16 de set de 2014

Marina mexe em mais um vespeiro popular: a CLT


A candidata Marina Silva, do PSB, enfiou as mãos em mais um vespeiro popular. Depois de questionar a prioridade dada pelo governo à exploração do pré-sal e reafirmar, por meio do coordenador Walter Feldman, que pretende mudar o modelo de partilha do petróleo brasileiro em benefício das empresas estrangeiras, agora ela escolheu um novo alvo: a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.

"Vamos fazer uma atualização das leis trabalhistas", disse Marina, ontem, em São Paulo, em reunião com micro e pequenos empresários. Ela não deixou claro, porém, qual será o sentido da mudança em caso de se eleger presidente. "Ainda não temos essa resposta, esse assunto é muito complexo", completou ela.

Marina fez sua promessa de atualizar a CLT num contexto de reclamações dos pequenos empreendedores sobre dificuldades para a contratação de mão de obra. A candidata se comprometeu, então, a trabalhar pela alteração das atuais normas trabalhistas. Este ano, entre janeiro e agosto, o País registrou a criação de 701 mil vagas com carteira de trabalho assinada, dentro da legislação atual.

Marina agregou que as mudanças que pretende fazer na CLT serão "sem prejuízo" a empregadores e empregados. Ela ressalvou que não quer que sua iniciativa seja chamada de "flexibilização" da CLT, apesar de ter sido essa a impressão que ficou de sua nova promessa eleitoral.

— Quero reafirmar, para que não fique nenhuma dúvida, de que isso será feito sem prejuízo às conquistas que os trabalhadores a duras penas alcançaram, afirmou a candidata a jornalistas.

Ao ser questionada sobre o que pretende fazer em relação à terceirização da mão de obra, ela procurou ajustar novamente seu discurso.

— Não queremos a precarização das ocupações que existem. Foi feito um processo no governo do PSDB que tem muitos problemas e esses problemas precisam ser reparados, acentuou Marina.  

Após prometer a "atualização" da CLT, citando "o professor Gianetti" como inspiração, a candidata reconheceu que ainda não faz ideia do que pretende fazer sobre o assunto em caso de chegar ao governo.

- É um debate difícil e ainda não temos uma finalização sobre o assunto, assinalou.

Pela cartilha do economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que vai assumindo o posto de chefe da equipe econômica de Marina, sabe-se que garantias trabalhistas são vistas como entraves para o desenvolvimento do País. Os empreendedores que ouviram Marina ficaram com a impressão de que, para um lado ou para o outro, a CLT não será a mesma caso a candidata do PSB vença a corrida eleitoral.
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O humor na política: o legado subestimado de Lula

Lula em ação
“Antigamente jornalista perguntava pra gente responder. Agora jornalista responde pra gente perguntar.” (assista aqui)

Não sei se esta tirada é originalmente de Lula. Mas, seja como for, é muito boa.

Lula provavelmente estava se referindo, especificamente, a Noblat. Na sabatina de Dilma no Globo, Noblat mandou Dilma falar menos para que ele e companheiros pudessem falar mais.

Dilma se saiu bem. “Quem é o sabatinado?”, perguntou, rindo.

Você pode gostar ou não de Lula, mas uma coisa é indiscutível: seu senso de humor.

Isso ajuda a aliviar ambientes tensos como o vivido hoje na política brasileira.

Nos últimos dias, Lula tem oferecido várias oportunidades aos brasileiros de rir, a despeito de preferências partidárias.

Ele observou que numa entrevista Aécio falou numerosas vezes de “previsibilidade”, uma palavra largamente usada nos ambientes corporativos.

Aécio estava dizendo que o PT não oferece ao mercado uma economia “previsível”, sem surpresas.

“Se ele fosse tão bom assim em previsibilidadse, por que não previu que sua candidatura ia afundar?”, respondeu Lula.

Mesmo Aécio deve ter rido com a resposta espirituosa.

Marina – é claro – tem estado no centro das piadas de Lula. Ele tornou motivo de risos a promessa de Marina de que governaria com os “melhores”.

Os “melhores”, na tradução irreverente de Lula, viraram “os meió, os meió”. Ele aproveitou para dizer que de tanto procurar os “meió” Marina pode acabar terceirizando seu governo.

Nem a si mesmo ele poupa. Ao falar em avanços na educação em seus dias presidenciais, ele disse que “um semianarfa” criou mais universidades que todos os doutores que o antecederam.

Só alguém muito seguro de si, e com muito humor, poderia se autodefinir como um “semianarfa” num país em que o diploma é tão endeusado.

Lula tem outra característica que deveria ser imitada por mais gente, à direita ou à esquerda: procura não deixar divergências políticas envenenarem relações pessoais.

Por isso ele toma cuidado com as palavras. Ao contrário de muitos militantes petistas, jamais chamou Eduardo Campos ou Marina de “traíras”, por exemplo.

Essa atitude conciliadora pode, sob uma certa ótica mais rigorosa, ser vista como uma espinha mais dobrável que a desejável.

Num exemplo de como isso pode ser controverso, Lula não apenas compareceu ao enterro de Roberto Marinho, que tanto fez para prejudicá-lo, como proferiu um elogio a ele à beira do caixão e decretou luto oficial de três dias.

Essa campanha tem sido pautada por agressões pessoais. Marina disse que tem sido tratada como “exterminadora do futuro”, mas parece ter esquecido que afirmou que o PT colocou “ladrões para assaltar a Petrobras”.

A culpa pela alta tensão da disputa pela presidência jamais poderá ser atribuída a Lula.

Ao contrário, com sua irreverência loquaz, ele desanuvia o cenário.

Muito se falado legado social de Lula, e esta é uma verdade incontestável.

Os brasileiros ganhariam também se prestassem atenção em outro legado subestimado: o humor na política.

Paulo Nogueira
No DCM
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Pacientes devem esperar no máximo 2 horas para serem atendidos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu, nesta terça-feira (16), prazos máximos para o atendimento de pacientes em serviços de urgência e emergência, e diretrizes para que os conselhos de medicina locais e o Ministério Público sejam acionados em casos de falta de vagas.

Segundo as resoluções que valem já a partir desta terça, pacientes que chegam a serviços de emergência e urgência públicos e privados devem passar pela classificação de risco imediata. Após isso, devem ser atendidos em no máximo duas horas — sendo que casos graves devem ser atendidos imediatamente.

Os prontos socorros e outras emergências, incluídas as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), podem cuidar de cada paciente por no máximo 24 horas, sendo que depois desse prazo o paciente precisa ter alta, ser transferido ou internado fora do pronto-socorro, listam as regras. Em caso de superlotação e falta de vagas, o diretor técnico do hospital deve notificar o CRM (Conselho Regional de Medicina) e o gestor responsável local, que deverá buscar uma solução. E, se o gestor for omisso ou se recusar a resolver a crise, o diretor técnico do hospital deve comunicar "imediatamente" ao Ministério Público.

De forma geral, as resoluções mesclam novos padrões para o atendimento com regras já estabelecidas, mas pouco usadas nos serviços, criando um grupo de diretrizes que podem facilitar a sanção de diretores técnicos e gestores. Segundo o CFM, as resoluções valem da mesma forma para os serviços públicos e privados, sendo que têm força de lei apenas para os médicos.

Gestores não médicos podem ser sancionados via instâncias como os Ministérios Públicos. "Não temos que a ilusão que todos problemas das UPAs e emergências estarão solucionados. Óbvio que não. Mas [as resoluções] apontam para soluções. Pela primeira vez, darão aos CRMs, sindicatos dos médicos e, também, ao Ministério Público meios para implantarem ações para cobrar dos gestores a solução dos problemas", disse Mauro Ribeiro, relator das resoluções.

Ribeiro afirma que, em caso de falta de vagas nada rede, é preciso que os gestores públicos contratem leitos privados, para não deixar o paciente sem atendimento adequado. Carlos Vital, presidente em exercício do conselho, afirmou que é uma tentativa de "redução de danos" e de se encontrar caminhos em meio ao caos instalado. A entidade diz que o trabalho, iniciado há quatro anos, não tem relação com a campanha eleitoral.

As resoluções também reforçam que a passagem do plantão, nesses serviços, deve ser feita de um médico ao outro necessariamente. E afirma que cada paciente tem direito a ter um médico formalmente responsável por ele — para que não fique sob responsabilidade do serviço como um todo. Também proíbem que pacientes fiquem intubados em ventilador artificial nas UPAs.

No Blog do Mário
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Tracking DataCaf: Dilma 38 vs 29 Bláblá

Aécio 15%



Mantém-se a distancia de 9 pontos entre Dilma e Bláblá que se verificou no Vox.

Já, já Blablá volta ao tamanho que tinha em 2010.

Paulo Henrique Amorim
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Globope quer ressucitar AE5




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PSB soube da transação irregular de avião 2 dias após morte de Campos


Reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (16) aponta que o PSB de Marina Silva soube da transação irregular do avião que levava Eduardo Campos e mais seis pessoas apenas dois dias após o acidente fatal no litoral paulista, em 13 de agosto. O partido havia informado à imprensa, em comunicado oficial, que ficou “alheio” à negociação de compra do equipamento, que atravessa um imbróglio que pode prejudicar a prestação de contas do PSB ao Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o periódico, dois dias depois da queda do jato Cessna, dirigentes pessebistas foram chamados a uma reunião num hotel de São Paulo com Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Apolo Santana Vieira e Luiz Piauhylino. Na ocasião, os empresários explicaram que a legenda teria problemas para declarar as despesas com a aeronave ao TSE. O motivo explicado era a “transação irregular”, segundo afirmou ao jornal um dos participantes da reunião.

Os empresários teriam detalhado a dirigentes do PSB que estavam pagando parcelas do jato comprado da AF Andrade, “mas que a transferência da propriedade não estava concretizada porque a Cessna Finance não tinha aprovado as garantias oferecidas por Lyra e Apolo. Com isso, afirmaram, não seria uma tarefa fácil resolver as pendências relacionadas à regularização da aeronave, e o partido deveria se preparar para enfrentar questionamentos sobre a legalidade do uso do avião e da operação de compra”, informa O Globo.

Duas semanas após o encontro, o PSB sustentou que não tinha conhecimento dos detalhes da compra. O candidato a vice-presidente ao lado de Marina Silva, Beto Albuquerque, chegou a dizer que a sigla não deve satisfações sobre a transação irregular. Segundo ele, quando você pega carona em um táxi, você não pergunta ao motorista se os documentos estão todos em dia.

Ainda de acordo com a reportagem, Eduardo Campos passou a ser cobrado pelo contrato de aluguel ou empréstimo da aeronave quando o uso dela foi intensificado, já durante a campanha oficial. Há relatos de uso do jato em maio, na pré-campaha. “Está tudo bem”, “está tudo sob controle”, “fiquem tranquilos”, respondia sempre que abordado sobre o tema, segundo relato de dirigentes do partido ao O Globo.

Após mais de um mês da tragédia que matou o presidenciável, o PSB ainda não conseguiu resolver a questão. A aeronave não foi declarada na segunda prestação parcial de contas de Eduardo Campos enviada à Justiça Eleitoral no dia 3, nem na do comitê financeiro da campanha presidencial. Marina disse que se tratava de “um empréstimo que seria ressarcido pelo comitê financeiro”. Não ocorreu até agora.

No GGN
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O jornalismo das desimportâncias

Os jornais de terça-feira (16/9) consagram o princípio do novo jornalismo brasileiro: é a crônica dos acontecimentos irrelevantes. Isso quer dizer, rigorosamente, que as notícias selecionadas pelos editores das principais casas de comunicação do país não guardam uma relação direta com o valor que deveriam ter para o público.

Não se pode formular uma ideia do contexto político a partir de declarações colhidas entre as protagonistas do poder político, da mesma forma que não é possível formular uma opinião sobre a circunstância econômica com base nos fatores expostos isoladamente no noticiário sobre economia e negócios.

Fica-se sabendo, por exemplo, pelo Globo, que a apresentadora Patrícia Poeta deixa o Jornal Nacional, substituída pela colega Renata Vasconcellos, e somos apresentados ao resumo da carreira de uma e outra, como se o mensageiro fosse a mensagem. Também somos informados de que a ex-ministra Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, critica o modelo de exploração do pré-sal e se queixa de ser criticada por fazer críticas.

No mesmo episódio, a presidente da República que tenta a reeleição afirma que Marina Silva se faz de vítima mas não pode ignorar que em todos os partidos há sujeira embaixo do tapete — e cria o personagem Pessimildo. Também o ex-governador Aécio Neves, que é considerado carta fora do jogo por seus próprios correligionários do PSDB, tem seu protagonismo garantido, ao afirmar que Marina e Dilma são a mesma coisa.

O “noticiário” se completa com descrições detalhadas de agendas e temas distribuídos pelas assessorias de campanha, bem como um apanhado de “opiniões” de candidatos sobre temas polêmicos. Também está disponível uma lista de frases do dia planejadas por redatores e verbalizadas em eventos, tudo devidamente organizado para ocupar tempo e espaço na mídia.

No Estado de S. Paulo a mudança na bancada do Jornal Nacional também é notícia, assim como na Folha de S. Paulo: os dois diários paulistas publicam a mesma foto, uma selfie do apresentador William Bonner com as duas colegas que se revezam no telejornal. E o leitor fica suspeitando de histórias mal contadas, mas os jornais tratam o assunto como um affaire de celebridades.

Coletânea de nulidades

Vai ver, é apenas isso mesmo: tanto no caso dos apresentadores que fazem diariamente a interpretação daquilo que a Rede Globo considera relevante dizer aos telespectadores, como as declarações que os marqueteiros produzem para seus candidatos, tudo parece mesmo fazer parte de um esforço para entreter a clientela. Que outra razão haveria para destacar frases que não significam nada fora do contexto da propaganda eleitoral, a não ser a rendição do jornalismo ao entretenimento puro e simples?

O leitor e a leitora atentos apanham tudo que lhes é apresentado como o que há de mais significativo nos acontecimentos e manifestações escolhidos pelos editores para rechear as edições do dia, e temos uma coletânea de nulidades. Que proveito haverá de tirar o cidadão que se depara, por exemplo, com notícias sobre artistas que declaram apoio a esta ou àquela candidatura, se todos sabem que eles estavam ali para sair na foto, e tentar uma chance de, mais adiante, ser contemplados com o patrocínio oficial?

A rigor, não há diferença substancial entre esse noticiário na editoria de Política e as descrições da rotina de celebridades, uma vez que tudo se resume a performances planejadas justamente para chamar a atenção da imprensa. Um exemplo: num dia, o candidato Aécio Neves se apresenta numa central de favelas, e arrisca uns passos de dança; no dia seguinte, é a vez da presidente que tenta a reeleição fazer o mesmo programa, dizer as mesmas platitudes e ensaiar os mesmos passos patéticos.

Nenhuma dessas notícias, nenhum desses registros, contribui minimamente para orientar o eleitor na importante escolha que deverá fazer daqui a vinte dias. Nenhuma dessas declarações, nenhuma dessas pantomimas ajuda a clarear o cenário político e esclarecer intenções, projetos de poder ou programas de governo sobre questões fundamentais que angustiam a sociedade.

É como se houvesse um pacto pela banalidade, que esconde o verdadeiro Brasil dos brasileiros. Trata-se apenas do jornalismo das desimportâncias.

Luciano Martins Costa
No OI
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Brasil sai do mapa mundial da fome, aponta FAO

O Brasil reduziu em 75% a pobreza extrema, entendida como número de pessoas com renda inferior a US$ 1 ao dia, entre 2001 e 2012. O dado está no relatório sobre o estado da insegurança alimentícia no mundo, apresentado hoje pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). O País foi citado como caso de sucesso no esforço mundial pela redução da fome. Segundo a entidade, somente 1,7% da população (3,4 milhões de pessoas) permanece em situação de insegurança alimentar. O índice abaixo dos 5% aponta o fim da estrutural no País.

De acordo com o levantamento, o Programa Fome Zero, que colocou a segurança alimentar no centro da agenda política, foi o que possibilitou o país a atingir a redução, incluída entre os Objetivos do Milênio da ONU. O estudo também destaca os programas de erradicação da extrema pobreza, a agricultura familiar e as redes de proteção social como medidas de inclusão social no País.“No Brasil, os esforços que começaram em 2003 tem resultado em processos bem sucedidos e políticas que tem reduzido de forma eficiente a pobreza e a fome”, diz o relatório.

“Nos últimos anos, o tema da segurança alimentar foi posto no centro da agenda política do Brasil. Isso permitiu que o País alcançasse tanto o primeiro objetivo do ODM, como da Cúpula Mundial da Alimentação””, avalia a Representante Regional Adjunta da FAO para a América Latina e Caribe, Eve Crowley.

Segundo ela, os atuais programas de distribuição de renda e erradicação da pobreza estão focados na vinculação de políticas para o fortalecimento da agricultura familiar com a proteção social. “Há ainda muito a ser feito no Brasil, mas as conquistas estão preparando o país para os novos desafios que deverão enfrentar”, afirma a representante.

Eve disse que o Brasil é um dos melhores exemplos do mundo na redução da fome: “Temos obrigação de ajudar países dentro da região. Todos têm direito a uma alimentação saudável. É um imperativo político e moral”. 

A consultora da FAO, Anne Kepple, ressaltou a importância de ter elevado as políticas a uma obrigação do Estado, por meio de lei. Para ela, a diferença do Brasil foi adotar um processo participativo e intersetorial que envolve diversas esferas e se tornou prioridade nacional. De acordo com Anne, entre as políticas que mais contribuíram para a redução está o fortalecimento da alimentação escolar e programas que beneficiam os agricultores familiares, um dos mais atingidos pela falta de garantia de renda.

“Isto prova que podemos ganhar a guerra contra a fome e devemos inspirar os países a seguir adiante, com a ajuda da comunidade internacional se for necessário”, dizem, no relatório, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, o presidente do Fida, Kanayo Nwanze, e a diretora executiva do PMA, Ertharin Cousin. Eles ressaltaram que “substancial e sustentável redução da fome é possível com comprometimento político”.

No Blog do Planalto
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PT de Lula X Itaú de Neca: guerra de adesivos

Uma disputa paralela desta campanha presidencial já começou faz algum tempo em São Paulo e chegou ao Rio nesta segunda-feira: é a guerra dos adesivos para colocar nos carros, um adereço tradicional que este ano andava meio ausente na paisagem.

"Fora Dilma. E leva o PT com você" é um adesivo que enfeita os carrões pretos off-road dos tucanos paulistanos, que já nos acostumamos a ver na região dos Jardins e adjacências. Com Aécio alijado da disputa, servem agora a Marina Silva, em seu embate com o PT de Dilma e Lula.


A resposta dos petistas demorou a aparecer e só foi lançada no ato em defesa da Petrobras promovido no Rio, com a participação do ex-presidente Lula e líderes sindicais.

"Fora Marina. E leva o Itaú junto" dizia o adesivo fartamente distribuído durante a manifestação, que centrou críticas na candidata do PSB, como se ela fosse contra o programa do pré-sal, a principal bandeira do PT.

fora marina PT de Lula X Itaú de Neca: guerra de adesivos

Para um forasteiro que está chegando agora ao Brasil, fica parecendo que a eleição para presidente da República, daqui a 19 dias, está sendo disputada entre o PT de Lula e Dilma versus o PSB de Marina e Neca Setúbal, uma das herdeiras e acionista do maior banco privado do país, coordenadora do programa de governo da candidata.

A cada dia sobe o tom dos dois lados, prenunciando temperatura máxima na reta final da campanha. No final da manhã, sem muita sutileza, o ex-presidente Lula foi direto ao ataque no palanque armado em frente ao prédio da Petrobras, no centro do Rio, após breve caminhada que saiu da Cinelândia, lembrando cenas típicas de campanhas passadas do PT:

"Se tem uma coisa que você não pode terceirizar é o cargo de presidente. Ou você assume ou não assume. Esse negócio de pedir para cada um falar um pedacinho das coisas que estão acontecendo no país não dá certo. Pode acontecer que o programa de governo possa ser feito por 500 mãos, menos as dela".

Afiada nos contra-ataques, Marina não demorou a responder no mesmo diapasão beligerante, durante encontro à tarde, em São Paulo, em reunião com artistas, organizada pelo cineasta Fernando Meirelles:

"Uma estrutura muito poderosa está sendo utilizada para me combater. Por que chegar no interior da Bahia e ouvir `vai acabar com o Mais Médicos, vai acabar com Minha Casa Minha Vida, vai acabar com Bolsa Família´ (...). Isso é um ser humano? Só se fosse o Exterminador do Futuro".

Incomodada com o protagonismo que ganhou nesta campanha presidencial, a banqueira e educadora Neca Setúbal queixa-se há dias, em  bateria de entrevistas exclusivas programadas na grande imprensa familiar, dos ataques que vem sofrendo do PT, por sua onipresente atuação na campanha de Marina Silva.

Na verdade, Neca contribuiu para esta emergência do anonimato: como um verdadeiro papagaio de pirata, ela não saiu do lado da candidata e passou a dar entrevistas sobre as propostas econômicas do PSB, desde que Marina foi ao Recife para participar das cerimonias fúnebres de Eduardo Campos e, em seguida, assumir o lugar dele na campanha.

Nada acontece de graça numa campanha eleitoral. A defesa que Neca fez da independência do Banco Central, em entrevista à "Folha", deu o mote para a campanha do PT disparar as baterias contra Marina na propaganda eleitoral, e agora as duas se queixam que estão sendo injustamente agredidas. O adesivo distribuído no Rio é apenas um detalhe.

Percebendo o estrago causado à candidatura pelo programa de governo coordenado por Neca e Maurício Rands, já registrado pelas pesquisas, que obrigou a candidata a fazer várias erratas e recuos, o coordenador geral da campanha, Walter Feldman, um tucano histórico dissidente, figura menor da política paulistana que ganhou ares nacionais de grande formulador político, já encomendou aos dois uma nova versão para o segundo turno.

"Agora, a orientação da Neca e do Maurício é para nós começarmos a aprofundar com os segmentos, já preparando um plus no programa de governo 2.0, após esta primeira etapa", anunciou Feldmann, em mais um dos seus encontros com empresários.

Que segmentos são esses, ele não explicou, nem antecipou o que muda neste programa 2.0, mas é certo que os coordenadores querem explicar melhor o que queriam dizer no 1.0, em especial no capítulo sobre o petróleo, tratado só de passagem na versão original.

O vale-tudo desencadeado entre as duas candidatas, que foram colegas de ministério nos dois mandatos de Lula, já atingiu, como não poderia deixar de ser, o humor da velha mídia, cada vez mais engajada no "plano B", deixando Aécio à beira da estrada depois que sua candidatura se mostrou inviável.

Até colunistas autoproclamados "independentes, apartidários e isentos" já estão rasgando a fantasia, ao entrar de sola na campanha pró-Marina, depois de passar os últimos meses tentando desconstruir a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, que lidera todas as últimas pesquisas sobre o primeiro turno.

Estes cavalos de pau me fizeram lembrar de um episódio hilário no intervalo do primeiro para o segundo turno, na disputa entre Collor e Lula, em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar.

Ao pegar um táxi em Congonhas, voltando de uma viagem a Brasília, perguntei ao motorista em quem ele iria votar. "Olha, moço (na época, eu era mais jovem...), no primeiro turno, votei no Lula, mas agora acho que vou votar no Collor". Como assim?, perguntei-lhe, sem entender.

"É que eu já votei no Lula, mas até agora não mudou nada na minha vida. Então, vou votar no outro pra ver se melhora".

Deu no que deu.

Ricardo Kotscho
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Já falta água em SP. A mídia esconde!

Nesta segunda-feira (15), a Sabesp divulgou mais um balanço alarmante sobre a situação do Sistema Canteira — que abastece mais de 8,8 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo. Ele atingiu seu nível mais baixo na história: 9,2% de capacidade, incluindo o chamado “volume morto”. O resultado é que vários bairros da capital e das cidades próximas já não têm água na torneira. Até os donos de lava-jatos relatam que serão obrigados a fechar seus estabelecimentos. O racionamento de água — que a mídia tucana insiste em chamar de rodízio — atinge inclusive as áreas nobres da cidade. Restaurantes do bairro boêmio da Vila Madalena não têm sequer como atender os seus clientes.

Apesar deste verdadeiro caos, os jornalões e as emissoras de tevê e rádio evitam destacar o assunto. Eles não querem criar um clima de pânico na sociedade. Os barões da mídia sabem que a atual crise pode afetar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Além das afinidades políticas com o tucanato, eles dependem dos milhões em verbas publicitárias e compra de assinaturas que o Palácio dos Bandeirantes despeja mensalmente em seus cofres. Os “calunistas”, que recebem régios salários e mamam nas tetas do Estado, nem sequer mencionam a tragédia — no pior tipo de jornalismo chapa-branca, desonesto e manipulador.

Neste domingo, a Folha tucana teve o desplante de cravar a manchete garrafal: “Desperdício de água de SP é quatro vezes volume poupado”. Como a maioria das pessoas só lê a capa do jornal nas bancas — o diário da famiglia Frias está em decadência, como menos de 300 mil exemplares de tiragem —, a mensagem repassada é a de que o povo é culpado pela crise de abastecimento. Já na chamada de capa mais sacanagem: “Maior cidade do país exemplifica o despreparo do Brasil para a crise hídrica”. Cidade! Brasil! Ambos administrados pelo PT, que não têm qualquer culpa no cartório. Nada sobre o PSDB que hegemoniza o Estado há quase duas décadas e é o maior responsável pelo atual desastre.

A edição de domingo da Folha foi uma bofetada na cara dos paulistas que ainda votam nos tucanos em São Paulo. Acorda otário! Ela deve ter, inclusive, gerado críticas de alguns leitores menos tapados. Tanto que nesta segunda-feira o jornal voltou a tratar do tema em editorial. Mas a famiglia Frias não recua, não faz autocrítica — nem sequer do seu apoio à ditadura militar, já descrita pelo diário como “ditabranda”. Sem citar novamente o PSDB, a Folha preferiu culpar a “falta de planejamento” do governo federal pela crise no setor. “O Planalto mal consegue tirar do chão as hidrelétricas necessárias para evitar novos apagões”.

Nada, nadinha, sobre o racionamento real, que já afeta milhões de pessoas, em São Paulo. Haja cinismo deste diário “chapa branca”, que tem o rabo preso com os tucanos — ou será o contrário? Na atual situação no mundo e no Brasil, não são os partidos da direita que determinam a linha editorial da velha imprensa. Pelo contrário. É a mídia monopolizada e manipuladora que orienta as forças partidárias da direita, que define suas agendas e pautas, que interfere nos rumos de um país. Sem esta força hegemônica, muitas organizações conservadoras inclusive já teriam falido. Como já teorizou o intelectual italiano Antonio Gramsci, a imprensa se transformou no verdadeiro partido da direita!

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Declaração de voto: Dono do Estado de Minas sobe no palanque tucano


Uma presença inusitada chamou atenção no último comício do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do candidato Pimenta da Veiga, que concorre ao governo mineiro, em Belo Horizonte. Estava lá, no alto do palanque, ninguém menos que o empresário Alvaro Teixeira da Costa, principal acionista dos Diários Associados, grupo de mídia que controla os jornais Estado de Minas e Correio Braziliense.

Os jornais não declararam apoio formal às candidaturas do PSDB aos governos federal e mineiro, mas tudo indica que é essa a linha editorial dos Diários Associados. Na semana passada, o grupo não divulgou uma pesquisa EM/DATA para o Palácio da Liberdade, que havia sido registrada pelo próprio Estado de Minas. Não se sabe o resultado, mas outros institutos têm apontado vantagem do petista Fernando Pimentel superior a dez pontos.

Em Minas, onde Aécio pretendia abrir uma vantagem de 4 milhões de votos na disputa presidencial, as pesquisas também vêm apontando a liderança da presidente Dilma Rousseff. E o tucano aparece embolado com Marina Silva. Nos últimos dias, Aécio reforçou sua presença no estado e trata como questão de honra a vitória de Pimenta da Veiga. O PT também trabalha para decidir a disputa no primeiro turno.
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A pergunta do ano continua sem resposta. Outras, também


“Por que a mídia não assume?” A questão levantada pela ouvidora/ombudsman da Folha de S.Paulo Vera Magalhães Martins (em 31/8) continua no ar, intocada, irrespondida. Tudo indica que assim permanecerá.

Faltam apenas três domingos até conhecermos os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais e nenhum jornal, jornalzinho ou jornalão — inclusive aquele que a contratou para funcionar como pedrinha no seu sapato — tentou atender ou satisfazer a cobrança, seja na forma de reflexão ou avançando opções.

A convenção adotada pelos grandes jornais americanos e europeus prevê que a solene “declaração de voto”, registrada na página de opinião, seja publicada com alguma antecedência de modo a dar tempo aos leitores para verificar se não resultou em manipulação do noticiário em detrimento dos demais candidatos/candidatas.

Esgota-se a antecedência, parece que não será desta vez que a nossa imprensa conseguirá oferecer algum avanço em matéria de transparência e responsabilidade. Constata-se justamente o contrário: as agressões e ofensas que se imaginava confinadas no âmbito da tuitelândia e dos maus bofes das redes sociais migraram para o bojo da “grande imprensa” — que tenta se legitimar buscando, debalde, se assemelhar às ágoras gregas, porém cada vez mais dominada por botinadas, valentices, calúnias e xingamentos.

Eflúvios da rinha

O pool armado para repercutir e vociferar a suposta delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, veiculada pela ilibada Veja, responde indiretamente à pergunta formulada pela ouvidora/ombudsman da Folha. Nossa imprensa tem enorme dificuldade em ajustar-se a regras, em buscar equilíbrios. Jamais exigida como fiel da balança, mais seduzida por cruzadas e sarrafadas do que por ponderações.

Os erros cometidos pela rede de veículos repetidores no suposto vazamento da delação de PRC exibe a incapacidade de nossa imprensa em refrear o seu irrefreável apetite para badalar escândalos e aumentar o barulho. Como já foi dito aqui, por falta de treino e forte vocação genética, a noção vigente de imparcialidade não passa de uma alternância de parcialidades.

Uma marretada no prego e outra na ferradura é o nosso ideal de distanciamento jornalístico, hoje facilitado pela troika que comanda o pelotão de candidatos, dois deles na oposição. Nestas eleições a veiculação de ofensas atingiu níveis jamais alcançados — nisso concordam até os colunistas mais exaltados das diferentes facções. As infrações eleitorais aproximam-se de patamares assustadores. E ainda faltam as três semanas finais de vale-tudo.

Assoberbada pelo volume de infrações, a Justiça Eleitoral parece incapaz de conter o ânimo dos players e impor um padrão mínimo de contenção e decência. Agarrada à questão da invulnerabilidade do sistema do voto eletrônico — sobre o qual não paira qualquer suspeita — esquece que o clima de exaltação pode ser mais letal para a democracia do que uma eventual manipulação de resultados. Manifestações de rua de teor claramente eleitoral, porém disfarçadas com palavras de ordem ideológicas, colocam em perigo a imperiosa tranquilidade que deve anteceder e suceder os pleitos.

À imprensa não deveriam escapar esses sinais. Nem a frustração do leitorado/eleitorado com o constrangido silêncio diante da provocação veiculada pela ombudsman da Folha. Até o momento nossa mídia parece tomada pelo animus diffamandi, o gozo da difamação, e mesmerizada pelo frenesi que vem da rinha. Dominada pela trepidação, esquece que uma de suas funções essenciais é evitá-la.

Alberto Dines
No OI
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PSB assume: quer abrir o pré-sal a estrangeiros


O PSB da candidata Marina Silva assumiu: tem a intenção de priorizar o interesse das multinacionais na exploração do pré-sal. É o que prevê, pelo menos, a revisão do regime de partilha, aprovado durante o governo Lula. Nesta segunda-feira 15, durante encontro com empresários em São Paulo, o coordenador da campanha da presidenciável, Walter Feldman, chamou a política atual de "doutrinária" e errada.

No atual modelo, vigente para a exploração de áreas cuja expectativa é de grandes quantidades de petróleo, o Estado fica com a maior parte dos lucros obtidos e a participação da Petrobras é obrigatória na exploração de todos os campos. Feldman argumenta que a situação financeira da estatal não permite que isso seja praticado. "A própria Petrobras se diz com dificuldades de responder a essa demanda", disse ele.

No modelo de concessão, vigente durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e apropriado para áreas de maior risco exploratório e com expectativa menor em relação a quantidades, predominam os interesses das grandes multinacionais, como Shell, BP (British Petroleum) e Chevron, que passariam a explorar e obter a maior parte dos lucros da riqueza extraída de mares brasileiros.

Segundo Walter Feldman, executivos do setor criticaram a emissários da candidata, durante encontro na semana passada, a política de conteúdo local – que prevê que 60% dos componentes sejam feitos no Brasil. Rever o regime de partilha na exploração de petróleo também é uma proposta do candidato do PSDB, Aécio Neves, duramente criticada pelo ex-presidente da ANP Haroldo Lima, em entrevista ao 247 concedida em abril desse ano (leia aqui).
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A banqueira, a professora e o sindicalista


Em campanha por Marina na imprensa internacional, Neca Setubal expressa visão preconceituosa sobre Lula

Olha só o que disse Neca Setubal em entrevista à agência Bloomberg.

— Como Lula, Marina é uma pessoa do povo mas seguiu por outro caminho. Escolheu a educação, sempre valorizou a educação, conseguiu formar-se professora, enquanto Lula escolheu ser um sindicalista. (*)

Pois é, meus amigos. Enquanto Lula “escolheu” ser sindicalista, Marina “sempre valorizou a educação.” Lembra o tempo em que diziam que Lula não tinha diploma?

Não vamos fazer o culto a personalidade de ninguém mas vamos aos fatos. Apoiado numa imensa mobilização popular, Lula construiu o PT, onde Marina ingressou cinco anos depois. Também construiu a CUT, da qual ela foi vice presidente no Acre — mais tarde. Em 1994, Marina se elegeu senadora, na chapa do PT, negociada por Lula.

Curou-se do envenenamento por mercúrio no hospital público de Santos, cidade governada pela prefeita Telma de Souza, do partido de Lula. Davi Capistrano Filho, o secretário de Saúde que garantiu o tratamento de Marina, embora o regimento vetasse atendimento a não-residentes na cidade, explicou sua atitude com uma frase que os amigos nunca esqueceram, pois remete a sua formação política e ao PT daquela época: “prefiro defender uma vida humana a respeitar a legalidade burguesa.”

Em 2003, Marina tornou-se ministra, a convite de Lula. Foi reconduzida ao cargo em 2007.

Como disse Neca, Lula “escolheu ser sindicalista.” Seria possível dizer que preferiu ficar junto do povo. Mas ela poderia achar que essa frase é meio forte, retórica demais.

Ninguém é obrigado a gostar de Lula nem de “sindicalistas.”

Mas talvez fosse possível dizer que foi no mundo daquelas greves que comoveram o país e tudo aquilo que veio depois que Lula encontrou a História. É isso que sabem os homens e mulheres que tentaram entender a experiência infinita desse mundo.

Será o preconceito que impede de ver isso?

Será egoísmo?

Vaidade?

É tão difícil assim enxergar a vida real do alto de tantos milhões em dividendos por ano?

Estamos falando daquela visão que valoriza o trabalho intelectual em prejuízo do chamado trabalho braçal e seus derivados. O que é lutar por melhoria na distribuição de renda? Pela organização dos trabalhadores?

Um “sindicalista.” Pensei, honestamente, que a moda tinha passado. Achava que ninguém mais iria cobrar de Lula sua falta de diploma. Ele era combatido assim em 1980, 1990. Hoje os bons cérebros do país admitem que aprenderam muito com ele — muito mais do que ensinaram.

Neca contou à Bloomberg que ela e Marina gostam de discutir ideias de autores e autoras que a maioria dos brasileiros nunca leu. Uma delas é Hanna Arendt, aquela que nos ensinou que a dissolução das classes sociais e dos instrumentos de classe — como partidos, sindicatos — cumpriu um papel essencial na formação de regimes totalitários.

Elas também conversam sobre “democracia direta, pluralismo, democracia direta nos escritos do sociólogo polonês Zigmunt Bauman.”

Formulador do conceito de “vida líquida”, Bauman é o pensador crítico dos laços frágeis da vida social de nosso tempo, das fidelidades que não duram, das verdades que não têm consistência.

Pensando no Brasil, poderia estar falando de quem?

(*) No original: “Like Lula, Marina is a person of the people, but she went on a different path,” said Setubal, whose family nickname “Neca” stems from the Portuguese word for doll. “She chose education, always valued education, obtained a master’s degree, while Lula chose to be an unionist.”

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Buracos na delação

O segredo de Justiça, dizem, é também
uma proteção aos citados pelo delator,
mas não é garantido

A expectativa de que Paulo Roberto Costa repita amanhã (17) na CPI mista o que contou no inquérito judicial, em troca da liberdade para gozar o seu dinheiro sujo, é quase nula e depende de algum incidente extraordinário. Na sua proveitosa condição de autor e delator de atos de corrupção na Petrobras, Paulo Roberto Costa estará diante de alguns dos acusados em seus depoimentos ou, pelos menos, de aliados desses seus comparsas, reais ou forjados. E CPI não dá prêmio.

Além disso, Paulo Roberto recebeu do juiz Sérgio Moro, que conduz o processo, uma autorização que conflita com os poderes das CPIs de retribuir com sanções a recusa ou falsidade de esclarecimentos, consideradas obstrução ao objetivo parlamentar declarado. Não importa o que lhe seja indagado, Paulo Roberto está autorizado pelo juiz a só dizer o que queira. Vale o Congresso ou o Judiciário?

A dispensa de repetir o dito no processo judicial consolida uma transgressão dos direitos dados a todos pela Constituição. O acordo e as revelações para a delação premiada correm sob segredo de Justiça. Mas, além de citados pelo delator, muitos têm seus nomes lançados para a opinião pública como personagens delatadas, sem sequer saberem a que se refere sua inclusão. Ficam, assim, "acusados" por vaga associação e impossibilitados de exercer, caso queiram, o direito de defender-se, que é direito de todos.

O segredo de Justiça, dizem, é também uma proteção aos citados pelo delator. Mas não é garantido. Os 12 ou mais nomes já publicados, como integrantes da corrupção delatada por Paulo Roberto Costa, não chegaram à imprensa por uma violação excepcional do segredo de Justiça. Esse segredo é uma das muitas peneiras judiciais.

Por isso é espantoso o desinteresse em corrigir a brecha da delação premiada que, com o benefício ao acusado de crime, submete a malefícios morais, sem defesa, muitos dos citados nos vazamentos do segredo de Justiça. Em tese, a defesa e, no caso de inocência, a limpeza do nome virão quando concluídas as investigações provenientes da delação. Pois sim.

Gente nossa

A prisão do prestigiado coronel da PM-RJ Alexandre Fontenelle, identificado como chefe de quadrilha de policiais, mostra mais uma vez: o principal problema da polícia é a polícia. Não há Estado que escape de tal regra brasileira. E não há como preveni-la, o possível é apenas combatê-la.

O dispositivo montado e mantido com esse fim por José Mariano Beltrame, secretário de Segurança-RJ, foi e é tão trabalhoso e complexo quanto o planejamento e a ação de combate ao crime da bandidagem convencional.

As UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora já em 32 favelas, exemplificam bem o problema humano. Desde o início, Beltrame decidiu guarnecê-las com novos admitidos à PM, selecionados com o máximo possível de rigor, e submetidos a treinamento especial para a tarefa também nova. Lembra-se do caso Amarildo, cometido por PMs de uma UPP, nas próprias dependências da UPP da Rocinha? A gravidade dos casos é variável, mas a incidência, não. As prisões e expulsões não cessam.

E, no entanto, são mesmo necessários mais e mais policiais. Com o material humano que a sociedade brasileira ofereça. 

Janio de Freitas
No fAlha
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Lula inspirado e Dilma didática: artistas com Dilma



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Boff e Chauí discursam em evento de apoio de intelectuais a Dilma


Dentre os intelectuais que discursaram, destacaram-se as palavras da filósofa Marilena Chauí: "Estas eleições estão polarizadas de uma maneira que convoca a nós, intelectuais, artistas, cientistas, estudantes, para uma tarefa profunda e intensa. A polarização se dá entre um caminho com um rumo seguro, certeiro, do seu começo do seu percurso até agora, e o risco de uma aventura regressiva. Não é apenas uma regreessão, é a aventura que ela significa. Do outro lado, temos uma aventura no seguinte sentido: não posso compreender como alguém que diz que não gosta de política possa aspirar ao posto politico mais alto da república."

Num lindo discurso, Leonardo Boff lembrou que com a ascensão do PT não houve apenas uma alternância de poder. Houve alternância de classe social! E convidou os presentes a uma reflexão:

"No entardecer da vida, cada um de nos vai ser confrontado com algumas questões: "de que lado você está? De que lado você quis estar? A quem você sempre defendeu? Você defendeu as vítimas de um processo econômico feroz, que trata os trabalhadores como móvel descartável, ou aqueles que vivem sacrificados? Com quem você escolheu caminhar na vida? Com os condenados na terra ou com os patrões, que fizeram os condenados de escravos? Tudo isso [políticas sociais] deu um rosto novo pra esse país e fez com que ele avançasse".


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#RedeCulturaComDilma: artistas expressam seu apoio à nossa presidenta!

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