24 de set de 2014

No Rio Grande, Ana Amélia descaradamente mente

http://oglobo.globo.com/blogs/preto-no-branco/posts/2014/09/24/ana-amelia-reconstituicao-de-mama-550716.asp


Ana Amélia e reconstituição de mama

A propaganda eleitoral exibida em 22 de agosto pela campanha da candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul, Ana Amélia, tratou sobre a lei que obriga o SUS a fazer cirurgia reparadora de mama. 

“Tem uma lei, que a Ana Amélia Amélia aprovou, que obriga o SUS a fazer as duas coisas ao mesmo tempo: retirar a doença (câncer de mama) e fazer a reconstrução”.

No mesmo programa, a candidata ainda afirma:

“Tirei da gaveta projeto da deputada Rebecca Garcia (PP/AM) exatamente para beneficiar mulheres, como relatou a Bia”.


A lei em questão, aprovada pelo Senado em março de 2013, não é de autoria da candidata, como sugere seu programa eleitoral.

Ela também não foi “desengavetada” por Ana Amélia, como a própria afirma.

O projeto de lei, número 2784/08, é da deputada Rebecca Garcia (PP-AM). Ele foi apresentado em 2008 na Câmara dos Deputados e aprovado em julho de 2012.

Depois, seguiu, em regime de urgência, para o Senado. E, lá, foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) por unanimidade e votado em seguida no plenário, sem alterações, para evitar que voltasse à Câmara para nova votação.

A senadora Ana Amélia Lemos foi relatora do projeto em plenário.
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A fome de Marina Silva


O vídeo de um comício de Marina Silva em Fortaleza viralizou. O mote era sua defesa do Bolsa Família, programa que não será desativado em seu eventual governo.

Diz ela, emocionada:
”Eu sei o que é passar fome. Eu sei o que foi um sábado de aleluia em 1968. Tudo que minha mãe tinha, para oito filhos, era um ovo e um pouco de farinha e sal. Meu pai, minha mãe, minha avó, minha tia olhavam para aqueles oito irmãos. Eu me lembro de ter perguntado pro meu pai e minha mãe: ‘vocês não vão comer?’ Minha mãe respondeu: ‘nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Quem viveu esta experiência, jamais acabará com o Bolsa Família. Não é um discurso, é uma vida. O compromisso não está escrito em um papel que depois eles rasgam e esquecem. Está escrito sabe aonde? Na carne deste corpo magro”.
É contundente. Ela interrompe sua fala por causa das lágrimas. Há quem, compreensivelmente, chore ao ouvi-la.

Mas essa passagem da vida de Marina ganhou um tamanho inédito apenas recentemente.

Uma biografia de 2010 acaba de ser relançada. “Marina, a vida por uma causa” foi escrita pela jornalista Marília de Camargo César, que ouviu familiares, amigos e pessoas próximas de Marina ao longo de meses — além, é claro, da própria MS.

A palavra “fome” aparece dez vezes em mais de 260 páginas. Em nenhum momento referindo-se ao que ela disse no Ceará.

Ela conta da influência da avó paterna, Júlia, com quem morou no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco: “Na Semana Santa, não se comia carne nem nada que tivesse açúcar. Minha avó fazia mungunzá sem açúcar, arroz-doce sem açúcar. Deve ser uma tradição vinda do Ceará”.

Marina, segundo aprendemos, era muito querida pela avó. Arnóbio Marques, ex-governador do Acre, que a conhece “há uns duzentos anos”, aparece dizendo: “É a única pobre mimada que conheço”.

Marina tinha 10 anos quando do almoço mencionado no palanque. Há um testemunho da época no livro:
“Desde uns dez anos de idade, eu acordava todo dia por volta de quatro da manhã para preparar a comida que meu pai levava para a estrada da seringa. (…) Todo dia preparava farofa. Às vezes com carne, mas quase sempre com ovo e um pouquinho de cebola de palha, acompanhada de macaxeira frita. Aí botava dentro de uma lata vazia de manteiga, com tampa. Manteiga era comprada só quando minha mãe ganhava bebê. Meu pai encomendava no barracão — o entreposto de mercadorias mantido pelo dono do seringal — uma lata, pra fazer caldo d’água durante o período de resguardo. Por incrível que pareça, a manteiga vinha da Europa para as casas aviadoras de Manaus e Belém e dali chegava aos seringais do Acre.A lata era uma coisa preciosa. De bom tamanho, muito útil, tinha tampa e desenhos lindos e elegantes”.
Num outro trecho sobre a infância:
“Minhas irmãs também faziam as mesmas coisas que eu. As outras crianças, filhas de meus tios, do vizinho do lado, também iam pro roçado, iam buscar água no igarapé, varrer o terreiro, ajudavam a plantar arroz, milho e feijão. O pai à frente, cavando as covas, e elas colocando a sementinha nas covas. Você não tinha nenhum instrumento para ver uma realidade oposta àquela, para dizer: por que os filhos do fulano de tal ficam só brincando e nós, aqui, trabalhando? Não existia isso. Havia até um prazer de poder ajudar nossos pais a diminuir o fardo deles”.
Não se coloca em dúvida que Marina enfrentou enormes atribulações e é dona, sim, de uma trajetória notável. A ex-seringueira acreana adquiriu malária cinco vezes, alfabetizou-se aos 16, chegou a senadora e ministra e concorre à presidência. Uma vencedora.

Mas a cartada da fome é típica de um populismo que, esperava-se, passaria longe da “nova política”. Quando ditou suas memórias, aquele sábado dramático, portinariano, não mereceu qualquer evocação. Hoje, talvez por insistência dos marqueteiros, a cena virou o filme.

É difícil competir com isso. Aécio, moço bem criado (ficou bom o botox), não tem o que oferecer nesse quesito. Dilma poderia apelar para o câncer ao qual sobreviveu para provocar a empatia da superação.

Se o fizesse, porém, a candidata do PSB provavelmente estaria pronta para acusá-la de demagogia.

A revelação em Fortaleza é mais uma faceta de um personagem surpreendente, cuja história não vai parar de ganhar novos capítulos e ser reescrita. Pelo menos até o fim das eleições.

No Acre
Kiko Nogueira
No DCM
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DataCaf: Dilma 39 vs 24 Bláblá

Arrocho 17, Ataulfo. Tá dificil…


Segundo turno?

O DataCaf também tem:

Dilma Rousseff 45 vs 40 Bláblá

No CAf
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PSB-Marina Silva: um noivado mal arranjado


A candidata a presidente Marina Silva não tem partido e o Partido Socialista Brasileiro não tem candidato. A morte de Eduardo Campos subverteu a hierarquia da coalizão (proto-Rede e PSB) impondo um noivado em que nenhum dos nubentes escolheria voluntariamente o outro. Certamente, Marina Silva nunca foi uma socialista e nem o Partido Socialista Brasileiro teria imaginado apoiar a hegemonia de um banco na Presidência da República. O pacto eleitoral que servia a Eduardo Campos e ao carona Rede passou a acorrentar mutuamente Marina Silva e o Partido Socialista Brasileiro.

Candidata a vice-presidência, Marina podia difundir o Rede, continuando a apologia de uma política de princípios inegociáveis, enquanto cabia a Eduardo Campos conduzir a campanha de acordos eleitorais conforme a conveniência. Eventuais vetos de Marina, como a recusa de participar da campanha em São Paulo, oficialmente em virtude de oposição ao PSDB de Geraldo Alkmin, ratificavam a aura da imaculada candidata a vice. Perdendo a eleição sairia dela pura como entrara, levando na algibeira uma possível bancada parlamentar de marineiros. Se vencedora, continuaria com maior rigor a vigilância de superego à sombra da coligação, permanecendo Eduardo Campos responsável pelos inevitáveis acordos de governabilidade. Faria seu caminho institucional em direção à direita sem se chocar explicitamente com os ambientalistas não reacionários.

Cabeça de chapa, Eduardo Campos estava a salvo de interpelações sobre temas delicados, protegido pelo patrimônio ideológico do PSB. Ao mesmo tempo, esperava se apropriar de parte substancial dos eleitores seduzidos por Marina, revelados na surpreendente votação que ela obteve em 2010. Liberando-a para atitudes dissonantes, destinadas a marcar posição sem danos sérios à campanha ( afinal,o vice-governador de São Paulo pertence ao PSB), Eduardo Campos operava com inteligência para fazer com sucesso a travessia em que o Partido Socialista Brasileiro estava empenhado.

O Partido Socialista Brasileiro foi um dos dois partidos de esquerda a ter crescimento parlamentar constante nas últimas três eleições. O outro foi o Partido Comunista do Brasil, crescendo 25% entre 2002 e 2010. O salto do PSB, de 22 para 35 deputados, correspondeu a excepcional crescimento de 59%, em oito anos. Comparado aos outros 13 partidos que apresentaram candidatos nas três eleições, verifica-se que 6, entre os 13, obtiveram uma representação em 2010 inferior à de 2002. Eis a lista: PT, PSDB, PP, DEM, PTB e PPS. Conquistou ainda o Partido Socialista Brasileiro, em 2010, razoável número de governos estaduais. Tendo sido coadjuvante leal e solidário nos períodos presidenciais do PT, as eleições de 2014 propiciaram excelente oportunidade para galgar posições e adquirir lugar de protagonista na política nacional. Se perdedor na corrida presidencial, o Partido Socialista Brasileiro contava, no mínimo, eleger uma bancada de deputados que consolidasse sua posição de segundo partido de esquerda mais relevante na composição governamental e, quiçá, superior até mesmo aos centro-direitistas da coligação, PP e PR. Enquanto vivo o candidato, embora os esperados eleitores do Rede não comparecessem nas intenções de voto presidencial, a trajetória do Partido Socialista Brasileiro se antecipava muito bem sucedida.

A morte de Eduardo Campos não trouxe tragédia apenas à sua família e ao seu partido. Marina Silva perceberia em breve que o mórbido presente que supôs ter recebido da Providência Divina abrigava a inevitável revelação do verdadeiro destino de sua trajetória: a direita. Por um momento tentou mantê-lo sob disfarce à força de uma retórica peculiar, mas arguta. Em 2010 declarara, em espetacular golpe de marketing, que perdera, vencendo. Agora, ciente do poder das palavras, fazia acrobáticos pronunciamentos de difícil interpretação. Ou vazios como a declaração de que seus dois adversários queriam o embate e, ela, o debate. Mas a fuga durou pouco.

A rápida subida nas pesquisas de intenção de voto precipitou um relaxamento em sua guarda e iniciou os anúncios e declarações absolutamente incompatíveis com o histórico do PSB. Inimiga da economia material, à qual sempre contrapôs alternativas futurísticas e inteiramente descoladas da agenda real e urgente do País, apresentou improvisado programa de governo e indicou assessores, cujos pronunciamentos revelaram assustadora ignorância da economia e das articulações entre a política econômica e a política social no Brasil. As reacionárias passagens de seu programa, associadas a desastradas declarações de conselheiros só fizeram trazer à lembrança a adesão de Marina a posições hiper conservadoras durante sua passagem pelo ministério do Meio Ambiente e pelo Senado Federal. Ao mesmo tempo, a preferência pelo lado do capital financeiro em competição por lucros com o agro-negócio, marcada por violenta agressão ao senador da bancada ruralista, Ronaldo Caiado, esclareceu-se pelo congraçamento entre a candidata e o setor financeiro. Hoje, é patético o papel do PSB como avalista da aproximação entre Marina e o setor agrário moto mecanizado. Do desnudamento do projeto marineiro às retificações do programa de governo, aos subterfúgios lingüísticos e aos repúdios de convicções passadas, não se passaram mais do que duas semanas. Mas seu projeto de transformar o Rede em importante partido de direita foi truncado pela tragédia de Eduardo Campos e exposto à luz da competição ideológica real.

O incômodo da coligação entre Marina e o Partido Socialista Brasileiro resulta da associação de dois projetos truncados e opostos: sendo o de Eduardo e do PSB o de elevar o partido a grande protagonista na esquerda e o de Marina alcançar destaque na rede da direita, dona de um partido de ambígua definição ideológica. O resultado não podia ser outro: uma campanha amarga e gaguejante da candidata a presidente em que os socialistas se vêem constrangidos a votar contra si próprios.

Wanderley Guilherme dos Santos
No Manchetômetro
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Os coxinhas em defesa dos milionários


O Instituto Liberal do Centro-Oeste divulgou um vídeo criticando Luciana Genro.

O vídeo é um ótimo resumo dos preconceitos ideológicos, programáticos e políticos que a direita tem contra a esquerda, que os capitalistas tem contra os socialistas, que coxinhas tem contra os militantes.

Vale a pena assistir.



E responder.

Mas uma sugestão para a campanha da Luciana Genro: ao responder, use argumentos em defesa do socialismo diferentes daqueles utilizados por ela no programa do Danilo Gentili.

A entrevista de Luciana Genro está aqui:



Na luta pelo socialismo, podemos e devemos recusar modelos.

Assim como podemos e devemos criticar duramente as experiências de transição socialista ocorridas no século XX e XXI.

Mas é um erro adotar o argumento segundo o qual "na prática não vimos nenhum regime socialista".

Dito desta forma, as experiências soviética, chinesa, cubana, vietnamita etc. são convertidas em fantasia.

Na origem deste "argumento", há um pressuposto utópico, idealista, segundo o qual o socialismo surgiria perfeito, mais ou menos como Atenas saiu da cabeça de Zeus.

Socialismo é transição. Não há como surgir perfeito. Especialmente nas condições históricas do século XX.

Luciana apelou para uma imagem: disse que Marx deve se revirar no túmulo (ao ver seu nome associado a países como URSS, China, Cuba, Vietnã...).

A imagem é divertida. Mas, supondo que mortos revirem na tumba, o que faria Trotsky se tivesse o azar de assistir aquela parte da entrevista?

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O Brasil quer reforma política!

Ramiro Furquim - Sul/21
Com 95% das urnas apuradas e quase oito milhões de votos contabilizados, os resultados do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político foram divulgados nesta quarta-feira (24), em São Paulo. Dos que participaram, 97,5% disseram sim à Constituinte Exclusiva. Outros 2,57% optaram pelo não. Nulos e brancos somaram 0,37%.

Apesar da pouca cobertura dos meios de comunicação do Brasil, o Plebiscito para a reforma política, foi considerado um sucesso pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pelo MST (Movimento dos Sem Terra). “Tivemos presidenciáveis como Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Pastor Everaldo (PSC) que participaram do Plebiscito e mesmo assim não saiu na grande imprensa”, afirmou Paola Estrada, da comissão o Plebiscito na mesa.

Na avaliação de Vagner Freitas, Presidente da CUT, a conclusão do processo mostra o poder de mobilização dos movimentos sociais. “Nossa capacidade de mobilização mostra a importância de dar voz a quem precisa ter voz. Enquanto uma parcela conservadora quer impedir a participação política, temos também esse extraordinário. O que ocorre hoje no Brasil é a desinformação da mídia. O governador de São Paulo, por exemplo, proibiu as urnas nas escolas”, afirmou durante a coletiva de imprensa.

Freitas confirmou que a intenção, a partir de agora, é encaminhar o resultado aos três poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o que deve ocorrer em 14 de outubro. “Temos que continuar por uma convivência democrática melhor”, pontuou.

Para João Paulo Rodrigues, do MST, a confirmação do apoio da maioria à Constituinte retrata o desejo de boa parte da população que ocupou as ruas em todo o país no ano passado. “A classe trabalhadora quer fazer mudança no sistema político brasileiro. “Não é simplesmente uma votação. É resultado dos protestos, de quem foi para as ruas” , destacou.

João Paulo ainda lembrou que o próximo passo é uma combinação de lutas para pressionar o Congresso e contou com o apoio de Freitas que disse que a única forma da proposta andar é como uma “panela de pressão” para cima dos congressistas.

Lula e Dilma

Bandeira do PT, a Reforma Política é assunto quase obrigatório nos comícios em que o Presidente Lula e a Presidenta Dilma participam. Entre os principais pontos de mudança, o financiamento público exclusivo de campanha é o mais citado. “Precisamos urgente de reforma política. Sem mudar o financiamento, será difícil o combate à corrupção. Temos que acabar com a origem disso”, opinou Dilma em entrevista recente.

Resultados

Entre os dias 1º e 7 de setembro, mais de 450 organizações sociais coletaram milhões de votos em todo o país:

7.754.436 votos totais

97,5 disseram sim à Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político

2,57 voltaram contra

0,2 brancos

0,17% anulados

Mais de 6 milhões de votos foram dados em urnas físicas e cerca de 1 milhão e 700 mil online.

40 mil urnas em mais de 4 mil municípios em todo o Brasil.
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Mobilização nacional pela garantia dos direitos trabalhistas #NemQueavacaTussa


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Primeiro turno não é impossível

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O Globo embarca Marina em avião e volta a complicar “Operação Lava o Jato” do PSB


Escrevam o nome de Thiago Herdy — repórter que, com Chico Otávio, forma a primeira linha de investigadores em O Globo — porque ele terá muita significação no caso do avião usado por Eduardo Campos, o Cessna PR-AFA que terminaria por matá-lo no acidente ocorrido em Santos.

É ele quem centraliza a apuração do caso e tem mais do que vai publicando, como fez com a revelação de que as despesas do avião eram pagas por uma empresa fantasma.

Hoje, mais um pedaço da história é recuperado, com a publicação do número de vôos feitos pela atual candidata do PSB no fatídico avião, como vice de Eduardo.

Foram pelo menos 10, o que exclui qualquer possibilidade de dizer que foi apenas “casual” seu uso.

Desde o dia seguinte ao acidente, o PSB tenta construir uma “Operação Lava o Jato” para justificar um conluio ilegal que colocou um avião de US$ 8,5 milhões a serviço de “nova política”.

Não há versão que se sustente de pé.

Marina até podia não saber de onde vinha o jatinho, quando o usou.

Mas agora sabe, e o esconde.

Podia ser inocente, mas já não é.

Tornou-se, ainda que a posteriori, pela ocultação, cúmplice de um crime eleitoral.

A única dúvida que resta nesta questão é se e até onde a grande imprensa vai tratá-lo.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Mentira. Não está faltando água em São Paulo

O paulistano é bicho engraçado. Escolhe uma esfera de poder (federal, estadual ou municipal) e torce por ela loucamente, defendendo-a com unhas e dentes e eximindo-a de responsabilidade pela responsabilidade que efetivamente tem. É um amor incondicional a grupos no poder que tenho uma certa dificuldade em entender.

— Tá rolando racionamento de água lá em casa dia sim, dia não.
— Não está faltando água em São Paulo.

— Uma batida da polícia espancou o filho de uma vizinha que estava voltando do trabalho porque o confundiu com um traficante.
— A polícia não age assim. Se apanhou, é porque era bandido.

— Uma amiga está na fila da creche até agora e não conseguiu vaga.
— Não faltam vagas em creches. Ela não procurou direito.

— A moça que trabalha lá na empresa está na oitava série e mal sabe ler.
— Culpa dela que não estudou direito.

— Só consegui marcar uma consulta com o cardiologista do hospital público para novembro.
— Devia ter agendado antes.

— Mais uma favela queimou e os moradores não têm para onde ir.
— Se não consegue pagar, não more na cidade.

— A criançada tá brincando do lado do córrego que é um esgoto a céu aberto. Vão pegar uma doença.
— Certos pais deveriam perder a guarda das crianças.

— Eu ralei o joelho ao cair da bicicleta por conta de um buracão no asfalto.
— A culpa é sua, a rua é para carros.

— Não dá para entrar no trem ou em ônibus em horário de pico.
— Dá sim.

— Falta luz no meu bairro toda a semana.
— Mentira.

— Fui parado em uma blitz porque sou negro.
— Isso não existe.

- A iluminação é péssima, fico com medo de voltar sozinha à noite.
- Mentira.

— Nessas noites frias, dá dó desse pessoal que dorme na rua.
— Tá com dó? Leva pra casa.

Daí, chegamos ao principal culpado por tudo isso: você.

E não reclame. O mundo está pior exatamente por conta de gente que reclama.

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Obama en la ONU: "El único idioma que entienden los terroristas es el idioma de la fuerza"


Obama dijo ser pacifista pero quiso amedrentar a Rusia.
Foto: teleSUR
"Rusia tendrá que pagar por lo sucedido en Ucrania", dijo el presidente de EE.UU. al mismo tiempo que dijo que su país seguirá siendo una potencia "pacífica".

El presidente de Estados Unidos, Barack Obama, amenazó este miércoles a Rusia y, ante la 69 Asamblea General de la Organización de Naciones Unidas (ONU); el jefe de Estado dijo que "Rusia tendrá que pagar por lo sucedido en Ucrania".

En su intervención en la Asamblea General de la ONU, el Presidente estadounidense dijo estar "comprometido" en invertir "la fortaleza" de EE.UU. para "acabar" con los problemas que afectan al mundo, entre ellos la crisis al este de Ucrania.

Pese a que afirmó que "los países grandes no deberían hacer acciones para intimidar a los pequeños" y que "EE.UU. seguirá siendo una potencia pacífica", Obama aseguró que su país "rechaza que las naciones fuertes como Rusia subyuguen a las débiles como Ucrania".

Del mismo modo, el premio Nobel de la paz, expresó que "el único idioma que entienden los terroristas es el idioma de la fuerza" y que "Estados Unidos no estará en guerra contra el Islam pero el Estado Islámico debe ser destruido".

EE.UU. desarrolla en la actualidad una ofensiva militar contra el autodenominado Estado Islámico en Irak y en Siria, sin el consentimiento del Gobierno sirio, ni contar con un mandato de la ONU.

Su política exterior ha sido cuestionada por su carácter belicista a lo largo de la historia. Prueba de ello ha sido su política de intervención directa y desestabilización de gobiernos soberanos como en los casos de Irak, Libia, Siria, Ucrania, Venezuela, Bolivia y el criminal bloqueo impuesto a Cuba.

En el plano interno, EE.UU. atraviesa una profunda crisis económica que ha afectado a gran parte de la población. El presidente Obama tampoco ha honrado sus promesas electorales en temas álgidos como el sistema de salud, el migratorio, el retorno de las tropas de Irak y de Afganistán que podrían comprometer la distribución del poder en el Congreso de cara a las próximas elecciones legislativas como lo reflejan recientes sondeos de opinión.

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Ibope (e companhia) versus Vox Populi: alguém está mentindo


Graças à divulgação da pesquisa Vox Populi na rodada de pesquisas eleitorais desta semana, foi possível chegar a uma conclusão inevitável: alguém está mentindo sobre os números de Marina Silva e Dilma Rousseff recém-divulgados por esse e outros institutos.

Na terça-feira (23), foram divulgadas as pesquisas CNT/MDA, Vox Populi e Ibope. Os dois primeiros institutos foram a campo no sábado (20) e no domingo (21) e o terceiro, com maior amostragem de eleitores, também no dia 22.

O instituto MDA ouviu 2002 eleitores, o Vox Populi 2000 eleitores e o Ibope, 3010 eleitores.

MDA e Ibope apuraram números muito parecidos tanto no primeiro quanto no segundo turnos, mas o Vox Populi apurou percentuais fora das margens de erro desses institutos.

Para entender, veja o gráfico abaixo


Como se vê, o percentual de Marina em primeiro turno no Vox Populi está fora da margem de erro do MDA e do Ibope. Na banda inferior da margem de erro desses dois institutos, Marina poderia ter 25,2% no MDA e 27% no Ibope, mas, no Vox Populi, ela aparece com 22% e, na banda superior da margem de erro desse instituto, poderia ter, no máximo, 24,2%.

Já o problema no segundo turno afeta Dilma, em vez de Marina. Na banda superior da margem de erro do Ibope, a presidente poderia ter 43%, mas, no Vox Populi, Dilma aparece com 46%. Na banda inferior da margem de erro deste instituto, porém, só poderia ter 44%.

Agora façamos uma “conta de português”. O TSE estima o eleitorado brasileiro em 140 milhões de eleitores. Cada ponto percentual, portanto, vale cerca de 1 milhão e 400 mil eleitores.

A diferença fora da margem de erro do percentual de Marina no primeiro turno do MDA para o primeiro turno do Vox Populi, é de 1,2 ponto percentual, ou 1,68 milhão de votos. Já a diferença entre Vox Populi e Ibope é de 2,8 pontos percentuais, ou 3,92 milhões de votos.

No segundo turno do Ibope, a diferença fora da margem de erro de Dilma para o Vox Populi é de 1 ponto percentual, ou 1,4 milhão de eleitores.

A diferença de 1 ou 3 pontos percentuais pode parecer pequena, mas há que levar em conta que estamos fazendo o cálculo FORA da “margem de erro”, ou seja, estatisticamente a diferença é significativa, fora da metodologia proposta pelos institutos conflitantes.

Além disso, há o fato clamoroso de que no resto dos números (ou na maioria dos números) os três institutos concordam. Nos números de Marina no primeiro turno e nos de Dilma no segundo, portanto, ocorrem exceções.

Por que só nesses pontos há discordância?

Vale lembrar, aqui, a lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, Artigo 33, § 4º: A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de cinquenta mil a cem mil UFIR

Caso ainda não tenha me feito entender, reproduzo, abaixo, matéria do portal IG de 12 de maio de 2010.

clique na imagem abaixo para visitar o site original da matéria

http://www.blogdacidadania.com.br/2014/09/ibope-e-companhia-versus-vox-populi-alguem-esta-mentindo/ig-2/

O que gerou a investigação que a matéria acima informa foi justamente esse tipo de “diferença”.

A análise da denúncia feita por este Blog em 2010 ficou a cargo da vice-procuradora-geral de então, doutora Sandra Cureau, quem, há época, muitos diziam ser “tucana”. Hoje, o vice-procurador-geral-eleitoral é o doutor Eugênio Aragão, a quem não se atribui esse tipo de inclinação política, por assim dizer.

Talvez alguns leitores não tenham entendido o recado, mas os institutos de pesquisa por certo entenderam. Senão, serei mais direto: qualquer cidadão pode representar à Procuradoria pedindo uma investigação como a de 2010. Um cidadão como este que escreve, por exemplo.

Como dizem em espanhol, portanto, ¡Ojo, señores!

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Os números da pesquisa Ibope

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Ibope para presidente - estados - 23.9
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#DilmaNaONU: Discurso Dilma na ONU



DISCURSO NA ABERTURA DA 69ª SESSÃO ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

Embaixador Sam Kutesa, Presidente da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Senhor Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, Excelentíssimos Senhores e Senhoras Chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e Senhores,

Para o Brasil – que tem a honra e o privilégio de abrir este debate – é grande a satisfação de ver na Presidência desta Sessão da Assembleia Geral um filho da África. Os brasileiros, somos ligados por laços históricos, culturais e de amizade ao continente africano, cuja contribuição foi e é decisiva para a construção da identidade nacional de meu país.

Senhor Presidente,

Abro este Debate Geral às vésperas de eleições, que vão escolher, no Brasil, o Presidente da República, os Governos estaduais e grande parte de nosso Poder Legislativo. Essas eleições são a celebração de uma democracia que conquistamos há quase trinta anos, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Com ela, muito avançamos também na estabilização econômica do país.

Nos últimos doze anos, em particular, acrescentamos a essas conquistas a construção de uma sociedade inclusiva baseada na igualdade de oportunidades.

A grande transformação em que estamos empenhados produziu uma economia moderna e uma sociedade mais igualitária. Exigiu, ao mesmo tempo, forte participação popular, respeito aos Direitos Humanos e uma visão sustentável de nosso desenvolvimento.

Exigiu, finalmente, uma ação na cena global marcada pelo multilateralismo, pelo respeito ao Direito Internacional, pela busca da paz e pela prática da solidariedade.

Senhor Presidente,

Há poucos dias, a FAO informou que o Brasil saiu do mapa da fome.

Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário básico, aumentando em 71% seu poder de compra nos últimos 12 anos. Com isso, reduzimos a desigualdade.

Trinta e seis milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003; 22 milhões somente no meu governo. Para esse resultado contribuíram também políticas sociais e de transferência de renda reunidas no Plano Brasil Sem Miséria.

Na área da saúde, logramos atingir a meta de redução da mortalidade infantil, antes do prazo estabelecido pelas Metas do Milênio.

Universalizamos o acesso ao ensino fundamental. Perseguimos o mesmo objetivo no ensino médio. Estamos empenhados em aumentar sua qualidade, melhorando os currículos e valorizando o professor.

O ensino técnico avançou com a criação de centenas de novas escolas e a formação e qualificação técnico-profissional de 8 milhões de jovens, nos últimos 4 anos.

Houve uma expansão sem precedentes da educação superior: novas Universidades Públicas e mais de 3 milhões de alunos contemplados com bolsas e financiamentos que garantem o acesso a universidades privadas.

Ações afirmativas permitiram o ingresso massivo de estudantes pobres, negros e indígenas na nossa Universidade.

Finalmente, os desafios de construção de uma sociedade do conhecimento ensejaram a criação de um programa, o Ciência sem Fronteiras, pelo qual mais de 100 mil estudantes de pós-graduação e de graduação são enviados às melhores universidades do mundo.

Por iniciativa presidencial, o Congresso Nacional aprovou lei que destina 75% dos royalties e 50% do fundo de recursos do petróleo e do pré-sal para a educação e 25% para a saúde.

Vamos transformar recursos finitos, não renováveis — como o petróleo e o gás — em algo perene: a educação, conhecimento científico, tecnológico e inovação. Esse será o nosso passaporte para o futuro.

Senhor Presidente,

Não descuramos da solidez fiscal e da estabilidade monetária e protegemos o Brasil frente à volatilidade externa.

Assim, soubemos dar respostas à grande crise econômica mundial, deflagrada em 2008. Crise do sistema financeiro internacional, iniciada após a quebra do Lehman Brothers e, em seguida, transformada em muitos países em crise de dívidas soberanas.

Resistimos às suas piores consequências: o desemprego, a redução de salários, a perda de direitos sociais e a paralisia do investimento.

Continuamos a distribuir renda, estimulando o crescimento e o emprego, mantendo investimentos em infraestrutura.

O Brasil saltou da 13ª posição para a 7ª maior economia do mundo e a renda per capita mais que triplicou. A desigualdade caiu.

Se em 2002, mais da metade dos brasileiros era pobre ou muito pobre, hoje 3 em cada 4 brasileiros integram a classe média e os extratos superiores.

No período da crise, enquanto o mundo desempregava centena de milhões de trabalhadores, o Brasil gerou 12 milhões de empregos formais.

Além disso, nos consolidamos como um dos principais destinos de investimentos externos.

Retomamos o investimento em infraestrutura numa forte parceria com o setor privado.

Todos esses ganhos estão ocorrendo em ambiente de solidez fiscal. Reduzimos a dívida líquida de aproximadamente 60% para 35% do Produto Interno Bruto.

A dívida externa bruta em relação ao PIB caiu de 42% para 14%.

As reservas internacionais foram multiplicadas por 10 e assim, nos tornamos credores internacionais.

A taxa de inflação anual também tem se situado nos limites da banda de variação mínima e máxima fixada pelo sistema de metas em vigor no Brasil.

Senhor Presidente,

Ainda que tenhamos conseguido resistir às consequências mais danosas da crise global, ela também nos atingiu, de forma mais aguda, nos últimos anos.

Tal fato decorre da persistência, em todas as regiões do mundo, de consideráveis dificuldades econômicas, que impactam negativamente nosso crescimento.

Reitero o que disse, no ano passado na abertura do Debate Geral. É indispensável e urgente retomar o dinamismo da economia global. Ela deve funcionar como instrumento de indução do crescimento, do comércio internacional e da diminuição das desigualdades entre países, e não como fator de redução do ritmo de crescimento econômico e de distribuição da renda social.

No que se refere ao comércio internacional, impõe-se um compromisso de todos com um programa de trabalho para a conclusão da Rodada de Doha.

É imperioso também, Senhor Presidente, pôr fim ao descompasso entre a crescente importância dos países em desenvolvimento na economia mundial e sua insuficiente participação nos processos decisórios das instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. É inaceitável a demora na ampliação do poder de voto dos países em desenvolvimento nessas instituições. O risco que estas instituições correm é perder sua legitimidade e sua eficiência.

Senhor Presidente,

Com grande satisfação o Brasil abrigou a VI Cúpula dos países BRICS. Recebemos os líderes da China, da India, da Rússia e da África do Sul num encontro fraterno, proveitoso que aponta para importantes perspectivas para o futuro.

Assinamos acordos de constituição do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas.

O Banco atenderá às necessidades de financiamento de infraestrutura dos países BRICS e dos países em desenvolvimento.

O Arranjo Contingente de Reservas protegerá os países dos BRICS de volatilidades financeiras.

Cada instrumento terá um aporte de US$ 100 bilhões.

Senhor Presidente,

A atual geração de líderes mundiais — a nossa geração — tem sido chamada a enfrentar também importantes desafios vinculados aos temas da paz, da segurança coletiva e do meio ambiente.e

Não temos sido capazes de resolver velhos contenciosos nem de impedir novas ameaças.

O uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos. Isso está claro na persistência da Questão Palestina; no massacre sistemático do povo sírio; na trágica desestruturação nacional do Iraque; na grave insegurança na Líbia; nos conflitos no Sahel e nos embates na Ucrânia. A cada intervenção militar não caminhamos para a Paz mas, sim, assistimos ao acirramento desses conflitos.

Verifica-se uma trágica multiplicação do número de vítimas civis e de dramas humanitários. Não podemos aceitar que essas manifestações de barbárie recrudesçam, ferindo nossos valores éticos, morais e civilizatórios.

Tampouco podemos ficar indiferentes ao alastramento do vírus ebola no oeste da África. Nesse sentido, apoiamos a proposta do Secretário-Geral de estabelecer a Missão das Nações Unidas de Resposta Emergencial ao ebola. O Brasil será inteiramente solidário a isso.

Senhor Presidente,

O Conselho de Segurança tem encontrado dificuldade em promover a solução pacífica desses conflitos. Para vencer esses impasses será necessária uma verdadeira reforma do Conselho de Segurança, processo que se arrasta há muito tempo.

Os 70 anos das Nações Unidas, em 2015, devem ser a ocasião propícia para o avanço que a situação requer. Estou certa de que todos entendemos os graves riscos da paralisia e da inação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Um Conselho mais representativo e mais legítimo poderá ser também mais eficaz. Gostaria de reiterar que não podemos permanecer indiferentes à crise israelo-palestina, sobretudo depois dos dramáticos acontecimentos na Faixa de Gaza. Condenamos o uso desproporcional da força, vitimando fortemente a população civil, mulheres e crianças.

Esse conflito deve ser solucionado e não precariamente administrado, como vem sendo. Negociações efetivas entre as partes têm de conduzir à solução de dois Estados — Palestina e Israel — vivendo lado a lado e em segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Em meio a tantas situações de conflito, a América Latina e o Caribe buscam enfrentar o principal problema que nos marcou, por séculos — a desigualdade social. Fortalecem-se as raízes democráticas e firma-se a busca de um crescimento econômico mais justo, inclusivo e sustentável. Avançam os esforços de integração, por meio do Mercosul, da UNASUL e da CELAC.

Senhor Presidente,

A mudança do clima é um dos grandes desafios da atualidade. Necessitamos, para vencê-la, sentido de urgência, coragem política e o entendimento de que cada um deverá contribuir segundo os princípios da equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

A Cúpula do Clima, convocada em boa hora pelo Secretário-Geral, fortalece as negociações no âmbito da Convenção-Quadro.

O Governo brasileiro se empenhará para que o resultado das negociações leve a um novo acordo equilibrado, justo e eficaz. O Brasil tem feito a sua parte para enfrentar a mudança do clima.

Comprometemo-nos, na Conferência de Copenhague, em 2009, com uma redução voluntária das nossas emissões em 36% a 39%, na projeção até 2020. Entre 2010 e 2013, deixamos de lançar na atmosfera, a cada ano, em média, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Alcançamos em todos esses anos as quatro menores taxas de desmatamento da nossa história. Nos últimos 10 anos, reduzimos o desmatamento em 79%, sem renunciar ao desenvolvimento econômico, nem à inclusão social.

Mostramos que é possível crescer, incluir, conservar e proteger. Uma conquista como essa resulta do empenho — firme e contínuo — do governo, da sociedade e de agentes públicos e agentes privados. Esperamos que os países desenvolvidos — que têm a obrigação não só legal, mas também política e moral de liderar pelo exemplo, demonstrem de modo inequívoco e concreto seu compromisso de combater esse mal que aflige a todos nós.

Na Rio+20, tivemos a grande satisfação de definir uma nova agenda, baseada em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aplicáveis tanto a países desenvolvidos quanto aos em desenvolvimento.

Será crucial definirmos meios de implementação que correspondam à magnitude das dificuldades que nós nos comprometemos a superar. Precisamos ser ambiciosos em matéria de financiamento, cooperação, construção de capacidades nacionais e transferência de tecnologias, sobretudo em favor dos países menos desenvolvidos.

Destaco, nesse contexto, a necessidade de estabelecer um mecanismo para o desenvolvimento, transferência e disseminação de tecnologias limpas, ambientalmente sustentáveis.

Senhor Presidente,

Ao lado do desenvolvimento sustentável e da paz, a ordem internacional que buscamos construir funda-se em valores. Entre eles, destacam-se o combate a todo o tipo de discriminação e exclusão.

Temos um compromisso claro com a valorização da mulher no mundo do trabalho, nas profissões liberais, no empreendedorismo, na atividade política, no acesso à educação entre tantos outros. O meu governo combate incansavelmente a violência contra a mulher em todas suas formas. Consideramos o século 21, o século das mulheres.

Da mesma maneira, a promoção da igualdade racial é o resgate no Brasil dos séculos de escravidão a que foram submetidos os afro-brasileiros, hoje mais da metade de nossa população.

Devemos a eles um inestimável legado permanente de riquezas e valores culturais, religiosos e humanos. Para nós, a miscigenação é um fator de orgulho.

O racismo, mais que um crime inafiançável é uma mancha que não hesitamos em combater, punir e erradicar. O mesmo empenho que temos em combater a violência contra as mulheres e os negros, os afrobrasileiros, temos também contra a homofobia. A Suprema Corte do meu país reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, assegurando-lhes todos os direitos civis, daí decorrentes.

Acreditamos firmemente na dignidade de todo ser humano e na universalidade de seus direitos fundamentais. Estes devem ser protegidos de toda seletividade e de toda politização tanto no plano interno como no plano internacional.

Outro valor fundamental é o respeito à coisa pública e o combate sem tréguas à corrupção.

A história mostra que só existe uma maneira correta e eficiente de combater a corrupção: o fim da impunidade com o fortalecimento das instituições que fiscalizam, investigam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

Essa é uma responsabilidade de cada governo. Responsabilidade que assumimos, ao fortalecer nossas instituições.

Construímos o Portal Governamental da Transparência que assegura, ao cidadão, acessar os gastos governamentais em 24 horas.

Aprovamos a Lei de Acesso à Informação que permite ao cidadão, o acesso a qualquer informação do governo, exceto aquelas relativas à soberania do país.

Fortalecemos e demos autonomia aos órgãos que investigam e também ao que faz o controle interno do governo.

Criamos leis que punem tanto o corrupto, como o corruptor. O fortalecimento de tais instituições é essencial para o aprimoramento de uma governança aberta e democrática.

A recente reeleição do Brasil para o Comitê Executivo da "Parceria para o Governo Aberto" vai nos permitir contribuir também para governos mais transparentes no plano mundial.

Senhor Presidente,

É indispensável tomar medidas que protejam eficazmente os direitos humanos tanto no mundo real como no mundo virtual, como preconiza a resolução desta Assembleia sobre a privacidade na era digital.

O Brasil e a Alemanha provocaram essa importante discussão em 2013 e queremos aprofundá-la nesta Sessão. Servirá de base para a avaliação do tema o relatório elaborado pela Alta Comissária de Direitos Humanos. Em setembro de 2013, propus aqui, no debate geral, a criação de um marco civil para a governança e o uso da Internet com base nos princípios da liberdade de expressão, da privacidade, da neutralidade da rede e da diversidade cultural.

Noto, com satisfação, que a comunidade internacional tem se mobilizado, desde então, para aprimorar a atual arquitetura de governança da internet. Passo importante nesse processo foi a realização, por iniciativa do Brasil, da Reunião Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet — a NETmundial — em São Paulo, em abril deste ano.

O evento reuniu representantes de várias regiões do mundo e de diversos setores. Foram discutidos os princípios a seguir e as ações a empreender para garantir que a internet continue a evoluir de forma aberta, democrática, livre, multissetorial e multilateral.

Senhor Presidente,

Os Estados-membros e as Nações Unidas têm, hoje, diante de si, desafios de grande magnitude. Estas devem ser as prioridades desta Sessão da Assembleia Geral. O ano de 2015 desponta como um verdadeiro ponto de inflexão.

Estou certa de que não nos furtaremos a cumprir, com coragem, com lucidez, nossas altas responsabilidades na construção de uma ordem internacional alicerçada na promoção da Paz, no desenvolvimento sustentável, na redução da pobreza e da desigualdade.

O Brasil está pronto e plenamente determinado a dar sua contribuição.

Muito obrigada.
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A Globo, feto abortado de jornalismo moribundo, é contra a legalização do aborto


Nesta terça-feira (23) a Globo News prestou mais um desserviço de desinformação e manipulação da opinião pública numa entrevista com Paulo Galo, especialista em reprodução humana.

Não, ele não faz doação de esperma a domicílio, nem, ainda, tentou estuprar pacientes para fertilizá-las como seu coleguinha Abdelmassih, o dano foi provocado por suas palavras.

Ao se posicionar contra a legalização do aborto, afinadinho com a emissora da Famiglia (Monstro) Marinho, ele fala sandices que até eu, que nada entendo de reprodução (nunca tive filhos apesar de tentar milhares de vezes) ou de saúde pública, vejo a estupidez de seus argumentos.

Ele diz que é contra a legalização do aborto por que assim, com o aborto legalizado, o serviço público iria ter que estar preparado para atender às milhares de mulheres (de todos os extratos sociais) que procuram o aborto ilegal hoje em dia.

Minutos antes ele já havia falado dos riscos do aborto, maior para as mulheres de baixa renda, que fazem aborto em condições precárias, menor para as mais abastadas que tem opções mais caras, e seguras de fazer o aborto.

Vamos demolir as posições desse idiota e do canal de tv que o colocou lá pra falar merda.

Em primeiro lugar, o SUS não iria atender a todas as mulheres, aquelas de classes mais altas e melhores condições financeiras iam continuar fazendo em clínicas particulares, ou você consegue imaginar da filhinha de uma socialite na fila do aborto do SUS?

Segundo, hoje em dia milhares de mulheres morrem de complicações relacionadas a abortos malfeitos, elas iam, sim, parar de recorrer ao SUS em situações de emergência, quando se tem que providenciar leitos para atender às ocorrências causadas por todo tipo de intervenção incompetente, o SUS ia ter um alívio. A marcação de intervenções poderia ser agendada com folga, afinal são três meses de tolerância.

Terceiro, os abortos hoje em dia não exigem internação, a curetagem (raspagem) do útero não é mais praticada. O aborto hoje é feito por aspiração do material do útero, depois de alguns minutos a paciente pode ir pra casa e ficar em repouso por lá mesmo, sem ocupar leitos.

Enfim a empulhação foi tamanha que deu nojo.

Não se mencionou o fato de que, ilegal, quem paga e perde com isso é a mulher pobre, pois todas, pobres e ricas, vão continuar fazendo aborto se pegas por uma gravidez indesejada. O prejuízo também é do Estado, que tem que socorrer as vítimas da lei de criminalização do aborto. Mantendo-se a criminalização, as pobres é que vão continuar morrendo e sendo desovadas como a Jandira; moça linda que foi vítima da lei que criminaliza o aborto, encontrada carbonizada num carro em Guaratiba.

Quem quiser ver a entrevista do entrevado, fique à vontade!



No AmoralNato
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Dilma na TV

 Imperdível 


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Nova política: Marina no palanque de Bornhausen


Na reta final da campanha à Presidência, antes do primeiro turno das eleições, Marina Silva deixa na gaveta o discurso da “nova política” e vincula sua imagem a velhas famílias de políticos.

Em Florianópolis, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, subiu no palanque para pedir voto para o deputado Paulo Bornhausen, conhecido como Paulinho. “Meus amigos, vamos fazer a campanha de Paulo, para que ele seja o nosso senador”, afirmou.

Ele é filho do ex-senador Jorge Bornhausen, um dos nomes fortes da Arena, partido que deu sustentação ao regime militar. Além disso, em 2005, durante o escândalo do chamado “mensalão”, ele chegou a dizer que queria o Brasil ‘livre da raça’ do PT. Na época, Mariana era ministra de Lula.

No evento, Marina foi recebida com protestos de estudantes ligados à União da Juventude Socialista (UJS). O grupo carregava cartazes com dizeres “Mais amor, menos Marina”, e faixas ligando a candidata ao deputado Marco Feliciano.

No 247
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Forte terremoto sacode Argentina, a 46 km de San Antonio de los Cobres

Dados recebidos da Rede Sismográfica Global (Iris-GSN) mostram que um intenso abalo sísmico que atingiu 6.2 graus de magnitude foi registrado na Argentina, 46 km a norte-noroeste de San Antonio de los Cobres as 08h16 pelo horário de Brasília (24/09/2014). O violento abalo teve seu epicentro localizado sob as coordenadas 23.85S e 66.55W, a 189 km de profundidade. O mapa abaixo mostra a localização do epicentro.


Apesar da grande intensidade do abalo, a profundidade em que ocorreu o evento favorece a dissipação da energia antes de chegar à superfície.

Um terremoto de 6.2 graus de magnitude libera a mesma energia que a detonação de 1 bomba atômica similar a que destruiu Hiroshima em 1945, ou a explosão de 29925 toneladas de TNT.

Importante: Esta notícia pode sofrer alterações ao longo do dia

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Vitória no primeiro turno

As pesquisas divulgadas nos últimos dias, mostrando Dilma em alta e Marina em baixa, ressuscitaram a hipótese de uma vitória no primeiro turno.

Trata-se de uma hipótese que não deve ser descartada, nunca.

Trata-se, também, de uma hipótese muito mais "agradável", digamos assim, para nós que defendemos a reeleição da Dilma Rousseff.

Afinal, num segundo turno as duas candidaturas teriam tempos iguais no horário eleitoral gratuito, o PIG todo trabalharia contra nós e o anti-petismo seria (ainda mais) utilizado como "programa mínimo" para unificar toda a oposição contra nós.

Liquidar a fatura no primeiro turno, portanto, é evidentemente o melhor cenário.

Porém, vejamos o outro lado do problema.

O PIG sabe disto tudo. Sabe, também, que a única candidatura que poderia vencer no primeiro turno é a de Dilma. Logo, sabem que só podem nos derrotar num segundo turno. Logo, quando eles admitem a possibilidade de uma vitória de Dilma no primeiro turno, o fazem para alertar sua própria tropa. E isto tem efeitos práticos.

Dito de outra forma: nas atuais condições, uma vitória no primeiro turno dependeria muito do "fator surpresa". Que já está eliminado, de saída.

Além do mais, é preciso não confundir matemática com política. Vejamos, por exemplo, os dados da pesquisa CNT/DMA de 23 de setembro.

Dilma tem 36. Marina tem 27,4. Aécio tem 17,6. Os demais tem 1,2%. E a abstenção fica em 18%.

As contas a seguir supõem que a abstenção de 2014 não se altere em relação às pesquisas, o que é possível, pois 18% é o mesmo patamar de abstenção de 2010.

Considerando apenas os votos válidos, Dilma tem 44%, Marina tem 33,4%, Aécio tem 21,4% e os demais obtém 1,2%.

Logo, 44% versus 46%.

Matematicamente parece fácil.

Mas politicamente, estamos diante do seguinte desafio: teria que haver um imenso esforço do nosso lado, que gerasse como reação um recuo de todo o lado de lá.

Vale lembrar os seguintes dados de 2010: Dilma, 46,91%; Serra, 32,61%; Marina, 19,33%; Outros, 1,2%.

Ou seja: não basta que Dilma cresça, é preciso que os outros caiam.

Dito de outra maneira: teríamos que conseguir que todos os votos que Marina está perdendo, se transferissem para Dilma, não para Aécio ou qualquer outra candidatura; e que nenhuma destas outras candidaturas conseguisse captar votos de Dilma (nem dos que estão se abstendo neste momento).

Não é impossível. Mas é muito difícil que isto ocorra.

Vale a pena tentar? Claro, até porque, como dizia o poeta, tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.

Como? Insistindo na mesma postura que adotamos nas últimas semanas, a saber: politizar, polarizar, mobilizar.

Vale dizer que esta postura é válida para os dois turnos.

Pois no segundo turno estará posto o mesmo problema: converter a nosso favor os votos válidos dados no primeiro turno às demais candidaturas; estimular a neutralidade (brancos, nulos, não comparecimento) de quem não queira votar a nosso favor; converter em votos válidos a nosso favor o maior número possível dos que se abstiveram no primeiro turno.

Uma tradução política destas diretrizes eleitorais: atrair, com o nosso programa, o voto dos setores sociais democrático-populares; atrair mas principalmente neutralizar, falando do programa e das debilidades da adversária, o voto dos setores sociais que não integram o campo democrático-popular.

O que devemos evitar? O gravíssimo erro cometido em 2006 e em 2010, por setores do partido, da campanha e do governo, que tinham 100% de certeza de que venceríamos no primeiro turno. Setores que, quando veio o segundo turno, passaram vários dias em estado de choque, sem saber o que fazer.

Por isto, devemos estar preparados — politicamente, organizativamente, animicamente — para uma duríssima disputa até 27 de outubro. E que, é bom lembrar, não vai se encerrar aí, porque o antipetismo da direita é uma aposta de "longa duração".

Valter Pomar
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Carta aberta de uma gordinha à Marina Silva

Marina,

está circulando pela internet um vídeo em que a senhora faz uma comparação entre você e a também candidata e presidenta Dilma Rousseff.  Entre as tantas comparações que podem e devem ser feitas entre as duas candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais, você opta por dizer é magrinha, enquanto Dilma é fortinha, exatamente com essas palavras, arrancando risadas e aplausos da plateia.

Camila Moreno
Camila Moreno
Lembro com nitidez que a senhora já havia feito essa comparação com Dilma na eleição passada, ao ser perguntada sobre suas principais diferenças.

Dilma é a primeira presidenta da história do Brasil e essa é a primeira eleição com grandes chances de duas mulheres irem para o segundo turno. Uma eleição histórica, certamente.  Histórica porque em um país cercado de machismo por todos os lados; em que as mulheres são menos de 10% no Congresso Nacional; onde embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha, ainda estamos em 7º lugar no ranking da violência doméstica; a maioria dos cidadãos e cidadãs do nosso país, se as pesquisas estiverem certas, optará por confiar o seu voto em uma mulher. Isso é lindo e me emociona.

Sei que você sabe, Marina, que ser mulher é um desafio cotidiano. É ter que provar duas vezes que é capaz. Na política então, nem se fala. Lembro o quanto te criticaram pelo fato do seu companheiro trabalhar no governo do PT no Acre, como se vocês, por serem casados devessem ter a mesma opinião política. Na época, te defendi e disse que achava um absurdo esse tipo de acusação. Te defendo quando falam da sua voz, porque não estão acostumados com vozes mais agudas nos debates políticos. Imagino Marina, o quanto sejam duras as críticas por causa do seu cabelo, pelas roupas e não pelas ideias.

Talvez você não tenha dito noção da gravidade da sua declaração, Marina, mas eu vou te contar o porquê ela doeu no fundo da minha alma: eu sempre fui considerada uma criança gordinha e desde que entendi que isso era um defeito, sofri com isso. Tive transtornos alimentares graves e só me aceitei de fato, quando conheci a militância e o feminismo, porque me mostraram que os padrões de beleza nos tornam escravas de uma busca impossível e infeliz e eu esperava que as mulheres na política, ainda que com divergências, optassem pela desconstrução do machismo, mas você fez exatamente o contrário.

Essa sua declaração apenas reforça um padrão ditatorial que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres arrisquem suas vidas em métodos salvadores do alcance da beleza, porque ao invés de você optar por ajudar a romper com essa lógica de que a mais magra é melhor que a gorda, você a reforçou. Você podia ter escolhido desconstruir a ideia de que o debate entre duas mulheres seria um debate superficial e estético, mas você preferiu seguir essa lógica que revistas de beleza e a indústria do entretenimento entranham todos os dias na nossa vida, de que para ser bem sucedida e feliz, é preciso ser magra.

Você não perdeu o meu voto com essa sua “piada”, porque você já o havia perdido quando optou por deixar de lado a sua bela trajetória de vida e luta ao lado de Chico Mendes para ser a nova voz da direita e do neoliberalismo no país, mas eu de fato esperava um debate mais qualificado da sua parte.


Camila Moreno é @camilamudanca no twitter, estudante de Letras da UNB e pretende não ser infeliz por conta dos padrões de beleza.
No Vã Filosofia

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As “erratas” da Globo contra Dilma: uma aula de antijornalismo


Todo o mundo jornalístico já conhece o velho vício do jornalismo de opinião: não deixar ao espectador a chance de pensar; de tecer o próprio juízo sobre determinado assunto. Pois o que deve prevalecer, sempre, é a opinião do dono da mídia. Se, por exemplo, o dono da mídia é a favor da redução da maioridade penal, o telejornal não dará margem ao contraditório. É do jogo — ainda que isto seja perigoso à democracia, já que os donos da mídia costumam comungar as mesmas idéias. E quando isto acontece, é óbvio que a opinião pública refletirá a opinião de meia-dúzia de oligarcas que mandam no país. A despeito de todo esse jogo, o que o ‘Bom Dia Brasil’ (1), da Globo, fez hoje (22/09/2014) com a entrevistada, Dilma Rousseff, foi de uma baixeza comparável com a manipulação do debate em 1989 (2).

Acontece que, em meio à entrevista (que, importante salientar, foi pré-gravada) com a candidata à reeleição, Dilma Rousseff, a entrevistadora Miriam Leitão divergiu de alguns números — como a taxa de crescimento na Alemanha e o índice de desemprego entre jovens no Brasil – ocorrendo uma ligeira discussão. E logo após a entrevista pré-gravada, já ao vivo, a jornalista Ana Paula Araújo fez as “erratas”para deixar claro que Miriam Leitão estava certa e Dilma Rousseff errada nos dois pontos. Se o apuro da emissora com a correção dos números fosse levado à risca todos os dias e em todos seus programas, a blogosfera não precisaria fazer, quase que diariamente, as “erratas” para corrigir os erros da Globo em seus noticiários — e que a emissora jamais se preocupou em corrigir. Ou seja: a Globo é parcial até na arte da truculência.

Talvez a deselegância (ou truculência, como queira) da Globo com Dilma Rousseff sirva de alerta para que a assessoria da presidenta reflita se realmente vale a pena se sujeitar às entrevistas na empresa que faz explícita oposição a ela e seu partido. Pois é pura arapuca. Um dos funcionários da Rede Globo, Jô Soares, por exemplo, cansa de dizer que “já cansei de convidar pessoas do PT ou do governo federal para entrevistas, mas eles negam”. Só não diz por que eles negam. Ora, pegue-se o exemplo da entrevista com o então ministro da saúde Alexandre Padilha ao Programa do Jô (3). Após a entrevista, Jô Soares ficou uma semana lendo mensagens (4) de corporações médicas — contrárias ao programa Mais Médicos — que “desmentiam” dados do ministro — até que, enfim, fosse convidado o presidente do Conselho Federal de Medicina para “anular” a entrevista do ministro (5). Outro exemplo mais recente que bem ilustra o que significa se submeter a uma entrevista na Globo foi o pedido “delicado” de Ricardo Noblat a ninguém menos do que a presidenta da República: “fale um pouquinho menos” (6). Por muito menos, Barack Obama, presidente dos EUA, passou a tratar parte da mídia (como a Fox News) no seu país como oposição (7).

Fontes:

1- Entrevista de Dilma ao Bom Dia Brasil:



2- Boni confessa que Globo manipulou o debate de 1989 para favorecer Collor contra Lula:


3- Jô Soares entrevista Padilha:



4- Jô Soares, uma semana lendo mensagens atacando a entrevista de Padilha:


5- Jô Soares faz entrevista para desdizer a entrevista de Padilha:



6- “Fale menos” – Noblat para Dilma –  a 0:47 do vídeo:


7- Obama trata parte da mídia como oposição:

Michel Arbache
No GGN
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Essa é do Barão... 53


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Lasier Martins, candidato ao senado, é condenado por ofender servidor público

O candidato ao Senado Lasier Martins (PDT-RS), ex-funcionário da RBS e ex-integrante da Mocidade da ARENA, foi condenado em última instância a indenizar o agente da Polícia Federal Gilnei da Costa Carvalho por ofensas pessoais no exercício de suas funções. A ação já transitou em julgado e o pagamento da indenização foi feito no início deste ano. A imprensa corporativa gaúcha fez questão de ocultar o caso da opinião pública.

Tudo começou quando o porta-voz das oligarquias guascas compareceu a um posto da Polícia Federal, no bairro Azenha, em Porto Alegre, para pedir dois passaportes em nome de suas filhas menores de idade. A certa altura do procedimento, o agente federal que o atendia solicitou que Lasier apresentasse seu RG, como determina a lei. Sem portar o documento, Lasier tentou isentar-se deste quesito, alegando que todo mundo sabia quem ele era. Diante da irredutibilidade do funcionário em relevar a exigência legal de apresentar a cédula de identidade, Lasier Martins rodou a baiana e surtou, passando a ofender o servidor, aos gritos.

De acordo com os depoimentos de Gilnei Carvalho e de mais duas testemunhas, Lasier proferiu frases chulas, como “Burocrata, vagabundo, filho da puta, recalcado, vai à merda”, entre outros impropérios. Não contente com o discurso injurioso no local de trabalho do agente federal, naquele mesmo dia Lasier ocupou o microfone da Rádio Gaúcha, durante seu programa Gaúcha Repórter, e passou toda a tarde difamando e achincalhando o servidor público, citando seu nome no ar.

O processo teve início em 1998, com três ações judiciais, sendo duas delas no âmbito da Justiça Federal. Graças ao poder econômico e a uma inacreditável sequência de chicanas jurídicas, Lasier safou-se delas, sendo beneficiado acintosamente pela ex-ministra tucana do STF (na época, ainda no TRF-4) Ellen Gracie. A ação indenizatória, no entanto, prosperou, a despeito das dezenas de recursos protelatórios impetrados pelos rábulas do radialista.

Em sua sentença, o juiz Luís Gustavo Pedroso Lacerda, da 13ª  Vara Cível de Porto Alegre, fez a seguinte alusão: “Destaco que foi oportuna a menção à expressão “Você sabe com quem está falando?”, bordão infelizmente incrustrado em nossa sociedade de “pessoas” e não “indivíduos iguais perante a lei”, sabiamente abordado na magistral obra do antropólogo Roberto da Matta (in Carnaval, Malandros e Heróis).”

A condenação judicial também alcançou a Rádio Gaúcha, do Grupo RBS. O valor da indenização, corrigido, atingiu a casa dos R$ 100 mil, para cada um, mais os honorários advocatícios.


Se tiver paciência para ler a íntegra dos processos, clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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