29 de set de 2014

Curso de Desintoxicação do Ódio Político

Já saiu e está disponível para download gratuito o novo Curso de Desintoxicação do Ódio Político, oferecimento da equipe CBJM a seus alunos.

É um curso teórico-prático. Teórico porque expõe conceitos e princípios relativos à arte da manipulação política, além de fazer uma análise precisa da função da raiva ou do ódio em seus resultados.

E prático porque apresenta técnicas eficientes para conhecer, controlar e, depois, eliminar totalmente os sentimentos agressivos motivados por questões políticas.

Na parte teórica (denominada “explicativa”), nossos alunos terão acesso a revelações inéditas extraídas do ultrassecreto Curso Avançado de Jornalismo Manipulativo.

Na parte prática, conhecerão mais de 20 técnicas de desintoxicação do ódio destinadas a eliminar, em si mesmos, esse efeito colateral indesejável (no caso dos manipuladores) que vem prejudicando sua atividade jornalística.

Aliás, o novo Curso surgiu exatamente da constatação deste problema: além de, corretamente, estimular o ódio nos verdadeiros alvos de sua manipulação política (isto é, os leitores), nossos alunos estavam se contaminando com esse sentimento. Os efeitos psicológicos e sociais da contaminação geraram vários problemas em sua vida pessoal e profissional. Hora de fazer algo a respeito. E nós, cada vez mais preocupados com essa situação imprevista, decidimos agir. O Curso de Desintoxicação do Ódio Político é a nossa resposta.

Um destaque na parte explicativa: a fórmula da manipulação política usada para produzir o ódio na psique dos manipulados. Essa fórmula é responsável pelo chamado “transe manipulativo” (na parte prática, o Curso ensina os nossos alunos a saírem do transe manipulativo criado pela grande mídia nesses últimos anos). O transe manipulativo é o estado no qual nossos leitores pensam sinceramente que estão vivendo num mundo fantasioso (e horrendo), bem diferente do seu mundo real (o cotidiano). Embora a maioria dos brasileiros, na prática, se sinta satisfeita com os caminhos de sua própria vida, vê-se irremediavelmente perdida ao pensar na situação atual do país e no destino trágico que nos espera.

Um destaque na parte prática: a “bala mágica”. Essa técnica praticamente desconhecida pode eliminar o sentimento de ódio em poucos minutos – muitas vezes, para sempre.

Agora, o inevitável legalês, sugerido (isto é, imposto) por nossa equipe jurídica. É bem rápido:

“As técnicas da parte prática deste Curso foram criadas por psicólogos capacitados e visam proporcionar bem-estar emocional a pessoas que se tornaram dependentes da vivência diária de raiva e ódio, por motivos políticos. Apesar disso, não podemos garantir que elas farão somente o bem, em todos os casos, dado que cada sistema psicológico difere bastante dos demais. Aplique as técnicas com critério, parando imediatamente caso sinta ou pressinta qualquer incômodo psicológico além do normal. Não podemos nos responsabilizar pelos possíveis efeitos, caso você continue a aplicar uma técnica nessa situação. Respeite o seu sistema e os seus limites psicológicos.”

Nós de novo. Segundo a nossa experiência pessoal e coletiva, essas técnicas são, sim, infalíveis. Qualquer pessoa normal que as aplicar com zelo conseguirá se livrar dos sentimentos sufocantes de indignação, raiva e ódio, que tanto mal fazem à saúde psíquica e orgânica.

Agora, se você aplicar essas técnicas direitinho e, mesmo assim, continuar sentindo ódio ao menor estímulo proporcionado pela grande mídia ou pelas redes sociais, fazer o quê? Você é um daqueles raros “casos perdidos”, e estará condenado a passar o resto da vida borbulhando em ódio, correndo o risco de sofrer doenças psicossomáticas como úlcera, gastrite, pressão alta e, quem sabe, um infarto (bem feito!), por não conseguir ter o mínimo de autocontrole emocional e de capacidade intelectual.

Mas ao menos tente. Precisamos de cada um dos nossos aliados da grande mídia, em sua capacidade manipulativa máxima, nessa luta derradeira pela mudança do governo central.

Importante

Estamos liberando, de início, a parte explicativa do Curso, com suas 129 páginas. A parte prática será liberada nas próximas semanas, ainda a tempo de permitir a aplicação antes do segundo turno das eleições (e antes das reações definitivas a estas). O hiato é importante para que a base seja bem assimilada por nossos alunos.

Leia com calma, aos poucos, porque esse material, além de secreto, é extremamente elucidativo do tempo presente na grande mídia e na política nacional.

Baixe aqui o novo Curso, gratuitamente, (arquivo em PDF).

Um serviço CBJM, a favor do Brasil e da civilização.

No Curso Básico de Jornalismo Manipulativo
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Marqueteiro de Marina morde a língua

O derretimento de Marina Silva, que despenca nas pesquisas e ainda pode ser atropelada por Aécio Neves, está provocando uma crise de nervos no comando da campanha. A candidata-carona do PSB não para de se fazer de vítima. Seu chororô até parece coisa de atriz de novela mexicana. Já seu marqueteiro extraoficial, o cineasta Fernando Meirelles, decidiu posar de valentão do cinema ianque e partiu para a violência verbal. Na semana passada, ele comparou o jornalista João Santana, marqueteiro de Dilma Rousseff, ao ministro nazista Joseph Goebbels. O ataque de fúria, porém, pode custar caro. O alvo das agressões histéricas já anunciou que processará o cineasta por danos morais.

A declaração leviana de Fernando Meirelles foi registrada pela imprensa e ele nem tem como negar. “Li uma frase que resume bem a campanha do PT: ‘Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade’, a frase vinha assinada por João Goebbels Santana. Foi na mosca, é exatamente dali que vem a inspiração do marqueteiro-mor. Tanto Goebbels como nosso Santana acreditam que a força da repetição gera um fato”, esbravejou o cineasta. Percebendo que exagerou na dose, principalmente em cunhar o nome “João Goebbels Santana”, o marqueteiro de Marina Silva decidiu sumir dos holofotes. Procurado pela mídia, ele tem evitado entrevistas, numa evidente confissão de que mordeu a língua e teme pelo bolso.

Segundo Mônica Bergamo, da Folha, o descontrole de Fernando Meirelles já tinha sido notado pela direção da campanha petista. “João Santana diz que há tempos era alertado de que o cineasta Fernando Meirelles, conselheiro de Marina Silva, criticava duramente a campanha do PT nas redes sociais. Tinha decidido deixar para lá, até que Meirelles o comparou a Joseph Goebbels, ministro de Hitler. ‘Críticas são naturais. Mas, numa democracia, ninguém pode acusar outra pessoa de nazista e ficar impune’, diz Santana”. Em seu Twitter, o cineasta já havia dado outros sinais de perturbação. Na quarta-feira (24), ele postou sobre o discurso da presidente na ONU: “Visão estratégica de merda tem este governo”.

Para quem gosta tanto da manobra marqueteira da vitimização, o cineasta até que é bem agressivo e boca-suja! Não fica bem para uma campanha que conta com o apoio do "pastor" Silas Malafaia e de tantas madames dos bairros finos de São Paulo!

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Na reta final, direita encolhe nas pesquisas

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6454

O que está acontecendo com as pesquisas? De repente, na reta final da corrida eleitoral, começaram, abruptamente, a dar novos resultados. Num passe de mágica, no Rio Grande do Sul, Tarso Genro empatou com Ana Amélia. No Brasil, Dilma já está fazendo Marina Silva comer pó e muita gente já desconfia que não haverá segundo turno. Triste Brasil do Boca do Inferno, tantas pesquisas, tantos pesquisadores. Acreditar em institutos de pesquisa é quase tão ingênuo quanto acreditar em diretor da Petrobrás arrependido dos seus malfeitos. A vida é dura. Aqui se faz e, nos últimos tempos, aqui se paga. Ou delata.

O Ibope já “errou” tanto que até previsão do tempo acerta mais. Será que, na reta final, já estão fazendo conta de chegada para manter alguma credibilidade e evitar a desmoralização total? O Datafolha tem reputação melhor. Veremos que está certo.

Nos últimos debates, o pau vem comendo. Todo mundo bate. Marina bate, chora e reclama das pancadas que leva.

Aécio é o que mais bate, mas não sai do terceiro lugar.

Dilma bate, apanha e dispara.

No Rio Grande do Sul, onde tudo, pelas pesquisas, estava decidido, o jogo está mais aberto do que nunca.

Opõem-se duas concepções e meia: o desenvolvimento sustentado por empréstimos de Tarso Genro contra a austeridade com cortes de gastos de Ana Amélia. No meio dos dois, a velha meia estratégia do PMDB: o meio-termo estilo Rigotto com um pouco mais de vigor, o “gringo” de fala mansa e olhar firme que não promete se endividar mais nem cortar gastos.

Promete o quê?

Não ser Tarso nem Ana Amélia.

O que mais vão dizer as pesquisas nesta semana?

Tentarão botar Aécio no segundo turno?

Ou já desistiram dele?

Quem viver, verá!
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Aécio, paladino da ética, invoca Tiradentes e Tancredo


Abaixo, um documentário sobre o choque de gestão em Montezuma — feito graças ao financiamento dos assinantes do Viomundo — cidade em que o governo de Minas, quando Aécio era governador, asfaltou a pista do aeroporto local.

Por coincidência é a cidade onde o pai do candidato tinha terras, que hoje estão no patrimônio declarado de Aécio.

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Marina ainda não entendeu a importância dos bancos públicos. Não tem problema: #DilminhaExplica :)



Dilma já falou: é temerário diminuir o papel dos bancos públicos. São os créditos subsidiados dessas instituições que financiam os avanços sociais e as obras de infraestrutura que estão mudando o Brasil. Com a ajuda dos bancos públicos, com créditos em condições especiais, a engrenagem roda: as empresas crescem, a economia aquece e empregos surgem. O BNDES é, hoje, o terceiro maior banco de desenvolvimento do mundo, atrás apenas do chinês e do alemão. Marina não sabe disso — ou então não valoriza as conquistas dos últimos 12 anos... não vamos retroceder!

Desculpe, Marina Morena, você se queimou!

Você muda tanto de ideia que não é normal!

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Vox Populi indica vantagem menor no 1º turno, mas Dilma venceria Marina no 2º

Aécio Neves (PSDB) cresce um ponto percentual e chega a 18% da preferência do eleitorado
Vox Populi: Dilma lidera pesquisa de intenção de votos, e Aécio Neves e Marina Silva estão empatados em 2º lugar
Eduardo Enomoto/28.09.2014/R7

A vantagem em intenções de voto da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, sobre a candidata Marina Silva (PSB) recuou para 16 pontos percentuais no primeiro turno, mas a petista derrotaria a ex-senadora no segundo turno se as eleições fossem hoje, de acordo com pesquisa Vox Populi/Rede Record divulgada nesta segunda-feira (29).

Nas intenções de voto do primeiro turno, Dilma manteve os 40% da preferência registrada na pesquisa anterior, enquanto a ex-senadora marcou 24% — antes, tinha 22%. Aécio Neves (PSDB) registrou 18% de intenções de voto — um ponto percentual a mais que na semana passada (veja arte abaixo).

Os candidatos Everaldo Pereira (PSC) e Luciana Genro (PSOL) marcaram 1% nas intenções de voto cada. Por outro lado, os candidatos Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB), Eymael (PSDC), Rui Costa Pimenta (PCO), Mauro Iasi (PCB), Zé Maria (PSTU) não marcaram pontos. Os brancos e nulos são 6% do total, enquanto os eleitores indecisos somam 11%.

Regiões

Numericamente, a candidata Dilma Rousseff (PT) tem a maior parte da preferência dos eleitores em todas as regiões brasileiras.

No Sudeste, onde se concentra a maioria dos eleitores do País, Dilma tem 29% das intenções de voto, contra 26% de Marina Silva (PSB) e 21% de Aécio Neves (PSDB). Os outros candidatos têm 2% juntos, os brancos e nulos somam 9% e os eleitores indecisos são 14%.

No Nordeste, Dilma aparece com 60% das intenções de voto, contra 20% de Marina e 8% do tucano. Os demais candidatos totalizam 1%, enquanto os brancos e nulos são 4% e os indecisos, 6%.

No Sul, a petista tem 35% das menções, contra 29% de Aécio Neves e 17% da ex-senadora. Os demais candidatos somam 3%, os brancos e nulos são 4% e os indecisos totalizam 12%.

Por fim, no Centro-Oeste/Norte do País, a petista tem 40%, Marina aparece com 28% e Aécio marca 19%. Outros candidatos totalizam 1%, brancos e nulos são 2% e os eleitores que não sabem ou não responderam chegam a 10%.

2º turno

O Vox Populi fez duas simulações de segundo turno. Na primeira, com Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva (PSB), a presidente tem 46% das intenções de voto, contra 39% da ex-senadora. Os brancos e nulos são 9% do total, e os indecisos totalizam 6%. Considerando a margem de erro, portanto, Dilma seria reeleita.

Em outro cenário, com Dilma Rousseff (PT) contra Aécio Neves (PSDB), a presidente tem 48% da preferência, contra 38% do tucano. Os brancos e nulos totalizam 9%, e os eleitores que não sabem ou não responderam somam 5%. Neste caso, Dilma também venceria a disputa.

A pesquisa Vox Populi ouviu 2.000 eleitores de 147 cidades brasileiras entre o último sábado (27) e o domingo (28). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o número BR - 00888/2014.

http://www.r7.com/r7/media/2014/20140929-Voxpopuli-Presidencia/20140929-Voxpopuli-Presidencia.jpg
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Descoberta paixão de Malafaia

Perfil (fake) Luciana Genro descobre algo muito interessante sobre Silas Malafaia...


Podia dormir sem essa, pastor...

No Brasil Post
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Marina foi a grande derrotada do debate da Record

O debate da Record teve o seu melhor momento no primeiro bloco, quando os candidatos pareciam estar com sangue nos olhos para mostrar as diferenças entre seus projetos. Foi neste momento, muito provavelmente de maior audiência, que Marina Silva foi disparada a pior no enfrentamento com seus adversários diretos. Dilma e Aécio foram muito melhores do que ela.

A candidata do PSB parecia muito nervosa e como se carregasse o mundo nas costas. Falava de forma ríspida e com olhar perdido. Não conseguiu responder de forma clara a pergunta de Dilma sobre o fato de ter afirmado que votara a favor da CPMF, quando o registro do Senado aponta que ela votou não em quatro momentos diferentes.

Dilma e Aécio falaram para os seus eleitores e certamente não perderam votos. Ambos podem, ao contrário, herdar eleitores que podem ter se decepcionado com Marina no enfrentamento de hoje.

Na parte debaixo da tabela quem se saiu melhor foi Luciana Genro (Psol), que conseguiu se diferenciar de Eduardo Jorge, mostrando que ele apesar de posições progressistas foi secretário de Serra e Kassab, e ao mesmo tempo também tirou uma casquinha de Marina, mostrando que ela faz um discurso de nova política, mas mantém posições bem tradicionais.

Genro, porém, patinou feio no seu embate final com Levy Fidelix. Ela chamou o candidato do aerotrem pra debater união homo afetiva e ele fez um dos discursos mais bizarros desta campanha eleitoral, chegando a comparar homossexuais com pedófilos. Na respost dele, por duas vezes Luciana ameaçou um sorrisinho de canto de lábio. E na réplica preferiu falar que ninguém mais ali defendia a família do que ela, ao invés de lhe passar uma descompostura histórica.

O que fica deste debate da Record é que se Marina não se preparar melhor para o da Globo, corre o risco de ficar de fora do segundo turno. Aécio tem conseguido bons desempenhos nos últimos encontros. Ou seja, vem melhorando. Marina, ao contrário, vem piorando. Nos primeiros, debates seu discurso parecia diferente, mobilizador. Agora, Marina tem parecido mais velha política do que seus adversários, Fala, fala e não responde nada de forma objetiva. Muito ao estilo Odorico Paraguassu, personagem de O Bem Amado.

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Como, sorrateiramente, a RBS distorce as informações durante a campanha eleitoral


O jornalista Samir Oliveira que já trabalhou no Jornal do Comércio de Porto Alegre e no Sul 21 analisou quatro capas do Pioneiro, em quatro momentos importantes da eleição desse ano: A visita de 4 personalidades nacionais e suas respectivas atividades de campanha e como o maior diário de Caxias do Sul tratou o assunto em seu jornal. 

O Polenta News já havia feito uma observação semelhante onde questionava os critérios que o Pioneiro iria, ou estava utilizando, para a cobertura da campanha eleitoral (veja aqui).

Reunidas, as quatro capas mostram bem como a informação é manipulada pela imprensa. Acompanhe o raciocínio de Samir.

O Pioneiro, da RBS, no dia seguinte à realização dos maiores atos de campanha do PSOL, do PT, do PSB e do PSDB na cidade. Vejam o tamanho da peça publicitária destinada à candidatura tucana [não apenas pelo tamanho, mas pelo conteúdo da manchete].

No dia 11 de setembro, um dia depois do ato de campanha de Luciana Genro (PSOL) na cidade — manchete da capa: "MP investiga excessos em clínica psiquiátrica em Caxias", sem qualquer menção à Luciana na capa (foto 01).
Foto 1

Dia 29 de setembro, um dia após o comício com Tarso (PT) e Lula (PT) em Caxias do Sul — manchete de capa: "Médico deve atender em 2 horas", com uma foto pequena do comício manchete menor dizendo "Lula defende política econômica de Dilma" (foto 02).
Foto 2
Dia 5 de setembro, um dia após visita de Marina Silva (PSB) à cidade — foto principal e manchete: "Em Caxias, Marina diz que Brasil vive crise de confiança" (foto 03).
Foto 3
No dia 26 de setembro, um dia após visita de Aécio Neves à cidade — foto principal e a seguinte publicidade, digo, manchete: "COMO AÉCIO NEVES PRETENDE FORTALECER AS INDÚSTRIAS" (foto 04).
Foto 4
E há quem diga que a mídia é isenta.

No PolentaNews
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RBS discute Dilma, Estado Islâmico e manipulação da informação


Impressiona como os funcionários da RBS fazem todo esforço possível para agradar os seus patrões. Sempre que possível, manipulam as informações. E, por vezes, passam ao largo da verdade.

O jornalista Tulio Milman, na sua coluna Informe Especial, veiculada na edição de hoje do jornal Zero Hora/RBS, distorce pronunciamento da Presidenta Dilma, espertamente ligando-a ao nazismo e ao fundamentalismo.

Conforme é possível ler no texto de Milman (acima), o subalterno da família Sirotsky acusa Dilma de indicar diálogo com o grupo terrorista que se autodenomina “Estado Islâmico”, o que seria uma proposta irresponsável.

Milman, almejando demonstrar que sua “crítica” é embasada em alguma erudição, recomenda à Dilma a leitura de um livro cujo enredo é o hipotético retorno de Hitler a Berlin em pleno 2006.

Assim, em poucos traços, o lacaio da RBS tratou Dilma como uma pessoa irresponsável e que flerta com ideias fundamentalistas e nazistas.

Evidentemente que Milman tem a prerrogativa de opinar sobre o que pensa em relação à Dilma, bem como o dever funcional de redigir sua coluna, afinal é pago para trabalhar na RBS. O que não pode é manipular a informação, distorcer fato da realidade. Não agiu como jornalista, foi panfletário da inverdade.

Segundo matéria ao final dessa postagem, publicada na Folha SP virtual e assinada por Mariana Haubert, Dilma esclarece, não pela primeira vez, que não defendeu diálogo específico com o grupo fundamentalista autodenominado “Estado Islâmico”.

Na verdade, a presidenta do Brasil afirmou, em entrevista concedida dia 24 último, depois de seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, que o melhor caminho para a superação de conflitos não é guerra, mas o diálogo.

Dilma, corajosamente, questionou os ataques dos EUA à Síria e ao Iraque, em suposta ofensiva contra o “Estado Islâmico” e o terrorismo. Dilma sustentou que lançar bombas e empregar mecanismo de invasão não resolve o problema do terrorismo, caso contrário o ataque ao Iraque seria suficiente, mas deu no que deu.

Pois eu estou com Dilma. Invadir países sob o pretexto de combater o terrorismo é uma farsa, é a busca inescrupulosa do butim. Ganha a indústria de armas e as empresas encarregadas de “reconstruir” o país devastado (sem falar dos futuros contratos para “gerir” os recursos naturais dos “derrotados”). Mas o custo de vidas humanas — principalmente de crianças — é enorme. E esse tipo de ação, no final das contas, só faz reforçar o discurso fundamentalista e as práticas terroristas.

O fundamentalismo (e as pessoas fundamentalistas) não se aniquila, isola-se. E seu isolamento requer esforço mundial para mostrar aos seus seguidores que a democracia é boa para todos, não somente para quem agrega capital. Tem de injetar dinheiro lá, levar para aquelas pessoas educação, saúde e renda. Que se dê um emprego e dignidade, não bombas! Que se dê escolas para aquelas crianças, não a morte!

Recomendo ao Túlio Milman que leia alguns livros de História. Se os patrões permitirem, é claro.



Blog de Charles Leonel Bakalarczyk
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Clipe “Eduardo, o Jorge” foi produzido por tucano para roubar votos de Marina


Está fazendo sucesso na internet o clipe chamado “Eduardo, o Jorge”, com um reggaezinho baseado em “Don’t Worry, Be Happy”, de Bobby McFerrin (veja aqui a original).

O clipe começa com um discurso do candidato do PV, Eduardo Jorge, em defesa da legalização da maconha no debate da Band: “A medida que tem mais influência na diminuição da criminalidade é a legalização com regulação das drogas psicoativas ilícitas, porque é daí que sai o financiamento dos exércitos criminosos, para dominar penitenciar, para corromper policia e para fazer o sofrimento dos brasileiros”.

Logo depois, começa a música com a imagem ao fundo de um fósforo acendendo um cigarro de maconha. Uma voz feminina canta: “Eu já to cansado dessa onda quadrada, a Dilma ninguém não traga mesmo estando bolada, Eduardo… o Jorge”.

A partir daí, a letra da canção mostra imagens oficiais da campanha de Eduardo Jorge, com o logo do partido e o número. Assim, constrói a narrativa de uma propaganda oficial, mas com um tom diferente dos filmes do PV no horário político. No entanto, o clipe não está disponível na página da campanha.

Seria um vídeo da campanha para o público da internet?

O Blog Escrevinhador entrou em contato com a assessoria do candidato Eduardo Jorge, que declarou que, de fato, não se trata de um material oficial da campanha e que o produtor do vídeo não presta serviços para o partido.

No facebook, o perfil de Eduardo Jorge divulgou o vídeo da seguinte forma: “Nossa campanha não é financiada por empresas, apenas pessoas físicas. Nessa caminhada ganhamos até jingle e clip de doação. Acredito que muitos de vocês já assistiram, mas como ainda não tinha sido divulgado no facebook fica aqui nosso agradecimento”.


Quem seria o apoiador da campanha de Eduardo Jorge que produziu o vídeo, que tem uma edição profissional de imagem e de som?

O clipe está pendurado no canal do youtube de Pedro Guadalupe. A descrição do vídeo informa que a produção é da empresa Satis Marketing Digital e a direção é do próprio dono do canal.

O mais interessante é que Guadalupe, especialista em redes sociais, mora em Minas Gerais e presta serviços para o PSDB. Embora não seja formalmente vinculado à campanha, é próximo do candidato à presidência do partido, Aécio Neves.

Meses atrás, Guadalupe tentou cooptar para a campanha tucana Jeferson Monteiro, dono do perfil Dilma Bolada nas redes sociais. Monteiro deu trela para Guadalupe e depois divulgou na imprensa a oferta que recebera.

Por que o assessor de redes sociais do PSDB produziu e divulgou um vídeo para Eduardo Jorge?

O desespero bateu nos tucanos. A possibilidade do PSDB ficar fora do 2º turno da campanha presidencial pela primeira vez nos últimos 20 anos acendeu o sinal vermelho.

Assim, a tática da campanha tucana tem dois sentidos: conquistar votos para Aécio Neves, mas também tirar votos de Marina Silva, criando condições para passagem para o 2º turno.

Por isso, o clipe produzido por Guadalupe usa Eduardo Jorge como um instrumento em disputa nas redes sociais para tirar votos de uma parcela da juventude que tende a votar em Marina Silva.

Essa juventude dificilmente votaria em Aécio Neves, mas pode migrar para um candidato com um discurso próximo de Marina Silva, que pauta a defesa do meio ambiente e da legalização das drogas, critica a “polarização PT e PSDB” e não se coloca como direita ou esquerda.

Com isso, o especialista em redes sociais ligado ao PSDB, que sabe os limites do candidato tucano, escolheu Eduardo Jorge como o candidato mais viável para tirar votos de Marina Silva a partir de um trabalho nas redes sociais.

Então, é importante ficar esperto com os interesses que estão por trás das peças que circulam nas redes sociais, que podem parecer uma manifestação inocente política, mas esconde objetivos que não são desvelam à primeira vista.

Igor Felippe
No Escrevinhador
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A Escolha de Sofia da oposição

“tudo muda o tempo todo no mundo
não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo”.

Caetano Veloso

Uma semana para a eleição. A última pesquisa Datafolha apresenta, entre os votos válidos, 45% para Dilma, 30 para Marina, 20 para Aécio e 5% para os outros candidatos. Nesse quadro, Dilma precisa ganhar apenas 5 pontos dos adversários para vencer no primeiro turno. Não é uma tarefa fácil, mas não é impossível. Dilma teria que conquistar um pouco dos Não-Votos e um pouco de voto útil em cima dos adversários. A oposição no entanto não tem nisso a sua maior preocupação. Pensa apenas no segundo turno e o seu dilema é: quem vai ser rifado, Marina ou Aécio? Contas e mais contas, reuniões e mais reuniões estão sendo feitas para se chegar a um denominador comum. Os defensores de Aécio argumentam que ele é que tem maior capacidade administrativa, estaria mais preparado para derrotar Dilma e para domar o Congresso. Marina, para seus defensores, seria a novidade capaz de criar uma forte onda anti-PT e conseguir a vitória no segundo turno.

Mas acredito que a luz amarela está cada vez mais intensa na campanha da candidata da Rede. Ela começa a balançar em um momento que é difícil conseguir reverter o movimento. Há duas semanas escrevi que “Marina não foi favorecida pelo Horário Eleitoral. Primeiro, porque o tempo é curto (...) e o desempenho de Marina foi abaixo da crítica. Seu discurso é rancoroso, sem motivar ninguém”. Mas admiti que em “um possível segundo turno o programa de Marina pode melhorar bem. Primeiro, porque todo programa eleitoral que sai dos atuais 2 minutos para os 10 minutos do segundo turno ganha ares de vitorioso”. Ainda acho (sem muita convicção) que o mais provável é um segundo turno entre Dilma e Marina, mas não é o que pensa, por exemplo, Fernando Brito, do Tijolaço, que neste domingo me alertou para os arredondamentos estranhos do Datafolha em votos válidos, mostrando Marina e Aécio com 31% e 21%, quando deveriam ter 30% e 20%. Parece uma tentativa de reduzir o ritmo de avanço de Dilma, principalmente quando vemos na pesquisa anterior que a candidata petista teve seu índice reduzido em um ponto. Fernando Brito acredita que Aécio passa Marina.

O sociólogo Fabio Gomes, do Instituto Informa, aparentemente também acredita nessa possibilidade, embora prefira, em vez de fazer previsões, fazer reflexões. Ele me enviou esse texto com um gráfico de Padrões de Escolha Eleitoral:

Em recente palestra sobre comportamento eleitoral para executivos, evitei fazer previsões. Fiz, no entanto, reflexões com base em uma plataforma analítica que desenvolvi, alinhando a experiência nos últimos 17 anos de investigação do comportamento do eleitor e algumas Teorias das ciências políticas. Os quatro eixos para a escolha de uma candidatura podem subsidiar reflexões sobre o andamento das campanhas. Marina tem dificuldades com os dois primeiros (“competência para o exercício” e “competência política”) — e será muito testada e atacada nesses eixos nos próximos dias. Dilma, pela insatisfação com o governo, deverá argumentar os quatro eixos. Já Aécio, encontra dificuldades nos dois últimos eixos: “sentimentos despertados” e “imagem pessoal”. Melhor refletir do que prever. O comportamento eleitoral não é tão previsível como desejam alguns.

Pelo que entendi, a partir dessas reflexões, os participantes da palestra, que tenderiam para Marina, passaram a acreditar que Aécio teria mais condições para o cargo, poderia fazer mais frente a Dilma.

Agrego a isso percepções positivas de superação, que ele receberia por ultrapassar Marina na reta final. O que acho complicado é o tempo curto e a falta de unidade da oposição. Esse marécio em que a oposição navega contribui cada vez mais para que a sua escolha de Sofia transforme-se em escolha de Dilma...

No Blog do Gadelha
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Intenções de voto em Dilma Rousseff crescem e petista se distancia mais de Marina Silva

Na pesquisa estimulada de primeiro turno, a candidata do PT tem a preferência de 40,4% dos eleitores. Marina Silva tem 25,2%.

A 123ª rodada da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira (29) pela Confederação Nacional do Transporte, aponta novo crescimento de Dilma Rousseff (PT). Assim, no primeiro turno, ela fica mais distante de Marina Silva (PSB). Na pesquisa estimulada, a petista conta com 40,4% das intenções de voto, 4,4 pontos a mais que na rodada 122, divulgada na semana passada. Já a socialista aparece com 25,2%, com redução de 2,2 pontos em relação ao levantamento anterior. Aécio Neves (PSDB) aproximou-se de Marina, com 19,8% e aumento de 2,2 pontos.

Luciana Genro (PSol) cresceu de 0,9% para 1,2%. Já Pastor Everaldo (PSC) reduziu de 0,8% para 0,6%. Os outros candidatos aparecem com 0,5%, enquanto votos brancos e nulos somam 5,9%. Outros 6,4% não sabem ou não responderam.

Espontânea

A pesquisa espontânea também indica que, se a eleição fosse hoje, Dilma Rousseff e Marina Silva disputariam o segundo turno. A candidata do PT cresceu de 31,4% das intenções de voto para 36,7%, com variação de 5,3 pontos. Marina Silva permanece estável: nesta rodada, a socialista aparece com 22,5% das intenções, 0,5 ponto a menos que na pesquisa anterior.

Aécio Neves cresceu 3,1 pontos, alcançando a preferência de 17,5% dos eleitores. Luciana Genro foi citada por 0,9% dos entrevistados e Pastor Everaldo por 0,5%. Outros candidatos somam 0,7% e brancos e nulos totalizam 6,4%. Os eleitores que não sabem ou não responderam são 14,8%.

Para 80,8% dos entrevistados, o voto já está definido. Outros 18,5% admitem a possibilidade de mudar a preferência até o dia 5 de outubro. Os eleitores de Dilma Rousseff são os que têm mais certeza sobre o voto: 85,9% dizem que a opção é definitiva. No caso de Marina e de Aécio, o percentual de definição é de 77,8%, em cada.

Segundo turno

Na simulação de segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, essa é a primeira vez que a petista aparece à frente da socialista. Com vantagem de 9 pontos, Dilma tem 47,7% das intenções de voto, enquanto Marina aparece com 38,7%. Na pesquisa divulgada semana passada, as duas estavam tecnicamente empatadas. A candidata do PT tinha 42% das intenções enquanto a do PSB estava com 41%.

No cenário simulado entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, ela tem a preferência de 49,1% dos eleitores. O tucano aparece com 36,8%. No terceiro cenário, que simula a disputa de segundo turno entre Marina e Aécio, ela tem 41,1% das intenções de voto, contra 36% do candidato do PSDB.

Favoritismo dos candidatos

Também cresceu o percentual de eleitores que acreditam que a atual presidente será reeleita: de 51,2% para 61%. Já o total de entrevistados que aposta na vitória de Marina caiu de 29,2% para 21,6% e o percentual daqueles que acreditam que Aécio será eleito presidente passou de 7,7% para 8,3%.

Dilma e Marina devem receber mais votos de indecisos

Dilma Rousseff e Marina Silva lideram a lista dos candidatos com mais probabilidade de receberem votos de quem ainda não definiu a escolha. Dos entrevistados que se declaram indecisos, 43,8% dizem que poderão votar na petista; 40,6% citam Marina Silva; 28,9% poderão votar em Aécio; 2,3% em Eymael (PSDC); 1,6% no Pastor Everaldo; 0,8% em Eduardo Jorge (PV) e 0,8% em Luciana Genro. A resposta era de múltipla escolha.

Avaliação do governo

Na última semana, a avaliação positiva do governo cresceu. Segundo a 123ª pesquisa CNT/MDA, 41% dos entrevistados o consideram ótimo ou bom. Na rodada 122, o índice estava em 37,4%. A avaliação negativa passou de 25,1%, do levantamento anterior, para 23,5% no divulgado nesta segunda-feira.

Também com alta (de 4,2 pontos), a aprovação do desempenho pessoal de Dilma Rousseff chegou a 55,6%. O total de eleitores que a desaprovam caiu de 43,8% para 40,1%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 27 e 28 de setembro de 2014 e foram ouvidos 2002 eleitores. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais e o registro foi feito no TSE sob o código BR-00892/2014.

Para acessar a íntegra da 123ª rodada da pesquisa CNT/MDA, clique aqui.

No CNT
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Dilma aciona tratoraço contra Marina e Aécio para tentar vitória no primeiro turno; fala de Fidelix causa indignação

Candidatos conversam com assessores durante intervalo de debate na TV Record
Sorteada para fazer a primeira pergunta no debate promovido pela TV Record, no domingo à noite, a candidata Dilma Rousseff acionou o tratoraço contra a adversária Marina Silva. No preâmbulo da pergunta, disse que a candidata do PSB “mudou de partido” e de posição e perguntou por que Marina, quando senadora, “votou quatro vezes contra a criação da CPMF”, o imposto do cheque já extinto cujos recursos eram voltados exclusivamente para o orçamento da Saúde.

Marina não respondeu diretamente à pergunta.

Eram 11h50 da noite quando, num dos intervalos do debate, entrou um comercial de 15 segundos da campanha de Dilma batendo na mesma tecla. Depois de demonstrar que Marina falou uma coisa em um debate anterior — que apoiava a CPMF — e de mostrar os registros de votos contrários dela no Senado, o narrador concluiu: “Agora, falar que fez o que nunca fez, isso tem nome”. O comercial leva o telespectador a concluir que Marina mentiu.


A agressividade de Dilma Rousseff, que buscou confrontos diretos com Marina e Aécio Neves (PSDB) durante o debate da Record, é reveladora da estratégia petista na reta final. Expressa a crença na cúpula da campanha de que é possível garantir a vitória já no primeiro turno.

As pesquisas mais recentes mostram que Dilma cresceu tomando votos de Marina e convencendo indecisos. Na mais recente pesquisa Datafolha a presidente atingiu 45% dos votos válidos. Para chegar aos 50%, é indispensável que continue ganhando votos diretamente de Marina no mesmo ritmo que ganhou na semana passada.

A audiência do debate na Record demonstra interesse do eleitor na reta final. O programa bateu em 10 pontos, chegou a líder da audiência na Grande São Paulo e quando terminou, por volta de 30 minutos de segunda-feira, estava em segundo lugar com 8 pontos. Cada ponto equivale a cerca de 100 mil domicílios da região metropolitana.

A estratégia dos marqueteiros de Dilma Rousseff tem sido a de usar os debates para produzir trechos de fala que serão reaproveitados no programa eleitoral da candidata, de mais de 12 minutos. Por isso, no debate da Record Dilma falou mais de uma vez em sua estratégia para combater a corrupção atacando a impunidade.

É a defesa antecipada numa semana que deve ser marcada por novas denúncias de corrupção envolvendo a coalizão governista, como é tradicional desde que o ex-presidente Lula assumiu o Planalto, em 2003.

Em 2006 e 2010, os eleitores foram às urnas em meio às denúncias de escândalos propagados pela mídia corporativa, especialmente pela coalizão Globo-Abril-Folha-Estadão.

Uma dica de que novas denúncias virão foi dada pelo próprio candidato Aécio Neves, que durante o debate na Record confrontou Dilma, lembrando que uma revista “de credibilidade” — certamente ele se referia à Veja — tinha noticiado que a campanha do PT em 2010 teria pedido dinheiro, através do ex-ministro Antonio Palocci,  ao esquema montado na Petrobras pelo então diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, com a participação do doleiro Alberto Youssef.

Desta feita, tudo indica que a “bala de prata” normalmente disparada pela mídia em véspera de votação será relacionada ao doleiro Youssef, que desde o escândalo do Banestado operou amplamente nos bastidores da política e do empresariado brasileiros.

No debate da Record, Aécio argumentou que só o dinheiro desviado pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, daria para colocar 450 mil crianças em creches e construir 50 mil casas do Minha Casa, Minha Vida. Com isso, sinalizou que na reta final deverá concentrar seus esforços para chegar ao segundo turno usando o tradicional “mar de lama” contra os governistas.

O tucano relacionou o desperdício de recursos públicos essenciais com a corrupção na Petrobras durante resposta à candidata Dilma, que quis saber se Aécio assumia o compromisso público de não privatizar a petrolífera.

Para a presidente, bater ao mesmo tempo em Marina e Aécio faz sentido, para evitar que o tucano fique com os eleitores que desistirem da candidata do PSB.

No embate com Aécio, Dilma sugeriu que por trás das denúncias contra a Petrobras existem os que pretendem enfraquecer a estatal para depois vendê-la. Teve a oportunidade de encaixar dois fatos notórios, o de que os tucanos venderam ações da petrolífera na bolsa de Nova York e tentaram mudar o nome da empresa para Petrobrax.

Marina Silva usou seu tempo no debate para dizer que vem sendo vítima de boatos: desmentiu que pretende mexer com o Bolsa Família e com o direcionamento do crédito público, que sustenta tanto o crédito rural quanto programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.

Foram entrevistas de assessores de Marina Silva que levaram outros economistas, como André Biancarelli, da Unicamp, a sustentar que mudanças no direcionamento de crédito poderiam colocar em risco setores importantes da economia brasileira.

Durante o debate na TV Record, em um dos embates que travou com Marina, a presidente Dilma lembrou que o crédito direcionado dos bancos públicos representa mais de R$ 1,3 trilhão.

Não há qualquer dúvida de que o programa de governo de Marina Silva considera “exausto” o modelo de crédito que vigiu durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. É só conferir no programa:

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Segundo o programa da coalizão liderada pelo PSB, um dos objetivos de Marina será o de reduzir o custo do crédito para as classes mais baixas.

Durante o debate, além de reclamar de que é vítima de boatos infundados, Marina Silva prometeu extinguir o papel do BNDES como favorecedor “de meia dúzia” de empresários, reafirmando acusação que já foi rebatida pelo assessor da presidência, Fábio Kerche, que apontou que Marina foi “imprecisa” sobre a atuação do BNDES 4 vezes em uma única frase.

* * *

Demonstrando qual será o foco dos ataques contra Marina nos próximos dias, ainda na madrugada a equipe de Dilma distribuía por e-mail o seguinte texto:

Marina diz que votou a favor da CPMF, mas votou contra, e Dilma diz que ‘governar requer firmeza, coragem, posições claras e atitude firme’

Durante o debate entre candidatos à Presidência da República promovido pela Rede Record, Dilma Rousseff questionou a constante mudança de posicionamento da candidata Marina Silva sobre assuntos importantes ao País, e afirmou que “Governar requer firmeza, coragem, posições claras e atitude firme. Não dá para improvisar”.

A candidata do PSB afirmou ter votado a favor do Fundo de Combate à Pobreza, cuja composição seria feita por meio de recursos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e impostos sobre cigarro. Contudo, Marina Silva votou contra a CPMF. Registros do site do Senado Federal (“votações nominais”) mostram que Marina ficou contra o tributo em 1995 e em 1999. Em 2002, a candidata do PSB não registrou seu voto, o que, no caso de propostas de emenda constitucional, equivale a ser contrário, uma vez que é preciso ter 49 votos “sim” para a aprovação.

Confira abaixo a tramitação da CPMF no Senado e os votos da então Senadora Marina Silva:

PEC 40/1995: Dispõe sobre a instituição de contribuição social para o financiamento das ações e serviços de saúde. Proposta foi aprovada e transformada em lei (Emenda à Constituição nº 12/1996).

Votação em 1º turno (18/10/1995) = Senadora Marina Silva votou contra

Votação em 2º turno (08/11/1995) = Senadora Marina Silva votou contra

PEC 34/1998: Prorroga, alterando a alíquota, a cobrança da contribuição a que se refere o artigo 74 do ato das disposições constitucionais transitórias por 36 meses. Proposta foi aprovada e transformada em lei (Emenda à Constituição nº 21/1999).

Votação em 1º turno (06/01/1999) = Senadora Marina Silva votou contra

Votação em 2º turno (19/01/1999) = Senadora Marina Silva votou contra

PEC 18/2002:  Altera os artigos 100 e 156 da Constituição Federal e o artigo 81 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e acrescenta os artigos 84, 85, 86, 87 e 88 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (Prorroga a vigência da CPMF até 31/12/2004). Proposta foi aprovada.

Votação (04/06/2002) = Senadora Marina Silva estava presente no plenário, mas não registrou voto.

* * *

Nos bastidores do debate, quando os bancos e banqueiros foram citados pela primeira vez, a platéia buscou registrar a reação da educadora Neca Setubal, acionista do Banco Itaú, que chegou junto com a candidata Marina Silva. Entre Neca e o presidente do Partido Socialista Brasileiro, Roberto Amaral, uma cadeira vazia foi ocupada por uma bolsa. “Entre a banqueira e o socialista, há uma Prada”, observou uma ferina observadora da cena.

A baixaria da noite ficou por conta do candidato Levy Fidelix, do PRTB. Quando debatia com Luciana Genro (PSOL) sobre a união civil de iguais, Fidelix afirmou que “dois iguais não fazem filho e o aparelho excretor não reproduz”. “Vamos enfrentar essa minoria”, conclamou ele, se dizendo avô e pai com “vergonha na cara”. Fidelix sugeriu que “esses que tem esse problema”, os homossexuais, busquem atendimento psicológico, mas não por perto.


O candidato do PRTB produziu outras frases folclóricas no debate da Record. Disse, por exemplo, que o Brasil corre o risco de uma “invasão bolivariana” e que enfraquecer o Exército brasileiro é parte de uma estratégia calculada do governo Dilma para permitir o sucesso de tal invasão.

As frases de Fidelix sobre a união civil causaram repúdio e indignação nas redes sociais. Ele confundiu deliberadamente homossexualismo com pedofilia. Curiosamente, não foi cobrado na réplica pela candidata do PSOL. Os demais candidatos também não se manifestaram sobre o assunto nas entrevistas pós-debate.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Vazamento premiado e o fator Youssef


Novembro/dezembro de 1989: com a possibilidade de um candidato metalúrgico chegar ao poder, a elite dominante se uniu para fechar a porta do Planalto. A empreitada produziu momentos inesquecíveis da baixaria eleitoral.

Primeiro foram atrás de uma ex-mulher de Lula para "acusá-lo" de defender o aborto. Não bastou. Com a ajuda da polícia paulista, o sequestro do empresário Abilio Diniz foi atribuído a grupos internacionais supostamente simpáticos ao PT. Fotografias de sequestradores com a camiseta do partido circularam sorrateiramente, de preferência nem tanto.

Também era pouco. Faltava a televisão. Numa edição que o então diretor de jornalismo da TV Globo, Armando Nogueira, admitiu anos depois ter sido enviesada, o debate entre Lula e Collor carregou nas tintas em favor do autointitulado caçador de marajás. Para fechar o cerco, denúncias de fraude em massa na Bahia foram sufocadas para selar a vitória de Collor. O resto é de todos conhecido.

Setembro/outubro de 2014: numa sucessão galopante, "denúncias" e mais "denúncias" aparecem para tentar provar que o governo petista não passa de uma quadrilha de saqueadores. A origem são as tais delações premiadas, diante das quais dispensam-se provas ou evidências cabais. O réu fala o que quiser, e seria um sinal de retardo mental acreditar que vá falar algo em seu prejuízo.

Basta ver as reportagens. Os verbos mais usados são indicam, sugerem, supõem, fazem crer, sinalizam — tudo com muito cuidado para, ao mesmo tempo, espalhar a dúvida e escapar de processos. Chega-se ao ponto de acusar o ex-ministro Antonio Palocci de pedir a doleiros recursos para a campanha de Dilma. Mas a mesma reportagem reconhece não haver provas de que o dinheiro jorrou. Lembra aquela outra peça de ficção, assinada por um hoje influente assessor de governo tucano, que acusava petistas de ganhar por fora, mas declarava, ao mesmo tempo, não ter condição de confirmar ou desmentir as próprias afirmações transformadas em capa! Nota: nada foi comprovado.

O clima agora é parecido, mas os personagens atrapalham a oposição. O frisson do momento é a delação premiada de Alberto Youssef. Mas quem é Youssef? Um mergulho num passado não tão distante mostra que ele foi um dos doleiros usados pelo então operador do caixa do PSDB, Ricardo Sérgio, para "externalizar", num linguajar ao gosto da legenda, propinas da privatização selvagem dos anos 1990.

Youssef é velho de guerra tanto em delitos como em delação premiada. Já fez uma em 2004, na época da CPI do Banestado, quando se comprometeu a nunca mais sair da linha. O tamanho de sua confiabilidade aparece em sua situação atual. Está preso de novo. Quem diz é o Ministério Público: "Mesmo tendo feito termo de colaboração com a Justiça (...), voltou a delinquir, indicando que transformou o crime em verdadeiro meio de vida." É num sujeito com tal reputação que oposicionistas apostam suas fichas.

Resumo da ópera: sem investigação a fundo, nada vale. Espera-se que a esdrúxula teoria do domínio do fato tenha sido enterrada na gestão Joaquim Barbosa, atualmente mais preocupado com tarifas telefônicas. Goste-se ou não, o bueiro escavado em governos pregressos e nas privatizações feitas no "limite da irresponsabilidade" está sendo aberto pelas administrações petistas. Talvez por isso Dilma tenha deslanchado nas pesquisas, enquanto Marina e Aécio (com aquele ar de falsa virgem já inúmeras vezes deflorada) patinam nas intenções de voto.

Ricardo Melo
No fAlha
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O debate na Record na íntegra

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De extravagância a excrescência: por que o eleitor é obrigado a conviver com Levy Fidelix

Ele
“Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais, aparelho excretor não reproduz. Tem candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses votos, mas ser pai, avô que instrua seu neto. Não vou estimular a união homoafetiva. Se está na lei, que fique como está”, disse Levy Fidelix, no momento que marcou o debate mais agressivo entre os candidatos à presidência.

“Se começarmos a estimular isso aí, a população do Brasil vai cair de 200 milhões para 100 milhões. Vai andar pela Paulista pra você ver. Somos maioria vamos combater essa minoria.”

Em alguns minutos, Levy Fidelix foi de extravagância eleitoral a excrescência. Pegou de surpresa quem acreditou em sua fantasia psicodélica de tio do pavê obcecado por trens.

Levy nunca teve plataforma e não tem condições de ser síndico. Seu desempenho o transformou em garoto-propaganda de uma lei que proteja homossexuais de animais que lhes declarem guerra.

Fidelix, do PRTB, disputa o Palácio do Planalto pela terceira — TERCEIRA — vez. “Vou endireitar o Brasil e combater a presidente Dilma Rousseff”, avisou. Sua sobrevivência depende dessas aparições. Em 2012, quando disputou a prefeitura de São Paulo, entrou na Justiça para garantir a presença no debate da Globo. Conseguiu uma liminar, mas o encontro foi cancelado.

A quantidade de pequena siglas é um absurdo sustentado por dinheiro público. O fundo partidário dá 1 milhão à agremiação de Levy. Ele reclamou do dinheiro no SBT. (A candidatura de Alckmin tem colocado dinheiro nos nanicos que a apoiam. Segundo a Folha, o repasse de um milhão de reais para seis partidos saiu de doações das construtoras Queiroz Galvão e OAS).

Esta é sua décima aventura nas urnas. É uma doença com a qual você acaba se acostumando porque parece inofensiva depois de tanto tempo. Não é. Levy resume os problemas mais graves da nossa legislação eleitoral.

Como dono do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, não faz outra coisa da vida a não ser se candidatar e surgir a cada dois anos para sua pantomima.

Sua incompetência na área é assombrosa: começou em 1986, quando saiu para deputado federal pelo PL. Em 1989, foi assessor de comunicação de Collor de Mellor. Em 1990, tentou o mesmo cargo pelo PTR. Nada.

Em 1994, inventou sua legenda e saiu para presidente.

Prefeito, vice-prefeito, deputado estadual, vereador — nunca foi eleito. Em 2010, presidência novamente. Teve 57 mil votos.

Como sempre, os segundos de propaganda na televisão serão “negociados”. Está tudo à venda. Em 2011, escutas telefônicas da Polícia Federal revelaram que Carlinhos Cachoeira quis comprar o PRTB em Goiás.

“O Levy não vence, mas as ideias vencem”, afirmou. Suas ideias, as poucas que podem ser divulgadas, também estão vencidas. É patético que o eleitor brasileiro seja obrigado a conviver com anões morais, esfregando sua indigência mental e sua desfaçatez em sua cara.

Kiko Nogueira
No DCM
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Como Laerte viu Levy

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Stanislaw Ponte Preta — 46 anos sem Sérgio Porto

Em pé: Sérgio Porto e Tia Zulmira
Sentados: Bonifácio, Rosamundo e Altamirando



Biografia

“ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, teatrólogo ora em recesso, humorista, publicitário e bancário”.

OUTRAS ATIVIDADES: Marido, pescador, colecionador de discos (só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta, hoje cardíaco. Mania de limpar coisas tais como livros, discos, objetos de metal e cachimbos.

PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES: Mulher.

QUALIDADES PARADOXAIS: Boêmio que adora ficar em casa, irreverente que revê o que escreve humorista a sério.

PONTOS VULNERÁVEIS: Completa incapacidade para se deixar arrebatar por política. Jamais teve opinião formada sobre qualquer figurão da vida pública, quer nacional, quer estrangeira.

ÓDIOS INCONFESSOS: Puxa-saco, militar metido a machão, burro metido a sabido e, principalmente, racista.

PANACÉIAS CASEIRAS: Quando dói do umbigo para baixo: Elixir Paregórico. Do umbigo para cima: aspirina.

SUPERTIÇÕES INVENCÍVEIS: Nenhuma, a não ser em véspera de decisão de Copa do Mundo. Nessas ocasiões comparativamente qualquer pai-de-santo é um simples cético.

TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS: Passear na chuva, rir em horas impróprias, dizer ao ouvido de mulher besta que ela não tão boa quanto pensa.

MEDOS ABSURDOS: Qualquer inseto taludinho (de barata pra cima).

ORGULHO SECRETO: Faz ovo estrelado como Pelé faz gol. Aliás, é um bom cozinheiro no setor mais difícil da culinária: o trivial.

Assinado, Sérgio Porto, agosto de 1963.”.

Sérgio Porto com as filhas
Filho de Américo Pereira da Silva Porto e de D. Dulce Julieta Rangel Porto, Sérgio Marcos Rangel Porto, um cidadão acima de qualquer desfeita, nasceu no Rio de Janeiro em pleno verão, no dia 11 de janeiro de 1923, e ficou famoso anos depois sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, emprestado a Oswald de Andrade (vide Memórias de Serafim Ponte Grande). Foi casado com Dirce Pimentel de Araújo, com quem teve três filhas: Gisela, Ângela e Solange.

Dizem seus estudiosos que no citado livro teria encontrado seu grande filão: a irreverência. Começou uma obra carioquíssima, até hoje insuperável, transpondo para jornais, livros e revistas o saboroso coloquial do Rio de Janeiro. Afirmam, também, que as melhores crônicas são aquelas onde a disposição de desfazer o sentido de uma palavra ou de uma situação não se manifesta apenas no final do enredo, mas parece atingir a estrutura da narrativa; quer dizer, a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece substituído por outro, totalmente inesperado (vejam abaixo Menino Precoce e A Charneca, por exemplo).

Era um mestre das comparações enfáticas:

"Mais inchada do que cabeça de botafoguense” “Mais assanhado do que bode velho no cercado das cabritas” “Mais suado do que o marcador de Pelé” “Mais duro do que nádega de estátua” “Mais feia do que mudança de pobre” “Mais murcho do que boca de velha"

Traçou, em 12 palavras, o retrato de uma época, os tais anos dourados nada permissivos, quando o preconceito prevalecia, principalmente em matéria de sexo:

"Se peito de moça fosse buzina, ninguém dormia nos arredores daquela praça". Antes da liberação sexual, as praças e outros cantinhos escuros eram, então, um buzinaço.

Criador de Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando, foi com seu Festival de Besteira que Assola o País — FEBEAPÁ, lançado em plena vigência da Redentora, apelido do golpe militar de 1964, que ele alcançou seu grande sucesso. Stanislaw afirmava ser difícil precisar o dia em que as besteiras começaram a assolar o Brasil, mas disse ter notado um alastramento desse festival depois que uma inspetora de ensino no interior de São Paulo, portanto uma senhora de nível intelectual mais elevado pouquinha coisa, ao saber que o filho tirara zero numa prova de matemática, embora sabendo tratar-se de um debilóide, não vacilou em apontar às autoridades o professor da criança como perigoso agente comunista.

Outras besteiras colhidas pelo autor: “No mesmo dia em que o governo resolvia intervir em todos os sindicatos, resolvia mandar uma delegação à 16ª Sessão do Conselho de Administração da OIT, em Genebra. Ao Brasil caberia exatamente fazer parte da Comissão de Liberdade Sindical. Na mesma ocasião, um time da Alemanha Oriental vinha disputar alguns jogos aqui e então o Itamaraty distribuiu uma nota avisando que eles só jogariam se a partida não tivesse cunho político. Em Mariana, MG, um delegado de polícia proibia casais de se sentarem juntos na única praça namorável da cidade, baixando portaria dizendo que moça só podia ir ao cinema com atestado dos pais. Em Belo Horizonte, um outro delegado distribuía espiões pelas arquibancadas dos estádios. Dali em diante quem dissesse mais de três palavrões ia preso.”.

Na mesma época (1954) em que o jornalista Jacinto de Thormes publicou na revista Manchete a lista das "Mulheres Mais Bem Vestidas do Ano", Stanislaw, que escrevia na mesma revista sobre teatro-rebolado, não quis ficar por baixo e inventou a lista das "Mulheres Mais Bem Despidas do Ano". Com a grita das mães das vedetes, passou a usar uma expressão ouvida de seu pai — "Olha só que moça mais certa" — e estavam, assim, criadas as "certinhas" do Lalau. De 1954 a 1968 foram 142 as selecionadas. Dentre outras, podemos citar Aizita Nascimento, Betty Faria, Brigitte Blair, Carmen Verônica, Eloina, Íris Bruzzi, Mara Rúbia, Miriam Pérsia, Norma Bengell, Rose Rondelli, Sônia Mamede e Virgínia Lane.

Ao contrário do que parecia ser — um cara folgado, brincalhão, gozador e pouco chegado ao labor, Sérgio Porto, por suas inúmeras atribuições, era um lutador. Nos últimos anos de vida tinha uma jornada nunca inferior a 15 horas de trabalho por dia. "Só estou levantando o olho da máquina de escrever pra botar colírio. Hoje fui gravar na televisão e antes foi aquela batalha contra as teclas. Estou trabalhando demais, outra vez. Só para esta semana: seis Stanislaws, um Fatos & Fotos, um final apoteótico para o novo programa do Chico Anísio, roteiro e script para aquela bosta chamada Espetáculos Tonelux, depois quadros humorísticos para a TV Rio, Miss Campeonato, Da Boca pra Fora, o programa de rádio Atrações A-9, além da revisão do livro O Homem ao Lado que será reeditado no próximo mês e da gravação do programa Qual é o assunto?" Para alguém que teve seu primeiro infarto ao 36 anos, era demais.

"Tunica, eu tô apagando". Essas foram às últimas palavras ditas pelo autor ao sofrer seu derradeiro infarto, no dia 29 de setembro de 1968.

* * *
Menino Precoce

Diz que era um menino de uma precocidade extraordinária e vai daí a gente percebe logo que o menino era um chato, pois não existe nada mais chato que menino precoce e velho assanhado. Todos devemos viver as épocas condizentes com as nossas idades; do contrário, enchemos o próximo.

Mas deixemos de filosofias sutis e narremos: diz que o menino era tão precoce que nasceu falando. Quando o pai soube disso não acreditou. O pai não tinha ido à maternidade, no dia em que o filho nasceu, não só porque não precisava, como também porque tinha que apanhar uma erva com o Zé Luís de Magalhães Lins, para pagar a délivrance, que era quase o preço de um duplex, pois a mulher cismou de ir para a casa de saúde do Guilherme Romano.

Mas isto também não vem ao caso. O que importa é que o menino já nasceu falando. Quando o pai soube da novidade, correu à maternidade para ouvir o que tinha o menino a dizer. Chegou perto da incubadeira e o garoto logo se identificou com um "oba". O cara ficou assombrado e mais assombrado ficou quando o nenenzinho disse:

— Papai vai morrer às duas horas! — dito o quê, passou a chupar o bico da mamadeira e mais não disse nem lhe foi perguntado.

O cara voltou para casa inteiramente abilolado. Sem conter o nervosismo, não contou pra ninguém a previsão do menininho precoce, mas ficou remoendo aquilo. Dez e meia, onze, meio-dia... e o cara começou a suar frio. Uma da tarde, o cara já estava suando mais que o marcador de Pelé. Quando deu duas horas ele estava praticamente arrasado e quando passou da hora prevista um minuto ele começou a se sentir mais aliviado. E estava dando o seu primeiro suspiro, quando ouviu um barulho na casa do vizinho. Uma gritaria, uma choradeira. Correu para ver o que era: o dono da casa tinha acabado de falecer.

* * *

A Charneca

Então, na esperança vã de me livrar do tormento de amar-te, adormeci um pouco. E se digo vã, amor, é porque logo fiquei a sonhar contigo, a te dizer quanto vai em mim de amor, doce, terno, perdido amor às vezes; candente, nervoso, incontido amor, tantas vezes.

Oh, os sonhos de amor, querida! Nele eras tão outra, tão Julieta, tão Isolda, tão Marília. E eu tão o Romeu do segundo ato, tão o Tristão da primeira ária, tão o Dirceu de antes do desterro!

Vinhas lentamente para os meus braços ansiosos, terna e eterna, simples e definitiva, como o barco que parte para o naufrágio. Tu, mulher que já caminhavas para mim, antes mesmo do dia em que te conheci. Para mim, que vivia na certeza de que de algum lugar virias, imponderável, como soem ser os destinos do amor.

No sonho sorríamos, no sonho éramos nós dois para sempre e um dia. Tu, esquecida de tantas ingratidões, eras o mais puro dos pecados. Eu, vivendo o momento em que o homem prova a si mesmo ter um pouco de eternidade, olvidava antigos dissabores, as noites sofridas, as lágrimas caídas, a dor.

E tão glorioso fiquei, que em mim couberam todas as glórias, abateram-se sobre minha cabeça todos os hinos, e se Beethoven eu fosse, passaria, num átimo, da Patética à Heróica. Que incontida alegrias! Desprendi-me de ti e saí a correr pela charneca.

Na verdade eu nem sei o que é charneca, mas isto fica bacana pra burro, em romance inglês.
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DataCaf do fim de semana. Vai no primeiro turno!

Mais uma potoca da Bláblá e ela volta a 2010.


As equipes do DataCaf se atrasaram um pouco, mas conseguiram produzir, na segunda-feira de manhã, o tracking elaborado entre sábado e domingo, em especial homenagem ao 'Ataulfo'.

Ele andou dizendo por aí que o tracking do DataCaf não tem a consistência técnica do Globope e do Datafalha.

Taí, nisso ele tem razão.

Nossa tecnologia é outra.

Aqui a gente controla a “margem de erro”.

Não tem esse negócio de levar pra lá e pra cá, conforme a demanda…

Sendo assim, o amigo navegante pode começar a se acostumar à hipótese cada vez mais plausível de que o 'Ataulfo' será dispensado de eleger o Aecioporto no segundo turno.

Primeiro, porque o Aecioporto do Titio não iria ao segundo turno, nem em São João del-Rei.

Segundo, porque não deve haver segundo turno.

Dilma está com 43 e a Bláblá, em decadência acelerada, sonora, tem 23.

Aecioporto chegou a gloriosos 16 pontos, o que é compatível com a audiência dos comentários do 'Ataulfo' na GloboNews e na CBN.

É o que dá pra fazer…

Quer brincar de segundo turno, Montenegro?

Quer dizer que a Bláblá ganha no segundo?

Pois, segundo esse DataCaf, no segundo turno a Dilma teria 47 contra 39 da Bláblá.

Tem uma semana ainda de campanha.

Com mais um comercial como esse da CPMF, a Bláblá acaba como em 2010.

Como uma nuvem passageira.

E o PSDB fica do tamanho da UDN.

Só existe em São Paulo.

De onde comandará a resistência de 1932!

Quem mandou levar o FHC para o palanque?

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Corrupção embolsa dinheiro enviado para obras após enchentes de 2010

Fantástico: Corrupção embolsa verba federal enviada para obras após enchentes de 2010



Dois governos estaduais. Um do PSB (Pernambuco). Outro do PSDB (Alagoas). Três Prefeituras - Duas do PSB (De novo?) e outra do PSD... E você aí acreditando neste papo de Nova Política de Paulo Câmara e Marina Silva do PSB (!!!!)...

No O Cachete
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O que Marina Silva e Celso Russomanno têm em comum

Russomanno
O Brasil é pródigo em “novidades” políticas, figuras que aparecem com a promessa de ser contra tudo isso que está aí — até o eleitor se dar conta de que, feliz ou infelizmente, isso não existe.

Marina Silva é apenas o exemplar mais recente da série. O atual esvaziamento de sua candidatura lembra outro caso surgido em 2012 em São Paulo: o de Celso Russomanno, que também representava o “novo”.

Candidato do PRB à prefeitura, Russomanno apareceu como um furacão na campanha. Chegou a liderar com 17 pontos de vantagem sobre o segundo colocado a menos de um mês do primeiro turno. Faltando dez dias, eram oito pontos.

Marina não ficou na frente na corrida, mas subiu como um foguete desde a morte de Eduardo Campos, até começar sua queda consistente. No último Datafolha, estava com 27%, contra 18% de Aécio. Ela tendendo para baixo, ele para cima.

Russomanno murchou numa velocidade mais alta que MS, perdendo um ponto por dia na quinzena anterior à eleição. Marina perdeu mais ou menos meio ponto por dia nos últimos dezessete.

Celso Russomanno passou por um processo de — vá lá — desconstrução parecido com o de Marina. Apenas o termo não tinha o peso que Marina colocou sobre ele, como se fosse necessariamente um problema.

Não é. Depende de quem ou o que está sendo desconstruído.

Russomanno era um populista da escola malufista, apoiado pela Igreja Universal, um aventureiro. O início de sua derrocada se deu com uma matéria no DCM em que o jornalista Joaquim de Carvalho contava os bastidores de uma capa que havia feito para a Veja São Paulo.

Ele ainda cometeria a bobagem de propor um bilhete único em que o usuário pagaria por quilômetro, prejudicando quem mora na periferia. Marina não é uma arrivista como o colega do PRB. Tem uma carreira como senadora e ministra e uma biografia notável.

Mas os dois acabam ficando parecidos na vulnerabilidade da maneira como se apresentam. As contradições de Marina, as acusações, as alianças a tornaram um alvo não muito complicado dos ataques. A Marina que simbolizava uma esperança difusa nas manifestações não parava em pé. Restou a Marina da vida real.

Russomanno terminou em terceiro lugar, atrás de José Serra. Segundo o Ibope, hoje lidera as intenções de voto para deputado federal, juntamente com Tiririca, Maluf e Feliciano.

Ninguém desaparece para sempre na política brasileira.

Kiko Nogueira
No DCM
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