23 de set de 2014

Dilma amplia vantagem e venceria Marina no 2º turno, diz Vox Populi

Presidente possui 40% das intenções de voto, contra 22% da ex-senadora. Aécio Neves tem 17%
Em comparação à pesquisa anterior, presidenta cresceu quatro pontos percentuais, enquanto Marina caiu cinco e Aécio cresceu dois
Cadu Gomes/ Dilma 13
A candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) ampliou a vantagem sobre Marina Silva (PSB) entre o eleitorado para 18 pontos percentuais, superou a ex-senadora no 2º turno e venceria a corrida à Presidência da República se a eleição fosse hoje, segundo pesquisa Vox Populi, encomendada pela Rede Record, divulgada nesta terça-feira (23).

A presidente tem 40% das intenções de voto na disputa pelo Palácio do Planalto, enquanto a ex-senadora aparece com 22%. Aécio Neves (PSDB) registra 17% da preferência. Os votos brancos e nulos são 6% neste recorte, e os eleitores indecisos totalizam 12%.

Os candidatos Everaldo Pereira (PSC) e Luciana Genro (PSOL) têm 1% cada um. Já Eduardo Jorge (PV), Mauro Iasi (PCB), Eymael (PSDC), Rui Costa Pimenta (PCO) e Levy Fidelix (PRTB) não marcaram pontos.

Na pesquisa anterior, Dilma tinha 36% da preferência do eleitorado, contra 27% de Marina e 15% do candidato do PSDB. Naquela ocasião, os votos brancos e nulos eram 8%, e os eleitores indecisos totalizavam 12%.

A pesquisa levou em conta 2.000 entrevistas feitas com eleitores, entre o último sábado (20) e o último domingo (21), em 147 cidades do País. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-00733/2014.

Segundo turno

O Vox Populi também fez duas simulações de segundo turno, e a candidata do PT venceria tanto Aécio Neves (PSDB) como Marina Silva (PSB).

Em um cenário contra Marina, a presidente tem 46% das intenções de voto, contra 39% da ex-senadora. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, Marina não alcança Dilma neste cenário, que ainda tem 9% de votos brancos e nulos e 6% de eleitores indecisos.

Em outra hipótese, com Dilma Rousseff contra Aécio Neves, a presidente tem 49% das intenções de voto, contra 34% do senador. Os votos brancos e nulos seriam 10% dos votos, e os eleitores que não sabem ou não responderam totalizam 7%.

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Aécio marinou...

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A Petrobrás, a PNAD e o coro da insignificância nacional

A simbologia da Petrobrás ficou até maior do que nos anos 50, quando foi criada por Getúlio. Hoje, ela deixou de significar apenas petróleo nacional.

Imagine-se que o México, por exemplo, do novo herói de Wall Street, Enrique Peña Nieto; ou a Espanha, do imperturbável ‘austericida’, Mariano Rajoy; ou mesmo os EUA, do flácido Barack Obama, reunisse, em uma única semana, essa que passou, as seguintes conquistas no portfólio do seu governo:

1. O país fosse declarado pela FAO um território livre da fome, praticamente erradicada nos últimos 11 anos;

2. Tivesse a notícia de que a miséria extrema fora igualmente reduzida em 75%, no mesmo período;

3. Constatasse que após seis anos de uma interminável crise mundial, a renda média mensal das famílias continuasse a crescer, tendo se elevado em 3,4% acima da inflação em 2013 (dado da PNAD já corrigida);

4. E que o rendimento médio dos trabalhadores assalariados, no mesmo período, registrou um aumento de 3,8% acima da inflação e acima do PIB, de 2,5%;

5. Ainda: que enquanto a renda dos 10% mais ricos cresceu 2,1%, a dos lares mais pobres, incluindo-se os benefícios das políticas sociais, avançou 2,9%, o que contribuiu para um pequeno, mas persistente recuo da desigualdade, em declínio desde 2004;

6. Mais: que o trabalho infantil em 2013 caíra 12,3%; a matrícula na pré-escola atingira 81% das crianças e o trabalho com carteira assinada já englobaria 76% dos assalariados;

7. Não só; a consolidação dos indicadores sociais dos últimos 11 anos, embora não tenha quebrado os alicerces de uma das construções capitalistas mais desiguais do mundo, mexeu em placas tectônicas. A renda média da sociedade aumentou 35% acima da inflação entre 2004 a 2013. Mas a dos 10% mais pobres cresceu o dobro disso (cerca de 73%); e entre os 50% mais pobres, avançou mais de 60%, com repercussões óbvias no padrão da produção e da demanda, no conforto doméstico e nas expectativas em relação ao futuro;

8. A mesma semana generosa incluiria ainda a informação de que as novas reservas de petróleo desse país, responsável por 40% das descobertas mundiais nos últimos cinco anos, já representam 24% da produção nacional;

9. E, por fim, que o investimento em infraestrutura, depois de três décadas de declínio sistemático — repita-se, três décadas de recuos sucessivos — registrou uma inflexão e passou a crescer o equivalente a 2,4% do PIB, em média, de 2011 a 2013.

Qual seria a reação do glorioso jornalismo de economia diante desse leque de vento bom, se a mão que o abanasse fosse a dos titãs dos mercados?

Não seríamos poupados de manchetes faiscantes, a alardear a eficácia das boas práticas do ramo.

Mas as boas notícias tem como moldura o Brasil.

Presidido pela ‘intervencionista’ Dilma Rousseff, candidata petista à reeleição e detentora de teimosa liderança nas pesquisas do 1º turno.

Isso muda tudo.

Muda a ponto de um acervo desse calibre ser martelado como evidência de retrocesso social no imaginário brasileiro.

Muda a ponto de Marina valer-se dessa ocultação da realidade para decretar que Dilma entregará um país ‘pior do que o que recebeu'.

O padrão ‘Willian Bonner’, como se vê, faz escola.

A indigência do debate impede não apenas que o Brasil se enxergue como o país menos desigual de toda a sua história, mas, sobretudo, interdita a autoconfiança da sociedade nos seus trunfos para avançar um novo passo nessa direção.

Não se subestime aqui a persistência de gargalos significativos nessa trajetória. Juros descabidos, por exemplo. E uma paridade cambial fora de lugar há duas décadas. Com toda a guarnição de perdas e danos que esse desajuste de dois preços essenciais pode acarretar.

Embora sejam apresentados como prova do genuíno fracasso petista, a verdade é que desarranjos macroeconômicos não constituem exceção na história econômica do país.

Será necessário recordar, à nova cristã do tripé, que sob o comando de Armínio Fraga, virtual ministro dela ou de Aécio, o BC elevou a taxa de juro a 45%, em março de 1999?

Que a dívida pública explodiu sob a gestão do festejado herói dos mercados?

E que a defasagem cambial sob FHC exigiu uma maxidesvalorização de 30% em janeiro de 1999, escalpelando o poder de compra das famílias assalariadas?

Ou que as perspectivas da inflação então oscilavam entre 20% e 50% ao ano; maiores que as da enxovalhada Argentina hoje?

O banco de dados do glorioso jornalismo de economia dispõe desses dados.

Que ali hibernam a salvo da memória nacional.

O fato é que se alguns desequilíbrios se repetem — em escala muito menor, caso do juro de 11% e da paridade cambial de R$ 2,25 — os trunfos, ao contrário, caracterizam uma auspiciosa singularidade.

E não avançam apenas da esfera social para o mercado, mas vice versa.

A economia brasileira dispõe agora de reservas em moeda estrangeira da ordem de US$ 400 bi, com um fiador estratégico de peso muito superior a esse.

Uma poupança de petróleo e gás, que pode chegar a 100 bilhões de barris, avaliada em cerca de R$ 5 trilhões, revestida de domínio tecnológico e escala para traduzir-se em soberania, autossuficiência e receitas, pavimenta o futuro do crescimento nacional.

Não só.

Em plena crise mundial, o país alicerçou um dos mercados de massa mais cobiçados do planeta e um mercado de trabalho que flerta com o pleno emprego.

A sociedade brasileira é uma das poucas em todo o planeta a desfrutar de uma combinação vital ao futuro humanidade: autossuficiência alimentar e fontes abundantes de energia limpa.

Sua dívida pública é estável, proporcionalmente baixa em relação ao PIB (37%) e aos padrões mundiais.

A planta industrial embora esgarçada, carente de competitividade, preserva escala e encadeamentos que ainda distinguem o país em relação às demais nações em desenvolvimento. Ainda que setores respirem por aparelhos, não está morta.

As empresas estão líquidas, são lucrativas, têm caixa suficiente — hoje alocado no rentismo — para deflagrar um novo ciclo de expansão.

O país conta, ademais, com uma invejável rede de bancos públicos e possui um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo (o BNDES é maior que o Banco Mundial); o nível de endividamento das famílias é proporcionalmente baixo em relação à média internacional e o sistema de crédito é sólido.

Não é pouco, mesmo considerando-se as novas condições de mobilidade de capitais que restringem o poder dos governantes para ordenar o desenvolvimento.

Com muito menos que isso, Getúlio Vargas afrontou o cerco conservador nos anos 50.

Se dependesse das restrições da época, e do imediatismo das elites, ele não teria criado a Petrobrás, por exemplo.

Tampouco insistido na industrialização.

Assim como Juscelino não teria feito Brasília.

Ou Celso Furtado — desdenhado pela assessoria ‘moderna’ de Marina — teimado em erradicar o apartheid nacional, que tinha no Nordeste um quê de bantustão avant la lettre.

A determinação de viabilizar cada uma dessas agendas extraiu do engajamento popular e dos fundos públicos a viabilidade sonegada pelas elites, seus sócios estrangeiros e seu aparato emissor.

A seta do tempo não se quebrou: hoje a Petrobrás é a empresa que tem a maior carteira de investimento do mundo; o Nordeste é a região que lidera o crescimento do poder de compra popular; o Centro-Oeste é um dos polos agrícolas mais dinâmicos do país.

Operadores de Marina e Aécio fazem gestos nervosos na lateral de campo da disputa eleitoral.

Apontam o relógio para dizer que o tempo do jogo da soberania com justiça social esgotou.

Exigem que o eleitor encerre a disputa e aceite a derrota definitiva desse capítulo na história nacional.

O jogral tem experiência no ramo dos vereditos incontrastáveis.

O desdém pelo Brasil mais justo que progressivamente emerge das PNADs é uma prova.

O diabo é a Petrobrás. E as arrancadas do pré-sal.

A dupla adiciona uma dissonância não negligenciável ao discurso da insignificância brasileira na coordenação do futuro do seu desenvolvimento.

Tem peso e medida para representar um indutor de crescimento mais consistente e duradouro que o ciclo recente de valorização das commodities, ao qual o discurso conservador atribui toda a extensão dos avanços sociais registrados nos últimos anos.

Nesse sentido, a simbologia da Petrobrás ficou até maior do que foi nos anos 50.

Hoje ela deixou de significar apenas petróleo nacional. Para se tornar o espelho de uma dissidência poderosa aos interditos dos mercados no século XXI.

Fortemente imbricada nas encomendas cativas de toda a cadeia da extração, refino e usos sofisticados da petroquímica, a regulação soberana do pré-sal facultou ao país um novo berçário industrializante.

Não é o canto do cisne da luta pelo desenvolvimento, como querem alguns.

Pode ser o aggiornamento de um modelo.

A integração entre compras direcionadas à indústria brasileira e o investimento em cadeias produtivas relevantes, já funciona, de forma similar, e com sucesso, nas aquisições de medicamentos para o SUS, com fomento da rede de laboratórios nacionais pelo BNDES.

Se esse modelo entrar em voo de cruzeiro, o discurso da insignificância brasileira na definição do passo seguinte do seu crescimento entrará em coma.

O pré-sal é o ponteiro decisivo da corrida contra o ultimato conservador dos operadores de Marina e Aécio.

É coerente que tenha merecido apenas uma única e mísera linha no programa de 242 páginas de Marina Silva; assim: “Destinar ao orçamento da educação os royalties do petróleo em áreas do pré-sal já concedidas”. Ponto.

É mais que isso o que está em jogo.

No ciclo do próximo governo — e por isso é crucial ele seja progressista — o pré-sal, mantida a regulação soberana do regime de partilha, avançará exponencialmente para responder por 50% da produção brasileira em 2018.

O país estará, então, no limiar de dispor de 4,2 milhões de barris/dia, o dobro da oferta atual, com excedentes exportáveis robustos e crescentes.

Não são apenas negócios.

Cerca de 75% dos royalties do pré-sal vão para a educação; 25% para a saúde.

Mais de 300 mil jovens brasileiros serão treinados diretamente nos próximos anos pelo Promimp, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural.

Um parque tecnológico de ponta em pesquisa de energia, com adesão de inúmeras multinacionais, está nascendo no Fundão, junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro, colado à agenda do pré-sal.

A indústria naval brasileira que havia desaparecido nos anos 90 agora é a quarta maior do mundo e emprega 100 mil pessoas.

As receitas do refino — filé da indústria do petróleo—ficarão em boa parte no país, graças a um esforço hercúleo da Petrobrás de investir em uma rede de refinarias, heresia sepultada pelo PSDB e a turma da Petrobrax nos anos 90.

Desqualificar a estatal criada por Getúlio — ‘o PT colocou um diretor lá por 12 anos para assaltar os cofres da empresa’, diz a doce Marina — significa para o conservadorismo uma vacina de vida ou morte contra um perigo maior.

Aquele que pode levar o discernimento nacional a enxergar no épico contrapelo do pré-sal, sob o guarda-chuva de uma estatal poderosa, a inspiração para um modelo capaz de destravar o arranque de um novo ciclo de expansão em outras áreas.

Não se trata de uma gincana acadêmica.

Trata-se de ter ou não a soberania sobre o crescimento e a produtividade indispensáveis aos bons indicadores de futuras PNADs.

Que reúnam avanços iguais, ou maiores, que esses que o glorioso jornalismo de economia se esmerou em desqualificar na semana passada. Mas para os quais não oferece nenhuma alternativa, exceto o coro mórbido da insignificância nacional na construção do futuro.

Saul Leblon
No Carta Maior
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DataCAf: Dilma 40 vs 22 Bláblá



Arrocho sobe a 17, para alegria (inútil) do Ataulfo (no ABC do CAf) e da PhD pela Universidade Municipal de Caratinga (também no ABC).

Engraçado mesmo é o candidato do Aecioporto em Minas — Turista da Veiga.

Em tempo: tá com cara de 1º turno.

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Globope: Dilma tem 38%, Marina, 29%, e Aécio, 19%


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Candidato do Aécio perde de ausente!


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Tudo continua bem


Na semana passada vimos mais uma intervenção brutal da Polícia Militar de São Paulo na desocupação de prédios vazios no centro da capital. Nada que não tenha se tornado um clássico em nossa cidade: espancamento, gás lacrimogêneo, fogo. Tudo isso para tirar 200 famílias que viviam em um prédio desocupado havia dez anos.

Em uma imagem sintomática que passou na televisão, um policial entra no prédio e afirma: "Isso aqui mostra bem que eles estavam preparados para enfrentar a gente".

No caso, "isso aqui" era uma pilha de cocos. Como se sabe, cocos são artefatos bélicos de última geração com poder de letalidade amedrontador. Pergunto-me como o poder público permitiu que tais famílias portassem tantos cocos sem registro de porte de armas.

No entanto, vejam vocês, estamos em campanha eleitoral e nada disso parece ter o menor significado para a maioria dos postulantes a cargos políticos.

Nada sobre o absurdo de existir uma cidade eivada de prédios vazios enquanto parte de sua população continua sem moradia por, muitas vezes, ser incapaz de aguentar os aumentos de aluguel resultantes de especulação imobiliária descontrolada.

Nada sobre uma polícia que reiteradamente mostra tratar a população que luta por condição mínimas de vida digna como uma manada de porcos pronta para o abate.

O nível de uso da violência canina para a defesa da propriedade de alguns poucos e de seu rentismo é tal que ficamos à frente até mesmo de pátrias do liberalismo, como o Reino Unido.

Lá, que não é nenhuma república comunista, vale a lei da casa vazia, que permite a pessoas sem moradia ocupar imóveis vazios que servem apenas para a especulação. A coesão social mínima passa por cima do direito à propriedade de alguns.

Mas isso não será objeto de debate por parte de nossos candidatos mais importantes a cargos eletivos.

Eles estão mais preocupados em cantar as "grandes conquistas do passado", em pregar lutas contra a corrupção dos seus inimigos (enquanto dizem que a corrupção dos seus amigos "não é bem assim") ou em pregar cândidas uniões nacionais (entre o dono do imóvel e as famílias expulsas? Bem, o dono do imóvel agradece).

Assim, nos preparamos para uma espécie de não-eleição que mostra, no fundo, o esgotamento da capacidade de agir politicamente por parte dos principais atores nacionais.

Nesse regime de esgotamento, sabemos que o sofrimento dos que só tem cocos para se defender continuará onde sempre esteve, ou seja, no silêncio absoluto.

Vladimir Safatle
No fAlha
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Os sem-teto e os prédios abandonados no centro de São Paulo

Manifestante sem-teto enfrenta a polícia em frente ao hotel Aquarius (SP)
O homem chega constrói seu arranha-céu, abandona-o mas não quer que ninguém o ocupe. É dele, propriedade privada, portanto faz daquilo o que bem entender. Se quiser deixar vazio por milênios, o problema é dele e ninguém tem nada a ver com isso.

Só que não.

O prédio de número 601 da av. São João, coração de São Paulo, quase ficou pronto em 1979. Quase. Durante a construção do previsto Aquarius Hotel morreu o proprietário, pai de sete filhos hoje donos do lugar. Os herdeiros não entraram num consenso para vender o imóvel. No impasse, o hotel ficou inacabado.

Trinta e cinco anos depois, o jamais inaugurado hotel ficou famoso na semana que passou e não pela qualidade de seus serviços ou conforto das acomodações e sim como palco de mais uma batalha entre movimento dos sem-teto e polícia militar.

Foi ocupado em março deste ano (e não pela primeira vez), mesmo mês em que a juíza Maria Fernanda Belli determinou a reintegração.

Para agilizar a questão, a juíza decidiu que cabia aos proprietários providenciar a remoção das famílias. O advogado do Aquarius Hotel afirma que seu cliente contratou 40 caminhões para levar objetos cadastrados a um depósito. A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto do Centro (MTSC), Ivonete de Araújo, discorda: “O proprietário não cumpriu. Ele prometeu 40 caminhões e 120 trabalhadores e não enviou. Como as pessoas vão sair? Como eles levarão seus móveis? Para onde eles vão? A Justiça não leva em conta a questão social.”

O último trecho do questionamento de Ivonete é crucial. Mesmo que o lado de lá tivesse cumprido com o acordo e chegado com o número de caminhões suficiente, para onde levaria as pessoas? Iriam morar dentro dos baús dos caminhões? Como se deflagra uma reintegração de posse sem uma realocação já definida pelas autoridades?

“Há um projeto no congresso engavetado há mais de dez anos de regulamentação de cumprimento de reintegração de posse que afirma que o juiz precisa visitar a área antes dar a canetada, que tem que fazer audiência prévia com todas as partes, que tem que haver um mínimo de civilidade e tentativa de diálogo antes de mandar a polícia que é a linha automática do judiciário. O judiciário consegue ser o poder mais conservador no país hoje”, afirmou Guilherme Boulos ao DCM.

A resistência culminou nas cenas terríveis de bombas lançadas para dentro do prédio, onde havia mulheres, crianças e idosos.

Mas vamos voltar à raiz do problema. Os prédios no centro da cidade precisam ser ocupados. Em minha opinião, até antes que os acampamentos formados nas periferias que são um contrasenso à atual discussão de mobilidade. Já estão em pé e basta uma reforma para propiciarem um teto digno. As ocupações em terrenos distantes demandam vários anos até que se assente o primeiro tijolo. As edificações ociosas e bem localizadas devem ser prioritárias. Dê um passeio pelo centro e veja quantos são os edifícios abandonados.

A quantidade de metros quadrados disponível na região atenderia uma imensa fatia da demanda por moradia popular, melhorando as condições de vida das pessoas. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o deficit de moradias na cidade de São Paulo era de 670 mil domicílios em 2013. Como a todo momento as pessoas se assentam em algum local e são logo depois expulsas, é provável que esse número se altere muito pouco de maneira positiva.

O confronto transmitido ao vivo por diversas emissoras de TV, fez os ouvidos deste colunista detectarem comentários grotescos. “É particular, tem que tirar mesmo!”, disse alguém.

É a cultura da propriedade privada em total desacordo com a função social. E isso é lei. Se a Constituição garante o direito de propriedade, ela também garante que a propriedade deve atender a uma função social.

Ora, não se tem notícias de invasão de residências ou de mansões do Morumbi. Ninguém está atrás disso. Pode ficar despreocupado, sua casa não será invadida. As ocupações são realizadas sempre em áreas abandonadas, que não cumprem seu papel, que possuem pendências com tributos na maioria das vezes. Não é terrorismo, é a necessidade aliada a uma ação responsável.

Atirar bombas em mulheres e crianças sim é terrorismo.

Mauro Donato
No DCM
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Aécio no Good Morning Brazil — vídeo


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Aécio terá de dar bicadas em Marina

A pesquisa CNT/MDA, divulgada na manhã desta terça-feira (23), confirma que Aécio Neves terá de jogar no lixo os palpites marotos de FHC, seu guru político, e de Armínio Fraga, seu “ministro” da Fazenda, e partir para o ataque frontal contra Mariana Silva. Segundo a sondagem — que deve ser encarada como fotografia do momento e com a desconfiança que tais institutos merecem —, a ex-verde caiu 6,1% pontos e o tucano subiu 2,9 pontos. Os números do primeiro turno são: Dilma Rousseff com 36% das intenções de voto; Marina Silva com 27,4%; e Aécio Neves com 17,6%. O dado mais espantoso é o da queda vertiginosa da candidata-carona do PSB, o que dá novo folego ao cambaleante presidenciável do PSDB.

Na pesquisa anterior da CNT/MDA, divulgada há duas semanas, a atual presidenta tinha com 38,1% das intenções de voto, a ex-senadora surgia com 33,5% e o ex-governador mineiro afundava com 14,7. Agora, o cenário parece que se inverteu. Marina derreteu e Aécio tenta respirar. Já na simulação do segundo turno, a sondagem anterior trazia a ex-verde com quase três pontos à frente de Dilma Rousseff — 45,5% contra 42,7%. Na nova pesquisa, a presidenta ultrapassa Marina — 42% a 41%, dentro da margem de erro. Já na pesquisa espontânea, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, Dilma subiu de 30,9% para 31,4%; Marina caiu de 25,8% para 23%; e Aécio cresceu 4,3 pontos — batendo em 14,4%.

Os conselhos dos traíras

Nos últimos dias, o senador mineiro foi tratado como bagaço. Vários caciques demotucanos jogaram a toalha e bateram asas para Marina Silva. Ele foi apunhado até pelo coordenador da sua campanha, o demo Agripino Maia, que antecipou o voto na rival no segundo turno. Governadores do PSDB, como Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO), também incentivaram a dobradinha “informal” com a ex-verde. Mas o que deve ter doido mais no candidato tucano foram os “conselhos” de Armínio Fraga, que ele já havia anunciado como seu “ministro forte”, e do seu “padrinho” FHC. Ambos pediram para que Aécio Neves evitasse atacar Marina Silva, sinalizando que estariam com ela no segundo turno.

Diante de tantas intrigas e traições, o senador mineiro passou o ridículo de convocar entrevistas para jurar que não desistiria da sua candidatura. Desafiando os seus “gurus”, ele também resolveu atacar Marina Silva. No domingo (21), em evento no Rio de Janeiro, Aécio Neves afirmou que a candidata-carona do PSB “não se preparou” para as eleições e que se tornou um "conjunto de inconsistências que se avolumam todos os dias”. A nova tática também se expressou no seu programa de TV, que passou a demarcar campo com a ex-senadora. Uma sacada da sua campanha, que afirma que o propostas da ex-verde foram “escritas a lápis” e não têm consistência e coerência, ganhou simpatizantes até fora da sua coligação.

O cambaleante presidenciável do PSDB não tem alternativa. Se houver segundo turno, somente um dos dois irá disputar com Dilma Rousseff: ou ele ou Marina Silva! Após afundar nas pesquisas, ele agora voltou a subir. Não é nada “meteórico”, como insinua a mídia tucana. Mas serve para dar um novo folego — inclusive contra os traíras da sua campanha. Para seguir crescendo, ele precisará demarcar com a candidata-carona do PSB. Apesar de comungarem das mesmas propostas neoliberais, as bicadas prometem ser mais sangrentas nos próximos dias. Haja adrenalina!

Altamiro Borges
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Marina vai conseguir passar para o segundo turno?

Vai ou não vai?
A pergunta que brota das pesquisas mais recentes é: Marina vai passar para o segundo turno?

Vistas as coisas em retrospectiva, Marina floresceu antes do tempo. E pode murchar exatamente às vésperas das eleições.

Na pesquisa CNT/MDA divulgada hoje, ela apareceu com 27,4%. Não seria um número em si ruim, não fosse a circunstância de que na mesma pesquisa anterior, no início de setembro, ela tinha 33,5%.

Caso ela continue a cair no mesmo ritmo, chegará às urnas na casa dos 20%. É um patamar de alto risco para suas pretensão de fazer do segundo turno uma coisa “diferente”, pelo tempo de propaganda de que disporia — o mesmo de Dilma.

A aflição dos adeptos de Marina não significa que os tucanos estejam dando pulos de alegria.

Aécio depende de um milagre para ir ao segundo turno. Uma virada sem precedentes, na análise do diretor do Datafolha.

Os votos por ora perdidos de Marina, conforma sugere a nova pesquisa, estão indo não para Aécio — mas para o bloco dos nulos e indecisos.

Aécio, neste momento, tem uma torcida inédita: a dos petistas. O PT sabe que é muito mais fácil batê-lo no segundo turno que Marina.

Os petistas mais entusiasmados voltaram a sonhar com uma vitória no primeiro turno.

Não é provável, mas é possível.

Caso Marina continue a descer e Aécio fique parado, Dilma pode vencer já no dia 5 de outubro.

O pior parece ter passado para ela.

O caso Petrobras não a atingiu. A Marinamania passou.

E ela própria se firmou nos debates e, mais ainda, nas sabatinas com (ou contra) jornalistas.

Neste instante, o vento sopra forte a favor de Dilma. Isso pode resultar num segundo mandato ainda no primeiro turno.

Paulo Nogueira
No DCM
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Resultados da Pesquisa MDA

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Escândalo tucano no Pará

Laudo comprova que gravação é autêntica

Noronha e Izabela Jatene: desenvoltura ao tratar por telefone de pedido que fere o Código Tributário Nacional
Foto: Carlos Sodré - Agência Pará
É verdadeira a gravação na qual Izabela Jatene, filha do governador Simão Jatene, aparece dizendo ao subsecretário da Sefa, Nilo Noronha, que irá “buscar um dinheirinho” das 300 maiores empresas do Pará. A autenticidade da gravação foi atestada pelo professor doutor Ricardo Molina, da Unicamp, considerado um dos maiores peritos do Brasil. Molina escreveu e assinou: “Não foi encontrado, ao longo da gravação periciada, nenhum indício de manipulação fraudulenta, podendo a mesma ser considerada autêntica para todos os fins periciais”.




O programa eleitoral de Simão Jatene, candidato à reeleição, que foi ao ar ontem tentou desqualificar a gravação divulgada pelo Diário do Pará com exclusividade na sua edição de domingo, afirmando que ela havia sido manipulada e defendeu a filha do governador, Izabela Jatene, e apresentando uma montagem no trecho da conversa que não se consegue entender o que ela diz. A versão do programa de Jatene foi incluída a frase “para financiar o Pro Paz”. A gravação na íntegra, periciada por Ricardo Molina, pode ser ouvida no DOL (www.diarioonline.com.br), para que sejam tiradas as conclusões de quem fala a verdade. O fato é que a versão apresentada para tentar proteger a filha de Jatene não aparece na gravação original.

O laudo do perito Ricardo Molina, datado do último dia 19, desmonta a versão de que o Diário teria feito manipulação ou qualquer tipo de fraude na gravação. Os exames de identificação de voz executados por Molina foram realizados com sofisticada aparelhagem, capaz de identificar quaisquer indícios de fraudes ou manipulações, por menores que sejam. Nada foi constatado.

Explicações

Uma vez comprovado ser a gravação verdadeira e que não houve qualquer fraude ou manipulação, Izabela Jatene precisa explicar se obteve e onde foi parar o “dinheirinho” que ela pretendia buscar nas 300 maiores empresas do Estado. De acordo com os dados divulgados no Portal da Transparência, no Siafem ou no Balanço Geral do Estado de 2011, não há qualquer registro de doações de empresas para as contas do programa Pro Paz ou para as secretarias que participam do programa.

Ao telefonar para o subsecretário de Fazenda, Nilo Noronha, para solicitar a lista das 300 maiores empresas, Izabela atropelou a ética, as boas práticas e formalidades da administração pública. Se havia uma solicitação para uma ação de governo, como alega a campanha de Simão Jatene, a obrigação de Izabela era ter enviado um ofício ao subsecretário da Sefa solicitando o apoio e a resposta dele deveria ser oficial. Até agora não há qualquer prova de que ofícios tenham sido enviados.

Ilegalidade

Há ainda um aspecto mais grave, que merece atenção do Ministério Público. Se Nilo Noronha cumpriu a promessa de enviar a lista das 300 maiores empresas do Pará para o e-mail pessoal de Izabela, ele violou o artigo 198 do Código Tributário Nacional, que proíbe a divulgação de dados sobre contribuintes por funcionários da fazenda pública.

Em parecer datado de 1º de agosto de 2002, o professor Ives Gandra Martins, considerado o maior tributarista brasileiro, escreveu: “O artigo 198 do Código Tributário Nacional, em sua redação original, está versado no seguinte discurso: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação, obtida em razão do ofício, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades”.

De acordo com Gandra, as autoridades da Fazenda Pública só podem fornecer dados de contribuintes com autorização judicial.

Há, portanto, indícios suficientes para que o Ministério Público e a Polícia investiguem se houve violação deste artigo. Outra questão que precisa ser explicada é porque a gravação sumiu do inquérito e foi apagada do registro da polícia na operação “abafa” para proteger a filha de Jatene de qualquer tipo de escândalo.

Ontem o Diário enviou à Secretaria de Comunicação do Governo (Secom) pedido de informações sobre os recursos supostamente arrecadados junto a empresas privadas para programas sociais. Até o fechamento desta edição, contudo, os questionamentos do jornal não haviam sido respondidos.

Entende - Diálogo à tona em grampo da polícia

O diálogo entre Izabela Jatene e o subsecretário da Sefa, Nilo Noronha, foi flagrado quando a Polícia Civil investigava um caso de sequestro de um empresáro em Mãe do Rio, em 2011. O gerente de uma fazenda de Nilo Noronha estaria envolvido no caso. Com telefone grampeado, o gerente ligou para o patrão (Nilo), que acabou tendo também seu celular monitorado: a polícia não sabia de quem se tratava. Só soube quando captou a conversa dele com Izabela, na qual ela pede a lista das 300 maiores empresas do Pará “para ir buscar um dinheirinho deles”. Conforme adiantou o Diário na sua edição de domingo, 21 de setembro, uma ‘operação abafa’ foi montada para sumir com a transcrição do inquérito e apagar a gravação. Uma cópia do áudio, porém, foi preservada e entregue ao Diário.

No Na Ilharga
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Fora da vida

A eleição presidencial que está nos jornais não está na vida dos eleitores. Ninguém parece interessado em conversar sobre os candidatos, algum aspecto dos confrontos, possíveis perspectivas de governo, nada nesta linha. Nas ruas pelo país afora, até onde a TV as expõe, a eleição não mostra movimento espontâneo algum, o que há são apenas uns grupelhos em torno dos candidatos, apoios que se sabe como são arranjados.

Apatia como a atual não se viu em qualquer outra eleição.

Se as passeatas de junho do ano passado exprimiram a densidade do desejo de mudança, seria esperável que ao menos parte dos ex-manifestantes estivesse, agora, agitando pressões públicas para contestar a eleição ou para impor à disputa presidencial alguns temas da vontade coletiva. A descrença nos políticos e seus partidos, que foi dada como a alma das passeatas, não é imobilizante. Muito ao contrário. Dessa fonte nada jorrou, porém.

Os candidatos e a imprensa não ajudaram, é verdade. Nunca se imaginaria que a independência do Banco Central ocupasse tanto os candidatos e a imprensa quanto um caloroso tema de apelo popular mereceria. Mais desalentador ainda: parece mesmo que Aécio, Marina e muitos na imprensa acreditaram que o Banco Central fosse assunto capaz de desgastar Dilma, cujo patrimônio de votos decisivos é da classe média para baixo. Como o Datafolha comprova por variados modos.

A variação tem sido o assunto Petrobras. Um martelar sem fim, como tentativa de comprometer com a corrupção, mas a escassez de fatos levou a uma repetição enjoativa. Bem, no assunto colateral saiu agora uma nova manchete carioca: "Youssef enviou R$ 1 bilhão para o exterior". Nas manchetes que inflaram o escândalo a quantia era de R$ 10 bilhões. Barateou. Liquidação de fim de inverno.

A pobreza temática da campanha, decorrente da medíocre concepção de que a tática eficaz é a "desconstrução" da/do adversária/o, reflete o estado intelectual em que o país está. O que faz lembrar uma explicação, por certo muito aceita, para a apatia externa do eleitorado: a participação agora é pela internet. O movimento aí é inegável. Mas, em princípio, a internet prolonga interesses que a antecedem. Além disso, não impede, até estimula, que esses assuntos retornem, acrescidos, ao convívio não informático. E, claro, o que corre na internet sobre eleição é, na maior parte, apenas agressividade.

As duas semanas que antecedem as urnas não trazem, desta vez, as tensões eletrizantes próprias do período. O que a Folha pôde tratar com destaque, na abertura da semana, foi isto: "Na reta final, PT dirá que Marina não tem preparo para dirigir o país". Se é isso, não precisa. No mesmo jornal, sob o peso de um anúncio em página mais distante, lia-se: "Marina não se preparou para disputar', diz Aécio". Ou o PT imagina que Aécio deixaria passar uma possibilidade a mais de atacar Marina, como fará com Dilma até o final? Ataques que movem o circuito: dão a Marina a oportunidade de mais discursos de vítima, entre as agressões inigualáveis que emite, e dão a Dilma motivo para retribuir aos dois.

Não há campanha para a Presidência da República. O eleitorado não poderia estar interessado na troca de ataques mútuos e ridículos que umas poucas pessoas fazem por aí. E você, por favor, vá ler o que já sabe sobre o corrupto da Petrobras, Youssef e as refinarias.

Janio de Freitas
No fAlha
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Dois militantes do PT são mortos e seis ficam feridos no assentamento Dorothy Stang em Anapu, no PA


Dois militantes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) foram mortos a tiros — e seis ficaram feridos, no início da noite desta segunda-feira (22), no assentamento ‘Dorothy Stang’ em Anapu, sudoeste do Pará.

Segundo testemunhas, os assassinos chegaram de moto e dispararam vários tiros contra um grupo de assentados e os militantes do PT Jair e Guido, que acabaram mortos. Ainda não se sabe o que teria motivado o crime.

Nesta terça-feira (23), o deputado Carlos Bordalo (PT-PA) fará pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa sobre este triste incidente, que poderia ter se tornado numa chacina.

O deputado Bordalo se solidariza com os familiares dos companheiros mortos e feridos e solicita à cúpula da segurança pública do Estado urgência na investigação do caso.

No Blog do Deijar Cerqueira
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Marina volta atrás e autoriza nome de Geraldo Alckmin em panfletos do PSB em SP

Marina Silva autorizou que os "santinhos" da campanha dela que serão distribuídos pelo PSB em São Paulo na reta final do primeiro turno incluam o nome do tucano Geraldo Alckmin como candidato ao governo do Estado.

De volta

O primeiro lote do material não trazia o nome do governador. E foi rejeitado por Márcio França, do PSB. Uma das principais lideranças do partido de Marina no Estado, ele é ao mesmo tempo coordenador do comitê financeiro da campanha dela à Presidência e candidato a vice na chapa de Alckmin.

De volta 2

Depois da reclamação, os santinhos foram refeitos.

Causa

Marina tem sido pressionada por coordenadores de sua campanha a fazer sinais positivos em direção a Alckmin. Eles temem que atritos com o candidato, que tem grande popularidade em SP, façam ela perder pontos preciosos no estado. A candidata mantinha dianteira folgada, mas na semana passada apresentou viés de baixa nas intenções de voto no Estado.

Efeito

Um dia depois do incidente em que placas com o nome de Marina e Alckmin foram retiradas das ruas em São Bernardo na visita dela à cidade, na sexta, a candidata foi a Campinas. Lá, deu declarações consideradas amenas sobre o governador tucano se comparadas às que fazia há alguns meses, quando tentou vetar a aliança do PSB com os tucanos em São Paulo.

Nova direção

E Marina mudou a agenda para reforçar sua campanha no sul do país, visitando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul nesta semana. "Não tem por que a Dilma estar bem no sul e a gente não", diz Walter Feldman, coordenador da campanha. De agosto até a semana passada, Marina caiu de 32% para 28% na região, segundo o Datafolha. Dilma foi de 32% para 35%.

Mônica Bergamo
Na fAlha
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Mais um factóide numa grande coleção


Quem acusa Correios de favorecer Dilma na distribuição de panfletos não sabe o que diz. PSDB, PMDB e DEM utilizam dos mesmos serviços, em condições idênticas

Na triste coleção de denúncias sem base real, destinadas a criar fatos políticos capazes de prejudicar o governo Dilma na reta final do primeiro turno, será difícil encontrar um caso mais notável do que a distribuição pelos Correios de 4,8 milhões de panfletos no interior de São Paulo.

É o caso clássico da anedota do sujeito que se chamava João e morava em Niterói — até que se viu ele não se chamava João nem morava em Niterói.

Não se questiona o pagamentos pelo serviço, no montante de R$ R$ 786 000, ou 16 centavos por panfleto, a preços de mercado, conforme a empresa já divulgou oficialmente. Também não se aponta para nenhuma irregularidade, desvio, ou abuso.

A tese é dizer que os Correios teriam “aberto uma exceção” em suas normas de funcionamento para ajudar Dilma a pedir votos em São Paulo sem cumprir uma formalidade — a chancela dos panfletos, que comprova que houve a postagem oficial do material distribuído aos eleitores do mais populoso estado brasileiro. A falta da chancela seria, é claro, uma prova de “uso da máquina” para ajudar a presidente na reeleição. Ridículo.

Só na campanha de 2014, os Correios distribuiram 134 000 panfletos eleitorais sem chancela — em Minas Gerais. O cliente foi o PSDB. Os 134 000 panfletos tucanos estão lá, nos registros da entidde. Também foram distribuídos, semanas atrás, 380 000 panfletos (sem chancela) em nome do PMDB de Rondonia. Edinho Araujo, do PMDB paulista, distribuiu 50 000 panfletos nas mesmas condições. Outro deputado paulista, o tucano Mauro Bragato, fez duas distribuições (s/c) assim. Gilson de Souza, do DEM paulista, também realizou serviços, nas mesmas condições (s/c), para distribuir 120 000 panfletos.

Isso acontece porque a entrega de material sem postagem nada tem de irregular e muito menos ilegal. Já frequenta a lista de práticas de atendimentos usuais nos Correios há bastante tempo — quem sabe há duas décadas, calculam funcionários graduados da empresa — e envolve clientes de todo tipo. Para conservar sua posição no mercado, a entrega s/c é aceita sem maiores dificuldade. A formalidade a mais é que um funcionário graduado precisa autorizar a operação, o que muitas vezes ocorre sem que o cliente fique sabendo.

Os mesmos registros que mostram a entrega para Dilma, para o PMDB de Rondonia, para tucanos mineiros e paulistas, também apontam para serviços prestados a estelecimentos comerciais comuns. Na lista de sem postagens recentes é possível encontrar a Pet Rações, para quem os Correios distribuíram 5 000 panfletos (s/c) em Salto, no interior de São Paulo. O Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, para quem o Correio o fez 3 870 entregas (s/c) em sua cidade. Em Junqueirópolis, a Regina Modas enviou material s/c para 990 possíveis clientes. Os dados estão lá, oficiais.

O sem-chancela se explica por um cálculo econômico banal. Em luta permanente para manter receitas capazes de compensar, ao menos em parte, as perdas imensas provocadas pela internet, os Correios não acham razoável abrir mão de clientes que acabariam batendo às portas da concorrência de empresas privadas que fazem o mesmo serviço.

Mais complicado do que entender o que ocorre nos Correios é explicar por que notícias dessa natureza foi publicada sem a devida checagem. Não podemos generalizar, é verdade.

O Jornal da Cidade, de Bauru, recebeu a mesma notícia no início de setembro — 16 dias antes dela sair nos jornais nacionais — e cumpriu sua obrigação. Ouviu o outro lado e avaliou que a entrega sem chancela sequer poderia ser considerada ilegal — esclarecendo o fato para seus leitores, em notas internas, sem procurar um escândalo onde não havia.

Não disputo vaga de ombudsman mas cabe reconhecer que este episódio não é um caso isolado. Faz parte da prática cotidiana de boa parte dos meios de comunicação desde a AP 470, o processo de provas fracas e penas fortes que criou o mito do maior escândalo do século — sem que ninguém tivesse acesso à íntegra das investigações, nem a documentos oficiais que desmentem desvios e abusos, sem a necessária separação entre interesse político-eleitoral e aplicação da Justiça.

De lá para cá nossos veículos assumiram-se como organismos políticos. Não separam os fatos das opiniões e retratam a realidade conforme aquilo que interessa a sua visão de mundo e aos políticos de sua preferência.

Vivemos uma era de impunidade — na mídia meus amigos.

Em breve, em função de sua própria inconsistência, o factóide dos Correios será esquecido, suas contradições serão ignoradas, e um episódio que só entre aspas poderia ser chamado de denúncia será colocado embaixo do tapete. Não se quer esclarecer, nem explicar. O que se busca é o efeito eleitoral, enfraquecendo uma candidatura a que a mídia se opõe através da dúvida, da negatividde, porque não consegue combater no terreno das ideias, propostas e realizações ocorridas no país de 2003 para cá.

Aprendi, desde meus tempos de centro acadêmico, que eleição é debate de propostas.

A busca permanente do escândalo é um sintoma claro de fraqueza política, acima de tudo. Em vez de debater ideias de um panfleto, o que faz parte do processo democrático, o máximo que os adversários do governo conseguem no momento é tentar usar a mídia para questionar como ele foi distribuído. Fraco, né?

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Essa é do Barão... 52


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Mídia já ensaia descartar Marina Silva

Diferente de 2010, neste ano Marina Silva tem se revelado uma baita dor de cabeça para a mídia. Naquela eleição, o script já estava definido. Ela não tinha condições de ganhar e ajudou o tucano José Serra a chegar ao segundo turno. Já neste ano, o seu ingresso na disputa, encarado como “providência divina”, atrapalhou todos os planos. Num primeiro momento, a mídia até inflou sua candidatura, tentando repetir a jogada de 2010. Só que houve uma overdose de exposição e ela atropelou o cambaleante Aécio Neves. Mesmo desconfiada, a mídia decidiu apostar na aventura. Agora, porém, as pesquisas sinalizam que o “furacão” era passageiro. Diante desta nova realidade, a mídia já ensaia descartar Marina Silva.

Em editorial neste sábado (20), a Folha tucana adotou a tese, que antes negava, “de que haveria um componente emocional na súbita ascensão das preferências por Marina Silva após o acidente que vitimou Eduardo Campos”. De quebra, o jornal ainda destilou veneno contra a ex-verde, afirmando que o seu “o gradual decréscimo nas pesquisas se explica tanto pelos ataques recebidos como por fragilidades próprias”. Segundo a Folha, está em curso “uma corrosão política da postulação marinista”. “Desmentidos sucessivos e ajustes emergenciais de discurso talvez sejam sinal do quanto uma postulação de ‘terceira via’ ainda carece de maturação ideológica para blindar-se contra as investidas dos oponentes”.

No mesmo rumo, o editorial do Estadão de sexta-feira (19), já havia indicado que o discurso da “nova política”, tão alardeado pela ex-verde, não correspondia à vida real. Na véspera, o jornalão entrevistou o vice de Marina Silva, o deputado Beto Albuquerque, que confessou que “ninguém governa sem o PMDB” e evidenciou a guinada pragmática da candidata-carona do PSB. Após evidenciar a frágil base de apoio da presidenciável, o jornal apontou que não há como ela manter a “vã filosofia da ‘nova política’. Descartada, por ingênua ou insincera, a retórica do tal governo dos melhores, resta o governo possível com a expressão organizada do Parlamento”.

Vale ainda comentar os duros ataques desferidos nos últimos dias pelo jornal Valor, que tem como público alvo a chamada elite empresarial. Na sexta-feira, uma reportagem apontou que “a estratégica de vitimização, usada pela campanha Marina Silva (PSB) na defesa contra os ataques dos adversários, voltou-se contra a própria candidata... Em um mês, a sua rejeição dobrou. Agora, além de driblar as críticas dos oponentes, Marina terá de mostrar firmeza para tentar passar mais credibilidade como candidata a presidente”. A matéria teve como fonte o diretor do Ibope Hélio Gastaldi, que elucubrou: “Ao se fazer de vítima e mostrar ingenuidade aos ataques das outras campanhas, ela perdeu a credibilidade”.

Outro artigo, assinado por Alberto Carlos Almeida, autor do livro “A cabeça do brasileiro”, põe em dúvida a ida de Marina Silva ao segundo turno. “O que parecia se constituir numa vitória bastante provável, deixou de ser. A eleição assumiu contornos de disputa acirrada. A trajetória de Marina em muito se assemelha ao Cruzeiro no campeonato brasileiro. Até pouco tempo atrás, sua vantagem sobre o segundo colocado era bem confortável. Caiu bastante, porém, e hoje é de somente quatro pontos. O time mineiro, assim como Marina Silva, dependia de seus próprios resultados. Há duas semanas, os erros e falhas da defesa não colocavam em risco suas respectivas lideranças. Não é o que acontece hoje”.

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