1 de out de 2014

O que significa a Bolsa de Valores desabar sempre que Dilma cresce nas pesquisas?


O que significa a Bolsa de Valores desabar a cada momento que parece mais provável a vitória de Dilma?

Imagino que o BM, o Brasileiro Médio, se faça essa pergunta diante das repetidas notícias de queda na Bolsa.

A resposta é: é um problemão para quem tem dinheiro aplicado na Bolsa de Valores, uma fração insignificante da sociedade.

A Bolsa brasileira sempre foi irrelevante. Poucas empresas, ao longo dos tempos, decidiram abrir seu capital.

Na mídia, por exemplo, que não para de noticiar agora a instabilidade das ações, nenhuma grande empresa foi para a Bolsa.

A visão hostil em relação à Bolsa faz parte da cultura nacional, pouco disposta ao risco. Fora isso, há investimentos seguros que pagam altas — em certos momentos altíssimas — taxas de juros.

Suponha que, numa virada sensacional, a Bolsa começasse a bater recordes. Mais uma vez: não significaria nada para o BM.

O BM não come ações.

Em compensação, alguns especuladores ganhariam muito dinheiro.

Por trás do noticiário catastrofista, está uma tentativa de intimidar o eleitor assustadiço e convencê-lo a votar no “candidato do mercado”, Aécio.

As pesquisas mostram que o BM não é o idiota que alguns pensam que é.

Pressões baseadas no apocalipse são comuns. Numa clássica, o então presidente da Fiesp, Mário Amatto, disse que 800 000 empresários deixariam o país caso Lula vencesse as eleições de 1990.

O “mercado” se agitou também em 2002, diante da iminência da vitória de Lula. Lula piscou, e disso nasceu a Carta aos Brasileiros, na qual o PT se comprometeu a seguir a essência da política econômica de FHC.

Quer dizer: o PT abdicava, ali, de ser um partido de esquerda. Começava um movimento que levaria o partido ao centro, ou à centro-esquerda.

(Um efeito colateral dessa caminhada do PT rumo ao centro foi a transformação do PSDB num partido de direita.)

O terrorismo econômico de 2014 não é muito diferente do de 1989, e nem do de 2002.

O que se deseja, a rigor, é que Dilma se comprometa com uma agenda da qual o “mercado” goste.

Lula parece ter aprendido, pelo que ele fala agora, que no fundo se trata de mais um blefe. Não era verdade que 800 mil empresários debandariam, e nem que o Brasil entraria em colapso se não fosse seguida a receita ortodoxa de FHC em 2002.

Mais uma vez, o que temos é o 1% sempre querendo manipular os 99%: a rigor, não é mais nem menos que isso.

Durante muitos anos, na ditadura militar e depois mesmo no governo FHC, os brasileiros foram enganados com o argumento de que era preciso fazer o bolo — a economia — crescer para depois distribuí-lo.

O bolo cresceu e, como mostram os dados da desigualdade, jamais foi distribuído decentemente por sucessivas administrações.

Num mundo menos imperfeito, a mídia teria cobrado duramente ações para fazer do Brasil um país menos abjetamente injusto.

Mas não.

A imprensa nunca fez do combate à iniquidade uma causa, porque se beneficiou da desigualdade. Os donos das empresas de jornalismo acabaram figurando entre as pessoas mais ricas do Brasil.

A melhor atitude que o BM, o Brasileiro Médio, deve tomar diante das trepidações da Bolsa é ignorá-las.

De alguma forma, pode até respirar aliviado. Nas presentes circunstâncias, caso a Bolsa estivesse bombando, é porque — como prometeu Aécio a um grupo de empresários no começo da sua campanha — medidas impopulares estariam ali na esquina.

E delas ninguém escapa, salvo os suspeitos de sempre, o chamado 1%.

Paulo Nogueira
No DCM
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Detalhes tão pequenos do eleitor

A divulgação simultânea de pesquisas de dois dos principais institutos — Ibope e Datafolha — diz muito sobre o papel da imprensa na disputa eleitoral. Nas edições de quarta-feira (1/10), os três principais diários de circulação nacional fazem um jogo de mostra-esconde com seus leitores: a tendência é destacar a recuperação do candidato Aécio Neves e apostar na realização de um segundo turno, com o senador do PSDB recuperando o terreno perdido para Marina Silva, do PSB.

Interessante observar que a Folha de S.Paulo analisa apenas os dados de seu instituto, fazendo uma referência rápida ao Ibope, enquanto o Estado de S.Paulo, copatrocinador, com o Globo, da pesquisa eleitoral do Ibope, faz o contrário, como era de se esperar. Mas o Globo abre os gráficos dos dois institutos, dando mais destaque para o Datafolha. Em qualquer dos cenários apontados pelos jornais, os números indicam a possibilidade de Aécio Neves superar Marina Silva até domingo, o dia da eleição, principalmente em função da maior capacidade de mobilização do PSDB nos grandes centros urbanos.

O Datafolha entrevistou 7.520 pessoas em 311 municípios, enquanto o Ibope consultou 3.010 pessoas em 203 municípios. As pequenas discrepâncias entre os dados apresentados pelas duas pesquisas podem ser explicadas pela diferença na cobertura, mas como os jornais não informam o perfil das populações onde foram coletadas as opiniões, não se pode analisar eventuais distorções.

De qualquer modo, 3.010 é menos do que a metade de 7.520, o que permite discutir o critério de seleção das amostragens. Por exemplo, no estado de Santa Catarina o PSDB perde votos nos municípios com maior influência da família Bornhausen, que trocou a antiga aliança com os tucanos pelo apoio ao PSB de Marina Silva. Por outro lado, no estado de São Paulo uma pequena diferença na coleta de opiniões em algumas regiões pode produzir números mais expressivos em favor de Aécio Neves. Em Minas Gerais, uma coleta mais densa ao norte mostra um eleitorado com perfil mais próximo ao dos estados nordestinos.

Essas são questões que exigiriam uma análise muito detalhada de cada pesquisa, de modo que sempre escapa algum aspecto capaz de provocar mudanças significativas entre a coleta de intenções de voto e o voto que efetivamente será registrado nas urnas eletrônicas.

O voto constrangido

É interessante observar que os três jornais esquecem de analisar o índice de aprovação do governo federal. Segundo o Ibope, 38% consideram o governo “ótimo ou bom”, 33% o apontam como “regular” e os que o consideram como “ruim ou péssimo” continuam sendo os mesmos 28% desde a consulta feita entre os dias 5 e 8 de setembro. No Datafolha, 37% consideravam o governo “ótimo ou bom” nas duas pesquisas anteriores, e agora são 39%, enquanto os que o classificavam como “regular” passaram de 39 para 37% em uma semana. Os que o apontam como “ruim ou péssimo” são 23%.

Há uma relação clara entre a reputação do governo e o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, por isso era de se esperar que os jornais continuassem a demonstrar como a contrainformação produzida pela propaganda da candidata tem anulado em parte o viés negativo que predomina na mídia tradicional. Nesse aspecto, seria interessante destacar que os 28% (segundo o Ibope) ou 23% (segundo o Datafolha) que consideram o governo atual “ruim ou péssimo” são os mesmos que não votariam em Dilma Rousseff em nenhuma hipótese.

O fenômeno se parece muito com o episódio relatado pelo radialista Francisco Paes de Barros, em artigo publicado no Estado de S. Paulo (ver aqui): em 1985, Fernando Henrique Cardoso era apontado como vitorioso na disputa contra Jânio Quadros pela prefeitura de São Paulo; com exceção da Rádio Record, que fazia sua própria pesquisa, todos os institutos apontavam, até a véspera, uma vitória do sociólogo sobre o ex-presidente.

Fernando Henrique chegou a sentar-se na cadeira de prefeito, a pedido de um fotógrafo da Folha de S.Paulo. Jânio venceu com o “voto envergonhado”, que não aparecia nas pesquisas, e desinfetou a cadeira antes de assumir.

Em 2014, os números crescentes de aprovação do governo federal, mesmo sob intenso bombardeio da imprensa, indicam que há uma fração considerável do eleitorado dissimulada nas pesquisas, onde se esconde o voto constrangido. Como Aécio Neves e Marina Silva terão que atacar um ao outro na reta final, esse voto pode definir a eleição em primeiro turno.

São detalhes como esse que desmoralizam os profetas da imprensa.

Luciano Martins Costa
No Blog do Miro
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Gilmar deverá suspender direito de resposta contra Veja


A Editora Abril foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) ajuizando reclamação que questiona o direito de resposta assegurado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra reportagem publicada na revista Veja. A reclamação está nas mãos do ministro Gilmar Mendes e nela o pedido de suspensão imediata do processo no TSE e que seja cassada a decisão.

A editora alega que o TSE contrariou decisões do STF proferidas no julgamento sobre a Lei das Eleições e a Lei de Imprensa, nas quais “foi assegurada a liberdade de expressão, mesmo em período eleitoral”.

O TSE assegurou à Coligação Com a Força do Povo que responda reportagem publicada na revista sob o título “PT sob chantagem”. A Abril alega que a decisão do TSE foi fundamentada “no alegado excesso de crítica jornalística” o que, no entendimento da editora, configura “cerceamento à liberdade de expressão e ao livre exercício da crítica jornalística”.

“É inegável que se trata de material jornalístico, cuja atividade de imprensa, garantida constitucionalmente, não fica sobrestada no período eleitoral, como declarado pelo STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4451, cujo objeto era exatamente a Lei Eleitoral”, afirma o pedido. A reclamação menciona ainda o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, processo no qual o STF julgou não recepcionada pela Constituição Federal a Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967).

A reclamação diz ainda que a reportagem na Veja partiu “de fatos apurados em investigações oficiais conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público”.

No GGN
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DataCaf quase lá: Dilma 40 vs 25 Bláblá

Aécioporto tem 18%


Segundo turno:
Dilma Rousseff 47%

Bláblárina 38%

No CAf
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Arnaldo Jabor previu a data exata do apocalipse no Brasil


Ele
Arnaldo Jabor previu o apocalipse no Brasil. Não foi a primeira vez e nada indica que será a última. O Antônio Conselheiro do Leblon fez uma lista de catástrofes se Dilma for reeleita.

Confira comigo no replay:
  • Com o controle da mídia, poder-se-á por em prática “a velha frase de Stalin: ‘As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?’.
  • Serão criados “os conselhos de consulta direta à população, disfarce de ‘sovietes’ como na Rússia de Stalin”.
  • “Continuaremos a ser um ‘anão diplomático’ irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.”
  • “Continuaremos a ‘defender’ o Estado Islâmico e outros terroristas do ‘terceiro mundo’, porque afinal eles são contra os Estados Unidos”.
  • “O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: ‘Como deixar independente o BC?’”.
  • A Inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a ‘inflação neoliberal’.
  • “Os crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são ‘meias-verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação…’”.
  • “E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e as mulheres pobres do País que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) – ‘que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem’”.
Vou poupar você da profecia completa, mas ela está aqui, caso interessar possa.

É um tema antigo e caro ao Jabor, o da desintegração nacional. Há algum tempo, contou o que sentiu ao assistir uma reportagem da CNN sobre o Rio de Janeiro: “A repórter americana estava à beira de um colapso nervoso com a degradação do país, alertando estrangeiros civilizados sobre o perigo de vir à Copa. Já andei por fundos sertões e não sou criança, mas parecia que estávamos na Nigéria, na área do Boko Haram, um daqueles lugares mortos que não fazem parte nem do mundo pobre. Ficou-me claro que aqui já vivemos uma “pós-miséria” incurável, africanizada.”

Jabor olha para o mar de Ipanema e chora sangue diante do futuro que se avizinha. Sua transformação em adventista do sétimo dia representa um passo adiante em sua carreira.

Dilma e Lula são o anticristo, com o número 666 tatuado no couro cabeludo (daí o laquê da presidente). Por trás desse discurso está um desejo de que o país acabe para, entre outras coisas, ele poder gritar: “Eu não avisei?”

Jabor é pago para apregoar o desfortúnio e, se agarrar algum trouxa no meio do caminho, maravilha. Está sempre empurrando seu público para o limite, testando-o para ver o nível de absurdo a que ele está disposto a se submeter.

Estamos a caminho do bolivarianismo, não há dúvida. Seu filho dependerá de sovietes para decidir em que escola vai estudar. Se ele não preferir se alistar no Estado Islâmico. Etc.

O que menos importa é se existe algum pé na realidade. Quem não acredita que marchamos para o fim do mundo é um inocente útil, um ignorante, alguém que “não lê jornais” — ou um comunista, claro.

“As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres”, diz ele. A destruição da liberdade continuará acontecendo no Brasil, segundo AJ. Se não acontecer, é importante que essa ameaça paire no horizonte, próxima o suficiente para manter fresco o arsenal de paranoia de extrema-direita que alimenta malucos como Arnaldo Jabor.

Kiko Nogueira
No DCM
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Guarda alta, salto baixo e bandeira firme

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda aprovou a seguinte resolução, dirigida aos militantes e amigos da tendência.

1. As pesquisas divulgadas nesta reta final despertaram uma enorme euforia na militância petista e no eleitorado de Dilma. A euforia é merecida. Afinal, contrariando os prognósticos do oligopólio da mídia, Dilma lidera e vence em todos os cenários, tanto de primeiro quanto de segundo turno.

2. Não devemos, contudo, praticar o erro cometido nas eleições presidenciais de 2006 e 2010. Embora seja possível uma vitória no primeiro turno, o mais provável é que a disputa seja resolvida apenas no segundo turno.

3. Por isto, ao mesmo tempo que colocamos em tensão todas as nossas forças com o objetivo de obter a maior votação possível no dia 5 de outubro, também devemos estar política, organizativa e psicologicamente preparados para mais três semanas de campanha.

4. Não devemos, tampouco, repetir o erro do início desta campanha presidencial de 2014, a saber, subestimar os adversários. Quem quer que vá ao segundo turno contra nós, contará com o apoio da extrema-direita, do oligopólio da mídia, da especulação financeira e de potências estrangeiras, vocalizando os interesses dos setores hegemônicos do grande capital, nacional e internacional. Nossos inimigos farão de tudo, legal ou ilegal, para tentar nos derrotar. Portanto, ocorrendo segundo turno, será uma guerra, não um passeio.

5. Neste espírito, não devemos cometer a ingenuidade de "escolher adversário". Sempre haverá raciocínios e cálculos para todos os gostos e sabores, a apontar as debilidades e os pontos fortes de uma ou de outra candidatura oponente. Quem quer que seja, entretanto, não pode ocorrer nenhuma mudança na linha de campanha adotada depois de 13 de agosto, a saber: mobilização máxima, politização máxima e máxima polarização programática. Linha válida tanto para esta reta final do primeiro turno como para um possível segundo turno.

6. Cabe aos dirigentes partidários e coordenadores de campanhas eleitorais combinar a ofensiva dos próximos dias, com o planejamento e medidas preparatórias para os cenários do dia seguinte.

7. A militância deve estar preparada para iniciar a segunda-feira 6 de outubro trabalhando por nossas candidaturas a presidenta e a governador (onde estivermos no segundo turno).

8. Num segundo turno, sem prejuízo de movimentos que se façam no sentido de neutralizar ou ganhar outros setores políticos e sociais, nosso esforço fundamental deve ser o de manter e ampliar o voto junto à classe trabalhadora, em especial a juventude trabalhadora. Para este esforço ter êxito, reiteramos ser fundamental que tenha continuidade a correta guinada à esquerda dada pela campanha depois de 13 de agosto.

9. Desde já, mas também num segundo turno, devemos buscar o voto de toda a esquerda, de todas as forças democráticas e populares, de todos os setores progressistas, de todos aqueles que não participam ou são oposição ao governo encabeçado por nós, mas que não desejam uma restauração neoliberal.

10. Especialmente num segundo turno, o "programa mínimo" da oposição será o antipetismo. Para enfrentar o ódio e a desinformação, será preciso aliar a firmeza no combate aos inimigos com a paciência no diálogo com os setores populares que tem críticas a nós. Será necessário, também, estar especialmente atento para as agressões, armações e manipulações, a começar pelas pesquisas que devem sair logo após o primeiro turno.

11. Orientamos nossas candidaturas para que comuniquem à direção nacional, por escrito, do que necessitam para dar continuidade ao esforço de campanha durante o segundo turno.

12. Orientamos, também, nossas candidaturas a que deixem para novembro o balanço detalhado das eleições. Certamente será necessário um profundo balanço da situação geral do Partido, debilidades e diferenças. Mas o momento para fazer isto é depois de concluída a batalha presidencial e as batalhas pelos governos onde estivermos no segundo turno.

13. O povo brasileiro, a classe trabalhadora e a esquerda socialista estamos muito perto de conquistar mais uma importante vitória, reelegendo a presidenta Dilma Rousseff e criando as condições para um segundo mandato superior, alinhado com as reformas democráticas e populares. Mas para atingir estes objetivos será preciso, mais do que nunca manter a guarda alta, o salto baixo e fazer uma defesa firme de nossas bandeiras.

A direção nacional da Articulação de Esquerda

1 de outubro de 2014

No Página13
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Marina apoia a greve dos bancários?

O primeiro dia da greve nacional dos bancários, nesta terça-feira (30), superou as expectativas mais otimistas. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), 6.572 agências e centros administrativos em todo o país foram fechados — 427 unidades a mais do que no primeiro dia de paralisação de 2013. “Mais uma vez os bancários dão grande demonstração de unidade e da força de sua mobilização, fazendo uma greve ainda maior que no ano passado. É um recado inequívoco aos bancos de que queremos mais do que os 7,35% de reajuste e que não fecharemos acordo sem que nossas reivindicações sejam atendidas”, festeja Carlos Cordeiro, presidente da entidade.

A categoria reivindica 12,5% de reajuste, valorização do piso salarial, PLR maior, garantia de emprego, melhores condições de saúde e trabalho, com fim das metas abusivas e do assédio moral, mais segurança nas agências e igualdade de oportunidades. “Condições financeiras os bancos têm de sobra para atender às reivindicações dos bancários, uma vez que somente os seis maiores bancos tiveram lucro líquido de R$ 56,7 bilhões no ano passado e R$ 28,5 bilhões no primeiro semestre de 2014, alcançando a maior rentabilidade do sistema financeiro internacional, graças principalmente ao aumento da produtividade dos bancários”, acrescenta Carlos Cordeiro.

Para o presidente da Contraf-CUT, apesar dos altos lucros, “os bancos estão fechando postos de trabalho e piorando as condições de trabalho, com aumento das metas abusivas e do assédio moral, o que tem provocado uma verdadeira epidemia de adoecimentos na categoria. Por falta de investimento em segurança, também cresce o número de assaltos, sequestros e mortes. Mas os banqueiros se recusam a buscar soluções para esses problemas”. Em assembleias realizadas em todo o país, os trabalhadores aprovaram a greve por tempo indeterminado e também fixaram um calendário de ações. Na próxima sexta-feira (2), por exemplo, ocorrerão marchas em vários estados contra a independência do Banco Central.

“Somos contra a independência do BC porque isso significaria entregar aos bancos decisões tão importantes para o país, como a inflação, a taxa de juros e a moeda. Questões que têm grande impacto no emprego e na vida da população e não podem estar nas mãos de apenas um setor da sociedade”, explica Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Para Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, a mobilização da categoria visa pressionar os banqueiros — “que apresentaram uma proposta muito ruim, de apenas 7,35 de reajuste” — e também desmascarar o papel nocivo do capital financeiro no país. “Vamos mostrar a força dos bancários”, enfatiza.

Diante desta nova demonstração de força dos bancários, fica a pergunta: Será que Marina Silva vai manifestar apoio à greve nacional? Afinal, ela tem notórios vínculos com os banqueiros. Neca Setubal, herdeira do Itaú, é sua amiga íntima e coordenou a elaboração do seu programa de governo — além de doar 3,4 milhões para o seu sinistro instituto. Além disso, segundo vários artigos publicados no jornal Valor, especializado em economia, o capital financeiro segue apostando na candidatura da ex-verde. Para evitar críticas maldosas, Marina Silva, que adora posar de vítima, até poderia participar do ato na sexta-feira contra a independência do Banco Central. Será que ela topa?



Neca é bem-vinda
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Pânico faz Merval cometer barriga histórica


Os jornais acordaram em pânico.

Os colunistas começaram a chorar mais que a Marina.

No Globo, Merval dá um número completamente errado sobre a disputa eleitoral em São Paulo.

Não é exagero.

Olha o que ele diz, em sua coluna de hoje:
“A dificuldade de Aécio Neves é que ele não está reagindo em São Paulo, maior colégio eleitoral e principal reduto tucano, onde segundo o Ibope a candidata do PSB continua liderando e em ascensão, ao contrário do resultado nacional: tinha 35% e agora aparece com 39% das intenções de voto. Aécio caiu de 19% para 17% e a presidente Dilma manteve-se em segundo lugar com 23%.”
Meu Deus! Coitado! Em que estado mental horrível ele deve estar.

Eu fico me perguntando como alguém pode errar assim! Eu, trabalhando sozinho no meu blog, quando cometo um erro, sou imediatamente advertido (pelo que agradeço) pelos atentos leitores.

Merval, com uma equipe enorme de assistentes, comete uma barriga tosca dessa?

Os números corretos, informados pela própria Globo, são esses:

ScreenHunter_4994 Oct. 01 12.05

Se preferir, pode ir na fonte original, o próprio Ibope, que acaba de divulgar o relatório completo de São Paulo. É de lá que tirei o gráfico abaixo:

ScreenHunter_5001 Oct. 01 12.46

Escapa à minha compreensão como é possível produzir uma barriga desse porte.

Eu até tirei fotografia da edição digital, para o caso dele corrigir (o que, incrivelmente, não fez até agora, às 13:00) e para vocês não duvidarem de mim:

ScreenHunter_4996 Oct. 01 12.11

Repita comigo, Merval.

1) Marina não está “em ascensão” em São Paulo, mas em queda livre. Saiu de 32% para 29%.

2) Dilma partilha com Marina a liderança do eleitorado paulista, com 29%. Sendo que a petista registra viés de alta; Marina, de baixa.

3) Aécio tinha 19% e foi para 22%, ou seja, bem mais do que os 17% que você atribui a ele.

* * *

Nessa reta final de eleição, os jornais revelam um outro talento. Já conhecíamos a sua vocação de publicar meias verdades, o que é a melhor maneira de mentir. Você conta uma verdade, incontestável, mas incompleta. A depender da maneira pela qual você transmite a informação, pode fazer o leitor chegar a conclusão oposta à que chegaria se tivesse acesso à verdade inteira.

Agora eles inovaram. Estão escondendo as informações.

Ontem, o jornal Globo escondeu a informação principal sobre o coxinha terrorista, a de que ele exigia renúncia da presidenta Dilma.

Claro, seria péssimo para a Globo mostrar Dilma antagonizando com um terrorista. Ainda mais um terrorista coxinha, cujas informações se lastreiam em Veja e Globo.

E ainda mais depois que a mídia vendeu a mentira de que Dilma defendeu o “diálogo” com terroristas, em seu discurso na ONU. A presidenta defendeu a decisão do próprio Conselho de Segurança da ONU, que não autorizou bombardeios à Síria.

* * *

Pois bem, as edições impressas de Globo e Folha não trouxeram os mapas de São Paulo. Esconderam acintosamente uma informação essencial para se entender a conjuntura eleitoral no país, visto que São Paulo vinha sendo o último estado importante onde a oposição ainda liderava.

Não é mais.

O Estadão mostra, numa área escondida do site, o seguinte mapa da distribuição dos votos nos estados brasileiros.

normal

Ou seja, Dilma ganha praticamente no Brasil inteiro. Nos estados cinzas, onde há empate técnico, ela tem um vigoroso viés de alta, na contramão de Marina, que vem caindo.

No Paraná, por exemplo, Marina já está num distante terceiro lugar, segundo o Ibope, e Dilma (em alta) partilha a liderança com Aécio.

ScreenHunter_5000 Oct. 01 12.43

No Mato Grosso do Sul, também apresentado como cinza, o último Ibope dá 32% para Dilma, 29% para Marina e 22% para Aécio; o candidato a governador, o petista Delcídio, lidera isoladamente no estado.

Pelo gráfico do Estadão, Marina só lidera no Acre, governado pelo PT, e que deve reeleger o PT; e no Espírito Santo, onde não temos pesquisa atualizada. Na última pesquisa Ibope, feita no início de setembro, Marina já começara a cair, e não há razão para acreditar que a onda anti-Marina também não chegue lá.

Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Nuvens de termos dos presidenciáveis

Nesta página, a equipe do Manchetômetro mostra as nuvens de termos feitas a partir de pronunciamentos dos três presidenciáveis principais desta disputa eleitoral. Foram considerados as transcrições de três dos debates eleitorais realizados até agora: debate do SBT/UOL, debate da TV Bandeirantes e debate da CNBB. Além dos debates, incluímos no universo a sabatina realizada com os três candidatos pelo jornal Folha de S. Paulo e a entrevista dada por eles ao Jornal Nacional.

Ao contrário da maior parte das nuvens de palavras, as nuvens apresentadas aqui mostram os termos específicos mais mencionados por cada um dos candidatos. Esse tipo de análise suprime automaticamente as palavras usadas por todos os candidatos, o que engloba não apenas termos instrumentais usados por todos (“isso”, “aquilo”, “este”, “do”, “da” etc.), mas também os termos muito repetidos pelos três (economia, por exemplo). Vejam quais são os termos mais mencionados por cada um dos candidatos e tirem suas conclusões!

Pronunciamentos de Dilma Roussef: 40 termos específicos


Pronunciamentos de Aécio Neves: 40 termos específicos

Pronunciamentos de Marina Silva: 40 termos específicos

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O Brasil veste-se de vermelho



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Amaral responde Moniz Bandeira: “PSB não deixará embate contra desigualdade”


Estimado professor Moniz Bandeira,

Respondo à sua carta-aberta, enviada de seu privilegiado posto de observação em St. Leon-Rot, Alemanha. Devo-lhe respeito e admiração. Acompanho sua produção literária. Dela é devedor nosso país.

Considero sua liberdade e independência intelectuais, de “livre pensador”, condição que não posso arguir. Militante engajado, tenho compromissos com projetos, ideias e valores expressos em programa partidário que não pode ser alterado ao sabor de especulações como a de que a queda de uma aeronave resultou de conspiração estrangeira. Tampouco posso guiar-me por “premonições”. A famosa ‘realidade objetiva’ não me permite.

O processo político-partidário, mesmo sem o “centralismo democrático”, impõe limites ao millordiano “livre pensar é só pensar”. Certamente, o professor ainda admira aquele autor que escreveu: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.

Caminhei, da juventude no antigo PCB, para, na maturidade, refundar o PSB ao lado de Antônio Houaiss, Jamil Haddad e, a partir de 1990, Miguel Arraes. Construímos permanentemente, no Partido, pontes para o futuro.

O PSB não abandonará o embate contra as desigualdades sociais, pela reforma agrária, pela defesa do meio-ambiente, pelo domínio de novas tecnologias, pela ampliação e melhoria do sistema de ensino e pela segurança do cidadão; não renunciará à luta pelos grandes projetos estratégicos, sejam os de infraestrutura para o desenvolvimento social e econômico, sejam os que darão suporte ao seu papel como ator global.

Aqui me refiro, inclusive, às iniciativas que respaldarão militarmente a política externa soberana e à aproximação com nossos irmãos africanos e latino-americanos. O PSB não arrefecerá seu compromisso de atuar como protagonista na construção da nação brasileira e não fará concessões aos desvios do patrimônio público.

Renunciaria, ai sim, à presidência do PSB caso essas proposições fossem abandonadas. No calor de campanhas eleitorais sobram boatos e acusações sem eira nem beira. Eleições passam, professor, o país fica; o processo histórico segue sua marcha, a política sobrevive, os partidos ficam.

Alguns, com ideários descaracterizados; outros, mais apegados aos seus princípios.

Como dirigente do PSB, cabe-me zelar pelo cumprimento de nossos compromissos programáticos, observada a realidade objetiva. É o que farei. Mancharia minha biografia se, acossado por premonições e pela libertinagem do “livre pensar”, optasse pela cômoda retirada nesse momento tão rico da construção da democracia brasileira.

Com apreço,

Roberto Amaral
Presidente do Partido Socialista Brasileiro

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Veja dirigiu a educação pública brasileira nos governos tucanos; a de São Paulo, até hoje. Descubra como


Nesse domingo 28, após ler no Viomundo a matéria “Melancólico fim da revista “Veja”, de Mino a Barbosa”, de Ricardo Kotscho, publicada originalmente no R7, NaMaria, do blog NaMaria News, nos mandou esta mensagem:

Interessantíssima a matéria do Kotscho. Fiquei até com pena do senhor Roberto Civita, dono/herdeiro da Abril, da sua Fundação V. Civita, de Veja, Exame, Nova Escola (que ganhou até prêmio da Universidade de Navarra), Guia do Estudante, Recreio, Veja na Sala de Aula etc..

Ele não é mantenedor, patrocinador e parceiro do Instituto Millenium, que tem entre seus “especialistas” o autor da matéria denunciada por Kotscho, Agamenon Mendes Pedreira – vulgo Marcelo Madureira?

Um verdadeiro “coitadinho”, esse Civita, “tadinha” da Abril. Ai, meus sais.

Tudo porque o “malvado” do Lula resolveu fazer um tipo de “reforma agrária” nas verbas da Comunicação e, de quebra, nas compras dos livros didáticos, pelo MEC [Ministério da Educação], que incluíam publicações da Fundação Civita/Abril?

Te juro. Deu peninha. Ódio é um sentimento tão sentimental… Estou quase chorando aqui.

Você sabe que sou uma boa alma, mas tenho de te perguntar: será que os mais de 52 milhões dados pela Secretaria de Educação de São Paulo (2004-2010) não ajudaram em nada a Abril/Veja?

Sei. Aí tem coisa, Conceição, tem muita história ainda não sabida sobre a Veja e a Educação nacional e suas redes, tem muito fio sem nó. Se você quiser eu te conto um pouco, quer?

NaMaria é provavelmente a pessoa que mais conhece e mais denunciou os caminhos tortuosos dos negócios e desmandos dos tucanos na área educacional e suas ligações perigosas com a nossa grande mídia. É uma web pesquisadora com faro finíssimo.

Em entrevista ao Viomundo em 2010, NaMaria revelou que desde 2004 até aquele ano, o PSDB havia gasto mais de R$ 250 milhões com a mídia (quase tudo sem licitação) em nome da Educação Pública de São Paulo. Ali, NaMaria mostrou a estratégia de muitas empresas que negociam a Educação em SP, entre elas as de Roberto Civita:

Se pegarmos as compras feitas pela FDE [Fundação para o Desenvolvimento da Educação] à Abril (Guia do Estudante Vestibular, Atlas Nacional Geographic, Revista Recreio e Veja) e Fundação Victor Civita (Revista Nova Escola), em contratos sem licitação que o DO [Diário Oficial do Estado de São Paulo] aponta desde 2004 até agora [2010], teríamos a quantia de R$52.014.101,20.

Com o mesmo dinheiro entregue à Abril/Civita, sem qualquer percalço licitatório, em troca de papel, poderíamos construir quase 13 novas escolas ou cerca de 152 salas de aula, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos (manhã, tarde e noite). Desafogaríamos as escolas existentes e atenderíamos dignamente os alunos e comunidades.”

Aceitamos, claro, a proposta da NaMaria. Mas antes, é necessário recolocar a tabela dos gastos públicos da Educação de São Paulo com a Abril e Fundação Victor Civita, para que vocês se localizem.

ED. ABRIL / FUND. CIVITA CONTRATO / LINK D.O. VALOR
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola (DE’s/Ofs.Pedags/Escolas) SÓ HÁ 2 REGISTROS EM DO – onde e quando o contrato inicial? ~ 42/2199/04/04 (ver DO 29/12/04) ~ 14/jan/05 326.880,00
18.160 assinaturas (renovação) Revista Nova Escola ~ 15/1063/07/04 ~ 23/out/2007 408.600,00
220.000 assinaturas da Revista Nova Escola – edições 216 a 225 – solicitado pela CENP para o “Ler e Escrever” ~ 15/1165/08/04
(ver DO 1/10/2008 ) ~ 25/out/2008
3.740.000,00
415.000 exemplares Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2008 ~ 15/0543/08/04 ~23/abr/2008 2.437.918,00
430.000 exemplares Edições nº 7 e 8 do Guia do Estudante Atualidades Vestibular ~ 15/1104/08/04 ~ 22/out/2008 4.363.425,00
430.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.08 + 20.000 Revista do Professor ~ 15/0063/09/04 ~ 11/fev/2009 2.498.838,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 09 + 25.000 Revista do Professor ~ 15/0238/09/04 ~ 16/jun/2009 3.143.120,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.10 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/0614/09/04 ~ 29/ago/2009 3.249.760,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular 2º sem 2009 + 27.500 Revista do Professor ~ 15/00024/10/04 ~ 2/abr/2010 3.177.400,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed.11-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº5 ~ 15/00473/10/04 ~ 15/jun/2010 3.328.600,00
540.000 Guia do Estudante Atualidades Vestibular Ed. 12-2º sem 2010 + 27.500 Revista do Professor Nº6 ~15/00762/10/04 ~ 17/ago/2010 3.328.600,00

PARCIAL 25.527.661,00
3.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0181/08/04 ~ 29/mar/2008 1.071.000,00
6.000 assinaturas Revista Recreio ~15/0182/08/04 ~ 29/mar/2008 2.142.000,00
5.155 assinaturas Revista Recreio ~15/0670/08/04 ~ 12/ago/2008 1.840.335,00
25.702 assinaturas Revista Recreio ~15/0149/09/04 ~ 17/abr/2009 12.963.060,72
2.259 assinaturas Revista Recreio ~ 15/0528/09/04 ~ 1/set/2009 891.220,68

PARCIAL 18.907.616,40
95.316 Atlas Nacional Geographic vols. 1 ao 26, sendo 3.666 exemplares de cada volume ~ 15/00273/09/04 ~ 28/mai/2010 733.200,00
5.200 assinaturas da Revista Veja – (Sala de Leitura) ~ 15/00547/10/04 ~ 29/mai/2010 1.202.968,00
5.449 assinaturas da Revista Veja(Sala de Leitura) ~ 15/0355/09/04 ~ 20/mai/2009 1.167.175,80

TOTAL 52.014.101,20

Viomundo – Explique melhor a “reforma agrária” de Lula nas verbas de publicidade do governo federal e nas compras dos livros pedagógicos.

NaMaria – Refletindo um pouco mais sobre a matéria do Kotscho, cheguei à conclusão de que Lula fez, sim, a primeira, embora pequena e humilde, reforma midiática do país. Usei o termo reforma agrária, porque naquela época não se falava tanto (ou nada) em reforma midiática – ambas necessárias no Brasil.

Lula resolveu investir melhor na Educação. E, em vez de continuar dando imensos quinhões da verba pública aos de sempre – que por sinal só metiam (e metem) o malho, obviamente como o próprio Civita disse –, ele resolveu repartir melhor o bolo.

Só que, ao optar pela redistribuição das compras de livros pedagógicos (incluindo outras editoras no roll do MEC), e pela aquisição de obras mais adequadas do que a Revista Nova Escola, Recreio ou Guia do Estudante, por exemplo, Lula atacou um vespeiro “das elites”.


Viomundo – Você se surpreendeu com a revelação de Kotscho de que Roberto Civita teria ido a Lula por se sentir prejudicado pela distribuição dos livros didáticos?

NaMaria – Nenhum um pouco.


Viomundo – Essa conduta de Civita mostra o quê?

NaMaria – Que Civita pensava poder fazer uso da mesma artimanha empregada por ele em São Paulo. Desde pelo menos 2004 (pode ser antes e com outros; o que falo sai do Diário Oficial), Roberto pedia ajuda a um amigo “auxiliar de almoxarifado”, na figura do então prefeito José Serra. E sempre foi atendido. Continuou a ser e ampliaram-se as benesses depois que Serra se tornou governador.

Aqui, vale ressaltar que Serra atendia prontamente não apenas aos Civita, como a toda Proba Imprensa Gloriosa – comprando-as como material pedagógico, paradidático etc.. Os tais mais de 250 milhões que mostrei na entrevista de 2010 entram nisso.

Mas é óbvio que a tonelada de dinheiro da Educação de SP não era suficiente para manter os negócios do Civita. Ter sido ignorado pelo “chefe geral da repartição”, Lula, foi demais para o dono da Abril. Levar um não de Lula deixou-o totalmente fulo da vida. Um horror – a vingança só poderia ser maligna.

Como se não bastasse, através de Serra, Civita teve acesso a milhares de endereços pessoais dos professores, que passaram a receber as revistas, inclusive em suas casas, sem que lhe tivessem dado permissão ou questionado se as queriam. Essas assinaturas são um absurdo antipedagógico completo, mas cumprem até hoje com as ameaças do senhor Civita ditas ao finado Eduardo Campos e reveladas por Kotscho:

 Esta é a única oposição de verdade que ainda existe ao PT no Brasil. O resto é bobagem. Só nós podemos acabar com esta gente e vamos até o fim.

Por outro lado, temos de dar razão ao Civita. Ele TINHA mesmo de procurar “o chefe geral da repartição”, em vez de ficar lidando com os “auxiliares de almoxarifado” (com todo respeito), para ter os seus pedidos atendidos. As verbas, como no caso da Educação do Estado de São Paulo, saíam da FDE direto para a Abril e afins, isso é sabido.

Mas para que isso acontecesse, a ordem precisava – e precisa! – ser autorizada pelo “chefe da repartição” paulista. Ou seja: Serra (e atualmente, Alckmin). A ordem inicial e final sempre vem de cima. Uma pena o Lula não ter compreendido a situação do “coitadinho” do Civita, né mesmo?

Viomundo – O esquema de São Paulo foi executado em outros Estados?

NaMaria – Não duvido. Basta que se interessem e procurem em seus Diários Oficiais, as provas estarão lá, salvo “lapsos” desses DOs.

Viomundo – Os mais de R$ 52 milhões recebidos pela Abril pelos livros didáticos expressam a realidade do que a empresa recebeu de benesses do governo paulista?

NaMaria – Certamente, não. Esses valores referem-se apenas aos que eu achei nas pesquisas no DOESP  de 2004 até 2010.

Deve ter muita coisa em anos anteriores e posteriores à minha pesquisa (porque parei um tempo), em outros Estados, atendendo a outros esquemas e anseios. Sem contar as prefeituras e órgãos de tudo que é canto do país. As pessoas precisam se interessar e investigar, precisam mostrar esses fatos. Como se sabe, corrupção tem roupas lindas e diversas, muitas delas em tecidos invisíveis – como aquela capa mágica que deixa o Harry Potter invisível, sabe como? Tem muita gente usando capas do Potter por aí, mas elas podem e devem ser retiradas.

Viomundo – Esse esquema começou onde?

NaMaria – Sem dúvida, com Mário Covas, em São Paulo, com os bons ventos da democracia tucana.

A partir dele, dos consecutivos governos do PSDB e com Fernando Henrique na presidência, São Paulo tornou-se legalmente o latifúndio dos esquemas, o laboratório dos “programas-piloto” que seriam espalhados pelo Brasil. Obviamente grande parte desse pessoal se instalou em Brasília, em postos-chave. Depois eles iam e vinham carregando suas ideologias e negócios. É o famoso “tá tudo dominado” que continua até hoje. Um Cavalo de Tróia, tipo viral, sabe como?

Viomundo – Mas como foi parar na Educação?

NaMaria – É importante lembrar que antes e muito tempo após podermos votar de novo, o Brasil obedecia ordens do Banco Mundial em tudo, inclusive para a Educação nacional, afinal éramos escravos da dívida. E o Banco Mundial e o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]queriam muita construção de escolas para liberar o dinheiro, queriam educação padrão em massa para essas coisas “boas”.

Só que o Brasil, de acordo com seu então ministro da Educação, José Goldemberg [agosto de 1991/agosto de 1992; era Fernando Collor], tinha salas de aula sobrando. Este senhor determinou que só seriam construídas escolas novas “depois de um estudo sobre a necessidade real daquela nova unidade”.

Quer dizer: “elas não seriam mais construídas segundo critérios políticos”, porque “foram construídas no lugar errado (…), as existentes podem receber muitos outros alunos”… Aí entra a Veja na parada.


Viomundo – A Veja?! Como assim?


NaMaria – Porque a Veja fez a trilha pioneira. Talvez pouca gente saiba, mas a Fundação Victor Civita [criada em 1985], a Revista Nova Escola [criada em 1986] e sobretudo a Veja tiveram papel sólido nessa “transformação educacional”.

O ataque “discreto e direto”, vamos dizer assim, da Veja, começou na edição de 20 de novembro de 1991 (tempo do ministro Goldemberg no MEC), em cuja capa lê-se: “Ensino Básico – As opções para resolver o problema que está na raiz do atraso brasileiro”.

A facada decisiva e norteadora, das páginas 46 a 58, foi a reportagem “A máquina que cospe crianças”, de Eurípedes Alcântara.

Ali, se apresentava o tenebroso estudo do ensino público brasileiro: o compara a outros países, mostra a falta de preparo das escolas e professores (tratados pelos governos como barnabés de sexta categoria), a falta de conscientização escolar para o vindouro século das novas tecnologias, a falta de metodologia/currículo e, principalmente, nos dá “as soluções para o ensino básico… sem projetos mirabolantes, de altos custos, como o CIEP, CIAC, Mobral…”

Só que em sua Carta ao Leitor, contrariamente, a Veja diz:

“Não é função da imprensa apontar os caminhos para solucionar os grandes males nacionais. A tarefa de revistas e jornais é noticiar o que está acontecendo, contribuindo,para que, através da informação e dos debates, a sociedade escolha as melhores opções… a educação não é uma tarefa apenas do governo…”

Tudo isto está disponível nos arquivos de Veja. Creio ser de fundamental leitura para tentar entender os meandros do imbróglio.

Viomundo — Na época, que especialistas compartilhavam das opiniões de Goldenberg, Veja…? 

NaMaria – Não podem ser esquecidos, por exemplo, a então pesquisadora e pedagoga Guiomar Namo de Mello e Cláudio de Moura Castro, à época, prestando serviços para Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Suíça.

O tempo passa e Paulo Renato de Souza  entra no MEC e fica (1/janeiro/1995 a 1/janeiro/2003). Victor Civita havia morrido em 1990 e seu filho Roberto assumira. Em março de 1998, a Revista Veja na Sala de Aula. Em 2001, a Unesco diz que a Revista Nova Escola “é o melhor veículo de educação do País”.

A Veja, propriamente dita, passa a ser a marqueteira oficial das teorias educacionais, dos projetos e políticas públicas, das ONGs, Fundações e empresas que tratavam de “projetos não-mirabolantes” para uma “boa escola” e que trabalhavam para o MEC ou Secretarias, órgãos da Educação. Esses especialistas usam demais a palavra “mirabolante”, em tudo. É impressionante, mas é justamente a palavra que mais bem os define.

Viomundo – Isso pode ser comprovado? 

NaMaria – Pode, sim. E sem que tenhamos de ler — ainda bem! — todos os exemplares da Veja.

Há um livro magnífico, fruto de uma dissertação de mestrado na UNESP de Araraquara, do Geraldo Sabino Ricardo Filho, chamado “A boa escola no discurso da mídia – Um exame das representações sobre educação na revista ‘Veja’ (1995-2001)” – ou seja, cobre 7 dos 8 anos de FHC e Paulo Renato. Isso sim, uma obra de arte obrigatória de ser lida.


O livro prova que durante todo esse período Paulo Renato foi incensado pela Veja, sendo que na edição 1717, de 12/setembro/2001, páginas 106-109, a matéria “Isso é uma revolução” o coloca no mais alto pódio dentre todos os ministérios universais e cósmicos de toda Via-Láctea.

É apresentado como o desbravador, o construtor de novas políticas avaliativas, o licitador de 233 mil computadores (a Positivo ficou felicíssima assim como a Microsoft, aliás), o que manejava genialmente 5,7% do PIB, como “comandante de um transatlântico governamental” (sic), batendo todos os recordes em melhoria dos salários, condições etc e tal.

O ministro Paulo Renato era, para a Veja, O CARA. Tanto que ali diziam ser ele “um dos postulantes declarados do PSDB à vaga de candidato à Presidência da República”.

Ou seja, O CARA foi considerado tão bom exatamente porque fez tudo aquilo que a Veja prescreveu naquela matéria de 1991 (e seguintes), em termos de “solução para o caos educacional brasileiro”: avaliação (ENEM/Provão), combate à repetência criando o monstro de passar o aluno de ano mesmo sem condições (para ele “classes especiais”), Fundef (para o dinheiro fluir/entrar mais fácil – a descentralização da gestão escolar)…

O livro também comprova o que eu sempre falei sobre a formação de grupos de especialistas, que Geraldo Sabino denomina como “rede de legitimidade, que contribui para produzir o consenso em torno de uma boa escola”. Aquela  escola “que ensina”, “que deixa de ser um privilégio das elites… para ser a solução dos problemas do país”- solução essa que significa criação de mão-de-obra. Não por acaso a Abril é a mãe da Nova Escola, cujo pai foi a Veja – todos apadrinhados pelo Governo.


Viomundo – Que pessoas fariam parte dessa “rede de legitimidade”?

NaMaria – Uma delas eu já mencionei,  a Guiomar Namo de Mello, fundadora do PSDB em 1988. Ela é diretora executiva da Fundação Civita desde 1997,  diretora editorial da Revista Nova Escola e diretora da EBRAP – Escola Brasileira de Professores (que presta serviços ao governo). Mas a Guiomar já foi Secretária Municipal de Educação (governo Covas), deputada estadual eleita pelo PMDB (1987/1991), foi do Banco Mundial…

A Guiomar, na verdade, foi e é muita coisa, ao mesmo tempo em que também era e é da Secretaria de Estado da Educação de SP. Não é lindo isso? Dá uma olhada no Google e no DO de SP.

Outro integrante  dessa “rede de legitimidade” foi o Cláudio de Moura Castro. O mais importante e íntimo consultor de quase TODAS as matérias de educação de Veja, do qual era também colunista. Ele foi do BID, em Washington. Trabalhou no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP (vinculado ao MEC), no Banco Mundial, de tudo que se pode imaginar ao mesmo tempo agora. Busca o homem no Google para ver, é uma máquina…

Viomundo — Quem mais?

NaMaria –  Depois temos João Batista de Oliveira e o Sérgio Costa Ribeiro (foi coordenador de pesquisas da CAPES).

Segundo o livro de Geraldo Sabino, esses dois homens mais o Paulo Renato “formaram o tripé da revolução silenciosa hoje em curso no ensino básico brasileiro”.

Nas Páginas Amarelas de 28/julho/1993, pode-se ler o que pensa Sérgio Costa sobre o “mito criado da evasão escolar” (como se não existisse de fato naquelas plagas), as pérolas sobre os CIEPs, CIACs e CAICs prevendo suas ruínas por serem “estigmatizadas como escolas para pobres… e por serem de tempo integral, inviabilizando o trabalho para muitos alunos”.

É um horror ler o que ele declarou ali. Mas bate perfeitamente com os ideais do Ministro, O CARA, consequentemente com os da Veja – ou vice-versa. O interessante é que Collor gentilmente o convidou a se retirar de seu gabinete porque Ribeiro só aceitaria trabalhar com Goldemberg se acabassem com o “mirabolante” projeto CIAC.

Viomundo – Quer dizer: eles servem ao governo e setor privado?

NaMaria – Sem dúvida. Mas não somente servem como criam suas próprias empresas, que acabavam prestando serviços ao Estado, ao mesmo tempo. Portanto são proprietários, conselheiros, assessores, sócios e amigos. É o caso do próprio Paulo Renato e sua empresa PRS Consultores, “sua” Avalia Assessoria Educacional, a Editora Moderna etc., fazendo negócios com o Estado e Governo Federal. Suas jogadas com a Santillana, Prisa, que já citei no NaMariaNews e por aí vai.

Com o tempo, a nova estrutura do MEC ajeitada por Paulo Renato, possibilitou que ele criasse sua própria rede de legitimidade, que depois chega na Educação em SP, em Institutos e Fundações e ONGs do país. Nomes como o da Guiomar Namo de Mello, são acompanhados por Iara Glória Areias Prado, Monica Messenberg Guimarães (essa é quente!), Rose Neubauer, Claudia Rosenberg Aratangy, e tantos outros que ja citei no meu blog. O modelo de negócios é tão amplo e variado que se lermos esta matéria do Ação Educativa atentamente, comprovamos os esquema, depois é só multiplicar por milhão.

Viomundo – Você disse que o Paulo Renato teve negócios com a Santillana e Prisa, como é isso?

NaMaria – Foi algo muito edificante do finado secretário. Publiquei no NaMariaNews, em 1/maio/2010, que a Secretaria estava comprando assinaturas do jornal espanhol El Pais, em 28 de abril, para os alunos dos CELs (Centros de estudos de Línguas). Naquele tempo não havia o valor, mas chutei entre 700 mil e 1 milhão de reais. Fiquei aguardando a atualização no DO e nada. Até que ela veio, primeiro corrigindo o número do contrato. Depois, somente no DO de 12/maio/2010 veio a história toda, sem a quantidade de assinaturas, porém com o valor:


Viomundo – E por que assinar o El Pais e não outro jornal?

NaMaria – Foi justamente o que perguntei em meu texto. Como bom tucano, Paulo Renato era contra o Mercosul, porém muito íntimo da espanhola Santillana, do qual era conselheiro consultivo, assim como era ligado à Editora Moderna.

“O Grupo Prisa é a principal empresa de comunicação em língua espanhola (…) A Santillana começou seus negócios no Brasil em 2001 ao comprar as editoras Moderna e Salamandra (…). Em 2005, adquiriu 75% das ações da editora Objetiva…” Também é dona da Avalia e outros que tais. Quer dizer, tem poder de tiro e amizades sinceras com brasileiros ilustres.

Viomundo – Ou seja, é mais um tipo de modelo de negócios…

NaMaria – Sem dúvida. Só que tem uma coisa nessa história toda que é mais interessante ainda, babado forte…

Viomundo – Como assim? O quê pode ser pior do que isso?

NaMaria – Acontece que quase exatamente um ano após essa compra de R$ 690.336,00. Paulo Renato morre em 26 de junho de 2011 e o Ricardo Noblat noticia: Paulo Renato “estava em negociações para assumir a diretoria para a América Latina do grupo editorial espanhol Prisa, que publica o jornal El País, o mais importante da Europa”.

Daí, que a gente só pode juntar as pontas, concorda? Ou seja, será que o Sr. Paulo Renato Costa Souza aproveitou a boa intenção de introduzir a língua espanhola (da Espanha) para fazer mais um bom negócio, semelhante àqueles feitos com a Folha de SP, Estadão, Civita, Abril, Nova Escola, Fundação Roberto Marinho e tais?

Longe de mim pensar em desonestidade, mas a coisa não parece ser na base de uma mão lavando a outra? Tipo assim, “Te compro os jornais numa boa – que são gratuitos pela internet, mas a gente nem liga pra isso – e você me garante um emprego com baita salário, viagens, cartão corporativo etc. e tal? A função dessa gente é sempre a de se favorecer, acima de tudo? Será?

Mas é o que sempre digo: a função da verdade é aparecer, esta é a sua natureza. Pode demorar, mas aparece.

Portanto, o fato de o governo de São Paulo viver comprando e mantendo a grande imprensa tornou-se ato banal; faz isso há muito mais de 20 anos de PSDB, com maestria exemplar e sem restrições legais ou “pedagógicas”.

Viomundo – Por que isso acontece?

NaMaria – Falta de transparência. Onde ela ocorre, pode crer: há algo escuso, algo de falcatrua.

É dever do Estado, de qualquer Governo, mostrar claramente os seus gastos e a fundamentação deles, as fontes do dinheiro, o destino dado, e assim por diante. Somente com transparência absoluta e simples de ser consultada PELO POVO pode-se comprovar a desonestidade e desmascará-la.

Mas isso não acontece. É complicado, quando não impossível, encontrar essas informações. Como a pessoa precisa ter tempo e paciência gigantescos, acaba desistindo e os números podem ser torturados por qualquer um, em qualquer veículo, em qualquer propaganda política… já que ninguém pode (ou quer) correr atrás.

Sem contar que os Diários Oficiais não seguem uma norma padrão – sem ser o de SP, a maioria é tenebrosa na hora de se buscar informações.

Viomundo – O que você recomendaria à presidenta Dilma se for reeleita?

NaMaria – Para rebater e estraçalhar falsos argumentos de criaturas como os Civita da vida, o governo Dilma deveria escancarar imediatamente seus gastos com a imprensa, seja em qual veículo for.

A bem da verdade, o site do MEC tem os Gastos com Publicidade, de 2006 a 2014, mensais.Entretanto ainda sem tanta transparência, porque detalhes como a fonte dos recursos, unidade gestora, nomes dos veículos e o que vai dentro deles etc., não entram.

Mas, ao menos, tem alguma coisinha que faz a gente poder pensar. Só que “pensar, intuir” é perigoso e leva a erros, torturas de números, ataques, enganos.

É preciso o lema de São Tomé: mostrar, para ver e para crer. Além de não ser tão fácil de se encontrar a informação: você precisa ir na lateral esquerda em Despesas e depois ver o que tem dentro. Tudo vem em PDF: imagina a canseira abrir um por um, organizar… Poderiam melhorar isso. Confesso que não fui ver em outros ministérios, talvez sejam melhores ou piores.

De qualquer modo, deveria-se mostrar: “olha, para a Veja mandamos tantos milhões este mês por conta disso e daquilo, o dinheiro saiu daqui e dali; para a Folha mandamos tantos milhões porque tais e tais ministérios colocaram propaganda disso e daquilo; para a Globo e seus associados (abertos ou não) pagamos tantos milhões este mês porque fizemos tais e tais propagandas…”

Tudo mensalmente, em planilhas simples e claras, ao alcance de qualquer olho – publicadas, abertas, sem necessidade de download, transparentes de verdade.

Viomundo — É mesmo factível isso?

NaMaria  – Claro! O problema é que, atualmente, é missão impossível porque nem o Governo informa isso claramente nem a grande imprensa o faz, é óbvio (e por motivos igualmente óbvios).

Não dá para entender a Secom da Presidência não divulgar seus dados financeiros com qualquer veículo, por exemplo.

Por que os Estados, Municípios, Secretarias, Fundações, Santas Casas…  não divulgam seus gastos claramente? Seria muito mais fácil para os governos inclusive se defenderem, ou não?

Eu, como aranha [logomarca do NaMaria News]“ingênua, meiga e pura”, não consigo compreender os motivos. Se quiserem ajuda, podem me contratar, numa boa (risos).

Conceição Lemes
No Viomundo
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A aposta no papel histórico de Dilma

Quando Dilma se reencontrará com a jovem Dilma?
Este ano, mais uma vez, brasileiros de esquerda, militantes ou não de partidos políticos, eleitores históricos do PT, farão a aposta em Dilma Rousseff nas eleições. Decepcionados com os últimos quatro anos, votarão de novo em Dilma não pelo que fez, mas com a esperança de que, reeleita, cumpra o seu papel histórico como mulher, ativista de direitos humanos e participante ativa da luta contra a ditadura militar.

Estamos assistindo atônitos ao avanço dos fundamentalistas religiosos e do conservadorismo em geral em nosso País. Em seus primeiros anos no poder, a ex-guerrilheira não se mostrou valente ao ponto de enfrentá-los, sob a desculpa de garantir a “governabilidade”. Se for reeleita, Dilma precisa retomar a agenda progressista o quanto antes. Abandoná-la foi um erro que, isto sim, quase lhe custou a governabilidade. Ou alguém duvida que as manifestações de junho de 2013 começaram graças à insatisfação da própria esquerda com o PT?

Ceder aos fundamentalistas e ao conservadorismo não rendeu a Dilma estabilidade na presidência — muito pelo contrário. É importante o apoio no Congresso; mas mais importante ainda é o apoio das ruas. E não há como apoiar um governo que se amedronta e deixa de cumprir promessas feitas a setores que historicamente sempre estiveram a seu lado. O PT possui uma dívida com as mulheres, com a população LGBT, com os índios, com os sem-terra, com os desaparecidos e mortos pela ditadura. Quem votar em Dilma agora estará apostando que ela seja capaz de saldá-la. Ou irá abandonar a presidente à própria sorte na primeira oportunidade, como aconteceu em junho.

Estou convencida de que nenhum dos candidatos — à exceção de Luciana Genro, do PSOL, sem chances reais de vitória — possui as condições de fazer este movimento a não ser Dilma. Não enxergo em Marina autoridade ou vontade política para avançar nas questões LGBTs, por exemplo. E nem mesmo, apesar de seu passado ambientalista, na questão indígena, dadas as escolhas econômicas que está fazendo. O PSDB tampouco demonstrou, ao longo de sua trajetória, que estes temas lhe são caros. O PT, sim.

Com Marina no páreo, Dilma tem a vantagem de estar sem fundamentalistas a seu lado. Todos eles manifestaram apoio à candidata do PSB. É a hora, portanto, de assumir as posições que os desagradam. Senhores marqueteiros, ouçam-me: a conjuntura mundial, moralmente falando, mudou. Vejam o exemplo de Barack Obama nos Estados Unidos. Assumir posições progressistas não tira votos; acrescenta. E, mais que isso, propicia ao governante um suporte fundamental junto à população. São formadores de opinião, gente que fará diferença na hora em que outro “junho de 2013″ se anunciar no horizonte.

Caso seja eleita domingo, Dilma Rousseff terá pela frente dois caminhos a seguir. Ou faz um segundo mandato medíocre como Fernando Henrique Cardoso, em que todo mundo contava os dias para que acabasse, ou segue o exemplo de Lula, se aproxima dos movimentos sociais, e se supera em relação ao primeiro mandato. É preciso que Dilma faça sua escolha: se quer, mesmo sendo a primeira mulher a ocupar o cargo, tornar-se apenas mais um retrato na galeria dos presidentes da República ou se quer garantir o seu lugar na História.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Com 30% dos que a avaliam como "regular", Dilma vence no 1º turno

Com 40%, contra 27 de Marina e 18% de Aécio, segundo o DataFolha, Dilma luta para recuperar ao menos quatro pontos da candidata peessebista para levar a eleição no primeiro turno. O que os levantamentos atuais estão dizendo é que presidente já tem a totalidade dos votos dos que consideram o governo "ótimo" e "bom", mais que natural, mas não muito mais que 10% dos que o consideram "regular".

Cientistas políticos geralmente não atentam para esta questão de fundo semântico. Quando alguém avalia o governo ou o mandatário como "regular", ele pode estar dizendo "não-bom" ou "não-ruim". O que são opções muito diferentes entre si. A avaliação do cenário discursivo do momento, levando em consideração a luta pela interpretação por parte dos atores políticos, é fundamental para compreender o que o eleitor quer dizer, e como ele se identifica com um discurso ou outro.

Os grandes meios de comunicação venderam a ideia e convenceram a muitos de que o país passaria por uma crise generalizada em todos os níveis: institucional, político, econômico, nas esferas da saúde, e da educação, da segurança etc.

Ora, depois de tanto esforço, o que se tem? Em torno de 25% da população concorda com essa avaliação. É muito pouco se levarmos em conta o poder de produção de consenso que os grandes meios ainda detêm hoje.

Para este quarto da população, nenhum esforço de DIlma para convencê-los do contrário será bem sucedido. Por outro lado, entre 34 e 38% da população nunca deixaram de considerar o governo "ótimo" ou "bom". A mídia passou longe de conseguir convencê-los do contrário.

O campo de batalha, portanto, seria entre aqueles que consideram o governo "regular", hoje variando entre 35 e 39%. Oposição e grande imprensa apostam na soma da avaliação "regular" com "ruim" e "péssimo". Só expressão de um desejo. Neste caso, a eleição de Dilma estaria perdida definitivamente. Não é difícil imaginar que entre estes há quem considere o governo "de razoável para ruim". Mas não se pode deixar de considerar que também há aqueles que dizem que DIlma é uma governante de "razoável para boa".

Dimensionar estes dois subgrupos seria necessário, e os institutos de opinião não tiveram a simples ideia de desmenbrar este contingente - vamos chamá-lo aqui por puro comodismo de contingente de "regulares", para contrastá-los aos "pessimistas" e "otimistas". De qualquer forma, o que era espantoso é que não só Dilma vinha perdendo todos os "pessimistas", o que era mais que natural, assim como aqueles que a consideram "medíocre" (de razoável para ruim), mas também todos que possivelmente estariam no grupo dos que avaliam o governo entre "bom e razoável". Até recentemente DIlma só conseguia os votos dos otimistas convictos, quem estava convencido de que este governo é "ótimo" e "bom". Isso não é comum.

E não é comum ainda porque o consenso que a grande mídia visava era justamente a de uma situação caótica. Avaliação de governo como "regular" num cenário discursivo deste tipo é indício de resistência.

Mas por que então Dilma estaria perdendo mesmo os que a consideravam de "razoável" a "boa"? A chave da interpretação é o fator Marina. Ao enxergar na candidata do PSB uma espécie de "continuidade melhorada" do governo DIlma/Lula/PT, é possível que parte do contingente satisfeito "ma non troppo" tenha migrado de forma expressiva para a candidata do PSB. Era a tal da imagem "Lula de Saias" (o que se reforçou com o déficit de carisma de Dilma). Mas o PT vem conseguindo marcar diferença, e a própria Marina vem se colocando como antítese dos governos Lula e Dilma.

O eleitor que considera o governo de "razoável a bom" não quer mudanças radicais (e é incrível o primarismo como a ideia de "mudança" foi interpretada pela maioria dos meios e mesmo cientistas políticos). É este eleitor que pode estar voltando para Dilma. Principalmente, baseado na nova classe média. E há margem para crescimento, mesmo até 5 de outubro, visto que a candidata à reeleição precisaria de não muito mais que 30% do contingente de quem avalia o governo como "regular", o que nas pesquisas eleitorais apareceria como um acréscimo de oito a dez pontos percentuais a mais (no embate direto com Marina, "roubando", portanto, de quatro a cinco pontos da candidata do PSB) . Resta saber qual o universo total daquele subgrupo.

Fácil não é. Visto que Marina tem mais cara de "nova classe média" do que DIlma. E aqui não há nada próximo à tolice divulgada há poucos dias de que certos grupos "votariam emocionalmente". "Ter cara" significa compreender os anseios e esperanças, compartilhar vivências. Dilma realmente não sustenta nenhuma imagem de "nova classe média", mas como o desmonte de Marina, muito mais próxima hoje de uma filiação a um modelo tucano do que de um paradigma petista de governança, está longe de ser impossível uma vitória em primeiro turno da atual presidente.

Weden
No GGN
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