22 de set de 2014

Marina diz que Dilma é um mangangá e ela um carapanã

Carapanã: mais chato e mais chupador.
Mangangá

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Escândalo: como Fux nomeia a filha!

“… o ministro lembrou, durante as conversas, quais processos de que (os desembargadores) cuidavam poderiam chegar ao STF”.
Pai, filha e o Espírito Santo Bermudes
Pressão de Fux por nomeação da filha faz OAB-RJ alterar processo de escolha

Marco Antônio Martins
Samantha Lima
DO RIO

Em uma noite de outubro de 2013, diante de mil pessoas em uma suntuosa festa de casamento no Museu de Arte Moderna do Rio, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux cantou uma música que havia composto em homenagem à noiva, a filha Marianna. A emoção do ministro da mais alta corte do país e sua demonstração de amor à filha impressionaram os convidados.

Meses depois, o pai passaria a jogar todas as fichas em outro sonho da filha: aos 33 anos, ela quer ser desembargadora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Marianna concorre a uma das vagas que cabem à OAB-RJ no chamado quinto constitucional –pela Constituição, um quinto das vagas dos tribunais deve ser preenchido por advogados, indicados pela OAB, e por representantes do Ministério Público.

A campanha do pai para emplacar a filha, materializada em ligações telefônicas a advogados e desembargadores responsáveis pela escolha, tem causado constrangimento no meio jurídico.

Marianna Fux em evento na Academia de Letras Jurídicas, no Rio
Marianna Fux em evento na Academia de Letras Jurídicas, no Rio
Isaac Markman

A situação levou a OAB-RJ a mudar o processo de escolha, com o objetivo de blindar-se de possíveis críticas de favorecimento à filha do ministro.


A vaga está aberta desde julho, com a aposentadoria do desembargador Adilson Macabu. A disputa tem recorde de candidatos: 38.


Tradicionalmente, os candidatos têm os currículos analisados por cinco conselheiros da OAB-RJ. Quem comprova idoneidade e atuação em cinco procedimentos em ações na Justiça por ano, durante dez anos, é sabatinado pelos 80 conselheiros da OAB-RJ. Por voto secreto, chega-se a seis nomes.


De uma nova sabatina, desta vez com os 180 desembargadores, sai lista com três nomes para a escolha final pelo governador.


Dessa vez, a OAB-RJ decidiu mudar o processo, que deve ser concluído no dia 9 de outubro. A pré-seleção dos currículos, feita em julho, foi anulada.


Agora, todos os conselheiros (inclusive os suplentes) vão fazer a triagem. Os habilitados serão escolhidos em voto aberto.


"Estamos entre o mar e a rocha. Achamos melhor abrir o processo e, assim, todo mundo vê as informações sobre todos e faz a escolha", disse um dos dirigentes da OAB-RJ.


A Folha apurou que Fux procurou conselheiros e desembargadores. De oito conselheiros ouvidos, quatro relataram que o ministro lembrou, durante as conversas, quais processos de que cuidavam poderiam chegar ao STF. Três desembargadores contaram que Fux os lembrou da candidatura de Marianna. Todos foram convidados para o casamento da filha.


As discussões tornaram tensas as sessões da OAB-RJ: "Como ela [Marianna Fux] vai entrar mesmo, é melhor indicar e acabar logo com isso", disse o conselheiro Antônio Correia, durante uma sessão.


Procurado, Fux informou, por meio da assessoria, que não comentaria o caso.


EXPERIÊNCIA


Na disputa, Marianna enfrenta só uma concorrente com a mesma idade: Vanessa Palmares dos Santos, 33. Os outros 36 candidatos têm idades entre 38 e 65 anos. Dois já foram finalistas da OAB-RJ em outras seleções, e metade tem mais de 20 anos de advocacia.


Marianna não havia passado pelo crivo inicial do conselho da OAB-RJ, por não ter anexado documentos comprovando a prática jurídica. Em vez disso, apresentou uma carta assinada por Sergio Bermudes, amigo pessoal de Fux e ex-conselheiro da OAB-RJ. Marianna é sócia de seu escritório desde 2003.


Na carta, Bermudes declara que ela exerceu "continuamente, nesses mais de dez anos, a atividade de consultoria e assessoria jurídica". Com a recusa da carta, Marianna, então, anexou uma série de petições para comprovar sua experiência.


A Folha analisou o dossiê entregue por Marianna. Ela não conseguiu atender a exigência nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010. Mesmo assim, seu nome seguiu na seleção. A OAB-RJ alega que o regulamento deixa brechas para interpretações.


Marianna Fux não respondeu e-mails da reportagem nem recados deixados no escritório de Sergio Bermudes.


Na próxima análise dos currículos, um grupo de 20 advogados planeja impedir que a filha do ministro Fux siga no processo de seleção. O presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, não comentou o caso.


RAIO-X - MARIANNA FUX
IDADE 33 anos
FORMAÇÃO Graduada em direito pela Universidade Cândido Mendes
CARREIRA Sócia do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes desde 2003, com atuação nas áreas cível, empresarial e administrativa

* * *


O ansioso blogueiro, estupefato e perplexo com a forma de o Ministro (sic) Fux tentar nomear a filha desembargadora, conseguiu localizar o Profeta Tirésias, envergonhado, escondido numa caverna perto de Tebas.

E perguntou: caro Profeta, onde é que nós estamos?

Serenamente, mas envergonhado e desiludido, ele sentenciou:

Se quer ser juíza, a filha de Fux, com 33 anos e nenhuma experiência na Advocacia, sem nenhuma qualificação acadêmica, deveria fazer como os demais graduados em Direito.

Aos 33 anos, ela deveria matricular-se num cursinho preparatório e fazer concurso para Juiz. Daí, se aprovada, ingressaria num cargo compatível com a idade dela.

Ao invés de ser conselheiro da filha, Fux a expõe à constrangedora situação de ter seus defeitos e sua tímida formação expostos.

Um ministro do STF não faz campanha, não pede voto à OAB, não constrange desembargadores.

Assistimos a uma inversão dos valores republicanos.

Fosse a filha dele respeitada no meio jurídico fluminense por sua militância como advogada e por seus méritos acadêmicos, o Ministro do STF não precisaria fazer campanha.

Se faz tanta força e pisoteia a Ética é porque sabe que a filha não tem méritos para ser desembargadora.

Em tempo: depois, se espantam se Édipo se faz cego.

Tirésias, segundo o ansioso blogueiro

Em tempo2, por sugestão do Vasco:

Como é que um ministro desses, com esse tipo de atitude e ainda amigo do Bermudes, pode julgar a Satiagraha?

Em tempo3: como se sabe, a legitimação da Satiagraha está nas mãos do Fux, relator do RE 680967 – PHA


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Dificuldade nas urnas força PSDB a recalcular tamanho do partido

Criado como alternativa de centro-esquerda, partido se complicou com alianças regionais, apostas malsucedidas e falta de renovação. Análises apontam que a sigla tem de se reinventar depois de outubro

Aécio e Alckmin devem disputar atenções dentro do partido a partir de 2015: uma 'renovação' sem novos
Orlando Brito/Coligação Muda Brasil
Brasília – Não há mais como postergar o debate. Com a possibilidade de perder a eleição para a presidência da República pela quarta vez consecutiva (2002, 2006, 2010 e 2014) e de ficar fora do 2º turno pela segunda vez na história (a primeira foi em 89), o PSDB precisará ser repensado. Reconstruído em relação às lideranças e, principalmente, quanto ao futuro que se espera para a legenda. Essa é a opinião de parlamentares, sociólogos, cientistas políticos e acadêmicos, que têm discutido o assunto nos últimos dias.

O fato de uma legenda reestruturar projetos e estratégia de atuação após um pleito eleitoral pode até ser corriqueiro, mas a questão, no caso dos tucanos, é saber se eles terão poder para se manter como oposição a partir de 2015, se possuem lideranças suficientemente fortes para atuar pela sigla no Congresso Nacional e, sobretudo, se os arranjos firmados nesta eleição deixarão o PSDB mais voltado para o propósito de quando foi criado, na década de 1980, ou manterão o partido atrelado à direita, como tem sido observado mais recentemente.

“O PSDB estará numa encruzilhada depois de outubro. É uma legenda que não conseguiu vender a imagem de mudança. Seu discurso falou mais de restauração em si do que de mudança”, afirma o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).

O acadêmico analisa que a situação dos tucanos nas eleições de 2014 é reflexo da incapacidade de se comunicar com a população e construir militância. “O fato de o PSDB não ir para o segundo turno quebra uma polarização com o PT. Além disso, a diferença de Aécio Neves para Dilma Rousseff indica que, apesar de os petistas estarem há 12 anos no poder, a população ainda tem uma rejeição maior ao PSDB do que ao PT. O partido terá de estudar novas estratégias de reconstrução, pois não tem militância, as decisões tendem a ser tomadas de forma restrita e elitizada e é observada nítida dificuldade de se criar um canal de comunicação com as pessoas, o que ficou bem claro nesta campanha”, ressalta.

Barreto é acompanhado no argumento por nomes de peso na história da elaboração do pensamento tucano. "O grande problema do PSDB é que o partido não conseguiu se articular como oposição durante os governos petistas", enfatiza o filósofo José Arthur Giannotti – que já pertenceu à sigla e hoje se diz "tucanoide e não tucano."

Intelectual bastante ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o historiador Boris Fausto também não mede palavras para apontar que o PSDB passa por um momento muito delicado. "O partido vive uma crise de liderança séria", acrescenta.

Entre os políticos integrantes da sigla, há quem avalie que a grande preocupação é a busca por lideranças nacionais e a consolidação das já existentes, uma vez que o PSDB não soube fazer novos nomes com condições para despontar no cenário nacional depois que deixou a presidência, em 2003, orbitando sempre em torno dos mesmos políticos e apresentando muito mais cisões do que pontos de consenso entre a bancada. Nas disputas presidenciais, repetiu duas vezes José Serra, apostou uma em Geraldo Alckmin e outra em Aécio Neves, todos nomes conectados, em maior ou menor grau, a correntes antigas da política. Em contraponto, existe um pensamento que prefere acreditar que, apesar das derrotas seguidas nas eleições presidenciais, os tucanos seguem numa linha positiva.

Esse segundo raciocínio é motivado por articulações para as eleições deste ano tanto para o retorno ao Congresso Nacional de tucanos históricos, como José Serra (SP) e Tasso Jereissati (CE), que têm chance de ocupar vagas no Senado a partir de 2015, como a reeleição de parlamentares, caso de Álvaro Dias (PR), que, segundo pesquisas, tende a ser o senador mais votado do país (embora já tenha rompido com o PSDB em 2002 e retornado em seguida) – além do próprio Aécio Neves, que tem mais quatro anos pela frente como senador.

Nova geração?

O cientista político Leonardo Barreto tem uma opinião diferente da de políticos que comemoram a volta de "quadros fortes" entre os tucanos ao Congresso. Ele destaca que o retorno de antigos nomes só corrobora a ideia de que não houve renovação na legenda. Cita como exemplo o PT, que, mesmo tendo lideranças contestadas, reúne pessoas que podem ser consideradas uma segunda geração da legenda: Gleisi Hoffmann, senadora e candidata ao governo do Paraná, Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, e Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de São Paulo.

“No PSDB, não houve isso. Alguns nomes que poderiam ter formado uma segunda geração terminaram, por motivos variados, saindo do partido e até romperam com integrantes. Os nomes importantes têm idade média na faixa dos 70 anos e isso é ruim para a formação de novas lideranças”", explica Barreto. Casos como do ex-ministro Ciro Gomes (agora no Pros), o prefeito de Curitiba (PR) Gustavo Fruet (hoje no PDT) e o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (que chegou a presidir o partido e depois migrou para o PMDB), são exemplos de saídas que ilustram o apontamento de Barreto.

Marcus Fernandes/Coligação Muda Brasil
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Serra, Aécio e Alckmin não conseguiram formar novos quadros e travaram disputas que prejudicaram o partido
Ele acredita que, além de Aécio Neves, será importante para essa renovação da sigla o papel de Geraldo Alckmin, prestes a ser reeleito como governador do maior colégio eleitoral do país, São Paulo, e de nomes que sempre tiveram atuação forte, como o prefeito de Manaus (AM), o ex-senador Arthur Virgílio.

Virgílio ameaçou cerca de um ano atrás deixar a legenda e tem, entre as diferenças internas, disputas principalmente com Alckmin, em razão de discussões sobre a guerra fiscal entre os estados.

Desde dezembro passado, em declaração durante entrevista para uma emissora de TV, o prefeito e ex-senador tem chamado a atenção para o quadro e destacado que “o PSDB precisa se repensar”. Virgílio usou uma frase bem específica sobre a posição do partido hoje: “Perder uma quarta eleição é como sapato branco, é bonito nos outros. Daqui a pouco, você vira o sparring, não o lutador principal.” A tese dele é de que falta ao partido uma "utopia nova, algo como o apelo da estabilização da economia, que rendeu um par de mandatos a Fernando Henrique Cardoso".

Segundo Virgílio, “se FHC fosse 20 anos mais novo, seria um excelente candidato”. Uma das fragilidades apontadas por ele foi o fato de o partido, no início do governo do PT, não ter destacado os trabalhos de Fernando Henrique, que ele avalia como "relevantes para o país". Pelo contrário, o ex-presidente teve pouca exposição em campanhas eleitorais e debates internos. “O partido escondeu FHC. Depois de todo o trabalho que não deu frutos para o FHC, deu frutos para o Lula, ele (o PSDB) pode se vangloriar de números para os quais, em grande parte, concorreu o presidente FHC”, observa.

Bancadas e Arranjos

Para uma nova configuração em 2015, o PSDB projeta ter, entre os governos estaduais, além de Alckmin, Beto Richa, do Paraná, Marconi Perillo, de Goiás, e Expedito Júnior, de Rondônia, que figuram nas pesquisas como prováveis vencedores das eleições. A projeção é de que ainda sigam à disputa de segundo turno Cássio Cunha Lima, na Paraíba, Reinaldo Azambuja, no Mato Grosso do Sul, e Simão Jatene, no Pará. Existe possibilidade, portanto, de que o número de oito governadores tucanos empossados em 2011 não seja mantido em 2015.

Já em relação ao número de deputados, estimativa divulgada recentemente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra a tendência de o PSDB continuar na posição de terceira maior bancada do país, atrás de PT e PMDB, respectivamente, mantendo os 44 parlamentares da atual bancada, número que pode cair para 36 ou subir até 53, conforme o xadrez das chapas nos estados.

A situação parece até confortável se comparada ao início deste ano, mas, quando se considera que o partido iniciou a legislatura de 2010 com 53 deputados, a história muda de figura. Vários deles preferiram migrar para partidos como PSD, Pros e Solidariedade.

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Aos 65, Tasso tenta retornar ao Congresso:
na visão de analista, nada alentador
Campanha Tasso
No Senado, o PSDB possui 12 senadores. Desses, seis estão em final de mandato. A legenda, conforme o mesmo estudo do Diap, tende a ter redução de 1 a 3 nomes. Terá de nove a 11 senadores na bancada a partir da próxima legislatura. Sem falar que perde um aliado de peso no plenário: o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que é um dos peemedebistas mais ligados ao partido desde o governo FHC, hoje é candidato a deputado federal, além de apoiar Marina Silva.

“A oposição tem que ter clareza no discurso e ser mais afirmativa. Tem que se apresentar como alternativa real de mudança e é esta a linha que pretendemos seguir”, afirma Álvaro Dias, sobre a postura a ser adotada na continuidade no mandato como senador pelo partido.

Fracasso da terceira via

Pessoas que conhecem o PSDB por dentro ponderam que o problema central reside no fato de ter se desvirtuado dos conceitos defendidos desde a criação. Avaliação sobre isso foi feita recentemente, em tom de desabafo, pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, em carta pública na qual declarou voto na presidenta Dilma Rousseff.

Bresser-Pereira destacou que foi um dos fundadores da sigla, em 1988, mas gradualmente se afastou por razões de ordem ideológica. “Depois da última eleição presidencial, vendo que o partido havia dado uma forte guinada para a direita, que deixara de ser um partido de centro-esquerda e que abandonara a perspectiva desenvolvimentista e nacional para se tornar um campeão do liberalismo econômico, desliguei-me dele”, frisou.

Nesse sentido, também chama a atenção a redução constante da produção intelectual e acadêmica por parte dos integrantes da legenda e a concentração de ideias em um nome. “É interessante falar sobre isso porque o PSDB viveu uma época em que teve produção muito grande no Instituto Teotônio Vilela, mas, hoje, vemos muito mais uma produção intelectual saindo do Instituto FHC. Tanto é que toda essa questão da descriminalização das drogas é o FHC quem puxa, não o partido”, destacou Leonardo Barreto.

A interpretação do cientista político é de que o partido fez uma aposta alta na terceira via, defendida por Tony Balir, primeiro-ministro do Reino Unido na década de 1990, pelo Partido Trabalhista inglês, e teorizada pelo sociólogo britânico Anthony Giddens, modelo que não deu certo nem na Inglaterra, nem no Brasil.

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FHC, escondido pelo partido e afastado de negociações,
 não foi fator para capitalizar apoios
Fernando Frazão/Agência Brasil
Na visão do sociólogo Marcelo Zero, a terceira via de Blair "pregava uma visão além da esquerda e da direita", rompia com a social-democracia tradicional e com o velho trabalhismo, mas também representava, em tese, a ruptura com o neoliberalismo. "Era algo profundamente novo, um centralismo radical, que prometia, num grande esforço modernizador, adaptar a economia e a sociedade britânicas aos novos desafios impostos pela globalização, mantendo, no entanto, os valores permanentes da justiça social”, explica.

“Fizeram uma guinada à direita na década de 1990. Apostaram na terceira via, mas, no caso da Inglaterra, a aposta era feita num país com um desenvolvimento razoável. No Brasil, país ainda em desenvolvimento e com desigualdades extremas, o modelo deu mais errado ainda. Depois dessa guinada à direita e do fracasso, o PSDB ficou mais desorientado, perdeu a capacidade propositiva e caiu no antipetismo”, diz Marcelo Zero.

Divisão ideológica

“O PSDB foi vítima de seu próprio sucesso. Nascido como uma federação de dissidências regionais do PMDB e do antigo PFL, logrou conquistar o eleitorado de centro graças ao gênio político de Franco Montoro, que lhe deu voz e horizonte político, reunindo um leque admirável de lideranças regionais com experiência e capacidade governativa”, afirmou, em trabalho sobre o tema, o professor titular da USP e pesquisador do Centro de Estudos Avançados da Unicamp, José Augusto Guilhon Albuquerque. Na visão dele, depois que chegou à presidência, em 1995, o partido cresceu demais, o que criou uma crise de identidade.

Outro fator negativo destacado ao longo do período foram as constantes divergências entre lideranças, ou “estrelas”, como costumam ser chamadas entre si. “Até mesmo Fernando Henrique Cardoso tem feito um trabalho mais individualista, algumas vezes por vontade própria. Outras por ser simplesmente deixado de lado por integrantes do partido. Com isso, vingou a política feita, muitas vezes, ao estilo dos antigos coronéis, por meio de decisões burocráticas tomadas nos gabinetes”, reflete o cientista político Alexandre Ramalho, hoje na cátedra de Direito Constitucional da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Sobre o futuro da legenda, ao menos por enquanto, as declarações mostram divergências de opiniões. O senador Aécio Neves disse, durante entrevista após um dos debates entre presidenciáveis dos quais participou, que os tucanos só têm duas alternativas: "Ou ganhamos as eleições e governamos o Brasil ou vamos para a oposição."

Na mesma linha, o ex-governador cearense Tasso Jereissati criticou declarações de Marina Silva de que procuraria os melhores quadros dos partidos para governar, dando a entender que o PSDB não estaria disposto a ceder integrantes num futuro apoio. “A lógica que ela quer pode ser aplicada em cima de um projeto, mas, fazendo uma misturada geral, tirando de um ou de outro, ela vai destruir o Parlamento. Isso é perigosíssimo e nós sabemos no que dá”, salientou.

Por outro lado, é pública a divulgação feita por parte de pessoas próximas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso da simpatia pelo fato de o PSDB vir a participar de um futuro governo de Marina Silva, desde que ela se comprometa, de fato, com um mandato apenas. Os rumos que toda essa discussão tomará, só se saberá após o resultado das urnas, quando os tucanos verão o real tamanho que têm hoje.

Hylda Cavalcanti
No RBA

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Pesquisas ainda vão segurar Marina? Aécio será o Lázaro da direita?


Hoje a amanhã serão dias de grande ansiedade na campanha.

Os boatos vão se espalhar a toda a velocidade.

Porque a mídia está completamente atarantada com a rapidez da dissolução da candidatura Marina Silva.

rejeicearaO Datafolha publicado hoje sobre o Ceará dá mostra desse processo.

Em pouco mais de duas semanas, Marina cai de 24 para 18%, o que é perder um a cada quatro eleitores.

Exatos ou não os números, Aécio vai aparecer bem perto da ex-senadora nas pesquisas Vox Populi, hoje, e Ibope, amanhã.

A direita percebeu que Marina está se desfazendo e teme que isso se dê de forma tão forte que não possa ser controlada.

A rejeição à candidata fundamentalista, na pesquisa do Datafolha entre os cearenses, dá um incrível salto de 20 para 31%.

É muito, demais para que seja um fenômeno exclusivamente local.

Já começaram, até, a surgir “teorias da conspiração”, curiosíssimas.

Lauro Jardim, na Veja, ao registrar que pesquisas do PSDB e PT indicam uma aproximação de Marina, descendo forte, e Aécio, subindo poderiam ser “uma operação combinada entre o PT e a Vox para alavancar Aécio”.

Só, ao que parece, se tiver sido combinada também com o Datafolha, o Ibope, o Sensus, o Datatempo e todos os outros que estiverem captando o obvio: a onda Marina está em pleno refluxo.

É difícil “calibrar” estes processos metóricos, tanto para cima quanto para baixo.

Mas é possível sentir que a situação é séria e apavora o núcleo marinista.

A candidata sabe que está nas mãos da mídia.

Sua sorte, a sorte que ainda tem, é de que Aécio é um candidato muito ruim.

Do qual, aliás, o jornalista Luiz Fernando Vianna faz, na Folha de hoje, um impiedoso mas veraz retrato, ao recordar a frande do folclórico técnico de futebol de praia Neném Prancha e uma de suas antológicas frases, a que diz que jogador de futebol tem de ir na bola “como quem vai num prato de comida”:

“Dilma e Marina merecem várias críticas, mas têm a seu favor a gana de viver e vencer de quem já sentiu o cheiro da morte. A primeira sobreviveu às torturas e à prisão na ditadura militar; a segunda, tal qual Lula, superou a pobreza extrema. Estão na campanha com fome.

O bem nascido Fernando Henrique também era guloso porque via o topo do poder como o único lugar à sua altura. Aécio já entrou na vida pública como neto de presidente (não empossado, mas eleito). Parece satisfeito com o muito que tem. Prato de comida, para ele, é o dos restaurantes de luxo que frequenta no Rio”.

A grande maravilha do processo social é a de que, quanto mais a mídia e os donos da “vontade popular” o tentam manipular, mais ele prova que tem uma força imensa, que desmancha, com o tempo, todas as prestidigitações dos feiticeiros da política.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Uma interrupção a cada 16s: eles não deixam Dilma falar

Se as constantes interrupções de Bonner e Poeta na entrevista de Dilma ao Jornal Nacional, no mês passado, já foram preocupantes, a Rede Globo conseguiu bater o recorde hoje pela manhã. Na entrevista ao Bom Dia Brasil, Miriam Leitão, Ana Paula Araújo e Chico Pinheiro fizeram aproximadamente OITENTA E DUAS interrupções à fala de Dilma durante os 30 minutos e meio de entrevista. Se considerarmos que por mais de 8 minutos desse total a palavra foi dos jornalistas, Dilma foi interrompida, nos pouco mais de 22 minutos restantes, em média, uma vez a cada 16 segundos. É quase o dobro do que ocorrera no Jornal Nacional, quando havia uma interrupção a cada 29 segundos.

A campeã de interrupções é Miriam Leitão, que responde por quase metade das 82. As intervenções dos três jornalistas chamaram tanto a atenção e atrapalharam tanto o andamento da entrevista que Dilma teve que avisar: “Deixa eu acabar de responder, pelo amor de Deus? O debate é comigo, não é?”. Era quase impossível a presidenta concluir seu pensamento, poucas falas não eram interrompidas.

Foi tanta vontade de interromper a presidenta que cenas bizarras chegaram a acontecer, como a sincronizada interrupção tripla a 18 minutos de entrevista e a interrupção da interrupção, quando a 23min30s, Miriam Leitão pede licença para Ana Paula para poder falar mais um pouco.

A cena é recorrente. Dilma é a entrevistada, mas nenhum jornalista quer ouvir o que ela tem a dizer. Preferem ficar perguntando em círculos, sem ouvir as respostas e ignorando os dados que apresentam os avanços do país. Quase deixam de lado o papel de entrevistadores; viram debatedores.

No MudaMais


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DataCaf: Dilma 40 vs 22 Bláblá

Desse jeito, Ataulfo, é no 1º turno


Arrocho sobe um pouquinho — veja DataCaf do domingo no parque — e vai a 17.

A grande novidade já aqui antecipada é o nacional desmoronamento da Antônia Conselheira (verifique no ABC do C Af).

Coitado do Cae.

Agora, vamos brincar de segundo turno?
Dilma Rousseff 46

Marina Silva 39
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Ana Amélia tenta censurar CloacaNews e dá com os burros n’água

Censura uma ova!
De acordo com informações veiculadas pelo portal Sul21, a Justiça Eleitoral gaúcha indeferiu a liminar nas ações cautelares ajuizadas pela candidata ao governo do RS Ana Amélia Lemos (PP) e a coligação Esperança que Une o Rio Grande contra dois blogs, entre os quais o Cloaca News, que noticiaram a falta de informações sobre seu patrimônio na declaração feita ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS). Tanto o desembargador Federal Otávio Roberto Pamplona, juiz auxiliar do TRE-RS, quanto a desembargadora Liselena Schifino Robles Ribeiro, juíza auxiliar do TRE-RS, que relataram as ações, consideraram que a informação não é “sabidamente inverídica”, como afirmava a candidata, e que não há necessidade de concessão de liminar.

Após ser notificado do caso, o titular do Cloaca News emitiu a seguinte Nota Oficial:
"Sobre a ação tresloucada de Ana Amélia e sua coligação, o Sr. Cloaca, titular do blog Cloaca News, tem a dizer o seguinte:

— A tentativa de retirar de circulação um veículo de informação e livre manifestação do pensamento, no caso, o blog Cloaca News, constitui-se em grave atentado à liberdade de expressão, digno de ser veementemente repudiado por todos os que prezam a democracia e a pluralidade ideológica. 

— As informações veiculadas pelo blog são absolutamente verdadeiras, calcadas em prova oficial, fornecida pelo 2º Cartório de Notas de Formosa, Goiás, no dia 8 de setembro último. Também estão escoradas nas informações oficiais – públicas – exibidas pela Justiça Eleitoral na internet. 

— A simplória alegação de que o Cloaca News “identifica-se com o governo do Partido dos Trabalhadores” não tem qualquer respaldo fático, visto que o blog não ostenta, nem jamais ostentou, qualquer logomarca do PT. 

— A tentativa de Ana Amélia de banir sumariamente um veículo de informação e ideias demonstra a índole autoritária e fascista da candidata do PP, ela sim, identificada com os setores mais reacionários e conservadores da direita mais raivosa do Rio Grande do Sul.

— Até o momento, não fui chamado a me manifestar formalmente sobre este desditoso caso de tentativa de censura. Em todo caso, estou pronto a fazê-lo, para apresentar, com prazer, as provas cabais de tudo o que está publicado."
No CloacaNews
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À moda de Stalin


O Brasil deixa o mapa da fome da ONU — mas os meios de comunicação fazem o possível para reescrever a história e esconder o papel de Lula numa vitória que é de todos

Os brasileiros deveriam promover uma festa nacional porque o país saiu do mapa da fome da ONU. Isso não vai acontecer e o motivo é muito feio.

A vitória histórica do país contra a desnutrição tem um responsável principal, gostem ou não. É o governo Lula e os programas de distribuição de renda que ele iniciou logo depois da posse, em 2003. A fome não foi vencida num ato de vontade mas como projeto de Estado lançado por Lula no discurso de posse, quando anunciou o compromisso — muita gente achou que era só uma demagogia como tantas outras — de garantir que todo brasileiro fizesse três refeições por dia. A ONU informa que ele falou a verdade.

Mas é claro que não convém lembrar esse feito quando faltam duas semanas para a eleição presidencial.

Convém reescrever a história, aplicando uma técnica de manipulação stalinista que ensina que se deve modificar o passado em função das conveniências do presente.

Herbert de Souza, o Betinho, que foi o porta-voz da Campanha contra a Fome e a Miséria, tem sido lembrado e homenageado depois da mudança no mapa da ONU. Adversário da ditadura militar, com um discurso afinado com as necessidade de seu tempo, Betinho merece ser lembrado. Ele teve um grande papel na mobilização daquele período. Foi o rosto da Campanha contra a Fome.

Não custa lembrar, contudo, que a Campanha foi um projeto que saiu de Lula e do Instituto de Cidadania. Com a autoridade de presidente do partido que havia liderando o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992 Lula levou o projeto da campanha contra a fome para Itamar Franco. Recém-empossado, em busca ideias para dar rumo a um governo nascido de uma crise que parecia sem fim, Itamar adorou a ideia. Convidou Lula para assumir a coordenação da campanha. Sem disposição para tanto, Lula indicou o bispo Mauro Morelli, de reconhecido envolvimento em causas sociais. Com dom Morelli, veio Betinho. Junto com os dois, veio um vice-presidente do Banco do Brasil que, autorizado por Itamar e estimulado por Lula, seria o principal responsável pela logística da campanha. Era Henrique Pizzolato, que abriu agências e mobilizou a estrutura capilar da instituição para coletar e distribuir alimentos pelo país inteiro. Ele mesmo.

A mobilização popular contra a fome, a partir de então, foi um exemplo de cidadania e solidariedade que os brasileiros deram a si próprios. Também foi uma resposta a uma situação de emergência. Cavalgando um projeto de redução do papel do Estado e corte vertical de benefícios sociais, nos anteriores o governo de Fernando Collor promoveu uma redução drástica nos programas de assistência social. Criada por Getúlio Vargas na década de 30, responsável pelo pouco atendimento aos mais pobres, a LBA foi fechada em clima de moralização do serviço público, com auxílio de escândalos de sempre. Herança de José Sarney, que garantia alguma proteína às famílias submetidas a pior miséria, o programa do leite foi abandonado. Era a fome e a miséria — reconheciam todos.

A campanha da Fome trouxe os resultados positivos mas irregulares que as doações filantrópicas e o trabalho voluntário permitem. Na campanha de 2002, a fome estava lá, como assunto dos brasileiros.

Lula transformou a luta contra a fome numa política de Estado. Criou o Bolsa Família como um programa de massas para 14 milhões de famílias — antes, era uma espécie de amostra-grátis. Também definiu uma política de valorização do salário mínimo, reforçou o crédito para a agricultura familiar e tomou outras medidas na mesma direção. O saldo é que um naco importante da riqueza nacional mudou de lugar e chegou a mesa dos pobres e desnutridos.

Assim a fome foi vencida.

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Enquanto os EUA levam guerras...‏

Saúde e esperança, o presente de Cuba para a África

A cooperação de Cuba com outros países não se limita somente à América do Sul. Os esforços humanitários e de capacitação, produto das políticas sociais implementadas na ilha desde o triunfo da Revolução em 1959, beneficia também o continente africano.

Desde o êxito da Revolução Cubana em 1959, este país latino-americano mostrou interesse especial em temas de cooperação, não somente em regiões do sul, mas expandiu seu campo de ação a outros continentes com situações vulneráveis.

Na África, a cooperação cubana tem estado orientada principalmente ao âmbito médico e tem sido de grande importância, já que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), este continente precisará de um milhão de profissionais de medicina na próxima década para satisfazer as necessidades de cirurgia básica.

Segundo informou a diretora geral da Comercializadora Serviços Médicos Cubanos do Ministério de Saúde Pública (Minsap), Yilian Jiménez, neste momento mais de dois mil profissionais e técnicos de Cuba trabalham em mais de 30 países do continente africano.

De acordo com dados do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, desde que, em 1963, partiu para a Argélia a primeira brigada médica cubana com missão internacionalista, 131.933 profissionais da saúde ofereceram sua colaboração a outras nações.

O Ministério de Saúde Pública de Cuba destaca neste sentido que se prestou serviço médico a mais de 300 milhões de pessoas e foram realizadas 2 milhões de cirurgias. A isso, é preciso acrescentar a vacinação de 9 milhões de crianças.

Elementos da cooperação

Um estudo sobre Cuba e África realizado pelo investigador estadunidense Conner Gorry destaca que o êxito da cooperação está na inclusão de elementos como promoção, prevenção, educação e acesso universal aos serviços.

O rigor do programa cubano de formação de recursos humanos para a saúde é que, apesar dessa cooperação internacional, o país tem sido capaz de manter seus indicadores de saúde nacionais e a proporção de um doutor para cada 170 residentes.

O investigador aponta que a questão consiste em conseguir que países como Guiné Equatorial, que conta com trinta médicos para cada cem mil habitantes, ou como a Etiópia, com só três, aprendam com essa experiência e alcancem níveis sustentáveis de pessoal para se libertar da dependência da ajuda externa e possam oferecer atenção à sua população.

Formação médica profissional

Como parte da cooperação médica de Cuba na África, destaca-se a capacitação a nível profissional, onde a vontade política é chave, já que sem o apoio financeiro e estrutural dos governos não pode haver um setor de saúde pública africano sustentável, com suficiente recurso humano.

Com os governos e as autoridades de saúde de muitos países do mundo, mas com uma ênfase especial na África, onde os recursos são mais escassos, Cuba tem ajudado a fundar escolas de medicina para formar nas próprias localidades profissionais que se necessitam com urgência.

Prova disso é a Guiné Bissau, onde a cooperação cubana se vê refletida na Faculdade de Medicina Raúl Dias Arguelles, que conta com um total de 35 professores cubanos, com 352 alunos do primeiro ao sexto ano do curso.

Escola Latino-Americana de Medicina

Talvez o esforço mais notável que Cuba realiza para educar profissionais da saúde do mundo em desenvolvimento seja a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), que oferece estudos durante um período de seis anos a bolsistas de diferentes países.

Os estudantes, por sua vez, têm o compromisso moral de trabalhar depois de sua graduação em comunidades desprovidas de serviços de saúde.

Atualmente alunos de 44 países africanos estudam diferentes disciplinas médicas em Cuba.

Ação médica-social

Por meio do programa da Operação Milagre foram feitas cirurgias com equipamentos de alta tecnologia a mais de 600 mil pacientes com problemas de visão de 30 países da América Latina, Caribe e, mais recentemente, da África.

Um exemplo disso é a recente inauguração de um importante centro oftalmológico em Mali, região em que Cuba também está engajada na luta contra a AIDS.

No momento, Cuba está presente na Eritreia, onde seus colaboradores estão trabalhando há mais de oito anos em duras condições, trabalho que teve o reconhecimento do Ministério de Saúde e da Agricultura desse país africano.

Por sua vez, na África do Sul, a cooperação cubana conseguiu importantes avanços em saúde e construção em Polowane, capital da província de Limpopo, uma das mais pobres neste país.

Resposta imediata

Devido à recente epidemia de ebola que atacou em grande medida a população africana, Cuba tem executado um plano de ação sanitária de emergência para oferecer ajuda aos países afetados.

"Nossa participação na luta contra o ebola na África não é um fato isolado; está sustentada sob o princípio de partilhar o que temos", expressou o ministro de Saúde Pública de Cuba, Roberto Morales, na sede da OMS em Genebra (Suíça).

Morales destacou que em coordenação com o organismo de saúde internacional, a colaboração se realiza especificamente em Serra Leoa, após o chamado realizado pela diretora geral e o secretário das Nações Unidas para colaborar com os países afetados.

A epidemia do ebola, a mais grave desde a aparição do vírus em 1976, deixou mais de 2.200 mortos na África, afetando principalmente Libéria, Serra Leoa e Guiné.

Perspectivas positivas

Cuba tem muito boas perspectivas em relação à África. Sobre isso, a diretora geral da Comercializadora Serviços Médicos Cubanos do Minsap disse que "Cuba continuará enviando médicos e profissionais aos países africanos que o solicitem".

Em reiteradas oportunidades, as autoridades cubanas expressaram que a cooperação internacional com a África não tem fins lucrativos, destacando a importância de receber a experiência e formação dos profissionais.

De Angola até o Zimbábue, os profissionais da saúde cubanos estão tratando de que o movimento global de saúde trasforme o slogan "Saúde para Todos" em uma realidade.

Telesur - Tradução do Diário Liberdade
Dica do amigo Itárcio José de Sousa Ferreira
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Médico de família 'dirige Chevette e namora Creisom' em apostila para concurso

Médicos de família e comunidade estão no centro de programas de governo e propostas para a saúde
"Ao ouvir as histórias dos amigos, você ficava triste: os dermatologistas, todos bem de vida (...); o pessoal da cirurgia plástica chegando de carro importado e você caladinha, envergonhada de estar em um fim de mundo, dirigindo seu Chevette hatch, ano 87, com três calotas, e namorando Creisom, motorista da ambulância do seu município...".

Esta é a descrição de um hipotético encontro de colegas de Medicina que aparece em uma apostila do Medcurso, o principal curso preparatório para concursos médicos no Brasil. A situação descrita acima introduz uma série de perguntas sobre a atenção básica de saúde. A "motorista do Chevette", que aparece envergonhada, é uma médica que optou por atuar em um Posto de Saúde da Família (PSF) em uma cidade do interior. O material do curso preparatório chega a dizer ainda que líderes de esquerda como Hugo Chávez e Evo Morales seriam os "heróis" dos médicos que trabalham com atenção básica.

A apostila ilustra a imagem que médicos de família e comunidade — que atuam majoritariamente no SUS e em postos de saúde — têm entres os profissionais de Medicina no Brasil. Apesar de estarem no centro de programas de governo — como o Mais Médicos — e das propostas de candidatos à Presidência para a saúde, os médicos de família são ainda uma especialidade pouco conhecida da população e pouco procurada dentro das escolas de Medicina: dos cerca de 390 mil médicos no país, apenas cerca de 4 mil são médicos de família, cerca de 1% do total.

Profissionais que optaram pela especialidade relatam sofrer preconceito entre professores e colegas, apesar da importância da categoria no atendimento aos problemas de saúde mais básicos que afetam os brasileiros. "Sou formado há 12 anos e aconteceu em vários momentos em encontros de turma de me perguntarem quando farei uma especialidade de verdade", disse Rodrigo Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, à BBC Brasil.

"Eu já tive muitos alunos que chegaram a relatar: 'Eu tenho vontade de ser médico de família, mas não sei como minha família encararia isso, não sei se vou conseguir convencê-los'. Para um aluno de 20 anos é difícil resistir à pressão de ter que ter o carro do ano, ser muito bem sucedido financeiramente. É o ideal que a sociedade tem do que é ser médico."

Desvalorização

O Programa de Saúde da Família — criado durante o governo Fernando Henrique Cardoso — tem o objetivo de oferecer atendimento primário de saúde, que procure prevenir e resolver a maior parte dos problemas em determinado território sem a necessidade de encaminhamento para hospitais especializados. A estratégia foi ampliada durante os governos do PT.

Nos postos de saúde e unidades básicas, uma equipe de médicos, enfermeiros e agentes comunitários deve acompanhar até quatro mil pessoas — desde crianças até idosos. O bom funcionamento do modelo, que também é adotado por países como Inglaterra, Canadá e Austrália, ajudaria a evitar a superlotação de emergências e hospitais, um dos principais gargalos do atendimento médico no país.

Na prática, no entanto, os profissionais relatam unidades com demanda mais alta do que o previsto, condições precárias de trabalho, falta de materiais básicos para o atendimento e dificuldade de completar as equipes médicas.

"Os Postos de Saúde e Unidades Básicas de Saúde hoje não dão conta da demanda por uma série de razões. Então o que temos hoje é uma rede enorme de serviços que não conseguem resolver os problemas e cria nas pessoas a ideia de que 'o postinho não resolve, o melhor é o hospital'", diz Rodrigo Lima.

Além do Mais Médicos, que contratou profissionais brasileiros e estrangeiros para complementar equipes de saúde da família em todo o país, a formação de profissionais dispostos a atuar na atenção básica também foi alvo de diversas estratégias durante os governos Lula e Dilma. Entre elas, a mudança no currículo de Medicina — que passou a exigir que os alunos frequentem postos de saúde desde o início do curso, e o estímulo à abertura de mais programas de residência da especialidade no país.

Muitos desses programas, no entanto, não conseguem preencher boa parte das vagas, segundo a SBMFC. Para os médicos, é um sinal de que os estudantes precisam de mais estímulo para seguirem a carreira. O salário é considerado um dos fatores que desestimula os médicos — eles ganham em média R$ 8 mil, contando com bonificações oferecidas pelas prefeituras para complementar os salários.

"Nos últimos anos, o governo teve iniciativas que foram interessantes, mas não suficientes. Se você não botar dinheiro no bolso do cara para que ele pague as contas, ele não vai ficar", disse Paulo Klingelhoefer de Sá, médico de família e coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP), à BBC Brasil.

Apostila de curso preparatório para médicos
fala em "vergonha" de médicos de família
"Os alunos falam isso na minha cara. Eu os coloco na atenção primária desde o começo do curso. Eles acham muito legal, ficam com pena da população, mas escolhem outro caminho. Escolhem fazer oftamologia, radiologia, dermatologia. Dizem que medicina da família é coisa para pobre."

Os três candidatos melhor colocados nas pesquisas sobre a disputa pela Presidência, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, mencionam a "ampliação" da Estratégia de Saúde da Família em seus programas de governo e a "valorização" dos profissionais de saúde que atuam no serviço público. Dois deles, Marina e Aécio, falam especificamente da criação de uma carreira para médicos no SUS.

'De esquerda'

Segundo relatos colhidos pela BBC Brasil os médicos de família costumam ser vistos — até mesmo pelos pacientes — como profissionais de qualidade inferior, discriminados por receberem salários mais baixos em relação aos colegas e por serem considerados "de esquerda".

Nas situações criadas para as perguntas sobre saúde da família, a apostila do Medcurso chega a dizer que "Evo Morales e Hugo Chávez passam a ser heróis" da personagem que começa a trabalhar em um Posto de Saúde da Família.

"Achamos que não valia a pena nos pronunciarmos publicamente sobre a apostila, mas ele contribui com esse estigma social de que o médico de família é um médico inferior, que 'não presta para nenhuma especialidade'. Isso é de uma ignorância incrível", diz Rodrigo Lima.

"Nesse cenário desfavorável, nas faculdades os alunos que se aproximam da área geralmente são os que se incomodam mais com a questão da igualdade, algo que costuma ser associado à esquerda. Mas isso também não é regra, conheço muitos médicos de família que são de direita". afirma.

Até a publicação desta reportagem, o Medgrupo, que produz as apostilas do Medcurso, não havia respondido ao pedido de resposta da BBC Brasil.

Camilla Costa
No BBC Brasil
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“Onda vermelha” em MG é retribuição a desmandos de Aécio no Estado


Caiu como uma bomba atômica no cenário político pesquisa publicada na edição do último sábado (20/9) do jornal mineiro O Tempo. Manchete principal de primeira página não poderia resumir melhor o quadro no feudo político de Aécio Neves — quem, passo a passo, vai se tornando o coveiro do PSDB: “Dilma dispara e Marina encosta em Aécio em MG”

A notícia sobre o avanço de Dilma Rousseff naquele Estado é bombástica porque, a persistir o quadro de disparada generalizada não só dela, mas também do PT no segundo maior colégio eleitoral do país, a possível “morte” do PSDB não é má notícia apenas para Aécio: Marina Silva tem motivos de sobra para se preocupar.

A esta altura, todos já sabem que, em Minas, Dilma abriu quase 20 pontos de vantagem sobre Aécio e Marina, os quais estão tecnicamente empatados (com vantagem numérica da pessebista sobre o tucano). Além disso, o candidato a governador petista, Fernando Pimentel, abriu mais de 15 pontos sobre o tucano Pimenta da Veiga.

Abaixo, os quadros divulgados pelo jornal mineiro. O post prossegue em seguida.

 


Se para Aécio é ruim, para Marina não é tão menos ruim. A forte queda da rejeição de Dilma em Minas se fez acompanhar de forte subida das rejeições dos dois principais adversários. E, no segundo turno, tanto Marina quanto Aécio despencaram abaixo de 30 por cento enquanto Dilma chega a quase 40.

O peso de Minas – que, repetindo, é o segundo maior colégio eleitoral do país — se soma ao do Nordeste, onde Dilma tem larga vantagem, e desidrata Aécio na principal região eleitoral do país, o Sudeste.

O que está acontecendo nas Gerais está sendo chamado de “Onda Vermelha” — com boas razões, diga-se. Não se está falando em uma melhora de Dilma sobre os dois principais adversários dentro da margem de erro. O que essa notícia mostra é um massacre eleitoral em curso e que, por razões que serão explicadas a seguir, não tende a refluir.

O que está acontecendo em Minas Gerais é nada mais, nada menos do que uma justa retribuição dos mineiros a desmandos de seu ex-governador que só ficaram conhecidos a partir de sua candidatura a presidente da República — da qual ele já começa a se arrepender.

Até então, Aécio Neves era uma espécie de senhor feudal em Minas Gerais. Após governar o Estado durante oito anos (2003 – 2010), deixou o cargo com mais de 90% de aprovação. Contudo, a opinião dos mineiros começou a mudar quando descobriram quanta coisa não ficaram sabendo sobre o ex-governador até que ele se candidatasse a presidente.

Em julho, este Blog divulgou reportagem da revista Piauí que traçou um dos perfis mais completos sobre Aécio. Na matéria, soube-se que a conduta de senhor feudal dele chegava ao ponto de proclamar que teria um “Palácio de Versalhes” naquele Estado, e que mantinha a imprensa mineira de joelhos, razão pela qual o povo não sabia de seus desmandos.

Tudo isso começou a mudar também em julho. Conforme se espalhavam boatos sobre um desses desmandos de Aécio em seu domicílio eleitoral, o jornal Folha de São Paulo, historicamente simpático ao PSDB, oportunisticamente veiculou denúncia que sabia que durante a campanha eleitoral fatalmente emergiria.



A partir dali, espalhou-se como fogo pelo país (via internet) uma sucessão de novas denúncias sobre aeroportos que Aécio mandara construir para seu próprio benefício pelo Estado. Milhões de reais foram gastos com um capricho, mas esse caso ainda fica longe da gravidade das demais denúncias que pesam contra o tucano.

A forma como Dilma e o PT dispararam em Minas é uma bomba eleitoral. Vantagem tão avassaladora no segundo maior colégio eleitoral do país deve se refletir em pesquisas nacionais nas próximas semanas. E, se a situação mineira continuar assim, o até há pouco impensável pode acontecer: Dilma pode vir a se reeleger em primeiro turno.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Como Dilma mudou o debate da corrupção ao sair da defensiva para a ofensiva

Dilma
Pouca gente parece ter notado, mas Dilma achou uma boa saída para a questão da corrupção.

Ela saiu da defensiva para a ofensiva.

A linha básica de sua argumentação sobre o assunto é que a corrupção não era investigada antes e agora é.

Daí a diferença.

É, de certa forma, um raciocínio educativo. O brasileiro médio se acostumou erradamente a pensar que corrupção só existe no Brasil. Mais especificamente: só em governos populares, de Getúlio a Jango, de Lula a Dilma.

A explicação de Dilma é parcial. Ela fala no ímpeto investigativo da Polícia Federal, do Ministério Público e da Procuradoria Geral. Lembra que, na era FHC, o procurador geral, Geraldo Brindeiro, era conhecido como engavetador geral, por evitar mexer em casos de corrupção no governo.

Segundo a Wikipédia, dos 626 inquéritos criminais que recebeu, Brindeiro engavetou 242 e arquivou outros 217.

O que Dilma não disse, provavelmente para evitar atrito com a mídia, é que jornais e revistas, em administrações amigas, também foram engavetadores de denúncias e escândalos.

No caso mais gritante na gestão de FHC, a compra de votos para que a emenda da reeleição passasse no Congresso simplesmente foi ignorada.

Procure no arquivo da combativa Veja as reportagens sobre a compra de votos para FHC.

Nada.

Tente agora o arquivo do Jornal Nacional.

Nada.

Mesmo a Folha, que trouxe o depoimento de um deputado que vendeu seu voto, teatralmente chamado de Senhor X, logo abandonou o caso.

Não retomou nem para informar a seus leitores quem era X. Só dezesseis anos depois, por conta de um livro sobre o episódio, seus leitores souberam que se tratava do ex-deputado Narciso Mendes, do Acre.

Num exemplo dramático, o Brasil da ditadura era, no noticiário da Globo, um país sem corrupção e sem corruptos no poder.

Escândalos eram engavetados. Roberto Marinho agia como Geraldo Brindeiro, bem como os demais barões da imprensa.

Isso levou muitos brasileiros a acharem que nos tempos dos generais éramos um país melhor, mais limpo e mais ético.

A seletividade da mídia na escolha das denúncias a cobrir foi responsável também pelo sentimento de impunidade de políticos amigos dos donos das grandes empresas de jornalismo.

E pelo descaro deles, também.

O caso mais recente é o de Aécio, que usa a corrupção demagogicamente como arma para influenciar eleitores menos politizados e mais suscetíveis de manipulações pseudomoralistas.

Coube a Luciana Genro desmascarar esse tipo de hipocrisia numa intervenção antológica no debate promovido pela CNBB.

Luciana Genro “mitou” naquele momento, para usar uma expressão corrente hoje.

Corrupção é uma praga mundial, e deve ser combatida todos os dias, e todas as horas.

Mas usá-la capciosamente para atingir adversários ou favorecer amigos é, também, um ato extremamente corrupto.

Dilma e Luciana Genro, cada qual do seu jeito, puseram contexto na questão da corrupção.

É um avanço na caminhada rumo a uma sociedade madura.

Paulo Nogueira
No DCM
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#BomDilmaBrasil — vídeo completo com a entrevista de Dilma

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Banco Central independente ou autônomo?

O BC deve atuar em sintonia com o mercado, provendo a liquidez necessária para alcançar suas metas. Ao mesmo tempo, suas políticas sempre devem se voltar apenas para os interesses da sociedade. Dar independência ao BC seria como dar independência aos ministros e transformar o presidente da república em Rainha da Inglaterra

O tema da independência do Banco Central está no âmago da disputa eleitoral. Há aí confusão. Primeiramente, deve-se distinguir entre independência e autonomia do Banco Central (BC).

Atualmente, no Brasil, o BC conta com autonomia operacional: seu presidente é indicado pelo presidente da República, podendo ser demitido; e o BC não define metas, como a meta de inflação, mas tem liberdade para definir as políticas e o prazo para alcançar as metas.

No caso da independência do BC, esta é garantida por lei e seu presidente e diretores definem as metas e não podem ser demitidos, salvo em circunstâncias excepcionais. Dilma e Aécio defendem a autonomia do BC e Marina sua independência.

Os argumentos favoráveis à independência do BC são:

i) a necessidade de blindá-lo da ingerência do Executivo, com seus interesses particulares — o BC seria pressionado a adotar políticas favoráveis ao crescimento econômico, porém, inflacionárias no médio prazo, quando o governo já estaria (re)eleito;

ii) o BC teria mais credibilidade, o que eleva sua eficiência em coordenar as expectativas dos agentes formadores de preços e reduz a inflação;

iii) a moeda é exógena — este argumento, mais denso, deixarei para o final.

Os argumentos contrários à independência do BC são:

i) seus dirigentes não estão acima do bem e do mal e estão sujeitos à cooptação por interesses específicos, como os do sistema financeiro. Blindar o BC aumentaria a facilidade de cooptação dos seus dirigentes que tenderiam, por exemplo, a aumentar a taxa de juros para favorecer interesses dos rentistas à custa do Tesouro Nacional;

ii) é legítimo o presidente do país e seus colaboradores (ministros etc.) atuarem em conjunto com o BC nas escolhas de políticas, pois foi aquele e não os dirigentes do BC o eleito pelo povo. Mas, e a credibilidade requerida para a coordenação pelo BC das expectativas de inflação? A credibilidade se constrói a partir da coerência entre os objetivos externados pelo BC e as medidas que este adota no dia a dia, mesmo quando discute com o Executivo tais medidas. Um BC independente também pode não ser crível se, devido a sua independência, atuar com viés em direção a interesses de grupos privados;

iii) de nada adianta um BC independente para o alcance de metas se suas políticas não são coordenadas com aquelas adotadas pelo Executivo. Exemplo: política fiscal expansionista concomitante à política de aumento de juros gera desperdício de recursos do Tesouro e mitiga a eficiência da política econômica;

iv) se as políticas do BC não derem bons resultados, seus dirigentes não poderão ser substituídos.

Vamos ao argumento mais técnico. Embora não tenha sido explicitado pelos candidatos à Presidência, quer por conveniência, quer por desconhecimento, argumenta-se que a exogenia da oferta de moeda justifica a independência do BC.

Na economia, a moeda é exógena se sua velocidade de circulação é constante. Trocando em miúdos, isto quer dizer que o BC controla sozinho a quantidade de moeda que circula para girar a economia e os negócios.

Nesta visão, os agentes (empresários, trabalhadores etc.) têm “expectativas racionais”: conhecem em termos de probabilidades o futuro da economia e sabem de antemão escolher no leque presente de todas as opções possíveis aquela que se mostrará no futuro ter sido a melhor opção.

Isto leva a um quadro onde no longo prazo (futuro) há uma única trajetória para a economia — aquela que maximiza o bem-estar individual e social. Assim, o BC deve seguir uma regra de política monetária, pois se no longo prazo a trajetória da economia é única, só há uma decisão ótima de política monetária compatível com esta trajetória. Para seguir a regra, nada melhor do que a independência do BC para insulá-lo das pressões do Executivo.

Os que acreditam na moeda endógena não defendem regras para a política monetária. Para o economista inglês J.M. Keynes, a moeda é endógena porque pode ser retida pelos agentes. Quando estes alocam sua riqueza em moeda e ativos financeiros em detrimento de ativos menos líquidos (compra de uma máquina ou fábrica), a velocidade de circulação da moeda torna-se instável, a moeda torna-se endógena e a demanda e o crescimento econômico são inibidos. Esta é a Teoria da Preferência pela Liquidez de Keynes que confere endogenia à oferta de moeda.

Por que os indivíduos demandariam ativos mais líquidos em detrimento dos menos líquidos? Por que eles não conhecem o futuro, nem mesmo em termos de probabilidades. Keynes questionou se sabemos qual será a taxa de juros daqui a 1 ano ou o preço do aço em 20 anos.

Se sua resposta é que simplesmente não sabemos, então provavelmente você irá acreditar que os agentes, quando estão inseguros, pessimistas e incertos quanto ao futuro, fogem para a liquidez, pois esta lhes dá flexibilidade para protegerem sua riqueza e/ou acessar as melhores oportunidades de lucro.

Assim, a moeda é endógena, os agentes não têm “expectativas racionais” e não há uma única trajetória futura para a economia. O futuro está aberto e as trajetórias possíveis dependem das ações dos agentes no presente, inclusive das políticas do governo. A política monetária deve ser discricionária: o BC deve atuar em sintonia com o mercado, provendo a liquidez necessária para alcançar suas metas.

Mas, se a política monetária é discricionária, então o BC não deve ser independente? Há aí confusão. O BC não deve sofrer pressão de interesses ilegítimos, seja a moeda endógena, ou exógena. Suas políticas sempre devem se voltar apenas para os interesses da sociedade.

De outro lado, mesmo se a moeda é exógena, não há nenhuma garantia de que a regra de política monetária do BC independente será a que maximiza o bem-estar social, pois o BC pode adotar regra distinta se for cooptado por grupos privados exatamente por ser independente.

A dicotomia entre moeda exógena/BC independente e moeda endógena/BC com autonomia é falsa. O argumento da moeda exógena para justificar a independência do BC não é válido e só cria confusão. Embora o BC não deva sofrer pressões ilegítimas, dar-lhe independência não é a solução. Seria como dar independência aos ministros e transformar o presidente da república em Rainha da Inglaterra.

Marco Flávio C. Resende — Do Cedeplar/UFMG e diretor da Associação Keynesiana Brasileira
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RBS x Rio Grande

Até a Folha está vendo, mas há uma manada gaúcha que parece estar usando antolhos. Todo mundo está vendo, as eleições gaúchas opõem interesses dos gaúchos aos da RBS.

Não é mero acaso que todo ano a RBS desova algum funcionário para ocupar cargos políticos.

Esta tentativa de captura do erário público via funcionários não acontece com outras empresas de mídia do RS. A Pampa não faz isso. O Correio do Povo/Rádio Guaíba/Record não fazem isso. O Grupo Sinos não faz isso. Mas a RBS faz. Faz porque, como diz a propaganda institucional, é ávida por todos os lados. No tempo da ditadura, em virtude da parceria, a RBS não mandava funcionário ocupar cargo público. Era o contrário, a ditadura empregava na RBS. Paulo Sant’Anna que o diga.

Na democracia, quando se extinguiu a parceria da RBS com o dinheiro público, viu-se obrigada a ir desovando, ano a ano, funcionários que pudessem continuar abastecendo o duto.

Foi Antônio Britto e ganhou uma CRT de vantagens. Depois Sérgio Zambiasi. Na sequência, Yeda Crusius, a pior governadora do Brasil naqueles anos. Quando via a derrocada da Yeda, a RBS lançou Ana Amélia Lemos.

Trazendo de Brasília, depois de 40 anos, para concorrer ao governo do Estado, busca substituí-la por Lasier Martins.

Concordar com isso é uma coisa, dizer que isto não existe, é arrematada burrice! O pior cego é que não quer ver!

Disputa no RS opõe petistas e jornalistas famosos da TV local

Olívio Dutra e Tarso Genro encaram popularidade de Lasier Martins (PDT) e Ana Amélia (PP)

Candidata é líder na disputa pelo governo e ataca contas do Estado, que tradicionalmente não reelege governador

Feliope Bächtoldde - Porto Alegre

Dois veteranos do PT contra dois ex-apresentadores da principal rede de comunicação do Estado marcam as acirradas disputas eleitorais no Rio Grande do Sul.

De um lado, o atual governador e candidato à reeleição, Tarso Genro, 67, e o ex-governador Olívio Dutra, 73, que concorre ao Senado.

De outro, Ana Amélia Lemos (PP) e Lasier Martins (PDT), jornalistas que se tornaram conhecidos entre os gaúchos por comentários críticos a políticos tradicionais.

Na briga pelo governo, Tarso tenta superar a má avaliação e o histórico local: desde a ditadura militar, nunca um partido governou o Estado por dois mandatos seguidos.

Para romper o tabu, o petista precisa reduzir a vantagem de Ana Amélia, 69, ex-radialista e comentarista do grupo RBS, afiliado da Globo.

No Datafolha da semana passada, ela apareceu dez pontos à frente do petista.

Já na corrida ao Senado, a liderança é dividida entre Dutra e o ex-apresentador Martins, 72, que deixou a TV há menos de um ano para marcar a sua estreia na carreira política do Estado.

O antigo vínculo de Ana Amélia e Lasier com o grupo de comunicação virou motivo de ataques de petistas.

Tarso vem dizendo que a adversária "não conhece o Rio Grande" pois morou por décadas em Brasília, onde comentava assuntos do Congresso e do Planalto.

Tanto ela como Lasier possuíam ampla visibilidade em vários veículos da rede, que lidera a audiência em variados segmentos do Estado.

Lasier, por exemplo, somando o tempo como âncora no rádio e a apresentação de um programa em um canal a cabo da RBS, ficava três horas e meia ao vivo por dia.

Na tela, o pedetista e a candidata do PP adotavam uma linha de comentaristas ponderados. Ana Amélia se mostrava mais informativa e dedicava menos espaço a opiniões. Especializou-se no agronegócio e, hoje, é vista quase como uma representante do setor.

Problemas de caixa

Na campanha, Ana Amélia e Lasier estão em coligações distintas, mas têm atacado a situação das finanças do governo petista. A candidata critica o saque de depósitos judiciais e fala que, se eleita, vai "arrumar a casa".

O Rio Grande do Sul é hoje o Estado mais endividado do país proporcionalmente e sofre com um rombo na Previdência — há mais funcionários inativos do que ativos na folha de pagamento.

Tarso diz que já articula a renegociação da dívida do Rio Grande do Sul com o governo federal e que a crise nas contas tem "40 anos".

No Ficha Corrida
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