18 de set de 2014

Garotinho: "A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura"

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A guerra de Marco Antonio Villa e da TV Cultura com as bicicletas

O futuro de São Paulo, na distopia do professor Villa
Um amigo jornalista me contou que a TV Cultura de São Paulo tenta recuperar seus carros velhos à moda cubana: mecânicos pegam pedaços de vários deles, juntam e montam um frankenstein. Volta e meia a carroça é encontrada parada numa esquina, imprestável.

Não é diferente com o jornalismo. Posto abaixo um vídeo com uma reportagem sobre a inauguração de ciclovias em SP.

Há falta de planejamento para projetos tão ambiciosos, diz o narrador. Nem todo o mundo se sente seguro para pedalar. Populares reclamam. Não se respeitam as regras. Há invasão de motos. Um “consultor de trânsito” não considera a capital preparada. É uma onda internacional que está sendo copiada, avisa ele.

O horror, o horror.

E então entra o historiador Marco Antonio Villa, um comentarista da Guerra Fria transportado para a Marginal do Tietê do século 21. Para Villa, “é uma ideia boba e daqui a pouco estamos na revolução cultural do Mao Tsé-Tung (??). Não tem planejamento nenhum. (…) Isso não resolve absolutamente nada”.

Airton Soares, que deveria ser um contraponto, é uma escada. A falta de conhecimento do assunto é assombrosa. Enquanto Soares fala, Villa, ao seu lado, faz “tsc tsc”, negaceia olhando para a mesa, balança o corpo. Se pudesse, daria um pescotapa no colega de bancada. “[O prefeito] é incapaz, incompetente, irresponsável”, decreta.

Não se ouviu um mísero ciclista. Um.

A catilinária de Villa ecoa, não por acaso, a do senador Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio Neves, que acusou a prefeitura de “esparramar ciclofaixas a torto e a direito”. É o mesmo samba.

Alguma sugestão? Nada. Depreende-se que geografia é destino e, dada a topografia paulistana, não há saída. Só o metrô, evidentemente, mas a malha irrisória não vem ao caso.

O divórcio da realidade ajuda a explicar por que a TV Cultura não existe. Uma nova pesquisa do Ibope em parceria com a ONG Nossa São Paulo aponta que o número de pessoas com carros em casa subiu de 52% em 2013 para 62%.

E que aumentou de 86% para 88% o percentual de gente a favor da construção e ampliação de faixas para bikes; 26% dos entrevistados afirmaram que “construção de ciclovias” e “mais segurança” (também 26%) são os principais fatores para a utilização delas como meio de transporte.

Para 70% dos entrevistados, o trânsito é “ruim” ou “péssimo”. “Poluição do ar” continua como sendo a questão mais grave para 94% dos consultados.

A meta de Haddad é chegar a 400 quilômetros de ciclofaixas. Há problemas em trechos. Cabe a ele explicar e corrigir. Cabe a quem tem bicicleta ocupar os espaços. Ainda não se atingiu nem a metade, mas o ritmo é intenso, para desespero da turma de Villa. A sorte dos paulistanos é que ela prega para o vento.



Kiko Nogueira
No DCM
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Por que a mídia escondeu a notícia da redução da fome e da pobreza no Brasil?

Sob o ponto de vista de um jornalismo comprometido com a busca objetiva dos fatos mais relevantes, essa seria a manchete: “ONU confirma sucesso na redução da fome”. Mas o que faz a mídia tradicional do Brasil? Esconde a notícia


Brasil, Venezuela, Chile, Cuba e México são os países da América Latina que venceram a fome estrutural. Essa informação consta de um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que registra os avanços na luta global contra a insegurança alimentar. Cerca de 805 milhões de pessoas ainda têm que lutar por comida no dia a dia em todo o mundo, e a maioria delas se concentra em regiões afetadas por conflitos ou por condições climáticas adversas. O relatório completo, com 57 páginas em inglês, pode ser obtido no site da entidade.

Os principais jornais brasileiros usam como fonte o resumo distribuído pela FAO, onde se pode ler, por exemplo, que o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a atingir o principal objetivo de desenvolvimento do Milênio e as metas da Cúpula da Alimentação. O documento será um dos destaques da 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que se realizará no dia 23 deste mês.

Um dos requisitos para o sucesso do programa, segundo o relatório, é a manutenção de políticas de combate direto à fome crônica, sustentadas por medidas colaterais destinadas a criar uma estrutura de atendimento a outras necessidades das parcelas mais carentes da população. No Brasil, o núcleo de ataque ao problema alimentar foi o programa Fome Zero, seguido pelo complexo de medidas agregadas no conjunto das bolsas de apoio ao desenvolvimento humano, a partir de um sistema que assegura disponibilidade, acesso, estabilidade e utilização de meios para manter uma nutrição segura.

Apesar das turbulências políticas que se sucederam em várias partes do mundo e dos efeitos perversos da especulação financeira no processo da globalização — que produziu uma grande crise econômica mundial —, a última década registrou um avanço histórico na luta contra o mais grave flagelo da humanidade — a falta de alimentos suficientes para sustentar a vida.

O principal suporte dos números da FAO vem do desempenho dos países asiáticos e latino-americanos citados no documento, entre os quais se destaca o Brasil.

Notícia envergonhada

Sob o ponto de vista de um jornalismo comprometido com a busca objetiva dos fatos mais relevantes, essa seria a manchete: “ONU confirma sucesso na redução da fome”. Numa abordagem jornalística, essa frase representaria a síntese a ser tirada do relatório intitulado “O estado da insegurança alimentar no mundo — 2014”, porque os índices declinantes da desnutrição crônica mostram que a fase mais difícil foi ultrapassada, com a superação de barreiras estruturais para a oferta segura de alimentos em grande parte do planeta e a passagem para a etapa seguinte da melhoria da qualidade de vida — a da construção da cidadania.

Mas o que faz a mídia tradicional do Brasil?

O Jornal Nacional, da TV Globo, destinou exatos 37 segundos à notícia — tempo que se dedica diariamente ao boletim meteorológico —, destacando que, “vinte anos atrás, 14,8% dos brasileiros viviam na miséria; agora, esse índice é de menos de 2%”. Uma reportagem sobre a causa da morte do ex-jogador de futebol Hideraldo Luiz Bellini — ocorrida em março —, a encefalopatia traumática crônica, doença degenerativa ligada a esportes de contato, mereceu um minuto a mais.

O Estado de S.Paulo foi o jornal que deu maior importância ao documento, com um título em alto de página, na editoria “Metrópole”, no qual se lê: “Brasil sai do mapa da fome, afirma ONU”.

A Folha de S. Paulo subverte a informação mais importante, num texto de duas colunas de 9 centímetros de altura em que tenta desqualificar o teor do relatório, com o título: “3,4 milhões passam fome no Brasil, diz ONU”. Logo abaixo, afirma que “Órgão dirigido por ex-ministro de Lula adota novo cálculo e elogia combate à desnutrição”.

O Globo dá uma no cravo, outra na ferradura. “ONU: 800 milhões de pessoas passam fome no mundo”, diz o título da reportagem, seguido por uma linha fina onde se lê: “Relatório cita Brasil como destaque positivo; desde 1990, famintos do país caíram de 14,8% para 1,7% da população”. O jornal carioca também faz referência ao assunto no material sobre a disputa eleitoral, com texto em que a presidente Dilma Rousseff comemora o anúncio da FAO.

Só para lembrar: a imprensa hegemônica do Brasil sempre se opôs aos programas de redução da miséria, que tiveram, entre seus inspiradores, a ex-primeira-dama Ruth Cardoso e o senador Eduardo Suplicy. Agora que os resultados se consolidam, a notícia fica escondida.

Como diria aquele apresentador da televisão: “É uma vergonha!”

Luciano Martins Costa
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O Muda Mais está de volta, mais forte e ativo do que nunca! Salve militância!

O Muda Mais voltou! A justiça reconheceu o direito de expressão do Muda Mais, o direito a disseminar o debate nas redes, baseando-se na honestidade dos fatos, em uma boa apuração e na checagem das informações que servem ao diálogo franco e aberto, levando em consideração a disputa de projetos que está em jogo nessas eleições.

Na terça-feira, dia 16 de setembro, fomos surpreendidos com uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que atendia ao pedido judicial da coligação encabeçada pela candidata Marina Silva (PSB) para a retirada do Muda Mais do ar.

Uma decisão liminar é uma ordem judicial que não é definitiva. Sempre, após a decisão liminar, o juiz se debruça sobre o assunto para melhor compreendê-lo e avaliar os detalhes do caso. Assim, a decisão pode ou não se manter. 

 Pois bem, a liminar não foi mantida. Diante de todas as explicações jurídicas que foram prestadas - incluindo a comprovação de que nosso provedor está hospedado no Brasil e de que o Muda Mais está ligado ao Partido dos Trabalhadores - o juiz autorizou a imediata retomada do sítio eletrônico, considerando que o que estava sendo questionado pela coligação adversária eram apenas formalismos jurídicos.

Nas quase 48 horas que ficamos fora do ar, a militância espontaneamente partiu em defesa da democracia e da liberdade de expressão. A hashtag #MarinaCensura permaneceu entre as mais citadas do twitter por quase 24 horas e inúmeros foram os sites, blogs e perfis das redes sociais que se posicionaram ao nosso lado.

Continuaremos atuando nas redes sociais, em defesa do projeto de governo em que acreditamos e que tem mudado a vida de milhões de brasileiros ao longo dos últimos 12 anos. É preciso atribuir ao TSE o mérito de restabelecer o primado da liberdade de expressão e favorecer o bom debate político, normal e necessário em um período decisivo como o eleitoral.

Com a decisão de hoje, o Muda Mais volta ao ar com a mesma proposta de sempre: fazer o debate de argumento e ideias, sem ataques infundados ou pessoais. Na democracia, ninguém fala sozinho, e nós temos muito o que dizer!
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Como seria o mapa da Europa se houvesse uma onda independentista?

Imagine que se alastra uma onda de referendos como o que se realiza nesta quinta-feira na Escócia. Imagine que todos terminam com vitória dos movimentos independentistas. Consequência: iríamos ter 37 novas nações e territórios. Veja o mapa ao detalhe.


Existem atualmente na União Europeia 37 movimentos nacionalistas e regionalistas representados na European Free Aliance (mais três como observadores), partido político representado junto do Parlamento Europeu.

Espanha, com os casos da Andaluzia, Aragão, Canárias, Catalunha, Galiza e País Basco, assume especial destaque. Nesta quinta-feira, por exemplo, representantes das forças políticas nacionalistas foram ao Congresso de Deputados, a Madrid, para saudar o processo de referendo sobre a independência da Escócia.

Em declarações aos jornalistas, líderes políticos bascos, catalães, canários e galegos saudaram o povo escocês pela sua opção de exercer o direito de autodeterminação e as autoridades britânicas por permitirem a consulta, apelando ao Governo espanhol para que "ouça e aprenda".

Também o chefe do Governo basco manifestou intenção de "avançar pelo caminho" da Escócia. Para Iñigo Urkullu, o caso escocês demonstra que pela "negociação e acordo" é possível decidir o futuro político em liberdade.

Discursando no Palácio Intsausti de Azkoitia (Giouzkoa), onde presidiu ao ato de comemoração do 250º aniversário da Real Sociedad Bascongada de los Amigos del País, Iñigo Urkullu defendeu que o futuro da região é a Europa, "unida na diversidade" e transformada "num modelo de nova governação, baseada no diálogo e no acordo e na soberania partilhada".

Nesta sexta-feira, o parlamento regional da Catalunha reúne-se em plenário extraordinário para aprovar a Lei de Consultas, o instrumento jurídico com base no qual o Governo regional pretende convocar a ida às urnas sobre independência para 9 de novembro.

Também a França acolhe pretensões independentistas. A União Democrática da Bretanha, que defende maior autonomia para uma região que foi independente do Reino de França até 1532, convocou uma "grande manifestação pela unidade" para 27 de setembro, em Nantes. A sul, o Partido Occitânica, formado em Toulouse em 1987, sonha com o reconhecimento de uma comunidade que fala uma língua — occitana — que terá surgido no século IX e que liga alguns vales dos Alpes italianos a alguns aragoneses nos Pirenéus espanhóis.

Seja qual for o sentido de voto dos escoceses, a pura e simples realização do referendo abriu uma janela de esperança aos movimentos e partidos independentistas europeus. E não são assim tão poucos.

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Garotinho: Globo so nega



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A eleição presidencial brasileira no centro da geopolítica americana


Celso Daniel foi apresentado por Lula numa reunião de empresários no Rio, na campanha de 2002, como seu principal assessor econômico. Sobre Palocci, que estava presente na mesma reunião, o então candidato a Presidente pouco disse. Dias depois Celso Daniel foi assassinado e Palocci assumiu seu lugar na assessoria direta a Lula. Marina Silva era uma coadjuvante de pouca expressão na campanha de Eduardo Campos até que o acidente que o matou catapultou a candidatura dela na base da comoção nacional. Assim como Aécio, Eduardo, a frio, não tinha a menor chance de eleição. Marina tem.

O que Marina e Palocci tem em comum, além de beneficiários de assassinato e acidente em pleno jogo do poder, é uma explícita adesão à política imperial norte-americana. Palocci tentou empurrar a ALCA - Associação de Livre Comércio das Américas goela abaixo do povo brasileiro, conforme ficou comprovado por Wilkleaks. Só não conseguiu porque Lula, influenciado por Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, evitou o desastre. A assessoria de Marina já anunciou o propósito de promover tratados bilaterais de livre comércio com a União Europeia e EUA. E um recuo em nossa relação com os BRICS.

Deixemos de lado teorias conspiratórias e fiquemos apenas nas coincidências. O Governo norte-americano não faz segredo para ninguém que seu objetivo estratégico é abrir espaço no mundo para suas empresas. A isso chamam de promover a livre iniciativa e a democracia. De acordo com as conveniências, tomam como rótulo também a promoção dos direitos humanos. Mas só os ingênuos acreditam que isso seja o eixo de suas relações internacionais. Elas são movidas antes de mais nada pelos interesses econômicos privados dos cidadãos norte-americanos que mandam efetivamente em seu governo, em especial a ala republicana.

Na Guerra Fria, quando havia uma justificativa ideológica para encobrir os reais interesses norte-americanos, o Departamento de Estado e a CIA sempre se acharam no direito de promover assassinatos e golpes de estado em nome do mundo livre, como foi no Chile de Allende, segundo documentos do Governo americano recém-liberados. Patrício Lumumba, um secretário-geral da ONU de tendência socialista, morreu num suspeito desastre de avião na África. Guatemala e Granada, na América Central, sofreram invasões e golpes de estado patrocinados diretamente pelos americanos. Só Coreia, Vietnã e Cuba conseguiram resistir com algum grau de ajuda soviética.

Com o fim da Guerra Fria era de se esperar que a política de poder imperial dos Estados Unidos transitasse das formas autoritárias e sanguinárias de controle para artes mais persuasivas. Esta de certa forma era a expectativa do mundo porque, com o fim do império soviético, não havia mais um poder econômico-militar em condições de desafiar os EUA. Entretanto, surgiu um problema: como legado da Guerra Fria, a Federação Russa, embora enfraquecida militar e economicamente, manteve-se como um poder nuclear em pé de igualdade com os EUA. É que o poder nuclear se nivela por baixo.

Nem os mais desvairados estrategistas norte-americanos proporiam uma guerra direta com a Federação Russa, por razões óbvias. Daí que a estratégia americana implementada pelo braço agressivo e provocador da OTAN passou a ser resgatar do armário antigos textos geopolíticos e estrangular progressivamente a Rússia em si mesma pela cooptação de seus antigos satélites. Em 1999, entraram na OTAN a República Checa, a Hungria e a Polônia. Em 2004 veio o segundo round, com a entrada de Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia, tudo sob protestos da Rússia baseados em acordos feitos antes de unificação alemã e agora violados.

Na sequência, em 2008, os EUA propuseram abertamente a admissão de Geórgia e Ucrânia. França e Alemanha se opuseram com receio de hostilizar ainda mais a Rússia. Daqui em frente cito a “Foreign Affairs” de setembro/outubro, uma das mais prestigiosas revistas do estabelecimento político norte-americano:

“Alexander Grushko, então vice-ministro da Rússia, disse: 'A entrada de Geórgia e Ucrânia na Aliança é um imenso erro estratégico que teria as mais sérias consequências para a segurança pã-europeia'. Putin confirmou que a admissão daqueles dois países à OTAN representaria uma 'ameaça direta' à Rússia. Um jornal russo reportou que Putin, falando com Bush, 'muito transparentemente insinuou que se a Ucrânia fosse aceita na OTAN ela cessaria de existir.”

Não obstante, o Governo americano financiou direta e indiretamente insurgentes de todos os matizes, inclusive fascistas, neonazistas e antisionistas, para desestabilizar o Governo legítimo da Ucrânia com o objetivo último de erguer uma fortaleza da OTAN na fronteira da Rússia. Os passos seguintes são conhecidos: numa magistral manobra estratégica, Putin usou as demandas e um plebiscito com os russófilos da Crimeia para ocupar a península; a Ucrânia entrou em guerra civil, somente suspensa por uma trégua precária; e a OTAN formalizou a entrada do país como membro, numa direta provocação à Rússia.

Note-se que estrategistas americanos da estatura de um Kissinger manifestaram em artigos sua opinião de que a Ucrânia não deveria ser incorporada à OTAN, nem à Rússia, mas constituir uma espécie de colchão entre a Rússia e o Ocidente fazendo o papel da Finlândia na Guerra Fria. É um conselho prudente se se quer levar em conta as legítimas preocupações geopolíticas russos com a ameaça de ter um potencial adversário em seu quintal. Como a crise ucraniana não é só militar, mas econômica, institucional e social, é possível que Putin simplesmente deixe a situação ucraniana degenerar-se até a extinção do país numa explosão entrópica, já que ninguém vai esperar que a Europa falida, e mesmo os EUA, vão resgatar o país com dinheiro.

Essa “vitória” da adesão à OTAN é similar às “vitórias” americanas na Coreia, no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão: depois de espalhar morte e terror nos países invadidos, os EUA se retiram sem glória, carregando seus caixões e seus feridos, e deixando para trás uma terra arrasada entregue aos nacionais para a recuperação com seus próprios recursos. Jamais tanta força militar bruta foi usada no mundo com tão poucos resultados positivos, mesmo do ponto de vista do poder imperialista. O mesmo padrão se aplicou na chamada Primavera Árabe, onde regimes autoritários da Líbia, do Egito, do Iemen e da Síria foram desestabilizados por insurgentes financiados pelos EUA e as potências secundárias europeias, e depois abandonados.

É que também nesse caso o rastro do que ficou foi uma política de terra arrasada: no Egito, o poder caiu por algum tempo nas mãos de um braço radical da Irmandade Muçulmana, exigindo a restauração de uma ditadura militar; na Líbia, o país está retalhado entre mais de 200 milícias armadas, cada uma mandando em seu feudo e impedindo qualquer possibilidade de eficácia do poder central; na Síria, a tentativa de desestabilização de Assad resultou na emergência do Califado, chamado pelos ocidentais de Estado Islâmico, erigido como o flagelo dos ocidentais. Tudo isso, para resumir, tem sido produto da estratégia americana de estabelecer um poder absoluto no mundo para o qual é fundamental neutralizar completamente a Rússia.

É aí que entramos nós. A partir de um acrônimo inofensivo, um grupo de países denominados BRICS surgiu no horizonte com um potencial considerável de desconforto para os EUA. São eles Rússia, a superpotência nuclear abertamente hostilizada por Washington; China, potência nuclear e econômica olhada com grande desconfiança; Índia, potência nuclear tradicionalmente independente, Brasil e África do Sul — em geral amistosos com os EUA, não obstante o fato de que eles grampeiam normalmente os meios de comunicação da maior empresa brasileira e da Presidenta da República. Isso, talvez porque, no nosso caso, estejamos buscando, desde Lula, um destino mais autônomo sem prejuízo de nossas relações amistosas com eles.

Esses países representam mais de um terço da população do mundo, parte considerável do PIB e, sobretudo, um grande potencial de crescimento que se compara à estagnação da Europa Ocidental, do Japão e dos próprios Estados Unidos. Do ponto de vista militar os Estados Unidos certamente não têm por que temer os BRICS. Entretanto, se esse bloco evoluir para uma articulação econômica mais profunda isso representará uma perda de espaço para a empresa norte-americana. Nisso, Washington é implacável. A retórica do livre comércio não passa de um rótulo ideológico para criar situações favoráveis à empresa privada dos Estados Unidos ou sócia deles.

Isso significa que, depois de décadas em que temos sido insignificantes no plano das relações externas norte-americanas, viramos alvo da geoeconomia e da geopolítica do país. Enquanto os BRICS foram apenas conversa de presidentes e atos sociais sem consequência, passaram quase despercebidos. Quando decidiram criar um Banco de Desenvolvimento e um Fundo de Estabilização, ascenderam-se em Washington todas as luzes vermelhas. Uma dessas luzes vermelhas, por coincidência, brilhou em Santos na forma de um acidente aéreo que colocou na linha de sucessão presidencial a mais cândida personagem amiga das ONGs americanas e dos grandes banqueiros, e hostil aos BRICS e à Unasul. Se ela ganhar, os Estados Unidos não precisarão de bombardear o Brasil para que esqueçamos nossas ambições de um caminho autônomo de desenvolvimento. A bomba virá de dentro.

Detesto teorias de conspiração, mas por que desapareceram com as duas testemunhas vizinhas do local do acidente de Eduardo que viram, separadamente, bolas de fogo no motor do jato ainda no ar? Por que a TV Globo, que pôs no ar as declarações dessas testemunhas, sumiu com elas a pretexto de que foi uma confusão psicológica? Por que William Waack levou mais de dez minutos no ar para “explicar” o suposto estado de desorientação do piloto — um piloto experiente que deveria estar no máximo de sua atenção porque em arremetida? Por que a única testemunha técnica dos últimos momentos, a caixa preta, não tinha gravado nada? Não, não foi conspiração. Apenas coincidências. Quanto a mim, “no creo em brujas; pero que las hay, las hay”!

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
No GGN
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Firma que pagou avião de Campos responde a 16 processos no Rio

Lopes e Galvão é ré em ações com pedidos de indenizações e previsão de arresto de bens

Jato em que viajava Eduardo Campos cai em Santos
Rio — Registrada oficialmente como firma de vigilância, a empresa Lopes e Galvão Ltda — que pagou as despesas operacionais do avião usado nos primeiros meses de campanha pelo então candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, e Marina Silva — responde a 16 processos trabalhistas no Rio, revela levantamento feito pelo Globo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). São ações com pedidos de indenizações e previsão de arresto de bens movidas por ex-funcionários contratados para prestar serviços em atividades da empresa no Rio.

O jato caiu em Santos (SP), em 13 de agosto. Todas as sete pessoas que estavam na aeronave, incluindo Campos, morreram.

No site da Receita Federal, a Lopes e Galvão está registrada como empresa de atividades de vigilância, segurança privada e monitoramento de sistemas de segurança. Seu endereço é uma casa simples na Rua Santelmo 32, na cidade de São Lourenço da Mata, em Pernambuco. Já no TRT do Rio, a empresa e seus proprietários, Genivaldo Galvão Lopes e Luciene Lindalva Lopes, aparecem citados após contraíram dívidas trabalhistas. No entanto, a atividade desenvolvida pela empresa no estado não é segurança privada, e sim os seguintes serviços: limpeza, eletricista, pintura, marcenaria, logística em geral, servente, copeira, garçom, auxiliar de escritório, motoqueiro e coletor de lixo.

Como O Globo revelou, Genivaldo e Luciene, registrados como donos da empresa, foram localizados em casa, em Pernambuco. Inicialmente, os dois negaram ter pagado despesas da aeronave, dando a entender que a firma deles poderia ter sido usada indevidamente. Depois a versão foi outra: Genivaldo informou que “pode ter realizado pagamentos a pedido de outras pessoas”.

O Globo teve acesso ao registro do contrato da Lopes & Galvão com a Líder Táxi Aéreo, para a prestação de serviços ao avião, usado por Campos e Marina no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A empresa também foi responsável pelo pagamento à Líder de todas as despesas de apoio em solo do jato, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, pouco antes da sua decolagem para Santos, no dia do acidente.

O atendimento aeroportuário prestado pela Líder no Santos Dumont incluiu o oferecimento de uma sala vip, embarque dos passageiros, bagagem e transporte dentro do aeroporto. Antes de a empresa assumir o contrato, os serviços eram pagos pela AF Andrade, antiga proprietária da aeronave, com sede em Ribeirão Preto (SP). O gasto mensal com parqueamento e atendimento de um avião como o usado pelos candidatos do PSB gira em torno de R$ 30 mil.

Antônio Werneck
No O Globo
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Marina, o ‘professor’ Giannetti e os direitos trabalhistas: uma combinação explosiva

Diferentes declarações para diferentes públicos
Marina desmente Marina, mais uma vez.

Um dia depois de ter dito a pequenos empresários que iria “atualizar” as leis trabalhistas, ela investiu contra as próprias declarações.

Disse que os direitos dos trabalhadores são “sagrados”.

Antes que ela própria se desdissesse, Dilma aproveitou para afirmar que não mexeria nas leis trabalhistas “nem que a vaca mugisse”.

O que aconteceu com Marina?

Ela fez uma coisa típica da “velha política”: afirmou uma coisa para um determinado público e depois se corrigiu para a coletividade porque o que defendeu é impopular.

O mesmo ocorreu com Aécio quando, num jantar com empresários, lhes prometeu “medidas impopulares” no sabor das garfadas.

Em campanha, jamais voltou a falar delas. Eis a velha política em seu esplendor.

Aos empreendedores, Marina citou, em apoio de sua ideia de “atualizar” a legislação trabalhista, no “professor” Giannetti”.

Pois o professor há muitos anos acha que os trabalhadores têm direitos demais, e defende uma poda neles.

A visão negativa sobre direitos dos trabalhadores é um clássico dos economistas ortodoxos como Giannetti.

Por uma razão básica: o pensamento de tais economistas reflete, essencialmente, o interesse dos empresários.

Flexibilizar, ou atualizar, os direitos trabalhistas é bom apenas para as empresas e os empresários.  Seus lucros ficam maiores.

É uma medida que concentra renda, uma tragédia para um país que tem, desesperadamente, que reduzir a desigualdade.

Existe uma falácia — amplamente propalada pela mídia — segundo a qual os direitos brasileiros são os maiores do mundo, ou coisa assim.

Mentira.

Para ficar apenas num caso, a licença maternidade no Brasil é de 120 dias, cerca de 17 semanas.

Na Noruega, são 56 semanas (com 80% do salário) ou 46 (com 100%). O pai e a mãe compartilham a licença.

As mães têm que ficar ausentes da empresa pelo menos três semanas antes do parto e seis depois. O pai tem que tirar ao menos 12 semanas.

O resto da folga o casal decide.

Economistas conservadores brasileiros sempre apontaram os Estados Unidos como o modelo ideal de legislação trabalhista.

Os trabalhadores americanos têm direitos esquálidos.

Deu certo? Basta ver a crise econômica — e social — dos Estados Unidos para ver que não.

A taxa de desemprego lá é alta. Numa medição que inclui desempregados e subempregados, chega a 12,1%.

Um dos mitos conservadores é que, baixando os direitos, as empresas contratarão mais.

O caso americano desmente isso. De concreto, o que você tem é uma enorme concentração de renda.

Não é exagero dizer que, se dependesse da propaganda apocalíptica conservadora, ainda hoje as pessoas trabalhariam 18 horas por dia, sete dias por semana, como no início da Revolução Industrial na Inglaterra.

Marina tenderá a se contradizer sempre porque ela tem um DNA se esquerda e escolheu como mentor econômico um “professor” ortodoxo.

O problema, caso ela se eleja, é saber qual dos dois lados vai dominar.

Paulo Nogueira
No DCM
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A tentativa espúria de censurar o debate

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Marina Silva é favorável à lei que tira royalties do Rio

Para uma plateia de cerca de 200 pessoas e ao lado do cantor e compositor Gilberto Gil, a candidata diz que “cultura não é custeio; é investimento”
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Presidenciável volta a defender a pulverização dos recursos da compensação de extração do petróleo, o que levaria à perda de R$ 27 bilhões ao estado até 2020

Rio - A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, assumiu ontem ser favorável à lei aprovada no Congresso Nacional, em 2012, que altera os repasses dos royalties dos estados produtores de petróleo, como o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. A Secretaria de Fazenda estima que, com a nova lei, o Rio perderia, por ano, R$ 1,6 bilhão.

“Foi feita uma discussão no Congresso. Nesse momento está sendo apreciado pela Justiça na mais alta Corte e a mais alta Corte irá se pronunciar. Nós defendemos a forma como foi aprovado no Congresso (Nacional)”, afirmou Marina, em entrevista coletiva no Rio, ao ser questionada sobre o assunto.

O impasse na lei, criticado pelos estados produtores, aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), desde que o Congresso derrubou no ano passado o veto da presidenta Dilma Rousseff. A petista queria retirar o artigo que permitia a mudança nos atuais contratos. Os royalties são verbas obtidas com a exploração do petróleo, como forma de compensação por possíveis danos ambientais causados pela extração.

Pela maneira como ficou aprovada a Lei dos Royalties no Congresso, e que Marina se diz favorável, os estados produtores, que recebem 26% do dinheiro, teriam a fatia reduzida para 20%. Para os municípios a diminuição é mais severa: iriam de 26,25% para 15% no ano seguinte, chegando a apenas 4% em 2020. O prejuízo estimado do Estado do Rio com o novo modelo chegaria a R$ 27 bilhões em 2020. Já o Espírito Santo deixaria de receber R$ 10,5 bilhões.

No começo do mês, Marina emitiu uma nota negando que fosse a favor da revisão dos contratos.“Marina jamais defendeu ou defenderá projeto para rever os contratos dos processos de exploração de petróleo em vigor. Os estados produtores, como Rio e Espírito Santo, dependem desses recursos para alimentar suas economias”, informava a nota. Ela, no entanto, não fez menção à posição favorável à Lei dos Royalties que permite a mudança nos contratos.

A declaração de ontem é semelhante a quando Marina foi candidata pelo PV em 2010. “Penso que a distribuição dos royalties não deve ficar apenas com os estados produtores”, disse ela naquela ocasião. Marina completou dizendo que Rio de Janeiro e Espírito Santo precisam ser “valorizados”, mas a ex-senadora não deixou clara como seria a compensação de recursos aos estados produtores.

Marina também falou ontem sobre mudanças na legislação trabalhista. Na terça-feira, a ambientalista disse que a coligação estuda atualizações das leis “sem prejuízo do trabalhador”.

Marina ressaltou ontem que os direitos básicos não serão modificados. “Em relação aos direitos dos trabalhadores, suas férias, FGTS, todas as conquistas devem e precisam ser respeitadas. Nosso programa é claro”, afirmou a candidata. No programa de governo está descrito apenas que serão propostas “modernizações” nas relações entre empresas e empregados para “dar maior segurança jurídica” sem especificar quais seriam as mudanças.

‘Cara de santinha e vontade de ódio’

Citado com frequência pela presidenciável Marina Silva (PSB) como representante da “velha política”, o senador José Sarney (PMDB-AP) disse que a candidata ao Planalto tem “cara de santinha” e “vontade de ódio”. “A dona Marina, com essa cara de santinha, mas ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você”, afirmou Sarney, em comício no Maranhão.

Vice na chapa de Marina, o deputado Beto Albuquerque (PSB) disse ontem que “ninguém governa sem o PMDB”. “Mas isso não significa que seja preciso entregar o governo ao PMDB ou a qualquer partido. Temos um programa”, observou. Segundo ele, em um eventual governo do PSB será criado “um ambiente de respeito na política, valorizando todos os deputados e não apenas poucos aliados”.

Artistas pedem mais espaço

Em sua passagem pelo Rio, Marina Silva (PSB) ouviu ontem as demandas de artistas para o setor cultural em um encontro mediado pelo ator Marcos Palmeira na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. No ato, dez representantes da categoria apresentaram exigências para o setor, como o ensino de música nas escolas e mais investimentos na área. O músico Charles Gavin, ex-membro dos Titãs, cobrou da candidata uma maior representatividade do Ministério da Cultura.

“Queremos deixar de ser o eterno patinho feio do Estado, de ser mais uma das pastas que servem como moeda de troca”, pediu.

O ex-ministro da Cultura do governo Lula Gilberto Gil compôs uma música em homenagem à candidata. “Marinar vou eu / votar na Marina / Marinar”, cantarolou o músico, que votou na candidata também em 2010.

Em sua fala, Marina afirmou que a cultura deve ser vista como investimento, não como custeio. “Tive o prazer de ser ministra ao lado do Gil, e sempre lutamos contra o contingenciamento de recursos para a cultura e para o meio ambiente”.

Cerca de 200 pessoas estavam presentes ao encontro, entre eles os atores Jorge Pontual, Christine Fernandes, Vitor Fasano, Eriberto Leão, o músico Jorge Mautner, a cineasta Carla Camurati e o antropólogo Luiz Eduardo Soares. Caetano Veloso, um dos primeiros a apoiar Marina publicamente, não compareceu.

Juliana Dal Piva
No O Dia
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Já estou preparado para uma vida sem água. E você?


Minha mãe disse que, quando acabar a água do sistema Cantareira, que abastece a região onde moro aqui em São Paulo, posso ir tomar banho e lavar roupa na casa dela, suprida pelo sistema Guarapiranga.

A pergunta não foi um cutucão político, pois ela não acompanha muito os debates da vida pública. Creio que teve motivação mais prosaica. Pois, dessa forma, pode ver mais o filho que anda tão ocupado que não tem mais tempo para comer as coxinhas e as empadinhas que ela faz.

Perguntou quando isso deve acontecer. No que respondi, final de outubro.

- Mas isso é logo depois das eleições, né?

- É…

- Mas o pessoal sabe disso?

- Sabe…

Fazendo reportagens pelo interior do Brasil, tive que, por vezes, me virar com pouca água limpa e muitos baby wipes.

Em Timor Leste, numa incursão mato adentro, fiquei cinco dias sem banho. Não me pergunte como.

Realizando coberturas em áreas desérticas ou áridas, aprendi truques milenares para usar um cantil por dia para tudo.

Reaproveitar roupas usadas sem precisar lavar é uma arte.

Usar paninhos com produtos de limpeza que dispensam água em móveis e no chão, um conhecimento útil.

Captar água das raras chuvas para regar plantas, ecologicamente bonito.

Limpar pratos sem água, um sucesso.

Não tenho carro, então dane-se a mangueira. Bike suja é bike de luta.

Rasparei o cabelo. Direi que é charme.

Suco? Chupe fruta!

Café? Coma o pó!

Dar descarga, para quê? Deixa juntar, oras! Deu nojinho? São Paulo é para os fortes, mano!

E aprenderei as técnicas de Pai Mei a fim de controlar a transpiração.

Se tudo falhar, comando uma marcha dos paulistas bons em direção à Terra da Água Prometida. Afinal, somos ou não um povo bandeirante? Pode ser Rondônia, onde transformaremos tudo em um grande shopping center. O Acre será o estacionamento.

É isso.

Vem em mim, novembro, que estou pronto para você.

Leonardo Sakamoto
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Beto Richa, Álvaro Dias e Aécio Neves possuem falsos no twitter

Eles
Navegando pelo twitter é possível encontrar perfis, falsos e verdadeiros, promovendo as mais diversas causas, defendendo e atacando ideias. No cenário da corrida eleitoral, alguns candidatos contam com a potência de suas propostas e discurso, outros, desprovidos de habilidade, acabam recorrendo a militantes falsos.

Esse é o caso dos candidatos do PSDB, Beto Richa, Álvaro Dias e Aécio Neves. Em uma rápida análise, encontra-se diversos perfis que se mostram falsos, os ditos robôs. Comecemos pelo perfil @lucivalin, com primeira participação datada do dia 1 de setembro.

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Reparem que não há imagem de fundo nem descrição de perfil, algo pouco comum em usuários reais que acessam o Twitter com regularidade. Dos perfis que @lucivalin segue, os últimos três são ligados ao tucanato. Analisando o conteúdo dos tweets, só se acha propagandas positivas de Beto Richa, Aécio Neves e Álvaro Dias e ataques a oposicionistas, principalmente os ligados ao PT.

Passemos para outro usuário que constantemente interage com @lucivalin, @catrinalopess, que iniciou as atividades no dia 18 de agosto. Examinemos o print:

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Como podem constatar, também não há capa nem descrição, e todo conteúdo divulgado por Catrina Lopes, coincidentemente, promove a imagem dos tucanos. No momento da análise, as últimas 10 participações deste perfil se limitaram a retuitar conteúdo de contas pró Beto Richa, como a @Beto45Digital.

Passemos agora a conta registrada como @Marcelino1559. Segue o print:

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Mais uma vez, não há capa nem descrição, e outra vez o perfil iniciou atividades nas proximidades das eleições, mais precisamente no dia 20 de agosto. Os conteúdos divulgados por Cleber Marcelino são todos favoráveis a Beto Richa, Aécio Neves e Álvaro Dias, sendo as últimas dez participações se referindo a Beto ou a Aécio.

É realmente muito intrigante a atividade destes perfis, todos eles parecem obcecados por política, todos tem predileção pelos candidatos do PSDB, todos se registraram na rede há poucos dias do 5 de outubro.

Finalizando, fiquem com prints de alguns dos seguidores de @lucivalin, também muito parecidos com os perfis aqui estudados.

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PS: Reparem que a mesma foto é usada nos perfis de @catrinalopess e @1RobertaSonho.

Rennan Martins
No Blog do Tarso
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Intelectuais paulistanas apoiam Aécio

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Crime eleitoral em Minas Gerais

Servidores são convocados via email do governo de Minas a reunião com Pimenta da Veiga

Endereços eletrônicos institucionais chamam para encontro com braço direito e principal articulador político de Aécio, Danilo de Castro

Campanha de Pimenta da Veiga confirma reunião fora do expediente
Eugenio Moraes
BELO HORIZONTE — Uma convocação por e-mails institucionais do governo de Minas Gerais a uma reunião no comitê do Pimenta da Veiga, candidato do PSDB ao governo do estado, gerou mal-estar entre servidores. A mensagem foi enviada com o título “Convocação e convite do Dr. Danilo de Castro”, em alusão ao braço-direito e principal articulador político do candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, e que assumiu este mês a coordenação da campanha de Pimenta.

O e-mail foi direcionado a chefes de gabinete, subsecretários, superintendentes, diretores e coordenadores da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas. “Nosso líder Dr. Danilo de Castro, convida todos para reunião no Auditório do Comitê do Pimenta da Veiga”, dizia a mensagem. “Como é do conhecimento de sua chefia imediata, aguardamos sua presença”, afirma um trecho do e-mail assinado pelos nomes Danilo de Castro e Cleiton Dutra, que seria da coordenação geral do movimento Pimenta da Veiga. Um número de telefone celular foi disponibilizado no e-mail para que fosse feita a confirmação de presença.

— Não tem convocação, é apenas um convite. Sou apenas um voluntário, e não deve vir muita gente — disse Cleiton Dutra, que desligou o telefone logo após ser indagado se houve o uso de e-mail institucional para o convite.

A campanha de Pimenta confirmou a existência da reunião com líderes do governo e da presença de Dutra na coordenação. Mas informou, pela assessoria, que o “convite foi feito de forma individual, sem uso de recurso público, e o encontro, realizado fora do horário de trabalho”. O envio de e-mails, porém, de endereços como o da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, deixou servidores mineiros desconfortáveis.

— Enviar e-mail de endereço institucional não é problema. Mas a lei veta que a administração pública ceda o banco de dados a um candidato específico, como o mailing para que mensagens sejam enviadas. Se o convite foi enviado a um grande número de pessoas, tenderia a imaginar que houve abuso — disse o promotor de Justiça e coordenador eleitoral do Ministério Público de Minas, Edson Resende.

Outra possibilidade de irregularidade, segundo Resende, seria a presença de Danilo de Castro no governo mineiro:

— Estando dentro da administração, usando computador e horário de trabalho, ele não poderia praticar atos de campanha. Estaria usando bens públicos.

Danilo de Castro era secretário de Governo de Minas desde 2003, quando Aécio foi eleito governador. Foi exonerado em julho para coordenar a campanha de Pimenta. O governo disse desconhecer o assunto.

Thiago Ricci
No O Globo
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Dúvida no Globope...


Qual a razão da imagem principal da pesquisa Ibope em seu site apresentar os números abaixo, que são bem diferentes dos divulgados?

Confira no próprio Ibope: http://goo.gl/KrSAvN
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Dilma 37 vs 26 Bláblá

Ataulfo Neves vai mal!


Diante da proliferação de Globopes, mesmo desmascarados, a direção do DataCaf se vê na contingência de revelar seus números mais atuais:
— Dilma 37;

— Bláblárina 26;

— Ataulfo Neves 15
Segundo turno:

— Dilma 43;

— Bláblárina 41
Brasil sem São Paulo:

— Dilma 47;

— Bláblárina 37

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Com o corrupto da Petrobras

Embora pelo pior motivo, que é o seu arranjo para delatar companheiros de corrupção e, em troca, receber liberdade, a recusa de Paulo Roberto Costa a responder perguntas deu à CPI mista da Petrobras o descaso merecido. Esnobou, diriam as ruas, se perdessem algum tempinho em atenção à gaiatice de mau gosto que foi a falsa sessão para ouvir o corrupto da Petrobras.

Admitida por obrigação a possibilidade de exceções, pode-se assegurar que ninguém na CPI estava interessado em inquérito algum. Já como preliminar, todos ali sabiam que Paulo Roberto Costa estava judicialmente autorizado a não dar, a senador ou deputado nenhum, a consideração de uma resposta. Ainda que mentirosa. Mesmo assim, no silêncio da sua cara inexpressiva e imutável, era dele a única atitude, ali, de evidente autenticidade.

A percepção oferecida pelo plenário da CPI era a de que os deputados e senadores estavam ali só para mostrar-se na TV. À custa de esticarem o pescoço ou o palavrório embromador, para obter mais alguns segundos do seu principal objetivo parlamentar. Com a transmissão ao vivo da falsa sessão inquiridora, até a oposição compareceu à CPI que até agora não lhe mereceu o devido comparecimento, que dirá contribuição. O grave assunto Petrobras só tem interessado a oposição como assunto que leva às páginas de jornais, pelo mesmo motivo eleitoral.

Mas não convém restringir ao ambiente da CPI a preferência de Paulo Roberto Costa pelo silêncio. A delação premiada é o compromisso de abrir os fatos ao conhecimento do Ministério Público e da Justiça. Se, porém, esses condutores do processo propõem ou aceitam a delação que pagam com a liberdade do acusado, é que não chegaram, por si, ao conhecimento dos fatos. Logo, não sabem qual foi a totalidade dos fatos, nem quais são todos os envolvidos. O delator controla o jogo, vai comprando liberdade com o gasto necessário, e só até o necessário. Supor que Paulo Roberto Costa haja citado tudo desde o seu começo, e, sobretudo, todos, será um erro.

Rasante

Os problemas em torno do avião usado por Eduardo Campos são mais complicados do que conviria aos cuidados, de autoridades e políticos, no trato de assunto que inclui o candidato morto.

Além disso, a cúpula do PSB não está vendo como se desvencilhar de responsabilidades que, por lei, são dos partidos. Mas que caíram de surpresa em suas costas. Até agora, cada tentativa de dar uma resposta só criou nova dificuldade. Como a mais recente, de que os contratos e outros documentos eram guardados por Eduardo Campos. Mas contratos por ele feitos teriam as cópias das outras partes. E não aparecem.

Direta

Do publicitário Washington Olivetto no Arena do Marketing, evento Folha/ESPM: "As possibilidades de formas aumentaram muito, mas as formas estão sendo usadas para esconder a falta de conteúdo. A tecnologia permite fazer qualquer coisa, mas o fundamental é o conteúdo".

Frase essencial para os produtores de sites, similares e, mais que tudo, para inscrição sempre à vista dos diretores de jornal. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Gentili, Roger e os ultrajes da mídia!


Nesta segunda-feira (15), o programa “The Noite”, obrado por Danilo Gentili, entrevistou Luciana Genro, a candidata do PSOL que aceita os mais bizarros convites para alavancar seu desempenho na corrida presidencial. — (assista abaixo) — O direitista travestido de humorista abusou do anticomunismo mais tacanho. Ele e o músico decadente Roger, do Ultraje a Rigor, fizeram todo tipo de provocação. Mais uma vez, Luciana Genro não se intimidou. Num momento tenso, ela afirmou que Danilo Gentili devia “estudar mais” as experiências socialistas. Quase o chamou de burro! Talvez magoado pela humilhação sofrida ao vivo, o falso humorista postou nas redes sociais uma montagem de fotos em que compara a presidenciável a Adolf Hitler.

A agressão mostra bem o caráter deste “palhaço” — com todo o respeito aos palhaços. Mas ele pode se arrepender da piada. Nesta quarta-feira, a candidata do PSOL anunciou que abrirá um processo contra o apresentador do SBT. “Gentili confirma que realmente precisa estudar. Apologia ao nazismo é crime. O holocausto matou milhões. Minha família tem origem judia e não admito brincadeira com esta tragédia da humanidade. Mais uma vez Danilo Gentili passa dos limites!”, escreveu Luciana Genro em sua página no Facebook. Ela informou que sua assessoria jurídica já estuda os mecanismos para processar o humorista. Ela devia cobrar uma multa bem elevada para ajudar a bancar as dívidas da campanha.

Esta não é primeira vez que Danilo Gentili faz piadas de péssimo gosto, sempre com conteúdo reacionário. Também não é a primeira vez que ele será acionado pela Justiça. Parece que o comediante avalia que os processos serão capazes de erguer a audiência de seus decadentes programas de televisão. Para isto, ele conta com a ajuda do músico Roger Moreira, um autêntico ultraje à inteligência. Os seus comentários são sempre elitistas, arrogantes e preconceituosos. Ele se refere à presidenta Dilma como “terrorista” e se diz admirador de Olavo de Carvalho, o guru dos fascistóides tupiniquins. Em meados de agosto, o vocalista revelou mais uma vez a sua pequenez ao atacar o escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva.

Durante a 12ª Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), o escritor — filho do ex-deputado Rubens Paiva, covardemente assassinado pela ditadura militar — criticou a atual onda conservadora no país e citou como exemplo o integrante do grupo Ultraje. De imediato, ele reagiu em seu perfil do Twitter: “É compreensível que você considere o comunismo legal. Mas daí a me usar de exemplo na Flip foi canalha de sua parte”. Em outra postagem, Roger foi ainda mais explícito em seu reacionarismo. “E tem mais, seu bosta: minha família não foi perseguida pela ditadura porque não estava fazendo merda”. O acompanhante de Danilo Gentili só faltou elogiar as torturas e assassinatos promovidos pelo regime militar.

Altamiro Borges

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Essa é do Barão... 47


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É possível governar sem o apoio de Sarney, Renan e Maluf?

Se é um governo democrático, tem que governar com o Parlamento. Afinal, todos os grandes programas de governo tiveram e têm que passar pelo Parlamento: Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, partilha do pré-sal, etc. Governar com o Parlamento significa governar com os partidos. Se os partidos cobram pelo apoio, isso faz parte da competição institucional e está longe de significar, em si mesmo, um loteamento do Estado. Não é uma visão cor-de-rosa, pois ainda assim existem abusos. O que digo é que negociação, em si, faz parte da democracia.

Se um deputado briga pra caramba para conseguir uma UPP para sua comunidade e ameaça não dar seu voto ou se ausentar do plenário na hora da votação, o jornalismo político diz que esse cara só faz serviço de clientela. Pode? — Sim. Eles estão lá para fazer esse serviço de clientela do bem, respeitados os limites da boa educação política. É o preço da democracia, e quem acha que sem ela não haveria corrupção é muito ingênuo. Na democracia ateniense, que, a rigor, nem era tão democrática, a venda de voto corria solta, nas ruas.

Nenhum governo é descaracterizado total nem mesmo sensivelmente pela corrupção nele ocorrida. Pode parecer cínico, mas é o seguinte: caso não houvesse qualquer corrupção, os governos JK, FH e Lula, para dar três exemplos famosos, teriam sido exatamente o que foram, só que mais baratos. Isso é para dar a noção de que, exceto em tiranias conhecidas, é impossível submeter a democracia a desígnios de burocratas ou políticos ou empresários corruptos.

Wanderley Guilherme do Santos
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