25 de set de 2014

Acordando a memória perdida sobre FHC


Livro essencial para a campanha presidencial, "Brasil Privatizado" ajuda a entender por que PSDB deixou o Planalto em 2002 e nunca mais conseguiu voltar

A leitura de “Brasil Privatizado — Um balanço do desmonte do Estado” ajuda a reconstruir uma memória essencial para o debate da campanha de 2014.

Numa conjuntura em que a candidatura de Aécio Neves começa a dar sinal de vida, e Marina Silva mantem-se de pé graças a transfusão permanente de apoio de lideranças do PSDB, é sempre útil lembrar como se encontrava o Brasil no final de dois governos de Fernando Henrique Cardoso e entender por que o último presidente tucano deixou Brasília com 13% de popularidade negativa.

Em 254 páginas, Aloysio Biondi (1936-2000), mestre maior do jornalismo econômico brasileiro, deixou um trabalho único para se desfazer mitos criados naquela época. Enquanto os principais jornais e revistas atravessaram os oito anos de FHC multiplicando elogios de natureza ideológica — e também interesseira — à gigantesca transferência de empresas estatais para o setor privado, Aloysio Biondi enfrentava, há uma decada e meia, o debate que interessava a maioria dos brasileiros.

Da mesma forma que foi um dos críticos mais competentes do milagre do regime militar, brigando com a esquerda que não queria enxergar o crescimento, e com direita que não admitia contradições que iriam gerar a década perdida de 1980, Alyisio Biondi foi atrás dos fatos em vez de privilegiar opiniões e convicções. O livro mostra números e medidas de natureza política que permitiram a transferência de uma parcela imensa da riqueza construída por várias gerações de braileiros para bolsos privados, em grande parte estrangeiros — a preços amigos e saldo em suaves prestações,além de muitas acrobacias contábeis que permitiram transformar perdas reais em ganhos fictícios.

Debatendo, em oito páginas de números e tabelas, aquilo que o governo dizia ter arrecadado com as privatizações — R$ 85,2 bilhões — e aquilo que era possível contabilizar como favorecimento aos novos proprietários na forma de investimentos prévios, dívidas perdoadas, juros não cobrados, e outros benefícios, Biondi mostra o seguinte: no final, se chegou a uma conta negativa — R$ 87,6 bilhões. Na prática, sustenta, o país perdeu R$ 2,4 bi. Você pode até achar que o investimento valeu a pena, que não havia outro jeito, que somos mesmo um país de vira-latas e botocudos. Também pode explicar que, mais uma vez, o que se queria era fazer o bolo crescer — com a farinha do povo e o fermento do contribuinte — para depois ser dividido, e que isso não aconteceu porque, sabe como é…. Mas o dado está lá.

Na dúvida, o mestre escreve um artigo chamado “Como falsificar balanços.” Ajuda.

O livro permite acompanhar um processo de desnacionalização que não tornou o Brasil nem mais rico nem mais próspero, ainda que tenham ocorrido, mudanças, como a telefonia celular, que estavam na agenda do capitalismo global e dificilmente deixariam de chegar a um mercado como o brasileiro, de uma forma ou de outra. Biondi faz o favor de combinar a economia e a política. Fala de um país que tornou-se mais dependente e submisso, num processo que foi muito além dos negócios para envolver os poderes da nação definir seu destino com soberania. “Queremos o Brasil de volta”, proclamava Biondi, como lembra Janio de Freitas, autor do préfácio.

Para quem gosta de criticar Lula/Dilma pelos empréstimos do BNDES para empresas brasileiras investirem no Porto de Mariel, em Cuba, há uma surpresa desagradável. Ao mesmo tempo em que mantinha a proibição das estatais receberem empréstimos do BNDES, medida que tinha o efeito óbvio de contribuir para sua asfixia e sucateamento, em 1997 Fernando Henrique Cardoso, assinou decreto — que Biondi trata ironicamente como “revolucionário” — autorizando o BNDES a conceder empréstimos a grupos estrangeiros. Dias depois, recorda, um grupo norte-americano usou dinheiro do BNDES para tornar sócio da CEMIG, a estatal mineira de energia.

Em outra medida de última hora que mostrou-se de inteiro agrado aos novos proprietários, e logo se revelaria uma péssima ideia para consumidores, o governo decidiu mudar o modelo das empresas de energia. A novidade principal é que o Estado deixou de participar ativamente da gestão das empresas privatizadas, ampliando a liberdade dos novos proprietários para definir prioridades e políticas de crescimento conforme suas metas de lucro. Abandonando qualquer função interna — salvaguarda que fora prometida ao Congresso Nacional — o Estado ficou na função de fiscalização, assegurando “autonomia total para as multinacionais agirem de acordo com seus interesses,” diz Biondi, que registra a medida como um “passa-moleque” dos novos proprietários nas autoridades brasileiras. Curiosidade. Você pode nem acreditar mas os textos do livro se encerram dois anos antes do Brasil enfrentar o apagão e os rigores do racionamento.

“A sociedade brasileira ainda näo acordou para uma “brutal realidade”, escreve Biondi, refletindo o pessimismo da época: “o Brasil já se tornou um país inviável.”

Antecipando o ambiente de velório que marcou os anos finais de Fernando Henrique, ele afirma: “o Brasil já está com o futuro comprometido. Já foi colocado num beco sem saída pela política de terra arrasada a que se deu o nome de plano Real.”

Um ponto relevante do livro é mostrar que o governo FHC estava longe de receber apoio unânime à política de privatizações, ainda que ela fosse apresentada como único caminho possível para o desenvolvimento e a atualização tecnológica.

Enquanto os aliados de FHC tratavam protestos de vários setores da sociedade como puro folclore de “dinossauros do Muro de Berlim”, Biondi reproduz longos trechos de um artigo do ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira que ajuda a dar realismo a discussão. Ele próprio fundador do PSDB, interlocutor dos principais debates econômicos de sua geração, em janeiro de 2000 Bresser faz afirmações que ajudam a entender por que, em 2014, ele declarou que irá votar em Dilma Rousseff. Três frases de Bresser, há 14 anos:

“Não percebemos que o liberalismo econômico é muito bonito em teoria mas que na prática nenhum país desenvolvido o pratica integralmente.”

Ou ainda: “O princípio seguido pelos países ricos é simples: faça como eu digo, não como eu faço. E o princípio adotado por nossas elites é igualmente simples: ‘Faça como eles dizem que eu eu devo fazer, não como eles fazem.”

E mais: “Nós permitimos a desnacionalização de grandes empresas brasileiras e de grandes bancos. Decididamente, enlouquecemos.”

Falando de um governo que ainda se encontrava no início do segundo mandato, Biondi acusou FHC de destruir a alma nacional, o sonho coletivo.” Foi um dos primeiros a registrar que, do ponto de vista social, a privatização a brasileira mostrou-se mais iníqua que o processo conduzido por Margaret Tatcher na Inglaterra — onde trabalhadores e parcelas menos endinheiradas da população puderam ficar com uma parcela considerável do bolo, enquanto no Brasil os subsídios foram utilizados para permitir o controle de grandes grupos econômicos sobre as empresas privatizadas, com poucas concessões para a plebe, em casos bem específicos. Mais conservadores do que Tatcher? Pois é.

Num artigo escrito em junho de 2000, poucos meses antes de sua morte, Aloysio Biondi fala do ambiente político do país. Denuncia matérias pautadas pelo governo para desmoralizar a oposição. Adverte: “quem quiser saber realmente o que está acontecendo com a economia do país deve ler sempre as últimas quatro linhas das notícias. É ali que os jornalistas escondem o que é importante.”

Mas o mestre se permite algum otimismo. “Pode-se sentir que há mudanças no ar,” escreve, antes de acrescentar: “O longo período de passividade — de longe, muito mais tenebroso do que os anos da ditadura militar — parece aproximar-se do fim.”

A primeira edição de Brasil Privatizado foi lançada pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, e atingiu uma venda espetacular, de 126 000 exemplares. Aloysio Biondi era um jornalista sem partido político, mas este fato ilustra as dificuldades para se travar um verdadeiro debate de ideias no Brasil daquele tempo. Em 2014, o livro é publicado pela Geração Editorial, que também publicou meu livro A Outra História do Mensalão.”

Depois de assumir funções executivas nos principais jornais do país, Aloysio Biondi tinha uma coluna no Diário Popular, escreveu textos na Bundas, de Ziraldo.

Na Caros Amigos ele publicou o texto em que dizia que “o longo período de passividade parece encontrar-se no fim.”

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Veja perde de 7 a 0 no TSE e irá reparar dano ao PT


Revista foi condenada a publicar direito de resposta em decisão tomada nesta noite no Tribunal Superior Eleitoral; reportagem dizia respeito a suposta chantagem, paga em dólar, para que dirigentes do partido, incluindo o ex-presidente Lula, não fossem arrastados para o escândalo da Petrobras; derrota da revista da Marginal Pinheiro foi acachapante; contou com voto favorável do procurador-geral Rodrigo Janot, de três ministros do Supremo Tribunal Federal (Dias Toffoli, Teori Zavascki e Rosa Weber), além dos outros quatro integrantes do tribunal; "não está em jogo a liberdade de expressão, mas sim o direito de resposta", ressaltou Dias Toffoli; crimes de imprensa começam a ser punidos

Foi pior do que Brasil e Alemanha na Copa do Mundo. Por sete votos a zero, a revista Veja foi condenada, nesta noite, a reparar o dano causado ao Partido dos Trabalhadores por uma reportagem publicada há duas semanas.

No texto "O PT sob chantagem", Veja acusava lideranças do PT, incluindo o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, de terem sido submetidos a uma chantagem para que não fossem arrastados para o escândalo da Petrobras. Segundo a revista da Marginal Pinheiros, o PT teria pago US$ 6 milhões, em dólar, ao financista Enivaldo Quadrado para que os nomes de seus dirigentes não fossem envolvidos no caso.

Como a reportagem não apresentava qualquer prova ou indício da denúncia que fazia, o PT representou contra a publicação no Tribunal Superior Eleitoral. Além de contar com parecer favorável do procurador-geral Rodrigo Janot, a posição do relator Admar Gonzaga foi acompanhada pelos outros seis ministros do TSE — entre eles, três representantes do Superior Tribunal Federal: Dias Toffoli, Teori Zavascki e Rosa Weber.

O direito de resposta, de uma página, deverá ser publicado nesta ou na próxima edição de Veja — a depender da intimação dos dirigentes da editora, hoje conduzida por Giancarlo Civita e Fabio Barbosa. "Não se discute aqui qualquer restrição à liberdade de imprensa, mas apenas o direito de resposta", enfatizou Dias Toffoli.

Com a decisão desta quinta-feira, crimes de imprensa — que se tornam mais comuns em períodos eleitorais — começam a ser punidos.

No 247
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Dilma concede amanhã sua primeira entrevista a blogueiros


A presidenta Dilma Roussef vai conceder amanhã, às 15h, no Palácio do Planalto, sua primeira entrevista a blogueiros. Estarão presentes oito blogues da chamada blogosfera progressista, popularmente conhecida como suja. Apelido gentilmente concedido pelo ex-candidato a presidência da República, José Serra, em 2010, no auge daquela campanha eleitoral.

A entrevista foi solicitada há dois meses pelo Barão de Itararé e pela Altercom. Na semana passada, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) retornou informando que a presidenta havia concordado em realizá-la e a data foi acertada.

Vão participar da coletiva Altamiro Borges (Blog do Miro), Conceição Oliveira (Blog da Maria Frô), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Conceição Lemes (Viomundo), Miguel do Rosário (Cafezinho), Paulo Moreira Leite (247), Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo) e Renato Rovai, este que vos escreve, representando a Revista Fórum.

É a primeira vez que um presidente da República concede entrevista a blogueiros no período  do processo eleitoral. O presidente Lula foi o primeiro a ser sabatinado pela blogosfera, mas isso aconteceu após a eleição de Dilma.
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Marina no Good Morning Brazil — vídeo


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As instituições de “brincadeirinha” do Brasil


Estamos sabendo, desde ontem, pela Folha, que  ”a Polícia Federal tenta há sete meses ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas investigações instauradas a partir de novos depoimentos dados em 2012 pelo operador condenado no mensalão, o empresário Marcos Valério de Souza”.

Os repórteres da Folha esclarecem que ”não é uma intimação”, mas “um convite”.

Ou seja, nada, coisa alguma.

Não tem sentido “bater um papo” sobre acusações a sua honra. Ou há acusações com um mínimo de evidências que justifiquem um depoimento ou não se leva ninguém — menos ainda um ex-presidente da república — a depor numa delegacia, na base do “ouvi dizer”.

Quer ver como isso é obvio?

O que a imprensa diria se Fernando Henrique Cardoso fosse “convidado” para um “papinho” sobre as acusações de compra de votos para a releeição, denúncia que está feita, documentada e publicada? Ou sobre o que seria a “bomba atômica” referida por André Lara Resende, chefe econômico da campanha de Marina Silva, sobre a tentativa de favorecimento do grupo de Daniel Dantas na  privatização das teles?

Afinal, uma acusação da Veja deve ter mais ou menos a credibilidade de um Marcos Valério, não é?

Mas a Folha passou todo o dia de ontem sustentando a história, plantada por “fontes” da Polícia Federal.

Mesmo depois de o próprio Lula dizer  que “nunca fui convidado, notificado, nem pela Polícia Federal, nem pelos meus advogados”, o jornal não dá o braço a torcer.

Insiste na armação, dizendo que o convite tem sido reiterado desde fevereiro e que Lula não o atende por achar que se trata de exploração eleitoral.

O que, aliás, é obvio.

Marcos Valério prestou declarações acusatórias em setembro de 2012. Porque se teria esperado um ano e meio, até a véspera da eleição, para “convidar” Lula, se é que convidaram?

Se a Polícia Federal está com este ânimo de “Vamos Conversar?” bem que poderia chamar o senhor Apolo Santana Vieira, que responde a um processo por contrabando,  e perguntar-lhe como e porque comprou um jato para Eduardo Campos e Marina Silva.

Assim, sei lá, só por curiosidade..

Mas isso não é “republicano” na visão sabuja do Ministro da Justiça do Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço

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Ana Amélia votou contra Política de Valorização do Salário Mínimo


Candidata da RBS ao governo do Rio Grande do Sul, a senadora CC Fantasma Ana Amélia Lemos mostrou de que lado está logo que chegou ao Senado. Em sua primeira votação naquela Casa, a latifundiária gaúcha/goiana declarou-se frontalmente contrária aos interesses da classe trabalhadora, votando contra o PLC 01/2011, na sessão do dia 23 de fevereiro. O projeto deu origem à Lei Federal 12.382/2011, que definiu atual política de valorização do salário-mínimo.

Clique aqui para ver as notas taquigráficas da Sessão Deliberativa de 23/02/2011, no Senado.

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VoxPopuli / CartaCapital: Dilma abre 13 pontos sobre Marina

Petista tem 38%, contra 25% de Marina Silva e 17% de Aécio Neves. No segundo turno, Dilma passa a liderar numericamente


A presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, abriu 13 pontos de vantagem sobre Marina Silva (PSB) na disputa presidencial, segundo a nova rodada da pesquisa Vox Populi / CartaCapital. Dilma tem 38% das intenções de voto, contra 25% de Marina e 17% do terceiro colocado, Aécio Neves (PSDB). O Pastor Everaldo (PSC) tem 1% dos votos, enquanto os outros candidatos não pontuaram.

Na comparação com a pesquisa anterior, divulgada no dia 10, Dilma oscilou dois pontos para cima, de 36% para 38%, enquanto Marina caiu três, passando, passando dos 28% para os 25%. Assim como Dilma, Aécio também oscilou para cima dentro da margem de erro: foi de 15% para 17%. O número de eleitores indecisos variou de 13% para 11%, e o de votos nulos e em branco permaneceu inalterado, em 7%.

Na simulação de segundo turno, o empate técnico persiste, mas Dilma aparece numericamente à frente de Marina. A petista foi de 41% para 42%, enquanto a candidata do PSB passou de 42% para 41%. Em um eventual segundo turno com Aécio Neves, Dilma foi de 44% para 45% dos votos, enquanto o tucano foi de 36% para 37%.

O Vox Populi entrevistou 2 mil eleitores em 147 municípios de todas as regiões do País entre 23 e 24 de setembro. A pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-00757/2014, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

No CartaCapital
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E Marina não chorou...

 Agência Brasil - 30/06/2012 

MPT denuncia discriminação e pede retorno dos bancários demitidos pelo Itaú

O MPT (Ministério Público do Trabalho) apresentou à Justiça pedido de reintegração dos trabalhadores que foram demitidos pelo Itaú Unibanco desde março de 2011. A ação civil pública, assinada pela procuradora Margaret Matos de Carvalho, denuncia que as "inúmeras demissões" tiveram "nítido caráter discriminatório" e visaram aos mais velhos, às pessoas com deficiência e aos portadores de doenças ocupacionais.

"Os empregados dispensados eram os que contavam com mais idade e tempo de serviço, sendo que muitos se encontravam há poucos meses do tempo necessário para requerer aposentadoria", diz trecho da ação. Outra irregularidade das demissões, de acordo com a procuradora, é a falta de negociação coletiva prévia com as entidades sindicais que representam a categoria.

A procuradora não especifica na ação civil pública, que tramita desde a semana passada na 9ª Vara do Trabalho de Curitiba, o número exato de bancários que seriam beneficiados por uma eventual decisão favorável da Justiça. Com pedido de liminar, a ação do MPT solicita que o banco apresente a relação das dispensas efetuadas no período.

Entre março de 2011 e março deste ano, o total de funcionários do Itaú teria passado de 104 mil para 96,2 mil — uma redução de 7,8 mil postos de trabalho em todo o país. Os dados fazem parte de uma pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), a partir de números oficiais do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Apenas em Curitiba, 170 funcionários foram dispensados de janeiro até o último dia 15.

Além da reintegração, o MPT pede na ação o pagamento de todos os salários e benefícios dos demitidos durante o período de afastamento. Também requer a condenação do banco ao pagamento de uma indenização de R$ 100 milhões por dano moral coletivo. O dinheiro seria revertido ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Funcionária do Itaú há 23 anos, uma trabalhadora demitida no começo deste mês relatou à Agência Brasil como recebeu a notícia de seu desligamento. “Muitas vezes você abre mão do almoço para atingir as metas do banco, nunca fiz menos do que os mil pontos exigidos, e, no final do dia, você recebe a visita de alguém para lhe dizer que você está fora da curva”, diz a ex-bancária, que prefere não se identificar.

A ex-bancária acredita em sua reintegração ao cargo. “Preciso do emprego, estou na rua da amargura, desesperada. Meu marido ficou dez anos fazendo bicos, agora até conseguiu um emprego, mas com baixo salário. Essa ação judicial é a esperança que tenho”.

Entre os argumentos da ação do MPT está a Lei 9.029, de 1995, que proíbe práticas discriminatórias para efeito de acesso ou manutenção de emprego em razão da idade. A Lei 8.213, de 1991, que estabelece cotas de até 5% nas empresas para pessoas com deficiência e proíbe a demissão de pessoas nessa condição sem a devida substituição, também é citada no processo.

De âmbito nacional, a convenção coletiva de trabalho da categoria garante estabilidade de um a dois anos aos bancários em idade próxima à de aposentadoria, conforme o tempo de serviço.

“Sabemos que a Justiça ainda não se pronunciou, mas já consideramos a propositura da ação uma vitória, já que nem sempre conseguimos sensibilizar os procuradores para problemas como esse”, disse à Agência Brasil a secretária de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Karla Huning.

Segundo levantamento do Dieese e da Contraf, os trabalhadores demitidos pelos bancos brasileiros ao longo de 2011 tinham um salário médio de R$ 4,1 mil. Já a remuneração média dos novos contratados foi de R$ 2,4 mil, o equivalente a 58,5% do salário dos dispensados. O lucro do Itaú Unibanco no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 3,4 bilhões. “Para o banco, a rotatividade de trabalhadores é uma forma de redução de custos”, avalia Karla Huning.

A Contraf levou na última quinta-feira (28/6) o caso do Itaú ao conhecimento do ministro do Trabalho, Brizola Neto, durante audiência em Brasília. "O ministro mostrou preocupação com essa realidade e afirmou que chamará o banco para explicar os motivos desta redução de empregos", disse Carlos Cordeiro, presidente da confederação.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Itaú Unibanco afirmou que a instituição irá se manifestar apenas nos autos do processo.
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Álvaro Dias, autor da CPI da Petrobras, recebeu dinheiro de empresa investigada pela PF

19/09/2014

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) responsável em protocolar no Senado a instalação da CPI da Petrobras, também está na lista de pagamentos de empresa investigada na Operação lava jato

Catão de Pinhais
O responsável pela instalação da CPI da Petrobras, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) também recebeu dinheiro de empresa investigada pela Operação Lava Jato.

Dentre as empresas investigadas por suspeita de superfaturar obras da Petrobras e pagar propina para políticos são: OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia e UTC Engenharia.

Essa última empresa doou para candidatura de Álvaro Dias ao governo do Paraná em 2002 à quantia de R$ 781 mil reais. Na época a Petrobras era comandada pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Doação para campanha de Álvaro Dias


Em 2001, investigação mostrava envolvimento de Álvaro Dias com doleiro preso na Operação Lava Jato

Desvio de verba envolve mais de 130 pessoas

DA AGÊNCIA FOLHA, EM MARINGÁ

Os desvios de verbas na Prefeitura de Maringá (norte do PR) revelam um esquema de corrupção cujo alcance se estende por pelo menos 11 Estados e envolvem mais de 130 pessoas, segundo as investigações preliminares da Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público do município.

De acordo com a Procuradoria, cheques emitidos pela prefeitura foram parar em contas de políticos, empresários, doleiros, laranjas e até religiosos. O esquema se estende até o Amazonas.

Os nomes, que não foram revelados para não prejudicar as investigações, surgiram a partir da quebra do sigilo dos dados -referentes ao período de 1986 a 2000- de mais de 50 contas bancárias da Prefeitura de Maringá que estão sendo rastreadas.

O rastreamento das contas já detectou cerca de 10 mil cheques para fins supostamente ilegais emitidos somente na gestão do prefeito Jairo Gianoto (sem partido, ex-PSDB), entre 1997 e 2000.

Auditoria

Somente em uma das contas a Procuradoria já apurou que houve um desfalque de cerca de R$ 30 milhões. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Paraná já havia apontado que outros R$ 74 milhões foram desviados da prefeitura entre 1993 e 2000.

Luís Antônio Paolicchi, que está preso e é acusado de desviar R$ 54 milhões, entre 1997 a 2000, era secretário da Fazenda da Prefeitura de Maringá desde 1993.

A Promotoria ainda não tem idéia sobre o total do dinheiro desviado dos cofres públicos de Maringá. O montante agora está em mais de R$ 100 milhões -quase o Orçamento anual da cidade, em torno de R$ 110 milhões.

O promotor José Aparecido Cruz acredita que, do dinheiro desviado, cerca de 30% permaneceram no Paraná, em contas particulares dos envolvidos. O restante foi para outros Estados e há indícios de que uma parte teria sido desviada para contas no exterior, provavelmente na Europa.

A rede de beneficiados pelo esquema de corrupção em Maringá, segundo o órgão, atinge os seguintes Estados: Amazonas, Maranhão, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Alguns dos nomes sob investigação haviam sido revelados em depoimento prestado à Justiça Federal pelo ex-secretário da Fazenda de Maringá Luís Antônio Paolicchi, apontado como pivô do esquema de corrupção.

Depoimento

No depoimento, ele afirmou que campanhas de políticos do Paraná como o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Álvaro Dias (PSDB) foram beneficiadas com dinheiro desviado dos cofres públicos, em operações que teriam sido comandadas pelo ex-prefeito Gianoto.

A campanha em questão foi a de 1998. "A pessoa que coordenava (o comitê de Lerner em Maringá) era o senhor João Carvalho (Pinto, atual chefe do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura), que sempre vinha ao meu gabinete e pegava recursos, em dinheiro", afirmou Paolicchi, que não revelou quanto teria destinado à campanha do governador -o qual não saberia diretamente do esquema, segundo ele

Quanto a Dias, o ex-secretário disse que Gianoto determinou o pagamento, "com recursos da prefeitura", do fretamento de um jatinho do doleiro Alberto Youssef, que teria sido usado pelo senador durante a campanha.

"O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador. E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (...) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época", afirmou.

Paolicchi responde a processo sob acusação de sonegação fiscal, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Jatinho fretado por doleiro

Em 1998, uma investigação na prefeitura de Maringá descobriu que recursos do município foram usados para pagar jatos usados pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) em sua campanha. O responsável pelo fretamento era justamente Youssef.

No Jornal i9
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NYT: Dilma estava certa, Miriam Leitão, errada


Reportagem publicada pelo jornal mais importante do mundo, o The New York Times, reforça que a presidente Dilma Rousseff estava correta durante sabatina no Bom Dia Brasil, da TV Globo, na última segunda-feira 22, enquanto a jornalista Miriam Leitão, que contestou os dados da presidente, errada.

A discordância de números e as interrupções foram fatores frequentes na entrevista de meia hora, exibida na íntegra pela emissora. Quando Dilma falou que a economia alemã ia mal, Miriam discordou, rebatendo que a mais forte economia da zona euro cresceria 1,5% esse ano, mais que o Brasil, cujo mercado espera crescimento de 0,3%.

A entrevistadora, no entanto, se referia à expectativa de crescimento da Alemanha, não um avanço real no PIB. Dilma disse que o país europeu havia crescido apenas 0,8% no segundo trimestre desse ano, dado que já foi calculado e divulgado oficialmente.

A reportagem do NYT, publicada nesta quarta-feira 24, aponta que um dos principais indicadores de confiança das empresas alemãs caiu na terça-feira mais do que o esperado, para o patamar mais baixo desde 2012, intensificando assim os temores de que a economia do país esteja ameaçada de entrar em recessão.

"A economia alemã já registrou um declínio no segundo trimestre, quando a produção caiu 0,2% em comparação com o trimestre anterior. Outro declínio trimestral consecutivo colocará o país em recessão", diz a matéria, sobre a economia que, como diz o jornal, serviu de âncora para o restante da zona do euro durante quatro anos de crise intermitente e de crescimento irregular.

A crise internacional é justificativa frequente de Dilma para o baixo crescimento do PIB brasileiro. Com alguns adendos: enquanto países europeus desempregavam, o Brasil criava vagas, aumentava a renda, mantinha investimentos em infraestrutura e redução da desigualdade. A tese é rebatida por economistas e políticos da oposição. Mas não parece estar nem um pouco incorreta. Os dados da economia alemã são prova disso.

No 247
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Brasil: Economia e Comércio

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A "massa cheirosa" subversiva da Folha

Eliane Cantanhêde, a da “massa cheirosa” tucana, parece angustiada com os resultados das últimas pesquisas. O “furacão” Marina Silva perdeu intensidade; Aécio Neves estacionou no “aecioporto”; já Dilma Rousseff dá sinais de que pode ser reeleita no primeiro turno. Diante deste cenário, a colunista da Folha resolveu culpar os movimentos sociais brasileiros. No artigo intitulado “Silêncio ensurdecedor”, ela acusa a UNE, a CUT e o MST de não terem feito oposição à atual presidenta. Isto explicaria a possível vitória da temida “lulopetista”. Para esta perigosa subversiva do PSDB, a sociedade deveria acordar e ocupar as ruas para desmascarar e derrotar o governo.

“Com esse papo de direita e esquerda, o PT conseguiu esconder uma triste realidade dos governos Lula e Dilma: os movimentos sociais sumiram. E como fazem falta! A UNE virou puxa-saco do poder. A CUT nunca ficou tão fora dos microfones. O MST está esperando sentado a alternância no governo para voltar a infernizar”, critica a esquerdista tucana. No seu desespero, a jornalista deixou de acompanhar o próprio noticiário. Nos últimos anos, houve uma retomada das greves no Brasil, lideradas pelas várias centrais sindicais; os estudantes realizaram várias manifestações e obtiveram conquistas, como a aprovação do Plano Nacional da Educação (PNE); e os sem-terra mantiveram as ocupações e os protestos de rua.

No seu partidarismo, a “massa cheirosa” da Folha beira o ridículo. Ela afirma: “A Petrobras é dilapidada e não se ouve um só grito de estudantes e de sindicatos”. Na semana passada, sob a direção da Federação Única dos Petroleiros (FUP), ocorreu um “abraço” à sede central da Petrobras no Rio de Janeiro. Lógico que não foi pelos motivos pregados pela falsa moralista. Trabalhadores, estudantes e sem-terra criticaram a ofensiva da direita — estrangeira e nativa — contra a Petrobras e o pré-sal. Os manifestantes rejeitaram as propostas privatistas e entreguistas do tucano Aécio Neves e da ex-verde Marina Silva. A mídia “privada” não deu destaque para o “abraço”, o que talvez explique a “barriga” de Eliane Cantanhêde.

Ao final do artigo, a ultrarrevolucionária lamenta a ausência das lutas sociais. “Saudade do PT na oposição, das forças vivas, da pressão legítima, da indignação produtiva. Saudade de jovens críticos e não cooptáveis”. Para a serviçal da Folha, a única força de oposição que restou no Brasil é a mídia, que cumpre o papel de “incomodar os poderosos de plantão, questionar dados e versões, pressionar por avanços, exigir de volta a nossa Petrobras”. Haja cinismo! O desespero produz cada absurdo!

Em tempo: Eliane Cantanhêde podia aproveitar esta fase incendiária para liderar uma greve contra as demissões, a precarização do trabalho e os péssimos salários da Folha. A famiglia Frias aceitaria esta "pressão legítima", esta "indignação produtiva", numa boa!

Altamiro Borges
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E aí Ibope - Será que não existe correlação de votos entre Dilma e Padilha?

Salientamos que a correlação de votos entre Dilma e o candidato à governador paulista, Alexandre Padilha caminham no mínimo na faixa de 70% (entre um e outro). Considerando o patamar publicado pelos institutos de intenção de votos para presidente, informamos aos institutos de Pesquisas que Padilha deveria ter, no mínimo, 20% de votos no Estado!

Exemplificamos como a mídia golpista trabalha as informações pró neoliberais:


No Forum ZN
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Carta aberta de Luiz Alberto Moniz Bandeira a Roberto Amaral


Estimado colega, Prof. Dr. Roberto Amaral

Presidente do PSB,

A Sra. Marina Silva tinha um percentual de intenções de voto bem maior do que o do governador Eduardo Campos, mas não conseguiu registrar seu partido — Rede Sustentabilidade — e sair com sua própria candidatura à presidência da República.

O governador Eduardo Campos permitiu que ela entrasse no PSB e se tornasse candidata a vice na sua chapa. Imaginou que seu percentual de intenções votos lhe seria transferido.

Nada lhe transferiu e ele não saiu de um percentual entre 8% e 10%. Trágico equívoco.

Para mim era evidente que Sra. Marina Silva não entrou no PSB, com maior percentual de intenções de voto que o candidato à presidência, para ser apenas vice.

A cabeça de chapa teria de ser ela própria. Era certamente seu objetivo e dos interesses que representa, como o demonstram as declarações que fez, contrárias às diretrizes ideológicas do PSB e às linhas da soberana política exterior do Brasil.

Agourei que algum revés poderia ocorrer e levá-la à cabeça da chapa, como candidata do PSB à Presidência.

Antes de que ela fosse admitida no PSB e se tornasse a candidata a vice, comentei essa premonição com grande advogado Durval de Noronha Goyos, meu querido amigo, e ele transmitiu ao governador Eduardo Campos minha advertência.

Seria um perigo se a Sra. Marina Silva, com percentual de intenções de voto bem maior do que o dele, fosse candidata a vice. Ela jamais se conformaria, nem os interesses que a produziram e lhe promoveram o nome, através da mídia, com uma posição subalterna, secundária, na chapa de um candidato com menor peso nas pesquisas.

O governador Eduardo Campos não acreditou. Mas infelizmente minha premonição se realizou, sob a forma de um desastre de avião. Pode, por favor, confirmar o que escrevo com o Dr. Durval de Noronha Goyos, que era amigo do governador Eduardo Campos.

Uma vez que há muitos anos estou a pesquisar sobre as “shadow wars” e seus métodos e técnicas de “regime change”, de nada duvido. E o fato foi que conveio um acidente e apagou a vida do governador Eduardo Campos. E assim se abriu o caminho para a Sra. Marina Silva tornar-se a candidata à presidência do Brasil.

Afigura-me bastante estranho que ela se recuse a revelar, como noticiou a Folha de São Paulo, o nome das entidades que pagaram conferências, num total (que foi, declarado) R$1,6 milhão (um milhão e seiscentos mil reais), desde 2011, durante três anos em que não trabalhou. Alegou a exigência de confidencialidade. Por que a confidencialidade? É compreensível porque talvez sejam fontes escusas. O segredo pode significar confirmação.

Fui membro do PSB, antes de 1964, ao tempo do notável jurista João Mangabeira. Porém, agora, é triste assistir que a Sra. Marina Silva joga e afunda na lixeira a tradicional sigla, cuja história escrevi tanto em um prólogo à 8a. edição do meu livro O Governo João Goulart, publicado pela Editora UNESP, quanto em O Ano Vermelho, a ser reeditado (4a edição), pela Civilização Brasileira, no próximo ano.

As declarações da Sra. Marina Silva contra o Mercosul, a favor do subordinação e alinhamento com os Estados Unidos, contra o direito de Cuba à autodeterminação, e outras, feitas em vários lugares e na entrevista ao Latin Post, de 18 de setembro, enxovalham ainda mais a sigla do PSB, um respeitado partido que foi, mas do qual, desastrosamente, agora ela é candidata à presidência do Brasil.

Lamento muitíssimo expressar-lhe, aberta e francamente, o que sinto e penso a respeito da posição do PSB, ao aceitar e manter a Sra. Marina Silva como candidata à Presidência do Brasil.

Aos 78 anos, não estou filiado ao PSB nem a qualquer outro partido. Sou apenas cientista político e historiador, um livre pensador, independente. Mas por ser o senhor um homem digno e honrado, e em função do respeito que lhe tenho, permita-me recomendar-lhe que renuncie à presidência do PSB, antes da reunião da Executiva, convocada para sexta-feira, 27 de setembro. Se não o fizer – mais uma vez, por favor, me perdoe dizer-lhe – estará imolando seu próprio nome juntamente com a sigla.

As declarações da Sra. Marina Silva são radicalmente incompatíveis com as linhas tradicionais do PSB. Revelam, desde já, que ela pretende voltar aos tempos da ditadura do general Humberto Castelo Branco e proclamar a dependência do Brasil, como o general Juracy Magalhães, embaixador em Washington, que declarou: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”

Cordialmente,

Prof. Dr. Dres. h.c. Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira
Reilinger Str. 19
68789 St. Leon-Rot – Deutschland
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Cúpula de clima: presidenciável defende que Brasil firme documento sem ler

Assim não dá! Não chega o candidato Aécio Neves (PSDB-DEM) desinformado, falando sobre tudo, sobre o que sabe e o que não sabe, agora temos também a candidata Marina Silva, do PSB, seguindo a mesma trilha? A bobagem que a Marina falou ontem, em cima da bucha, com relação ao fato de a presidenta Dilma Rousseff não ter assinado em nome do Brasil a declaração da ONU sobre desmatamento/clima, no encerramento da Cúpula de Clima em Nova York, não tem precedentes, não tem conserto, não tem jeito, pessoal!

Marina simplesmente queria que o Brasil assinasse uma declaração sem que tivéssemos sido consultados sobre sua elaboração, redação final, sobre nada em relação ao documento. Imagina se a moda pega! A ligeireza da crítica de Marina feita horas após a presidenta ter anunciado a posição do Brasil de não  subscrever o documento,  e seu afã eleitoral, comprovam que ela não está à altura do cargo de presidente.

Francamente… cobrar da presidenta Dilma, de um chefe de Estado e/ou de Governo a firma, a assinatura em um documento sobre o qual o Brasil não foi consultado e nem convidado a debater, a participar da redação é algo imperdoável para quem disputa o cargo de presidente da República.

Candidata se precipita na crítica

Marina classificou de “lamentável” a decisão do governo brasileiro de não assinar a iniciativa global antidesmatamento anunciada ao final na Cúpula de Clima da ONU ontem. Afirmou que o discurso da presidenta Dilma na conferência ficou limitado às conquistas do passado, em vez de assumir compromissos para o futuro.

“Infelizmente — considerou a candidata do PSB ao Planalto — a presidente Dilma está participando em Nova York da Cúpula do Clima, a convite do secretário-geral das Nações Unidas, que a chamou para debater o grave problema das mudanças climáticas. Ela fez uma fala se reportando tão somente às conquistas do passado, não assumindo nenhum compromisso para o futuro. Não assinou o acordo sobre a proteção das florestas dos países que têm mais florestas, o que é lamentável. Nós podemos juntar economia e ecologia”.

Pior, foi apocalíptica: para ela, a decisão do governo de não assinar o documento “compromete” as florestas, a biodiversidade, as populações locais e, principalmente, a agricultura brasileira. Marina assinalou, por exemplo, que as chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil são produzidas pelas condições climáticas na Amazônia.

“Quando o governo, por políticas erráticas, retrocede em relação a processos que vêm sendo encaminhados para que se tenha uma agenda de desmatamento zero, isso é um grande retrocesso. Não somente  em relação ao acordo de florestas, mas também ao protocolo de Nagoya, que o governo brasileiro não ratificou. Foi retrocesso sobre retrocesso”, concluiu.

Explicação didática para Marina entender

Vamos repetir para Marina Silva as razões expostas pela presidenta Dilma e pela ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, sobre a posição do Brasil para não assinar o documento e porque seria quase um crime de lesa-pátria subscrever o documento. Seria tal qual assinar sem ler um programa de governo.

Vamos explicar e ver se a ex-senadora Marina entende agora. O Brasil não assinou o documento, nem poderia assinar, porque conforme explicou a presidenta, e nas palavras da ministra Izabella Teixeira, “o Brasil não foi convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração que propõe uma meta para zerar o desmatamento no planeta.

Em vez disso, destacou Izabella, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração. “Infelizmente, não fomos consultados. Até achamos impossível que se possa pensar haver uma iniciativa global para florestas sem o Brasil dentro. Não faz sentido”, completou a titular do Meio Ambiente.

Além disso, uma das principais restrições brasileiras ao documento é que ele só foca e cobra desmatamento zero. Não há distinção, no texto, entre desmatamento legal e ilegal. Como a lei brasileira permite manejo sustentável de florestas e derrubada de áreas para agricultura, dentro de certos limites (20% a 50%, na Amazônia, por exemplo), o país não poderia simplesmente aderir ao desmatamento zero, explicaram os membros da delegação brasileira em Nova York.

Entendeu, agora, senadora? Compreendeu, candidata?

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Externa, mas nem tanto

Por falarem em ONU, é notável como, na campanha para presidente, ninguém se manifesta sobre uma das responsabilidades mais complexas da função, que é a política externa, especialmente importante para o Brasil no mundo conturbado da atualidade.

Lá no começo da campanha, Marina Silva até deu um peteleco no assunto, para indicar que um governo seu recuperaria o dístico, de longa existência, segundo o qual "o Brasil vive de costas para os seus vizinhos". Nas palavras de Marina: "O Mercosul não será prioridade". Como os Estados Unidos gostariam, para restabelecer o rebanho na América do Sul. Aécio Neves nem passou perto do tema.

A rigor, para deixar clara a sua concepção de política externa, nenhum dos dois precisa expô-la. Basta que se observe quem são os seus economistas: todos identificados com o governo dos Estados Unidos, seja qual for, como centro da ciranda mundial das Bolsas e dos juros.

Da mesma maneira, se vê o que é verdade entre a afirmação de Aécio de que extinguiria o "fator previdenciário", criado no governo Fernando Henrique com prejuízo para os aposentados, e o desmentido do próprio declarante à declaração. É evidente que o grupo de criadores do "fator" não o eliminaria, se voltasse ao poder.

Aécio disse e se desdisse menos de 24 horas depois de encantar-se com este achado: "Uma candidata mente e a outra desmente". Para louvá-lo com o mesmo verbo, pode-se dizer que Aécio consegue fazer sozinho o que precisa das duas: mentiu duas vezes, quando anunciou o fim do "fator" e quando desmentiu o anúncio.

O que não expôs sobre política externa, talvez por considerar que a continuidade é óbvia, Dilma reafirmou em três ocasiões nos últimos dois dias: uma entrevista; a recusa à adesão do Brasil a um acordo extravagante sobre desmatamento (só 32, de 123 presidentes reunidos, o assinaram) e, ainda, o discurso na ONU. Os comentários imediatos, aqui, só viram o lado de projeção da candidata, no caso dos aecistas; e a oportunidade de relembrar a ecológica Marina, no caso da própria.

O principal sentido das falas de Dilma foi o de consolidar para o mundo, no solo mais apropriado, a política externa de afirmação da soberania brasileira. E, portanto, de recusa ao sistema de necessário alinhamento aos Estados Unidos. Foi relevante, nesse significado das falas, que suas críticas à diplomacia dos caças americanos se fizesse quando Obama mal acabara de mandá-los bombardear território da Síria. E ainda aguardava as reações mundo afora, insistindo no discurso indulgente de que os Estados Unidos não estavam sozinhos na decisão de atacar os extremistas do movimento Estado Islâmico.

No capítulo das relações brasileiras com o governo Obama, as posições expressas por Dilma soaram como sinal de dificuldades maiores. As meias palavras de meia solidariedade ditas a Dilma por Obama, depois das revelações de Snowden, são coisas passadas e incompletas. E há um problema subjacente e de difícil dissimulação: o desprezo ostensivo de Obama pela bem-sucedida intermediação que, a seu pedido, Lula e o turco Erdogan fizeram com o Irã.

Na ocasião, foi um espanto internacional. Até porque o entendimento aceito pelo Irã era muito maior do que o acordo enfim concretizado com os Estados Unidos. Mas ninguém abordou ainda esse assunto a partir das revelações de Snowden. Se o governo americano violava todas as comunicações da Presidência brasileira, não há por que duvidar de que entre Lula e Erdogan alguém disse algo demais. E os dois, se não disseram, ouviram do iraniano Ahmadinejad e concordaram.

Janio de Freitas
No fAlha
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Números contradizem onda de pessimismo com economia brasileira

Estamos em pé, gerando empregos, com preços caindo e variação positiva do PIB
Há algum tempo, dados e declarações que procuram demonstrar que há no Brasil grande crise e descontrole da economia ganharam destaque: o país está em recessão (técnica!), a inflação, descontrolada, o desemprego chegou, o déficit comercial subiu etc.

A vida não anda fácil no mundo e no Brasil, é verdade. A partir de 2007/2008, as economias desenvolvidas provocaram a mais grave crise do capitalismo desde 1929. “A grande recessão”, segundo economistas, trouxe aos países desenvolvidos alto desemprego, arrocho salarial, perda de direitos e da proteção social como remédio para a crise.

A atividade econômica caiu nos países em desenvolvimento e a China passou a mostrar seu poder econômico. Com políticas anticíclicas, o Brasil permaneceu em pé, garantindo empregos, preservando salários e políticas sociais, bem como protegendo e incentivando a atividade produtiva. É muito difícil enfrentar essa crise. Há acertos e erros que fazem parte do risco de quem governa e decide diante de tantas incertezas.

O Brasil enfrenta inúmeros desafios de curto prazo: a pressão dos preços internacionais de alimentos; a severa seca, a mais grave dos últimos 60 anos, que comprometeu a safra agrícola, elevando preços de insumos, alimentos e energia elétrica; a Copa do Mundo, que reduziu a quantidade de dias úteis, com impacto sobre a atividade econômica; a desvalorização do Real (R$ 1,6 para R$ 2,3 por dólar), que ajuda a proteger a indústria, mas tem impactos sobre preços; a queda na receita fiscal do governo; a redução na venda de manufaturados para a Argentina; a China ganhando espaço comercial na América Latina e no nosso mercado interno; a enorme pressão dos rentistas pelo aumento dos juros, entre outros.

Apesar disso, os números da atual conjuntura evidenciam que ainda estamos em pé, senão vejamos:

·      No primeiro semestre de 2014, houve aumento salarial em 93% das Convenções Coletivas, com ganhos reais entre 1% e 3%;

·      O preço da cesta básica caiu nas 18 capitais pesquisadas pelo DIEESE, entre julho e agosto (-7,69% a -0,48%).

·      O Índice do Custo de Vida do DIEESE, na cidade de São Paulo, variou 0,68% em julho e 0,02% em agosto, arrefecendo.

·      O mercado de trabalho formal criou mais de 100 mil postos de trabalho em agosto.

·      O comércio calcula que serão criadas mais de 135 mil vagas no final do ano.

·      O BC estimou a variação positiva do PIB para julho em 1,5% e indicou trajetória de queda da inflação.

·      A atividade produtiva da indústria cresceu 0,7% em julho.

A ciência dos números é insubstituível para dar qualidade ao debate público e apoiar um olhar criterioso sobre a dinâmica da realidade. O desafio é correlacionar as informações para produzir o conhecimento e compreender o movimento do real.

Clemente Ganz Lúcio, Diretor Técnico do DIEESE
No Viomundo
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Essa é do Barão... 54


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O dia que chorei duas vezes


Na sexta-feira passada, eu e mais quatro amigos que nos conhecemos desde os tempos da ditadura — e que fomos para Cuba fazer treinamento e lutamos juntos na Guerrilha do Araguaia — fomos até à favela da Rocinha ver o Lula e apoiá-lo.

Dias antes do evento, avisamos que iríamos e pedimos para que as seguranças do Lula e das demais autoridades fossem avisadas de que, apesar das aparências (com tatuagens nos braços; rabos-de-cavalo; barbas; cabeças totalmente carecas, etc) éramos amigos. Estávamos trajando bermudas, tênis ou camisa pólo ou camiseta ou t-shirt e demos os nossos nomes e números das nossas identidades.

Um rapaz se aproximou da gente e perguntou o que estávamos fazendo ali. Pedimos a identificação dele e nos identificamos. Ele era da Abin. Disse a ele que estávamos autorizados a ficar naquele ponto. Ele perguntou quem deu a autorização e eu disse o nome da pessoa que, aliás, já estava no palanque onde haveria o discurso do Lula. Ele pegou as nossas identidades e entrou em contato por um rádio com algum superior informando os nossos nomes para ver se conferia com uma lista que esperávamos que os nossos nomes estivessem nela. Enquanto conversávamos, chegaram mais alguns policias (acredito) à paisana.

Enquanto o rapaz da Abin aguardava o retorno do seu superior confirmando ou não os nossos nomes, me lembrei que conheci há muito tempo atrás uma pessoa que tinha o mesmo sobrenome — que não era um sobrenome comum — do rapaz da Abin.

Enquanto o superior dele não retornava, perguntei se ele conhecia a tal pessoa com o mesmo sobrenome dele.

Ele arregalou os olhos e me disse assustado: "— Mas, é o nome do meu pai!"

Aí, eu disse: "— Quer dizer que você é filho do (eu disse o apelido que o pai dele tinha durante a ditadura para não ser identificado)?"

Ele respondeu:" — Sim, sou! Caramba, você conhece o meu pai?"

Respondi: "— Nós cinco conhecemos o seu pai muito bem. Fomos juntos para Cuba."

O rapaz ainda meio atordoado, afastou-se do grupo e fez uma ligação. Depois de trocar algumas palavras com a pessoa para a qual ele ligou, mesmo afastado do grupo ele gritou:" — Qual era o seu apelido?" Eu respondi e ele retomou a conversa ao telefone. Alguns segundos depois ele se reaproximou do grupo, com um sorriso no rosto e me disse: "— Fala aqui com o meu pai." Eu peguei o telefone e disse: "— Fala, viadinho!! Tudo bom? Quanto tempo né? Sabe quem está aqui comigo? Seu filho tá dando uma dura na gente." E eu disse os apelidos dos meus quatro amigos que estavam comigo.

O pai do rapaz da Abin ficou alguns segundo sem falar nada. Percebi que ele estava chorando e quando eu olhei para o lado, onde estavam os meus amigos, todos eles, também, estavam chorando. O rapaz da Abin também começou a chorar e os policiais à paisana, assustados com o que viam, não sabiam o que fazer. Eu não resisti e comecei a chorar também. Todos chorando. As pessoas que passavam não entendiam nada.

Depois de alguns minutos de conversa ao telefone, entre nós cinco com o pai do rapaz da Abin, marcamos de nos encontrar aqui no Rio porque pai do rapaz da Abin mora em Brasília. O rapaz da Abin devolveu nossas identidades e pediu desculpas e disse que levou do pai uma "chupada" (bronca) por ele ter "dado uma dura na gente". Deixou o número do telefone particular e da residência e celular do pai. Minutos depois o rapaz da Abin se antecipou ao seu superior que ainda não havia retornado a ligação confirmando nossas identidades, dizendo que estava tudo bem e que não havia necessidade de se confirmar os nossos nomes.

O rapaz da Abin, cheio de formalidade, apertou nossas mãos e nos abraçou, pediu desculpas e nos agradeceu pelo nosso passado. Eu disse: " — Fulano, pára com isso! Seu pai é um grande amigo nosso." E disse para o rapaz, de sacanagem — devido à intimidade que nós tínhamos com o pai dele — todas as manias que o pai dele tinha na época da clandestinidade. Ele riu muito e disse que gozaria do pai dele. E ele e os policiais à paisana, que também apertaram as nossas mãos, foram embora.

O Lula chegou. Tumulto geral. O povo num desespero sem igual, avançava para cima da segurança na esperança de tocar ou, ao menos, ver o Lula. Durante todo o tempo que o Lula estava na Rocinha, o povo não parava de gritar: " — Lula, Lula." Ou " — Ão, ão, ão, o Lula é nosso irmão!".

Pensei comigo e falei para os meus amigos: " — Em mais de 500 anos de Brasil eu nunca tinha ouvido falar que um presidente tinha entrado em uma favela no Rio de Jainero ou em qualquer outro estado do Brasil." Todos concordaram. E eu disse mais: " — Vocês conseguem imaginar o FHC entrando em uma favela para fazer algum discurso?"

Minutos antes de terminar o discurso, alguém sinalizou para a segurança que o Lula desceria do palanque para ir embora. A movimentação repentina da segurança denunciou para o público presente que o Lula estava de saída. Nossa Senhora! Nunca vi desespero tão grande do povo para se aproximar do Lula. A segurança estava desesperada. Corria de um lado para o outro. O povo cercou o Lula que, sempre com um sorriso no rosto, abraçou, beijou, pegou crianças no colo e, o mais impressionante, toda uma multidão de pessoas que estava mais próxima do Lula chorava.

Eu me esforçava para não chorar novamente. Quando olho para os meus amigos, todos estavam chorando. Aí, chorei também. Mais uma vez. E eu disse: " — É galera, tão vendo aí, a nossa luta não foi em vão." Pronto. Foi só eu dizer isso para aumentar mais ainda a choradeira.

Antes de entrar no carro, o Lula olhou para onde estávamos e, com os braços erguidos com uma mão apertando a outra, como se estivesse erguendo um troféu, balançou os braços. E eu articulando os lábios, sem emitir qualquer som, disse olhando para ele e ele olhando para mim: " — NINGUÉM SEGURA O BARBA!". Lembrando o apelido dele desde a época da ditadura. Ele sorriu, deu tchau e entrou no carro. Não vimos o nosso amigo Comprido apelido do Franklin Martins.

Fomos embora. Fomos para o bar Bracarense depois para o Jobí e depois para a Pizzaria Guanabara para comemorar e jantar. Num mesmo dia, num curto espaço de tempo, chorei duas vezes. De felicidade. Valeu

Abraços em todos.

Stanley Burburinho.
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