todas as propostas de medidas preventivas, tudo… Prática seguida por Geraldo Alckmin. Agora, São Paulo sofre por causa deles.

Suplicy transformou sua proposta de Renda Mínima numa bíblia

À Exame, Suplicy explica que prefere falar dos aspectos positivos de sua “atuação em defesa de São Paulo”. E completa: “das proposições que fiz”. E, podem verificar, o senador fez muito. Basta entrar em seu site de campanha para visualizar parte de suas ações. Impressiona a quantidade de investimentos federais que Suplicy levou a hospitais e Santas Casas; as propostas e lutas populares que, como nenhum outro, ele abraçou e deu visibilidade ao longo desses anos.

E, sobretudo, suas bandeiras de luta. Bandeiras reconhecidas não apenas em São Paulo, mas por todo o Brasil e no exterior também, como o Programa Renda Mínima. E o que dizer da sua ferrenha defesa dos nossos jovens e adolescentes e a favor da educação em tempo integral? Alguém consegue imaginar José Serra, defensor da redução da maioridade penal, no lugar de Suplicy? Então, cuidado na hora de votar domingo próximo.


No Blog do Zé
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Tucano usa polícia para encobrir crime eleitoral; PMDB pede prisão dos comandos das polícias Civil e Militar



O ex-secretário da Educação, Maurício Requião, que denunciou o “mocó” do PSDB que fabricava maldades contra adversário de Beto Richa, foi preso esta tarde por policiais “a pedido” da Secretaria de Segurança; objetivo dos policiais seria “limpar” a cena do crime eleitoral tucano; coordenação da campanha do PMDB deverá pedir à Polícia Federal a prisão de todos os policiais militares e civis que participam da “operação abafa” em favor de Richa.


O coordenador jurídico da coligação Paraná com Governo, Luiz Fernando Delazari, atende à imprensa em frente ao barracão do PSDB no bairro Portão. Segundo informações preliminares, o deputado federal Dr. Rosinha (PT) e o ex-secretário da Educação, Maurício Requião, foram presos na tarde desta quinta-feira (2) pela polícia política do governador Beto Richa (PSDB).

Local onde estaria armazenado material apócrifo contra Requião e Gleisi em Curitiba



Quiproquó iniciado na manhã desta quinta-feira (2) terminou com investigação contra Maurício Requião, denunciante de mocó onde funcionava fábrica de maldades do candidato Beto Richa; polícia política do tucano “jogou pesado” para limpar a barra do candidato à reeleição, segundo o PMDB; em nota oficial, Secretaria de Segurança Pública confirma indiciamento criminal do irmão do senador Roberto Requião, do sobrinho Thadeu Mello e Silva e do advogado do partido Leonidas Chavez Filho; ex-secretário da Educação e os demais envolvidos na confusão foram liberados depois de muita pressão suprapartidária, mas tiveram de assinar “termo circunstanciado”.

Nota oficial da SESP:


No Blog do Esmael
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Mala de Covas cheia de dinheiro não vaza… Já o Yousseff…

Página de Mario Welber no Facebook faz campanha pelo candidato a deputado federal Bruno Covas

Geraldo Alckmin, Bruno Covas e Mario Welber: relação de mão dupla com os tucanos de alta plumagem
No sábado passado 27, por volta das 15h, o jornalista e suplente de vereador de São José do Rio Preto, Mario Welber, foi detido pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando embarcava para a sua cidade, no interior paulista.

O sistema de raios-X de Congonhas descobriu que Welber carregava R$ 102 mil em dinheiro vivo, além de dezesseis cheques assinados em branco. Ele não conseguiu explicar aos policiais a origem do dinheiro.

Detalhe 1: Welber é do PSDB de Rio Preto e os cheques são do deputado estadual Bruno Covas (PSDB-SP), ex-secretário do Meio Ambiente do governo Geraldo Alckmin.

Detalhe 2: Quase cinco dias após o flagrante, a PF não vazou o caso, ao contrário do que fez imediatamente em casos semelhantes envolvendo petistas. Também não distribuiu para a mídia fotos do dinheiro, como já fez em outras situações.

A PF se recusa até a confirmar os nomes dos tucanos em foco.

A resposta da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, via sua assessoria de imprensa, aos questionamentos do Viomundo comprova isso:

A Polícia Federal não divulga nomes de pessoas físicas e jurídicas envolvidas em suas ações. No entanto, confirmamos que houve uma apreensão de cerca de R$ 100.000,00 — em espécie — no sábado. Tal quantia se encontrava com um homem que embarcaria no Aeroporto de Congonhas. Não houve prisão, mas o viajante, bem como seus pertences, foram encaminhados à Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo.

Por não haver comprovação documental de origem, o numerário foi apreendido e foi instaurado inquérito policial pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros. Caso se comprove origem lícita, ele será devolvido.

Curiosidade 1: Na sua resposta ao Viomundo, a assessoria de imprensa da PF “se esqueceu” dos cheques em branco assinados por Bruno Covas.

Curiosidade 2: A PF em São Paulo mudou tanto que, diante das conexões do caso com o PSDB e a campanha política, registrou flagrante como crime financeiro e não como crime eleitoral.

Resultado: O suplente de vereador tucano foi indiciado apenas no âmbito da Delegacia de Crimes Financeiros (Delefin/PF) e responderá o processo em liberdade. Os R$ 102 mil e os cheques foram apreendidos. O caso foi registrado na Polícia Federal como IPL (Inquérito Policial) 245/2014-11.

Certamente, a esta altura, muitos devem estar se perguntando:

– Foi uma operação-abafa da PF paulista?

– Afinal, quem é Mario Welber para ser blindado?

– Ou foi mais para  blindar o deputado tucano Bruno Covas, neto do falecido Mario Covas?

Mario Welber, 31 anos, já foi repórter da TV Tem (retransmissora da Globo), em Rio Preto.


Mas o que mais salta à vista é seu bom relacionamento com os grão-tucanos.

Em 30 de setembro de 2009, Mario Welber foi nomeado como agente de segurança parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Nessa função, o funcionário pode ficar lotado em gabinete de deputado, liderança partidária, secretarias ou da presidência da Casa. Em 19 de outubro de 2011, ele foi exonerado.


Entre janeiro e outubro de 2011, Welber, embora lotado na Alesp, se apresentava como assessor do então secretário Bruno Covas, segundo informação de fonte de São José do Rio Preto, interior de SP.

Seria então Welber funcionário fantasma da Assembleia, já que assessorava Bruno Covas na condição de Secretário do Meio Ambiente?

Matéria publicada na Jornal Folha Noroeste de 14 de maio de 2011, sobre reunião na Secretaria do Meio Ambiente, não deixa dúvida. Lotado na Alesp, Welber atuava na Secretaria dirigida por Bruno Covas:

Welber -- Cetesb-001

Atualmente, segundo o seu perfil no twitter, ele é apresentador das rádios Canção Nova e Interativa.  Também aparece como assessor da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. O seu contrato, porém, é com a Cetesb.

O twitter e o Facebook escancaram que Welber é carne e unha com os tucanos de alta plumagem.


Nas redes sociais, Welber gosta de falar sobre ética, moralidade pública, “nova política”. Mas a prática é outra.

Telefonamos várias vezes para o celular de Welber (017 98120-****), para saber o que tinha a dizer sobre a detenção em Congonhas, os R$ 102 mil em grana viva e os cheques em branco de Bruno Covas.

Na primeira ligação, assim que esta repórter começou a explicar o motivo do contato, ele disse:

– Não estou escutando direito, não estou escutando direito…

Desligou.

Na segunda ligação, cheguei a ouvir a voz dele, de novo:

– Não estou escutando…

Desligou.

Do terceiro telefonema em diante, só deu caixa postal. Deixei recado. Mandei torpedo detalhando o meu questionamento:

– Mario, aqui é Conceição Lemes, editora do Viomundo. Preciso falar urgentemente com você. É sobre a sua detenção em Congonhas com dinheiro e cheques em branco de Bruno Covas. O que você tem a dizer? Aguardo retorno urgente. Estou fechando matéria sobre isso. Sds

Mario Welber respondeu:

– Boa tarde. Tentei te retornar. Ligue para o dr. Carpano: 11 99480-****

Liguei para o “dr. Carpano”. Ele se limitou a dizer:

– Alô, alô…

– Dr. Carpano, aqui é Conceição Lemes, repórter, o Mario Weber pediu para que eu falasse com o senhor…

Nem terminei de falar, “dr. Carpano” desligou, dando a impressão de que talvez estivesse ao lado de Welber, acompanhando tudo.
Tentei outras vezes, claro. Silêncio. Caixa postal. Deixei recados no celular. Mandei torpedos. Nada.

Contatei também várias vezes o gabinete do deputado Bruno Covas na Alesp. Depois de me apresentar, explicava:

– Preciso falar com o deputado ou com a assessoria de imprensa de imprensa dele.

– Para que matéria?

– Soubemos que o Mario Welber foi detido em Congonhas com cerca de 100 mil reais e cheques em branco assinados pelo deputado Bruno Covas.

– O deputado não está.

– E o assessor de imprensa?

– Também não está.

– Poderia me passar o celular dele, para eu contatá-lo?

– Não estou autorizada, mas vou passar o seu telefone e o seu recado.

Como não houve retorno, insisti. A secretária era a mesma. Expliquei tudo de novo.

Ela reconheceu a minha voz e eu a dela:

– Eu já dei o seu recado para a assessoria de imprensa.

– Por favor, reforce então a minha solicitação.

Nada.

Última cartada. Liguei para o gabinete do deputado e pedi o telefone do escritório de campanha:

– Não estou autorizada a dar, mas vou passar, de novo, o seu recado. O seu telefone é o 999**-****?

Estou esperando, sentada, até agora o retorno.

Se Mario Welber e Bruno Covas fossem do PT, seria o maior estardalhaço. Com direito a “furo” de reportagem, exclusivo no Jornal Nacional ou no Fantástico.

Curiosamente, Welber deu uma entrevista.

Foi ao Estadão, que publicou hoje o que poderíamos chamar de “vacina”. Em jornalismo, é a reportagem que esvazia o balão de outras e conta o caso pela metade.

Vejam o título:

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“Apoiador”? Não seria “assessor”?

Segue o texto:
Em Congonhas, agentes descobrem dinheiro, além de 16 cheques da campanha de Bruno Covas com suplente de vereador do interior

02.10.2014 | 02:00

FAUSTO MACEDO E DIEGO ZANCHETTA – O Estado de S.Paulo

Colaborador de campanha do deputado estadual Bruno Covas (PSDB), que concorre a uma cadeira na Câmara, o radialista e suplente de vereador tucano em São José do Rio Preto Mário Welber foi flagrado sábado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, levando na pasta de mão R$ 102 mil em dinheiro vivo e um envelope com 16 cheques e um cartão de campanha do neto do ex-governador Mário Covas.

Welber foi interceptado pela Polícia Federal (PF) no aparelho de raio X que identificou o dinheiro. Ele não chegou a ser preso, mas a PF abriu inquérito para investigar a origem dos valores. Segundo a PF, o apoiador do tucano, que também é mestre de cerimônias da Câmara Municipal de Rio Preto, não explicou a procedência do dinheiro.

Nessa época de eleições a PF redobra a vigilância nos aeroportos porque políticos e assessores costumam circular com recursos em espécie. Welber foi barrado quando embarcava com destino a Rio Preto. “O dinheiro é meu, não tem nada com a campanha do Bruno. Esse dinheiro é de um trabalhador anônimo, uma pessoa que está na batalha. Eu não tenho como andar com meu imposto de renda debaixo do braço, mas afirmo que tenho como comprovar a origem do dinheiro, tenho renda e caixa. Sou um microempresário na área de mídia.”

Ele disse que veio a São Paulo para “fazer um negócio”, a compra de um carro, mas não deu certo e retornava a Rio Preto.

Sobre o material de campanha de Covas, ele afirmou. “Eu estava apenas transportando o envelope com os cheques, se eu soubesse que ia dar tudo isso não teria me comprometido a levar. Se não existissem algumas anotações pessoais e o cartão (de Bruno Covas) jamais iriam me parar. É uma leviandade até com ele (Covas), na véspera das eleições. Isso vai acabar com a minha vida. Vão achar que eu estava com dólares na cueca.”

Covas, ex-presidente da Juventude do PSDB, atual secretário-geral estadual do partido, foi eleito deputado da Assembleia Legislativa paulista pela primeira vez em 2006. Em 2011, foi nomeado pelo governador Geraldo Alckmin para o cargo de secretário do Meio Ambiente. Em abril entrou em campanha por uma vaga na Câmara.

Welber disse que não é assessor do tucano, mas colabora com a campanha de Covas no interior. Em seu perfil nas redes sociais ele se identifica como “assessor da Secretaria do Meio Ambiente do Estado”.

Despesas. Ele afirma que ia entregar o envelope para um certo “sr. Ulisses”. “Ele (Ulisses) mora em Severínia, trabalha diretamente com o Bruno na Assembleia. Eu sou apenas um colaborador da campanha. Eu também colaboro com outras campanhas. Foram apreendidos vários cartões lá. Não trabalho na assessoria dele (Covas), não sou coordenador, nem tesoureiro de campanha. Conheci o Bruno da política, todo mundo hoje conhece o Bruno. Essa história só está dando tudo isso porque ele é um político em ascensão.”

Segundo ele, os cheques seriam destinados ao pagamento de despesas da campanha com fornecedores e “pessoas que trabalham na campanha”. “Eu não sei exatamente quais despesas, me entregaram cheques num envelope, eu separei e guardei no compartimento da pasta.”

Welber disse que vai justificar rapidamente à PF a procedência do dinheiro. “Vou me antecipar. O delegado deu 15 dias, mas na segunda-feira que vem eu já apresento a documentação, as notas todas. Se eu não comprovar essa renda no prazo legal podem acabar com a minha vida. Estamos a poucas horas das eleições. É muito fácil falar. Encontraram cartões de outros políticos!”
A “reportagem” do Estadão é quase que totalmente baseada na versão dada por Welber. São sete aspas dele, ou seja, sete declarações do detido. Por que ele carregava R$ 102 mil em dinheiro, quando poderia simplesmente transferir a quantia entre contas bancárias? É uma das perguntas que faríamos a Welber se o celular dele funcionasse direito. O estranho é que dois repórteres de um jornal tão conceituado não tenham tido a mesma curiosidade.

“Vão achar que eu estava com dólares na cueca”, disse Welber ao Estadão. Não, Welber não estava com dólares na cueca. Não, Welber não será alvo da mídia como foi aquele assessor do PT, também detido em Congonhas, cuja vida foi devassada a partir do dia da apreensão, com direito a fotos da “Divulgação” da Polícia Federal e reportagens no Jornal Nacional.

No Estadão, Mario Welber teve direito, para se defender, a 27 linhas de um texto de 45. Isso dá 60% da reportagem!

É a famosa blindagem tucana.

Dois pesos, duas medidas.

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Conceição Lemes
No Viomundo
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A receita do filósofo Marcos Nobre para uma reforma política que enterre o ‘pemedebismo’

Nobre
A reforma política virou protagonista nas eleições de 2014. Mais de um ano após as “Jornadas de Junho”, as suas ressonâncias ainda são facilmente sentidas. E as teorias sobre a sua dimensão para a história do Brasil ganham força à medida em que discursos que relembram as reivindicações da época, como o de Luciana Genro (PSOL), recebem mais espaço no debate público.

“Só a sociedade irá fazer com que as reformas necessárias aconteçam”, diz Marcos Nobre, professor de Filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). “São as pessoas que precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso”, sentenciou.

Para ele, as vozes das ruas podem, a médio prazo, promover uma mudança na homogeneização da classe política, pouco ou nada interessada em estabelecer posições antagônicas e contrastantes para resolver os problemas que se apresentam. A esse comportamento, Nobre deu o nome de “pemedebismo”, uma espécie de cultura conservadora que caracteriza o sistema político brasileiro desde o início do seu processo de redemocratização.

Nesta entrevista — concedida ao jornalista Gustavo Carratte —, o autor do livro “Imobilismo em movimento — Da abertura democrática ao governo Dilma” e do e-book “Choque de democracia – Razões da Revolta” fala sobre os significados de Junho de 2013; o momento em que o PT, apesar de suas notáveis diferenças ideológicas, aceitou entrar no jogo da governabilidade; e os cenários que se apresentam como possíveis em um futuro próximo.

Por que as manifestações de junho de 2013 foram tão importantes?

Junho de 2013 foi um marco porque, para mim, trata-se do final do processo de redemocratização do Brasil. A partir daquele mês, não está mais em causa a criação das instituições democráticas, como aconteceu na década de 80, nem a consolidação destas instituições, como vinha acontecendo desde meados de 1990. Em junho de 2013, o que passa a estar em questão é como as instituições democráticas do Brasil devem funcionar. Deixa de existir um período de transição, de redemocratização, e começa a haver um processo de aprofundamento desta democracia. É um outro patamar de discussão.

E qual é a dimensão disso, historicamente?

A dimensão histórica é muito grande porque, além de tudo o que pode ser discutido sobre essa nova fase, também é algo inédito. A nossa redemocratização durou cerca de 33 anos, a grosso modo, se levarmos em conta a aprovação da lei do pluripartidarismo, no final de 1979, até as manifestações de 2013. Antes disso, o nosso período democrático não foi mais do que um curto verão, de menos de 20 anos, da Constituição de 1946 até o Golpe Militar de 1964. Não houve sequer tempo de consolidar a democracia, de deixá-la se estabelecer devidamente. Quer dizer, pela primeira vez nós temos mais de três décadas de democracia — ainda pouco democrática, mas ainda assim uma democracia — e, mais do que isso, o seu aprofundamento. As Revoltas de Junho iniciam um longo ciclo na história deste país.

A maior parte de sua explicação para essa “nova fase democrática”, certamente, está na maior conscientização da população. A falta de unidade que passou a existir nas manifestações após poucos dias de seu início — não apenas com a multiplicação de pautas, mas às vezes até com a ausência delas em alguns protestos — não enfraquece essa teoria?

Realmente, a proporção que as manifestações tomaram não teve ligação direta com o estopim, que foram as ações do Movimento Passe Livre e, em algumas cidades, os protestos contra os gastos da Copa. Mas, por outro lado, existe um traço de união entre todas as reivindicações, que é justamente a rejeição à maneira como funciona o sistema político no Brasil. Isso não transforma as Revoltas de Junho em uma unidade clara e bem definida, mas é um elemento importante, que fornece algum traço de união a tudo o que aconteceu. É daí que nasce a ideia de fim do processo de redemocratização do país.

Até o dia 13, o apoio às manifestações ainda não era majoritário na população. A partir dali, quando ocorreu o ápice da repressão policial, a mídia tradicional não conseguiu mais insistir no discurso de que quem estava nas ruas eram apenas vândalos tentando destruir o patrimônio público. O que explica essa mudança de comportamento repentina, e qual foi o papel disso para que o movimento crescesse tanto?

Eu penso que o que aconteceu ali não foi uma simples “mudança tática”, de criticar a repressão por ter tido repórteres que a sofreram na pele ou de tirar proveito eleitoral daquilo. Foi muito mais profundo do que isso. Naquele momento, ficou claro para a grande mídia tradicional que, ao longo dos anos 2000, houve uma revolução que tem como consequência natural a queda do monopólio na hora de formar a opinião da população. Antes as pessoas tinham a oportunidade de ser contra ou a favor determinada reportagem, mas agora, com a internet, elas têm não apenas uma série de fontes de informação alternativas, mas também o poder de debater publicamente, com blogs próprios, redes sociais, janelas de comentários e tudo mais. Isso traz uma mentalidade democrática, uma maneira de ver o debate político, que até então não existia. Os veículos que compõem a mídia tradicional continuam importantes, mas agora são “um” elemento, e não mais “o” elemento.

E a repressão policial?

Foi um fator muito relevante, porque a polícia é o último braço do sistema político. O pensamento é mais ou menos assim: “A gente já se sente impotente para modificar, de fato, a estrutura política, e aí quando são feitas manifestações absolutamente legítimas, que reclamam dos preços abusivos do transporte público por uma péssima qualidade de serviço, vocês ainda mandam a polícia?”. Então aí eclode mesmo, porque o grau de desfaçatez já passa a ser inaceitável. A polícia entrou na agenda deste país e, enquanto não se tornar mais democrática, não vai sair. A polícia precisa ter clareza de que a sua concepção não é bélica, e que está ali para proteger os direitos das pessoas, não para tirá-los delas em nome do “combate ao crime”.

Essa sensação de impotência perante o sistema político nasce da sua conjuntura atual, por você chamada de “pemedebismo”?

Nem tão atual assim. Na época do impeachment do Collor, em 1992, o sistema político criou a explicação de que aquilo aconteceu não porque “ele não tinha apoio no Congresso”, mas porque “ele não tinha uma supermaioria” — superblocos parlamentares, gigantescos, o que também pode ser interpretado como a segunda figura do Centrão, da década anterior. A grande mídia teve um papel decisivo para convencer a sociedade de que aquela explicação era plausível, e assim, evidentemente, cria-se uma enorme pasteurização do sistema político.

Quais são as características fundamentais do pemedebismo?

São muitas, mas a principal delas é o acordo da governabilidade. Quem está no poder, se não quiser ser alvo de um monte de cotoveladas durante o trajeto que irá percorrer para aprovar uma proposta qualquer, precisa ter uma supermaioria a seu favor. Esse enorme bloco acaba por reproduzir os seus grupos e as suas máquinas dentro do Estado, e aí o projeto de blindar o sistema político contra a sociedade é alcançado.

O pemedebismo não é a flexibilização ideológica, então, mas a quase ausência de qualquer ideologia em prol de um sistema político longe do alcance da sociedade?

A impressão é que sim. Prefiro me referir a isso como “condomínio pemedebista”, porque “presidencialismo de coalização” passa a ideia de que realmente há partidos que se unem por um objetivo comum, e não é isso o que acontece. O PP (Partido Progressista), por exemplo, que é um ordeiro do partido que sustentou a Ditadura Militar, está no atual condomínio do governo. Quer dizer, que país é esse?

Hoje, não há uma real oposição para o governo federal?

Ela existe, é claro. Residualmente existem membros que fazem oposição ideológica. Mas o que quero dizer é que, na imensa maioria do bloco de oposição, não há a vontade de mudar o sistema político. O que existe, apenas, é a vontade de se tornar o síndico da vez deste enorme condomínio. As manifestações de junho, embora tenham tido alguma generalização abstrata — do tipo “somos a favor da saúde, da educação, da segurança, da paz e da felicidade no mundo” — podem trazer a médio prazo uma mudança nesta homogeneização da classe política. Talvez fique claro que há a necessidade de posições antagônicas e contrastantes para resolver os problemas que as pessoas colocaram nas ruas.

Quando Lula assumiu, pelo menos, essa situação era diferente. O que aconteceu no meio do caminho para o PT aceitar esse jogo?

O Mensalão — que é a contraprova do que estou querendo dizer a respeito deste acordo de governabilidade. Quando Lula assume, passa a existir o primeiro governo de minoria desde o Collor. E ele está lá, negociando, aprovando a reforma da previdência com o apoio da oposição, passando uma outra lei qualquer com o apoio da oposição, e assim vai. Quando o Mensalão aparece, o fantasma do impeachment vem junto. Naquele instante é decidida a adesão ao acordo de governabilidade, até então veementemente recusado, apesar das pressões constantes de todos os lados.

O PT falhou nesta tarefa de reformar o sistema político, ou ainda é cedo para dizer?


Ele foi eleito, basicamente, com duas missões: a primeira era essa, de reformar radicalmente o sistema político; e a segunda era diminuir as desigualdades sociais do país. Depois do Mensalão, o PT virou-se para a parcela organizada da sociedade que o apoiava e disse: “Olha, não é possível fazer as duas coisas. Eu vou ter de fazer um pacto com esse sistema político tal qual ele funciona, para, assim, poder diminuir a desigualdade”. E assim o fez.

A reforma política é viável?

Quando se fala em reforma política no Brasil, está se falando em reforma eleitoral. Talvez melhore um pouco, mas mudar a forma de eleição não é algo que irá reestruturar, de fato, todo o sistema. Por que são necessários 400 deputados para governar? Por que são necessários 60 senadores? Nem vou discutir o número de ministérios — porque podem ter 50, desde que eles funcionem —, mas atualmente só existem 39 porque você tem uma base de apoio gigantesca e precisa acomodar a todos. Para existir uma reforma verdadeira, o que precisa acabar é a cultura da supermaioria. E só a sociedade irá fazer com que essas reformas aconteçam. As pessoas precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso.

Em que medida a transição suave que o Brasil teve entre a ditadura e o início do seu processo de redemocratização influencia o pemedebismo de hoje?

A ligação entre essas duas coisas é total. Após a ditadura, a forma que o conservadorismo encontrou para promover uma transição lenta e paquidérmica foi o progressismo, com aquela “união de todos que eram contra a ditadura e a favor da democracia” — e neste grupo estão, inclusive, aqueles que apoiavam a ditadura até pouco antes do barco afundar, que saíram com ele já naufragando. Hoje, temos a segunda figura desta unidade forçada. São maneiras de controlar a democratização da sociedade. É o conservadorismo em sua versão democrática.

Quais são os cenários que se apresentam como alternativas ao pemedebismo?

Acredito que há dois caminhos possíveis. O primeiro aconteceria se o sistema político conseguisse pelo menos se repolarizar, voltando a ter situação e oposição devido aos seus posicionamentos ideológicos, assim como era durante o governo FHC, com o PT e seus aliados históricos fazendo oposição e deixando isso claro a todo instante. Essa opção não teria força para reformar o cenário radicalmente, mas já seria alguma coisa. E o segundo, um pouco mais próximo do que seremos quando passarmos pela reforma, seria com plataformas políticas que não fossem baseadas na produção de supermaiorias. É possível ter uma maioria, simplesmente, e por meio desta maioria, formada por motivos ideológicos, tentar transformar o país com embates de verdade.

É possível imaginar que, em vez de aceitar a necessária e clamada reforma, o sistema político encontre uma nova maneira de suavizar essas mudanças, mantendo as suas estruturas intactas?

É possível. Daqui a dez anos, em uma nova conversa, talvez o assunto seja uma terceira figura do conservadorismo em tempos democráticos. Não acho que seja isso, mas é uma possibilidade. O que espero é que o pemedebismo seja característico da redemocratização, e que ele tenha ficado para trás. O Brasil precisa de uma revolução do que é o seu sistema político, e não de uma mutação do que ele é hoje.

No DCM
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Mala de dinheiro: Assessor de tucano é detido pela PF

Bruno Covas
O suplente de Vereador pelo PSDB em S. J. do Rio Preto - SP, Mário Welber, foi detido ontem pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, transportando uma maleta contendo R$ 102 MIL e mais 16 cheques ligados a campanha de BRUNO COVAS (neto de Mário Covas) , candidato pelo PSDB de São Paulo. Além do dinheiro e cheques foi encontrado com Mário Welber, material de campanha de Bruno Covas.

A Polícia Federal parou Welber quando ele tentava passar pelo aparelho de RX do Aeroporto. Como ele não explicou e comprovou a origem do dinheiro, o caso vai ser apurado pela Polícia, que liberou o assessor de campanha de Bruno Covas com a condição de que ele em 15 dias comprove a origem lícita do dinheiro.

Segundo Mário, ele é apenas um "entregador de correspondência" e não é assessor de BRUNO COVAS, mas um "apoiador". Na sua página do FACEBOOK (segundo o Jornal Estadão) ele se apresenta como assessor da Secretaria Estadual de Meio-Ambiente. Mário declarou ainda que vai provar que o dinheiro era dele e não da campanha de Bruno Covas. Curioso é ver que ainda existe quem tenha coragem de andar com R$ 102 MIL em espécie para fazer "compras" em São Paulo.

Se Mário Welber fosse assessor de algum petista, por certo o fato já estaria nas primeiras páginas dos jornais ou destacado no TOPO das edições online dos SITES dos jornalões. Sendo ele ligado aos TUCANOS, o fato não terá nenhuma repercussão, donde se conclui que, para nossa imprensa, dinheiro na MALA ou na CUECA de Tucano, pode.

No 007BONDeblog
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"Eleitores de Marina migraram para Galápagos", diz diretor do Datafolha

Marina mudou o visual para atrair de volta os eleitores
TRIÂNGULO DAS BERMUDAS - Com uma hora de atraso, mas dentro da margem de erro de duas horas para mais ou para menos, Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, divulgou a análise da última pesquisa eleitoral. "Aécio já pensa em vaga na Libertadores", avaliou, ao interpretar a arrancada tucana.

Para explicar a derrocada de Marina, Paulino sacou duas cartolinas, cinco transparências e um projetor de slides. "Vê-se, num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico, que grande parte dos eleitores de Marina mudou a trajetória de migração e agora parte em revoada para Galápagos", explanou. "Outros foram para o Acre que, como todos sabemos, não existe."

Consultada sobre o resultado da pesquisa, Marina defendeu o fim da polarização entre Ibope e Datafolha. "Segundo o horóscopo xamânico, ficarei em primeiro lugar", alertou.

No The i-Piauí Herald
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Voto em Dilma


Nunca foi tão necessário derrotar o pensamento conservador, o eterno obscurantismo que tenta fazer a roda da História andar para trás

Minha razão para votar em Dilma tem origem na convicção fundamental de que o dever principal do Estado e dos governantes é defender os humildes e os desprotegidos, os que não tiveram oportunidade.

Também se baseia nas melhores estatísticas, que podem ser lembradas sempre que necessário, e ajudam a entender quem fez o quê, quando, para quem.

Estou falando da distribuição de renda, para lembrar que queremos viver num Brasil de cidadãos iguais, homens e mulheres. Acredito que é preciso manter a prioridade no emprego e no salário, no mercado interno, porque sabemos que só progresso no bem-estar da população de baixo gera melhoras reais para o conjunto da sociedade.

Não tenho religião mas tenho uma fé política: creio que numa democracia todos os poderes emanam do povo. Não imagino um país de cabeça baixa, refúgio de escravos tristes e senhores de sorriso amarelo pelo excesso de esperteza.

Não acredito em contos de fada nem admiro heróis de álbum de figurinha.

Não creio num futuro de privilégios nem de favores. A hierarquia não eleva. A inferioridade incomoda.

Só a luta pela igualdade é ética.

Penso em Dilma quando tentam nos assustar com o medo ridículo de mais uma queda na Bolsa, querendo ligar o destino do país ao enriquecimento de tubarões de um cassino pobre e podre, habituados a embolsar seus lucros e transferir suas desgraças para a maioria da população.

Penso em Dilma quando vejo um candidato aparecer na TV sem conseguir — apesar de muito treinamento — disfarçar sua conversa vazia. Nada consegue dizer porque muito tem a esconder.

Penso nela quando até um ator de Hollywood, envergonhado, sentiu-se no dever de informar que fez papel de bobo e retira o apoio a uma concorrente.

Os analistas de gabinete estão atônitos, os economistas de encomenda e os consultores milionários fogem de clientes inconformados. Faltam poucos dias para o povo ir às urnas e tudo que imaginaram, prometeram, deu errado. Mentiram, apenas mentiram, mentiram de novo.

Apesar do massacre cotidiano, das cortinas de fumaça, das trapaças, das demonstrações de má fé, milhões de brasileiros foram capazes de compreender aonde estão seus interesses, distinguir quem zela por suas necessidades e tem disposição de lutar por elas. Não é de hoje que aprenderam o que é classe social.

Por vários caminhos, com as idéias mais exóticas, incongruentes na origem mas idênticas na finalidade, formou-se uma grande aliança para tentar fazer a roda da história andar para trás. Deu errado.

Dilma só é chamada de agressiva, e suas críticas são chamadas de ataques, porque é assim que acontece com quem desafia o coro das ideias dominantes.

Nunca os mais pobres conseguiram vencer tantos enganos, tantas ilusões.

Nunca tiveram a mesma oportunidade de arrumar o país para ficar um pouco do seu jeito, onde possam fazer valer sua vontade e serem tratados com dignidade.

Nunca foi tão necessário derrotar o preconceito, a ideologia nefasta dos senhores de sempre, o pensamento conservador do eterno obscurantismo — marcas daquilo que muitos anos atrás nosso maior poeta do século XX chamou de mundo caduco.

Em meio a tanta dificuldade, tanta injustiça, tanta mudança a ser feita, vivemos num país onde 94% dos favelados dizem que estão felizes com a vida que levam.

Por isso, voto e peço voto em Dilma.

Paulo Moreira Leite
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Pacto Federativo, você sabe o que é?

Você sabe quem é o responsável pela atuação dos médicos no posto de saúde? Ou quem trata do pagamento do professor da universidade? A resposta para essas perguntas está na Constituição de 1988, que garantiu o chamado Pacto Federativo, que será detalhado em especial de várias matérias no Portal Federativo e no Blog do Planalto.

A República Federativa do Brasil tem um enorme território e, com as grandes diferenças regionais, precisa repartir tarefas entre diversos entes, um desafio na busca pelo equilíbrio e igualdade.

O Pacto é uma aliança política e administrativa entre União, estados, DF e municípios em que se estabelecem funções, direitos e deveres de cada um. A União tem responsabilidade sobre temas de interesse nacional, como assegurar a defesa nacional, por exemplo. Os estados atuam em áreas de interesse regional, como transporte metropolitano, e cabem aos municípios os assuntos locais, como a coleta de lixo. O Distrito Federal acumula competências tanto dos estados como dos municípios.


Algumas dessas competências são tão importantes que devem ser executadas por todas as esferas de governo. São as competências comuns estabelecidas no artigo 23 da Constituição, como saúde, educação, cultura, assistência social, meio ambiente, saneamento e habitação. 

“Para trabalhar junto, essas unidades fizeram um pacto, o chamado pacto federativo. Esse pacto está definido na Constituição, que define como estão compartilhadas as competências para execução das políticas públicas”, explica Paula Losada, assessora especial da Subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais.

Descentralização

A Federação brasileira se organiza, assim, pela união indissolúvel entre União, estados, DF e municípios, todos dotados de autonomia e capacidade de auto-organização. E o Brasil é o único país que reconhece os municípios como unidades federativas. Isso quer dizer que o município tem autonomia administrativa e financeira, podendo decidir, por exemplo, o planejamento urbano e a destinação das áreas públicas.

Não existe hierarquia entre os entes federativos, o que torna as relações entre governos mais complexas, pois exige coordenação das políticas executadas pelos diversos agentes públicos. A integração dos mais de 5.000 municípios, 26 estados, o DF e a União nas suas diversas ações necessita cada vez mais diálogo e participação da sociedade.

“A descentralização do poder permite que o Estado fique mais próximo do cidadão e também possa adequar as suas políticas públicas às especificidades regionais. Isso é muito importante para um país com dimensões continentais como o Brasil”, afirma Paula.

No Portal Federativo
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Carta Aberta a FHC

Votei em outro homem
Caro FHC

Votei no senhor mais vezes que em qualquer outro candidato.

A última vez em que fiquei pessoalmente arrasado com a derrota de alguém foi quando o senhor perdeu a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros.

Deixei de votar no PSDB quando o partido começou a se tornar o que é hoje: uma reedição da UDN de Lacerda, em que ao moralismo demagógico e cínico se soma um conservadorismo petrificado.

Atribuí este movimento rumo à direita, em certo momento, a Serra. Mas hoje tenho clareza de que o senhor também empurrou o PSDB para o neoudenismo que o vai transformando em quase nada.

Faz já algum tempo que não espero muita coisa do senhor, dadas suas manifestações públicas.

Ainda assim, mesmo com expectativas baixas, fiquei surpreso com seu palavreado chulo numa entrevista dada à Veja.

O senhor é a Veja. A Veja é o senhor. É uma comunhão patética para um sociólogo que entrou para a política com o propósito de renová-la, na redemocratização do país, no final da década de 1970.

A frase que simboliza seu mergulho nas trevas foi destacada e louvada pela Veja: “É preciso tirar essa gente do poder.”

Essa gente.

Fosse outra a época, e os militares estivessem à espera de uma chance para derrubar um governo eleito, o senhor estaria certamente dizendo aquela frase a generais, como Lacerda. E a repetiria, em inglês, a representantes do governo americano.

Votos, senhor. É com votos que o seu partido poderia tirar “aquela gente” do poder.

Mas onde estão estes votos? O senhor imaginava que o apoio da plutocracia e da mídia traria votos para o PSDB? Foi o mesmo delírio que teve, no passado, a UDN.

Como um estudioso, o senhor deveria conhecer isso, para não repetir o mesmo erro. Esta miopia, hoje, me faz duvidar até de sua capacidade como intelectual.

Como demagogo, o senhor repete que o maior problema do país é a corrupção, para enganar o povo. Partindo de um homem que se reelegeu graças à compra de votos no Congresso, é algo que mistura comédia com tragédia, descaro com mistificação.

Ora, a real tragédia nacional é a abjeta desigualdade, e contra ela suas realizações, como presidente, são medíocres.

A idade melhora certas pessoas. Um contemporâneo seu, o Papa, é um dos combativos propagadores da causa da justiça social.

Quando comparamos a essência das declarações de Francisco e as suas, vemos grandeza épica de um lado e pequenez míope de outro.

Com tudo isso, não me arrependo dos votos que dei para o senhor. Prefiro pensar que votei num outro homem, com outras ideias e outros propósitos.  E não na versão do século 21 de Carlos Lacerda, o Corvo, com o mesmo reacionarismo mas sem a verve da versão original.

Sinceramente.

Paulo Nogueira

No DCM
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A carta do professor ao “inimigo do ensino público” paulista


Carta ao governador Geraldo Alckmin
Governador, estou fazendo um árduo trabalho com a memória visando descobrir ou lembrar de alguma obra que o senhor tenha feito e, devido a importância dela, justifique sua atual candidatura ao governo de São Paulo.

Na área da educação, falando seriamente, não encontrei nada que justifique a continuidade de seu governo, mas sim motivos para enquadrá-lo como inimigo do ensino público e dos professores.

Na saúde, também está difícil. Basta dar uma entradinha em qualquer hospital que o senhor colocou nas mãos das Organizações Sociais para constatar o tamanho do horror!

Isso sem contar a sua tentativa de vender 25% das vagas do SUS para os grupos privados de saúde.

Na segurança pública, com sua polícia matando por atacado e com o crime organizado agindo dentro dos presídios como parceiros do Estado, nem que eu tenha um aparelho de ultrassom no lugar dos olhos descobrirei justificativas decentes para sua reeleição.

Também, sempre curioso, fui dar uma olhadinha no setor de transportes e nele, incrível, descobri um negócio chamado Trensalão. Quer dizer, um baita escândalo onde gente tucana surrupiou durante quase 20 anos mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos paulistas.

Pelo que vi, o Trensalão é o grande e vistoso primo rico do Mensalão e, por ser muito mais chique, envolve a partir dos governos tucanos (inclusive o seu), o Metrô de São Paulo com refinados bandidos de multinacionais como a Alston, Siemens, Bombardier etc.

Mesmo que durante um dia ensolarado, imitando um filósofo grego da Antiguidade, eu me aposse de uma lanterna e saia procurando motivos para reelegê-lo, será difícil encontrá-los. Portanto, governador Geraldo, me explique ou me dê motivos claros para sua reeleição.

Como posso votar num homem que foi peça fundamental no drama humanitário ocorrido com o massacre do Pinheirinho, em 22 de janeiro de 2012, onde oito mil seres humanos foram arrancados de suas casas, sob balas e bombas da polícia, jogados na rua e, no dia seguinte, horrorizados, viram tratores derrubando suas casas ainda repletas de moveis, roupas e todos os poucos bens materiais que sustentavam sofrivelmente a vida daquela gente tão pobre?

E as intervenções policiais na USP, para calar estudantes e trabalhadores que lutam tenazmente contra a depreciação e a privatização daquela universidade? Também tem o problema da Cracolândia, em São Paulo, onde o senhor, para sanar o problemas gerados pelo consumo do crack, insiste em usar remedinhos truculentos fabricados nos laboratórios da academia do Barro Branco.

Não vou citar aqui seu envolvimento com os fanáticos do Opus Dei, que certamente deve tê-lo influenciado em algumas medidas medievais de seu governo, como a de impor exames capazes de constatar a virgindade de funcionárias que deveriam ser contratadas na área do ensino.

Mesmo que um bando de anjos me rodeassem suplicando meu voto para sua reeleição, governador, não tenho como dizer sim. Como professor do estado, eu o tenho como algoz impiedoso da educação pública. Em seu governo, toda escola caminhou na direção da privatização e acabou virando uma sementeira de escândalos sem fim, principalmente em reformas de prédios ou em compras — sem licitação — de jornais e revistas que lhe dão tranquila blindagem na grande mídia.

Veja, governador, que na recusa em lhe dar o voto nem toquei no caso das imagens dignas de “Vidas Secas” que a sua incompetência criou na desadministração da SABESP, com o complexo Cantareira sem um pingo d’água, gente na grande São Paulo deixando de tomar banho, lavar roupas e louças, enquanto, na maior cara de pau, o senhor procura sair de fininho e tenta, com a colaboração da grande mídia, jogar toda a culpa em São Pedro.

Portanto, é impossível sair de casa no dia 5 de outubro para avalizar um governante que só não foi investigado e permanece no poder porque, na Assembléia Legislativa, mantém e sustenta um bando de deputados amigos, sempre dispostos a defender a chefia em troca de migalhas chamadas emendas parlamentares ou de cargos para parentes e amigos em escalões do governo.

Se os números das pesquisas forem verdadeiros, suas chances eleitorais permanecem grandes.

Porém, o que fazer se o eleitor paulista não consegue perceber o obvio, ou seja, a sua ação destrutiva e a seqüência de atos que não compactuam com a grandeza de um estado exemplarmente rico, mas, infelizmente, medíocre em termos políticos? E hoje, sem dúvida, sua figura pública é o que melhor exemplifica a mediocridade que emperra o desenvolvimento humano e social de São Paulo. Portanto, governador, meu voto não será seu, jamais!

Silvio Prado
Professor da Rede de Ensino Estadual

No Viomundo
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Produção industrial cresce 0,7% em agosto


Agosto 2014 / Julho 2014
0,7%
Agosto 2014 / Agosto 2013
-5,4%
Acumulado em 2014
-3,1%
Acumulado em 12 meses
-1,8%
Média móvel trimestral
-0,1%
Em agosto de 2014, a produção industrial nacional avançou 0,7% frente ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após também crescer 0,7% em julho, quando interrompeu quatro meses seguidos de resultados negativos, período em que acumulou perda de 3,4%. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou redução de 5,4% em agosto de 2014, sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. Assim, o setor industrial acumulou queda de 3,1% nos oito meses do ano, intensificando, portanto, o recuo de 2,6% registrado no primeiro semestre de 2014. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, com o recuo de 1,8% em agosto de 2014, manteve a trajetória descendente iniciada em março último (2,0%) e assinalou o resultado negativo mais intenso desde dezembro de 2012 (-2,3%).

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/industria/2014/pimpfbr/
Grandes Categorias
Econômicas
Variação (%)
Agosto 2014/
Julho 2014*
Agosto 2014/
Agosto 2013
Acumulado
Janeiro-Agosto
Acumulado nos
Últimos 12 Meses
Bens de Capital
0,0
-13,4
-8,8
-2,4
Bens Intermediários
1,1
-3,3
-2,6
-2,0
Bens de Consumo
-0,8
-6,7
-2,5
-1,4
   Duráveis
-3,0
-17,9
-10,3
-6,6
   Semiduráveis e não Duráveis
-0,8
-3,1
0,0
0,3
Indústria Geral
0,7
-5,4
-3,1
-1,8

O setor industrial, em agosto de 2014, permanece com o quadro de ligeira melhora no ritmo produtivo, ao marcar o segundo avanço seguido que interrompeu quatro meses consecutivos de queda na produção. Vale destacar que com o resultado positivo desse mês, o total da indústria recuperou apenas parte da perda de 3,4% acumulada entre março e junho e ficou 6,2% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013. Ainda na série com ajuste sazonal, os sinais de menor dinamismo da atividade industrial nos últimos meses também ficaram evidenciados na evolução do índice de média móvel trimestral, que embora tenha reduzido o ritmo de queda frente aos meses anteriores, manteve a trajetória descendente iniciada em março último.

14 dos 24 ramos investigados registram crescimento em agosto contra julho

O crescimento de 0,7% da atividade industrial na passagem de julho para agosto teve predomínio de índices positivos, alcançando 14 dos 24 ramos pesquisados, com destaque para o avanço de 2,4% registrado por indústrias extrativas, que apontou o sexto resultado positivo consecutivo, acumulando nesse período expansão de 7,3%. Outras contribuições positivas importantes sobre o total da indústria vieram dos setores de máquinas e equipamentos (3,9%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,5%), de produtos alimentícios (1,1%), de produtos de borracha e material plástico (4,1%), de produtos do fumo (15,4%) e de produtos de metal (2,7%). Por outro lado, entre os dez ramos que reduziram a produção nesse mês, os desempenhos de maior importância para a média global foram assinalados por bebidas (-6,1%), perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-4,2%), produtos farmacêuticos e farmoquímicos (-7,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,5%) e outros equipamentos de transporte (-6,9%). Vale ressaltar que, com exceção do primeiro setor, que mostrou taxa negativa pelo segundo mês seguido e acumulou perda de 8,6% nesse período, as demais atividades apontaram resultados positivos em julho último: 2,8%, 4,1%, 8,4% e 31,0%, respectivamente.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, somente bens intermediários (1,1%) assinalou avanço na produção nesse mês e interrompeu quatro meses consecutivos de taxas negativas nesse tipo de confronto, período em que acumulou recuo de 1,4%. O segmento de bens de capital (0,0%) repetiu o patamar registrado no mês anterior, após apontar expansão de 15,0% em julho último, quando reverteu quatro meses seguidos de queda na produção, com perda acumulada de 19,4% nesse período. Os setores produtores de bens de consumo duráveis (-3,0%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,8%) mostraram as taxas negativas nesse mês, com o primeiro voltando a recuar após crescer 26,3% no mês anterior, e o segundo eliminando o crescimento de 0,6% verificado em julho.

Média móvel trimestral tem variação negativa (-0,1%)

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria mostrou variação negativa de 0,1% no trimestre encerrado em agosto frente ao nível do mês anterior, após também registrar resultados negativos em abril (-0,3%), maio (-0,6%), junho (-1,0%) e julho (-0,6%). Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, bens de consumo duráveis (-2,3%) assinalou a redução mais acentuada em agosto e manteve a trajetória descendente iniciada em março último. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis (-0,6%) também apontou taxa negativa nesse mês, após ficar praticamente estável nos dois últimos meses. Por outro lado, os segmentos de bens intermediários e de bens de capital, ambos com variação de 0,2%, registraram os resultados positivos em agosto, com o primeiro revertendo o comportamento negativo iniciado em maio; e o segundo interrompendo quatro meses seguidos de queda nesse tipo de indicador.

Na comparação com agosto de 2013, produção industrial cai (-5,4%)

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 5,4% em agosto de 2014, com perfil disseminado de resultados negativos, já que as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (21) dos 26 ramos apontaram redução na produção. Vale citar que agosto de 2014 (21 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (22). Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 25,6%, exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada em grande parte pela menor fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques e autopeças. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram de produtos alimentícios (-4,0%), de metalurgia (-11,2%), de produtos de metal (-12,0%), de máquinas e equipamentos (-6,6%), de outros produtos químicos (-5,7%), de produtos de borracha e de material plástico (-8,5%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,4%), de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-9,3%) e de bebidas (-6,6%). Em termos de produtos, as pressões negativas mais importantes nesses ramos foram, respectivamente, açúcar cristal e VHP, sorvetes, picolés, carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas e carnes de aves congeladas; artefatos e peças diversas de ferro fundido, barras de aços ao carbono, bobinas a frio de aços ao carbono, chapas, bobinas, fitas e tiras de aço relaminadas, tubos flexíveis e trefilados de ferro e aço, bobinas ou chapas de aços zincadas e de outras ligas de aço e tubos, canos ou perfis ocos de aços sem costura; estruturas de ferro e aço, parafusos, ganchos, pinos ou porcas de ferro e aço, esquadrias de ferro e aço, torres e pórticos de ferro e aço, construções pré-fabricadas de metal, artefatos diversos de ferro e aço estampado e pontes e elementos de pontes de ferro e aço; máquinas para colheita, motoniveladores, válvulas, torneiras e registros, guindastes, pontes e vigas rolantes, pórticos, pontes-guindastes e carros-pórticos, carregadoras-transportadoras, empilhadeiras propulsoras, rolamentos de esferas, agulhas e cilindros para equipamentos industriais e retroescavadeiras; tintas e vernizes para usos em geral, herbicidas e fungicidas para uso na agricultura; peças e acessórios de plástico para indústria automobilística, pneus, juntas, gaxetas e semelhantes de borracha vulcanizada não endurecida, garrafas, garrafões, frascos e artigos semelhantes de plástico e filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem; fios, cabos e condutores elétricos com capa isolante, motores elétricos de corrente alternada ou contínua, grupos eletrogêneos, interruptores, seccionadores e comutadores para tensão menor ou igual a 1kv, eletroportáteis domésticos, aparelhos elétricos de alarme para proteção e fogões de cozinha para uso doméstico; televisores, transmissores e receptores de telefonia celular, rádios para veículos automotores, placas de circuito impresso para informática, telefones celulares, computadores pessoais de mesa (desktops) e relógios; e refrigerantes, cervejas, chope e preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais. Por outro lado, ainda na comparação com agosto de 2013, entre as cinco atividades que aumentaram a produção, os principais impactos foram observados em indústrias extrativas (7,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,3%) e produtos de fumo (34,6%), impulsionados, em grande parte, pelos avanços nos itens minérios de ferro pelotizados, óleos brutos de petróleo e minérios de ferro em bruto, no primeiro ramo, óleos combustíveis, querosenes de aviação e álcool etílico, no segundo, e fumo processado industrialmente, no último.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de consumo duráveis (-17,9%) e bens de capital (-13,4%) assinalaram, em agosto de 2014, as quedas mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens intermediários (-3,3%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,1%) registraram os demais resultados negativos nesse mês, com ambos recuando com intensidade menor do que a média nacional (-5,4%).

O segmento de bens de consumo duráveis recuou 17,9% no índice mensal de agosto de 2014, sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e mais intensa do que a observada no mês anterior (-13,7%). Nesse mês, o setor foi particularmente pressionado pela menor fabricação de automóveis (-25,0%), ainda influenciado por reduções de jornadas de trabalho e pela concessão de férias coletivas em várias unidades produtivas. Outros impactos negativos importantes vieram de motocicletas (-18,3%), de eletrodomésticos da “linha marrom” (-21,0%), por conta da menor produção de televisores, de eletrodomésticos da “linha branca” (-5,4%), de outros eletrodomésticos (-9,9%) e de móveis (-14,7%).

O setor produtor de bens de capital, ao recuar 13,4% em agosto de 2014, também assinalou o sexto resultado negativo consecutivo no índice mensal e com queda mais intensa do que a verificada no mês anterior (-8,2%). Na formação do índice desse mês, o segmento foi influenciado pelo recuo observado na maior parte dos seus grupamentos, com claro destaque para a redução de 22,3% de bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado principalmente pela menor fabricação de caminhões, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de reboques e semirreboques e de veículos para transporte de mercadorias. As demais taxas negativas foram registradas por bens de capital para construção (-22,9%), agrícola (-13,0%) e para fins industriais (-1,2%), enquanto bens de capital para energia elétrica (6,3%) e de uso misto (1,7%) apontaram os resultados positivos em agosto de 2014.

A queda na produção de bens intermediários (-3,3%), que apontou o sexto resultado negativo consecutivo na comparação com igual mês do ano anterior, foi explicada principalmente pelos recuos nos produtos associados às atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,1%), metalurgia (-11,2%), produtos de metal (-13,6%), outros produtos químicos (-5,6%), produtos de borracha e de material plástico (-8,8%), produtos alimentícios (-4,3%), produtos de minerais não-metálicos (-3,5%) e produtos têxteis (-5,5%), enquanto as pressões positivas foram assinaladas por indústrias extrativas (7,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,3%), máquinas e equipamentos (4,9%) e celulose, papel e produtos de papel (1,3%). Ainda nessa categoria, vale citar também os resultados negativos registrados pelos grupamentos de insumos para construção civil (-7,2%), que registrou a sexta queda consecutiva nesse tipo de comparação, e de embalagens (-2,3%), após também recuar em junho (-3,6%) e julho (-2,6%) últimos.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o segmento de bens de consumo semi e não-duráveis, ao recuar 3,1% em agosto de 2014, reverteu o avanço de 0,6% assinalado em julho último. O desempenho nesse mês foi influenciado em grande parte pelos recuos vindos dos grupamentos de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-4,2%), de semiduráveis (-7,1%) e de não-duráveis (-1,2%), pressionados principalmente pela menor fabricação de sorvetes, picolés, refrigerantes, carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, cervejas, chope, carnes e miudezas de aves congeladas, biscoitos e bolachas, no primeiro subsetor, camisetas de malha, calças compridas de uso feminino, telefones celulares, camisas e blusas, exceto de malha, de uso feminino, calçados de material sintético e de couro de uso feminino, no segundo, e de medicamentos e livros, no último. Por outro lado, o grupamento de carburantes (3,2%) assinalou o único resultado positivo nesse mês, impulsionado pelo avanço na produção de álcool etílico e de gasolina automotiva.

No acumulado em 2014, produção industrial cai (-3,1%)

No índice acumulado para os oito meses de 2014, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 3,1%, com perfil disseminado de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas, 18 das 26 atividades, 56 dos 79 grupos e 64,3% dos 805 produtos investigados. O principal impacto negativo foi observado no ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias (-18,8%), pressionado, em grande parte, pela redução na produção de aproximadamente 94% dos produtos investigados no setor, com destaque para os recuos registrados por automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias e autopeças. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram dos setores de produtos de metal (-11,0%), de metalurgia (-6,6%), de máquinas e equipamentos (-5,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,1%), de outros produtos químicos (-3,8%) e de produtos de borracha e de material plástico (-4,4%). Em termos de produtos, as influências negativas mais importantes nesses ramos foram, respectivamente, estruturas de ferro e aço, artefatos diversos de ferro e aço estampado, esquadrias de ferro e aço, construções pré-fabricadas de metal, pontes e elementos de pontes de ferro e aço, parafusos, ganchos, pinos ou porcas de ferro e aço e andaimes tubulares e material para andaimes; artefatos e peças diversas de ferro fundido, bobinas ou chapas de outras ligas de aço, chapas, bobinas, fitas e tiras de aço relaminadas, tubos flexíveis e trefilados de ferro e aço e tubos de aços com costura; válvulas, torneiras e registros, tratores agrícolas, guindastes, pontes e vigas rolantes, pórticos, pontes-guindastes e carros-pórticos, retroescavadeiras, rolamentos de esferas, agulhas e cilindros para equipamentos industriais e máquinas para colheita; fios, cabos e condutores elétricos com capa isolante, interruptores, seccionadores e comutadores para tensão menor ou igual a 1kv, motores elétricos de corrente alternada ou contínua, aparelhos elétricos de alarme para proteção, eletroportáteis domésticos, máquinas de lavar ou secar roupas e refrigeradores ou congeladores para uso doméstico; fungicidas para uso na agricultura, tintas e vernizes para usos em geral e para construção, propeno não-saturado, éteres e peróxidos orgânicos, benzeno, aditivos para óleos lubrificantes e etileno não-saturado; e peças e acessórios de plástico e de borracha para indústria automobilística, borracha misturada não vulcanizada em formas primárias, juntas, gaxetas e semelhantes de borracha vulcanizada não endurecida, cartuchos de plástico para embalagem, filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem e garrafas, garrafões, frascos e artigos semelhantes de plástico. Por outro lado, entre as oito atividades que ampliaram a produção, as principais influências foram observadas em indústrias extrativas (4,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,3%), produtos farmacêuticos e farmoquímicos (5,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,8%) e produtos alimentícios (0,8%), impulsionadas, em grande parte, pelo crescimento na produção de minérios de ferro em bruto ou beneficiado e pelotizados, na primeira, de óleos combustíveis, álcool etílico, asfalto de petróleo, querosene para aviação e gasolina automotiva, na segunda, de medicamentos, na terceira, de televisores, aparelhos de comutação para telefonia, monitores de vídeo e gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD e home theater), na quarta, e de açúcar cristal, na última.

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para o índice acumulado nos oito meses de 2014 mostrou menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-10,3%) e bens de capital (-8,8%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de automóveis (-18,6%), na primeira, e de bens de capital para equipamentos de transporte (-16,9%), na segunda. O segmento de bens intermediários (-2,6%) também assinalou resultado negativo no índice acumulado no ano, mas com queda menos intensa do que a observada na média nacional (-3,1%). Por outro lado, o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis (0,0%) foi o único que não apontou taxa negativa.

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