14 de set de 2014

O governador Geraldo Alckmin merece uma chance


Caro eleitor paulista, sei que você tem uma alma generosa e não se incomoda nem um pouco com os possíveis equívocos do governador Geraldo Alckmin. Afinal, errar é humano tanto na terra como no céu. E Alckmin, apesar de homem religioso, tem lá os seus problemas com São Pedro, que não está sendo nada legal com ele.

Vai faltar água em São Paulo, caro paulista, e não apenas de vez em quando e em algumas horas. Hoje, alguns especialistas já afirmam que teremos que impor 5 litros diários por habitante para o consumo até que seja solucionada a crise. Isso é quase uma tragédia. Viveremos numa situação próxima a de uma guerra.

Esse racionamento surreal não impactará apenas no nosso dia-a-dia individual, como no ato de escovar os dentes, lavar as mãos e dar a descarga, mas também na economia. Por exemplo, quem trabalha com piscicultura em São Paulo já está quebrando. Porque não há água para os tanques com peixes. Fábricas que usam água na produção já estão dando férias aos seus trabalhadores, quando não demitindo-os. Já há problemas na produção de alimentos, na pecuária, em hotéis, bares, restaurantes, escolas e creches. Ou seja,  todos os segmentos sofrerão com a falta de água.

São Paulo corre o risco de entrar em colapso. E provavelmente se o governador Geraldo Alckmin tivesse mais seriedade no tratamento dessa situação e não tivesse apenas fazendo um cálculo eleitoral, já teria anunciado um racionamento mais drástico.

Ao que tudo indica essa situação vai se arrastar assim até o dia 5 de outubro, mas depois será inevitável impor um plano de controle do consumo. E aí o estelionato eleitoral ficará claro. Como em 1998, quando Fernando Henrique segurou o câmbio a um elevado custo para o país que abriu 1999 na posse do seu segundo mandato já indo à breca.

O Brasil quebrou para reeleger FHC. Poucos se recordam dessa história. Mas já no dia 13 de Janeiro de 1999, o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que hoje vive a dar conselhos para melhorar a economia do país, pediu demissão. Assumiu o BC um certo Francisco Lopes, que anunciou a criação de uma nova modalidade de controle cambial, denominada “banda diagonal endógena”. Isso mesmo, o tucanês também chama racionamento de água de controle de consumo e culpa São Pedro pela sua falta de competência de gerir a Sabesp.  Como o BC estava com as reservas cambiais baixas, ele não conseguiu manter o dólar no limite da banda, que era R$ 1,32, e foi obrigado a permitir a flutuação do câmbio. Com isto, o Real se deteriora e chega a R$2,16 em marco de 1999.

Mas, antes disso, Francisco Lopes ficou apenas 21 dias à frente do BC e foi substituído. Vejam só como os tucanos eram responsáveis na condução da economia. Lopes foi indiciado pela PF por acusação de peculato e em 2005 foi condenado a dez anos de prisão em regime fechado, mas a sentença foi reduzida para quatro anos em 2008.

Ele teria favorecido com informações privilegiadas naquela desvalorização entre outros, o ex-banqueiro do Marka e FonteCidam, Salvatore Cacciola. Além de quebrar o país, o gran-tucanato deu um golpe para se favorecer na quebra.

E depois da queda de Lopes, o então Ministro Malan o substituiu por Armínio Fraga, que Aécio Neves já convocou para ser seu ministro da economia. O craque Arminio Fraga deixou com que o dólar chegasse a bater, em outubro de 2002, em R$ 4,82. Aliás, com um objetivo também eleitoral. De mostrar que o mercado estaria assustado e que o país poderia sofrer ainda mais se elegesse Lula. Na média, Fraga nos entregou um dólar a R$ 4,00. Além disso, nos deixou com um salário mínimo pífio, um desemprego imenso e uma dívida monstruosa.

A crise da água em São Paulo, amigos deste estado, não será diferente. E ao que tudo indica não está nada fácil segurá-la até o dia 5 de outubro. Quanto mais até o dia 26. Por isso, digo, Alckmin merece uma chance. Ele precisa disputar o segundo turno para, no mínimo,  ter de explicar essa catástrofe que se anuncia.

Se isso não acontecer, o estelionato eleitoral será perfeito. Mas, anotem, antes de novembro deste ano, em São Paulo, vamos ser informados da realidade de fato. E ela será terrível.

Como em 1999, há uma operação em curso. Um golpe que conta com o silêncio midiático. Um golpe que pode quebrar, sem exageros, São Paulo.

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Intelectuais de diversos países da Europa enviam carta pedindo desculpas a Vladimir Putin


Caro Presidente Putin e povo russo,

Por favor, aceitem nossas desculpas pelo comportamento de nossos governos e meios de comunicação. As nações ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, parecem determinadas a iniciar uma guerra contra a Rússia. Qualquer pessoa razoável só pode reconhecer as terríveis consequências de uma tal guerra, e faria todo o possível para evitá-la. Na verdade, parece que isto é exatamente o que o senhor, Presidente Putin, está fazendo. Apesar de um fluxo constante de mentiras e provocações, o senhor conseguiu impedir que a Rússia seja arrastada para uma guerra nuclear.1, 2

Os acontecimentos em torno da guerra na Ucrânia são distorcidos, de modo a que o senhor seja apresentado como um agressor, quando os fatos mostram claramente o contrário. Diariamente, as gangues neonazistas cometem atrocidades contra os cidadãos da Nova Rússia e recebem o apoio político e financeiro dos governos ocidentais. O exército ucraniano tem atacado postos de controle e cidades russos e bombardeado regularmente os refugiados tentando fugir do país. A Rússia foi responsabilizada pela derrubada do voo da Malaysia Airlines MH17, embora a evidência sugira que o voo foi abatido pelo exército ucraniano. O senhor oferece ajuda humanitária ao povo de Lugansk, e, em contrapartida, é acusado de contrabandear armas para a Ucrânia.3

Por que é o senhor alvo dessas mentiras e provocações? Os criminosos patológicos do Ocidente estão pressionando para que haja uma guerra com a Rússia, porque eles precisam de um inimigo externo. Enquanto as pessoas estão focadas na “agressão russa”, elas não estão cientes dos verdadeiros culpáveis pelo colapso da economia americana e seu sistema social. O último grande presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, descreveu o nosso inimigo comum em 1961:

Em todo o mundo estamos diante de uma conspiração monolítica e cruel que se baseia em meios encobertos para expandir sua esfera de influência, com base em infiltração em vez de invasão, em subversão em vez de eleições, em intimidação em vez de liberdade de escolha, com guerrilheiros na noite em vez de exércitos no dia.

É um sistema que arrecadou forçosamente vastos recursos, humanos e materiais, para construir uma máquina estreitamente entrelaçada e altamente eficiente que combina operações militares, diplomáticas, de inteligência, económicas, científicas e políticas. Suas preparações são escondidas, não publicadas. Seus erros são enterrados, e não são expostos nos jornais. Seus dissidentes são silenciados e não elogiados. Nenhuma despesa é questionada, nenhum rumor é publicado, e nenhum segredo é revelado.4

Desde então, o Governo dos Estados Unidos e outras nações ocidentais têm sido infiltradas por esta “conspiração cruel”. Embora não seja necessariamente um grupo unificado, acreditamos que seus líderes pensam e agem sem o peso de uma consciência humana normal. É por isso que eles estão dispostos a sacrificar a vida de milhões ou bilhões de pessoas. Eles fornecem armas para Israel que são utilizadas para o abate em massa de milhares de palestinos. A polícia é militarizada em lugares como a cidade de Ferguson, nos Estados Unidos, para proteger e fortalecer seu poder sobre as pessoas. Eles mentem para começar guerras que aniquilam a milhões de pessoas para aumentar seu poder político. Eles são desprezíveis.5, 6

Como JFK, o senhor foi militar, então é obrigado por um senso de dever: proteger e servir ao povo da Rússia. Parece que, como ele, o senhor reconheceu a loucura da guerra nuclear e defende a paz.7 Recusa-se a endossar o império americano e está trabalhando para minar o seu poder sem se envolver em um conflito militar direto. Em vez disso, a Rússia desenvolveu estreitas relações com muitos países através de organizações como os BRICS, perdoou dívidas passadas e já trabalhou com os seus parceiros para alcançar os objetivos que servem aos interesses do povo. A ideia de alianças internacionais tem sido descrita como uma abordagem multipolar, e esta contrasta fortemente com as políticas unipolares e imperialistas dos EUA, onde os recursos de todos os países são controlados para beneficiar a poucos poderosos, à custa de Nós, o Povo.

Rejeitamos a ganância, o ódio e a sede de poder que manifestam os nossos “líderes”. Estamos indignados e horrorizados com o assassinato de milhões de pessoas inocentes em nome da liberdade e autodefesa. Queremos paz e justiça para todas as pessoas. Queremos uma paz real e duradoura, do tipo que JFK falou uma vez:

Que tipo de paz nós buscamos? Não é uma Pax Americana imposta ao mundo pelas armas de guerra americanas. Nem a paz da sepultura ou a segurança do escravo. Estou a falar de uma paz genuína, o tipo de paz que faz com que a vida na terra valha a pena viver, que permite aos homens e nações crescer e ter esperança, e construir uma vida melhor para seus filhos, não só paz para os americanos, mas paz para todos os homens e mulheres, não só a paz em nosso tempo, mas paz para todo o sempre.8

A verdadeira paz e justiça são impossíveis enquanto a “conspiração cruel” governe os Estados Unidos e, de forma acobertada, outras nações. Oramos para que através de nossos esforços mútuos, possamos derrotar os criminosos sedentos de poder e sem escrúpulos que procuram nos escravizar a todos. Oramos para que, em vez disso, possamos promover uma paz genuína que faça com que a vida na Terra valha a pena viver.

Com os melhores cumprimentos,

Olivier Bliot – France
Anna Klimova – Czech Republic
Peter Nebes – Austria
Alexandre Brajdic – France
Steffen Möbius – Germany
Manny Fireblade – Czech Republic
Girolamo Belluco – Italy
Nicolas Loung – France
Michael Fischbein – Germany
Aire Stern – Estonia
Sven Böhm – Germany
Bogdan Dragomir – Romania
Jean Marc Chiocci – France
Axel Dr. med. Bolland – Germany
Ljudmila Suchanova – Czech Republic
Klaus Melzer – Germany
Melinda Hahn – Germany
Stefan Diez – Germany
Petr Herout – Czech Republic
Uli Engel – Germany
José Carmona – Venezuela
Maitre Jacques – France
Jindich Suchan – Czech Republic

No Desacato
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Por que Marina não pode dizer a verdade?

O primeiro alerta partiu do deputado federal Jean Wyllys, do PSOL, em carta aberta dirigida à Marina Silva no dia 30 de agosto: “Bastaram quatro tuites do pastor Malafaia para que, em apenas 24 horas, a candidata se esquecesse dos compromissos de ontem anunciados em um ato público transmitido por televisão e desmentisse seu próprio programa de governo, impresso em cores e divulgado pelas redes. É com essa autoridade de quem agiu de boa fé, que agora digo: Marina, você não merece a confiança do povo brasileiro. Você mentiu a todos nós e brincou com a esperança de milhões de pessoas”. A explicação dada pela campanha de Marina foi totalmente inconvincente: teria sido um erro de edição, de quem formatou o programa!

Agora, vem o juízo do respeitado colunista Janio de Freitas, documentando inverdades ditas várias vezes por Marina sobre três questões importantes: o pré-sal, os transgênicos e a relação entre suas opiniões políticas e religiosas. “Há uma lenda de que sou contra os transgênicos. Mas isto não é verdade”, disse Marina em entrevista a William Bonner e Patrícia Poeta. Jânio de Freitas registra que apenas uma pesquisa entre os anos 1998 e 2002 revelou que Marina não só fez seis discursos contra os transgênicos como apresentou um projeto de lei proibindo-os inicialmente por cinco anos. Argumentava com base “em cinco referências bíblicas”, “tendo em vista o lado espiritual”.

Da mesma forma, Janio documentou várias declarações públicas recentíssimas da candidata contra o pré-sal. E, ao final de seu breve juízo, afirmava que Marina parece confirmar a fórmula de que se “deveria esquecer tudo o que antes havia dito”.

Agora, no dia 11 de setembro, vem a repórter Letícia Fernandes, de O Globo, documentar que Marina mentiu na sabatina feita pelo jornal. Marina afirmou que havia dado, quando era senadora, um parecer contrário ao projeto do deputado Filipe Pereira (PSC-RJ) que exigia “a obrigatoriedade da manutenção de exemplares da Bíblia Sagrada nos acervos das bibliotecas públicas“. “Me deram um relatório de um projeto que obrigava a colocar bíblias em todas as bibliotecas. Eu dei parecer contrário”, afirmou a O Globo. A pesquisa da repórter comprovou que Marina não deu o parecer contrário.

Não é razoável também pedir a alguém que acredite, como Marina repetiu várias vezes, que a sua relação com uma das principais herdeiras do Banco Itau, que coordenou o seu programa de governo e que a teria convencido da necessidade de defender a autonomia do Banco Central, seja por afinidades eletivas apenas como educadoras. Essa relação desinteressada tornou-se completamente inverossímil depois que se revelou que a amiga bancou 83 % das verbas, um milhão de reais, em 2013 do Instituto que Marina dirige e que lhe garante a sobrevivência.

Aliás, Marina não parece ter dito a verdade quando respondeu aos repórteres que não podia revelar os clientes nem quanto lhe pagaram por proferir palestras nos últimos anos porque estes clientes lhe exigiam cláusulas de confidencialidade. Uma pesquisa feita pelo jornal O Estado de São Paulo revelou quem eram estes clientes: grandes bancos, empresas e seguradoras como o Santander, o Banco Crédit Suisse, a multinacional Unilever, a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização, faculdades neoliberais. E, ao contrário do que Marina afirmou, confidenciou ao repórter um banqueiro: quem pedia cláusula de confidencialidade era a própria Marina!

O antigo tesoureiro da campanha do PSB, Márcio França, candidato a vice-governador na chapa de Alckmin, não parece ser também um representante da “nova política”. Ele certamente não disse a verdade quando declarou à imprensa que os documentos do avião em que viajava Eduardo Campos e seus companheiros não podiam ser apresentados porque estavam dentro dele e teriam sido provavelmente destruídos na queda. Como se documentou fartamente depois, na verdade, o avião havia sido comprado com notas frias e laranjas por empresas fraudulentas.

E muito menos o novo tesoureiro da campanha de Marina, agora diretamente indicado por ela, Álvaro de Souza, parece indicar novos rumos na política. Ele é ex-presidente do... City Bank no Brasil! Haja “nova política”!

Marina parece querer ocultar a verdade de seus eleitores quando declarou que não subirá aos palanques nem de Alckmin em São Paulo nem de Lindhenberg no Rio. É uma forma de não querer misturar sua imagem à “velha política” e mostrar eqüidistância em relação ao PT e ao PSDB. Mas ela combinou, então, com o deputado Beto Albuquerque, seu vice, para ir ao primeiro programa de TV Alckmin no horário eleitoral gratuito manifestar o seu apoio ao governador do PSDB? Ou ele agiu contra a sua opinião no principal colégio eleitoral do país? Aliás, Marina sabe, já que foi inclusive noticiado na imprensa, que este deputado federal pelo PSB do Rio Grande do Sul teve a sua candidatura financiada pela empresa Monsanto, principal interessada na aprovação dos transgênicos, e até por fabricantes de armas! É ele, então, um representante da “nova política”?

Marina não diz a verdade nem quando acusa o PT, partido no qual se formou e militou durante 27 anos: Paulo Roberto teria sido indicado pelo PT “para assaltar os cofres da Petrobrás’. Ora, este indivíduo ocupou cargo de direção na Petrobrás desde 1995, durante o primeiro governo FHC, e foi demitido no dia 19 de abril de 2012 por Graça Foster, indicado por Dilma para a presidência da Petrobrás.

O que não pode mais ser escondido

Ricardo Noblat, certamente um dos jornalistas com informações mais confiáveis sobre o que se passa na cúpula do PSDB, noticiou que a firme opinião de Fernando Henrique Cardoso era de que Aécio não deveria criticar Marina, deveria, ao contrário, renunciar à sua candidatura à presidência e apoiar já Marina no primeiro turno. Aécio resistiria a esta decisão por ter esperanças de ainda poder salvar de uma derrota arrasadora o candidato do PSDB ao governo Ora, como se documentou fartamente em artigo publicado em Carta Maior, “A “nova’ Marina é criatura de FHC”, o paradigma de programa, os economistas mandatados, a nova direção política de sua campanha, os financiadores e tesoureiros, seus argumentos e sua linguagem estão diretamente inseridas no campo político e intelectual organizado por FHC. Mas Marina não pode reconhecer esta ligação tão orgânica porque viria abaixo a sua identidade de ser a protagonista de uma “nova política” que visa superar a polarização PSDB e PT. Daí que esta relação íntima tenha de ser permanentemente escondida ou negada aos eleitores.

Mas uma contradição ainda mais explosiva tem de ser o tempo todo administrada por Marina. De um lado, ela afirma compromissos em aumentar os recursos do governo federal para a educação, para a saúde, para o Minha Casa Minha Vida, para o Bolsa Família, o valor do salário-mínimo , o emprego etc. Do outro, cada vez que falam os economistas mandatados por ela, Eduardo Gianetti e André Lara Resende, dois economistas neoliberais cujo radicalismo cheira à barbárie, é o inverso o que dizem. É como se Marina dissesse ao mesmo tempo: “odeio futebol mas não perco um jogo do Flamengo!”. Ou melhor: meu compromisso é com os pobres... mas só gostar de andar atualmente com grandes banqueiros!.

Marina leu o que disse Eduardo Gianetti na entrevista publicada na capa do jornal Valor Econômico, de 6 de setembro, quando este afirmou com todas as letras “que os compromissos na área social assumidas pela candidata do PSB serão cumpridos à medida que as condições fiscais permitirem?” E que “ esses compromissos se distribuem no tempo. É um erro grave imaginar que o que está colocado no programa vá se materializar no primeiro orçamento”?

Marina ouviu a palestra pública proferida por André Lara Resende que uma “boa economia não pode ser feita com bons sentimentos” e que, ao invés de se ajudar os pobres do Nordeste, é preferível investir na educação? Será que ela leu que em seu programa está escrito que a legislação trabalhista que protege os direitos dos trabalhadores brasileiros deve ser superada ou contornada, como estão denunciando os principais representantes da tradição jurídica do Direito do Trabalho no Brasil?

De novo: Marina não pode fugir da contradição porque ela é, a sua própria candidatura, a contradição. Tem que documentar que ela é confiável e, como se diz em linguagem neoliberal, “amiga do mercado financeiro”, mas, ao mesmo tempo, tem de cultivar a adesão dos que querem direitos sociais mais universalistas e de melhor qualidade. Isto é, está impedida de dizer a verdade.

Violência e ilusão

A violência, todo o sentido anti-democrático e anti-popular, da principal proposta de Marina Silva para a economia – a chamada “autonomia” do Banco Central – é revelada quando se documenta que o Brasil já teve um Banco Central autônomo. Este era um sonho antigo dos econômistas liberais ortodoxos brasileiros como Eugênio Gudim, Octávio Gouveia de Bulhões e Roberto Campos desde os anos quarenta do século passado, que travaram desde sempre uma luta de vida ou morte contra Celso Furtado e as tradições desenvolvimentistas brasileiras.

Eles conseguiram realizar este sonho exatamente com o golpe militar de 1964: a reforma bancária logo anunciada pelos golpistas transformava a antiga Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) em Banco Central e concedia autonomia para as autoridades monetárias. A diretoria do Banco central era composta por quatro membros, escolhidos dentre seis membros do Conselho Monetário Nacional, com mandatos fixos de seis anos.

Denio Nogueira, o primeiro presidente do Banco Central, era consultor do Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro e da ALALC (Associação Latino Americana para Livre Comércio) e desde os primeiros anos da década de sessenta passou a fazer parte do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais). Enquanto o IPES era o órgão que disseminava propaganda para justificar o golpe militar, o IBAD era encarregado de manipular os recursos para financiar e corromper candidatos comprometidos com o golpe na democracia. Depois de cumprido o seu mandato interrompido pelos generais - promoveu uma forte desvalorização cambial, que lhe provocou forte desgaste, tendo sido chamado junto com Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões de “trindade maldita” – Denio Nogueira foi representante no Brasil do grupo Rotschild and Sons, indicado por Eugênio Gudin, mostrando que desde o início houve forte intimidade entre diretores do BC e os grandes grupos financeiros internacionais.

É claro, a candidata Marina nada sabe disso. Faz parte do ator político transformista devorar o passado, inclusive o próprio, e inscrever-se em um tempo messiânico que promete o novo. Isto é para ele uma necessidade já que não pode explicar a razão de sua mudança, as rupturas que teve que fazer e os novos compromissos que teve de assumir.

Toda a violência da ação transformista de Marina está inscrita nesta passagem da política de opiniões fundamentalistas sobre temas da moral – por definição, o fundamentalista é aquele que defende verdades para além dos séculos e das circunstâncias - para a política pragmática, que, por definição, é aquela que ajusta a sua política à necessidade de vencer a todo custo.

Uma política carismática deve oferecer ao seu público as provas de sua autenticidade. Se a autenticidade lhe é desmentida, o carisma vem abaixo. Mas a verdade – uma relação clara e nítida com os seus eleitores – é, como procuramos demonstrar, o que Marina não pode mais representar.

Na política, assim como na vida, há momentos em que é preciso defender as pessoas que já amamos e cujo passado admiramos do que elas vieram a ser e fazer contra a dignidade da sua própria memória. Se Marina hoje não nos pode dizer a verdade, é preciso – é absolutamente necessário – que sejamos capazes, democraticamente e de modo sereno, dizer a verdade à Marina.

Juarez Guimarães
No Carta Maior
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Jornal Nacional ou Jornal Eleitoral?


Eu já havia notado que o Jornal Nacional reflete um  mundo que é desmontado entre caras e bocas, em dramatização de telenovelas. Nele se chega ao ponto de uso de trilhas sonoras, como todos devem lembrar das imagens editadas dos desastres e tragédias de aviões. Planos, tomadas, cortes, luzes, a revolta dos passageiros, a indignação dos parentes, uma teledramaturgia do horror.

Se assim é, “em dias normais”, e dias normais é frase entre aspas, porque uma edição do JN é um capítulo de telenovela, imaginem em dias de campanha eleitoral, a fase da vida brasileira onde todos os crimes são possíveis e todas as canalhices se perdoam. Para não pensarem que falo em tese, com ideias gerais, difamatórias, quero dizer, de denúncia, para usar uma chamada típica do Jornal Nacional, tomo por exemplo a edição de ontem, quinta-feira 11 de setembro de 2014.  Olhem, a escalada das manchetes era um programa eleitoral da oposição Marina Silva ou Aécio Neves. Com aquela vinheta musical que é anúncio de tragédias, em crescendo. Para quem é de Pernambuco, lembrava mais as manchetes policiais do Repórter Bandeira 2. E atenção! Bumbo e bomba sobre o último cadáver.

Olhem, ontem só escapava a camada de Ozônio, cujo buraco parou de crescer. Mas esse é fora do Brasil, daí o caráter positivo. Se fosse no governo Dilma, seria anunciado: o buraco continua. Mas vamos a algumas notícias montadas para o guia eleitoral antes do horário da propaganda gratuita.

Assim falou Patricia Poeta, que não se perde na ironia do nome, poeta, poesia, para o que faz. Mas assim falava Patricia, a poeta:   

Economia cria 101 mil empregos com carteira assinada

Em agosto, a economia brasileira criou 101 mil empregos com carteira assinada. Isto significa 20,5% menos que em agosto do ano passado. Os dados são do Ministério do Trabalho”.

Mas no jornal GGN, e Luis Nassif Online, vinha a mesma notícia:  - “O mês de agosto registrou a criação de 101.425 postos formais de trabalho no Brasil, o que representa um crescimento de 0,25% no estoque de assalariados com carteira assinada em relação ao mês anterior, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desepregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho.

O resultado apurado é decorrente de um total de 1,748 milhão de admissões durante o período de pesquisa, ante as 1,647 milhão de demissões registradas no mês. Conforme dados do ministério, este é o melhor resultado dos últimos três meses.

Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, os dados no acumulado do ano mostram um acréscimo de 751.456 empregos, o que representa um acréscimo de 1,85%. Ainda na série com ajustes, nos últimos 12 meses verificou-se a criação de 698.475 postos de trabalho, equivalente à expansão de 1,72% no contingente de empregados celetistas do país. Entre janeiro de 2011 e agosto de 2014, foram gerados 5,631 milhões de empregos”.

Viram a diferença entre informar e buscar o que de ruim existe no positivo da criação de empregos, enquanto a Europa fecha os famosos postos de trabalho? Aqui, não existe mais a imagem de copo meio cheio e copo meio vazio. Para o Jornal Nacional, em tempos de eleições, o copo sempre é todo vazio. Mas vamos adiante.

No JN de 11 de setembro: “Vendas no comércio em julho foram as mais baixas desde 2008

Em julho, número divulgado nesta quinta (11), as vendas no varejo caíram 1,1% comparadas com o mês anterior, que já tinha registrado um recuo.

As vendas no comércio brasileiro tiveram em julho o pior resultado desde 2008, quando começou a crise financeira nos Estados Unidos e se espalhou pelo planeta. A maior queda veio dos chamados bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos.... Em julho, número divulgado nesta quinta-feira (11), as vendas no varejo caíram 1,1% comparadas com o mês anterior, que já tinha registrado um recuo. E as vendas do comércio vêm caindo desde março”...........

Mas em outras fontes, na web que resiste::

“Entre os setores com resultado negativos, estão supermercados, móveis e eletrodomésticos. IBGE vê influência do crédito menor e de feriados decorrentes da Copa....”.

No Jornal Nacional, foi retirada da edição uma das causas: os feriados durante a Copa em julho. Mas se o problema é mostrar o copo todo vazio, para que adianta lembrar o que já passou e é favorável ao governo? Mas não esmoreçamos, quem sabe se na próxima notícia a coisa não piora?

No JN de 11 de setembro:

Relatório do TCU indica distorções nos dados oficiais do Bolsa Família

Ministério do Desenvolvimento Social divulgou nota em que afirma que o relatório partiu de premissas erradas e chegou a conclusões equivocadas.

Um relatório do Tribunal de Contas da União indicou distorções nos dados oficiais do programa Bolsa Família. O governo nega.....

O Tribunal de Contas da União fiscalizou durante mais de um ano os números do principal programa de assistência social do Governo Federal, o Bolsa Família, pago a quase 14 milhões de pessoas. O tribunal critica a falta de atualização dos parâmetros usados para definir pobres e miseráveis.

Para o governo, é considerado miserável quem tem renda individual inferior a R$ 77 por mês. E pobre, quem ganha de R$ 77 a R$154 por mês....

Para chegar a esses números, o governo usa uma recomendação da ONU. Considera o gasto de US$ 1,25 por pessoa por dia com base no poder de compra.

Mas o TCU aplicou esses mesmos indicadores e concluiu que os valores que definem a linha da pobreza estão desatualizados. Segundo simulação do tribunal, as rendas para apontar quem teria direito ao Bolsa Família seriam de R$ 100 e R$ 200.

Segundo o relatório aprovado pelo plenário do TCU, essa diferença pode alterar o número de pessoas que saíram da linha de pobreza, graças ao Bolsa Família. O governo diz que são 36 milhões.

O tribunal não faz uma nova estimativa de quantas pessoas teriam saído da linha da pobreza se o cálculo fosse outro. Mas faz recomendações. Entre elas, que o governo mantenha atualizado o valor para definir linha de pobreza, seguindo o parâmetro internacional.

O TCU comparou os gastos com o programa. Em 2013, foram quase R$ 25 bilhões. Desde 2004, o valor gasto cresceu em média 23% ao ano. Para o relator, o governo precisa criar indicadores que permitam acompanhar os beneficiários que deixam o programa.

‘Há riscos que precisam ser cuidados para que esse programa possa ter sustentabilidade no futuro. Nós não podemos pensar apenas no hoje, temos que pensar também no futuro dessas pessoas’, afirma Augusto Sherman, ministro do TCU.

O Ministério do Desenvolvimento Social divulgou uma nota em que afirma que o relatório do TCU partiu de premissas erradas e chegou a conclusões equivocadas. Segundo o ministério, o texto revela ignorância dos técnicos sobre os critérios internacionais de mensuração de pobreza, desconhecimento da legislação e erros de cronologia.

Só no fim, no finzinho, vem a avaliação do Ministério, que para o telespectador é só adjetivo, avaliaçãozinha mentirosa.

No entanto, o Ministério do Desenvolvimento Social declarou em nota:

“O texto do TCU conclui que os dados de extrema pobreza podem estar distorcidos em virtude da não atualização da linha de extrema pobreza desde 2009. A linha somente foi instituída por decreto presidencial nº 7.492, em 2 de junho de 2011. Não há, portanto, como se falar em correção desde 2009.

O valor de R$ 70 equivalia em junho de 2011 a US$ 1,25 por dia e foi atualizado para R$ 77, por intermédio do Decreto nº 8.232, em 2014, o que é compatível com o parâmetro internacional para classificar a extrema pobreza, paridade do poder de compra.

Com base nesse mesmo parâmetro, instituições nacionais e internacionais acompanham a trajetória da redução da extrema pobreza nos diversos países, confirmando os resultados divulgados pelo governo brasileiro. (Estes dados podem ser verificados, por exemplo, no sitio eletrônico do Banco Mundial, no endereço http://iresearch.worldbank.org/PovcalNet/index.htm?2.

Outro estudo recente do Banco Mundial mostra a queda da pobreza crônica multidimensional no Brasil, passando de 6,7% para 1,6% entre 2004 e 2012. Isto significa que os esforços de redução da pobreza não se limitaram à dimensão de renda.

É estranho o posicionamento político expresso no relatório do TCU às vésperas das eleições presidenciais, questionando o aumento do gasto em assistência social em 1.220%. O gasto com assistência social expressa a opção política sustentável deste governo em investir na população pobre por meio do aumento do Programa Bolsa Família e dos investimentos em serviços e benefícios de assistência social”. 

Ao que dizemos nós, é muito estranho que não se ouça o “outro lado”. Isso não faz parte da cartilha mais básica de jornalismo? Mas amigos, ontem por fim, teve uma obra-prima da propaganda antipetista, da imagem subliminar. A notícia:

Veja como foi a quinta-feira dos principais candidatos à presidência

E assim falou o grande Bonner, o caubói: 

Dilma Roussef diz que vai aumentar o número de faculdades de medicina

A candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, passou o dia em Brasília. Ela disse que vai aumentar o número de faculdades de medicina. 

Um grupo de reitores de universidades federais entregou um manifesto de apoio à candidata Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada. O documento é assinado por 54 reitores. Eles destacaram o esforço pela aprovação dos royalties do Pré-Sal para a educação.

No fim da tarde, Dilma Rousseff recebeu os jornalistas para uma entrevista e falou sobre pontos do seu programa de governo.

A candidata disse que vai ampliar o programa Mais Médicos que pretende aumentar o número de cursos de medicina no país.

‘Com os reitores, inclusive, eu discuti uma coisa importante nessa área: nós chegamos à conclusão que para fazer isso a gente precisava criar faculdades de medicina e interiorizando elas, principalmente nos lugares que têm hospital. Porque você não forma médico, se não tiver hospital para treinar o médico’, declarou a candidata.

A candidata não teve outros compromissos públicos de campanha”.

No final, Dilma é filmada por trás, pelas costas, caminhando depois de um movimento brusco. Ou traduzindo a imagem: Dilma é arrogante, Dilma dá as costas para o telespectador, para o povo. Lindo, de uma beleza que paga o apartamento comprado por Patricia Poeta, 23 milhões. Ah, invejosos, vocês não sabem o que é uma obra-prima de propaganda política no jornalismo. 

Em resumo: o Jornal Nacional é uma peça política sempre. Na fase eleitoral, um instrumento de propaganda para a oposição, fora do horário eleitoral gratuito.

Urariano Mota
No Vermelho
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Busto de Rubens Paiva é inaugurado em frente ao antigo DOI-Codi


À frente e de costas para o 1º Batalhão de Polícia do Exército, antigo DOI-Codi nos anos da ditadura, agora se encontra um busto de Rubens Paiva, torturado e morto pelos militares naquele local. A inauguração da estátua, nesta sexta-feira, na Praça Lamartine Babo, na Tijuca, serviu para recordar também a profissão de engenheiro do deputado federal, que atuou na Câmara por dois anos, antes de ser sequestrado em sua casa no Leblon, em 1971, e nunca mais ser visto.

Busto de Rubens Paiva na Praça Lamartine Babo na Tijuca, ao fundo Batalhão da Polícia do Exército
Marcelo Piu / Agência O Globo
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As “condições morais” e mentais de Aécio

Antes da morte de Eduardo Campos, o tucano Aécio Neves estava eufórico. Contava com a ajuda do dissidente para chegar ao segundo turno. Ele atraia novos aliados e engordava os cofres da sua campanha com a grana dos banqueiros. Na sequência, com o ingresso da ex-verde Marina Silva, o cambaleante entrou em depressão. Até o coordenador-geral da sua campanha, o demo Agripino Maia, o apunhalou pelas costas e os doadores sumiram. Agora, porém, Aécio Neves dá sinais de reanimação. Para ele, a onda Marina Silva estaria se “esfarelando”. Neste novo estágio mental de euforia, o tucano volta a se embriagar e afirma que Dilma Rousseff “não tem condições morais para governar o país”. Cadê o bafômetro?

Segundo reportagem do Jornal do Brasil deste sábado (13), o novo surto de euforia de presidenciável do PSDB decorre da “reporcagem” da Veja com a “delação premiada e premeditada” de um ex-diretor da Petrobras. “A marca do governo do PT é essa, uma denúncia por semana, e cada uma mais grave que a outra. Nós temos que resgatar o padrão ético na Presidência da República. Dilma perdeu as condições, perdeu autoridade até moral de pleitear um segundo mandato”, afirmou aos jornalistas. Um dia antes, durante evento em São Paulo, ele disse enxergar sinais de “nervosismo” na campanha de Marina Silva, o que indicaria o “esfarelamento” da rival, e garantiu que estará no segundo turno das eleições.

Todo este otimismo, porém, não se justifica. Afinal, a “delação” da Veja foi publicada na semana passada. Na sequência, todos os institutos de pesquisas registraram a queda de intenções de voto do senador mineiro — protagonista do maior vexame eleitoral da história do PSDB. Quanto às “condições morais para governar o país”, o quadro clínico é mais grave. Será que ele já esqueceu o “aecioporto” construído com dinheiro público na fazenda do seu titio-avô na cidade de Cláudio? Ou do “mensalão tucano” — que a mídia amiga teima em chamar de “mensalão mineiro”? Ou do bafômetro nas agitadas noitadas do Rio de Janeiro? Lembrando um artigo de um falecido jornalista serrista do Estadão: Aécio: "Pó para, Governador"!

Ao invés de arrotar bravatas, o senador mineiro-carioca deveria se preocupar mais com a situação eleitoral no seu Estado. As pesquisas indicam que o seu candidato, o “mensaleiro” Pimenta da Veiga, empacou no segundo lugar. Em comício realizado em Belo Horizonte neste sábado, Aécio Neves implorou para que os mineiros não o deixem passar vergonha. “Chegou a hora da grande virada, chegou a hora da onda da razão”, berrou ao microfone. Além do vexame na disputa presidencial, ele pode deixar sem emprego os tucanos que aparelharam Minas Gerais há mais de dez anos. Estes temores talvez expliquem as ondulações de Aécio Neves — da euforia à depressão e vice-versa.

Em tempo: Para relaxar este clima tenso, Aécio Neves terá um momento de alegria neste domingo. Ele retorna ao Rio de Janeiro, principal rota das suas viagens pagas pelo Senado. Mais ainda: ele participará de um evento com o ex-craque Ronaldo, seu velho amigo de baladas. O jogador, que andava sumido desde as cenas de oportunismo explícito durante a Copa do Mundo — um verdadeiro fenômeno —, já declarou que apoia do cambaleante candidato tucano.

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Carta Aberta à minha amiga Luíza Erundina


Querida amiga Luíza,

Permita-me saudá-la desta maneira informal, sem me referir ao seu mandato, que lhe deleguei junto com milhares de paulistas conscientes, e que você tem honrado com toda dignidade.

Lealmente, fico aqui imaginando que respostas você me daria diante de questões que têm me inquietado nas últimas semanas, desde que você aceitou a tarefa partidária de coordenar uma campanha eleitoral para a Presidência do nosso país. As perguntas são incômodas, talvez mais para quem as formula do que para você, dada a insignificância de quem as faz. Mas nossa amizade me faculta esta ousadia.

Em que pontos o flutuante programa da Marina Silva coincidem com o seu pensamento e prática? Você milita pela democratização da mídia e, corajosamente, contra o domínio do setor de Comunicação por um pequeno grupo de famílias. Sua candidata só existe hoje como viável eleitoralmente porque a mesma mídia cartelizada a construiu a partir do trágico acidente que fatalizou o candidato Eduardo Campos.

Você jamais entregou São Paulo, metrópole da qual foi prefeita, ao poder econômico. Enfrentou os poderes tradicionais, a elite empresarial da construção, dos transportes, da saúde, da educação. Você foi vítima da velha mídia e até de sindicatos de servidores públicos controlados pelo PT. Sua candidata só tem compromissos com essa mesma elite, que sabe como fazer refém qualquer governante menos estruturado ideológica e moralmente do que você. Veja a rendição de outros ex-companheiros de esquerda ao poderio implacável, corruptor, desses grupos que exploram nosso Povo há séculos. Jamais te confundirei com esse tipo de políticos oportunistas, carreiristas e mal-formados.

Você sabe que sou fundador do PSB em Taubaté, cidade onde você teve seu primeiro emprego em São Paulo, dando aulas na Faculdade de Serviço Social, vindo e voltando de ônibus da Pássaro Marrom, e deixando aqui muitos amigos e admiradores desde então. Fui também membro do diretório estadual do PSB, desde os tempos de Rogê Ferreira.

Seu ingresso no PSB foi, para nós socialistas de base, verdadeiros "sonháticos" e sonhadores, uma esperança de enorme crescimento, de conquista do povo através da sua dignidade exemplar, da sua Cultura, da sua inquestionável probidade. E você sempre correspondeu às nossas expectativas, e quase sempre as superou. Sou grato, sou devedor, por toda a atenção e carinho que continuou dedicando à esta Taubaté tri-centenária e, infelizmente, ainda tão conservadora.

Fiquei indignado quando você foi condenada a devolver um dinheiro para a Prefeitura de São Paulo, o único prefeito da capital jamais condenado a algo semelhante, numa série que inclui alguns dos maiores ladrões do dinheiro público, alguns hoje só punidos na Suíça, na França e nos EUA. Participei da "vaquinha", humildemente, e lavamos sua honra que tentavam macular.

Volto às perguntas, depois desta breve rememoração pessoal que nos liga (você me concedeu por e-mail uma entrevista para meu livro "A Imprensa x Lula", outro presente):

Por que o PSB não lançou seu nome como candidata a presidenta da República, no lugar do Eduardo Campos? Será porque a candidata que o PSB de Márcio França (dono do PSB paulista há uns vinte anos, e que te nega espaço até na propaganda eleitoral, além de vender o partido por uns carguinhos do Alckmin) jamais poderia ser uma Socialista de verdade? Será que o Banco Itaú vetou seu nome?

Por que o programa do nosso PSB foi renegado e rasgado por essa candidatura caronista, que nem sequer deve tê-lo lido? O programa do PSB fala em colocar os meios de produção nas mãos dos trabalhadores. Suspeito que o poder econômico, o 1%, jamais aceitaria isso, mas é o que você assinou defender, e a sua candidata também. Você assinou por convicção; ela assinou por quê?

Para não me alongar e tomar seu tempo nesta sua inglória tarefa de eleger uma pessoa que nada tem a ver conosco e com nossos ideais, recordo-lhe dois momentos de sua larga vida de independência pessoal e compromisso com o Povo. Você saiu do PT quando o partido recusou-se a participar do Ministério do saudoso criador do Plano Real, o Presidente Itamar Franco. Você decidiu com sua consciência, com sua imensa capacidade de análise. Você fez, na minha opinião, o correto, e serviu muito bem ao Brasil. O PT errou, e reconhece isso na maneira de aplausos em cada reunião do PT a que você comparece. "Volta, Luíza!" é gritado por aqueles companheiros de base, militantes gratuitos do mesmo sonho que você tanto representou.

Recentemente, em 2012, você teve a altivez de não apoiar o candidato Haddad (mas jamais de combatê-lo) quando o PT aceitou o apoio do PP, partido presidido por Maluf. Muitos a criticaram, mas eu entendi perfeitamente. A Ética pessoal, a sua honra, está acima da disciplina partidária. Aprendi com Arraes, Audálio, Fernando Morais, Resk, Kotscho, e tantos outros de nossos amigos comuns, a servir a princípios acima de qualquer partido ou interesse pessoal.

Não quero ter motivos para crer que você tenha mudado. Não estamos mais na idade de ter ilusões de que podemos influenciar para o lado do Povo quem está cercada de inimigos ou exploradores do Povo. Você jamais transformará a Marina Silva numa pessoa livre dos compromissos que assumiu com o poder econômico e com teses que nós sempre combatemos, por significarem a submissão do Brasil a uma geopolítica e a uma política social que já sofremos juntos.

Com toda lealdade e a mais sincera amizade, tenho que informá-la que desta vez não votarei em você, que tão bem me representou no Congresso por mais de um mandato. Sei que não lhe fará diferença, e que você será reeleita. Mais que isso, desejo que nossa amizade permaneça para sempre, acima das eventuais divergências. Mas o que mais desejo mesmo, é que você não macule sua biografia apoiando qualquer projeto anti-popular, anti-soberania nacional, estimulado pela direita financista, midiática e econômica.

O Povo quer continuar confiando em você, minha querida amiga e mestra, Luíza.

Antonio Barbosa da Silva Filho

No Claudicando
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Meu voto em Dilma

Em 1988 fui um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira e sempre votei em seus candidatos à presidência. Mas, gradualmente, fui me afastando do partido por razões de ordem ideológica e, depois da última eleição presidencial, vendo que o partido havia dado uma forte guinada para a direita, que deixara de ser um partido de centro-esquerda, e que abandonara a perspectiva desenvolvimentista e nacional para se tornar um campeão do liberalismo econômico, desliguei-me dele. Por isso quando hoje perguntam em quem vou votar, a pergunta faz sentido.

Vou votar pela reeleição de Dilma Rousseff, não por que seu governo tenha sido bem sucedido, mas porque é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato. São dois esses critérios: quanto o candidato está comprometido com os interesses dos pobres, e quão capaz será ele e os partidos políticos que o apoiam de atender a esses interesses, promovendo o desenvolvimento econômico e a diminuição da desigualdade.

Dilma atende ao primeiro critério melhor do que Marina Silva e muito melhor do que Aécio Neves. Isto nos é dito com clareza pelas pesquisas de intenção de voto, onde ela vence na faixa dos salários mais baixos, e reflete a preferência clara pelos pobres que os três governos do PT revelaram. O mesmo se diga em relação ao segundo critério na parte referente à desigualdade. O grande avanço social ocorrido nos doze anos de governo do PT tem um valor inestimável.

Já em relação ao desafio do desenvolvimento econômico, o problema é mais complexo. Estou convencido que Dilma conhece melhor do que seus competidores quais os obstáculos maiores que vêm impedindo a retomada do desenvolvimento econômico desde que, em 1994, a alta inflação inercial foi superada. Os resultados econômicos no seu governo não foram bons, mas isto se deveu menos a suas fraquezas e erros, e, mais, ao fato que não teve as condições necessárias de enfrentar a falha de mercado estrutural que está apreciando cronicamente a taxa de câmbio e desligando as empresas competentes do país de seu mercado, e, assim, está condenando a economia brasileira à quase-estagnação. Desde 1990-91, ao se realizar a abertura comercial, os economistas brasileiros (inclusive eu, naquele momento) não estávamos nos dando conta que o imposto sobre exportações de commodities denominado “confisco cambial” – essencial para a neutralização da doença holandesa – estava sendo extinto. Em consequência, as empresas industriais brasileiras passavam a ter uma desvantagem (custo maior) para exportar de cerca de 25% em relação às empresas de outros países por razão exclusivamente cambial, e uma desvantagem desse valor menos a tarifa de importação (hoje, em média, de 12%) para concorrer no mercado interno com as empresas que para aqui exportam.

A esta causa estrutural de apreciação cambial (a não-neutralização da doença holandesa [*]) devem ser adicionadas duas políticas equivocadas normalmente adotadas pelos países em desenvolvimento. A política de crescimento com poupança externa (de déficit em conta-corrente) e a política de âncora cambial para controlar a inflação apreciam o câmbio no longo prazo. Elas são responsáveis por cerca de mais 10 pontos percentuais de apreciação da taxa de câmbio que devem ser somados aos 25% acima referidos. Logo, a desvantagem total das empresas brasileiras em relação às empresas de outros países que exportam para os mesmos mercados que nós é, em média, de 35% ( 25% 10%), e a desvantagem total em relação às empresas estrangeiras que exportam para o mercado brasileiro é de 23% (35% - 12%). Estas duas desvantagens desaparecem nos momentos de crise financeira, que, mais cedo ou mais tarde, decorrem necessariamente dessa sobreapreciação.

Quando digo que a presidente não teve “condições”, estou dizendo que ela não teve poder suficiente eliminar essa desvantagem competitiva de longo prazo. Ela tentou: iniciou o governo fazendo um ajuste fiscal, reduzindo os juros, e promovendo uma depreciação real de cerca de 20%. Mas ela recebeu do governo anterior, marcado pelo populismo cambial, uma taxa de câmbio brutalmente apreciada, de R$ 1,90 por dólar, a preços de hoje. Por isso, a elevação da taxa de câmbio para cerca de R$ 2,28 por dólar não foi suficiente para torná-la competitiva.

A taxa de câmbio que torna competitivas as empresas competentes existentes no Brasil (que denomino “de equilíbrio industrial”) deve estar em torno de R$ 3,00 por dólar. Em consequência desse fato e da retração da economia mundial, a depreciação não foi suficiente para levar as empresas a voltar a investir; foi, porém, suficiente para aumentar um pouco a inflação. Diante desses dois resultados negativos, os economistas do mercado financeiro e a mídia liberal gritaram, mostraram erros do governo (como o controle dos preços da eletricidade e do petróleo e a “aritmética criativa” para aumentar o superávit primário) e assim, sob forte pressão e preocupada em não ser reeleita, a presidente foi obrigada a recuar.

Mas não terão os outros dois candidatos mais importantes condições de fazer o que Dilma não fez? Estou convencido que não. Não apenas porque eles também não terão poder para enfrentar os interesses de curto prazo dos que rejeitam a depreciação cambial porque não querem ver seus salários e demais rendimentos diminuam e a inflação aumente, ainda que temporariamente. Também porque seus economistas não reconhecem o problema da doença holandesa e não são críticos das duas políticas acima referidas. Supõem, equivocadamente, que a grande sobreapreciação cambial existente no país é um problema de curto prazo, de “volatilidade cambial”. Basta ler seus programas de governo.

Terá a presidente poder suficiente para mudar esse quadro caso reeleita? É duvidoso. Ela não enfrenta apenas a oposição liberal e colonial, que é incapaz de criticar a ortodoxia liberal e não vê os conflitos entre os interesses do Brasil e a dos países ricos. A presidente enfrenta também a incompetência da grande maioria dos economistas brasileiros, que, apegados a seus livros-texto convencionais, não compreendem hoje a tese central da macroeconomia novo-desenvolvimentista (a tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio) como não entendiam entre 1981 e 1994 a teoria da inflação inercial. Naquele tempo havia apenas oito (sim, oito) economistas que entendiam a inflação inercial. Quantos entenderão hoje os economistas que compreendem porque, deixada livre, a taxa de câmbio tende a ser sobreapreciada no longo prazo, só se depreciando bruscamente nos momentos de crise de balanço de pagamentos?

Voto pela reeleição da presidente, mas já deve estar ficando claro que não estou otimista em relação ao futuro do Brasil. Quando as elites brasileiras não conseguem sequer identificar o fato novo (mas que já tem 23 anos) que impede que o Brasil volte a crescer de maneira satisfatória desde 1990-91, como podemos pensar em retomar o desenvolvimento econômico? A esquerda associada ao PT está muda, perplexa; a direita liberal supõe que basta fazer um ajuste fiscal para resolver o problema. Embora um ajuste fiscal forte seja essencial para a política novo-desenvolvimentista de colocar os preços macroeconômicos no lugar certo, apenas esse ajuste não basta. Será necessário também baixar o nível da taxa de juros e depreciar a taxa de câmbio para que a taxa de lucro se torne satisfatória e as empresas voltem a investir. Só assim a economia brasileira deixará de estar a serviço de rentistas e financistas, como está há muito tempo, e os interesses dos empresários ou do setor produtivo da economia voltem a coincidir razoavelmente com os interesses dos trabalhadores.

A presidente tem uma famosa dificuldade de ouvir os outros, mas é dotada de coragem, determinação, espírito republicano e se orienta por um padrão moral elevado. Conta, ao seu lado, com alguns políticos de boa qualidade. Ela foi derrotada no primeiro round, mas, quem sabe, vencerá o segundo?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

[*] Nota da Redação:
"Em economia, doença holandesa (do inglês Dutch disease) refere-se à relação entre a exportação de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro. A abundância de recursos naturais gera vantagens comparativas para o país que os possui, levando-o a se especializar na produção desses bens e a não se industrializar ou mesmo a se desindustrializar - o que, a longo prazo, inibe o processo de desenvolvimento econômico.
A expressão "doença holandesa" foi inspirada em eventos dos anos 1960, quando uma escalada dos preços do gás teve como consequência um aumento substancial das receitas de exportação dos Países Baixos e a valorização do florim (moeda da época). A valorização cambial acabou por derrubar as exportações dos demais produtos holandeses, cujos preços se tornaram menos competitivos internacionalmente, na década seguinte." (Fonte: Wikipédia, verbete "Doença holandesa)

No Carta Maior
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Para RBS, Código de Ética da empresa não se aplica ao caso Ana Amélia

O Grupo RBS manifestou-se oficialmente neste sábado, em matéria publicada no jornal Zero Hora (Ana Amélia foi CC no gabinete do marido no Senado em 1986), dizendo que não vai se pronunciar sobre o caso porque entende que “o assunto diz respeito à candidata”. O assunto em questão diz respeito ao fato de a jornalista Ana Amélia Lemos ter acumulado, em 1986, por um período de aproximadamente onze meses, as funções de diretora da sucursal da RBS em Brasília e a de um Cargo de Confiança (CC) no gabinete do marido, o senador biônico Octávio Cardoso (PDS, sucedâneo da Arena, o partido da ditadura implantada no Brasil a partir do golpe de 1964). A RBS entende entende que não tem nada a ver com o fato de uma de suas principais formadoras de opinião ter acumulado as funções citadas.

Não é o que afirma o Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do Grupo RBS, que proíbe e condena expresamente esse tipo de prática e conduta. A manifestação da empresa dizendo que não tem nada a ver com o assunto contraria o que afirma o seu próprio código de ética, que afirma:

Os jornalistas da RBS devem ter em mente que, aos olhos do público, a sua atitude pessoal, no exercício da atividade ou não, está sob permanente observação. Portanto, jornalistas devem considerar que sua atividade profissional frequentemente se confunde com sua vida pessoal, exigindo de todos elevados padrões éticos e de conduta em diferentes momentos e circunstâncias, a fim de assegurar sua credibilidade e a do veículo para o qual trabalham.

Ao tratar de possíveis conflitos de interesse envolvendo profissionais da empresa, o guia diz:

É vedado exercer atividades paralelas à da RBS que configurem conflito de interesses, concorrência ou que comprometam as obrigações e responsabilidades para com a empresa.

Além disso, recomenda aos seus profissionais:

“…não participar, em serviço ou não, de almoços, jantares ou confraternizações de caráter político, entre os quais eventos relacionados a disputas em entidades de classe ou outros organismos”

Ao defender o princípio da isenção na atividade dos veículos da empresa, o Guia de Ética do grupo declara:

Ao elaborar uma notícia, o jornalista da RBS deve ter como única motivação divulgar, com precisão e equilíbrio, um fato de interesse do público. Quando o jornalista tiver algum tipo de envolvimento pessoal ou emocional com o fato ou com o entrevistado, deve declarar-se impedido de realizar a tarefa.

E ainda:

Comentaristas, colunistas, comunicadores ou colaboradores externos que tenham envolvimento pessoal com o caso ou situação em questão devem deixar clara esta condição para o público.

A elaboração do Guia de Ética da empresa é posterior ao ano de 1986, mas já naquela época a RBS condenava editorialmente a prática do nepotismo e da falta de transparência, como atesta uma nota editorial (“Moralidade”), publicada coincidentemente no mesmo dia em que era publicada a nomeação de Ana Amélia para desempenhar a função de Secretária Parlamentar no gabinete do próprio marido. Entre outras coisas, o editorial afirma:

“A obrigatoriedade do concurso para provimento efetivo de cargos públicos é constantemente ignorada pela política do nepotismo, do apadrinhamento e do favorecimento”.

Hoje, a RBS diz que não tem a ver com isso e que o assunto “diz respeito à candidata”.

Marco Aurélio Weissheimer
No RSUrgente
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Satélite brasileiro vai melhorar comunicação em regiões mais afastadas do Brasil


Contrato assinado entre o Ministério da Defesa e Telebrás na quinta-feira (11) permitirá ao Brasil ter o primeiro satélite de comunicação e defesa 100% controlado por instituições brasileiras. Atualmente, os satélites que auxiliam comunicação do País são controlados por estações de fora.

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) tem previsão de conclusão para 2016 e, quando estiver em órbita, terá banda de uso exclusivo militar, garantindo segurança total nas transmissões de informações estratégicas do País.

“Esse é um momento histórico, em que o Brasil irá comandar seu satélite e usá-lo de forma estratégica”, disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, durante a cerimônia de assinatura do contrato.

O general destacou que a novidade trará “vantagem enorme” para operações de proteção do País, como os projetos de implantação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), a cargo da Marinha, e do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), sob execução do Exército Brasileiro.

O projeto de construção e controle do satélite também prevê transferência de tecnologia, o que dará ao Brasil o domínio desse tipo de conhecimento, podendo ser disseminado nas mais diversas áreas – em especial, no meio da indústria de defesa.

O investimento da área de Defesa no projeto será de R$ 489 milhões – o que equivale a 22% do custo total do satélite.

Plano Nacional de Banda Larga – PNBL

O satélite também facilitará a execução do Plano, levando comunicação às regiões mais afastadas do Brasil, que ainda dependem da construção de rotas de fibra ótica para terem acesso à internet.

“É estratégico para a Telebrás fazer parte desse momento do país, de retomada do controle tecnológico, de operações de um satélite estratégico”, disse o presidente da empresa, Francisco Ziober. “Nós vamos levar cidadania às comunidades mais isoladas, por meio do satélite”, completou.

No Blog do Planalto
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Dilma na TV

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O tucano Gianotti e o fim do PSDB


Filósofo respeitado, tucano de quatro costados, José Arthur Gianotti deu entrevista relevadora para o Estadão de hoje em que praticamente sela o fim do PSDB.

O jornal o apresenta como “tucanoide” (simpatizante) e muito próximo a Fernando Henrique Cardoso. É muito mais que isso.

Na verdade, sua amizade maior é com José Serra. É o que explica o fato de considerar Serra “muito à esquerda” de Geraldo Alckmin e prever que ele será um dos síndicos da falência do partido. Com um pouco de distanciamento, Gianotti aceitaria que a pá de cal no PSDB foi a campanha vergonhosa de 2010, que deixou o partido com a cara abjeta de Serra.

Em relação aos demais pontos, seu diagnóstico é preciso.

Aliás, o quadro que desenha é a chamada crônica de uma morte anunciada. Desde 2008 venho apontando esse quadro de deterioração intelectual do PSDB.

Apenas por amizade, Gianotti não menciona os responsáveis. É evidente que a responsabilidade maior recai sobre a pessoa a quem o partido confiou a liderança intelectual e política: Fernando Henrique Cardoso.

Serra não existiria sem FHC. A campanha abjeta de 2010 — que liquidou com os resquícios de legitimação do partido — não existiria sem FHC. Comandado por Serra, o estilo esgoto do jornalismo tucano foi diretamente estimulado por FHC. Assim como a debandada de intelectuais tucanos, que poderiam ter contribuído para algum arejamento do partido, mas que, a partir de um determinado momento, não tiveram estômago para permanecer na trincheira, depois que o partido deixou-se conduzir pela ultradireita escatológica.

A partir de então, o PSDB abandonou qualquer veleidade intelectual. Sua cara ficou sendo a da agressividade mais vazia, de políticos menores atuando apenas em representações moralistoides, e do jornalismo de esgoto comandado por Serra.

Aqui, os principais pontos da entrevista de Gianotti:

Sobre o espaço da socialdemocracia

Quando o PT veio para o centro, roubou o discurso da socialdemocracia do PSDB. Tornou-se o grande interlocutor com as forças capitalistas e populares, que era projeto da socialdemocracia.

Sobre o espaço da oposição

O PSDB não conseguiu se viabilizar como oposição organizada. Quando não se tem a oposição organizada, em geral quem ocupa esse espaço é uma dissidência da própria base aliada, como ocorreu com Eduardo Campos e Marina Silva, ex-Ministros do governo Lula.

Porque o PSDB falhou

Porque não teve discurso. Restará um partido estilhaçado, mas com alguns governadores e senadores fortes. Aécio ficou com imagem meio ambígua. Agora ele precisa sair correndo para Minas Gerais para salvar a candidatura que apoia. Não conseguiu firmar uma liderança realmente decisiva,

O comando do PSDB

Aécio voltará a ser o que sempre foi: uma liderança do PSDB, mas não mais a ponta da pirâmide. Ideologicamente, o partido terá duas pontas: o Alckmin bem mais à direita e Serra bem mais à esquerda.

Sobre Marina, Collor e Jânio

Marina lembra Jânio e Collor na medida em que vem alguém religiosamente para salvar a pátira e depois tem uma enorme complicaçãoo na montagem de governo. A Marina não é um Collor, mas no sistema ela estava isolada. Não soube organizar o partido dela, a Rede, foi obrigada a se aliar a Eduardo Campos. Quando o avião cai, ela se acha predestinada a salvar a pátira e começa com esse discurso. A partir do desastre, ela lembra Jânio e Collor ao dizer que veio para salvar a pátria.

Sobre o antipetismo e o PSDB

O antipetismo está bem instalado na política brasileira. É hoje uma tremenda força. Aécio vai compreender que para fazer o antipetismo é preciso que ele apoie Marina.

Sobre a bancada evangélica

Quando há uma crise do Estado, os conflitos religiosos aparecem. Quando não há uma estrutura de poder central organizando a sociedade, Deus aparece como o centralizador. O avanço evangélico é um sintoma da crise do Estado.

As manifestações de junho

Não formam líderes porque movimento popular desse tipo é como fogo fátuo. Ele surge e desaparece. Essas redes sociais são extremamente importantes mas não criam líderes. As lideranças políticas são, na verdade, formadas pelo processo partidário.

A crise do Estado

Temos uma série crise de Estado. Uma crise de Estado acontece quando você decide em cima e a decisão não chega embaixo. E o Estado, desta forma, não funciona. Já yemos uma crise de decisão. Ela continua se Dilma ou Marina vencerem. Não há esse risco com Aécio, porque ele não vai ganhar.

Luís Nassif
No GGN
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Uma campanha indigna

Não se esperava que a disputa presidencial se fizesse por troca de agressões e um nível tão baixo do teor político

Ainda que não seja novidade nas disputas pela Presidência, o pugilato verbal entre os atuais candidatos veio surpreender. Não se esperava que a campanha se fizesse por troca de agressões, e, sobretudo, não se imaginaria um nível tão baixo do teor político contido nessa agressividade.

A violência verbal não é novidade em termos. Na democracia anterior ao golpe de 64, nas quatro eleições presidenciais houve muita agressividade, mas toda por conta de não candidatos à Presidência. Entre os disputantes, prevaleceu, sempre, a concepção de que pretendentes à Presidência não podiam mostrar-se ao eleitorado sem a compostura apropriada ao cargo.

Getúlio nunca citou o brigadeiro Eduardo Gomes nem foi por ele citado. O mesmo se passara entre o general Dutra e o brigadeiro. O general Juarez Távora fez campanha até raivosa, e Juscelino se ocupou dos seus planos para fazer "50 anos em 5", sem referencia direta entre eles. Jânio fez campanha de fortes insinuações contra tudo o que lembrasse o governo Juscelino, representado na candidatura do general Lott, mas nunca o fez de modo explícito e nominal.

Ditadura militar por 21 anos é, na cultura política, o mesmo que a demolição acelerada de uma edificação construída durante séculos, como as velhas catedrais. Em 1989, a primeira eleição direta da nova democracia retrata, em tudo, os efeitos da demolição feita pela ditadura. Fica muito bem em Collor a personificação da campanha sem ética política e sem compostura pessoal, com variados modos de violência, não só verbal.

Até que chegasse ao vitorioso "Lulinha paz e amor", Lula preencheu três campanhas com irada pregação da temática petista. Sem agressões a Fernando Henrique, cujas condições nas duas disputas dispensavam embates diretos, que nem fariam o seu gênero. O mesmo se deu entre Lula e Alckmin. Mas não com Serra, que se permitiu, contra Lula e contra Dilma, desde diferentes modalidades agressivas até armações com ajuda de terceiros.

Por aí se chegou à atual campanha sem imaginar que o candidato da simpatia, herdeiro de uma prática política sempre elevada, passageiro de uma vida alegre, não fosse isso mesmo como candidato à Presidência. Ainda com Eduardo Campos, os dois fizeram um acordo de mútua preservação que deu o sinal: as farpas logo voaram de um lado e de outro. Dilma e o governo já estavam na mira, mas de tiros políticos.

O que os céus fizeram por Marina tomaram de Aécio, na queda do avião. E, pior, trouxeram-lhe a suposição de se salvar pela agressividade contra a nova concorrente. E logo também contra a antiga. Aécio Neves foi o disparador da deterioração da campanha em que a perda de escrúpulos é crescente.

Não se imaginava que a Marina Silva tão contida, como se toda travada por poderosas forças interiores, ou, sabe-se lá, celestiais ("Deus não quis que eu estivesse naquele avião"), fosse capaz de tamanha desinibição para dizer coisas como esta raridade: "Um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras". "Para assaltar"? A desonestidade dessa afirmação, feita em sabatina há três dias no "Globo", não tem limite nem para trás.

Funcionário de carreira, Paulo Roberto Costa fez sua ascensão na Petrobras durante o governo Fernando Henrique, nomeado então para sucessivos postos e funções relevantes, que vieram a culminar no governo Lula. É um mistério o momento em que começou sua corrupção. Mas há a certeza de que, a não ser para Marina, nenhum partido e nenhum governo dos dois presidentes promoveu Paulo Roberto Costa "para assaltar".

Diante de tamanha e perversa difamação, não surpreende a facilidade com que Marina diz inverdades bondosas a seu respeito, atribuindo-se votos, pareceres e projetos no Senado que o Senado nunca ouviu ou leu. Sua agressividade tem este componente adicional: a inverdade. O que aquela sabatina tornou ainda mais perceptível (e registrado jornalisticamente).

Mas de Dilma, a "durona", a "gerentona", esperava-se que ao menos confirmasse a maneira como a imprensa a descreve. A surpresa que lhe cabe vem, no entanto, do oposto: é a menos ofensiva, tanto no sentido de ataque como de insulto. Tem preferido dar respostas, algumas duras e outras irônicas. Sem conseguir, porém, tornar menos deplorável esta campanha indigna de uma disputa pela Presidência da República. 

Janio de Freitas
No fAlha
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