12 de set de 2014

O “desenvolvimentismo” insustentável de Marina Silva


A esquizofrenia do programa de Governo de Marina Silva (2) é patente. Nele, procura-se conciliar objetivos radicalmente antagônicos. Um daqueles objetivos seria combinar um suposto “desenvolvimentismo” com o incontestável ultraconservadorismo macroeconômico. O papel aceita tudo, mas os projetos são ideologicamente conflitantes, e a conta não fecha.

A polaridade conservadora é conhecida: Banco Central independente e “tripé” macroeconômico puro-sangue. A pretensa polaridade ‘desenvolvimentista’ aparece, por exemplo, no objetivo de “criar o ambiente necessário a um novo ciclo de desenvolvimento” (Eixo 2), no qual “nenhum programa de governo faria sentido se não estiver ancorado no ‘bem-estar da população’”. Dessa forma, “as políticas sociais são o motor de uma visão de justiça e redução das desigualdades, pela garantia de acesso universal e digno a bens e serviços públicos relevantes, direito inalienável de cada cidadão” (Eixo 4).

A entrevista concedida por Marina Silva ao jornal Valor Econômico (11/9/2014) (3) revisita esse poço de contradições. A candidata desautoriza seu principal assessor econômico, e afirma que fará concomitantemente aumento do gasto social e ajuste fiscal. “Com certeza o que Giannetti estava dizendo é que essas coisas acontecerão juntas”. O assessor pelo menos foi honesto: avisou que priorizaria o ajuste macroeconômico. (4)

Essa decisão decorre de uma “conta que precisa ser feita antes”, não considerada pelos seus adversários do PT e do PSDB: “é a conta negativa de não fazer as escolhas de investir na saúde, educação, segurança, transporte digno, qualidade de vida e serviços que os brasileiros estão cobrando (…). Como é que alguém reivindica governar para deixar tudo como está? Nós estamos fazendo uma escolha”.

No caso da educação, compromete-se com a aplicação de 10% de recursos e com a antecipação da meta de universalizar a educação de tempo integral. Também se compromete com as mudanças na regra do “fator previdenciário”: “não vamos nos conformar com a ideia de que os aposentados deverão ser punidos”.

O espaço fiscal para cumprir os ambiciosos objetivos sociais previstos no programa de governo (estimados em mais de R$ 140 bilhões) viria do “combate à corrupção”, da melhoria na “eficiência do gasto público” e (pasmem!) da redução da taxa de juros: “a redução de um ponto percentual nos juros, na taxa Selic, significa cerca de R$ 25 bilhões. Este dinheiro circulando na economia alimenta o processo que nos ajuda a ir criando o espaço fiscal para os investimentos” (sic).

A ampliação do espaço fiscal também seria fruto de “políticas macroeconômicas que façam com que o Brasil possa crescer”. O crescimento proporcionaria a “ampliação do orçamento (necessária) para que possamos fazer os investimentos”. Além disso, o crescimento reativará a competitividade da indústria nacional, hoje “reduzida a pó”. Como crescer? Para Marina é muito simples: basta a “credibilidade” da “nova” política econômica.

Segundo a candidata, o baixo crescimento atual deriva do descrédito do governo que “não fez a lição de casa”: “Quando as demais economias do mundo começam a se recuperar do tsunami com que foram assoladas (…) o Brasil vive o tsunami de não ter feito o dever de casa”.

Observe-se que sua visão contradiz as conclusões do recém-divulgado relatório “Governança Global e Policy Space para o Desenvolvimento” (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – Unctad), segundo as quais a recuperação da economia global continua fraca, seis anos após o início da crise internacional de 2008. Para 2014, a UNCTAD prevê que o crescimento dos países desenvolvidos e dos países da América Latina deve ser em torno de 1,8% e 2%, respectivamente. (5)

Não sobra pedra sobre pedra desse pretenso viés “desenvolvimentista”, quando a entrevista passa a tratar da ultra ortodoxa gestão do “tripé macroeconômico” (meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante), a cargo dos “homens de bem” que estarão à frente do Banco Central Independente (austeridade monetária) e do Conselho de Responsabilidade Fiscal (austeridade fiscal).

Segundo a candidata, a autonomia do Banco Central (BC) serve “para recuperar credibilidade, para que o país volte a ter investimentos, volte a crescer”. No seu governo, o BC estaria “a serviço da sociedade para ajudar a controlar a inflação, preservar o emprego e investimentos”. O Estado não deve “governar apenas para os fortes” e sim “com justiça para todos” – é Marina Silva, taxativa.

Essa visão bipolar parece um caso típico de “autoengano” que já foi tema até de livro, (6) que aborda as “mentiras que contamos a nós mesmos”. Segundo o autor, “mentimos para nós o tempo todo” e “só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças”. Para superar esse estado de alma, é preciso analisar os caminhos que nos levam até ele. Seguindo a risca as recomendações do autor, vamos aos fatos.

Em entrevista concedida em meados de 2014, Eduardo Campos, então candidato a presidência pelo PSB anunciou seus planos de reduzir a meta de inflação para 4% (em 2016) e 3,5% (2018) (7). Para cumprir esse propósito seria dada autonomia legal ao BC.

Após a morte de Campos, Marina Silva falou do “peso da responsabilidade” e demonstrou vontade de levar adiante o projeto construído por ele. Claro, elementar, que manter a inflação num patamar inferior ao atual (única missão do BC independente) requer juros básicos nas alturas (único instrumento de política monetária do BC independente). O poder econômico agradece pelos lucros especulativos com títulos do Tesouro Nacional.

Juros básicos altos (já chegaram a 44% nos anos de 1990) trarão recessão, desemprego, e redução das receitas governamentais. Com câmbio flutuante, o Real será valorizado e comprometerá a competitividade da indústria. A elevação dos juros ampliará novamente a dívida pública liquida como proporção do PIB (caiu de 60% para 33%, entre 2002 e 2014). A meta de superávit primário terá forçosamente de ser ampliada, para pagar parcela dos encargos financeiros, restringindo as possibilidades do gasto social. Serão necessárias novas reformas liberalizantes para suprimir direitos sociais universais (previdência, saúde, educação, mobilidade etc.).

Mas os meandros do “autoengano” levam à absurda suposição de que superávit primário seria obtido, pasmem, pela redução dos juros (“fazendo uma política de redução de juros, cria-se um processo virtuoso na economia”). O ajuste fiscal também seria possível pela adoção de outras “políticas combinadas” com o objetivo de ampliar a “eficiência do gasto público”, combater o “inchamento da máquina pública”, estimular “um novo modelo de gestão” e “reduzir ministérios” com base em “critérios altamente rigorosos, sem prejuízo dos serviços e daquilo que a sociedade espera do Estado”. Para esclarecer os eleitores, seria oportuno que a candidata apresentasse estimativa da economia que adviria dessas medidas (em proporção do PIB).

A autonomia legal do BC fortalecerá o poder econômico em detrimento da política, da democracia e dos esforços para um projeto de desenvolvimento com justiça social. Como afirmou André Singer, trata-se de uma ação deliberada do poder econômico “de subtrair a soberania popular do centro da política que é a política econômica”. Em outras palavras, a democracia deixa de ter ação sobre o núcleo da política econômica.

Sequer nos EUA, meca do liberalismo econômico, o Federal Reserve Bank tem como única missão manter a inflação dentro da meta. Um dos seus propósitos é atuar para influenciar “as condições monetárias e de crédito na economia em busca do emprego máximo, preços estáveis e taxas de juros de longo-termo moderadas”. Um olho no gato, outro no peixe. Marina faz diferente: quer dar autonomia legal ao gato.

Não há nada mais velho e ultrapassado que a “nova” economia defendida pela candidata. Baseia-se no enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e que está sendo aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos (na opinião de Paul Krugman, crítico insuspeito). (8)

Mas o ímpeto “social-desenvolvimentista” tem inúmeros outros capítulos. Um deles é a Reforma Tributária. A candidata promete mandar, “no primeiro mês do governo, uma proposta de reforma tributária para o Congresso com base no princípio da justiça tributária, transparência e simplificação”.

Mas ninguém explica como sairá da “sinuca de bico” quanto à governabilidade, na qual está enredada. Foi o que lhe perguntou a jornalista que a entrevistava: “se não fizer alianças tradicionais, ficará na minoria e corre o risco de crises constantes; se formar maioria, não abandona a promessa de nova política e decepcionará eleitores?”.

Para Marina, a saída é simples. Basta deixar o “terreno da opção” e adentrar no “terreno da escolha”. Na opção, “pega-se o que já existe e o que é mais vantajoso para você”. No caminho “da escolha”, “escolhe-se o que ainda não existe e você trabalha para construir”. Assim, a governabilidade requer apenas esforços para “renovar os procedimentos na política e contribuir para renovar a política”. Nesse sentido, pretende “instituir um governo com base em um programa e não em um cheque em branco, que depois buscará governabilidade com base na distribuição de pedaços do Estado”.

E a candidata Marina Silva arremata a entrevista com uma confissão: “Eu sou uma mulher de fé, e a Bíblia é um livro que marca profundamente a minha história. Sou movida a fé e a determinação”. Que Deus nos abençoe!

Referências:


Eduardo Fagnani, Economista, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor do IE-UNICAMP e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT) desta instituição, coordenador da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento (www.plataformapolicasocial.com).





(6) Eduardo Giannetti. Autoengano, São Paulo: Cia da Letras, 1997.



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A pergunta do momento: Dilma pode levar no primeiro turno?

À vontade na sabatina do Globo
O momento é de Dilma.

Esta é a principal conclusão trazida pela última pesquisa Ibope.

Se este momento se prolongar até as eleições, as chances de tudo se encerrar no primeiro turno serão enormes.

Se fosse um jogo de xadrez, você diria que Dilma está numa posição em que pode dar xeque mate nos adversários.

Considere.

Marina não apenas parou de crescer como diminuiu. Nesta pesquisa, caiu dois pontos.

Sua candidatura, arrebatadora nos primeiros instantes, sofre um forte desgaste agora.

O marco zero do refluxo marinista veio com o recuo na questão LGTB depois que Malafaia tuitou ameaças tonitruantes.

Para um eleitorado de esquerda que via Marina como uma boa opção à polarização entre PT e PSDB, soaram os alarmes. Colocar na presidência alguém suscetível de pressões pelos fundamentalistas evangélicos começou a ser visto como algo realmente complicado.

Com o correr dos dias, também veio à tona a incoerência entre as falas de Marina e seu programa severo na área econômica.

Uma entrevista do mentor econômico de Marina, Eduardo Giannetti, escancarou o impasse. Segundo ele, os compromissos de Marina só serão cumpridos se os recursos para eles não comprometerem o combate à inflação e o ajuste na economia.

Isso quer dizer: os compromissos não são, na verdade, compromissos, mas uma carta vaga de intenções.

Sob a pressão dos fatos e da liderança nas pesquisas, Marina piscou. E seu momento passou.

Seu maior desafio, agora, passa a ser a estabilidade nas intenções de voto de tal forma que chegue ao segundo turno.

Para isso, Aécio não pode se esvaziar a tal ponto que vire um novo Eduardo Campos, com 7% ou 8% dos votos, porque o risco de vitória de Dilma no primeiro turno seria enorme.

Caso Dilma continue a avançar no ritmo atual, um Aécio com a votação de Campos seria a senha para a definição das eleições no primeiro turno.

Suponha que Dilma se fixe, até outubro, em 43% ou 44%. Se Aécio recuar para 10%, Marina vai ter que se segurar onde está para forçar o segundo turno.

Luciana Genro pode complicar ainda mais as coisas para Marina.

Quanto mais Luciana aparece neste final de campanha, mais ela conquista corações de jovens idealistas que nos protestos de junho de 2013 viram em Marina uma esperança de renovação.

Caso Luciana consiga 1% ou 2% dos votos, eles serão muito provavelmente subtraídos de Marina.

A maior surpresa dessas eleições é exatamente Luciana, com seu jeito gaúcho e desassombrado de chamar as coisas pelo seu nome.

O futuro da esquerda, no Brasil, se chama Luciana, com o PT no centro-esquerda e o PSDB na direita.

Para Dilma, hoje, a cena é amplamente favorável.

Os números favoráveis nas pesquisas — depois de uma situação em que ela parecia prestes a ir a pique — lhe trouxeram uma confiança que não se viu antes na campanha.

Na sabatina de hoje com colunistas do Globo, isso ficou claro.

Ricardo Noblat deu a ela, a certa altura, uma ordem: “Fale um pouquinho menos senão a gente não consegue fazer mais perguntas.”

Foi obrigado a ouvir uma resposta bem humorada que trouxe gargalhadas mesmo aos entrevistadores.

“Gente, vamos esclarecer aqui de quem que é a sabatina”, disse Dilma, rindo.

Dilma estava claramente à vontade na sabatina, muito mais que na entrevista que deu ao Jornal Nacional.

Num momento em que debates e sabatinas se sucedem, isso pode também fazer diferença.

Estas eleições serão travadas pela marca da instabilidade. Os ventos ora sopraram para um lado, ora para o outro, e em alguns instantes ficaram indefinidos.

Hoje, sexta, 12 de setembro, os ventos estão ajudando poderosamente Dilma.

Se eles não mudarem de direção, é possível — provável, talvez seja a palavra — que não haja segundo turno.

Paulo Nogueira
No DCM
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Receita de Marina desemprega jovens na Europa


Já que não debatemos suficientemente as ideias, as “visões de mundo” existentes e um projeto de país digno de nome, “vamos ao que interessa”, dirão os pragmáticos: traduzir as propostas econômicas da candidata Marina Silva para o futuro da juventude brasileira.

Este é o objetivo central deste artigo, principalmente neste momento em que as eleições presidenciais estão chegando e a candidata Marina Silva apresenta-se como representante da Nova Política, com palavras bonitas, frases de efeito e uma importante história de vida.

Vamos nos concentrar no tema das propostas econômicas porque estas questões realmente podem afetar as perspectivas de vida dos jovens para os próximos anos, ainda mais quando Marina propõe alterações importantes que não dependem do Congresso Nacional.

Este tema também costuma ser apresentado de forma muito difícil para a compreensão de quem não é especialista. Com o programa de Marina não é diferente.

Apesar de conectados o tempo todo, na prática, os jovens são vítimas, como todo mundo, da desinformação e superficialidade com que grande parte da mídia trata a política e a economia, rotulando e criando falsos problemas e soluções para tudo.

Eram crianças ou nem eram nascidos quando este país não dava nenhuma oportunidade para a imensa maioria dos jovens, inclusive de classe média.

Por ser um pouco mais velho, acompanhei de perto a hiperinflação dos anos 80, quando minha família precisava fazer uma compra gigantesca por mês nos supermercados, estocando alimentos e outros produtos para tentar se defender da inflação de mais de 20% ao mês.

Quando iniciei o curso superior, no início dos anos 90, a disputa por qualquer estágio era violenta, já que havia pouquíssimas vagas abertas.

Naquela época começou o combate à inflação com o Plano Real, que melhorou o poder de compra da população reduzindo a inflação para os níveis que vemos até hoje.

Na prática, nenhum governo nestes últimos vinte anos descuidou da inflação.

Por outro lado, os jovens nos anos 90 perceberam que a estabilização da economia não era tudo. Não encontravam emprego facilmente no setor privado, os concursos públicos eram raros e as possibilidades de financiar uma casa própria ou um carro eram nulas. Era comum, naquela época, morar em um “puxadinho” da casa dos pais quando o casamento viesse, ou guardar dinheiro para tentar comprar um carro usado.

Nestas eleições de 2014, uma grande parcela da juventude está indecisa, muitos tendendo a votar em Marina. Ela parece representar o “novo”, um símbolo maior das manifestações de junho do ano passado.

O problema é que as propostas sobre a economia brasileira de Marina não têm nada de novo, e vão atingir a vida de todos, especialmente os mais jovens.

Para quem não tem conhecimentos de economia, antes de analisarmos as propostas de Marina, temos que destacar como o governo pode atuar na economia. Em resumo, qualquer governo possui duas armas para modificar a situação da economia de um país: a política fiscal e a política monetária.

A política fiscal representa como e quanto o governo vai cobrar de impostos da sociedade e como vai gastar os recursos, através de políticas para a saúde, educação, segurança, cultura, esporte, investimentos em infraestrutura, entre outras coisas.

A política monetária representa qual a quantidade de moeda que o governo vai deixar circular, qual o volume de crédito que ele vai liberar (através de bancos públicos ou privados) e qual a taxa de juros básica da economia (ou o preço do dinheiro emprestado).

Marina acredita que, hoje, o maior problema da economia brasileira é a inflação (aumento dos preços dos produtos e serviços).

Só para lembrar, nossa inflação anual gira em torno de 6% ao ano. Nos anos 80, tínhamos inflação superior aos 20% ao mês. Nos anos 90, durante o governo FHC, mesmo depois do Plano Real, nossa inflação anual girava na casa dos 9% ao ano.

Todos os governos brasileiros, depois do Plano Real, buscaram manter a inflação em níveis baixos e controlados.

Para Marina, porém, a principal meta econômica é levar a inflação para os 4,5% ao ano, custe o que custar.

Isso fica claro em todo o capítulo sobre economia, principalmente na página 46, onde Marina resume as propostas. Vamos tentar reproduzir e explicar o que significam as propostas para o futuro da juventude:

1)     Marina defende que o governo vai “trabalhar com metas de inflação críveis e respeitadas, sem recorrer a controle de preços que possam gerar resultados artificiais, e criar um cronograma de convergência da inflação para o centro da meta atual”.

Traduzindo, a principal meta de Marina, como já dissemos, é baixar a inflação para, pelo menos, 4,5% ao ano, sem, no entanto, adotar qualquer tipo de controle de preços.

Na prática, os combustíveis e a energia podem ficar mais caros logo no início do governo Marina, que deve autorizar reajustes cada vez maiores em 2015 e nos anos seguintes. O preço do combustível para encher o tanque, portanto, vai subir, assim como o preço de tudo que consumimos. Para evitar que a inflação aumente de maneira brutal, ao invés de diminuir, Marina propõe o segundo ponto:

2)     “Gerar o superávit fiscal necessário para assegurar o controle da inflação (…)”.

Superávit fiscal é o resultado da chamada política fiscal, ou a diferença entre as receitas (impostos arrecadados) e as despesas (manutenção dos programas sociais e investimentos públicos).

Para Marina, a política fiscal serve, unicamente, para segurar a inflação. Nesta visão, o gasto do governo é o grande culpado pela inflação. Para fazer isso, como não é possível cortar impostos no início, Marina já promete cortar gastos.

Analisando os gastos do governo, como não é possível despedir a maior parte do funcionalismo, desmontar os programas sociais existentes ou reduzir o gasto com a aposentadoria paga pelo governo de uma hora para outra, muito provavelmente, os investimentos serão os primeiros a serem cortados.

Na prática, se os jovens demandam por mais educação, saúde, transporte público, segurança, cultura e outras coisas importantes, nada disso poderá ser atendido por Marina nos primeiros anos. Em outras palavras, suas propostas nas outras 240 páginas do programa de governo não poderão ser atendidas durante seu mandato.

Mas o drama para a juventude é maior nas propostas seguintes. Marina pretende:

3)     “(…) sinalizar para o mercado que políticas fiscais e monetárias serão os instrumentos de controle de inflação de curto prazo”.

4)     “Assegurar a independência do Banco Central o mais rapidamente possível, de forma institucional, para que ele possa praticar a política monetária necessária ao controle da inflação”.

Traduzindo, tanto a política fiscal (através da definição dos impostos e do gasto público) como a política monetária (definição da moeda em circulação, da taxa de juros — preço do dinheiro — e da quantidade de crédito na economia), deverão ter como única prioridade o controle da inflação. Na visão do programa de Marina, outra culpa da inflação é que existe muita demanda para pouca oferta.

Para controlar a inflação através da política monetária, a medida mais rápida é aumentar ainda mais a taxa de juros (custo do dinheiro emprestado), reduzindo os investimentos, o crédito, o emprego e a renda (salário) das pessoas. Quando aumentamos fortemente os juros, é isso o que acontece.

Para os jovens que estão com emprego e salário, a situação pode ficar mais difícil. O desemprego para a juventude, que atinge menos de 20% dos jovens do país, deve atingir mais de 50% nos próximos anos, como já ocorre recentemente na Europa, que adota as medidas propostas por Marina.

Os jovens que possuem gastos no cartão de crédito também devem estar preparados para reduzir seu consumo. As contas do cartão vão ficar ainda mais caras. Como conseguir ou trocar de emprego vai ficar mais difícil, a inadimplência deve inclusive aumentar.

Com menos emprego, salário, crédito e juros mais altos, a “economia” passa a girar mais devagar. Com menos demanda, a inflação pode até baixar, deixando, porém, um rastro de problemas sociais e econômicos. Os mais atingidos, sem dúvida, serão os jovens.

Finalmente, Marina propõe, na página 59, que:

5) “Os subsídios ao crédito agropecuário e aos programas de habitação popular deverão continuar, mas com maior participação dos bancos privados”.

Na prática, esta parte do programa só pode ter sido redigida pelo Banco Itaú. O crédito para a moradia e a agricultura, no Brasil, sempre foi atendido pelos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). Os bancos privados, como normalmente ocorre, querem aplicações mais rentáveis. Sem dúvida, aplicar em títulos públicos do governo sempre foi mais rentável do que em construção de moradias ou plantio de alimentos. Como Marina deve aumentar os juros, aplicar nos títulos do governo continuará sendo muito mais rentável. Se Marina pretende reduzir o espaço dos bancos públicos, dá para perceber que o crédito para habitação e agricultura ficará menor.

Traduzindo, os jovens que quiserem financiar sua casa própria nos próximos anos (inclusive no Minha Casa Minha Vida) devem se preparar: o cenário ficará muito mais difícil.

Repetir nunca é demais, a receita econômica proposta por Marina é idêntica ao que vem ocorrendo em toda a Europa nos últimos anos, com efeitos trágicos sobre o futuro da juventude naqueles países. Portanto, reflita bem antes de exercer o direito de cidadão, votar.

Paulo Copacabana
No Viomundo
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O dia em que os entrevistadores foram obrigados a se explicar para Dilma


Em geral, entrevistas com autoridades visam obrigar o entrevistado a sair da zona de conforto das afirmações não questionadas. Na entrevista de hoje, ocorreu o contrário: Dilma obrigou os colunistas do jornal a saírem da zona de conforto das afirmações reiteradas que, pela força da repetição — e da falta de contraponto —, tornaram-se verdades acabadas para seus leitores.

Além disso, entrevistas ao vivo reduzem o poder de manipulação da edição, do uso de frases tiradas do contexto.

Por exemplo:

Energia

Mostrou que o aumento da energia este ano está ligado à seca, a maior da história, não à redução tarifária imposta no ano passado.

Defendeu a revisão tarifária, pelo fato das usinas já estarem depreciadas. Se a renovação da concessão não é onerosa, não haveria porque incluir nas tarifas itens como depreciação — que a encareciam.

Rebateu a ideia de que a manutenção da oferta este ano tivesse qualquer ligação com as termelétricas construídas no período FHC.

Rebateu enfaticamente os que afirmaram que o setor elétrico está quebrado. Quebrado é quem não pode honrar seus compromissos. Não é o caso do setor elétrico que está com problemas apenas de descompasso de caixa.

Nenhum de seus argumentos foi rebatido, porque as críticas sempre focaram os pontos errados.

Na atual crise sobressaem as seguintes questões:

Coloca em xeque o modelo elétrico desenvolvido pela própria Dilma, enquanto Ministra das Minas e Energia. Pelo modelo há contratos de longo prazo e o mercado à vista. Quando a geradora não consegue entregar a energia combinada, tem que ir no mercado à vista se suprir. Em tempos de escassez profunda de água, como o atual, há uma explosão no mercado à vista que desequilibra financeiramente o sistema. Esse mecanismo precisa ser revisto.

O erro da renovação dos contratos de concessão não estava no conceito mas no valor arbitrado para a antecipação dos contratos. As companhias estaduais não aceitaram. A Eletrobras foi obrigada a engolir e, com isso, o governo feriu gravemente um dos grandes pilares de investimento no setor.

Além disso, não há clareza suficiente, no novo modelo, sobre o que é de responsabilidade da concessionária e do governo.

Casamento homossexual

Mais claro, impossível.

O governo é a favor da criminalização da homofobia, do casamento civil homossexual, da união estável e da adoção. Mas só pode arbitrar na parte que lhe cabe: os contratos civis.

Na condição de Estado laico, não compete ao governo interferir no casamento religioso, que depende de cada religião. A César o que é de César... Algo tão óbvio e que tem sido mascarado nas manchetes de jornais.

Reajuste de combustíveis

Dilma mostrou que nos seu governo, o reajuste do preço da refinaria foi superior ao do IPCA no período.

Quando se levantou o bordão de que os preços internos de combustível teriam que acompanhar os preços internacionais, liquidou a questão com o caso norte-americano do gás de xisto. Nos Estados Unidos, cobram-se US$ 4 dólares; no mercado internacional, é US$ 12 a US$ 15. Por que não se igualam os preços? Porque a prioridade é a recuperação da indústria siderúrgica e da petroquímica norte-americana, garantindo empregos e recuperação da economia.

Ninguém contraditou seus argumentos.

A questão central sequer foi abordada: a análise do fluxo de caixa da Petrobras versus os compromissos assumidos com o pré-sal.

Sobre as CPIs

Pretender que a presidente responda pela ineficácia das CPIs é demais. Lembra o filho de uma amiga que, cada vez que o carro para em um semáforo, brada: "É culpa da Dilma!". Assim como na cobrança sobre o apoio de Sarney e Collor, parece faltar aos jornalistas a noção sobre independência dos poderes, sobre as atribuições do presidente da República.

Os jornalistas — velhas raposas políticas — sabem disso. Mas sabem que atribuir tudo à presidente tem eficácia junto aos leitores. Desde que a presidente não esteja ao vivo para rebater. A resposta foi óbvia. As CPIs tem na maior parte das vezes apenas interesses políticos. A oposição é representada. E não cabe à presidente interferir em outro poder.

Destaque para o tratamento respeitoso conferido à entrevista, sem os bordejos televisivos, de muito jogo de cena agressivo e pouco conteúdo.



Luís Nassif
No GGN
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Eles têm um plano C

A classe dominante estava no plano A: Aécio.

Agora está no plano B: Marina.

Mas também tem um plano C: pressionar o segundo mandato de Dilma, para que este não corresponda aquilo que própria presidenta, Lula e o PT vem defendendo na campanha eleitoral.

Dizendo de outro jeito: a classe dominante, o grande empresariado capitalista, tem diferentes frações, bem como diferentes representantes políticos e intelectuais.

Nos últimos anos, o conjunto destas segmentos fez uma opção majoritária anti-PT e anti-Dilma.

Derrotados eleitoralmente, não se farão de rogados e buscarão outros caminhos para implementar seus planos de "ajuste fiscal, desemprego e redução de salários".

Buscarão, não.

Já estão buscando.

Sinais desta busca estão no artigo de Claudia Safatle no Valor Econômico de 12 de setembro, discutindo como seria a "nova Dilma" num segundo mandato.

O texto é parcialmente baseado em declarações atribuídas a um "integrante da campanha à reeleição", que teria explicado "o que o PT imagina que viriam a ser mais quatro anos de governo Dilma".

Reproduzido na íntegra ao final, o texto informa que para o "núcleo da campanha", a "nova Dilma" seria:

— uma pessoa mais afeita ao diálogo
— mais propensa a ouvir
— menor disposição a experimentar suas próprias ideias.
— ação mais amigável junto ao setor privado, especial atenção à indústria que definha e à classe média.

Genial, não?

Pela suposta boca de um suposto integrante da campanha, temos uma lista de defeitos.

Estabelecida a premissa (Dilma teria que ser outra), o texto continua: "talvez esse grupo não saiba, mas Dilma terá tarefas urgentes já no dia 27 de outubro".

Depois de se apoiar num suposto "integrante da campanha", que supostamente fala pelo "núcleo da campanha", a jornalista passa a informar como Dilma deve agir para "reconstruir as pontes que ela mesma dinamitou no curso da campanha".

Ou seja: uma campanha eleitoral que está conseguindo politizar e ganhar o apoio do povo, é criticada por dinamitar pontes com setores da elite e seus queridinhos.

Claro: para certa imprensa, esquerda boa é aquela que apanha, perde e muda de lado.

A preocupação da jornalista é monotemática: "não bastará recompor a figura do ministro da Fazenda, tratado com descuido nos últimos dias, como carta fora do baralho. Importante será decidir o que fazer com o Banco Central, instituição cuja reputação vem sendo destroçada por Dilma nas últimas semanas, tanto nas declarações que faz para os jornais quanto na propaganda do horário eleitoral".

Portanto, a reputação do Banco Central seria "destroçada" toda vez que dizemos tratar-se de um banco público, portanto deve estar subordinado às instituições eleitas pelo povo.

Esta concepção democrática acerca do BC, óbvio, não pode mesmo agradar a quem acredita que o compromisso primeiro de qualquer governo é "preservar o valor da moeda". Nem a quem leva a sério a comparação entre o Banco Central e a invenção da roda.

Correndo o risco da repetição, perguntamos: em que mundo esta gente vive?

Como é possível que num mundo vítima de imensa crise econômica, crise que tem como epicentro a atuação da banca, num jornal especializado em economia, seja possível ler um texto que critica como "deformado" o propósito de manter o Banco Central "controlado com rédeas curtas pela presidente da República e pelo Congresso, sob o risco de servir à ganância desmedida dos bancos".

A quem serve um Banco Central, se não for controlado "com rédeas curtas" pelos representantes da população???

Desde quando criticar a proposta de independência do Banco Central marca "um impensável retrocesso institucional que pode custar caro ao país"???

O trecho final do artigo de Claudia Safatle recorre novamente ao off, desta vez de uma "alta fonte" (sic) e de "um amigo e ex-colaborador de Lula".

A primeira teria dito que "todos os presidentes reeleitos mudaram" e que "nós aprendemos errando". A segunda diz que Dilma teria "pouco compromisso com a realidade". Ou seja, uma prevê mudanças, outra não, mas ambas criticam a presidenta.

Claudia Safatle conclui dizendo que "Dilma pode não se reinventar mas, para o bem do país, terá que ao menos atualizar as suas convicções e recuperar a política econômica".

Moral da história: a batalha pela natureza do segundo mandato Dilma não termina na eleição.


PT à espera de uma "nova Dilma"

Claudia Safatle | Valor Econômico

Um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff será, como ela própria disse, um "governo novo, equipe nova". Isso, porém, não basta. Terá que trazer, também, uma "nova Dilma". Foi sublinhando por mais de uma vez a necessidade de transformação da pessoa da presidente da República, que um integrante da campanha à reeleição explicou o que o PT imagina que viriam a ser mais quatro anos de governo Dilma.

Para o núcleo da campanha, a "nova Dilma" seria uma pessoa mais afeita ao diálogo, mais propensa a ouvir, o que significaria menor disposição a experimentar suas próprias ideias.

Supostas mudanças na política econômica, nesse caso, não alterariam a essência da estratégia, de ênfase nas políticas sociais, na redução das desigualdades e no mercado interno, disse a fonte. Mas seriam conciliadas com uma ação mais amigável junto ao setor privado, especial atenção à indústria que definha e à classe média.

Se reeleita, talvez esse grupo não saiba, mas Dilma terá tarefas urgentes já no dia 27 de outubro: começar a reconstruir as pontes que ela mesma dinamitou no curso da campanha.

Não bastará recompor a figura do ministro da Fazenda, tratado com descuido nos últimos dias, como carta fora do baralho. Importante será decidir o que fazer com o Banco Central, instituição cuja reputação vem sendo destroçada por Dilma nas últimas semanas, tanto nas declarações que faz para os jornais quanto na propaganda do horário eleitoral.

A missão primordial do Banco Central - preservar o valor da moeda - que deve ser também o compromisso primeiro de qualquer governo, transformou-se nas mãos da campanha eleitoral de Dilma, em uma tarefa que, se exercida, fará apenas a alegria dos banqueiros.

Pode-se alegar que isso é somente um recurso eleitoreiro. Uma maneira de desqualificar a proposta acatada pela candidata adversária, Marina Silva, do PSB, em favor da autonomia do BC.

Mas, ao expor em praça pública um desenho deformado do Banco Central - como uma instituição que precisaria ser controlada com rédeas curtas pela presidente da República e pelo Congresso, sob o risco de servir à ganância desmedida dos bancos - Dilma feriu de morte a credibilidade do BC para desempenhar o papel que lhe cabe de coordenar as expectativas, conter a inflação, preservar o poder de compra da moeda e garantir a estabilidade financeira. Ou seja: impedir que o dinheiro que o trabalhador recebe ao final do mês se transforme em pó pela corrosão inflacionária.

Alguns estudiosos da história monetária comparam a importância dos bancos centrais, para a civilização, à invenção da roda. Exageros à parte, é preciso entender ao menos os rudimentos da política monetária para formar uma noção do papel do BC e da taxa de juros no controle da inflação, dos canais pelos quais os juros afetam a demanda e chegam aos preços nas gôndolas dos supermercados, tornando a vida das pessoas mais próspera ou não. Destruir a imagem do BC com argumentos forjados por marqueteiros marca um impensável retrocesso institucional que pode custar caro ao país.

A demissão antecipada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, não foi um ato impensado da presidente. Foi o que sobrou da tentativa do ex-presidente Lula de convencer Dilma a fazer uma "Carta aos Brasileiros". Não como a que ele fez em 2002, comprometendo-se com o respeito a contratos e com a estabilidade econômica. A versão da carta de Dilma seria para apontar a direção de eventuais mudanças na política econômica em um segundo mandato.

A substituição de Mantega não era uma novidade. Ninguém contava com ele por mais quatro anos. Mas a forma como foi anunciada constrangeu o ministro, sempre leal à presidente, e deixou acéfala por quatro meses a pasta da Fazenda. Dilma dispensou o ministro, mas nada disse sobre o secretário do Tesouro, Arno Augustin, em tese o responsável pela forte deterioração das contas públicas.

A fé no surgimento de "nova Dilma" foi replicada por uma alta fonte: "Todos os presidentes reeleitos mudaram. Ficaram sob um novo contexto e uma outra correlação de forças no Congresso". Além do que "ela (Dilma) já reconheceu que nem tudo está perfeito. Nós aprendemos errando", disse a fonte.

Essa é uma visão otimista. Há outras, formuladas por interlocutores próximos do ex-presidente Lula: a profunda discordância entre Dilma e Lula ficou clara a partir de 2012, quando ela começou a implementar a "nova matriz macroeconômica", modelo de vida curta, implementado na marra, com juros baixos, câmbio desvalorizado e política fiscal expansionista; e a praticar o microgerenciamento. "É nisso que ela acredita. Ela tem uma agenda política muito forte e pouco compromisso com a realidade", disse um amigo e ex-colaborador de Lula.

Esse enredo não comportaria, portanto, mudanças radicais, como, por exemplo, Dilma convidar Henrique Meirelles para o lugar de Mantega, na Fazenda, no caso de um segundo mandato.

Em três anos e meio de governo, a presidente não se convenceu da importância da taxa de juros no regime de metas para a inflação e, muito menos, da necessária autonomia do BC para perseguir a meta.

Só a duras penas, e com os movimentos de protesto de rua em 2013, admitiu-se no governo que é preciso mirar a meta de inflação. Até então 6,5% (teto da meta de 4,5%) era tido como patamar bem tolerável.

Os compromissos de geração de superávit primário assumidos pela presidente foram sendo abandonados à primeira dificuldade, em nome de uma política fiscal expansionista supostamente geradora de investimentos e emprego. A crença no sistema de preços foi nula, a intervenção no setor elétrico desastrosa, a confiança no governo minguou e o investimento sumiu.

Dilma pode não se reinventar mas, para o bem do país, terá que ao menos atualizar as suas convicções e recuperar a política econômica.
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Subida de Dilma coloca Marina contra parede


Enquanto Dilma recupera o favoritismo, candidata do PSB perde apoio pela dificuldade de sustentar uma perspectiva política clara

A arrancada de Dilma no Ibope confirma aquilo que era fácil de imaginar. Após o imenso impacto da tragédia que matou Eduardo Campos, a campanha presidencial retorna ao ponto de partida e Dilma se aproxima da posição original de favorita. Já tem oito pontos de vantagem no primeiro turno — e se encontra em empate técnico nas pesquisas sobre o segundo.

A dúvida, agora, é o futuro de Marina Silva.

Capaz de navegar na onda emocional, que deixou o país em estado de choque, chegou o momento de demonstrar que é uma candidata competitiva. Seu desempenho, até aqui, tem sido desastroso.

Quanto mais aparece como candidata, o que implica em comprar o debate a partir de uma perspectiva política, perde pontos e credibilidade. Aprovada com louvor no teste de imagem pessoal, não conseguiu demonstrar consistência na discussão de ideias ou propostas.

A queda rápida se explica em função disso. O bom candidato é aquele que cresce toda vez que abre a boca.

Em função de posições políticas abertamente conservadoras, Marina tornou-se irreconhecível para seus antigos eleitores.

Em função do caráter improvisado de suas propostas, perdeu sustentação entre aqueles que poderiam lhe dar apoio como um instrumento mais eficaz para cumprir a prioridade absoluta do empresariado, que é derrotar Dilma Rousseff.

Nos últimos dias, circulavam sinais nítidos de que a própria direção do Itaú mostrava-se insatisfeita com a identificação excessiva da instituição com a candidata.

A campanha está longe de encerrada e pode dar muitas voltas. A dúvida é saber como será capaz de sobreviver até 5 de outubro.

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Ibope confirma a irrelevância da velha mídia


Deu tudo ao contrário do que imaginava o "pool" formado por Veja & Associados, na perfeita definição de Alberto Dines para a velha mídia que, no último fim de semana, disparou o que seria uma "bala de prata" contra a candidatura de Dilma Rousseff, com a divulgação da "denúncia premiada", feita por um réu preso, envolvendo políticos e partidos da base aliada do governo num "propinoduto", que teria sido montado na administração da Petrobras. Até agora, no entanto, não apareceu nenhuma prova.

O objetivo claro era dar uma sobrevida à candidatura presidencial do tucano Aécio Neves, empacado em terceiro lugar nas pesquisas, a quilômetros de distância das favoritas Dilma e Marina Silva, que devem disputar o segundo turno.

A pesquisa CNI/Ibope divulgada agora há pouco, na manhã desta sexta-feira, confirma as tendências anteriormente registradas por outros três institutos que divulgaram seus levantamentos nesta semana: CNT/MDA, Datafolha e Vox Populi.

Em relação à pesquisa anterior do Ibope, Dilma Rousseff subiu dois pontos e foi para 39%, abrindo oito pontos de vantagem sobre Marina Silva, que caiu dois e ficou com 31%. Aécio Neves ficou exatamente no mesmo lugar em que estava na semana passada, com 15%. Na projeção para o segundo turno, o Ibope apontou empate técnico: Marina com 43% e Dilma com 42%. Os especuladores da Bolsa devem estar esfregando as mãos.

Em meio a uma enxurrada de más notícias na economia e a duros ataques do PT contra a candidatura de Marina Silva, as denúncias genéricas contra a "corrupção na Petrobras" nos governos do PT foram, talvez, a última tentativa da imprensa familiar de interferir abertamente no resultado das eleições. O assunto até já sumiu do noticiário, à espera de "novas revelações" para alimentar o discurso de Aécio Neves, que corre o risco de perder as eleições até em Minas Gerais.

As novas pesquisas, agora divulgadas praticamente todos os dias, serviram apenas para mostrar, mais uma vez, a irrelevância dos associados do Instituto Millenium, que, não faz muito tempo, elegiam e derrubavam presidentes. Seus porta-vozes não se conformam, e se tornam cada vez mais raivosos, à beira de um ataque de nervos. Pelo andar da carruagem, a eleição de 2014 será decidida entre duas ex-ministras do governo Lula, deixando fora do jogo o PSDB, pela primeira vez nos últimos 20 anos.

Agora vou-me embora para Porangaba, e vida que segue.

Bom final de semana a todos.

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Charge online - Bessinha - # 2049

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Entrevista de Dilma - RedeTV! iG

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A maior fraqueza de Marina é querer ser Lula e FHC ao mesmo tempo

FHC e Lula
Marina chegou com uma fórmula que parecia vencedora.

Ela como que propunha combinar Lula e FHC numa só pessoa.

De Lula, os programas sociais. De FHC, a estabilidade econômica.

Ao abraçar o legado de ambos, ela dizia romper a polaridade de duas décadas entre PSDB e PT.

O que era uma força vai-se revelando, na verdade, uma fraqueza.

Não dá para ser, no Brasil de hoje, Lula e FHC ao mesmo tempo. É uma mistura impossível.

A Marina A é Lula. Fala em justiça social e promete investimentos bilionários em saúde e educação.

A Marina B é FHC. Seu programa econômico estabelece um ajuste severo nas contas do governo que, na prática, inviabiliza os investimentos sociais prometidos.

Na sabatina de hoje a que ela se submeteu no Globo, isso ficou claro. Mais de um entrevistador — incluída Míriam Leitão — sublinhou essa contradição.

Marina não conseguiu dar respostas satisfatórias sobre isso. Tergiversou. Disse que as pessoas estavam pensando nas despesas sociais da maneira velha. Não são despesas, mas “investimentos”.

Isso não mudou em nada a contradição que Marina encarna, mas ela pareceu satisfeita com o “novo paradigma” de investimentos sociais.

Caso eleita, qual Marina prevalecerá? A Marina versão Lula ou a Marina versão FHC?

Se depender de seu mentor econômico, o economista Eduardo Giannetti, a Marina versão FHC.

Como uma dona de casa ciosa das contas domésticas, ele disse numa entrevista ao Valor que os compromissos só serão cumpridos desde esteja sobrando dinheiro para isso.

Isso quer dizer: para 2015, os brasileiros devem esperar, como disse Churchill aos ingleses na Segunda Guerra, sangue, suor e lágrimas.

Para colocar as coisas no Brasil atual, são as “medidas impopulares” que Aécio prometeu, no começo de sua jornada presidencial, a um grupo de empresários, na presença de FHC.

Não é um caminho simples, este.

O receituário ortodoxo — aplicado com enorme insucesso em países europeus como Grécia, Espanha e Portugal — fatalmente levará às ruas as mesmas multidões que em junho de 2013 mostraram cansaço com a política tal como se faz no Brasil.

Só que desta vez a indignação recairá sobre Marina, que pareceu a muitos manifestantes uma esperança de um Brasil socialmente melhor.

A Marina versão Lula prevalecerá?

Se sim, sua equipe econômica vai simplesmente implodir. A eleição de Marina, para usar as palavras do Estadão, porta-voz do conservadorismo,  seria o “prenúncio de uma crise”.

À medida que a campanha avança, a suposta força de Marina – a combinação de dois legados presidenciais — vai-se revelando sua principal fraqueza.

Parece faltar nexo a sua candidatura, e quando questionada sobre isso ela traz ainda mais confusão onde já não havia clareza.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dilma na TV


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Charge online - Bessinha - # 2048

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Presidente Dilma na sabatina do O Globo - Melhor Momento

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Ibope mostra Dilma com 39%, Marina com 31% e Aécio com 15%




Pesquisa Ibope de intenção de voto para presidente da República divulgada nesta sexta-feira (12) mostra Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, com 39% das intenções de voto e Marina Silva (PSB) com 31%. Aécio Neves (PSDB) aparece com 15%. Os demais candidatos somados acumulam 2%. Brancos e nulos somam 8% e indecisos, 5%.

De acordo com o levantamento, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em um eventual segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, a ex-senadora teria 43% e a atual presidente, 42%. No segundo turno, brancos e nulos são 10% e indecisos, 5%.

A pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira foi realizada entre os últimos dias 5 e 8, antes portanto da pesquisa Datafolha (*) divulgada na última quarta-feira (10) e realizada entre os dias 8 e 9. O levantamento do Ibope foi divulgado somente nesta sexta por opção do contratante, a CNI. A pesquisa Datafolha divulgada na quarta mostrou Dilma com 36%, Marina com 33% e Aécio com 15%.

Na pesquisa anterior do Ibope, do último dia 3, Dilma tinha 37%, Marina, 33%, e Aécio, 15%. O percentual de indecisos era de 5% no último levantamento e o dos que disseram que votarão nulo ou em branco era de 7%.

Confira abaixo os percentuais de cada candidato na modalidade estimulada da pesquisa (em que o entrevistador apresenta ao entrevistado um cartão com os nomes de todos os candidatos):

- Dilma Rousseff (PT): 39%

- Marina Silva (PSB): 31%

- Aécio Neves (PSDB): 15%

- Pastor Everaldo (PSC): 1%

- Zé Maria (PSTU): 0% *

- Luciana Genro (PSOL): 0%*

- Eduardo Jorge (PV): 0%*

- Rui Costa Pimenta (PCO): 0%*

- Eymael (PSDC): 0%*

- Levy Fidelix (PRTB): 0%*

- Mauro Iasi (PCB): 0%*

- Branco/nulo: 8%

- Não sabe/não respondeu: 5%

* Cada um dos sete indicados com 0% não atingiu 1% das intenções de voto; somados, eles têm 1%

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 144 municípios entre as últimas sexta (5) e segunda-feira (8). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. Pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sob o protocolo BR-00593/2014.

Espontânea

Na modalidade espontânea da pesquisa (em que o pesquisador somente pergunta ao eleitor em quem ele pretende votar, sem apresentar a relação de candidatos), o resultado foi o seguinte:

- Dilma Rousseff (PT): 35%

- Marina Silva (PSB): 23%

- Aécio Neves (PSDB): 12%

- Outros: 1%

- Branco/nulo: 11%

- Não sabe/não respondeu: 19%

Segundo turno

O Ibope simulou os seguintes cenários de segundo turno:

- Marina Silva: 43%

- Dilma Rousseff: 42%

- Branco/nulo: 10%

- Não sabe/não respondeu: 5%


- Dilma Rousseff: 48%

- Aécio Neves: 33%

- Branco/nulo: 13%

- Não sabe/não respondeu: 6%


- Marina Silva: 51%

- Aécio Neves: 27%

- Brancos e nulos: 14%

- Não sabe/não respondeu: 8%

Rejeição

De acordo com a pesquisa, Dilma Rousseff tem a maior taxa de rejeição (percentual dos que disseram que não votam em um candidato de jeito nenhum). Nesse quesito, o entrevistado pode indicar mais de um candidato. A CNI divulgou somente as taxas de rejeição de Dilma, Aécio e Marina. Veja a seguir:

- Dilma Roussef: 42%

- Aécio Neves: 35%

- Marina Silva: 26%

Avaliação do governo

A pesquisa mostra que a administração da presidente Dilma tem a aprovação de 38% dos eleitores entrevistados – no levantamento anterior, divulgado no último dia 3, o índice era de 36%. O percentual de aprovação reúne os entrevistados que avaliaram o governo como "ótimo" ou "bom".

Segundo o levantamento, o índice de desaprovação (entrevistados que consideraram o governo "ruim" ou "péssimo") é de 28% (26% no levantamento anterior). Consideram o governo "regular" 33% (na pesquisa anterior, 37%).

O resultado da pesquisa de avaliação do governo Dilma foi o seguinte:

- Ótimo/bom: 38%

- Regular: 33%

- Ruim/péssimo: 28%

- Não sabe/não respondeu: 1%.

Pesquisa Ibope com intenção de voto para presidente (Foto: Arte/G1)
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DataCaf: Dilma 37 a 27

Aécio? Quem, Merval?


O DataCaf desta quinta–feira 11/09 — registra a progressiva e crescente liquefação da Bláblá:
Dilma 37%
Marina 27%
Aécio 14%
Segundo turno
Dilma 43%
Marina 42%
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Por que Aécio Neves está murchando junto com o PSDB

"É tois"
O PSDB caminha para uma transformação inesperada neste ano. De grande e protagonista, o partido possivelmente passará a ser uma legenda média, coadjuvante. Uma das razões é o mau desempenho que o candidato presidencial Aécio Neves deve ter nas próximas eleições. Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, pela primeira vez em 20 anos o PSDB estará fora do segundo turno na luta pelo Palácio do Planalto.

Será também a primeira derrota eleitoral de Aécio, que desde 1987 ocupa cargos eletivos. Foi deputado federal por quatro mandatos, governador de Minas Gerais por duas vezes e atualmente é senador. Além disso, o desempenho dos tucanos nos Estados tende a ser fraco, em comparação com as últimas cinco eleições. Conforme as últimas pesquisas eleitorais, o PSDB lidera a disputa para o Governo de quatro Estados. É exatamente a metade dos governos que elegeu em 2010. De 1994 a 2010, o PSDB elegeu pelo menos seis governadores por eleição.

“Sem um candidato a presidente forte, sem governadores o partido perde competitividade. Por isso, a bancada de deputados e senadores, que já vinha caindo desde o início dos governos do PT, tende a cair ainda mais”, ponderou o cientista político Fernando Azevedo, professor da Universidade Federal de São Carlos.

Após a entrada de Marina Silva (PSB) na corrida presidencial, Aécio caiu cinco pontos percentuais nas pesquisas. No último levantamento, divulgado nesta quarta-feira, ele cravou 15% das intenções de votos e se distanciou ainda mais do segundo turno, que deverá ficar entre a ambientalista e a atual presidenta, Dilma Rousseff (PT).

“Ainda que seja de uma maneira mais lenta, os tucanos terão o mesmo caminho do DEM, que hoje não tem quase nenhuma força”, afirmou Gonzalo Rojas, doutor em ciência política pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da Universidade Federal de Campina Grande.

O DEM (Democratas), citado pelo especialista, sempre foi um partido auxiliar ao PSDB. Antes de se chamar Democratas era o PFL (Partido da Frente Liberal) e chegou a eleger sete governadores, em 1998. Nos últimos anos, porém, enfrentou uma debandada de seus quadros políticos. Neste pleito, tem apenas um candidato com chances de se eleger governador (Paulo Souto, na Bahia) e nacionalmente se aliou a Aécio.

Santo de casa

Nem mesmo em seu próprio quintal, Minas Gerais, Aécio Neves tem tido sucesso neste ano. Ele enfrenta dificuldade para eleger o seu candidato ao governo. Conforme o Datafolha publicado na semana passada, o tucano tem 22% dos votos dos mineiros, fica atrás de Roussef (35%) e Marina (27%). Enquanto foi governador Aécio desenvolveu o choque de gestão, uma política marcada pela diminuição dos gastos do Estado e a modernização dos serviços públicos. As taxas de homicídio reduziram, nos primeiros anos de sua gestão, mas voltaram a subir quando ele passou o bastão para o seu sucessor, o afilhado político Antonio Anastasia (PSDB).

Em Minas, Aécio era visto não só como um bom gestor, mas também como um político que sabia costurar alianças. Foi por meio de suas mãos, por exemplo, que o PSDB fez uma aliança até então incomum com o PT para eleger Marcio Lacerda, do PSB, prefeito de Belo Horizonte, a capital de Minas, em 2008. Hoje, o “criador” de Lacerda se vê em um beco praticamente se saída e precisa lutar contra o partido de sua “criatura” para dar uma sobrevida à sua agremiação.

Com exceção da eleição de 2002, quando José Serra (PSDB) perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os tucanos sempre conseguiram mais de 33 milhões de votos no primeiro turno. Dessa vez, se nada mudar, Aécio deve ficar entre os 15 milhões e 17 milhões de votos. É menos do que Marina Silva, na época no minúsculo PV, obteve em 2010, e o mesmo tanto que Anthony Garotinho, do também pequeno PSB na época, atingiu em 2002.

“Os dados mostram que nem o fiel eleitor do PSDB confia no próprio Aécio. Nas pesquisas ele não conseguia passar da casa dos 20%. Acho que já está em um caminho sem volta”, analisou o professor Azevedo.

Para o cientista político Rojas, os tucanos estão em uma situação paradoxal. “O PT se firmou no governo usando a política econômica do PSDB e criando uma série de políticas sociais compensatórias. O que os tucanos vão criticar? Se atacarem a economia, jogam contra si mesmos. Se criticarem as políticas sociais, perdem votos”, disse.

O mal desempenho de Aécio já virou motivo de piadas. O Piauí Herald, site de humor da revista Piauí, chegou a dizer que se iniciou um movimento volta Serra e que Aécio irá processar os institutos de pesquisa que o colocam em terceiro lugar.

Em sua defesa e buscando reverter o quadro, o candidato passou a atacar suas principais adversárias, disse que é a mudança segura para o Brasil e que acredita que irá para o segundo turno. “Todos que disputam a eleição podem ou não chegar ao segundo turno. Em Minas, por exemplo, nunca cheguei ao segundo turno. Ganhei todas antes do segundo turno, exatamente, do PT. Tenho uma proposta para o Brasil. Uma proposta consistente”.

Do El País
No DCM
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Aécio em MG: não me deixem passar por mentiroso


Isolado em terceiro lugar nas pesquisas, presidenciável Aécio Neves fez um apelo aos mineiros para evitar derrota em seu reduto político: "Não posso acreditar que nós vamos deixar isso acontecer. Vocês não podem me deixar passar por mentiroso, porque falei para repórteres do Brasil inteiro agora há pouco. Disse lá e quero repetir aqui: vou ganhar as eleições em Minas Gerais, sim", afirmou o tucano, ao lado dos candidatos ao governo, Pimenta da Veiga, e ao Senado, Antonio Anastasia; segundo Datafolha, Dilma lidera entre as preferências do eleitor mineiro, com 33% e o petista Fernando Pimentel está na frente na disputa estadual

O presidenciável tucano, Aécio Neves, isolado em terceiro lugar nas pesquisas de intenções de voto, fez um apelo aos mineiros para evitar uma desastrosa derrota em seu reduto político.

Em discurso a militantes e a correligionários em Montes Claros, o tucano disse não acreditar na vitória da presidente Dilma Rousseff no Estado e pediu que não o deixem "passar por mentiroso".

"Eu não acredito. Não posso acreditar que nós vamos deixar isso acontecer. Vocês não podem me deixar passar por mentiroso, porque falei para repórteres do Brasil inteiro agora há pouco. Disse lá e quero repetir aqui: vou ganhar as eleições em Minas Gerais, sim", afirmou o tucano, ao lado dos candidatos ao governo, Pimenta da Veiga, e ao Senado, Antonio Anastasia.

Segundo recente pesquisa Datafolha, Dilma lidera entre as preferências do eleitor mineiro, com 33%; o ex-governador do Estado de 2003 a 2010, tem 26%, em empate técnico com Marina Silva (PSB), que tem 25%. No cenário nacional, Aécio tem 15%, Marina, 33% e Dilma, 36%.
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PM de SC abre inquérito sobre caso de policiais que 'posaram' com preso

Rapaz foi detido após postar foto com 21 pés de maconha no Facebook.
Policiais viram imagem, flagraram jovem, tiraram foto e publicaram na rede.

Policiais tiraram foto com jovem segurando maconha (Foto: Reprodução/Facebook)
O Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina determinou nesta quinta-feira (11) a abertura de um inquérito administrativo para investigar a conduta dos policiais que postaram uma foto no Facebook em que aparecem junto com um jovem preso em flagrante com maconha. O rapaz de 19 anos foi detido após postar na mesma rede social uma foto com alguns pés da droga.

Ainda conforme a chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar, tentente-coronel Claudete Lehmkuhl, o Comando-Geral também pediu a retirada imediata das fotos da rede social. As imagens haviam sido postadas na página do 1º Batalhão Polícia Militar de Itajaí, e às 16h15 desta quinta (11), já haviam sido retiradas. No mesmo horário, não havia confirmação sobre as circunstâncias em que as imagens foram feitas.

Jovem postou foto com pés de maconha em Itajaí (Foto: Reprodução/Facebook)
Jovem postou foto com pés de maconha
em Itajaí (Foto: Reprodução/Facebook)
A prisão ocorreu em Itajaí, na região do Vale do Itajaí, na manhã de quarta-feira (10). De acordo com a Polícia Civil, assim que a imagem do jovem com as drogas foi postada, investigadores da Comarca da cidade compartilharam a foto pelo aplicativo de celular WhatsApp e alguns policiais identificaram o garoto e o local retratados.

Segundo a Polícia Militar, uma guarnição se deslocou até o lugar exibido na rede social e efetuou o flagrante às 10h40 de quarta, no bairro São Vicente, pouco depois da postagem. O jovem, inclusive, aparece com a mesma roupa. Ele foi detido com 21 pés de maconha, um caderno com anotações de tráfico e dois torrões pequenos da substância em casa.

De acordo com a PM, o suspeito tinha antecedentes criminais por tráfico de drogas e ameaça contra criança e adolescente. Devido ao flagrante de tráfico de drogas, o rapaz foi encaminhado ao Presídio Regional da Canhanduba, em Itajaí.

A Defensoria Pública da cidade foi informada sobre o caso, mas ainda aguarda o posicionamento da Justiça sobre a manutenção da prisão ou soltura do rapaz, para então definir se alguém irá atuar na defesa do jovem. 
Caso ele seja mantido na unidade prisional, um defensor público será nomeado.
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PIB se recupera com força e antecipa trimestre positivo


Economia brasileira cresceu 1,50% em julho sobre o mês anterior, melhor resultado em seis anos, desde junho de 2008, e acima do esperado, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira 12; Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, mostrou que a atividade voltou a crescer após duas quedas mensais seguidas é dá sinal de recuperação no início do terceiro trimestre

A economia brasileira cresceu 1,50 por cento em julho sobre o mês anterior, indicou o Banco Central nesta sexta-feira, melhor resultado em seis anos e acima do esperado, um sinal de que a atividade pode ter começado o terceiro trimestre em recuperação.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou que a atividade voltou a crescer após duas quedas mensais seguidas. O resultado de julho passado foi o melhor desde junho de 2008, quando a expansão foi de 3,32 por cento, antes do auge da crise internacional.

Em junho, o indicador havia mostrado contração de 1,51 por cento sobre maio em dados dessazonalizados revisados pelo BC. Anteriormente, havia sido divulgado queda de 1,48 por cento em junho.

O resultado de agora foi também bem melhor que o esperado em pesquisa da Reuters, cuja mediana de 21 projeções apontava alta de 0,80 por cento em julho.

Na comparação com julho de 2013, o IBC-Br recuou 0,31 por cento e acumula alta de 1,14 por cento em 12 meses, ainda segundo dados dessazonalizados.

A economia brasileira entrou em recessão no primeiro semestre, afetada sobretudo pela indústria e pelos investimentos em queda. O cenário de atividade fraca vem junto com o de inflação ainda elevada, num momento em que a presidente Dilma Rousseff (PT) tenta a reeleição.

Em julho, a produção industrial havia avançado 0,7 por cento frente a junho após cinco meses de queda, ainda que os dados tenham sido encarados com cautela por agentes econômicos, que ainda não estavam convencidos na tendência de recuperação.

No mesmo período, no entanto, as vendas no varejo recuaram 1,1 por cento, muito pior do que o esperado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.
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Médico que atendeu paciente do 'Fora Dilma' faz campanha contra o PT no Facebook

Exames mostram que mensagem contra a presidente já aparece há meses

Vários pacientes que receberam exames com a inscrição "Fora Dilma" na Clínica de Olhos da Santa Casa foram atendidos por um médico que é ferrenho crítico da presidente e do PT nas redes sociais. O blog também descobriu que a inscrição "Fora Dilma" já aparece nos exames há mais de três meses.

Após pesquisar e conversar com várias pessoas que tiveram acesso ao resultado semelhante ao revelado pelo Olho Neles, o blog confirmou que todos foram atendidos pelo especialista. A partir daí, o blog procurou o médico pelo telefone para saber se ele trabalhava na Santa Casa e se ele não havia percebido a inscrição nos exames. Após confirmar que trabalha mesmo no local, o jovem profissional alegou não saber do que se tratava, irritou-se e desligou abruptamente o telefone.

Em sua página no Facebook, o médico faz constantes críticas à presidente Dilma Rousseff e ao PT, curte páginas como "Dilma Rousseff, NÃO" e a do presidenciável Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13.

O blog conversou ainda com um especialista em equipamentos médicos, que afirmou que a inscrição que aparece no alto do exame, em uma área chamada "área de mensagens" pode ser alterada pelo computador ligado à máquina. Quem tem acesso a esse computador é o médico e a equipe técnica que cuida do aparelho.

O blog Olho Neles preserva o nome e a imagem do médico, pois a investigação interna da Santa Casa ainda está sendo realizada.

No que diz respeito ao tempo em que os exames já trazem a inscrição, o blog conseguiu uma papeleta com a data de 19 de maio, o que indica que a mensagem já aparece há quase quatro meses nos exames feitos na Santa Casa. O exame foi veiculado por um petista, que se dizia indignado, em sua conta no Twitter no dia 21 de maio. Além disso, o Olho Neles conversou com outro paciente, que foi atendido no dia 5 de agosto. Primeiro, ele disse não se recordar de qual médico havia lhe atendido. Depois, no entanto, acabou, por meio da receita, descobrindo se tratar do mesmo especialista dos outros casos.

Procurada, a Santa Casa destaca que uma sindicância interna foi aberta para investigar o caso a que chama de "sabotagem". 

Post do médico no Facebook:

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Aécio Neves processa institutos de pesquisa que o colocam em terceiro lugar

Aécio mostrou a nova página inicial do Google
HARVARD - Após bloquear buscas indesejadas no Google e filtrar as cutucadas que recebe no Facebook, Aécio Neves resolveu acionar novamente a Justiça: "Ibope, CNT/Sensus e Datafolha vêm fazendo uso do submundo das pesquisas eleitorais para me difamar. Sete entre dez SUVs têm o adesivo de Aécio Neves estampado no vidro traseiro e os institutos insistem em me colocar em terceiro lugar", esbravejou. "Pago meus impostos em dia e vou tomar as medidas judiciais para figurar, ao menos, no segundo turno", completou.

Dando sequência ao projeto de instaurar uma nova internet no Brasil, o candidato tucano entrou com uma liminar contra 666 tuiteiros e exigiu mudanças na ferramenta. "Pago meus impostos em dia e reivindico o direito de escrever mensagens com mais de 140 caracteres", tuitou. Em seguida, em segredo de justiça, mandou apagar o aeroporto que construiu no Second Life.

Setores ligados ao submundo da internet criaram o processômetro para medir a quantidade de internautas processados por Aécio Neves. 

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Judiciário, Twitter e internautas rechaçam ofensivas de Aécio por censura de redes sociais

Pela quarta vez neste ano, candidato tenta intimidar comunicadores independentes; Twitter não quebrará sigilo de usuários e acusa tucano de transformar Judiciário em 'instrumento de perseguição'

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José Cruz/ Abr
Belo Horizonte – No último domingo (07), nada menos que 66 comunicadores independentes começaram o dia com uma surpresa nada agradável: foram notificados pelos administradores do Twitter sobre um mandado de citação e intimação liminar derivado de ação por calúnia movida contra eles pelo senador Aécio Neves (PSDB/MG). Para o candidato tucano a presidente, as críticas coletivas a sua pessoa são fruto de “robôs”, como são chamados perfis falsos criados nas redes sociais para disseminar conteúdo contratado, ou militantes pagos por partidos de esquerda para desconstruir sua imagem pública, e dos quais sua campanha tentou, sem sucesso, coletar IP (Protocolo de Internet, na sigla em inglês, dado que pode localizar geograficamente usuários da rede) e dados cadastrais.

A “denúncia” não vicejou na Justiça, e ainda rendeu “bronca” do Twitter ao candidato a presidente: "Com a devida vênia, são meras elucubrações do autor, absolutamente desprovidas de qualquer indício de veracidade”, pontuou comunicado da empresa, em resposta a pedido do próprio juiz acionado por Aécio, que negou pedido de sigilo sobre a ação e determinou que provas concretas de irregularidade fossem apresentadas de acordo com os perfis dos militantes virtuais.

“Quanto à conduta de usuários cuja ilicitude em nenhum momento restou demonstrada, não podem servir de fundamento para a eventual quebra do seu sigilo de dados. Admitir esse tipo de medida corresponde a transformar o Poder Judiciário em instrumento de perseguição de cidadãos, dando margem ao surgimento de um Estado policialesco, que desconsidera as garantias fundamentais dos cidadãos de forma injustificável. (...) No mérito, requer o Twitter Brasil que seja julgada improcedente a demanda, com a condenação do Autor ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios", concluiu o Twitter.

A reticência do judiciário em acatar o pedido de Aécio e a defesa inflamada do Twitter indicam que se alguém pode ser acusado de calúnia em mais este imbróglio promovido pelo senador mineiro é ele próprio, ao tentar criminalizar o direito constitucional à liberdade de expressão sempre que fatos não favoráveis à sua imagem e propósitos políticos são difundidos e democraticamente discutidos. Três dos cidadãos acusados por Aécio de serem “robôs” da esquerda falaram à RBA e fizeram questão de ser devidamente identificados, para reafirmar que são, sim, seres humanos, e que suas críticas a Aécio são ideológicas, e não contratadas.

Fernando Castro (perfil @ciscozappa), mineiro residente em Belo Horizonte, sociólogo que trabalha na área de educação e planejamento urbano socioparticipativo, destaca que todo o material compartilhado por ele é de conhecimento público. “Condeno qualquer tipo de difamação. Quando se publica algo de que não se tem prova material ou análise por parte da Justiça – como, aliás, o faz boa parte da grande mídia –, está se produzindo falso jornalismo e destruindo imagens públicas”, ressalta Fernando.

“Os conteúdos relacionados ao senhor Aécio Neves que difundi são de conhecimento público e podem ser lidos também em jornais e revistas de circulação nacional. Um deles, o conhecido caso do aeroporto na cidade de Cláudio (MG), em terreno de propriedade da família do senador. Outros, relacionados aos processos judiciais envolvendo desvios de verbas para a área da Saúde, e casos semelhantes durante sua gestão no governo de Minas Gerais”, conta.

Regina Salomão (perfil @ReginaSalomo), de Juiz de Fora (MG), é professora aposentada da Universidade Federal baseada na mesma cidade, diz que não conhece seus colegas de perseguição, e garante que não existe “rede de difamação”, como sustenta Aécio. “Não conhecia nem seguia a maior parte dos 66 tuiteiros, o que é outro argumento contra a formação de uma rede de difamação. De qualquer modo, o Twitter é uma rede com a ferramenta RT, o que caracteriza a normalidade de seu funcionamento como rede”, protesta.

“Minhas divulgações dos atos do candidato foram exclusivamente baseadas nas notícias divulgadas pela mídia, e sempre coloquei os links das matérias ou marcava o nome dos jornais com hashtags (o sinal de #) em meus tweets. Sou mineira, acompanhei as gestões do Aécio e acrescentei comentários sobre as mesmas. Não difamei nem caluniei ninguém. O senador é que terá que provar que sou um robô, pago, e que atuo em rede”, desafia.

O próprio perfil dos processados por Aécio dificulta a argumentação de que há uma “milícia” virtual cujo alvo seria a reputação do PSDB mineiro. Stella de Mendonça (perfil @stellamendonça), paulistana, conservadora e restauradora de bens culturais é perita na obra da artista plástica modernista Annita Malfatti, e diz não ter preferência política: em 1994 e 1998, por exemplo, votou por Fernando Henrique Cardoso. “Nunca fui militante. Votei em FHC, o qual me trouxe plena decepção. Comecei a usar o Twitter recentemente, em 2012, divulgando os absurdos noticiados maciçamente pela mídia sobre o julgamento do ‘mensalão’ do PT”, revela.

“O que mais divulguei, considerado ilícito pelo senador, foram seus atos comprovadamente ilegais, fatos divulgados até pela mídia velha, e especialmente as denúncias do Novo Jornal, cujo dono está preso devido a uma ação por ‘formação de quadrilha’, movida pelo senador e acatada pelo Ministério Público de Minas”, completa.

Stella ressalta que também divulgou com intensidade o caso do aeroporto construído pelo governo estadual de Minas em terreno pertencente à família de Aécio, sempre ressaltando a fonte. “Também difundi o escândalo relacionado ao senador, do aeroporto construído na fazenda de seu tio, a ligação dele com os Perrellas e o helicóptero apreendido com mais de 400 kg de pasta-base cocaína. Tuitava o link das matérias que apresentavam fatos e documentos, pra garantir a veracidade”.

Indignado com mais essa tentativa do senador mineiro de, como fez em Minas Gerais em seus dois mandatos como governador, uniformizar a informação e a opinião de forma a favorecer seu partido e sua imagem pessoal, o Dr. César Marcos Klouri abraçou a defesa dos 66 cidadãos, de forma solidária e gratuita. Segundo Regina Salomão, o grupo tem recebido muitas manifestações de solidariedade de “todos que são contrários à censura, que prezam e defendem a liberdade de expressão, que odeiam a ditadura sob qualquer forma. Muito linda a reação das pessoas. O Brasil avançou mesmo”.

Segundo o deputado estadual Rogério Correa (PT), um dos criadores do Movimento Minas sem Censura, Aécio não sabe lidar com adversidades, tratando quem se contrapõe às suas ideias e atos não como adversários, mas como inimigos, que, portanto, “têm de ser aniquilados, politicamente”.

Outros casos, outro (e perigoso) instrumento de silêncio

Como as acusações de Aécio contra a mídia independente não se sustentam legalmente, o senador lança mão de outro recurso jurídico, com o mesmo propósito de calar as vozes dissonantes, mas com maior peso intimidatório: mover ações por “formação de quadrilha”.

No início do ano, devido à imensa repercussão da apreensão de uma carga de quase meia tonelada de pasta-base de cocaína transportada em helicóptero de propriedade do senador Zezé Perrela (SDD-MG), amigo pessoal e aliado político de Aécio, o candidato processou o Facebook por “direito de imagem”, de forma a tentar cercear a difusão de qualquer conteúdo que o associasse ao caso e aos envolvidos neste, o que, de novo, creditou a “quadrilhas pagas para difamá-lo”.

Em junho passado, acatando denúncia da equipe ligada à candidatura do senador, o Ministério Público do Rio de Janeiro determinou à polícia cumprir mandato de busca e apreensão na casa da jornalista do Canal Brasil Rebeca Mafra, acusada de fazer parte, com mais quatro pessoas, de uma “quadrilha” formada para difamar o candidato Aécio nas redes. Foram apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, chips de computador, CDs com fotos e um roteador, e rigorosamente nada que incriminasse os acusados foi encontrado. No mesmo dia, outros 13 mandatos desse tipo foram cumpridos no Rio de Janeiro.

Em agosto, Aécio processou o Google, Yahoo! e a Microsoft, tentando impedir que tais portais mostrassem resultados de buscas sobre o desvio de verbas na saúde de Minas Gerais durante a sua gestão como governador do estado, o que “quadrilhas formadas e remuneradas” para caluniá-lo difundiam nas redes sociais, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido.

Marcelo Carota
No RBA
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