30 de set de 2014

Datafalha e Globope “corrigem” DataCaf

Dilma continua a dois pontos de vencer no primeiro turno


A generalizada esculhambação gerada pela multiplicação de “pesquisas” pigais é uma das evidencias de que o Brasil precisa de um plebiscito para convocar uma Constituinte Exclusiva e reformar a política, com financiamento público das campanhas.

São pesquisas manipuladas nas margens de acerto flexíveis (e previsíveis), desde o primeiro dia, quando a campanha nem existia.

Nessas primeiras pesquisas, o Cerra não perde uma.


São “pesquisas”, como nesta terça-feira (30/09), que se acasalaram no jornal nacional.

Mas, quando a eleição se aproxima, fica mais difícil manipular.

Até porque, com a remessa maciça de ouro de Havana, foi possível montar uma pesquisa diária, alternativa, que implode os institutos pigais.

Obriga-os a manipular menos.

É o DataCaf.

Como explicar, então, sem o ouro de Havana, que o Globope e o Datafalha possam fazer pesquisa carissimas todo dia?

Quem banca?

Ouro de quem?

De onde?

Ou serão pesquisas, como o jatinho da Bláblá, sem dono?

Mas, vamos comparar os “resultados” do Globope e da Datafalha, com o DataCaf também de hoje.

O DataCaf dá 40 a Dilma, 24 à Bláblá e 18 ao Arrocho do Ataulfo (no ABC).

Portanto, Dilma está a dois pontos da vitória no primeiro turno.

O Globope tirou um da Dilma e dá um à Bláblá e ao Arrocho do Ataulfo.

O Datafalha mais comedido: dá só dois pontos ao Arrocho.

Na Dilma e na Bláblá não mexe.

Ou seja, os dois tentaram empurrar os candidatos da Casa Grande.

Portanto, prevalecem a consistência e precisão do DataCaf.

Aí está o retrato da opinião publica nesta terça-feira.

O Conversa Afiada se vê obrigado a gastar tanto tempo com pesquisas, que, de resto, são precárias e inutéis.

Mas, só no Brasil se leva isso a sério.

E, sendo assim, o jeito foi detonar as pesquisas pigais.

E, como se viu nessas pesquisas de hoje, o Globope e o Datafalha nada mais fazem do que confirmar o DataCaf, com acrobacias na margem de erro.

E para isso o ouro Havana foi providencial.

Não confundir com a “Providência Divina”: que matou o Eduardo…

Paulo Henrique Amorim
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Os melhores vídeos da campanha eleitoral de 2014



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DatafAlha e Globope fazem os ajustes para se tornarem críveis

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Os três patéticos comentam o discurso de Dilma na ONU

Já imaginou se nossa política externa fosse comandada por um time composto pelo trio Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo e Arnaldo Jabor?

Sábio é o ditado de que "Deus não dá asa a cobra".

Já imaginou se nossa política externa fosse comandada por um time como Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo e Arnaldo Jabor?

A única dúvida seria a de onde estariam nossas tropas na semana que vem.

Moe, Larry e Shemp não leram, não ouviram e mesmo assim não gostaram do discurso da presidente Dilma na ONU. Uma semana depois, o episódio ainda rende comentários.

Como ousam Dilma e o Itamaraty invocar a solução pacífica dos conflitos, enquanto os três patéticos pedem Capitão América e Rambo?

Esse princípio constitucional da política externa brasileira acabou virando, com a obtusa ajuda do Partido da Imprensa Golpista, mais um legado do petismo.

Se Azevedo, Magnoli e Jabor nos mostram que a história do Brasil realmente começou com Lula e Dilma, quem somos nós para discordar?

Os pistoleiros de nossa política externa acusaram Dilma de querer negociar com terroristas e até de reconhecer o Estado Islâmico — balas de festim do esforço concentrado para derrubar qualquer meia dúzia de votos da presidenta. Quanto vale esse esforço?

O mais intrigante é que os terroristas do Estado Islâmico têm sotaque britânico; usam armas do Ocidente; combatem, na Síria, o arqui-inimigo Bashar al-Assad; são adversários históricos dos xiitas iranianos.

Nos anos 1980, no velho Jornal Nacional, Paulo Francis e Cid Moreira davam pedagógicas lições diárias sobre o conflito entre Irã e Iraque.

Fomos adestrados a entender que, no mundo islâmico, os xiitas são os malvados, e os sunitas, os bacanas.

Até o PT chegou a ser apelidado de xiita, em homenagem aos malvados, claro.
O tempo passou e os bacanas deram origem à Al Qaeda e, "voilà", ao Estado Islâmico.

Às vésperas da eleição, a tentativa de se criar alguma celeuma sobre o discurso de Dilma na ONU mostrou apenas que os três colunistas do apocalipse fazem qualquer negócio para massagear sua presunção de formadores de opinião e atacar até mesmo o óbvio ululante. Afinal, o óbvio ululante só pode ser lulista.

Realmente patético.

Antonio Lassance, cientista político.
No Carta Maior
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DataCaf: Dilma a 2 pontos do 1° turno

Até domingo a Bláblá afunda que nem a P-36

DataCaf de terça (30), da boca do forno:
Dilma Rousseff 40

Bláblárina 24

Aécio 18
Se houver segundo turno – hipótese cada vez mais remota:
Dilma 46.

Candidata contra o pré-sal 40
Em tempo: lembra, amigo navegante, quando Ataulfo (no ABC) dizia que tempo de tevê é irrelevante?

A Bláblá gostaria de ter uma conversinha com ele.

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E Levy virou heroi de Lobão e da direita brasileira

Levy Rules
Fidelix rules!!

Assim reagiu no Twitter Lobão à diarreia homofóbica de Levy Fidelix no debate da Record.

Numa tradução livre, Fidelix brilhou.

Você pensa que Lobão não pode ser mais obtuso, mas ele sempre surpreende e encontra novos limites para a estupidez e o reacionarismo.

Lobão é uma amostra expressiva de como a direita respondeu a Fidelix. Com embevecimento diante de alguém que disse verdades à “ditadura gayzista”, um herói que ousou desafiar o pensamento “politicamente correto”.

Levy Fidelix, o candidato que era uma piada até virar uma infâmia, é, hoje, um ídolo da direita brasileira. Isso mostra o panorama desolador do conservadorismo nacional.

Roger Moreira, também no Twitter, admirou a coragem de Fidelix. Quer dizer: Fidelix não foi vulgar, não foi obsceno, não foi idiota. Foi, para Roger, um exemplo de bravura.

Outro reacionário notório, Reinaldo Azevedo, torturou o jornalismo e a língua portuguesa ao falar sobre o caso. Ele falou em “suposta” homofobia.

Portanto, no Planeta Azevedo, podemos discutir se as palavras de Fidelix foram — ou não — homofóbicas. Há sempre a possibilidade, segundo esta ótica peculiar, de que Fidelix tenha elogiado os homossexuais ao dizer que eles têm que se tratar, mas longe de nós.

O cuidado extremo com que Azevedo se referiu a Fidelix só vale, naturalmente, para a direita.

Dias antes, eles escrevera, a propósito do caso Petrobras, que o delator REVELARA — ele usou maiúsculas — coisas terríveis contra Dilma.

O delator não afirmou, não disse. Ele REVELOU. No Planeta Azevedo, acusações contra adversários de seus patrões não são acusações. São REVELAÇÕES. Você pula a etapa da investigação, da defesa, da exibição de provas, se as houver, e da decisão da justiça.

Importante: isto para os inimigos.

Dias atrás, o jornalista Ricardo Kotscho escreveu que a origem da raiva de Roberto Civita contra Lula reside na diminuição da publicidade do governo federal para a Abril.

Está errado dizer, segundo o jornalismo decente, que Kotscho REVELOU. O certo é registrar que Kotscho “afirmou”.

Mas, sejam quais sejam as origens do ódio da Veja a Lula, o fato é que o jornalismo decente deixou de valer faz muito tempo para a revista, substituído por uma patética panfletagem sem nenhuma credibilidade senão para um público limitado de analfabetos políticos.

No caso de Fidelix, outro argumento da direita em favor do seu bestialógico recorre à liberdade de expressão, como se você pudesse dizer qualquer coisa e invocá-la.

Em maiúsculas, como Azevedo, Malafaia congratulou Fidelix no Twitter. “PARABÉNS, LEVY FIDELIX, POR VOCÊ FALAR O QUE PENSA. ESTAMOS EM UMA SOCIEDADE LIVRE. O ATIVISMO GAY QUER IMPLANTAR A DITADURA DA OPINIÃO! VALEU!”

Bom, pelo menos parece que Mafalaia saiu da fase da “ditadura bolivariana” para admitir que vivemos numa “sociedade livre”.

Há regras para a liberdade de expressão, como para tudo. Nos dias de hoje, por exemplo, caso alguém em solo americano se manifeste publicamente a favor dos Estados Islâmicos irá, rapidamente, para a cadeia.

Um juiz americano colocou isso de forma didática. Imagine um teatro lotado. Se alguém gritar “fogo”, pode gerar um pânico que leve a mortes. É inútil invocar depois, na justiça, a liberdade de expressão para poder gritar “fogo”.

Por mais que os conservadores queiram, Levy Fidelix não foi destemido, não foi iconoclasta, não foi brilhante.

Foi apenas sem noção, ou, para quem gosta de definições mais diretas, um perfeito idiota.

Paulo Nogueira
No DCM
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DatafAlha: Dilma lidera


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OAB-DF nega pedido de registro de Joaquim Barbosa


BRASÍLIA - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu para que a comissão de seleção da entidade que dirige rejeite o pedido de registro como advogado do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Barbosa havia pedido o registro da Ordem à comissão, órgão que tem poder para tratar do assunto. Antes que a comissão se pronunciasse, Ibaneis Rocha enviou um pedido de impugnação do registro. Ibaneis não assina como presidente da instituição, mas como advogado, numa espécie de representação contra Barbosa. Não há registro de caso semelhante na OAB.

Mais cedo a assessoria da OAB havia informado que Ibaneis Rocha havia indeferido o registro do Joaquim Barbosa e que agora caberia recurso à comissão. A assessoria corrigiu a informação para esclarecer que o pedido ainda será analisado pela comissão, mas Ibaneis Rocha, na qualidade de advogado e não de presidente da OAB, tomou a iniciativa de pedir a impugnação do pedido de concessão do registro profissional.

No pedido de impugnação, Ibaneis cita vários episódios que, segundo ele, demonstram que Barbosa ofendeu advogados enquanto estava no Supremo Tribunal Federal.

Um deles foi o ex-ministro Maurício Correa, já falecido, que foi acusado por Barbosa de usar o prestígio de ex-ministro para tratar de ações que tramitavam no STF. O outro foi o advogado José Gerardo Grossi. Segundo a OAB, Grossi teria sido ofendido por Barbosa quando o então presidente do STF afirmou que havia um conluio de advogados para defender os mensaleiros.

Joaquim Barbosa já foi notificado do pedido de impugnação e poderá contestá-lo ou simplesmente aguardar que a comissão de seleção tome decisão. Barbosa é formado em Direito e antes de ser ministro do STF era procurador da República concursado.
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Saia dessa Marina...

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Mark Ruffalo fez como Marina, voltou atrás. Ou seja, marinou...



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As duas faces do Celso Russomanno


O jornalista Joaquim de Carvalho, paulista de Assis, escreveu em 1994 o primeira grande perfil de Celso Russomanno. Foi para a revista Veja São Paulo. Russomanno era um campeão de audiência no programa sensacionalista Aqui Agora e havia se elegido deputado federal com mais de 200 mil votos. A convite do Diário, Joaquim escreveu sobre os bastidores dessa matéria. Ele conta que Russomanno lhe suplicou, de mãos juntas, para não publicar uma denúncia. “Se você acredita que eu posso fazer alguma coisa boa por este país, pelo direito do consumidor, não publica isso. Vai ficar difícil para mim.”


Joaquim passou pelo Estadão, Veja e Jornal Nacional. Hoje, aos 49 anos, faz reportagens para a produtora Memória Magnética. É autor do livro Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias, finalista do Prêmio Jabuti de 2005.

Eu conheci Celso Russomanno quando recebi da revista Veja a tarefa de cobrir o assassinato do governador do Acre Edmundo Pinto, no hotel Della Volpe, em São Paulo. Era maio de 1992. Russomanno havia se tornado celebridade depois de estrelar uma reportagem que mostrava sua mulher morrendo no hospital São Camilo, supostamente por erro médico, dois anos antes. No Della Volpe, Russsomanno fazia as vezes de assessor de imprensa, mas não viabilizou uma única entrevista com os proprietários ou diretores do hotel. Sua preocupação era com a imagem do lugar, o que é natural na função que desempenhava, mas soava estranho que o mesmo profissional tivesse dupla militância. Depois de passar manhãs e tardes barrando repórteres no saguão, Russomanno pulava o balcão, pegava o microfone do SBT e saía atrás de notícias para o programa Aqui Agora, cujo elenco passou a integrar depois da cobertura do falecimento de sua esposa.

No Aqui Agora, Russomanno fazia reportagens sobre pessoas lesadas. Brigava com lojistas, corria atrás de devedores na rua e até levou uma surra dos funcionários de uma empresa que comprava e vendia telefones, denunciada por ele. Uma de suas maiores façanhas foi obter aposentadoria para 11 000 velhinhos, depois que denunciou a burocracia do INSS e entrevistou em Brasília o então ministro da Previdência Social, que lhe deu uma espécie de procuração para resolver o problema das aposentadorias. Russomanno passou a receber e a despachar pedidos de pensão, que tinham atendimento instantâneo. Na sua área preferida, a defesa do consumidor, procurava mediar acordos no ar, e criou um bordão: “Estando bom para ambas as partes, está bom para Celso Russomanno.” Ele ficou famoso. Sempre que havia uma situação de aparente desrespeito a direitos, em qualquer parte do Brasil as pessoas ameaçavam chamar Celso Russomanno.

Russomanno_VEJA

Em 1994, o senador Mário Covas, candidato a governador, o convidou para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Celso Russomano saiu da eleição como o campeão das urnas, com 233 482 votos. Bateu veteranos da política, como o ex-governador Franco Montoro, e seu desempenho chamou a atenção da imprensa. Uma semana depois da eleição, os jornais publicaram perfis de Russomanno, todos destacando a faceta de justiceiro. A revista Veja São Paulo também quis retratar o campeão das urnas e me pautou para essa tarefa. Passei três dias na companhia de Russomanno e levei outros dois ouvindo pessoas que o conheciam.

O retrato que saiu dessa apuração revelava a convivência de dois personagens completamente distintos em um mesmo RG: o primeiro era um homem que mantinha uma caprichada coleção pessoal de fotos 3 por 4, admitia nunca ter lido uma única obra literária, estudava propor uma lei para obrigar os ônibus e caminhões a colocar os escapamentos voltados para o alto como forma de combater a poluição, pois “essa fumaça é insuportável”, e definia o regime militar da seguinte forma: “Em 1964, dizem os livros de História, os navios americanos estavam cercando o Brasil e, se não houvesse uma solução, o Brasil seria invadido. Foi uma decisão soberana.” O mesmo Russomanno, na época com 38 anos, revelava sua preferência por mulheres mais jovens com o argumento de que as da sua faixa etária eram “encrenca” – “desquitada ou encalhada”. Na época, tinha saído de um namoro com Simony, que anos antes era a estrela do programa infantil Balão Mágico (Simony já tinha 18 anos).

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O segundo personagem era um cidadão intelectualmente simples, de voz baixa e macia e que costuma falar com as pessoas bem de perto, quase tocando. Este utilizava o microfone para caçar comerciantes que vendiam mercadoria e não entregavam, pessoas que compravam e não pagavam, planos de saúde que prometiam o paraíso e entregavam o purgatório. Este Russomanno tinha muita audiência. Ele também usava o microfone num programa noturno, o Night and Day, no estilo coluna social, que cobrava por entrevistas. Vez ou outra, o Russomanno baladeiro encontrava o Russomanno justiceiro. Um desses cruzamentos resultou na propaganda da Ibirapuera, empresa que comprava e vendia telefone. O rosto de Russomano ficou meses num anúncio na traseira dos ônibus, acompanhado da frase: “Esta linha eu garanto”. Celso Russomanno tinha conseguido esse anúncio depois de uma série de reportagens sobre trambiques de empresas do setor. A Ibirapuera nunca apareceu nas denúncias apresentadas.

No Night and Day, a audiência de Russomanno era traço. Já no Aqui Agora ele era uma locomotiva de audiência. Cada vez que aparecia, a emissora ganhava de 8 a 10 pontos no Ibope. Seu recorde aconteceu quando a audiência do SBT saltou de 20 para 32 pontos. Um diretor da emissora que me deu entrevista revelou que o SBT desconfiava de uma prática de Russomanno não recomendada: ele ameaçava denunciar no programa diurno empresas que não anunciassem em seu programa noturno. Mas o canal de Silvio Santos fazia vista grossa, de olho nas vantagens que ele trazia ao Aqui Agora toda vez que aparecia.

À medida que a apuração da matéria avançava, menor ficava a figura do campeão de votos. Amigos de Adriana Torres Russomanno, sua mulher, revelaram o espanto com a capacidade dele de realizar uma reportagem enquanto ela morria. Adriana ficou na companhia de parentes quando Russomanno deixou o hospital para apanhar uma câmera de televisão. Ele poderia buscar um médico e obrigá-lo a atendê-la. Também poderia transferi-la para outro hospital. Esses mesmos amigos contaram que ele já não vivia com Adriana quando fez a reportagem. Na época, Russomanno admitiu que havia se separado, mas que, quando do episódio do hospital, os dois estavam reatados. Ele contou que seu casamento era cheio de turbulências, fato que atribuía ao ciúme dela. A reportagem de Russomanno sobre Adriana deu origem a um processo que durou quatro anos. No final, por unanimidade, o Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu o São Camilo e concluiu que não houve erro médico.

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Na época, Russomanno vivia com a filha numa casa ampla no Real Parque, distrito do Morumbi, avaliada em 400 mil dólares. Ali foi feita a maior parte da entrevista. Já era noite e faltavam poucas horas para o fechamento da edição quando perguntei a ele sobre rumores de que a compra daquele imóvel tinha virado caso de polícia. Em resumo, a história era a seguinte: Russomanno comprara a casa por 300 mil dólares, com a facilidade de que a proprietária era mãe do segundo marido de sua sogra, Márcia Torres. O contrato tinha sido assinado por Berenice Ribeiro, cunhada de Márcia e procuradora da mãe. A dívida deveria ter sido quitada em cinco parcelas, mas Russomanno havia pago apenas 10 000 dólares e se recusava a discutir o restante até Berenice ameaçar levar o caso à imprensa. Russomanno deu mais 34 000 dólares e teria ameaçado matar um irmão de Berenice, José Carlos, se o caso se tornasse público.

Eu sabia que a ameaça tinha sido registrada em boletim de ocorrência, mas não conhecia a data nem o distrito policial. Portanto, com as informações de que dispunha, seria difícil publicar essa história. Ao ouvir o relato dos rumores, Russomanno fez cara de espanto e atribuiu o fato à uma fofoca. Numa tentativa de comprovar o que dizia, telefonou na minha frente para proprietária Berenice, e falou: “Imagina o que estão dizendo de mim, que eu ameacei seu irmão e não paguei a casa. O repórter está aqui. Fala para ele que isso não é verdade.” Russomanno me passou o telefone. Depois de me apresentar, Berenice afirmou, sem hesitar: “Ele é um farsante que está agindo de má-fé e colocou o dinheiro da minha casa na campanha política.” Em seguida, Berenice contou que temia que Russomanno dificultasse as visitas da família à filha de Adriana no caso de um processo na Justiça para reaver a casa. “Ele é capaz de tudo”, disse. À medida que Berenice falava, eu repetia as palavras, para que ela confirmasse e Russomanno soubesse da gravidade dos fatos que eu ouvia.

Quando desliguei o telefone, Russomanno ameaçou: “Isso não pode ser publicado. Sou devedor inadimplente e a lei proíbe que se escrache quem deve, e eu vou pagar”. Vendo que não teria efeito, Russomanno fez um apelo. De mãos juntas, ele pediu: “Se você acredita que eu posso fazer alguma coisa boa por este país, pelo direito do consumidor, não publica isso. Vai ficar difícil para mim.” Respondi: “Sou um repórter e o que eu apuro é para ser publicado. Você também é repórter e, no meu lugar, o que faria?” A reportagem terminava com a frase: “O rolo do comprador Celso Russomanno seria um prato cheio para o repórter Celso Russomanno”. As informações publicadas nunca foram desmentidas, Russomanno disputou outras eleições, venceu mais três para deputado federal, perdeu uma para prefeito em Santo André e outra para governador do Estado. Hoje, lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo.

No DCM
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Datafolha: eleição pode acabar no primeiro turno


Segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a eleição à Presidência pode acabar já no 1° turno, com vitória da presidente Dilma Rousseff: "Assim como não podemos descartar a ida de Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno, também não podemos dizer que não haverá uma resolução da eleição já na primeira fase", disse ele no programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, no domingo à noite.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (26), a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, aparece com 40% das intenções de voto, Marina Silva, do PSB, com 27%, e Aécio Neves, do PSDB, com 18%.

A vantagem de Dilma sobre Marina no primeiro turno aumentou em relação à pesquisa anterior, divulgada no dia 19, na qual Dilma aparecia com 37% e Marina com 30%. Aécio estava com 17% das intenções de voto.

Na simulação de segundo turno entre Dilma e Marina, a candidata do PT alcançaria 47%, contra 43% da candidata do PSB, o que configura empate técnico considerada a margem de erro de 2 pontos percentuais. Na semana passada, Marina tinha 46% e Dilma, 44%.

Em uma possível disputa entre Dilma e Aécio, a petista venceria por 50% a 39%. Na semana passada, Dilma tinha 49% e Aécio, 39%.

* * *

De acordo com a pesquisa Vox/Populi, se 1,8% dos 11% indecisos resolverem votar na Presidenta, adios segundo turno.
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A piada que mata


"Então, gente, vamos ter coragem, somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los, não ter medo. Dizer que sou pai, mamãe, vovô. E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente. Bem longe, mesmo, porque aqui não dá." 

Essas são frases de um candidato à Presidência da República quando indagado pela candidata do PSOL, Luciana Genro, em debate no domingo (28), sobre o que achava do Brasil liderar o número de mortes violentas contra homossexuais, travestis e transgêneros. 

Bem, se ainda houver um resto de seriedade na política brasileira, o senhor que proferiu tal crime evidente de preconceito e incitação ao ódio será processado e sua candidatura cassada. 

No entanto, para muitos, seu pedido de que homossexuais fiquem "bem longe" daqueles que se veem como "normais", seus chamados de enfrentamento, são apenas "derrapadas" de um candidato inexpressivo e caricato. A típica afirmação da qual é melhor rir de seu caráter patético do que realmente levar a sério. 

Essa é, no entanto, a pior violência. Pois ela consiste em ignorar quão brutal é não se sentir no lugar dos que recebem as palavras mais brutais. 

Melhor seria lembrar da lição dada por um professor norte-americano de filosofia, Arnold Farr, sobre o que significa realmente tolerância. 

Ao ser indagado sobre como conseguia implicar seus alunos em lutas contra a discriminação, ele lembrava que nada melhor do que mostrar a eles como nós, eu, você, agimos inconscientemente para reforçar processos de exclusão. Somos agentes inconscientes e involuntários, mas nem por isto menos eficazes. 

Farr contou então a história de sua relação com seu irmão homossexual. 

Disse que, quando adolescente, gostava de levar suas namoradas para a casa dos pais a fim de orgulhosamente apresentá-las e ouvir depois elogios de todos.
Anos depois, em um certo dia, ele se deu conta de como seu irmão nunca pode fazer algo parecido e como ele, Arnold, nunca se importara com isso. Ele sequer sentia a tristeza de seu irmão por não poder ser reconhecido, por ter que conservar seu desejo invisível e em silêncio para seus próprios familiares. 

Um dia, no entanto, ele foi capaz de sentir. Mesmo não sendo homossexual, ele pode por um momento sentir o que pode ser o sofrimento de um homossexual. Então, ele pegou o telefone e pediu-lhe desculpas. Esse telefonema foi o gesto político por excelência. 

Se continuarmos a não sentir a violência que tais grupos sofrem, continuaremos a ouvir, do outro lado da linha, apenas piadas que matam.

Vladimir Safatle
No fAlha

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No Rio Grande, prefeito do PP usa verba dos pobres para beneficiar condomínio de Ana Amélia


Você vai ver a seguir mais um caso escandaloso envolvendo a candidata da RBS ao governo gaúcho, Ana Amélia Lemos. Como é sabido, Miss Inteligência de Lagoa Vermelha possui dois imóveis geminados no Residencial Morada dos Plátanos, um condomínio de luxo na cidade de Canela, na Serra Gaúcha. Os cafofos foram comprados diretamente do empreendedor, Pedro Bertolucci, vulgo Pedro Bala, ex-prefeito cassado da vizinha Gramado e ex-presidente estadual do Partido Progressista. O atual prefeito de Canela também é do PP, o partido de Ana Amélia. 
Veja o que acontece quando essa curriola se junta.



No CloacaNews
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A canastrice de Marina Silva e o DNA hollywoodiano

Muitas teorias conspiratórias veem a candidata Marina Silva como um “instrumento de Washington”, “a nova direita” etc. Se isso for verdade, não seria tanto pelas teses neoliberais que seu programa de governo defende. Seu DNA não está em Washington, mas em Hollywood. Marina Silva se filia a uma lista de personagens políticos construídos a partir do imaginário coletivo cinematográfico como Hitler e Mussolini (o cinema mudo), Jânio Quadros (Jacques Tati) e Collor de Mello (Gordon Gekko de “Wall Street”). É a “canastrice” na propaganda, noção que a ciência política deveria levar mais à sério: políticos tornam-se verossímeis quando se reconhecem neles elementos de uma certa mitologia pop ou cinematográfica. Mas por que eleitores não percebem o artificialismo das performances exageradas, melodramáticas e esteticamente kitschs, características da canastrice? Talvez porque um século de Hollywood não apenas tenha afetado nossos corações e mentes, mas a própria percepção.

Era 1997. Em plena crise de um escândalo sexual envolvendo o então presidente dos EUA Bill Clinton e uma estagiária da Casa Branca, era lançado o filme Mera Coincidência (Wag The Dog). O Título em português não poderia ter sido mais feliz pela ironia. No filme, um presidente concorrendo à reeleição nos EUA é envolvido em um escândalo sexual. Com a ajuda de um produtor de Hollywood e um relações públicas cria uma guerra fictícia com a Albânia como estratégia de desvio da atenção.

Um suposto vídeo documental (na verdade produzido em estúdio como tática diversionista) é exibido pelas emissoras de TV: vemos uma jovem albanesa com um gatinho branco nos braços fugindo de terroristas estupradores em meio ao fogo cruzado de bombas e incêndios. Tudo muito melodramático, over, kitsch, estereotipado e com o appeal e look semelhante às produções medianas de Hollywood e “sitcons” do horário nobre. Apesar disso, jornalistas e a opinião pública mordem a isca do suposto vídeo “vazado” como fosse um vídeo realista.

Mera Coincidência", 1997
A cada eleição é sempre necessário assistirmos novamente a esse filme, não apenas pelo tema da manipulação da opinião pública através da mídia, mas como o filme nos mostra a canastrice como a própria essência da propaganda política: as pessoas parecem sempre acreditar em personagens, cenas ou histórias estereotipadas, mal produzidas e, principalmente, repetitivas e clichês. Assim como as pessoas acreditaram no personagem da menina-albanesa-indefesa-com-gatinho-no-colo.

Mera Coincidência nos ensinou que a propaganda política é mal produzida e esteticamente brega, mas, mesmo assim, é crível aos eleitores. Por que? Talvez alguns subsídios para uma possível resposta estejam no caso Marina Silva e a forma como a construção da sua personagem aproximou-se dos cânones hollywoodianos, tornando-os reconhecíveis e, portanto, fazendo a candidata verossímel para seus eleitores. Na propaganda política não existe a realidade, mas apenas a verossimilhança.

Marina Silva, Washington, Hollywood

Em reportagem especial sobre a campanha eleitoral brasileira, o jornal francês L’Humanité Dimanche definiu a candidata Marina Silva como “instrumento de Washington” e “a nova direita brasileira”. E o episódio da visita da candidata aos EUA “em busca de novas parcerias”, como afirmou, em plena reta final da campanha eleitoral apenas reforçou essa teoria conspiratória.

Marina Silva: a "nova direita" com
DNA hollywoodiano?
Mas para esse blog a evidência de que a candidata seria teleguiada pelos EUA não estaria tanto nas teses neoliberais que o seu programa de governo defende — Banco Central independente, recuperação do “tripé econômico” ao custo do sacrifício dos programas sociais para alcançar metas de superávit primário etc.

Para nós, a principal evidência estaria no inconfundível DNA hollywoodiano da construção da personagem Marina Silva: a filha de seringueiros que emergiu da floresta para salvar a Amazônia (ou a “rainforest”, expressão com a qual os americanos costumam se referir à florestas tropicais) e, portanto, todo o planeta. A marca indelével da linguagem midiática da indústria do entretenimento norte-americano estaria na canastrice da sua personagem, que repete o mesmo padrão de uma certa mitologia pop.

Canastrice e a Ciência Política

O poder da canastrice é uma noção que deveria ser levada mais a sério pela ciência política. Walter Benjamin afirmava que a estetização da política era a principal estratégia do fascismo: tanto os astros como os ditadores se dirigiram às massas através do cinema.

Walter Benjamin: astros e ditadores se dirigiram
às massas através do cinema
“A humanidade preparou-se séculos para Victor Mature e Mickey Rooney”, também disse outro frankfurtiano, Theodor Adorno, sobre o poder hipnótico dos atores canastrões. Astros do cinema mudo como Chaplin, Max Linder, O Gordo e o Magro e os Keystone Cops prepararam o terreno para as performances caricatas dos ditadores do século XX. Exatamente nesse ponto reside a canastrice na política: certamente Hitler e Mussolini se inspiraram nas gags visuais dos gênios do cinema mudo. Mais tarde, de forma overact, exagerada, kitsch e artificial (características da canastrice) trouxeram para a realidade o que viram nas telas. E com trágicas consequências que foram bem além do entretenimento.

Marina Silva é mais um exemplar dessa espécie de hiper-populismo baseado na canastrice política, assim como foi Jânio Quadros (uma versão canastrona de Monsieur Hulot do cineasta francês Jacques Tati) ou Collor de Mello (a reedição canastrona dos yuppies que povoaram as telas do cinema nos anos 1980, como o personagem Gordon Gekko do filme Wall Street, 1987).

A construção de uma personagem

Marina possui o que se chama physique du role para exercer o papel: magra, olhos fundos, levemente arqueada, com um xale sobre a cabeça e olhar vindo de baixo para cima como um contra-plogee no cinema, sugerindo uma estudada humildade e resignação diante da sua suposta predestinação. A humildade humana diante dos misteriosos caminhos de Deus...

Marina Silva tem o "physique du role"  
para o papel
Ela é a reedição de toda uma galeria de santos, heróis, salvadores ou sobreviventes enaltecidos pelo inconsciente coletivo midiático: a foto da menina Sharbat na capa da National Geographic, com uma túnica cobrindo a cabeça conferindo um ar beatífico de pureza e resistência; a naturalizada indiana Madre Tereza de Calcutá, beatificada muito tempo antes da Igreja pela mídia...

É a personagem perfeita, porque veio da floresta intocada, pura. Mais uma amostra do DNA midiático norte-americano, chave do novo puritanismo neopentecostal daquele país que criou um fundamentalismo religioso baseado no pensamento ecologicamente correto, como pode ser visto em ação no filme O Mistério da Rua 7 (Vanishing on 7th Street, 2010 — um mix de demônios indígenas, colonização norte-americana e o ideário místico-ecológico da Teoria Gaia — sobre o filme clique aqui).

Um personagem puro e intocado não pode se sujar com a “velha política”. Por isso ela deve falar em “nova política” e que vai formar o governo por um conjunto de “notáveis”, isto é, aqueles que não foram ainda maculados pela velha política.

Jânio Quadros e Marina Silva: a força da
canastrice está no cinema
Por isso essa nova canastrice política não dá para ser aplicada em Lula, Dilma ou Aécio. Eles são muito “hard” para o DNA hollywoodiano: são produtos do mundo das relações de produção, da política dos confrontos sangrentos ou dos jogos parlamentares. Ao contrário, Marina é “soft”, uma figura fortemente icônica, assim como foram Jânio Quadros e Collor de Mello. Tipos físicos perfeitos para desempenharem o papel criado para eles.

Ao mesmo tempo piadas e memes nas redes sociais que apresentam comparações de Marina com o personagem ET do filme homônimo de Spielberg são reveladoras por serem verdadeiros atos falhos: involuntariamente revelam esse secreto DNA hollywoodiano que comanda sua canastrice: solitária e melancólica, como se fosse a mensageira de uma importante mensagem para nós, assim como o foi o pequeno alien do filme.

Canastrice é uma hiper-realidade?

Em postagem passada, discutíamos os chamados “Sete Dispositivos da Propaganda”, denunciados em 1940 mas ainda ativos no marketing político e publicidade — sobre isso clique aqui.

A questão que levantávamos naquela oportunidade é a mesma dessa postagem: por que ninguém percebe o artificialismo e a canastrice de dispositivos retóricos e estéticos manjadíssimos baseado na imagerie do pior que o cinema pode produzir? Por que a opinião pública vê a cada eleição a repetição da canastrice como uma novidade? Por que o reconhecimento de elementos do imaginário cinematográfico em um candidato torna-o verossímel, apesar de toda artificialidade e exagero próprios do ator canastrão?

Gordon Gekko deu verossimilhança ao
ator canastrão Collor de Mello
Um século de cultura visual e do espetáculo fizeram a nossa percepção da realidade ficar invertida. Tomamos o real não a partir dele mesmo, mas tomando como referencia imagens anteriormente feitas do próprio real.

Em uma feira de rua vemos uma linda maçã vermelha, brilhante e suculenta. Tão perfeita que não nos conformamos de ser real. “Que maçã linda. Parece até de plástico!” E temos a necessidade de tocá-la para nos certificarmos da sua existência. É a inversão perceptiva pós-moderna. Não percebemos que é o plástico que imita a perfeição da natureza, mas invertemos os referenciais: parece que é a maçã real que imita a sua cópia de plástico. A esta inversão os estudiosos pós-modernos chamam de hiper-realidade.

O artificialismo canastrão de Marina Silva é a resultante dessa cultura audiovisual irradiada para todo o mundo por meio de Hollywood. Vemos fatos reais e os achamos verossímel por reconhecermos nele ícones do imaginário cinematográfico. Marina, Jânio Quadros, Collor de Mello foram encarnações neo-platônicas do ET, Monsieur Hulot e Gordon Gekko, assim como Chaplin e os Keystone Cops deram vida a Hitler e Mussolini.

Hollywood não apenas atingiu nossos corações e mentes: alterou também a nossa percepção.

Wilson Ferreira
No Cinegnose
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Folha contradiz Marina: Dilma fez quase 100% das creches que prometeu

Para candidata do PSB, Dilma só construiu 7% das 6 mil creches prometidas. Mas, segundo o jornal, 98% foram feitas pela petista


A Folha de S. Paulo publicou um caderno especial nesta segunda-feira (29), fazendo um balanço do que foi cumprido por Dilma Rousseff (PT) desde a eleição de 2010. Segundo o jornal, Dilma prometeu construir 6 mil cresces e escolas primárias, e conseguiu fazer 5.902 unidades até 2013. Mas, nas redes sociais, a candidata Marina Silva (PSB) espalha que a adversária petista concluiu apenas 7% do que prometeu.

A campanha de Marina sustenta que parte dessas obras foram autorizadas no governo Lula, retirando o volume da conta de Dilma. Ela ainda sustenta que as unidades não foram entregues, embora a reportagem da Folha tenha cravado que Dilma fez o que prometeu. Ainda de acordo com a reportagem da Folha, Dilma deixou de concluir, no quadro geral, apenas 14 das 69 promessas que fez na campanha de 2010. O resultado equivale a 20% de todo o programa apresentado naquele ano. 

Apesar do desempenho, a Folha manchetou que Dilma deixou de concluir 43% das propostas. O jornal computa 23% dos projetos alojados na categoria "fez pouco", mas muita coisa analisada nesse prisma independe exclusivamente da gestão do presidente. Um exemplo é a reforma política, que dependia de um esforço maior do Congresso e da sociedade.

Reprodução: Folha

No GGN
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ONG de Marina é financiada por dono da Natura e herdeira do Itaú

Instituto Democracia e Sustentabilidade foi espaço para debater agenda de gestão da candidata do PSB

Guilerme Leal
SÃO PAULO - Espaço de fomento do projeto que culminou na candidatura de Marina Silva à Presidência, o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) recebeu R$ 7 milhões em doações de pessoas físicas e jurídicas desde 2010. Os principais doadores para a ONG foram dois associados, o dono da Natura, Guilherme Leal, e a educadora e herdeira do banco Itaú, Maria Alice Setubal, a Neca, de acordo com informações da ex-secretária-executiva da entidade, Alexandra Reschke.

Ao Globo, Leal confirmou ter doado R$ 3,4 milhões à organização por meio do Instituto Arapyaú, criada por ele para canalizar sua atuação como empreendedor social. Neca também afirmou ter doado ao IDS, como pessoa física, mas preferiu não informar o valor. No entanto, segundo Reschke, os dois doaram "valores mais ou menos semelhantes" à entidade, e sempre foram considerados os principais provedores da iniciativa, do ponto de vista financeiro.

Doações de pessoas físicas à entidade somaram R$ 3,3 milhões no mesmo período. Segundo o atual presidente do IDS, João Paulo Capobianco, outros associados também fizeram doações, mas os valores não foram informados. Em 2013, uma fundação internacional doou R$ 201 mil à entidade. O nome não foi divulgado em função de cláusula de confidencialidade.

Neca Setúbal
O IDS foi fundado por Marina e um grupo de colaboradores em São Paulo, em 2009, mas teve as atividades iniciadas em 2010, ano em que ela concorreu à Presidência pela primeira vez. Após a derrota, o esforço de Marina para aprofundar o debate sobre gestão e sustentabilidade passou a ser canalizado no instituto, apesar da desvinculação com partidos. Dos 37 associados do IDS, 35 colaboraram com o atual programa de governo de Marina, segundo o PSB.

Entre as duas eleições, a entidade promoveu encontros com aproximadamente 120 especialistas e representantes de diferentes setores em torno da agenda atualmente defendida por Marina. Estudos também foram elaborados. De acordo com Reschke, que esteve na entidade entre 2011 e 2013, a partir do fim de 2012 o foco mudou:

— Quando Marina decidiu criar um partido, houve alinhamento claro do IDS com o projeto e o plano de criar uma plataforma de governo — afirma.

Os encontros promovidos pela entidade permitiram a aproximação com setores antes do período eleitoral, como ruralistas representados pelo ex-ministro Roberto Rodrigues. Ele foi o convidado de uma das conversas, assim como Marcos Jank, diretor para assuntos públicos da Brasil Foods, que ajudaria, neste ano, na elaboração do plano de governo.

Entre os associados do IDS estão fiéis colaboradores de Marina durante o período no Ministério do Meio Ambiente, como Bazileu Margarido, Pedro Ivo Batista e Tasso Azevedo. Estão também na lista executivos de confiança como Álvaro de Souza, ex-presidente do Citibank; Ricardo Young, do Instituto Ethos, e Oded Grajew, idealizador do Fórum Social Mundial, além de ambientalistas e indigenistas.

Para Capobianco, os debates promovidos no IDS beneficiaram outras pessoas além de Marina:

— Nunca foi espaço de discussão de uma candidatura. Se isso fosse verdade, não teríamos trazido gente de outros partidos (para debater) — afirma.

Convergências de ideias

No entanto, para a ex-secretária-executiva, Alexandra Reschke, participantes de outros grupos políticos que estiveram nas rodas de conversa se sentiam parte da “possibilidade de construir uma nova forma de governar”.

— A entidade sempre acreditou na política que pode ser feita com firmeza e competência — afirma.

Guilherme Leal admitiu que “ideias debatidas e consensuadas ali são convergentes com o ideário da Marina”, mas alegou não ver relação entre os projetos “em termos práticos”.

Atualmente integrante do Conselho Diretor do IDS, Neca Setubal já ocupou o cargo de presidente da organização. Além do IDS, ela doou para outra entidade ligada à candidata, o Instituto Marina Silva, sediado em Brasília. Em 2013, foram pelo menos R$ 1 milhão, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”. A educadora informou que contribuiu com 15 organizações da sociedade. Para ela, “não existe relação entre o IDS e o projeto político de Marina”.

Thiago Herdy
No O Globo
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Vício eleitoral

As expectativas, bastante difundidas, de turbulências eleitorais nesta semana depõem contra o processo eleitoral brasileiro. Não só confirmam a participação sistemática, no confronto das candidaturas, de fatores alheios à natureza política e programática das eleições presidenciais, como indicam que a percepção destes fatores não leva a contê-los.

São comuns as referências, como fatos dos próximos dias, a novos e tumultuosos vazamentos de acusações, reais ou não, feitas pelo corrupto da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Youssef sob alegado segredo de Justiça. Não por acaso, uns lembram que ainda sairá uma edição de "Veja" antes da votação, e quando nem haverá tempo para contestações eficazes. Outros citam o debate organizado pela TV Globo, na quinta-feira (2).

Haja ou não participação nova daqueles dois personagens relevantes da campanha eleitoral, a expectativa de novas contribuições suas depõe não só contra o processo eleitoral, mas também contra a imprensa e as emissoras. Em todas as eleições, a dimensão eleitoral dos fatores extracampo depende do sentido, da relevância e da indumentária de confiabilidade que a chamada mídia lhes atribua. Uma bolinha de papel na cabeça de José Serra poderia ser apenas isso mesmo, não fosse sua transfiguração em um rolo rígido de fita crepe que lhe causou, no exame por um amigo, impacto perigoso. Isso, para não entrar em exemplos mais fortes, muitos bem conhecidos desde a vitória dada a Collor.

No processo eleitoral de agora, é interessante a ideia de libertação de Paulo Roberto Costa nesta última semana da campanha, como noticiado. Até por — e quase escrevo sobretudo por — favorecer também mais vazamentos de suas premiadas confissões.

Quando passar a utilidade do corrupto da Petrobras e de Alberto Youssef, que logo estarão em casa a desfrutar de suas fortunas, talvez se possa discutir, ao menos, o que a delação premiada é e o que, no máximo, poderia ser sem desmoralizar a já precária ideia de Justiça e a honestidade.

Ontem e hoje

A eleição de governador em Pernambuco ameaça tornar-se a maior aberração das disputas nas urnas. No dia da morte de Eduardo Campos, 13 de agosto, o seu candidato Paulo Câmara estava com 13% da preferência eleitoral, inequívoca rejeição ante os 47% do adversário, Armando Monteiro. Na pesquisa seguinte, também do Datafolha, Câmara apareceu com 36% e, agora, com 43%, por efeito da morte de Eduardo Campos.

A conduta submissa à apelação sentimentaloide não diz bem de um eleitorado que, por seu voto consciente, já teve a valentia de enfrentar — e venceu — até batalha contra a CIA, que mandou agentes e mercenários para impedir a (primeira) vitória de Miguel Arraes.

Correção

Ao escrever para domingo (28), preferi mudar, a meio do caminho, a formulação de uma frase. Mas deixei de mudar, como precisava, um número na parte mantida. Daí resultou a comparação imprópria de um índice de Marina Silva no segundo turno com o atual no primeiro. Pareceu maior a disparidade entre seus índices anteriores e o da semana passada, na observação, que mantenho, sobre o movimento de queda visto no Datafolha.

Janio de Freitas
No fAlha
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Sérgio Porto # 1


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Essa é do Barão... 59


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As altas confusões de Hulk, Marina, Meirelles e Malafaia


Já não vinha sendo uma semana das mais felizes para Marina Silva. Queda nas pesquisas, ataques de Dilma e Aécio, a esquisita teimosia com a questão da CPMF (que ela garante ter votado a favor, embora os anais do Senado teimem em registrar o contrário).

Eis que surge um alento: o apoio do ator Mark Ruffalo, ícone da Hollywood liberal, sempre com a barba malfeita, o olhar carente, canastrão gente fina. Uma espécie de Wagner Moura sem arrogância, campeão das boas causas. Ganha dinheiro como o Hulk nos longas da Marvel, mas o prestígio vem com filmes como “The Normal Heart”, dramalhão que lhe rendeu uma indicação ao Emmy pelo papel de um ativista gay.



Não ia render dez votos, mas seu endosso, num vídeo, foi comemorado como um sucesso estrondoso pelos marinistas. “Marina representa um novo tipo de paradigma no mundo. O sistema político como é hoje, não é sustentável”, dizia ele, fofíssimo. MS era uma “dessas pessoas muito muito especiais”.

Bem, não durou 24 horas.

Sabe-se lá quem lhe soprou o que nos ouvidos, mas Ruffalo retirou o que falou num post em seu blog. “Veio até meu conhecimento que a candidata brasileira à presidência Marina Silva pode ser contra o casamento gay. Isso me colocaria diretamente em conflito com ela”.

Prosseguiu: “Eu não posso, de forma consciente, apoiar uma candidata que tenha tal abordagem de extrema direita com relação a questões como casamento gay e direitos reprodutivos das mulheres, ainda que esta candidata tenha intenções certas sobre as questões ambientais.”

No final, pediu desculpas pelos transtornos causados.


A equipe de Marina se pôs, imediatamente, a tentar explicar o inexplicável para Ruffalo através das redes sociais. Mais uma vez, o problema eram as mentiras e calúnias espalhadas pelos adversários. O estrago já estava feito.

Malafaia deu o beijo da morte em Marina. Nenhum candidato sobrevive incólume ao abraço de um cafajeste medieval. O recuo de Marina na questão LGBT foi o primeiro e o mais escandaloso de várias idas e vindas clamorosas.

Hoje, Marina e sua Rede condenaram veementemente o discurso de Levy Fidelix no debate da Record. “Nós manifestamos publicamente o repúdio diante das declarações homofóbicas, segregacionistas e pseudo-científicas do candidato Levy Fidelix”, lê-se no site. O partido (partido?) estuda entrar com uma ação.

Ok. Mas por que agora? Malafaia e Feliciano, dois aliados, detonam homossexuais diuturnamente, numa obsessão doentia, para não dizer suspeitíssima — e Marina nunca levantou uma sobrancelha.

O que explica a indignação seletiva?

É um vexame para Fernando Meirelles, o gênio do cinema brasileiro que ofereceu seus préstimos à campanha marinista e, suponho, deva ter costurado o contato com Ruffalo, que trabalhou em seu “Ensaio Sobre a Cegueira” (imagino Meirelles, exasperado no telefone: “Que isso, Mark! É grupo dos caras! Confia!”).

Seja lá o que o povo de MS possa alegar, está na hora de assumir alguma responsabilidade sobre as besteiras. Quando até o Hulk fica nervoso, é porque a coisa está feia.

Kiko Nogueira
No DCM
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