17 de set de 2014

Sobre Luciana Genro no Debate da CNBB




Uma ova, Luciana Genro! O PT não faz o que o PSDB fazia

Vejo pessoas respeitáveis comemorando resposta que a candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, deu ao tucano Aécio Neves quando por ele foi perguntada sobre “educação” no debate da CNBB, desta terça-feira. Ela aproveitou a pergunta para lembrar quem é o PSDB e o próprio Aécio.

O tucano e o “pastor” Everaldo — que só não quer privatizar o dízimo que “igrejas” como a dele recebem do Estado via subvenções e renúncias fiscais de toda sorte — tinham acabado de fazer uma tabelinha para acusar o PT de corrupção. Eis que Luciana ignora a pergunta e manifesta indignação com a cara-de-pau de justamente um tucano fazer acusações de “corrupção”.

Luciana é uma grande oradora. Inteligente, simpática e a sua indignação com tanta coisa errada que há no Brasil, soa legítima. Contudo, ela parece ser vítima de um radicalismo e de uma visão curta e superficial dos fatos que, amiúde, esbarra na mais clara injustiça.

A candidata do PSOL lembrou bem que operadores de caixa 2 como Marcos Valério — quem viabilizou o caixa 2 petista, o qual inventaram ser “pagamento de deputados para votar com o governo” — começaram a atuar no dito “mensalão tucano”. E até o caso do “aécioporto”, que envolve o próprio candidato do PSDB.

Contudo, para desmascarar Aécio, Luciana fez uma acusação injusta ao dizer que o partido “continuou o que o PSDB fazia”. Nesse ponto, aproprio-me da expressão apropriada que ela usou para rebater acusação do tucano de que estaria atuando como “linha auxiliar” do PT, apesar de o estar acusando:

Uma ova, Luciana Genro! O PT não faz o que o PSDB fazia.

Luciana cometeu um erro imperdoável ao ignorar que toda a corrupção — verdadeira ou não — de que membros do PT foram acusados ao longo de seus 12 anos de governo só foi investigada, julgada e punida graças ao mesmo PT, que, à diferença do PSDB, não aparelhou os órgãos de controle que fizeram as denúncias darem em alguma coisa.

Comecemos pela Procuradoria Geral da República, como é óbvio que tem que ser. Afinal, Luciana citou o caso da compra de votos para aprovar no Congresso a emenda constitucional que permitiu a FHC disputar a própria sucessão em 2008 e essa vergonha não foi apurada justamente devido à PGR de então.

Se no tempo de FHC houvesse na PGR um procurador-geral como os que o PT indicaria ao chegar ao poder, o próprio ex-presidente seria condenado por ter o “domínio do fato” de um escândalo que o beneficiou pessoalmente. Contudo, o ex-presidente tucano nomeou para o cargo o primo do então vice-presidente da República, Marco Maciel.

Geraldo Brindeiro, ex-procurador-geral da República, primo do vice de FHC, ficou OITO ANOS no cargo e sua atuação foi tão escandalosamente parcial em prol de quem o indicou que ficou conhecido como “engavetador-geral da República”. Em todo o seu tempo à frente da PGR, não incomodou uma só vez o governo que o indicou.

Durante o período de Lula na Presidência, tudo mudou. A começar pela PGR. Em primeiro lugar, enquanto FHC manteve um só procurador-geral por 8 anos, no mesmo tempo de governo Lula nomeou TRÊS PGR’s. O terceiro, Antonio Fernando de Souza, inclusive, foi quem literalmente massacrou o PT ao fazer ao STF a denúncia do mensalão.


O quarto PGR de Lula terminou o serviço. Roberto Gurgel, de longe, foi quem não apenas aprofundou o massacre ao PT, mas acobertou os inimigos mais figadais do partido, os tucanos, a favor dos quais engavetou, por exemplo, o escândalo de Carlinhos Cachoeira, envolvido até o pescoço com o atual governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

Eis que Dilma Rousseff nomeia Rodrigo Janot como procurador-geral da República, o mesmo Rodrigo Janot que está prejudicando fortemente a campanha eleitoral de quem o nomeou.


Não entrarei no mérito das últimas medidas do primeiro PGR nomeado por Dilma contra o partido dela — retirada de site petista do ar e pedido de suspensão de críticas legítimas de Dilma à campanha de Marina. Mas o que tem feito Janot mostra que Dilma usou critérios republicanos para nomeá-lo, assim como Lula. Bem diferente do que fazia FHC.

Autonomia da Polícia Federal é outra diferença esmagadora dos governos federais do PT (2003-2014) para os do PSDB (1995 – 2002). Todas as denúncias contra o PT foram apuradas pela PF com toda a liberdade. Inclusive, o último escândalo do qual acusam o partido, o da Petrobrás, só existe porque Dilma e Lula permitiram à PF trabalhar livremente.

E não vamos nos esquecer, claro, de todos os ministros do STF que Lula e Dilma nomearam e que ajudaram a produzir uma injustiça no julgamento da Ação Penal 470 que um dos membros daquela Corte, Ricardo Lewandowski, chegou a denunciar.

Assim tem sido com todos os outros órgãos de controle sob responsabilidade da Presidência da República desde 2003. Será então, meu Deus, que Luciana Genro não enxerga nada disso?! Se diz que o PT continuou fazendo o que o PSDB fazia, não enxerga. Ou o que é pior: enxerga, sim, mas finge que não.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania

A enquadrada que Luciana Genro deu em Aécio

O melhor momento até agora em todos os debates presidenciais de 2014 foi a espetacular enquadrada que Luciana Genro aplicou em Aécio Neves quando ele dava uma patética lição de moral sobre ética na política.

A intervenção preciosa de Luciana Genro salvou o debate promovido pela CNBB. A má organização foi tamanha que não havia um cronômetro que ajudasse os debatedores a medir sua fala, engessadíssima como de hábito.

Por isso o tempo todo o moderador Rodolfo Gamberini abateu as respostas em pleno voo, como se estivesse caçando passarinhos.

São vitais, em campanhas eleitorais, pessoas como Luciana Genro, que falam o que ninguém ousa dizer.

Aécio pediu para apanhar, esta é a verdade.

O Pastor Everaldo — triste figura — acabara de se fazer de servo de Aécio. Conseguiu perguntar a ele o que achava do escândalo da Petrobras.

Aécio fez aquele surrado discurso moralista que remonta à UDN de Carlos Lacerda.

Por acaso, logo depois o sorteio de nomes juntou Aécio e Luciana.

Ele fez uma pergunta a ela sobre educação. Pela primeira vez na campanha ela fugiu da questão.

Não resistiu a dizer umas verdades a Aécio.

Como ele ousa falar em corrupção pertencendo a um partido que comprou os votos para a reeleição de FHC?, perguntou ela.

Como o moralismo das colocações de Aécio se combina com o dinheiro público empregado para a construção de um aeroporto numa fazenda de sua família?, continuou ela.

Uma das razões pelas quais a juventude foi às ruas em junho de 2013 foi a camada espessa e abjeta de hipocrisia que domina o mundo da política.

A essa hipocrisia aparentemente invencível Luciana Genro contrapõe uma sinceridade à qual ninguém está acostumado.

Ali, naquele embate, se contrapunha a velha política e a nova política. Aécio parecia um museu diante de Luciana Genro. O atraso quando confrontado com a novidade vira uma coisa espectral.

Luciana Genro não ocupa o lugar folclórico de Plínio de Arruda Sampaio nos debates. Essa posição cabe a Eduardo Jorge, do PV. Faz as pessoas rirem, mas ninguém leva a sério.

Luciana Genro, não. Ela não está nos debates para gerar gargalhadas, mas para dizer as coisas que devem ser ditas — e para fazer a sociedade pensar.

Neste sentido, ela é um enorme avanço em relação a Plínio de Arruda Sampaio — e a rigor a tudo, ou quase tudo, que está aí.

E sabe debater como poucos. Tem o dom da palavra. Improvisa como se estivesse lendo. Não erra concordâncias, não se perde em raciocínios. E à forma acrescenta conteúdo.

Sabe atacar e sabe se defender.

Aécio, numa brutal mistificação, disse que ela estava se comportando como “linha auxiliar” do PT, isso depois das contundentes críticas dela ao petismo pós-poder.

“Linha auxiliar uma ova”, devolveu ela imediatamente.

Clap, clap, clap.

De pé.

Luciana Genro provavelmente ficará com 2%, 3% dos votos.

Mas isso não refletirá o tamanho de seu impacto formidável na campanha de 2014.

No mundo corporativo, as empresas precisam desesperadamente das pessoas que vão contra a corrente e falam o que todos silenciam, por medo ou conveniência.

Essas pessoas dificilmente chegam ao poder, mas quebram barreiras para que outros possam fazer o que tem que ser feito.

No mundo político, também.

Luciana Genro, em 2014, desempenha exatamente este papel — e toda a sociedade deveria ser-lhe grata por isso, concordando ou não com suas ideias.

Paulo Nogueira
No DCM
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Luta pelo Poder: a direção ideológica e cultural da Sociedade

Ficou célebre a frase dita pelo juiz que condenou o líder socialista Antonio Gramsci: “Temos que impedir esse cérebro de funcionar durante 20 anos”. Parece que a direita brasileira através de seu braço, a mídia, resolveu seguir caminho semelhante. Adaptada à nossa realidade tal sentença parece ter encontrado o seguinte enunciado: “Temos que impedir esses petistas de governar nos próximos mil anos”. O regime que adotou tal fórmula, sabemos, passou para a história como sendo um dos seus mais execráveis capítulos. Gramsci mofou atrás das grades e, quando sua saúde já estava bastante debilitada, IL Dulce ordenou libertá-lo para evitar possível reação caso sua morte ocorresse no cárcere.

Pode que muitos (pouquíssimos é verdade) questionem alguém de estar a fazer uma aproximação entre o que se passou na Itália sob o fascismo e o que está acontecendo em nosso país. Porém, observando a abjeta estratégia de silenciamento a tudo quanto de bom que foi realizado nos últimos anos no Brasil, fazer tão comparação, não me parece nenhum absurdo. Apontar problemas, muitos deles reais, é necessário e próprio da democracia. Porém, o que se está a noticiar em praticamente todos os órgãos de comunicação do país é de fazer inveja àquele italiano que jaz a sete palmos. Uma “verdade única”, sem qualquer chance de resposta é só que se ouve e vê. Artimanha? Astúcia da razão? Ou mais puro embuste regado de requintado formato linguístico, de imagens televisivas de plástica irretocável? Legiões de cidadãos nas ruas exibindo emblemas e militarmente uniformizados não são mais necessários, se consegue o mesmo resultado, ou ainda melhor, através da tecnologia que não dispunham os líderes fascistas de antanho.

Lembro que um dos legados de Gramsci para o melhor entendimento das relações sociais nas sociedades que chamou de avançadas foi a formulação do conceito de hegemonia. Através desse conceito pôs em evidência a centralidade das chamadas superestruturas (constituída pelas instituições, sistemas de ideias, doutrinas e crenças de uma sociedade) para a uma análise histórica mais atualizada. Destacou que nelas, sociedades avançadas, a sociedade civil adquire um papel central, bem como a ideologia, que aparece como constitutiva das relações sociais. A partir disso tornou patente que a direção cultural e ideológica da sociedade passa a ter importância fundamental quando se busca a conquista e a manutenção do poder pela maioria revolucionária. No caso brasileiro é de se perguntar: Em mãos de quem está a direção cultural e ideológica da sociedade? Qual é o veículo propagador da cultura e da ideologia formadora de consensos em nosso país? Qual o senso comum dominante em nosso meio e como ele se traduz em termos políticos?

Oportuno lembrar o conceito de partido do eminente pensador político italiano ao considerá-lo como o responsável pela formação de uma vontade coletiva, “a primeira célula na qual se aglomeram germes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais”. Tal conceito sabe-se, gera calafrios nas elites dominantes acostumadas, historicamente, a bancar governos que priorizem a manutenção de seus privilégios ao mesmo tempo em que afastam, o mais possível, o povo do poder. Vale o alerta que organizar a vontade da maioria é uma meta ainda distante, bem como, que tal organização deve ser vista como um desafio que não pode jamais ser colocado de lado em prol das questões ditas imediatas.

Por outro lado sabemos da novidade que significou o PT enquanto primeiro partido verdadeiramente de massas nascido em solo pátrio que, diferentemente dos demais, surgiu de dentro da classe trabalhadora com líderes orgânicos a confirmarem Gramsci: “Existem dois tipos de políticos: os que lutam pela consolidação da distância entre governantes e governados e os que lutam pela superação dessa distância”.

O PT em sua luta para combater o monopólio do poder em mãos de uma elite política egoísta atraiu sobre si rancor dessas elites e a desconfiança de muitos que não conseguem enxergar além do que é veiculado pela embusteira e facciosa mídia verde-amarela. Sua permanência no poder representa a continuidade de políticas que representam avanços significativos para a maioria do povo excluído e que só serão garantidos com a vitória por nenhuma outra candidata que não Dilma Rousseff.

Finalizo com a advertência do mestre sardo:

“Condenamos em bloco o passado quando não conseguimos diferenciarmo-nos dele.”

Juarez Magno Nunes
No Imagem Política
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Sete homens e um escândalo


Quase metade dos nomes da famigerada lista do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, está ligada às campanhas de Aécio ou Marina Silva.

Se o escândalo contra a Petrobrás era para ser a bala de prata desta eleição, o tiro saiu pela culatra.

Quase a metade dos nomes listados na delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, é de políticos ligados não à campanha de Dilma Rousseff, mas à de Aécio Neves e Marina Silva. Dos 16 nomes, sete estão contra Dilma, pública, notória e oficialmente.

O detalhe, que é do tamanho de um elefante, tem passado desapercebido na "grande" mídia. Será por quê?


O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), é candidato ao governo do Rio Grande do Norte, apoia Aécio e tem uma chapa formada pelo PSDB, DEM e também pelo PSB


Romero Jucá, do PMDB de Roraima, declarou apoio e fazia entusiasmada campanha para Aécio. Jucá brigou com Dilma quando foi afastado, em 2012, da liderança do governo no Senado, o cargo quase vitalício que ocupou, pela primeira vez, durante o governo FHC. Ao finalmente romper com um governo e ir para a oposição, Jucá declarou que o fazia por razões ideológicas e "acusou" Dilma de ser socialista.


O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) liderou a resistência que tentou impedir o apoio de seu partido a Dilma. Depois, organizou a dissidência do Diretório do Rio de Janeiro, que apoia Aécio.


A mesma coisa fez João Pizzolatti, que é presidente do PP de Santa Catarina e articulou o apoio desse diretório a Aécio. O PP-SC também fez barba, cabelo e bigode: além de estar com Aécio, o chapão de Pizzolatti inclui a aliança com as candidaturas de Paulo Bauer a governador, pelo PSDB, e de Paulo Bornhausen ao Senado, pelo PSB.


Eduardo Cunha, deputado federal pelo PMDB-RJ, dispensa maiores apresentações. É o inimigo público nº 1 de Dilma dentro do PMDB e foi o principal articulador do apoio majoritário desse partido, no Rio, ao candidato Aécio Neves.


Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, embora publicamente tenha feito declarações favoráveis a Dilma, patrocina a aliança conhecida como "Aezão", ou seja, a adesão dos tucanos à candidatura do governador Pezão (PMDB), que é candidato à reeleição. Em troca, a maior parte do PMDB fluminense garantiu apoio governista à combalida campanha de Aécio naquele estado.


Eduardo Campos (PSB) — também citado na delação —, como é notório, saiu candidato à presidência da República, levou o PSB para a oposição ao governo Dilma, aliou-se a Marina Silva e organizou as dobradinhas com Aécio em vários estados.

A propósito, até o momento, a defesa de Campos tem ficado restrita a alguns membros do PSB. Marina nem mesmo se deu ao trabalho de rechaçar prontamente as denúncias feitas contra uma pessoa de quem ela se dizia firme aliada por uma nova política.

A enigmática frase da candidata — de que "não queremos ver Eduardo morrer duas vezes" — mostrou que, até mesmo em relação a Eduardo Campos, Marina Silva está mais que propensa, de novo, a mudar de ideia.

Uma simples conferida na lista deixa claro que o escândalo foi qualquer coisa, menos  algo feito com o claro propósito de ajudar a campanha de Dilma.

Antonio Lassance, cientista político.
No Carta Maior
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Janot tomou partido de Marina


Ao apoiar censura à propaganda do PT, PGR diz que ela cria, "artificialmente", reações " emocionais" contra independência do BC. Como ele sabe?

Mais cedo do que se poderia imaginar, mas inevitável como reflexo de suas concepções políticas, agora Marina Silva tenta censurar a propaganda política de Dilma Rousseff. Ela entrou com ação na Justiça Eleitoral para impedir a divulgação de anúncios que criticam sua proposta de independência do Banco Central.

Para Marina, a censura não chega a ser um novidade curricular. Para quem se julga sob proteção divina, é difícil resistir a tentação de negar aos outros aquilo que se quer para si mesmo. Marina acaba de conseguir a retirada do ar do site Muda Mais.

Eu acho — e creio que não é uma opinião pessoal — que é preciso ter um pensamento muito autoritário para, em pleno século XXI, discriminar direitos de homens e mulheres por causa da maneira como fazem sexo.

Mais preocupante, contudo, é o fato de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tenha acolhido o pedido de Marina. Teria sido coerente com leis de um país que realiza eleições livres e proíbe a censura esclarecer que a Justiça não tem por que envolver-se numa questão que é a matéria prima de uma campanha — o confronto de ideias e concepções. Não há calúnia nem difamação no caso.

Não estamos falando da boazuda que vende cerveja.

Em política, você pode achar que as reações de determinadas pessoas são “emocionais ou passionais.” Mas também pode achar que são racionais, em função das consequências conhecidas de uma determinada proposta. No caso da independência do Banco Central, ela permitiu políticas nefastas várias partes do mundo. É natural que provoque indignação e até mais do que isso.

A obra recente de Paul Krugman e Joseph Stiglitz, economistas laureados com o Nobel, insuspeitos de qualquer desvio emotivo em seus estudos, demonstra que a Europa transformou-se num cemitério, depois de 2008, porque o Banco Central Europeu estava no comando de uma equipe de fanáticos do Estado Mínimo. Eles usaram o regime de autonomia para cortar benefícios sociais, aprofundar o desemprego. Derrubaram governos de países mais frágeis, comprometeram a recuperação daqueles que pareciam mais fortes.

Tudo para proteger um sistema financeiro que Stiglitz define, precisamente, como o único cassino do mundo onde o dono nunca perde. Taí, João Santana: faltou pensar na jogatina. Stiglitz autorizava, embora pudesse parecer menos respeitoso ainda do que os gravatões em volta de um computador.

Emocional? Passional?

Indo à raiz da desregulamentação financeira e dos investimentos em derivativos que estão na origem do colapso de Wall Street, é possível encontrar as maquinações de Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, o BC norte-americano, também autônomo. Janot escreve que “a cena criada na propaganda é forte e controvertida, ao promover, de forma dramática, elo entre a proposta de autonomia do Banco Central e o quadro aparente de grande recessão, com graves perdas econômicas para as famílias.”

A ligação entre autonomia do Banco Central e recessão não é invenção de marqueteiros. É sustentada por análises e argumentos, números e pesquisas. É possível discordar — mas aí cabe contrapor uma opinião, outra visão. Não cabe interditar o debate porque Marina não gosta e o PGR não concorda.

Estamos falando de uma questão essencial da eleição. Marina queria que a mensagem chegasse aos banqueiros, na esperança de receber seus votos e suas contribuiçõe$. Mas não quer que seja discutida pelo povão, que pode transformar essa alegria no patamar de cima em festa inútil.

No Brasil, o BC tem liberdade para definir juros, cambio e outras variáveis fundamentais da economia. Mas, antes e depois de cada decisão, seu presidente reúne-se com o presidente da República para explicar as razões e motivos. O presidente da República pode concordar ou não com os argumentos do interlocutor. Caso se verifique uma divergência instransponível, ele pode demitir o presidente do BC. Faz parte de suas atribuições, como autoridade eleita, que representa a vontade da população.

É para isso que se fazem campanhas, não é mesmo?

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Justiça determina retirada de matérias do DCM sobre o caso do helicóptero dos Perrellas

O helicoca
O DCM foi processado pelo hotel fazenda Parque D’Anape, no interior do estado de São Paulo.

Ele foi citado em três das nossas reportagens sobre o caso do helicóptero dos Perrellas, apreendido com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo.

De acordo com uma liminar da juíza Mônica de Cassia Thomaz Perez Reis Lobo, somos obrigados a “suspender a publicidade [sic] das notícias veiculadas no site” sob pena de pagar mil reais de multa por dia.

Pela natureza desse tipo de decisão judicial, a análise é perfunctória, já que não fomos ouvidos e não tivemos oportunidade de apresentar defesa.

Os artigos são resultado do nosso projeto de crowdfunding, em que mergulhamos no caso do “Helicoca”. São eles: “‘Tenho Medo de Morrer’: o piloto do helicóptero dos Perrellas fala ao DCM”; “O helicóptero dos Perrellas pousou em hotel de São Paulo”; e “O fracasso da guerra às drogas e o helicóptero dos Perrellas”.

(Estamos, aliás, com uma nova iniciativa de crowdfunding no ar neste momento. É sobre o escândalo da sonegação da Globo. Os detalhes estão aqui na plataforma do Catarse).

Todas as matérias são alicerçadas em documentos que o jornalista Joaquim de Carvalho levantou em sua apuração em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Não há nenhuma ilação, nenhuma invenção, nada assemelhado a calúnia ou difamação.

Só os fatos.

Joaquim teve o cuidado de ouvir a proprietária e o advogado do estabelecimento para que eles se manifestassem.

Mesmo determinando a retirada das reportagens, a juíza Mônica afirma que isso não significa “prejuizo do direito de livre expressão e crítica”.

O DCM reafirma seu compromisso com o jornalismo independente e responsável. Em nome dele, vamos recorrer e buscar na Justiça os nossos direitos para manter você bem informado.

Grande abraço.

Kiko Nogueira

No DCM
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Dano à imagem do Itaú pode custar mais que a multa


Dias atrás, uma gerente do Itaú Personalité, em São Paulo, recebeu uma resposta inusitada de um potencial cliente, que prospectava para sua carteira.

— Não, obrigado. Não tenho interesse em ser cliente de um banco que tenta interferir no processo político brasileiro.

A reação era decorrente do excessivo engajamento do Itaú no processo eleitoral de 2014. Uma de suas acionistas, Neca Setubal, além de coordenadora do programa de Marina Silva, doou 83% dos recursos que bancam seu instituto. Além disso, em diversas entrevistas, defendeu temas de interesse do Itaú, como a independência do Banco Central e a redução do papel de bancos públicos, como Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal, na economia brasileira.

O impacto do casamento entre Marina Silva e Neca Setubal nos negócios do Itaú ainda levará tempo para ser devidamente avaliado. Mas os danos à imagem do banco já podem ser medidos nas redes sociais. Essa associação já produziu dezenas de "memes" — peças na internet que ironizam a situação.

Num deles, Neca Setubal "afirma": "Devo R$ 240 milhões para a Receita Federal. Eleja Marina e me ajude a sair dessa". Em outro, a mensagem é: "Fora Marina. E leve o Itaú junto". Há, também, na internet uma campanha para que Marina seja lançada candidata à presidência do Itaú. E já se espalha o apelido "Marineca" para a candidata, como se ela fosse uma marionete da herdeira do banco.

Tradicionalmente, bancos costumam ser mais conservadores, quando o assunto é política. Mantêm distância protocolar dos candidatos e, quando têm preferências, não as assumem explicitamente, mas apenas nos bastidores. Desta vez, no entanto, o Itaú decidiu correr o risco de uma exposição maior. E já paga o preço nas redes sociais.

Além disso, mesmo que "vença" as eleições presidenciais de 2014, com Marina Silva, o Itaú não terá tantos motivos para comemorar. Temas de interesse direto da instituição financeira, como a multa de R$ 18,7 bilhões imposta, por sonegação, pela Receita Federal, serão acompanhados de perto pela opinião pública. Afinal, qual seria a reação da opinião pública se o leão ficasse mais manso para os acionistas do Itaú?

No 247
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Caiu a máscara do Globope!

Bê-a-bá da manipulação. Só acredite no Vox e no DataCaf!


A manipulação na mais nova pesquisa do Ibope

“Quem diz na pesquisa do Ibope que o governo é ótimo ou bom (37% dos eleitores consultados), vai votar na Dilma, com certeza. E dentre aqueles que dizem que o governo é regular (33%), espera-se que pelos menos 1/4 dessas pessoas votem na Dilma. Por que 1/4? Você acha esta fração absurda?

Isto para não falar na pesquisa espontânea na qual Dilma aparece sempre em primeiro lugar, e para não falar também na opinião da maioria dos eleitores que acham que a Dilma ganhará a eleição. É por isso que as pesquisas não me convencem.

Agora, vamos nos deter um pouco mais sobre a avaliação do governo feita pelos eleitores, segundo o Ibope:

“A pesquisa mostra que a administração da presidente Dilma tem a aprovação de 37% dos eleitores entrevistados — no levantamento anterior, divulgado no último dia 12, o índice era de 38%. O percentual de aprovação reúne os entrevistados que avaliam o governo como “ótimo” ou “bom”. Os que julgam o governo “ruim” ou “péssimo” são 28%. Para 33%, o governo é “regular”. Os dois índices são os mesmos do levantamento anterior.”

Dentre os que julgam o governo “ruim” ou “péssimo”, a Dilma não conseguirá nenhum voto, óbvio. Agora, considere o seguinte raciocíno: 37% dos eleitores que avaliam o governo como ótimo ou bom vão votar com a Dilma, claro. E dos que dizem que o governo é regular (33%), pelo menos 1/4 desse percentual (~8%) vai votar na Dilma. E eu pergunto outra vez: por que não 1/4?

Some agora 37 + 8 e veja quanto temos. Em outras palavras, o que o Ibope está tentando me convencer é do seguinte: dos 33% dos eleitores que avaliam o governo como regular, ninguém, absolutamente ninguém, vai votar na Dilma. Isso é o maior absurdo que eu já li em toda a minha vida.

Agora, vamos para a manipulação dentro da margem de erro:

Diz a pesquisa como resultado para o primeiro turno: Dilma tem 36%, Marina, 30%, e Aécio, 19%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando esta margem de erro e o fato de que o Ibope sempre manipula a pesquisa de maneira favorável aos seus candidatos preferidos, podemos fazer as seguintes conjecturas com os números acima: a Dilma teria entre 34 e 38 das intenções de voto, a Marina entre 28 e 32 e o Aécio entre 17 e 21.

Considerando agora uma manipulação extremada, porém dentro da margem de erro, a Dilma estaria com pelo menos 38%, Marina no máximo com 28 e Aécio no máximo com 17. A distância entre Dilma e Marina seria, portanto, de 10 pontos percentuais, bem próxima dos 9 pontos detectados na última pesquisa Vox Populi. Mas se o Ibope admitisse esta situação mais do que provável, aquele Instituto estaria admitindo que o crescimento de Dilma continua, em comparação com os números das pesquisas anteriores.

E é ai que a porca torce o rabo: o Ibope tinha que mostrar a qualquer custo que a Dilma caiu nesse momento tão delicado “de indefinição”.

Por outro lado, se a eleição fosse amanhã e os resultados dessem 38% (Dilma), 28% (Marina) e 17% (Aécio), o Ibope diria que esses números estariam rigorosamente dentro da margem de erro (e de fato estão), e que a pesquisa teria sido feita de maneira criteriosa.

Por último, eu aconselho os eleitores que confiam 100% no Ibope que deem uma olhadinha neste vídeo sensacional:


No CAf
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Dilma na TV


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#MarinaCensura


Desesperada com a queda nas pesquisas, após sucessivas mudanças de opinião, a candidata Marina Silva processa o blog Muda Mais e consegue tirá-lo do ar! A notícia vazou e o trending topic #MarinaCensura ficou em segundo lugar no Twitter. Foi um tiro no pé. Nesse contexto, a candidata homofóbica, neo-liberal, teocrata e ecocapitalista, lamenta com seus capachos em seu bunker secreto.

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Eduardo Giannetti - economista de Marina Silva - quer acabar com o FGTS, 13º, férias e horas-extras

 Atenção 


Uma entrevista-bomba de Eduardo Giannetti

Postado em 09/09/2014 - 00:15
Atualizado em 11/09/2014 - 08:34

A entrevista de Eduardo Giannetti — o economista de Marina Silva — ao jornal Valor Econômico (clique aqui) é literalmente uma bomba. Giannetti — que é um filósofo — avançou radicalmente além das chinelas e, em nome de Marina Silva, apresentou um conjunto de propostas econômicas desconjuntadas e imprudentes.

Ele vai despejando medidas, parecendo atender às demandas de cada grupo aliado, sem conseguir desenhar o cenário resultante. É como se cada medida se bastasse a si própria, sem consequências para o todo.

Comporta-se como o jogador de xadrez novato que só consegue analisar a jogada em curso, sem discernimento sobre seus desdobramentos.

* * *

Por exemplo, tem-se um problema: as interferências de Dilma nos preços administrados criaram uma inflação represada que impede a convergência das expectativas de mercado. Ninguém sabe para onde irá a inflação quando os preços forem liberados.

Dilma propõe — para o pós-eleições, é claro — um reajuste gradual das tarifas no tempo, para evitar um choque inflacionário.

Giannetti defende um choque tarifário — a correção imediata dos preços administrados. Se tem um problema — diz o valente — temos que enfrentá-lo.

De fato, tirará do horizonte uma variável indefinida. Mas a converterá uma expectativa de inflaçao em uma inflação concreta.

Quais os efeitos de um aumento súbito da inflação nas expectativas empresariais? Giannetti não saberia avaliar, mas sabe de uma coisa: choques semelhantes foram aplicados no início do governo FHC e Lula, sendo bem sucedidos.

O excelente entrevistador educadamente lembra Gianetti que, nos exemplos citados, o grande peso da inflação era dado pelo câmbio (que sofreu grandes desvalorizações nos dois casos) e não havia o quadro de emprego e renda que se tem hoje.

Confrontado com a informação, qual a reação do bravo Giannetti? Admite que "a situação em certos aspectos era diferente da atual, de fato" — o emprego do "certos aspectos" passa a ideia de conhecimento de todos os aspectos, sem a necessidade dele enumerá-los. E como tratar a situação diversa que se tem hoje? Da mesma forma. Limita-se a acreditar "sem a menor dúvida", como ele diz, "de que há um custo de fazer o ajuste hoje, mas ele certamente é menor do que o custo de não fazê-lo".

* * *

Todas suas afirmações são reforçadas por demonstrações de fé e confiança, "sem a menor dúvida", "certamente". Não desenvolve raciocínios sobre os problemas apresentados, não estima desdobramentos. Mas "certamente" ele tem certeza de que o caminho que escolher é o melhor.

Suas teorias poderiam ser taxadas de "autoengano" promovido pelo excesso de fé e pouco uso da razão.

* * *

Mas não fica nisso.

Não bastasse o alinhamento tarifário, ele defende a bandeira de que não haverá mais aumento da carga tributária — conforme a expectativa de vários ambientes em que foi vender seu peixe — mas propõe também a volta da CIDE (o imposto sobre combustíveis) — conforme a expectativa dos produtores de álcool com quem esteve recentemente. Ou seja, propõe dois choques para a gasolina: o realinhamento tarifário e a volta da CIDE.

Mas a volta da CIDE significa um aumento da carga tributária, observa o entrevistador astuto. Sim — admite Giannetti, que provavelmente não tinha atinado com essa obviedade. Mas responde com outra obviedade: cortaremos em outros despesas.

Quais delas?

* * *

O que se tem até agora são dois choques tarifários disparando a inflação. A peça seguinte é um Banco Central independente, levando a Selic onde for necessária, mas sendo auxiliado por um choque fiscal, para dar coerência ao pacote.

E onde vai cortar? No crédito subsidiado, diz o filósofo do autoengano, em um momento em que Dilma Rousseff martela diariamente na sua campanha eleitoral sobre o significado de acabar com o crédito subsidiado. Hoje em dia, há crédito subsidiado para a indústria, agricultura e programas sociais.

Giannetti é adepto da tese de que a indústria chora por vício, não por necessidade. "Acho que a indústria deve se preparar para uma operação desmame. Ela está acostumada a chorar e ser atendida".

Com a eleição da Marina, a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) do BNDES vai subir para não haver subsídio. Considera-se subsídio a diferença entre a TJLP e a Selic. A taxa distorcida é a Selic (que remunera os títulos da dívida pública); mas Giannetti trata a TJLP (que serve de base para os financiamentos) como se fosse a abusiva.

Toda a política agrícola é fundada em crédito subsidiado, assim como um sem-número de políticas sociais, como Minha Casa, Minha Vida.

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A indústria se verá frente ao aumento da inflação, aumento de juros de curto prazo (com a Selic) e de longo prazo (com a TJLP); câmbio apreciado, por conta da entrada de dólares atrás dos juros; choque tarifário, com o adicional do CIDE; sem políticas industriais pela frente. E como ficará o emprego?

O mágico Giannetti, o economista que não tem dúvidas, responde que "o desemprego já é uma realidade e a ideia é que termine o quanto antes". Como? Fé cega e tesoura amolada. "A experiência mostra que a capacidade de resposta da sociedade brasileira é muito forte. Tendo a crer que ainda em 2015 será possível ver a volta da economia ao crescimento, se for muito bem feito".

Não se trata de nenhuma afirmação científica, calçada em dados, analisando todos os desdobramentos da política econômica. Trata-se de matéria de fé: "Tendo a crer (...) se for tudo muito bem feito..."

Esquece que um choque inflacionário afeta diretamente as expectativas e a confiança dos agentes econômicos. Se junto com o choque inflacionária derrubar o mercado de consumo, quebrará a única perna que sustenta o PIB hoje em dia. E se, junto com a inflação, sobrevier uma recessão — fruto do choque fiscal e tarifário — só um milagre para empresários sem mercado e sem estabilidade de preços manterem a confiança na economia.

Perde a agricultura, perde a indústria e não ganham os programas sociais.

Eles serão mantidos apenas na hipótese de haver folga fiscal, como garante nosso bravo filósofo macroeconomista.

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Indagado sobre qual a diferença de Marina sobre os demais candidatos, Giannetti é cândido: "Não vemos a economia como um fim em si mesmo, ela é pré-condição para uma vida melhor para todos, de uma realização mais plena. O sonho que nos move é que a economia deixe de ocupar o lugar de proeminência que ela ocupa hoje no debate brasileiro para que a gente possa focar em questões ligadas à cidadania, à realização humana, à felicidade".

Luís Nassif

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A miséria da economia

Postado em 12/11/2010 - 21:24
Atualizado em 17/11/2010 - 08:01

Nassif, coloco este comentário aqui por não achar um tópico correspondente.

Estava assistindo no globonews o programa da Miriam Leitão, uma reprise que passou hoje a tarde.

Acabei vendo que lá participava um ex-professor meu, do curso de economia da FEA-USP. Decidi assistir o programa e ver do que daria dessa troca de idéias entre Miriam Leitão e Eduardo Giannetti da Fonseca.

Lembro-me do Prof. Giannetti como um economista pouco afeito ao rigor metodológico. Ele parecia mais um ideólogo do neoliberalismo. Seu discurso era um misto de conceitos economicos com filosofia liberal. Hayek, Locke, Voltaire, e aqui e ali algo tipicamente economês: deflação, taxa, curva de crescimento, feedback negativo, etc, etc. Lembro-me claramente, como se fosse hoje, ele com uma cara de deboche, dizendo a um colega de sala que não sabia o que era reificação. "Reificação? O que é isso? Não entendo esse conceito". E recusou-se a comentar este conceito marxista e sua critica ao capitalismo. Isso me pareceu emblemático de seu caráter.

Pois bem, voltando ao "espaço aberto" Miriam Leitão. O tema era taxa de câmbio. O tema da moda! Depois de um início bastante didático, cheio de conceitos e explicações simples, até de uma certa ortodoxia, eis que o querido mestre divide com seus pupilos a solução mágica que nos salvará da danação cambial. Vou dividir com você:

"Quando o câmbio brasileiro se valoriza, o fato básico é que fica caro em dólares produzir no Brasil. O custo de produzir no Brasil é muito alto em dólar. Nós perdemos mercado lá fora e os importados ganham mercado aqui dentro. O que nós podemos fazer hoje, independentemente de câmbio, pra reduzir o custo de produzir no Brasil? Existe uma coisa óbvia e que clama por ser feita, nós precisamos reduzir os encargos que incidem sobre a folha salarial das empresas no Brasil!". [Voilà!]. "Isso corresponde a um efeito de uma desvalorização do câmbio. O preço em dólar pode reduzir muito se reduzirmos fortemente o volume de impostos que nós cobramos da contratação e do salário aqui na economia brasileira. [Isso aí] incentiva o emprego, aumenta a formalização, é uma grande mudança de preços relativos, barateando o fator trabalho. Existe um lema em economia que [diz]: câmbio é salário. Câmbio é salário. É salário em dólar. Tá caro produzir no Brasil porque o salário no Brasil, relativamente à nossa produtividade, tá muito alto em dólar".

Bem, depois ele complementa essa mixórdia toda com algumas outras abstrações, às quais nao tive paciência de transcrever. A idéia central está aí. E é vexatória! Mostra claramente como construir uma mentira a partir de alguns conceitos válidos.

Brincando com os conceitos de preços relativos, ele conclui que a única maneira de ganhar numa relação de trocas que está contra nós é reduzir direitos trabalhistas. Acabar com FGTS, por consequência acabar com a multa recisória, acabar com o 13º, com as férias, com o DSR, com as Horas extras a 50% e 100%! Simples assim! Os EUA e a China resolvem mudar os valores das suas moedas, transferem ao mundo o valor da conta, e nós devemos repassar a conta a ser paga aos trabalhadores. Nenhuma palavra sobre juros e controle de capitais. Nenhuma palavra! As principais variáveis que definem a taxa de câmbio não foram sequer citadas na solução mágica do grande mestre.

Nem vou comentar câmbio é salário. A idéia em si já é uma grosseria.

Outra coisa impressionante, no sentido mais negativo, é o professor doutor Eduardo Giannetti colocar isso como uma solução para aumentar o emprego e a formalização. Por onde esteve ele nestes últimos 8 anos? Não sabe que a nossa atual taxa de desemprego é de 6,2%, próxima do nível de pleno emprego? Não sabe que foram gerados 15 milhões de empregos com todos esses direitos que ele quer extirpar como solução para um câmbio falsamente apreciado? Ou melhor, uma taxa de câmbio que foi levada à esse nível por conta de politicas deliberadas de 2 países.

Sei que é esperar muito dessa gente, mas não dá mais pra ficar assistindo esse festival de baboseiras.

Os economistas são os piores. Como diria meu ex-professor Adroaldo Moura da Silva, esse sim uma pessoa coerente, os economistas fazem tanto mal à sociedade que deveriam ser enforcados pelo saco!

andalex
No GGN
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O programa de Ana Amélia para o RS em 10 pontos


Na política, como na vida, o que não é dito é tão importante quanto o que é dito. A candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul adotou algumas palavras mágicas como esperança, confiança e transparência que acabam funcionando como uma cortina de fumaça que encobre as propostas que, de fato, apresenta para o Estado. Na verdade, o programa de governo apresentada por Ana Amélia Lemos resgata alguns conceitos fundamentais do choque de gestão aplicado por Yeda Crusius (PSDB).

A tesoura é um dos principais instrumentos dessa proposta. A senadora promete extinguir secretarias, demitir servidores, diminuir gastos e o tamanho do Estado, o que chama de “moderno modelo de gestão”. E não assume nenhum compromisso em manter políticas como o Plano Safra, o RS Mais Igual e o Mais Médicos.

Da leitura do programa de governo da senadora, pode-se extrair dez pontos que ajudam entender o que ela propõe para o Estado:

1. Corte de Secretarias e demissão de servidores: promete corte do número de secretarias e demissoes de servidores em cargos de comissão. Não define quais secretarias serão cortadas nem quantos servidores serão demitidos.

2. Ao invés de reajustes salariais, “recompensas”: Ao invés de reajustes salariais, a senadora quer instituir um sistema de “recompensas” para quem “trabalhar melhor e produzir bons resultados”. Ela não esclarece quais critérios serão usados para dizer “quem trabalha melhor”.

3. Ausência de proposta de melhoria salarial para os professores: Não há nenhuma proposta de reajuste para os professores (que receberam 76,68% de aumento no atual governo). O Plano de Resgate da Educação Pública promete apenas “sinceridade e vontade” para “atacar os problemas levantados”.

4. Terceiração da saúde no atendimento à população de baixa renda: Na área da Saúde, não há nenhum compromisso com a destinação de 12% da receita líquida do Estado, hospitais regionais e o Mais Médicos. Quando se trata da população de baixa renda, o programa de Ana Amélia ou se omite ou empurra a responsabilidade para “instituições da sociedade civil”.

5. Diagnóstico da economia usando índice criado pela RBS: Ao falar sobre a situação da economia gaúcha, o programa da senadora usa um índice encomendado pela RBS e recua até 1985 para fazer comparações com o desempenho da economia nacional. E omite que o PIB gaúcho vem crescendo acima da média nacional. Em 2013, cresceu 5,8%, índice superior ao do Brasil que foi de 2,3%, e o maior entre todos os estados brasileiros.

6. Silêncio para micros, pequenos e médios: nenhuma proposta para micro, pequenas e médias empresas, pequenos e médios agricultores, programas de inovação ou microcrédito.

7. Na Previdência, promete o que já existe: promete criar “fundo para garantir o pagamento das aposentadorias dos novos ingressantes no serviço público”. Esse fundo já existe; foi criado pelo atual governo.

8. PAC, Simples Gaúcho, Plano Safra??? Não cita nem assume compromissos com políticas em curso como o PAC, Simples Gaúcho, Plano Safra, RS Mais Igual e Política Industrial.

9. Flexibilização radical da legislação ambiental: a candidata apresenta como modelo o Estado de Santa Catarina, onde, segundo ela, um licenciamento sai em 30 dias.

10. Retorno do antigo modelo de pedágios: desmonte da Empresa Gaúcha de Rodovias e retorno ao antigo modelo de pedágios, implementado pelo governo de Antonio Britto.

Marco Aurélio Weissheimer 
No RSUrgente
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Essa é do Barão... 46


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Luciana Genro taca-lhe pau em Aécio Neves no Debate da CNBB

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Marina cala o "Muda Mais"


O Muda Mais acredita que o amplo debate de ideias, posicionamentos e propostas é crucial para a democracia. Acreditamos também que a internet é o meio mais democrático e criativo de fazer o debate politico eleitoral. É o canal de comunicação que quebrou o monólogo da grande mídia, permitindo a milhares de pessoas que expusessem suas vozes e opiniões, antes abafadas. E esse poder de comunicação digital deve ser usado com discernimento, respeito e compromisso com a verdade.

Por isso mesmo, o Muda Mais sempre teve o caráter de levar o debate para as redes, se baseando na honestidade dos fatos, em uma boa apuração e na checagem das informações que servem ao diálogo franco e aberto. Uma de nossas principais diretrizes é a disputa no campo político entre projetos de país, sem agressões pessoais ou infundadas a ninguém, ataques desrespeitosos ou mentiras. Nossa postura tem sido, inclusive, a de apontar boatos e artificialidades construidas – mesmo quando elas agem em benefício da nossa candidata.

Temos lado, e sempre deixamos isso claro: defendemos, baseados em informações verdadeiras, o projeto de país em que acreditamos, e apontamos as incongruências dos projetos de nossos adversários. Esse foi o tipo de debate que estabelecemos com Aécio, com Eduardo Campos e, agora, com Marina Silva.

Fomos pegos de surpresa com a postura de Marina Silva e sua tentativa de censura ao Muda Mais. Justamente da candidata que afirma ser representante da nova política, que fala em democratizar o debate público e que, assim como Dilma, tem na internet um importante espaço de participação. Foi, no entanto, justamente Marina Silva quem deu uma prova de que não quer o debate, ao entrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido para retirada do Muda Mais do ar.

Vamos proceder à defesa jurídica de todos os pontos que foram questionados, e não vamos deixar que posturas anti-democráticas nos calem. É importante que todos saibam, inclusive nossos adversários: não se cala a internet – a produção, o acesso a informações na web e seu caráter democrático . O Muda Mais carrega em si o espírito da rede. Não se cala a verdade, ela vai continuar circulando pela Internet, entre os militantes e entre aqueles que reconhecem a revolução social que o Brasil trilhou nos últimos 12 anos, sob os governos de Lula e Dilma.

Vamos continuar fazendo o contraponto na política. Marina precisa entender que na democracia ninguém fala sozinho. Tentar calar o Muda Mais é tentar calar o debate político.
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