28 de set de 2014

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#Dilma13MaisBrasil


 Arrancada Final 

PT se mobiliza para tentar vitória sem segundo turno

Militantes nas ruas na última semana de campanha
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Gráficos imprescindíveis

O escritor Fernando Morais divulgou hoje três gráficos publicados em junho pelo jornal americano Washington Post, que mostram o crescimento dos investimentos sociais, a queda do desemprego e a redução da pobreza e miséria nos governos Lula e Dilma, em comparação com o governo anterior, do PSDB.

Para Fernando Morais, "deveríamos fazer panfletagem com esses gráficos. É bom ter esses números na cabeça da hora de votar para presidente. O resto é nhém-nhém-nhém, mimimi, conversa para enganar trouxa".


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Como a Dinamarca regula a sua mídia


A mídia britânica, nos últimos 60 anos, tem sido auto-regulada, como a brasileira. O escândalo do News of the World — que chocou a opinião pública depois que se soube que o tabloide de Murdoch invadira a caixa postal de uma garota de 13 anos sequestrada e morta — mostrou os limites da auto-regulação.

Para usar uma palavra, a auto-regulação fracassou miseravelmente na Inglaterra.

Os ingleses entraram em 2014 dando os toques finais num novo sistema de monitoramento da mídia. O ponto principal é que a auto-regulação será substituída por um modelo em que o órgão fiscalizador é independente das empresas jornalísticas. E também — vital — dos partidos políticos e do governo.

O Brasil, cedo ou tarde, e quanto mais cedo melhor, vai ter que enfrentar a mesma realidade: a falência da auto-regulação na mídia e, consequentemente, a necessidade de dar um passo adiante. O maior obstáculo reside nas grandes empresas de jornalismo, que por obtusidade ou má fé, ou uma mistura de ambas as coisas, rechaçam discussão preliminarmente sob o argumento, aspas, de que se trata de “censura” para a “imprensa livre”.

A não ser que consideremos a mídia acima da sociedade, o Brasil não poderá ficar acorrentado eternamente a uma auto-regulação que, como na Inglaterra, é nociva ao interesse público.

Não é certo que o interesse de milhões de brasileiros fique subordinado ao de quatro ou cinco famílias.

Há um modelo bom no qual se espelhar, e não estou falando da Lei de Meios da Argentina, que já nasce no seio de uma guerra entre o governo Kirchner e o Clarín. É melhor olhar para a Dinamarca do que para a Argentina. Os ingleses fizeram isso.

Sempre surge a Escandinávia, como o DCM tem afirmado exaustivamente, quando se trata de identificar ações de uma sociedade realmente avançada.

Os dinamarqueses encontraram uma forma de, preservada a liberdade de imprensa, controlar os excessos prejudiciais à sociedade como um todo.

O Brasil deveria estudar o caso aplicadamente.

Vigora, lá, uma “co-regulação”. Um comitê, presidido por um juiz da suprema corte, é formado por um grupo composto por 12 pessoas. Seis são designadas pela indústria da mídia, e seis pelo governo. (Nenhum destes seis últimos é funcionário do governo, mas pessoas que as autoridades entendem que dominam o assunto, contribuem para o debate e são independentes da indústria.)

O comitê tem um orçamento anual de cerca de 700 mil reais, bancados pelos jornais. Estes se comprometem a acatar as decisões.

Em 2012, foram encaminhadas ao conselho 157 queixas. Quarenta e duas foram consideradas legítimas. Os jornais que cometeram infrações publicaram, como sempre ocorre, o parecer do comitê na íntegra.

Retificações por erros cometidos, na Dinamarca, têm que ser visíveis. Devem estar na primeira página, com destaque. Recentemente, por exemplo, uma enfermeira foi erradamente citada como cúmplice num esquema de pedofilia. A correção veio na primeira página de quem cometeu o erro.

O conselho não estipula indenizações. Isso fica a cargo da justiça comum.

O Brasil, como a Inglaterra está fazendo, poderia olhar para o exemplo dinamarquês de “co-regulação” da mídia. Deveria. É muito mais avançado do que o que existe no Brasil – como, aliás, quase tudo que diga respeito ao modo de operação da sociedade escandinava.

O sistema dinamarquês não coíbe a livre imprensa — e sim a aperfeiçoa. E o Brasil precisa de uma mídia melhor do que a que temos, muito mais apegada a seus próprios interesses do que aos do país.

Paulo Nogueira
No DCM
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"Tragetória fAlha"

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Sheherazade dá prejuízo ao SBT

Na semana passada, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil contra o SBT pelo crime de incitação ao ódio. O motivo foi a declaração da âncora Rachel Sheherazade, em fevereiro último, que defendeu atos de barbárie contra um jovem negro acorrentado num poste no centro do Rio de Janeiro. Desta forma, o MPF acata solicitação da bancada do PCdoB na Câmara Federal, que ingressou com representação em março. O órgão pede, em caráter liminar, que o SBT veicule a retratação dos comentários da jornalista, sob a pena de multa de R$ 500 mil ao dia, em caso de descumprimento. Silvio Santos, o dono da emissora, terá de engolir o gesto fascistóide de sua apresentadora!

Para a deputada Jandira Feghali (RJ), líder da bancada do PCdoB, a decisão do MPF ajuda a coibir a apologia ao crime praticada por empresas que exploram concessões públicas de tevê. Afinal, Rachel Sheherazade, famosa por suas posições fascistas, pregou abertamente o uso tortura, o que é vetado pelo Constituição, e legitimou o crime de “justiceiros”, afirmando que a ação era em legítima defesa. “Não se pode confundir liberdade de expressão com incitação ao crime. A gente luta pela liberdade de expressão há décadas! Mas a jornalista fez clara menção contra os direitos humanos, propagando uma mensagem de ódio e intolerância. E isso tudo com recursos públicos”, argumenta a parlamentar.

Pela ação civil pública, a emissora de Silvio Santos deverá esclarecer os telespectadores de que o incentivo à violência não encontra legitimidade no ordenamento jurídico e constitui atividade criminosa ainda mais grave do que os crimes de furto imputados ao adolescente agredido. A ação do MPF solicita ainda que o SBT seja condenado a pagar R$532 mil de indenização por dano moral coletivo, calculada com base nos valores de inserção comercial praticados pela emissora. Para o procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado, a jornalista violou o princípio da dignidade da pessoa humana. Além disso, a âncora já considerou o jovem culpado e condenado, ignorando a presunção de inocência prevista na lei.

Os crimes da fascistóide

Ainda segundo o MPF, ao veicular tais declarações em canal de televisão aberta, serviço público da União exercido mediante concessão pública, o SBT abusou do direito à liberdade de expressão e de manifestação do pensamento e violou as diretrizes da comunicação social. De acordo com a Constituição, a produção e a programação de rádio e TV devem dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas e respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família. Os comentários de Rachel Sheherazade feriram ainda o Código de Ética do Jornalista Brasileiro, segundo o qual o jornalismo não pode ser usado para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime.

O MPF enfatiza, ainda, que a ação civil pública não representa censura, “medida totalmente incompatível com o regime democrático”. Mas realça que “o direito à liberdade de manifestação jornalística não é absoluto e que os veículos de comunicação não estão livres de sanções ou responsabilizações posteriores caso, ao informar e expressar livremente o pensamento, violem outros direitos e garantias estabelecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro”. Por último, o órgão solicita, em caráter liminar, que a União fiscalize adequadamente a programação e adote medidas administrativas, extrajudiciais ou judiciais para que as emissoras observem os princípios previstos na Constituição Federal.

A "parceria duradoura" com Silvio Santos

Até agora, a emissora de Silvio Santos apenas divulgou uma nota afirmando que aguarda a sentença da Justiça. Quanto à multa de R$ 532 mil que deverá pagar de imediato, ela evitou comentar. Já a bravateira Rachel Sheherazade, que adora utilizar sua conta no Twitter para arrotar valentia, está em silêncio. Em julho passado, segundo matéria do Portal Imprensa, o SBT já havia vetado os seus comentários até o fim das eleições. Rachel Sheherazade até chiou na ocasião: “Gostaria de comentar sobre política e o processo eleitoral deste ano. Por enquanto, só me resta esperar que as janelas de opinião voltem ao telejornal, mas quem tem a palavra final é o próprio Silvio Santos”.

As opiniões fascistóides da jornalista têm dado muita dor de cabeça ao empresário. A emissora recebeu no ano passado cerca de 150 milhões em publicidade do governo federal e das estatais. Ao cometer crimes, inclusive contra a Constituição, ela poderia ser punida. Silvio Santos já chegou a insinuar que Rachel Sheherazade poderia ser dispensada, mas recuou. Em maio passado, o contrato da apresentadora foi renovado por mais quatro anos. Na oportunidade, feliz com o alto salário e a visibilidade garantida, ela comemorou: “Estou feliz em renovar com o SBT. Desejo que essa parceria possa ser duradoura e produtiva”.

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Jornalismo no caos

Jornal por jornal, sou mais o Facebook. Sob qualquer critério. Para começar, ele contém todos os outros. É impossível entrar na rede sem trombar com um link para uma notícia e, a partir dela, vasculhar o portal de onde proveio. O Facebook dá acesso a notícias do mundo todo, em todas as línguas e mídias, e isso já o faz, de saída, o mais completo jornal existente.

O Facebook é também o mais plural, um produto coletivo de todos os seus usuários — 1,23 bilhão no mundo, 61,2 milhões no Brasil. Todo mundo lê, mas todo mundo também publica. Assim, todas as visões coexistem, de um extremo a outro de todos os espectros: político, religioso, cultural, moral, o que se queira. Simplesmente todos os discursos do universo se apresentam.

O Facebook é o jornal mais diversificado. Os formatos de imagem, os gêneros narrativos e os estilos de texto variam nele como em nenhuma outra publicação. É reportagem, crônica, poema, depoimento, aforismo, crítica, ensaio, foto, arte, vídeo, desenho, pintura, tudo que foi inventado até agora para a expressão do pensamento. O leitor pode trombar com uma estética futurista num post e ser remetido ao passado longínquo, no post seguinte. Transita das pensatas mais cabeludas para as trivialidades domésticas, passando por todo e qualquer tema de interesse do vasto zoológico humano.

O Facebook é ainda o jornal mais democrático. Todos têm a palavra e intervêm no debate. Uma vez publicado, o post pertence ao mundo. As ideias que ele contém podem ser apoiadas, corroboradas e complementadas, como o exato oposto: combatidas, desmontadas, deturpadas, arrasadas. A responsabilidade de censura fica nas mãos de quem publica, como na mídia convencional. Mas só pode ser exercida a posteriori, o que expõe — e inibe — o censor.

Senso perdido

Vendo as coisas desse prisma, até parece que o Facebook é o Fim da História na mídia, o veículo definitivo. Mas todo mundo sabe que ele está longe disso. É antes uma balbúrdia, um playground de desatinados, um altar ao exagero, um ringue de luta, um campo onde a expressão é tanta e tão livre que gera apenas incomunicação.

Esse misto de fascínio e incômodo, sentimento tão típico do usuário de Facebook, deveria inspirar alguma reflexão sobre o papel dos jornais na seleção de informações, dosagem, hierarquização e tratamento. Esta é a sua maior utilidade, a de filtrar e ponderar os fatos, e apresentar uma visão organizada do mundo.

Nunca foi tão necessário que o jornal cumprisse o seu papel. Nunca, entretanto, ele falhou tanto nisso como agora. Que o cidadão seja tragado pelo vórtice caótico e fascinante do Facebook é compreensível, mas que o jornal perca o senso de medida dos fatos, apenas enterra sua chance de ser farol onde o caos produz escuridão.

Gabriel Priolli foi editor executivo e diretor de redação da revista Imprensa entre 1987 e 1991; hoje é produtor independente de TV
No FNDC
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Detalhes, detalhes

Há momentos de grave introspecção em que um homem faz um inventario de si mesmo — seus sonhos, suas desilusões, suas possibilidades e onde, diabo, ele enfiou o chaveiro e o antiácido — e se faz perguntas. Valeu a pena? Devo continuar? Quem sou eu, e por que estou falando sozinho? Dessa espécie de promontório filosófico ele avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda precisa andar ou, se tiver sorte e aparecer um táxi, rodar.

O Brasil já teve várias oportunidades de, por assim dizer, afastar-se de si mesmo, examinar-se, decidir o que precisava ser feito, ajustar a gola da camisa e ir em frente. Falam que os nossos partidos políticos não significam nada como se isso fosse um grande defeito, e é uma das nossas vantagens sobre países mais ortodoxos e sem graça. Ou seria uma vantagem se fosse aproveitada. Nada está preestabelecido na nossa política, não temos compromisso com nenhuma forma de coerência, podemos ir inventando nosso destino no caminho.

Mas nosso distanciamento crítico raramente leva à sabedoria. Nossos momentos de introspeção geram curiosidades — um maluco que foge da Presidência, um atleta que é corrido da Presidência, um torneiro mecânico que sucede a um sociólogo como se fosse a coisa mais natural — sem um mínimo de lógica ou fidelidade a princípios rígidos ou até a preconceitos claros.

Como o Brasil, também deveríamos nos reavaliar e nos reinventar, e praticar, a intervalos, uma espécie de escafandrismo interior para descobrir o que somos, o que fizemos e deixamos de fazer, como continuar, como parar e como votar — mesmo sabendo que só uma pequena parte do nosso destino é decidida por nós e que o acaso e a natureza decidem o resto. E devemos nos consolar com o seguinte pensamento: só um detalhe nos separa da fortuna e da solução de todos os nossos problemas.

Foi a mãe do Bill Gates que teve o Bill Gates, não a nossa. E você acertar todos os números de uma Sena acumulada menos um, esse um é o detalhe. Esse um decide o seu destino.

O detalhe é como o vidro de um aquário. Um vidro com poucos milímetros de espessura através do qual você vê claramente os peixes coloridos e as plantas exóticas do outro lado. Os milímetros do vidro do aquário separam dois mundos inteiramente diferentes. Só um detalhe parecido separa você de outra vida.

Tchau
Vou tirar férias. Sem foguetes, por favor. Volto no dia 2 de novembro. Até lá.

Luís Fernando Veríssimo
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Vertentes

Eu também não poderia mais viver sem o computador e suas mágicas, como o e-mail, o google e o jogo de paciência eletrônico, mas isto não quer dizer que me rendi totalmente à cultura digital. E minha implicância com domínio da informática sobre os nossos meios e modos me levou a ler sobre suas origens, para conhecer melhor o monstro. Uma das suas raízes está, veja só, na Revolução Francesa. Quando os nobres de Paris perderam, literalmente, a cabeça, as cabeleireiras da cidade ficaram sem emprego. E foi a esta mão de obra subitamente ociosa que monsieur Gaspard Riche de Prony recorreu quando inventou uma espécie de linha de montagem matemática para recalcular tabelas numéricas, já que a nova república adotara o sistema decimal. De Prony se inspirou em Adam Smith, que no seu A Riqueza das Nações usa a divisão de trabalho numa fábrica de alfinetes como exemplo de racionalização industrial. As moças recrutadas por De Prony só precisavam saber somar e subtrair, a inteligência estava na organização do seu trabalho, que lhes permitia fabricar logaritmos como alfinetes. Quando o matemático inglês Charles Babbage visitou a "fábrica" de De Prony em Paris se deu conta que as cabeleireiras podiam ser substituídas pelos dentes de uma engrenagem, e uma máquina poderia fazer o mesmo trabalho. E inventou o que chamou de "Difference Engine", o primeiro calculador mecânico bem-sucedido (máquinas de calcular rudimentares tinham sido boladas, por Pascal e Leibniz, entre outros, desde o século 17). Assim, nas origens do computador moderno — está o Terror.

Um livro chamado The Bride of Science, a noiva da ciência, descreve outra surpreendente vertente da informática. Augusta Ada Byron, condessa de Lovelace, era filha do poeta Lord Byron. Teve uma vida agitada como a do pai, que morreu quando ela tinha 8 anos, mas enquanto ele foi a personificação do poeta como herói e anti-herói romântico, escravo da paixão e dos sentidos, etc., ela ficou famosa como gênio matemático. Credita-se a ela a invenção da aritmética binária, embora o livro lhe atribua o valor maior de transformar as experiências do seu patrono Babbage, com seus protocomputadores, em linguagem acessível, praticando o que o autor chama de "ciência poética". Além do lirismo, Ada herdou do pai a megalomania e o gosto pelo excesso, recorrendo ao ópio para amainar suas compulsões. Entre elas, a do jogo, no qual perdia fortunas, apesar dos seus métodos matemáticos. Numa carta para Babbage, escreveu: "Quanto mais estudo, mais irresistível sinto que será o meu gênio. Não acredito que meu pai tenha sido, ou jamais poderia ter sido, mais Poeta do que eu fui Analista".

Ada pediu para ser enterrada ao lado do pai, que a abandonara recém-nascida. Morreu, de câncer, com a mesma idade do pai: 36 anos.

Luís Fernando Veríssimo
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Prefeito de Campina Grande do Sul colocou Marina Silva em saia justa

Luiz Assunção
O prefeito de Campina Grande do Sul, Luiz Assunção (PSB), colocou a candidata do PSB à presidência, Marina Silva, em uma “saia justa” durante sua passagem por Curitiba. No final da entrevista coletiva, Assunção pediu a palavra para perguntar se Marina pretende deixar o partido após a eleição. Constrangida, a candidata confirmou que mantém a intenção de fundar seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, e lembrou que se for eleita presidente, não pretende disputar um novo mandato. “Quando Eduardo Campos me convidou para ser sua vice, quando ele aceitou a minha filiação administrativa temporária, foi ele que criou esse conceito para que eu pudesse me filiar ao PSB. Ele não exigiu que eu desistisse do meu partido. Não me exigiu isso. Se tem essa exigência da parte de alguém eu desconheço. Eduardo me convidou para ser sua vice. Eu fui apoiá-lo como candidato do PSB. Não fiz nenhuma exigência de ser sua vice. Disse a ele que o apoiaria independente de ser sua vice se ele introduzisse em seu programa algumas questões que são relevantes para nós”, afirmou Marina.

“Hoje eu sou candidata de uma coligação. Do PSB, da Rede, do PPL, PPS, PHS. E serei a presidente da República. Como não busco um segundo mandato para a Rede, para o PSB e demais partidos podem ficar tranquilos que ao final do meu mandato para que possamos continuar renovando a política e não irei concorrer novamente a uma vaga para presidente da República porque sou contra a reeleição”, explicou ela.

Ao receber a resposta, o prefeito retirou o adesivo da campanha de Marina que estava colado em sua camisa e jogou-o no chão. Assessores da candidata ficaram irritados com o gesto. 

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Continuidade pode ser a grande mudança na vida do RS


Desde o fim da ditadura civil-militar e a retomada das eleições para a escolha de governantes e legisladores, o Rio Grande do Sul nunca reelegeu um governo estadual, sempre optando por votar na oposição ao governo de plantão. Há várias teses a respeito desse fenômeno. Uma delas consiste em apontar a dívida financeira do Estado como a causa central da não reeleição de governadores. Desde o governo de Antonio Britto (PMDB) que, supostamente, teria firmado um proveitoso acordo de renegociação da dívida com a União, essa crise financeira só se agravou, mas ela não explica por inteiro o processo de alternância de projetos no Palácio Piratini de lá até hoje. Essa processo pode ser caracterizado, em linhas gerais, como uma disputa entre duas concepções de Estado em meio a um quadro de estrangulamento financeiro.

Por um lado há um projeto que pretende enfrentar a crise do Estado diminuindo o tamanho do Estado, eliminando políticas públicas, arrochando salários de servidores, privatizando empresas públicas e apostando no mercado como a solução para o desenvolvimento. Os governos de Antonio Britto (PMDB) e de Yeda Crusius (PSDB), com as suas inflexões próprias, tentaram implementar esse projeto no Rio Grande do Sul. Britto fez das privatizações o carro-chefe de seu governo. Yeda aplicou o que chamou de “choque de gestão” baseado no princípio do déficit zero. O Estado diminuiu de tamanho e de qualidade. Empresas públicas foram vendidas, serviços privatizados, servidores demitidos e salários arrochados. O Estado ficou menor, mas, em função disso, o Rio Grande do Sul não ficou maior.

Por outro, há um projeto que defende o fortalecimento do Estado e das políticas públicas como forma de, não só superar a crise financeira, como também de promover um novo padrão de desenvolvimento. Esse projeto aposta numa solução política para o tema da dívida, que passa por uma reestruturação dessa dívida com a União. Os governos de Olívio Dutra e Tarso Genro, do PT, representam essa via que, agora, busca vencer o tabu da não reeleição. É muito mais do que um tabu que está em jogo, na verdade. Há um espesso véu de desinformação pairando sobra a sociedade que não deixa claro que as disputas eleitorais envolvem a disputa desses projetos, e não uma disputa de personalidades ou celebridades da mídia.

Não por acaso, dois dos principais candidatos às eleições majoritárias este ano no Rio Grande do Sul são celebridades do principal grupo midiático do Estado. Ana Amélia Lemos e Lasier Martins apresentam-se como se fossem completamente desvinculados dessa disputa de projetos no Estado, mas basta abrirem a boca para ficar claro que se alinham no time de Antonio Britto e Yeda Crusius que enxerga o Estado como um estorvo que deve ser diminuído o máximo possível. Ana Amélia Lemos apresenta-se sob a bandeira da esperança, uma palavra que tem simpatia universal, mas não diz absolutamente nada sobre seus projetos para o Estado. Entre as poucas propostas concretas que se apresenta, as ideias de corte e eliminação são muito mais presentes do que a de esperança.

É neste cenário que se dá o embate eleitoral deste ano. Apesar dos muitos problemas que persistem no Estado em áreas como saúde, educação e segurança, o governo de Tarso Genro é superior ao de Yeda Crusius em todos os indicadores. O Rio Grande do Sul começa a abrir novas fronteiras econômicas como o pólo naval de Rio Grande, o parque eólico e a criação de um núcleo de empresas de alta tecnologia no Vale dos Sinos. Além disso, há um amplo conjunto de políticas sociais que estão reproduzindo, em escala estadual, alguns dos avanços que o Brasil obteve na última década em escala nacional. Qual seria, então, a razão para não reeleger esse projeto e voltar ao modelo de Antonio Britto e Yeda Crusius?

Eleições não são processos inteiramente racionais, entre outras razões porque o processo de criminalização da política alimentado diariamente pela grande mídia comercial faz engrossar o véu de desinformação citado acima. Cada eleição é apresentada como uma nova eleição desvinculada do passado. Em certo sentido, é verdade que cada eleição é uma nova eleição, mas ela guarda laços com as escolhas passadas e suas consequências para o Estado. Considerando o contexto político das últimas décadas no Rio Grande do Sul e as escolhas feitas nas eleições passadas, parece que o principal desafio estratégico para a abertura de um novo ciclo de desenvolvimento é superar esse véu de desinformação e vislumbrar com clareza os projetos em disputa e seus representantes. Ao longo de sua história, toda a vez que o Rio Grande do Sul optou por diminuir o tamanho do Estado, a qualidade de vida da população diminuiu junto. Se é assim, a verdadeira mudança que pode ocorrer nestas eleições é a continuidade do projeto que está no governo hoje. Ao menos é o que a história recente do RS parece nos ensinar.

FOTO: Mantida acesa desde os tempos da Revolução Farroupilha (1835-1845), esse fogo de chão é cuidado pela família Simões Pires há mais de 150 anos, na Fazenda Boqueirão, no município de São Sepé (distante 264 km de Porto Alegre/RS). São seis gerações dedicadas a manter esse  fogo aceso.

Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Feia, grossa e errada

Aí estão os dias finais de uma campanha feia. Antecipada por Eduardo Campos e Aécio Neves, que em maio já tinham atitudes eleitoreiras, nos cinco meses até agora não deixou nem um só instante de brilho pessoal ou de criatividade política. Não é menos notável que, em se tratando de candidaturas à Presidência, também não aparecesse nem uma só proposta capaz de distinguir-se do que tem composto o palavrório trocado entre oposições e governos.

Em compensação, não faltou grossura. Desde sua queda na pesquisa anterior à de agora, Marina Silva consumiu muito das oportunidades de atração eleitoral com o discurso de vítima na campanha baseada em ataques. É claro que algum efeito o tiroteio político sempre produz, em quem é alvo e no atirador. Mas ninguém sai desta campanha na condição de devedor de ataques aos adversários diretos. E daí vem uma ameaça às eleições futuras.

Vê-se que o fracasso da agressividade de José Serra, na disputa com Lula, não serviu de ensinamento aos políticos que os sucedem em confrontos iguais. E com os mais afortunados marqueteiros parece ter ocorrido o mesmo, sendo que, no seu caso, também nada aprenderam com o mestre marqueteiro, Duda Mendonça, e o seu Lula cativante e proponente.

A grossura foi até institucionalizada agora, como técnica marqueteira, sob o nome enganoso e enganado de "desconstrução" do adversário. Agressão e desconstrução são coisas diferentes. Mas como ao final da batalha verbal haverá, necessariamente, vencedor que praticou a "desconstrução", é grande o risco de que a nova "técnica" fique consagrada como chave do sucesso eleitoral.

O ataque como campanha não fará a vitória nem as derrotas nesta eleição. Explicar as suas quedas nas pesquisas pelos ataques recebidos, como fazem Marina e seus correligionários, equivale a dizer que os ataques eram fundados, porque ela decaiu, em apenas um mês, dos 50 pontos que tinha no fim de agosto para os 27 do fim de setembro.

Da mesma maneira, se "desconstruir" por ataques levasse ao êxito, Aécio Neves teria hoje outra situação. E Dilma Rousseff não poderia estar na liderança, porque durante os cinco meses foi o alvo principal de Aécio, inaugurador da campanha baseada na "desconstrução" e divulgador desse nome.

Aécio tem motivos para lamentar sua campanha. As perspectivas que o levaram à candidatura caíram com o avião de Eduardo Campos, mas as últimas pesquisas mostram que errou duplamente. Primeiro, ao relaxar por causa da entrada impetuosa de Marina na disputa e nas pesquisas. Segundo, por se limitar aos ataques. Quando viu o movimento descendente de Marina, há duas semanas, Aécio reanimou a campanha e, para isso, afinal fez um pouco mais do que atacar. A resposta veio nos dois últimos Datafolha: subida equivalente a 20% do total anterior.

A campanha de Marina não foi capaz de demonstrar ser ela o tal novo, que lhe fora atribuído pela mistura de aversão ao PT, rescaldo de votações passadas, escassa identificação de Aécio e morte de Eduardo Campos. Marina preferiu a aderir aos ataques, e leva o troféu do mais violento deles, na acusação aos governantes do PT de "nomear diretores para assaltar a Petrobras". A expectativa do novo refluiu, à falta de sua exibição, e várias contradições tornaram Marina mais vulnerável. Na queda, à sua fixação no ataque juntou apenas a lamentação de vítima. Será pouco para explorar os próximos e últimos dias.

Dilma entrou na campanha com um patrimônio único. Se bem trabalhadas, muitas das ações do seu governo traziam um potencial grande de atração do eleitorado. Mas sua campanha pendeu, de início, para um populismo barato, levado a extremos no horário eleitoral. Depois, entrou e ficou no jogo dos ataques, escolhido pelos adversários.

Só nas duas últimas semanas Dilma adotou o papel de candidata diante dos eleitores. E recebeu, como resposta, o aumento de sua vantagem no primeiro turno e a liderança no eventual segundo, perdida por Marina. E, a depender dos próximos dias, até a hipótese de encerrar a eleição no primeiro turno. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Covardes criticam blogueiros


Em vez de criticar grande mídia que faz cobertura dirigida contrau Dilma, medalhões do jornalismo falam mal de quem ajuda o país a respirar um pouco de liberdade

A crítica ao trabalho de blogueiros que têm um posicionamento político favorável a Dilma e Lula seria menos covarde se levasse o Manchetômetro em conta.

Explico.

Se você examinar a ultima edição do Manchetômetro, que contabiliza o trabalho dos grandes jornais do país e também do tele-jornal de maior audiência — empresas que remuneram os principais críticos dos blogueiros — verá o seguinte resultado:

1) no Jornal Nacional, as notícias negativas contra Dilma atingiram 15 sobre um máximo de 20 possíveis. Marina e Aécio não tiveram notícias negativas.

2) na primeira página da Folha de S. Paulo, Dilma teve 8 negativas para 10 definidas como neutras. Marina não tem uma única notícia negativa. Aécio recebeu 1 negativa para 3 neutras.

3) no Globo, Aécio recebeu duas neutras e duas negativas. Marina, 7 neutras e 1 negativa. Dilma recebeu 30 negativas e 9 neutras.

4) no Estado de S. Paulo, Aécio recebeu oito notícias neutras e quatro negativas. Marina, 3 neutras e 9 negativas. Já Dilma ficou com 34 negativas para 16 neutras.

Estamos falando de um período da campanha no qual Dilma consolidou a liderança nas pesquisas, cravando uma diferença de 13 pontos sobre a segundo colocada. Chegará com folga no segundo turno e, se ocorrer um terremoto na reta final, pode levar até no 1º turno. Enquanto isso, Aécio e Marina brigam pelo osso.

Uma semana de notícias negativas para quem? Positiva para quem?

Eu acho estranho que, sempre a postos para criticar uma dúzia e meia de blogueiros, nossos críticos façam um silêncio encandaloso diante desses números.

Não conseguem achar nada de errado aí, nada a comentar?

Esse é o significado da palavra “isento” em seus manuais de redação?

Será que é assim que eles acham que estão fazendo sua parte para construir um Brasil melhor, como dizia dona Celina, minha inesquecível professora de História no Guaracy Silveira, fazendo fé naquilo que lia nos editoriais escritos pelos pais e avós dos jornalistas de hoje?

A crítica aos blogueiros é prova de uma imensa covardia.

Parte de profissionais que adoram criticar o que chamam de jornalismo chapa branca mas são pelegos de patrão.

Dão o braço a quem é forte — e paga seus vencimentos — para tentar atingir quem é fraco.

Perdidos numa vaidade imensa, estão sempre dizendo que a opinião adversária não é legítima e foi comprada, sugerindo que os pagamentos que eles próprios recebem por seu trabalho se justificam pelo “talento imenso“, pela “profundidade de suas análises”, “pela qualidade de sua informação” e outros meias-verdades (e meias-mentiras) do jornalismo real.

Do ponto de vista da circulação de informações e debate de ideias numa sociedade, o Manchetômetro mostra só a ponta do iceberg.

Estamos falando de uma sociedade onde regras constitucionais que proíbem o monopólio e o oligopólio dos meios de comunicação aprovados na Constituição de 1988 não foram regulamentadas e não são obedecidas, um quarto de século depois.

O controle da informação, em nosso país, é muito mais amplo e profundo.

No conteúdo, o noticiário é só dirigido do ponto de vista do interesse político. (Você não vai dizer que 30 a 9 ou 15/20 contra Dilma são “expressão possível da verdade,” a definição clássica para o jornalismo, certo?)

Mas é este jornalismo pervertido que é reenviado para os sites de jornais, revistas, canais de TV, que também possuem grandes audiências, num processo de alavancagem mútua. Transfere-se depois para a TV e o rádio, onde repórteres e colunistas do papel vestem a roupa de comentaristas e apresentadores e atuam com as mesmas ideias, valores e opiniões.

O debate, então, é outro.

A concentração política dos meios de comunicação atingiu um padrão grotesco, irrespirável. Vinte e nove anos depois da ditadura militar, temos um aparato de comunicação social que é privado, pelo regime de propriedade, e autoritário, como instituição política.

É coerente com sua visão de mundo, extraída da mesma árvore política: liberal no plano dos direitos individuais, reacionária na visão de Estado e de proteção social aos fracos e excluídos.

São erros cometidos e repetidos com a certeza da impunidade, o veneno da arrogância.

Tenho críticas a determinados blogueiros e só posso fazer elogios a outros. Mas, como regra, eles causam incômodo pelo lado certo. Arranham o que precisa ser arranhado.

Falam por uma parte do país que não tem voz. E vamos combinar que, mais uma vez, as pesquisas eleitorais mostram que é uma parte grande, certo?

Do ponto de vista da liberdade e da democracia, que é a substância do jornalismo, o pior blogueiro faz um trabalho muito mais relevante para o Brasil e os brasileiros do que o medalhão que regulado pelas mensagens telepáticas enviadas pelo comando da empresa onde trabalha.

Eu sei disso, você sabe disso. Eles sabem disso.

É por isso que os blogueiros merecem respeito, e não críticas medrosas, típicas de cães sabujos, que têm receio de perder o filé mignon do pensamento único.

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O Taylorismo educacional no discurso eleitoral

Em 1911, o engenheiro americano Frederich Taylor publicou uma obra que mudaria a história do capitalismo: Princípios de Administração Científica. Nela, contra a gestão empirista e amadorista das fábricas de então, ele propôs princípios científicos de administração: seleção científica dos trabalhadores, planejamento científico das tarefas usando o estudo de tempos e movimentos, treinamento dos trabalhadores e, vejam só que atual, pagamento por produtividade.

Foi o germe de uma revolução. No campo administrativo, a aplicação de suas técnicas elevou a produtividade do trabalho nas fabricas de forma sem precedentes desde a revolução industrial; no campo econômico e político, porém, gerou desemprego, intensificação do trabalho e “robotização” do trabalhador, o que levou à exacerbação da tensão entre sindicatos e empresas, e por certo apressou as revoluções socialistas em curso.

O custo do aumento da eficiência e produtividade do trabalho no taylorismo foi uma brutal desumanização dos trabalhadores, reduzidos a artefatos moldáveis da engrenagem mecânica em que se tornara o “chão de fábrica”.

Mas Taylor sequer dissimulava este propósito, seu livro está cheio de preconceitos em relação à capacidade intelectual dos trabalhadores e referências à endêmica “vadiagem” que eles assumem num ambiente de trabalho sem planejamento e controle. Em certo momento, falando do tipo ideal de trabalhador para carregar lingotes de ferro, não titubeia em afirmar que “este deve ser tão estúpido e fleumático que mais se assemelhe em sua constituição mental a um boi, que a qualquer outra coisa”.

Por certo, portanto, não era de “gente” que Taylor falava, nem de gente era feito o seu trabalhador. Ou pior, assim eram vistos os trabalhadores pela elite industrial da época.

Mas é em Taylor, com toda esta sua visão mecanicista, operacionalista e desumana do trabalho, que está a centelha da meritocracia econômica moderna: o pagamento por produtividade.

Porém, embora esta forma de estímulo à produtividade do trabalho ainda persista hoje em dia, se bem que apenas em alguns tipos muito específicos de tarefas (quando haja uma associação vigorosa entre este estímulo e a resposta em produtividade, e quando os resultados são facilmente mensuráveis e incontroversos), os pressupostos de Taylor, seu “tipo ideal” de organização e de trabalhador, foram enterrados ainda na primeira metade do século XX na Administração, pela chamada “Escola das Relações Humanas”, que, por meio do famoso Experimento de Hawthorne, descobriu o óbvio: que organizações são espaços sociais onde as pessoas desenvolvem relações humanas, e que o trabalhador também é gente, que responde tanto ou mais a contextos sociais e humanos estimulantes do que simplesmente a recompensas monetárias.

Mais tarde, dentro da própria Administração, os comportamentalistas e os culturalistas colocaram a pá de cal nos pressupostos de Taylor.

Face a isto, estarrece-me ver nesta eleição, conforme noticiado pela imprensa acerca do discurso político do candidato Aécio Neves, a proposta de que vai dar aumento no Bolsa Família para as famílias cujas crianças melhorarem o seu desempenho escolar. "Uma família que o filho tem desempenho escolar acima da média pode receber um plus de 30% no Bolsa Família", disse ele no Estadão. Isto corresponde, na prática a, em pleno século XXI, voltar aos pressupostos mecanicistas de Taylor, agora na escola, com seu pagamento por produtividade.

Taylor ao menos tinha a seu favor falar de trabalhadores adultos para adultos, num período em que a cultura, que era ainda mais autoritária do que hoje, ainda não tolhia tanto a linguagem, os hábitos quotidianos e as relações de trabalho quanto hoje, e num ambiente de trabalho onde reinava a brutalidade das próprias tarefas: o setor de siderurgia pesada. Creio que nem ele ousaria sugerir seus conceitos para a escola ou transpô-los sem ressalvas para o ambiente de aprendizagem.

Por isto mais me espanta ressuscitar o taylorismo no ambiente escolar infantil em um programa de Governo.

É claro que isto tem uma função retórica para o tal candidato, que sempre se mostrou contrariado pelo Programa Bolsa Família. No plano político, o “pagamento por produtividade escolar” permite compatibilizar o seu “discurso meritocrático” liberal com o de manutenção do Programa, algo que restava difícil sem cair em contradição.

Porém, no plano teórico, científico e mesmo humano, a proposta é assombrosa. Quem a propõe por certo não entende nem de educação, nem de pobreza, nem de infância, e sequer de administração.

A administração moderna, sobretudo das questões ligadas ao interesse público, não pode sobreviver de políticas fantasiosas, que na preguiça de pensar o mundo em sua complexidade, de atacar os problemas na profundeza de suas causas, escapa pela via fácil de instrumentos meritocráticos simplistas, inúteis e perversos como este.

Reduzir o desempenho escolar das crianças a um problema de estímulo financeiro é de um reducionismo absurdo, sequer comparável ao de Taylor, que como eu disse, ao menos falava para o “chão de fábrica”. Um Estado humano, generoso e também eficaz, deveria amparar as crianças com dificuldades na escola ao invés de punir as famílias com uma Bolsa menor; deveria tentar identificar em seus contextos sociais, cognitivos, econômicos e educacionais as razões do seu fracasso, e trabalhar para mudá-los.

Tratar a pobreza assim, como se fosse uma condição atitudinal, um problema de comportamento, como se se pudesse “comprar” mudanças de desempenho escolar de crianças carentes com o aumento de uma renda que é, não mais do que isto, de sobrevivência, é não só desconhecer a pobreza: é desrespeitar os pobres.

Mas o pior, o mais abjeto em tal proposta, o que a meu ver viola todos os códigos éticos de uma sociedade civilizada e que deveria cuidar da infância antes de tudo, é colocar nas costas dos pequenos, das crianças do Bolsa Família, daquelas para quem esta renda é muitas vezes a única fonte de sobrevivência, a responsabilidade pelo aumento ou não da renda familiar. Do tipo: “se fores bem na escola, a família terá mais 30% em sua renda!”.

Trata-se de uma violência contra a criança!

Renato Santos de Souza
No GGN
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Rodrigo Mendes
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